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Ter, Jun

Colômbia

  • “Nós temos dito, historicamente, que a única possibilidade para que a Colômbia tenha uma transição, uma mudança, é que o povo chegue ao poder”. Marylen Serna, mulher camponesa do departamento do Cauca, é assertiva ao dizer quais foram as bases da Assembleia Legislativa Popular e dos Povos, realizada de 9 a 11 de outubro, na capital colombiana, Bogotá.

    Dirigente nacional da organização Congresso dos Povos, ela explica que a construção do poder popular nos territórios é o primeiro passo para mudar a realidade colombiana, mas que é fundamental garantir a unidade das forças sociais e políticas.

    Assim, a realização dessa assembleia é elemento-chave que dará o tom da luta política em 2019. Com a presença de 1,3 mil representantes de comunidades, movimentos e organizações sociais e políticas de toda a Colômbia, foi aprovada uma agenda comum que inclui uma greve geral no país para o primeiro semestre.

    Como uma paralisação política, a ação irá pautar: a defesa dos territórios; o fim da violência sociopolítica contra líderes sociais, defensores de direitos humanos, povos e comunidades; o rechaço à criminalização do protesto social; o desmonte efetivo e comprovável das estruturas paramilitares; contra as reformas da previdência, trabalhista e tributária; a defesa de saúde e educação públicas; etc.

    Além disso, para as eleições regionais de 2019, a assembleia orienta que “as organizações sociais e políticas procurem gerar espaços de coalizão de propostas políticas e mecanismos democráticos para a definição de candidaturas de convergência”.

    Participaram da assembleia, e seguirão nesta articulação, cerca de 40 organizações e parlamentares da bancada alternativa para a paz.

    Entre eles, estão o Congresso dos Povos, a Coordenação Social e Política Marcha Patriótica, a Coordenação Nacional Agrária (CNA), o Processo de Comunidades Negras (PCN), a Organização Nacional Indígena da Colômbia (ONIC), além de movimentos sindical, estudantil, de juventude, de mulheres, culturais, ambientais e comunitários, e plataformas de direitos humanos.

    “Acreditamos que este é um momento propício para que os diferentes processos organizativos que existem hoje na Colômbia se sentem juntos, e façamos uma análise sobre o que está acontecendo no país. E mais do que uma análise, quais são as oportunidades que tem hoje o campo social e popular, democrático e alternativo, para afrontar a situação que estamos vivendo”, afirma Marylen.

    Ela explica que, como resultado da instalação dessa assembleia, foi definida uma equipe nacional que sai com o compromisso de dar sequência à mobilização desse processo. “Precisamos sair para construí-la, propô-la, percorrer os territórios e regiões. Precisamos fazer com que as pessoas se apaixonem pela assembleia”.

    CENÁRIO QUE SE REPETE

    O momento em que ocorre o início oficial da assembleia é o de retorno de um governo de extrema direita à Colômbia. Nas últimas eleições presidenciais, ocorridas em maio e junho de 2018, saiu vitorioso o candidato do Centro Democrático, Iván Duque.

    Ele é afilhado político do ex-presidente Álvaro Uribe, que governou o país de 2002 a 2010 e ficou conhecido por suas supostas alianças com grupos paramilitares, em um período de aumento da violência contra movimentos sociais, que deixou um saldo de milhões de mortos.

    O candidato derrotado no segundo turno foi Gustavo Petro, ex-prefeito de Bogotá, considerado um político progressista, que liderou a coligação Colômbia Humana, apoiada por diversas organizações populares.

    O resultado obtido por Petro, que contou com cerca de 8 milhões de votos – frente a 10,3 milhões do seu oponente –, foi emblemático, já que a Colômbia nunca teve um governo progressista.

    “Temos, lamentavelmente, a repetição de um governo de extrema direita que tem o propósito de dar legalidade aos despejos territoriais, que já ocorreram por muitos anos, por meio de violência, de massacres, e que hoje se apresenta com leis regressivas dos direitos dos povos, que pretende entregar os territórios indígenas, de afro-colombianos e camponeses às empresas multinacionais”.

    Essa é a avaliação de Alejandra Llano Quintero, representante da ONIC, organização que reúne 84 povos indígenas da Colômbia. Outros pontos do aumento da violência no país, apontados por ela, são a repressão a protestos e o alto índice de assassinato de líderes sociais.

    Desde o início do governo Duque, em agosto deste ano, até metade do mês do novembro foram mortos 69 dirigentes populares, segundo o Instituto de Estudos sobre Paz e Desenvolvimento (Indepaz).

     

    Com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) – atual partido Força Alternativa Revolucionária do Comum, de mesma sigla – o acordo foi firmado em 2016. Mas, passados dois anos, ainda falta muito o que cumprir por parte do governo, o que levou a um número de assassinatos de ex-guerrilheiros e seus familiares de mais de 80 desde a assinatura, segundo dados do próprio partido.

    Já com o Exército de Libertação Nacional (ELN), os diálogos de paz, iniciados ainda no governo anterior, de Juan Manuel Santos, estão suspensos no atual mandato. Um elemento colocado nas mesas de diálogos desta guerrilha é que a paz só será possível com justiça social, o que traz à tona elementos de mudanças estruturais, como mais direitos à população colombiana.

    Sobre o tema, a Assembleia Legislativa Popular aprovou, em sua resolução final, que irá demandar por meio de protestos “solução política ao conflito social armado, cumprimento dos acordos de paz e a agenda de diálogos com o ELN e o governo nacional”.

    TRAJETÓRIA HISTÓRICA

    Esse não é um passo inicial, mas um salto qualitativo. Assim pode ser entendida a instalação da Assembleia Legislativa Popular e dos Povos, conforme aponta Marylen Serna, que é militante há 30 anos e foca seu trabalho em temas de paz, defesa do território e organização das mulheres.

    “Nós viemos transitando há muitos anos em diferentes espaços de articulação. Por exemplo, em 1992, nos articulamos para rechaçar a celebração dos 500 anos que o governo colombiano, junto com o espanhol, queria fazer da chegada dos espanhóis à América”.

    Outros momentos foram lembrados pela líder camponesa, que relata constantes momentos de articulação. “A cada quatro ou cinco anos propomos aos movimentos sociais que nos juntemos e vamos acumulando forças, também vamos olhando para onde vai essa força, para ir pensando efetivamente em algo estratégico.”

    Recuperando a trajetória de experiências, paralisações e articulações, Alejandra Llano, dirigente indígena, cita a Cúpula Agrária, Camponesa, Étnica e Popular, criada em 2014, da qual fazem parte 14 organizações. Muitos dos movimentos que hoje estão na assembleia também participam desse espaço, que possui uma plataforma política coincidente com a proposta atual.

    O diferencial desta cúpula é que ela conquistou a aprovação de sua legitimidade como ator político perante o governo, por meio do Decreto 807, que institui uma mesa de negociação das reivindicações. “Neste país temos uma mesa de diálogo com as insurgências, mas também uma mesa de diálogo com o movimento social, que tem igual importância. [Mas] tem sido muito difícil sustentar a relação com os governos”, avalia.

    Com o retorno de um presidente de extrema direita ao país, os movimentos populares colombianos pretendem não retroceder, mas avançar, para isso a estratégia unitária de ação aprovada na Assembleia Legislativa Popular. Seguindo a linha histórica de resistência, Alejandra retoma: “Nós temos insistido que a mobilização é a estratégia fundamental de luta”.

     

    Fonte: Brasil de Fato

  • Rússia goleia a Arábia Saudita na abertura da Copa do Mundo 2018 (Foto: UOL)

    Depois de golear a Arábia Saudita por 5 x 0 na abertura da Copa do Mundo 2018, a dona da casa Rússia volta a campo nesta terça-feira (19), às 15h (horário de Brasília) contra o Egito. Sem tradição no futebol, essa é a terceira participação da seleção egípcia no mundial da Federação Internacional de Futebol (Fifa). As outras duas ocorreram na Itália (1934 e 1990).

    Já a Rússia, após o fim da União Soviética, em 1991, só não participou da edição de 2010, na África do Sul, mas não teve nenhum grande destaque nos mundiais. Neste ano, não disputou as eliminatórias por ser o país sede do evento e até o momento foi a única seleção a golear um adversário.

    O primeiro jogo desta terça-feira é entre a Colômbia e o Japão, às 9h. O país sul-americano tem progredido no futebol, mas ainda não conseguiu nenhum grande resultado em Copas do Mundo, já o Japão apresenta um futebol veloz, mas precisa evoluir na qualidade técnica para almejar resultados melhores.

    Na outra partida dessa rodada entram em campo a Polônia e o Senegal, às 12h. Esta é a segunda Copa da seleção seleganesa. A outra foi em 2002, na Coreia do Sul e Japão, ficando em sétimo lugar. Na primeira fase venceu a França por 1 x 0, empatou com a Dinamarca 1 x 1 e com o Uruguai 3 x 3. Nas oitavas de final venceu a Suécia por 2 x 1 e nas quartas de final perdeu para a Turquia por 1 x 0.

    Já a seleção polonesa traz em seu currículo dois terceiros lugares. Em 1974, na então Alemanha Ocidental, a Polônia venceu o Brasil por 1 x 0 e em 1982, na Espanha, venceu a disputa com a França por 3 x 2.

    Bichos escrotos

    O maior vexame da Copa até o momento está por conta de um grupo de turistas brasileiros que propagam vídeos assediando mulheres que não entendem nada do que eles falam, achando que isso tem graça. Tipo de gente sem nada na cabeça e que acham que podem fazer qualquer coisa porque têm dinheiro. Dificilmente serão superados em estupidez. Bichos escrotos é pouco para esses que envergonham a nação brasileira lá fora.

    Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB

  • O presidente colombiano Juan Manuel Santos recebeu, nesta sexta-feira (7), o Prêmio Nobel da Paz, o anunciou foi feito em Oslo na Noruega. Santos foi destacado por seus "esforços resolutos" para alcançar a paz no país após 52 anos de guerra civil, que deixou mais de 200 mil mortos. A Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) saudou a iniciativa. 

    Farc lamenta vitória do "não" em plebiscito sobre acordo de paz com governo colombiano


    "A CTB acha importante o presidente colombiano receber o Prêmio Nobel da Paz, porque entendemos que sua construção é fruto de longo processo das partes envolvidas", destacou o secretário de Políticas Sociais da central sindical, Rogério Nunes. 

    Em setembro, as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e o governo daquele país assinaram um histórico acordo de paz, após quatro anos de diálogo, no entanto a consultar popular para referendar o acordo teve resultado negativo.

    Ao saber da indicação, Santos foi entrevistado por um integrante do comitê do nobel, e, por telefone, expressou: “Recebo esse prêmio em nome do povo, que sofreu tanto por causa dessa guerra, especialmente, as milhares de vítimas. A mensagem é: devemos perseverar até o fim dessa guerra. Nós estamos muito, muito próximos [da paz], precisamos apenas nos esforçar um pouco mais. É um ótimo estímulo para construirmos a paz na Colômbia”, afirmou.

    Nesse sentido, Rogério Nunes, concorda com o presidente colombiano. “Não interessa para a sociedade, os trabalhadores, os movimentos sociais a permanência e continuidade de uma guerra que só traz prejuízo não só ao país e a população, mas também todo continente americano”, frisou.

    “Nosso interesse é difundir e defender a paz, que nossas lutas sejam políticas, disputas eleitorais, de projetos, porque só quem sofre com isso são as pessoas, principalmente, a população mais humilde”, disse.

    O sindicalista denunciou ainda que “existem outros interesses em jogo também. Nós sabemos que a indústria armamentista, que tem no país norte-americano, seu grande produtor, por isso aplaudimos a indicação do presidente Santos como Nobel da Paz e reiteramos nosso apoio”, disse.

    Portal CTB 

  • Na última quarta-feira (24), as Força Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e o governo colombiano anunciaram a conclusão das negociações de paz, colocando fim ao conflito armado que dura mais de 50 anos naquele país. 

    Desde novembro de 2012, as partes dialogavam em Havana (Cuba), onde entraram em consenso em relação a todos os pontos do acordo como: reparação às vítimas, justiça transicional, reforma agrária, fim do narcotráfico, participação política da guerrilha, fim do conflito e validação do acordo.

    Para o secretário de Relações Internacionais da CTB, Divanilton Pereira “esse acordo de paz interessa diretamente ao povo colombiano que, historicamente, tem sido vítima das atrocidades de governos antidemocráticos alinhados com os interesses norte-americanos”, declarou ao Portal CTB.

    O dirigente denunciou ainda que naquele país o número de assassinatos de sindicalistas e lideranças do movimento social alcança índices alarmantes. “Esse processo, portanto, interessa aos povos da América Latina e Caribe. Manteremos altivez e vigilância para que os desfechos desse processo sejam exitosos”, alertou Pereira.

    Diversos movimentos sociais, entre eles a Marcha Patriótica, saudaram a iniciativa. Em comunicado eles convocaram a população colombiana para votar pelo “sim” no plebiscito que validará o acordo e deve ocorrer no próximo 2 de outubro, segundo o presidente colombiano Juan Manuel Santos.

    Érika Ceconi - Portal CTB 

  • A CTB-RJ participou na tarde da segunda-feira (31) da cerimônia de lançamento da campanha “Yo Te Nombro Libertad”, que defende a liberdade dos presos políticos da Colômbia. A central foi representada na atividade pelos seus dirigentes Ronaldo Leite (Presidente) e Paulo Sérgio Farias (Diretor de Imprensa). Diversos outros movimentos sociais também participaram da atividade de solidariedade internacional. O evento aconteceu no auditório da Câmara Municipal do Rio de Janeiro.

    Na Colômbia existem, hoje, aproximadamente 10.000 presos e presas políticas, dos quais mais do 90% são civis, os chamados presos de consciência (companheiros e companheiras camponeses, sindicalistas, indígenas, estudantes, acadêmicos/as, artistas, jornalistas, defensores/as de direitos humanos, entre outros). Segundo dados oficiais, em 1998 haviam 43.259 presos, o que implicava um amontoamento nos cárceres de 31,1%; no inicio de 2015 esse número alcança 116.760, chegando a 52,9% de amontoamento, sendo que em alguns casos esse índice sobe até 300%.

    Os presos políticos sofrem constantes torturas e diversas violações aos direitos humanos. Em geral sobrevivem em paupérrimas condições de vida, com fome, insalubridade e insegurança, entre outras mazelas. Milhares de presos na Colômbia não têm tido julgamento. Por tudo isso e mais, é fundamental que no processo de paz na Colômbia se conquiste a liberdade de todos e todas os presos e presas políticas, e que se redefina a política carcerária em geral. Nessa caminhada é fundamental o acompanhamento e solidariedade internacional. Porque a luta social não é crime, é um passo para a liberdade. 

    A CTB-RJ manifesta toda sua solidariedade aos presos políticos da Colômbia e se coloca ao lado dos companheiros na luta em defesa da democracia, da liberdade de expressão e da liberdade dos presos políticos da Colômbia.

    Por José Roberto Medeiros, da CTB-RJ

  • “A Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) se solidariza com os familiares e amigos da Chapecoense neste momento de dor”, diz Carlos Rogério Nunes, secretário de Políticas Sociais, Esporte e Lazer da CTB.

    O dirigente sindical ressalta a atitude do Atlético Nacional, de Medellín, na Colômbia, de abrir mão da disputa e encaminhar pedido para a Confederação Sul Americana de Futebol (Conmebol) para dar o título de campeão ao clube brasileiro.

    “É uma atitude honrada dos jogadores, da comissão técnica e da direção do clube em proporcionar à Conmebol de dar o título à Chapecoense”, acentua. Em sua rede social o clube colombiano deu uma demonstração de sentimento de humanidade. “O Atlético Nacional, por decisão unânime do plantel, pediu que a Chapecoense fosse declarada campeã da Copa Sul Americana de 2016”, escreveu.

    O acidente

    O avião que levava a equipe catarinense para a primeira partida da final da disputa, caiu na madrugada desta terça-feira (29), em La Union, na Colômbia, bem perto do seu destino. As notícias, embora contraditórias, dão o saldo de 76 mortos, entre os 72 passageiros e 9 tripulantes que estavam no voo.  Dentre eles, 20 jornalistas de várias empresas da região. Imediatamente muitos torcedores rumaram para a Arena Condá, o estádio municipal utilizado pelo clube de Chapecó.

    Tanto que em sua página oficial o clube catarinense diz que devido ao “desencontro das notícias que chegam”, a “Associação Chapecoense de Futebol reserva-se o direito de aguardar o pronunciamento oficial da autoridade aérea colombiana, a fim de emitir qualquer nota oficial sobre o acidente”.

    local do acidente tUdei1s

    A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) cancelou a partida da final da Copa do Brasil, entre Grêmio e Atlético-MG, em Porto Alegre, nesta quarta-feira, assim como os jogos do Campeonato Brasileiro de Futebol deste fim de semana, passando todos para o dia 11.

    Os times brasileiros também prestaram solidariedade. Várias equipes se propuseram a jogar a última partida do Brasileirão 2016 com a camisa do time de Santa Catarina. Também decidiram ceder jogadores emprestados sem custo algum e pedira à CBF que a Chapecoense fique fora do descenso, caso fique entre os quatro últimos colocados no campeonato da série A.

    Espírito humano

    “A CTB acredita que a solidariedade deve prevalecer em todos os setores da vida. Principalmente em horas tão tristes como o caso do falecimento de dezenas de profissionais em pleno exercício de suas funções”, reforça Nunes.

    Ele espera que a atitude do clube da Colômbia sirva para a sociedade se espelhar. Não apenas nas relações de lazer e esporte, mas em todas as relações sociais. Essa solidariedade, esse espírito humano deve prevalecer em todos os setores da vida, com a predominância da tolerância e do respeito. Que essa atitude dos colombianos transcenda o esporte e seja levada à vida e atinja toda a sociedade para acabarmos com o ódio e a violência vigentes”.

    Nota baixa mais uma vez para o comportamento da mídia, que não perde o tino comercial nem mesmo em tragédias de tamanha comoção.

    Conheça um pouco a história do clube

    A Associação Chapecoense de Futebol foi fundada em 10 de maio de 1973, em Chapecó, Santa Catarina.  A partir de 2009, o time foi subindo de categoria. Terceiro colocado na Série D em 2009 foi para a Série C, ficando em quarto em 2012, indo para a Série B, sendo vice-campeão em 2013. Assim passou para a Série A, onde vem se mantendo desde então.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

  • No último domingo (2), os colombianos participaram de um plebiscito no país para ratificar o acordo de paz firmado entre o governo de Juan Manuel Santos e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), após quatro anos de diálogo.

    Líder das Farc e presidente colombiano assinam acordo de paz

    A população teve que responder a seguinte pergunta: “você apoia o acordo para o término do conflito e construção de uma paz estável e duradoura?”. Com uma taxa de abstenção de 63%, e contrariando as pesquisas de opinião, o “não” ganhou com 50,2%.

    Após o resultado negativo, o presidente declarou que seguirá “buscando a paz até o último minuto de meu mandato, porque esse é o caminho para buscar um melhor caminho para nosso país”. Em pronunciamento, Santos afirmou que o cessar-fogo com a guerrilha segue vigente.

    Por sua vez, as Farc emitiram um comunicado lamentando o ocorrido.

    Leia abaixo a íntegra:


    As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia – Exército do Povo (Farc-EP) lamentam profundamente que o poder destrutivo dos que semeiam o ódio e o rancor tenham influenciado na opinião da população colombiana.

    Com o resultado de hoje, sabemos que nosso desafio como movimento político é todavia maior e nos requer mais fortes para construir a paz estável e duradoura.

    As Farc-EP mantêm sua vontade de paz e reiteram sua disposição de usar somente a palavra como arma de construção para o futuro.

    Ao povo colombiano que sonha com a paz: conte conosco.

    A Paz Triunfará!

    Portal CTB

  • Em nota divulgada nesta segunda-feira (23), a Federação Sindical Mundial (FSM) denunciou a tentativa de assassinato do sindicalista colombiano Omar Romero Díaz ao voltar para sua casa na última sexta (20).

    Segundo relatos da imprensa local, Omar conseguiu sair ileso do crime por conta da escolta que o acompanhava no momento. "Como movimento internacional classista, denunciamos rotundamente este crime que se soma a uma série de brutalidades contra dirigentes sindicais e militantes sociais na Colômbia", alerta comunicado da FSM. 

    Leia abaixo a íntegra do documento:  

    A Federação Sindical Mundial (FSM), em nome de seus mais de 92 milhões de trabalhadores e trabalhadoras filiados, condena de maneira veemente o atentado criminoso que nosso companheiro Omar Romero Díaz, dirigente do Sindicato Unitário dos Trabalhadores da Indústria de Materiais para Construção (Sutimac) e dirigente da FSM Colômbia acaba de ser vítima.

    Este vil atentado ocorreu na noite desta sexta-feira (20) na cidade de Cali quando o sindicalista regressava para a sua residência. Afortunadamente, o companheiro saiu ileso da tentativa de assassinato.

    Como movimento internacional classista, denunciamos rotundamente este crime que se soma a uma série e brutalidades contra dirigentes sindicais e militantes sociais na Colômbia. O movimento sindical de classe naquele país deve levantar sua voz e dar uma resposta condenando táticas fascistas que só querem silenciar a voz do povo trabalhador e intimidar a classe trabalhadora.

    Solidariedade ao movimento sindical de classe na Colômbia!

    Tirem as mãos dos nossos companheiros e companheiras colombianos!

             Federação Sindical Mundial 

  • Desde o dia 19 de agosto o governo da Venezuela decretou estado de exceção em três municípios (Guajira, Mara e Almirante Padilla) que fazem fronteira com a Colômbia. O objetivo, segundo o presidente Nicolás Maduro, é o de “fortalecer a luta contra o paramilitarismo, a violência e o contrabando que reinava no lugar”, disse o mandatário.

    Até o momento em que foi aplicada, a medida causou revolta em todo o continente. O governo bolivariano denunciou uma campanha midiática internacional orquestrada da Colômbia para fomentar o ódio contra a Venezuela.

    Nesta quarta-feira (9), a Assembleia Nacional (AN) da Venezuela debaterá estas medidas tomadas para restabelecer os direitos sociais e econômicos da população que vive na fronteira e é afetada pela presença dos grupos paramilitares e máfias dedicadas ao contrabando de extração de gasolina, alimentos e produtos venezuelanos para a Colômbia.

    Diante deste cenário, a Federação Sindical Mundial (FSM) emitiu uma nota em solidariedade à Venezuela e demostrou seu apoio à decisão soberana daquele país.

    Leia abaixo a íntegra do comunicado:

    A Federação Sindical Mundial expressa sua plena solidariedade com o povo e governo da Venezuela e respalda sua decisão de tomar medidas de proteção na zona fronteiriça com a Colômbia.

    O governo da Venezuela tem o direito de garantir o legítimo exercício de soberania sobre seu território nacional, para proteger sua população contra as máfias que estimulam a violência, o paramilitarismo e o contrabando.

    Recordamos que as ações do governo bolivariano são uma resposta soberana às incursões de criminosos da Colômbia que fomentam o contrabando, a execução de crimes atrozes, sabotagens à infraestrutura e a economia venezuelana, especulação com divisas, narcotráfico entre outros.

    Esta atividade busca desestabilizar a Venezuela e promover os planos dos imperialistas na região. É hipócrita a atitude do presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, que supostamente lamenta o drama das pessoas deslocadas, enquanto sua política anti-trabalhista e reacionária condenou a população colombiana à miséria.

    A FSM reitera sua plena solidariedade com o povo da República Bolivariana da Venezuela contra os planos desestabilizadores e a intervenção dos imperialistas.

    Atenas, 9 de setembro de 2015
    Secretariado da FSM

  • A Federação Sindical Mundial criticou em nota a conduta arbitrária e antissindical da GM, multinacional estadunidense do ramo automobilístico que anunciou a demissão em massa de operários de suas plantas na Colômbia e está pressionando os sindicatos a abrir mão de direitos e conquistas consagradas na Convenção Coletiva da Categoria.

    Os planos da General Motors de fechar sete fábricas no mundo e demitir 14,8 mil trabalhadores somente na América do Norte fazem parte do processo de reestruturação da montadora. Em nome da rentabilidade, a GM vai penalizar cidades inteiras de diferentes países.

    Leia abaixo a íntegra do documento da FSM:

    A Federação Sindical Mundial (FSM), que representa 95 milhões de trabalhadores e trabalhadoras em 130 países, se solidariza com a classe operária colombiana frente ao anúncio de que a transnacional General Motors pretende demitir 14.700 trabalhadores, entre eles

    cerca de 15% do quadro pessoal da planta da montadora de automóveis em de Bogotá. Como sempre, e especialmente numa conjuntura de crise capitalista mundial, os capitalistas tentam descarregar todo o peso da crise nas costas dos trabalhadores, suprimindo benefícios e conquistas trabalhistas de nossa classe, ocultando que a classe operária é que gera o lucro que eles acumulam.

    Ao mesmo tempo, nossa grande família sindical de trabalhadores rechaça rotundamente a postura dos diretores do monopólio que querem constranger os sindicatos a entregar os pontos nevrálgicos da Convenção Coletiva de Trabalho. Neste sentido reiteramos nossa firme solidariedade classista aos trabalhadores da GM na Colômbia e conclamamos o povo colombiano a apoiar suas justas reivindicações.

    Secretariado da Federação Sindical Mundial (FSM)

  • A literatura latino-americana jamais seria a mesma depois do fatídico maio de 1967, quando chegou às livrarias de Buenos Aires a maior obra de Gabriel García Márquez, Cem anos de Solidão. A imaginária Macondo – fundada pelos Buendía – carrega toda a mazela de um continente esquecido que meio século depois conquistou o direito de acreditar na “arrasadora utopia” de uma “segunda oportunidade sobre a terra”.

    A obra de Gabo completa cinquenta anos intacta. Mas o pano de fundo, a irracional guerra entre Liberais e Conservadores colombianos, parece finalmente estar perto do fim. Isso porque, o acordo de paz entre as Farc, a mais antiga guerrilha, e o governo da Colômbia, começou a ser implementado no final de 2016. À época, o comandante em chefe Timoleón Jiménez anunciou que “o amor de Maurício Babilônia por Meme poderá ser agora eterno e as borboletas que voavam livres atrás dele, simbolizando seu infinito amor, poderão agora se multiplicar pelos séculos cobrindo a pátria de esperança. Bem vinda a segunda oportunidade sobre a terra!”. Enquanto o mundo acirra o cenário de guerra, a Colômbia anuncia a paz e o triunfo dos que lutaram meio século contra o nó da solidão.

    Para quem vê de fora – do continente – tudo que a pequena Macondo vive ao longo de seus cem anos pode soar fruto da imaginação de um roteirista exagerado, mas é pouco, se comparado às desgraças e belezas que Gabo pegou emprestadas da história real não só da Colômbia, mas dos demais países latino-americanos. Não à toa ele afirmou, ao receber o Prêmio Nobel em 1982, que os latino-americanos precisam “pedir muito pouco à imaginação”, porque “o maior desafio foi a insuficiência dos recursos convencionais para tornar nossa vida acreditável”.

    A batalha entre os liberais e os conservadores, conhecida como “Período da Violência” na Colômbia, resultou na morte de mais de 200 mil pessoas entre 1948 e 1960. O estopim para o início desta guerra foi o assassinato do advogado e político liberal Jorge Eliécer Gaitán que 20 anos antes denunciava o Massacre das Bananeiras. O episódio nebuloso da história colombiana aconteceu em 1928, na terra natal de Gabo, Aracataca, quando ele tinha apenas um ano de idade.

    Trata-se de um assassinato em massa de milhares de trabalhadores durante uma greve por direitos trabalhistas que nunca foi devidamente documentado. Os grevistas trabalhavam na produção de bananas para a multinacional dos Estados Unidos, United Fruit Company. A história oral contabiliza pelo menos mil mortes, já a contagem oficial assume apenas nove mortos e três feridos. A cena é narrada em Cem Anos de Solidão com o mesmo tom mágico do restante da obra, e soa como um encantamento coletivo onde as armas parecem disparar fogos de artifício, mas sobra apenas uma testemunha viva para denunciar o crime à comunidade que se recusa a acreditar do trágico episódio.

    "O primeiro da estirpe está amarrado a uma árvore e o último está sendo comido pelas formigas"

    A guerra e a greve são tão absurdas, que parece mais fácil acreditar na chuva de flores que cobriu como um tapete as ruas de Macondo depois da morte de José Arcádio Buendia, o primeiro da estirpe. Ao acrescentar pitadas de magia na história exagerada da América Latina, Gabo consolidou o realismo mágico e revolucionou a forma como os escritores latinos contariam histórias a partir de então.

    Traduzido para 35 idiomas e com mais de 150 milhões de exemplares vendidos, a saga das sete gerações dos Buendía cativou leitores mundo a fora. O romance escancarou com dureza – e sem perder a ternura – a desgraça dos condenados a cem anos de solidão que depois de meio século buscam a segunda chance sobre a terra.

    Mariana Serafini, do Portal Vermelho. Foto: AP

  • O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, acusou nesta quarta-feira (1º) a oposição liderada por Juan Guaidó de querer iniciar uma guerra civil na Venezuela. Ele também alertou que os Estados Unidos poderiam ordenar uma invasão militar caso a tensão interna desaguasse num conflito armado.

    "Se tivéssemos mandado tanques para os enfrentar, o que teria acontecido? Um massacre entre venezuelanos", afirmou o presidente.

    Essa foi a segunda aparição pública de Maduro desde a escalada das tensões políticas na Venezuela após Guaidó tentar um frustrado golpe militar e bazofiar que tinha apoio militar na terça-feira (30). Houve confrontos entre manifestantes e policiais nos dois dias, que, segundo fontes locais, deixaram mais de 100 feridos e quatro mortos.

    Mais cedo, um grupo fez vigília diante do palácio presidencial de Miraflores. A milícia bolivariana também se posicionou perto da sede do governo.

    Maduro escreveu uma mensagem sobre o 1º de maio no Twitter na qual afirma que a classe trabalhadora sempre terá nele um presidente "que sempre defenderá seus direitos e revindicações, fazendo frente ao império e seus lacaios, que pretendem tirar nossas conquistas". "Fracassarão. Nós venceremos!", afirmou.

    Imperialismo americano

    John Bolton, assessor especial do governo de Donald Trump, foi quem tramou o "golpe de Estado", segundo Maduro. Os Estados Unidos convocam países vizinhos, entre eles Colômbia e Brasil, para coordenar a derrubada do regime.

    "Quem quiser chegar a Miraflores [palácio presidencial] tem que ganhar eleições, esta é a única forma de chegar à presidência venezuelana. Apenas o povo coloca e tira. Não são as armas que colocarão, jamais, um presidente fantoche na presidência", disse Maduro.

    Grande jornada de consultas

    Em seu discurso nesta quarta, Maduro também convocou o povo, e em particular três setores da sociedade, para "uma grande jornada de consultas", na qual diz estar disposto a ouvir sugestões sobre como lidar com o bloqueio imposto pelos Estados Unidos e como melhorar a vida da população venezuelana.

    Para reuniões no próximo fim de semana, ele convocou o Congresso Bolivariano dos Povos, que reúne centenas de organizações, integrantes do Partido Socialista Venezuelano e também governadores e prefeitos de todo o país, a quem pediu que apresentem planos.

    "Todos os dias, penso como podemos melhorar, que coisas temos que mudar", afirmou.

  • Por Camilla Veras Mota, da BBC News Brasil em São Paulo

    Pelo menos quatro países da América Latina que têm sistemas de aposentadoria com regimes de capitalização - Chile, Colômbia, México e Peru - têm revisado seus modelos nos últimos anos e, em alguns casos, proposto mudanças na legislação previdenciária

    Décadas depois de realizarem grandes reformas que, via de regra, substituíram sistemas públicos de Previdência por outro total ou parcialmente privatizados, cada um deles se deparou com pelo menos um grande problema: ou o valor dos benefícios recebidos pelos aposentados era muito baixo ou o alcance do sistema se revelou muito restrito, o que deixaria um percentual significativo da população sem aposentadoria no futuro.

    Ao contrário de boa parte dos vizinhos, o Brasil ainda segue um modelo de repartição na Previdência, que é administrada exclusivamente pelo governo e na qual as contribuições de quem está na ativa pagam os benefícios de quem está aposentado, com o significativo detalhe de que empresas e governos são obrigados a contribuir com o sistema previdenciário.

    Só o trabalhador paga

    No regime de capitalização, cada trabalhador faz sua própria poupança em contas individuais que, de forma geral, são geridas por entidades privadas.

    O ministro da Economia, Paulo Guedes, repetiu durante a campanha eleitoral sua intenção de instituir esse modelo no Brasil. No início de janeiro, ele declarou que o regime de capitalização seria para "gerações futuras" de trabalhadores brasileiros, sem dar detalhes. Durante a tumultuada reunião na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados na última quarta-feira (3), ele voltou a defender o modelo.

    Chile e Peru

    No caso do Chile, primeiro país do continente a adotar um regime de capitalização, em 1983, o governo propôs em outubro do ano passado mudanças pontuais na legislação para tentar elevar gradualmente o nível baixo das aposentadorias.

    O Peru, que fez sua reforma em 1992 e enfrenta problema parecido, tem discutido medidas semelhantes às estudadas no Chile, entre elas aumentar as alíquotas de contribuição.

    Colômbia e México

    Na Colômbia, a questão é a baixa cobertura do sistema de capitalização. Diante de uma participação expressiva do emprego informal no mercado de trabalho, muita gente sequer contribui para o sistema de Previdência e corre o risco de ficar sem aposentadoria.

    A equipe do presidente Ivan Duque anunciou em 2018 que enviaria ao Legislativo uma proposta de reforma, mas ainda não a apresentou. No México, a situação é parecida. Em 2018, antes da posse do presidente Andrés Manuel López Obrador, que ocorreu em dezembro, o secretário da Fazenda e Crédito Público, Carlos Urzúa, declarou que o governo trabalharia em uma mudança nos sistemas de aposentadoria para tentar corrigir as falhas.

    A proposta de reforma viria "em três ou quatro anos".

    Abaixo do salário mínimo

    No Chile, maioria dos aposentados recebe menos de um salário mínimo.

    Por ter sido o primeiro país do continente a fazer a transição de um sistema público de Previdência para um totalmente privatizado, o Chile já tem hoje uma geração de aposentados pelas regras instituídas pela reforma - feita em 1983, durante a ditadura de Augusto Pinochet.

    O principal problema do modelo chileno é o baixo valor dos benefícios. De acordo com Felipe Bruno, líder de Previdência da consultoria Mercer no Brasil, nove em cada dez aposentados no país recebe o equivalente a menos de 60% de um salário mínimo, que hoje é de cerca de US$ 450.

    Patrões não pagam

    A principal razão para isso, segundo Guillermo Larráin, professor da Universidade do Chile, é o fato de que as contribuições feitas pelos trabalhadores - hoje de 10% do salário - não são suficientes para garantir uma renda que satisfaça as necessidades básicas dos chilenos aposentados.

    Apenas para efeito de comparação - já que o modelo brasileiro é essencialmente diferente do que vigora no vizinho -, a contribuição previdenciária paga pelos empregados no Brasil vai de 8% a 11% da remuneração, mas as empresas recolhem para o INSS o equivalente a 20% do salário do funcionário.

    "Quando a reforma foi feita no Chile, existia um otimismo irracional a respeito da capacidade de poupança do sistema", diz o economista.

    Oscilações da economia

    Além da questão da contribuição em si, as oscilações constantes da economia chilena - que, como a maioria dos países do continente, alterna ciclos de crescimento com períodos de crise - prejudicaram a rentabilidade dos fundos de pensão.

    Ao contrário do sistema público, no sistema de contas individuais as taxas de juros são extremamente importantes, porque determinam quanto o que foi poupado vai valer no futuro e, portanto, o nível de renda dos aposentados.

    Felipe Bruno, da Mercer, ressalta ainda o fato de que há pouca concorrência entre gestoras de fundos de pensão no país, que cobram taxas de administração muitas vezes elevadas e que muitas vezes são pouco transparentes.

    A nova reforma da Previdência no Chile

    Em outubro de 2018, o presidente Sebastián Piñera encaminhou ao Congresso uma proposta de reforma que prevê um aumento gradual da alíquota previdenciária de 10% para 14%. A diferença seria paga pelas empresas, que até então só contribuíam em casos de profissões insalubres.

    "Sabemos que hoje as aposentadorias são muito baixas e inferiores às expectativas de nossos idosos", disse ele durante o pronunciamento.

    As medidas, que ainda precisam ser aprovadas pelo Legislativo chileno, preveem também um reforço do "pilar solidário" da Previdência, que paga benefícios assistenciais àqueles em situação de vulnerabilidade social. A previsão é que esse tipo de gasto, pago pelo governo, cresça de 0,8% para 1,12% do PIB (Produto Interno Bruto).

    Mulheres

    Em comunicado veiculado em rede nacional, Piñera ressaltou que, dos 2,8 milhões de aposentados no Chile, mais da metade - 1,5 milhão - necessitam de auxílio do pilar solidário. Ou seja, recebem ou a chamada Pensión Básica Solidária de Vejez (PBSV), que varia entre US$ 180 e US$ 215, ou o Aporte Previsional Solidario de Vejez (APSV), subsídio pago a quem ganha menos de US$ 470, para complementar a renda.

    Larráin conta que o PBSV e o APSV foram criados em uma reforma recente, de 2008, que introduziu uma série de medidas de prevenção da pobreza na terceira idade.

    Do total de pessoas que dependem do pilar solidário, 62% são mulheres - que em geral têm uma participação mais intermitente no mercado de trabalho, muitas vezes interrompida pela maternidade.

    No Peru, que enfrenta problema bastante semelhante ao do Chile, o sistema de capitalização existe em paralelo ao sistema de repartição - o trabalhador pode escolher se contribui com 13% da renda bruta para Sistema Nacional de Pensiones (SNP) ou com 10% do salário para o Sistema Privado de Pensiones (SPP).

    Os empregadores não precisam contribuir, a não ser que seus funcionários sejam pescadores, trabalhadores da construção e mineradores.

    O país instituiu em 2017 uma Comisión de Protección Social (CPS), vinculada ao Ministério da Fazenda, para fazer um diagnóstico do sistema e propor mudanças e estuda instituir alguma alíquota de contribuição para as empresas na tentativa de elevar o valor médio dos benefícios pagos aos aposentados.

    Entre os piores

    No México e na Colômbia, 7 em cada 10 trabalhadores corre o risco de ficar sem aposentadoria.

    O sistema de aposentadorias mexicano está entre os piores no ranking feito pela consultoria Mercer. Entre 34 países, ocupa a 32ª posição - atrás apenas de Índia e Argentina.

    A avaliação leva em consideração três parâmetros: adequação (o quanto os benefícios conseguem garantir um nível de renda satisfatório aos idosos), sustentabilidade (se os gastos do governo com os respectivos sistemas cabem no orçamento público) e integridade (se os sistemas têm governança, capilaridade).

    O Brasil está no 21º lugar do ranking de 2018, com boa pontuação no quesito adequação e uma das piores notas em sustentabilidade.

    O principal problema do México, para o pesquisador do Instituto de Investigaciones Económicas da Universidade Nacional Autónoma de México (IIEc-UNAM) Gabriel Badillo, é a baixa taxa de cobertura do sistema previdenciário, que é de pouco mais de 30%.

    Grosso modo, isso significa que, a cada dez mexicanos ocupados, cerca de três apenas recolhem contribuição mensal para a Previdência.

    Informalidade

    Para Badillo, o fato de que o mercado de trabalho no México é marcado pela informalidade - cerca de 60% daqueles empregados não têm carteira assinada - não teria sido levado em consideração na reforma feita em 1997, que instituiu o regime de capitalização.

    Para aqueles que não recolhem a contribuição mensal e que correm o risco de ficar sem aposentadoria no futuro, a alternativa seriam os benefícios assistencialistas e as chamadas aposentadorias não contributivas, criadas pelo governo na tentativa de evitar situações de indigência na terceira idade.

    O Programa Pensiones para Adultos Mayores (PAM), por exemplo, foi criado em 2013 e paga cerca US$ 50 por mês para idosos sem aposentadoria com mais de 65 anos.

    Obrador quer mudanças

    No último dia 13 de janeiro, o presidente Andrés Manuel Lopez Obrador, recém-empossado, lançou o Programa de Pensión para el Bienestar de las Personas Adultas Mayores com o intuito de aumentar o valor dos benefícios pagos aos idosos.

    Aumentar o percentual de contribuintes também é desejável do ponto de vista das finanças do governo, para reduzir as pressões fiscais que acabam avançando pelo lado da rede de proteção social, acrescenta Jancsó, do Bradesco, no relatório sobre os sistemas de Previdência da América Latina.

    Sem um nível elevado de participação dos trabalhadores, os governos correm o risco de gastar cada vez mais com benefícios não contributivos para idosos e com aposentadorias mínimas.

    O sistema de repartição gerido pelo Instituto Mexicano de Seguridade Social (IMSS) ainda convive com o sistema de capitalização individual, cuja adesão é obrigatória apenas para aqueles que entraram no mercado de trabalho depois de 1997.

    Regime híbrido

    Na Colômbia, que instituiu o sistema de capitalização em 1993, o regime também é híbrido, com a diferença de que o segurado pode converter seu plano de seguridade social em plano de contribuição individual - e vice-versa - a cada cinco anos, até 10 anos antes da aposentadoria.

    Para Hervé Boulhol, economista-sênior da diretoria de Emprego, Trabalho e Assuntos Sociais da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), essa característica é mais um desafio do modelo colombiano.

    “O fato de o contribuinte poder ir e voltar cria um risco fiscal para o governo, que poderia eventualmente ter que lidar com um aumento das despesas com aposentadorias caso houvesse uma grande migração para o sistema público, por exemplo”.

    A Fedesarrollo, organização sem fins lucrativos dedicada à pesquisa de temas de políticas econômica e social, afirma que hoje apenas 35% dos trabalhadores recolhem algum tipo de contribuição previdenciária e que, sem reformas, em 2050 apenas 17% dos colombianos com mais de 60 anos receberiam aposentadorias.

    O presidente Ivan Duque, que assumiu o cargo em agosto do ano passado, já declarou que encaminhará ao Congresso uma proposta para reformar o sistema - sem, entretanto, fixar um prazo.

    Além da alta taxa de informalidade e as alíquotas de contribuição baixas, outro problema comum nos sistemas de capitalização na América Latina é o fato de que a poupança feita pelos trabalhadores tem que financiar períodos cada vez maiores, devido ao aumento da expectativa de vida.

    "No Chile, por exemplo, uma mulher que se aposenta aos 60 anos de idade vive em média até os 91. Com o que pouca tem de financiar em média 31 anos de aposentadoria. Para ter uma renda mais alta, ela vai precisar poupar mais ou parar de trabalhar mais tarde", diz Mariano Bosch, especialista da Divisão de Mercado de Trabalho do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) e coautor de Presente e Futuro das aposentadorias na América Latina e Caribe.

    Qual a solução?

    Bruno, da Mercer, ressalta que Holanda e Dinamarca, os mais bem colocados no Índice Global de Sistemas Previdenciários da consultoria, têm sistemas de aposentadoria que não são nem totalmente públicos nem totalmente privados.

    Eles têm um pilar de repartição simples - que paga aposentadorias modestas a todos os seus segurados, mas que tem um grande alcance na população idosa - e, sobre ele, um pilar de capitalização, que serve como uma espécie de renda complementar para aumentar a aposentadoria daqueles com maior capacidade contributiva.

    A ideia geral é que, quem recebe maiores salários, poupa um pouquinho mais no braço privado do sistema para ter benefícios maiores durante a aposentadoria.

    Em ambos os países, o sistema de proteção social funciona como "pilar zero", com pagamento de benefícios assistenciais para evitar situações de extrema pobreza na terceira idade.

    "Esse pilar de solidariedade é imprescindível a qualquer sistema de aposentadoria, especialmente aos países em que o nível de informalidade é elevado", acrescenta Boulhol, da OCDE.