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Sáb, Maio

ANP

  • Protesto em São Paulo (Foto: Nilton Cardin)

    Começa a faltar combustíveis em postos e aeroportos, produtos podem não chegar aos supermercados, vários serviços estão afetados porque a paralisação dos caminhoneiros entra no terceiro dia nesta quinta-feira (24) e o governo golpista de Michel Temer se recusa a negociar.

    Os caminhoneiros iniciaram greve na segunda-feira (21) em todo o país contra os sucessivos aumentos nos combustíveis, concedidos pelo governo golpista. Mas a greve é também “pelo preço dos alimentos, do custo de vida para os trabalhadores, que nos últimos tempos só perdem direitos”, afirma Tacimer Kulmann da Silva, presidente do Sindicato dos Rodoviários de Caxias do Sul e Região, no Rio Grande do Sul.

    As manifestações começaram com bloqueios de diversas estradas em ao menos 17 estados e agora já atingem 24 unidades da federação, apesar da proibição da justiça. O movimento vem se estendendo porque “ninguém aguenta mais esse governo que desmonta a economia para privilegiar banqueiros”, diz José Tavares, presidente do Sindicato dos Caminhoneiros do Ceará, que apoia o movimento, apesar de ainda não aderir à greve.

    Após o crescimento das paralisações e dos bloqueios de estradas, a direção da Petrobras anunciou redução no preço dos combustíveis. Pelo anúncio, o preço do diesel deve cair 1,54% nas refinarias. Segundo a Agência Nacional do Petróleo, do Gás Natural e dos Biocombustíveis (ANP), o preço médio do diesel nas bombas já acumula alta de cerca de 8% no ano. O valor está acima da inflação acumulada no mesmo período, de 0,92%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.

    Já ocorre desabastecimento em várias cidades e tem-se o risco de cancelamento de voos por falta de combustíveis. Em várias capitais, os Correios suspenderam os serviços com hora marcada via Sedex e já podem faltar produtos nos supermercados.

    caminhoneiros greve caxias do sul

    Manifestação em Caxias do Sul (RS) (Foto: CTB-RS)

    A CTB apoia o movimento dos caminhoneiros porque o governo golpista faz uma política de aumento dos combustíveis para agradar as multinacionais que entraram no mercado petrolífero brasileiro e para privatizar a Petrobras. Guiomar Vidor, presidente da CTB-RS afirma que a central "apoia a luta dos trabalhadores e por todo o país engrossa as fileiras da greve".

    Desde julho de 2017, a Petrobras adota política de preços que se alteram quase que diariamente. Tavares ataca a política de desaquecimento da economia, que produz desemprego e miséria. “Como um governo pensa em tirar o país da crise sem investir na produção para a criação de empregos?”, questiona.

    Ela argumenta ainda que na época do governo de Dilma Rousseff, a gasolina custava R$ 2,90 com o barril do petróleo ao preço de US$ 100 e agora está a R$ 4,90 com o barril cotado a US$ 57 no mercado internacional. 

    Os protestos se intensificam. Os representantes dos caminhoneiros afirmam que o movimento tem amplo apoio da sociedade e os motoristas mostram-se dispostos a continuar firmes porque não basta apenas reduzir os preços dos combustíveis.

    Para Tavares, “além do absurdo dos preços dos combustíveis e pedágios, os caminhoneiros lutam pela aprovação de um marco regulatório do transporte, regulamentando nosso trabalho com jornada compatível, condições de trabalho e salários suficientes. Com essa greve podemos debater todas essas questões fundamentais para melhorar a vida de quem trabalha nas estradas”.

    Juliana Figueiró Ramiro - CTB-RS e Marcos Aurélio Ruy - Portal CTB

  • "A alta dos preços do gás de cozinha e o impacto para os trabalhadores" é o tema da nota técnica divulgada no mês de julho pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

    Em sua análise, o Dieese destaca que a nova política de preços da Petrobras ignora a resolução 4 de 2005, do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), que orienta o uso de preços diferenciados para esse produto devido ao impacto social que tem, já que afeta sobretudo a população mais pobre.

    Leia a Nota Técnica aqui

    Diz a resolução do CNPE: “É de interesse para a política energética nacional a prática de preços diferenciados de gás liquefeito de petróleo (GLP), destinado exclusivamente a uso doméstico em recipientes transportáveis de capacidade de até 13kg, pois tem elevado impacto social, posto que seu custo de aquisição afeta a parcela da população brasileira com menor poder aquisitivo”.

    A alta no preço do gás de cozinha e dos combustíveis tornou-se um grande problema para os brasileiros, pois o produto tem grande impacto no orçamento das famílias, sobretudo das mais pobres. O aumento afeta diretamente a taxa de inflação, elevando o custo de vida e depreciando o valor dos salários.
     

    O valor do botijão de GLP residencial (13 kg) ficou congelado em R$ 13,51 nas refinarias da Petrobras, entre janeiro de 2003 e agosto de 2015. Em julho de 2017, estava em R$ 17,81 e, em dezembro desse mesmo ano, chegou a R$ 24,38, salto de 37%.

    O objetivo desta Nota Técnica é mostrar os impactos do aumento do preço do gás para as famílias de baixa renda e no custo de vida da população, além de apresentar a política de preços adotada pela atual gestão da Petrobras.

    Segundo os dados da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), que realiza levantamento semanal do preço do gás GLP, os reajustes médios para o consumidor, nas principais unidades da Federação, variaram entre 26,29%, no Maranhão, a 6,70%, no Amapá.
     
    Nas conclusões, a nota do Dieese condena a política praticada pela estatal e denuncia o alto custo social da rota adotada pelo governo:
     
    "A
     atual direção da Petrobras, uma estatal, que pertence ao estado brasileiro, optou por uma rota que vai na contramão daquilo que é feito por muitas empresas estrangeiras produtoras de petróleo. 
    Ou seja, aqueles que gerem a estatal, nesse momento, escolheram um caminho que estrangula o consumidor brasileiro, sobretudo, aqueles de mais baixa renda, ao adotar uma política de preços cujo principal objetivo é satisfazer aos interesses dos acionistas em detrimento do bem-estar da população, fornecendo um produto cujo custo não cabe no bolso de quem precisa do produto. 
     
    A direção da Petrobras, em outubro de 2016, mudou a política de preços dos derivados de petróleo, em especial da gasolina e do diesel. Em julho de 2017, alterou também a política de reajustes do preço do gás de cozinha, o que tornou os aumentos mais frequentes, com o objetivo de estabelecer cotações mais próximas às do mercado global.
    Países produtores de petróleo (México, Colômbia, Equador, Angola, Argélia, Indonésia, Rússia, Irã, Noruega) praticam preços internos abaixo do mercado internacional e também não acompanham, imediatamente, as flutuações do mercado. 
     
    A quem deveria servir a Petrobras? Aos acionistas ou à população brasileira? Essa é a pergunta que precisa ser feita à atual direção da estatal".
     

    Portal CTB