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Sáb, Fev

Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé

  • "Temos Janaína Paschoal, eles têm Donald Trump. O que é pior?", pergunta diretora de O Processo

    Guta Ramos entre Camila Ribeiro, diretora da UNE e Wandré Fernandes, cineasta

    O Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé inaugurou em grande estilo o seu Núcleo de Cultura nesta terça-feira (12), às 19h. A convidada do evento foi a cineasta Maria Augusta Ramos, diretora do documentário “O Processo”, sobre o golpe na presidenta Dilma Rousseff, em 2016.

    Primeiramente desta vez não foi simplesmente o “Fora Temer”, mas a apresentação de uma parte da obra premiada internacionalmente, que atrai grande público com vontade de conhecer os meandros do processo que deu início ao governo ultraliberal de Michel Temer e o mantém na Presidência, mesmo rejeitado por absoluta maioria da população.

    Leia e saiba mais sobre a obra de Guta Ramos

    Cai a máscara de Temer: “O Processo”, filme sobre o impeachment, é premiado no Festival de Berlim

    Ela foi logo avisando que não faz cinema com tudo mastigadinho. “Faço filmes para instigar, que leve as pessoas a pensar”. Para ela, o público brasileiro tem uma reação emocional com a sua obra.

    Segundo a cineasta, “a política virou um grande teatro no mundo inteiro, porque a mídia espetaculariza tudo e as pessoas parecem estar interpretando o tempo todo". Ela explica que “nós temos a Janaína Paschoal, mas eles têm o Donald Trump. O que é pior?”.

    Cinema

    Guta diz que se propõe a levar reflexão com suas películas. “Não importa se a Gleisi (Hoffmann) é do PT, quero gerar questionamentos com o que ela representa”. Além disso, afirma que a carga emocional é um traço fundamental em suas obras.

    Ela conta que foram 450 horas de filmagem, 70 diárias e seis meses para editar todo esse material e chegar ao resultado de pouco mais de duas horas que o documentário tem. “Espero que daqui há 20 anos as pessoas possam assistir esse documentário para entender o que foi o processo de impedimento de uma presidenta eleita democraticamente”.

    Diz ainda que a obra foi realizada com poucos recursos e na maioria das vezes contava com apenas uma câmera, direcionada com o seu olhar sobre o fato em si.

    Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB

  • “Terrorismo sobre governo Dilma virou euforia permeada de pânico”. Assista debate na íntegra

    Na segunda rodada de debates do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé para a Semana Nacional pela Democratização da Comunicação, o tema do encontro foi “A Imprensa e a Badalada Recuperação da Economia”.

    Na mesa estavam Leda Paulani, professora da Faculdade de Economia e Administraçao da Universidade de São Paulo (USP) e ex-secretária Municipal de Planejamento da cidade de São Paulo, e Marcio Pochmann, professor da Universidade de Campinas (Unicamp), ex-presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e presidente da Fundação Perseu Abramo. A mediação ficou por conta de Ana Flávia Marx, diretora do Barão.

    Você pode assistir à íntegra do primeiro debate logo abaixo:

    A discussão tentou desvendar como e por que a imprensa, ignorando números e indicadores, passou do terrorismo midiático sobre a economia durante o governo Dilma para um inabalável otimismo na era Temer.

    Leda Paulani iniciou sua fala lembrando que a crise que se iniciou em 2014 foi seguramente a maior em termos de queda de PIB que o Brasil já teve. Os crescimentos recentes, entre 1% e 0,2%, não representam uma retomada real, mas consequências imediatas de fatores pontuais, como a safra recorde no setor agrícola, uma mudança metodológica nos cálculos estatísticos do setor do comércio ou a liberação de parte dos fundos do FGTS.

    “É muito complicado você falar em recuperação quando você tem números desta ordem, por mais que a Folha escreva: ‘Economia dá sinais de recuperação’. Gente, se isso aí for sinal de recuperação, eu não sei como interpretar”, disse, refletindo sobre o otimismo excessivo da imprensa. “Se antes nós vivíamos um terrorismo financeiro nos noticiários, o que nós vemos agora é uma euforia infundada. Quando a gente olha a formação bruta de capital fixo, a capacidade produtiva caiu 6,5% em relação ao ano anterior. Outra coisa é o gasto do governo, que caiu 0,9%, e ainda assim nós temos alguns ‘analistas’ aí que estão falando que estão revisando o crescimento para 1% neste ano - é impossível!”, analisou.

    A interpretação de Leda é de que o aumento do PIB não é sustentável para 2018. Mesmo levando em conta a facilidade de crescimento que segue uma depressão econômica, o crescimento não deve ultrapassar 0,5%.

    “Há uma segunda característica essencial desse ‘euforia’, que é própria do pensamento neoliberal, que é a mistura da negação da realidade com uma espécie de alarmismo econômico que nunca desaparece. A imprensa dá essas notícias de recuperação ao mesmo tempo em que fala que ‘se isso não for feito, o país vai quebrar’, ‘se a Previdência não sofrer cortes, o Brasil vai falir’. É uma coisa que a gente vê desde 2002, quando a mídia começou a dizer que o país perderia a estabilidade monetária se o Lula vencesse, e vimos de novo em 2014, quando caíram os preços das commodities. Eu não entendo esse tipo de análise. Ou eles estão vendo algo que eu não vejo, ou já foram cooptados”, concluiu.

    Leia também: Folha, Vermelho, Escrevinhador - o que pensam três jornalistas sobre a imprensa no golpe de 2016

    Pochmann preferiu fazer uma interpretação histórica das dificuldades econômicas brasileiras, e não falou muito da atuação da imprensa. “Eu não acho que bater na imprensa responde muito, porque eles sempre foram isso aí. A imprensa no Brasil sempre foi alinhada com as oligarquias, sempre foi a voz do patrão, nunca se alinharam de fato com os interesses da população. Então é o tipo de coisa que a gente já tem que levar em conta quando começa a pensar em um plano econômico”, criticou. Ele salientou que tratar a imprensa como um espaço imparcial é um erro da própria esquerda. “A mídia, no Brasil e em toda a América Latina, é a voz do capital, e está tornando o debate sobre o tema da economia cada vez mais pobre. Ela não permite espaço para a chamada ‘heterodoxia econômica’ que defende o desenvolvimentismo”.

    O professor acusou a política econômica de Michel Temer de comprometer as próximas duas décadas de crescimento no Brasil, além de reduzir o país a um paraíso financeiro no qual toda decisão empresarial será baseada no potencial de retorno de dividendos, e não de produtividade. “O que está sendo feito hoje será muito difícil de ser revertido. Nós vamos sair desta crise com uma indústria que corresponderá a menos de 10% do PIB - um patamar que o Brasil via desde 1910! Isso significa que seremos basicamente uma economia de serviços, dependente tanto do ponto de vista industrial quanto do ponto de vista tecnológico”, analisou.

    Para ele, a recessão pela qual hoje atravessa o país foi estimulada artificialmente pela direita para que fosse possível realizar um realinhamento econômico, contrário ao desenvolvimentismo. “Eles aproveitaram alguns erros do governo Dilma, fizeram o terrorismo e jogaram contra as medidas que o governo tentou tomar. Uma característica da sociedade brasileira é que os governos dificilmente sobrevivem a uma depressão econômica, nem a ditadura conseguiu, e eles apostaram nisso. Quando tomaram o poder, repetiram o receituário que levou à recessão da década de 80: transferência da renda das famílias para o pagamento da dívida, queda no consumo e produção e incentivos ao capital especulativo”, comparou.

    Vale lembrar que, depois da aplicação dessas medidas, o Brasil jamais conseguiu recuperar sua capacidade de investimento. Mesmo no governo Lula, a marca nunca ultrapassou 21%, um índice baixíssimo para um país em estágio de desenvolvimento.

    À exposição dos dois se seguiu uma rodada de perguntas sobre economia que encerrou o encontro. O Barão de Itararé realizará ainda uma terceira palestra na sexta-feira (21), conforme o panfleto abaixo. Ela será transmitida em tempo real na página da instituição no Facebook. Você poderá acompanhar o evento também através do perfil da CTB.

    barao ciclo debates

    Por Renato Bazan - Portal CTB

  • Acontece nesta sexta (20) o debate sobre os impactos da Revolução Russa de 1917; não perca!

    No Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé acontece o lançamento do livro “Outubro Vermelho – 100 anos 1917-2017”, nesta sexta-feira (20), na sede do Barão de Itararé (Rua Rego Freitas, 554, 8º andar, sala 83, República, São Paulo), às 19h. Não perca!

    No evento ocorre o debate "Os Impactos da Revolução Socialista de 1917", com a presença de Iole Ilíada, do Conselho Curador da Fundação Perseu Abramo, Gilberto Maringoni, jornalista e professor da Universidade Federal do ABC e José Reinaldo Carvalho, secretário de Relações Internacionais do Partido Comunista do Brasil (PCdoB).

     A obra estará à venda pelo valor promocional de R$ 20 durante a atividade, que contará com coquetel. A entrada é livre.

    Serviço

    O que: Debate Os Impactos da Revolução Socialista de 1917

                Lançamento do livro Outubro Vermelho – 100 anos 1917-2017

    Onde: Barão de Itararé

               Rua Rego Freitas, 554, 8º andar, sala 83, República, São Paulo

    Quando: Sexta-feira (20), às 19h

    Quanto: De graça

    Portal CTB

  • Barão de Itararé: Noam Chomsky fala a blogueiros e mídias alternativas nesta segunda (17). Assista!

    Nesta segunda-feira (17), o linguista, filósofo e ativista norte-americano Noam Chomsky fala a blogueiros e mídias alternativas sobre golpe, democracia, a ameaça da extrema-direita e as eleições no Brasil.

    Chomsky veio ao país para o seminário internacional Ameaças à democracia e à ordem multipolar, organizado pela Fundação Perseu Abramo, ocorrido na sexta-feira (14).

    No evento, ele afirmou que os cortes sociais praticados no Brasil são a estratégia adotada em todos os governos neoliberais e que o neoliberalismo é responsável pelo crescimento da extrema direita em diversos países do mundo. 

    A coletiva será no Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, em São Paulo. Acompanhe a palestra de hoje ao vivo, a partir das 18h, no site www.baraodeitarare.org.br.

    Assista: 

    Portal CTB

     

  • Barão promove o curso "A comunicação para enfrentar os retrocessos"

    A comunicação é uma ferramenta fundamental para travar a disputa de ideias na sociedade e fortalecer as lutas populares. Em tempos de golpe e graves retrocessos como o período atual, então, ela é imprescindível. Por isso, o Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé promove o curso A comunicação para enfrentar os retrocessos. A atividade tem caráter nacional e ocorre nos dias 26, 27, 28 e 29 de março, na Escola do Dieese (Rua Aurora, 957) em São Paulo.

    Durante quatro dias, serão ministradas palestras e oficinas para capacitar militantes, sindicalistas e ativistas do movimento social no debate sobre a democratização da comunicação e na produção de informação e conteúdos jornalísticos em diferentes plataformas.

    O curso conta com o apoio do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), da Agência Sindical, do Centro de Estudos Sindicais e Economia do Trabalho (Cesit), Central Única dos Trabalhadores (CUT), Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Intersindical, Nova Central Sindical de Trabalhadores (NCST), da Força Sindical e da União Geral dos Trabalhadores (UGT).

    Inscrições

    O valor da taxa de inscrição para os quatro dias de curso é de R$ 300, que podem ser parcelados em até 5 vezes sem juros ou em até 12 vezes (com juros). A adesão não inclui hospedagem e alimentação. Para indicações e orientação, entre em contato através do e-mail Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo..

    São 120 vagas disponíveis. Para garantir a sua, basta preencher o formulário e realizar o pagamento através do botão do PagSeguro, ambos disponíveis ao fim desta página. Se preferir, acesse o formulário aqui.

    PROGRAMAÇÃO

    26 de março, segunda-feira

    14 horas – A ofensiva contra os trabalhadores e o sindicalismo
    - Clemente Ganz Lúcio (Dieese)
    - Antonio Augusto Queiroz (Diap)
    - Marilane Teixeira (Cesit)

    18 horas – O papel da mídia corporativa e a luta pela democratização da comunicação
    - Paulo Henrique Amorim (Conversa Afiada)
    - Renata Mielli (Secretária-Geral do Barão de Itararé e coordenadora do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação - FNDC)
    - Laurindo Leal Filho (jornalista, sociólogo e professor da Universidade de São Paulo)
    - Tereza Cruvinel (jornalista e fundadora da Empresa Brasil de Comunicação - EBC)

    21 horas – Festa de confraternização

    27 de março, terça-feira

    9 horas – TVWeb e a sedução dos vídeos
    - Luiz Carlos Azenha (Blog Viomundo)

    14 horas – Os segredos das redes sociais
    Laura Capriglione (Jornalistas Livres) (*)
    Mauro Panzera

    17 horas – Como montar uma rádio WEB
    Carlos Tibúrcio (Rádio Democracia no Ar)

    28 de março, quarta-feira

    9 horas – Como organizar uma rádio comunitária
    José Eduardo Souza (Rádio Cantareira)

    14 horas – Como fortalecer as TVs comunitárias
    Beto Almeida (TV Cidade)

    17 horas – Instrumentos e linguagem da comunicação
    João Franzin (Agência Sindical)
    Altamiro Borges (Autor do Blog do Miro e presidente do Barão de Itararé)

    29 de março, quinta-feira

    9 horas – Planejamento e marketing sindical
    Clomar Porto
    Chico Malfitani

    14 horas – Troca de experiência
    Secretários de comunicação das nove centrais sindicais que apoiam o curso

    17 horas - Balanço do curso e próximos passos

    *Nomes ainda não confirmados

    Fonte: Barão de Itararé

  • Comunicadores participam 3º Encontro de Blogueir@s e Ativistas Digitais; assista ao vivo

    Comunicadores de todo o estado participam desde a última sexta-feira (09) e neste sábado (10), do 3ºEncontro de Blogueir@s e  Ativistas Digitais do Estado de SP. O encontro, que visa debater a democratização da comunicação, é realizado a cada dois anos, alternando com os encontros nacionais.

    A atividade é uma parceria do Comitê Estadual de Blogueiras/os Progressistas de SP e do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, e conta com o apoioda CTB, traz à tona temas relevantes da conjuntura, sob a perspectiva da comunicação.

    As graves ameaças à liberdade de expressão desatadas pelo Estado de exceção em curso no país foram tema da abertura na sexta-feira (9). Gleisi Hoffmann (senadora e presidenta nacional do PT), Luciana Santos (deputada e presidenta nacional do PCdoB) e os jornalistas Maria Inês Nassif e Altamiro Borges participaram do debate no Sindicato dos Servidores Municipais de São Paulo (Sindsep). A mediação ficou por conta de Renata Mielli, do Barão de Itararé e do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC).

    Com cerca de 100 presentes e mais de 13 mil espectadores acompanharam a transmissão ao vivo. 

    Neste sábado (10), a batalha comunicacional na América Latina foi tema do debate que abriu os trabalhos, com a participação do ex-correspondente da TeleSur, Leonardo Fernandes e Marco Piva, apresentador do programa Brasil Latino, na Rádio USP.

    Veja a programação deste sábado:

    10/06 - Sábado

    9h às 10h – Comunicação e Blogosfera na América Latina

    10h às 12h – Rodas de conversa
    Roda 1: A mulher na mídia
    Roda 2: Diversidade e comunicação
    Roda 3: A relação da grande imprensa e o genocídio

    12h – Almoço Das 13h30 às 15h –

    Oficinas - 15h30 às 17h

    17h às 18h – Mesa final: Golpes ontem e hoje, 1964 e 2016

    Assista à transmissão ao vivo: 

     

    Portal CTB com Barão de Itararé

  • Ex-ministro Antonio Palocci ameaça denunciar a Globo e a família Marinho treme

    O programa Domingo Espetacular, da Rede Record, exibiu neste domingo (16) por mais de 16 minutos uma consistente reportagem de Luiz Carlos Azenha sobre as inúmeras acusações de sonegação fiscal, empresas de fachada em paraísos fiscais e corrupção envolvendo a família Marinho, dona da organização de comunicação mais poderosa do país, a Rede Globo.

    O ex-ministro Antônio Palocci diz ter muito o que delatar da emissora carioca. “O mais importante é que as denúncias contra as organizações Globo foram colocadas em rede nacional, deixou de se restringir apenas à blogosfera”, afirma Altamiro Borges, jornalista e presidente do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé.

    Para ele, há uma disputa política evidente entre a família Marinho e a emissora ligada à Igreja Universal. “A reportagem do Azenha não deixa dúvidas de que o ex-ministro Palocci sabe muita coisa que pode envolver ilícitos dos Marinho. Resta saber se a Lava Jato vai aceitar a delação e se o STF (Supremo Tribunal Federal) não vai impedir as investigações”.

    O jornalista Miguel do Rosário já vinha denunciando desde 2013 o envolvimento das organizações Globo em negociatas pelos direitos de transmissão da Copa do Mundo de 2002, empresas de fachada, utilização de laranjas, desvio de bilhões e sonegação fiscal bilionária.

    Confira a reportagem completa da TV Record: 

    Borges explica que a briga entre as poderosas empresas de comunicação transcende a disputa comercial. “A Globo deseja tirar o Michel Temer e a realização de eleições indiretas para o aprofundamento do projeto golpista. A Record se mantém aliada a Temer por estar ligada a outro projeto”.

    Ele explica que em relação às reformas contra a classe trabalhadora a Record consegue ser pior que a Globo. “Um levantamento mostra que 100% das reportagens da emissora de Edir Macedo têm sido favoráveis às reformas, na Globo 90%.

    A briga apenas começou. A coluna Esplanada do jornal O Dia diz que o presidente ilegítimo ordena a execução de dívidas da empresa dos Marinho com a União. Informa ainda que a “tropa de choque” de Temer ameaça não renovar concessões da emissora. A conferir.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

  • Facebook: 2 bilhões de usuários e um projeto para dominar o mundo

    Além de violar o nosso direito à privacidade e usar de forma indevida nossos dados pessoais, agora o Facebook quer ler nossas emoções, quer se apropriar da nossa alma.

    O Facebook atingiu a impressionante marca de 2 bilhões de usuários em todo o planeta. Aproximadamente 25% da população mundial está na plataforma fundada por Mark Zuckerberg. Isso deveria ser motivo de uma séria e profunda reflexão sobre o papel desta plataforma na sociedade hoje.

    Nascido em fevereiro de 2004 para ser uma rede de relacionamento para os estudantes da Universidade Harvard, o Facebook, em apenas 13 anos, transformou-se num dos maiores – senão o maior – monopólio privado de comunicação do mundo.

    Ao longo desta década, a existência do Facebook teve impacto importante nos hábitos de consumo de notícias, no padrão de ‘relacionamento’ entre as pessoas e organizações e tem crescentemente influenciado decisões políticas e eleitorais.

    Primavera Árabe, Indignados da Espanha e Occupy Wall Street, no ano de 2011, foram talvez as primeiras grandes mobilizações sociais cujo engajamento ocorreu de forma decisiva pela plataforma de Zuckerberg. No Brasil, podemos citar as mobilizações de junho de 2013.

    Sua rede está tão onipresente nos dias atuais, que muitos usuários acreditam que o Facebook seja a própria internet. Isso não é nada bom. Ao contrário: é muito perigoso.

    Rua sem Saída

    O Facebook está sugando a internet para dentro de sua “timeline”. Poucas pessoas navegam na internet hoje. Elas acessam o Facebook e nele ficam lendo manchetes de notícias, postagens pessoais, institucionais, fotos e vídeos, mas dificilmente clicam para ir para o conteúdo original.

    Isso ocorre por vários motivos, entre eles porque as novas tecnologias criaram a ditadura da velocidade: não há tempo para ler uma notícia, um artigo ou assistir a um vídeo de mais de 30 segundos.

    Também porque o modelo de negócio das empresas de Telecomunicações impôs um padrão de acesso baseado nos dispositivos móveis (celulares) que oferta pacotes limitados de dados com alguns aplicativos “gratuitos”. É o que chamamos de ‘zero-rating’. E o Facebook, coincidentemente, é um destes aplicativos nos quais você navega e acredita não estar pagando por isso. Aliás, o Facebook e o Whatsapp (comprado pelo Facebook, em 2014, pela bagatela de US$ 22 bilhões).

    Assim, quando você se depara com um artigo bacana do Mídia Ninja na sua timeline e clica para ler o conteúdo, aparece uma mensagem, digamos pouco estimulante, perguntando se você tem certeza que quer ler aquele conteúdo, porque a partir daquele momento o tempo que você ficar fora do Facebook vai ser descontado do seu pacote de dados.

    Digamos que para 89% dos usuários da internet no Brasil que acessam a rede a partir de dispositivos móveis, – a maioria com contrato no modelo pré-pago – a mensagem é quase um alerta: Não faça isso!

    Além disso, o Facebook foi criando novas funcionalidades para que você se sinta cada vez mais “em casa” e não queria sair. Por que sair, não é mesmo? Por exemplo, se você quer publicar um vídeo, publique diretamente no Facebook. Transmissão ao vivo, use o live do Facebook. Até porque se você não fizer isso, sua postagem será, digamos, sabotada. Experimente comparar o desempenho de postagens de vídeos ou lives de outros aplicativos e os que usam o próprio Facebook que você vai ver isso explicitamente.

    O Facebook é como uma rua sem saída. Até os conglomerados tradicionais da mídia hegemônica estão se rendendo a sua força centrípeta. Acordos entre a rede social e grupos de mídia criaram os instant articles. Sob o argumento de que nos celulares muitas vezes o carregamento de páginas externas é muito lento, o Facebook criou um mecanismo para que as empresas jornalísticas publiquem notícias diretamente na plataforma. Conveniente, não?

    Trabalho não remunerado

    Não dá para negar que o CEO do Facebook e sua equipe são brilhantes. Não pelas funcionalidades do Facebook e por terem construído algo tão grandioso, mas principalmente porque fizeram um negócio bilionário cujo conteúdo que lhe dá valor é produzido por seus 2 bilhões de usuários, de forma gratuita. Isso mesmo, eu, você, e todos que postamos NOSSOS conteúdos no Facebook e trabalhamos gratuitamente para ele. E para se ter uma ideia do quanto nosso trabalho é lucrativo, em 2016 o Facebook teve um receita de US$ 26,8 bilhões, 57% maior que em 2015. Seu lucro líquido aumentou 117%.

    Ah, você pode me questionar agora, “mas não pagamos nada por isso”, o Facebook é “de grátis”. Mais ou menos.

    Primeiro porque pagamos com o nosso trabalho, com o tempo que dedicamos a curtir, reagir e postar coisas no Facebook. E uma das máximas do capitalismo pode ser expressa pela frase “time is money”. E, além disso, o Zuckerberg criou os posts patrocinados. Ah!, quem disse que a gente não paga pelo Facebook. A gente precisa pagar para ser visto, ou para termos a sensação que estamos sendo vistos, lidos e seguidos.

    Aqui, na minha opinião, está um dos problemas mais graves do Facebook: a falsa ideia de que estamos falando para muita gente, que finalmente quebramos a barreira da comunicação unidirecional e que estamos exercendo plenamente nossa liberdade de expressão. Ledo engano. Você pode ter 1 milhão de amigos, igual ao Rei Roberto Carlos, mas esteja certo de que algo em torno de 1% disso pode de fato prestar atenção em você. Se você pagar, vai atingir um pouco mais, mesmo assim, quem vai te ver será determinado por um algoritmo, uma fórmula matemática que, aplicada, tem contribuído para uma rápida evolução da Inteligência Artificial.

    Ou seja, quem determina quando e quem vai ver sua postagem é um código que, no fundo, ninguém sabe como funciona de verdade e quais são os parâmetros de dados utilizados para definir a sua programação.

    A ideia de que seriam apenas dados aleatórios baseados no número de interações, interesses e no mapa do seu comportamento na rede, de que não seriam aplicados outros filtros, de caráter político, ideológico e econômico não está devidamente garantida.

    Até porque o Facebook já informou, há quinze dias (após os atentados do início de junho em Londres), que seus algoritmos estão usando Inteligência Artificial para retirar conteúdos “terroristas” da sua plataforma. “A análise inclui um algoritmo que está no estágio inicial de aprendizagem sobre como detectar posts similares. A promessa do Facebook é que o algoritmo vai acumulando informação e se aperfeiçoando com o tempo. Os algoritmos também estão usando páginas, grupos, posts ou perfis já catalogados que estão apoiando o terrorismo para tentar identificar material relacionado que possa estar fazendo o mesmo”, disse nota da empresa.

    Se podem identificar conteúdo “terrorista”, podem identificar qualquer conteúdo e isso pode significar um potencial de censura e manipulação da informação imensos. Quem define quem são os terroristas? Quem define quem são os inimigos?

    O plano: dominar o mundo

    E muito ainda está por vir. Novas funcionalidades para o Facebook são estudadas e desenvolvidas na velocidade da luz. Todas devidamente patenteadas para garantir a propriedade do Facebook sobre elas. Aliás, uma visita no escritório de patentes para conhecer o que o Facebook tem em seu nome é uma pesquisa interessante e preocupante. Uma delas é um dispositivo para capturar o rosto dos seus usuários e, com isso, definir seu “humor”. “Através de uma técnica para detecção de emoção e entrega de conteúdo. Este é um fluxograma direto para capturar a imagem dos usuários através da câmera para rastrear suas emoções ao visualizar diferentes tipos de conteúdo. O Facebook poderia ver seus estados emocionais ao assistir vídeos, anúncios ou imagens de bebê e isso serviria de conteúdo no futuro, apenas lendo seu estado inicial de emoção”, segundo notícia publicada no site da Forbes.

    Além de violar o nosso direito à privacidade e usar de forma indevida nossos dados pessoais (nós concordamos com isso de forma não informada quando aceitamos às políticas de privacidade – alguém lê mesmo isso? Tema para outro artigo futuro), agora o Facebook quer ler nossas emoções, quer se apropriar da nossa alma.

    E qual o objetivo de tudo isso? Melhorar a nossa “experiência” de navegação? Certamente que não. O poder é algo que seduz. E Mark Zuckerberg definitivamente parece estar querendo mais poder.

    No início deste ano, às vésperas de chegar à marca de 2 bilhões de usuários, Zuckerberg fez dois pronunciamentos, um em março e outro no último dia 22 de junho, dizendo que diante do novo contexto internacional, dos dilemas da humanidade, o Facebook se viu convocado a mudar a sua missão. Inicialmente pensada para “conectar as pessoas”, agora ela é ajustada para “aproximar o mundo” (Bringing the World Closer Together).

    O CEO do Facebook parece crer que sua plataforma pode estar acima das nações e dos poderes constituídos. Na primeira carta que lançou sobre o tema, Zuckerberg afirma: “Os atuais sistemas da humanidade são insuficientes. Esperei muito por organizações e iniciativas para construir ferramentas de saúde e segurança por meio da tecnologia e fiquei surpreso por quão pouco foi tentado. Há uma oportunidade real de construir uma infraestrutura de segurança global e direcionei o Facebook para investir mais recursos pra atender a essa necessidade”.

    Mais recentemente, no evento que reuniu as “lideranças” das maiores comunidades do Facebook, Zuckerberg retoma o tema e afirma que é preciso enfrentar um mundo dividido e, a partir do Facebook, lançar as bases para um “common ground”, numa tradução literal um terreno comum, um mundo mais homogêneo e unido. “Este é o nosso desafio. Temos que construir um mundo onde todos tenham um senso de propósito e comunidade. É assim que vamos aproximar o mundo. Temos que construir um mundo em que nos preocupemos com uma pessoa na Índia, na China ou na Nigéria ou no México, tanto quanto uma pessoa aqui. É assim que conseguiremos as nossas maiores oportunidades e construir o mundo que queremos para as gerações vindouras. Eu sei que podemos fazer isso. Podemos reverter esse declínio, reconstruir nossas comunidades, começar novas e aproximar o mundo inteiro”.
    A despeito de palavras bonitas, é preciso compreender que este não pode ser o papel de uma empresa privada. Inclinações totalitárias não combinam com soberania e democracia.

    Renata Mielli é Jornalista, coordenadora geral do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação e secretária geral do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé. Artigo originalmente publicado em sua coluna na Mídia Ninja.

  • FNDC promove seminário sobre Internet e direitos digitais; assista

    O Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC) vai realizar, nos dia 13 e 14 de abril, em São Paulo,  o seminário: “Internet, liberdade de expressão e democracia: desafios regulatórios para a garantia de direitos”. A discussão, inédita na organização, conta com apoio do do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br) e coincidirá com a 21ª Plenária Nacional da entidade, que acontece de 13 a 15 de abril, também na capital paulista. Assista:

    Segundo a coordenadora-geral do Fórum, Renata Mielli, o seminário “foi pensado como forma de pautar o tema de internet de forma mais organizada junto à militância que atua pela democratização da comunicação e nivelar as informações sobre as agendas estratégicas do setor no país”. Entre as questões envolvidas estão, por exemplo, a elaboração e a implementação de políticas públicas para a universalização do acesso à Internet, com garantia da neutralidade de rede, bem como para a preservação e a promoção da diversidade e da pluralidade na rede.

    Além disso, está em pauta uma série de medidas legislativas e regulatórias que podem coibir o exercício da liberdade de expressão online, como projetos de lei para proibição de “fake news”, remoção de conteúdos sem ordem judicial das plataformas digitais ou, em outro sentido, garantia da proteção dos dados pessoais dos cidadãos e cidadãs.

    Evento é aberto ao público e será realizado em São Paulo (SP) nos dias 13 e 14 de abril. Fake news, liberdade de expressão na rede e universalização da banda larga são alguns dos temas

    A proposta do evento é, portanto, apresentar a um conjunto de organizações da sociedade civil e movimentos sociais, ainda não envolvidos em profundidade com o debate dos direitos digitais, as principais discussões relacionadas à garantia da liberdade de expressão na Internet nos tempos atuais. Não é à toa que a rede será mote central da própria Plenária do FNDC, que tem como tema “Mídia e Internet: liberdade de expressão para a garantia de direitos”. 

    “A Internet se transformou em espaço central do exercício da liberdade de expressão e disputa por uma comunicação contra hegemônica. É na Internet que você ainda encontra maior diversidade de ideias e fontes de informação, quando se compara com o sistema midiático brasileiro no geral, mas há uma série de ameaças em curso", adverte a secretária-geral do FNDC, Bia Barbosa.

    “O primeiro desafio é a questão do acesso: como é que a gente vai entender a Internet como espaço importante do exercício dessa liberdade de expressão enquanto mais de 40% da população brasileira não pode ser considerada usuária de internet, porque justamente não tem acesso ao serviço? É fundamental a luta do Fórum em defesa da universalização da Internet, o que significa nesse momento lutar contra a privatização da infraestrutura pública de conexão que leva o acesso à rede a grande parte da população”, acrescenta.

    O seminário será realizado em dois locais diferentes. No primeiro dia (13), as atividades ocorrerão no Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé (Rua Rêgo Freitas, 454 – 8º andar). No dia seguinte (14), recomeça no auditório da Apeoesp (Praça da República, 282). As atividades começam a partir das 9h30 em cada dia.  

    Confira a programação completa:

    Seminário

    Internet, liberdade de expressão e democracia: desafios regulatórios para a garantia de direitos

    Sexta-feira, 13 de abril

    Local: Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé (Rua Rêgo Freitas, 454 – 8º andar)

    09h30 – Abertura

    10h/12h – PAINEL 1: Universalização do acesso à banda larga como direito fundamental da livre expressão

    Flávia Lefèvre – Advogada, especialista em telecomunicações e representante da Campanha Banda Larga É Direito Seu!

    Alexander Castro – Diretor de Regulamentação do SindiTelebrasil (Sindicato Nacional das Empresas de Telefonia e de Serviços Móvel Celular e Pessoal)

    Marcos Dantas – Professor Titular da Escola de Comunicação (ECO) da UFRJ; doutor em Engenharia de Produção pela COPPE-UFRJ; professor do Programa da pós-graduação em Comunicação e Cultura da ECO-UFRJ; e Presidente da União Latina de Economia Política da Informação, Comunicação e Cultura - Capítulo Brasil (ULEPICC-Br).

    (Intervalo)

    14h/17h – PAINEL 2: Ameaças ao Marco Civil da Internet: liberdade de expressão em jogo

    Laura Tresca – Oficial de Direitos Digitais da Artigo 19

    Orlando Silva – Deputado Federal, relator da Comissão Especial de Proteção de Dados Pessoais

    Sergio Amadeu – Professor da Universidade Federal do ABC (UFABC)

    Guto Camargo – Vice-presidente da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj)

    Sábado, 14 de abril

    Local: Auditório da Apeoesp (Praça da República, 282)

    09h/11h30 – PAINEL 3: OTTs: concentração na camada de conteúdo e regulação democrática para a garantia de pluralidade e diversidade

    Cristina De Luca – jornalista especializada em ambiente de produção multiplataforma, trabalha como colunista de tecnologia da Rádio CBN e editor-at-large das publicações do grupo IDG no Brasil.

    Jonas Valente – jornalista, pesquisador da UnB na área de regulação das plataformas digitais e integrante da Coalizão Direitos na Rede

    Representante do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br)  

    11h30/13h – Oficinas de capacitação

    a) Advocacy: Bia Barbosa (Intervozes/FNDC)

    b) Fiscalização dos serviços de telecomunicações: Flávia Lefèvre (Assoc. Proteste)

    c) Proteção à privacidade: Lucas Teixeira (Coding Rights)

    13h – Debate de propostas para a Plenária Nacional do FNDC

    14h – Encerramento

    Escrito por: Táscia Souza, especial para o FNDC

  • Folha, Vermelho, Escrevinhador - o que pensam três jornalistas sobre a imprensa no golpe de 2016

    Três jornalistas essenciais para a imprensa progressista se reuníram na noite desta segunda-feira (16) para falar do papel da mídia na política: Eleonora de Lucena, ex-editora executiva da Folha de S.Paulo; Inácio Carvalho, editor do Portal Vermelho; e Rodrigo Vianna, autor do blog Escrevinhador e diretor do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé.

    O encontro inaugura o ciclo de palestras organizado pelo Barão de Itararé para comemorar a Semana Nacional pela Democratização da Comunicação, e aborda um dos três aspectos centrais dos debates conjunturais frente ao golpe de 2016: a atuação da imprensa, a atuação da equipe econômica e a atuação do Judiciário. Você pode assistir à íntegra do primeiro debate logo abaixo:

    Para Eleonora, mídia e política fazem parte de um todo, que não pode ser considerado de forma separada. “Todo jornal trabalha dentro de uma concepção política. A primeira evidência disso já veio na Revolução Francesa, quando o que hoje a gente chama de ‘fake news’ dominou o debate público. O que dá pra dizer é que em nenhum outro lugar no mundo a televisão conquistou tamanha força de influência na opinião pública quanto no Brasil. Ela tomou o papel formador, conciliador, e foi ela que formatou a ideia de nação na população”, refletiu a ex-editora da Folha.

    Ela citou o exemplo do debate entre Lula e Collor em 89 para ilustrar tal força, e disse enxergar justamente na vitória das esquerdas latino-americanas o impulso para que a imprensa oligopolista se agarrasse aos valores neoliberais. “Com o terremoto econômico de 2008, essa fúria da imprensa contra a esquerda se exacerba, se torna estridente. A mídia tenta proteger os interesses das elites, e daí vem a eliminação do contraditório, a estridência, a violência simbólica - é uma tentativa de justificar a falência do capitalismo. A ideia dessas organizações não é trabalhar no esclarecimento das dúvidas, mas no aproveitamento das dúvidas para direcionar o público”, concluiu.

    Para Inácio Carvalho, o momento brasileiro é único, pois nunca a mídia assumiu um papel tão militante quanto em 2016. “Eu me recordo que, ainda em 2010, o Estadão escreveu um editorial no qual assumia que ‘se a oposição não cumpria seu papel, então o cumpririam eles mesmos’. 2016 foi a consolidação daquilo, nos mostrou o caráter militante desses grupos, cujo objetivo é transformar os interesses dos oligopólios e das elites nos interesses de toda a população”, analisou.

    Ele explicou a visão política central do bloco golpista: de entrega do país, de privatização e aprovação das reformas. Para isso, faz-se necessária a construção de uma narrativa diferenciada de realidade, ainda que o governo Temer cometa erros que minem completamente sua credibilidade. A função da mídia progressista diante desse cenário seria explorar as contradições das forças reacionárias para fazer um apelo ao centro político, que foi esmagado a partir de 2015. “Nós temos entre 26 e 28 milhões de pageviews por mês em toda a mídia progressista, e isso tem uma força poderosa. Nós temos que usar isso para apontar caminhos, projetos, ideias. É possível buscar segmentos que dividem as nossas preocupações, como a questão da intolerância, da democracia, do desenvolvimento nacional, do combate ao trabalho escravo. Será possível que não existe ninguém que se iludiu com o golpe mas se sensibilize com esse projeto?”, questionou.

    O terceiro palestrante, Rodrigo Vianna, aproveitou seu tempo para fazer uma análise da disputa de narrativas entre a grande mídia, a mídia progressista e o segmento crescente de extremistas de direita no Brasil. Ele fez menção específica ao MBL, ao tratar do terceiro caso: “O caso da revista Veja, entre outros, mostra que a grande imprensa fomentou a intolerância, mas agora é atacada pelos próprios intolerantes que criaram. Os sinais que eles têm dado é de que eles estão com medo dessa direita conservadora representada por Bolsonaro e Doria. Nós precisamos inclusive fazer uma batalha de linguagem, de isolar esses grupos extremistas de direita e tachá-los pelo que são: “milícia”, “extremistas”, “radicais”, “contra a cultura e contra a democracia”. Talvez assim nós reencontremos o espaço para debate”, sugeriu.

    O blogueiro frisou, como seus colegas, que a imprensa sempre foi um instrumento de disputa, e que não há nada de recente na apropriação do jornalismo como “ferramenta da guerra”. Para ele, a falácia real é a ideia que foi vendida a a partir dos anos 80 de que a imprensa é independente. “Isso é uma falácia, não é verdade. Em 2016, o que nós vimos foi uma atuação blocada, muito parecido com 64. Agora estamos num momento em que aparecem dissonâncias entre os golpistas, e isso cria a questão da estridência. Nós podemos usar essa perda de controle para recuperar a opinião pública”, sugeriu.

    A mesa de debates é apenas a primeira de três, todas a serem realizadas pelo Barão de Itararé conforme o panfleto abaixo e transmitidas em tempo real na página da instituição no Facebook. Você poderá acompanhar os eventos também através do perfil da CTB no Facebook, ou assistí-los na íntegra aqui, no Portal CTB.

    curso formacao baraodeitarare 1

    Por Renato Bazan - Portal CTB

  • Franklin Martins, Tereza Cruvinel: "Debater comunicação na adm. pública é tarefa urgente"

    Objeto de oligopólio por parte de grupos empresariais com interesses estritamente privados, a comunicação é estratégica para a administração pública. A afirmação é de Franklin Martins, jornalista e ex-ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República. O assunto será pauta do Seminário Os desafios da comunicação nas administrações públicas, que ocorre nos dias 25 e 26 de agosto, em São Luis do Maranhão.

    Escalado para compor uma das mesas do evento, Franklin Martins falou da necessidade de se despertar para a importância do tema. “É muito positiva a iniciativa de debater a comunicação nas administrações públicas, nos governos, nas prefeituras. Os políticos, muitas vezes, dão pouca importância à questão”, comenta.

    Leia mais: Maranhão sedia seminário sobre desafios da comunicação na administração pública

    “Uma comunicação eficiente, em primeiro lugar, permite aos governos informar a população sobre suas ações e estimula setores bem informados a fazerem críticas e reivindicações com conhecimento de causa”, pontua Martins. “Em segundo lugar, a comunicação nas administrações públicas permite aos governos travar uma disputa política permanente contra o monopólio da informação”.

    Como dizia Chacrinha, quem não comunica se estrumbica, lembra Martins. “Os grandes grupos midiáticos têm interesses próprios e pressionam os governos a atenderem ao seu projeto, por isso é fundamental falar à população e mostrar o outro lado”, alerta o jornalista. “Não basta ser governo. É preciso ser um governo presente, que dialoga o tempo todo com os cidadãos”.

    O Seminário, que reunirá governadores, prefeitos, secretários de comunicação, jornalistas e assessores de imprensa, também contará com a participação de Tereza Cruvinel. A jornalista é uma das fundadoras da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) e uma das responsáveis pela implementação da TV Brasil.

    De acordo com ela, a discussão proposta pelo Seminário vem em boa hora. “A crise política que o Brasil atravessa afasta o cidadão do Estado e da própria representação política, exigindo dos governantes democratas um esforço de comunicação que supere as limitações das mídias comerciais”, avalia. “Neste sentido, a comunicação pública e a institucional são ferramentas importantes para o fortalecimento da democracia e a superação das narrativas autoritárias ou alienantes”.

    A comunicação na administração pública é uma atividade que vai além da mera divulgação de programas e ações de governo, conforme explica Cruvinel. “Ela deve servir também à formação da cidadania e à irradiação de valores que pautam uma administração democraticamente eleita, ampliando a visibilidade dos direitos e deveres e das formas de exercitá-los, privilegiando o ponto de vista do cidadão e não o interesse do governante”.

    Em um cenário de concentração de meios na mão de poucas famílias, como no Brasil, a jornalista destaca a importância de se entender a comunicação como um direito, e não como uma mercadoria. “A comunicação na administração publica deve servir à transparência administrativa mas precisa ser também compreendida como garantia do Direito à Comunicação”, defende. Para ela, essa comunicação deve proporcionar aos cidadãos não apenas a oportunidade de receber informações mas também de se comunicar, numa via de mão dupla que supere as distâncias entre Estado e sociedade.

    Saiba mais sobre o Seminário e garanta a sua participação

    Promovido pelo Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, o Seminário Os desafios da comunicação nas administrações públicas tem como proposta extrair ensinamentos – dos acertos e, principalmente, dos erros - e refletir sobre as experiências em comunicação nos governos, levando em conta que esta frente é estratégica para qualquer administração pública. Uma rica oportunidade para sistematizar estas experiências e para impulsionar uma comunicação mais saudável no país.

    A programação do evento conta com a presença de nomes como Flávio Dino, Fernando Haddad, Edmilson Rodrigues e Ricardo Coutinho. As inscrições podem ser feitas até o dia 10 de agosto, sendo que o investimento é de R$ 200 e estudantes pagam a metade do valor (R$ 100). São 150 vagas disponíveis.

    Saiba mais informações, confira a programação completa e garanta a sua inscrição aqui: http://bit.ly/seminariomaranhao

    Do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé

     
  • Inscreva-se no ciclo de debates do Barão de Itararé pela democratização da comunicação

    O Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé realiza a partir de hoje um ciclo de debates sobre a mídia e as graves crises política, econômica e social que atingem o país. Serão três noites de atividades, nos dias 16, 18 e 20 de outubro, sempre às 19h, na rua Rego Freitas, 454 - 8º andar - sala 83 - República - São Paulo.

    "A velha mídia é parte do golpe de Estado para acabar com os direitos da classe trabalhadora e com as garantias democráticas. O golpe aprofunda a crise no país porque defende interesses dos mais ricos em detrimento do trabalho.", diz MIro Borges, presidente do Barão de Itararé.

     Por isso, complementa Borges, "o papel da mídia tem sido o mais podre possível", com ataques sistemáticos aos movimentos sociais, sindical, partidos políticos e artistas do campo democrático e popular.

    Os debates do Barão fazem parte Semana Nacional pela Democratização da Comunicação, que neste ano ocorre entre os dias 15 e 21 de outubro.

    Importantes jornalistas e estudiosos da mídia participarão dos debates. Pelo pacote toto você paga R$ 50 ou apenas R$ 20 por um dos dias do evento.

    barao ciclo debates

    Faça a sua inscrição AQUI.

    Portal CTB

     

  • Jornalista lança livro sobre a condenação de camponeses inocentes no Paraguai, nesta sexta

    O jornalista Leonardo Wexell Severo, especialista em América Latina, lança seu quinto livro “Curuguaty, o combate paraguaio por Terra, Justiça e Liberdade”, nesta sexta-feira (27), às 18h30, na Livraria Martins Fontes (avenida Paulista, 509, perto da estação do Metrô Brigadeiro, São Paulo).

    Severo mostra que o papel da mídia em criminalizar os movimentos sociais e a classe trabalhadora não é “privilégio” do Brasil. Para ele, “há um esforço enorme dos jornais e revistas, das emissoras de rádio e televisão para confundir, desorientar, manipular”.

    A obra trata da Chacina de Curuguaty, onde foram mortos 11 camponeses e seis policiais no dia 15 de junho de 2012 em um acampamento de sem-terras com cerca de 60 trabalhadoras e trabalhadores, entre os quais mais da metade eram mulheres, crianças e idosos.

    De acordo com Severo - que também integra o Conselho Consultivo do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé -, 324 policiais fortemente armados e treinados pela CIA (agência de espionagem estadunidense) atacaram o acampamento num verdadeiro massacre.

    Com pesquisa bem documentada e depoimentos de testemunhas, o autor sustenta que “os sem-terra não são culpados de nada, são vítimas de um sangrento confronto armado por franco-atiradores com as digitais dos Estados Unidos”. Ele explica ainda que essa chacina “serviu de justificativa para afastarem o presidente do Paraguai, Fernando Lugo”.

    capa livo severo curuguaty

    Segundo ele, “como resultado de uma grotesca manipulação, temos quatro camponeses condenados a até 35 anos de prisão por ‘homicídio doloso’, ‘associação criminosa’ e ‘invasão de imóvel alheio’, crimes que não cometeram”. Isso porque, “os mortos foram atingidos por armas de grosso calibre, que não foram encontradas com os sem-terra”.

    Guillermina Kanonnikoff, membro do Movimento de Solidariedade aos camponeses de Curuguaty e ex-presa política da ditadura de Alfredo Stroessner (1954-1989) afirma que “como observador internacional do caso no Tribunal de Sentenças de Assunção, presente nos momentos extremamente tensos e ricos dos enfrentamentos, o autor expõe e denuncia, com profundo conhecimento de causa, as inúmeras irregularidades e ilegalidades do processo”.

    Para o jornalista e cientista político Dermi Azevedo, “a solidariedade com os presos políticos paraguaios é uma exigência moral e ética. Principalmente para nós, brasileiros, que precisamos, nesta hora, de gestos solidários de apoio à democracia e contra as novas falsidades do império”.

    Em entrevista ao site Opera Mundi, Severo afirma que “é preciso exortar à reflexão sobre a execrável manipulação feita pelos conglomerados privados de comunicação contra a verdade dos fatos, em prol do latifúndio e das grandes empresas nacionais e estrangeiras”.

    Conheça o autor

    Leonardo Wexell Severo é gaúcho de Rosário do Sul, redator-especial do jornal Hora do Povo, colaborador da Revista Diálogos do Sul e da Agência Latino-Americana de Informação (Alai). É autor dos livros “Bolívia nas ruas e urnas contra o imperialismo”, “Latifúndio Midiota - Crimes, crises e trapaças”, “A CIA contra a Guatemala - Movimentos sociais, mídia e desinformação” e “Curuguaty, carnificina para um golpe - O povo paraguaio em luta pela democracia e a soberania”.

    Serviço

    O que: Lançamento do livro “Curuguaty, o combate paraguaio por Terra, Justiça e Liberdade”

    Onde: Livraria Martins Fontes (avenida Paulista, 509, estação do Metrô Brigadeiro, São Paulo)

    Quando: Sexta-feira (27), das 18h30 às 21h30

    Portal CTB com agências

  • O dia em que Lula nocauteou a Rede Globo

    Durante toda esta quarta-feira, acompanhei a cobertura que a Rede Globo (e seu braço pago, a GloboNews) fez sobre o depoimento do ex-presidente Lula ao juiz Sérgio Moro. Jornalistas e comentaristas animados, esfuziantes até, gargalhavam muitas vezes, fazendo os prognósticos sobre o depoimento. Mas toda essa euforia deu lugar à depressão. Sem tempo de editar os primeiros vídeos disponibilizados pela Justiça Federal – o que ocorreu por volta das 20 horas – e certa de que eles iriam terminar por afundar Lula e consagrar a Lava Jato e Sérgio Moro, a Globo arriscou e levou as imagens ao ar sem edição. Cometeu um grande erro. Lula nocauteou a Globo no 1º round.

    No Bom dia Brasil, a emissora se concentrou nos preparativos e acompanhou o “Dia de Lula”. Flashs mostravam Lula e Dilma se deslocando para Curitiba e o esquema de segurança armado ao redor da sede do Tribunal de Justiça.
    A GloboNews continuou a cobertura matinal no mesmo rumo, mas com foco maior nos comentários e análises. Nessa primeira etapa do dia, os comentaristas e âncoras especulavam sobre como seria o depoimento. O jornalista Valdo Cruz, mais torcendo do que analisando, chegou a dizer que era importante “prestar atenção no ambiente da sala de interrogação” porque poderia “sair até uma prisão por desacato”.

    Outra preocupação da emissora dos Marinho era com os prazos processuais. Cristiana Lobo disse que Moro costuma demorar de 20 a 30 dias para tomar as decisões após os interrogatórios – palavra que a Globo utilizou durante todo dia para salientar que Lula estava em Curitiba como réu, acusado de crimes. Condenado em primeira instância por Moro – já que em nenhum momento se aventou a hipótese de absolvição, aliás Lula está condenado por Moro e pela Globo desde o início da operação – o processo vai para julgamento em segunda instância, o que costuma demorar um ano, de acordo com as previsões de Cristiana Lobo e Valdo Cruz. Ou seja, Lula seria condenado – nunca julgado – entre maio e junho de 2018, o que o tornaria inelegível no período das convenções partidárias para as definições das candidaturas presidenciais.

    O discurso martelado ao longo do dia – de que Lula e o PT estão politizando o processo – soou pura demagogia, uma vez que a cobertura fez isso desavergonhadamente, e não só hoje. Aliás, isso foi mais ou menos dito por Anselmo Góis, que assumiu os comentários no período da tarde, sob o comando da sorridente Maria Beltrão, que não conseguiu esconder a empolgação. Qualquer um que ligou a TV na GloboNews nesta quarta-feira, 10, viu um clima no estúdio completamente estranho ao necessário distanciamento de uma cobertura jornalística.

    A todo momento, Maria Beltrão lembrava que a defesa de Lula teve negado o pedido para gravar o depoimento e que este pedido não fazia mesmo sentido, porque os trechos do interrogatório seriam enviados para a imprensa divulgar como tem sido feito até agora. A expectativa de todos no período da tarde se concentrou no acesso aos vídeos, como se eles fossem o grande ápice de todo o processo de condenação pública de Lula.

    Aos poucos, a GloboNews começou a mostrar imagens das manifestações “pró-Lula” e “pró-Lava Jato”. A diferença numérica era impossível de disfarçar. “Apesar de poucos estão bem animados”, repetiam os jornalistas, se referindo às poucas mais de 20 pessoas que estavam no Centro Cívico de Curitiba. Sobre as milhares de pessoas reunidas em frente à Universidade Federal do Paraná em apoio ao Lula, os comentários maldosos eram “quem será que está pagando”, “de onde saiu o dinheiro para aquela mobilização”.

    No final da tarde, ficou nítida a preocupação da equipe de jornalistas da GloboNews com a demora para o encerramento do depoimento. Para a emissora, que transmite conteúdo noticioso em toda a sua programação, isso não é necessariamente um problema. Então, porque a apreensão? Estavam preocupados na verdade com o carro chefe da empresa, o Jornal Nacional. Se o depoimento se alongasse o JN não teria conteúdo para noticiar.

    Mas eis que as 19:54 minutos a GloboNews veicula o primeiro vídeo disponibilizado pela equipe de Moro, com trechos do depoimento onde o juiz faz perguntas a Lula sobre o triplex. E para a decepção de todos o que se viu não foi um Lula agressivo – como eles alardearam durante todo o dia – ou um Lula fazendo discurso político, ou um tom beligerante. O primeiro trecho de cerca de 8 minutos do depoimento mostrou o inverso disso. Lula respondendo perguntas pontual e calmamente diante de um Juiz que não apresentou nenhuma prova contra ele. Após a exibição deste primeiro trecho era visível a consternação dos 6 jornalistas que estavam ao vivo, e que tentaram driblar as imagens, dizendo que Lula estava objetivo graças ao preparo de Sérgio Moro.

    Imediatamente voltei para o Jornal Nacional que acabara de começar. Bonner e Renata Vasconcelos estavam atônitos. Mas seguiram na linha de levar ao ar os vídeos sem edição. Os pouco mais de 15 minutos de trechos do depoimento que foram exibidos durante o JN já foram suficientes para mostrar que “o ambiente na sala de interrogação” foi totalmente inverso do que a Globo esperava: de um lado do ringue um Lula seguro, calmo e objetivo, respondendo a todas as perguntas. Do outro lado um juiz sem provas, com documentos sem assinaturas e de origem desconhecida.

    Pior ainda, nas considerações finais de Lula – momento em que o ex-presidente fez sua defesa e que não foi exibida pelo JN – ele denuncia todo o julgamento midiático do qual tem sido vítima e coloca a mídia e a Globo para dentro da sala do interrogatório. “A imprensa é o principal julgador desse processo”.

    Ele citou dados que demonstram como a cobertura da mídia foi seletiva. Desde março de 2014, segundo levantamento apresentado pelo ex-presidente, foram 25 capas da Isto É, 19 da Veja e 11 da revista Época todas contra Lula. Nos jornais impressos, foram veiculadas na Folha de S.Paulo 298 matérias contra Lula e apenas 40 favoráveis, “tudo com informações vazadas da Polícia Federal e Ministério Público”, disse Lula; no jornal O Globo foram 530 contra Lula e e 8 favoráveis, e no Estadão foram 318 contrárias e 2 favoráveis. Já o Jornal Nacional veiculou 18 horas e quinze minutos contra Lula nos últimos 12 meses. Ele também denuncia os vazamentos previlegiados à Rede Globo e ao Jornal Nacional.

    A Globo e o oligopólio midiático perderam feio a aposta de que Moro seria o grande vencedor da luta anunciada para o dia 10 de maio. No ringue armado pela mídia semana passada, quem ganhou de nocaute no primeiro assalto foi Lula. Claro que eles vão tentar melar o resultado e terão tempo de assistir as 5 horas de depoimentos para escolher os melhores momentos para veicular sistematicamente e tentar mudar o placar. Mas a luta do Estado Democrático de Direito e do devido processo legal saiu na frente. Vamos aguardar as próximas rodadas.

    Renata Mielli é jornalista, coordenadora-geral do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação, secretária-geral do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé e colunista da Mídia Ninja às quintas-feiras.


    Os artigos publicados na seção “Opinião Classista” não refletem necessariamente a opinião da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e são de responsabilidade de cada autor.

     

  • Renata Mielli: Jornal Nacional, da Rede Globo, 48 anos agindo contra o Brasil

    Renata Vasconcellos, Roberto Irineu Marinho e William Bonner no novo estúdio do ‘Jornal Nacional’

    Nesta segunda-feira, 19 de junho, o Jornal Nacional foi um pouco diferente. A inauguração das novas dependências e do cenário do JN deram um tom de autocelebração ao noticiário noturno da Rede Globo de Televisão.

    Um novo estúdio, de 1370 m2, com 189 profissionais, 18 ilhas de edição, câmeras robóticas, e toda uma parafernália tecnológica foi apresentada para tentar convencer o telespectador de que o compromisso do Jornal Nacional e da Rede Globo é com o jornalismo, com a “verdade” e com o Brasil. Tudo foi feito “pensando em gente e a serviço da informação” diz a reportagem.

    Para dar pompa e circunstância à cerimônia eletrônica de inauguração, um púlpito no centro do estúdio foi ocupado pelo mais velho dos herdeiros e atual presidente do Grupo Globo, Roberto Irineu Marinho.

    Lendo nas entrelinhas

    O diretor de jornalismo, Carlos Henrique Schroder, disse que o Jornal Nacional “ajuda a mudar a vida do brasileiro”. Taí uma verdade, o problema é que a mudança que eles defendem e promovem não é para melhorar a vida de todos, ou não é mudar para melhor. Nem precisamos buscar casos emblemáticos na história de 48 anos do jornal para perceber isso. Basta olhar a posição do JN, hoje, sobre dois temas fundamentais para “o brasileiro”: a Reforma da Previdência e Trabalhista.

    A emissora dos Marinho defende abertamente a aprovação do projeto que acaba com o direito de os trabalhadores terem acesso à aposentadoria e do projeto que acaba com os direitos trabalhistas garantidos pela Consolidação das Leis do Trabalho – CLT. Levantamento da ong Repórter Brasil mostra que entre os dias 20 e 30 de abril, 77% das notícias do JN foram favoráveis à Reforma Trabalhista. Do total de 11 minutos e 8 segundos analisados, 2min31s “pode ser considerada desfavorável ao projeto”. A reportagem em questão foi ao ar no dia da greve geral, 28 de abril, depois de todo um dia de criminalização da luta dos trabalhadores. Acesse aqui para ver o estudo da Repórter Brasil.

    O presidente do Grupo Globo, Roberto Irineu Marinho, num raríssimo caso de exposição da família na emissora, defendeu suas empresas, a missão e os princípios que as norteiam. Não mentiu, mas manipulou. Aliás, como muito bem nos ensinou o jornalista Perseu Abramo em sua obra “Os padrões de manipulação da grande imprensa” há quatro padrões principais utilizados pela grande imprensa para manipular a informação: ocultação, fragmentação, inversão e indução. Os quatro foram usados na “reportagem” e pronunciamento da Globo sobre a Globo, numa tentativa – aparentemente desesperada – de reafirmar perante aos telespectadores sua credibilidade, em meio ao que provavelmente seja a maior crise que a emissora já viveu.

    Roberto Irineu Marinho reitera que o principal compromisso de sua família é a continuidade dos negócios e dos “nossos princípios editoriais”. Em nenhum momento ele expõe quais princípios sejam estes, mas pela sua história, trajetória e comportamento a gente já sabe (defesa dos interesses de uma elite econômica, do estado mínimo para garantir a ampla mão invisível do mercado, a redução dos direitos sociais, muito dinheiro público para a iniciativa privada – particularmente para a própria Rede Globo e, claro, o descaso com a democracia e o apoio a golpes para garantir que os interesses anteriores sejam mantidos).

    O presidente das organizações Globo mostrou que não tem muita intimidade com o microfone e com as câmeras. Fez uma participação sofrível no seu telejornal, mas passou de forma enfadonha o recado político que queria: “Cuidar da saúde do grupo de empresas e do exercício de sua missão e princípios para entregá-las saudável à próxima geração que continuará a mesma tarefa. Somos e queremos continuar sendo uma empresa familiar”, disse.

    Roberto Irineu foi ao ar para dizer que os Marinho não vão abandonar a ambição de ser o grupo mais poderoso de mídia do Brasil. De continuar a exercer o poder político que o ambiente monopolista da radiodifusão lhe garante.
    E faz isso agora, justamente, para tentar minorar os revezes (momentâneos ou não) que sofreu no último período: a por enquanto frustrada tentativa de derrubar Michel Temer, a perda da hegemonia na transmissão de jogos de futebol (seja dos campeonatos regionais, seja da seleção), a perda de audiência, o fortalecimento de novos grupos de mídia (Google, Facebook, Netflix e outros) que colocam em xeque o modelo tradicional de negócios do Grupo Globo.

    O momento é delicado, para o Brasil e para a Globo

    O Brasil precisa reencontrar o caminho para restaurar a sua democracia, através da soberania do voto popular; adotar uma política econômica que leve ao crescimento interno e à geração de emprego e renda, com capacidade de investimento público e garantia de direitos sociais e trabalhistas; recuperar a política externa altiva e ativa que, combinada com a agenda interna, proporcione o fortalecimento da nossa soberania nacional.

    Já, o Grupo Globo precisa, nas palavras de seu presidente, “preservar e garantir a continuidade do nosso grupo de empresas”. Para isso, precisa trabalhar para que o país aprofunde a agenda neoliberal na economia, com profundo ajuste fiscal, redução dos investimentos públicos em áreas sociais e manutenção de uma política de juros que alimente o setor financeiro, reduzir direitos trabalhistas para ampliar a margem de lucro das empresas e precarizar as relações de trabalho de forma a reduzir o chamado “custo Brasil”, investir na desregulamentação da economia para manter privilégios e a concentração econômica.

    Nos 92 anos de existência do Grupo Globo, iniciados em 1925 com a fundação do jornal O Globo, praticamente não há um episódio sequer da história do país em que a posição da família Marinho tenha sido tomada em prol da democracia, da liberdade, da soberania ou da melhoria da vida do povo brasileiro. Pelo contrário, são 92 anos em defesa do poder econômico e da elite política conservadora. O Jornal Nacional levou essa linha editorial para a tela da TV e ampliou de forma avassaladora o poder da empresa. Não seria agora que eles iriam mudar de posição.

    Como disse sabiamente o ex-presidente do Uruguai, Pepe Mujica, quando estamos perdidos diante da conjuntura política olhe para a posição das empresas monopolistas da mídia. Elas nos servem de bussúla. Se estão indo para o norte, então não há dúvida, nosso caminho é para o sul.

    Renata Mielli é Jornalista, coordenadora geral do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação e secretária geral do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé. Artigo originalmente publicado em sua coluna na Mídia Ninja.

    Os artigos publicados na seção “Opinião Classista” não refletem necessariamente a opinião da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e são de responsabilidade de cada autor.

  • Sorria, você está sendo monitorado, e tem muita gente lucrando com isso

    Não, não é exagero e nem teoria da conspiração. Você está mesmo sendo monitorado, 24 horas por dia, 7 dias por semana.

    O tempo todo, em todos os lugares. Em alguns casos, pode estar sendo monitorado até enquanto você dorme. Cada respiração, cada passo, cada quilômetro rodado, cada click numa rede social, cada zappeada na televisão, cada compra física ou virtual que você faz.

    A era da Sociedade da Informação é também a era do fim da privacidade e da mercantilização da intimidade, da monetização do comportamento, dos sentimentos. A internet e a superconexão, onde cada vez mais pessoas e coisas estão conectadas por mais tempo, gera uma infinidade de dados que há muitos anos estão sendo armazenados (o Big Data) e que, agora, começam a ser tratados e vendidos, gerando um mercado bilionário para empresas e até governos.

    Estes dados são coletados com ou sem o nosso consentimento, muitas vezes até mesmo sem o nosso conhecimento. Por exemplo, aparelhos de televisão “inteligentes”, as smart TV’s, se tiverem reconhecimento de voz podem, mesmo ‘desligadas’, gravar conversas e transmitir os dados pela internet para a empresa. Alguns modelos da Samsung, por exemplo, tinham essa informação ‘escondida’ na política de privacidade da empresa. Em março deste ano, documentos vazados pelo Wikileaks mostraram que a CIA desenvolveu malwares, vírus e trojans para atacar sistemas que possuem backdoors como smart TV’s e smartphones para fazer espionagem.

    Opa CIA? Pega leve, a CIA no máximo está interessada em monitorar governos, empresas etc. Ela não quer nada com pessoas comuns. A CIA talvez não. Mas e as empresas de telecomunicações, indústria farmacêutica, ou as lojas de brinquedos, bares, restaurantes, etc, etc….

    O seu rastro digital pode dizer muita coisa sobre você, mesmo sem precisar saber o seu nome, RG, CPF e outros dados. Here is the money, baby!

    Bom, você pode estar dizendo agora, ah!, mas eu não tenho nada a esconder, minha vida é um livro aberto. Isso é o que todos dizem. De fato, talvez você acredite que não tenha nada a esconder, mas será que queremos que as empresas e as máquinas saibam mais sobre nós do que nós mesmos? Com informações diárias e sensíveis passaremos a ser bombardeados por publicidade de coisas que supostamente queremos, precisamos, gostamos e talvez a gente passe a acreditar que precisamos e queremos e gostamos, mas será mesmo?

    Sistemas integrados aos nossos dispositivos e aplicativos já estão fazendo a festa e a devassa em nossas vidas. Por exemplo, técnicas estão sendo desenvolvidas para monitorar todas as atividades de um celular, inclusive gravar conversas telefônicas e coletar informações que poderão, depois, serem tratadas e vendidas, com base em dados estatísticos do seu monitoramento diário. Informações que traçam um perfil consumidor e são vendidas a preço de ouro.

    As operadoras de Telecomunicações no Brasil – que possuem grande volume de dados armazenados sobre seus usuários – já começaram a comercializar dados agregados para empresas e governos.

    Agora, imagine as informações que os relógios de pulso inteligentes, que monitoram nosso corpo 24 horas, como o Apple Watch, ou os óculos inteligentes, fones de ouvido, e também os carros, refrigeradores, e a gama de aparelhos que passarão a estar conectados e transmitindo para centenas de terminais informações sobre o que você come, bebe, que horas acorda, dorme, transa etc…. Só pense…

    De outro lado, governos, que também possuem uma massa imensa de dados sobre todos nós, já estão enxergando nisso uma forma de obter muito dinheiro. A prefeitura de São Paulo, por exemplo, colocou à venda a base de dados do Bilhete Único, que tem informações que, incluem inclusive, a foto do rosto, número de identidade, CPF e informações sobre o seu trajeto que “tornariam ainda mais preciso o direcionamento de publicidade, por exemplo. Sobre isso, vale frisar que não é mera coincidência quando o anúncio de lojas, restaurantes e outros estabelecimentos comerciais aparecem literalmente ao lado do potencial consumidor”, alerta em artigo publicado recentemente o pesquisador da Rede Latino-Americana de Estudos sobre Vigilância, Tecnologia e Sociedade/LAVITS Bruno Bioni, que também é membro da Coalizão Direitos na Rede, uma articulação que reúne dezenas de entidades em defesa da internet livre, aberta.

    Um projeto bem bacana que foi desenvolvido para discutir como e para quê estão coletando nossos dados pessoais é da organização Coding Rights. O Chupadados é descrito assim: “Eles são bonitos, gentis, nos fazem companhia e nos fazem sentir atraentes e amparados. Nos apaixonamos por eles e depositamos ali toda a nossa confiança, dos gestos mais cotidianos aos segredos mais íntimos. Eles são nossos objetos de desejo e sonhos de consumo. Até o dia em que percebemos que controlam o que fazemos, monitoram quem encontramos e compartilham nossa intimidade com quem não tem nada a ver com isso”. Um dos casos discutidos no Chupadados são os Menstuapp’s, aplicativos que monitoram o ciclo menstrual das mulheres e que podem estar “fazendo muito dinheiro”, a partir de informações que estamos fornecendo sem qualquer remuneração.

    Além disso tudo, não podemos esquecer que a privacidade é a proteção de dados pessoais são quesitos indispensáveis para garantir a liberdade de expressão.

    É urgente uma lei para proteger nossos dados pessoais.

    Este tema tem sido alvo de muito debate em todo o mundo. Muitos países já possuem regras – as mais variadas – para garantir mecanismos de proteção de dados pessoais e criar instrumentos mais efetivos de informação e transparência para que o usuário de qualquer dispositivo / serviço / aplicativo possa conhecer as regras de privacidade e, a partir deste conhecimento, consentir ou não com os termos apresentados.
    Infelizmente, esse debate ainda está restrito a poucas organizações e campos especializados. Os grandes meios de comunicação não dão visibilidade ao assunto, e mesmo a mídia livre, alternativa e independente ainda não percebeu a importância deste tema.

    Está em tramitação na Câmara dos Deputados o Projeto de Lei 5276/2016 que dispõem sobre a proteção de dados pessoais. Este projeto nasceu a partir de uma ampla consulta pública pela internet, utilizando o mesmo mecanismo que o Marco Civil da Internet. Ele tramita numa Comissão Especial que já realizou mais de uma dezena de audiências públicas para discutir vários aspectos do tema. Agora, o relator da matéria, deputado Orlando Silva (PCdoB-SP) já está na fase de apresentação do seu relatório, que será submetido à votação.

    Precisamos acompanhar e pressionar os deputados, inclusive o relator, para que os dispositivos do projeto – que buscam garantir a proteção dos dados pessoais, com parâmetros fundamentais de garantias de direitos – sejam mantidos.

    Renata Mielli é jornalista, coordenadora geral do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação e secretária geral do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé. Artigo originalmente publicado em sua coluna na Mídia Ninja