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Dom, Maio

Bolsonaro

  • A crescente balbúrdia em que o Clã Bolsonaro transformou o cenário político brasileiro gerou uma forte reação no mercado de câmbio brasileiro, levando o real brasileiro a ter o pior desempenho em uma semana desde agosto, início da corrida eleitoral.

    Nesta sexta-feira (17), no fim dos negócios, a moeda americana foi negociada em alta de 1,58%, aos R$ 4,10, seu maior valor desde 19 de setembro. O dólar também acumulou valorização de 3,90% desde segunda-feira (13), a maior apreciação semanal desde aquela encerrada no dia 24 de agosto do ano passado, quando registrou avanço de 4,86%.

    O desempenho negativo da moeda brasileira frente ao dólar foi bem superior ao de pares como o peso mexicano, o rublo russo ou o rand sul-africano, que se desvalorizaram, respectivamente, 1,28%, 0,26% e 0,98% na semana.

    "O mercado está carente de notícias positivas e elas não chegam, tanto lá de fora como aqui dentro", comentou Vitor Carvalho, sócio e gestor da LAIC-HFM, ao jornal Valor. "No caso do câmbio, os movimentos são maiores do que em outros ativos porque não tem tido fluxo de estrangeiro."

    Internamente, a profusão de notícias pareceu trazer apenas ter um sinal, o de piora das expectativas sobre o governo e, consequentemente, as chances de aprovação da reforma da Previdência. Somado a isso, está a reação desequilibrada de Jair Bolsonaro, que elevou a temperatura dos conflitos políticos ao invés de adotar um tom mais conciliador.

    A alta do dólar é nociva para a economia e agrava a crise, acrescentando à estagnação da produção a instabilidade dos preços, especialmente (mas não só) dos derivados do petróleo, como é o caso do óleo diesel e gasolina, que está disseminando descontentamento entre os consumidores e fazendo ressurgir o fantasma de uma nova greve dos caminhoneiros, graças à política irracional adotada pela direção da Petrobras de repasse imediato das oscilações da moeda e dos preços do combustível no mercado internacional.

  • Dirigentes de todas as centrais sindicais brasileiras estiveram reunidos nesta sexta-feira (10) na sede do Dieese, em São Paulo, para debater o apoio e a participação na paralisação nacional da Educação, convocada para a próxima quarta-feira, 15 de maio, bem como a mobilização para a greve geral contra a reforma da Previdência de Bolsonaro, que será realizada em 14 de junho. O clima entre os sindicalistas é de unidade e otimismo.

    “Estou muito animado com a mobilização dos sindicatos em São Paulo e outras regiões e estados”, exclamou o secretário geral da CTB, Wagner Gomes, que esteve presente na reunião das centrais. Líderes dos trabalhadores em transportes, que desempenham um papel estratégico nas greves gerais, realizarão uma plenária em São Paulo, cuja data ainda não foi definida, para definir a participação de suas categorias no movimento e a expectiva é de uma adesão gereralizada. “Não ouvi de ninguém do ramo ressalvas ou divergências com a proposta”, disse Gomes, que é metroviário. O tema também será pauta da Plenária Nacional dos Transportes que será realizada em 6 de junho no Distrito Federal.

    Atos no dia 15

    Os sindicalistas decidiram que as centrais vão reforçar as manifestações que serão realizadas pelos educadores na quarta-feira (15), concomitantemente à greve nacional. Em São Paulo o ato ocorrerá à tarde no Masp, localizado na Avenida Paulista. A paralisação na Educação também ganhou força após o anúncio de cortes no orçamento das universidades, que em alguns casos (como o da Universidade Federal da Bahia) alcança 50%.

    A coleta de assinaturas para o abaixo assinado em defesa das aposentadorias e contra a refroma da dupla Bolsonaro/Guedes deverá ser intensificada pelos sindicatos. O documento será entregue ao presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, antes ou imadiatamente após a greve geral. As centrais vão bater o martelo sobre a data numa próxima reunião antes de junho.

    Os dirigentes das centrais também se reuniram com lideranças das Frentes Brasil Popular e Brasil Sem Medo para “alinhar a condução e o encaminhamento das mobilizações que vão desaguar na greve geral”, conforme o secretário geral da CTB. Serão realizadas plenárias unificadas nos estados para preparar a paralisação, que tende a ser uma das maiores da história do movimento sindical brasileiro.

  • Confirmado: militares dos Estados Unidos perto da Venezuela

    Por Sergio Alejandro Gómez e Edilberto Carmona Tamayo, no CubaDebate

    Os recentes movimentos de tropas dos EUA, relatados por fontes públicas e pela mídia, confirmam que Washington está se preparando para agir militarmente na República Bolivariana da Venezuela, sob o pretexto de uma suposta “intervenção humanitária”.

    Cuba assegurou em 13 de fevereiro, por meio de uma declaração do governo revolucionário, que os Estados Unidos pretendem fabricar “um pretexto humanitário para iniciar uma agressão militar contra a Venezuela” e denunciou vôos militares na região do Caribe como parte dos preparativos.

    Embora fontes em Washington e alguns dos países envolvidos tenham sido rápidas em negar as denúncias cubanas, as últimas informações disponíveis ratificam e ampliam a evidência de um cerco militar premeditado contra Caracas.

    “Os Estados Unidos silenciosamente acumulam seu poder militar perto da Venezuela”, disse o jornalista e especialista militar britânico Tom Rogan no jornal Washington Examiner.

    “Uma importante presença naval e marítima dos Estados Unidos está operando perto da Colômbia e da Venezuela. Seja por coincidência ou não, essa presença dá à Casa Branca uma gama crescente de opções “.

    Segundo Rogan, em menos de uma semana o Pentágono é capaz de mobilizar 2.200 fuzileiros navais, jatos de combate, tanques e colocar dois porta-aviões na Venezuela.

    Os três pontos do tridente norte-americano ficam no Caribe, Colômbia e Brasil.

    Não é por acaso que o almirante Craig Faller, chefe do Comando Sul, visitou Bogotá, Brasília e Curaçao durante as últimas semanas, sob a cobertura da alegada organização da entrega de “ajuda humanitária” para a Venezuela.

    Com a autorização da Holanda, os Estados Unidos organizam um centro de distribuição para a alegada ajuda na ilha de Curaçao, a poucos quilômetros das fronteiras com a Venezuela.

    Mas a mobilização militar é muito mais ampla na região do Caribe.

    Na denúncia cubana, explica-se como, entre 6 e 10 de fevereiro de 2019, foram feitos vôos de aeronaves de transporte militar para o Aeroporto Rafael Miranda de Porto Rico, a Base Aérea de San Isidro, na República Dominicana e para outras ilhas do Caribe estrategicamente localizadas.

    Agora, há o anúncio de que a Marinha dos Estados Unidos moveu um Grupo de Ataque de Porta-Aviões (CSG) no Oceano Atlântico e na costa da Flórida.

    A frota consiste no porta-aviões USS Abrahm Lincoln (CVN-72), um cruzador de mísseis e quatro contratorpedeiros, bem como uma fragata da marinha espanhola convidada a participar.

    “Os GSGs têm recursos de plataforma cruzada para operar onde e quando necessário. Além de possuir a flexibilidade e sustentabilidade para lutar em guerras de escala e garantir a liberdade dos mares, o CSG são visíveis e um poderoso compromisso dos EUA com seus aliados, parceiros e amigos”, diz um comunicado de imprensa oficial da Marinha americana.

    A bordo do USS Abraham Lincoln, porta-aviões nuclear da classe Nimitz, está o Embarked Air Squadron (CVW) 7, equipado com os Lockheed F-35C Relâmpago II, o mais avançado caça-bombardeiro que opera no arsenal dos EUA.

    O grupo iniciou no dia 25 de janeiro os exercícios COMPTUEX, supostamente destinados a preparar a formação, antes de um destacamento militar.

    Embora sua localização atual e o destino sejam desconhecidos, os consultores militares Stratfor e Southfront localizaram o GSG em algum ponto do Atlântico, na costa do estado da Flórida.

    Nos últimos dias, foi relatado que o grupo havia tentado um cruzamento de estreitos, uma manobra necessária para entrar no Mar do Caribe, a alguns dias de navegação.

    Rogan aponta outra informação interessante em seu artigo [no Washington Examiner]. Os Estados Unidos poderiam ter não apenas um, mas dois porta-aviões na faixa operacional da Venezuela, em uma semana.

    O porta-aviões USS Theodore Roosevelt e o navio USS Boxer, de desembarque anfíbio, estão “casualmente”, agora, no porto de San Diego, na Califórnia, a menos de uma semana da costa do Pacífico colombiano.

    “O Boxer tem a bordo a décima primeira unidade expedicionária marinha (MEU), uma das 7 MEU que compõem o Exército dos EUA. Esta unidade de fuzileiros navais tem aproximadamente 2.000 homens. O propósito expresso de uma MEU é oferecer uma capacidade de rápida implementação militar “, diz Rogan.

    Colômbia, para onde Bolton quer enviar 5.000 soldados

    Desde a época do Plano Colômbia, inaugurado em 1999, a Colômbia é um dos principais aliados militares dos Estados Unidos na região.

    Washington estava prestes a instalar formalmente sete bases militares na Colômbia no governo do presidente Alvaro Uribe, mas uma decisão do Tribunal Constitucional bloqueou o plano.

    No entanto, Bogotá tem encontrado maneiras de contornar os controles e, finalmente, a presença dos EUA nas principais instalações militares do país andino foi autorizada.

    Essa aliança estreita atingiu as manchetes no final de janeiro, quando o Conselheiro de Segurança Nacional na Casa Branca, John Bolton, revelou “acidentalmente” um texto em seu notebook com o plano de enviar 5.000 soldados dos EUA para a Colômbia, como parte da operação contra a Venezuela.

    O próprio presidente Donald Trump não descartou a idéia e, quando perguntado sobre isso durante uma reunião com seu colega colombiano, Iván Duque, ele simplesmente disse: “Vamos ver”.

    O presidente colombiano, por sua vez, preferiu não responder com um “sim” ou um “não” à possibilidade de a Colômbia permitir a entrada de tropas americanas, apesar do jornalista Bricio Segovia, da Voz da América, ter perguntado a ele.

    Durante a entrevista, Segovia perguntou a Iván Duque:

    — A Colômbia estaria disposta a receber 5.000 soldados em seu território?

    Ao que o presidente colombiano respondeu: — Não sou bom em ler textos de outras pessoas.

    Segovia insiste: — Você esteve com ele (John Bolton) recentemente?

    — O que eu posso dizer é que estamos trabalhando duro para a libertação do povo venezuelano e estamos fazendo isso com um cerco diplomático bem-sucedido. Esse cerco diplomático é sem precedentes. Esse cerco diplomático isolou o ditador. Esse cerco diplomático é irreversível e a continuidade disto virá do efeito dominó que deve ser ativado pelas Forças Militares da Venezuela — respondeu Duque.

    — Mas a Colômbia está disposta a receber tropas militares em seu território? — insiste Segovia.

    — Eu tenho sido claro, a solução em que acredito está no cerco diplomático. A continuidade do cerco diplomático deve gerar o efeito dominó na Venezuela, quando outros membros das Forças Armadas declararem sua lealdade a [o presidente autodeclarado] Juan Guaidó — ressaltou Iván Duque.

    — Então, a Colômbia não está disposta a receber tropas americanas em seu território … — diz Segovia.

    — Nós fomos claros. O mais importante para a Venezuela alcançar a liberdade é o cerco diplomático, diz Duque.

    — Então, é um não? — insiste Segovia

    — O cerco diplomático é a ferramenta mais importante na história da América Latina. Então, acho que é um grande triunfo a comemorar. A continuidade disso é representada pelo fato de que há mais soldados venezuelanos, assim como aqueles que já o fizeram nos últimos dias, entregando sua lealdade e juramento a Juan Guaidó.

    Embora a chegada de 5.000 soldados não tenha sido confirmada, os Estados Unidos operam uma ponte aérea a partir da base militar em Homestead, na Flórida, para a cidade colombiana de Cucuta, a 2.600 km de distância.

    Para as operações, pelo menos três aviões militares de transporte pesado de longo alcance, C-17 Globemas, fabricados pela Boeing, com capacidade de carga de 180 toneladas, e entre 80 e 100 tripulantes, são utilizados.

    Homestead é também a sede do controverso Comando Sul dos EUA.

    É o Unified Command das Forças Armadas dos Estados Unidos que opera na América Latina e no Caribe e um dos nove comandos que estão diretamente ligados ao topo da liderança do Departamento de Defesa.

    Opera em um raio de ação de 32 países, 19 deles na América Central e do Sul e o restante no Caribe. Desde 1997, sua sede é no estado da Flórida.

    Antes, desde 1947, baseava-se no Panamá.

    Sua própria história reconhece, como antecedente “glorioso”, o desembarque de fuzileiros navais ianques naquele país, no início do século XX.

    O Comando Sul, também conhecido pela sigla em inglês USSOUTHCOM, se tornou um símbolo do intervencionismo americano na região e tem sido um aliado das forças militares e paramilitares ligadas a mortes, torturas e desaparecimentos em nações latino-americanas e no Caribe, há mais de um século.

    Nos últimos anos, o USSOUTHCOM vem armando, treinando e doutrinando exércitos nacionais para servir aos interesses dos EUA.

    O objetivo é evitar o uso de tropas americanas e, assim, reduzir a oposição política nos Estados Unidos.

    No modelo, Washington dirige e treina exércitos latino-americanos através de “programas conjuntos”, extensivos e intensivos, e subcontrata empresas mercenárias privadas que prestam serviços militares especializados, com oficiais “aposentados” do exército norte-americano.

    O Brasil de Bolsonaro, um novo aliado do Pentágono

    O Brasil, o maior país da América do Sul e com as maiores forças militares, tornou-se nos últimos anos um aliado inesperado do avanço do Pentágono na região.

    Os governos de Michel Temer (interino, após um golpe parlamentar) e Jair Bolsonaro pretendem mudar a matriz do nacionalismo forte que se consolidou durante os governos do Partido dos Trabalhadores.

    Em uma das primeiras entrevistas depois de assumir o cargo de presidente, Bolsonaro garantiu ao canal SBT que haveria a possibilidade de instalar uma base militar norte-americana no país.

    Mas Bolsonaro, um ex-capitão, retirou a ideia ao receber fortes críticas de seus próprios generais.

    No entanto, ninguém duvida da proximidade do novo presidente brasileiro com seu colega americano, nem da admiração de dois de seus filhos pelo Mossad (serviço secreto de Israel) e pelo exército israelense.

    O chefe do Comando Sul dos Estados Unidos esteve na semana passada no Brasil e foi recebido pelo ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, com quem discutiu o “caso da Venezuela”.

    Bolsonaro comprometeu-se a usar o estado de Roraima como um centro de coleta para a alegada ajuda humanitária para a Venezuela e, portanto, para o triângulo logístico dos EUA.

    Seja qual for o objetivo da mobilização militar ordenada pela Casa Branca — dos preparativos para uma agressão direta ou como medida de pressão psicológica –, o que é inegável neste momento é que os Estados Unidos jogam suas cartas na região para cercar a Venezuela por todas os caminhos a seu alcance.

    Diante desse cenário, Cuba convocou todos os povos e governos do mundo para defender a paz e se opor, juntos, às diferenças políticas ou ideológicas, para impedir uma nova intervenção militar imperialista na América Latina e no Caribe, que prejudicaria a independência, a soberania e os interesses dos povos do Rio Grande à Patagônia.

    Fonte: Viomundo, que acrescentou a seguinte observação: Os serviços de inteligência de Cuba estão entre os melhores do mundo e os da Venezuela, formados pela CIA no tempo da DISIP (Direção dos Serviços de Inteligência e Prevenção), renomeada SEBIN por Hugo Chávez, não ficam muito atrás. A DISIP, aliás, é acusada de ter ajudado o terrorista Luis Posada Carriles a derrubar um avião da Cubana de Aviación em 6 de outubro de 1976, causando a morte de 73 civis. É um atentado praticamente desconhecido na grande mídia, por motivos óbvios: ela é de direita e identifica o terrorismo como sendo “de esquerda”. Não fica bem dizer que um terrorista que circulava livremente pelos Estados Unidos derrubou um avião lotado de civis, inclusive uma equipe de esgrima de Cuba que havia acabado de competir na Venezuela. Já imaginou, um inimigo de Fidel Castro ser tachado de “terrorista”? A mídia jamais faria isso com seus “parceiros”.

  • Na sequência do recuo de 1,8% em setembro, a produção industrial praticamente não saiu do lugar em outubro, quando registrou um avanço de míseros 0,2%, estacionando num nível inferior ao verificado em abril deste ano. O resultado decepcionou os arautos do mercado, que esperavam um crescimento mais robusto, de pelo menos 1,2%, e é mais um sinal da fragilidade do processo de recuperação da recessão de 2015/2016, que sacrificou mais de 7% do PIB e foi a maior da nossa história.

    O desempenho anêmico do setor é originado por mais de um fator, além de traduzir o processo histórico de desindustrialização da economia nacional, iniciado em meados dos anos 80 do século passado no rastro da crise da dívida externa. Entre esses contam os efeitos da greve dos caminhoneiros em maio, quando a atividade do setor declinou 11%, e a crise na Argentina, que derrubou as exportações da indústria automobilística.

    A estagnação em outubro se dá no curso de três meses consecutivos de queda: -0,2% em julho, -0,7% em agosto e -,18% em setembro. Provavelmente a causa mais relevante do declínio, hoje, é a política econômica contracionista do governo golpista, que congelou os investimentos públicos por 20 anos, e o desemprego em massa, que reduz a renda e o consumo da classe trabalhadora.

    A indústria é o setor mais dinâmico da economia em qualquer país ou região do mundo. Foi graças à industrialização que a China se transformou na primeira potência econômica (comercial e financeira) do mundo. Em contrapartida, foram décadas de desindustrialização que promoveram a relativa decadência dos EUA e outras potências ocidentais. O desenvolvimento do Brasil não pode prescindir da valorização e fortalecimento da indústria nacional. Mas esta preocupação não está no radar da ideologia neoliberal que orienta tanto o governo Temer quando a futura gestão liderada por Bolsonaro e seu guru e superministro da Economia, Paulo Guedes.

  • Artigo da ex-presidenta Dilma Rousseff, em seu site:

    O Brasil curvou-se e submeteu-se aos interesses do governo Trump ao aceitar participar do falso confronto da “ajuda humanitária” com a Venezuela, enviando alimentos e sobretudo tropas para a fronteira. É uma ação deliberada e panejada, desde a indicação de um general de nossas Forças Armadas para integrar o Comando Sul do exército americano, órgão responsável por inúmeras intervenções militares. Estamos vivendo e iremos viver, nos próximos dias e até sábado, um perigoso agravamento da crise. Um momento de profunda gravidade diante da ameaça do governo Trump de entrar na Venezuela de qualquer jeito, usando o álibi da ajuda humanitária. Tudo isso se combina com o envio de tropas de alguns países para a fronteira venezuelana, inclusive tropas brasileiras.

    Assim, o Brasil abaixa a cabeça e se submete ao interesse do governo americano em usufruir do petróleo venezuelano e aceita trazer para o nosso continente um conflito armado, contrariando todos os nossos princípios de não-intervenção e respeito à soberania das nações. Ontem, a decisão da Venezuela de enviar tropas e fechar a fronteira com o Brasil foi mais um passo, ainda que defensivo, nesta escalada bélica.

    Devemos deixar claro que esta posição do governo Bolsanaro traz gravíssimas consequências, em caso de guerra. Em especial, a tragédia da perda de vidas humanas de cidadãos brasileiros, latino-americanos e americanos.

    Se na campanha o atual presidente chegou a prestar continência à bandeira americana, agora o passo é mais sério. Lembremos que, dias depois da nomeação do general brasileiro para integrar unidade do exército americano, o Almirante Craig Faller, chefe do Comando Sul, foi recebido em Brasília pelo chanceler brasileiro e por comandantes militares, para conversar sobre a intervenção na Venezuela.

    O almirante Faller, conforme a imprensa, cobrou incisivamente a participação do Brasil, pedindo que se una aos Estados Unidos contra os países que considera inimigos globais – Rússia, China e Irã – e seus inimigos no continente americano – Cuba, Nicarágua e Venezuela.

    Ao aceitar o papel de parceiro coadjuvante nesta estratégia bélica global dos Estados Unidos, o governo Bolsonaro joga no lixo o respeito conquistado pelo Brasil como nação defensora da paz, do multilateralismo e do respeito à soberania de todos os povos. Além disso, provoca uma crise diplomática sem precedentes, e assume o risco de nos envolver numa aventura militar contra um país com o qual temos 2.190 km de fronteira e que contará, em caso de confronto armado, com apoio militar da China e da Rússia.

    A estratégia geopolítica norte-americana para a América Latina, sobretudo depois da posse de Trump, tem sido o desmantelamento das experiências democráticas do continente, por qualquer método disponível: golpes parlamentares-judiciais; aliciamento e influência sobre as eleições, como no Brasil de Bolsonaro; ou, se for inevitável, por meio de bloqueios e intervenção militar, como na Venezuela, Cuba e Nicarágua.

    O Brasil não pode se subordinar a isto. Desde a proclamação da República, o Brasil sempre adotou como princípios em suas relações internacionais a defesa da paz e da não-intervenção Agimos desta maneira no Haiti, no Líbano e no Iraque, por exemplo. O Brasil contemporâneo sempre serviu em missões de paz, nunca em ações de guerra.

    Nessa hora grave que estamos vivendo, esperamos que as nossas Forças Armadas tenham como diretriz a Estratégia Nacional de Defesa, aprovada pelo Congresso Nacional, que estabelece como princípios norteadores: ”O Brasil é pacífico por tradição e por convicção. Vive em paz com seus vizinhos. Rege suas relações internacionais, dentre outros, pelos princípios constitucionais da não intervenção, defesa da paz, solução pacífica dos conflitos e democracia.”

    Trump é a liderança mais agressiva da extrema-direita no mundo. O próprio último diretor interino do FBI, Andrew McCabe, disse que Trump quer a guerra com a Venezuela porque “eles (a Venezuela) têm todo aquele petróleo”. Ao submeter o Brasil ao risco de um conflito armado, Bolsonaro já é a versão caricata e submissa do presidente norte-americano. E, como disse o grande Machado de Assis, vai ficar com as batatas.

  • Massacre de Suzano foi celebrado em fórum acessado na deep web, mas não foi a primeira vez que um crime foi anunciado no grupo

    Por Dri Delorenzo  

    O massacre da escola em Suzano que deixou dez mortos nesta quarta-feira (14), foi articulado num fórum da internet chamado Dogolochan. Os assassinos eram frequentadores desse espaço da deep web, onde sob anonimato, os participantes destilam ódio e planejam ataques, como denuncia há pelo menos oito anos a blogueira e professora da Universidade Federal do Ceará, Lola Aronovich.

    “Não tive dúvida que era um crime de ódio. E imaginava quem havia incentivado os assassinos, imaginava qual fórum na internet eles frequentavam. E não deu outra: era mesmo o Dogolachan”, afirmou Lola, que sofre ameaças cotidianamente.

    O Dogolochan foi criado por Marcelo Valle Silveira Mello em 2013. Ele chegou a ser preso e ser solto, até que em maio do ano passado foi preso novamente. E, em dezembro, foi julgado e condenado a 41 anos de prisão. “Só que ele deixou toda uma quadrilha pra trás, e todos os membros da gangue continuam soltos”, ressaltou Lola.

    Não é a primeira vez que crimes são antecipados nesse espaço que reúne perfis que Lola chama de “mascus”. O termo mascu é uma abreviação para “masculinista”. “São misóginos e de extrema direita. Nunca vi um mascu de esquerda, em geral são eleitores do Bolsonaro”, disse em entrevista à Fórum, em janeiro de 2017. Na ocasião, a professora denunciava o autor de uma chacina que ocorreu na noite de ano novo na cidade de Campinas (SP). Sidnei Ramis de Araújo matou a ex-mulher Isamara Filier, o filho e mais dez familiares e deixou uma carta, onde chamava as mulheres de vadias entre outros termos, que levou Lola a identificá-lo como um mascu.

    Outro crime anunciado foi o assassinato da jovem de 27 anos Luciana de Jesus do Nascimento, que estava sentada num banco de praça em Penápolis, interior de São Paulo, em junho do ano passado. A versão divulgada na mídia apontava que a mulher negou se envolver com um homem, que sacou a arma e atirou contra ela.

    André Luiz Gil Garcia, que matou a jovem, segundo Lola, se autointitulava Kyo, e na véspera do crime escreveu no Dogolochan que iria se matar, que sua vida não valia a pena. “Os outros responderam, quase em coro: ‘Leve a escória junto’. Em outras palavras: antes de se suicidar, vire um herói. Mate mulheres, homossexuais e negros. Só depois se mate”, escreveu Lola na época.

    Como disse o jornalista Renato Rovai, no programa Fórum Onze e Meia desta quinta-feira (14), está mais do que na hora de a Polícia Federal investigar esse tipo de grupo de ódio onde as pessoas “marcam hora para matar”. “Precisam usar inteligência para impedir que aconteçam massacres como o de Suzano”.

    Jornalistas que escrevem matérias sobre o Dogolochan, assim como pessoas que se solidarizam com Lola costumam receber ameaças também. A repórter da Vice Marie Declercq, autora da matéria sobre a celebração do massacre de Suzano no Dogolochan,recebeu ameaças em seu e-mail.

    Esta jornalista que aqui escreve, quando escreveu matéria sobre os mascus e as ameaças sofridas por Lola, também começou a receber inúmeros e-mails. Um deles trazia os supostos documentos com fotos, indicando que eles estariam sendo divulgados no Dogolochan e dizia “boa sorte”. Reportagem do programa Profissão Repórter, exibido em dezembro de 2015, tratou sobre as ameaças que Lola vinha sofrendo. Após o programa, o repórter Guilherme Belarmino, que entrevistou Mello, sofreu ataques racistas e ameaças de morte pela internet.

    Até quando esse grupo vai continuar ameaçando pessoas, jornalistas e destilando o ódio e a morte impunemente? Principalmente agora com o acesso a armas facilitado pelo governo Bolsonaro.

    Fonte: Forum

  • O Conselho de Segurança da ONU analisa nesta quinta-feira (28) duas propostas antagônicas sobre a Venezuela, uma contra e outra a favor do governo Maduro. A primeira, apresentada pelos Estados Unidos, contesta a legitimidade do presidente chavista e pede novas eleições presidenciais. A outra, sugerida pela Rússia, defende o atual governo e o princípio da soberania nacional e não intervenção; sugere que a ajuda humanitária seja endereçada a Nicolás Maduro e às autoridades do país e adverte contra o uso da força.

    A proposta de Moscou confronta o projeto de Washington de que as remessas de alimentos e remédios sejam manipuladas pela oposição para fortalecer e legitimar o deputado golpista Juan Guaidó, que por orientação do vice-presidente norte-americano, Mike Pence, se autoproclamou presidente interino da Venezuela em 22 de janeiro.

    Intervenção ou soberania?

    São duas propostas antagônicas que revelam a divisão do Conselho de Segurança da ONU e o impasse que deverá resultar em rejeições mútuas, visto que as potências nucleares (EUA, Rússia, China, Inglaterra e França) têm poder de veto no organismo. Rússia e China apoiam o governo de Nicolás Maduro, ao passo que os EUA estão em feroz ofensiva para derrubá-lo e colocar um ponto final na revolução bolivariana, que desafiou o império e proclamou o objetivo de construir uma sociedade socialista.

    Mesmo se obtiver maioria entre os 15 membros do Conselho de Segurança nenhuma das duas propostas terá o respaldo da ONU em função do direito ao veto das cinco potências nucleares. A pressão dos EUA é intensa, mas esbarra na oposição de Moscou e Pequim, que parecem determinados a lutar por uma nova ordem internacional sem intervenções de potências estrangeiras em conflitos internos de outros países e fundada no respeito à autodeterminação dos povos.

    O conflito interno da Venezuela, que tem um nítido caráter de classes, está deste modo compreendido numa batalha geopolítica mais global que coloca em questão a decadente ordem imperialista definida pelos acordos de Bretton Wodds (1944), cuja fundamento é a hegemonia econômica, política e militar dos EUA, cuja decadência é hoje notória.

    Ofensiva imperialista

    Os EUA são em grande medida responsável pela crise que perturba a sociedade venezuelana, pois estão movendo uma cruel guerra econômica contra o regime chavista, com sanções de toda ordem e estímulo à violência e ao golpismo desde que Chávez chegou ao poder em 1998. O interesse maior e não confessados dos imperialistas americanos é tomar conta das maiores reservas petrolíferas do mundo e conter a crescente influência da China no continente.

    Em abril 2002 o líder da revolução bolivariana foi vítima de um golpe apoiado por Washington, que não teve respaldo popular e não chegou a durar 48 horas. Chávez voltou ao Palácio de Miraflores pelas mãos do povo e militares patriotas e revolucionários. O ano seguinte (2003) também foi marcado por iniciativas golpistas, lideradas pelos executivos da PDVSA, uma espécie de Petrobras venezuelana.

    Eles também acabaram derrotados, mas o espírito golpista continuou influenciando os círculos reacionários frequentados pela burguesia e latifundiários do país, aliados dos EUA. Nicolás Maduro também não teve momentos de sossego, enfrentou manifestações violentas capitaneadas pela extrema direita em 2014 e 2017 e agora depara-se com o golpe comandado pelo deputado Juan Guaidó.

    Bolsonaro e Guaidó

    Nesta quinta-feira (28) o golpista Guaidó foi recebido por Jair Bolsonaro no Palácio do Planalto. Foi o encontro de dois líderes da extrema-direita latino-americana, ambos caudatários da política imperialista emanada de Washington e fãs do presidente Donald Trump. Num rasgo de demagogia bizarra e de mau gosto, Bolsonaro disse que "Deus é brasileiro e venezuelano". O apoio do presidente brasileiro ao líder da oposição venezuelana, que não passa de um fantoche da Casa Branca, não corresponde aos interesses do nosso povo, que já está sofrendo as consequencias, e viola a Constituição de 1988, que consagra o princípio da não intervenção e de solução pacífica para os conflitos políticos domésticos das nações.

    É um gesto que tampouco está em harmonia com os sentimentos do povo venezuelano, que não respaldou o extremista Guaidó, não deseja a guerra civil e rejeita a intervenção do imperialismo. O mesmo se pode dizer em relação às Forças Armadas Bolivarianas e à Justiça do país, que apesar da crise e das pressões imperialistas continuam leais ao governo Maduro.

    Umberto Martins

  • Entre 2011 e 2020, PIB do Brasil deve avançar em média 0,9% ao ano, segundo previsões do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vartas (Ibre-FGV). É uma taxa menor que o 1,6% registrado na “década perdida” nos anos 1980 e a mais baixa dos últimos 120 anos.

    O levantamento do Ibre utiliza como base a série histórica do PIB apurada pelo Instituto de Pesquisas Econômica Aplicada (Ipea) e as projeções para 2019 e 2020 do relatório Focus, do Banco Central, que reflete a avaliação de analistas do mercado para a economia brasileira.

    Tudo a ver com o neoliberalismo

    O desempenho atual pode ser explicado em grande medida, na opinião de muitos críticos, pela política econômica adotada após o golpe de Estado de 2016, no governo de Michel Temer, e agora radicalizada pela dupla Bolsonaro/Guedes. A recessão dos anos 2015-2016 foi agravada pela agenda golpista.

    A orientação neoliberal se materializou na depreciação da força do trabalho, com contrarreforma trabalhista e terceirização irrestrita, e o novo regime fiscal instituído por Temer, com o congelamento dos gastos públicos primários por 20 anos, ao lado da entrega do pré-sal e renovação da política de privatizações.

    A “austeridade” deprimiu gastos e investimentos públicos, o que não provocou apenas a degradação dos serviços públicos, especialmente nas áreas de saúde e educação, mas igualmente a queda da taxa geral de investimentos da economia brasileira (ou Formação de Capital Fixo, no idioma do IBGE), que é o que em primeira e última instância determina o desempenho do PIB.

    Fatores externos adversos associados à crise da (des)ordem capitalista mundial, como a guerra comercial deflagrada por Donald Trump contra a China, a desaceleração generalizada das atividades produtivas e a crise na Argentina, também influenciaram negativamente o comportamento da economia brasileira.

    Precarização em vez de emprego

    A suposição dos golpistas, cuja falácia está sendo provada pela realidade dos fatos, era de que o duro ajuste fiscal, combinado com a destruição de direitos e garantias trabalhistas, iria despertar a fada da confiança empresarial e resultar num formidável boom de investimentos privados, que compensaria com folga o arrocho dos gastos públicos. Isto evidentemente não ocorreu.

    Outra promessa que se revelou falsa rezava que a redução e flexibilização de direitos trabalhistas, que veio no bojo da reforma de Temer, acarretaria imediatamente um substancial aumento da oferta de emprego. Tal não se deu nem vai se dar.

    Os efeitos da reforma são (e serão, exclusivamente) a crescente precarização das relações trabalhistas e a depreciação do valor da força de trabalho, o que não é nada bom para a saúde da economia, uma vez que resulta no enfraquecimento do mercado interno, fator que realimenta a estagnação.

    A principal vítima da crise do nosso capitalismo é a classe trabalhadora, sendo o desemprego em massa sua maior expressão. Em nosso país, que ficou bem mais triste após o golpe e a ascensão da extrema direita ao poder, desempregos e subocupados somam quase 30 milhões de pessoas. E a miséria cresce a olhos vistos.

    Fatos e ideologia

    Entretanto, embora os fatos indiquem claramente que a agenda neoliberal agrava a crise econômica (e não só no Brasil), a ideologia (ou pensamento) dominante nos sugere sempre o contrário e indica o aprofundamento do ajuste fiscal como único caminho para tirar o Brasil da lama.

    A bola da vez, depois da reforma trabalhista e do novo regime fiscal, é a reforma da Previdência. Repete-se ad nausean, em nossa mídia de referência, o bordão de que sem subtrair direitos dos idosos brasileiros (daqueles que pertencem à classe trabalhadora, bem entendido) o Brasil não vai reencontrar o caminho do crescimento. É mais uma mentira que o tempo cuidará de desbotar.

    Não será com Estado mínimo e depreciação da força de trabalho que a nação vai se reerguer. A exitosa experiência da China, hoje a maior e mais próspera economia do mundo, demonstra que em nossa época o desenvolvimento acelerado do PIB já não é mais possível sem a forte intervenção do Estado. É esta a realidade, goste-se ou não dela. Mas os fatos vão acabar falando mais alto que as ideologias.

    Umberto Martins, com agências

  • Na manhã desta sexta-feira (28), um adolescente, de 15 anos, entrou armado no Colégio Estadual João Manoel Mondrone, em Medianeira, no oeste do Paraná, e atirou contra seus colegas de sala.

    Um vídeo apresentado pela TV RPC, de Foz do Iguaçu, concessionária da Rede Globo, mostra o pânico causado pelos tiros que feriu dois jovens. Um menino de 15 anos foi baleado nas costas e outro de 18 anos foi alvejado na perna de raspão. A imprensa local informa que nenhum dos dois corre risco de morte.

    O adolescente foi levado à delegacia juntamente com o seu colega, também de 15 anos, que lhe dava cobertura. O delegado Dênis Zortéa Merino informa ao G1 que os estudantes apreendidos alegaram sofrer bullying e planejaram a vingança.

    Veja pelo vídeo amador o pânico causado pelo atentado 

    “O bullying é uma situação degradante e perigosa. Principalmente porque um menino dessa idade não tem o total discernimento para encontrar solução para questões desse tipo sem ajuda de adultos”, afirma Rosa Pacheco, secretária da Mulher Trabalhadora da CTB-PR.

    E para piorar, diz ela, “quando se tem um candidato à Presidência da República defendendo que a população ande armada para resolver a falta de segurança pública, imagina como fica a cabeça desse jovem que se sente humilhado pelos colegas e não encontra apoio para resolver o problema”.

    Para Rosa, “os adolescentes agressores são tão vítimas do sistema quanto os seus colegas feridos”. Por isso, “é fundamental discutirmos a questão da violência nas escolas de maneira transparente e honesta”.

    De acordo com a Polícia Civil, o menino admitiu que saiu de casa com o objetivo de atingir cinco colegas. A polícia encontrou em sua mochila uma carta com pedido de desculpas e recortes de jornais com notícias sobre ataques idênticos em escolas dos Estados Unidos e também do Brasil. Na casa do adolescente foram encontradas mais armas.

    Como educadora e mãe, a sindicalista afirma que a juventude precisa de parâmetros civilizatórios para ter como exemplo em sua conduta. “Esse tipo de acontecimento mostra a necessidade de se investir maciçamente na educação pública" e ao mesmo tempo "valorizar a cultura da paz para a juventude e a sociedade em geral entender que violência não soluciona os problemas, pelo contrário os agrava. Pessoas ou órgãos públicos devem ter a responsabilidade de não disseminar teses de ódio e discriminação".

    Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB

  • Em palestra no Clube de Dirigentes Lojistas, em Uruguaiana, no interior do Rio Grande do Sul, nesta quarta-feira (26), o general da reserva Antônio Hamilton Martins Mourão, candidato a vice na chapa de Jair Bolsonaro, revelou mais alguns itens da agenda econômica de um eventual governo: acabar com as férias e o 13º salário.

    Assista: 

    Durante a palestra, ele afirmou que o 13º salário, direito trabalhista garantido no Brasil, é mais uma das "jabuticabas brasileiras", assim como o pagamento das férias. "Só no Brasil a pessoa entra em férias e ganha mais", disse ele.

    Mourão enfatizou a necessidade de implementar com rigor a reforma trabalhista e acabar com todas as garantias e direitos trabalhistas que ele classificou como "visão dita social com o chapéu dos outros" ou ainda "mochila nas costas do empresário".

    O candidato deixou o local onde proferiu palestra em um Landau 1972, veículo que pertenceu ao ditador Emilio Garrastazu Médici, natural de Bagé. 

    Ao contrário do que afirma Mourão, o 13º salário não é uma exclusividade do Brasil. Diversos países garantem benefícios semelhantes aos seus trabalhadores e trabalhadoras, entre eles Portugal, Áustria, México e Alemanha.

    Ele também desdenhou a Constituição federal: "Todos os nossos problemas econômicos têm origem na Constituição brasileira de 1988", afirmou Mourão, dizendo que a carta, que completa 30 anos no próximo dia 5 de outubro, criou direitos que o país não tem como pagar.

    Em Bagé, falando a latifundiários da região, Mourão também defendeu o fim da estabilidade no serviço público e criticou a educação nas escolas e o ensino de filosofia, defendendo disciplinas que incutam na juventude "valores morais".

    Segundo a RBS, o candidato deixou o local onde proferiu palestra em um Landau 1972, veículo que pertenceu ao ditador Emilio Garrastazu Médici, natural de Bagé. Médici chefiou a fase mais sangrenta da tortura e perseguição a opositores políticos no país. Foi sob seu governo, de 1969 a 1974, que foram assassinados Carlos Lamarca e Carlos Marighella.

    Portal CTB com Correio Braziliense

  • O cenário internacional, quanto aos direitos dos trabalhadores e das forças populares e progressistas, ainda não é promissor. Porém, já estamos sentindo uma brisa, um leve sopro de esperança de reação popular e democrática contra a onda de direita e neofascista que encrudesceu os povos e nações de várias partes do mundo.

    Esperança como foi o recente resultado eleitoral da Espanha, a resistência da Venezuela Bolivariana e a possível retomada de Kirchnerismo como alternativa de poder na Argentina. A conferir. Até o Trump, nos EUA, anda meio mal com sua desastrosa política protecionista, comprando brigas contra a China.

    Aqui no Brasil, desde a posse do presidente J. Bolsonaro, já encontramos sinais de resistência. A conduta política do atual presidente para dirigir uma grande nação como o Brasil é iníqua. Não tem preparo e não tem projeto para o povo. As forças da elite empresarial e financeira que o apoiou estão receosas com o futuro de seu mandato e já se mexem no sentido de uma possível interrupção do mandato presidencial.

    O maior motivo da esperança daqueles que lutam pelo progresso e pelos direitos sociais e trabalhistas foi a recente manifestação do segmento da educação brasileira nas ruas no último dia 15 de maio. Colocamos quase dois milhões de manifestantes nas ruas contra a política de educação de um presidente que tomou posse a menos de 6 meses. Professores, estudantes e trabalhadores entenderam que somente na rua podemos barrar esse desmonte orquestrado pelo presidente e seu desastroso ministro da educação.

    O dia 15 de maio foi um sucesso porque contou com a participação massiva daqueles envolvidos na educação e colocou em evidência o projeto de educação que o governo quer para os brasileiros e brasileiras. O 15M conseguiu dialogar com amplos setores da sociedade, ultrapassou o debate corporativo.

    O que JB pretende é piorar os já debilitados direitos sociais e trabalhistas. Aprofundar o desastre que foi o governo Temer. Este aprovou a Emenda Constitucional 95, que congelou recursos públicos, e implantou a reforma trabalhista, que enfraqueceu sindicatos e diminuiu direitos dos trabalhadores.

    O cenário mudou. Novas lutas estão no horizonte. O movimento estudantil, embalado com o 15M, já convocou para o dia 30 de maio novas jornadas em defesa da educação. O movimento sindical, puxado pelo fórum das centrais sindicais, convocou para o dia 14 de junho a Greve Geral contra a reforma da previdência do governo JB.

    Uma grande frente constituída ainda nos anos da resistência do golpe de 2016 contra a presidente Dilma Rousseff, a Frente Brasil Popular – FBP, convoca todos os movimentos sociais de caráter progressista, de defesa dos direitos sociais e trabalhistas, defesa da democracia e de defesa da soberania nacional para unirmos forças nessas duas datas vitais para o fortalecimento da resistência popular e democrática. Unidade e amplitude devem ser as palavras de ordem para as duas grandes mobilizações para o próximo período.

    Carlos Rogério de Carvalho Nunes – da CTB Nacional

  • Segundo reportagem da Folha, a equipe de transição do governo eleito estuda acabar com o Ministério do Trabalho e associar a área a algum órgão ligado à presidência da República.

    Também está em análise a possibilidade de fatiar os temas que ficam sob sua tutela entre as pastas associadas. Um exemplo seria manter a gestão de concessão de benefícios, como seguro-desemprego, para órgãos que realizem trabalhos na área social.

    A política do trabalho passaria a ser função do ministério da Economia, que será conduzido por Paulo Guedes.

    Para o presidente nacional da CTB, Adilson Araújo, a medida é uma continuidade da agenda regressiva iniciada com Michel Temer e amplia enormemente a precarização do trabalho no país.

    "A função do ministério tem valor histórico na regulação das relações entre capital e trabalho, dando protagonismo ao diálogo para dirimir conflitos. O ministério implica também em fazer valer pressupostos da Organização Internacional do Trabalho, como o direito a salário digno, equidade e igualdade de oportunidades. No curso da ruptura democrática, a pretensão maior desta nova gestão é dar sequência à desregulamentação do trabalho e desconstruir também o seu papel fiscalizador"

    Para o dirigente, confirmando-se a intenção do governo eleito, a tendência é que a classe trabalhadora "fique refém da lógica do mercado e sujeita a condições de trabalho degradantes". 

    "Se com o ministério a luta já é grande contra as arbitrariedades no mundo do trabalho, sem a instituição perde-se, lamentavelmente, o espaço de diálogo social e de criação de políticas públicas de emprego e de suporte ao trabalhador e trabalhadora brasileiros", diz. 

    O Ministério do Trabalho do atual governo divulgou nota nesta terça-feira (6) afirmando que o ministério “foi criado com o espírito de harmonizar as relações entre capital e trabalho em favor do progresso do Brasil”e que “se mantém desde sempre como a casa materna dos maiores anseios da classe trabalhadora e do empresariado moderno, que, unidos, buscam o melhor para todos os brasileiros”.

    Em outro trecho, destaca: “O futuro do trabalho e suas múltiplas e complexas relações precisam de um ambiente institucional adequado para a sua compatibilização produtiva, e o Ministério do Trabalho, que recebeu profundas melhorias nos últimos meses, é seguramente capaz de coordenar as forças produtivas no melhor caminho a ser trilhado pela Nação Brasileira, na efetivação do comando constitucional de buscar o pleno emprego e a melhoria da qualidade de vida dos brasileiros”.

    A gestão do trabalho no Brasil ganhou status de ministério pela primeira vez em 1930, no governo de Getúlio Vargas, já com a proposta de regular as relações de trabalho entre classe trabalhadora e patrões.

    Depois disso, ao longo da história, o ministério nunca mais deixou de existir, sofrendo apenas alterações. Nasceu como Ministério do Trabalho, da Indústria e do Comércio, mais tarde incorporou a Previdência Social, e recentemente, em 2016, passou a ser apenas Ministério do Trabalho. 

    Entre suas principais atribuições, estão a criação de política e diretrizes para a geração de emprego e renda e de apoio ao trabalhador; política e diretrizes para a modernização das relações do trabalho; fiscalização em segurança e saúde no trabalho; fiscalização do trabalho, inclusive do trabalho portuário, bem como aplicação das sanções previstas em normas legais ou coletivas; política salarial; formação e desenvolvimento profissional; política de imigração; e cooperativismo e associativismo urbanos.

    Portal CTB com informações da Folha de São Paulo

     

  • Cortes que começariam como retaliação a universidades específicas atingem todas as esferas do ensino público. Em resposta, estudantes prometem resistência: "Não vai ter corte, vai ter luta"

    Estudantes de instituições federais de ensino realizam protesto contra a gestão do presidente Jair Bolsonaro (PSL), nesta segunda-feira (6) no Rio de Janeiro. A manifestação ocorre em frente ao Colégio Militar do Rio (CMRJ), no bairro do Maracanã, zona norte da cidade. O presidente visita o local para lançar um selo e uma medalha que comemora os 130 anos do CMRJ.

    O protesto contra os cortes na educação foi inicialmente convocado por estudantes do Colégio Pedro II, do Centro Federal de Educação Tecnológica (Cefet) do Maracanã, do Instituto Federal do Rio de Janeiro (IFRJ) e da Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV), e deve contar com a adesão de integrantes de outras instituições universitárias.

    “A população e a juventude brasileira acabam de sofrer um golpe fatal à democracia”, dizem os estudantes, em manifesto contra o bloqueio de verbas de proporções “estratosféricas” anunciadas pelo governo Bolsonaro. “Não vai ter corte, vai ter luta“, “Uh, sai do chão quem defende a educação”, gritavam centenas de estudantes na porta do CMRJ. Além dos alunos, pais e professores também protestam. Durante a manhã, a hashtag #EuDefendoOCPII, referente ao Colégio Pedro II, era uma das mais comentadas do Twitter.

    Inimigo da educação

    “Se o Bolsonaro é inimigo da educação, então é nosso inimigo. Se a ordem deles é para nos matar, é para cortar o dinheiro da educação, é para cortar os nossos sonhos, a nossa ordem é lutar. A nossa ordem é resistir, é não sair da rua”, pronunciavam os estudantes em forma de jogral. Eles dizem que não desistirão das mobilizações até que os cortes sejam revogados e até que os investimentos não sejam mais vistos como gastos.

    Eles protestam contra os cortes pretendidos pelo ministro da Educação, Abraham Weintraub, que na semana passada anunciou bloqueio de 30% dos recursos de universidades que praticam “balburdia”, segundo ele, tendo as de Brasília (UnB), da Bahia (UFBA) e Fluminense (UFF) como primeiros alvos.

    Acusado de perseguir ideologicamente essas instituições, o governo então universalizou o corte para todas as universidades, com a justificativa de que os recursos seriam revertidos para a educação básica, mas os cortes atingiram todos os níveis.

    No Pedro II, por exemplo, os diretores informam que os cortes somam R$ 18,57 milhões, alcançando 36,37% do seu orçamento de custeio. Na UFRJ, a “obstrução orçamentária” atinge R$ 114 milhões, correspondente a 41% das verbas destinadas à manutenção da instituição.

    Prévia da pesquisa que vem sendo realizada pela Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) aponta que mais da metade dos alunos das instituições federais são de baixa renda, e pertencem a famílias que ganham menos do que um salário mínimo per capita por mês.

    Segundo dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), o Brasil encontra-se nas últimas posições em termos de investimentos por aluno no ensino superior, dentre 39 países pesquisados. Ainda assim, o sistema de ensino superior registrou crescimento nas últimas décadas – como observa em artigo na RBA o economista Marcio Pochmann.

    Em 2000, a participação relativa do Brasil no total de estudantes universitários no planeta era de 2,7%, saltando para 4,4%, em 2014, segundo a Unesco. Nesse período também houve significativa descentralização territorial do ensino superior. No ano de 2014, por exemplo, os estados de São Paulo e Rio de Janeiro respondiam juntos por 36,6% dos mestres e 49,5% dos doutores formados no país, ao passo que em 1996 detinham 58,8% da formação de mestres e 83,4% de doutores da nação.

    As universidades públicas respondem por 95% da pesquisa do país e 24,7% do total dos alunos matriculados. Também realizaram, somente 2018, 17,4 milhões de exames e 6,8 milhões de consultas médicas acompanhadas por 339 mil internações de pacientes e a realização de 232 mil cirurgias e 1.398 transplantes em todo o país.

    Fonte: Desacato

  • “Não tem como esperar menos de um aluno do Olavo de Carvalho. São débeis, ignorantes e de mau caráter”, escreveu ainda o blogueiro

    O blogueiro Felipe Neto foi mais um a afirmar, através de sua conta no Twitter, nesta segunda-feira (11), que o presidente Jair Bolsonaro distorceu as palavras da jornalista do Estadão Constança Rezende. De acordo com o blogueiro, “a jornalista afirmou que ‘estou só nesse caso, que pode arruinar’” para, logo a seguir, retificar: “O bolóide com diarreia mental divulgou q ela disse ‘só estou trabalhando para arruinar’”.

    A jornalista do Estadão falou “estou só nesse caso, que pode arruinar”

    O bolóide com diarreia mental divulgou que ela disse “só estou trabalhando para arruinar”

    Não tem como esperar menos de um aluno do Olavo de Carvalho. São débeis, ignorantes e de mau caráter.

    “Fui me informar. A jornalista do Estadão falou ‘estou só nesse caso, que pode arruinar’. O bolóide com diarreia mental divulgou q ela disse ‘só estou trabalhando para arruinar’ Não tem como esperar menos de um aluno do Olavo de Carvalho. São débeis, ignorantes e de mau caráter.”

    Entenda o caso

    O presidente Jair Bolsonaro publicou um áudio na sua conta do Twitter, neste domingo (10), atribuído à jornalista Constança Rezende do jornal O Estado de S. Paulo, onde afirma que ela “diz querer arruinar a vida de Flávio Bolsonaro e buscar o impeachment do presidente” e ataca a imprensa. “Ela é filha de Chico Otavio, profissional do ‘O Globo’. Querem derrubar o Governo, com chantagens, desinformações e vazamentos”, escreveu Bolsonaro.

    Na gravação, no entanto, Constança fala sobre as denúncias do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) sobre a movimentação atípica de R$ 1,2 milhão nas contas de Fabricio Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro. Na conversa, em inglês, a repórter avalia que “o caso pode comprometer” e “está arruinando Bolsonaro”. Em nenhum momento declara que seria sua intenção arruinar o governo.

    Fonte: Fórum

  • O presidente Jair Bolsonaro perdeu as estribeiras e a razão diante das manifestações contra a reforma da Previdência e os cortes no orçamento da Educação realizados ao longo da quarta-feira, 15 de maio. Em Dallas, nos EUA, onde apesar de esbanjar viralatismo é tratado como uma persona non grata pelo prefeito da cidade, chegou ao ponto de agredir uma repórter da Folha de São Paulo nesta quinta-feira (16) por uma pergunta que julgou inconveniente.

    No dia anterior, enquanto um mar de manifestantes hostis ao seu desastrado governo estimados em cerca de 2 milhões, invadia as ruas de 220 cidades brasileiras, incluindo todas as capitais, o capitão neofascista vomitava ofensas contra estudantes, professores e militantes das centrais sindicais e dos movimentos sociais, a quem chamou de “uns idiotas úteis, uns imbecis”. Um jornalista do G1 viu no gesto um claro sinal de “desequilíbrio emocional”.

    O surto psicótico e os impropérios proferidos pelo presidente da extrema direita funcionaram como bumerangue, contribuindo significativamente para despertar o ânimo dos opositores e provocar novas deserções e decepções entre aqueles que, iludidos, depositavam alguma esperança em sua gestão. Foi um tiro no pé, o que aliás está se tornando uma recorrência no seu desgoverno.

    Em São Paulo, onde a Avenida Paulista foi palco de uma das maiores manifestações registradas na história da cidade, em torno de 250 mil marcharam gritando palavras de ordem contra a reforma e o governo, em defesa da Educação, e entoando a palavra de ordem que animou o carnaval deste ano e irritou o presidente ao ponto dele divulgar um vídeo obsceno com o propósito de difamar a maior festa popular do Brasil, atração turística e fonte de renda na conta corrente do balanço de pagamentos.

    Fiesp golpista

    Os empresários da Fiesp também foram contemplados pelos manifestantes, que diante do prédio da controvertida entidade ensaiaram o coro “Fiesp golpista, apoia um fascista”, numa alusão ao apoio da federação patronal ao impeachment e, posteriormente, à eleição de Jair Bolsonaro.

    Os atos do dia 15 inauguraram uma nova fase na luta política (luta de classes) em curso no Brasil. Boa parte do eleitorado de Bolsonaro imaginou que sua eleição representava uma ruptura com a “velha política”, o fim da corrupção, a recuperação da economia e do emprego. Mas vai ficando claro que ele representa o coroamento do golpe de 2016 e a continuidade, radicalizada e piorada, da agenda de Michel Temer, que saiu do Palácio do Planalto como o presidente mais impopular de todos os tempos. Jair Bolsonaro consegue ser pior e nada indica que terá um futuro melhor, seu afastamento da Presidência já vem sendo abertamente defendido por segmentos poderosos das classes dominantes e o clamor fragoroso das ruas pode apressar os passos do destino.

  • Os parlamentares não apreciaram a arrogância exibida pelo ministro Paulo Guedes ao defender a medida na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) da Casa

    Em entrevista ao Jornal da Manhã nesta segunda (1), o senador Jorge Kajuru (PSB-GO) afirmou que a reforma da Previdência proposta pelo Planalto perdeu força e “não passa mais no Senado”. Segundo ele, os parlamentares ficaram insatisfeitos com a fala do ministro da Fazenda, Paulo Guedes, defendendo a medida na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) da Casa.

    “Antes, passaria rindo. Hoje não passa mais no Senado”, afirmou o senador. “A discussão do ministro Paulo Guedes com a ministra Kátia Abreu na comissão criou um clima péssimo. A maioria dos senadores está com birra”.

    Guedes e Kátia Abreu (PDT-GO) bateram boca na última quarta (27) quando o ministro foi interrompido pela senadora enquanto dizia que um político se aposenta com 20 vezes o valor do salário médio de um trabalhador. Os dois divergiram até serem interrompidos pelo presidente da CAE, Omar Aziz (PSD-AM).

    Fonte: Jovem Pan

  • O ex-presidente Michel Temer foi preso em São Paulo na manhã desta quinta-feira (21) pela força-tarefa da Lava Jato do Rio de Janeiro. Os agentes também prenderam o ex-ministro Moreira Franco no Rio e o coronel João Baptista Lima Filho, amigo de Temer.

    A pergunta que todos fazem é: a quem interessa a prisão de Temer neste momento?

    Em entrevista ao Brasil de Fato, o advogado Patrick Mariano, que acompanha de perto a Lava Jato, levanta dúvidas sobre a operação determinada pelo juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro.

    “Uma prisão cautelar para quê? A quem atende essa prisão nesse momento?” São os questionamentos feitos por Mariano, que é membro da Rede Nacional de Advogados e Advogadas Populares (Renap) e mestre em Direito pela Universidade de Brasília (UnB).

    “Não há dúvidas de que havia sim indícios bem fortes do envolvimento do ex-presidente com atividades ilícitas e isso não é de hoje, é de alguns anos. Então, porque isso agora? Justamente agora que a Lava Jato está sendo muito questionada pelo Supremo e pelos meios de comunicação”.

    Outra questão levantada por ele é sobre as formas de atuação do juiz Marcelo Bretas, um juiz conhecido por decisões ilegais.

    Estranheza

    “Então eu acho que causa um pouco de estranheza o momento dessa prisão, a forma dessa prisão. É preciso ver os autos para saber se há uma necessidade premente de uma prisão cautelar, se ele já foi ouvido. Enfim, são todas questões que a gente vai ficar sabendo ao longo do dia para poder analisar a legalidade ou não dessa prisão. De fato, eu acho que em um primeiro momento, soa estranho essa prisão agora, depois de tanto tempo”, argumentou.

    Apesar da gravidade das denúncias, o advogado diz que é preciso apurar o mérito da acusação. “Então você tem lá uma acusação de corrupção e isso é grave. Outra coisa é a prisão preventiva. A prisão preventiva precisa estar ligada a algum ato que o acusado tenha cometido no sentido de esconder provas, de ludibriar a Justiça, por exemplo, uma tentativa de fuga. Isso é o que eu digo que não está muito claro”, diz.

    Na opinião dele, os levantados contra o Michel Temer eram muito graves, mas é necessário observar a postura do juiz que notoriamente possui uma forma de atuação muito questionável, buscando protagonismo justamente nesse momento político do país.

    Ilegalidades

    Sobre a possibilidade do ex-presidente assumir um trabalho fora do país, como chegou a ser divulgado, Mariano diz que quem responde a um inquérito não está impedido de sair do país. “Uma coisa é um acusado que responde a um processo e que pega um voo para um lugar qualquer, é procurado para prestar declarações e ninguém sabe, o cara aparece em outro país sem avisar a Justiça. Então são circunstâncias que depende muito do caso concreto”, diz.

    Ele acredita que um ex-presidente da República dificilmente sairia corrido do país como um bandido. “O fato de estudar ou trabalhar fora, por si, não representa um risco. E também o fato de morar em outro país não significa que a pessoa não vá responder ao processo. Então depende muito do caso concreto. A gente tem que ter um pouco de serenidade, porque muitas vezes, ilegalidades que foram praticadas contra integrantes de partidos de esquerda podem se repetir”, alertou.

    “O que temos que prestar a atenção é no método de atuação. Se o método atende ao que diz a lei, tudo bem. O que não dá pra aceitar é algo que não seja concreto. O fato dele cogitar morar fora, a princípio não é motivo para prisão preventiva. Claro que, isso desacompanhado de outros fatos”, concluiu.

    Outra curiosa coincidência é que as prisões ocorrem também num momento em que a campanha Lula Livre ganha novo fôlego, com forças de esquerda se mobilizando em todo o país pela libertação do ex-presidente, que sempre foi um preso político.

    Tentatitiva de sair das cordas

    Já o jornalista Kiko Nogueira, em artigo no DCM, foi direto ao ponto: o espetáculo nada mais é do que uma tentativa da Lava Jato sair das cordas depois que explodiu o escândalo da fundação privada criada pelos procuradores para surrupiar R$ 2,5 bilhões da Petrobras. Leia a seguir:

    ​“A prisão de Michel Temer pela Lava Jato do Rio é mais uma patacoada midiática para a operação e seus protagonistas saírem das cordas.

    “Por que agora? Por que ele?

    “Para alimentar o circo e tentar virar o jogo a favor da República de Curitiba.

    “Moro foi humilhado publicamente por Rodrigo Maia. Transformou-se num anão no governo Bolsonaro.

    “Maia afirmou que Moro copiou e colou projeto do ministro do STF Alexandre de Moraes sobre combate ao crime organizado.

    “Eu acho que ele conhece pouco a política. Eu sou presidente da Câmara, ele é ministro, funcionário do presidente Bolsonaro”, falou.

    “Ele está confundindo as bolas. Ele não é presidente da República. Ele não foi eleito para isso. Está ficando uma situação ruim para ele”.

    “A ´fundação´ da Lava Jato, uma aberração forrada de 2,5 bilhões da Petrobras, expôs as intenções da turma.

    “O caso de Temer, que está com o juiz Marcelo Bretas, trata das denúncias do delator José Antunes Sobrinho, dono da Engevix.

    “O empresário disse à PF que pagou R$ 1 milhão em propina a pedido do velho coronel João Baptista Lima Filho, do ex-ministro Moreira Franco e com de Michel.

    “Moreira também foi em cana.

    “Barbaridade”, disse Temer ao ser levado ao Aeroporto de Congonhas, de onde embarcou para o Rio de Janeiro.

    “Bretas deu uma força aos amigos.

    “Na miúda desde a posse de Bolsonaro, Temer tem cinco inquéritos no STF, abertos à época em que ele era presidente.

    “Foram encaminhados à primeira instância depois que ele deixou o cargo.

    “A Globo News vai passar a manhã falando do caso.

    “Logo mais o próprio Moro aparece dando entrevistas, glorioso como o deus-Sol.

    “Dallagnol voltará a brilhar. Palestras surgirão em seu caminho.

    “Temer rouba há 740 anos, mas milhares de otários vão achar que acabou a era da impunidade no Brasil etc etc.

    “Você e eu sabemos quem é Michel Temer. Mas não se trata disso.

    “Amanhã ele estará solto.

    “E depois de amanhã será a vez de Dilma ser levada pela Polícia Federal.”

    Até mesmo o jornalista global Merval Pereira comentou que a prisão de Temer é “uma demonstração de força da Lava-Jato, depois da derrota que sofreu no STF.  É o modus operandi deles, dar o troco para deixar a sensação de que não são passíveis de controle. Cada vez que sofrem uma derrota, dão o troco alto.” Estilo autoritário e arrogante que hoje constrange inclusive os ministros da Corte Suprema, cuja tibieza conduziu à cumplicidade com o golpe de 2016 e ajudou a chocar o Ovo da Serpente.

  • – O Carnaval brasileiro é uma das maiores festas populares do planeta e só por isso já tem mídia internacional constante ano após ano. Mas o presidente de turno conseguiu fazer com que a imprensa internacional desta vez se ocupasse de um vídeo pornográfico postado por ele no Twitter. As imagens capturam um momento isolado, não datado e não sinalizado quanto à localidade em que ocorreu como marca do Carnaval brasileiro. O NYT ironizou na manchete: “Presidente brasileiro Bolsonaro posta vídeo com golden shower. Comentários jorram”. O Independent: “Presidente Bolsonaro tuíta ‘o que é golden shower?’ após postar vídeo explícito de um homem urinando na cabeça de outro”. O El País: “Bolsonaro tuíta vídeo obsceno de Carnaval e desata polêmica no Brasil”.

    – Felizmente a vitória da Mangueira no Rio salvou a pátria, embora ainda não tenha tido muita repercussão na imprensa internacional. Esperamos que até amanhã seja essa a notícia mundo afora sobre o Carnaval brasileiro. O desfile da Mangueira foi marcado pelo reconhecimento de negros, negras, índios e índias como os grandes heróis e heroínas da história brasileira. Homenagens a Marielle, cuja morte completa um ano em poucos dias, foi destaque da escola.

    – A Alta Comissária de Direitos Humanos da ONU, Michelle Bachelet, apresentou ontem (6) o relatório anual do comissariado ao plenário do Conselho de Direitos Humanos da ONU em Genebra. Crises na Venezuela, Nicarágua e situação dos imigrantes nos EUA foram seus focos.

    – Segundo Bachelet, há uma crise política, econômica e social na Venezuela que tem sido “exacerbada pelas sanções internacionais”, gerando um resultado alarmante. O Conselho de Direitos Humanos da ONU voltará a se reunir para tratar da situação da Venezuela no dia 20 de março, com a presença da alta comissária. Bachelet e sua equipe devem chegar a Caracas em 10 de março.

    – Na Venezuela forças chavistas estão convocando marchas para o dia 9 de março, data em que se completam quatro anos do anúncio das primeiras sanções impostas ao país pelo então presidente norte-americano Barack Obama.

    – O retorno de J. Guaidó à Venezuela no último dia 4 foi menos espetaculoso do que norte-americanos e ele próprio gostariam. O vice-presidente americano, Mike Pence, tuitou no sentido de manter elevada a tensão com o governo Maduro: “Qualquer ameaça, violência, ou intimidação contra ele não será tolerada e receberá pronta resposta”. À sua espera no aeroporto estavam os embaixadores da Argentina, Brasil, Canadá, Chile, Peru, Equador, Alemanha, Espanha, França, Holanda, Portugal e Romênia, além do encarregado de negócios dos EUA. Manifestantes anti-Maduro também estavam no aeroporto, mas tudo pareceu um arremedo frente ao recente fracasso da Operação Cúcuta de 23 de fevereiro.

    – Um dos embaixadores que foram receber Guaidó, o da Alemanha, foi dado como persona non grata na Venezuela pelo chanceler Jorge Arreaza. O embaixador é acusado de ingerência externa nos assuntos venezuelanos.

    – Incomodado com as referências a Guaidó na imprensa como “autoproclamado presidente” da Venezuela, o departamento de Estado dos EUA solicitou aos meios de comunicação de todo o mundo para se referir a ele como “presidente interino”. Segundo o porta-voz Robert Palladino não fazê-lo é “cair na narrativa de uma ditadura”. Em resposta, um jornalista que assistia ao pronunciamento ponderou que dos 193 Estados membros da ONU, apenas 50 reconheciam Guaidó como suposto presidente da Venezuela.

    – Um dos embaixadores que foram receber Guaidó, o da Alemanha, foi dado como persona non grata na Venezuela pelo chanceler Jorge Arreaza. O embaixador é acusado de ingerência externa nos assuntos venezuelanos.

    – Incomodado com as referências a Guaidó na imprensa como “autoproclamado presidente” da Venezuela, o departamento de Estado dos EUA solicitou aos meios de comunicação de todo o mundo para se referir a ele como “presidente interino”. Segundo o porta-voz Robert Palladino não fazê-lo é “cair na narrativa de uma ditadura”. Em resposta, um jornalista que assistia ao pronunciamento ponderou que dos 193 Estados membros da ONU, apenas 50 reconheciam Guaidó como suposto presidente da Venezuela.

    – Aconteceu ontem (6), também na Argentina, uma paralisação e uma marcha gigante de professoras e professores. Os atos vêm em resposta a dados divulgados pelo Centro de Estudos Políticos da Argentina (CEPA) de que 70% dos docentes argentinos estão abaixo da linha de pobreza, além das reivindicações por aumento dos salários, segurança nas escolas e a “paritária nacional” (acordos coletivos salariais impedidos por decreto de Macri) não cumprida pelo governo. O movimento segue até sexta em coordenação com as atividades do 8 de março.

    – Ainda sobre a Argentina, deu na revista Forbes que o país está a um passo do colapso econômico. A revista cita a CEPAL para dizer que o cenário econômico do país sul-americano pode ser explicado “pelo seu nível de endividamento, que aumentou 20 pontos percentuais do PIB entre 2017 e o segundo semestre de 2018, alcançando uma dívida pública de 77,4% do PIB”. A revista diz ainda que a cada dia na Argentina fecham sete pontos de comércio e que entre 2015 e 2017 foram fechadas 3.190 empresas.

    – Um registro importante e que não passou por estas notas é sobre a cúpula ocorrida no último dia 28 entre Trum e Kim em Hanói, no Vietnã. A reunião terminou antes do previsto e sem acordo entre os líderes, segundo a Casa Branca.

     

    Ana Prestes- Socióloga, mestre e doutora em Ciência Política pela UFMG. Autora da tese “Três estrelas do Sul Global: O Fórum Social Mundial em Mumbai, Nairóbi e Belém” e do livro infanto-juvenil “Mirela e o Dia Internacional da Mulher”. É membro do conselho curador da Fundação Maurício Grabois, dirigente nacional do PCdoB e atua profissionalmente como assessora internacional e assessora técnica de comissões na Câmara dos Deputados em Brasília.

     

    Fonte: revistaforum.com.br

  • Após empresários da área do varejo (grupo Condor e rede Havan) constrangerem seus funcionários com pedido de votos para o candidato do PSL, Jair Bolsonaro, o Ministério Público do Trabalho (MPT) divulgou, nesta segunda-feira (1º), uma nota pública alertando que a atitude é ilegal. 

    Funcionários das lojas Havan durante o discurso pró-Bolsonaro do proprietário da rede, Luciano Hang, 

    O empresário e proprietário das lojas Havan, Luciano Hang, publicou vídeo no qual diz a funcionários que a empresa dele pode deixar de criar empregos se o PT vencer a eleição. Em uma de suas lojas, Hang, fez um discurso de meia hora pró-Bolsonaro, carregado de ameaças de desemprego e pânico. 

    "A liberdade de consciência, convicção política ou filosófica, a intimidade e a vida privada são direitos fundamentais assegurados a homens e mulheres no artigo 5º da Constituição Federal de 1988, que devem ser respeitados no âmbito das relações de trabalho"

    O objetivo do MPT é alertar as empresas e a sociedade de que é proibida a imposição, coação ou direcionamento nas escolhas políticas dos empregados. O objetivo é garantir o respeito e a proteção à intimidade e à liberdade do cidadão-trabalhador no processo eleitoral, no ambiente de trabalho.
     
    De acordo com a nota, tal prática pode caracterizar discriminação em razão de orientação política,  irregularidade trabalhista que pode ser alvo de investigação e ação civil pública por parte do MPT. Para o procurador-geral do trabalho, Ronaldo Curado Fleury, a interferência por parte do empregador sobre o voto de seus empregados pode, ainda, configurar assédio moral.

    Leia a nota do MPT

    “Se ficar comprovado que empresas estão, de alguma forma e ainda que não diretamente, sugestionando os trabalhadores a votar em determinado candidato ou mesmo condicionando a manutenção dos empregos ao voto em determinado candidato, essa empresa vai estar sujeita a uma ação civil pública, inclusive com repercussões no sentido de indenização pelo dano moral causado àquela coletividade”, explica Fleury, no site do MPT.
     
    O comunicado do MPT é resultado da necessária proteção do regime democrático no contexto das relações de trabalho, e tem como destinatários todos os empresários que, visando a beneficiar quaisquer candidatos ou partidos, pratiquem a conduta ilegal. 

    Em outro trecho do documento, o MPT afirma: "Em decorrência de tais direitos fundamentais, está vedado ao empregador a prática de qualquer ato que obrigue o empregado a manifestar-se sobre suas crenças ou convicções políticas ou, mais ainda, que venha a obrigá-lo a seguir uma determinada crença ou convicção política ou filosófica, orientada pela organização empresarial, diante da hipossuficiência do empregado na relação de trabalho, que o coloca em condição de sujeição à determinação ou orientação empresarial, caracterizando, portanto, coação, inadmissível nos locais de trabalho, e discriminação em razão de orientação política".

    Portal CTB com MPT

  • Jair Bolsonaro indicou nesta sexta-feira (5) que o ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodríguez, pode deixar o cargo na segunda-feira (8).

    “Está bastante claro que não está dando certo. Ele é bacana e honesto, mas está faltando gestão, que é coisa importantíssima”, disse o presidente em um café da manhã, nesta sexta-feira (5), com jornalistas no Palácio do Planalto.

    “Segunda-feira vai ser o dia do ‘fico ou não fico. Na segunda tira a aliança da mão direita e, ou vai para a esquerda ou vai para a gaveta”, disse.

    Não saio

    Após a divulgação das declarações de Bolsonaro aos jornalistas, o ministro da Educação foi questionado se sairia do ministério. Em um evento no interior de São Paulo, Vélez disse que “agora não”. Sobre a declaração de Bolsonaro, Vélez disse que não tinha sido informado.

    “Eu, pessoalmente, não tenho notícia disso. Pergunta a quem é de direito, quem falou isso”, declarou o ministro. Vélez é colombiano e foi indicado pelo astrólogo Olavo de Carvalho, guru do presidente da extrema direita.

    Ele já cometeu um sem número de trapalhadas, sugeriu a revisão dos livros de história para exaltar a ditadura militar, insinuou que os brasileiros são ladrões natos e transformou o Ministério da Educação num inacreditável caos. É o retrato acabado do desgoverno que tomou conta de Brasília, mas não é o único que merece um pontapé no traseiro.

  • O ministro do Trabalho e Emprego, Caio Vieira de Mello, disse hoje (4) que a extinção da pasta no futuro governo de Bolsonaro provocará um “desmanche” nas atividades de fiscalização do trabalho. “É um ato complexo, de uma repercussão social grande. É um desmanche de maior fiscalização, piora a condição social do trabalhador”, disse o ministro em entrevista à Rádio Nacional.

    Vieira de Mello espera que Bolsonaro repense a decisão. “Eu espero que repensem. O Ministério do Trabalho é um órgão histórico. É um seio de direito social”. Ele acrescentou que o órgão foi “inteiramente saneado”. A extinção do ministério foi anunciada pelo futuro ministro-chefe da Casa Civil, o gaúcho Onyx Lorenzoni, que confessou ter aceito de dinheiro de Caixa 2 para financiar sua campanha política, o que é um crime e o tornou alvo de um inquérito no STF.

    A partir de janeiro do ano que vem, o MT será esquartejado com suas atribuições distribuídas para três outras pastas. Tanto as concessões de cartas sindicais quanto a fiscalização das condições de trabalho ficarão a cargo do Ministério da Justiça e Segurança Pública. Sob o guarda-chuva do Ministério da Economia e da Cidadania serão divididas as políticas de emprego, contemplando ações voltadas para o empregador e para empresários.

    A decisão contempla proposta feita pelo patronato, mas é frontalmente contrária aos interesses da classe trabalhadora, pois como sugeriu o atual ministro vai comprometer as políticas de fiscalização e coibição do trabalho escravo, bem como da exploração do trabalho infantil e condições de saúde e segurança nos locais de trabalho. É mais um golpe que está sendo urdido contra a classe trabalhadora.

    Portal CTB, com informações da Agência Brasil

  • Por Helena Chagas, no Divergentes e para o Jornalistas pela Democracia

    Um pedido de demissão do ministro da Justiça, Sérgio Moro, por divergências em relação a posições do governo seria, a esta altura, um desastre político para o presidente Jair Bolsonaro – que já anda às voltas com uma insistente queda de popularidade. Por isso, Moro vem esticando a corda, numa investida pública, com seguidas entrevistas e manifestações, contra a transferência do Coaf de sua pasta para a Economia – o que, a depender do Congresso, hoje é muito provável.

    Insatisfeito com essa e muitas outras trombadas que vem tendo no governo, onde já percebeu que não é prioridade, o que restaria a Moro? Pedir o boné e ir para casa?

    Afinal, quase todas as suas derrotas têm o dedo do Planalto e de seus aliados. No caso do Coaf, por exemplo, o próprio presidente chegou a admitir negociar o retorno do órgão ao Ministério de origem em troca da aprovação da medida provisória que reestruturou administrativamente o governo sem outras mudanças mais danosas.

    Com isso, Bolsonaro deixou Moro exposto ao sol e aos ventos da política, assim como em outros episódios constrangedores, como o da revogação da nomeação da socióloga Ilona Szabo e o quase engavetamento do pacote de mudanças penais enviado pelo ministro ao Congresso. Tudo indica que esse comportamento "quem manda sou eu" de Bolsonaro, meio semelhante ao que ele tem adotado em relação aos militares que supostamente o tutelariam, vai continuar.

    E Moro, se derrotado mais uma vez, terá que avaliar se vale a pena continuar no governo para uma sucessão de desgastes e vexames. A possibilidade de sair tem sido aventada nos últimos dias por interlocutores próximos do ex-juiz, embora ainda cheire a pressão, sobretudo sobre o próprio chefe, para rever sua posição inicial sobre a devolução do Coaf.

    O que se comenta nos meios jurídicos de Brasília é que a recente afirmação do ministro da Justiça de que seria "ganhar na loteria" ser nomeado para uma vaga no STF veio do fundo do coração. Foi um recado direto.

    O grande problema é que nem isso está garantido para Moro, sobretudo se ele deixar o governo chutando o balde. Vaga no STF só haverá em 2020, e a nomeação depende da caneta de Jair Bolsonaro e, principalmente, da aprovação do Senado Federal – ou seja, daquele pessoal que não quer ver o ex-juiz da Lava jato nem pintado.

    Tudo indica que Sérgio Moro, apesar da popularidade, deve estar arrependido de ter deixado a toga pelo governo Bolsonaro. Caiu numa ratoeira.

  • – Terminou há pouco o encontro entre Jair Bolsonaro e o conselheiro de segurança da Casa Branca, John Bolton. O presidente eleito recebe o assessor de Trump com uma continência. Não há informações noticiadas sobre o conteúdo da conversa que durou menos de uma hora.

    – Buenos Aires será uma capital movimentada hoje. Diversas manifestações marcadas, enquanto vão chegando os líderes mundiais que participarão do G20. Ponto auge do encontro deverá ser o jantar entre Xi Jinping e Donald Trump na noite de sábado. Outro momento que cria expectativa é a assinatura do novo tratado de livre comércio da América do Norte, entre México, EUA e Canadá. O tratado ainda será assinado por Peña Nieto, visto que López Obrador toma posse no sábado (1). Poroshenko da Ucrânia vem para protestar contra Putin. Príncipe saudita vem para se defender do que chama de ataques à sua imagem no exterior, após a morte do jornalista Kashoggi e os resultados da guerra do Iêmen. Macri passará o pires pedindo ajuda aos comensais para tirar a Argentina de uma profunda crise econômica. Temer deverá representar o Brasil, em uma de suas últimas missões internacionais. Não há notícias de integrantes da equipe do futuro presidente Bolsonaro na comitiva de Temer.

    – “Pastor tarja preta”, assim é chamado o futuro chanceler Ernesto Araújo em carta anônima, aparentemente de um diplomata – pelo menos o autor diz que sim – que circula nos grupos de whatsapp dos funcionários do Itamaraty e foi publicada pela Carta Capital. Ao longo do texto, o autor comenta os textos do blog de Araújo e seu último artigo que saiu no jornal paranaense Gazeta do Povo.

    – Na carta em que Araújo é chamado de “pastor tarja preta”, o autor diz que “não há registro de um governo brasileiro que, durante um ou dos mandatos, tenha conseguido se indispor com todos os países árabes de uma vez, todos os países da Europa (região é um “espaço culturalmente vazio” – frase de vossa autoria), Noruega, Argentina, Mercosul e China, nosso maior parceiro comercial. Esse governo que integrará obteve a façanha de fazer isso antes mesmo de começar”.

    – Repercutiu muito ontem (28) no Brasil e no mundo a retirada da candidatura do Brasil para ser sede da COP 25, Conferência das Nações Unidas para Mudanças Climáticas, a ser realizada em 2019. O presidente eleito Jair Bolsonaro disse que “houve participação minha nessa decisão”. Disse ainda que não gostaria de anunciar possível ruptura com o Acordo de Paris em um evento sediado pelo Brasil.

    – Ao justificar a retirada do Brasil como sede da COP 25, Bolsonaro voltou a associar o Acordo climático de Paris, do qual o Brasil é construtor e signatário, à criação de uma grande área de preservação ambiental chamada “Triplo A”, por se estender dos Andes, passando pela Amazônia e chegando ao Atlântico. Ocorre que o Tratado de Paris e famoso “Triplo A” não dialogam, não conversam, não se vinculam, não tem nada a ver uma coisa com a outra. O Triplo A é uma proposta de corredor ambiental feito por uma fundação chamada Gaia Amazonas, com sede na Colômbia.

    – Uma curiosidade ao longo da entrevista de Bolsonaro sobre a retirada do Brasil como sede da COP 25 é que seu futuro ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, chegou a cochichar em seu ouvido uma sugestão de resposta às perguntas dos jornalistas: “não temos nada com isso; isso é decisão do Itamaraty”. Bolsonaro ignorou, no entanto, a sugestão e assumiu a responsabilidade pela decisão proferida pelo Itamaraty.

    – Com a proximidade da COP 24, neste mês de dezembro na Polônia, a Europa discute uma proposta de acabar com a era da combustão em seu território em 2050. A comissão europeia propôs e ainda precisa ser aprovada pelos 27 estados membros uma medida para que a emissão de gases do efeito estufa seja combatida com a adoção de medidas para que 80% da eletricidade do bloco provenha de energias renováveis em 2050.

    – Continua tensa a situação entre Rússia e Ucrânia no estreito de Kerch, pequena passagem entre o Mar de Azov e o Mar Negro, que separa a Crimeia da Rússia e sobre a qual passa uma ponte de 19 km recentemente inaugurada por Putin. A península da Crimeia foi anexada por Moscou em 2014 e a Ucrânia, assim como outros países ocidentais, não aceita a anexação. No último final de semana a Rússia retirou três embarcações ucranianas que fechavam o estreito e prendeu seus tripulantes, a Ucrânia decretou lei marcial e a Rússia posicionou mísseis antiaéreos na Criméia.

    – Foi liberado nos últimos dias um recurso de US$ 9,2 milhões do Fundo Central de Resposta Emergencial (Cerf) da ONU para enfrentamento da crise econômica e de abastecimento da Venezuela. O dinheiro será distribuído entre agencias da ONU, como a OMS, a Unicef, a Acnur e outras que executaram projetos diretos na Venezuela. Recentemente o governo Maduro convidou a Alta Comissária da ONU para Direitos Humanos, Michelle Bachelet, ex-presidenta do Chile, para realizar uma visita ao país.

  • Pressionado pelo chamado agronegócio e enquadrado pelos militares, Jair Bolsonaro não cumpriu a promessa de transferir a embaixada brasileira em Israel para a cidade de Jerusalém, feita durante a campanha presidencial. Parece ter sido mais um produto da sua próspera fábrica de fake news. Ainda assim sua visita ao país sionista, hoje dirigido por um desacreditado líder de extrema direita (Benjamin Netanyahu), tende a provocar sensíveis prejuízos à economia nacional.

    O líder da extrema direita tropical, que tem por guru um astrólogo alucinado que se acha filósofo, resolveu instalar um escritório comercial em Jerusalém, o que foi descrito pelo general Mourão, seu vice, como “um passo intermediário”. Na realidade, é bem menos do que prometeu a Netanyahu, mas o gesto despertou a indignação dos palestinos, cujo território foi ocupado ilegalmente pelos judeus, e contribuiu para azedar um pouco mais as relações entre o Brasil e a comunidade árabe.

    Em nota divulgada domingo (31), a Autoridade Palestina condenou “nos termos mais fortes” a decisão, que considera  "uma violação flagrante da legitimidade e das resoluções internacionais, uma agressão direta ao nosso povo e a seus direitos e uma resposta afirmativa para a pressão israelense-americana que mira reforçar a ocupação e a construção de assentamentos na área ocupada em Jerusalém".

    Israel é um Estado notoriamente opressor que vive à margem do Direito Internacional, em conflito com o Conselho de Segurança da ONU, mas cujas ações criminosas são respaldadas pelo poder militar dos Estados Unidos. O governo atual está completamente isolado em sua pretensão de transferir a capital de Tel Aviv para Jerusalém, que conta apenas com o apoio de Donald Trump e de autoridades australianas.

    A ONU considera Jerusalém Oriental como território palestino ocupado ilegalmente, tendo declarado em 1980 que se trata de uma violação do Direito Internacional. O status final da cidade deve ser negociado entre as partes, de acordo com a organização, que por meio da resolução 478 recomendou a todos os países com representação em Jerusalém que se retirassem de lá.

    A política de Bolsonaro para Israel, apoiada por alguns grupos evangélicos, está em sintonia com a estratégia de Washington para o Oriente Médio e evidentemente visa agradar o bilionário Donald Trump, ídolo e patrão do capitão. Em contrapartida, contraria as tradições do Itamaraty, é nociva aos interesses nacionais e prejudicial particularmente para nosso comércio exterior, conforme alertou o economista Márcio Pochmann.    

    O intercâmbio do Brasil com os árabes é muito mais relevante do que com Israel. Somente em janeiro deste ano as exportações brasileiras para os países árabes somaram US$ 1,2 bilhão, o que significa 6,4% do valor total das nossas vendas ao exterior. Já as importações custaram US$ 597 milhões, o que resulta num superávit comercial de US$ 621 milhões em apenas um mês.

    As exportações para Israel são uma fração disto. Alcançaram apenas US$ 57,33 milhões no mesmo mês, ou seja, cerca de 22 vezes menos. O valor das importações foi de US$ 184,55 milhões, o que significa um saldo negativo de US$ 127,22 milhões. São números eloquentes.

    Se a política externa brasileira fosse guiada pelos interesses nacionais, combinados com princípios democráticos e civilizatórios consagrados no Direito Internacional, como de resto ocorreu na época de Lula e Dilma, o caminho seria outro. Ao contrário do que costuma alardear, o presidente da extrema direita se orienta pela mais tosca das ideologias, um ódio cego ao comunismo e absoluta submissão ao imperialismo liderado pelos EUA. O Brasil não tem nada a ganhar, mas terá muito a perder se continuar neste rumo.

    Umberto Martins

     

  • A última quarta-feira, 3 de abril, ficará por algum tempo gravada na memória nacional com as imagens do espetáculo deprimente protagonizado pelo ministro da Economia de Bolsonaro durante audiência na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados (CCJ), que foi encerrada prematuramente depois que ele ofendeu a mãe e a avó do deputado Zeca Dirceu (PT/PR). Paulo Guedes perdeu as estribeiras e ganhou um apelido: Paulinho Tchutchuca.
    O desequilíbrio emocional do ministro tem explicação. Ele foi submetido a uma artilharia pesada e eficiente da oposição, que desmontou uma a uma as concepções e argumentos enganosos com que pretende incutir na opinião pública uma falsa consciência sobre sua proposta desumana. 
    Mentiras desmascaradas
    Guedes se comportou como se estivesse diante de uma plateia de leigos ou amigos empresários que só têm a ganhar esfolando um pouco mais a nossa classe trabalhadora, mas se enganou, o público era outro. Contou com um risível apoio de estreantes do partido de Bolsonaro (PSL), o silêncio constrangido e eloquente do Centrão e não teve equilíbrio para suportar a saraivada de críticas.   
    A falácia de que a PEC 06/2019 visa combater privilégios e atenuar as desigualdades sociais, baseada numa tímida redução da contribuição para quem ganha até dois salários mínimos (que nem de longe compensa o aumento do tempo de trabalho e de contribuição para conquistar o direito), foi desmascarada pelo deputado Alessandro Molon (PSB/RJ).
    O parlamentar carioca asseverou que 91% da economia de R$ 1 trilhão que o governo quer fazer com a reforma virá do RGPS (Regime Geral de Previdência Social), que abarca milhões de trabalhadores do setor privado (peões da construção civil, metalúrgicos, químicos, comerciários, professores, vigilantes, motoristas, garis), bem como das aposentadorias rurais e do Benefício de Prestação Continuada, recebido por deficientes ou idosos sem rendimentos.
    Não se pode falar com seriedade de privilegiados entre aposentados ou pensionistas do RGPS, cuja maioria recebe apenas o salário mínimo e onde o teto é de R$ 5.839,45. Tampouco é o caso das aposentadorias rurais e do BPC, que também não ultrapassam o salário mínimo. No entanto, são esses trabalhadores e trabalhadoras que vão pagar a conta. Privilégio é uma exclusividade dos ricaços, na maioria provenientes das classes dominantes, com as quais o ministro está identificado e que não arcará com um centavo do ônus imposto pela reforma. “Esta proposta é cruel com os mais pobres”, sentenciou Molon.
    Insinuações levianas
    Em mais uma ofensa à classe trabalhadora brasileira, o ministro da Economia de Bolsonaro fez insinuações levianas, sem apresentar provas, sobre supostas fraudes nas aposentadorias rurais, com base no fato de que um grande número de trabalhadores rurais aposentados reside em áreas urbanas. Demonstrou, conforme alertaram parlamentares nordestinos, uma admirável ignorância da vida no campo e nas cidades adjacentes que em geral abrigam grande número de aposentados e pensionistas rurais. Também despreza o fato de que milhares de municípios brasileiros, sobretudo no Nordeste, dependem dos recursos das aposentadorias, pensões e BPC para girar suas modestas economias.
    Na sexta (5), no 18º Fórum Empresarial Lide, discursando para uma plateia amigável, da sua mesma classe social, o empresário-rentista Paulo Guedes disse que o lema da sua equipe é “sem recuo e sem rendição”, uma bravata que não parece sustentável. No mesmo dia o capitão presidente informou que a capitalização pode esperar, sugerindo que será retirada do projeto e já se ensaia recuos também em relação ao BPC e aposentadorias rurais, uma vez que o Centrão exige alterações nestes aspectos para apoiar o texto.
    A reforma do ministro de Jair Bolsonaro é a menina dos olhos do empresariado, que com ela só tem a lucrar, e muito, a começar pela desoneração das contribuições com o INSS. Não há como discordar do deputado Zeca Dirceu: Paulo Guedes é um tigrão com os trabalhadores, aposentados e pensionistas, mas em relação aos ricos e poderosos é o Paulinho Tchutchuca, apelido que, segundo as más línguas, ele teria recebido nos EUA, quando estudava em Chicago.  
    Umberto Martins