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Dom, Jun

Censo 2010

  • “Com o objetivo de mapear e coletar essas histórias, lançamos esta semana a PretaLab, iniciativa com objetivo de aumentar o número de meninas e mulheres que atuam nas diversas áreas da tecnologia e inovação no país”, diz texto da organização social Olabi, sobre o projeto, lançado na quinta-feira (16), no Rio de Janeiro.

    Para a secretária da Igualdade Racial da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Mônica Custódio, é muito “importante incluir as negras e indígenas nas novas tecnologias para propiciar igualdade de oportunidades. É uma iniciativa importante já que a maioria de nós vai para a área de humanas. E é onde as oportunidades são mais acessíveis”.

    “Já que”, diz ela, “o governo de Michel Temer está abandonando todas as políticas afirmativas para a inclusão dessa parcela marginalizada na sociedade”. De acordo com Censo 2010, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as mulheres negras representam 25,5% da população do país.

    Já a Medium Corporation afirma que não há nenhuma negra entre as 19.000 mulheres citadas pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Já entre os bolsistas para ciências exatas, apenas 5,5% são negras. Além disso, diz ainda,  10 negras se formaram na Politécnica da Universidade de São Paulo em 120 anos.

    "O CNPq é um espaço de fundamental importância na relação do saber e do conhecimento. É uma ferramenta de construção de novos nomes na ciência dentro e fora de no país".

    pretalab

    “Pena que o racismo institucional impede a população negra de ter as mesmas oportunidades dos brancos. Em relação às mulheres a situação piora ainda mais porque vivemos numa sociedade patriarcal e sexista”, afirma Custódio.

    "Nossa juventude negra tem há um tempo disputado esse espaço selecionado e quase fechado. Em especial as jovens mulheres desbravadoras negras".

    De acordo com a reportagem “estima-se que nos Estados Unidos apenas 2% da força de trabalho em todo universo da ciência e engenharia seja de mulheres negras. No Brasil, esse dado sequer existe”.

    Para Custódio, “a sociedade e torna as mulheres negras invisíveis e todos os projetos que visem estimular e desenvolver a nossa autoestima torna-se essencial para a melhoria de vida da população mais carente da população”.

    A entidade se propõe a criar possibilidades para as pessoas desenvolverem saberes, “propondo uma reflexão crítica e propositiva sobre as mulheres negras e indígenas e as tecnologias no mundo contemporâneo”.

    “O mundo digital é uma realidade e quanto mais incluirmos as pessoas que têm menos possibilidade de acesso a essas novas tecnologias, criamos condições de atingir cada vez com menos injustiças uma civilização mais humana e avançada”, diz a sindicalista carioca.

    Ela ressalta ainda a discriminação que as negras sofrem no mercado de trabalho. “Ganhamos cerca de 40% dos salários dos homens brancos e nos destinam os piores trabalhos”.

    Por isso, para Custódio projetos desse porte são importantes para a emancipação dessas mulheres, “esquecidas pelo Estado”.

    O projeto se destina às meninas e mulheres negras e indígenas “que tenham qualquer tipo de atuação relacionada ao campo da inovação e da tecnologia”. Para participar acesse e preencha o formulário aqui.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

  • O general da reserva Hamilton Mourão, candidato a vice-presidente na chapa da extrema-direita ao lado de Jair Bolsonaro, afirmou em uma palestra no Sindicato da Habitação (Secovi), em São Paulo, nesta segunda-feira (17), que famílias “sem pai e avô” formam “fábricas de desajustados”.

    Esquece o general Mourão que, em 2016, o Conselho Nacional de Justiça divulgou que existem no Brasil, 5,5 milhões de crianças sem o nome do pai na certidão de nascimento, com base no Censo Escolar de 2011.

    “A partir do momento que a família é dissociada, surgem os problemas sociais que estamos vivendo e atacam eminentemente nas áreas carentes, onde não há pai nem avô, é mãe e avó. E por isso torna-se realmente uma fábrica de elementos desajustados e que tendem a ingressar em narco-quadrilhas que afetam nosso país”, disse Mourão.

    “Ledo e Ivo engano”, diria Luis Fernando Verissimo. A pesquisa Retrato das Desigualdades de Gênero e Raça,desmente o general extremista. De acordo com o levantamento feito pelo  Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o número de lares chefiados por mulheres passou de 23%, em 1995 para 40%, em 2015.

    O Censo 2010, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostra que 38,7% dos quase 58 milhões de domicílios, já eram chefiados por mulheres. “Visão totalmente fora da realidade desse general", diz Celina Arêas, secretária da Mulher Trabalhadora da CTB. "Qualquer pessoa que almeja dirigir um país, precisa ter bom senso".

    Para ela, “todo o discurso da candidatura da extrema-direita se baseia no ódio e na discriminação, sem a menor preocupação com a realidade”, complementa. “É incrível que em pleno século 21, ainda prevaleçam visões deturpadas, baseadas no ódio de classe, no sexismo e racismo”.

    Outro estudo, com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), do IBGE,  sobre o tema mostra que o número de lares chefiados por mulheres teve um aumento de 105% em 15 anos.

    O levantamento elaborado pelos demógrafos Suzana Cavenaghi e José Eustáquio Diniz Alves, sob a coordenação da Escola Nacional de Seguros, mostra que em 2001, 14,1 milhões de casas tinham a mulher como principal referência e em 2015 esse número passou para 28,9 milhões.

    Ainda, de acordo com o IBGE, no primeiro trimestre deste ano, a taxa de ocupação dos homens estava em 63,6% e as mulheres ocupadas representavam 44,5%. “Isso porque a crise vem se agravando com o desgoverno Temer e as mulheres são  as primeiras a perder o emprego”, afirma Celina. Além de as mulheres ganharem em média quase 1/3 a menos que os homens.

    A sindicalista lembra que cresce a participação das mulheres no mercado informal de trabalho. Como mostra levantamento do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o número de mulheres trabalhando como vendedoras ambulantes cresceu 55,5%, entre 2015 e 2017.

    "Diversos estudos comprovam que as mulheres estudam mais,trabalham mais, ganham menos e têm sobre os seus ombros as tarefas domésticas e a criação das filhas e filhos", define.

    Marcos Aurélio Ruy - Portal CTB. Foto: Suamy Beydoun/Agif/Estadão Conteúdo