Lula

  • "Lula, conte com a CTB", diz dirigente Nivaldo Santana em Jornada em Defesa da Democracia

    A Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) participa da Jornada em Defesa da Democracia, uma atividade em solidariedade ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva que presta depoimento ao juiz Sérgio Moro em Curitiba, nesta quarta-feira (10).

    Lideranças dos movimentos sociais e parlamentares de todo o Brasil estão no Paraná para prestar seu apoio a Lula. O vice-presidente nacional da CTB, Nivaldo Santana, acompanhado pela secretária de Imprensa e Comunicação, Raimunda Gomes e pela presidenta da seção estadual da entidade sindical no Amazonas, Isis Tavares participam do ato “Um Brasil Justo para Todos e pra Lula Também”.

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    “O povo brasileiro vive um período intenso de luta. A nossa greve geral de 28 de abril contra o fim da aposentadoria e em defesa dos direitos trabalhistas paralisou mais de 40 milhões de trabalhadoras e trabalhadores do Brasil inteiro”, declarou Nivaldo Santana em discurso nesta tarde na Praça Santos Andrade, onde ocorre a atividade.

    De acordo com ele, esta é uma demonstração da "luta do povo contra essa agenda do governo golpista que está afundando o Brasil e jogando milhões de trabalhadores no desemprego e na miséria”, expressou.

    Assista abaixo a íntegra do discurso:



    Nivaldo denunciou ainda a partidarização da Operação Lava Jato e “Estado de exceção” vivido no Brasil. Na última terça (9), o Instituto Lula teve as atividades suspensas pela Justiça Federal sob a alegação de que o lugar “possa ter sido instrumento ou pelo menos local de encontro para a perpetração de vários ilícitos criminais”, conforme declaração do juiz Ricardo Leite, da 10ª Vara Federal, em Brasília.

    “Nós da CTB somamos nossa voz com amplas forças políticas e sociais que defendem um novo rumo para nosso país: com democracia, desenvolvimento e defesa dos direitos sociais e trabalhistas. Lula, conte com a CTB”, exclamou Santana.

    Pela manhã, o secretário-geral da CTB Paraná, Zenir Teixeira, fez um discurso no qual denunciou as medidas do governo ilegítimo de Michel Temer contra a população. “Eles querem escravizar a classe trabalhadora”, disse ao se referir às reformas trabalhista e previdenciária, que tramitam no Congresso.

    Segundo ele, a organização e a unidade dos movimentos sociais e partidos políticos progressistas e de esquerda são fundamentais para enfrentar as medidas contra a retirada de direitos classe trabalhadora.

    “Nossa luta é justa por um Brasil soberano e livre do imperialismo. Um Brasil socialista que tenha como centro a valorização do homem pelo homem”, finalizou Teixeira.

  • Andifes constata aumento de pobres e negros nas universidades federais com Lei de Cotas

    De acordo com levantamento feito pela Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), as classes D e E tiveram importante crescimento nas universidades federais entre 2010 e 2014 por causa das cotas sociais e raciais.

    “Tivemos uma mudança significativa no perfil dos estudantes, sobretudo depois da Lei das Cotas, o que comprova que o discurso de que só estudam filhos de ricos nas universidades federais, é um mito”, afirma Ângela Paiva Cruz, presidenta da Andifes.

    Em 2014, 66,19% dos alunos vinham de famílias com renda per capita de até R$ 1.320; em 2010, eram 44%. Já os estudantes de famílias com renda de até R$ 2.640 passaram de 40,66% para 51,43%, enquanto que, no patamar de renda entre R$ 7.920 e R$ 8.800 o índice de estudantes caiu de 6,57% para 2,96%.

    “As políticas afirmativas foram criadas para igualar as oportunidades. Para isso, é fundamental corrigir as distorções históricas que relegaram negros, índios e pobres, impedindo o ingresso deles no ensino superior”, diz Mônica Custódio, secretária de Promoção da Igualdade Racial da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).

    “A partir deste estudo da Andifes nós poderemos trabalhar de forma mais eficiente para que os programas e ações em educação, tenham continuidade afim de produzir os efeitos esperados pela sociedade”, diz a coordenadora da Frente Parlamentar Mista pela Valorização das Universidades Federais, deputada Margarida Salomão (PT-MG).

    Para Cruz, “o mito de que a universidade federal é para elite está sendo destruído”. Mas ela faz uma ressalva porque para acabar com a “educação elitista” são necessários mais de 15% de jovens no ensino superior.

    Pela pesquisa, o Brasil conta com 17% dos jovens nas universidades, mas o número considerado ideal pela Andifes, seria a presença de 34% de jovens no nével superior. Importante também o crescimento da presença de alunos negros e pardos.

    Veja a pesquisa completa aqui.

    Em 1997 eram 2,2% pardos e 1,8% negros. Em 2014 esse número subiu para 47,57%, entre negros e pardos. “O levantamento mostra a importância das cotas para corrigir a discrepância entre pobres e ricos e negros e brancos nas universidades”, reforça Custódio.

    O levantamento comprova a bandeira do movimento estudantil de que os estudantes necessitam de ajuda de custo para se manterem nas universidades. De acordo com a Andifes, 45,72% dos estudantes disseram não ter mais do que 5 horas extras para estudar. Outros 42% responderam que a dificuldade financeira atrapalha o desempenho.

    Importante melhorar o Plano Nacional de Assistência Estudantil (Pnaes). “Sem a assistência fica difícil os jovens se manterem em seus cursos, porque precisam de transporte, alimentação e comprar seus materiais”, diz Custódio.

    Para a presidenta da CTB no Amazonas, Isis Tavares, a pesquisa da Andifes reforça a necessidade de os docentes atuarem com mais firmeza em defesa de seus direitos e de melhores condições estruturais para as escolas no país.

    De acordo com ela, os avanços aconteceram por causa da "muita luta dos docentes e estudantes e das políticas públicas criadas nos governos Lula e Dilma e que acora correm riscos de serem extintas".

    Tavares ataca também a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 241/2016 que se aprovada, “acaba com o Plano Nacional de Educação e com toda as possibilidades de uma educação pública, com qualidade e liberdade”.

    Asssista o vídeo Alerta à sociedade: PEC 241/2016, com Daniel Cara, coordenador da Campanha Nacional pelo Direito à Educação 

     

    Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB

  • Até a Rede Globo reconhece que a democracia acabou no Brasil. Assista!

    Ao noticiar a prisão ilegal do ex-ministro de Lula e Dilma, Guido Mantega, e depois a revogação dessa prisão pelo juiz golpista Sergio Moro, o apresentador Evaristo Costa, do Jornal Hoje, da TV Globo, foi translúcido e disse que "Mantega foi quem mais tempo ocupou o cargo de ministro da Fazenda durante a democracia no Brasil". Exatamente isso: "durante a democracia no Brasil", não precisa dizer mais nada.

    Assista Evaristo Costa em ato falho 

    Já no programa Painel, da Globonews, sobre a aceitação pelo juiz Sergio Moro da denúncia feita pelo Ministério Público Federal de Curitiba contra o ex-presidente Lula. A apresentadora Renata Lo Prete ficou com cara de taxo com a análise de Aldo Fornazieri, professor da Escola de Sociologia e Política da Universidade de São Paulo.

    "Todas as ações da Lava Jato de um modo geral são politicamente orientadas", disse. E a decisão de Moro de acatar o pedido do MPF visa, de acordo com Fornazieri, influenciar as eleições municipais deste ano, o movimento "Fora Temer" e atingir a candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva em 2018.

    Veja o professor Fornazieri 

    Portal CTB

  • Ato Cultura pela Democracia reúne Lula e Chico Buarque no Rio de Janeiro hoje

    Quem estiver na capital fluminense nesta segunda-feira (11), pode ter o privilégio de acompanhar o ato Cultura pela Democracia, às 17h, na Lapa. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva estará presente ao lado de Chico Buarque e muitos artistas e intelectuais. Entre eles, já confirmaram presença Wagner Moura, Simone Spoladore, Leonardo Boff, Otto, Ziraldo, Alceu Valença, Beth Carvalho, Fernando Morais, Gregório Duvivier e Letícia Sabatella. 

    Discurso de Chico Buarque no dia 31 de março em ato contra o golpe. Ele diz "não vai ter golpe. De novo não":

     

    Todos os setores da cultura brasileira participam ativamente de atos contra o golpe. Artistas de todos os matizes estão dando a cara a tapa, sem medo de ser feliz. Chico e Lula têm históricos na defesa das liberdades democráticas e nos direitos da classe trabalhadora.

    Beth Carvalho canta Não Vai Ter Golpe de Novo (música feita especialmente para a ocasião):

     

    O ato ocorre hoje, porque a Comissão de Impeachment, da Câmara dos Deputados, deve votar o parecer do relator Jovair Arantes (PTB-GO) - que já tem gente dizendo que quem escreveu foi Eduardo Cunha -, favorável ao impedimento da presidenta Dilma, mesmo sem comprovação de nenhum crime praticado por ela.

    A Fundição Progresso será palco dos inúmeros espetáculos e se a lotação exceder, as pessoas poderão acompanhar por um telão que será montado nos Arcos da Lapa. Lula deve se pronunciar às 19h30. Depopis todos sairão em cortejo para o grande palco da Lapa, que reunirá o colorido dos blocos de carnaval, do samba, do forró e da MPB e a atitude do Hip Hop e do Funk.

    "Lula é o cara", disse certa vez o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama e Chico Buarque se transformou numa das maiores referências culturais do país.

    Clipe de Vai Passar, que virou hino da redemocratização do país:

     

    Atos como esse estarão ocorrendo em todo o país, com inúmeros acampamentos em praças públicas contra o golpe. Grande parte de trabalhadores e trabalhadoras da cultura está engajada nessa luta em defesa da liberdade.

    Leia mais:

    João Bosco e Aldir Blanc convocam para ato em defesa da democracia no dia 11

    TV Poeira lança vídeo didático sobre o impeachment e suas consequências

    Artistas fazem ocupação permanente do Largo da Batata, em São Paulo, pela democracia

    Chico Buarque, Wagner Moura e Fernando Morais lançam manifesto e convocam para ato dia 11

    Em mobilização histórica, Brasil se levanta contra o golpe e pela democracia

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy com informações de agências

  • Ato em defesa da democracia reúne milhares de pessoas em Itabuna

    Com o grito de “Não vai ter golpe!”, milhares de pessoas lotaram às ruas de Itabuna na última sexta-feira (18). O ato, convocado pela Frente Brasil Popular, reuniu, segundo os organizadores, cerca de 5 mil pessoas. Após ficarem concentrados no Jardim do Ó, homens, mulheres e crianças de todas as idades, seguiram em marcha pacífica até a Praça Adami, quando lideranças dos movimentos sociais e políticas discursaram sobre a atual conjuntura política nacional.

    No rosto e na expressão de cada um, a certeza e a consciência de defender, sobretudo, a soberania nacional e sua democracia. “O povo não é bobo”, dizia o cartaz de uma estudante. “Reveja a sua fonte de informação. Livros de história é uma boa opção”, falava outro cartaz.

    O presidente do Sindicado, Jorge Barbosa, foi uma das lideranças que discursaram na manifestação. “Está em curso à tentativa de golpe no nosso país, por isso, precisamos ir às ruas mais vezes, conversar com os nossos familiares e amigos, utilizar as redes sociais com inteligência e objetividade. Nós temos que conscientizá-los que o golpe é contra o povo brasileiro, contra o direito dos trabalhadores, acabar com os programas sociais, privatizar as estatais e entregar o patrimônio público, especialmente o pré-sal, ao capital estrangeiro. Vamos continuar firme nessa luta. Viva o povo brasileiro! Viva o Estado Democrático de Direito”, finalizou.

    Em Salvador, cerca de 100 mil pessoas participaram da manifestação em defesa da democracia que se iniciou no Campo Grande e encerrou na Avenida 7 de Setembro.

    Em todo o Brasil, o Ato em Defesa da Democracia e Contra o Golpe levou milhões de trabalhadores e trabalhadoras para as ruas, pedindo em uníssono a manutenção do mandato da presidenta Dilma Rousseff e da posse como ministro da Casa Civil do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A maior concentração foi em São Paulo, fechando completamente a Avenida Paulista, com 500 mil pessoas.

    Fonte: Seeb-Itabuna

  • Caminhada em defesa da democracia reúne 100 mil pessoas em Salvador

    O povo da Bahia deu mais uma demonstração de força. Cerca de 100 mil pessoas de todos os segmentos da sociedade e diversas cidades do estado se uniram em uma grande caminhada em defesa da democracia e o Estado democrático de direito na tarde desta sexta-feira (18/3), em Salvador. A praça do Campo Grande passou a ser ocupada no início da tarde, quando os manifestantes começaram a se reunir para protestar contra a tentativa de golpe orquestrado por setores conservadores da sociedade, com o apoio da grande mídia e de parte do Judiciário.

    Logo o local ficou lotado e a caminhada saiu em direção à praça Castro Alves, pintando de vermelho, verde e amarelo a avenida Sete de Setembro. O grito de “não vai ter golpe” era preponderante nas faixas, cartazes e falas das lideranças sociais, sindicais e políticas que se revezaram em cima do trio para chamar a atenção sobrea a necessidade de manter a mobilização e a resistência contra mais esta tentativa de ataque à democracia.

    O apelo ecoou nas ruas e muita gente que estava nas lojas e prédios de escritórios se uniram à caminhada ou acenaram bandeiras, manifestando apoio também à defesa do mandato da presidenta Dilma Rousseff e a nomeação do ex-presidente Lula como ministro chefe da Casa Civil.

    Todo o movimento social organizado participou da caminhada levando também as bandeiras com os direitos conquistados durante os anos de gestão progressistas no governo federal. Além do povo de Salvador, vieram caravanas de Jequiriçá, Pintadas, Monte Santo, Maragogipe, São Francisco do Conde, Barreiras, Camaçari, Valença, Juazeiro, Jaguarari, Bonfim, Adustina, Mutuípe, Valente, Santo Amaro, Riachão do Jacuípe, da Chapada Diamantina e do Baixo Sul.

    A CTB Bahia participou desde o início do processo de organização, mobilização e realização da atividade, convocada pela seção baiana de Frente Brasil Popular. Os sindicatos e dirigentes sindicais classistas formaram um grande bloco de trabalhadores em defesa de um país mais justo e com mais direitos para a população.

    “Hoje foi uma demonstração de que de fato o povo está disposto a lutar contra tentativa de golpe neste país. O fato de uma manifestação reunir 100 mil pessoas em um dia de semana é prova de que o povo está disposto a defender o mandato da presidente eleita. Principalmente por que nós sabemos, que o que eles querem é colocar o país a venda e entregar as nossas riquezas ao capital internacional. Tem ainda as decisões de um juiz parcial, que demonstrou a sua disposição de derrubar o governo. Para barrar isso é que o povo veio para as ruas dizer que não vai ter golpe”, comemorou o presidente da CTB Bahia, Aurino Pedreira.

    CTB BA

  • CTB a luta é pra valer: este 1º de Maio promete ser o maior da história

    A Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) presente no grande ato do 1º de Maio, no Vale do Anhangabaú, em São Paulo, com Lula e Dilma para fazer este Dia do Trabalhador o maior da história do Brasil.

    Trabalhadores e trabalhadoras contra o golpe de Estado em marcha para devolver o poder à direita entreguista, antinacional e antipopular. Em todo o país, a CTB leva sua brava militância para as ruas em defesa da democracia.

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    A hora é essa. Às ruas para mostrar que o Brasil não é uma “república de bananas”. Se a classe trabalhadora não tomar as ruas para defender suas conquistas e a democracia, a coisa pode ficar muito pior.

    A CTB se mantém firme na luta e defende a unidade de todas as forças democráticas e populares do país para construir uma frente ampla contra o golpe e para fazer o Brasil avançar rumo ao país dos sonhos e do futuro com liberdade, justiça e igualdade. #CTBALutaÉPraValer.

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    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy - Fotos: Joanne Mota

  • CTB participa de ato em defesa da democracia que reuniu Lula, Chico Buarque e muitos artistas no Rio

    O ato Cultura pela Democracia está acontecendo no histórico palco da Fundição Progresso, no Rio de Janeiro, para acompanhar a votação do parecer da Comissão Especial que analisa o pedido de impeachment da presidenta Dilma, na Câmara dos Deputados, em Brasília. O ex-presidente Lula e Chico Buarqueestarão no evento.

    “Estamos aqui para escrever um novo capítulo na história. Para o Brasil avançar. A democracia está nas mentes e corações. Queremos um país justo para todos os brasileiros e brasileiras”, diz Adilson Araújo, presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).

    Já a jovem presidenta da União Nacional dos Estudantes (UNE), Carina Vitral, disse que é preciso preservar o que foi conquistado no país: "A gente conquistou tantas coisas nos últimos anos e é isso que está em jogo. Vamos barrar esse golpe para manter todos as nossas conquistas”.
    O senador Lindbergh Farias (PT-RJ) acredita que a virada virá com a unidade dos movimentos sociais nas ruas. “O jogo está virando e, no dia 17, vamos encher todas as ruas deste país”.

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                        crédito: Ronaldo Leite

    O dirigente da CTB e presidente do Partido Comunista do Brasil no Rio de Janeiro, João Batista Lemos, defende a necessidade de “unidade de todas as forças democráticas, progressistas e populares para o país retomar o crescimento”. 

    Em seu discurso, o presidente do Sindicato dos Comerciários do Rio de Janeiro, Márcio Ayer, convoca todos a barrar o golpe. "Vamos barrar esse golpe capitaneado pela direita reacionária. Não vai ter golpe!”.

    Guilherme Boulos, da Frente Povo Sem Medo, reforça o coro contra o golpe e defende uma nova agenda para o país "sem esse ajuste fiscal e essa reforma da Previdência”.

    O vocalista dos Detonautas, Tico Santa Cruz, celebra a participação da classe artística no movimento em prol da democracia no país. É importante “o engajamento geral dos artistas que acreditam que esse impeachment é uma tentativa nítida de golpe e manipulação”.

    Portal CTB, com informações de Joanne Mota, do Rio de Janeiro

    Foto do destaque: Ricardo Stuckert/Instituto Lula

     

     

  • Em defesa histórica, Cardozo escancara frágeis teses da acusação contra Dilma Rousseff

    Em um histórico discurso nesta terça-feira (30), José Eduardo Cardozo fez a defesa da presidenta Dilma Rousseff no Senado federal e rebateu os crimes alegados pela acusação, conduzida pelos advogados Miguel Reale Jr e Janaína Paschoal, e que sustentam o processo de impeachment.

    Na primeira etapa de sua defesa, Cardozo comparou o julgamento de hoje com o que se deu durante a ditadura militar, quando Dilma, aos 19 anos, foi presa e torturada por seu ativismo político contra o regime. Cardozo destacou que no passado os militantes políticos eram presos, assassinados e torturados “pelo conjunto da obra”, já que na falta de uma acusação embasada, produziam-se pretextos.

    O mesmo recurso a que os senadores têm recorrido hoje, nas sessões do impeachment no Senado. Na falta de um crime e de provas, eles alegam como motivo maior para sua deposição "o conjunto da obra”.

    Golpe sem tanques

    “Hoje destituições de presidente não se fazem mais com tanques ou com armas. O que é um golpe? Golpe é uma destituição ilegítima de um presidente da República, pouco importando a forma ou o modus pelo qual ele é feito. Não se podia chamar tanques e armas. Criaram-se pretextos jurídicos, pretextos econômicos”, disse Cardozo.

    O objeto deste processo são três decretos de abertura de crédito suplementar e atrasos nas operações financeiras do Plano Safra. Cardozo rebateu ambos em detalhes, explicando as injunções políticas utilizadas nos processos para transformar ações regulares, como os decretos suplementares, realizadas normalmente nas gestões de Lula e de FHC, nos últimos 20 anos, em ações criminosas.

    E ainda lançando mão da retroatividade. Já que a acusação argumenta que Dilma, ao emitir decretos em julho de 2015, descumpriu resolução só aprovada em outubro deste mesmo ano, que alterou a norma. É mais ou menos como mudar a regra do jogo no meio do jogo e punir o jogador por infração retroativamente.

    Justiça retroativa

    Para explicar os decretos, Cardozo citou a Lei de Responsabilidade Fiscal, do ano 2000. “Entende-se que os decretos podem ser baixados, se eu fizer a compatibilização com a meta. De que forma? Através de decretos de contingenciamento. Que estão previstos onde? No art. 9º da Lei de Responsabilidade Fiscal. Por quê? Porque, como o contingenciamento limita o gasto, a autorização de acréscimo do gasto não tem efeito fiscal e não afeta a meta fiscal. E para viabilizar tudo isso, foi feito um procedimento técnico, adotado há mais de uma década, por pareceres técnicos que examinam se há compatibilidade ou não. Isso chega como um despacho burocrático para a Senhora Presidenta da República, com os pareceres dizendo: ‘Olha, esse decreto não afeta a meta’. Isso está aprovado nos autos.” E foi exatamente como ocorreu, até que a norma fosse alterada três meses depois. 

    Sobre as chamadas pedaladas fiscais, que se referem ao Plano Safra, de investimento na agricultura familiar, agronegócios e pequenos agricultores, Cardozo argumentou que não ali nenhuma operação de crédito do governo com os bancos públicos, mas simplesmente um atraso no pagamento, que foi devidamente pago posteriormente. Ele refuta a afirmação de que foi firmado um contrato de crédito entre as partes. 

    "Vocês já viram atraso de pagamento virar novo contrato? Eu nunca vi. Eu atraso um pagamento, "ah, virou um novo contrato". É o mesmo contrato atrasado. Se o empregador atrasa o pagamento do empregado, isso não é um novo contrato. É o atraso do primeiro. É o que aconteceu. É um atraso. Criou-se que esse atraso de pagamento é uma operação de crédito. Sabem por quê? Para dizerem que isso é vedado pela Lei de Responsabilidade Fiscal, para proibirem isso não para o futuro, mas para o passado! ", disse Cardozo.

    Cardozo também exibiu provas de que o Tribunal de Contas da União analisou em 2009 a mesma tabela de créditos adicionais, e que não viu irregularidade e a aprovou. Ele leu trecho do documento, o mesmo que está anexado nos autos do processo. "E se aprovou é por quê? Porque estava certo, a seu ver. Isso em 2009. Se em 2015 entendeu que não estava mais certo, o que aconteceu? Mudança de opinião. Há alguma dúvida nisso?". 

    Mesmo sem existirem dúvidas em relação à possibilidade de crime de responsabilidade neste processo, os senadores continuam dando mostras de que seguirão firme em seu propósito condenatório. Cardozo invocou a Justiça da História, que irá retificar no futuro os graves erros do presente, se o impeachment se confirmar.

    Assista ao pronunciamento na íntegra:

    Portal CTB - foto: Geraldo Magela/Agência Senado

  • Entidade sindical do Paquistão condena tentativa de golpe no Brasil

    Em nota enviada para a CTB, a Federação Unitária de Todos os Sindicatos do Paquistão (APFUTU, sigla inglês), filiada à Federação Sindical Mundial (FSM), condena as tentativas de golpe pelas forças conservadoras no Brasil.

    Os paquistaneses denunciam que este ataque contra a democracia “não está desconectado da ofensiva em curso pelo grande capital internacional e das grandes potências capitalistas, lideradas pelos Estados Unidos”, diz o comunicado.

    Leia abaixo a íntegra: 

    A Federação Unitária de Todos os Sindicatos do Paquistão (APFUTU) condena os movimentos golpistas das forças de direita brasileira que nunca perdoaram a opção feita pela luta contra a pobreza e a natureza social das reformas dos governos Lula e Dilma em favor dos trabalhadores e da maioria das pessoas.

    Esse ataque sem precedentes, que visa o retorno do Brasil a uma situação de instabilidade permanente para facilitar a ascensão da burguesia ao poder não está desconectado da ofensiva em curso pelo grande capital internacional e das grandes potências capitalistas, lideradas pelos Estados Unidos, para reverter e até mesmo destruir os processos de transformação econômica, social e progressiva da política em toda a América Latina.

    A APFUTU em nome dos trabalhadores que representa no Paquistão, envia sua solidariedade com o movimento sindical, os trabalhadores e as pessoas do Brasil na sua luta que eles estão desenvolvendo na defesa de seus trabalhos e das conquistas sociais, da democracia e do desenvolvimento seu país.

    Com Unidade,

    Azam S Zia, All Pakistan Federation of United Trade Unions (APFUTU)

    Portal CTB 

     

  • FMI volta ao comando e recomenda: encolher o salário mínimo, limitar gastos e acelerar reformas

    O famigerado receituário do Fundo Monetário Internacional (FMI) volta a estampar o noticiário dos jornais brasileiros. Após missão oficial ao país, nesta sexta-feira (29) foi divulgado o relatório produzido pela instituição sobre a situação da economia brasileira.

    Entre outras medidas, as autoridades monetárias recomendaram a revisão da fórmula para cálculo do salário mínimo (para baixo, naturalmente), a aprovação de um teto para os gastos públicos (PEC 241) e as reformas previdenciária e trabalhista no Brasil. Além de uma sugestão: promover condições "mais atraentes aos investidores estrangeiros".

    Encolhendo o salário

    Sobre o salário mínimo, o relatório indica: "A fórmula para as revisões do salário mínimo afeta o crescimento de pensões e outros benefícios e é, portanto, uma grande fonte de pressão fiscal no médio prazo. O vínculo entre benefícios sociais e o salário mínimo merece revisão, enquanto a fórmula do salário mínimo deveria ser revisada para melhor refletir as melhoras em produtividade".

    Atualmente, a atualização do salário mínimo no Brasil eleva o rendimento acima da inflação. Leva em conta o IPCA do ano anterior e o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), que é a soma dos bens e riquezas produzidos em um país, de dois anos atrás. Em 2015, o Congresso Nacional aprovou a fórmula com vigência até 2019.

    Esta medida adotada no primeiro governo Lula é responsável por uma valorização recorde do salário mínimo no país, uma das grandes conquistas das últimas gestões populares e progressistas de Lula e Dilma Rousseff. 

    PEC 241

    No comunicado, o FMI também considera acertada a intenção do governo de controlar os gastos públicos. A proposta do Palácio do Planalto é limitar os gastos à inflação do ano anterior, por meio da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 241.

    Para o fundo, "a aprovação e imediata implementação do teto de gastos  (…) ajudaria a melhorar a trajetória do gasto público no longo prazo e permitiria a estabilização e eventual redução da participação da dívida pública no PIB". E o arrocho avança no detalhamento feito pelo relatório para os estados:

    "A trajetória ascendente dos gastos em muitos estados, incluindo alguns dos maiores, precisa ser contida por meio da adoção de uma regra similar à proposta pelo governo federal", defendeu o organismo internacional.

    Previdência

    Com relação à Previdência Social, o FMI defendeu uma reforma ampla, incluindo a modificação das regras para idade. "No interesse da prudência fiscal, bem como da equidade e justiça, a reforma deveria abranger os regimes para empregados do setor público em todos os níveis do governo", afirma o comunicado.

    O organismo é favorável ainda a que o Brasil faça uma série de reformas estruturais, incluindo a trabalhista. Outras reformas estruturais propostas são mudanças regulatórias para tornar o programa de concessões "mais atraente a investidores", de acordo com o relatório, para resolver os gargalos de infraestrutura. O FMI defende também uma abertura da economia, com redução de tarifas e barreiras não tarifárias.

    E o relatório conclui com uma vaga referência aos segmentos menos favorecidos: "Para mitigar o impacto das mudanças sobre os pobres, o pacote de reforma deveria incluir disposições destinadas a proteger os mais vulneráveis".

    Portal CTB com Agência Brasil 

  • Frei Betto participa de homenagem a Fidel Castro nesta sexta (19)

    O teólogo brasileiro Frei Betto participará da homenagem pelos 57 anos do triunfo da Revolução Cubana e do 90º aniversário de seu líder, Fidel Castro, que ocorrerá nesta sexta-feira (19), na Câmara Municipal de São Paulo. 

    Amigo de Fidel, um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores (PT) e integrante do primeiro mandato do governo do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Frei Betto é autor do livro “Fidel e a Religião”.

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    Ele confirmou sua presença na atividade desta sexta organizada pelos partidos PCdoB, PSOl, PT, PSB e PDT, e que terá a participação da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).

    No dia 13, a CTB celebrou o aniversário de Fidel Castro com uma grande comemoração em São Paulo que foi saudada pela Central dos Trabalhadores de Cuba (CTC), por meio de uma nota enviada à central sindical brasileira.

    Serviço:

    90 anos de Fidel Castro e 57 anos de Cuba Livre do Imperialismo

    Data: dia 19/08 - sexta-feira
    Local: Câmara Municipal de São Paulo, plenário 1º de Maio (Viaduto Jacareí,100)
    Horário: das 15 às 18 horas

    Portal CTB 

  • Golpe traz de volta FMI, arrocho e recessão

    O dia 31 de agosto de 2016 entra para a história como a data em que a elite ataca a democracia para acabar com o projeto de governo a favor do povo que vinha ocorrendo nos últimos 14 anos.

    Esse golpe, disfarçado de impeachment, nada mais é do que uma farsa para banir os direitos do povo brasileiro. Um ataque direto aos direitos trabalhistas e sociais, conquistados com os governos Lula e Dilma. Mais ainda querem aniquilar os programas sociais, de distribuição de renda.

    O projeto do governo sem voto, acarretará perdas de conquistas históricas da classe trabalhadora. Pretendem liquidar direitos sociais e individuais, pelos quais as mulheres, os negros e negras, os povos indígenas e a comunidade LGBT verão suas conquistas irem para o ralo com essa elite branca e rica no poder.

    Já começam com a intenção de privatizar o ensino médio e superior na educação. Além de intencionarem impor o projeto “Escola Sem Partido” (saiba mais aqui), que nada mais é do que a imposição do fascismo, da falta de diálogo e do obscurantismo em salas de aula, tirando da juventude, essencialmente a mais pobre, a oportunidade de um desenvolvimento pleno, onde a cognição e a emoção caminhem lado a lado para a formação se um adulto completo, generoso e solidário.

    Acabar com as cotas sociais e raciais nas universidades também trará um prejuízo enorme aos negros e negras, aos pobres e aos povos indígenas. A elite não engoliu a adoção das cotas, que elevaram o número de negros nas universidades como nunca se viu (leia mais aqui).

    Composto por 80% de homens brancos, o Senado Federal cassou a presidenta Dilma para pôr fim às políticas de combate à pobreza, que melhorou a vida de mais de 40 milhões de pessoas, criando políticas públicas para promover acesso à cultura, educação, saúde, moradia, enfim uma vida digna para todos e todas.

    Fundamental neste momento a união de negros e negras com as forças democráticas para combater esse golpe nas ruas e nas redes todos os dias, todas as horas e segundos. Não tem arrego. Essa luta é nossa, por nós e pelas gerações futuras.

    Esse golpe parlamentar-jurídico representa trazer novamente para a vida dos brasileiros e brasileiras o fantasma do Fundo Monetário Internacional com sua receita de arrocho salarial, fim dos direitos trabalhistas e forte recessão na economia.

    Por isso, conclamamos todos e todas à luta. Não vamos permitir que manchem novamente a bandeira brasileira com o sangue de nossa juventude. Lutar sempre!

    Mônica Custódio, secretária de Promoção da Igualdade Racial da CTB

     

  • Hoje, no Rio de Janeiro, ato Cultura pela Democracia reúne Lula e Chico Buarque

    Quem estiver na capital fluminense nesta segunda-feira (11), pode ter o privilégio de acompanhar o ato Cultura pela Democracia, às 17h, na Lapa. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva estará presente ao lado de Chico Buarque e muitos artistas e intelectuais. Entre eles, já confirmaram presença Wagner Moura, Simone Spoladore, Leonardo Boff, Otto, Ziraldo, Alceu Valença, Beth Carvalho, Fernando Morais, Gregório Duvivier e Letícia Sabatella. 

    Discurso de Chico Buarque no dia 31 de março em ato contra o golpe. Ele diz "não vai ter golpe. De novo não":

     

    Todos os setores da cultura brasileira participam ativamente de atos contra o golpe. Artistas de todos os matizes estão dando a cara a tapa, sem medo de ser feliz. Chico e Lula têm históricos na defesa das liberdades democráticas e nos direitos da classe trabalhadora.

    Beth Carvalho canta Não Vai Ter Golpe de Novo (música feita especialmente para a ocasião):

     

    O ato ocorre hoje, porque a Comissão de Impeachment, da Câmara dos Deputados, deve votar o parecer do relator Jovair Arantes (PTB-GO) - que já tem gente dizendo que quem escreveu foi Eduardo Cunha -, favorável ao impedimento da presidenta Dilma, mesmo sem comprovação de nenhum crime praticado por ela.

    A Fundição Progresso será palco dos inúmeros espetáculos e se a lotação exceder, as pessoas poderão acompanhar por um telão que será montado nos Arcos da Lapa. Lula deve se pronunciar às 19h30. Depopis todos sairão em cortejo para o grande palco da Lapa, que reunirá o colorido dos blocos de carnaval, do samba, do forró e da MPB e a atitude do Hip Hop e do Funk.

    "Lula é o cara", disse certa vez o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama e Chico Buarque se transformou numa das maiores referências culturais do país.

    Clipe de Vai Passar, que virou hino da redemocratização do país:

     

    Atos como esse estarão ocorrendo em todo o país, com inúmeros acampamentos em praças públicas contra o golpe. Grande parte de trabalhadores e trabalhadoras da cultura está engajada nessa luta em defesa da liberdade.

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    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy com informações de agências

  • Jornal Guardian publica carta de apoio a Lula com lideranças britânicas; leia em português

    O jornal britânico The Guardian publicou, na última sexta-feira (13), uma curta carta em que denuncia a perseguição política cada vez mais clara ao ex-presidente Lula. O texto, assinado por políticos, acadêmicos e ativistas da Grã-Bretanha, chama o impeachment da presidenta eleita Dilma Rousseff de “remoção anti-democrática” e condena as práticas ilegal recorrentes da Operação Lava Jato na tentativa de remover Lula da vida política brasileira.

    Confira a tradução:

    “Depois da remoção anti-democrática de Dilma Rousseff como presidenta do Brasil, através de um processo que viu 62 senadores reverterem os votos de 54 milhões, houve uma campanha de difamação sem precedentes contra o ex-presidente Lula. Esse ‘julgamento por mídia’ é uma tentativa de impedir Lula de participar do processo político. Sendo uma figura altamente popular por suas reformas que tiraram milhões da pobreza, Lula é considerado um possível candidato nas eleições de 2018. Investigando Lula, procuradores foram incapazes de encontrar qualquer atividade ilegal. Apesar disso, eles o submeteram a várias constrangimentos e detenções, levando à instalação de uma investigação na ONU devido às preocupações de que seus direitos teriam sido infringidos. Nós, subscritos, nos opomos a essa campanha concertada contra Lula, e prestamos solidariedade para aqueles lutando pela democracia e pelo progresso social no Brasil.


    Chris Williamson, ex-membro do Parlamento e membro do Partido Trabalhista
    Roger Godsiff, membro do Parlamento Britânico
    Grahame Morris, membro do Parlamento Britânico
    Elaine Smith, membro do Parlamento Escocês
    Neil Findley, membro do Parlamento Escocês
    Baronesa Jean Corston
    Lord Martin O’Neill
    Lord David Lea
    Len McCluskey, secretário-geral da central Unite the Union
    Tim Roache, secretário-geral da central GMB
    Kevin Courtney, secretário-geral da NUT
    Manuel Cortes, secretário-geral da TSSA
    Mick Whelan, secretário-geral da Aslef
    Ronnie Draper, secretário-geral da BFAWU
    Roger McKenzie, secretário-geral assistente da Unison
    Owen Tudor, chefe de relações internacionais e europeias da TUC
    John Hendy, advogado do Queen’s Council
    Ann Pettifor, economista
    Dr. Julia Buxton, professora de políticas públicas na Central European University
    Dr. Francisco Dominguez, chefe de estudos latino-americanos da Middlesex University
    Salma Yaqoob, ativista
    Matt Willgress, editor da página No Coup in Brazil”

    Portal CTB

  • Juiz que impediu posse de Lula é o retrato da elite que se aparelhou no Judiciário; veja histórico

    Não há como negar que o juiz federal de primeira instância Itagiba Catta Preta Neto, da 4ª Vara Federal do Distrito Federal, tenha tomado os noticiários hoje. Ao emitir decisão liminar impedindo a posse do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como Ministro da Casa Civil, Catta Preta jogou ainda mais gasolina na coluna de fogo em que transformou Brasília nesta semana. No parecer, ele alega que o ingresso de Lula acontece à luz das investigações da Lava-Jato, algo que o governo nega com veemência.

    A Internet, sendo Internet, demorou apenas algumas horas para descobrir o intenso anti-petismo que Catta Preta nutre em sua vida particular. Sabe-se agora que o juiz não apenas participa das passeatas pelo impeachment desde o início, como também se diz grande fã de Ronaldo Caiado (PSDB-GO), senador que já foi cassado e que responde a processos diversos por uso de trabalho escravo em seus latifúndios, entre outros.

    Trata-se de um pessoa sob extrema suspeição.

    O histórico de Catta Preta também foi levantado, e revela uma personalidade altamente alinhada com interesses do empresariado, com decisões que até mesmo interromperem o pagamento de impostos. Está, portanto, plenamente afinado com o público que promove hoje o golpe de Estado, e seu histórico comprova essa análise. Confira:

    Acabou com a multa para demissões desmotivadas - Em 2014, Catta Preta tornou-se famoso entre advogados trabalhistas por emitir decisão que isentava a Camargo Corrêa a cobrança do adicional de 10% sobre o valor da multa do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) em caso de dispensa do funcionário sem justa causa. A decisão abriu precedente para que outras empresas pudessem usar do mesmo recurso, facilitando demissões sumárias por todo o país.

    Contra o CADE e a Lei dos Genéricos - Em 2011, o juiz proferiu sentença anulando decisão do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) que condenava 21 laboratórios por terem montado um cartel contra a entrada de medicamentos genéricos no Brasil. A decisão havia sido anteriormente validada pela Secretaria de Direito Econômico do Ministério da Justiça. Catta Preta permitiu que o grupo continuasse com suas atividades desimpedidas.

    Distribuiu os aumentos na energia elétrica para consumidores, mas isentou geradoras - Em 2013, os geradores de energia venceram disputa com o governo relativa a custos adicionais de operação das termelétricas - cifras que atingiam bilhões de reais. Catta Preta Neto era o responsável pelo caso, e sustou os efeitos de decicões tomadas pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), que havia determinado o rateio dos custos entre todos os agentes do setor elétrico, inclusive geradores. O juiz alegou à época que todos os custos, inclusive de natureza operacional, fossem pagos pelos consumidores finais, mesmo em meio à maior crise de baixa dos reservatórios hidrelétricos até então.

    Livrou as teles de contribuir com a cultura nacional - Já em 2016, o magistrado levou seu viés corporativista para a área da produção audiovisual. Diante de um processo aberto pelo SindiTelebrasil, entidade que representa as operadoras de telecomunicações, ele expediu liminar que estancou o repasse da taxa sobre exploração comercial de obras audiovisuais à Ancine (Agência Nacional do Cinema). Trata-se da Contribuição para o Desenvolvimento da Indústria Cinematográfica Nacional (Condecine), criada para fomentar o mercado audiovisual brasileiro com iniciativas de formação de mão de obra qualificada, preservação do acervo, cineclubismo, desenvolvimento de novas linguagens e talentos, entre outros. A reação dos cineastas e produtores foi dramática.

    Para somar injúria ao dano, a decisão de Catta Preta se deu por conta de um reajuste de 28,5% no valor da taxa, autorizado pelo Ministério da Fazenda e que representaria quase R$ 200 milhões anuais em fomento aos profissionais do setor. Apesar da alta cifra, o aumento representaria apenas 0,4% do faturamento conjunto das operações de telefonia e internet do país, que gira em torno de R$ 230 bilhões. A Advocacia Geral da União luta hoje para reverter esse quadro de favorecimento.

    Manteve procuradora ligada a contrabando no MP, peitando Rodrigo Janot - Em 2012, a procuradora da República Gisele Bleggi Cunha foi afastada da função depois que a maioria dos membros do Conselho Superior do Ministério Público Federal (CSMPF) atestou a prática de contrabando por sua parte. Catta Preta, “para defender uma garantia do povo brasileiro”, negou o afastamento com uma decisão liminar que apontava um detalhe técnico como argumento: apesar das provas, a decisão do Conselho havia sido dada alguns meses depois do período probatório de dois anos. Além do contrabando, Cunha seria afastada por excesso de faltas, e “misturar interesses institucionais com familiares”.

    Um detalhe curioso é que o procedimento era movido, à época, pelo então subprocurador-geral da República Rodrigo Janot, o mesmo que hoje conduz a Procuradoria-Geral da República. O mundo dá voltas.

    Por Renato Bazan - Portal CTB

  • Lula trará agenda positiva para empresários e trabalhadores como ministro, diz economista

    O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi anunciado no dia 16 de março como o novo ministro da Casa Civil do governo Dilma Rousseff. Depois que o juiz Itagiba Catta Preta Neto emitiu uma liminar suspendendo sua nomeação, foi a vez do ministro do STF Gilmar Mendes. O governo ainda recorre na plenária do Supremo.

    Em seu blog no site da revista Exame, da editora Abril, o economista Gilson Schwartz publicou no mesmo dia 16 um texto apontando que Lula poderia formalizar uma segunda “Carta aos Brasileiros”, documento de 2003 que acalmou os agentes do mercado nacional e costurou a política econômica dos primeiros anos do petismo no poder. Gilson Schwartz trabalhou como economista-chefe de Henrique Meirelles — cotado por Lula para o comando do Ministério da Fazenda.

    O DCM conversou com ele para saber sobre a influência de Lula na atual situação e o que há por trás dessa perspectiva mais otimista.

    Você diz que Lula no Ministério da Casa Civil poderia resultar numa “Carta aos Brasileiros 2”? Por que isso aconteceria?

    A paralisia econômica e política têm muitas causas, mas sair desse estado de coisas exige a reconstrução da confiança. Ao menos do ponto de vista econômico, isso acontece quando são alteradas as convenções e as expectativas. Vários economistas, inclusive o Delfim Netto, falaram sobre a necessidade de uma reconstrução de expectativas. É a tal agenda de reformas. Se tudo não passar de jogo de cadeiras e recomposição ministerial, sem um programa de longo prazo, jogaremos água na fervura.

    O ministro Gilmar Mendes diminuiu as chances de participação de Lula no governo. O ex-presidente poderia influenciar por outras vias?

    Poderia. Explicitamente agora, Lula é “o cara”, como dizia Obama. Mais do que nunca é importante deixar claro a natureza política, e não jurídico-criminalística, da participação dele na redefinição de rumos do governo e da política econômica. Agora se ele entrar formal ou informalmente e nada mudar, inclusive nos titulares de Fazenda e Banco Central, aí fica complicado, não é?

    Diversos veículos de imprensa ventilam Henrique Meirelles na Fazenda ou no Banco Central por causa de Lula. Tendo trabalhado com ele, é realmente um aceno positivo aos mercados?

    Minha experiência com ele foi na condição de economista-chefe do BankBoston. Não trabalhei no Banco Central porque ele não quis levar pessoas do mercado, que tinham atuado diretamente com ele, para as funções lá. As opiniões de Henrique Meirelles são conhecidas por suas intervenções periódicas na imprensa.

    O seu retorno ao governo, em qualquer posição, fortalece a hipótese de uma sinalização firme de compromisso com estabilidade de preços, sem dúvida. Ele trará responsabilidade fiscal e internacionalização da economia brasileira.

    Você compara o ex-presidente Lula com Getúlio Vargas ao escrever que “é aquela estratégia conhecida como o modelo do violinista: segurar com a esquerda, mas tocar com a direita”. Ele vai reatar com empresários e banqueiros?

    A comparação é para ilustrar a hipótese de fortes reformas estruturais, institucionais e na regulação, com ênfase no potencial de recuperação do crescimento econômico. Faria isso sem comprometer os princípios de sustentabilidade que são essenciais para a reconstrução da confiança empresarial e financeira. Como Getúlio Vargas, talvez o ex-presidente Lula tenha ainda essa capacidade de costurar uma agenda não apenas nas coalizões partidárias, mas em cenários de longo prazo com ganha-ganha tanto para os capitalistas quanto para os trabalhadores.

    No meu artigo, cito uma nota do Edmar Bacha que, há mais de uma década, diante da chegada de Lula e do PT ao poder, indicava o potencial de alinhamento entre reformas e crescimento econômico num governo de esquerda. Essa oportunidade está presente agora e não deveria ser perdida no Brasil.

    O mercado tem medo que o governo utilize 372 bilhões de dólares de reservas para melhorar a economia. A presidente nega. Você acha que existe a possibilidade?

    Acho nula essa possibilidade. Reservas internacionais são como a bomba atômica, porque existem para evitar a guerra cambial e atuam sobre convenções e expectativas. Usá-las para pedalar seria um tiro no pé.

    Quais são suas perspectivas para o câmbio no curto e no longo prazo pós-Lula no ministério?

    Já ocorreu o ajuste cambial. Dependendo das mudanças na área econômica, existe agora até mesmo o potencial de uma nova pressão pela valorização do real. Levando em conta que o debate em torno da elevação dos juros nos EUA continua, no longo prazo será possível reduzir muito rapidamente os juros e evitar que um novo ciclo de otimismo nos coloque novamente numa situação cambial incômoda. Essa situação pode acontecer, digamos assim, até o fim do mandato de Dilma.

    Você me falou no começo deste ano que está desenvolvendo, com Marcelo Petersen Cypriano, uma saída da recessão brasileira ainda em 2017. Lula contribui para este cenário?

    Vamos apresentar nossos cenários no final de abril em seminário na FIPE (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas). Desde o final do ano passado, com base apenas em dados econômicos, defendemos um cenário mais otimista que a média do mercado. Dependendo da nova equipe e do compromisso com reformas estruturais que relancem um cenário de longo prazo, o retorno de Lula pode tornar ainda mais rápida a recuperação.

    Há possibilidade do governo Dilma cair? Se sofrer impeachment, há alguma previsibilidade econômica neste contexto?

    Nosso cenário político tem sido menos catastrófico que a média do mercado e é muito evidente, entre as opiniões na grande imprensa das últimas semanas, que ganharam peso as visões de uma incerteza ainda maior no caso do impeachment prosperar. Com a retomada da iniciativa política do PT, reforma ministerial e garantias absolutas de respeito ao Estado de Direito e às instituições da República, acho que os corruptos serão capturados e condenados.

    É possível dizer que economistas que refletem pensamento de curto prazo estão afetando negativamente as perspectivas do país?

    Houve erros de timing, houve corrupção, houve excessos na gestão da política econômica de inflação da demanda no curto prazo, em boa medida porque era inevitável uma subordinação do governo à lógica da reeleição. Daí a acreditar que o mundo acabou e o Brasil vai perder uma década houve exagero entre economistas, políticos e comentaristas.

    Mas não é apenas o Brasil que enfrenta dificuldades. Quando se olha para a economia norte-americana, que também passa pelo seu próprio ciclo eleitoral, o horizonte já não é de uma década perdida.

    O pensamento de longo prazo segue otimista mesmo com crise em outros países?

    China, Rússia, EUA, União Europeia… todos estão em movimento, de juros negativos a rearranjos políticos. Ninguém está olhando a crise passivamente. Se o governo Dilma, com Lula, sair da lógica de curto prazo e reconstruir uma visão de futuro, indicando claramente por onde o Brasil voltará a brilhar.

    Isso envolve rediscutir metas e prioridades. Vamos todos ostentar nosso orgulho verde e amarelo, mas para torcer por nossos atletas nos Jogos Olímpicos.

    Por Pedro Zambarda, do Diário do Centro do Mundo

  • Lula: "O governo precisa tomar a iniciativa. O emprego precisa ser uma obsessão"

    O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou de um café da manhã com blogueiros na manhã desta quarta-feira (20), em São Paulo, na sede de seu Instituto. Ao longo de cerca de três horas, Lula falou sobre combate à corrupção, a situação econômica do país e suas sugestões para superar a crise, o momento político da presidenta Dilma e do PT, entre outros temas. Você pode ler o resumo do encontro no site do Instituto Lula.

    Lula falou sobre a importância de preservar o crescimento econômico para manter o desenvolvimento atingido nos últimos 13 anos, e ressaltou o papel do governo neste processo: “Se o governo não está pondo dinheiro [na economia], porque o empresário vai por? O governo precisa tomar a iniciativa. Você precisa escolher o que fazer, com investimento público. Precisamos de uma forte política de financiamento, temos muitas obras inconclusas que precisam ser terminadas”, disse, e ressaltou o Plano de Investimento em Logística, nesse sentido. “Não existe nada mais edificante para um ser humano do que ser capaz de prover seu próprio sustento. O jovem está ansioso para trabalhar. O emprego precisa ser uma obsessão para nós”, continuou.

    O líder petista sugeriu que a presidenta reintroduza políticas de crédito e financiamento no curto prazo, com objetivo de reaquecer o consumo e os investimentos de forma imediata, seguidas de amplos investimentos em infraestrutura, articulando o movimento sindical e os empresários num pacto de crescimento. “Se a gente fizer tudo isso, a gente faz a roda da economia girar. Aí o governo vai arrecadar mais, e ter mais capacidade de investimento”, explicou.

    Ele lembrou do caso dos Estados Unidos, que ao longo da crise emitiu trilhões de dólares para aquecer a própria economia, como um exemplo de endividamento proveitoso: apesar de terem subido sua dívida de 74% para 105% do PIB, evitaram uma depressão econômica que poderia ter estagnado aquele país por décadas. “O Obama endividou o país, mas para fazer a economia girar. Você cria um ativo que vai dar retorno e vai te ajudar a arrecadar mais. Agora falam da nossa dívida, ela cresceu porque o PIB caiu. Se o PIB crescer, ela cai. Então o jeito da gente consertar a economia, na minha opinião, é fazer a economia crescer”, falou.

    O ex-presidente deu ainda um contra-exemplo: a Grécia. “Eles começaram uma crise que 30 bilhões resolviam, mas depois de 10 anos de discussão, chegou a uma situação que 200 bilhões não resolviam”, lembrou.

    Para Lula, Dilma precisa reestabelecer o diálogo com a sociedade, organizar a base política com outros partidos e assumir compromissos com aliados no Congresso. “Política é assim. Se tem uma coisa que o Congresso Nacional adora, e qualquer parlamento do mundo, é presidente fraco. Veja o papel do Eduardo Cunha: ele se presta a criar uma pauta-bomba todo dia, sem se importar se tem algo pra votar que tenha importância para o país. Pelo amor de Deus, precisamos pactuar com a base aliada, para que a minoria não paralise este país. O governo foi eleito para governar, e não pode permitir que a pauta negativa paralise o país”, concluiu.

    Portal CTB, com informações do Instituto Lula

  • Lula: Por que querem me condenar

    Em mais de 40 anos de atuação pública, minha vida pessoal foi permanentemente vasculhada -pelos órgãos de segurança, pelos adversários políticos, pela imprensa. Por lutar pela liberdade de organização dos trabalhadores, cheguei a ser preso, condenado como subversivo pela infame Lei de Segurança Nacional da ditadura. Mas jamais encontraram um ato desonesto de minha parte.

    Sei o que fiz antes, durante e depois de ter sido presidente. Nunca fiz nada ilegal, nada que pudesse manchar a minha história. Governei o Brasil com seriedade e dedicação, porque sabia que um trabalhador não podia falhar na Presidência. As falsas acusações que me lançaram não visavam exatamente a minha pessoa, mas o projeto político que sempre representei: de um Brasil mais justo, com oportunidades para todos.

    Às vésperas de completar 71 anos, vejo meu nome no centro de uma verdadeira caçada judicial. Devassaram minhas contas pessoais, as de minha esposa e de meus filhos; grampearam meus telefonemas e divulgaram o conteúdo; invadiram minha casa e conduziram-me à força para depor, sem motivo razoável e sem base legal. Estão à procura de um crime, para me acusar, mas não encontraram e nem vão encontrar.

    Desde que essa caçada começou, na campanha presidencial de 2014, percorro os caminhos da Justiça sem abrir mão de minha agenda. Continuo viajando pelo país, ao encontro dos sindicatos, dos movimentos sociais, dos partidos, para debater e defender o projeto de transformação do Brasil. Não parei para me lamentar e nem desisti da luta por igualdade e justiça social.

    Nestes encontros renovo minha fé no povo brasileiro e no futuro do país. Constato que está viva na memória de nossa gente cada conquista alcançada nos governos do PT: o Bolsa Família, o Luz Para Todos, o Minha Casa, Minha Vida, o novo Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar), o Programa de Aquisição de Alimentos, a valorização dos salários -em conjunto, proporcionaram a maior ascensão social de todos os tempos.

    Nossa gente não esquecerá dos milhões de jovens pobres e negros que tiveram acesso ao ensino superior. Vai resistir aos retrocessos porque o Brasil quer mais, e não menos direitos.

    Não posso me calar, porém, diante dos abusos cometidos por agentes do Estado que usam a lei como instrumento de perseguição política. Basta observar a reta final das eleições municipais para constatar a caçada ao PT: a aceitação de uma denúncia contra mim, cinco dias depois de apresentada, e a prisão de dois ex-ministros de meu governo foram episódios espetaculosos que certamente interferiram no resultado do pleito.

    Jamais pratiquei, autorizei ou me beneficiei de atos ilícitos na Petrobras ou em qualquer outro setor do governo. Desde a campanha eleitoral de 2014, trabalha-se a narrativa de ser o PT não mais partido, mas uma "organização criminosa", e eu o chefe dessa organização. Essa ideia foi martelada sem descanso por manchetes, capas de revista, rádio e televisão. Precisa ser provada à força, já que "não há fatos, mas convicções".

    Não descarto que meus acusadores acreditem nessa tese maliciosa, talvez julgando os demais por seu próprio código moral. Mas salta aos olhos até mesmo a desproporção entre os bilionários desvios investigados e o que apontam como suposto butim do "chefe", evidenciando a falácia do enredo.

    Percebo, também, uma perigosa ignorância de agentes da lei quanto ao funcionamento do governo e das instituições. Cheguei a essa conclusão nos depoimentos que prestei a delegados e promotores que não sabiam como funciona um governo de coalizão, como tramita uma medida provisória, como se procede numa licitação, como se dá a análise e aprovação, colegiada e técnica, de financiamentos em um banco público, como o BNDES.

    De resto, nesses depoimentos, nada se perguntou de objetivo sobre as hipóteses da acusação. Tenho mesmo a impressão de que não passaram de ritos burocráticos vazios, para cumprir etapas e atender às formalidades do processo. Definitivamente, não serviram ao exercício concreto do direito de defesa.

    Passados dois anos de operações, sempre vazadas com estardalhaço, não conseguiram encontrar nada capaz de vincular meu nome aos desvios investigados. Nenhum centavo não declarado em minhas contas, nenhuma empresa de fachada, nenhuma conta secreta.

    Há 20 anos moro no mesmo apartamento em São Bernardo. Entre as dezenas de réus delatores, nenhum disse que tratou de algo ilegal ou desonesto comigo, a despeito da insistência dos agentes públicos para que o façam, até mesmo como condição para obter benefícios.

    A leviandade, a desproporção e a falta de base legal das denúncias surpreendem e causam indignação, bem como a sofreguidão com que são processadas em juízo. Não mais se importam com fatos, provas, normas do processo. Denunciam e processam por mera convicção -é grave que as instâncias superiores e os órgãos de controle funcional não tomem providências contra os abusos.

    Acusam-me, por exemplo, de ter ganho ilicitamente um apartamento que nunca me pertenceu -e não pertenceu pela simples razão de que não quis comprá-lo quando me foi oferecida a oportunidade, nem mesmo depois das reformas que, obviamente, seriam acrescentadas ao preço. Como é impossível demonstrar que a propriedade seria minha, pois nunca foi, acusam-me então de ocultá-la, num enredo surreal.

    Acusam-me de corrupção por ter proferido palestras para empresas investigadas na Operação Lava Jato. Como posso ser acusado de corrupção, se não sou mais agente público desde 2011, quando comecei a dar palestras? E que relação pode haver entre os desvios da Petrobras e as apresentações, todas documentadas, que fiz para 42 empresas e organizações de diversos setores, não apenas as cinco investigadas, cobrando preço fixo e recolhendo impostos?

    Meus acusadores sabem que não roubei, não fui corrompido nem tentei obstruir a Justiça, mas não podem admitir. Não podem recuar depois do massacre que promoveram na mídia. Tornaram-se prisioneiros das mentiras que criaram, na maioria das vezes a partir de reportagens facciosas e mal apuradas. Estão condenados a condenar e devem avaliar que, se não me prenderem, serão eles os desmoralizados perante a opinião pública.

    Tento compreender esta caçada como parte da disputa política, muito embora seja um método repugnante de luta. Não é o Lula que pretendem condenar: é o projeto político que represento junto com milhões de brasileiros. Na tentativa de destruir uma corrente de pensamento, estão destruindo os fundamentos da democracia no Brasil.

    É necessário frisar que nós, do PT, sempre apoiamos a investigação, o julgamento e a punição de quem desvia dinheiro do povo. Não é uma afirmação retórica: nós combatemos a corrupção na prática.

    Ninguém atuou tanto para criar mecanismos de transparência e controle de verbas públicas, para fortalecer a Polícia Federal, a Receita e o Ministério Público, para aprovar no Congresso leis mais eficazes contra a corrupção e o crime organizado. Isso é reconhecido até mesmo pelos procuradores que nos acusam.

    Tenho a consciência tranquila e o reconhecimento do povo. Confio que cedo ou tarde a Justiça e a verdade prevalecerão, nem que seja nos livros de história. O que me preocupa, e a todos os democratas, são as contínuas violações ao Estado de Direito. É a sombra do estado de exceção que vem se erguendo sobre o país.

    Luiz Inácio Lula da Silva foi líder sindical por toda sua vida e presidente do Brasil de 2003 a 2010, tendo deixado o maior legado de ascenção social da história do país. Ele é presidente de honra do PT.

    Os artigos publicados na seção “Opinião Classista” não refletem necessariamente a opinião da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e são de responsabilidade de cada autor

  • Milhões se mobilizam em defesa da democracia em todo o Brasil; ato é o maior já realizado

    Em todo o Brasil, o Ato em Defesa da Democracia e Contra o Golpe levou nesta sexta-feira (18) milhões de trabalhadores e trabalhadoras para as ruas, pedindo em uníssono a manutenção do mandato da presidenta Dilma Rousseff e da posse como ministro da Casa Civil do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Organizada pela Frente Brasil Popular, a comoção atingiu ao menos 45 cidades em todo o país, incluindo todas as capitais estaduais e Brasília.

    A maior concentração foi em São Paulo, fechando completamente a Avenida Paulista, onde por volta de 500 mil pessoas participaram do maior ato em defesa do governo até agora. Lula participou ele mesmo desse ato, assim como o prefeito da metrópole Fernando Haddad, eletrizando os militantes partidários, sindicalistas e integrantes de movimentos sociais presentes. Muitos simpatizantes dos governos petistas compareceram de forma espontânea, seguindo as muitas convocações feitas por artistas e intelectuais pela Internet. Outras capitais também registraram cifras impressionantes: Recife reuniu 200 mil pessoas, e Belo Horizonte, Fortaleza e Salvador reuniram 100 mil cada.

    Ao lado de Lula, o presidente da CTB, Adilson Araújo, falou aos manifestantes sobre a história particular de sua família, que migrou da Paraíba e da Bahia para São Paulo para escapar da pobreza que assolava o Nordeste. "A história da minha vida é a história da maioria do povo brasileiro, como é a história do presidente Lula. Nós viemos para São Paulo no pau-de-arara e sofremos muito, mas conseguimos avançar porque o povo brasileiro aprendeu a votar. E aí percebemos que foi muito bom vencer essa batalha, porque a minha famíla começou a ir nos rolezinhos, a ter acesso à universidade... Mas agora, estão assustados, porque a Lava Jato está fechando milhões de empregos! É necessário que a gente possa contribuir com esse debate - querem rasgar a Constituição, querem sepultar o Estado Democrático de Direito, e quando eles conseguirem fazer isso, aí vão poder botar fim na Petrobras, botar fim no pré-sal, acabar com o salário minimo e iniciar uma onda de desemprego", denunciou. "Vai ser muito bom tomar as ruas do Brasil para garantir a legitimidade do mandato, e fazer valer aquilo que é mais sagrado, que diz respeito a nossas vidas: a democracia, que é a nossa arma!", concluiu.

    Você pode ouvir o pronunciamento na íntegra logo abaixo.

    Entre as falas de dezenas de lideranças, um tema recorrente foi a manifestação de solidariedade ao ex-presidente e sua família, alvos de ações abusivas por integrantes do Judiciário e de uma agressiva campanha de difamação. Emocionado com o tamanho do protesto, Lula pregou o entendimento entre as pessoas de pensamentos diferentes, mas alertou para a necessidade de se respeitar as regras do jogo democrático. "Esse país tem que voltar a crescer, tem que ter convívio civilizado e democrático. Perdi eleição em 1989, em 1994 e em 1998, e em nenhum momento vocês me viram ir para a rua protestar porque outro ganhou", lembrou. "Eu não quero que o eleitor do Aécio vote em mim. Eu quero que todos compreendam que democracia é conviver com a diversidade. A maioria do povo brasileiro quer que deixem a presidenta Dilma governar, pois foi para isso que ela foi eleita", disse, com reações muito animadas do público. Ele disse que está entrando no governo para ajudar na estabilização da política e da economia, e encerrou sua fala com a palavra de ordem "Não vai ter golpe!", ecoada fortemente por toda a avenida.

  • Ministro da Educação quer a volta das aulas de Educação Moral e Cívica nas escolas

    A proposta de reforma do ensino médio (saiba mais aqui) do ministro golpista da Educação José Mendonça Bezerra Filho visa “acabar com qualquer possibilidade de o país manter uma educação contemporânea, voltada para o avanço do país na era do conhecimento”, diz Marilene Betros, dirigente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e da CTB-BA.

    Em concordância com ela, Camila Lanes, presidenta da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes), “acabar com aulas de Filosofia, Sociologia, História e Geografia, entre outras da área das ciências humanas é retroagir para a época da ditadura, implantada de 1964”. Para ela, "os estudantes querem alimento para o corpo, mas para a alma também, por isso querem estudar essas matérias que são importantes para o diálogo e para a nossa formação".

    Para ela, o Ministério da Educação, do governo golpista, pretende “implantar o projeto Escola sem Partido (veja mais aqui) em conta-gotas, já que o projeto como um todo não passa em lugar nenhum. Justamente porque visa acabar com a luta da juventude por uma educação pública de qualidade e para todos”.

    Os argumentos do ministro baseiam-se nos mais recentes dados divulgados pelo Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb, leia mais aqui). “Duas matérias muito utilizadas pela ditadura para doutrinar estudantes”, defende Betros.

    Ela conta que “os docentes vêm lutando há anos por uma educação que faça os alunos pensarem. Porque entendemos a escola como um espaço para refletir e com isso formarmos cidadãos e cidadãs com capacidade de construir um futuro onde superemos os preconceitos e o autoritarismo”, complementa.

    Já para Lanes, “eles querem acabar com todas as conquistas que tivemos nos governos Lula e Dilma, rumando para uma educação formadora de consciências livres para um país sem uma educação voltada para os interesses do desenvolvimento nacional autônomo”.

    Enquanto os defensores da proposta do ministro afirmam que há necessidade da volta dessas disciplinas para recuperar alguns valores de cidadania e pela importância de fazer com que os jovens entendam mais sobre si mesmos e, com isso, compreender a conjuntura política e social do país”.

    Foi a Lei 869 de 12 de setembro de 1969 que estabeleceu, em caráter obrigatório, como disciplina e, também, como prática educativa, a Educação Moral e Cívica em todos os sistemas de ensino no Brasil, já que a matéria já existia desde a década de 1930, mas em caráter facultativo. 

    Inconformada, Betros também acredita que essa estratégia do MEC faz parte de um entendimento deturpado. “Nós defendemos uma educação que leve em conta o desenvolvimento das cognitivo e emocional das crianças e jovens. Não de matérias que ditem regras estapafúrdias e fora da realidade”.

    Ela lembra que “nenhuma reforma educacional pode ocorrer sem a participação da sociedade e das entidades ligadas à educação”. Para a sindicalista, “educação tem que formar para o exercício pleno da cidadania, possibilitando aos alunos formular pensamento original sobre todas as questões da vida”.

    Na realidade, reforça Lanes, “os projetos golpistas querem acabar com a educação pública, privatizando o ensino médio e superior, voltando à educação para poucos. Ainda mais se a gente notar que menos de 30% das prefeituras e estados pagam o Piso Nacional do Magistério”.

    Mas ela garante que haverá resistência da juventude que se acostumou com a democracia. “Iremos ocupar as escolas contra o desgoverno Temer. Já ocupamos contra privatização, pela punição de ladrões da merenda e se pensam que desistiremos da educação pública de qualidade estão muito enganados”.

    Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB

  • Na Holanda, manifestantes fazem ato contra o golpe no Brasil e divulgam manifesto

    Grupo de brasileiras e brasileiros residentes  nos Países Baixos, na Europa fizeram manifestação, neste 1º de Maio, em Amsterdã, capital da Holanda, contra o golpe no Brasil. Também divulgaram uma nota de repúdio. De acordo com os organizadores, holandeses e pessoas de outras nacionalidades aderiram ao ato.

    "Reeleita democraticamente em 2014 com 54 milhões de votos, a presidenta Dilma Rousseff vem enfrentando um parlamento majoritariamente ultra-conservador, homofóbico, misógino, racista e neo-fascista, financiado pelo grande capital, que ataca os direitos da classe trabalhadora e das 'maiorias excluídas'”, diz a nota de repúdio. 

    Leia a nota de repúdio na íntegra:

    Apoiado por holandeses e democratas de outras nacionalidades, Nós, um grupo apartidário de brasileiras e brasileiros residentes nos Países Baixos, repudiamos a tentativa de ruptura da nossa democracia, reconquistada em 1985, após 21 anos de ditadura civil-militar.

    Lamentavelmente, mais uma vez na nossa história, a parte privilegiada da sociedade — donos da grande mídia, empresários, banqueiros, donos de terras, altos servidores da justiça, parlamentares ultra-conservadores — se une para golpear nossa Democracia, conquistada com sangue e luta.

    Há quatorze anos, durante os governos Lula e Dilma, o país vive importantes transformações sociais. Um grande segmento da nossa sociedade, sempre ignorado e excluído dos projetos dos governos anteriores, passou a ter voz e parte de suas reinvindicações atendidas por meio de secretarias especiais e de projetos de lei de ações inclusivas, participativas e afirmativas, dirigidas à remanescentes indígenas e quilombolas, LGBT's, mulheres, trabalhadores rurais, das favelas e periferias, negros, estudantes pobres, entre outros. Investimentos públicos nas áreas da saúde e educação foram realizados.

    A implementação do Projeto Mais Médicos, da Lei de Cotas, do Fies, do Ciência Sem Fronteiras, do Pronatec, a construção de mais universidades públicas e escolas técnicas possibilitou que milhões de pessoas pobres e de classe média baixa fossem incluídas na sociedade brasileira, a caminho da cidadania plena. A correção anual e sucessiva do salário mínimo, o Bolsa-Família que garante renda mínima às populações mais vulneráveis, o registro em cartório da união entre pares homoafetivos, o reconhecimento do nome social e de identidade de gênero para travestis e transsexuais na administração pública, o reconhecimento legal do trabalho doméstico como profissão, entre inúmeras outras, foram medidas de grande importância, conquistas das lutas dos movimentos sociais e da sociedade civil, implementadas durante os quatro mandatos de governo Lula e Dilma, apesar do constante boicote de grupos da oposição de direita e das insistentes campanhas para desacreditá-los e demonizá-los.

    Reeleita democraticamente em 2014 com 54 milhões de votos, a presidenta Dilma Rousseff vem enfrentando um parlamento majoritariamente ultra-conservador, homofóbico, misógino, racista e neo-fascista, financiado pelo grande capital, que ataca os direitos da classe trabalhadora e das “maiorias excluídas”. Tal parlamento, em conspiração com o vice-presidente da república, Michel Temer (PMDB) - citado nas investigações da Polícia Federal por crime de corrupção - seu parceiro de partido Eduardo Cunha - atual presidente da Congresso Nacional, inúmeras vezes indiciado por corrupção pela Procuradoria-Geral da República – e o partido do candidato derrotado por Rousseff (PSDB), tramam o impeachment da presidenta democraticamente eleita. Trata-se de um Golpe Parlamentar contra a presidenta, já que não há base legal que comprove o alegado “crime de responsabilidade”.

    As corporações midiáticas brasileiras, com destaque à corporação Globo, têm propagado um discurso de ódio a um projeto de Brasil inclusivo, identificado primariamente com o PT, mas também com todo e qualquer adepto da esquerda, estimulando um ódio classista, racista, machista e LGBT-fóbico, historicamente enraizado na sociedade brasileira. Esse discurso e as políticas para as quais aponta devem ser interrompidos e revertidos. Os movimentos sociais e a sociedade civil organizada no Brasil e no exterior estão em constante mobilização nas ruas pela defesa da democracia, apontando também o caráter misógino dos ataques à presidenta, o qual Repudiamos veementemente, ataques estes que têm sido cotidianos na mídia hegemônica, nas ruas e no parlamento.

    Rechaçamos as manobras feitas contra a Constituição e a execrável tentativa de golpe parlamentar contra o Estado Democrático de Direito no Brasil! Os conspiradores não têm legitimidade para passar por cima dos 54 milhões de votos que elegeram a presidenta do Brasil. Políticos, personalidades e a grande mídia estrangeira também estão denunciando a gravidade do momento político no Brasil, revelando seu caráter antidemocrático e golpista. Exigimos instituições idôneas, democráticas e verdadeiramente representativas de todo o povo brasileiro.

    NÃO AO GOLPE!

    Sim à continuidade e ao aprofundamento das políticas sociais e trabalhistas inclusivas!

    Sim à mudança imediata da política econômica neo-liberal do governo em prol de uma política de desenvolvimento social não-privatista, humanizada e participativa!

    Sim ao aborto legal!

    Sim à reforma política!

    Sim à reforma jurídica!

    Sim à reforma tributária!

    Sim à reforma agrária!

    Sim à sociedade justa, igualitária e de bem-estar social para todos e todas!

    Amsterdã, 1 de maio de 2016.

    Fonte: Jornalistas Livres

  • Nem a revista Forbes perdeu a chance de rir da apresentação contra o Lula

    O terremoto de memes e montagens que seguiu a apresentação da acusação da Operação Lava Jato contra o ex-presidente Lula não ficou limitado às fronteiras brasileiras. Depois da apresentação vexaminosa do procurador Deltan Dellagnol, não houve quem não fizesse sua própria versão do agora lendário slide de acusação. No fim desta quinta-feira (15), a revista Forbes, tradicional porta-voz para o mercado financeiro dos Estados Unidos, resolveu entrar na brincadeira, e fez até sua própria montagem.

    “Um slide em particular, com uma bagunça de flechas e balões incongruentes, deixou o Brasil histérico. Um dos balões, bizarramente, menciona ‘reações de Lula’ com uma flecha apontando para o balão ‘Lula’, o que confundiu muitos dos leitores do Powerpoint. O slide inclui até a palavra ‘proinocracia’, que não parecer ser uma palavra real”, escreve a revista.

    O veredito dos jornalistas americanos não é bonito: “Com um design mais parecido com um tabuleiro de Banco Imobiliário do que qualquer outra coisa, ela tem todos os elementos essenciais de uma apresentação mal feita de Powerpoint: texto demais, um desenho confuso e desnecessário, flechas de causa incoerentes, palavras que precisam de hífens várias vezes para caber nos balões, e até o erro. Ela tem a enormidade de 14 flechas - 14 flechas! - o que, corrijam-me os juízes do Powerpoint se estiver errado, deve ser um novo recorde”.

    A revista convida os próprios leitores a fazerem seu próprio slide de acusação, com o link para um gerador automático que algum espertinho disponibilizou na Internet.

    CTB infografico em defesa do trabalhadorNós também não perdemos tempo e fizemos o nosso próprio slide de evidências sobre a CTB

    Como nem tudo é brincadeira, ela explica que o motivo real da chacota foi o tom impertinente da apresentação, que tentou colar a pecha de criminoso em Lula ao mesmo tempo em que admitia a falta de provas sobre o caso. “É claro, a continuidade rigorosa da Lava Jato é a melhor esperança de combate à corrupção sistêmica no Brasil. A Câmara dos Deputados acaba de anular o mandato do ex-presidente Eduardo Cunha - um bom primeiro passo. Agora, a Lava Jato deve continuar no impulso de combater a corrupção em todos os partidos. O problema é que, se Lula é corrupto, esse fato deve ser provado em um processo legal justo”, analisa.

    E conclui com a devida provocação: “O fato de que o processo legal mais crítico no Brasil neste momento esteja sendo apresentado por slides rísiveis de Powerpoint não exatamente ajuda a oferecer a credibilidade que ele precisa”.

    Portal CTB

  • Novo bate-boca entre investigadores de Lula expõe o óbvio: a Lei está sendo ignorada

    A luta fratricida entre aqueles que querem prender Lula subiu de temperatura nesta quinta-feira (20) com o recebimento de uma reclamação sobre os rumos da Operação Lava Jato. O documento formal, entregue à juíza Maria Priscilla Ernandes Oliveira, da 4ª Vara Criminal paulista, argumenta que ela estaria passando por cima da lei ao aceitar retomar o processo contra o ex-presidente. O convite teria vindo do próprio time de Curitiba, com a anuência de Sergio Moro.

    A reclamação não mede palavras: “Vossa Excelência dolosamente desrespeita determinação do Tribunal de Justiça de São Paulo [de entregar o caso para Sergio Moro]. (...) Já que foi decidido, agora que arquem com as consequências dessa decisão...”.

    O TRF4 acaba de publicar um acórdão que basicamente dá poderes infinitos à Lava Jato

    Quem escreve a peça é ninguém menos que o promotor Cássio Conserino, que passou vergonha em março ao acusar o ex-presidente de receptar um triplex no Guarujá, mas não apresentar provas. Desta vez, seu alvo foi a bagunça jurisdicional em que está se transformando a perseguição.

    “Não adianta agora passar por cima da lei e dar margem lá na frente a NULIDADES ABSOLUTAS”, escreve um irritado Conserino, numa petição agressiva (que pode ser lida logo abaixo). 

    peticao reclamacao cassio conserino lava jato(Clique para ampliar)

    Ninguém desconfia que Conserino tenha boas intenções para com Lula - anteriormente, ainda em fase preliminar de investigação, o promotor manifestou sua vontade de prendê-lo pessoalmente. Talvez por ressentimento, a nova denúncia aponta diversas irregularidades na forma como a justiça vem sendo torcida para chegar ao encarceramento. “Não tem um Juiz de Direito, quer seja estadual, quer seja Federal, poder para ignorar o MP e fazer uma espécie de ‘acordo’ [para ignorar decisões de instâncias superiores]. (...) Desta forma, o recebimento parcial de denúncia é absolutamente NULO”, argumenta.

    Conserino se dá o prazer até mesmo de mandar uma indireta para seu colega Deltan Dallagnol, outro investigador ridicularizado pela falta de isenção. “Não denunciamos com base em achismo”, escreve, em referência à máxima “não temos provas, mas temos convicção”.

    Parte do ressentimento de Conserino se dá devido à diferença flagrante nas teses acusatórias dos MPs de São Paulo e do Paraná - algo que tem sido apontado frequentemente como indício de inconsistência nas denúncias. Enquanto o time de Conserino enxerga no apartamento um pagamento fraudulento por parte da Bancoop, cooperativa habitacional ligada ao Sindicato dos Bancários, os justiceiros da Lava Jato acreditam que ele seria pagamento da empreiteira OAS para favorecimentos em contratos da Petrobras.

    São obviamente histórias muito diferentes. O que as une, no entanto, é a falta de provas e, aparentemente, o pouco respeito pelo devido processo jurídico.

    Por Renato Bazan - Portal CTB

  • O dia em que Lula nocauteou a Rede Globo

    Durante toda esta quarta-feira, acompanhei a cobertura que a Rede Globo (e seu braço pago, a GloboNews) fez sobre o depoimento do ex-presidente Lula ao juiz Sérgio Moro. Jornalistas e comentaristas animados, esfuziantes até, gargalhavam muitas vezes, fazendo os prognósticos sobre o depoimento. Mas toda essa euforia deu lugar à depressão. Sem tempo de editar os primeiros vídeos disponibilizados pela Justiça Federal – o que ocorreu por volta das 20 horas – e certa de que eles iriam terminar por afundar Lula e consagrar a Lava Jato e Sérgio Moro, a Globo arriscou e levou as imagens ao ar sem edição. Cometeu um grande erro. Lula nocauteou a Globo no 1º round.

    No Bom dia Brasil, a emissora se concentrou nos preparativos e acompanhou o “Dia de Lula”. Flashs mostravam Lula e Dilma se deslocando para Curitiba e o esquema de segurança armado ao redor da sede do Tribunal de Justiça.
    A GloboNews continuou a cobertura matinal no mesmo rumo, mas com foco maior nos comentários e análises. Nessa primeira etapa do dia, os comentaristas e âncoras especulavam sobre como seria o depoimento. O jornalista Valdo Cruz, mais torcendo do que analisando, chegou a dizer que era importante “prestar atenção no ambiente da sala de interrogação” porque poderia “sair até uma prisão por desacato”.

    Outra preocupação da emissora dos Marinho era com os prazos processuais. Cristiana Lobo disse que Moro costuma demorar de 20 a 30 dias para tomar as decisões após os interrogatórios – palavra que a Globo utilizou durante todo dia para salientar que Lula estava em Curitiba como réu, acusado de crimes. Condenado em primeira instância por Moro – já que em nenhum momento se aventou a hipótese de absolvição, aliás Lula está condenado por Moro e pela Globo desde o início da operação – o processo vai para julgamento em segunda instância, o que costuma demorar um ano, de acordo com as previsões de Cristiana Lobo e Valdo Cruz. Ou seja, Lula seria condenado – nunca julgado – entre maio e junho de 2018, o que o tornaria inelegível no período das convenções partidárias para as definições das candidaturas presidenciais.

    O discurso martelado ao longo do dia – de que Lula e o PT estão politizando o processo – soou pura demagogia, uma vez que a cobertura fez isso desavergonhadamente, e não só hoje. Aliás, isso foi mais ou menos dito por Anselmo Góis, que assumiu os comentários no período da tarde, sob o comando da sorridente Maria Beltrão, que não conseguiu esconder a empolgação. Qualquer um que ligou a TV na GloboNews nesta quarta-feira, 10, viu um clima no estúdio completamente estranho ao necessário distanciamento de uma cobertura jornalística.

    A todo momento, Maria Beltrão lembrava que a defesa de Lula teve negado o pedido para gravar o depoimento e que este pedido não fazia mesmo sentido, porque os trechos do interrogatório seriam enviados para a imprensa divulgar como tem sido feito até agora. A expectativa de todos no período da tarde se concentrou no acesso aos vídeos, como se eles fossem o grande ápice de todo o processo de condenação pública de Lula.

    Aos poucos, a GloboNews começou a mostrar imagens das manifestações “pró-Lula” e “pró-Lava Jato”. A diferença numérica era impossível de disfarçar. “Apesar de poucos estão bem animados”, repetiam os jornalistas, se referindo às poucas mais de 20 pessoas que estavam no Centro Cívico de Curitiba. Sobre as milhares de pessoas reunidas em frente à Universidade Federal do Paraná em apoio ao Lula, os comentários maldosos eram “quem será que está pagando”, “de onde saiu o dinheiro para aquela mobilização”.

    No final da tarde, ficou nítida a preocupação da equipe de jornalistas da GloboNews com a demora para o encerramento do depoimento. Para a emissora, que transmite conteúdo noticioso em toda a sua programação, isso não é necessariamente um problema. Então, porque a apreensão? Estavam preocupados na verdade com o carro chefe da empresa, o Jornal Nacional. Se o depoimento se alongasse o JN não teria conteúdo para noticiar.

    Mas eis que as 19:54 minutos a GloboNews veicula o primeiro vídeo disponibilizado pela equipe de Moro, com trechos do depoimento onde o juiz faz perguntas a Lula sobre o triplex. E para a decepção de todos o que se viu não foi um Lula agressivo – como eles alardearam durante todo o dia – ou um Lula fazendo discurso político, ou um tom beligerante. O primeiro trecho de cerca de 8 minutos do depoimento mostrou o inverso disso. Lula respondendo perguntas pontual e calmamente diante de um Juiz que não apresentou nenhuma prova contra ele. Após a exibição deste primeiro trecho era visível a consternação dos 6 jornalistas que estavam ao vivo, e que tentaram driblar as imagens, dizendo que Lula estava objetivo graças ao preparo de Sérgio Moro.

    Imediatamente voltei para o Jornal Nacional que acabara de começar. Bonner e Renata Vasconcelos estavam atônitos. Mas seguiram na linha de levar ao ar os vídeos sem edição. Os pouco mais de 15 minutos de trechos do depoimento que foram exibidos durante o JN já foram suficientes para mostrar que “o ambiente na sala de interrogação” foi totalmente inverso do que a Globo esperava: de um lado do ringue um Lula seguro, calmo e objetivo, respondendo a todas as perguntas. Do outro lado um juiz sem provas, com documentos sem assinaturas e de origem desconhecida.

    Pior ainda, nas considerações finais de Lula – momento em que o ex-presidente fez sua defesa e que não foi exibida pelo JN – ele denuncia todo o julgamento midiático do qual tem sido vítima e coloca a mídia e a Globo para dentro da sala do interrogatório. “A imprensa é o principal julgador desse processo”.

    Ele citou dados que demonstram como a cobertura da mídia foi seletiva. Desde março de 2014, segundo levantamento apresentado pelo ex-presidente, foram 25 capas da Isto É, 19 da Veja e 11 da revista Época todas contra Lula. Nos jornais impressos, foram veiculadas na Folha de S.Paulo 298 matérias contra Lula e apenas 40 favoráveis, “tudo com informações vazadas da Polícia Federal e Ministério Público”, disse Lula; no jornal O Globo foram 530 contra Lula e e 8 favoráveis, e no Estadão foram 318 contrárias e 2 favoráveis. Já o Jornal Nacional veiculou 18 horas e quinze minutos contra Lula nos últimos 12 meses. Ele também denuncia os vazamentos previlegiados à Rede Globo e ao Jornal Nacional.

    A Globo e o oligopólio midiático perderam feio a aposta de que Moro seria o grande vencedor da luta anunciada para o dia 10 de maio. No ringue armado pela mídia semana passada, quem ganhou de nocaute no primeiro assalto foi Lula. Claro que eles vão tentar melar o resultado e terão tempo de assistir as 5 horas de depoimentos para escolher os melhores momentos para veicular sistematicamente e tentar mudar o placar. Mas a luta do Estado Democrático de Direito e do devido processo legal saiu na frente. Vamos aguardar as próximas rodadas.

    Renata Mielli é jornalista, coordenadora-geral do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação, secretária-geral do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé e colunista da Mídia Ninja às quintas-feiras.


    Os artigos publicados na seção “Opinião Classista” não refletem necessariamente a opinião da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e são de responsabilidade de cada autor.

     

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