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Ter, Jun

Alexandre Frota

  • Quando se pensa que não poderia piorar, aparece um Alexandre Frota da vida levando “sugestões” ao Ministério da Educação (MEC). Parece piada, mas não é. A falta de educação do desgoverno Temer se consubstancia.

    Isso mostra a verdadeira face desse desgoverno que se apossou do lugar da presidenta legítima Dilma Rousseff.

    Revela também a face mais cruel do arraigado machismo brasileiro. Explica a reportagem de uma revista de desinformação com o título “bela, recatada e do lar”, ou seja, a mulher deve estar sempre pronta para servir, sem abrir a boca para reclamar.

    O ator pornô Alexandre Frota representa a face mais cruel desse machismo rude, para o qual qualquer manifestação de delicadeza se liga apenas e tão somente ao feminino, quer dizer que cultura é coisa de mulheres e homossexuais.

    Mostra ainda porque a proposta de debater as questões de gênero nas escolas assusta tanto os setores conservadores dessa elite carcomida e obsoleta. Para quem solidariedade humana é coisa de "esquerdopata".

    As educadoras e os educadores brasileiros discutiram durante anos em inúmeras conferências as maneiras de dialogar com a sociedade, as formas de se construir a igualdade de direitos entre as brasileiras e brasileiros, ensinando o respeito à dignidade humana.

    Aí golpeiam a democracia e juntamente toda a possibilidade de convivência com o diferente, com o respeito e com a justiça. Em poucos dias de desgoverno mostram ao que vieram em todos os setores.

    Começaram extinguindo ministérios com a desculpa de promover economia, mesmo sabendo que não economizam nada com esses cortes.

    Principalmente porque os cortes promovidos, como sempre os conservadores fazem, se concentram nos ministérios sociais, nos setores mais sensíveis à população mais carente.

    E para o MEC foi nomeado um ministro afinado com o setor privado da educação. Já começou falando em acabar com a educação pública para o ensino médio e para o superior. Porque para eles, o Estado deve somente prover a educação pública básica.

    Iniciou sua gestão cortando recursos do Programas Universidade Para Todos (ProUni), do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec), do Financiamento Estudantil (Fies), entre tudo o que significa possibilidade de acesso à educação aos mais pobres.

    Agora, receber um conhecido defensor da “supremacia” masculina e ainda se orgulhar disso, permitindo ser fotografado ao lado de tão ignóbil companhia, mostra uma afronta à civilização e à possibilidade de progresso civilizacional no país.

    É esse tipo de educação que os pais querem para seus filhos e filhas? Onde a mulher é figurada como mera coadjuvante de “varões” dispostos a usar a vara para prevalecer sobre todos e todas que os contestem?

    É o prazer do “macho” conquistado a qualquer custo, independente da vontade alheia. Só conta o falo e o regozijar-se de predominar custe o que custar. Nem Freud consegue explicar.

    Receber Alexandre Frota no Ministério da Educação com pompa denuncia o caráter transfigurado de um desgoverno ilegal e imoral. 

    A educação da infância e da juventude não pode estar submetida à ignorância e à completa falta de respeito às pessoas.

    Entre as prioridades da sociedade, a educação precisa de gente séria, antenada com a contemporaneidade e com os avanços da humanidade. E isso o desgoverno Temer não tem. Assim, cresce ainda mais o grito de Fora Temer.

    Alexandre Frota em qualquer órgão governamental nem em piada. No MEC é o fim. Representa a cultura do estupro na educação de crianças e jovens. Estupro, inclusive, à inteligência.

    Marcos Aurélio Ruy é jornalista do Portal CTB.

    Os artigos publicados na seção “Opinião Classista” não refletem necessariamente a opinião da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e são de responsabilidade de cada autor.

  • Aconteceu nesta terça-feira (6) a primeira audiência do processo movido pelo ator Alexandre Frota contra a ex-ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres, do governo Dilma, Eleonora Menicucci. 

    Dezenas de mulheres realizaram um ato de solidariedade à Menicucci e contra a cultura do estupro (leia mais aqui), em frente ao Fórum do Juizado Especial Cível Central no bairro Paraíso, na capital paulista.

    Frota move uma ação indenizatória no valor de R$ 35 mil porque a ex-ministra o acusou de fazer apologia ao estupro em um programa de tevê. Menicucci fez a crítica quando o ministro golpista da Educação Mendonça Filho recebeu o ator em uma reunião para uma consultoria sobre políticas educacionais, em maio deste ano.

    Menicucci reclamou de o ministro receber alguém que já confessou ter feito sexo com uma mãe de santo sem o consentimento dela, no programa “Agora É Tarde”, da Band, que era apresentado por Rafinha Bastos à época, o mesmo que insinuou fazer sexo com Wanessa Camargo e o bebê dela, ainda no ventre.

    “É inadmissível alguém como esse sujeito ter tamanho prestígio nesse governo golpista. Por isso, se julga no direito de atacar os direitos das mulheres”, diz Ivânia Pereira, secretária da Mulher Trabalhadora da Central dos Trabalhadores Trabalhadoras do Brasil (CTB).

    “Basta assistir ao programa em que o ator fez a sua parafernália, com vídeo disponível na internet, para a Justiça entender que a ex-ministra tem toda razão e quem vai ser obrigado a indenizar será o ator pornô, não a Menicucci”, complementa.

    Ivânia afirma que a CTB presta solidariedade à ex-ministra e cientista política e se põe a disposição para o que “ela precisar para vencer essa batalha judicial tão descabida e imoral”. O Instituto Patrícia Galvão também se solidariza com Menicucci.

    O “posicionamento crítico em relação a um episódio de banalização do estupro narrado pelo ator Alexandre Frota em rede nacional, quando Ministra das Mulheres, foi imperativo, essencial e importante para as mulheres do país”, diz nota do instituto sobre Menicucci.

    A audiência conciliatória terminou sem conciliação e o processo continua. A ex-ministra garante que vai até o fim. Porque tem a certeza do dever cumprido. Ela acusa o governo golpista de promover amplo retrocesso nos direitos conquistados pelas mulheres na última década.

    Depois do término da audiência, a ex-ministra disse que “a minha história jamais permitiria que eu fizesse um acordo. Nem pedir desculpas e, tampouco, achar que ele fez o programa gratuitamente. Ele está me processando por eu ter falado que ele fez apologia ao estupro? Há uma articulação maior do que o simples fato dele estar me processando. Essa é uma cultura fascista que nós estamos enfrentando no Brasil”.

    Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB com colaboração de Luciana Maria da Silva

  • Acontece hoje em São Bernardo um show inusitado de Caetano Veloso. O compositor baiano canta em solidariedade à Ocupação Povo Sem Medo, em São Bernardo, no ABC Paulista, às 19h, no bairro Planalto, quilômetro 21 da via Anchieta. Vários artistas como Sonia Braga, Letícia Sabatella e Alinne Moraes prometem acompanhar Caetano neste show inteiramente gratuito.

    Gente (Caetano Veloso) 

    Mais de 7 mil famílias, lideradas pelo Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST) ocupam um terreno de 60 mil metros quadrados há quase dois meses e reivindicam a integração desse terreno ao projeto Minha Casa Minha Vida, do governo federal, para terem a sua casa própria.

    Estão até sendo chamados de os Canudos do século 21, em referência aos Canudos, um movimento popular de fundo sócio-religioso liderado por Antônio Conselheiro, que durou de 1896 a 1897, no interior da Bahia.

    O músico é a mais recente vítima de movimentos de extrema-direita por causa de sua militância por causas democráticas. Caetano tem se manifestado a respeito das investidas do Movimento Brasil Livre (MBL, de cunho fascista) contra exposições de artes plásticas que contenham nus ou versem sobre temáticas que envolvam a sexualidade.

    Ele e sua ex-mulher Paula Lavigne processam o MBL e o ator pornô Alexandre Frota que o chamara de “pedófilo”. Justamente no meio de uma  turnê com seus três filhos, Tom Zeca e Moreno.

    Canto do povo de um lugar (Caetano Veloso) 

    Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, na quarta-feira (25), Caetano diz que “toda essa gente que mente cinicamente sobre exposições de arte usando a palavra pedofilia para angariar adeptos entre os mais ingênuos, se esforça para encobrir o desejo de manter a opressão sobre da maioria do povo brasileiro, que vive sob a mais pesada desigualdade econômica do mundo”.

    De acordo com o músico “os malucos dos grupos conservadores que se organizam à sombra das passeatas de 2013 sabem que não há casos de pedofilia onde eles dizem haver. Mas pode ser que ganhem dinheiro de grupos políticos para criar pautas que una as pessoas inocentes contra artistas e museus de modo que o que mais interessa - manter o poder econômico nas mãos de poucos - permaneça intocado”.

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    Pelo que se vê não é à toa que os extremistas elegeram Caetano Veloso a sua maior vítima do momento. A filósofa Marcia Tiburi nos ensina, em seu livro homônimo, como conversar com um fascista, Caetano está ensinando a como enfrentar os fascistas, sem medo de ser feliz.

    Um índio (Caetano Veloso) 

    Afinal como ele canta em sua música Gente: “Gente quer comer/Gente que ser feliz/Gente quer respirar ar pelo nariz/Não, meu nego, não traia nunca/Essa força não/Essa força que mora em seu/Coração”.

    Portal CTB - Marcos Aurélio Ruy

  • Até o sol ameaçou abrir na nublada São Paulo na manhã desta terça-feira (24). A ex-ministra de Políticas para as Mulheres de Dilma Rousseff, Eleonora Menicucci, teve seu recurso acatado contra condenação anterior em processo movido pelo ator pornô Alexandre Frota.

    Assista a manifestação em apoio à luta das mulheres contra a violência e a discriminação 

    O julgamento ocorreu no Fórum João Mendes, no centro da capital paulista e o resultado foi muito comemorado por dezenas de manifestantes solidárias à Menicucci. “Foi uma vitória do bom senso”, afirma Celina Arêas, secretária da Mulher Trabalhadora da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).

    Entenda o caso

    Mulheres organizam manifesto em apoio à ex-ministra Eleonora Menicucci

    “Aqui vai o meu mais profundo agradecimento a todas as mulheres, de todas as raças, de todas as matrizes religiosas, de todas as idades. Essa vitória é das mulheres brasileiras porque foi com elas que eu aprendi a lutar”, afirmou Menicucci ao sair do tribunal.

    “A CTB apoia a ex-ministra e está na luta contra qualquer disseminação de atos violentos contra as mulheres, inclusive contra insinuações de sexo não consensual em um canal de televisão”, reforça Arêas. “Para nós, Frota é quem deveria estar sendo julgado por suas grosserias contra as mulheres e a população LGBT”.

    Inclusive foi criada a página Somos Todas Eleonorano Facebook em apoio à ex-ministra, de 73 anos. 

    A ex-ministra havia sido condenada no ano passado em primeira instância a indenizar Frota em R$ 10 mil por ter dito que o ator faz apologia ao estupro e criticou o ministro da Educação, Mendonça Filho, por tê-lo recebido em seu gabinete. “Frota não só assumiu ter estuprado uma mulher, mas também faz apologia ao estupro”, disse a ex-ministra à época.

    Frota chegou ao tribunal escoltado por policias militares, discutiu com as manifestantes e tentou agredi-las como mostra o vídeo do Brasil de Fato (veja abaixo). “A que ponto chegamos com esse golpe, uma mulher da envergadura de Menicucci ter que comparecer aos tribunais para responder às acusações de um ator como o Frota. Impensável”, diz Arêas.

    Veja como foi a entrevista que causou a acusação de Menicucci

    Após insinuar sexo não consensual em TV, Alexandre Frota processa ex-ministra de Dilma

    Para a cetebista, “é muito importante a união de todas as brasileiras e brasileiros que sonham com um país mais igual e humano”. Ela critica a decisão da juíza de primeira instância e reafirma a necessidade de o movimento feminista “tomar as ruas para denunciar as constantes violências as quais as mulheres são submetidas" e complementa: "queremos nossos direitos a uma vida digna respeitados”.

    Portal CTB - Marcos Aurélio Ruy

  • Mais uma violência contra as mulheres brasileiras. Na sexta-feira (3), MC Biel, de 20 anos, foi acusado de assédio sexual, insinuando vontade de estuprar a uma repórter do portal iG, que lhe entrevistava. Áudios e textos divulgados pelo portal complicam a vida do funkeiro paulista.

    O boletim de ocorrência foi feito na 1ª Delegacia da Mulher de São Paulo. Segundo a matéria publicada pelo iG, o diálogo foi gravado em áudio e vídeo, e o conteúdo já foi entregue à polícia.

    Apesar de tão jovem, é acusado de chamar a jornalista de “gostosinha” e teria dito que “se eu te pego, te quebro no meio”, bem ao estilo do ator pornô – promovido a conselheiro educacional do governo golpista – Alexandre Frota, que faz escola.

    A secretária da Mulher Trabalhadora da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil em São Paulo (CTB-SP), Gicélia Bitencourt, afirma que essas agressões misóginas acontecem por que “a situação política e o machismo secular da sociedade brasileira contribuem para isso”.

    Para ela, “o cantor parece ter arrumado uma maneira de aparecer na mídia, que dá muito espaço para atitudes desse tipo e apresenta as mulheres como meros objetos”. 

    “Parece que após o afastamento temporário da presidenta Dilma e a posse do governo golpista com Michel Temer na presidência, parece que todas as políticas voltadas para os direitos da classe trabalhadora e o respeito às pessoas caiu por terra”, reforça.

    Nesta terça-feira (7), o portal iG publicou o que Biel disse, inclusive com áudio e vídeo, que complica a vida do cantor. Um jornalista do Portal da Música, postou em sua página no Facebook, onde relata outro caso de assédio sexual envolvendo o funkeiro como outra repórter. Para quem, ele teria dito: “não quer fazer (a entrevista) no meu colo?”.

    Segundo o iG, o jornalista escreveu que Biel se mostrava solícito e humilde, mas “o que me assusta, é a brusca mudança em seu comportamento diante das câmeras em menos de um ano. A incessante tentativa de se posicionar como hétero e pegador. As piadas machistas e sem cabimento com qualquer figura feminina que tentou entrevistá-lo. E o orgulho do pai nisso tudo”.

    Biel diz que tudo foi um “mal-entendido”, que não passou de “brincadeira”. Isso mostra que “a cultura do estupro é tão marcante em nossa sociedade que os rapazes tratam o tema com brincadeira, mas uma brincadeira que deixa marcas para toda a vida das mulheres”, ataca Ivânia Pereira, secretária da Mulher Trabalhadora da CTB Nacional.

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    Os reflexos dessas “brincadeiras”, segundo Ivânia, “são os altos índices de violência contra as mulheres”. Ela se refere aos dados oficiais de que uma mulher é estuprada a cada 11 minutos, apenas dentre os casos denunciados. Mas há estudos que apontam que esse número é muito superior.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy. Foto: Rosa Rovena/Agência Brasil

  • Em vídeo gravado pelo Brasil de Fato e pelos Jornalistas Livres, a atriz Letícia Sabatella contou o que aconteceu no caso da agressão da qual foi vítima, na tarde deste domingo (31). Ela disse que mora ali perto e estava indo almoçar para depois ir ao ato “Fora Temer”.

    Sem se abater, Sabatella diz que sentiu “uma falta de argumento, que acabava chegando a um xingamento”, mas, que ela parou ali apenas para conversar com uma senhora que a abordou. “Isso é uma coisa que está fazendo parte do nosso país”, afirma.

    A secretária da Mulher Trabalhadora da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Ivânia Pereira afirma que isso aconteceu "em decorrência das posições políticas assumidas por ela". Portanto, "os ataques à atriz acontecem porque essas pessoas acreditam que a mulher não pode opinar sobre política, economia, cultura, enfim, sobre nada que seja relacionado aos interesses da nação".

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    "Infelizmente uma agressão cometida não há como voltar atrás", lamenta Pereira, mas "a CTB repudia toda agressão misógina sofrida por uma mulher". Ela diz que "para essas pessoas, a mulher só presta se for de direita e submissa. Mas isso acontece graças ao golpe desse governo machista, misógino, homofóbico e racista". 

    Já Sabatella afirma que “é uma pena que não dá para conversar com as pessoas”. A atriz conta ainda que a “manifestação deles deve ter sido muito ruim” e, por isso, provavelmente agridem. E a “do ‘Fora Temer' foi muito mais amorosa”.

    A sempre inteligente e politizada Sabatella garante também que “isso está acontecendo com muitas pessoas, com pessoas maravilhosas, que eu estou vendo sofrer este tipo de coisa, ou coisas piores, injustiças mesmo. Como as prisões e mortes de índios Guarani e Kaiowá (leia mais aqui), com os sem-terra”.

    Assista o vídeo com o depoimento de Letícia Sabatella 

    Veja o vídeo da agressão feito pela própria atriz 

    Acompanhe vídeo com Alexandre Frota na manifestação fracassada em defesa golpe na avenida Paulista, em São Paulo, e entenda o clima de ódio, alimentado por quem não tem o que dizer 

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

  • Todo o trabalho de uma escola deve estar voltado para a realidade que a cerca. É para formar jovens com possibilidade de olhar para o mundo e se desafiar a torná-lo um lugar melhor através do seu trabalho e dos seus conhecimentos. Para que isso aconteça, não podemos confundir o ato de ensinar com a simples ação de transmitir conhecimento.

    O ser humano não é um robô. Apenas na reflexão crítica sobre a prática poderemos melhorar o mundo, torná-lo mais justo e mais democrático. Esse é o sentido de uma educação libertadora.

    Mas, parece que o governo golpista de Michel Temer e seus aliados não concordam com essa visão. Não concordam que a escola precisa ser um espaço democrático, não concordam com a livre organização de todos os setores que compõem a comunidade escolar. Hoje, se debate no Congresso Nacional um perigoso projeto intitulado “Escola Sem Partido”, que recebeu recentemente a simpatia do governo ilegítimo e do seu Ministério da Educação. Ao invés de defender um sistema de ensino livre e crítico, trata-se, na verdade, do contrário. É uma iniciativa de censura e perseguição à liberdade de expressão dentro do ambiente escolar, amplamente garantida pela Constituição Brasileira após o fim da ditadura militar.

    Paulo Freire (um dos estudiosos brasileiros mais admirados e traduzidos do mundo) dizia que “constatando, nos tornamos capazes de intervir na realidade, tarefa incomparavelmente mais complexa e geradora de novos saberes do que simplesmente a de nos adaptar a ela”. É este o objetivo que a educação deve ter: gerar novos saberes e não permitir que nos adaptemos às injustiças ou que as vejamos como coisas naturais. Mas o ministro de educação prefere receber as propostas de Alexandre Frota do que ler Paulo Freire…

    Os parlamentares que defendem o projeto “Escola Sem Partido” são geralmente pessoas não ligadas à formação ou à luta pela educação, mas às bancadas mais conservadoras do Congresso Nacional. O que eles querem, na verdade, é substituir a liberdade de diálogo e de debate de ideias na sala de aula por uma ideologia conservadora. Isso mesmo: o projeto “Escola sem partido” é extremamente ideológico! Nele, não existe imparcialidade nenhuma! É a ideologia dos que querem uma população alienada, dos que não querem que a sociedade mude, mas que continue desigual e injusta.

    A “Escola Sem Partido” também tem o objetivo de perseguir os grêmios e entidades estudantis, criminalizando e desrespeitando o corajoso movimento estudantil secundarista que recentemente tem ocupado escolas de todo o Brasil e vem ganhando a opinião pública sobre o real problema da escola, o sucateamento e o descaso em diversos lugares.

    O projeto quer impedir de forma ultraconservadora o debate plural sobre temas cruciais como a história, a política, os direitos humanos e o combate às opressões, buscando impedir o exercício de uma pedagogia que possibilite a autonomia dos estudantes e a transformação da sociedade. A verdade, é que não há um único fato histórico que não tenha conteúdo político. Até mesmo a decisão sobre o que vamos ou não estudar na escola é uma decisão política. É necessário, portanto, que se permita o debate, que se apresente a diversidade dos pontos de vista. A “Escola Sem Partido” é a escola de apenas um partido, de apenas um lado (o mais conservador de todos), buscando enterrar a diversidade de pensamento natural na busca de conhecimentos e transformando o processo educacional em instrumento de opressão e de censura.

    Aqueles que defendem a “Escola Sem Partido” talvez não conheçam a força do movimento estudantil secundarista. Os estudantes têm opinião e defendem, acima de tudo, a democracia e a liberdade. Por isso seguiremos nas escolas, nas redes e nas ruas denunciando o caráter autoritário deste projeto e lutando pela escola dos nossos sonhos.

    Não à “Escola Sem Partido”! Sim à escola democrática!

    Camila Lanes é presidenta da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes).

    Os artigos publicados na seção “Opinião Classista” não refletem necessariamente a opinião da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e são de responsabilidade de cada autor

  • O principal jornal dos Estados Unidos, The New York Times(NYT) publicou recentemente uma reportagem “South America’s Powerful Women Are Embattled. Is Gender a Factor?” (“Mulheres no poder são alvo de machismo latente na política da América Latina?”).

    “Gênero, dizem os analistas, não é a causa dos atuais problemas das líderes. Mas, acrescentam eles, o declínio coletivo das três mulheres aponta para uma persistência de atitudes machistas na região, especialmente dentro do establishment político”, afirma o NYT.

    Esse declínio, segundo o jornalista argentino Sergio Berensztein, mostra que há “forças poderosas que resistem a estas mudanças”. Já a secretária da Mulher Trabalhadora da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Ivânia Pereira afirma que “o capitalismo reforça o patriarcado para manter o poder dos ricos contra os pobres”.

    Para a sindicalista, “a pressão contra as mulheres no poder é muito mais intensa em relação aos homens. Isso ocorre porque a luta por igualdade de gênero, assusta a elite. Então atacam as mulheres como se fossem responsáveis pelos erros dos homens”.

    “É como se as líderes mulheres estivessem recebendo toda a repercussão pela corrupção dos homens”, diz Farida Jalalzai, professora de política de gênero na Universidade Estadual de Oklahoma para o NYT. “Seria surpreendente se não houvesse a dinâmica do gênero por trás disso”, reforça.

    O jornal norte-americano destaca ainda que vários políticos têm sido acusados de corrupção. Mas tem sobrado para as mulheres. Nesse contexto, “as mídias locais têm contribuído muito para perpetuar os ataques às mulheres mandatárias de seus países”, lembra Gicélia Bitencourt, secretária da Mulher Trabalhadora da CTB-SP.

    A presidenta do Chile, Michelle Bachelet também é citada na reportagem porque enfrenta problemas similares às suas vizinhas. Tem sido sistematicamente acusada de atos ilícitos que, lá como aqui, são feitos sem provas.

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    Em relação ao Brasil, o jornal diz que “a indignação pública sobre um escândalo de propinas na companhia nacional de petróleo se aglutinou em torno de Dilma e ajudou a impulsionar o processo de impeachment, mesmo que ela não esteja diretamente nomeada na investigação”.

    Aqui, fala Ivânia, “os ataques misóginos à presidenta Dilma têm sido a tônica da mídia, como fez a revista IstoÉ, com várias acusações sem nenhuma comprovação, tentando dizer que as mulheres não são preparadas emocionalmente para governar”.

    Manifestação de mulheres contra a cultura do estupro na avenida Paulista em São Paulo:

     

    “Mesmo que o sistema de cotas venha impulsionando as carreiras de mulheres políticas na região, há uma sensação de que as atitudes tradicionais nunca realmente ficaram para trás”, diz o NYT. “A mais recente safra de esposas presidenciais, dizem os observadores, são modelos de feminilidade”.

    A reportagem cita o governo golpista de Michel Temer, “que nomeou um gabinete desprovido de mulheres” e “é casado com uma ex-participante de concurso de beleza”. Marcela Temer foi personagem da reportagem “bela, recatada e do lar”, da revista Veja, que provocou fúria das feministas, tão deslavado machismo”, diz Gicélia.

    Na Argentina não é muito diferente, diz o jornal. Juliana Awada, esposa do presidente Mauricio Macri, é uma designer de moda e faz o jogo “bela, recatada e do lar”, quase tanto quanto a esposa do Temer.

    Berensztein cita alguns exemplos de “atitudes machistas residuais”. Tanto que “Isabel Macedo, a nova noiva de Juan Manuel Urtubey, um proeminente governador argentino com ambições presidenciais, foi uma atriz de telenovelas, como tem Angélica Rivera, a primeira-dama do México”, observa a reportagem.

    Mas, nem tudo está perdido. O NYT ressalta o movimento de mulheres que tomou as ruas, principalmente no Brasil, mas também na Argentina com o movimento “Ni Una Menos”, também contra os sucessivos estupros ocorridos no país.

    No Brasil, as mulheres tomam as ruas para combater tenazmente a cultura do estupro, que levou o ator pornô, Alexandre Frota, ao Ministério da Educação para propor cerceamento do debate de gênero nas escolas e censura aos educadores.

    ChX212dU4AAZy01“Estaremos nas ruas e nas escolas, todas por nós e sempre unidas vamos transformar o mundo. O machismo mata, mas o feminismo nos redime e constrói o mundo novo”, afirma Camila Lanes, presidenta da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas.

    O debate de gênero nas escolas é essencial para a “construção de uma sociedade mais humana”, realça Camila. “Uma civilização só avança com conhecimento e conhecimento pressupõe democracia e liberdade”.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy, com agências

  • Pegou muito mal a medida provisória 746, com proposta de reformulação do ensino médio. Com a reação popular, o governo golpista se viu forçado a recuar. Principalmente por causa do retrocesso da MP. E a intenção de enxugar o currículo e de tornar as matérias de artes, educação física, sociologia e filosofia como facultativas.

    O Ministério da Educação (MEC) disse que cometeu um erro e essas matérias continuarão sendo obrigatórias, mas quem acredita?. O ministro Mendonça Filho diz que no último ano é que os estudantes terão que escolher entre exatas e humanas.

    Mesmo com o recuo do MEC, a presidenta do Sindicato dos Professores de Minas Gerais (Sinpro-MG), Valéria Morato, acredita que essa reforma atende aos interesses do grande capital, em detrimento da educação pública. "Volta a ideia do Estado Novo, para formar as pessoas para o mercado de trabalho sem pensar no entendimento de Nação”, diz.

    Para Morato, essa “é uma investida da Escola Sem Partido que quer impor uma linha única de pensamento." Ela também ataca a proposta de privilegiar o ensino de inglês e excluir o espanhol. “Não querem que dialoguemos com os povos da América Latina".

    Por que impedir de pensar?

    O vocalista do grupo Detonautas, Tico Santa Cruz, postou em sua página do Facebook um texto detonando a MP golpista. “Qual o objetivo por trás da retirada de artes, sociologia, filosofia do currículo das escolas no ensino médio?”, questiona.

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    E responde que  o objetivo é simples. “Tirar o senso crítico e a capacidade dos alunos de pensar a sociedade, a própria educação, a política e a cidadania”. De acordo com Cruz, as “artes estimulam a imaginação, a sociologia ensina os jovens a pensar e a filosofia apresenta ao aluno e à aluna os mais diversos tipos do pensamento humano”.

    Já a cantora e compositora Leci Brandão, deputada estadual pelo PCdoB-SP, não tem dúvidas do caráter desse desgoverno. "Seria muita inocência da nossa parte esperar que um governo não eleito, fruto de um golpe na democracia, mantivesse uma postura democrática tendo a caneta nas mãos”.

    Para ela, “é um desrespeito, um absurdo, passar por cima de tudo o que foi construído até agora com a participação de alunos, profissionais da educação, entidades e movimentos sociais”.

    “Esse projeto traz riscos à educação porque fragmenta o ensino, apresenta a possibilidade de condicionar a educação apenas de forma técnica, a partir dos cursos profissionalizantes. Esse processo acarretaria numa formação massiva de mão-de-obra barata”, pontua Emerson Santos, o Catatau, presidente da União Paulista dos Estudantes Secundaristas (Upes).

    Fontes do meio esportivo afirmam que os atletas estão proibidos de falar sobre questões políticas e que envolvam os programas sociais para atletas.

    Mas a jornalista esportiva Lu Castro, especialista em futebol feminino, diz que se o ensino médio perder as aulas de educação física, “o desenvolvimento do esporte olímpico no país terá ainda mais dificuldades”. No caso do futebol feminino, por exemplo, “não será atrativo para as meninas e continuará não acontecendo”.

    Educação para robôs

    Tico Santa Cruz afirma que “não querem pensadores, querem reprodutores, robôs, que não questionarão nada. Conhecimento nunca é demais e o medo deles (golpistas) é que nós tenhamos conhecimento”.

    O artista mata a xarada. “Mas para quem pode pagar estas matérias estarão no currículo, ou seja, quem vai continuar pensando a sociedade”? Daniel Cara, coordenador da Campanha Nacional pelo Direito à Educação aprofunda um pouco mais a questão à repórter Laís Gouveia do Portal Vermelho.

    "A MP é totalmente dissonante das discussões atuais sobre o ensino médio. Discorda dos debates da Conferência Nacional de Educação e das melhores pesquisas sobre essa etapa feitas aqui e no mundo, que dizem basicamente que uma reforma do ensino médio feita sem envolver alunos e professores tem enormes chances de dar errado", reforça.

    Cara chama atenção para a questão do financiamento. Segundo ele, a proposta "liberaliza demais a distribuição de recursos para a Política de Fomento à Implementação de Escolas de Ensino Médio Integral. A transferência de recursos financeiros prevista para esse fim será efetivada automaticamente pelo FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação), dispensada a celebração de convênio, acordo, contrato ou instrumento congênere, mediante depósitos em conta corrente específica. Segundo, o texto legaliza parcerias público-privadas".

    Assine aquiuma petição do site Avaaz contra a reforma autoritária e esdrúxula do ensino médio.

    Resistência

    Para o enfrentamento ao projeto do governo golpista, foi criado o Movimento Nacional em Defesa do Ensino Médio, composto por dez entidades ligadas à educação. O novo movimento defende que o ensino médio seja compreendido como educação básica.

    Portanto, “deve ser comum e de direito a todos e todas”. Assim, o ensino médio não pode ficar circunscrito “em migalhas que configuram uma ameaça à educação básica pública e de qualidade para os filhos e filhas da classe trabalhadora”, diz em seu texto de apresentação.

    Valéria Morato ressalta ainda uma preocupação sobre os impactos da MP nos profissionais da educação. "Sem a exigência do diploma, os professores dessas disciplinas vão ter no mínimo metade do mercado de trabalho cortado".

    Mesma preocupação de Xavier Filho, diretor Jurídico do Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica, Profissional e Tecnológica. Ela argumenta que “aumentar a carga horária dos professores, muitas vezes forçados a trabalhar em até três escolas para complementar o salário, prejudicará os ganhos desses profissionais”.

    A União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes) divulgou nota repudiando a MP anti-educação pública. “Acima de tudo, nós, estudantes secundaristas brasileiros, queremos participar e opinar sobre essa nova escola e a reforma do ensino médio (...) Convocamos a todos os setores e movimentos da educação, cultura e esporte a se somarem na luta contra mais esse gesto autoritário de um governo ilegítimo que ameaça o futuro da nossa juventude com um ato agressivo contra a educação brasileira”.

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    Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB com colaboração de Mariana Arêas, de Belo Horizonte

  • Um hilariante vídeo sobre o projeto Escola Sem Partido, com texto de Gregório Duvivier, atuação excepcional de Helena Albergaria, responsável pela concepção do projeto. No encerramento a música “Anarkia Oi”, do grupo Garotos Podres.

    Albergaria interpreta uma professora de história que vai falar sobre a escravidão. A aula começa sobre a “suposta escravidão, que teria acontecido no Brasil até o século 19”.

    Questionada sobre o porquê do “suposta”. Ela responde que “muita gente prefere chamar de uso de mão de obra gratuita. E se eu chamar de escravidão eu vou tomar partido contra a escravidão”.

    E “eu sou uma professora. Eu não to aqui pra tomar partido”. Aí ela lembra que “muitos preferem dizer que foi graças à escravidão que o Brasil cresceu como nunca”... E “eu não vou entrar nesse FlaFlu” contra ou a favor de nada, porque "preciso do emprego".

    A professora manda abrir o livro de história do Brasil, mas “esse não, o do Alexandre Frota”...

    O vídeo reforça a ideia de Isis Tavares, Isis Tavares, presidenta da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil no Amazonas (CTB-AM) de que esse projeto “está no bojo da sustentação ideológica do golpe dessa elite que quer impor ao Brasil os seus interesses e restringir o pensamento a uma única possibilidade“.

    Para ela, a ideia de controlar a juventude remonta ao nazismo. “Na Alemanha de Hitler aconteceu exatamente o que querem os defensores dessa proposta. Se os pais não gostassem daquilo que os professores estavam ensinando aos seus filhos, poderiam denunciá-los e os educadores corriam o risco de serem presos”.

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    Assista o vídeo completo: