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Sáb, Maio

Ciência e Tecnologia

  • A equipe de governo de Michel Temer anunciou na sexta-feira passada (28) a intenção de, pela primeira vez desde 2003, reverter as políticas de favorecimento do software livre nacional. A nova estratégia, defendida pelo Ministro da Ciência Gilberto Kassab e seus secretários Maximiliano Martinhão e Marcelo Pagotti, é substituir todo o trabalho dos cientistas brasileiros por programas da Microsoft.

    Até o dia 11 de novembro, todos os órgãos do Governo Federal deverão dizer sobre o interesse que têm em trocar a plataforma desenvolvida no Brasil pelas ferramentas da multinacional americana. Caso consolidada, a venda instalará em cada máquina o sistema Windows, o pacote Office e a ferramenta Client Acess Lines, que intermedia todas as comunicações de intranet. Do lado dos servidores, que armazenam e distribuem a rede interna do governo, a plataforma passará a ser o Windows Server.

    A licitação entre as revendedoras de software ainda não tem data para acontecer, mas a estimativa de fontes internas é de que não passe de dezembro.

    Falsos motivos para mudar

    O motivo central da mudança de rumos, como explicado pelo ministro Kassab, seria o de “proteger os sistemas nacionais contra hackers”. Este argumento, no entanto, é duramente contestado por especialistas em segurança da informação, como o ex-presidente do Serviço Federal de Processamento de Dados, Marcos Mazoni. “Com o software livre, eu posso abrir esses códigos, saber como funcionam e construir sua segurança. Então, é uma segurança que só eu sei. No caso de uma empresa [como a Microsoft], uma mesma falha de segurança pode atingir milhões de computadores”, explica. No vídeo abaixo, ele explica a diferença com mais profundidade:

    Marzoni não é o único a apontar a inconsistência na alegação de Kassab. Em sua 16ª edição, o Fórum Internacional de Software Livre (FISL) dedicou parte de sua programação para apontar o mesmo posicionamento: softwares livres são mais seguros que os softwares proprietários, justamente por sua ampla adaptabilidade.

    Os especialistas na área já criaram até mesmo um abaixo-assinado se posicionando contra a proposta, que pode ser acessada (e assinada) CLICANDO AQUI.

    Uma análise mais detalhada da agenda de Kassab, no entanto, sugere uma outra motivação para a decisão brusca do atual Ministro da Ciência: uma reunião que teve com a própria Microsoft, sem a presença da imprensa, no dia 19 de outubro. Presentes, além de Kassab, estavam o governador do Distrito Federal, Rodrigo Rolemberg, e o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia. Na ocasião, a multinacional anunciou o seu Centro de Transparência em Brasília, cujo objetivo é “promover segurança cibernética e transparência” na América Latina. Além de pedir cooperação do Governo Federal, abordou também o próprio Ministério Público Federal.

    A proximidade da data dessa reunião com o anúncio da compra dos softwares sugere, no mínimo, que a reunião foi mais que um debate sobre segurança cibernética, como sugere a nota oficial do Ministério do Planejamento.

    Ataque à pesquisa nacional

    O Governo Federal usa softwares livres em seus órgãos desde que ensaiou sua aproximação com a comunidade nacional de Tecnologias da Informação, sob Lula. A partir de 2003, a estratégia o uso de softwares livres, que podem ser manipulados e distribuídos de forma universal, fomentou no Brasil um ambiente de cooperação científica com poucos paralelos mundiais. Como esses programas podem ser alterados e melhorados por qualquer pessoa, um grande número de estudantes e especialistas de informática se envolveu na construção de ferramentas de transparência e gestão para o governo. Todas gratuitas, todas públicas.

    Isso não representou apenas um ganho científico para o país, mas também econômico e em segurança. Além do incentivo aos pesquisadores nacionais, que passaram a enxergar seu trabalho aplicado nos espaços de gestão pública, os serviços de desenvolvimento dessas ferramentas triplicou a demanda por profissionais brasileiros na área. Ao mesmo tempo, ao eliminar a necessidade de licenças, economizou entre R$ 150 milhões e R$ 500 milhões entre 2004 e 2010.

    Além do supercomputador, três grandes projetos de ciência brasileiros estão sofrendo com cortes

    Esse novo mercado será duramente afetado pela guinada proposta por Michel Temer. Atualmente, o governo brasileiro responde sozinho por quase 66% do financiamento de softwares livres - que, em si, representam apenas 4% do mercado de aplicativos no país. Ao abandonar esse mercado, o Governo Federal extinguirá milhares de empregos qualificados na área de TI nacional. Pior ainda: o dinheiro que seria aplicado no desenvolvimento de soluções brasileiras será transferido para uma multinacional americana, e a um custo mais alto do que o atual.

    Outro aspecto preocupante é que os dados do governo passarão armazenados em plataformas cujo controle está longe das mãos da população, impedindo o desenvolvimento de novas ferramentas de supervisão. Iniciativas como o Portal da Transparência, cujo desenvolvimento contou com a participação de centenas de pesquisadores, estarão sujeitas à boa vontade da Microsoft, que poderá ou não viabilizar a implementação delas. Como o código-fonte da comunicação do governo estará concentrado nas mãos da empresa, apenas soluções já compatíveis com as diretrizes dos americanos serão aceitas.

    O Brasil entregue aos espiões

    Um último aspecto dessa transação, que não pode ser ignorado de forma alguma, é o impacto que a adoção de uma plataforma fechada pode ter nos assuntos de segurança nacional brasileiros. Em 2013, a relação entre Brasil e Estados Unidos sofreu grande abalo depois que o ativista Edward Snowden revelou o extenso programa de espionagem norte-americano contra o Brasil. Na época, comprovou-se que a CIA e a NSA, duas agências de inteligência dos EUA, forçaram diversas multinacionais de informática a criarem falhas de segurança em seus sistemas de comunicação. O objetivo era ter acesso às comunicações internas de diversos governos globais.

    Irritadíssima, a presidenta Dilma Rousseff chegou a cancelar uma visita oficial à Casa Branca no ano seguinte. Ela mencionou o caso até mesmo na 68ª Assembleia Geral das Nações Unidas, dizendo: “Jamais pode o direito à segurança dos cidadãos de um país ser garantido mediante a violação de direitos humanos e civis fundamentais dos cidadãos de outro país. Pior ainda quando empresas privadas estão sustentando essa espionagem”, assinalou.

    A “empresa privada” citada por Dilma, no caso, era a Microsoft. Através de uma falha implantada pela multinacional em seu sistema de e-mail, o governo americano teve acesso a centenas de milhões de mensagens.

    Cruvinel: Governo Temer cogita entrega de Base Espacial de Alcântara aos Estados Unidos

    Desde então, o escândalo causado em território americano fez com que a Casa Branca recuasse em sua política de vigilância massiva. A reação brusca do Brasil e da Alemanha, duas nações que também foram alvo de operações similares, também contribuiu com o recuo. Mas, diante de um controle total da estruturas de comunicação interna do Governo Federal, o que a impediria de retomar a prática? Durante as investigações de espionagem interna feitas pelo Congresso americano, muitos executivos explicaram que a colaboração com a CIA tornou-se obrigatória a partir de 2001, com o Ato Patriota. A super-lei deu poderes praticamente infinitos aos órgãos de segurança americanos.

    As mesmas leis continuam em vigor até hoje. Será prudente confiar a comunicação interna do governo brasileiro à mesma organização que, meros três anos antes, foi pivô de um escândalo de espionagem?

    Por Renato Bazan - Portal CTB

  • Há menos de um mês, a comunidade científica brasileira ficou escandalizada com a notícia de que o supercomputador Santos Dumont, o maior da América Latina, estava sendo desligado por falta de investimentos mínimos do Ministério da Ciência, Tecnologia, Informação e Comunicações, encabeçado atualmente por Gilberto Kassab (PSD-SP). O equipamento tem papel fundamental no combate a doenças como o Mal de Alzheimer e o virus zika, além de realizar os cálculos de prospecção do petróleo do pré-sal. Desde então, cientistas de todo o país têm denunciado outros projetos sofrendo do mesmo drama, sempre com uma história comum: cortes orçamentários, frutos da política de austeridade fiscal implementada desde 2015, que diminuíram de R$ 9,4 bilhões para R$ 3,5 bilhões o total de investimentos anuais e desembocaram numa fusão com o setor de Comunicações.

    Dentre os projetos em estado preocupante, três integram a vanguarda da ciência brasileira, e por isso têm chamado atenção nas comunidades online.

    O primeiro deles pertence ao Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para o Controle do Câncer (INCT), em Brasília, um grupo de 50 cientistas que trabalha em novas formas de terapia para o câncer. Usando a nanotecnologia e métodos experimentais de terapia por luz, trabalham na criação de medicamentos mais eficientes e com menos efeitos colaterais. O presidente do instituto, Ricardo Bentes de Azevedo, ressaltou em entrevista à BBC que o segundo método chegou a apresentar 100% de casos de remissão nas etapas mais recentes, mas não consegue avançar mais diante da escassez de recursos - o Ministério da Tecnologia está há quase dois anos sem oferecer financiamento ao grupo. "Isso efetivamente estaciona os projetos. Se não vierem recursos até o fim desse ano, teremos um retrocesso muito grande”, disse.

    Outro grande projeto colocado em risco tem lugar na floresta amazônica, onde o Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá tenta salvar milhares de jacarés e botos de mortes desnecessárias. As comunidades ribeirinhas do Amazonas têm por tradição a pesca do piracatinga (peixe que se alimenta de outros peixes mortos), mas as iscas usadas atualmente são feitas com carne de boto e jacaré - espécies que enfrentam outras ameaças de forma crescente. Apesar do sucesso em seus estágios iniciais, a pesquisa de iscas alternativas teve 65% de suas instalações fechadas e 42% dos funcionários demitidos em meses recentes por falta de dinheiro, e a proibição colocada sobre o peixe até 2020 não impediu que ela continuasse de forma ilegal. Os pescadores reclamam da falta de opção e do desemprego.

    O Instituto Mamirauá servia também ao propósito de fazer o censo das comunidades da região, de difícil acesso. As informações estatísticas seriam essenciais para as negociações comerciais com grandes cidades do região Norte, que precisam mensurar a produção para negociar adequadamente. "O ministério nos prometeu que devemos receber R$ 2,5 milhões agora para pagar salários e fornecedores. Mas, concretamente, ainda estamos muito distantes de resolver o problema", explicou Helder Queiroz, diretor do instituto.

    O terceiro e mais simbólico caso de falência do setor científico diante dos cortes no investimento é o do Navio Hidroceanográfico de Pesquisa Vital de Oliveira, atualmente administrado pela Marinha. Depois de um investimento de R$ 162 milhões e um ano inteiro de calibragens minuciosas, a embarcação está encostada no Rio de Janeiro por falta de dinheiro de manutenção. Com 28 equipamentos de alta precisão para explorar o mar costeiro, incluindo um robô submarino, ele precisa de R$ 32 milhões anuais para manter-se na ativa, mas tem o potencial para encontrar metais raros, plantas medicinais e até mapear o fundo do oceano - é uma joia da produção científica nacional. Sem dinheiro, porém, o Ministério da Ciência busca hoje fazer um rateio com o Ministério da Defesa, a Vale do Rio Doce e a Petrobras para retorná-lo à ativa.

    Cientistas contra Temer

    Desde o anúncio da fusão do Ministérios da Ciência com o das Comunicações, a comunidade científica brasileira tem sido veemente na rejeição das atitudes do governo interino. De forma unânime, a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), a Academia Brasileira de Ciências (ABC), o Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (Confap), o Conselho Nacional de Secretários Estaduais para Assuntos de Ciência, Tecnologia e Inovação (Consecti), e a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) assinaram carta conjunta em que desprezam a forma com que o setor tem sido tratado desde o afastamento da presidente eleita Dilma Rousseff. Eles denunciam também a redução orçamentária draconiana imposta sobre o setor, que tem ligação direta com o desenvolvimento nacional.

    Mais recentemente, diversas manifestações de repúdio têm tomado palco pelas universidades e sub-sedes do ministério em todo o país. Ocupando ruas e parques ou aparecendo em notas em jornais e noticiários, os cientistas tomam posição similar àquela que lutou para impedir a extinção do Ministério da Cultura, e exigem a continuidade das responsabilidades do ministério anterior.

    Portal CTB, com informações da BBC Brasil

  • A Quarta Revolução Industrial permite às sociedades modernas algo que soaria impossível apenas 100 anos atrás: a eliminação quase total dos trabalhos repetitivos associados ao setor industrial. Ao mesmo tempo em que isso abre possibilidades de crescimento exponencial da produtividade, a eliminação gradual da mão-de-obra pode levar a um processo de precarização do trabalho. O saldo desse cenário pode ser uma concentração de renda sem precedentes na história moderna.

    Ciência e tecnologia são dois temas essenciais para a agenda mundial, diretamente relacionados ao futuro da humanidade. A CTB luta para levar o Brasil à vanguarda do desenvolvimento científico e tecnológico, para que não se perca o bonde da história. Se faz necessária uma ação organizada dos sindicatos e forças políticas progressistas para compatibilizar inovação tecnológica com desenvolvimento humano, de maneira que a tecnologia não sirva para o empobrecimento da imensa maioria.

  • A campanha de cortes orçamentários e aparelhamentos institucionais de Michel Temer contra as instituições brasileiras de ciência recebeu mais um capítulo triste nesta segunda-feira (17), com informações de que o CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) terá uma redução de até 30% em suas bolsas de pesquisas presentes e futuras.

    A informação parte do antropólogo e professor da UFRJ Eduardo Viveiro de Castro, que publicou na Facebook uma nota de pesar com relação ao tema. “O novo presidente do CNPq não tomou posse ainda, e os quadros técnicos dizem não ter autonomia para reverter a situação. Supostamente trata-se ordem superior”, ele escreveu. “A decisão dos comitês é não proceder a isso e a alternativa será cortes administrativos sabe-se lá com que critérios”, complementou, preocupado.

    A decisão é apenas mais uma em uma série de ataques aos cientistas brasileiros, que desde o impedimento de Dilma Rousseff se depararam com obstáculos crescentes. Depois da incorporação do Ministério da Ciência e Tecnologia à pasta das Comunicações, a lista de medidas contrárias à pesquisa científica já incluiu o desligamento do supercomputador mais potente do país, a desativação de parte da Rede Nacional de Ensino e Pesquisa, a redução nos investimentos pela vacina contra o vírus zika e até uma rodada de negociações pela entrega da Base Espacial de Alcântara.

    Com a aprovação eventual da PEC 241, no entanto, o setor cairá para um patamar ainda baixo que o atual. “O que se revela é um quadro mais grave, que inviabiliza até o orçamento do que já deveria ser pago. Esses aí são reflexos no CNPq, mas isso é parte de um esvaziamento acelerado. O que esta em curso é um estrangulamento do setor. Essa restrição está ligada com outras ações: a limitação das verbas de saúde e educação por um lado, e o desmanche do Fundo Social do Pré-Sal por outro. Então é um retrocesso brutal”, analisa o ex-presidente da Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP), Luis Manuel Rebelo Fernandes.

    Portal CTB

  • A jornalista Tereza Cruvinel escreveu nesta terça-feira (26) sobre uma possível retomada do tratado de concessão da base militar de Alcântara, no Maranhão. Segundo a reportagem, a entrega da base espacial aos Estados Unidos seria uma iniciativa do ministro interino de Relações Exteriores, José Serra. Ele esteve em reunião com o embaixador brasileiro em Washington, Sergio Amaral, para retomar a negociação.

    Não há informações sobre datas ou prazos, mas o cenário é condizente com a atitude submissa de Serra. Desde que assumiu a pasta, o novo chefe do Itamaraty tem revertido decisões de auto-afirmação das últimas três gestões, inclusive a articulação com os BRICS e a promoção de políticas Sul-Sul.

    Segundo a reportagem, a locação de Alcântara daria “amplos poderes” aos americanos, inclusive o de conduzir atividades aeroespaciais em sigilo. A escolha de Amaral para a condução do processo também não seria à toa: em seus muitos cargos durante o governo FHC, ele foi um dos principais interlocutores do presidente tucano junto à comunidade internacional, construindo o caráter entreguista que caracterizou a diplomacia sob o PSDB. No acordo do ano 2000, foi ele o relator da matéria na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional, e dali saíram os termos que entregariam Alcântara para os americanos até 2002. O tema foi engavetado com a eleição de Lula, que o considerou “lesivo à soberania nacional”.

    O Centro de Lançamento de Alcântara possui uma característica única no Planeta Terra, que desperta o interesse de muitas nações com tecnologia aeroespacial. Por sua localização privilegiada na linha do Equador, a base reduz em até 30% o custo de um lançamento. Na prática, isso representa dezenas de milhões de dólares economizados por operação. O Brasil realiza parcerias com diversos países para explorar este potencial, inclusive os Estados Unidos.

    Sabotagem no Programa Espacial Brasileiro

    A polêmica em torno da base de Alcântara é agravada pelo grande acidente ocorrido em agosto de 2003, quando o lançamento de um foguete se transformou num incêndio catastrófico, matando dezenas de pessoas. O acontecimento não apenas tirou a vida de muitos profissionais qualificados no campo de pesquisa espacial, como jogou um balde de água fria no programa, então um dos mais ativos do mundo.

    Apesar de ter sido inicialmente considerado um erro técnico, uma série de documentos vazados pelo Wikileaks em 2011 revelaram mais tarde que o governo dos Estados Unidos fazia oposição aberta ao sucesso da missão brasileira, atuando por baixo dos panos para impedir quaisquer acordos de transferência de tecnologia à Força Aérea Brasileira. Isso levou muitos analistas a especularem sobre o papel que os EUA tiveram no acidente no lançamento, com interpretações apontando para possíveis tecnologias que o teriam evitado até a possibilidade de sabotagem direta por motivos geopolíticos.

    Concretamente, o que se sabe é que os EUA adotam uma postura de impedimento quanto à transferência de tecnologias espaciais ao Brasil. Um exemplo patente é o da empresa binacional Alcântara Cyclone Space (ACS), fundada em parceria com o governo da Ucrânia ainda em 2003 para a construção do foguete Cyclone-4. Como revelado pelo Wikileaks, a iniciativa foi amplamente boicotada pelos Estados Unidos, que se utilizam de pressões econômicas e políticas para limitar as contribuições da Ucrânia no projeto. Ao longo de 13 anos, a parceria não conseguiu gerar frutos, apesar dos investimentos do governo brasileiro.

    Com as revelações de espionagem americana sobre a presidenta Dilma Rousseff em 2013, a teoria de sabotagem ganhou nova força entre os analistas. Se houver de fato a reativação do acordo, será impossível ignorar a possibilidade de interferência americana em Alcântara.

    Portal CTB

  • A CTB-Minas e a Fitmetal realizaram, no auditório três da Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), o Ciclo de Debates sobre a necessidade do crescimento da indústria e tecnologia no Brasil.

    O professor da Fundação Maurício Grabois, Sérgio Barroso; o professor da UFMG, João Prattes Romero; o representante do Instituto Trabalho, Indústria e Desenvolvimento, Rafael Marques e o prefeito de Betim, Vittorio Mediolli, integraram a mesa de debates, que foi mediada pelo técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudo Socioeconômico (Dieese), Fernando Duarte.

    Assuntos como a transformação da China em potência industrial, a concentração de grandes industrias na Coreia do Sul, revolução industrial 4.0 e tantos outros foram debatidos durante toda a tarde. Entretanto, de acordo com o professor da UFMG, João Prattes Romero, o Brasil precisa potencializar a indústria. "Se queremos desenvolver, temos que focar na indústria, principalmente nas indústrias de média e alta tecnologia. Tem que haver ainda uma política industrial de desenvolvimento para o crescimento e desenvolvimento do Brasil", afirmou.

    O professor Sérgio Barroso fez um panorama da previsão dos especialistas em economia para 2018 e 2019. "Especialistas acreditam que estamos à beira de uma nova crise do capitalismo mundial devido a política financeira aplicada após a crise de 2007 e 2008. A possibilidade de uma nova crise é real, se aparecer nos dois próximos anos, onde vamos parar? Alguns especialistas já dizem que essa crise será no primeiro semestre do ano que vem. Já estamos em um processo de desindustrialização acelerado no Brasil, como vamos suportar outra crise mundial?", questionou.

    Barroso afirmou ainda que o Brasil, historicamente, sempre ficou muito atrás dos países desenvolvidos quanto as revoluções industriais. Dessa vez não será diferente, já que seis países já iniciaram o processo da revolução industrial 4.0, enquanto o Brasil está longe de priorizar essa questão. "As diferenças entre os países que já entraram na quarta revolução e o Brasil não tem condições de avaliar o impacto do lado negativo da história. O alerta que fica será o impacto numa situação dessa com a desproteção trabalhista, com a reforma previdenciária. Nossa situação é difícil, seria ilusão dizer que esse ambiente depois do golpe do Temer não piorou a situação brasileira", disse.

    "O centro da quarta revolução industrial é a inteligência artificial, robótica, impressão 3d, nanotecnologia, veículos autônomos, estocagem de dados (big data). Fusão de tecnologias, borrando as linhas divisórias entre as esferas física, digital e biológica. O conceito não se limita a aplicação combinada dessas tecnologias. A indústria 4.0 cria e articula fábricas inteligentes em um sistema produtivo de comercialização substancialmente diferentes. Mas, a revolução precisa alcançar 17% da população, já que cerca de 1,3 bilhão de pessoas não tem energia elétrica", explicou Barroso.

    O Ciclo de debates é uma parceria entre a CTB e a Fit Metal. Outros estados também estão recebendo debatedores de renome para discutir sobre a necessidade de industrialização brasileira.

    Da CTB-MG

  • A CTB e outras cinco centrais sindicais, além seis confederações dos setores de indústria e comércio que compõem o Fórum Nacional de Desenvolvimento Produtivo, debateram hoje (4) com o governo propostas para a retomada do crescimento do País. O DIEESE e IPEA também estiveram presentes no encontro, ocorrido na manhã desta terça, no Palácio do Planalto, com a presença do ministro da Indústria e Comércio Exterior, Marcos Pereira, e o assessor especial da Presidência da República, Sandro Mabel.

    O Fórum foi criado pela presidência, sob o comando do MinC, na tentativa de desenvolver propostas e solucionar demandas que travam o crescimento econômico do País.

    Acordos de Leniência e questões como taxas de juros, câmbio, importações e exportações foram as principais pautas da reunião. O ministro Marcos Pereira, chamou atenção para pontos considerados por ele como prioritários, entre eles, investimentos, revisão da lei de licitações e melhoria do ambiente de negócios.

    A reunião não teve a presença do Ministro do trabalho, Ronaldo Nogueira, requisitado pelas centrais para compor permanentemente o colegiado.

    Para o secretário-geral da CTB, Wagner Gomes, o objetivo das centrais no fórum é discutir o setor produtivo, bem como estratégias para fazer a indústria voltar a gerar empregos, além de exigir uma política do governo para o desenvolvimento do País. “Estamos num entrave porque esse governo não tem política para retomada do crescimento. Questões discutidas aqui como esse problema do Acordo de Leniência, onde as empresas que estão sendo investigadas negociam com o governo e ele libera essas companhias para participar de obras públicas, retomando assim o crescimento. É um Fórum importante, mas, evidentemente o que está sendo discutido aqui vai sair do consenso, porque o governo deve ter o Estado como indutor da economia e não é o que está pretendendo. O mínimo que concordarmos aqui já é alguma coisa. Estamos aqui com as nossas ideias em defesa de um Brasil com crescimento e geração de empregos, esse é o nosso principal objetivo”, afirmou o dirigente.

    Para Wagner, o papel da CTB no grupo “é garantir a manutenção dos direitos da classe trabalhadora. Hoje temos uma forte convicção de que este governo vai vir pra cima para tentar tirar os direitos dos trabalhadores e aí a coisa vai ficar quente porque nós não vamos aceitar”, concluiu.

     “A gente precisa sentar e tirar um posicionamento mais claro disso e é claro que a gente quer o desenvolvimento do país, a geração de emprego, agora precisa ter política do governo para isso né? Sem o governo apresentar de fato essas políticas não é o fórum aqui que vai resolver isso. Então o que temos discutido aqui são questões importantes para os trabalhadores, mas tem coisas que precisam ser resolvidas - a questão da infraestrutura, o próprio AL-  as empresas estão perdendo condições e com isso os trabalhadores perdendo emprego. A questão das exportações também – tem que mudar política econômica – com um cambio desse jeito, o real equiparado ao dólar, não tem como a gente exportar e vai é importar ainda mais prejudicando a indústria nacional. Então vamos ter que ver isso. É preciso decisão politica do governo. Estamos aqui mais como olheiros mesmo e fiscalizando para saber quais as reais pretensões desse governo”, declarou Assis Melo, dirigente da central no Rio Grande do Sul.

    A discussão não obteve avanços por falta de propostas, tanto do governo como das entidades envolvidas. O Ministro Marcos Pereira disse que é preciso focar nos temas considerados por ele como prioritários - investimentos, importações, exportações (revisão das taxas) melhoria do ambiente de negócios; revisão da lei de licitações, financiamento de infraestrutura econômica. O próximo encontro do colegiado está marcado para o dia 18.

    De Brasília, Ruth de Souza - Portal CTB

  • A Secretaria Municipal do Desenvolvimento, Trabalho e Empreendedorismo de São Paulo realiza nesta quinta e sexta-feira (22) e (23) a II Semana Municipal de Ciência, Tecnologia, Inovação e Desenvolvimento, que corre paralelamente à Semana Nacional de Ciência e Tecnologia. O encontro reuniu pesquisadores, empresários, trabalhadores e governantes em torno do tema da inovação, crucial para o desenvolvimento econômico em tempos atuais.

    No primeiro dia, o ponto central da discussão foi a infraestrutura de telecomunicações, que teve entre o participantes a contribuição de Marcelo Zuffo, professor de Engenharia Eletrônica na USP e conselheiro do Sindicato dos Engenheiros de São Paulo, e Artur Henrique, secretário municipal do Desenvolvimento. Ambos desenvolveram suas falas em torno de um tema muito caro aos trabalhadores que os assistiam, no auditório do Sindicato dos Químicos: a relação cada vez maior entre o desenvolvimento econômico e investimentos em educação e pesquisa, e a importância de mudar a direção do governo, que ainda dá pouca importância à área.

    “Boa parte da criação de empregos no Brasil, hoje, passa pela questão da inovação tecnológica. Desde 2004, enquanto a indústria viu suas vagas diminuírem 7% do total, os setores nos quais a tecnologia é fator determinante, como o de serviços ou da indústria criativa, teve um aumento de 41%”, explicou Artur Henrique, enfatizando que a primeira edição do concurso de fomento a start-ups da Prefeitura de SP (o Vai-Tec) teve mais de 1000 projetos inscritos. Ele, no entanto, criticou a falta de atenção de que o assunto sofre em Brasília: “Se é verdade que existe a vontade de inovar existe em SP, também é verdade que arranjar investimentos é difícil. Há uma disputa hoje do modelo de sociedade que queremos - enquanto a gente passa por uma briga danada para conseguir R$ 1 bilhão, R$ 2 bilhões para investimento na ciência e tecnologia, os juros da dívida pública nos tiraram R$ 300 bilhões só neste ano. Precisamos de uma reforma tributária que, entre outras coisas, permita ao empresário investir em pesquisa”.

    Para o professor Zuffo, a ciência passou a ser uma peça central na luta contra o subdesenvolvimento em anos recentes. Ele vê a Internet como o canal pelo qual o Brasil pode superar suas fraquezas estruturais. “O processo de desenvolvimento [nacional] não esta mais restrito às poucas cabeças de inventores, dos cientistas, dos empresários. Do jeito que a Internet foi constituída, criou-se uma ‘sociedade do conhecimento’, na qual qualquer um pode dar a próxima grande contribuição, pode criar o próximo Facebook. O conhecimento nunca foi tão democratizado. Nunca tivemos tanto acesso ao conhecimento humano, e uma comunicação tão eficiente, portanto esse canal deve ser público”, refletiu.

    O encontro contou ainda com a participação de Carlos Kamienski, professor do Centro de Matemática, Computação e Cognição da UFABC, que discursou sobre a necessidade de equiparar a Internet a outros serviços urbanos básicos: “A infraestrutura de uma cidade tem que ser pensada para que não ser gargalo na movimentação das pessoas, e isso inclui água, luz, telefone, gás e agora a Internet. Não dá mais para pensar em economia sem considerar o impacto que ela tem”.

    Amanhã, o evento continua na Galeria Olido, onde será realizada uma Mostra de Projetos Inovadores, elaborados com o apoio do projeto Vai-Tec.

    Serviço

    II Semana Municipal de Ciência, Tecnologia, Inovação e Desenvolvimento
    Dia: 23 de outubro
    Horário: 14h às 17h30
    Local: Avenida São João, 473, Centro - Auditório 3º andar (Galeria Olido)

    Por Renato Bazan - Portal CTB

  • Apenas uma semana atrás, o Google anunciou uma das maiores conquistas na história da computação: uma Inteligência Artificial capaz de aprender conceitos do zero e se treinar sozinha. Em outro lugar no mundo, na Universidade de Cambridge, um grupo de cientistas usou uma tecnologia similar para provar que é possível prever terremotos, inclusive suas potências, sem nenhuma interpretação humana sobre os dados.

    Os dois fatos são parte de um mesmo fenômeno social: a Quarta Revolução Industrial. A evolução cada vez mais veloz na descoberta e implementação de novas tecnologias nos ambientes de trabalho representa, ao mesmo tempo, uma oportunidade de emancipação dos trabalhadores e a marginalização daqueles menos qualificados, substituídos por máquinas cada vez mais auto-suficientes.

    “Precisamos compreender os desafios desse novo momento sem retornar ao luddismo, a concepção que considerava as máquinas como inimigas dos trabalhadores e responsáveis pelo desemprego. A tecnologia é um meio importante para a humanidade perseguir avanços civilizatórios”, explicou Nivaldo Santana, secretário de Relações Internacionais da CTB.

    Para entender a visão da Central sobre a atual revolução tecnológica. o Portal CTB conversou com o dirigente.

    Portal CTB: Qual é o lugar do movimento sindical dentro das conversas sobre a Quarta Revolução Industrial?

    Nivaldo Santana: O futuro do trabalho é um tema de grande importância dentro do debate contemporâneo sobre a Quarta Revolução Industrial, assim como a valorização do trabalho e dos trabalhadores. O movimento sindical precisa estudar formas alternativas de organização e de luta para enfrentar as mudanças produzidas pela revolução técnico-científica adiante, precisa pensar em novas formas de gestão e organização do trabalho.

    Nós, que temos uma orientação classista e progressista para o movimento sindical, não podemos nos opor ao avanço da ciência e da tecnologia. Não podemos cair na armadilha do luddismo, aquela concepção que considerava as máquinas, e não os detentores do capital, como inimigas dos trabalhadores e responsáveis pelo desemprego.

    Como fazer essa distinção? É inegável que existe uma redução no número de postos de trabalho por conta das máquinas.

    A resposta não é simples, estamos falando de uma situação complexa. Não é prudente afirmar que o sindicato deva resistir deste ou daquele jeito, mas minha compreensão é que a luta por uma sociedade mais avançada passa pela ciência e a tecnologia.

    Para que isso ocorra, os frutos do desenvolvimento científico e tecnológico não podem beneficiar apenas uma minoria, como ocorre no capitalismo. Nesse contexto, os detentores das máquinas concentram seu capital cada vez mais nos equipamentos e cada vez menos nas pessoas, produzem cada vez mais trabalho com menos trabalhadores. Daí se atribui essa “concorrência predatória” das máquinas e o enfraquecimento dos sindicatos. Mas o problema está em quem as detém, não nelas.

    Como se daria uma apropriação progressista das novas tecnologias?

    As novas tecnologias criam as bases materiais para a transição para um novo tipo de sociedade, o socialismo. A reestruturação produtiva que virá provocará um grande aumento da produtividade e a substituição em escala não desprezível do trabalho humano por máquinas.

    Temas como a Inteligência artificial, a robótica, a Internet das Coisas, os veículos autônomos, a impressão em 3D, a nanotecnologia, a biotecnologia, a ciência dos materiais, a computação quântica… são todos avanços da ciência que vão mexer com os mais variados serviços. Mas são também meios importantes para que a humanidade persiga objetivos nobres, trabalhe cada vez menos e viva cada vez mais e melhor.

    A transição será longa e cheia de sustos. Na atual etapa de resistência, o movimento sindical ainda precisa definir uma agenda que garanta emprego, salário e direitos.

    Qual deve ser o papel do poder público diante dessas mudanças?

    Uma primeira questão é a necessidade de os Estados Nacionais regularem a aplicação de novas tecnologias, associando-as à proteção do emprego e ao crescimento econômico. Uma medida indispensável é a redução da jornada de trabalho. Isso não só vai garantir emprego para todos, como tem a vantagem adicional de liberar mais tempo dos trabalhadores para o descanso, o lazer e outras atividades sociais.

    Outra resposta para enfrentar as consequências do desemprego e da precarização decorrentes da evolução tecnológica é a constituição de uma ampla rede de proteção social, com educação, saúde, moradia, transporte, cultura, esporte, lazer, etc. Aqui também o Estado precisa ter um papel protagonista, e deve reverter as políticas de austeridade fiscal vigentes na maior parte dos países.

    Por último, é necessário retomar o desenvolvimento econômico como âncora para gerar empregos. Ele é a base para ampliar esses novos setores produtivos, criar novos tipos de ocupação e formar novos profissionais, capacitados para substituir parte das profissões eliminadas pela reestruturação produtiva.

    Isso tudo ainda precisará ser complementado por algum tipo de renda básica para todas as pessoas, independentemente de estarem trabalhando ou não. O seguro-desemprego permanente, portanto, como instrumento de alta relevância social, que não pode ser desconsiderado.

    Num cenário pessimista, quais seriam as maiores ameaças da crescente automação?

    Marx afirmou, ao estudar esse tema, que a burguesia não pode existir sem revolucionar constantemente os meios de produção. Isso acarreta cada vez mais investimento em capital constante, o “trabalho morto”, do que em capital variável, o “trabalho vivo”. É um fato inevitável com o desenvolvimento do capitalismo.

    Um exemplo importante são os serviços bancários no Brasil... No ano de 2016, foram realizadas pelo celular 21,9 bilhões de operações bancárias, 34% do total. Em contrapartida, nas agências bancárias foram feitas apenas 8% dessas operações. Esse dado mostra um novo problema para o movimento sindical: mais trabalho com diminuição do número de trabalhadores - substituídos, neste caso, por operações digitais. Os trabalhadores da indústria e do setor de serviços também enfrentam essa “concorrência” das máquinas.

    A tecnologia, sem controle, pode levar a uma realidade do trabalho cada vez mais fragmentado, flexível, em tempo parcial, sem segurança e sem proteção. As conquistas do período em que predominavam as grandes fábricas e concentrações de trabalhadores vão sofrer retrocessos.

    O sindicalismo, em decorrência, precisa se reinventar, e adequar a organização sindical às novas formas de organização do trabalho.

    Obrigado, Nivaldo.

    Por Renato Bazan - Portal CTB

  • Divulgado no dia 7 de agosto, o estudo “Observatório da Austeridade Econômica no Brasil” comprova que a política austera da gestão Temer aprofunda a desigualdade e escancara objetivos do golpe em curso no Brasil desde maio de 2016. Acesse o documento aqui.

    De acordo com os organizadores, a elaboração do estudo "é resultado de um esforço coletivo que envolveu diversos pesquisadores e instituições e a criação de um fórum permanente de discussão. Uma boa parte de seu conteúdo faz uso direto do livro “ECONOMIA PARA POUCOS: Impactos sociais da Austeridade e Alternativas para o Brasil”, publicado pela editora Autonomia Literária, no qual se pode encontrar um maior detalhamento das ideias aqui apresentadas", diz o documento.

    A metodologia utilizada uma abordagem que cruza informações da macroeconomia – orçamento público, regime e política fiscal – com a dimensão social – políticas setoriais, financiamento de programas específicos. Para os pesquisadores, tal conciliação é necessária e crucial, porque os objetivos da política econômica deveriam estar fundamentalmente relacionados à garantia de que as dimensões produtivas, alocativas e distributivas da sociedade sejam aprimoradas e funcionem de modo a melhorar a vida das pessoas.

    austeriada temer ctbcontraogolpede2016

    Brasil refém de uma ideia perigosa

    A pesquisa alerta que o debate público no país está contaminado por um discurso que sustenta supostas virtudes da austeridade. Em um contexto de crise econômica e de aumento da dívida pública, a austeridade tem sido apresentada e praticada como remédio necessário que exige reformas estruturais na atuação do Estado brasileiro. Mas a austeridade tem uma longa história de fracassos porque, no fundo, trata-se de um programa de concentração de renda e riqueza. Basta ver a retórica economica que questiona, sem pudor, o pacto social da redemocratização brasileira, consolidado na Constituição de 1988.

    "As teses ideológicas de que “o Estado brasileiro não cabe no PIB” ou “as demandas sociais da democracia não cabem no orçamento” passaram a ditar os rumos do debate econômico com repetidas afirmações de economistas e intelectuais a serviço do mercado financeiro, valendo-se de uma teoria econômica débil, do ponto de vista teórico e empírico", alerta o relatório.

    A Emenda Constitucional 95 (EC 95) é prova inconteste disso. Ela é a maior expressão da desconstrução do pacto social de 1988 naquilo que ele tem de melhor: a cidadania social. A nova regra fiscal impõe a redução do tamanho do gasto do governo central na economia, que pode passar de 19,8% do PIB em 2017 para em torno de 12,4% em 2037 – o que impediria não somente a expansão e a melhoria da qualidade, mas também a manutenção da atual infraestrutura de bens e serviços públicos, gerando ineficiências econômicas e um grande prejuízo à garantia dos direitos sociais previstos pela Constituição.

    PRINCIPAIS MOTORES DE DESENVOLVIMENTO PARA UM PROJETO SOCIAL

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    Portal CTB

  • Não são apenas o supercomputador, o centro de pesquisas contra o câncer e a base espacial brasileira que podem ter o destino selado pelo atual governo interino: sem uma administração adequada, o atual Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) começa a considerar um corte na própria infraestrutura que permite aos acadêmicos brasileiros desenvolverem novas tecnologias. Trata-se da RNP: a Rede Nacional de Ensino e Pesquisa, que conecta 739 instituições de ensino e centros de pesquisa de forma super veloz.

     

    A rede foi projetada para que múltiplas universidades e laboratórios possam trabalhar ao mesmo tempo em projetos com grandes volumes de dados, e opera até 400 vezes acima das velocidades comerciais da rede. Ela permite, por exemplo, que cientistas de todo o país estudem os resultados do Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS), em Campinas - uma instituição central nos estudos avançados de física, química, biologia e ciências materiais. Permite também que pesquisadores brasileiros participem das atividades do Grande Colisor de Hádrons, na Suíça, onde um time global de especialistas tenta quebrar as fronteiras da física teórica, e a realização de aulas e seminários internacionais.

    sincrotron campinasO Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS), em Campinas, é a instituição com a conexão mais rápida da RNP. Conectado a 40 gb/s, o instrumento tem capacidade de transferir um DVD lotado de informação a cada segundo

    Sem o custeio para se manter ligada, no entanto, a RNP ameaça entrar em colapso a partir de setembro. “Nós já havíamos paralisado a expansão da rede depois da redução do orçamento, mas agora chegamos a uma situação em que precisamos de recursos para evitar uma paralisação dos serviços nas instituições”, disse ao Estadão o diretor-geral da RNP, Nelson Simões. Ele explicou que o orçamento mínimo de R$ 126 milhões, normalmente pago em maio, não foi nem mencionado pelos Ministérios da Educação (MEC) e da Ciência (MCTIC). A rede só continua ativa por conta de saldos restantes de 2015.

    “Essas velocidades são necessárias para as aplicações científicas”, alerta. Sem a rede, a pesquisa fica estancada para boa parte dos dos 4 milhões de alunos, professores e pesquisadores nos 1.200 campi alcançados. Pior: se todos os dados que correm pela RNP forem redirecionados para a rede comum, há risco de que a própria Internet fique congestionada pelo alto volume de dados que trafegam entre os centros de pesquisa.

    Até agora, nem o ministro Mendonça Filho (MEC) nem Gilberto Kassab (MCTIC) se pronunciaram publicamente sobre o tema. Limitaram-se a emitirem nota em que confirmam “repasses em data a ser definida brevemente”, em que o MCTIC prevê a liberação de R$ 36,6 milhões - 55,2% a menos do que em 2015, e insuficiente para manter a rede ligada.

    Diante das críticas ferrenhas da comunidade científica, o comportamento do governo interino mantém-se distanciado - algo que tem pautado a relação entre cientistas e governantes desde o primeiro dia do governo golpista.

    Portal CTB, com informações do Gizmodo e do Estadão

  • A Faculdade de Jaguariúna, em esforço conjunto com a Fundacentro, os metalúrgicos de Jaguariúna e a CTB, oferecerá em novembro um workshop sobre nanotecnologia, ministrado pela dra. Arline Arcuri, doutora em Química e pesquisadora da Fundacentro. Ela abordará os impactos da nanotecnologia à saúde do trabalhador.

    O workshop será dividido em duas noites, nos dias 09 e 10 de novembro. A primeira noite será dedicada às turmas de Engenharia de Produção da instituição, e o segundo às turmas de Engenharia de Controle e Automação. O evento será aberto a inscrições externas.

    Abaixo, segue o programa proposto pelo workshop. A grade ainda pode sofrer alterações:

     DATAS   09/11 - quinta-feira 10/11 - sexta-feira
     Bloco I
    (19h00-20h45)
    Introdução à nanotecnologia: Uma visão geral nos vários setores econômicos Nanotecnologia e a extensão da Convergência Tecnológica:
    aplicações da nanotecnologia
     Bloco II

    (21h00-22h15)

    Conceito de Nanotecnologia: possíveis impactos das nanotecnologias na saúde dos trabalhadores, no meio ambiente e na indústria A Nanotecnologia no Brasil:
    programas governamentais, posição regulatória

     

    O local do evento será o Campus II da Faculdade de Jaguariúna, na Rodovia Adhemar Pereira de Barros, Km 127. Mais informações podem ser obtidas pelos telefones 0800 775 5555 ou (19) 3837-8500.

    “A nanotecnologia, hoje, não influi apenas na questão da saúde física, do ponto de vista das nanopartículas, que podem entrar em qualquer célula do nosso corpo, mas por seu impacto dentro da convergência tecnológica. É o campo das moléculas muito pequenas, que têm grande facilidade de entrar no corpo da gente, e ao mesmo tempo em que isso é muito benéfico do ponto de vista da medicina, elas podem carregar um veneno. A nossa preocupação é fazer esse conhecimento chegar ao trabalhador”, explicou a dra. Arcuri, em recente entrevista ao Notícias Pró Trabalho.

    A Fundacentro explicou que as inscrições e convites oficiais às instituições ligadas à segurança do trabalho serão providenciados a partir da próxima semana.

    A CTB está entre as instituições que comparecerão ao evento, através de sua Secretaria de Saúde e Meio Ambiente do Trabalho. Os companheiros Eduardo Martinho e Tiago Maestro acompanham este debate como representantes da Central.

    Portal CTB

  • O supercomputador Santos Dumont, o maior da América Latina, foi inaugurado em janeiro deste ano no Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC), em Petrópolis (RJ). Desde seu ligamento, tornou-se parte essencial de projetos nacionais de pesquisa, como o mapeamento de proteínas que causam o Mal de Alzheimer, o mapeamento genético do vírus da zika, a simulação de novos tratamentos cardiológicos e a modelagem de projetos nas áreas de energia, petróleo e gás - incluindo aí o pré-sal. Nesta semana, teve que ser desligado por falta de repasses do Ministério da Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), comandado por Gilberto Kassab.

    Desde a fusão do Ministério da Ciência com a pasta das Comunicações, definida pelo vice-presidente Michel Temer assim que assumiu a presidência, a comunidade científica brasileira tem reclamado que o tratamento já secundarizado dado ao MCTI foi agravado pelas atribuições das Comunicações. Os movimentos ligados àquela área dizem o mesmo, e ambos os lados condenam a indicação de Kassab para o comando - alegam que ele não tem domínio algum dos assuntos.

    Agravando a falta de expertise, o novo ministério teve o orçamento reduzido, ao ponto de não conseguir manter nem ao menos os programas anteriores em funcionamento. O custo de manutenção do Santos Dumont é de R$ 500 mil ao mês, quase 80% de todo o financiamento do LNCC. Segundo o diretor do laboratório, Augusto Gadelha, o supercomputador tem participação essencial em mais de 80 projetos, com novos pedidos a cada dia. “No mês de maio, vimos que não havia a possibilidade de manter o computador ligado e tivemos a decisão de desligá-lo, diante da imprevisibilidade de chegada dos recursos para a energia elétrica”, explicou.

    Além do prejuízo às pesquisas, a paralisação do supercomputador também pode causar danos irreversíveis ao equipamento. A infraestrutura precisa ser refrigerada constantemente e, sem uso, corre o risco de dano permanente. O presidente da academia Brasileira de Ciências, Luiz Davidovich, teme por ainda mais cortes de dinheiro como parte do programa de austeridade fiscal implementada pelo governo interino.

    Apesar de conhecer a situação, o MCTIC afirma que não há previsão de anúncio de novos recursos.

    Portal CTB

  • “O conselho da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência) já se manifestou em favor das eleições diretas”. A afirmação é do presidente de honra da SBPC, Ennio Candotti, durante o ato “Cientistas e Pesquisadores pelas Diretas Já”, agenda do V Salão de Divulgação Científica da ANPG (Associação Nacional de Pós-Graduandos). A associação de pós-graduandos havia cobrado um posicionamento da SBPC por meio de uma moção que, segundo Ennio, será aprovada nesta quinta-feira em Assembleia da entidade na UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais).

    O ato também teve representações de diversas entidades e personalidades, como a Tamara Naiz, presidenta da ANPG, a deputada federal Jô Moraes (PCdoB-MG); Marianna Dias, presidenta da UNE (União Nacional dos Estudantes); Ronald Santos, presidente do CNS (Conselho Nacional de Saúde); Jhonatan Almada, Secretário de Estado da Ciência, Tecnologia e Inovação do Maranhão; Sandra Regina, vice-reitora da UFMG; o professor Paulo Sérgio Lacerda Beirão, diretor de Ciência, Tecnologia e Inovação; Valéria Morato, CTB/MG (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil); Sabrina Teixeira, CUT/MG (Central Única dos Trabalhadores); e Carlos Wagner, ABCMC (Associação Brasileira de Centros e Museus de Ciência).

    Em maio deste ano o Governo Federal reduziu o orçamento da ciência em 44%, um corte de R$ 2,2 bilhões no financiamento de R$ 5 bilhões que o governo havia proposto originalmente para 2017. Os cortes e as políticas conservadoras na educação, previdência e trabalhista se unificam para a luta das eleições diretas. “Nós concluímos neste semestre um momento em que sofremos os mais duros golpes de perda de direitos e da democracia. Terceirização, sanção da reforma trabalhista, ataque a democracia e corte financeiro. (…) Israel investe 4,3% do PIB em inovação ciência e tecnologia. O Brasil em 2016 investiu 1,3% e neste ano a tendência é a mais absurda ameaça à ciência com o contingenciamento de investimentos”, explica Jô Moraes, sobre a urgência do Brasil ter eleições diretas.

    Os cortes nos investimentos da ciência e tecnologia vão na contramão do progresso através de novas descobertas feitas a partir de pós-graduandos, mestrandos, doutorandos, cientistas e pesquisadores, como explica Beirão. “Não há nenhum país desenvolvido sem uma base sólida de investimento em educação na ciência e tecnologia. O Brasil estava construindo uma base na ciência e não podemos perder isso. Na década de 50 o Brasil tinha muita desnutrição e foi acabando através de ciência e tecnologia e hoje a gente exporta comida. O Brasil conseguiu algo único, explorar nossa plataforma e achar petróleo no fundo do mar há mais de 7 km de profundidade, o pré-sal. Isso é ciência e tecnologia”, pontua o professor. “Tudo isso está sendo jogado no lixo por causa de uma gangue de assaltantes”, finaliza.

    Segundo os convidados, só há um antídoto para superar todo o retrocesso, que é através da democracia e da soberania popular através do voto direto. A ideia também é compartilhada pela UNE. “Junto com a UNE e UBES, a ANPG é a entidade que defende os estudantes e tem o dever de se posicionar para tirar Michel Temer e a política de retirada de direitos. Podemos sim ter um Brasil melhor e a gente conclama que essa bandeira de Diretas Já seja de prioridade. Queremos defender o povo. A saída é o povo decidir os rumos do país e decidir uma nova política que respeita os trabalhadores, estudantes e sociedade em geral”, diz Marianna Dias, reforçando o coro pelas Diretas Já.

    Por Mateus Marotta Silva, da ANPG (via CTB-MG)