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Qui, Jun

Chapecó

  • A professora de pós-graduação Marlene de Fáveri, da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), está sendo processada pela ex-aluna Ana Caroline Campagnolo, porque ela se diz constrangida pela aula sobre feminismo ministrada por Fáveri, em curso sobre questões de gênero.

    “É surpreendente que uma aula de um curso de mestrado possa ir aos tribunais pelo simples fato de discordar da aula. A Justiça não pode levar isso a sério", afirma Ivânia Pereira, secretária da Mulher Trabalhadora da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).

    Campagnolo é professora de História na educação básica em Chapecó (SC) e pede indenização por “danos morais”, mas em suas redes sociais compartilha publicações contrárias inclusive ao voto feminino e às mulheres transgêneras. Em entrevista ao Diário Catarinense ela tenta explicar sua decisão.

    “Ela não está sendo processada por ser minha professora, por ser feminista ou por falar sobre feminismo em sala de aula. O problema é que quando ela ficou sabendo disso (que a estudante é cristã e antifeminista), começou a me atacar em sala de aula”, diz.

    Como adepta do projeto Escola Sem Partido, a estudante postou que “não existe classe mais totalitária que a dos professores”, porque “tudo usam como justificativa, falsos cataclismos: aquecimento global, combate ao tabaco, educação sexual, fundamentalismo religioso, epidemia de bullying e etc. Ancorados em ‘assuntos perigosos’ eles se tornam mais perigosos ainda”.

    Assista uma aula se a Escola Sem Partido prevalecesse: 

    A estudante secundarista Ana Júlia Ribeiro critica a atitude de Campagnolo. “Uma escola tem que ser um ambiente de diálogo para favorecer a troca de saberes e onde predomine a diversidade”, reforça.

    A Associação Nacional de História (ANPUH) trouxe o caso à tona e se solidariza com Fáveri. “O que procuram nos impor não é uma escola sem partido, mas uma escola amordaçada, sem espaço para a informação e o pensamento crítico”, diz nota da entidade.

    Nota de colegas de Fáveri no programa de pós-graduação da Udesc afirma que “no âmbito deste programa, nunca houve, de parte de sua coordenação ou de seu corpo docente, qualquer orientação ou ação que desconhecesse direitos fundamentais garantidos por nossa Constituição, tais como os de liberdade de expressão e os de liberdade de consciência ou de crença”.

    A nota da ANPUH afirma ainda que “a professora está sendo processada por uma ex-aluna, que se inscreveu no seu curso e que se diz constrangida, como cristã e anti-feminista, pela matéria apresentada e discutida nas aulas’.

    Já a direção da Udesc diz “estar acompanhando o andamento do processo que envolve a aluna e a professora, como interessada no processo, para melhor elucidação dos fatos, prestando informações à Justiça quando for necessário”.

    Ribeiro acredita que a Escola Sem Partido desrespeita todos os preceitos básicos de uma educação de qualidade. “Querem nos tirar a possibilidade de aprender em liberdade, querem impedir o diálogo, porque têm medo de que seus preconceitos desabem com argumentos fundamentados na realidade e no conhecimento científico”.

    Para Pereira, a mestranda se baseia em verdades preestabelecidas e não quer sair do casulo. “Ela parece ter medo de ser livre, de ter que tomar decisões e se escora em preconceitos contra a emancipação feminina”.

    A procesasante "parexce estar feliz em ganhar 26% a menos que os homens e trabalhar muito mais. também com o número exorbitante de estupros e assassinatos de gênero no país”. Certamente, “feliz em ser bela, recatada, do lar e totalmente submissa à ideologia patriarcal”, conclui.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy. Foto: Sul 21

  • O Dia Nacional de Luta, nesta quarta-feira (15) levou 10 mil pessoas a marchar pelas ruas da capital de Santa Catarina, Florianópolis. De acordo com o Portal Catarinas as mobilizações em locais de trabalho, diálogo com a população, assembleias de categorias e protestos começaram logo cedo e à tarde culminou com uma grande marcha pelo centro da capital.

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    Bancários saem às ruas de Chapecó

    Diversas centrais sindicais e movimentos sociais se fizeram presentes em diversas cidades. Segundo o presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil em Santa Catarina (CTB-SC), Odair Rogério da Silva, ocorreram grandes atos em Joinville, Chapecó, entre outras dezenas de cidades pelo interior do estado.

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    Trabalhadoras e trabalhadores dos Correios cruzaram os braços, aqui em Joinville

    “A classe trabalhadora começou a sua reação ao golpe contra a democracia, que quer acabar com os nossos direitos, tornando-nos verdadeiros escravos do capital em pleno século 21”, diz Silva. “Queremos nos aposentar com dignidade”.

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    Sintaema também parou em todo o estado

    Portal CTB com informações de Anderlize Abreu e do Portal Catarinas

  • Na manhã desta quinta-feira (27) os metalúrgicos de Chapecó, em Santa Catarina, amanheceram de braços cruzados contra as reformas do governo ilegítimo Temer.

    Já os pescadores da região oeste fecharam a BR-101 contra projeeto que amplia a lista de pescas proibidas e contra a reforma trabalhista.

    “A aprovação do texto base da reforma trabalhista pelos deputados, levou algumas categorias a adiantar a greve geral no estado”, afirma Odair Rogério da Silva, presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil em Santa Catarina (CTB-SC).

    pescadores sc greve 2017

    Os trabalhadores e as trabalhadoras dos Correios iniciaram uma greve por tempo indeterminado na quarta-feira (26). Silva conta que em Criciúma houve manifestação nesta quinta. “Além de suas reivindicações específicas eles estão parados contra as reformas”, diz.

    O presidente da CTB-SC afirma ainda que “a palavra de ordem neste momento é parar tudo para forçar a queda desse governo ilegítimo para barrar todos os retrocessos que os patrões querem impor à classe trabalhadora”.

    correios sc greve 2017

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

  • “A Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) se solidariza com os familiares e amigos da Chapecoense neste momento de dor”, diz Carlos Rogério Nunes, secretário de Políticas Sociais, Esporte e Lazer da CTB.

    O dirigente sindical ressalta a atitude do Atlético Nacional, de Medellín, na Colômbia, de abrir mão da disputa e encaminhar pedido para a Confederação Sul Americana de Futebol (Conmebol) para dar o título de campeão ao clube brasileiro.

    “É uma atitude honrada dos jogadores, da comissão técnica e da direção do clube em proporcionar à Conmebol de dar o título à Chapecoense”, acentua. Em sua rede social o clube colombiano deu uma demonstração de sentimento de humanidade. “O Atlético Nacional, por decisão unânime do plantel, pediu que a Chapecoense fosse declarada campeã da Copa Sul Americana de 2016”, escreveu.

    O acidente

    O avião que levava a equipe catarinense para a primeira partida da final da disputa, caiu na madrugada desta terça-feira (29), em La Union, na Colômbia, bem perto do seu destino. As notícias, embora contraditórias, dão o saldo de 76 mortos, entre os 72 passageiros e 9 tripulantes que estavam no voo.  Dentre eles, 20 jornalistas de várias empresas da região. Imediatamente muitos torcedores rumaram para a Arena Condá, o estádio municipal utilizado pelo clube de Chapecó.

    Tanto que em sua página oficial o clube catarinense diz que devido ao “desencontro das notícias que chegam”, a “Associação Chapecoense de Futebol reserva-se o direito de aguardar o pronunciamento oficial da autoridade aérea colombiana, a fim de emitir qualquer nota oficial sobre o acidente”.

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    A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) cancelou a partida da final da Copa do Brasil, entre Grêmio e Atlético-MG, em Porto Alegre, nesta quarta-feira, assim como os jogos do Campeonato Brasileiro de Futebol deste fim de semana, passando todos para o dia 11.

    Os times brasileiros também prestaram solidariedade. Várias equipes se propuseram a jogar a última partida do Brasileirão 2016 com a camisa do time de Santa Catarina. Também decidiram ceder jogadores emprestados sem custo algum e pedira à CBF que a Chapecoense fique fora do descenso, caso fique entre os quatro últimos colocados no campeonato da série A.

    Espírito humano

    “A CTB acredita que a solidariedade deve prevalecer em todos os setores da vida. Principalmente em horas tão tristes como o caso do falecimento de dezenas de profissionais em pleno exercício de suas funções”, reforça Nunes.

    Ele espera que a atitude do clube da Colômbia sirva para a sociedade se espelhar. Não apenas nas relações de lazer e esporte, mas em todas as relações sociais. Essa solidariedade, esse espírito humano deve prevalecer em todos os setores da vida, com a predominância da tolerância e do respeito. Que essa atitude dos colombianos transcenda o esporte e seja levada à vida e atinja toda a sociedade para acabarmos com o ódio e a violência vigentes”.

    Nota baixa mais uma vez para o comportamento da mídia, que não perde o tino comercial nem mesmo em tragédias de tamanha comoção.

    Conheça um pouco a história do clube

    A Associação Chapecoense de Futebol foi fundada em 10 de maio de 1973, em Chapecó, Santa Catarina.  A partir de 2009, o time foi subindo de categoria. Terceiro colocado na Série D em 2009 foi para a Série C, ficando em quarto em 2012, indo para a Série B, sendo vice-campeão em 2013. Assim passou para a Série A, onde vem se mantendo desde então.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

  • Ana Júlia diz o que os progressistas gostariam e os conservadores não querem ouvir

    A estudante que empolgou as cabeças progressistas do país com seu discurso em defesa das ocupações de escolas no Paraná, Ana Júlia Ribeiro, mais uma vez fala o que todos os defensores de uma educação pública de qualidade gostariam e os conservadores precisam ouvir, desta vez em audiência pública sobre a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 55 (ex-PEC 241), no Senado Federal.

    Com a história na mão

    Ela afirma que as ações dos estudantes são vistas como “baderna”, mas que na verdade é pela educação pública.  Diz ainda ser a favor de mudanças na educação, mas que a sociedade possa debater, que o movimento estudantil possa participar. “Estamos lá porque acreditamos no Brasil”.

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    “As mãos de vocês estão sujas com o sangue do Lucas”, diz estudante aos deputados paranaenses

    No final, ela falou contra a onda de repressão, que se espalha pelo país, aos ocupantes de escolas e afirma que “estamos lá na paz”. A menina de 16 anos afirma com firmeza que “vamos desenvolver métodos de desobediência civil, nós vamos levar a luta estudantil para frente, nós vamos mostrar que não estamos aqui de brincadeira, e que o Brasil vai ser um país de todos”. Para ela, quem votar a favor da PEC do Fim do Mundo estará com as “mãos sujas por 20 anos” (acompanhe abaixo a fala da estudante).

     

    Na contramão

    Conservadores agem à revelia do Estado Democrático de Direito. Em diversos estados a repressão ao movimento dos secundaristas contra a PEC 55 e a reforma do ensino médio, mostra a verdadeira face do governo golpista contra a democracia, a inteligência e o bom senso.

    O juiz Alex Costa de Oliveira, da Vara da Infância e Juventude do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios chegou ao absurdo de autorizar o uso de técnicas de tortura contra estudantes.

    "Autorizo expressamente que a Polícia Militar utilize meio de restrição à habitabilidade do imóvel, tal como, suspenda o corte do fornecimento de água; energia e gás (...) restrinja o acesso de terceiro, em especial parentes e conhecidos dos ocupantes", determina.

    Em seu ofício (veja foto abaixo), o juiz autoriza o corte de água, luz e gás das unidades de ensino, além de impedir o acesso de familiares e amigos. Autorizou inclusive a utilização de "instrumentos sonoros contínuos, direcionados ao local da ocupação, para impedir o período de sono".

    juiz autoriza tortura estudantes df

    Sem intimidar-se, centenas de estudantes do DF, ocuparam a reitoria da Universidade de Brasília (UnB), no campus Plano Piloto, na noite desta segunda-feira (31) para protestar contra a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 55 (ex-241), que congela os investimentos em educação e saúde por 20 anos. Aos gritos de "recua, direita recua. É o poder popular que tá na rua" (veja vídeo abaixo).

    Jovens algemados como criminosos

    Mesmo sem autorização judicial, na quinta-feira (27), chamada pela direção da escola, a Polícia Militar invadiu a Polícia Militar, em Miracema, interior do Tocantins, e deteve estudantes. Como se fossem bandidos, os jovens foram algemados e levados para a delegacia da cidade. No dia seguinte, a Justiça determinou a liberação de todos.

    estudantes algemados tocantins

    Estudantes de Tocantins foram presos e algemados (reprodução / Facebook / Gleisi Hoffmann)

    No Paraná, estado com o maior número de escolas ocupadas, grupos fascistas, liderados pelo Movimento Brasil Livre (MBL) agem com violência tentando desocupar a escolas. Eles atacam “as escolas com pedras, com ameaças", diz Camila Lanes, presidenta da união Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes).

    Pelo país, “a gente vê casos como o atropelamento de um estudante em um ato; a gente vê casos, como na Bahia, de agressões físicas e ameaças feitas por membros desse movimento contra estudantes; a gente vê casos, como aqui em Brasília, em que o Movimento Desocupa tentou invadir uma escola pelo telhado”, afirma a líder estudantil.

    Na quinta-feira (27), em Chapecó, em Santa Catarina, a PM catarinense invadiu a ocupação da escola Irene Stonoga com fuzis em punho, acompanhada da direção da escola. A imprensa local afirma que direção manteve os estudantes presos entre as grades do corredor até os policiais chegarem.

    Em Bocaiúva, Minas Gerais, estudantes e educadores da Escola Estadual Dr. Odilon Loures se unem contra a PEC do Fim do Mundo e tomam as ruas da cidade, contra o congelamento de investimentos em educação e saúde públicas(veja foto abaixo).

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    Estudantes e educadores de Bocaiúva contra a PEC da Maldade

    A estudante Clara Stempkowski diz, para a Ubes, que “foi muito assustador para nós, todos estávamos muito amedrontados, eu nunca havia visto uma arma daquele porte, não sabia o que fazer, fiquei tremendo por horas até conseguir me acalmar”.

    Do Paraná vem a boa notícia. Ao saberem da intenção do MBL de desocupar à força o do Colégio Estadual Pedro Macedo, em Curitiba, pais de alunos, professores e vizinhos da escola saíram em defesa dos estudantes e expulsaram os fascistas. Alunos fazem o mesmo para defenderem seus colegas do Núcleo Regional de Educação, na capital paranaense (assista abaixo). 

    Já em São Paulo a PM é acusada de carregar uma lista com fotos e nomes de secundaristas e apoiadores do movimento”, diz Liliane Almeida, do GGN. “Ao ser abordado, o jovem é obrigado a reconhecer os colegas apresentados nas imagens. Quem não consegue, é espancado”, afirma a repórter.

    pm paulista prende estudante

    Com a violência costumeira, a PM de Geraldo Alckmin ataca jovens inocentes (foto: jornal GGN)

    Ela conta o caso “de um estudante de Paraisópolis, pego dentro de uma estação da CPTM e levado até uma pequena sala com dois policiais, sem identificação, que o interrogaram apresentando fotos de outros estudantes que o jovem precisava reconhecer dando nomes e endereços. Como o rapaz, de apenas 16 anos, se recusou a passar informações, foi brutalmente espancado até perder a consciência”.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy