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Ter, Jun

assédio sexual

  • “A violência contra as mulheres cada vez mais toma caráter inimaginável, porque quando pensamos que não se pode ser mais babaca, machista e misógino, alguns homens brasileiros se superam”, afirma Celina Arêas, secretária da Mulher Trabalhadora da CTB.

    A ativista feminista e sindicalista mineira se refere à agressão cometida por um grupo de turistas brasileiros na Copa do Mundo 2018 a uma jovem russa. “Esse tipo de gente enxerga as mulheres como meros objetos para a sua luxúria, por isso utilizam de palavras de baixo calão sem que a moça soubesse o significado porque certamente não sabem conversar com uma mulher”, acentua Arêas.

    Quatro dos agressores foram identificados. Diego Valença Jatobá é advogado e político no interior de Pernambuco. Tanto que a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), seccional Pernambuco divulgou nota condenando a atitude de Jatobá.

    “A Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional Pernambuco, por intermédio da Comissão da Mulher Advogada, reafirma seu compromisso de trabalho incansável para que os princípios do Estado Democrático de Direito sejam resguardados, proporcionando-se às mulheres a garantia de exercício de suas liberdades individuais e sexuais, com igualdade de espaço, de oportunidades e, sobretudo, de tratamento", diz trecho da nota.

    Outro agressor identificado é o tenente da Polícia Militar de Santa Catarina, Eduardo Nunes. A PM catarinense afirma que abrirá inquérito administrativo disciplinar por conduta incompatível e promete apurar os fatos e tomar providências.

    Os outros dois são Luciano Gil Mendes Coelho, engenheiro civil, de Picos (PI) e Felipe Wilson, supervisor de vôo da Latam, em Guarulhos (SP).

    Assista a estupidez dos turistas brasileiros 

    Kátia Branco, secretária da Mulher da CTB-RJ, revela ter ficado estupefata com tamanha agressão “à todas as mulheres do mundo. Essa atitude francamente anti-mulher beira a insanidade mental. A que ponto podem chegar homens para agredir mulheres?”, questiona.

    O ataque misógino à jovem russa ocorreu no sábado (16) e os agressores filmaram e postaram em redes sociais no Brasil e na Rússia. “Certamente porque se acham impunes”, diz Gicélia Bitencourt, secretária da Mulher da CTB-SP.

    Ela lembra que  Organização das Nações Unidas (ONU) afirma que 1/3 das mulheres no mundo sofrem ou sofrerão violência de gênero. “O que eles ganham com isso senão a vontade de diminuir as mulheres porque têm medo delas”, sintetiza.

    A jornalista Julieth González Therán, enviada especial da Deutsche Welle a Moscou, ainda nem tinha começado a Copa e numa reportagem um homem apareceu de surpresa a agarrou e beijou seu rosto sem a permissão dela.

    “Não merecemos esse tratamento. Somos igualmente competentes e profissionais. Compartilho a alegria do futebol, mas devemos identificar os limites entre afeto e assédio”, postou a repórter colombiana em seu Twitter.

    A agressão dos brasileiros está em todas as conversas, sendo que a atitude “da maioria das pessoas é de repugnância”, conta Érika Piteres, secretária da Mulher da CTB-ES. “Algumas pessoas começam a achar que é natural agredir mulheres, pensam que nós gostamos disso, mas estão redondamente enganados, porque nós queremos é ser respeitadas”.

    Os Titãs têm uma composição em homenagem a esses assediadores: "Bichos escrotos"

    No Brasil a situação de vida das mulheres beira a calamidade como mostra o Atlas da Violência 2018, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Somente em 2016, foram mortas 4.645 mulheres, um acréscimo de 15,3% sobre 2015. No mesmo ano, as polícias brasileiras registraram 49.497 estupros no país, sendo que 50,9% das vítimas tinham menos de 13 anos, lembrando que pelos estudos do Ipea, somente 10% das vítimas denunciam os estupros.

    Além disso, os ataques às jornalistas têm se tornado corriqueiros tanto que elas criaram a página no Facebook Deixa Ela Trabalhar. “Parece que está tudo do avesso e o normal é agredir as mulheres”, assinala Arêas. “Precisamos nos unir ainda mais e dar um basta em tudo isso”.

    Acompanhe a página Deixa Ela Trabalhar aqui.

    Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB. Foto: Reprodução

  • Foto: HuffPost Brasil

    O jornal O Estado de S. Paulo fez um levantamento, com base na Lei de Acesso de Informação, e descobriu que as denúncias de abuso sexual em ônibus, Metrô e trens em São Paulo cresceram 850% em 3 anos. Foram 23 em 2013 e passaram para 219 em 2016.

    Para a secretária da Mulher Trabalhadora da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil em São Paulo (CTB-SP), Gicélia Bitencourt, isso significa que as mulheres estão mais dispostas a enfrentar esse tipo de violência.

    “As políticas públicas de empoderamento da mulher têm favorecido as denúncias. A Lei Maria da Penha e as intensas campanhas contra o assédio sexual também favorecem e encorajam as mulheres”, diz.

    Mas ela ressalta que apesar de existirem leis, campanhas e políticas públicas para combater esse tipo de conduta, “há necessidade de mais vigilância e punição aos agressores e, juntamente com isso, uma grande campanha de educação de homens e mulheres”.

    A questão do abuso sexual é recorrente no transporte coletivo em São Paulo. E de acordo com a reportagem do Estadão, ocorrem quatro denúncias por semana.

    “O problema é que muitas ainda não denunciam, porque passam por constrangimentos em delegacias e não se sentem respaldadas pelo poder público”, afirma Bitencourt.

    Ela lembra a acusação de  uma menina que denunciou um agressor no Metrô e o segurança lhe disse: “também com esse vestido”.Cita também um caso que presenciou quando uma mulher com uma blusa decotada gritou contra o abusador e mulheres do vagão a acusaram de estar provocando com aquela roupa.

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    Protesto em São Paulo no ano passado (Foto: Anne Barbosa/G1)

    “Essa mentalidade patriarcal tem que mudar”, diz a sindicalista, “a mulher tem o direito de vestir a roupa com a qual se sinta bem. O tipo de vestimenta não dá o direito de ninguém de tocá-la sem a sua permissão”.

    Aliás, o Metrô teve muitos casos de violência contra mulheres no ano passado. O que gerou inúmeros protestos. Para responder a isso empresa começou uma campanha para supostamente facilitar as denúncias.

    “A campanha não é de todo ruim”, afirma Bitencourt, mas “não basta ficar somente na campanha, precisar ter mais funcionários para coibir esse tipo de ocorrência. Com essa campanha, o Metrô parece querer se isentar, mas a segurança dos passageiros é de responsabilidade da empresa”.

    Ela atribui também à superlotação dos meios de transporte que não oferecem nenhuma segurança aos passageiros. “As empresas de ônibus e o governo do estado, responsável pelos trens e pelo Metrô têm a obrigação de criar mecanismos para dificultar o abuso sexual”, reforça.

    Além de todas essas atitudes dos empresários e dos governantes, Bitencourt destaca a necessidade de muitas campanhas educativas, porque “a nossa sociedade é machista e pune as mulheres quase sempre. Temos que entender que não somos culpadas de nada. O nosso corpo nos pertence e ninguém pode nos tirar esse direito”.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy. Foto: HuffPost Brasil

  • Diego, preso em flagrante após abuso sexual em ônibus, saindo da prisão (Foto: Reprodução TV Globo)

    O ajudante geral Diego Ferreira Novais, 27 anos, foi preso nesta terça-feira (29) após ejacular no pescoço de uma mulher sentada num ônibus na capital paulista. Menos de 24 horas depois, o rapaz foi solto pelo juiz José Eugenio do Amaral Souza Neto, do Tribunal de Justiça de São Paulo. O juiz recomendou tratamento psiquiátrico ao acusado.

    Para o magistrado, o crime não foi considerado estupro, mas se insere no artigo 61 da lei de contravenção penal. O rapaz que já conta com 16 passagens pela polícia, responderá em liberdade por "importunar alguém em local público de modo ofensivo ao pudor", somente.

    O caso trouxe à tona um debate sobre a atuação da Justiça em casos de assédio sexual e sobre a responsabilidade do Estado e das empresas de transporte público na segurança das passageiras.

    “A maioria dos assédios em transporte público caem nessa vala comum de se entender sempre como uma contravenção penal. E a gente não consegue coibir a conduta. A pessoa faz e não acontece nada, como ocorre com esse rapaz”, diz ao G1 Teresa Cabral, Juíza de Direito titular da 2ª Vara Criminal da Comarca de Santo André e integrante da Coordenadoria da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar do Poder Judiciário do Estado de São Paulo.

    “As atitudes, inclusive do Judiciário têm apresentado um viés machista nos julgamentos desse tipo de violência contra as mulheres”, afirma Celina Arêas, secretária da Mulher Trabalhadora da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB). "Além do Estado, as empresas de transporte público devem ser responsabilizadas por não darem segurança às passsageiras". complementa.

    A sindicalista mineira diz sentir uma “falta de preparo da maioria dos magistrados para empreender uma punição mais rigorosa aos agressores”. Lembrando que o Brasil tem o triste índice de a cada 11 minutos uma mulher ser estuprada, segundo o Mapa da Violência 2016, da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso).

    “O pior de tudo”, reforça Arêas, “é que pelas estatísticas apenas 10% das vítimas fazem a denúncia”. Como são denunciados quase 50 mil estupros anualmente no país, estima-se que o número real se aproxime de 500 mil mulheres violentadas todos os anos.

    A maioria dos casos, de acordo com o Fórum de Segurança Pública do Brasil, ocorre nos lares. “Cerca de 80% das vítimas é constituída de meninas com menos de 16 anos, o que afere outras implicações como o incesto e a pedofilia”, acrescenta Arêas.

    Já sobre assédio sexual e, locais públicos não existe um índice sistematizado, mas sabe-se que vem crescendo assustadoramente. No ambiente de trabalho, as denúncias desse tipo de agressão vêm caindo, de acordo com levantamento do Ministério Público do Trabalho.

    Em 2012, ocorreram 146 denúncias, mas com as políticas de proteção às trabalhadoras chegou a 250 em 2015. Já com o aprofundamento da crise, caiu para 248 em 2016 e ocorreram 144 denúncias à Justiça até julho deste ano.

    “Isso serve para comprovar que as mulheres são as mais atingidas em momentos de crise como a que o país vivencia neste momento”, diz a sindicalista. “Ganhamos menos, somos as primeiras a ser demitidas, as últimas a ser realocadas e sofremos assédio moral e sexual todos os dias”.

    De acordo com Arêas, é fundamental um trabalho de educação de toda a sociedade para o combate à cultura do estupro. “A cultura patriarcal, forjada ideologicamente para oprimir as mulheres, persiste, em pleno século 21, e as manifestações opressivas vêm se acentuando após o golpe de Estado contra a presidenta Dilma Rousseff”, diz.

    Para ela, “a sociedade conservadora cerceia o debate e os meios de comunicação naturalizam a violência contra as mulheres”. Por isso, “debater as questões de gênero nas escolas é essencial para educarmos as meninas e os meninos para a construção de um novo mundo, onde o respeito e a liberdade predominem”. Aliado a isso, Arêas defende uma legislação mais rigorosa aos agressores.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

  • Cai a máscara de um dos maiores defensores do impeachment e da retirada dos direitos da mulher e da comunidade LGBT. Circula pelas redes sociais, desde a quarta-feira (3), o caso da estudante de Brasília, Patrícia Lélis, de 22 anos, que acusa o deputado federal e pastor evangélico Marco Feliciano (PSC-SP) de agressão e tentativa de estupro.

    A notícia começou a ser veiculada pelo jornalista e professor universitário Hugo Studart. Depois o colunista do UOL, Leonardo Mazzini se encontrou com a jovem e publicou a reportagem, que virou febre na internet.

    Após isso, foram compartilhadas também várias imagens de supostas trocas de mensagens entre ambos, via Whatsapp, com diálogos comprometedores para o deputado. A assessoria dele distribuiu um comunicado desmentindo as acusações da estudante.

    “Informo que desconheço tais acusações e as referidas mensagens postadas. Conheço a jovem por meio de sua participação no PSC, é uma grande lutadora contra o aborto e a favor das causas sociais. A conheço da mesma forma que conheço tantos outros jovens ao meu redor. Tenho uma honra ilibada e tais acusações são descabidas. Respeito minha família, o povo brasileiro e principalmente minha fé! E peço que assim o façam! Assim eu encerro tal assunto, deixando nas mãos das autoridades", diz o texto.

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    Ainda na quarta, foi postado um vídeo de pouco mais de um minuto com a estudante negando as agressões, mas nesta quinta-feira (4) vazou um áudio da jovem conversando com o chefe de gabinete do deputado, Talma Bauer, onde ela reafirma as acusações.

    Ouça o áudio 

    No áudio, Lélis afirma: “Eu não sou uma menina burra. Eu tenho provas, tenho conversas, que saíram do telefone dele''. E ainda: “Provavelmente eu não fui a primeira, e não sou a última. Eu serei a primeira que vai falar! Eu não aceito nada em troca. O que ele fez foi impagável''.

    Em outro trecho ela diz: "Ele (Feliciano) não me deixou sair, fez coisas à força, eu tenho a mensagem: 'Feliciano, a minha boca ficou roxa'. Ele ri''. E ela é enfática ao dizer a Bauer: "Se você conhece o Marco Feliciano e trabalha com ele, você com certeza deve saber da conduta dele, da índole dele. Não sejamos hipócritas''.

    E Bauer responde: “Você está fazendo um bem, de você perdoar, e posso pedir para você por uma pedra em cima? No partido vai continuar tudo igual para você''.

    “As acusações são graves e merecem rigorosa investigação”, diz Ivânia Pereira, secretária da Mulher Trabalhadora da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil. “Todas nós esperamos que as acusações sejam devidamente apuradas e que a estudante mostre as provas que diz ter. A sociedade exige uma resposta”.

    Portal CTB – Marcos Aurélio ruy

  • “Chego à UBM (União Brasileira de Mulheres) para trazer as mulheres para a rua e assim dar mais visibilidade para as nossas necessidades e anseios”, diz Vanja Andréa Santos ao Portal CTB, via Whatsapp.

    “Hoje mais do que nunca, precisamos nos organizar, mostrar às mulheres que todas essas reformas (trabalhista, previdenciária e do ensino médio) representam grande retrocesso para a sociedade, mas atinge a nós principalmente”, reforça.

    A nova presidenta da UBM  Vanja Andréa Santos, defendeu, no 10º Congresso da organização do movimento feminista, um maior empoderamento da mulher e a unidade no combate à ideologia patriarcal.

    “O movimento feminista tem estado nas ruas com bastante força, mas neste momento”, diz ela, “temos que trabalhar pelo empoderamento da mulher. Para ela entender que é importante resistir à opressão e denunciar as violências”.

    Leia a entrevista na íntegra:

    Portal CTB: O que fazer para enfrentar os novos desafios propostos na conjuntura de retrocessos e retiradas de direitos pela qual o país está passando?

    Vanja Andréa Santos: Hoje mais do que nunca, precisamos nos organizar, mostrar às mulheres que todas essas reformas (trabalhista, previdenciária e do ensino médio) representam grande retrocesso para a sociedade, mas atinge a nós principalmente.

    Em todos os projetos que determinam alguma coisa negativa na vida do povo, as mulheres são as mais penalizadas. E o papel da UBM é mostrar isso a todas. Para tanto, temos que nos aproximar mais e trazê-las para participar efetivamente da construção do movimento, principalmente porque a política está desacreditada e os movimentos sociais também.

    Chego à presidência da UBM para trazer essas mulheres para a rua e assim dar mais visibilidade para as nossas necessidades e anseios.

    Com a deposição da presidenta Dilma, instalou-se um governo machista, que procura penalizar as mulheres e acabar com conquistas importantes que tivemos na última década.

    Portal CTB: Essa conjuntura favorece o crescimento da violência às mulheres, mesmo com o movimento feminista tendo maior presença nas ruas e com a existência de leis de combate à violência?

    VAS: O movimento feminista está na rua sim. E com bastante força, mas neste momento de descrédito da política, os movimentos sociais estão sendo penalizados. Mesmo assim temos conseguido envolver as mulheres jovens na resistência.

    Apesar disso, a violência está crescendo por conta deste momento. Parece que estamos num país sem leis. Vem ficando cada vez mais complicado fazer valer a Lei Maria da Penha, a Lei do Feminicídio e todos os direitos das mulheres. Porque não temos infraestrutura adequada. Faltam equipamentos necessários para o atendimento às vítimas de atos violentos. Não temos delegacias de mulheres suficientes. Tudo concorre para que as leis não sejam cumpridas.

    Além disso, é necessário trabalhar o empoderamento das mulheres, envolvendo toda a sociedade nessa discussão. Porque muitas são dependentes economicamente dos companheiros e não se sentem tranquilas para denunciar violências. Muitas pensam que se é ruim com ele, pior sem ele.

    É uma educação que vem desde criança e corrobora para criar essa situação se submissão.

    Para superar essas mazelas, é essencial que os governos federal, estaduais e municipais efetivem políticas públicas que possibilitem às mulheres uma vida sem medo.

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    Portal CTB: É difícil fazer o necessário debate sobre as questões de gênero numa sociedade tão machista, ainda mais num governo retrógrado?

    VAS: Esse debate está sendo muito dificultado. Pelo andar da carruagem, daqui a pouco a gente não vai nem poder usar mais a palavra gênero. Uma amiga brinca que dessa maneira teremos que parar de usar até a expressão gênero alimentício.

    Temos que centrar força na educação e na nossa juventude. Para formar cidadãos conscientes, autônomos, que acreditem na liberdade e na justiça como parâmetros para os relacionamentos.

    Devemos nos empenhar para levar às escolas e às comunidades essa ideia de uma sociedade que respeite as diferenças. Travar esse debate sem tabus com a nossa juventude.

    Portal CTB: A contribuição da CTB nesse contexto tem sido importante?

    VAS: Nós da UBM, vemos a CTB como uma entidade irmã. A contribuição da central no debate das questões de gênero tem sido fundamental. A Secretaria da Mulher Trabalhadora da CTB tem participado juntamente conosco de diversos eventos sobre a saúde da trabalhadora e sobre a própria questão do assédio.

    É muito importante discutir as questões da mulher no ambiente do trabalho para empoderar a nossa luta. Quanto mais nos dermos as mãos, mais resultados positivos poderemos conquistar.

    Portal CTB: O que fazer para acabar com o assédio sexual que as mulheres sofrem no trabalho, no transporte, na escola, nas ruas?

    VAS: Em primeiro lugar, temos que trabalhar muito a ideia junto às mulheres para mostrar que assédio é crime. E como qualquer crime tem que ser punido.

    Acabar com essa ideia de que é tudo culpa da mulher. Muitas não denunciam porque pensam que não irão acreditar nelas ou que aquilo é natural. Então o nosso trabalho é acabar com essa naturalização do assédio.

    Porque não é natural aquela cantadinha, aquele fiu-fiu, aquele favorzinho do chefe. Temos que fazer as pessoas entenderem que assediar não é legal e que nada pode ser forçado. As mulheres devem ser respeitadas como todo mundo.

    Assista:  

    Portal CTB: Qual o papel a mídia nisso tudo?

    VAS: O papelão que a mídia desempenha na difusão da ideologia patriarcal é de chorar. Tem uma novela da Rede Globo – essa emissora que aterroriza tanto o país – onde todas as mulheres são ruins. Uma é viciada em jogo, outra trai o marido. Não tem nenhuma mulher que “presta” nessa novela.

    Infelizmente o papel da mídia tem sido o de difundir a cultura machista, muitas vezes naturalizando a violência.

    Quando a gente vê o Silvio Santos pedir, em seu programa, para uma menina aceitar ser paquerada por um rapaz e, pior ainda, expô-la a constrangimentos, parece ter a intenção de mostrar de que aquilo é tudo muito natural.

    O que é isso se não a tentativa de passar a ideia de que a mulher é mero objeto para satisfazer ao homem.

    Então, o que fazer para acabar com esse tipo de procedimento? Denunciar ao Ministério Público Federal, fazer muitos debates, mostrar o tempo todo que isso não é correto, não é justo.

    Mas a imprensa faz o desserviço ao mostrar as feministas como mulheres que não têm o que fazer, por isso ficam atazanando a vida das pessoas.

    A nossa luta é árdua, mas vale a pena lutar. Estamos trilhando o caminho certo. A nossa luta é para conquistar direitos iguais, respeito, vida livre e sem medo.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy