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Ter, Nov

Mônica Custódio

  • “Construir um mundo sem discriminações é tarefa da classe trabalhadora”, afirma dirigente da CTB

    Instituído em 8 de outubro de 1996, pela Organização das Nações Unidas (ONU), o Dia Internacional de Luta pela Eliminação da Discriminação Racial, homenageia os mortos e feridos do episódio conhecido com Massacre de Shaperville, ocorrido 36 anos antes.

    Em 21 de março de 1960, a polícia do apartheid (regime de segregação racial sul-africano) reprimiu com extrema violência mais de 20.000 jovens negros e negras que marchavam contra a Lei do Passe, que os impedia de circular livremente por Joanesburgo, maior cidade do país de Nelson Mandela. Foram contabilizados 69 mortos e 186 feridos.

    “Esse fato ilustra bem a história dos povos negros no mundo. Com as grandes navegações e descobrimentos, os africanos foram arrancados de seus lares para serem escravizados. Sendo que o Brasil foi o último país a sair do sistema escravista”, afirma Mônica Custódio, secretária da Igualdade Racial da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).

    Lágrimas do Sul (Marco Antônio Guimaraes e Milton Nascimento) em homenagem a Mandela: 

    Segundo o Artigo 1º da Declaração das Nações Unidas sobre o tema "discriminação racial significa qualquer distinção, exclusão, restrição ou preferência baseada na raça, cor, ascendência, origem étnica ou nacional com a finalidade ou o efeito de impedir ou dificultar o reconhecimento e exercício, em bases de igualdade, aos direitos humanos e liberdades fundamentais”.

    Tanto que a ONU declarou em 2015 a Década Internacional de Afrodescendentes, com o tema “Reconhecimento, Justiça e Desenvolvimento”. Com objetivo de chamar a atenção para a causa antirracista e elevar o debate sobre os direitos iguais para todos e todas.

    A Pantera Negra Angela Davis, importante liderança pela emancipação feminina e pela igualdade afirma que “a democracia da abolição é, portanto, a democracia que está por vir, a democracia que será possível se dermos continuidade aos grandes movimentos de abolição da história norte-americana, aqueles em oposição à escravidão, ao linchamento e à segregação”.

    Já para o líder dos Panteras Negras, Malcolm X, “não lutamos por integração ou por separação. Lutamos para sermos reconhecidos como seres humanos. Lutamos por direitos humanos”.

    Acompanhe o vídeo da ONU sobre a Década dos Afrodescendentes: 

    O movimento negro brasileiro vem se destacando como força motriz das campanhas por igualdade no país. Mas somente com a promulgação da Constituição de 1988, a prática de racismo passou a ser considerada como crime inafiançável e imprescritível. “Mesmo assim, as práticas racistas persistem e não se vê a punição prevista em lei”, reclama a sindicalista.

    Já a Convenção 111 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), da qual o Brasil é signatário, proíbe a discriminação no trabalho. “Construir um mundo sem discriminações é tarefa da classe trabalhadora”, conclui Custódio.

    Leia também: A história dos negros no mundo consiste na luta em defesa da vida e da liberdade

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy. Foto: Jornal Página 13

  • “Mãe nenhuma cria filho para matar ou morrer”, diz dirigente da CTB sobre Atlas da Violência

    O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulga nesta segunda-feira (5) o relatório Atlas da Violência 2017, feito em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). Os números são aterradores e confirmam o genocídio negro, principalmente da juventude e das mulheres.

    Os dados mostram que a cada 100 pessoas assassinadas no Brasil, 71 são negras. Isso significa que a população negra possui 23,5% maiores de serem assassinados em relação aos brasileiros não negros.

    “Mais uma vez as pesquisas comprovam que a violência no Brasil tem cor, idade e mira nos mais pobres”, afirma Mônica Custódio, secretária da Igualdade Racial da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).

    Pelo levantamento do Ipea, somente em 2015, ocorreram 59.080 homicídios no Brasil. O que significa 28,9 mortes a cada 100 mil habitantes. O período analisado é de 2005 a 2015 e retrata crescimento de assassinatos de jovens negros e de mulheres negras. Mais de 92% das vítimas de homicídios são jovens negros.

    No período houve um crescimento de 18,2% na taxa de homicídios de negros entre 15 e 29 anos, moradores da periferia e pobres. Na população de não negros o índice diminuiu 12,2% nos 10 anos pesquisados. 

    O Atlas mostra ainda que mais de 318 mil jovens foram assassinados entre 2005 e 2015. Mais do que países em guerra. Para ela, “isso configura um verdadeiro genocídio da população negra, além da fábrica de prisão em que se transformou o sistema carcerário brasileiro”.

    Leia a pesquisa completa pelo link abaixo

    www.ipea.gov.br

    Já em relação às mulheres a situação se repete. Houve crescimento de 22% na mortalidade de mulheres negras e entre as não negras houve uma queda de 7,4%. Também aumentou a violência contra elas, que subiu de 54,8% para 65,3%.

    “As mulheres negras sofrem violência direta e indireta. Direta quando são assassinadas, espancadas, violentadas e indireta quando perdem seus filhos. Nenhuma mãe cria filho para matar ou morrer”, acentua Custódio.

    Os dados apresentam crescimento maior da violência nos estados no Norte e Nordeste. “Justamente onde há menor presença do Estado”. Ela acrescenta ainda que as mulheres negras carregam o maior fardo, inclusive na questão da violência.

    Para a sindicalista carioca, isso justifica o aumento da população carcerária de jovens negros e “ainda querem reduzir a idade penal para ganharem mais dinheiro ainda com a desgraça alheia”. E com isso, as mulheres negras sofrem ainda mais.

    “Elas sofrem violência dentro de casa, institucional, não têm o respeito do Estado e são jogadas à própria sorte. São chefes do lar, porque os homens não assumem a paternidade e ficam vulneráveis a todo tipo de violência”, reforça.

    Para ela, a situação tende a piorar com os projetos do governo de Michel Temer. “Com o aumento do desemprego, da recessão e da insegurança no trabalho, a violência tende a aumentar e sempre sobra para os mais vulneráveis: os mais pobres, os negros, as mulheres”.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy. Arte: Latuff

  • A herança do Partido dos Panteras Negras 50 anos depois marca corações e mentes no mundo

    O punho cerrado era o gesto característico de protesto dos Panteras Negras

    Neste mês faz 50 anos que surgiu o Partido dos Panteras Negras para Autodefesa, nos Estados Unidos, para reunir e representar os negros e negras que desejavam o fim das diferenças. “Organizou-se fortemente e cresceu rápido por colocar a luta racial no contexto da luta de classes”, diz Mônica Custódio, secretária de Igualdade Racial da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).

    De acordo com o historiador Augusto Buonicore, o grupo “desde o início, adotou o marxismo como referência teórica da sua ação e logo se transformou no inimigo público número um do FBI (a polícia federal norte-americana)”.

    Isso porque os Panteras Negras acreditavam no confronto com os racistas para construir uma sociedade socialista, portanto, sem classes e sem discriminações. “Eles foram a primeira tentativa mais avançada de organização dos afro-americanos para a construção de uma nação mais solidária e justa e bem no centro do império do capitalismo”, afirma Custódio.

    "Panteras Negras: todo poder ao povo" (1997), de Lee Lew-Lee 

    O partido nasceu no meio de um forte acirramento das lutas pelos direitos civis dos negros norte-americanos. Nasceram como uma radicalização do movimento pacifista liderado pelo grande herói Martin Luther King (1929-1968), tão importante quanto os Panteras no combate ao racismo. 

    “O Black Panther Party (Partido dos Panteras Negras) se tornou referência obrigatória para todos os movimentos contra o racismo e pelos direitos civis da população negra ao redor do mundo pela postura contestadora, combativa e pela extrema preocupação com a formação teórica e política da militância e de constituição dos seus núcleos de atuação espalhados nos Estados Unidos, mas em permanente articulação com povos oprimidos do mundo”, afirma Ângela Guimarães, presidenta da União dos Negros pela Igualdade (Unegro).

    Para mostrar a diferença essencial entre o que os Panteras Negras defendiam e os seguidores de Luther king, Bobby Seale, presidente do partido, diz que “embora os Panteras Negras acreditem no nacionalismo negro e na cultura negra, eles não acreditam que levarão à liberdade negra ou à derrubada do sistema capitalista, e são, portanto, ineficientes”.

    Luther King seria assassinado cerca de 1 ano e meio após a criação do movimento dos Panteras, em 4 de abril de 1968. Inicialmente liderado por Malcolm X (assassinado em 21 de fevereiro de 1965), o grupo se notabilizou e ganhou inúmeros adeptos rapidamente.

    Tão famosos ficaram que os atletas velocistas dos 200 metros rasos, Tommie Smith (medalha de ouro) e John Carlos (medalha de bronze) na Olimpíada da Cidade do México em 1968, após receberem a medalha levantaram os punhos cerrados (como na foto abaixo), manifestação característica deles.

    panteras negras 1968

    Esse símbolo também foi adotado pelo jogador Sócrates (1954-2011) na comemoração de seus gols relembrando os Panteras e em protesto contra a ditadura brasileira, vigente na época em que ele atuou pelo Corinthians (veja foto abaixo). O centroavante do Atlético Mineiro, Reinaldo coemorava seus gols com o mesmo gesto e os mesmos motivos. Dizem alguns estudiosos que ele foi cortado da seleção brasileira por isso.

    socrates faz a tradicional comemoracao de gol depois de ajudar o corinthians a fazer 3 a 1 sobre o sao jose no parque antarctica pelo campeonato paulista de 1983 1315269166866 1920x1080

    “Neste momento onde há uma crise profunda do capitalismo no mundo acompanhada do recrudescimento do racismo e sexismo e os ideais dos Panteras materializado no seu programa torna-se ainda mais atual e necessário”, argumenta Guimarães.

    Mulheres negras e o feminismo

    Cientes da necessidade de propagar as suas propostas, criaram em 1967 a publicação semanal “The Black Panther”, que parou de circular em 1971, depois de 4 anos. “De um grupo exclusivamente masculino, ele logo passou a aceitar o ingresso de mulheres, que chegaram a representar mais da metade da militância”, diz Buonicore.

    “A militância feminina dos Panteras Negras marcou definitivamente o movimento feminista ajudando a colocar na pauta a questão das mulheres negras”, afirma Custódio. Uma das mais importantes militantes é Angela Davis, que tem seu livro “Mulher, raça e classe”, que ganhou recentemente tradução inédita em português.

    mulher raca classe angela davis

    Para ela essa é uma das heranças fundamentais para a luta das mulheres negras em todo mundo, deixada pelos Panteras. “O movimento feminista tinha dificuldade de entender as questões específicas das mulheres negras”, reforça.

    Outro fato importante, segundo a cetebista, é inserir a questão da igualdade racial no âmbito da luta de classes. “Interessante os Panteras defenderem a superação do capitalismo para atingirmos uma sociedade realmente igualitária, onde todos sejam respeitados”.

    Já Guimarães afirma que “a radicalidade em contestar a violência racial, mas sobretudo em situá-la como parte de uma violência sistêmica do capitalismo situou os Panteras como um dos movimentos-referência para as lutadoras e lutadores antirracismo de todo o mundo e para a Unegro os Panteras Negras são fontes permanentes de estudo, admiração e referência”.

    Custódio lembra ainda que coube aos Panteras Negras ressaltar as espeficidades da “beleza negra, ainda hoje renegada pelos eurocentristas, para quem só há beleza na tez branca, cabelos lisos e olhos claros”. Os Panteras Negras “fizeram muito bem, assumindo os cabelos black e os traços de sua negritude, mostrando toda a beleza do povo negro”, afirma Custódio.

    Os Panteras Negras existiram até 1989, após perda de militantes e penetração popular. Mas seus ideais permanecem nos corações e mentes de milhares de pessoas em todo o mundo. “A luta pela emancipação dos negros e negras se espalhou pelo mundo e isso ninguém tira de nós”, sintetiza.

    Para ela, “os Panteras deram uma contribuição fundamental para a compreensão de que a luta antirracista é uma das facetas da luta de classes, porque o racismo foi forjado para oprimir uma parcela substancial da humanidade”.

    Por isso, diz ela, “é importante a valorização dos 50 anos dos Panteras Negras e tudo o que eles somaram para a compreensão da necessidade de avançarmos para a superação do capitalismo e a construção de um mundo onde prevaleça a igualdade, a liberdade e o respeito”.

    Afinal, “lutar contra o racismo é lutar pela emancipação da humanidade”, conclui Custódio. “O legado que os Panteras deixaram é tão essencial para a superação da conjuntura atual que pode ser comprovado com a apresentação da Beyoncé (cantora negra norte-americana) no Super Bowl (final do campeonato de futebol americano nos Estados Unidos), onde fez referência direta aos Panteras Negras e causou frisson”.

    Assista a apresentação de Beyoncé para milhões de telespectadores (confira a tradução da letra aqui).

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

  • Acontece hoje: mulheres negras e latino-americanas marcham por igualdade e democracia

    Desde 1992, 25 de julho foi istituído como o Dia Internacional da Mulher Negra, Latino-americana e Caribenha, num encontro de mulheres negras na República Dominicana. Neste ano, as mulheres marcham em São Paulo nesta segunda-feira (25) com o tema Negras e indígenas em marcha, enfrentando o racismo, o machismo, o genocídio, o golpe, a lesbofobia e pelo bem viver.

    A concentração para a marcha ocorre na Praça Roosevelt, centro da capital, às 17h e caminha até o Largo do Paissandú. Antes da marcha, porém, se apresentarão o bloco Ilú Obá De Min, Drika Ferreira, Luana Hansen, o coletivo Levante Mulher e os grupos Samba para a Marcha das Mulheres Negras, As Minas do Xequerê e Kazungi.

    Confirmar presença pela página do evento no Facebook aqui.

    mulheres negras caribenhas

    Para Gicélia Bitencourt, secretária da Mulher Trabalhadora da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil em São Paulo (CTB-SP) a marcha deste ano ganha uma conotação mais forte devido ao “golpe misógino em marcha no país e as ameaças que pairam sobre a classe trabalhadora e suas conquistas”.

    Ela afirma ainda que as mulheres são as que mais sofrem. “Negras e indígenas então sofrem duplamente”. Bitencourt lembra ainda que a marcha caminhará solidária às imigrantes que vieram ao Brasil “fugindo de perseguições e maus-tratos em seus países e aqui são proibidas até de se manifestarem, podendo até ser deportadas”.

    Mônica Custódio, secretária de Promoção da Igualdade Racial da CTB, acredita na importância de “nos solidarizarmos com as imigrantes, que buscam aqui a reafirmação de sua identidade, através do trabalho e com isso tem ajudado muito no empoderamento da mulher negra”.

    Ela lembra ainda que ocorreu em Salvador, o Seminário Mulheres Negras No Foco: Mídia, representação e Memória, que “visa a unificação das nossas lutas por igualdade”. Por isso, “é fundamental manter o tema da luta pelo bem viver, para darmos visibilidade às pessoas marginalizadas no país", reforça.

    Bitencourt realça a importância da marcha para fortalecer “a unidade dos povos latino-americanos, em defesa da democracia, das terras indígenas e de uma vida digna e com respeito aos direitos humanos para todas e todos”.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

    Drika Ferreira e Luana Hansen cantam Lei Maria da Penha, de ambas

     

  • Aos quase 130 anos da Abolição, a mentalidade escravista ainda domina a sociedade brasileira

    Reza a história oficial nos livros didáticos que a princesa Isabel, chamada de a Redentora, assinou a Lei Áurea, em 13 de maio de 1888, e assim colocava fim ao período de quase 400 anos de escravidão no país. Aliás, o Brasil foi o último a abolir essa violência contra seres humanos.

    “A Abolição tirou nossos ancestrais das senzalas e os jogou em verdadeiras prisões a céu aberto, uma verdadeira senzala sem paredes e sem teto”, diz Mônica Custódio, secretária de Promoção da Igualdade Racial da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) ao participar de uma reunião do Coletivo Nacional de Promoção da Igualdade Racial.

    Por isso, diz ela, “não comemoramos o 13 de maio”. Já Cherry Almeida, secretária de Saúde da CTB-BA, afirma que essa é uma data de reflexão. “Precisamos estudar a história para compreender os dias atuais e do porquê a população negra sofre tanta discriminação”, acentua.

    "Após a Abolição, a vida dos negros brasileiros continuou muito difícil. O Estado brasileiro não se preocupou em oferecer condições para que os ex-escravos pudessem ser integrados no mercado de trabalho formal e assalariado", analisa Marcelo Black, secretário-geral do Sindicato dos Comerciários do Rio de Janeiro.

    Silvio Pinheiro, dirigente da CTB-BA lembra que houve um aumento do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da população negra nos últimos 10 anos, mas “ainda não conseguimos a igualdade e não temos as mesmas oportunidades”.

    Aliás, o Brasil foi cobrado por diversos países de maioria negra no Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre a questão do racismo vigente no país. Onde lembraram a violência policial, o genocídio da juventude negra e a discriminação no mercado de trabalho e na sociedade.

    Trecho de Navio Negreiro, de Castro Alves:

    "Tinir de ferros… estalar de açoite…
    Legiões de homens negros como a noite,
    Horrendos a dançar…

    Negras mulheres, suspendendo às tetas
    Magras crianças, cujas bocas pretas
    Rega o sangue das mães:

    Outras moças, mas nuas e espantadas,
    No turbilhão de espectros arrastadas,
    Em ânsia e mágoa vãs!

    E ri-se a orquestra irônica, estridente…
    E da ronda fantástica a serpente
    Faz doudas espirais …
    Se o velho arqueja, se no chão resvala,
    Ouvem-se gritos… o chicote estala.
    E voam mais e mais…

    Presa nos elos de uma só cadeia,
    A multidão faminta cambaleia,
    E chora e dança ali!
    Um de raiva delira, outro enlouquece,
    Outro, que martírios embrutece,
    Cantando, geme e ri!"

    Mesmo com as políticas afirmativas dos governos Lula e Dilma, “a igualdade de direitos ainda é um sonho”, reforça Custódio. “Ainda mais agora com o governo ilegítimo acabando com todas as nossas conquistas, retornando ao século 19”.

    Pinheiro ressalta que as reformas trabalhista e previdenciária como estão colocadas vão “provocar um distanciamento ainda maior entre pobres e ricos”. Isso porque “com o fim da Política de Valorização do Salário Mínimo a economia de muitos municípios afundará”.

    De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 54% da população brasileira é constituída de afrodescendentes. Mas “ainda vivemos em condições subumanas com falta de saneamento básico e sem políticas públicas que nos deixam vulneráveis”, reforça Almeida.

    Violência que incide principalmente sobre a juventude e as mulheres. “Muitas mulheres negras são chefes de família e com o desemprego adoecem, sofrem depressão e chegam ao suicídio”. Mara Kitamura, do Sindicato dos Professores de Sorocaba e Região explica que os filhos e filhas da classe trabalhadora começam a trabalhar muito cedo.

    Com isso, diz ela, “deixam de ir à escola e essa reforma do ensino médio piora ainda mais essa situação”. Ela questiona a propaganda do Ministério da Educação. “A propaganda afirma que o jovem escolherá o que deseja estudar, mas quem vai acabar escolhendo é o Estado”.

    Porque, assinala, “essa reforma tira a responsabilidade do Estado e diminui os investimentos na educação pública e na prática tira a obrigatoriedade de matérias essenciais ao conhecimento humano”.

    Kitamura lembra que as escolas particulares continuarão tendo o ensino de História, Geografia, Artes, Filosofia e Educação Física. “Com isso o conhecimento da população mais pobre fica mais restrito. Aí como exigir direitos, como reivindicar posse de terra, por exemplo”.

    Ouça Lei Áurea, do grupo Zap-san: 

    Everaldo Vieira, secretário de Combate ao Racismo da Federação dos Trabalhadores Metalúrgicos e Mineradores da Bahia, ataca a proposta de vender terras brasileiras a estrangeiros e a sanha do agronegócio para com as terras indígenas.

    “A posse da terra é essencial para as populações quilombolas e indígenas sobreviverem. É de onde tiram ao seu sustento e organizam a vida”, afirma Vieira. “A reforma agrária”, portanto, “é primordial para essas populações e para o desenvolvimento do país”.

    Ele ressalta ainda que a cultura popular brasileira tem forte herança africana. “A cultura do nosso povo é uma forma de resistência. A capoeira surgiu dessa maneira, assim como o samba e as religiões de matriz africana”.

    Já Black acentua que "a reforma trabalhista do jeito que está vai fazer os direitos conquistados duramente pelos  trabalhadores retroceder ao final do século 19, ao período da escravidão.  Pontos como o acordado sobre o legislado que irá permitir mudanças nos salários e na jornada de trabalho, empurrando  para uma vida miserável milhões de trabalhadores e trabalhadoras".

    Mônica Custódio conclui que ainda não "nos libertamos totalmente e agora estão querendo nos devolver à senzala”. Por isso, “a nossa resistência se dá provando que somos humanos, temos direito à vida e à liberdade. Resistir é preciso”.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy. Arte Pawel Kuczynski

  • Aprovada em 1º lugar em Medicina da USP, estudante negra diz que a casa grande surta

    Viralizou na internet a frase da estudante Bruna Sena, 17 anos, ao comemorar o primeiro lugar no vestibular para ingressar no curso de Medicina na Universidade de São Paulo, campus de Ribeirão Preto, no interior do estado.

    “A casa grande surta quando a senzala vira médica”, disse a estudante. Já a mãe Dinália Sena, que trabalha como operadora de caixa de uma rede de supermercados, mostra preocupação ao pedir para a reportagem do jornal Folha de S.Paulo colocar na reportagem que ela tem medo de problemas com os racistas. “Ela vai ser o 1% negro e pobre no meio dos brancos e ricos da faculdade”. 

    Para a secretária de Promoção da Igualdade Racial da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Mônica Custódio, a aprovação da estudante traz à tona a necessidade das cotas raciais nas universidades públicas.

    “O mérito dela é muito grande, mas desnuda a situação da população negra e pobre, oriunda da escola pública, com muito pouca chance de ingressar nos cursos mais concorridos nos vestibulares”, diz.

    Para Custódio, "os governos Lula e Dilma iniciaram um processo de melhorias para os mais pobres. Isso deu mais condições para ingressarem na universidade. Porém, com o governo golpista está tudo indo para o ralo".

    Ela defende as mesmas oportunidades para toda a juventude com “cotas para os desfavorecidos neste momento, para igualar as oportunidades no futuro”. Além disso, ela ressalta a necessidade de “mais investimentos em educação pública com valorização profissional e mais condições de aprendizado”.

    A estudante que é ativista dos movimentos feminista e negro, disse à Folha: "Claro que a ascensão social do negro incomoda, assim como incomoda quando o filho da empregada melhora de vida, passa na Fuvest”.

    A nova estudante de medicina da USP explica que no último ano do ensino médio ela fez um cursinho destinado a estudantes carentes, mantido por alunos da própria USP. “Sem cursinho, não iria conseguir”, diz. “Não há como concorrer de igual para igual quando não se tem oportunidade de vida iguais".

    “Mais importante agora é a conscientização dos movimentos sociais para ajudar a manutenção dela na universidade”, complementa Mônica. “Precisamos defender políticas públicas que propiciem a todos os estudantes a manutenção em seus cursos"..

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy 

  • As mulheres negras saem às ruas no 8 de março por igualdade e por justiça

    O Mapa da Violência 2015 constatou que entre os anos de 2003 e 2013, o assassinato de mulheres negras aumentou 54,2% no Brasil. “O fato mostra a necessidade de se fazer o recorte racial até nas comemorações do 8 de março (Dia Internacional da Mulher)”, afirma Mônica Custódio, secretária da Igualdade Racial da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).

    Segundo a sindicalista, os índices alarmantes de violência contra as mulheres negras mostram que estão ocorrendo mais denúncias. “A nossa dor antes era invisível, começou a ganhar visibilidade na última década”.

    Além do crescimento de 54% de assassinatos em 10 anos, o Ministério da Saúde verificou que mais de 59% dos registros de violência doméstica no Ligue 180 foram feitos por mulheres negras em 2015. 

    Elas são as maiores vítimas também da mortalidade materna (53,6%) e de violência obstétrica (66%), segundo levantamento da Fiocruz em 2014. Já o Dossiê Mulher 2015 mostra que mais de 56% das vítimas de estupro no Rio de Janeiro são negras.

    De acordo com Custódio, isso ocorre porque uma larga porcentagem das mulheres negras vivem em condições de vulnerabilidade. "Sem a presença do Estado e de políticas públicas”. Ela explica ainda que embora tenham ocorrido melhorias, a situação ainda é difícil.

    Assista vídeo do Instituto Patrícia Galvão 

    Segundo Cardoso, com as políticas públicas criadas nos governos Lula e Dilma, as mulheres negras buscaram mais estudo para aprimorar-se e ter melhores oportunidades de vida.

    “As estatísticas comprovam que as mulheres passaram a estudar e se dedicar mais no aprimoramento profissional. As negras sabiam que tinham de ir ainda mais fundo para ter alguma possibilidade de condições iguais no mercado”, conta.

    Mas os salários não subiram. As mulheres negras ainda enfrentam mais dificuldades para se recolocarem no mercado de trabalho e sofrem mais discriminação.

    “O movimento sindical precisa acordar para essa disparidade e encampar para valer as lutas por igualdade de gênero e raça”. Elas ganham 40% a menos do que o homem branco, seus filhos morrem muito jovens e de forma violenta e sofrem por não poderem fazer nada.

    "E por tudo isso, estaremos nas ruas lutando pela igualdade de gênero e racial. Queremos pôr fim ao esmagamento diário do qual somos vítimas”, afirma a sindicalista. A campanha das mulheres corre o mundo e elas prometem parar no dia 8 contra a violência e as reformas da previdência e trabalhista.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy. Foto: www.silviacerqueira.com.br

     

  • Bruno Gagliasso e Giovanna Ewbank entram com processo judicial por racismo na internet

    O casal com a filha Titi (Foto: Reprodução Instagram)

    Os ataques racistas pelas redes sociais crescem em novembro - Mês da Consciência Negra . "Já passou da hora de serem tomadas providências para acabar com as práticas de ódio e violência no país”, diz Mônica Custódio, secretária de Promoção da Igualdade Racial da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).

    A vítima da vez é uma garotinha de apenas 2 anos. Titi, a malauiana adotada pelo casal de atores Giovanna Ewbank e Bruno Gagliasso. O casal prestou queixa na Delegacia de Repressão a Crimes de Informática no Rio de Janeiro, como informa o jornalista Ancelmo Gois.

    Um dos comentários na página do Instragram afirma que "Vcs tinham que adotar uma menina de olhos azuis isso sim iria combinar e não aquela pretinha parece uma macaquinha #lugardepretoénaafrica!!!”.

    Para Custódio, o poder público deve assumir sua responsabilidade e “implementar um grande trabalho de educação de toda a sociedade para extirpar de uma vez por todas a chaga do racismo, que envergonha a nação perante o mundo”.

    Esse tipo de crime tem sido corrente no país. Mas após o golpe à democracia brasileira vem aumentando substancialmente. Antes ainda, em 2013, Carlinhos Brown e Helena Buarque de Hollanda foram morar em Salvador porque seus filhos foram vítimas de ataques racistas no condomínio onde moravam no Rio de Janeiro.

    O mesmo perfil, supostamente falso atacou a cantora paraense Gaby Amarantos. Somente neste ano as cantoras cariocas Ludmilla e MC Carol, além da rapper paulista Preta Rara forma vítimas de ofensas racistas em redes sociais. "A polícia tem que investigar e punir esses covardes, porque é inaceitável que isso ocorra e nada seja feito", reclama a dirigente da CTB.

    A violência não acaba. No ano passado chegou ao conhecimento do público ataques à jornalista Maria Júlia Coutinho, da TV Globo e à atriz Taís Araújo, no mês de novembro. Neste ano, as cantoras cariocas Ludmilla e MC Carol, além da rapper paulista Preta Rara forma vítimas de ofensas racistas em redes sociais.

    “O pior é que as manifestações proliferam e a violência cresce com o assassinato de milhares de jovens negros, pobres e moradores da periferia todos os anos no país”, acentua Custódio. “Vamos organizar grandes atos no Dia da Consciência Negra (20 de novembro) para mostrar que repudiamos o ódio, a discriminação, a desigualdade e a violência”. Inclusive o Mapa da Violência 2016 mostra que os jovens negros são assassinados 2,6 vezes mais do que os brancos.

    Contraponto

    Marcha do orgulho crespo curitiba Foto Tony Mattoso RPC Curitiba

    1ª Marcha do Orgulho Crespo em Curitiba (Foto: Tony Mattoso/PC Curitiba)

    Para mostrar que a maioria dos brasileiros e brasileiras querem a igualdade, centenas de negras e negros ocuparam as ruas de Curitiba para a 1ª Marcha do Orgulho Crespo, no sábado (12).

    De acordo com a imprensa local , a manifestação ocorreu sem incidentes e os participantes estavam com cartazes com dizeres contra o racismo e a favor da beleza negra.

    O objetivo da passeata, segundo os organizadores, foi o de empoderar a mulher negra, que está na base da pirâmide social no país. "As mulheres negras são as que mais sofrem com o racismo e o machismo", finaliza Custódio. 

    Portal CTB - Marcos Aurélio Ruy - Foto: Reprodução Instagram

  • Caso Rafael Braga Vieira mostra uma Justiça tendenciosa contra os pobres

    A Justiça brasileira mostra as suas garras contra os mais pobres. A vítima da vez é o carioca Rafael Braga Vieira, 27 anos. O juiz Ricardo Coronha Pinheiro condenou Vieira a 11 anos e três meses de prisão por associação ao tráfico de drogas, com base apenas na palavra dos policiais que o prenderam.

    Leia a sentença do juiz Pinheiro aqui

    Em São Paulo, jovens se reuniram no vão do Masp, na avenida Paulista, nesta segunda-feira (24) para exigir a libertação do condenado que é negro, pobre e favelado. 

    A defesa de Vieira acredita em perseguição. Ele é o único condenado por participar dos protestos da Jornada de junho, em 2013. Preso com produtos de limpeza lacrados. Acusado de carregar artefatos explosivos e incendiários.

    No começo deste ano, ele foi “flagrado” com 0,6 gramas de maconha e 9,3 gramas de cocaína, de acordo com os policiais. Vieira nega.

    “O inadmissível dessa condenação é a total ausência de provas e as únicas testemunhas válidas são os policiais que o prenderam”, afirma Mônica Custódio, secretária de Igualdade Racial da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).

    Até foi criada uma página de Facebook pedindo a liberdade de Vieira (veja aqui). 

    Só que a Lei das Drogas (Lei 11.343/2006) distingue usuários de traficantes. “A quantidade dita nos autos que Vieira carregava consigo estão abaixo dos limites determinados para a configuração de usuário, que não pode ser preso por isso”.

    Antonio Pedro Melchior, professor na Universidade Federal do Rio de Janeiro e advogado criminalista, escreveu um artigo no site Justificando onde afirma que “a sentença se funda na mais frequente e desgastada prática inquisitorial no Brasil: condenação exclusivamente fundada na palavra do agente policial”.

    Já o delegado Orlando Zaccone, responsável pelo inquérito do caso do pedreiro Amarildo, até hoje sem conclusão, conta que “podemos questionar a forma como os flagrantes são constituídos no Brasil, onde o depoimento da policial é o único que vale para identificar um criminoso”.

    Para Custódio, “a forma de trato do juiz, deixa nítido a relação de um estado tendencioso, excludente e racista. Pessoas simples, como Vieira, representam a vida real de grande parte de nossa população, constituem a imagem da distribuição do cárcere”.

    Assista vídeo da CartaCapital sobre a vigília: 

    “Isso configura um outro formato de escravidão. Ninguém pode ser condenado sem o amplo direito de defesa, com base na palavra dos próprios policiais que o prenderam”, complementa.

    Além disso, o Instituto de Defensores de Direitos Humanos (DDH) acusa Melchior de impedir o pleno exercício de defesa de Vieira. Segundo os advogados, o juiz impediu diligências da defesa para averiguar supostas inconsistências do processo.

    “Policiais que prenderam o imputado em flagrante ou atuaram na investigação tem interesse em defender a legalidade e correção da própria atuação, o que é mais ou menos óbvio. Não são testemunhas, por isto. Se necessário ouvi-los em juízo, devem ser tomadas com reserva”, explica Melchior.

    Ele conclui que “sob o prisma político, nem se diga. No país da maior quantidade de autos de resistência no mundo, é esquizofrênico que a palavra do policial militar siga sendo recebida com presunção de legitimidade”.

    Custódio questiona a legitimidade do Estado em prisões baseadas somente na palavra de alguém, supostamente “acima de qualquer suspeita”.

    Para ela, "precisamos nos mobilizar e prestar solidariedade sempre que acontecem coisas desse tipo. Devemos nos posicionar contra esse instrumento do racismo institucional. Entendendo sempre o papel destes setores que ainda hoje buscam nos oprimir".

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy. Foto: Mídia Ninja

  • CTB debate a diversidade social do país para igualdade avançar

    Começou nesta sexta-feira (18), o Encontro Nacional da CTB: Visão Classista sobre a Diversidade Social, na Cidade Maravilhosa. A abertura do evento ocorreu no Sindicato dos Metalúrgicos do Rio de Janeiro, que no ano que vem completa 100 anos. 

    Mais de 100 militantes das questões de gênero, igualdade racial e juventude, produziram ricos debates sobre a diversidade brasileira sob todos os aspectos. O presidente do Sindmetal-RJ, Jesus Cardoso, disse que é fundamental "enfrentar essa onda conservadora que assola o país e unir a classe trabalhadora contra os retrocessos".

    Acesse este linkpara ver o álbun de fotos do primeiro dia do encontro.

    Já Mônica Custódio, secretária da Igualdade Racial da CTB, defende a "união de todos e todas para sair da defensiva e mantermos as nossas conquistas dos últimos anos e avançar".

    Foi muito falado sobre o papel da mídia neste contexto de ódio e violência predominante. "Não podemos mais aceitar que a mídia, principalmente rádios e TVs que são concessões públicas continuem criminalizando os movimentos sociais e tratando as mulheres como objetos, insuflando a violência contra as mulheres. Basta de pregar a discriminação e o ódio", diz Ivânia Pereira, secretária da Mulher Trabalhadora da central que mais cresce no Brasil.

    Tereza Bandeira, do Sindicato dos Trabalhadores em Telecomunicações da Bahia

    Na parte da tarde, a socióloga Mary Garcia Castro analisou a conjuntura. "O movimento sindical, assim como os partidos políticos devem se reciclar e falar a linguagem do povo para dessa forma impedir o avanço das ideias fascistas".

    Eremi Melo, secretária-geral da CTB-RS 

    Em seguida foi a vez do promotor do Ministério Público Federal, Wilson Prudente falar sobre a história da luta contra a escravidão. "Foi eleito um nazista para a presidência da maior potência mundial e nós precisamos articular uma conferência mundial contra o racismo e assim nos organizarmos para impedir retrocessos", disse.

    O ato foi encerrado com uma roda de samba, afinal ninguém é de ferro e estamos no Rio de Janeiro, a terra do samba, nos 100 anos desse gênero musical .

    Portal CTB - Marcos Aurélio Ruy

  • CTB-SP realiza a Plenária sobre Igualdade Racial neste sábado (27). Traga a sua contribuição!

    As trabalhadoras negras e os trabalhadores negros têm um encontro marcado para este sábado. A Plenária sobre Igualdade Racial começa às 9h, no sábado (27), na sede do Sindicato dos Trabalhadores em Água, Esgoto e Meio Ambiente do Estado de São Paulo (Sintaema)  e reúne sindicalistas para debater como o movimento sindical pode colaborar com o fim do racismo.

    Os temas da plenária serão a conjuntura atual, com palestra de Nivaldo Santana, vice-presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e A questão do Direito ao Trabalho pós Abolição, com Juarez Tadeu de Paula Xavier, professor da Universidade do Estado de São Paulo em Bauru, interior do estado.

    A outra palestrante é Mônica Custódio, secretária da Igualdade Racial da CTB, que falará sobre O que é Injúria Racial e o que é o Racismo?. Para ela, “o movimento sindical tem papel preponderante no combate ao racismo e a CTB-SP não poderia ficar fora dessa trincheira".

    "É em São Paulo onde ocorrem as maiores batalhas contra a opressão que submete trabalhadores e trabalhadoras a condições de trabalho, muitas vezes desumanas”, complementa.

    plenaria igualdade racial sp

    Já Lidiane Gomes, do Sindicato dos Professores de Campinas e Região, afirma que “esta plenária é importante para que possamos solidificar o trabalho do Coletivo Nacional de Igualdade Racial (da CTB)”.

    Para ela, “existe ainda um grave problema de falta de acesso ao trabalho formal para a população negra e quando isso acontece os negros e as negras ficam invariavelmente em cargos subalternos”.

    Gomes acredita que a plenária deve "elaborar um plano de lutas em São Paulo para combater e erradicar o racismo no mundo do trabalho". Custódio complementa afirmando que “a CTB-SP dá um passo importante para a construção de uma força antirracismo estado mais rico do país”.

    Serviço

    O que: Plenária sobre Igualdade Racial
    Onde: Sintaema (avenida Tiradentes, 1323, São Paulo)
    Quando: Sábado (27), às 9h

    Programação

    08h30 – café da manhã
    09h00 – início da plenária
    Conjuntura: Nivaldo Santana
    09h50 – mesa: O que é Injúria Racial e o que é o racismo?
    • Mônica Custódio
    10h30 – intervalo
    10h40 – A questão do Direito ao Trabalho pós Abolição
    • Juarez Tadeu

    12h00 – 2º mesa- Congresso Estadual e Construção da Secretaria de
    Igualdade Racial da CTB-SP
    • Onofre Gonçaçves
    • Paulo Nobre

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

  • Dirigentes da CTB convocam para o Ocupe Brasília no dia 24 contra as reformas de Temer

    Ao convocar as negras e os negros brasileiros a ocuparem Brasília na quarta-feira (24), a secretária de Promoção da Igualdade Racial da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Mônica Custódio, diz que “pra senzala não voltamos nunca mais”.

    Mônica Custódio: "Pra senzala não voltamos" 

    Ela se refere aos danos causados pelas reformas trabalhista e previdenciária à classe trabalhadora. Para Custódio, dia 24 de maio “é o dia da marcha dos trabalhadores negros, das mulheres, dos jovens, dos indígenas e dos LGBTs”.

    Ivânia Pereira, secretária da Mulher Trabalhadora da CTB se dirige às mulheres, que compõem 52% da população brasileira, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

    “Quero me dirigir a você mulher brasileira, dona de casa, trabalhadora, desempregada, mulher jovem, mulher idosa, mulher que está sofrendo nestes tempos difíceis com a ameaça de perdas de direitos, com o aumento do tempo de contribuição para a aposentadoria, com a terceirização, com a retirada de vários direitos que estão acontecendo no dia-a-dia”, diz.

    Ivânia Pereira: "A mulher está sofrendo com a ameaça de perda de direitos" 

    Já a secretária da Mulher Trabalhadora da CTB-RS, Lenir Piloneto Fanton, diz que esse “será o dia de ratificar a Constituição Federal” porque “é a dificuldade da classe trabalhadora que está em jogo”.Por isso, conclui, “vamos lutar contra essa crueldade que esse governo está tentando impor”.

    Para as três cetebistas, são as camadas mais pobres e mais fragilizadas da sociedade as que mais sofrem com as consequências desses projetos que favorecem somente os patrões”.

    Lenir Fanton: “Vamos lutar contra essa crueldade que esse governo está tentando impor" 

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

  • Em audiência no Senado, a CTB pede urgência contra a ofensiva racista no continente americano

    A Comissão dos Direitos Humanos do Senado Federal realiza nesta terça-feira (4), a audiência pública “Grandes vultos, o legado de Abdias Nascimento”. Presidida pelo senador Paulo Paim (PT-RS), a audiência conta com a participação de representantes do movimento negro de todo o país.

    Para Mônica Custódio, secretária de Promoção da Igualdade Racial da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), a participação da central nessa audiência é fundamental para o fortalecimento da resistência às medidas recessivas do governo golpista.

    “Mesmo com uma conjuntura desfavorável, os povos negros do continente americano devem unir-se para barrar a ofensiva reacionária, racista, sexista e homofóbica e colocarmos nossas pautas em defesa da vida de nossa juventude e da igualdade de oportunidades”, afirma.

    “Esse desgoverno pretende aprofundar o racismo e todas as políticas repressivas contra os interesses da classe trabalhadora e da maioria da população. E sempre os negros e negras são os primeiros a sentirem esses efeitos pernósticos na vida do país”, diz.

    Assista transmissão completa pela TV Senado 

    Com a presença do escritor nigeriano Wole Soyinka, ganhador do prêmio Nobel de Literatura de 1986, os debates giraram em torno das Convenções A-68 e A-69 da Organização dos Estados Americanos (OEA).

    Uma das principais preocupações da sindicalista carioca refere-se à urgência de o Brasil ratificar essas convenções que combatem todas as formas de discriminação, intolerância e que a integração étnica e racial seja respeitada em todos os espaços do poder constituído.

    Atente para a poesia dessa menina adepta de uma religião de matriz africana 

     

    Para Custódio, “participamos desta audiência pública também para pautar a reivindicação do movimento negro e debater as formas de reparação aos negros descendentes dos seres humanos escravizados durante quase 4 séculos neste país”.

    Ela defende que o Estado brasileiro reconheça a necessidade dessa reparação. “É importante também dar visibilidade aos negros e negras aprofundando a democracia no continente, porque a crise econômica chegou para valer na América Latina e as consequências são sentidas pelos negros e negras nas manifestações raciais cada vez mais contundentes nas ruas e nas redes sociais. Precisamos dar um basta em tudo isso”.

    Assista documentário sobre a trajetória de Abdias Nascimento 

    Como um dos mais importantes ativistas em defesa da igualdade racial no país, Abdias Nascimento teria completado 100 anos no dia 14 de março de 2015, não tivesse falecido em 23 de novembro de 2011, aos 97 anos.

    Nascimento foi importante nas artes, na política, no mundo acadêmico e no movimento social. “Uma referência fundamental para o movimento negro em todos os aspectos, por ter estudado as questões referentes à nossa história e na luta por igualdade”.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

  • Estudante negra de jornalismo é discriminada por professor em sala de aula

    Uma estudante de jornalismo, negra, 20 anos, de uma universidade conceituada da região Nordeste, denuncia ao portal R7 a atitude racista de seu professor de Comunicação e Expressão Oral. O professor graduado em fonoaudiologia falou que ela nunca será âncora de telejornal por causa de seu cabelo étnico afro.

    "Quando eu estava passando o texto na bancada, ele disse que, por conta dos padrões, o meu cabelo chamaria mais atenção que a notícia, por ser black e descolorido, e que dessa forma eu me encaixaria melhor como moça do tempo ou repórter", contou a estudante.

    Para a secretária de Igualdade Racial da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Mônica Custódio, a ofensa aconteceu por causa da invisibilidade de negros e negras na mídia e na sociedade.

    “Em todas as formas de comunicação, a população negra quase nunca aparece e quando aparece é desqualificada. Seja em novelas, livros didáticos, publicidades. Parece que não existimos ou só existimos em situações degradantes”, diz.

    Ao assistir à novela "Pega pega", da TV Globo, ela conta que uma personagem negra é agredida. “Parece que para naturalizar a violência contra a mulher e mais ainda mulher negra”, afirma. “Na 'Malhação' até tocam no tema da misoginia e do racismo, mas banalizam completamente, ao ponto de se julgar tudo natural”.

    Então esse professor universitário, de acordo com Custódio, retrata a realidade de onde ele vive. “A população negra não pertence àquele lugar, à universidade, aos meios de comunicação, onde prevalece o padrão de beleza europeu”.

    A sindicalista acentua que “além de ser mulher e negra, a estudante é pobre”, pois ela é estagiária, como mostra a reportagem do R7 e ganha R$ 510 por mês e paga uma mensalidade de R$ 669,90 com ajuda da família. “Ela sofre triplo preconceito”.

    A jovem conta ainda que procurou a escola antes de denunciar à imprensa, mas a escola não a acolheu. Ela denuncia ainda a falta de solidariedade dos colegas. "Enquanto isso, o professor fez reuniões com os alunos da sala. Eles começaram a me tratar com indiferença. Ninguém mais olhava na minha cara e eu me sentia muito mal. Criaram até uma hashtag #nãohouveracismo para colocar em publicações que comentavam o caso. O curioso é que as estudantes que defendem o professor não estavam na sala de aula no dia (20/5) e são as mesmas que pegam carona com ele", conta ela.

    “Fatos como esse dão nitidez ao racismo brasileiro, forjado ideologicamente desde a escravidão, mas persiste para justificar a desigualdade e a injustiça social”, reforça Custódio. “E ainda insistem em dizer que não há racismo no Brasil”, ironiza.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy. Foto: Arquivo Pessoal

  • Ex-escrava norte-americana é a primeira mulher a estampar uma cédula de dólar nos EUA

    A ex-escrava Harriet Tubman (1822-1913) tornou-se a primeira mulher a estampar uma cédula de dólar. Tudo começou através da campanha desenvolvida pela ONG Women On 20s, que pediu ao presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, uma mulher na cédula de US$ 20.

    “Fatos como esse mostram que a população está mudando a sua forma de entender tanto a história, quanto o desenvolvimento da humanidade”, diz Mônica Custódio, secretária de Promoção de Políticas de Igualdade Racial a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).

    Escolhida por mais de 600 mil pessoas, Harriet venceu a ex-primeira-dama Eleonor Roosevelt e a ativista do movimento negro Rosa Parks, que deflagrou uma importante luta pelos direitos civis dos negros ao se recusar a ceder lugar a brancos em ônibus, em 1955. Ela foi presa por descumprir a lei que separava assentos de negros e brancos nos EUA.

    Harriet Tubman foi libertada em 1849 e participou ativamente das campanhas pela abolição, organizando resgate de escravos. Atuou como espiã na Guerra Civil (1861-1865), que acabou pondo fim à escravidão nos Estados Unidos. Além de abolicionista, ela fez campanha pelo voto feminino.

    Então, o Tesouro norte-americano acatou o resultado da eleição, comandada pela Women On 20s. Por isso, de agora em diante Harriet substituirá o ex-presidente Andrew Jackson (1829-1837), nas notas de US$ 20.

    Para Mônica, esse ato recupera o “valor da mulher negra na história e no contexto atual, colocando-as como protagonistas na resistência ao machismo, ao fascismo  e às discrimnações no mercado de trabalho, que assombram a América Latina e o mundo”.

    “É importante ressaltar o papel da cultura nisso tudo”, ressalta. Ela explica que nos EUA a cantora Beyoncé, por exemplo, “tem causado furor ao assumir sua negritude e defender a igualdade de direitos, denunciando a violência policial contra a juventude negra, entre outras questões”.

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    Beyoncé causa frisson ao homenagear os Panteras Negras na final do Super Bowl nos EUA

    Já no Brasil, diz ela, “os artistas estão fazendo muito mais que o seu papel, levando a cabo a defesa da democracia, dos direitos coletivos e individuais e dos interesses nacionais”. Além de “levar conhecimento para a população”. Ela cita o trabalho feito por Tico Santa Cruz, como exemplo.

    Mônica acredita que “as pessoas estão evoluindo, tanto aqui como nos EUA, não pela mão do Estado, mas pelo engajamento desse pessoal envolvido com o trabalho da cultura, que tem proporcionado condições de enriquecer o debate sobre que futuro queremos para nossos filhos”.

    Assista clipe de O Morro Mandou Avisar (Flávio Renegado e Tico Santa Cruz)

     

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

  • Luta das mulheres, LGBTs e da negritude mostram força no 4º Congresso da CTB-RJ

    As pautas do combate à LGBTfobia, da luta contra o racismo e pela emancipação da mulher trabalhadora foram tônicas presentes no 4º Congresso da CTB. As mulheres mostraram que a organização e o protagonismo na luta dos últimos quarto anos levaram a CTB RJ a um novo patamar nesse debate e se fizeram presente de forma expressiva, qualificando o debate.

    Para Kátia Branco, Secretaria da Mulher Trabalhadora da CTB-RJ, a massiva presença das mulheres no congresso é um reflexo da importância que a CTB dá à questão da mulher trabalhadora. Kátia também acredita que outros debates importantes mostraram o caráter plural da central classista

    “Foi um congresso com uma participação expressiva das mulheres, o que reflete o empoderamento da mulher dentro do sindicalismo classista. Um congresso onde a questão racial foi debatida de foram profunda e onde o respeito à diversidade e o combate à homofobia não foram ignorados. Enfim, um congresso onde a CTB-RJ conseguiu mostrar que o sindicalismo classista consegue fazer o recorte das pautas identitárias sem esquecer a questão da classe e que nos preparou para enfrentar as opressões do capital.”

    Mônica Custódio, Secretaria Nacional de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da CTB, logo após fazer o balanço da luta racial dentro do sindicalismo classista, se mostrou muito satisfeita com a construção do congresso, com a participação das mulheres e com a atividade como um todo:

    “Foi um congresso exitoso desde a organização, com uma organização que foi tranquila, com uma comissão que se dava muito bem. A abertura foi extremamente representativa, as pessoas vieram com maior carinho e com vontade. As outras forças políticas com enorme respeito. Fizemos a abertura num sindicato centenário, que acabou de completar 100 anos agora, os metalúrgicos do Rio, o que valoriza muito a nossa diretoria. Uma participação impressionante das mulheres na atividades. As companheiras vieram e participaram ativamente das intervenções. Foi um congresso muito bacana, de muita felicidade.”

    A pauta da diversidade sexual e do combate à homofobia também marcou presença no 4º Congresso da CTB Rio de Janeiro. O presidente da União Nacional LGBT – Carioca (UNA LGBT Carioca) e diretor do Sindicato dos Comerciários do Rio de Janeiro, Marcelo Max, pontuou a questão da população LGBT dentro do mercado de trabalho e chamou os sindicalistas classistas a também se inserirem nessa luta:

    “A gente vem fazendo esse debate no próprio Sindicato dos Comerciários do Rio de Janeiro, onde a gente faz esse recorte porque a população LGBT porque essa população tem pouco amparo e pouco espaço para pautar as demandas do seu dia a dia. A gente vem mensurando que existe muito preconceito dentro do local de trabalho, existe falta de pessoas LGBTs no mecado de trabalho e as poucas que estão inseridas sofrem muito assédio moral e nós acreditamos que isso é uma cosia que tem que ser debatida pela central. Nós trouxemos esse debate aqui para o congresso para criar condições de lutar pela população LGBT no mercado de trabalho e para caminhar junto contra as opressões que estamos sofrendo desse governo golpista.”

    Para o dirigente José Carlos Madureira, a força com que os debates da questão racial, da mulher e LGBT apresentarem nesse congresso apenas reflete a própria diversidade da sociedade. O dirigente elogiou a diversidade do Congresso:

    “Um congresso que foi representativo no que tange à sua diversidade: hoje temas e pautas fazem parte da agenda da CTB fruto da organização da diversidade que existe na sociedade e se reflete também entre os sindicalistas.”

    José Roberto Medeiros - CTB RJ. Fotos: Bruno Bou

  • Mulheres são maioria do eleitorado, mas há poucas candidaturas femininas

    De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), as mulheres representam 52% (mesma proporção da população geral) das 144.088.912 pessoas aptas a votar neste ano. E mesmo com a lei estabelecendo a cota mínima de 30%, as mulheres encontram dificuldades para serem firmadas como candidatas. Pelos dados do TSE, as negras enfrentam situação ainda pior.

    São 493.534 pessoas concorrendo a uma vaga em câmaras municipais e prefeituras nos 5.568 municípios, sendo 156.317 mulheres (31,6%). Porém, existem apenas 12,6% de candidatas a prefeitas e 17,4% para vice-prefeitas, enquanto para vereadoras são 32,9%. No Congresso atual as mulheres não passam de 10% e no ministério golpista não tem nenhuma.

    “Não chega nem perto da maioria, que representamos na população e no eleitorado”, diz Ivânia Pereira, secretária da Mulher Trabalhadora da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).

    A situação das mulheres negras é ainda pior. Negras e pardas são apenas 79.265 candidatas à vereadora e 652 para prefeita, ou 0,13%. De acordo com Carmela Zigoni, do Instituto de Estudos Socioeconômicos, candidatas que se autodeclaram “negras” são ainda menos: 0,01% para às prefeituras e 2,64% querem ser vereadoras.

    mulheres negras eleicao

    Para a secretária da Igualdade Racial da CTB, Mônica Custódio, o baixo número de candidatas negras é um “reflexo do racismo, do machismo e do sexismo que imperam em nossa sociedade”.

    Na conjuntura do Brasil pós-golpe, “a situação tende a ficar ainda pior, pois os homens brancos que assaltaram o poder estão acabando com todos os programas para a população negra conseguir mais oportunidades e assim saírem da invisibilidade”.

    Custódio lembra que no Rio de Janeiro a candidatura de Jandira Feghali (PCdoB) à prefeitura está mobilizando as mulheres em defesa da paridade, “essencialmente as mulheres negras que sofrem dupla discriminação”. Além disso, Feghali, diz ela, “é uma mulher de fibra”. sem contar que Feghali foi a relatora da Lei Maria da Penha, aprovada em 2006.

    Já a secretária da Mulher da CTB-RJ, Kátia Branco, afirma que Feghali “vai ao segundo turno e vamos vencer essa eleição para que as mulheres botem a cidade maravilhosa no rumo do combate às desigualdades. A classe trabalhadora está com Jandira (Feghali)”. ela afirma que "as políticas de mobilidade urbana e de igualdade terão vez com ela na prefeitura".

    Cresce também a candidatura de Alice Portugal (PCdoB) para a administração municipal de Salvador. Ela diz que “tem muita gente cantando vitória antes da hora” e lembra que o ex-governador da Bahia, Jaques Wagner, estava atrás nas pesquisas, mas venceu a eleição por duas vezes.

    Em São Paulo, o candidato à reeleição Fernando Haddad (PT) é o único prefeito brasileiro a assinar o projeto da Organização da Nações Unidas (ONU) Mulheres “Cidade 50-50” (saiba mais aqui), comprometendo-se com a paridade entre mulheres e homens nos cargos públicos.

    Indígenas

    No que se refere aos povos indígenas, são 1.702 candidatos em todo o Brasil (0,3% do total), dentre os quais 29 para o cargo de prefeito e 1.613 para os cargos de vereador.

    Marcos Aurélio Ruy - Portal CTB com informações do Inesc

  • No 8 de março, as mulheres tomam as ruas para dar um basta no retrocesso e na violência

    No primeiro Dia Internacional da Mulher – 8 de março – depois do golpe à democracia brasileira com a deposição da presidenta Dilma Rousseff, as brasileiras prometem sair às ruas para pôr fim à violência de gênero e os retrocessos do governo Temer.

    As mulheres prometem cruzar os braços, pelo mundo afora, contra a cultura do estupro e todas as formas de discriminação de gênero. O slogan usado já diz tudo: “Se nossas vidas não importam, produzam sem nós”.

    De acordo com Ivânia Pereira, secretária da Mulher Trabalhadora da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), “já passa da hora de dar um basta. Todas juntas podemos derrotar o machismo que nos oprime e construir um mundo onde predomine a justiça e a igualdade”.

    A CTB defende a equidade para avançar à igualdade nas questões de gênero. Entre as principais bandeiras que tremulam na campanha feminista deste ano está o combate às reformas da previdência e trabalhista (saiba mais aqui).

    Assista depoimento da atriz Sonia Braga aos Jornalistas Livres: 

    As mulheres são as primeiras a serem demitidas e as últimas a se recolocarem no mercado de trabalho. Além disso, “trabalhamos horas a mais que os homens todas as semanas, temos que dar conta de casa e dos filhos, geralmente sem apoio de ninguém”, reforça Kátia Branco, secretária da Mulher da CTB-RJ.

    A situação das mulheres negras é ainda mais degradante, informa Mônica Custódio, secretária de Igualdade Racial da CTB. “Trabalhamos em situação mais precarizada, em serviços de menores salários e ainda moramos mais longe, em situação de vulnerabilidade total”.

    Tristemente, o Brasil é um dos países mais violentos com as mulheres. “A cultura do estupro mata milhares todos os anos, grande parte constituída de meninas, com menos de 14 anos e dentro de casa, por pessoas conhecidas ou da família”, diz Lenir Fanton, secretária da Saúde da CTB-RS.

    Confira explicação da deputada estadual gaúcha Manuela D'Ávila sobre a reforma da previdência: 

    “É muito importante que a CTB e as demais centrais sindicais definam como prioridade a bandeira da igualdade de gênero para que as mulheres, que constituem 52% da população do país possam viver em paz, em segurança e possa realizar-se plenamente como ser humano”, defende Érika Piteres, secretária da Mulher da CTB-ES.

    Por isso, “levaremos para as manifestações em todo o país, além da denúncia da perversidade das reformas do Temer, a necessidade de termos mais mulheres na política para asvançarmos nas conquistas dos últimos anos. Políticas públicas abandonadas pelo governo golpista”, sintetiza Pereira.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

  • No Julho das Pretas, cetebistas negras contam suas histórias de enfrentamento ao racismo

    Por causa do Dia Internacional da Mulher Negra, Latino-americana e Caribenha - 25 de julho -, o mês passou a ser chamado de Julho das Pretas. O Portal CTB, por isso, perguntou a diversas dirigentes negras, sobre uma história de racismo que as marcou muito.

    As histórias denunciam a dupla discriminação sofrida pelas mulheres negras. São atacadas por serem negras e por serem objeto do desejo do homem branco. Desejo forjado pela ideologia patriarcal, desde a escravidão para justificar a luxúria dos senhores de escravos.

    A secretária da Igualdade Racial da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil nacional, Mônica Custódio, conta que estava sentada na faculdade estudando, quando chegou uma mulher branca e disse que queria o seu lugar. Ela espantou-se e questionou o porquê e a mulher disse que era porque ela estava "cansada”.

    Muitas relatam implicâncias com os cabelos afros e chegaram a perder a possibilidade de promoções por serem negras e, de acordo com os olhos do patronato branco, não têm boa aparência para determinadas funções.

    Acompanhe as histórias, se emocione e se revolte:

    Adriana Silva, secretária da Igualdade Racial da CTB-ES

    Racismo sofro todos os dias por ser mulher negra e da periferia. É algo que está presente no meu dia-a-dia, sofro na faculdade, no trabalho, em todos os lugares. Um exemplo disso é quando perguntam minha profissão e eu respondo que sou empresária aí me perguntam se concluí o ensino médio eu digo que faço faculdade, aí as pessoas se espantam.

    Cherry Almeida, dirigente da CTB-BA

    No Conselho Municipal de Saúde de Salvador aconteceu algo inusitado para mim. Resolvi disputa a eleição para a presidência do conselho. No dia da reunião na qual coloquei meu nome, ouvi alguém falar assim: “Eu acho que a Cherry é muito ousada, mas ela não tem o perfil para presidir o conselho municipal da terceira maior capital do país”.

    Fiquei pensando qual seria esse perfil em que eu não me enquadrava, justamente morando na cidade mais negra fora da África. Era o olhar do perfil do padrão de beleza ariano. Outra vez disseram: “A não, a Cherry é do Sindicato dos Comerciários, não é da saúde e ela está fora do perfil de um conselho municipal dessa envergadura”.

    Claudia Vitalino, dirigente da CTB-RJ e do Sindsprev-RJ

    Em meu primeiro ano na gestão do Sindsprev-RJ, na diretoria estadual da Secretaria Sócio- Cultural, uma filiada entrou na sala, querendo falar com alguém da diretoria para solucionar um problema.

    Eu iniciei o atendimento. Aí minha secretária loira voltou de uma tarefa que tinha ido resolver na rua. Na mesma hora em que ela chegou, a servidora do Ministério da Saúde começou a perguntar para ela tudo o que eu já tinha respondido, como se ela fosse a diretora e eu a funcionária do sindicato.

    A minha secretária, muito sem jeito, disse que eu era a diretora. A moça ficou muito sem graça, pediu desculpas e agradeceu o atendimento...

    Doméstica

    Uma outra vez eu estava em um ônibus na zona sul do Rio de Janeiro, ao meu lado sentou uma senhora branca aparentando uma boa condição financeira. Conversamos e quando eu estava me despedindo, ela me entregou um cartão e disse para mim que estava precisando de uma secretária doméstica e que se eu ou alguma amiga minha estivesse precisando para entrar em contato. Detalhe em nenhum momento da conversa falei sobre a minha profissão...

    Eu engoli a raiva e entreguei o meu cartão a ela e disse que se ela ou alguma amiga também estivesse precisando para ela me ligar. Ela ficou vermelha e tentou se desculpar...

    Izane Mare Ribeiro Mathos, diretora da CTB-RS

    Quando eu tinha 15 anos, buscando o primeiro emprego, não fui admitida em um supermercado, por ser afrodescendente. Fui dispensada, após olharem minha fisionomia, isso porque fui pessoalmente. Não havia mandado currículo.                   

    Já em meados de 1990 quando minha primogênita nasceu, uma conhecida branca, entrou no quarto do hospital, dizendo "deixa eu ver se não saiu neguinha".

    Outra vez mais recente, em um salão de cabelereiros a atendente, disse para mim: “Tu tens a pele clara, mas teu nariz achatado e o cabelo ruim denunciam tua raça". Na hora, eu disse: muito me orgulha a minha raça negra e meu cabelo não é ruim, é crespo. Falei que ela estava cometendo ato racista e discriminatório. Saí do recinto, sem retocar a tintura, que entrei lá para fazer.

    Lidiane Gomes, secretária da Igualdade Racial da CTB-SP

    Aos 17 anos, eu trabalhava em uma fábrica de instrumentos cirúrgicos em um bairro periférico de Campinas (SP). Estava cursando o terceiro ano de Processamento de Dados em um Colégio Técnico tradicional da cidade. Trabalhava e ajudava minha mãe a pagar metade da mensalidade.

    Um dia abriu uma vaga de secretária que necessitava saber usar o computador. Fui candidata à vaga e a gerente, que era minha amiga pessoal, desceu do escritório chorando copiosamente. Ela não conseguia me dizer qual era o problema.                       

    Depois de um tempo, se refez e me disse que eu não seria secretária porque eu era preta e que por isso, não ficaria bem eu ficar na frente da loja atendendo o público. Neste dia vi bem o que é ser negra no Brasil.

    Maria Alves de Souza, diretora de Políticas Sociais e Previdência da Fetaemg

    Comigo acontece muitas vezes, quando as pessoas anunciam a presença da diretora da Fetaemg, sinto olhares de desprezo. Essa situação só começa a mudar após eu começar a falar sobre ao assunto em pauta.

    Em minha cidade, Ouro Verde (MG), em um período de campanha eleitoral, fiz campanha para um candidato quilombola a vereador. No dia seguinte, as pessoas me abordaram na rua dizendo: De pentear os cabelos você não gosta, mas de subir em palanque e ficar interferindo na vida das pessoas você gosta”. Isso porque sou negra e me orgulho muito disso.

    Santa Alves, secretária da Igualdade Racial da CTB-DF

    O racismo comigo acontece no comércio, geralmente os vendedores nos olham como se pensassem será que tem dinheiro, aqui no shopping de Brasília tem câmeras que monitoram a chegada e os negros são todos suspeitos, falo isso pois tenho um amigo que trabalha na segurança. Os olhares acontecem sempre, mas não me abordaram.                       

    Também já me perguntaram na rua se eu sabia de alguém queria trabalhar como doméstica.

    Tereza Bandeira, secretária da Mulher do Sinttelba e dirigente da CTB-BA

    Em uma empresa no ramo do comércio, onde eu desenvolvia atividades, deixei de ser promovida por usar cabelo natural. Prevalecia a questão da "boa aparência", ou seja, cabelos alisados. O padrão de beleza europeu prevalece e as negras são marginalizadas.    

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy.  Foto: Blog Biotipo                                 

  • O Brasil perde uma de suas mais importantes guerreiras com a morte de Luiza Bairros

    A manhã desta terça-feira (12) entra para a história como o dia em que o Brasil perdeu uma “importante guerreira da causa da igualdade racial e de gênero”, diz Mônica Custódio, secretária de Promoção da Igualdade Racial da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).

    A ex-ministra Luiza Bairros, de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, entre 2011 e 2014, morreu hoje, aos 63 anos, vítima de câncer no pulmão, do qual se tratava há meses. O velório tem início ainda hoje, às 20h, e o sepultamento será na quinta feira (14), às I5 horas, na capela 9 do Cemitério João XXIII, em Porto Alegre.

    “Hoje é um dia de tristeza por uma irreparável perda. Mas, também de reverência a uma longa e brilhante trajetória de luta por toda a população negra, especialmente pelas mulheres negras brasileiras”, diz Ângela Guimarães, presidenta da União de Negros pela Igualdade (Unegro). 

    “Nosso compromisso é honrar o legado, a vida e seguir adiante com as bandeiras dessa grande brasileira que tanto nos ensinou a lutar com garra, brilho e competência. Que o Orun a receba, na certeza que junto com Lélia Gonzalez, Beatriz Nascimento e outras estrelas guerreiras, continuará a nos inspirar a não retroceder nunca”, afirmou.

    Mônica reforça o importante legado deixado pela ex-ministra. “As políticas e ideias defendidas por ela na campanha pelo bem viver, com valorização da mulher negra enquanto protagonista de sua própria história, foi fundamental para elevarmos o patamar de nossa luta”, disse ela. "A trajetória dela reforça a nossa luta, principalmente pelo empoderamento das mulheres negras. Aquelas que trabalham como domésticas e muitas vezes não veem suas reivindicações colocadas pelas bandeiras feministas”.

    A presidenta afastada, Dilma Rousseff, emitiu uma nota sobre o falecimento de sua ex-ministra. “Luiza foi uma incansável militante da causa negra e da democracia brasileira. Sua obra permanece viva e continua sendo um símbolo da luta contra o preconceito e em favor das melhores causas da vida política nacional”.

    Trajetória

    Luiza Helena Bairros nasceu em Porto Alegre e se graduou em Administração pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Concluiu mestrado em Ciências Sociais pela Universidade Federal da Bahia, morando em Salvador a partir de 1979. Seu doutorado ocorreu na Universidade de Michigan, nos Estados Unidos.

    Importante militante do Movimento Negro Unificado, sempre esteve na linha de frente das principais lutas desenvolvidas contra o racismo e pelo fim da violência contra a mulher. Trabalhou na Organização das Nações Unidas em 2001 e em 2005.

    Foi secretária da Igualdade Racial da Bahia em governos do PT e ministra-chefe da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, de 2011 a 2014. Em sua gestão foi criada o Sistema Nacional de Promoção da Igualdade Racial (Sinapir), importante órgão para a formulação de políticas públicas para a população negra no país.

    “O Brasil está de luto e o nosso coração chora a morte dessa guerreira brasileira, fundamental para o desenvolvimento de políticas de combate às desigualdades e ao preconceito. Mas a luta dela permanece em nós na criação de políticas públicas para a criação de um país mais justo e igual”, diz Mônica.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

  • Olimpíadas Rio 2016: racismo e machismo contra Bárbara, goleira da seleção de futebol

    Os Jogos Olímpicos Rio 2016 trazem a atenção de bilhões de pessoas para o Brasil. Com isso, a mídia internacional vem denunciando a ditadura em consolidação no país, através de um processo de impeachment fajuto (leia aqui).

    Mas outras mazelas da sociedade brasileira também entram em cena. Ao ganhar a medalha de ouro na categoria até 57 quilos, Rafaela Silva (negra e pobre) trouxe à tona as ofensas racistas que sofreu nos jogos de Londres 2012, quando perdeu a possibilidade de medalha.

    Agora, a postagem de um internauta em uma rede social, consegue cometer dois crimes de uma só vez. E a sua argumentação para justificar o que escreveu só faz piorar ainda mais. O membro do Conselho Federal de Administração Marcos Clay escreveu: "Eu odeio preto, mas essa goleira do Brasil tinha chance".

    A goleira em questão é Bárbara Micheline do Monte Barbosa, da seleção brasileira de futebol feminino. “É muita cara de pau. A pessoa escrever isso e depois dizer que foi brincadeira”, afirma Mônica Custódio, secretária de Promoção da Igualdade Racial da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).

    Ao G1, da Globo, Clay, disse que "foi uma brincadeira de mau gosto... Uma brincadeira que infelizmente algumas pessoas se ofenderam, mas não era minha intenção. Tanto é que minha esposa é negra, todo mundo sabe disso. Quem me conhece sabe que eu não sou racista, tenho vários amigos que são negros, não tenho problema com isso".

    monica custodio 2014Para Custódio, esse tipo de argumentação é muito comum. Porém, “escrever ‘eu odeio preto’, significa o que? Brincadeira? Que tipo de brincadeira é essa? E aí a emenda fica pior do que o soneto, quando diz que a Bárbara ‘tinha chance’. Chance de que? Quem disse que ele tem alguma chance com ela?”

    Isso mostra, afirma a sindicalista da CTB, que em "pleno século 21", além de “racista esse rapaz é um tremendo de um machista” e reforça a proposta da ativista Nana Queiroz que lançou o “Guia Prático e Didático da Diferença entre Paquera e Assédio”, durante o carnaval, para ensinar os homens como paquerar, sem agredir (leia aqui).

    “Essa é mais uma postagem racista na internet e é necessário ir fundo na questão e, dentro da lei, punir todos as postagens racistas e discriminatórias para acabar com esse tipo de atitude”, reforça Custódio.

    Ela lembra ainda que a prática de racismo é crime inafiançável e imprescritível, mas que “dificilmente alguém é punido, porque a própria Justiça age com racismo, infelizmente”.

    Clay tenta se defender. "Uma pessoa pegou meu post e republicou dando uma conotação de racismo. Deve ter alguma coisa contra mim. Já fiz uma retratação dizendo que era uma brincadeira. O povo de hoje está muito melindrado, ninguém pode mais falar nada nas redes sociais que vira polêmica”.

    “Parece que as pessoas perderam completamente o bom senso, principalmente após o afastamento da presidenta Dilma e querem expressar toda a sua animalidade nas redes sociais”, afirma Custódio.

    Para ela, “somente organizados e unidos, os afrodescendentes brasileiros conseguirão combater com mais tenacidade a chaga do racismo”. Ela convoca todos à luta porque “combater o racismo é defender o processo civilizatório brasileiro e o desenvolvimento da humanidade”.

    Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB

  • Organização social cria projeto para incluir mulheres negras e indígenas nas novas tecnologias

    “Com o objetivo de mapear e coletar essas histórias, lançamos esta semana a PretaLab, iniciativa com objetivo de aumentar o número de meninas e mulheres que atuam nas diversas áreas da tecnologia e inovação no país”, diz texto da organização social Olabi, sobre o projeto, lançado na quinta-feira (16), no Rio de Janeiro.

    Para a secretária da Igualdade Racial da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Mônica Custódio, é muito “importante incluir as negras e indígenas nas novas tecnologias para propiciar igualdade de oportunidades. É uma iniciativa importante já que a maioria de nós vai para a área de humanas. E é onde as oportunidades são mais acessíveis”.

    “Já que”, diz ela, “o governo de Michel Temer está abandonando todas as políticas afirmativas para a inclusão dessa parcela marginalizada na sociedade”. De acordo com Censo 2010, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as mulheres negras representam 25,5% da população do país.

    Já a Medium Corporation afirma que não há nenhuma negra entre as 19.000 mulheres citadas pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Já entre os bolsistas para ciências exatas, apenas 5,5% são negras. Além disso, diz ainda,  10 negras se formaram na Politécnica da Universidade de São Paulo em 120 anos.

    "O CNPq é um espaço de fundamental importância na relação do saber e do conhecimento. É uma ferramenta de construção de novos nomes na ciência dentro e fora de no país".

    pretalab

    “Pena que o racismo institucional impede a população negra de ter as mesmas oportunidades dos brancos. Em relação às mulheres a situação piora ainda mais porque vivemos numa sociedade patriarcal e sexista”, afirma Custódio.

    "Nossa juventude negra tem há um tempo disputado esse espaço selecionado e quase fechado. Em especial as jovens mulheres desbravadoras negras".

    De acordo com a reportagem “estima-se que nos Estados Unidos apenas 2% da força de trabalho em todo universo da ciência e engenharia seja de mulheres negras. No Brasil, esse dado sequer existe”.

    Para Custódio, “a sociedade e torna as mulheres negras invisíveis e todos os projetos que visem estimular e desenvolver a nossa autoestima torna-se essencial para a melhoria de vida da população mais carente da população”.

    A entidade se propõe a criar possibilidades para as pessoas desenvolverem saberes, “propondo uma reflexão crítica e propositiva sobre as mulheres negras e indígenas e as tecnologias no mundo contemporâneo”.

    “O mundo digital é uma realidade e quanto mais incluirmos as pessoas que têm menos possibilidade de acesso a essas novas tecnologias, criamos condições de atingir cada vez com menos injustiças uma civilização mais humana e avançada”, diz a sindicalista carioca.

    Ela ressalta ainda a discriminação que as negras sofrem no mercado de trabalho. “Ganhamos cerca de 40% dos salários dos homens brancos e nos destinam os piores trabalhos”.

    Por isso, para Custódio projetos desse porte são importantes para a emancipação dessas mulheres, “esquecidas pelo Estado”.

    O projeto se destina às meninas e mulheres negras e indígenas “que tenham qualquer tipo de atuação relacionada ao campo da inovação e da tecnologia”. Para participar acesse e preencha o formulário aqui.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

  • População negra ganha menos e tem trabalhos mais precários, aponta pesquisa do IBGE

    A renda média da população negra no quarto trimestre de 2016 foi 45% inferior à dos brancos, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad Contínua), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgada nesta quinta-feira (23).

    E para piorar, a taxa de desocupação de pardos e negros foi superior à da média nacional, que foi de 12%. Entre os negros, a taxa de desemprego ficou em 14,4% e entre os pardos em 14,1%.

    “Esses dados comprovam que o mercado de trabalho é racista e aprofunda a a discriminação conforme aumenta a crise”, diz Mônica Custódio, secretária de Promoção da Igualdade Racial da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).

    “A situação está ficando cada vez mais difícil, porque o governo de Michel Temer rechaçou as políticas públicas em prol do combate à pobreza e às desigualdades”. O rendimento médio real foi de R$ 2.043. Os brancos receberam em média R$ 2.660, enquanto os pardos, R$ 1.480 e o os negros, R$ 1.461.

    Para Custódio, “acabar com a política de cotas, como fez esse governo, aprofunda as desigualdades e injustiças, relegando a população negra e pobre à margem do mundo do trabalho e da vida”.

    De acordo com o levantamento trimestral, faltou trabalho para 24,3 milhões de pessoas no período, um aumento de 6% em relação ao terceiro trimestre de 2016 e 31,4% a mais que o quarto trimestre de 2015.

    “Os remédios do receituário neoliberal, determinados pelo governo golpista de Temer, farão a situação piorar ainda mais. Precisamos dar um basta em tudo isso, barrando as reformas da previdência e trabalhista. A única maneira de o Brasil vencer essa crise é a retomada do crescimento com distribuição de renda, democracia e combatendo as desigualdades”.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

  • Projeto da UFRGS ajuda a ampliar o horizonte cultural das crianças e jovens

    Começaram nesta segunda-feira (11), as inscrições para o curso de aperfeiçoamento Uniafro – Igualdade Racial na Escola, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). O prazo se encerra no domingo (24).

    “Muito importante que o meio acadêmico promova projetos desse porte”, diz Mônica Custódio, secretária de Promoção da Igualdade Racial da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).

    A sindicalista carioca acredita que a lei 10.639/2003 - que tornou obrigatório em todo o território nacional o ensino da história e cultura afro-brasileira - não sai do papel para valer até “por falta de gente capacitada para isso”.

    Os organizadores informam que a inscrição é gratuita, se intere pelo site da da UFRGS (http://www.ufrgs.br/ufrgs/inicial), indicado no edital de seleção. E a “atividade é desenvolvida a distância, destinada a professores da Educação Básica atuantes e vinculados às escolas públicas de Porto Alegre e Região Metropolitana”.

    De acordo com Mônica, “o ensino da história e da cultura africana e dos negros brasileiros, cria uma identificação dos alunos que não existe atualmente, justamente porque as crianças não se sentem pertencendo à escola”.

    A UFRGS informa que as aulas iniciam em agosto, com carga horária total de 90 horas, em seis módulos, com coordenação da professora Gládis Elise Pereira da Silva Kaercher. Veja mais informações na página do curso.

    “Fundamental para o país que as universidades busquem caminhos que se voltem para a elevação do conhecimento e com isso se aumente a autoestima da juventude e ao mesmo tempo se combata o racismo, já enraizado em nossa sociedade”, diz Mônica.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

  • Proposta de reforma da Previdência quer que você trabalhe até morrer

    “A comparação entre a Lei dos Sexagenários, de 1885 e a reforma da Previdência é pertinente porque na escravidão não havia aposentadoria. Os senhores de escravos apoiaram a lei porque os poucos que atingiam essa idade não reuniam a mínima condição de trabalhar e lhes dariam gastos”, explica Mônica Custódio, secretária da Igualdade Racial da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).

    A Lei dos Sexagenários concedia a liberdade aos escravos a partir dos 60 anos. Já o projeto do governo de Michel Temer para a reforma da Previdência propõe a idade mínima de 65 anos para homens e mulheres se aposentarem, fazendo as pessoas trabalharem, cerca de 49 anos para ter esse direito, em vez dos 35 anos atuais para os homens e 30 anos para as mulheres, além de exigir um mínimo de 25 anos de contribuição contra os 15 anos atuais.

    Custódio cita essa lei e a do Ventre Livre, de 1871, como pressupostos para a aprovação da Abolição (Lei Áurea, de 1888) alguns anos depois. A Lei do Ventre Livre tornava libertos os filhos das escravas nascidos a partir da publicação da lei.

    Como as mães continuavam escravas, a nova lei estabelecia duas possibilidades para as crianças que nasciam livres. Ficar aos cuidados dos senhores até completarem 21 anos ou serem entregues ao governo, nenhuma das alternativas considerava a criança como um ser em desenvovimento e necessitada de atenção.

    Na maioria dos casos, as famílias dos escravizados escolhiam a primeira alternativa e as crianças “livres” continuavam no cativeiro até os 21 anos de idade. “Além de não terem o direito à aposentadoria, não tinham direito à educação”, afirma a sindicalista.

    A reforma da Previdência traz em cena o filme Quanto Vale ou É por Quilo (2005), de Sérgio Bianchi. O filme faz uma analogia da escravidão com a atualidade e conclui que o capital ainda “escraviza” a classe trabalhadora.

    De acordo com Custódio, “a reforma da Previdência coloca todos e todas na mesma precariedade”. Ela realça que se aprovada, “essa reforma nos fará retroceder ao tempo em que a sociedade era amplamente rural, sob a égide do escravismo”.

    Leia a Lei dos Sexagenários aqui e a do Ventre Livre aqui. A PEC da reforma da Previdência aqui

    “É a negação total de direitos. A classe trabalhadora não mais verá seus filhos e filhas na universidade”. Ela menciona ainda a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 55, que visa privatizar os ensinos médio e superior públicos.

    Para a sindicalista do Rio de Janeiro, os projetos do governo Temer reforçam o racismo estrutural. “Com a Abolição, os negros e negras foram marginalizados do mundo do trabalho e da posse da terra. Isso está acontecendo novamente, porque quem paga o pato da crise com essas medidas são os mais pobres, como o estudo da história do Brasil nos mostra”.

    “Não há cenário em que essa reforma não aumente a incidência de miséria e instabilidade fiscal sobre o país. Assim como não há cenário em que a elite financeira não aumente seus lucros já explosivos”, conclui o especialista em Previdência Social, Sérgio “Pardal” Freudenthal.

    Pouco antes do golpe do impeachment, Caetano Veloso disse que “o Brasil é muito desigual. E toda manifestação, por tentar sair disso, enfrenta a oposição da elite”. Já Custódio argumenta que como está “a reforma da Previdência quer que você trabalhe até morrer”.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy. Arte: Blog do Servidor Público de MG

    Asssista Quanto Vale ou É por Quilo 

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