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Seg, Out

Caetano Veloso

  • “Muito obrigada por roubar o Brasil inteiro”, diz passageira a Eduardo Cunha

    Viraliza nas redes sociais um vídeo onde uma passageira, de um voo do Rio de Janeiro para São Paulo, diz ao deputado federal cassado Eduardo Cunha: “Senhor Eduardo Cunha muito obrigada por roubar o Brasil inteiro (...) Quero que o senhor apodreça na cadeia”.

    Assista o escracho em Eduardo Cunha 

    Em show em Nova York, o cantor e compositor paulista Criolo incluiu no roteiro um projetor com os dizeres “Fora Temer”, seguido de “Diretas Já”, depois por “É Golpe”, “Pelo fim do foro privilegiado”, "pelo fim da pensão vitalícia" até que no final aparece “A luta é hoje” porque “Amanhã é tarde” e o show prossegue.

    Veja o espetáculo de Criolo 

    Em show de Caetano Veloso e Gilberto Gil em São Paulo, mais uma vez o público acompanhou a música Odeio, de Caetano. Quando o cantor baiano canta “odeio você” o público responde Temer.

    Acompanhe os cantores baianos Gil e Caetano

    Portal CTB

  • #DemocraciaSim: artistas, empresários e intelectuais assinam manifesto contra Bolsonaro

    Contra o fascismo, pessoas de pensamentos completamente diferentes assinam o manifesto “Pela democracia, pelo Brasil”. O documento foi divulgado neste domingo (23) e já conta com centenas de assinaturas de importantes representantes da cultura e do empresariado brasileiro. Todos contra o candidato fascista, Jair Bolsonaro.

    "É um chamado para quem vota em quem quer que seja, mas está dentro do campo democrático", diz à Rede Brasil Atual, o advogado José Marcelo Zacchi. Para ele, é fundamental que todos se unam para “repudiar um projeto que nos parece contrário aos princípios democráticos”.

    Já assinam o manifesto: Chico Buarque, Caetano Veloso, Patrícia Pillar, Camila Pitanga, Fernanda Torres, Arnaldo Antunes, Wagner Moura, Gregório Duvivier, Antonio Nobre, Alice Braga, Andreia Horta, Mano Brown, Ana Mozer, Walter Casagrande Júnior, Juca Kfouri, Luiz Felipe Alencastro, Lilia Schwarcz, Maria Victória Benevides, Esther Solano, Milton Hatoum, Fernando Morais, Renato Janine Ribeiro, Laerte, Clemente Ganz Lucio, Maria Alice Setúbal, Bernard Appy e Andrea Calabi, Guilherme Leal e Drauzio Varella, entre muitos outros.

    “Vivemos um momento delicado na história do país”, diz Vânia Marques Pinto, secretária da Políticas Sociais da CTB. “Devemos nos unir às manifestações das mulheres contra o ódio e a violência, neste sábado (29) e dar um chega pra lá no machismo e no autoritarismo”.

    Ganha força a hashtag #EleNão para “impedir o crescimento das ideias propaladas pelo candidato que votou a favor da reforma trabalhista e pretende acabar com a aposentadoria”, define Vânia. “Ele pretende aprofundar ainda mais as maldades feitas por Michel Temer e acabar com a educação pública e com o SUS (Sistema Único de Saúde)”.

    Trecho do manifesto afirma: “É preciso dizer, mais que uma escolha política, a candidatura de Jair Bolsonaro representa uma ameaça franca ao nosso patrimônio civilizatório primordial. É preciso recusar sua normalização, e somar forças na defesa da liberdade, da tolerância e do destino coletivo entre nós”.

    Assine o manifesto “Pela democracia, pelo Brasil” você também aqui.

    Portal CTB. Foto: Mais Goiás

  • #EleNão: artistas convocam a população a lotar as ruas neste sábado (29) pelo direito de viver em paz

    Não dá mais par segurar. As mulheres tomaram conta da política nesta eleição. O movimento feminista assumiu a oposição ao candidato Jair Bolsonaro e suas propostas fascistas.

    “A campanha do #EleNão ganhou uma dimensão gigantesca porque as mulheres entenderam que a hora é agora para barrar o avanço das propostas contra os interesses do país e do povo brasileiro”, afirma Celina Arêas, secretária da Mulher Trabalhadora da CTB.

    Letícia Sabatella, Daniela Mercury, Anitta, Linniker, Chay Suede, Pabllo Vittar, Carolina Abras, Maria Ribeiro, Bete Carvalho, Teresa Cristina, Bruna Linzmeyer, MC Carol, Camila Pitanga, Caetano Veloso, Chico Buarque e muitos outros artistas dizem #EleNão.

    A cantora paraense Júlia Passos deu a sua contribuição gravando um dos hinos do movimento; confira o talento

    O movimento começou pelas redes sociais na internet, principalmente com a página Mulheres Unidas Contra Bolsonaro, que na sexta-feira (14) foi invadida por hackers bolsonaristas e chegou a ser removida pelo Facebook. Já no domingo (16) estava de volta. Ganhou impulso maior ainda e já conta com mais de 3 milhões de integrantes.

    Várias artistas dão o seu recado; assista 

    Artistas que já se posicionavam contra as propostas fascistas do candidato da extrema-direita, já vinham se mobilizando em defesa da democracia, se unem às mulheres pela democracia e pelos direitos humanos. Vídeos começaram a circular e a cantora baiana Daniela Mercury gravou falando contra Bolsonaro e desafiou a carioca Anitta a se posicionar.

    As artistas garantem presença nos atos contra Bolsonaro em todo Brasil; no sábado 

    Nasceu a campanha #DesafioUnidasNasRuas e as artistas começaram a desafiar as suas colegas a se engajarem no movimento. A defesa da liberdade e dos direitos da classe trabalhadora ultrapassou fronteiras e se espalhou pelo mundo. A manifestação do sábado já está garantida em ao menos 50 países e conta com apoio de inúmeros artistas internacionais.

    O jovem ator Chay Suede também se posiciona e mostra que os homens que respeitam as mulheres também são contra Bolsonaro; confira 

    “Elas estão no front, mas muitos homens caminham junto”, assinala Luiza Bezerra, secretária da Juventude Trabalhadora da CTB. “O mais interessante desse movimento é que ele uniu pessoas de pensamentos muito diferentes com o objetivo comum de barrar os retrocessos e pôr novamente o Brasil no caminho do desenvolvimento com justiça social”.

    Centrais sindicais, artistas, empresários, intelectuais, torcedoras e torcedores de futebol, religiosos, as pessoas do campo popular e democrático sentem a necessidade de se posicionarem contra a candidatura do retrocesso.

    Pabllo Vittar gritou Ele Não no Prêmio Multishow; veja 

    Várias artistas foram agredidas pelas redes sociais ao gravarem vídeos ou postarem textos favoráveis à campanha #EleNão. Caetano Veloso prestou solidariedade à atriz Marília Mendonça, que excluiu seu vídeo, após ela e sua família receberem ameaças.

    Assista o depoimento de Caetano Veloso 

    “Esse movimento é irreversível e promete unir a nação brasileira para termos uma eleição limpa”, sintetiza Celina. “A volta da democracia depende do nosso engajamento com candidaturas que defendam a liberdade e a justiça. Todas e todos às ruas no sábado (29)".

    Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB

  • 50 anos: o tropicalismo rompeu barreiras e chacoalhou as estruturas da cultura e da vida

    Apesar de o país estar sob o manto de uma ditadura ferrenha em 1967, a música popular brasileira era o centro das atenções das programações televisivas e os artistas atuantes contra o autoritarismo. Era a época dos grandes festivais, canções de protesto, movimentos de rua para exigir a volta da democracia.

    Nesse contexto efervescente, surge o tropicalismo, influenciado pelo movimento antropofágico, dos modernistas de 1922, com objetivo estruturar uma cultura de caráter nacional, mesclando influências externas com a cultura popular do país.

    O nome do movimento veio de uma obra do artista plástico Hélio Oiticica, chamada Tropicália, exposta no Rio de Janeiro em 1967. Nesse ano, Caetano Veloso interpretava "Alegria, Alegria" e Gilberto Gil, "Domingo no Parque", no Festival de Música da Record.

    Os dois dos principais mentores do movimento, já mostravam ali a que vinha o tropicalismo. Uma miscelânea de sons com rock, bossa nova, música regional nordestina, samba, e a chamada música brega. 

    Asssista o documentário "Tropicália a Voz de Uma Geração", de Mateus Barbosa através do link https://www.youtube.com/watch?v=HHM5-PonsKM

    Além de Veloso e Gil, participavam movimento o maestro Rogério Duprat (1932-2006), Tom Zé, Jorge Mautner, Jorge Ben Jor, Gal Costa, Os Mutantes, Torquato Neto (1944-1972), Capinan e Maria Bethânia, que criaram essa geleia geral musical, cênica e comportamental.

    Com poesias marcantes, aliadas a melodias fortes, eles dançavam e rebolavam no palco de maneira provocadora, além de vestimentas pouco convencionais. Gil e Veloso, por exemplo aparecia de saia algumas vezes.

    Na época da efervescência dos grandes festivais, Veloso apresentou com os Beat Boys “Alegria, Alegria” e Gil com Os Mutantes “Domingo no Parque”, no Festival da Record, introduzindo a guitarra elétrica nas suas apresentações.

    Nascia assim o movimento tropicalista, que teve a adesão de José Celso Martinez Corrêa (Zé Celso) no teatro e de Glauber Rocha no cinema. Um ano antes, Zé Celso montava a peça “Orei da Vela”, de Oswald Andrade e depois escandalizava com “Roda Viva”, que marcou uma guinada da carreira de Chico Buarque.

    Em 1968 é lançado “Tropicália ou Panis et Circenses”, disco manifesto do movimento. Surgiam clássicos como “Panis et Circenses” (Caetano Veloso e Gilberto Gil), “Geleia Geral” (Gilberto Gil e Torquato Neto), “Enquanto Seu Lobo Não Vem” (Caetano Veloso) e Bat Macumba (Gil e Caetano).

    Ouça o disco Tropicália ou Panis et Circenses 

    O movimento acabou nesse mesmo ano. Numa temporada no Rio de Janeiro, Gil, Veloso e Os Mutantes utilizaram uma obra do Hélio Oiticica em seu show. Penduraram no cenário a bandeira nacional com a inscrição "Seja Marginal, Seja Herói", com a imagem de um traficante assassinado violentamente pela polícia.

    Porém, o tropicalismo não acabava ali. Permanece vivo nas produções atuais e viscerais de seus criadores, mas também nas obas de seus herdeiros, como Arnaldo Antunes e Chico Science, principal nome do importante movimento manguebeat, dos anos 1990, em Pernambuco, entre outros.

    Por uma questão de desordem geral, o tropicalismo veio para romper barreiras e rompeu muitas pela igualdade, pela liberdade. Revolucionou a arte e a vida de gerações de brasileiros e brasileiras tudo em nome do amor, do respeito e dos direitos humanos.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

  • A cultura bombou neste ano em defesa da democracia, dos direitos e da liberdade

    Os artistas se engajaram na luta contra o golpe. Nomes consagrados e novatos da classe artística saíram a campo contra o governo golpista de Michel Temer. Nenhum artista que ama o Brasil e a justiça esteve fora dessa campanha.

    Contra o obscurantismo se levantaram diferentes vozes para reforçar a importância de consolidação da democracia no país. Com isso, as redes sociais ferveram a favor e contra os artistas engajados na luta pela liberdade.

    Acompanhe alguns eventos de 2017 que mostraram a necessidade da cultura na vida das pessoas:

    O brilhantismo de Caetano Veloso de graça no Largo da Batata neste domingo (10), em São Paulo

    João Bosco ataca ação da PF na UFMG e não admite utilização de sua música

    Artistas iniciam movimento contra a censura às artes. Assista aos vídeos!

    Che Guevara: “Ser jovem e não ser revolucionário é uma contradição genética”

    Violeta Parra representa a força da mulher latino-americana contra a cultura do estupro

    Railídia Carvalho lança o seu primeiro disco em Belém do Pará nesta sexta (15)

    Chico Buarque chacoalha a hipocrisia e a ignorância com sua caravana musical

    Gibi sobre Lei Maria da Penha quer formar novos homens e mulheres para acabar com violência

    MPB perde uma das mais valiosas pérolas com a morte de Luiz Melodia

    50 anos: o tropicalismo rompeu barreiras e chacoalhou as estruturas da cultura e da vida

    Rafael Braga ganha exposição no Instituto Tomie Ohtake em defesa de sua liberdade

    Gilberto Gil completa 75 anos brilhando na cultura brasileira

    Artistas homenageiam classe trabalhadora no 1º de maio com postagens contra a reforma trabalhista

    "Era o Hotel Cambridge" mostra a gana do capital em construir e destruir para lucrar

    Assédio sexual não combina com a alegria do carnaval. Saiba como cair na folia sem agredir

    O filme “Eu, Daniel Blake” é um chamamento à ação revolucionária

    Portal CTB

     

     

  • Arnaldo Antunes e Leandro Karnal afirmam que o ódio não é cristão e muito menos humano; assista

    Enquanto os correligionários do ódio espalham fake news no submundo da internet, destilando fel, dois vídeos viralizam para mostrar que ainda somos humanos. Num deles o cantor e compositor paulista Arnaldo Antunes declama emocionado uma ode ao amor e à vida.

    “No coração do Brasil, que tento sentir pulsar ainda entre a luz de Luiz (Melodia) e a treva desse buraco vazio que não pulsa mais no peito”, desabafa Antunes. E segue sua crítica à ignorância do violento exército de quem não sabe o significado da palavra amor.

    “Como explicar a lei da gravidade para quem ainda crê que a terra é plana”, questiona o compositor. Isso em pleno século 21. O Estado Islâmico está morrendo de inveja dos nazistas tupiniquins que querem impor a violência atacando todas as pessoas que pensam.

    Assista o desabafo emocionado de Arnaldo Antunes 

    Já o professor e historiador Leandro Karnal explica didaticamente que “elogiar a tortura é declarar-se inimigo de Jesus Cristo”. E ainda conta que as “pessoas de bem” da época, torturaram, humilharam, falaram mal e crucificaram Cristo, em nome de Deus. Existe um Deus do ódio?

    Quantas barbaridades vêm cometendo em nome de Deus? Seguidores do candidato do ódio atacam covardemente em bandos pessoas sozinhas, mulheres de preferência, picham frases racistas em universidades e desenham a suástica nazista em clube judeu e a polícia fica na praça “dando milho aos pombos”.

    Preste atenção nas palavras de Leandro Karnal 

    Essas “pessoas de bem” propagam fake news (mentiras) pela internet e já na luz do dia batem, ofendem, agridem pessoas nas ruas. Chegaram a desenhar a suástica nazista na barriga de uma jovem de 19 anos em Porto Alegre e o delegado que investiga o caso ameniza dizendo que é o símbolo do budismo. Em vez de investigar a violência. Ou as pessoas podem atacar as outras por pensar diferente?

    É da lei desenhar à força alguma coisa no corpo de alguém com canivete? Mesmo porque, sete meses depois do assassinato de Marielle Franco e ainda não se sabe quem a matou e muito menos quem a mandou matar.

    Leia mais

    Caetano Veloso denuncia o ódio e violência disseminados por seguidores de Bolsonaro; assista

    CNBB pede para católicos votarem em candidatos favoráveis à democracia e contra a violência

    Como diz o artista baiano, Caetano Veloso é necessário dialogar com “a mente dos brasileiros, de todos os brasileiros que são capazes de pensar e acalmar a cabeça e o coração para metabolizar os sentimentos humanos”.

    Ouça "A paz", de Gilberto Gil e dissemine a paz 

    Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB

  • Artistas iniciam movimento contra a censura às artes. Assista aos vídeos!

    Artistas de todo o país e de diversas áreas se unem contra a censura liderada por setores reacionários da sociedade às expressões artísticas. A campanha está no ar na página do Facebook do movimento 342Artes.

    O primeiro ato público contra a censura ocorreu nesta segunda-feira (9), em Belo Horizonte. A exposição do artista mineiro Pedro Moraleida “Faça você mesmo sua Capela Sistina”. atraiu centenas de pessoas, inclusive, Caetano Veloso que faz show com os três filhos na capital mineira.

    Artistas contra a censura  

    Aliás, o compositor baiano é um dos ativistas em favor da cultura. Em uma entrevista disse que “esse negócio de MBL, sinceramente, só gente idiota acredita que aquilo é pra valer”. Em outro vídeo Caetano afirma que “a arte é uma forma de liberdade”.

    Diversos artistas acusam o MBL de estar a serviço do desgoverno Temer para desviar o foco da crise que se aprofunda e das inúmeras acusações de atos ilícitos que Temer vem sofrendo. Em diversos vídeos eu viralizam na internet, os artistas convocam a população a resistir.

    Preste atenção à fala de Fernanda Montenegro 

    Fernanda Montenegro, 87 anos, entra com tudo na campanha. “Tudo é cultura, inclusive a cultura da repressão”, diz a maior atriz brasileira. “Mas só há um tipo de cultura que realmente constrói um país, a cultura da liberdade”.
    Para a diva da dramaturgia, o país precisa sim de “educação com cultura e cultura com educação e liberdade. Não existe nação sem liberdade”. E Caetano complementa ao se ir no indignar em ter que “discutir no século 21, censura às artes”.

    “O Brasil quer se ver livre da Intolerância. As vozes que se levantam contra a censura e a difamação, são as que acreditam no respeito, na diversidade e no amor. Não aceitaremos que um falso moralismo, oportunista e eleitoreiro, contamine a sociedade para fortalecer os interesses políticos dos fundamentalistas”, diz texto de apresentação do movimento dos artistas.

    Entenda

    Tudo começou com o encerramento antecipado, pelo Santander Cultural da exposição “Queermuseu - Cartografia da Diferença na Arte Brasileira” por pressões do Movimento Brasil Livre (MBL). Os fascistas acusaram a exposição de incitar à “pedofilia” e “zoofilia”, porque havia uma parte LGBT na mostra e pinturas com nus.

    Caetano Veloso detona em entrevista 

    Recentemente foi a vez do prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella (PRB), da igreja Universal do Reino de Deus, vetar a exposição na capital fluminense. Com as mesmas absurdas acusações Crivella impediu que o Museu de Arte do Rio levasse a exposição para os cariocas.

    A reação dos artistas veio de imediato. Porque existe um “processo forte de criminalização da arte e dos artistas e que nós teremos que enfrentar com bastante veemência”, afirma Gaudêncio Fidélis, curador da exposição Queermuseu, que teve as obras censuradas expostas em Nova York recentemente.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

  • Artistas se unem ao povo e defendem Diretas Já! Papa também critica o golpe

    No Festival de Gramado, cineastas gritam "Fora Temer" e pedem Diretas Já

    Em diversos cantos do planeta, artistas brasileiros se unem ao povo e aderem ao coro de “Fora Temer”. No Festival de Cinema de Petrópolis (RJ), o ministro golpista da Cultura, Marcelo Calero, foi escrachado e teve de se retirar chamado de golpista. Os cineastas gritavam também “fascistas não passarão”.

    Assista 

    Na cerimônia de entrega da premiação do Festival de Cinema de Gramado (RS), a equipe do Melhor Curta-Metragem, "Rosinha" (Foto no destaque), convidou os presentes a subirem ao palco e defenderam a democracia e puxaram o “Fora Temer”. Com faixas com a nova palavra de ordem das forças populares: Diretas Já, vontade expressa em pesquisas da maioria da população.

    Assista manifestação dos artistas em Gramado (RS) 

    Criolo em Portugal

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    Criolo com fãs em Portugal: "Não se calem"

    O músico paulista Criolo fez a sua parte na Festa Avante, em Lisboa, Portugal, um dos maiores eventos comunistas do mundo, e denunciou o golpe na jovem democracia brasileira. Ele pediu para as pessoas não se calarem diante do golpe e tirou foto com fãs com uma faixa escrito “Fora Temer”. Ele assinou a faixa com a poesia abaixo:

    “De tanta luz se sonha
    Um tanto a mais de amor
    Pois o nosso sal de cada dia
    Não mais me desse ou desce a democracia.”

    Em Paris, o público que acompanhava show de Caetano Veloso na “Lavagem de Madeleine (igreja)”, considerado o maior evento de brasileiros na Europa, puxou o “Fora Temer”, que contou com a adesão do compositor baiano.

    Assista Caetano Veloso em Paris  

    Depois do golpe, em artigo publicado neste domingo (4), dia de grandes manifestações contra o golpe em todo Brasil, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso prega o diálogo PT-PSDB para “frear” as manifestações contra o governo Temer golpista.

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    Papa Francisco reza pelo Brasil e pensa em não vir ao país

    O Papa Francisco afirmou neste sábado (3), em uma cerimônia no Vaticano, que o “Brasil passa por um momento triste”. Além disso, segundo agência italiana de notícias, o Papa põe em dúvida a sua programada visita ao país em 2017. Francisco disse “rezar para Deus dar paz e harmonia ao Brasil”.

    Marcos Aurélio Ruy - Portal CTB com agências

  • Atendendo a pedidos, o Portal CTB seleciona mais canções sobre a alma feminina. Acompanhe!

    Na sexta-feira (3), o Portal CTB selecionou oito canções do rico repertório da música popular brasileira para homenagear as mulheres pelo 8 de março – Dia Internacional da Mulher (veja aqui). Agora repete a dose para atender a inúmeros pedidos. Nas duas publicações são 16 canções da mais fina flor da MPB.

    O cancioneiro brasileiro sempre encantou o imaginário popular, com profunda ligação aos temas candentes da sociedade. As questões da mulher não fogem à regra e fazem parte da nossa música com intrínseca ligação entre os anseios femininos de igualdade, liberdade e justiça.

    A temática evolui conforme ocorre evolução da luta emancipacionista promovida pelas feministas, que não nasceu hoje, tem história. Mas a MPB acompanha com muita poesia cantada como só os poetas conseguem vislumbrar.

    Essas canções ajudam mulheres e homens a construir o mundo novo, onde ninguém precise viver com medo de nada.

    Deleite-se com essas pérolas. E não seja moderada:

    Desinibida (Tulipa Ruiz e Tomás Cunha Ferreira) 

    A Mulher do Fim do Mundo (Alice Coutinho e Romulo Fróes)  

    Eu Sou Neguinha? (Caetano Veloso)  

    Cor de Rosa Choque (Rita Lee e Roberto de Carvalho)  

    Eduardo e Mônica (Renato Russo) 

    Lei Maria da Penha (Luana Hansen e Drika Ferreira) 

    Beatriz (Chico Buarque e Edu Lobo) 

    Explode Coração (Gonzaguinha) 

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

     

  • Caetano Veloso canta em São Bernardo e ensina a enfrentar os fascistas, nesta segunda (30)

    Acontece hoje em São Bernardo um show inusitado de Caetano Veloso. O compositor baiano canta em solidariedade à Ocupação Povo Sem Medo, em São Bernardo, no ABC Paulista, às 19h, no bairro Planalto, quilômetro 21 da via Anchieta. Vários artistas como Sonia Braga, Letícia Sabatella e Alinne Moraes prometem acompanhar Caetano neste show inteiramente gratuito.

    Gente (Caetano Veloso) 

    Mais de 7 mil famílias, lideradas pelo Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST) ocupam um terreno de 60 mil metros quadrados há quase dois meses e reivindicam a integração desse terreno ao projeto Minha Casa Minha Vida, do governo federal, para terem a sua casa própria.

    Estão até sendo chamados de os Canudos do século 21, em referência aos Canudos, um movimento popular de fundo sócio-religioso liderado por Antônio Conselheiro, que durou de 1896 a 1897, no interior da Bahia.

    O músico é a mais recente vítima de movimentos de extrema-direita por causa de sua militância por causas democráticas. Caetano tem se manifestado a respeito das investidas do Movimento Brasil Livre (MBL, de cunho fascista) contra exposições de artes plásticas que contenham nus ou versem sobre temáticas que envolvam a sexualidade.

    Ele e sua ex-mulher Paula Lavigne processam o MBL e o ator pornô Alexandre Frota que o chamara de “pedófilo”. Justamente no meio de uma  turnê com seus três filhos, Tom Zeca e Moreno.

    Canto do povo de um lugar (Caetano Veloso) 

    Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, na quarta-feira (25), Caetano diz que “toda essa gente que mente cinicamente sobre exposições de arte usando a palavra pedofilia para angariar adeptos entre os mais ingênuos, se esforça para encobrir o desejo de manter a opressão sobre da maioria do povo brasileiro, que vive sob a mais pesada desigualdade econômica do mundo”.

    De acordo com o músico “os malucos dos grupos conservadores que se organizam à sombra das passeatas de 2013 sabem que não há casos de pedofilia onde eles dizem haver. Mas pode ser que ganhem dinheiro de grupos políticos para criar pautas que una as pessoas inocentes contra artistas e museus de modo que o que mais interessa - manter o poder econômico nas mãos de poucos - permaneça intocado”.

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    Pelo que se vê não é à toa que os extremistas elegeram Caetano Veloso a sua maior vítima do momento. A filósofa Marcia Tiburi nos ensina, em seu livro homônimo, como conversar com um fascista, Caetano está ensinando a como enfrentar os fascistas, sem medo de ser feliz.

    Um índio (Caetano Veloso) 

    Afinal como ele canta em sua música Gente: “Gente quer comer/Gente que ser feliz/Gente quer respirar ar pelo nariz/Não, meu nego, não traia nunca/Essa força não/Essa força que mora em seu/Coração”.

    Portal CTB - Marcos Aurélio Ruy

  • Caetano Veloso denuncia o ódio e violência disseminados por seguidores de Bolsonaro; assista

    Neste domingo (14) ocorre um ato em homenagem ao mestre Moa, na Praça da República, em São Paulo, ás 11 horas, com o lema "O amor vencerá o ódio e o axé unirá o Brasil".

    Caetano Veloso condena de modo emocionado a violência cometida por simpatizantes do candidato à Presidência da República Jair Bolsonaro, que assola o país de norte a sul. O compositor e cantor baiano se revolta com o assassinato do capoeirista e compositor Moa do Katendê, de 63 anos, na segunda-feira (8). O motivo do crime: Moa afirmou ter votado no Partido dos Trabalhadores.

    “A gente está maduro o suficiente para não se entregar a coisas como essas”, diz Caetano sobre a cultura do ódio proliferada pelo candidato do PSL e seus seguidores exacerbados. Para ele, é necessário dialogar com “a mente dos brasileiros, de todos os brasileiros que são capazes de pensar e acalmar a cabeça e o coração para metabolizar os sentimentos humanos”.

    A revolta de um dos mais importantes nomes da cultura brasileira se fundamenta na ação de grupos de brutamontes atacando qualquer pessoa que não concorde com a postura deles. E o candidato que apoiam lava as mãos feito Pôncio Pilatos e afirma não ter nada a ver com os “excessos” de seus correligionários, mas foge do debate e diz categoricamente que não vai discutir o seu programa de governo com Fernando Haddad, o candidato das forças democráticas.

    Asssista o desabafo emocionado de Caetano Veloso  

    Vânia Marques Pinto, secretária de Políticas Sociais da CTB, questiona se o “povo brasileiro permitirá que o país seja reduzido a isso. Estamos beirando o radicalismo e a covardia comparada às práticas primitivas do Estado Islâmico, que prende, estupra, tortura e mata”.

    Nas redes sociais, parentes e amigos lamentaram a morte da vítima. "Mataram a história, povo sem memória. Mestre Moa Do Katendê, o senhor está vivo dentro dos corações de quem esteve perto e conheceu sua trajetória na capoeira, na música, e com a humanidade", escreveu um internauta.

    “Os seguidores do candidato extremista andam em grupos e atacam covardemente as pessoas que não aceitam o pensamento reacionário e nem o comportamento violento e preconceituoso do grupo”, afirma Vânia.

    A situação está tão grave, como notou Caetano, que a médica Tereza Dantas que trabalha em um hospital público, na capital do Rio Grande do Norte, Natal, rasgou a receita de um paciente de 72 anos após ele declarar que votou em Haddad.

    jornalista agredida em recife por bolsonaristas

    Ódio: jornalista agredida e ameaçada em Recife

    E a lista de insanidade bolsonarista prossegue. Uma jornalista do portal NE10, de Recife, foi agredida por seguidores do candidato apenas por ser jornalista, disse ela à Polícia Civil. A vítima conta que eles a agrediram e ameaçaram de estupro, no domingo (7), após ela sair de uma sessão de votação na capital pernambucana.

    No Rio de Janeiro, covardes truculentos atacaram a irmã de Marielle Franco, Anielle, na segunda-feira (8). Ela caminhava com a filha de dois anos no colo. Nem a presença da criança impediu a violência e ameaças dos “cidadãos de bem”, defensores da “família”.

    Anielle conta que eles gritaram “na minha cara e consequentemente na de minha filha (que ficou assustada claro) de que eu era 'da esquerda de merda', 'Sai daí feminista', 'Bolsonaro... Piranhaaa'", isso vindo  "de homens devidamente uniformizados com a camisa do tal candidato".

    E a violência não para. Nem um cachorro escapou da ignorância de militantes de Bolsonaro. Em uma carreata de seguidores, no domingo (30), em Muniz Ferreira, na Bahia. Um dos defensores da cultura do ódio desceu de seu carro e matou com três tiros um cachorro porque ele latia com a barulhenta carreata.

    E quando parece que o nível de insanidade atingiu o apogeu, acontece mais uma barbaridade. Ao descer do ônibus, em Porto Alegre, uma jovem de 19 anos foi agredida por três brutamontes porque ela usaa camiseta com os dizeres “Ele Não”.

    jovem agredida por bolsonaristas

    Discriminação: jovem sofre ataque de bolsonaristas em Porto Alegre

    Ela conta que foi humilhada, levou socos e dois dos agressores a seguraram para o terceiro desenhar a suástica – símbolo do nazismo – em sua barriga. Ao observar esses crimes hediondos, Caetano Veloso conclui que “não podemos reduzir o Brasil a essa barbárie” de pessoas que “ilusoriamente pensam que é superação, mas é volta, é atraso, é medo da responsabilidade, da civilização”.

    Os atentados se avolumam. Para Vânia, os seguidores do candidato da extrema-direita querem ganhar "a eleição no grito, na base da covardia e da força para amedrontar as pessoas que realmente pensam e lutam por um país solidário e justo”.

    Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB

  • Caetano Veloso é proibido de cantar, mas apoia o movimento pelo direito humano de moradia

    O prefeito de São Bernardo, no ABC Paulista, Orlando Morando (PSDB) vai ficar na história como o prefeito que censurou o cantor e compositor baiano Caetano Veloso, uma das principais vozes da música popular brasileira de todos os tempos.

    O espetáculo estava marcado para acontecer às 19h desta segunda-feira (30), mas uma decisão judicial impediu a sua realização. A alegação da juíza Ida Inês Del Cid, da 2ª Vara da Fazenda Pública da cidade é de que o local não suportaria o talento de Caetano, ela ainda impingiu uma multa de R$ 500 mil, caso a ordem judicial fosse desobedecida.

    Para ela, o terreno de 60 mil metros quadrados não possui estrutura para um show desse porte. O local “não possui estrutura a suportar show, mormente para artistas da envergadura de Caetano Veloso, um dos requeridos nesta ação. Seu brilhantismo atrairá muitas pessoas para o local, o que certamente colocaria em risco estas mesmas”, disse.

    Não contente, a juíza ainda argumenta que “como ressaltado, não há estrutura para shows, ainda mais, de artista tão querido pelo público, por interpretar canções lindíssimas, com voz inigualável. Destarte, o povo merece shows artísticos, mas desde que atendidos requisitos, que aqui não estão presentes, conforme bem alegado pelo Ministério Público”.

    Caetano afirmou que "o show foi adiado por uma decisão judicial, mas fizemos um lindo ato público em apoio à Ocupação Povo Sem Medo. Estamos juntos nessa luta pelo direito humano à moradia".

    ocupacao povo sem medo sao bernardo 2017

    O show ocorreria em solidariedade aos ocupantes desse terreno desde o dia 1º de setembro. Eles querem que a gleba seja utilizada para o programa Minha Casa Minha Vida e assim possam ter a tão sonhada casa própria.

    Além de Caetano estavam na ocupação Criolo, Emicida, Sonia Braga, Letícia Sabatella, Alinne Moraes. Todos inconformados com a decisão judicial. Caetano disse que nunca é bom ser proibido de cantar. “Mais que nunca é preciso cantar”, falou repetindo versos de Vinicius de Moraes.

    A empresária e produtora de Caetano Veloso, Paula Lavigne garante que o show será remarcado. “Vamos ver o que precisamos fazer para o show ser remarcado, nem que o pessoal da ocupação vá para outro local para ver o show".

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    Inclusive os artistas chegaram mais cedo à ocupação para conversar com os sem teto e entender o drama da falta de moradia e o crescimento da pobreza no país pós-golpe de 2016.

    Assista o vídeo de Nacho Lemus - TeleSUR 

    Os integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem teto (MTST), no entanto, asseguram a realização de uma grande marcha a partir das 5h da manhã desta terça-feira (31) rumo ao Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista.

    O terreno pertence à MZM Construtora, que de acordo com o MTST deve R$ 500 mil de IPTU para a prefeitura, que não cobra a dívida, mas dificulta a vida dos ocupantes do terreno abandonado há 40 anos afirmam eles.

    Portal CTB - Marcos Aurélio Ruy. Fotos: Mídia Ninja

  • Chico Buarque chacoalha a hipocrisia e a ignorância com sua caravana musical

    Chico Buarque lança o seu 30º álbum solo - “As Caravanas” -, onde esmiúça a alma do país, cantando a negritude e a fundamental influência que os seres humanos escravizados tiveram na formação social e cultural do Brasil.

    Como poeta do cotidiano, Chico desfere um simbólico soco na cara da intolerância e do preconceito. E mais frontalmente à hipocrisia e à ignorância, que geralmente andam juntas e detratam o que não entendem.

    Como se fosse um romance, onde cada música fosse um capítulo tudo parece intrinsecamente ligado para o enredo da história do Brasil, cantada em versos delicados, repletos de citações e fortes como um texto épico.

    As Caravanas  (Chico Buarque)

    Versos que parecem ter sido escritos para dissecar a formação da nação e do povo brasileiro e denunciar a falta de sobriedade de uma sociedade que vive séculos atrás e sonha com a escravidão. A gritaria ensandecida da intolerância. Sem espaço para o respeito e para o amor. Perde a vida.

    Mas Chico veio resgatar e mostrar que o tempo da delicadeza, da poesia e da música ainda podem predominar e trazer o novo tempo, superando a insanidade bárbara de quem nem sabe o que esperar do futuro.

    “Lembrar a meninice é como ir/Cavucando de sol a sol/Atrás do anel de pedra cor de areia/Em Massarandupió/Cavuca daqui/Cavuca de lá/Cavuca com fé/Oh, São Longuinho/Oh, São Longuinho/Quem sabe/De noite o vento varre a praia/Arrasta a saia pela areia/E sobe num redemoinho” (Massarandupió, com Chico Brown).

    Em Blues pra Bia o poeta denota a homossexualidade para cantar que todas as formas de amar devem ser aceitas. “Que no coração de Bia/Meninos não têm lugar/Porém nada me amofina/Até posso virar menina/Pra ela me namorar”.

    Massarandupió (Chico Buarque e Chico Brown) 

    Mas sobrou crítica ácida para Tua Cantiga, a primeira deste disco a ser divulgada na internet. A parceria com Cristóvão Bastos soa antiga e moderna. Uma ode ao amor, mesmo “quando teu coração suplicar/Ou quando teu capricho exigir/Largo mulher e filhos/E de joelhos/Vou te seguir”.

    O disco “As Caravanas” mostra que aos 73 anos, Chico Buarque canta a profusão da alma da sociedade brasileira dominada por sentimentos sem sentido de ódio e violência. Mas "que o Chico Buarque de Hollanda nos resgate”, como diz Caetano Veloso na sua bela Língua.

    Com participação especial do rapper Rafael Mike, do Dream Team do Passinho, Chico canta em As Caravanas que “essa zoeira dentro da prisão/Crioulos empilhados no porão/De caravelas no alto mar/Tem que bater, tem que matar, engrossa a gritaria/Filha do medo, a raiva é mãe da covardia”Babam de ódio os fascistas.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

  • Dia do Nordestino: a região que engrandece o Brasil com sua bravura e diversidade

    Oficializado em 2009, o Dia do Nordestino é comemorado em 8 de outubro, em homenagem ao centenário do poeta, cantor e compositor cearense Antônio Gonçalves da Silva - Patativa do Assaré (1909-2002) -, em São Paulo.

    Veja a atualidade da poesia "Amanhã", de Patativa do Assaré

    Amanhã, ilusão doce e fagueira,

    Linda rosa molhada pelo orvalho:
    Amanhã, findarei o meu trabalho,
    Amanhã, muito cedo, irei à feira.

    Desta forma, na vida passageira,
    Como aquele que vive do baralho,

    Um espera a melhora no agasalho
    E outro, a cura feliz de uma cegueira.

    Com o belo amanhã que ilude a gente,
    Cada qual anda alegre e sorridente,
    Como quem vai atrás de um talismã.

    Com o peito repleto de esperança,
    Porém, nunca nós temos a lembrança

    De que a morte também chega amanhã.

    Porque a capital paulista é a cidade com o maior número de nordestinos fora do Nordeste. E homenageia também Catulo da Paixão Cearense, maranhense de São Luís e autor da famosa música “Luar do Sertão”.

    Ouça "Asa Branca", de Humberto Teixeira e Luiz Gonzaga, verdadeiro hino do Nordeste

    A região conta com uma população estimada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 56,72 milhões de pessoas, dividida em nove estados (Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe).

    “A influência do Nordeste em todo o país é sentida por causa da migração que houve em décadas passadas, principalmente para São Paulo e Rio de Janeiro”, diz Vânia Marques Pinto, baiana e secretária de Políticas Sociais da CTB.

    Ela explica que os nordestinos sofrem preconceito justamente porque migraram para outras regiões em busca de uma vida melhor e é um povo muito trabalhador, hospitaleiro e carinhoso.

    Ouça "Luar do Sertão", de Catulo da Paixão Cearense e João Pernambuco 

    Além de trabalhar muito, a sindicalista explica ainda que a cultura do Nordeste vem se espalhando para o Brasil com sua música muito rica e diversificada, grandes escritores e compositores da música popular brasileira.

    “Quem não conhece Luiz Gonzaga, Chico Science, Raúl Seixas, Caetano Veloso, Gilberto Gil e muitos outros?”, pergunta. E os escritores “Graciliano Ramos, Jorge Amado, Manuel Bandeira, Ferreira Gullar, só para citar alguns”.

    Ouça "Cajuina", de Caetano Veloso 

    Para Vânia, “o Nordeste sempre foi relegado pelos governantes até o ex-presidente Lula assumir o governo e colocar a região no mapa das políticas públicas do Estado brasileiro”.

    Por isso, declara ela, “temos muita gratidão para com Luiz Inácio Lula da Silva. E com grande participação política votamos no candidato que representa a democracia e o projeto de desenvolvimento econômico com combate às desigualdades. Porque queremos o Brasil no lugar que ele merece”.

    Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB

  • Feliz do país que tem Chico e Caetano como representantes maiores da cultura

    No domingo (19), Caetano Veloso resolveu desejar felicidades ao aniversariante do dia, o seu amigo Chico Buarque.

    Não seria nada demais, se não se tratasse de dois dos mais importantes representantes da cultura brasileira. E se Caetano não fizesse - como não poderia deixar de ser - um texto de raríssima sensibilidade.

    Mais do que uma efeméride, Caetano transformou a sua homenagem num texto onde reflete sobre a necessidade de um país valorizar a sua cultura, para evoluir em seu processo civilizacional. 

    Caetano celebra a solidariedade, a generosidade, o respeito. Mas principalmente, rechaça a brutalidade dos dias atuais, onde não há espaço para a delicadeza e para a inteligência.

    Portal CTB - Marcos Aurélio Ruy

    Leia abaixo o texto na íntegra de Caetano Veloso:

    "O Brasil é capaz de produzir um Chico Buarque: todas as nossas fantasias de autodesqualificação se anulam.

    Seu talento, seu rigor, sua elegância, sua discrição são tesouro nosso.

    Amo-o como amo a cor das águas de Fernando de Noronha, o canto do sotaque gaúcho, os cabelos crespos, a língua portuguesa, as movimentações do mundo em busca de saúde social.

    Amo-o como amo o mundo, o nosso mundo real e único, com a complicada verdade das pessoas.

    Os arranha-céus de Chicago, os azeites italianos, as formas-cores de Miró, as polifonias pigmeias.

    Suas canções impõem exigências prosódicas que comandam mesmo o valor dos erros criativos.

    Quem disse que sofremos de incompetência cósmica estava certo: disparava a inevitabilidade da virada.

    O samba nos cinejornais de futebol do Canal 100, Antônio Brasileiro, o Bruxo de Juazeiro, Vinicius, Clarice, Oscar, Rosa,

    Pelé, Tostão, Cabral, tudo o que representou reviravolta para nossa geração foi captado por Chico e transformado em coloquialismo sem esforço.

    Vimos melhor e com mais calma o quanto já tínhamos Noel, Haroldo Barbosa, Caymmi, Wilson Batista, Ary, Sinhô, Herivelto.

    A Revolução Cubana, as pontes de Paris, o cosmopolitismo de Berlim, o requinte e a brutalidade de diversas zonas do continente africano, as consequências de Mao. Chico está em tudo.

    Tudo está na dicção límpida de Chico.

    Quando o mundo se apaixonar totalmente pelo que ele faz, terá finalmente visto o Brasil.

    Sem o amor que eu e alguns alardeamos à nossa raiz lusitana, ele faz muito mais por ela (e pelo que a ela se agrega) do que todos nós juntos.”

     

     

     

     

  • Mais vozes das artes se levantam contra o golpe

    Mais e mais personalidades assumem posições em defesa do Estado Democrático de Direito e da ordem constitucional. Artistas, jornalistas e juristas atacam o clima de ódio perpetrado pelos barões da mídia, como estratégia para facilitar o golpe midiático-jurídico.

    Caetano Veloso

    Na gravação do programa “Altas Horas”, da rede Golpe de televisão (ex-Globo), Caetano Veloso fez duras críticas ás manifestações do dia 13 de março. “A manifestação, para mim, não foi suficientemente diferente da passeata da Família com Deus, que apoiou o golpe de 64″, disse.

    O compositor reafirmou a defesa da democracia e disse desconfiar da elite que critica os programas de combate à desigualdade.

    “Não temos uma ditadura, mas o Brasil é um país desumanamente desigual e toda movimentação no sentido dessa tentativa de diminuir a desigualdade enfrenta a oposição da elite. Eu desconfio”.

    Atente para o que diz Caetano Veloso:

     

    Elza Soares

    A “cantora do milênio”, Elza Soares, afirmou que quer “paz e democracia”. Ao firmar sua convicção, disse que “o meu partido é o povo. Este povo brasileiro que luta, que puxa. Vamos à luta minha gente”.

    Assista a TV nas Ruas que mostra o movimento Hip Hop contra o golpe:

     

    Juca Kfouri

    Em seu blog o jornalista esportivo, Juca Kfouri postou que “o problema de Lula a Casa Civil não resolveu. E o maior problema de Lula não é o sítio em Atibaia. Nem o triplex no Guarujá. Que ele garante não serem dele. Nem mesmo o estádio do Corinthians”.

    Para Kfouri, o “maior problema (de Lula) é ter achado que ganhou a Casa Grande. Ilusão. A Casa Grande sempre planejou devolvê-lo à Senzala”.

    Beth Carvalho

    A cantora Beth Carvalho concedeu no fim de semana uma entrevista ao jornal El País onde criticou os rumos da Operação Lava Jato. A intérprete ressaltou não temer “as investigações”, porque “Lula é inocente”. Sobre o golpe ela disse que “a gente vai ganhar essa luta”.

    Gregório Duvivier

    Em ato do Teatro Contra o Golpe, no Rio de Janeiro, nesta segunda-feira (21), o ator Gregório Duvivier atacou a conjuntura que chamou de estado policial.

    "Queria muito que a gente se revoltasse com a condução coercitiva do Lula sim, mas também com a condução coercitiva diária de milhões de brasileiros e com o estado policial em que a gente vive, pois, a gente vive num estado policial", disse.

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    Leandra Leal

    Já a atriz Leandra Leal que na sexta-feira (18) cobrou da Golpenews (antiga Globonews) definiu mais claramente sua posição. “Eu luto pela reforma política. Eu luto pela democracia, pelo respeito e pela convivência em sociedade. Eu nunca estarei de luto pelo meu país, estarei sempre na luta”.

    Marcelo Lavenère

    O advogado e membro da Comissão Brasileira de Justiça e Paz, Marcelo Lavenère, afirmou que “quando se tem uma delação premiada não se tem prova nenhuma do fato que se quer denunciar. Delação premiada não é prova”.

    João Vicente Goulart

    Já o filho do ex-presidente João Goulart, deposto em 1964, João Vicente Goulart, elogiou a postura legalista e de fidelidade à Presidência da República das Forças Armadas e criticou a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo e a mídia pela postura golpista de ambos.

    Para ele, os ataques ao governo Dilma visam esconder o desejo pelo petróleo brasileiro. “É um velho desejo dos entreguistas. Eles querem, de todo jeito, entregar nossas reservas do pré-sal”.

    Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB. Foto: Fernanda Ruy

    Última atualização às 15h30 do dia 28 de março de 2016

  • Mídia apresenta pérolas machistas que ganham repercussão na internet

    Um dos destaques da programação recente ocorreu em episódio do MasterChef Brasil, da Band, na terça-feira (16), em que o apresentador Erick Jacquin levou um “puxão de orelha” da também apresentadora Paola Carosella, ao parabenizar as duas finalistas, dizendo: 

    "Para nós, vocês são as duas cozinheiras mais talentosas que já passaram pelo MasterChef. As duas estão prontas para casar", arrematou Jacquin, crente que estava fazendo um grande elogio.

    Sua colega de apresentação, Carosella, reagiu prontamente: "Por que para casar? Elas estão prontas para comandar um restaurante estrelado". As competidoras disseram preferir a argumentação da chef argentina, radicada no Brasil.

    Assista

    Vídeo analisa a cobertura jornalística sexista das Olimpíadas 

    Com força aparece também na internet o programa “O Grande Mundo do Sexismo”, da Vox, nos Estados Unidos. Nele a apresentadora denuncia atitudes sexistas na cobertura jornalística das Olimpíadas Rio 2016.

    Ela cita o comentário de Adam Kreek, da CBC, que fez críticas à jogadora de tênis canadense Eugenie Bouchard, por ela postar selfies com uma marca de pasta de dente nas mãos. “Talvez ela queira algo mais do quer ser uma competidora”, afirma.

    Mas os comentários só pioram. Ao noticiar a vitória da nadadora húngara, que quebrou o recorde mundial de sua categoria, outro apresentador diz: "Este é o homem responsável por fazer Katink Hosszú, sua esposa, uma nadadora diferenciada”.

    Nada igualável à manchete do jornal norte-americano "Chicago Tribune", ao noticiar a vitória de uma atleta: “Esposa de um jogador do Bears ganha uma medalha de bronze nas Olimpíadas do Rio hoje”. Dispensa comentários.

    Rusga ao vivo na Globo entre Cris Dias e William Waak  

    Durante um giro pelos resultados das competições da Rio 2016, na madrugada desta quinta-feira (18), foi ao ar um entrevero entre os apresentadores Cris Dias e William Waak. Ela disse hoje ele meu deu um oi e continuou: “vamos falar de vôlei”.

    O jornalista não se conteve e falou em tom agressivo com ela, quando ela perguntou: “você quer continuar?” e ele teve que se conter, visivelmente contrariado.

    A atitude da jornalista viralizou na internet, ganhando solidariedade de internautas. Já que Waak já havia ocorrido em falta com a cantora Anita. Justamente onde começou a rusga entre ele e a sua colega Dias.

    Ela começou perguntando para a Anita sobre a apresentação dela com Caetano Veloso e Gilberto Gil no final da abertura da Rio 2016. Waak disse “eu ia fazer a primeira pergunta, mas tudo bem continue”, e a apresentadora respondeu “é que eu também estou eufórica e emocionada”.

    Grosseria com Anita 

    A partir daí o jornalista foi um preconceito só em relação à Anita. Perguntou, inclusive, se ela estava com medo de rasgar o vestido no palco, porque não estava dançando como faz em outras apresentações suas.

    Ela respondeu que não. Ele insistiu, dizendo que cresceu ouvindo Caetano e Gil ao que ela respondeu que ela também. 

    Portal CTB

  • Milhares de foliões vão ao delírio com o hit "Fora Temer", maior sucesso do carnaval 2017. Assista!

    Foliões acompanham a banda BaianaSystem no "Fora Temer", neste sábado (25), em Salvador

    O vocalista da banda BaianaSystem, Russo Passapusso, levou milhares de foliões ao delírio nesta noite de carnaval em Salvador, Bahia. O cantor começou com as palavras de ordem “Golpistas, machistas não passarão". Disse também "Fascistas, machistas" e os foliões responderam “não passarão”. Culminou com o hit deste carnaval "Fora Temer".

    Sinta a emoção do “Fora Temer” da banda System 

    Ainda neste sábado (25), Caetano Veloso deu uma canja no trio onde se apresentaria o seu amigo e parceiro de tropicalismo Gilberto Gil. Caetano se apresentou com seu filho Moreno, que acompanha Gil e ao cantar “Alegria, Alegria”, puxou um “Fora Temer”.

    Confira apresentação de Caetano Veloso 

    A Central dos trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil no Rio Grande do Sul (CTB-RS) fez uma paródia da bela marchinha “A jardineira”, de Benedito Lacerda e Humberto Porto. “Ó professor por que estás tão triste?/Mas o que foi que te aconteceu?/Fora Temer que num ato falho/Quer uma reforma – Aposentar? Nem eu!”, diz trecho da letra dos cetebistas gaúchos.

    Assista o clipe da paródia gaúcha de “A Jardineira” 

    O bloco Sai na Marra, levou para as ruas de Fortaleza a marchinha “Fora Temer”, de Maurício Lima, Alexandre Sousa e Flávio Arruda.

    Acompanhe uma apresentação do bloco no pré-carnaval da capital cearense 

    O grupo Ocupa carnaval gravou a sua paródia da marchinha “Me dá um dinheiro aí”, de Ivan Ferreira, Ferreira e Glauco Ferreira. Gregório Duvivier e sua trupe cantam: "Ei, você aí. O Temer vai cair. O Temer vai cair. É golpista, é ladrão. Ele jamais ganharia a eleição. Ele é vampiro de capa de gibi. O Temer, Temer, Temer. O Temer vai cair".

    Assista o grupo Ocupa carnaval 

    Milhares de foliões gritam “Fora Temer” nas ruas de São Paulo. Veja abaixo.

    No Rio de janeiro, os foliões não perdoam e o hit “Fora Temer” é um sucesso na avenida, confira a seguir. 

    O rapper mineiro Flávio Renegado não deixa por menos, viraliza na internet com o clipe da marchinha “Solta o cano”, de Vítor Velloso e Marcos Frederico, não grita “Fora Temer”, mas faz crítica ácida ao Judiciário e às elites porque “solta o cano que não cai”. Dispensa comentário.

    Assista a bela atuação de Flávio Renegado 

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy. Foto: Rede Brasil Atual

  • Morre neste sábado (21), Nelson Pereira dos Santos, um dos grandes cineastas brasileiros

    Nelson Pereira dos Santos morreu neste sábado (21), no Rio de Janeiro, por múltipla falência dos órgãos, aos 89 anos. Como um dos gigantes do Cinema Novo (movimento que revolucionou a cinematografia brasileira mergulhando na alma da nação), Santos deixa um legado fundamental de obras primas para a compreensão do país no qual o Brasil se transformou.

    “O Nelson inventou uma maneira de fazer cinema no Brasil, todo o cinema moderno foi inventado por ele. Ele foi o primeiro a filmar a favela como um tema nobre, foi o primeiro a fazer cenas na rua como a gente precisava conhecer o Brasil. Ele inventou um cinema para o país e o país coube dentro do cinema dele”, diz Cacá Diegues, outro grande nome que despontou no Cinema Novo.

    Assista Rio 40 Graus completo

    Nelson Pereira dos Santos nasceu no dia 22 de outubro de 1928, em São Paulo. Foi diretor de cinema, produtor, roteirista, montador, ator e professor da Universidade Federal Fluminense, de cujo curso de graduação em cinema foi fundador.

    Em 2006, se tornou o primeiro roteirista cinematográfico a ocupar cadeira na Academia Brasileira de Letras (ABL).

    Levou para o cinema um Brasil esquecido dos setores elitistas e em 1955 já mostrava a dureza da vida na favela sem romantismo em “Rio 40 Graus”. A mesma preocupação com as questões sociais, mas desta vez no meio rural apresentou na filmagem de “Vidas Secas”, em 1963, adaptação perfeita de obra homônima de outro gigante, o escritor alagoano Graciliano Ramos.

    “Rio 40 Graus” foi tão fiel à realidade e de maneira tão sublime reflete as agruras de um sistema injusto e excludente, que a ditadura fascista (1964-1985) o censurou.

    O cineasta deixa um acervo cinematográfico impressionante. Além das duas obras primas acima citadas, adaptou “Memórias do Cárcere” (1984) - também de Graciliano Ramos -, dirigiu “Rio Zona Norte” (1957), “Como Era Gostoso o Meu Francês” (1971), “Tenda dos Milagres” (1977), adaptação de obra do baiano Jorge Amado), "Azyllo Muito Louco” (1970), “Brasília 18%” (2006), entre outros grandes filmes.

    Sua obra é tão essencial que Caetano Veloso diz que antes dele “tínhamos chanchadas e Vera Cruz: sucesso da bagunça e esforço de respeitabilidade” aí “Rio 40 Graus”, para o compositor baiano, “abriu uma espaço diferente. Tínhamos força própria. A voz do morro ecoa ainda hoje o que significou aquilo”.

    Sinta a aridez de alma causada pelo latifúndio em Vidas Secas 

    Suas últimas obras foram os documentários sobre o “maestro soberano” da música popular brasileira, Tom Jobim. Os documentários “A Música Segundo Tom Jobim” e “A Luz do Tom”. Um gigante falando de outro enchem nossos olhos de alegria e reflexão. 

    Encante-se com A Música Segundo Tom Jobim 

    A morte de uma pessoa da grandeza de Nelson Pereira dos Santos entristece qualquer um que ame o país e valorize a cultura. O cineasta é um imortal não por pertencer à ABL, mas por sua obra de grande valor para se pensar o presente e construir um futuro melhor.

    Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB

  • MPB em festa: o vigor de Maria Bethânia e o ecletismo de Hermeto Pascoal fazem aniversário

    Os dois singulares artistas da música popular brasileira aniversariam no mês das festas juninas. E não por acaso, são nordestinos.

    A baiana Maria Bethânia completou 70 anos no sábado (18) e o alagoano Hermeto Pascoal fez 80 anos na quarta-feira (22). O Portal CTB homenageia os grandes talentos da música popular.

    Bethânia se impôs com sua voz imponente e afinada como uma das maiores cantoras da MPB de todos os tempos. Iniciou carreira profissional em 1965, substituindo ninguém menos do que Nara Leão (1942-1989) no importantíssimo show “Opinião”, que atacava a ditadura (1964-1985).

    Maria Bethânia 70 anos - Reconvexo

     

    Maria Bethânia 70 anos - Nossos Momentos

     

    A cantora conseguiu impingir sua marca na MPB com independência do irmão famoso Caetano Veloso. Ele disse em homenagem a ela que “Bethânia, grande orgulho da minha vida, grande divindade da nossa música e dos palcos”.

    Considerada a maior cantora do Brasil por Roberto Carlos, em 2008, Bethânia gravou um disco com canções do cantor capixaba. Em 51 anos de carreira conta com 34 discos gravados em estúdio e 15 álbuns ao vivo que somam mais de 26 milhões de cópias vendidas.

    No ano passado, ela foi a homenageada pela Estação Primeira de Mangueira, que venceu o desfile de escolas de samba do Rio de Janeiro. Desfilaram em sua homenagem artistas como Caetano Veloso e Chico Buarque.

    Viu de perto o preconceito vigente no país, quando internautas questionaram os cabelos da nossa “abelha rainha”, que tirou de letra e se manteve incólume como sempre agiu em relação inclusive ao seu trabalho. Sem ceder a modismos construiu uma carreia sólida, apenas pelo talento.

    Brilharam em sua voz canções dos diferentes estilos entre os maiores nomes da MPB. Entre eles o irmão Caetano, Chico Buarque, Gilberto Gil, João do Valle, Raul Seixas, Gonzaguinha e o pai Gonzagão, Tom Jobim, Vinicius de Moraes, entre muitos outros.

    Em uma entrevista à revista Playboy, em 1996, ela contou a história de uma fã que a procurou após um show e disse a ela: “e agora, o que eu faço com isso tudo? O que eu faço, pelo amor de Deus?”

    Com muita modéstia, a cantora não soube responder. Uma coisa simples de se dizer: “usufrua desse talento e faça de sua vida uma arte”.

    Tão ligada à escrita, Bethânia estreará no domingo (3), às 22h, o programa “Poesia e Prosa com Maria Bethânia”, no canal pago Arte 1.

    Hermeto Pascoal

    hermeto pascoal

    Chamado por muitos de o “bruxo da música”, Hermeto completou 80 anos na quarta-feira (22) em plena atividade. Em recente entrevista ao jornal “O Povo”, do Ceará, ele diz que “a música, pra mim, sem exagero nenhum, tá em todos os contextos”.

    E foi assim que construiu sua carreira. Segundo ele, iniciou-se na música no dia de seu nascimento, portanto teria 80 anos de carreira. Porque acredita que carrega dentro de si todos os “sons da natureza”. E pelo seu trabalho isso se confirma.

    Hermeto se reconhece como um autodidata, mas conta que foi estudar teoria musical por volta dos 40 anos. “Aprendi com a vida, com as deduções minhas, com a minha intuição”, conclui.

    A música livre de Hermeto Pascoal

     

    Em 1966 formou o grupo Quarteto Novo com Heraldo do Monte, Théo de Barros e Airto Moreira. O grupo participou de diversos festivais da época, se destacando pela inovação. Com o destaque do grupo e de sua performance harmônica, viajou aos Estados Unidos, onde gravou com Miles Daves.

    O seu experimentalismo sem precedente na MPB e no mundo, o levou a compor uma música por dia de 23 de junho de 1996 a 22 de junho de 1997, para integrar o “Calendário do Som”, lançado em 1999 pela Editora Senac-SP.

    Hermeto Pascoal parece ver e sentir música em tudo e mostra isso em seus trabalhos e performances. Um músico para ser celebrado pelos brasileiros por expressar a alma do país com limpidez. Só falta agora tirar música do silêncio, mas um dia ele consegue.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

  • O brilhantismo de Caetano Veloso de graça no Largo da Batata neste domingo (10), em São Paulo

    Sabe aquele show de Caetano Veloso que a juíza Ida Inês Del Cid proibiu no dia 30 de outubro na Ocupação Povo Sem Medo, em São Bernardo, no ABC Paulista, devido ao "brilhantismo" do cantor e compositor baiano, vai ocorrer neste domingo (10), às 14h, no Largo da Batata, em São Paulo.

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    Caetano Veloso é proibido de cantar, mas apoia o movimento pelo direito humano de moradia

    O Quereres, Caetano Veloso 

    O show comemora os 20 anos de existência do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto e terá espetáculos também de Criolo, Maria Gadú, Péricles, entre outros. No dia em que foi censurado, Caetano Veloso disse que em tempos de democracia era a primeira vez em que era proibido de cantar e afirmou que nestes tempos obscuros “mais do que nunca é preciso cantar”, lembrando versos de Vinicius de Moraes.

    Não Existe Amor em SP, Criolo 

    Os artistas vêm tomando posições de resistência à ditadura imposta a partir de agosto de 2016 e que vem fazendo estragos na vida nacional, censurando as artes e cortando conquistas históricas. A presença nesse show é um ato de rebeldia.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

  • O que é felicidade?

    Cena do filme "A economia da felicidade", de Helena Nordberg-Hodge (Divulgação)

    Tom Jobim canta em “Wave” o que “os olhos já não podem ver, coisas que só o coração pode entender”, porque “fundamental é mesmo o amor e é impossível ser feliz sozinho”. Decantada em prosa e verso, a questão da felicidade aflige a humanidade há milênios.

    Por isso, o Portal CTB, aproveitando a virada de ano, resolveu dialogar sobre o tema. A questão é tão fundamental que a deputada estadual gaúcha Manuela D’Ávila (PCdoB) apresentou um projeto à Câmara dos Deputados, quando ainda era deputada federal para que a República garanta vida boa aos brasileiros, possibilitando-lhes a chance de serem felizes.

    Nesta semana, a britânica BBC entrevistou Robert Waldinger, da Universidade Harvard, nos Estados Unidos, diretor de um estudo que retoma a discussão sobre o que pode trazer felicidade aos seres humanos.

    O “Estudo sobre o Desenvolvimento Adulto” ocorre desde 1938 e Waldinger, que também é sacerdote zen-budista, afirma à BBC que "o fundamental, que ouvimos uma vez ou outra, é que o importante para nos mantermos felizes e saudáveis ao longo da vida, é a qualidade dos nossos relacionamentos".

    "Uma relação de qualidade é uma relação em que você se sente seguro, em que você pode ser você mesmo. Claro que nenhum relacionamento é perfeito, mas essas são qualidades que fazem com que a gente floresça", complementa Waldinger.

    Wave, de Tom Jobim (interpretação de Caetano Veloso e Roberto Carlos) 

    Mas há quem diga que “dinheiro não traz felicidade, manda comprar”. Ditado do qual discorda a sindicalista de Porto Alegre, Adriana Jota. “No capitalismo as pessoas necessitam de ter coisas para serem felizes e isso as torna infelizes, porque sempre querem ter mais”.

    Para o presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Adilson Araújo, “a dignidade humana está sob ameaça. Não tenho dúvidas de que a felicidade maior do ser humano é ter seu emprego, seu salário digno para poder honrar os seus compromissos”.

    O sindicalista cita ainda a canção “Um homem também chora (Guerreiro menino)”, de Gonzaguinha, alguns de seus versos dizem que: “Um homem se humilha/Se castram seu sonho/Seu sonho é sua vida/E vida é trabalho/E sem o seu trabalho/O homem não tem honra/E sem a sua honra/Se morre, se mata/Não dá pra ser feliz”.

    De acordo com Araújo a classe trabalhadora vai ao paraíso se tiver a “sua casa, a garantia de uma boa educação para seus filhos, proporcionando-lhes possibilidades de um futuro melhor”. Porém, diz ele, “infelizmente, o governo ilegítimo do Temer (Michel) está propenso a aniquilar com os direitos sociais e trabalhistas, impedindo a possibilidade da felicidade”.

    Desde a Grécia antiga o conceito de felicidade vem gerando controvérsias. Em pleno século 21, no capitalismo a felicidade atrela-se à questão de se possuir bens materiais.

    A secretária da Mulher do Sindicato dos Trabalhadores em Telecomunicações do Estado da Bahia, Tereza Bandeira discorda. Para ela, uma pessoa só pode ser feliz se houver “a erradicação de todo e qualquer tipo de discriminação e de diferença social”.

    Um homem também chora (Guerreiro menino), de Gonzaguinha (interpretação de Fagner) 

    Em acordo com Bandeira, a presidenta da CTB-AM, Isis Tavares afirma que “a socialização dos meios de produção com igualdade de gênero” é que trarão a felicidade à humanidade. Ela acentua ainda que “o avanço tecnológico deve nos permitir viver mais com a família, com os amigos e amigas e aproveitar mais o tempo ocioso com cultura e lazer”.

    Para a estudante paranaense Ana Júlia Ribeiro, de 16 anos, pequenos atos de generosidade podem deixar as pessoas mais felizes. Ela conta que andando pelo centro de Curitiba foi abordada por uma pessoa vendendo bijuterias.

    Ela gostou de uma pulseira que custava R$ 25, mas só tinha R$ 3. “Eu quis dar o dinheiro que tinha a ele, que estava trabalhando para custear viagem à Florianópolis. Ele então me deu a pulseira, porque dinheiro não é tudo na vida, me disse”. Ela garante que isso a deixou feliz.

    Mas no mundo do capital, “a felicidade custa porque neste sistema só é valorizado quem tem bens”, afirma Sandreia Barroso, secretária da mulher da CTB-PI. Inaceitável para ela é “passar por cima dos outros para se dar bem, seja no mercado de trabalho ou na vida”.

    Complementando a proposta de Barroso, a secretária da Mulher da CTB-SP, Gicélia Bittencourt acredita que a felicidade “é estar com saúde ao lado de quem se ama e é amada”. Fundamental ainda, diz ela, é ter condições de “andar sem medo pelas ruas, ter estabilidade econômica e todas as pessoas poderem viver bem em todos os sentidos”.

    Rosa Pacheco, dirigente da CTB-PR Educação concorda e garante que a felicidade também está relacionada ao sucesso no trabalho. “Como professora me sinto muito feliz ao ver meus alunos e alunas crescerem como pessoas capazes de traçar o seu próprio caminho com liberdade, generosidade e solidariedade”, ressalta Pacheco.

    O pensador prussiano Immanuel Kant (1724 a 1804), a questão da felicidade fica no âmbito do prazer e do desejo. Graças ao pensamento de Kant, a felicidade se tornou “direito do homem”.

    Mais do que isso, Milton Nascimento e Fernando Brant traduzem os sentimentos dos trabalhadores e trabalhadoras na bela "Coração civil", onde cantam "quero a felicidade nos olhos de um pai/quero a alegria muita gente feliz/quero que a justiça reine no meu país/quero a liberdade, quero o vinho e o pão/quero a cidade sempre ensolarada/o povo e os meninos no poder eu quero ver” (assista abaixo).

     

    “Seguramente, certa dose de sossego e de reflexão tranqüila é necessária apenas para compreendermos o que a felicidade significa, mas a atividade de tornar-se feliz é do tipo que nos liga ao mundo”, diz o professor e estudioso Richard Schoch.

    Para ele, “encontrar a felicidade significa não desprezar o mundo, porém criar um mundo melhor”. Porque “nascemos para ser felizes, já que a felicidade é a perfeição da nossa existência”.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

  • O samba completa 100 anos cantando a alma do Brasil

    Neste ano, comemora-se o centenário do gênero musical com maior prestígio em todo o território nacional: o samba. É consenso entre os historiadores de que este ritmo genuinamente brasileiro nasceu com os escravos e se firmou no início do século 20, no Rio de Janeiro, então capital federal, para onde migraram milhares de negros após a Abolição.

    Para o pesquisador de cultura popular Roque de Souza, a criação do samba passa pela necessidade que os negros brasileiros sentiram de “que era a hora de se soltar, de mostrar sua alegria”. “Mesmo perseguidos pela polícia e atingidos em cheio pelo preconceito de uma elite voltada para a Europa, os ex-escravos criaram sua própria cultura, que é a força motriz de nossa cultura popular, para resistir à opressão. Após a Abolição, o que era feito pelo Senhor de escravos passou para as mãos do braço armado do Estado”, complementa.

    A casa mais famosa, onde se reuniam grandes nomes no nosso cancioneiro popular, foi a casa de Tia Ciata. Por lá apareciam para mostrar seus trabalhos Através da história brasileira, a criação e a popularização do samba se confundem com a própria história de nosso povo. Por lá apareciam para mostrar seus trabalhos nomes como Alfredo da Rocha Vianna Filho (Pixinguinha), Ernesto Joaquim Maria dos Santos (Donga), João da Baiana, João Barbosa da Silva (Sinhô) e Heitor dos Prazeres, entre outros bambas da música popular brasileira.

    Pelo Telefone (Donga e Mauro de Almeida) 

    Foi na casa dela que nasceu o primeiro samba registrado, sob a autoria de Donga e Mauro de Almeida, na Biblioteca Nacional, em 6 de novembro de 1916. Na mesma ocasião, registrou-se o próprio termo “samba”. Em disco, o samba só apareceria no ano seguinte, na gravação de “Pelo Telefone”, pelo cantor Baiano.

    A vida do negro, musicada

    O samba nasceu entre meados do século 19 e início do século 20. Entoado pelos negros em rodas de samba e casas de tias, o gênero foi perseguido e ainda hoje é preterido por setores elitistas da sociedade. “Os escravos não podiam ter instrumentos para realizar seus batuques, então começaram a utilizar os pés e as mãos – enfim, o corpo todo – para cantar suas dores e alegrias. Cantando e dançando, assim nasceu o samba de roda na Bahia, ainda no século 19”, diz Souza.

    Ele explica que a arte adquiriu um caráter descritivo da vivência desses pioneiros. Diversos compositores cantavam o sofrimento dos negros libertos e marginalizados no processo de Abolição no início do século 20. “Até ‘Pelo Telefone’ falava da intimidade entre a polícia e os cassinos ilegais no país”, conta.

    “Como tudo o que está relacionado à população negra e à nossa cultura, o samba foi muito perseguido e discriminado ao longo de sua história”, explica a cantora e compositora Leci Brandão. “O mesmo aconteceu com o candomblé, com a capoeira e com todas as manifestações de origem negra em nosso país. Apesar de ter havido mudanças, a discriminação contra o nosso povo continua e com a nossa cultura também”.

    Cabide Molambo (João da Baiana) 

    De acordo com Leci, “o samba, para ser aceito, teve que passar por um longo processo. Muitas vezes se moldou para cair no gosto das grandes gravadoras e do grande público. Mas o samba das comunidades, por exemplo, está fora da mídia”. Ela ressalta ainda que, “no Brasil, onde a mulher negra é o segmento mais discriminado da população, quando uma mulher negra resolve ser cantora ela enfrenta muitos desafios a mais. Nós vivemos em uma sociedade dominada não só pelo racismo, mas pelo machismo também, no samba não é diferente”.

    Carnaval dá samba

    A popularidade do gênero ganhou as ruas em 1928, com um casamento inédito e duradouro: a união com o carnaval de rua, que tornaria o samba ainda mais popular. Nasceu ali a primeira escola de samba do país, a Deixa Falar, criada pelo grande sambista Ismael Silva. As escolas de samba foram ganhando terreno e os desfiles carnavalescos transformados em verdadeiras “óperas” a céu aberto. Os desfiles monumentais se destacam com a entrada em cena do carnavalesco Joãosinho Trinta, nos anos 1970, com grandiosos carros alegóricos E a introdução de celebridades nos desfiles.

    “Virou uma verdadeira indústria, que atrai milhões de turistas todos os anos”, diz Souza. “Mas isso deveria ser pensado o ano inteiro, com as escolas fazendo investimentos em formação, fortalecendo a cultura, com cursos sobre como fazer um enredo, por exemplo”, reforça. “É muito importante para o país criar cultura através da música, e o carnaval pode servir bem para essa importante missão”.

    É hoje (samba enredo da escola de samba União da Ilha do Governador) 

    Música e identidade

    Com a Revolução de 1930, liderada por Getúlio Vargas, veio a necessidade de criação de uma identidade nacional. Num tempo em que não havia televisão e muito menos internet, o veículo de maior penetração era o rádio. “A força desse novo veículo e a popularidade do samba fizeram com que Getúlio utilizasse ambos de forma muito eficaz”, diz Souza.

    Nas décadas de 1930 e 1940, surgiram grandes nomes do samba, que transformaram o gênero e o espalharam pelo Brasil com os variados sotaques nacionais. Pixinguinha, que vinha do chorinho, flertou com o samba. Junto com ele, vieram Ataulfo Alves, Heitor dos Prazeres, Ismael Silva, Wilson Batista, Sinhô, entre muitos outros.

    Getúlio liberou a capoeira e a prática de religiões de origem africana e, com isso, foi criando um ambiente propício à solidificação de nossa formação nacional. Nesse tempo, o Brasil ainda era eminentemente rural, mas iniciava um processo de urbanização inevitável com o processo de industrialização que engatinhava.

    Os temas urbanos começavam a cair no samba, principalmente nas lindas composições de Noel Rosa. “Ele era um estudante de medicina branco que subiu o morro e bebeu na matriz da fonte dos negros. Tornou-se, apesar de ter vivido apenas 26 anos, um dos maiores nomes do nosso cancioneiro popular”, conta Souza.

    Ele explica também que Ary Barroso foi nome fundamental na chamada Era do Rádio, comandando programas radiofônicos e compondo canções ufanistas como “Aquarela do Brasil”. Ela viria a se tornar praticamente um hino. Além de Ary, ganhavam destaque João de Barro (Braguinha), Agenor de Oliveira (Cartola), Nelson Cavaquinho, Clementina de Jesus, Elizeth Cardoso, Dona Ivone Lara, Jovelina Pérola Negra, Beth Carvalho, Clara Nunes e muitos outros.

    Aquarela do Brasil (Ary Barroso) 

    O lugar merecido

    Em 1963, a crescente penetração do samba na cultura nacional levou o governo do então presidente João Goulart a estabelecer o Dia Nacional do Samba, instituído em 2 de dezembro justamente para homenagear Ary Barroso.
    Como o Brasil é um verdadeiro continente, o gênero ganhou projeção sob sotaques diferentes. Compositores como Dorival Caymmi, Batatinha e Riachão se destacaram na Bahia; Lupicínio Rodrigues, no Rio Grande do Sul; Adoniran Barbosa, Paulo Vanzolini e Geraldo Filme em São Paulo. O ritmo ganhou penetração popular e notoriedade, mas não conquistou as páginas da mídia comercial e muito menos dos setores da elite, que ainda o vê como expressão cultural inferior justamente por sua origem popular e a sua matriz africana.

    Nomes como Martinho da Vila, sua filha Mart’nália, Paulinho da Viola, Elton Medeiros, João Nogueira, Silas de Oliveira e Wilson Moreira lentamente integraram os imortais do gênero. Souza realça a figura de Paulo da Portela, compositor carioca, como um dos nomes mais emblemáticos do samba, pela capacidade de “sistematização do ritmo”. Citou também o Zicartola, bar de Cartola e sua companheira Zica, como importante ponto de encontro de grandes músicos.

    Com o desenvolvimento da arte, foram surgindo os sotaques regionais nas batidas do ritmo em cada unidade da federação nacional. A arte influenciou também o principal movimento de renovação da música popular brasileira, a bossa nova. “Vinicius de Moraes, Tom Jobim e outros também subiram o morro para beber na fonte da cultura popular e criar um ritmo novo genial, com uma nova maneira de tocar e cantar com João Gilberto”, contou o estudioso. “A bossa nova, influenciada pelo jazz e pelo samba, projetou o Brasil lá fora e passou a influenciar o jazz, com o novo som feito por Tom Jobim”.

    Na década de 60, vieram os festivais e surgiram Candeia, Sérgio Ricardo, Geraldo Vandré, Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Milton Nascimento, Paulinho da Viola, Gonzaguinha, muito influenciados pela bossa nova e pelo samba de raiz. Por causa desses novos músicos, surgiu o gênero MPB. “Não sabiam como classificar a música deles”. Mas “uma coisa é certa”, disse, “todos foram influenciados pelo samba”.

    Vai Passar (Chico Buarque e Francis Hime) 

    A origem da palavra samba A palavra “samba” é de origem africana. Seu primeiro registro no Brasil remonta ao ano de 1838, na revista “O Carapuceiro”, de Pernambuco. No entanto, ainda não existe um consenso entre os historiadores sobre suas possíveis origens. Segundo o pesquisador Nei Lopes, seria da etnia quioco, na qual samba significa brincar, divertir-se como cabrito. Há quem diga que vem do quimbundo “semba”, com o significado de “umbigo” ou oração”. Para os povos bantos, a música era um elemento religioso e a umbigada se referia a danças sagradas, uma espécie de ritual de fertilidade e conexão com as forças do universo.

    Portal CTB - Marcos Aurélio Ruy - (Texto publicado originalmente na revista Rebele-se número 2)

     

  • Portal CTB seleciona canções da diversidade, da vida, da alegria e do movimento popular

    A música popular brasileira sempre se concatenou com o tempo presente e previu o futuro de paz, alegria, justiça e igualdade. Por isso, a imensa maioria dos artistas da MPB estão contra o golpe, em defesa da democracia, da Nação e do povo brasileiro.

    Notícias do Brasil (Fernando Brant e Milton Nascimento)

     

    A Boa notícia é a unidade das forças democráticas, estudantes, classe trabalhadora, artistas e intelectuais nas ruas e nas redes contra o golpe da direita.

     Pra Não Dizer que Não Falei das Flores (Geraldo Vandré, com Charlie Brown Jr.)

    Respeitando as diferenças, todos juntos contra o ódio, a violência e a discriminação.

    Desesperar Jamais (Ivan Lins e Vitor Martins)

    Com a paciência de quem sabe que a unidade popular planta o presente e colhe o futuro.

    Canto de um Povo de um Lugar (Caetano Veloso, com Pena Branca e Xavantinho)

     

    Sem medo de ser feliz, cantando, dançando, se divertindo, mas com a certeza na frente e a história na mão.

    Refavela (Gilberto Gil)

     

    Combatendo as desigualdades e construindo uma Nação mais justa, humana e alegre, como alegre é o povo brasileiro.

    Apesar de Você (Chico Buarque)

     

    Vencendo todos os muros, transpondo as barreiras, construindo o amor, a paz, a justiça.

    O Morro Mandou Avisar (Tico Santa Cruz e Flávio Renegado)

     

    As periferias se levantam e cantam e defendem seus direitos e suas vontades, agora como protagonistas da história.

    Vai Passar (Chico Buarque e Francis Hime)

     

    A tristeza e a obscuridade serão vencidas e "cada palalelepípedo da velha cidade vai se arrepiar"

    Pro Dia Nascer Feliz (Cazuza e Frejat)

     

    E o dia vai nascer feliz, a Nação mais livre, mais forte e trabalhadores e trabalhadoras sempre juntos nas ruas para vencer o desamor e o egoísmo.

    Portal CTB - Marcos Aurélio Ruy

  • Todo mundo pela democracia no show "Rio pelas Diretas Já!" na praia de Copacabana neste domingo

    "Este movimento não é de direita nem de esquerda. É um movimento pela democracia". diz o ator Wagner Moura. Porque "nossa crise é uma crise de legitimidade", complementa.

    O movimento Rio pelas Diretas Já! realiza um grande show na praia de Copacabana, na Cidade Maravilhosa, neste domingo (28), a partir das 11h da manhã. Já está na “hora de escolhermos o nosso caminho para decidir o futuro do país”, diz parte do texto na página do Facebook do evento.

    Vaca profana, de Caetano Veloso que canta com Maria Gadu 

    A secretária da Mulher Trabalhadora da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil no Rio de Janeiro (CTB-RJ), Kátia Branco, defende a participação de todo o movimento social e político nas Diretas Já!. "Estamos com os artistas nessa campanha para a criação de uma frente ampla com objetivo de colocar o Brasil no trilho do desenvolvimento, da liberdade e da criação de empregos". acentua.

    Confirme sua presença aqui.

    Organizado pelas frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, o show une diferentes talentos da rica MPB. Caetano Veloso, Criolo, Mano Brown (dos Racionais MC’s), Teresa Cristina, Maria Gadu, Mart’nália, Pretinho da Serrinha e o Cordão do Bola Preta garante uma grande festa.

    A convocação vem sendo feito através de inúmeros vídeos por outros artistas como Emanuelle Araújo, Adriana Esteves, Vladimir Brichta, Wagner Moura, Tico Santa Cruz, Fábio Assunção, Lúcio Mauro Filho, entre outros. 

    O meu mundo é hoje, de José Batista e Wilson Batista. Canta Teresa Cristina 

    A grande preocupação do movimento sindical, movimentos sociais, estudantes e partidos progressistas é a possibilidade de o Congresso Nacional eleger o próximo presidente para um mandato tampão de forma indireta, com consequências imprevisíveis na crise brasileira.

    Veja vídeo da TVT convocando para o Rio pelas Diretas Já!

     

    Por isso, “vamos pra rua defender o nosso direito de votar e arrumar essa bagunça desse governo que pirou este país”, diz a atriz Emanuelle Araújo ao convocar para o evento. O ator Gregório Duvivier anuncia: “primeiramente fora Temer, segundamente Diretas Já. Se a gente empurrar o Temer cai”. 

    Não é a primeira vez que os artistas tomam posições políticas no país. No movimento por eleições diretas para a Presidência da República, de 1984, depois de mais de 20 anos sem eleições, muitos artistas viajaram o país em campanha por Diretas Já. Milhões foram às ruas.

    Espiral de ilusão, de Criolo 

    Já para o também ator Lúcio Mauro Filho, o movimento em defesa de eleições diretas para presidente é a melhor maneira de unir a nação. “Diretas Já, porque estamos falando de Brasil". Enquanto Fábio Assunção defende a renúncia de Temer e avisa que “nós é que não vamos renunciar. Diretas já”. Criolo canta para Temer "como você dorme com isso, como você dorme tranquilo" no samba "Espiral de ilusão". Recado dado.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

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