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Qua, Jun

CartaCapital

  • Em entrevsita para a CartaCapital e o El País, o curador Gabriel Pérez-Barreiro afirma que Bienal de São Paulo compensará os "esquecidos" da arte latina em uma edição sem temática, com a proposta de "aceitar a diversidade". Além disso, será uma mostra "anti-Facebook"

    Convidado pela Fundação Bienal de São Paulo para desenvolver o projeto da 33ª edição, o curador espanhol (radicado em Nova York) Gabriel Pérez-Barreiro anunciou esta tarde 12 projetos individuais que integrarão a mais importante mostra de artes da América Latina, uma das maiores do mundo.

    A 33ª Bienal, que tem o tema Afinidades afetivas (título inspirado pelo romance de Goethe, Afinidades eletivas, de 1809), será realizada em pleno ambiente eleitoral, em 4 de setembro deste ano.

    Em momento de conflagração política no Brasil, Pérez-Barreiro diz que o tema da bienal tem a ver “justamente com a possibilidade de se aceitar a diversidade”, e que a função da mostra não é definir a superação das coisas, dizer que algo morreu e outra coisa surgiu em seu lugar, mas abrir espaço para diferentes sensibilidades.

    Segundo ele, o momento é de perigo para essa capacidade de se olhar e compreender coisas diferentes em sua complexidade, de aceitar o olhar da diferença.

    “Qual foi a conquista de (Donald) Trump?”, perguntou Pérez-Barreiro. “Foi reter e manipular nossa atenção o tempo todo. O Facebook captou isso, faz com que nós trabalhemos de graça dedicando nosso tempo e atenção e vendendo essa atenção. Às vezes, temos de tomar certa distância para enxergar melhor, senão estamos contribuindo ao contrário ao debate público”, afirma.

    A Bienal tem essa responsabilidade, ele analisa, de ativar o pensamento crítico. O curador criticou duramente o Facebook. “É incrível, as pessoas se dispõem a vender ali horas do seu tempo, para depois essa atenção ser revendida. E isso leva a maior intolerância”.

    O espaço público da bienal, considerou, acaba se consistindo num “antiFacebook”, no sentido de ser uma experiência para ativar o olhar, de não se prestar a ser um produto.

    cartaz desenhado por raul loureiro para a 33c2aa bienal de sc3a3o paulo c2a9 arp jean autvis brasil 2017

    O retrato importante de uma América Latina esquecida

    Em 1987, alguns catadores de sucata entraram em um hospital abandonado de Goiânia, no Centro-Oeste do Brasil, e furtaram algo com jeito de ter valor: uma cápsula que estava cheia de material radioativo e que eles abriram e carregaram por toda a cidade, na época com 1,3 milhão de habitantes. Pelo que se soube, 130.000 pessoas se aglomeraram em prontos-socorros. Delas, 250 tinham resíduos nucleares na pele. Mortos houve quatro: a mulher, a sobrinha e dois empregados de um dos ladrões (que faleceria sete anos depois, do alcoolismo no qual mergulhou pela depressão após as mortes). E artistas que retrataram aquele lamentável drama houve um: Siron Franco, que realizou uma série sobre aquilo, Rua 57, e que, segundo o anúncio feito nesta terça-feira, será um dos destaques da Bienal de São Paulo, a mostra de arte mais importante da América Latina.

    “É a Guernica brasileira, guardando todas as proporções”, explica por telefone o curador desta edição, o espanhol Gabriel Pérez-Barreiro. “O incidente de Goiânia é muito importante na história do Brasil e na trajetória de Siron como artista, e falando com pessoas um pouco mais jovens que eu, muitos artistas não o conheciam. Fazia sentido recuperá-lo.”

    Pérez-Barreiro, curador da 33ª Bienal

    Pérez-Barreiro anunciou nesta terça seus planos para a Bienal deste ano, patrocinada pelo Banco Itaú entre outros. Nele, o papel do curador está deliberadamente reduzido em comparação com as edições anteriores. No que depende dele, tenta recuperar a arte latina que em sua opinião caiu em um esquecimento desmerecido. “Poderia trazer grandes estrelas do circuito internacional, mas é preciso pensar no que a Bienal contribui para o mundo. Não faço nenhum favor a ninguém se trouxer um americano famoso, por mais fã que seja deles.” Assim, o outro ponto forte anunciado é uma homenagem a três latinos já mortos: o guatemalteco Aníbal López, o paraguaio Feliciano Centurión e a brasileira Lúcia Nogueira.

    “São três artistas que morreram muito jovens, mas foram importantes nos anos 90: são história recente da arte contemporânea, que costuma ser o ponto cego da região. Ou conhecemos as obras mais distantes ou as próximas”, prossegue Pérez-Barreiro. “Aníbal e Feliciano tinham sua obra em condições muito precárias porque vinham de países sem tradição museológica. Lúcia Nogueira é muito importante no exterior, mas no Brasil nunca viram suas obras. Sabem que existe, mas não tiveram uma boa representação de sua obra.”

    perez barreiro curador da 33 bienal

    O papel de Pérez-Barreiro nesta Bienal chega praticamente até aqui, o que é inédito em uma mostra em que o curador costumava ser o todo-poderoso. A fórmula da Bienal nas últimas décadas tinha sido a de uma grande exposição de obras reunidas por um curador que obedecia a uma temática. Nesta edição a temática é que não há temática, e em vez de uma exposição haverá sete mostras coletivas, organizadas não só por ele, mas por sete artistas. “Nos últimos 20 anos houve uma fossilização no mundo da arte em geral”, explica por telefone Pérez-Barreiro. “Todos os eventos tinham que ter um tema e os conteúdos tinham de ilustrá-lo. A abordagem era mais importante que as obras. Me parece uma experiência exaustiva, vendo o mesmo, escutando o mesmo. Eu queria me perguntar se não haveria outra forma de organizar isto.”

    Daí o "Afinidades Afetivas", que é uma mescla de As Afinidades Eletivas, o romance de Goethe, com a tese de doutorado do crítico brasileiro Mário Pedrosa, Da Natureza Afetiva da Forma na Obra de Arte. Mas só faz referência à relação dos artistas e do público com cada obra individual. Com isso, reuniu sete artistas, respeitando as proporções numéricas: um terço latino, um terço brasileiro e um terço internacional. Ou seja: o espanhol Antonio Ballester Moreno, o uruguaio Alejandro Cesáreo, a argentina Claudia Fontes, a sueca Mamma Andersson, os brasileiros Sofia Borges e Waltercio Caldas e a nigeriana-norte-americana Wura-Natasha Ogunji. “A única diretriz que lhes demos é: trabalhem com total liberdade”, insiste Pérez-Barreiro. “Se escolherem só artistas australianos me parecerá bom”.

    Por isso este ano o tradicional anúncio de artistas que participam da Bienal será feito escalonadamente. Somente se conhece a seleção do curador: além dos quatro artistas já citados, um argentino, Alejandro Corujeira, e sete brasileiros: Bruno Moreschi, Denise Milán, Luiza Crosman, María Laet, Nelson Felix, Tamar Guimarães, Vania Mignone. Todos latinos. "Há 400 bienais no mundo e esta é a segunda. Temos que ter bem claro como vamos contribuir com o mundo”.

    O guatemalteco Aníbal López (1964-2014) e o paraguaio Feliciano Centurión (1962-1996), estão na mostra por duas razões: além da homenagem a sua obra, a tentativa de salvar suas obras, que estão em condições precárias em seus países.

    López, também conhecido por A-153167 (número de sua cédula de identidade), foi um dos precursores da performance em seu país (produziu vídeo, performance, live act e intervenções urbanas, entre outras formas de expressão) e tratou de questões como fronteiras nacionais, culturas indígenas, abusos militares e até do mercado de arte.

    Já Feliciano Centurión, que viveu mais na Argentina, tratou do universo queer, e morreu de complicações decorrentes da AIDS aos 34 anos. Trabalhava com materiais como tecidos e bordados e se reapropriava de lenços e crochês comprados em feiras. Provinha de uma família de bordadeiras.

    A goiana Lucia Nogueira (1950–1998) terá quase uma retrospectiva na bienal, com 25 a 30 obras. “Suas obras são muito poéticas e estranhas”, diz o curador. Ela desenvolveu sua carreira, fundada em esculturas e instalações, na Inglaterra. Segundo a curadoria, suas esculturas e instalações “subvertem o utilitarismo de objetos com um humor sutil, tanto pela associação inusitada entre elementos quanto pelo jogo semântico constantemente presente em seus títulos, criando uma atmosfera de estranheza e poesia”.

    O argentino Alejandro Corujeira, a paulista Denise Milan, a carioca Maria Laet, a paulista Vânia Mignone, o carioca Nelson Felix, o paranaense Bruno Moreschi , a carioca Luiza Crosman, a fluminenseTamar Guimarães tem obras consagradas no Brasil.

    Fonte: Portal Vermelho, com informações do El País e da CartaCapital

  • A inteligência mundial perde uma mente brilhante com a morte do filósofo húngaro István Mészáros, na noite deste domingo (1º), aos 86 anos. Professor emérito da Universidade de Sussex, na Inglaterra, Mészáros nutria simpatia pelo Brasil e foi um dos grandes pensadores marxistas do século 20.

    De família a pobre, cedo teve que trabalhar para ajudar no orçamento doméstico, onde aprendeu sobre a discriminação exploração da mão de obra feminina ao falsificar seu documento para passar por amis velo e ter salário de homem adulto, superior ao de sua mãe.

    Na universidade, trabalhou como assistente de György Lukács, outro grande pensador marxista húngaro. Em sua extensa obra, Mészáros defendeu a importância da educação para a superação dos obstáculos da realidade.

    Foi ativista de uma escola democrática, libertadora e voltada para a maioria. Para ele, a educação é permanente ou deixa de ser educação. Preconizou práticas educacionais para a fomentação de mudanças importantes para a superação do capitalismo.

    Uma grande perda para os tempos sombrios pelos quais o mundo passa, onde a barbárie se sobrepõe à inteligência e à generosidade. Crítico contundente da socialdemocracia europeia, extremamente reformista.

    Em uma entrevista à revista CartaCapital em 2011 disse que "o sistema capitalista, no auge da sua produtividade, é incapaz de satisfazer plenamente as necessidades da população mundial por comida"

    E complementou: "Os países capitalistas avançados são os mais destrutivos. Você chamaria isso de avançado? Não é avançado e em muitos aspectos nos traz de volta à condição da barbárie". Pensamento atual.

    Principais obras:

    Attila Jose e látex moderna (em italiano)

    Marx: a teoria da alienação

    Aspects os Vistora ando Cláss. Consciousness (em inglês)

    A necessidade do controle social

    O conceito de dialética em Lukács

    Neocolonial Identity and Counter-consciousness: Essays in Cultural Decolonisation (com Renato Constantino) (em inglês)

    A obra de Sartre: Busca da liberdade e desafio da História

    Filosofia, ideologia e ciência social

    Produção destrutiva e Estado capitalista

    Poder da ideologia

    Para além do capital

    A Educação para além do Capital

    O Século 21 - Socialismo ou barbárie?

    O desafio e o fardo do tempo histórico: O socialismo no século 21

    Filosofia, ideologia e ciência social: Ensaios de negação e afirmação

    A crise estrutural do capital

    Atualidade histórica da ofensiva socialista: Uma alternativa radical ao sistema parlamentar

    Estrutura Social e Formas de Consciência volumes 1 e 2

    A montanha que devemos escalar

    Portal CTB

  • A militância feminista da capital paulista, com apoio das redes sociais, conseguiu ajudar a polícia a localizar e prender Willy Gorayeb Liger, na cidade de Ubaitaba, no interior da Bahia como suspeitavam os policias do 18º Distrito Policial, no bairro da Mooca, em São Paulo.

    Liger é o único suspeito de ter estuprado e assassinado brutalmente a jovem militante feminista Débora Soriano, de apenas 23 anos, no dia 14 de dezembro em bar do bairro da Mooca. De acordo com reportagem da revista CartaCapital, o proprietário do bar, Delano Ruiz Liger, primo do acusado, foi quem o denunciou à polícia.

    Na quarta-feira (21) a União Brasileira de Mulheres do município de São Paulo fez ampla divulgação da foto do suspeito. Em dois dias o rapaz de 27 anos, que já tinha mandado de prisão por acusação de estupro foi preso pela Polícia Civil de Ilhéus.

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    Divulgada a foto de suspeito de ter assassinado Débora Soriano, de apenas 23 anos

    Até quando as famílias continuarão chorando a morte de suas filhas por causa do machismo?

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy. Foto: Reprodução/Facebook

  • A Universidade de São Paulo (USP) foi a última instituição de ensino superior estadual a adotar uma política de cotas para negros e indígenas e para estudantes oriundos de escolas públicas, no seu vestibular, a Fuvest.

    “Demorou, mas chegou. Uma grande vitória do movimento negro e de todos que defendem uma educação democrática e de qualidade”, afirma Mônica Custódio, secretária da Igualdade Racial da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).

    Para ela, “a dificuldade e a demora da USP em entender a necessidade de cotas para propiciar um futuro de oportunidades iguais, mostra como é difícil a luta antirracista no Brasil. Afinal são mais de cinco séculos que martelam em nossas cabeças que negros e negras são inferiores”.

    A jornalista Victória Damasceno da CartaCapital, afirma que “a proposta foi apresentada pelo Núcleo de Consciência Negra da USP e protocolada pelo Conselho de Graduação no dia 18 de maio. O documento original enviado pelo núcleo seguia a lei de cotas de 2012, que reserva 50% das vagas para alunos de escolas públicas e destas, 37,5% para candidatos autodeclarados pretos pardos e indígenas (PPI), índice equivalente a proporção deste grupo no estado de São Paulo segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)”.

    A discussão sobre um sistema de cotas para negros e indígenas começou ainda no primeiro governo de Luiz Inácio Lula da Silva, em 2003. Ano em que a Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) adotou a política de cotas em seu vestibular.

    No ano seguinte a Universidade de Brasília (UnB) também adotava uma política de cotas para o ingresso em seus cursos de graduação. “Com a possibilidade de adoção das políticas afirmativas com intuito de igualar as oportunidades para quem sempre foi marginalizado, criou ambiente conturbado e muita gente de meio acadêmico e a mídia em geral se posicionaram contra as cotas”, diz Custódio.

    Já Lidiane Gomes, secretária de Igualdade Racial da CTB-SP, diz que “é um alento muito grande a USP adotar as cotas na atual conjuntura, na qual estamos vendo nossas conquistas sendo retiradas por um governo e um Congresso extremamente conservadores”.

    Para ela, “a adesão da USP ao sistema de cotas, derruba a falsa argumentação de que a entrada de pobres e negros faz as universidades perderem qualidade. A experiência tem mostrado justamente o contrário, os pobres e negros têm se saído bem”.

    Em 2012, foi aprovada a Lei 12.711, regulamentada ainda no mesmo ano. A partir daí todas as instituições de ensino federal foram obrigadas a adotar as cotas.

    “Mesmo assim, as dificuldades para os negros e negras continuam porque o racismo impede que consigam trabalhos em locais determinados com lugares de brancos”, reclama Custódio.

    Além disso, diz Gomes, “as políticas afirmativas foram criadas para corrigir distorções da sociedade e propiciar oportunidades iguais para todas e todos, mas temos que mudar a mentalidade escravocrata que ainda perdura em nossa sociedade para que essa igualdade possa se refletir no mercado de trabalho e na vida”.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy. Foto: CEERT

  • As nuvens andam carregadas na sede da Rede Globo, no Rio de Janeiro. Poucos dias atrás, o ator José Mayer foi acusado de assédio sexual pela figurinista Su Tonani.

    Na madrugada do domingo (9), com transmissão ao vivo para TV a cabo, Marcos Harter agrediu a sua namorada, no Big Brother Brasil, Emilly Araújo.

    A reação foi imediata. Internautas exigiram providências. A delegada Viviane da Costa, da Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (DEAM), no Rio de Janeiro, visitou a casa e concluiu que houve a agressão. Inclusive Harter foi chamado a prestar esclarecimentos.

    Após a intensa mobilização da sociedade a Globo expulsou Harter do reality show. Mas “esse tipo de acontecimento faz parte do programa”, diz Renata Mielli, coordenadora-geral do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação.

    Para ela, “deveríamos estar questionando a existência desse tipo de programa na televisão. Porque o confinamento transmitido ao vivo estimula a exploração dos extremos. É dessa forma que batalham por audiência e as pessoas são expostas a todo tipo de situação degradante”.

    Já a secretária da Mulher Trabalhadora da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Ivânia Pereira afirma que de uma forma geral, a mídia insufla a violência de gênero ao colocar a mulher na maioria das vezes em papeis subalternos.

    “A mídia vulgariza a violência como se fosse natural o homem ser violento e pior ainda como se a mulher gostasse de apanhar”, diz. “O corpo feminino é apresentado como se fosse mercadoria e a sexualidade da mulher só existe para dar prazer ao homem”.

    Nesta quarta-feira (12), Harter escreveu em sua rede social que “o programa tem um formato destinado a levar o nosso emocional ao limite, e, consequentemente, os nervos à flor da pele". Ele repetiu outros algozes e pediu desculpas.

    Já Jacira Melo, diretora do Instituto Patrícia Galvão, disse à CartaCapital que “a transmissão dessas cenas é um estímulo a essas atitudes, que são vistas como atitudes do homem. A mulher não obedece e o homem vai perdendo o controle e o limite”.

    “O que ocorre”, realça Pereira, “é uma verdadeira banalização do sexo como se a violência fizesse parte da vida e assim devesse ser”. De acordo com ela, “o patriarcado se sente ameaçado pelo feminino e por isso ataca, inclusive, a comunidade LGBT”.

    Já Mielli defende a necessidade de regulação da mídia para exigir “maior responsabilidade dos meios de comunicação, exercendo controle social sobre a produção de programas, que devem visar o bem-estar de todas e todos e promover o tratamento respeitoso das pessoas”.

    O escritor Marcelo Rubens Paiva em sua coluna no jornal O Estado de S. Paulo se espanta com “o quanto este tipo de programa mobiliza, e a noção do real é deturpada”.

    E assim caminha a emissora da família mais golpista do Brasil, os Marinho. Cada vez com mais baixarias para recuperar a audiência a qualquer preço.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

  • A Justiça brasileira mostra as suas garras contra os mais pobres. A vítima da vez é o carioca Rafael Braga Vieira, 27 anos. O juiz Ricardo Coronha Pinheiro condenou Vieira a 11 anos e três meses de prisão por associação ao tráfico de drogas, com base apenas na palavra dos policiais que o prenderam.

    Leia a sentença do juiz Pinheiro aqui

    Em São Paulo, jovens se reuniram no vão do Masp, na avenida Paulista, nesta segunda-feira (24) para exigir a libertação do condenado que é negro, pobre e favelado. 

    A defesa de Vieira acredita em perseguição. Ele é o único condenado por participar dos protestos da Jornada de junho, em 2013. Preso com produtos de limpeza lacrados. Acusado de carregar artefatos explosivos e incendiários.

    No começo deste ano, ele foi “flagrado” com 0,6 gramas de maconha e 9,3 gramas de cocaína, de acordo com os policiais. Vieira nega.

    “O inadmissível dessa condenação é a total ausência de provas e as únicas testemunhas válidas são os policiais que o prenderam”, afirma Mônica Custódio, secretária de Igualdade Racial da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).

    Até foi criada uma página de Facebook pedindo a liberdade de Vieira (veja aqui). 

    Só que a Lei das Drogas (Lei 11.343/2006) distingue usuários de traficantes. “A quantidade dita nos autos que Vieira carregava consigo estão abaixo dos limites determinados para a configuração de usuário, que não pode ser preso por isso”.

    Antonio Pedro Melchior, professor na Universidade Federal do Rio de Janeiro e advogado criminalista, escreveu um artigo no site Justificando onde afirma que “a sentença se funda na mais frequente e desgastada prática inquisitorial no Brasil: condenação exclusivamente fundada na palavra do agente policial”.

    Já o delegado Orlando Zaccone, responsável pelo inquérito do caso do pedreiro Amarildo, até hoje sem conclusão, conta que “podemos questionar a forma como os flagrantes são constituídos no Brasil, onde o depoimento da policial é o único que vale para identificar um criminoso”.

    Para Custódio, “a forma de trato do juiz, deixa nítido a relação de um estado tendencioso, excludente e racista. Pessoas simples, como Vieira, representam a vida real de grande parte de nossa população, constituem a imagem da distribuição do cárcere”.

    Assista vídeo da CartaCapital sobre a vigília: 

    “Isso configura um outro formato de escravidão. Ninguém pode ser condenado sem o amplo direito de defesa, com base na palavra dos próprios policiais que o prenderam”, complementa.

    Além disso, o Instituto de Defensores de Direitos Humanos (DDH) acusa Melchior de impedir o pleno exercício de defesa de Vieira. Segundo os advogados, o juiz impediu diligências da defesa para averiguar supostas inconsistências do processo.

    “Policiais que prenderam o imputado em flagrante ou atuaram na investigação tem interesse em defender a legalidade e correção da própria atuação, o que é mais ou menos óbvio. Não são testemunhas, por isto. Se necessário ouvi-los em juízo, devem ser tomadas com reserva”, explica Melchior.

    Ele conclui que “sob o prisma político, nem se diga. No país da maior quantidade de autos de resistência no mundo, é esquizofrênico que a palavra do policial militar siga sendo recebida com presunção de legitimidade”.

    Custódio questiona a legitimidade do Estado em prisões baseadas somente na palavra de alguém, supostamente “acima de qualquer suspeita”.

    Para ela, "precisamos nos mobilizar e prestar solidariedade sempre que acontecem coisas desse tipo. Devemos nos posicionar contra esse instrumento do racismo institucional. Entendendo sempre o papel destes setores que ainda hoje buscam nos oprimir".

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy. Foto: Mídia Ninja

  • No Brasil, mostram estudos, quem paga imposto é a classe trabalhadora. A organização não governamental britânica Oxfam aponta que os 10% mais ricos do país pagam 21% em tributos, já na outra ponta, os 10% mais pobres gastam 32% do que ganham com impostos.

    De acordo com o estudo “A desigualdade que nos une”, também da Oxfam, no Brasil, “apenas seis pessoas possuem riqueza equivalente ao patrimônio dos 100 milhões de brasileiros mais pobres. E mais: os 5% mais ricos detêm a mesma fatia de renda que os demais 95%. Por aqui, uma trabalhadora que ganha um salário mínimo por mês levará 19 anos para receber o equivalente aos rendimentos de um super-rico em um único mês”.

    Então por que é tão difícil taxar as grandes fortunas? “A elite brasileira ainda possui traços da mentalidade escravista e é extremamente concentradora. Quanto mais ganham, mais querem ganhar”, diz Vânia Marques Pinto, secretária de Políticas Sociais da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).

    Ela reforça seu pensamento com as medidas tomadas pelo governo golpista que atingem em cheio a classe trabalhadora e beneficia os mais ricos. “A reforma trabalhista, a terceirização ilimitada e as privatizações beneficiam os patrões e o setor financeiro, prejudicando enormemente quem vive de sua força de trabalho”.

    Várias discussões sobre a taxação das grandes fortunas têm ocorrido, mas esbarram na falta de vontade política. “Talvez com medo de perderem seus financiamentos de campanha”, argumenta a sindicalista baiana. Além disso, o lobby dos empresários é muito forte no Congresso Nacional.

    Até Bill Gates

    De acordo com Amir Khair, mestre em finanças públicas, a taxação das grandes fortunas geraria uma receita de R$ 100 bilhões por ano ao governo. Em 2015, por exemplo, o governo gastou R$ 27 bilhões com o Bolsa Família para atender mais de 13 milhões de famíliase a gritaria foi geral contra esse programa que vem sofrendo cortes.

    “É essa dicotomia que faz o Brasil patinar. O golpe de Estado de 2016 veio para acabar com os avanços conquistados pelo povo”, analisa Vânia. Até Bill Gates, uma das pessoas mais ricas do mundo, declara ser favorável a que os ricos paguem mais impostos.

    Gates critica o projeto do governo norte-americano em reduzir de 35% para 20% os tributos das empresas. Para o bilionário, “pessoas mais ricas tendem a ter benefícios drasticamente maiores que os da classe média e pobres, então isso vai contra a tendência geral que queremos ver, em que a rede de segurança fica mais forte e os que estão no topo pagam mais impostos”.

    Imposto de renda

    Em reportagem de setembro de 2017, a revista CartaCapital mostra que “dados da Receita Federal de 2016 apontam que as pessoas com rendimentos mensais superiores a 80 salários mínimos, pouco mais de 63 mil reais, têm isenção média de 66% de impostos, podendo chegar a 70% para rendimentos superiores a 320 salários mínimos mensais, ou 252 mil reais”.

    Em resumo, conclui que “as menores rendas e a classe média pagam proporcionalmente muito mais imposto de renda que os super-ricos”.

    Para a sindicalista essa diferenciação é surreal. “O movimento sindical deve se posicionar sobre esse assunto. Não é possível manter essa pirâmide invertida e o ônus permanecer nas costas de quem vive de salário”.

    Fique ligado

    Começa nesta quinta-feira (1º) e se encerra no dia 30 de abril, o prazo para declaração do imposto de renda 2018, ano base 2017. E já começa com um problema. O governo golpista não reajustou o limite de isenção para este ano. Ou seja, continua o mesmo do ano passado.

    Portanto, não precisa declarar quem ganhou até R$ 28.559,70 em 2017, o que equivale a um salário bruto mensal de R$ 1.903.98. Quem estiver obrigado e não declarar em tempo hábil paga multa.

    “Quem é obrigado a fazer a declaração é melhor que o faça o quanto antes para, caso tenha restituição, a receba nos primeiros lotes”, sintetiza Vânia. Lembrando que o Estatuto do Idoso, aprovado em 2003, determina prioridade para o pagamento das eventuais restituições às pessoas acima de 60 anos.

    Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB

  • “Os povos indígenas encaram o Dia do Índio (19 de abril) como um dia de reflexão e luta”, diz Voninho, da etnia Kaoiwá, que habita o Mato Grosso do Sul, estado onde ocorrem os maiores conflitos por terras no país e onde mais se matam indígenas.

    De acordo com Voninho, está ficando cada vez mais difícil ser indígena no Brasil. “Além de todas as disputas por nossas terras e o preconceito que sofremos, temos que lutar também contra esse bombardeio de retrocessos em nossos direitos, como todo o povo brasileiro”.

    Ouça Grito dos Xondaro: Conflitos do Passado, do grupo Oz Guarani, da Aldeia Jaraguá, de São Paulo: 

    Tanto que o Acampamento Terra Brasil 2017 ocorre em Brasília entre os dias 24 e 28. Com o tema “Unificar as lutas em defesa do Brasil Indígena. Pela garantia dos direitos originários dos nossos povos”, o evento pretende reunir as mais importantes lideranças dos povos indígenas na capital federal.

    “A vida dos povos originários sempre foi difícil no Brasil, mas após a queda da presidenta Dilma (Rousseff) a nossa situação piorou. O atual governo quer acabar com a Fundação Nacional do Índio (Funai) e isso nos deixa mais vulneráveis ainda aos ataques dos fazendeiros”, complementa.

    Ele explica que a terra é primordial para a vida dos povos indígenas. “É da terra que tiramos o nosso sustento e sem ela não sobrevivemos”. Existem no Brasil, de acordo com a Funai, 462 terras indígenas, a maioria ainda com a demarcação pendente.

    Assista o documentário Terra dos Índios, de Zelito Vianna: 

    A escritora Márcia Wayna Kambeba, da etnia Omágua Kambeba, afirma que “nós lutamos por um território em que possamos conviver livremente, mantendo nossos rituais, conservando a nossa biodiversidade e tendo essa relação de reciprocidade com a natureza”.

    Já Josiane Tutchiauna disse à CartaCapital que "ser mulher ticuna na minha geração é ser mulher guerreira, batalhadora, mulher que trabalha continuamente pela defesa do seu povo, de sua comunidade. Ser mulher indígena e ticuna é ser aquela que mantém, lado a lado com os homens indígenas, o espírito guerreiro dos seus ancestrais no seu corpo, na sua alma, sem temer a nada”.

    “Os que se acham donos do Brasil preparam sua ofensiva final contra os índios”, diz o antropólogo Eduardo Viveiros de Castro ao citar os sucessivos ataques ás terras indígenas e a pretensão do governo Temer de rever a demarcação delas.

    “Somos 305 povos, com mais de 900 mil pessoas e falamos 274 idiomas diferentes”, reforça Voninho. “Garantimos manter o nosso vigor na resistência secular contra as tentativas de nossa destruição. Defendemos nossa cultura, nossas terras, nossa gente”.

    Acompanhe vídeo da Agência Pública: 

    Porque "ser índio não é apenas usar arco e flecha, ter cabelo liso e pintura com jenipapo e urucum. Ser índio é amar a cultura e ter orgulho da sua tradição. É sentir o respeito das pessoas, como as respeitamos”, diz Valdecir Xunu, da Aldeia Flor do Campo, no Rio Grande do Sul. A escritora Kambeba assinala que “nós somos povo, nós temos nome, nós temos voz e estamos na luta por resistência”. Afinal, "somos todos da mesma nação", completa Voninho.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy. Foto: Laila Menezes/Cimi

     

  • Nesta terça-feira (5), o ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF) acatou pedido do advogado Mariel Márley Marra para que o ainda presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) aceite o pedido de impeachment do vice-presidente Michel Temer, também PMDB, mas de São Paulo.

    Ao ser notificado, Cunha falou sobre a possibilidade de entrar com recurso ao STF e não cumprir a determinação. "É impensável que não se observe uma decisão do Supremo. A decisão não é do cidadão Marco Aurélio, é do Supremo e deve ser observada", responde Mello.

    De acordo com o ministro, o desacato de qualquer determinação da Justiça "é crime de responsabilidade e sujeito a glosa penal".

    "Nunca, jamais, pode se admitir tamanha intervenção em ato próprio de outro Poder da República, a ponto de autorizar a substituição da competência do órgão legislativo por decisão judicial", questiona Cunha assim a ordem do Supremo determinando que a Câmara inicie um processo de impeachment contra Temer.

    A revista CartaCapital afirma que o afrontamento de Cunha “foi visto como a gota d'agua”, pelo Supremo. Segundo a revista, “quatro assessores próximos aos integrantes da Corte máxima do judiciário afirmaram que há um movimento para colocar em julgamento o pedido de afastamento do parlamentar da presidência da Casa antes da votação do impeachment”.

    Para Mello, Cunha deve cumprir a decisão do STF de imediato. "Quando se inobserva (decisão judicial) é porque as coisas não vão bem e eu não posso fechar o Brasil para balanço".

    O ministro do STF tem sido importante voz em defesa da Constituição Federal. Em constantes depoimentos tem defendido o diálogo e a busca de soluções dentro da lei. Ele promete levar este caso ao Plenário do Supremo.

    “A autofagia não pode ocorrer. Mas, acima de qualquer dos integrantes do Supremo, está o Plenário. Interposto o agravo, eu levarei imediatamente, depois de ouvir o agravado. Todos sabem que eu não sento em cima de processo. Processo para mim não tem capa, tem estritamente conteúdo”, diz.

    Portal CTB com agências

  • Herson Capri detona a reforma da previdência pretendida pelo governo ilegítimo de Michel Temer e seus aliados. “A reforma da previdência do governo quer que você trabalhe e morra sem se aposentar”, diz o ator.

    O vídeo é o primeiro de uma série prometida pela Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil (Anfip) em parceria com o Departamento Intersindical de Estudos Socioeconômicos (Dieese), sob a coordenação do professor da Unicamp, Eduardo Fagnani.

    Com dados fundamentais para o entendimento do que está em jogo com essa reforma, o vídeo mostra que é necessário contribuir em média 40 anos para ter a aposentadoria integral, conforme texto aprovado por comissão especial da Câmara dos Deputados.

    Em outros países a média é de 35 anos, sendo que em vários é de 30 anos. De acordo com o levantamento feito por Fagnani, no Brasil, “79% dos aposentados por idade contribuíram por até 24 anos”, diz Capri.

    Falando da realidade do mercado de trabalho brasileiro ele afirma ainda que metade da classe trabalhadora tem “empregos precários, sem carteira assinada”. E assinala que para as mulheres e para quem trabalha no meio rural a situação é ainda mais degradante.

    Terrível, quando se vê o empenho do governo federal em aprovar a reforma da previdência. O jornal Folha de S.Paulo acusa Michel Temer de liberar verbas para que os deputados aprovem rapidamente o texto da reforma.

    “Em reunião nesta segunda-feira (8), o presidente determinou que seus ministros privilegiem cerca de 330 parlamentares na distribuição dos recursos, usados para bancar obras e projetos nas bases eleitorais dos congressistas”, diz o jornal paulista.

    Assista ao vídeo: 

    Em entrevista à revista CartaCapital, o ator afirma que “a dívida da Previdência é altamente questionável. E também essa reforma pressupõe que não exista nenhum prejuízo, mas não se trata de um negócio. É uma instituição internacional de proteção do idoso, quando ele para de trabalhar e sai do mercado de trabalho”.

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    Recentemente, Capri recusou-se a interpretar o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso no cinema. Para ele, o filme Real – O Plano por Trás da História não passa de uma “peça de propaganda” do PSDB. Filho do militante do Partido Comunista do Brasil, Jair Freire, o ator também participou de campanhas contra o impeachment da presidenta Dilma Rousseff.

     Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy. Foto: Rodrigo Martins/CartaCapital

  • O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli afirma em evento sobre os 30 anos da promulgação da Constituição de 1988, na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP), no Largo de São Francisco, na capital paulista, que o golpe militar de 1964, não foi golpe, mas um movimento.

    “Por isso que hoje, depois de aprender com o atual ministro da Justiça, Torquatto Jardim, eu não me refiro mais nem a golpe nem a revolução de 1964. Eu me refiro a movimento de 1964”, diz para espanto de uma plateia de estudantes de Direito, onde o próprio Toffoli se graduou.

    Daniel Aarão Reis, historiador citado por Toffoli,  desmente a versão de “movimento de 64”, defendida pelo ministro do STF. “Vindo da parte de um juiz, presidente do STF, é uma coisa que provoca espanto. Eu estou estarrecido de ver um juiz, que deveria ser o guardião da lei, relativizando o desrespeito à lei”, afirma Reis à revista CartaCapital.

    Reis reforça ainda que “devemos lembrar, para desgraça nossa, que na época de 64, o então presidente STF, ministro Ribeiro da Costa, sem consultar seus colegas, apoiou o golpe de 64. Então o ministro Ribeiro da Costa foi cúmplice do golpe. Fato lamentável para a tradição jurídica brasileira. E é uma pena que o ministro Toffoli, de alguma maneira, recupere essa tradição triste que foi assumida pelo Ribeiro da Costa na época”.

    Presente em todas as lutas em favor da democracia no país, o Centro Acadêmico XI de Agosto, dos estudantes da Faculdade de Direito da USP, divulga nota de repúdio à fala do presidente do STF. “Tal posicionamento por parte do presidente da Suprema Corte é grave, sobretudo considerando o atual contexto”, diz trecho da nota.

    Em outra parte complementa afirmando que “são justamente posicionamentos como este, que menosprezam os graves crimes contra a humanidade e o brutal desrespeito aos direitos humanos ocorridos no país durante o regime militar, que estimulam o recrudescimento do discurso de ódio e autoritarismo, lamentavelmente crescentes em nosso ambiente político” (leia a nota na íntegra no final da matéria).

    Tempos sombrios. “Estamos em processo eleitoral e, por isso, a fala do presidente do STF soa como propaganda política para amenizar as críticas a determinado candidato defensor do autoritarismo”, argumenta Ivânia Pereira, vice-presidenta da CTB.

    Para ela, “o ministro parece tentar justificar suas posturas contra o movimento popular de oposição  ao golpe de Estado de 2016, que parte do Judiciário apoia e move esforços para impedir que as forças democráticas vençam a eleição”.

    Leia a íntegra da nota de repúdio do Centro Acadêmico XI de Agosto:

    Na manhã desta segunda feira (1º) recebemos a ilustre presença do Presidente do Supremo Tribunal Federal, Ministro Dias Toffoli, em nossa Faculdade (Largo de São Francisco – Direito USP).

    Toffoli foi convidado, ironicamente, a conferir uma palestra sobre os 30 anos da Constituição Federal de 1988 – Carta Magna que tem sido sistematicamente ignorada pelo nosso Poder Judiciário no último período, inclusive pela Corte que o ex-aluno desta Casa preside.

    Para surpresa geral, durante a exposição Toffoli disse não entender como “golpe” o processo havido no Brasil em 1964, que levou os militares ao poder e redundou em mais de 20 anos de regime autoritário. Segundo ele haveria críticas “à esquerda” e “à direita” ao que ele prefere tratar por “movimento”.

    Tal posicionamento por parte do Presidente da Suprema Corte é grave, sobretudo considerando o atual contexto.

    São justamente posicionamentos como este, que menosprezam os graves crimes contra a humanidade e o brutal desrespeito aos direitos humanos ocorridos no país durante o regime militar, que estimulam o recrudescimento do discurso de ódio e autoritarismo, lamentavelmente crescentes em nosso ambiente político.

    Fato é que o Brasil ainda é marcado por grandes resquícios da ditadura militar e não houve, por parte do Estado brasileiro, prestação de contas de maneira assertiva sobre o que se passou naquele período — à semelhança do ocorrido em outros países do nosso continente –, o que fragiliza a nossa democracia. Destarte, é ainda mais central mantermos viva a nossa memória, para que nunca se repita.

    Deste modo, o Centro Acadêmico XI de Agosto, honrando seu histórico em defesa da democracia, repudia veementemente a declaração do Ministro Dias Toffoli e espera sua pronta retratação — reconhecendo o golpe de Estado empreendido pelos militares e as bárbaras infrações aos direitos humanos que o sucederam.

    Aproveitamos, também, para repudiar a investida de setores militares com vistas a influenciar o processo eleitoral que se avizinha, com declarações de comandantes de alta patente a respeito de eventual ilegitimidade do pleito. Além da ameaça antecipada por parte candidatos de não reconhecimento do resultado das urnas, atentando outra vez contra a soberania popular.

    Mais do que nunca é hora de reafirmar os valores democráticos e de respeito ao processo eleitoral e aos direitos consagrados na Constituição da República.

    #CAXIdeAgosto

    #DitaduraNuncaMais

    #EleNao

    Largo São Francisco, 1° de outubro de 2018.

    Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB

  • Em entrevista à revista CartaCapital, Alexandre Felix Campos, investigador da Polícia Civil de São Paulo, afirma que parte dos policiais estão com sede de sangue em vingança à Constituição, promulgada em 1988, que limitou  a ação da polícia.

    “Como perderam o poder de fazer o que bem quisessem, sem punição, como acontecia na ditadura, o policial entende que, há 30 anos, vive sufocado por uma ideologia comunista”, diz Campos.

    Esses policiais, segundo o investigador, acreditam que se Jair Bolsonaro for eleito poderão voltar a agir sem limites. “Eles acham que com a vitória do Bolsonaro tudo vai voltar a ser como antes – e eles vão se vingar do tempo que passou sufocado”.

    Para Vânia Marques Pinto, secretária de Políticas Sociais da CTB, a situação é muito perigosa porque “a polícia brasileira já é uma das que mais mata no mundo, imaginem se tiverem autorização para matar?”, questiona.

    Ela concorda com o Pastor Sargento Isidório, deputado estadual mais votado na Bahia, que abandonou Bolsonaro por causa da pregação da violência e da mentira. “O Pastor Isidório disse que policiais não são assassinos, são pais de família, mas alguns parecem esquecer disso e veem os pobres, pretos e moradores da periferia como inimigos”, define Vânia.

    Já Campos, que está há 23 anos na Polícia Civil, acredita que a formação da polícia precisa se modernizar e se moldar a uma sociedade democrática. “Culturalmente, a nossa polícia é formada com o viés do jagunço, aquele cara que é formado para ser um cão de guarda de uma elite”.

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    Mas o grupo de Policiais Antifacismo defende mudanças para melhorar as condições de trabalho de vida dos policiais e de toda a sociedade. “Os muitos crimes de ódio realizados por apoiadores do candidato do PSL não podem ser tratados como casos isolados, mas como frutos do discurso irresponsável e violento do próprio presidenciável. Os danos à segurança e à ordem pública já são muitos e ainda serão sentidos por muito tempo, mesmo após as eleições”, diz manifesto dos Policiais Antifascismo.

    A onda de violência está tamanha que em poucos, dias três LGBTs sofreram ataques fatais por bolsonaristas. Na segunda-feira (22), uma travesti foi assassinada a facadas em Santo André, no ABC Paulista, aos gritos de “Bolsonaro, Bolsonaro vai matar viado”, afirmam testemunhas.

    No sábado (20), antes da exaltação ao ódio feita por Bolsonaro na avenida Paulista, em São Paulo, a transexual Laysa Fortuna, de 26 anos, foi morta a facadas em Aracaju, Sergipe, aos gritos de “prostituta, vagabunda e Bolsonaro presidente”.

    Na madrugada da terça-feira (16), a travesti Priscila foi morta também a facadas no Largo do Arouche, São Paulo. Uma testemunha ouviu de seu apartamento diversos gritos de “prostituta, vagabunda e Bolsonaro presidente”.

    Além desses assassinatos, muita violência ocorre contra mulheres, LGBTs, negros e refugiados no país por seguidores dos Bolsonaro, que ameaçam juízes do Supremo Tribunal Federal, do Tribunal Superior Eleitoral e jornalistas, além de ativistas e todas as pessoas que pensam diferente deles.

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    “A postura irresponsável do candidato da extrema-direita à Presidência e a exaltação da utilização de armas, além da LGBTfobia apavoram a todas e todos”, acentua Vânia. “A sociedade precisa se organizar e enfrentar essa barbárie ou a nação brasileira corre risco de sucumbir ao fundamentalismo e ao ódio”.

    Marcos Aurélio Ruy - Portal CTB

  • Por Thais Reis Oliveira, na Carta Capital 

    Iniciativa ocorre em meio a um racha na Procuradoria-Geral da República

    Depois da censura pública de Raquel Dodge ao acordo que daria à força-tarefa da Lava Jato o poder de gerir um caixa bilionário, a Corregedoria da Procuradoria-Geral da República abriu um processo para investigar a atuação dos envolvidos no caso.

    Segundo a colunista Monica Bergamo, da Folha de S. Paulo, o processo deve atingir Deltan Dallagnol, o estrelado coordenador da operação no Ministério Público. Sob sua batuta, a turma de Curitiba negociou diretamente com a Petrobras o destino de 2,5 bilhões de reais recuperados graças a um acordo com a justiça americana.

    Conforme o trato, metade dessa verba iria financiar uma fundação privada, administrada pelos próprios procuradores e cuja missão seria reforçar “a luta da sociedade brasileira contra a corrupção”. Mas o projeto afundou em meio a críticas dentro e fora do meio jurídico. Ao menos por enquanto.

    Na terça-feira 12, Raquel Dodge pediu ao Supremo que anulasse o acordo. A chefe do Ministério Público Federal entendeu que os procuradores da Lava Jato violaram a Constituição. Dodge evocou, no pedido, a separação de poderes, a preservação das funções essenciais à Justiça, a independência do MP e os princípios da legalidade, da moralidade e da impessoalidade.

    No mesmo dia, o MPF já havia pedido a suspensão da fundação, parte mais criticada do acordo, mas mantinham o dinheiro sob a conta judicial gerida pelos paranaenses.

    Os procuradores pareciam certos de que o dinheiro ficaria sob a guarda do MP de Curitiba. Um documento divulgado em primeira mão por Luis Nassif, do Jornal GGN, mostra que, dias antes do depósito da Petrobras cair na conta, Deltan Dallagnol negociou diretamente com a Caixa as melhores alternativas de investimentos.

    Racha no MPF

    O pedido de Raquel Dodge desagradou alguns setores do MP. A Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR) divulgou uma nota de repúdio à decisão. Para os signatários, Dodge se excedeu ao pedir a degola total do acordo. Argumentam ainda que “não é normal” que uma matéria da primeira instância do MP seja levada ao Supremo pela procuradora-geral da República.

    Maior revés da operação até aqui, a ofensiva da procuradora-geral ocorre em meio a uma disputa pelo comando da PGR. O mandato Dodge vence em setembro e não há garantias de que Jair Bolsonaro vá reconduzi-la ao cargo. O nome de Dallagnol agrada Sergio Moro e apoiadores dentro do MPF. Mas há grandes barreiras para os planos do golden boy (campeão) da Lava Jato.

    No início deste mês, o Conselho Superior do MPF reafirmou que o cargo de procurador-geral da República só pode ser ocupado por subprocuradores-gerais. Sob essa condição, Deltan não poderia concorrer, já que ainda atua na primeira instância da entidade, dois degraus abaixo da Subprocuradoria.

  • O alto índice de desemprego, particularmente entre os mais jovens, e os cortes nos orçamentos das áreas sociais, principalmente na educação, estão tirando o sono das moças e rapazes que se graduaram pelo Programa Universidade Para Todos (ProUni) como mostra a reportagem “Como estão os jovens que se beneficiaram da expansão do ensino superior?”, da repórter Carol Scorce, da revista CartaCapital.

    “Os governos Lula e Dilma trouxeram uma interiorização das universidades públicas e dos Institutos Federais para formar pessoas de acordo com as características econômicas das regiões”, afirma Luiza Bezerra, secretária da Juventude Trabalhadora da CTB.

    Ela explica que a criação de mais universidades e a implantação de políticas públicas que favoreceram a entrada das “filhas e filhos da classe trabalhadora no ensino superior dinamizou as economias locais e possibilitou aos novos estudantes sonharem mais alto em elevar o patamar de suas vidas”.

    Mas, de acordo com Luiza, o golpe de Estado de 2016, trouxe “o desaquecimento da economia, a redução dos investimentos e a precarização do mercado de trabalho”. São quase 14 milhões de desempregados, grande parte de jovens.

    Os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que a população de 14 a 24 anos desempregada aumentou para 5,6 milhões no primeiro trimestre do ano de 2018, 600 mil pessoas a mais sobre o fim do ano passado. Já entre as pessoas de 25 a 39 anos, a alta foi de 10,4% no primeiro trimestre frente aos últimos quatro meses de 2017.

    E o desemprego não atinge somente as pessoas com menos escolaridade. “Temos visto serem reduzidas drasticamente as oportunidades de empregos decentes e nas áreas de formação dos jovens recém formados”, assinala a bancária gaúcha.

    Isso porque, diz ela, “sem investimentos por parte do poder público e da iniciativa privada, os jovens dessas universidades se veem obrigados a migrar para os grandes centros inchando os mercados de trabalho das capitais e não resolvendo as economias das cidades de interior”.

    Marcio Pochmann, economista e professor, analisa o mercado de trabalho atual comparando com décadas passadas quando a expectativa de vida brasileira era pouco superior a 40 anos. “Na sociedade urbana e industrial, o acesso à educação dava conta de uma trajetória linear. Um engenheiro ganhava a vida por 50 anos com o acúmulo de conhecimento dos tempos de universidade”.

    De acordo com Pochmann, “agora estamos na sociedade dos serviços e as trajetórias são zig zag, onde a educação tem de ser permanente para dar conta das mudanças constantes no mercado".

    O problema é que a formação não está garantindo emprego porque "em um momento de crise econômica, como a que atravessamos”, diz Maria Clara Carrochano, socióloga e especialista em juventude, as pessoas aceitam qualquer emprego. “E é aí que as frustrações emergem".

    Para Luiza, o acirramento da crise e a política de austeridade do desgoverno de Michel Temer deixa “a juventude sem perspectivas”, principalmente porque “há um efeito cada vez mais evidente, imposto pelas grandes elites, em que vemos um mercado de trabalho precarizado gigante voltado para a maioria da população".

    Somente "meia dúzia consegue ainda se manter em empregos com bons salários e certa estabilidade, mas a maioria vai para a informalidade ou contratos sem nenhum direito trabalhista”, complementa.

    A socióloga Maria Clara aponta ainda que “as empresas, até para cortar custos, passam a exigir certo grau de estudo que nada tem a ver com aquela função, mas que vai ser utilizado como critério de seleção. Isso gera uma desilusão enorme para quem pelejou tanto para estudar”.

    A solução para superar a crise que atinge o país, para Luiza, “é seguir investindo numa educação pública de qualidade e ao mesmo tempo criar um pacto nacional pela retomada do crescimento econômico sustentável e independente, assim como pela revogação da reforma trabalhista”.

    Isso tudo, “prova que investir em educação é importantíssimo, mas ela por si só não basta. É preciso criar uma dinâmica econômica e um mercado de trabalho com oportunidades de empregos decentes para esses jovens”, define a dirigente da CTB.

    Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB. Foto: G1

  • O Seminário sobre Bancos Públicos e o Desenvolvimento Econômico e Social é uma iniciativa da revista CartaCapital juntamente com a Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa Econômica Federal (Fenae) e acontece na terça-feira (22), em São Paulo, entrada gratuita, às 9h. 

    O evento faz parte da série Diálogos Capitais, que discute os temas fundamentais para o futuro do país. E tem como convidados o economista Luiz Gonzaga Belluzzo, o professor Gilberto Bercovici, o engenheiro Pedro Celestino e a representante dos funcionários no Conselho de Administração da Caixa Econômica Federal, Rita Serrano.

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    Programação

    ➤ Palestra de abertura: "O Papel do Estado no Desenvolvimento Brasileiro"

    ➤ Mesa de debates: "Desnacionalização, Desindustrialização, Conteúdo Nacional e Bancos Públicos"

    Convidados

    ✓ Luiz Gonzaga Belluzzo (Economista)

    ✓ Gilberto Bercovici (Professor titular da Faculdade de Direito da USP)

    ✓ Pedro Celestino (Engenheiro e integrante do Conselho Diretor do Clube de Engenharia do RJ)

    ✓ Rita Serrano (Representante dos funcionários no Conselho de Administração da Caixa)

    Serviço

    📅 Data: 22 de maio de 2018 (terça-feira), das 9h às 12h

    🗺 Local: Hotel Intercontinental (Al. Santos, 1.123, 1o Subsolo - Jardim Paulista - São Paulo)

    Portal CTB