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Dom, Maio

Anti-imperialismo

  • Especialistas russos estão na Venezuela como parte do acordo de cooperação técnico-militar de 2001 com Caracas, que não precisa de mais aprovação, informou o Kremlin após relatos da chegada de dois aviões militares com tropas e cargas. Diante das relações do governo Trump, a chancelaria russa respondeu que os EUA ainda consideram "a América Latina uma área de seus interesses exclusivos; seu próprio 'quintal' e exige obediência inquestionável" como era nos tempos coloniais sob a Doutrina Monroe.

    A Rússia desenvolve suas relações com a Venezuela "em estrita conformidade com a Constituição deste país e no pleno respeito de sua legislação", declarou a representante oficial do Ministério de Relações Exteriores, Maria Zakharova.

    Acordo

    O acordo existente foi ratificado tanto pela Rússia quanto pela Venezuela, e "não exige aprovação adicional da Assembleia Nacional da Venezuela", ressaltou.

    Zakharova estava respondendo a um pedido da mídia para comentar sobre a suposta "intromissão" russa nos assuntos venezuelanos.

    Na sequência de relatos de que dois aviões militares russos transportando cerca de 100 militares e cargas desembarcando no país no sábado, a Organização dos Estados Americanos (OEA) classificou como "um ato prejudicial à soberania venezuelana", enquanto o Departamento de Estado dos EUA insistiu em que era "uma escalada imprudente da situação" no país.

    Intervenção imperialista

    Um dos mais fortes defensores da derrubada do governo de Nicolás Maduro, o conselheiro de Segurança dos EUA, John Bolton, também ficou indignado ao escrever no Twitter que: "os EUA não tolerarão forças militares estrangeiras hostis se intrometendo nos objetivos comuns de democracia, segurança e democracia do Hemisfério Ocidental, e o estado de direito."

    Washington reconheceu o líder da oposição, Juan Guaidó, como o presidente legítimo da Venezuela e chegou a considerar a chamada "intervenção humanitária" para derrubar Nicolás Maduro do poder.

    Zakharova respondeu a Bolton dizendo que suas palavras provam que os EUA ainda consideram "a América Latina uma área de seus interesses exclusivos; seu próprio 'quintal' e exige obediência inquestionável" como era nos tempos coloniais sob a Doutrina Monroe.

    Doutrina Monroe

    A Doutrina Monroe, nomeada em homenagem ao presidente dos Estados Unidos James Monroe, era uma política de oposição ao colonialismo europeu no hemisfério ocidental a partir de 1823, com Washington essencialmente reivindicando a administração das Américas. Ao mesmo tempo, a doutrina afirmava que os EUA não interfeririam nos assuntos internos dos países europeus.

    Se os americanos negam a outros países o acesso ao Hemisfério Ocidental, ele levanta a questão "o que eles estão fazendo no Hemisfério Oriental?", questionou a diplomata russa, referindo-se à forte presença militar dos EUA na Europa e seu envolvimento em "revoluções coloridas" nos Estados da antiga União Soviética e nos Balcãs.

    "Talvez, eles acreditem que as pessoas desta parte do mundo ficarão agradecidas quando Washington mudar seus líderes intencionalmente e matar os indesejados. Ou os EUA ainda acreditam que as pessoas estão esperando que os americanos lhes tragam a democracia nas asas de seus bombardeiros. Pergunte aos iraquianos, líbios ou sérvios sobre isso", afirmou a representante do Ministério de Relações Exteriores russo.

    A Rússia também fez questão de deixar claro nesta quinta-feira (28) que as tropas que chegaram nos últimos dias à Venezuela permanecerão no país "o tempo que for necessário" para o regime de seu aliado, o presidente Nicolás Maduro; na quarta-feira (26), o presidente norte-americano, Donald Trump, pediu à Rússia que saia da Venezuela, após a tensão criada pelo envio de militares e materiais russos para Caracas; e o chanceler brasileiro, o lacaio Ernesto Araújo, repetiu o que foi dito por Washington, que os militares russos enviados à Venezuela devem deixar o país se o seu propósito for o de "manter o governo de esquerda no poder". Levou uma banana e foi ignorado pelos russos.

    Fonte: Sputnik e 247

  • A quarta revolução industrial é um dos temas em debate no Seminário Internacional “A crise econômica global e o mundo do trabalho”. A atividade antecede o 4º Congresso Nacional da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) que ocorrerá em Salvador entre os dias 24 e 26 de agosto.

    Celso Amorim denuncia ofensiva do capital internacional em entrevista ao Portal CTB

    Sindicalistas de 29 países de quatro continentes participarão do encontro que também marca os dez anos da central. Mais de 1.200 delegados e delegadas, do campo e da cidade, de todo o Brasil e do mundo já confirmaram presença no evento.

    Entre os palestrantes convidados está o diretor de Estudos e Pesquisas da Fundação Maurício Grabois, Sérgio Barroso, que integrará a segunda mesa do seminário formada pelo presidente da Federação Sindical Mundial (FSM), Michael Makwayiba, o diretor da OIT no Brasil, Peter Poschen e o presidente da CGTP-In de Portugal, Augusto Praça.

    De acordo com Barroso, a quarta revolução industrial mudará as relações trabalhistas. “O desemprego e a precarização atingirão novas categorias de trabalhadores e se amplificarão”, alertou em entrevista ao PortalCTB.

    Para ele, os desafios para o movimento sindical são “inúmeros e complexos” diante dos retrocessos nos direitos sociais e trabalhistas como a recente aprovação da reforma trabalhista no país.

    Neste sentido, o diretor acredita que “a resistência via intensa mobilização e organização sindical de base, assim como a luta estratégica pela completa revogação [da reforma trabalhista] não podem ser subestimados”, declarou.

    Em relação à perspectiva do movimento sindical internacional diante das ameaças imperialistas contra os países e povos, Barroso expressou: “A luta política e de massas contra a agressão imperialista, em qualquer parte, necessita de grande amplitude, no sentido de detonar as energias que convergem para a defesa das nações. Essas batalhas extrapolam muito a esfera sindical, que deve colocar como fundamental a luta pelo protagonismo das classes trabalhadoras no enfrentamento anti-imperialista".

    O pesquisador destacou ainda a importância de se realizar um seminário internacional com tamanha representatividade e neste momento de crise do capitalismo mundial e avanço do conservadorismo. “Nas crises capitalistas prolongadas a reflexão, particularmente, é decisiva para o descortinar de novos caminhos de lutas”, sublinhou.
     
    A abertura do seminário será às 9h00 seguida pela exposição do embaixador Celso Amorim. (Confira aqui a programação completa da atividade)

    Érika Ceconi – PortalCTB

  • O movimento sindical internacional tem se manifestado solidário ao povo brasileiro desde a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no último sábado (7).

    Centrais lançam nota de apoio ao ex-presidente Lula e alertam para clima de perseguição política

    A Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) está recebendo diversas mensagens de entidades sindicais do mundo todo em defesa da democracia e do direito de Lula ser candidato às eleições deste ano.

    Uma destas demonstrações é a chegada de uma delegação de sindicalistas uruguaios da PIT-CNT e do Sunca (Sindicato Único Nacional da Construção e Anexos do Uruguai) para reforçar a mobilização que ocorre nas ruas próximas à sede da Superintendência da Polícia Federal em Curitiba, onde o ex-presidente se encontra.

    Os sindicalistas chegaram ontem à noite e foram recebidos pelo presidente da seção estadual da CTB em Curitiba, Mário Ferrari, e dirigentes sindicais do estado. Eles participarão das atividades e manifestações que ocorrem no local.

    Assista abaixo o discurso do presidente do Sunca, Daniel Diverio, que integra a delegação uruguaia composta pela diretora da PIT-CNT, Laura Alberti e pelo jornalista do semanário El Popular e também membro do sindicato Gabriel Mazzarovich. 

     


    11 de abril

    Para denunciar o processo que condenou Lula mesmo sem a apresentação de provas, o movimento sindical internacional se soma à campanha “Lula Livre” e realizará atos em frente à embaixada do Brasil em seus respectivos países nesta quarta-feira (11).

    No Brasil, a data também marcará o Dia Nacional de Mobilização em Defesa de Lula Livre com atos em todo o país.

    Érika Ceconi para o Portal CTB 

  • Obscurecida por uma cortina de fumaça midiática que nos quer convencer de que se trata de um dilema entre democracia (concebida como um valor universal) e ditadura, os conflitos políticos que sacodem a Venezuela e envolvem todo o seu entorno adquirem cada vez mais os contornos de um embate geopolítico que opõem notoriamente os Estados Unidos à China e à Rússia.

    O objetivo à margem da retórica é o controle das maiores reservas de petróleo do mundo e preservação da hegemonia mundial. A Europa, embora aparentemente em cima do muro e desfiando contradições e remorsos, tende a respaldar as aventuras da Casa Branca.

    O governo de Nicolás Maduro conta com o apoio da China (que investiu cerca de US$ 70 bilhões na Venezuela) e da Rússia, que defendem o consagrado direito internacional das nações à autodeterminação, que por definição exclui e condena a possibilidade de intervenção estrangeira em pelejas domésticas, princípio também proclamado pela Celac e pelos governos progressistas da América Latina e Caribe.

    Onda conservadora

    Mas a onda conservadora que invadiu o continente ao longo dos últimos anos, distribuindo golpes de Estado e fortalecendo políticos conservadores, alterou as percepções e a correlação de forças políticas, revertendo o processo de integração regional que desaguou na Celac e desenhou um novo arranjo geopolítico hostil ao hegemonismo de Washington, que parece ter recuperado o comando da situação.

    Não se pode dizer por quanto tempo o quadro atual prevalecerá, mesmo porque ele não está em sintonia com as transformações econômicas, objetivas e silenciosas, ocorridas nas últimas décadas, traduzidas na ascensão da China, que se transformou na maior economia do planeta, e na progressiva decadência do poderio econômico relativo dos EUA.

    A sensação de declínio, ampliada com Donald Trump e sua guerra comercial, deixou os imperialistas americanos ainda mais arrogantes e belicosos. A forma com que se conduzem diante da crise na Venezuela, apoiando abertamente um golpe de Estado, é emblemática. Os EUA deflagraram o que alguns críticos do imperialismo caracterizaram como guerra híbrida, uma espécie de guerra por procuração, terceirizada, promovida por lacaios.

    Porém, frente à resistência do governo Maduro, que conta com o precioso apoio das Forças Armadas, da Corte Suprema e da população mais pobre, o impasse se agravou e crescem os indícios de que a guerra híbrida tende a evoluir para uma intervenção militar direta.    

    Intervenção militar

    Segundo o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, María Zajárova, o governo dos Estados Unidos está "preparando o cenário" para uma intervenção militar no país e a narrativa de "intervenção humanitária" (para defesa da democracia) não passa de uma "operação de encobrimento". A decisão de intervir militarmente já foi tomada, de acordo com informações da porta-voz ao RT, canal estatal russo de televisão.

    “Continuam chegando sinais de Washington sobre a possibilidade de usar a força para derrubar as autoridades legítimas através de uma intervenção militar direta”, disse a representante do governo da Rússia, aliado do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro.

    A crise no país sul-americano se acentuou depois que o deputado oposicionista Juan Guaidó, com o apoio dos Estados Unidos, se autoproclamou presidente República. Ele foi reconhecido por uma série de países aliados aos EUA e pela União Europeia. Países como China, Turquia e Rússia, no entanto, seguem reconhecendo a legitimidade de Maduro.

    Para a porta-voz do governo da Rússia, a presença de militares norte-americanos na área de fronteira da Venezuela, que ocupam essas regiões sob a justificativa da “ajuda humanitária”, não passa de uma “operação de encobrimento” que tem, por objetivo, a intervenção militar direta.

    Operação de encobrimento

    “Nesta situação, você chega a uma conclusão óbvia: de que Washington já tomou a decisão de intervir militarmente na Venezuela. Todo o resto é operação de encobrimento”, disparou.

    As declarações de Zajárova vêm quatro dias após o próprio presidente dos EUA, Donald Trump, admitir que tem a intervenção militar como uma “opção” para resolver a crise na Venezuela.

    “Gostaria de lembrar que tais declarações de autoridades norte-americanas são uma violação direta do artigo da Carta da ONU, que obriga todos os membros da organização a não ameaçarem ou fazerem o uso da força em suas relações internacionais”, disse a porta-voz.

    Cúmulo do cinismo

    Na mesma declaração desta quinta-feira (7), a porta-voz do governo russo chamou de “cúmulo do cinismo” a postura dos Estados Unidos ao criticar o governo de Nicolás Maduro ao mesmo tempo em que impõe sanções econômicas que agravam a crise no país.

    “Eles dizem que os venezuelanos vivem mal com este governo. Bem, não imponham sanções! Deixe o estado vivo para que se desenvolva e resolva seus próprios problemas, não os agrave”, pontuou. A hipocrisia já foi considerada por um atento observador como um patrimônio nacional dos EUA, embora seja um patrimônio exclusivo das suas classes dominantes. É, com efeito, uma arte na qual são inigualáveis.

    Umberto Martins, jornalista, editor do Portal CTB e autor do livro "O golpe do capital contra o trabalho". 

  • Autoridades espanholas prenderam, por acusações de narcotráfico, na última sexta-feira (12), Hugo Carvajal, general que declarou sua lealdade ao líder da oposição Juan Guaidó.

    Segundo informou uma porta-voz da Polícia Nacional Espanhola a prisão ocorreu devido a um mandado de prisão emitido pelos Estados Unidos.

    Carvajal havia fugido para a Espanha depois de ser acusado pelo governo venezuelano de vários crimes, acusações que ele atribuía a “perseguição política”.

    Em 21 de fevereiro, o general fugitivo postou um vídeo em sua conta no Twitter em que reconhecia como presidente no comando da Venezuela o autoproclamado Juan Guaidó, fantoche do Governo Trump.

    Nesse vídeo, Carvajal leu uma declaração na qual encorajou a liderança militar a abandonar Nicolás Maduro: “Depende de vocês, irmãos de armas, como isso termina. Não tenham dúvidas de que este é o lado certo da história.”

     Em resposta, Maduro expulsou-o das Forças Armadas e despojou-o do posto de Major General. Carvajal também foi acusado pelo governo venezuelano de “atos de traição contra a pátria”.

    Com pouca influência interna e sem serventia para o imperialismo, o pedido de prisão emitido pelos EUA visa tentar atingir a Revolução Bolivariana com falsas acusações de ligação ao narcotráfico, a partir de algo próximo a uma “delação premiada” na qual Carvajal envolva o governo chavista, tática que contará com apoio midiático, mas que já nasce desmoralizada pela própria origem.

    Fonte: Pátria Latina

  • Está em curso uma contrarrevolução na Venezuela, sob a liderança dos EUA e com apoio das forças conservadoras nativas. O enredo já foi escrito e vem sendo encenado. O presidente Donald Trump esteve reunido na Casa Branca quarta-feira (13) com o presidente da Colômbia, Iván Duque, um político de extrema direita, ocasião em que acenou com o envio de 5 mil soldados para a fronteira daquele país com a Venezuela para assegurar a entrega de “suposta ajuda humanitária” aos venezuelanos. Duque, por seu turno, procurou justificar a intervenção, alegando que atende os anseios do povo venezuelano.

    Já o golpista Juan Guaidó, um deputado de extrema direita que contestou a posse de Nicolás Maduro e se autoproclamou presidente da Venezuela, formou uma espécie de governo paralelo e dá novos passos na tentativa de consumar o golpe. É o seu “governo” e não o de Maduro - legitimamente eleito e contando com o apoio da Corte Suprema, da Assembleia Constituinte e das Forças Armadas – que administraria a “ajuda humanitária” tramada por Washington, verdadeira capital da empreitada golpista.

    Governos capachos

    Governos reacionários e entreguistas do continente americano, como Duque na Colômbia e Bolsonaro no Brasil, aliaram-se a Trump e estão se comportando como autênticos capachos da Casa Branca. Reconheceram Gauidó, que indicou novos embaixadores e diplomatas para a representação nesses países com a missão de viabilizar a chegada da “ajuda externa”, que foi rechaçada pelo governo e as Forças Armadas.

    Os chavistas já perceberam que o presente dos EUA é uma versão contemporânea do famoso Cavalo de Troia ou, ainda, a tentativa de criar um caminho (um corredor) para a invasão militar. Com a cumplicidade da mídia burguesa em todo o continente, os imperialistas americanos encobrem suas reais intenções com o discurso cínico de que estão protegendo a democracia e promovendo uma ajuda humanitária ao povo.

    Governos capachos, como os de Bolsonaro no Brasil e Iván Duque na Colômbia se prestam ao indigno papel de servir os interesses da grande potência capitalista, enquanto o golpista Guaidó se comporta como um lacaio do imperialismo, encenando o papel que Washington lhe reservou sem maiores escrúpulos e cuidados com a soberania nacional do povo venezuelano, tão cara a Simon Bolivar, Hugo Chavez e os revolucionários bolivarianos.

    Geopolítica e petróleo

    Os interesses reais por trás da arrogância imperial da Casa Branca não têm nada a ver com democracia ou direitos humanos. O que está realmente em jogo é a apropriação das maiores reservas de petróleo do mundo e o domínio geopolítico da América Latina, ameaçado pela política externa soberana de Hugo Chávez e dos governos progressistas da América Latina, que estão sendo derrubado um a um.

    A “intervenção humanitária” foi também arguida pelos EUA para destruir a Líbia, o Iraque e a Síria, assim como a defesa da democracia contra a ameaça comunista serviu de pretexto para os golpes militares no Brasil (1964) e em toda a América Latina, também liderados por Washington.

    As forças progressistas no Brasil e em todo o mundo não podem cair no canto de sereia imperialista e devem considerar como prioridade número 1 neste momento a ativa solidariedade com o governo legítimo de Nicolás Maduro e a defesa do sagrado direito das nações à autodeterminação. Basta de intervenção e hipocrisia imperialista.

    Umberto Martins