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Ter, Set

Frente Povo Sem Medo

  • 100 mil brasileiros foram às ruas pelas “Diretas Já”, e a PM tentou calá-los na maior baixaria

    Este foi um domingo (4) como poucos para a jovem democracia brasileira - da última vez que centenas de milhares saíram para gritar “Diretas Já!” pelas ruas de São Paulo, estavam também vivendo um regime de exceção, e igualmente temiam as agressões dos militares. Os 100 mil que caminharam entre a Av. Paulista e o Largo da Batata em 2016, no entanto, protestaram contra Temer a plenos pulmões, e exigiram uma nova eleição presidencial. Se impuseram diante de um governo que desconhece o conceito de cidadania.

    A dupla Temer-Alckmin havia “proibido” o protesto na quinta-feira (1), é bom lembrar. Temer chegou ao ponto de autorizar o uso das Forças Armadas contra quem ousasse chamá-lo de “golpista”, e Alckmin disponibilizou sua Tropa de Choque para garantir o silêncio. Em resposta, foram sumariamente ignorados pelas Frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, que continuaram a organização do evento. Coube ao prefeito Fernando Haddad procurar o secretário de Segurança Pública do estado, Mágino Barbosa Filho, para lembrá-lo que um governo não tem o poder de proibir uma manifestação.

    O ato deste domingo em nada lembrou os cinco anteriores, que aconteceram em todos os dias da semana e foram classificados de “grupos pequenos de não mais que 40 a 100 vândalos” pelo presidente Temer. A começar porque as 100 mil pessoas presentes dizimaram aquela avaliação torpe, tanto em números, quanto em comportamento. Não houve qualquer tentativa de vandalização ou enfrentamento por parte dos manifestantes. A presença de famílias inteiras, com crianças de colo, idosos e até cachorros, deu um tom otimista ao evento.

    Entre as lideranças políticas, compareceram figuras como Eduardo Suplicy (ex-senador), Ivan Valente (deputado federal), Luiza Erundina (deputada federal), Alexandre Padilha (ex-ministro da Saúde de Dilma), Lindbergh Farias (senador pelo RJ), Guilherme Boulos (coordenador do MTST) e Adilson Araújo (presidente da CTB).

    “O ‘Fora Golpista’ passou a ser uma questão de sobrevivência. A classe trabalhadora, que luta por direitos sociais, precisa cumprir o seu papel nessa fase importante da luta política nacional”, explicou Araújo, em vídeo ao vivo (abaixo). “Vai ser muito importante levantar essa bandeira para fazer prevalecer as conquistas da classe trabalhadora. Nenhum direito a menos! Vamos juntos nessa luta, nessa caminhada!”, concluiu.

    Alcance nacional

    Muitas outras cidades aderiram aos protestos contra o golpe. Em Curitiba (PR), o quinto dia de luta levou 7 mil a gritarem o “Fora Temer” e pedir novas eleições, marcando uma contagem crescente de participantes. Ali, quem se destacou foi o movimento feminista, que conduziu a manifestação do início ao fim.

    Salvador (BA) também marcou um comparecimento relevante, com cerca de 5 mil pessoas, que andaram entre o Campo Grande e o Farol da Barra. A deputada federal Alice Portugal, candidata a prefeita da cidade pelo PCdoB, também participou do ato, e fez coro aos que lembravam dos 92% de desaprovação que Temer sofre entre os soteropolitanos.

    Já o Rio de Janeiro aproveitou o clima de resistência propício do Ocupa MinC para realizar uma caminhada até o Canecão, onde artistas resistem há mais de 100 dias contra Michel Temer. A marcha começou no início da tarde, perto das 13h, em frente ao Copacabana Palace, com cerca de 5 mil pessoas. A deputada federal e candidata à prefeitura Jandira Feghali foi uma das lideranças do ato, e fez um discurso enfatizando a necessidade de novas eleições diretas: “Neste momento, a única coisa que pode salvar o processo democrático é convocar uma eleição para a presidência da República", disse. Ela estava acompanhada por Marcelo Freixo, também candidato à prefeitura - um gesto de pluripartidarismo que não passou despercebido.

    Florianópolis teve participação também, mas na sexta-feira. 48 horas antes, mais de 13 mil pessoas atravessaram a cidade para gritar contra o golpe de Estado e exigir eleições.

    diretas ja 2016 florianopolis rio salvadorDa esquerda para a direita: Florianópolis, Rio de Janeiro, Salvador (Fotos: NINJA)

    Fora do Brasil, Paris e Nova Iorque tiveram concentrações relevantes, e Barcelona aproveitou o seu Dia do Brasil para denunciar a crise política. Em Nova Delhi, na Índia, o mesmo aconteceu durante o Brics Film Festival.

    Violência gratuita e baixaria da PM

    Infelizmente, a noite teve uma conclusão desagradável para quem chegou ao Largo da Batata, em São Paulo. Foram mais de 5 km de caminhada para chegar ali, por volta das 20h45. Apesar de terem sido provocados diversas vezes pela PM ao longo do trajeto, não houve um episódio sequer de violência entre os paulistanos. Os policiais chegaram a atravessar com o batalhão armado bem no meio da manifestação, e depois apagaram as luzes no túnel da Rebouças. Tudo o que conseguiram foi ouvir palavras de ordem ainda mais vibrantes. Já no Largo, os líderes das Frentes fizeram seus discursos de encerramento e pediram uma dispersão pacífica.

    Mas paz não era o que a PM queria, e o que seguiu foi um espetáculo de repressão arbitrária por parte da Tropa de Choque.

    Em poucos minutos, os tanques do Choque ocuparam o Largo e começaram a disparar canhões de água aleatoriamente. Os soldados primeiro fecharam o metrô Faria Lima para os manifestantes, e em seguida começaram a atirar balas de borracha e bombas de gás em todas as direções, causando pânico. Os ataques de gás acertaram inclusive o deputado federal Paulo Teixeira e Roberto Amaral, ex-ministro da Ciência e Tecnologia. 

    repressao largo da batataA Tropa de Choque atacou de forma completamente gratuita os manifestantes, enquanto se dispersavam. Feriram 12 pessoas (Foto: AFP)

    A atitude beligerante despertou reações violentas em alguns manifestantes, que foram então detidos por “vandalismo”. E novamente os brutamontes atacaram os jornalistas que registravam os excessos, incluindo um da rede britânica BBC.

    Questionado, o comandante da segurança, Henrique Motta, disse apenas que não controlava as ações do Choque. O Choque, por sua vez, respondeu que a corporação atendia um pedido do Metrô, que teria reportado ações de vandalismo na estação. A assessoria de imprensa do Metrô, no entanto, negou qualquer comunicação com a Polícia ou vandalismo registrado. Nesse jogo de empurra, as bombas continuaram a explodir.

    No final dessa baixaria, o Grupo de Apoio ao Protesto Popular (GAPP) confirmou ferimentos em 12 pessoas: 3 alvejados por balas de borracha, 4 atingidos por estilhaços de bomba, 5 com dificuldades respiratórias graves por conta do gás. Entre os últimos, estava um cadeirante, que entrou em estado de pânico e não conseguiu se empurrar para longe das explosões.

    Prisões arbitrárias, negação do direito de defesa

    Mais tarde, descobriu-se que a mesma PM apreendera sem qualquer razão alegada 27 jovens que estavam a caminho do ato, por volta das 16h30, e que manteve-os encarcerados por mais de 6 horas sem acusação formal. Negou-lhes também o acesso a advogados. O defensor público Marcelo Carneiro Novaes, barrado na tentativa de defendê-los, disse aos Jornalistas Livres: “Em 32 anos de advocacia, é a primeira vez que vejo um advogado não conseguir ingressar num prédio público onde são exercidas as atividades da polícia judiciaria”. Ele se declarou “espantado” com o comportamento da PM.

    O coronel Motta nega que a atitude tenha sido política: “Estava apenas fazendo o meu trabalho”. Para o sociólogo Sérgio Amadeu, no entanto, a PM paulista vem apresentando um perfil cada vez mais próximo de uma polícia política, aliada de Geraldo Alckmin. “Claramente, a polícia age de modo idêntico àquele que enfrentei no regime militar. Todavia, na época da ditadura, os advogados podiam falar com os presos. Vivemos um Estado de exceção”, analisou em seu perfil no Facebook.

    Talvez o maior dos mistérios, diante desse desastre de atuação da PM, tenha sido a imagem escolhida pela Globo News para ilustrar o confronto: uma vidraça quebrada em um estabelecimento na avenida Paulista. Assim a rede justificou o que a PM fez: em decorrência de uma ação isolada, há 5 quilômetros do local de confronto.

    Seria uma surpresa, se não fosse a mesma corporação que negou a existência das Diretas em 84.

    Por Renato Bazan - Portal CTB

  • Artistas apoiam o Povo Sem Medo; movimento toma as ruas neste domingo (31) pelo "Fora Temer"

    A TV Poeira vem se colocando como uma importante trincheira pela democracia, desde o início da campanha contra o processo de impeachment ilegal, instaurado na Câmara dos Deputados. No vídeo abaixo, diversos artistas falam sobre as  manifestações programadas para o domingo (31). 

    "Dia 31 de julho, teremos manifestações por dois caminhos no país. Um que apoia um governo só de homens brancos, ricos, investigados pela Lava Jato e que foi convocado por um grupo que mobilizou o país contra a corrupção, mas que no fundo foi patrocinado por partidos corruptos e ajudaram a colocar uma quadrilha no poder", dizem os artistas.

    "O outro quer um Brasil com mais direitos, sem o preconceito racial, sem homofobia, sem o machismo, com mais diversidade, sem corrupção. E acima de tudo que tem o direito de escolher o seu presidente", aí perguntam: "de que lado você fica?. Com Temer ou fora Temer?". E "por um 'acordão' para barrar a Lava Jato ou por uma reforma política para barrar a corrupção?" Enfim perguntam se "este Congresso deve decidir os rumos do Brasil ou você com seu voto?"

    Assista o brilhante vídeo da TV Poeira

    Mais um vídeo genial da TV Poeira 

     

    Em depoimento também para a TV Poeira, o cantor e compositor Mano Brown, do Racionais MC's, diz que "eles (elite golpista) querem trocar um governo por outro" e nada mais. Critica a mídia e diz que "o povo está alheio. Isso que é muito preocupante", afirma. 

    De acordo com o rapper paulista, "se perguntar na periferia quem é o Renan Calheiros ninguém sabe, se perguntar quem é Eduardo Cunha, o camelô não sabe e eles estão detonando o país". Perguntado sobre qual a solução para o impasse vivido no Brasil ele responde que é "eleição direta". No final pergunta ao interlocutor: se o Brasil não é "um país de crime organizado, por que estes caras estão no poder?"

    Veja Mano Brown 

    O grupo pernambucano Nação Zumbi puxa o ‪#‎ForaTemer,‬ durante apresentação no Festival de Inverno de Garanhuns e o público segue o canto e vibra com a frase mais dita no país nos últimos dois meses.

     Nação Zumbi entoa #ForaTemer

    Nesta quarta-feira (27), durante a abertura do Seminário Democracia na América Latina, em Curitiba, cerca de 7 mil pessoas gritaram "Fora Temer", à espera do ex-presidente uruguaio Pepe Mujica.

    Acompanhe o uníssono "Fora Temer" 

    A presidenta da União Nacional dos Estudantes (UNE), Carina Vitral, convoca os estudantes para participar dos atos  "Fora Temer", promovido pela Frente Povo Sem Medo, em diversas cidadades no Brasil e em outros países como Alemanha e Holanda. Ela diz que é "o povo quem deve decidir sobre os rumos do país", por isso defendeu o plebiscito como forma de resolver o impasse criado pela elite golpista.

    Carina Vitral convoca para a defesa da democracia

     

    O cineasta Ruy Guerra, que nasceu em Moçambique e naturalizou-se brasileiro, visitou o Ocupa Minc RJ, na segunda-feira (25), logo após a desocupação violenta e disse que "estamos muito próximos do fascismo", ele critica a atuação do judiciário e diz que virou um "reduto do fascismo". 

    Assista o cineasta Ruy Guerra

    tico santa cruz povo sem medo

    gregorio duvvivier povo sem medo

    juca kfouri povo sem medo

    Portal CTB com agências

  • CTB participa de ato em defesa da democracia que reuniu Lula, Chico Buarque e muitos artistas no Rio

    O ato Cultura pela Democracia está acontecendo no histórico palco da Fundição Progresso, no Rio de Janeiro, para acompanhar a votação do parecer da Comissão Especial que analisa o pedido de impeachment da presidenta Dilma, na Câmara dos Deputados, em Brasília. O ex-presidente Lula e Chico Buarqueestarão no evento.

    “Estamos aqui para escrever um novo capítulo na história. Para o Brasil avançar. A democracia está nas mentes e corações. Queremos um país justo para todos os brasileiros e brasileiras”, diz Adilson Araújo, presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).

    Já a jovem presidenta da União Nacional dos Estudantes (UNE), Carina Vitral, disse que é preciso preservar o que foi conquistado no país: "A gente conquistou tantas coisas nos últimos anos e é isso que está em jogo. Vamos barrar esse golpe para manter todos as nossas conquistas”.
    O senador Lindbergh Farias (PT-RJ) acredita que a virada virá com a unidade dos movimentos sociais nas ruas. “O jogo está virando e, no dia 17, vamos encher todas as ruas deste país”.

    arcos da lapa

                        crédito: Ronaldo Leite

    O dirigente da CTB e presidente do Partido Comunista do Brasil no Rio de Janeiro, João Batista Lemos, defende a necessidade de “unidade de todas as forças democráticas, progressistas e populares para o país retomar o crescimento”. 

    Em seu discurso, o presidente do Sindicato dos Comerciários do Rio de Janeiro, Márcio Ayer, convoca todos a barrar o golpe. "Vamos barrar esse golpe capitaneado pela direita reacionária. Não vai ter golpe!”.

    Guilherme Boulos, da Frente Povo Sem Medo, reforça o coro contra o golpe e defende uma nova agenda para o país "sem esse ajuste fiscal e essa reforma da Previdência”.

    O vocalista dos Detonautas, Tico Santa Cruz, celebra a participação da classe artística no movimento em prol da democracia no país. É importante “o engajamento geral dos artistas que acreditam que esse impeachment é uma tentativa nítida de golpe e manipulação”.

    Portal CTB, com informações de Joanne Mota, do Rio de Janeiro

    Foto do destaque: Ricardo Stuckert/Instituto Lula

     

     

  • CTB-MA convoca sociedade para a Vigília pela Democracia no centro de São Luís

    A Frente Brasil Popular e Frente Povo Sem Medo estão coordenando a realização da Vigília pela Democracia, em São Luís, neste domingo (17).

    No evento que promete ser uma resposta dos trabalhadores, trabalhadoras, militantes do movimento social, juventude e sociedade em geral à tentativa de golpe formulado por setores elitistas (Veja, Istoé, Rede Globo e Fiesp, etc.), está previsto para iniciar às 8 horas da manhã, na Praça Nauro Machado, coração do Centro Histórico da capital maranhense. O ato se estenderá por todo o dia.

    A Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil no Maranhão (CTB-MA), parceira na organização e mobilização do evento, informou que a expectativa é de que, inicialmente, no período matutino, a vigília reúna mais de 20 mil pessoas. "A parcela da sociedade progressista e que acredita na democracia como motor do desenvolvimento social estará presente na Vigília deste domingo. Estamos certos que a votação do impeachment será a favor do Brasil e pela manutenção da ordem democrática", ressaltou Joel Nascimento, presidente da CTB-MA.

    CTB, UNE, Ubes, UBM, Marcha Mundial das Mulheres, União por Moradia Popular, MST, UJS, CUT, CSB, UGT, Nova Central, FETAEMA, PT, PCdoB, são algumas da entidades que já convocaram suas bases militantes e a sociedade em geral para a mobilização.

    Está prevista a apresentação de atores, artistas e cantores regionais, shows, apresentações populares com arte e cultura, entre outros. Um telão vai transmitir a votação diretamente do Plenário da Câmara dos Deputados, em Brasília.

    Fonte: CTB-MA

  • Economista Laura Carvalho dará aula pública contra a PEC 241 no sábado (22)

    A economista Laura Carvalho, que dá aula no Departamento de Economia na Universidade de São Paulo e recentemente usou sua coluna na Folha de S.Paulo para denunciar a farsa da PEC 241, divulgou que dará uma aula pública sobre o tema neste sábado (22), às 18h. Ele usará o espaço da Praça Roosevelt, em São Paulo, para refutar novamente o projeto de Temer.

    “Pra quem ainda não se cansou das minhas explicações, sábado tem aula pública”, provocou a doutora em seu perfil de Facebook. Uma página de evento, realizado em cooperação com a Frente Povo Sem Medo, foi criada para organizar o comparecimento de interessados.

    Ainda não há informações sobre uma possível transmissão da aula para outros estados.

    A PEC 241 tem sido um grande catalisador de desaprovação contra o governo golpista de Michel Temer. Ela congela os investimentos públicos, em especial da Saúde e Educação. pelos próximos 20 anos. Na última pesquisa sobre o assunto, conduzida pelo Vox Populi, 70% dos entrevistados se manifestaram contrários à aprovação da emenda.

    A proximidade de sua votação também provocou reações catárticas por parte dos movimentos populares. Com quase mil escolas ocupadas, os estudantes têm sido protagonistas das denúncias contra o corte de verbas na educação e na saúde públicas, efetivamente dando o tom para a esquerda institucional. As centrais sindicais, por sua vez, já têm duas datas para protestos nacionais: 11 e 25 de novembro.

    A secretária de Saúde do Trabalhador da CTB-RS, Debora Melecchi, escreveu artigo recente sobre o tema, em que justifica a revolta: “Vários especialistas já demonstraram que se a PEC 241 estivesse em vigor no período de 2003/2015, o SUS deixaria de receber pelo menos R$ 135 bilhões de reais; com estas novas regras, R$ 24 bilhões poderão deixar de ser investidos por ano em educação. A de perda nos próximos 20 anos para o SUS seria de R$ 400 bilhões. Com estas informações, vale nos perguntar: a quem interessa aprofundar a atual política econômica recessiva?”

    Portal CTB

  • Frente Povo Sem Medo convoca sua militância para Brasília no dia 24; leia a nota oficial

    A Frente Povo Sem Medo emitiu, no último sábado (13), uma nota oficial em que convoca sua militância para participar do movimento #OcupeBrasília, que instalará um acampamento na capital federal no dia 24 de maio. A decisão foi tomada depois uma reunião do comando da Frente na sede nacional da CTB, em São Paulo.

    Para o secretário de Políticas Sociais da CTB, Carlos Rogério Nunes, o momento político exige medidas extraordinárias na luta contra as “contra-reformas do governo Temer”. “A luta não é só para tirar o governo ilegítimo de Temer e convocar eleições diretas, mas também para aprofundar propostas populares que não foram totalmente executadas nos governos Lula e Dilma”, refletiu.

    Ouça a declaração completa do dirigente:

    As centrais sindicais, entre elas a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), organizam uma grande marcha que será realizada no dia 24 de maio. Diversas lideranças do movimento sindical, estudantil, de moradia, negro, mulheres entre outros estão a caminho de Brasília com o objetivo de pressionar os parlamentares contra a aprovação das medidas.

    Abaixo segue a nota oficial da Frente Povo Sem Medo na íntegra:

    Declaração Política da Frente Povo Sem Medo - Maio de 2017

    O último dia 28 de abril mostrou a disposição de luta de todo o povo brasileiro. Em todo país diversas categorias paralisaram, inclusive o setor de transportes das principais cidades, o que colaborou para o envolvimento de aproximadamente 35 milhões de trabalhadores. Além das paralisações, travamentos, piquetes e grandes manifestações com ampla participação dos movimentos sociais ajudaram a construir a maior greve geral dos últimos 30 anos.

    Apesar de iniciativa clara do governo Temer e de parte da imprensa de diminuir o tamanho da greve, não foi possível esconder da população e o sentimento ao final do dia era de uma mobilização de sucesso. Além da campanha nas mídias, os governos optaram pela via da repressão para enfraquecer as manifestações. O ataque covarde ao jovem Matheus Ferreira em Goiânia, a prisão arbitrária de três militantes do MTST em São Paulo e os atos de violência praticados pela PM nas manifestações do Rio e de São Paulo foram marcas também desse dia. É importante destacar também, além dos ataques às manifestações, o aprofundamento da violência principalmente contra a população LGBT, mulheres, negras, negros e indígenas.

    Pesquisa recente divulgada pelo Datafolha mostra que 71% dos brasileiros são contra a Reforma da Previdência. Apesar disso o governo ilegítimo de Michel Temer, menos de uma semana após a greve geral, aprovou o texto da reforma na Comissão da Câmara dos Deputados. A tramitação da Reforma Trabalhista também continua no Senado.

    As delações premiadas da Odebrecht colocaram todo o governo sob suspeita de corrupção. Nove ministros, entre eles Eliseu Padilha e Moreira Franco, além do próprio presidente Temer foram citados. Temer apesar das denúncias de ter negociado o recebimento de 40 milhões de dólares juntamente com Eduardo Cunha, só não está sendo investigado pela imunidade do cargo.

    Diante de tantos escândalos e de uma aprovação de apenas 9% na última pesquisa, para Temer está claro que só é possível se manter no governo até 2018 se entregar para o Mercado as prometidas Reformas. Por isso tem usado de todos os meios para manter a base parlamentar e, apesar das mobilizações massivas do último período, avança com seus projetos na Câmara e no Senado. Esse Congresso, que leva adiante as reformas de Temer e que, assim como ele, não tem nenhuma autoridade moral.

    Para a Frente Povo Sem Medo é fundamental persistir nas mobilizações que enfrentem a Reforma Trabalhista e a Reforma da Previdência. O exemplo do dia 28 de abril mostra que o povo trabalhador tem disposição de lutar contra as propostas de Temer. As mudanças no calendário de votação da Reforma da Previdência, mostram que a base parlamentar tem sentido a pressão das ruas. Por isso chamamos todas e todos para ocupar Brasília no dia 24 de maio. Consideramos também fundamental que as centrais sindicais concentrem esforços na construção de uma nova greve geral.

    As inúmeras denúncias de corrupção só reforçam a ilegitimidade desse governo. Um governo que não foi eleito e está promovendo a maior retirada de direitos da história do país não pode continuar.Por isso precisamos persistir na luta pelo “Fora Temer” e convocação de novas eleições diretas já. Essa proposta é aprovada por 85% dos brasileiros e deve apontar os caminhos da luta no próximo período.

    Num momento em que a classe trabalhadora volta às ruas com grande força, mais do que resistir aos ataques desse governo ilegítimo precisamos ter a certeza de que é possível vencer agora. O Povo Sem Medo vai ocupar as ruas, as fábricas, as universidades, as escolas e os bairros. Vamos juntos construir nossa vitória!

    Aqui está o Povo Sem Medo!

    Em nossa última reunião do operativo nacional definimos os seguintes encaminhamentos:

    - Estimular plenárias e debates públicos em todo o país sobre as Reformas da Previdência e Trabalhista;
    - Realizar reuniões dos operativos estaduais para discutir mobilização para Brasília no dia 24 de maio;
    - Organizar caravanas da Frente Povo Sem Medo em todos os estados;
    - No próximo dia 17 de maio, realizar ações de pressão sobre os parlamentares nos estados.
    - Construir um grande dia de mobilização em Brasília no próximo dia 24;
    - Indicativo de atos estaduais contra as Reformas no próximo dia 28 de maio.

    Portal CTB

  • Movimentos sociais denunciarão Polícia Militar de São Paulo à OEA

    Representantes dos movimentos sociais, entre eles a CTB, acompanhados pelo senador Lindbergh Farias (PT-RJ) e pelo deputado Paulo Teixeira (PT-SP), concederam uma coletiva de imprensa, nesta segunda-feira (5), no Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, para denunciar a ação truculenta da polícia militar (PM) contra manifestantes e jornalistas desde que o governo Temer Golpista assumiu o comando do país.

    Os parlamentares, que participaram do ato contra o golpe realizado no domingo (4) e que reuniu mais de 100 mil, mostraram sua indignação com a ação violenta da polícia que partiu para cima da população que protestava pacificamente já no fim do percurso, no Largo da Batata, disparando bombas. O ex-ministro Roberto Amaral chegou a ser atingido no braço por estilhaços.

    “Queremos proteção da polícia e o direito à manifestação do pensamento”, expressou Teixeira. O secretário de Políticas Sociais da CTB e integrante da frente Povo Sem Medo, Rogério Nunes, concorda: “É injustificável que o governador do Estado [Geraldo Alckmin] em consonância com o Ministro da Justiça [Alexandre de Moraes] aja com violência contra a população. Reiteramos nossa indignação”, expressou o sindicalista.

    Na oportunidade, Lindbergh informou que entrará com uma representação na Organização dos Estados Americanos (OEA) contra a atuação da PM. Ele ainda lembrou da violência contra os profissionais da comunicação. O fotógrafo Sérgio Silva ficou cego após ser atingido por uma bala de borrachadurante protesto do Passe Livre em 2013 e foi considerado culpado por estar na linha de tiro. “Temos que falar para o Brasil e para o mundo que os jornalistas também estão sendo vítimas. Isso não é normal”, disse.

    Outra denúncia realizada durante a coletiva foi da prisão de 26 jovens, antes da manifestação de domingo começar, sob a acusação de que “pretendiam praticar atos de violência” por portarem gazes, curativos, vinagre e máscaras de proteção eles foram encaminhados ao Deic (Departamento De Investigações Sobre Crime Organizado).

    O ex-senador Eduardo Suplicy leu uma carta assinada por ele e mais dois parlamentares e enviada ao governador e ao secretário de segurança do estado na qual afirma: “Consideramos um exagero a conclusão dos delegados de que aqueles jovens iriam participar de ações violentas no protesto (...) pois a manifestação foi inteiramente pacífica e aqueles jovens nos asseguraram que se tivessem a oportunidade de participar da manifestação também teriam agido pacificamente”, diz o documento.

    Os adultos detidos participam, nesta segunda (5), de uma audiência de custódia no Fórum da Barra Funda e os adolescentes no Fórum da Infância e Juventude do Brás. Os próximos atos organizados pelas frentes Brasil Popular (FBP) e Povo Sem Medo (FPSM) ocorrerão nos dias 7 e 8 de setembro. “Vamos dar uma aula de democracia para esse governo ilegítimo”, afirmou Edson Carneiro Índio, que também representou a FPSM. Lideranças da FBP reforçaram a convocatória para os próximos atos. 

    Érika Ceconi - Portal CTB 

  • Neste 31 de março, centenas de milhares saíram às ruas - o próximo passo é a greve geral

    Dezenas de municípios brasileiros foram palco para as manifestações desta sexta-feira, 31 de março, quando as Frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo sem uníram às centrais sindicais em uma nova demonstração contra o governo Temer. A pauta principal, como no dia 15, foi a Reforma da Previdência, mas a iminência da sanção da Lei da Terceirização Irrestrita trouxe grande atenção a esse tema.

    O comparecimento de trabalhadores e trabalhadoras continua forte, diante das medidas ultraliberais cada vez mais apressadas do governo golpista. A maior concentração aconteceu em Belo Horizonte, onde se reuníram mais de 100 mil pessoas para um ato que misturou intervenções culturais e discursos inflamados dos movimentos sociais. São Paulo teve um público igualmente grandioso, com 70 mil em marcha em ato que começou na Avenida Paulista e terminou na Praça da República. No Rio de Janeiro, 60 mil pessoas tomaram conta da Avenida Rio Branco, e as cidades de Fortaleza e Natal tiveram respectivamente 35 mil e 20 mil pessoas, e Aracaju concentrou mais 15 mil.

    As atividades, no entanto, percorreram dezenas de cidades do interior, começando já às cinco horas da manhã com trancaços e assembleias de trabalhadores paralisados. Do Acre ao Rio Grande do Sul, uma extensa lista de eventos foram levados adiante, variando de manifestações em frente a sedes de governo até o fechamento de rodovias federais.

    Na Bahia, ao menos 10 municípios realizaram demonstrações simultâneas à de Salvador, e, no Rio de Janeiro, o ato também incorporou uma cerimônia de memória pela data do golpe militar de 64, 1º de abril, diante da Rede Globo. Curitiba realizou um grande debate na Assembleia Legislativa do Paraná contra a Reforma da Previdência, com a participação dos senadores Paulo Paim, Gleisi Hoffmann e Roberto Requião e com o ex. Ministro da previdência Carlos Gabas.

    Apesar da amplitude dos protestos, apenas em uma localidade foi registrada uma ação de repressão violenta por parte da polícia, em Uberlândia (MG). Segundo a Frente Brasil Popular, a Polícia Militar reprimiu uma mobilização do MTST no município. “Sem diálogo, a tropa de choque e mais viaturas de outros batalhões chegaram atirando e soltando bombas, com o apoio de um helicóptero”, diz um comunicado da Frente. 15 pessoas ficaram feridas e 2 manifestantes foram presos.

    A construção de uma greve geral

    Em São Paulo, um ponto em comum na fala de todos os representantes foi a construção de uma greve geral, que teria dois objetivos principais: primeiro, impedir os projetos de retirada de direitos de Michel Temer de prosperarem; segundo, afastá-lo da Presidência para a realização de uma nova eleição presidencial. A presença massiva de professores do ensino público determinou especial atenção para a pauta específica dos professores - especialmente pela situação dramática que a Reforma da Previdência impõe a essa categoria, que perderá toda a redução de exigências do magistério.

    O secretário de Políticas Sociais da CTB, Carlos Rogério Nunes, definiu a situação de Temer como “fraca”, e conclamou: “Basta que a gente balance ele o suficiente que ele não aguenta, pois seu governo é ilegítimo e sua aprovação está lá em baixo”.

    Ele detalhou esse raciocínio em seu discurso:

    Confira a galeria fotográfica da manifestação em São Paulo no FLICKR DA CTB

    Outro discurso de destaque, que fez propostas ousadas para os participantes da passeata, foi o de Guilherme Boulos, coordenador-geral do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST). “A aprovação de Temer hoje está tão baixa, mas tão baixa, que só é comparável à do ditador Figueiredo, que ficou conhecido por dizer que preferia cavalos do que gente. Esse é o presidente que os golpistas colocaram no poder”, analisou Boulos, jocosamente. E previu: “Se eles estão achando que podem fazer o que quiserem lá em Brasília, estão muito enganados, porque a gente não vai deixar. A gente vai fazer essa greve e, se eles não desistirem dessa Reforma da Previdência, a gente vai ocupar aquele Congresso! Uma hora a conversa vai acabar!”.

    O presidente da CUT, Vagner Freitas, falou das relações dos membros do Congresso com Michel Temer, e disse que não dará trégua para os parlamentares que se aliarem aos cortes de direitos. “A gente vai ficar em cima de cada deputado que votar por essas reformas, vamos colar o retrato deles em cada poste deste país. O recado é um só: ajudou no corte de direitos, não vai mais ser eleito para nada”, ameaçou.

    Nunes, Boulos e Freitas fizeram coro com dezenas de outras lideranças em várias partes do Brasil, cuja principal tarefa é articular uma paralisação nacional para o dia 28 de abril. Nas palavras do deputado Orlando Silva (PCdoB-SP), presente no ato de São Paulo, a amplitude das conversas realizadas até agora indica que esta poderá ser “a maior greve já realizada no país”.

    Portal CTB

  • Presidenta Dilma ganha direito de resposta contra matéria misógina da revista IstoÉ

    Uma boa notícia na véspera do grande ato “Fora Temer”, promovido pela Frente Povo Sem Medo, com ampla participação da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB): a presidenta Dilma ganhou direito de resposta contra a revista IstoÉ.

    A Justiça Cível de Brasília, concedeu direito de resposta para a presidenta Dilma contra o ataque misógino (ódio às mulheres) feita pela revista IstoÉ em 1º de abril (Dia da Mentira) com a chamada de capa “as explosões nervosas da presidente” (saiba mais aqui), informa o Portal Vermelho.

    A juíza  Débora Bergamasco afirma que o direito à informação “tem que ser guiado pela veracidade do conteúdo publicado”. Para ela, “o direito de resposta é pautado tanto pela ampla defesa quanto pelo direito público à informação verídica”.

    Dilma afirma que quando a mídia “distorce ou inventa fatos e ofende pessoalmente aqueles que acusa, incorre em crime contra a honra e, no limite, contra o Estado Democrático de Direito”.

    “Essa vitória não é apenas da presidenta Dilma contra uma agressão sofrida por um meio de comunicação que fez reportagem escondendo-se em supostas fontes que ninguém sabe quem são”, afirma Ivânia Pereira, secretária da Mulher Trabalhadora da CTB.

    “É uma importante vitória de todas as brasileiras atingidas em cheio por essa matéria carregada de rancor e ódio às mulheres”, complementa. “Espero que consigamos também desmitificar outras matérias tipo a “bela, recatada e do lar” (leia mais aqui).

    Os advogados da presidenta pretendem mover outras ações contra a revista IstoÉ, por novas publicações consideradas ofensivas contra a honra de Dilma e da família da presidenta, que foram alvo de duas outras reportagens publicadas em julho. Utilizando-se de ilações e factoides, a revista disse que a família de Dilma teria recebido ilegalmente segurança e carros, no que consistira um abuso.

    Gicélia Bitencourt, secretária da Mulher Trabalhadora da CTB-SP diz que “o direito de resposta deveria ter sido concedido já na semana seguinte à publicação infame”. Para ela, “nesses casos de ataque à honra de pessoas pela mídia a Justiça deveria agir com maior rapidez e rigidez”.

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    A presidenta Dilma reforça que o direito de resposta concedido pela Justiça não é uma vitória apenas dela, mas de toda a sociedade brasileira. Ângela Meyer, diretora de Comunicação da União da Juventude Socialista de São Paulo defende uma nova lei de mídia para coibir "ataques sem provas a pessoas".

    “Desde que assumiu o governo em janeiro de 2011, Dilma vem sofrendo ataques misóginos de uma imprensa sem nenhum compromisso com os fatos”, afirma Meyer. “E é uma luta desigual, pois a comunicação, no Brasil está nas mãos de meia dúzia de famílias, que monopolizam e desinformam a sociedade. Isso tem que mudar”.

    “A ‘reportagem’ de capa desta revista me ofende, sem dúvida, por me atribuir comportamento que não condiz com minha atitude pessoal e meu temperamento”, afirma Dilma, mas “estende a agressão a todas as mulheres brasileiras, guerreiras que, no seu dia a dia”.

    Já Pereira diz que a Justiça agora deve fiscalizar a consecução desse direito de resposta. “Como diz a sentença da juíza, a resposta tem que ter o mesmo espaço e a mesma publicidade do ataque sofrido pela presidenta”.

    Importante também ressaltar que a presidenta garante ao Brasil 247 que em sua volta ao governo pretende encaminhar um plebiscito sobre novas eleições para a Presidência da República, além de revogar todos os atos com retiradas de direitos feitos pelo desgoverno Temer.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy 

  • UM MILHÃO DE PESSOAS saíram às ruas contra as reformas de Michel Temer

    Um milhão de pessoas. Essa foi a dimensão nacional da paralisação deste 15 de Março, organizada por nove centrais sindicais, as frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, os partidos políticos progressistas e centenas de movimentos sociais. Com uma pauta unitária, as manifestações aconteceram em todos os 27 estados do Brasil, interrompendo o fluxo de comércio exterior por um dia inteiro e congelando a maior metrópole do país. Nada mal para a primeira grande mobilização de 2017.

    São Paulo foi a cidade com a maior concentração de manifestantes, superando a marca dos 200.000 no ponto alto do evento. Outras capitais atingiram marcas igualmente impressionantes, como Belo Horizonte (com 150.000 pessoas), Rio de Janeiro (100.000), Fortaleza (50.000), Curitiba (60.000), Recife (40.000), Brasília (20.000) e Campo Grande (20.000).

    As primeiras atividades se iniciaram às 5h da manhã nas portas de milhares de locais de trabalho pelo país, declarando as paralisações de setores muito variados. Portos, correios, escolas públicas e privadas, transportes metropolitanos e postos de saúde foram apenas alguns dos pontos a terem suas atividades suspensas ou reduzidas para que os trabalhadores pudessem participar dos atos em defesa da aposentadoria. Em São Paulo, a paralisação total do serviço de metrô e ônibus pela manhã fez com que a cidade ficasse dormente.

    Ao contrário das manifestações do ano passado, o foco deste Dia Nacional de Lutas não foi a oposição ao golpe de Michel Temer, mas às propostas que seu governo vem empurrando sobre a população - especificamente, a Reforma da Previdência e a Reforma Trabalhista. O apelo mais palpável dessas pautas fez com que muitos trabalhadores normalmente avessos a atos políticos comparecessem às atividades promovidas pelas centrais.

    Unidade de discursos

    O palanque erguido sobre o caminhão de som da Frente Brasil Popular na Avenida Paulista foi palco de dezenas de falas diferentes, variando de representantes de movimentos estudantis até o aguardado discurso do ex-presidente Lula.

    <#15M - Dia Nacional de Luta pela Previdência

    O presidente da CTB, Adilson Araújo, foi um dos que usou o microfone diante da avenida lotada: “O Brasil hoje acordou mais cedo, disposto a dar uma resposta a esse governo ilegítimo que tenta impor a todo custo uma agenda extremamente neoliberal. Nós sabemos o quanto foi importante a conquista da CLT, o quanto foi importante a luta pela democracia e a conquista da Constituição Cidadã de 1988. Nós aprendemos a fazer a lição de casa, e apostamos numa forma nova de governar este país, e agora esse governo entreguista tenta a todo custo liquidar nossas conquistas! Eles querem nos transformar nos patinhos da FIESP, mas aqui tem povo, tem periferia!”.

    Ele exaltou a resposta firme dos metroviários diante da tentativa de impedir a greve pelo governo de São Paulo, e elogiou as respostas positivas que a população deu à imprensa quando questionados sobre a situação. Mencionou também a provocação do relator da Reforma da Previdência, o deputado Arthur Oliveira Maia (PPS-BA), que afirmou que as manifestações não mudam "absolutamente nada". “Ele que tente colocar a reforma em votação, nós não vamos deixar!”, disse Adilson.

    Fala similar foi oferecida por Guilherme Boulos, coordenador-geral do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST). Boulos também chamou o 15 de Março de “dia histórico”, mas atribuiu a força dos atos justamente à participação de pessoas para além dos movimentos organizados. “Uma coisa é ocupar as ruas com os movimentos sociais, outra coisa é quando o povo e a periferia resolve ir para o protesto. A cidade parou! Isso aqui é um aviso: nossa paciência acabou!”, disse. Boulos sugeriu aos manifestantes que visitem cada deputado para cobrá-los do voto contrário à reforma, e disse que pretende impedir a votação de acontecer, nem que seja pela ocupação do Congresso Nacional.

    Outra liderança a subir no caminhão foi a presidenta do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo, Maria Izabel “Bebel” Noronha. Ela foi responsável pela agregação de um ato setorial que ocorria na Praça da República à manifestação das centrais, somando 80 mil educadores à Av. Paulista. Bebel frisou os dificuldades que sua categoria enfrenta para se aposentar, a começar pelo tempo mais longo de formação dos profissionais, e refletiu sobre a real importância da Previdência:

    “Não se pode pensar em aposentadoria somente como um problema econômico, ela é uma proteção social, é a garantia de dignidade da população. Eles criaram essa crise, deram o golpe, e agora querem sangrar os trabalhadores, mas não fomos nós que criamos isso! Nós não vamos deixar, se votarem contra nós, a gente vai parar esse país”. A mensagem foi repetida até por setores mais sectários da esquerda, como o PCO e o PSOL.

    O discurso de Lula

    A última fala, como de praxe, foi a do ex-presidente Lula, que preferiu fazer um discurso breve sobre o superávit oculto da Previdência e as conquistas ao longo dos governos do PT. Lula comentou a importância de vincular as aposentadorias ao Salário Mínimo, e criticou o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, por tratar a Previdência como um “problema”. Assista sua fala na íntegra no vídeo abaixo:

    “O que eles querem é enfiar goela abaixo do povo brasileiro uma reforma que vai impedir a aposentadoria de milhões", analisou. “Ao invés de acabar com a aposentadoria, faça com que a economia volte a crescer que o problema está resolvido”, continuou, arrancando aplausos dos manifestantes.

    Ele criticou também a falta de credibilidade que Michel Temer imprimiu sobre o governo brasileiro. “O Brasil era um país que era respeitado pelos EUA, pela China, pela Rússia, pela Índia, e agora este presidente não tem coragem de viajar para a Bolívia com medo de ser rejeitado. É um governo fraco, mas que conseguiu uma força que nenhum representante eleito conseguiria, e usa essa força para desmontar o que demorou tanto para construir”, disse. “Está ficando cada vez mais claro que o golpe dado neste país não foi apenas contra a Dilma, foi contra todos nós”.

    A solução, para Lula, só virá com a convocação de novas eleições presidenciais. “Está muito claro que o povo só vai parar de protestar quando voltar a ter um governo democraticamente eleito. O governo tem que voltar a governar, o BNDES tem que voltar a investir, é preciso parar com essa bobagem de cortar, de terceirizar, porque só vende quem não sabe governar”.

    Por Renato Bazan - Portal CTB