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Qui, Jun

Celac

  • Começa nesta quarta-feira (25) a 5º Cúpula da Celac (Comunidade de Estados Latino-americanos e Caribenhos) na República Dominicana. Os presidentes do Brasil, Michel Temer, e da Argentina, Maurício Macri, já anunciaram que não participarão. Este é o primeiro encontro dos países membros após a posse do novo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que durante sua campanha fez uma série de ataques ao continente.

    ais de dez chefes de Estado e 30 ministros das Relações Exteriores confirmaram presença no evento que começa a reunir os participantes já nesta terça-feira (24). Não há nenhum registro relativo ao evento na agenda do chanceler José Serra.

    Nesta terça-feira (24) os 30 ministros farão uma reunião prévia à cúpula para revisar a “Declaração de Punta Cana”, documento oficial do encontro, e outras 19 declarações especiais que devem ser assinadas pelos chefes de cada delegação.

    Um dos principais temas a ser debatido neste encontro é o fim do bloqueio dos Estados Unidos a Cuba, que mesmo depois da reaproximação diplomática entre os dois países não deu sinais de enfraquecimento. Além disso, a devolução do território cubano ocupado pelos norte-americanos para a base Guantánamo.

    Esta é a primeira vez que os países da América Latina e Caribe se reúnem depois da posse de Donald Trump, o clima é de incertezas quanto às medidas que serão adotadas para a região. Recentemente o presidente da Unasul, Ernesto Samper, afirmou que “nunca havia sido tão enigmática a chegada de um novo presidente dos Estados Unidos”.

    Os chefes de Estado e ministros vão debater ainda temas relacionados à soberania alimentar, migração, desenvolvimento nacional, desarmamento nuclear, questões de gênero, preservação dos idiomas indígenas e o tema considerado “problema mundial”: guerra às drogas.

    A presidenta do Chile, Michelle Bachelet, justificou sua ausência na cúpula devido aos incêndios florestais que devastaram várias regiões de seu país.

    Do Portal Vermelho
    Foto: Agência EFE

     

  • Cuba conclamou a comunidade internacional nesta quarta-feira (27) a contribuir na construção de uma nova ordem mundial baseado na solidariedade humana e na Justiça, em que o diálogo e a cooperação prevaleçam na solução dos conflitos.

    Ao intervir na Conferência de Desarmamento em Genebra, o vice-primeiro-ministro das Relações Exteriores de Cuba, Marcelino Medina, afirmou que é necessário salvaguardar as futuras gerações do flagelo da guerra e dos nefastos sofrimentos que provoca.

    Trabalhar pela paz

    “Trabalhar incansavelmente para preservar a paz e a segurança internacionais e fomentar entre as nações as relações de amizade baseadas no respeito aos princípios da igualdade, soberana e a livre determinação dos povos, deve continuar sendo um compromisso da ONU e de seus Estados membros”, destacou.

    O diplomata denunciou que em 2017 foram gastos em despesas militares 1,74 trilhão de dólares, a cifra mais alta desde o fim da Guerra Fria.

    Lamentou que a cada ano se invistam somas exorbitantes na indústria da guerra, se modernizem os arsenais nucleares existentes e se desenvolvam novos sistemas desse tipo de armamento, em lugar de destinar esses recursos a fomentar a paz, combater a fome e a pobreza e à implementação da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável.

    Desarmamento nuclear

    “O desarmamento nuclear permanece congelado e a existência de enormes arsenais nucleares, sendo que apenas 100 dessas ogivas bastariam para provocar o inverno nuclear, constitui uma grave e iminente ameaça à sobrevivência da Humanidade”, avisou.

    O vice-chanceler destacou a grande importância que a ilha das Antilhas concede à promoção do multilateralismo como princípio básico das negociações em matéria de desarmamento e não proliferação.

    Nesse contexto, expressou a preocupação pela decisão dos Estados Unidos de retirar do Plano de Ação Integral Conjunto ou Acordo Nuclear com Irã e, mais recentemente, do Tratado sobre Mísseis de Alcance Curto e Intermediário assinado com Rússia em 1987.

    “A comunidade internacional não pode permanecer passiva, nem em silêncio, muito menos quando se constata o fortalecimento do papel das armas nucleares nas doutrinas de defesa e segurança de determinados Estados possuidores”, precisou.

    Alertou que essas nações estão cada vez mais prestes a considerar a utilização dessas armas, inclusive em resposta às chamadas “ameaças estratégicas não nucleares”.

    Medina condenou o papel dos apetrechos nucleares nas doutrinas, políticas e estratégias de segurança, bem como a ameaça de seu uso, ao mesmo tempo em que reiterou o direito inalienável ao uso pacífico da energia nuclear.

    Celac e Venezuela

    Aproveitou a tribuna deste foro multilateral para ratificar a vigência da proclamação da América Latina e o Caribe como Zona de Paz, adotada em II Cúpula da Comunidade dos Estados Latino-americanos e Caribenhos, celebrada em Havana em 2014.

    O representante da ilha denunciou a escalada de pressões e ações do governo estadunidense para preparar o que taxou de aventura militar, disfarçada de “intervenção humanitária”, contra a República Bolivariana da Venezuela.

    “A história julgará severamente uma nova intervenção militar imperialista na região e a cumplicidade de quem irresponsavelmente acompanhá-la”, advertiu o vice-ministro.

    Considerou ainda que na Venezuela se decide hoje não só a soberania e a dignidade da América Latina, do Caribe e dos povos do Sul, mas também a sobrevivência das normas do Direito Internacional e da Carta das Nações Unidas.

    “Temos a responsabilidade de preservar as próximas gerações do flagelo da guerra, salvar o planeta e criar condições sob as quais possam ser mantidas a justiça e o respeito às obrigações emanadas dos tratados internacionais”, concluiu.

    Fonte: Prensa Latina

  • A Comunidade de Estados Latino-americanos e Caribenhos (Celac), que é composta por todos os países da região, exceto Estados Unidos e Canadá, realizou sua 5ª cúpula, na República Dominicana na última semana (24 e 25).

    Brasil não envia representante à Cúpula da Celac

    Antes da reunião de cúpula dos chefes de Estado e de Governo, ocorreu o Encontro de Movimentos Sociais e Forças Políticas que apoiam a cúpula. Segundo os organizadores, mais de 400 delegados e delegadas de 15 países debateram sobre temas como: soberania, paz, unidade, integração, direitos humanos, entre outros assuntos.

    Intitulada “Pela paz, unidade e a integração de Nossa América” a declaração final do encontro destaca o fortalecimento da iniciativa e seu caráter anti-imperialista. Outro ponto importante do documento é o respaldo à Proclamação da América Latina e Caribe como Zona de Paz. 

    Leia a íntegra do documento em espanhol:.

    Encuentro de Movimientos Sociales y Fuerzas Políticas “POR LA PAZ, LA UNIDAD Y LA INTEGRACIÓN DE NUESTRA AMÉRICA”

    Los movimientos sociales y las organizaciones políticas de América Latina y el Caribe, reunidos los días 23 y 24 de enero del 2017 en la ciudad de Santo Domingo, República Dominicana, suscribimos el presente documento de ferviente apoyo a la V Cumbre de Jefes de Estado y Gobierno de la Comunidad de Estados Latinoamericanos y Caribeños –CELAC-, junto a la esperanza de que contribuya aún más a la consolidación y el fortalecimiento de ese importante mecanismo de concertación y acción mancomunada de nuestros países, en defensa de los intereses y derechos de las naciones y los pueblos.

    La CELAC representa un rayo de esperanza para los países latinoamericanos y caribeños que debemos coordinar esfuerzos para juntos combatir los grandes males que nos aquejan, como son: la pobreza, el hambre, el desempleo, la falta de acceso a servicios de salud, educación y a viviendas dignas, la desigualdad de género y violencia contra las niñas y mujeres, la violación de los derechos más elementales, la guerra cultural y mediática, la inseguridad ciudadana, el flagelo de las drogas, las políticas neoliberales, las acciones ilegales y depredadoras de las empresas multinacionales, la destrucción del medio ambiente, el intercambio desigual y los obstáculos para una comunicación contra hegemónica, entre otros males.

    Sumamos nuestro esfuerzo militante a la lucha común por la soberanía nacional, la democracia, el desarrollo sostenible y la garantía de todos los derechos humanos para todos nuestros ciudadanos. Esto se torna más indispensable cuando la ofensiva de la derecha en el continente y el reciente ascenso al poder del presidente estadounidense, aumenta el riesgo de que, junto a sus prédicas hegemonistas, misóginas, racistas, xenófobas e imperialistas, se multipliquen y ejecuten las amenazas de agresión características de la vieja política del gran garrote y el intervencionismo, que tantas tragedias han causado a nuestros pueblos a lo largo de la historia.

    Denunciamos militantemente esas graves amenazas, llamamos a la alerta, la solidaridad más decidida y la unidad de nuestros pueblos, y reclamamos espacios de diálogo entre los gobiernos y los movimientos sociales para enfrentar esos y otros desafíos. Respaldamos la Proclamación de América Latina y el Caribe como Zona de Paz, como fuera acordado en 2014 por los Jefes de Estado y Gobierno en la Segunda Cumbre de la CELAC.

    Rechazamos la implantación de bases militares por países y organizaciones ajenos a la región, la reactivación de la IV Flota, la implementación de un nuevo Plan Cóndor, los ejercicios militares conjuntos con potencias y organizaciones extranjeras, como la OTAN, y demandamos el retiro de la MINUSTAH de Haití, primer país en alzarse contra la dominación colonial y con el cual nos solidarizamos permanentemente. Condenamos la criminalización de la protesta social y la persecución por grupos paramilitares contra gobiernos, organizaciones y líderes progresistas.

    En ese sentido, exigimos la libertad de la diputada Milagro Salas y del luchador político Simón Trinidad, y reclamamos justicia para el caso de los 43 normalistas de Ayotzinapa. Apoyamos la resistencia y la lucha de Puerto Rico por su independencia, aún ausente de la CELAC, y celebramos el indulto de Oscar López Rivera, fruto de la batalla de su pueblo y de la solidaridad internacional por su liberación. Respaldamos firmemente la soberanía de la República Argentina sobre las Islas Malvinas, Georgias del Sur y Sandwich del Sur y los espacios marítimos circundantes. Nos unimos al reclamo mundial por el levantamiento inmediato e incondicional del bloqueo genocida contra la hermana República de Cuba por parte del Gobierno de los Estados Unidos y la devolución del territorio ocupado por la Base Naval de Guantánamo.

    Expresamos nuestro apoyo incondicional a la Revolución Bolivariana y al legítimo gobierno liderado por el presidente Nicolás Maduro. Exigimos la derogación de la injerencista Orden Ejecutiva del Gobierno de los Estados Unidos que califica a Venezuela como una amenaza a su seguridad nacional. Saludamos la reciente victoria electoral del Frente Sandinista en Nicaragua y la reelección del Presidente Daniel Ortega. Alertamos sobre el intento de socavar la estabilidad del gobierno de El Salvador. Reclamamos la urgente necesidad de erradicar la pobreza, el hambre y la desigualdad social, para construir sociedades justas e inclusivas, que garanticen el acceso para todos a la salud, la educación pública, gratuita y de calidad, a una vivienda digna sin desalojos forzosos, el trabajo digno y el respeto a las conquistas y derechos laborales, el fomento de la cultura y la identidad, las oportunidades para los jóvenes y estudiantes, y la participación efectiva del pueblo. Nos solidarizamos con las luchas de los maestros y los estudiantes en toda la región, incluyendo las reformas educativas.

    Apoyamos los esfuerzos del pueblo colombiano por alcanzar la paz con justicia social, luego de cinco décadas de cruenta guerra, en el marco de los acuerdos logrados entre el gobierno colombiano y las FARC-EP, y del inicio del diálogo con el Ejército de Liberación de Nacional. La paz de Colombia es la paz del continente. Nos guía la convicción inequívoca de que el más efectivo recurso es la unidad de las naciones y los pueblos, y en ese ánimo reiteramos nuestro compromiso militante de hacer cuantos esfuerzos sean precisos para poner esa fuerza popular en pie, y así formar una barrera infranqueable contra las pretensiones del imperialismo estadounidense y sus aliados.

    Avanzar hacia la conquista de nuestra definitiva liberación nacional y social, que desde la inmortalidad nos siguen señalando los guías y precursores de esa causa, nos anima a adoptar la presente Declaración y suscribrirla con el más alto espíritu de solidaridad latinoamericana y caribeña, con eterno compromiso al legado de los invictos Comandantes Fidel Castro y Hugo Chávez e inspirados en la heroica resistencia de mujeres como Mamá Tingó, las Hermanas Mirabal y todos nuestros héroes y mártires de la Patria Grande.

    Santo Domingo, 24 de enero de 2017

    Firmado:
    Campaña Dominicana de Solidaridad con Cuba - CDSC
    Comité Dominicano de Solidaridad con la Revolución Bolivariana
    Articulación Nacional Campesina - ANC
    Comisión Nacional de los Derechos Humanos - CNDH
    Confederación Nacional Unidad Sindical – CNUS
    Federación de Transporte la Nueva Opción – FENATRANO
    Unión de Trabajadores Cañeros – UTC
    Confederación Nacional de Mujeres del Campo – CONAMUCA
    Asociación Nacional de Enfermería – ASONAEN
    Centro de Solidaridad para el Desarrollo de la Mujer – CE MUJER
    Cooperativa de Producción Social de la Vivienda – COOPHABITAT
    Justicia Climática
    Frente Estudiantil Flavio Suero – FEFLAS
    Movimiento de Mujeres Trabajadoras – MMT
    Movimiento de Trabajadores Independientes – MTI
    La Multitud
    Juventud Caribe
    Fundación Francisco Alberto Caamaño
    Corriente Magisterial Juan Pablo Duarte
    Universidad Autónoma de Santo Domingo – UASD
    Asamblea de los Pueblos del Caribe – APC
    Federación Sindical Mundial, América Latina y el Caribe - FSM
    ALBA Movimientos
    Cloc – Vía Campesina
    Grito de los Excluidos/as Caribe
    Campaña Cero Desalojos – AIH
    Partido Comunista del Trabajo – PCT
    Movimiento Patria para Todos – MPT
    Movimiento Rebelde – MR
    Fuerza de la Revolución – FR
    Círculos Caameñistas
    Camina RD
    Fuerza Juvenil Dominicana – FJD
    Ligas Populares – LP
    Unión del Barrio
    Marcha Patriótica
    Unión de los Trabajadores de Trinidad y Tobago
    Comité de Solidaridad con Cuba de Guyana
    Sindicato Petrolero de Trinidad y Tobago
    Organización por la Solidaridad con los Pueblos de Asia, África y América Latina - OSPAAAL
    Organización Continental Latinoamericana y Caribeña de Estudiantes – OCLAE
    Alianza Internacional de Habitantes, AIH
    Otros movimientos y fuerzas políticas y sociales de República Dominicana, Panamá,
    Nicaragua, El Salvador, Haití, Trinidad y Tobago, Puerto Rico, Venezuela, Cuba, Guyana,
    Colombia, Ecuador, Argentina, Bolivia y Estados Unidos.

    Portal CTB - foto: Fernando Medida

  • Lideranças dos movimentos sociais realizan nesta sexta-feira (8), às 14 horas, na capital paulista, uma manifestação de solidariedade à Venezuela e ao seu legítimo presidente, Nicolás Maduro, diante do Consulado da Venezuela, situado na rua general Fonseca Téles, 564, no Jardim Paulista. A direção da CTB, que estará presente na manifestação, divulgou nota contra a intervenção imperialista liderada pelos EUA no país. Leia abaixo:

    O povo venezuelano e a sua revolução bolivariana vivem uma de suas maiores ameaças. Um consórcio internacional golpista, liderado pelos Estados Unidos, fabricou um desconhecido fantoche (Juan Guaidó, que se autoproclamou presidente) e, através dele, agride as normas das relações internacionais e tenta derrubar o presidente legitimamente eleito do país, Nicolás Maduro. 

    Neste momento, a luta anti-imperialista desloca-se para a América Latina e tem como centro a defesa da autodeterminação do povo venezuelano e o respeito da América Latina como uma Zona de Paz. Como aprovou a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) em 2014, “baseada no respeito aos princípios e normas do Direito Internacional", os países se comprometem a solucionar pacificamente suas diferenças e conflitos, "expatriando para sempre" a ameaça da força como ferramenta política na região.

    O combate à ingerência externa contra a Venezuela tem a ver com o enfrentamento da onda direitista no mundo e em nossa região. Assim pensam e se orientam os classistas da CTB. 

    O povo venezuelano está fazendo a sua parte, resistindo nas ruas. Quanto a nós, devemos intensificar atos e agendas que denunciem mais uma manobra imperialista e prestar total solidariedade ao povo venezuelano e ao seu presidente Nicolás Maduro.

    Com base nessas opiniões, a reunião ocorrida ontem, 05/02, em São Paulo, a maior e mais representativa do Comitê pela Paz na Venezuela desde a sua constituição em 2017, definiu uma atividade que expressa nossa solidariedade e combate ao cerco midiático golpista contra a soberania da Venezuela (veja abaixo).

    Mãos à obra!

    Adilson Araújo - 

    Presidente nacional da CTB

    Nivaldo Santana - Secretário de Relações Internacionais da CTB

  • A parceria entre China e Rússia ganhou novo impulso na última semana, com o encontro dos presidentes Xi Jinping e Vladimir Putin em Moscou na véspera da comemoração do Dia da Vitória, 9 de maio, no 70º aniversário da vitória da União Soviética contra a Alemanha nazista. Os dois mandatários fecharam um acordo de US$ 25 bilhões em empréstimos chineses a empresas russas e diversos outros compromissos mútuos, inclusive um pacto pelo “reforço da aliança global” entre as duas nações.

    O presidente chinês enalteceu a “forte amizade” entre Pequim e Moscou, nascida, conforme afirmou, “nos combates da 2ª Guerra Mundial”, nos quais os dois povos guerrearam contra o eixo nazifascista - os soviéticos lutaram contra os alemães enquanto os chineses enfrentaram o imperialismo japonês. Putin afirmou que a China “é a principal aliada estratégica da Rússia”. Os dois líderes alertaram para o risco emergente do neofascismo no mundo.

    Merece também registro a realização da “Cooperação Marítima 2015”, exercício militar conjunto das duas potências nucleares no Mediterrâneo. Uma coluna de tropas chinesas participou da parada do Dia da Vitória, em mais um sinal da “forte amizade” mencionada por Jinping. Registre-se que os dois países, componentes do Brics, também fecharam recentemente um ousado acordo energético que em 30 anos pode mobilizar US$ 400 bilhões.

    Contraponto

    O fortalecimento da parceria entre Rússia e China ocorre no momento em que se acirram os conflitos diplomáticos entre os EUA e o governo Putin, alvo de sanções econômicas e uma dura campanha de isolamento e desestabilização, que o império promove em aliança com as potências capitalistas da Europa manobrando a perigosa situação da Ucrânia (onde patrocinaram um golpe e a ascensão de neofascistas ao poder) e procurando expandir o domínio da Otan na região.

    O governo Obama pretende sufocar Putin com as sanções e forçar a Rússia ao recuo e à humilhação na Ucrânia. Pressionados pela Casa Branca, os líderes do chamado Ocidente (EUA, União Europeia e Japão) boicotaram a comemoração, que não obstante reuniu 30 líderes estrangeiros e o secretário geral da ONU, Ban Ki-moon. Foi um acontecimento emblemático das transformações que estão em curso no mundo e das contradições a elas subjacentes.

    A China não só não aderiu às crescentes hostilidades do império contra Putin como faz gestos e toma atitudes concretas para evitar o isolamento político e a asfixia financeira da Rússia pelas potências capitalistas. É o caso dos empréstimos de US$ 25 bilhões anunciados dia 8, que certamente vão aliviar a situação do país, cuja economia está em crise devido à queda do preço do petróleo e às sanções ocidentais. Alguns analistas apostavam que Pequim não ia se juntar a Moscou, afrontando Washington, e nem estaria preparada para socorrer financeiramente a Rússia, mas os fatos apontam o contrário.

    O contraste entre os dois movimentos é notório e reflete uma disputa bem mais abrangente do que aparenta em torno da liderança mundial, peleja que se dá nos marcos de uma crise da hegemonia ou da sangrenta e controvertida Pax Americana. Embora os protagonistas principais sejam os Estados Unidos e a China, eles não são os únicos atores relevantes deste drama histórico.

    O fortalecimento da aliança entre Rússia e China, duas potências militares com poder de veto no Conselho de Segurança da ONU, tem o potencial de alterar substancialmente a correlação de forças internacional e criar um sonoro contraponto ao exercício, sempre unilateral, da hegemonia dos EUA. Constitui também mais uma evidência de que a ordem mundial remanescente dos acordos de Breton Woods está esgotada e o mundo vive, por consequência, uma transição para um novo tempo que abre caminho através das contradições e da luta, num processo que não será tranquilo ou pacífico e cujo desfecho não está desenhado.

    Convergência de interesses

    Embora o palco desses acontecimentos possa parecer distante do Brasil, assim como da Venezuela e outros países latino-americanos, a verdade é que eles estão estreitamente interligados à luta de classes que se desenvolve em nossas sociedades e que, como em todo o mundo, está em franco acirramento.

    Há uma fina sintonia entre o empenho da China e do Brics por uma nova ordem internacional e as iniciativas de governos, nações e povos latino-americanos e caribenhos pela integração política e econômica e pelo desenvolvimento soberano, traduzidos na rejeição da Alca e criação da Celac, caminho que nos conduz a um novo arranjo geopolítico regional que se contrapõe objetivamente aos desígnios do império estadunidense.

    As convergências de interesses no plano da economia política superam e ofuscam as divergências no intercâmbio comercial entre as indústrias brasileiras e chinesas, embora estas não sejam irrelevantes. A China, que hoje é a maior economia do mundo, se transformou na principal parceira comercial do Brasil (desde 2009) e da América Latina.

    Acumulou também um forte “cacife financeiro” para respaldar sua influência econômica, conforme notou o jornal Valor em editorial. Ao longo dos últimos anos o Estado chinês emprestou mais de US$ 50 bilhões à Venezuela, investiu um valor superior a US$ 20 bilhões na Argentina, países rebeldes ao FMI e submetidos ao forte boicote do sistema financeiro ocidental, e oferta projetos de infraestrutura no valor de US$ 59 bilhões ao Brasil.

    Os investimentos chineses no exterior têm mais sentido político, estratégico, do que os realizados pelas potências ocidentais na medida em que estão sujeitos predominantemente ao controle direto do Estado e não das multinacionais, ou seja, do capital privado, cujo objetivo maior é sempre em primeiro plano o lucro. Ou seja, tais investimentos não se submetem necessariamente à lógica estreita do capital e percorrem um caminho diferente do trilhado pelos EUA e Europa. A Petrobras obteve em abril um empréstimo de US$ 3,5 bilhões do Banco de Desenvolvimento da China no momento em que o sistema financeiro ocidental negava crédito e procurava sufocar a estatal.

    O estabelecimento de uma ordem internacional efetivamente democrática e multilateral, defendido pelos dirigentes do Partido Comunista Chinês, coincide com o anseio e a luta dos povos, nações e governos progressistas pela integração soberana e por um novo arranjo geopolítico regional.

    Os interesses dos EUA em Nossa América estão alinhados aos das forças mais obscuras e reacionárias, ao que podemos caracterizar de um modo geral como interesses de classe das burguesias locais. Já os objetivos atuais da China, em que pesem as contradições que rondam a corrente comercial e as relações de troca, convergem objetivamente com os interesses da classe trabalhadora e dos governos progressistas na região e em particular com a luta por um Brasil socialmente justo, democrático e soberano, que colidem com os propósitos da burguesia imperialista estadunidense e seus lacaios por aqui, recrutados no seio da burguesia nacional.

    O Brics tem tudo a ver com a Celac, a Unasul, a Alba e o Mercosul. E absolutamente nada a ver com a Alca. A ascensão da China à condição de grande potência financeira pode ser uma válvula de escape para os países economicamente dependentes que estão hoje submetidos ao tacão de ferro do sistema financeiro do dito Ocidente, às chantagens e imposições de rentistas e fundos abutres norte-americanos e europeus. O reforço da aliança econômica, política e militar entre China e Rússia é uma notícia alvissareira para a humanidade e oxalá que promova “um escudo poderoso da paz e da segurança mundial”, conforme disse Fidel Castro, capaz de conter os ímpetos belicosos do império e afastar o fantasma da guerra, que voltou a assombrar e pode abortar a história humana.

    Umberto Martins é jornalista e assessor político da CTB 

    Os artigos publicados na seção “Opinião Classista” não refletem necessariamente a opinião da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e são de responsabilidade de cada autor.