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Ter, Mar

CTB-DF

  • Centrais ultimam preparativos para ato em defesa da aposentadoria na Praça da Sé, quarta-feira (20), às 10 horas

    As centrais sindicais intensificaram nos últimos dias os preparativos para a realização da Assembleia Nacional da Classe Trabalhadora em defesa da aposentadoria e da Previdência Pública, convocada para o próximo dia 20, quarta-feira, na Praça da Sé, em São Paulo. Na opinião do presidente da CTB, Adilson Araújo, “este será o primeiro passo na jornada nacional de luta contra a reforma da Previdência da dupla Bolsonaro/Guedes, que consegue ser ainda pior do que a proposta pelo governo golpista de Michel Temer”.

    “As centrais transmitem à sociedade e à classe trabalhadora brasileira uma mensagem de unidade e luta em defesa dos direitos do povo”, salientou Araújo. “Afinal, a Previdência Pública é o maior e mais eficaz programa de distribuição de renda do Brasil. Não podemos destruí-lo para satisfazer os banqueiros, privatizando e entregando o sistema previdenciário ao capital financeiro”, acrescentou.

    Greve geral

    A assembleia tem também o objetivo de definir um plano de lutas unitário do movimento sindical, centrado na defesa do direito à aposentadoria. O presidente da CTB afirmou que as lideranças sindicais também cogitam a realização de uma greve geral no país “para derrotar a proposta do governo. Vamos esquentar os motores e preparar uma grande mobilização nacional”.

    A Proposta de Emenda Constitucional que deve ser encaminhada ao Congresso Nacional quarta-feira (20), prevê a obrigatoriedade de idade mínima para aposentadoria de 65 anos para os homens e 62 para as mulheres e uma regra de transição de apenas 12 anos.

    Isto prejudica um conjunto muito amplo de trabalhadores e trabalhadoras, principalmente os que começam a trabalhar mais cedo, agricultores familiares e assalariados rurais e os mais pobres, que em geral têm uma perspectiva de vida menor do que a média brasileria.

    Outra proposta apresentada pelo ministro Paulo Guedes, da Econoia, é a introdução do regime de capitalização da Previdência, adotada no Chile e em outros países, onde condena os idosos à miséria, com benefícios menores do que o salário mínimo local. Isso no caso dos que conseguiram pagar a vida inteira, o que não é a situação da maioria que enfrentou a precariedade do mercado de trabalho.

    Capitalização, a rigor, significa a privatização do sistema previdenciário, que interessa exclusivamente ao sistema financeiro e visa aumentar ainda mais os lucros dos bancos. Patrões e empresários não vão mais contribuir, o trabalhador terá de arcar com todos os custos previdenciários. A reforma contempla integralmente os interesses do capital e é extremamente prejudicial para o povo brasileiro.

    Outras manifestações (atos, assembleias, panfletagens e diálogo com a base) foram convocadas pelas centrais em outros estados como Bahia, Ceará, Rio de Janeiro, Piauí, e Santa Catarina. Confira abaixo:

    Amapá: Ato em frente ao prédio do INSS de Macapá

    Bahia: Plenária em frente à Previdência Social na Rua da Polônia, 395 – Comércio em Salvador, ás 10h.

    Ceará: 6h - panfletagem nos terminais de ônibus em Fortaleza

    11h – panfletagem na Fábrica Guararapes

    13h30 – panfletagem na OI/Contax.

    15h - panfletagem nas ruas do centro e Tribuna Livre na praça do Ferreira

    Distrito Federal: 16h - Panfletagem na rodoviária do Plano Piloto, em Brasília

    Maranhão: Ato unificado - horário e local a definir

    Piauí: Assembleia da Classe Trabalhadora do estado, ás 8h30, diante do Prédio do INSS - Praça Rio Branco - centro de Teresina

    Rio de Janeiro: Ato no Boulevard Carioca, esquina com a Av. Rio Branco, às 15 horas

    Rio Grande do Norte: Plenária Unificada - horário e local a definir

    Santa Catarina: Ato no largo da Catedral, centro de Florianópolis, às 15 horas

    Sergipe: Assembleia Estadual em Aracaju - horário e local a definir

  • Che Guevara: “Ser jovem e não ser revolucionário é uma contradição genética”

    Para marcar a data do assassinato de um dos mais importantes revolucionários da história da humanidade, Che Guevara, a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil no Distrito Federal (CTB-DF) exibe a primeira parte do filme Che, do norte-americano Steven Soderbergh, nesta segunda-feira (9), ás 1830, na sede da CTB-DF (SRTVS, quadra 701, Edifício Palácio da Imprensa, Sobreloja, sala 07).

    A prisão do líder guerrilheiro na selva da Bolívia e seu assassinato pelo exército boliviano sob as ordens da CIA (agência de espionagem dos Estados Unidos) no dia 9 de outubro de 1967 caiu como uma bomba nas mentes de jovens do mundo inteiro, numa época em que a juventude saia para as ruas contra o patriarcado e sonhava mudar o mundo.

    Assista o vídeo Che, o guerrilheiro movido por amor 

     

    “Fosse de bicicleta, moto, carona, barco ou avião, um detalhe era fundamental para o revolucionário, ele nunca abriu mão de usar botas seguras e confortáveis. Para ele, os sapatos eram um componente importante de um guerrilheiro e os relatos dão conta de que quando foi capturado, estava descalço. Os assassinos de Che cortaram suas mãos para dificultar o reconhecimento do cadáver, sem saber que eram os pés a identidade da lenda”, escreve a jornalista Mariana Serafini, no Portal Vermelho.

    Tanto que o mausoléu em sua homenagem, inaugurado em 1997, quando chegaram os restos mortais do guerrilheiro à Cuba, 30 anos após sua execução na Bolívia, já foi visitado por mais de 4,7 milhões de pessoas.

    Veja Che: o argentino, de Steven Soderbergh 

    Argentino de nascimento, Che virou cidadão do mundo e um dos maiores heróis da história da humanidade. Morreu com apenas 39 anos, estaria prestes a completar 90 anos. Se transformou num dos mais importantes líderes da Revolução Cubana em 1959, foi ministro do país que adotou de coração, mas não se conteve. Queira espalhar a revolução.

    “Ernesto Che Guevara recebeu e enriqueceu essa herança espiritual, e decidiu formar seu caráter para assumir, com os fatos e com a consagração de sua vida, o compromisso que reputou irrenunciável: o de defender com seu enorme talento, valor e virtudes o direito dos pobres de América e a aspiração bolivariana e martiniana de integração moral das pátrias latino-americanas”, diz Armando Hart, importante guerrilheiro cubano.

    Veja a segunda parte Che : a guerrilha, de Steven Soderbergh

     

    Nestes tempos bicudos, a lembrança de Che Guevara é essencial para revitalizar a vontade de transformar o mundo em um lugar onde todas as pessoas possam viver e sonhar sem medo de repressão e violências. Como o herói mundial disse: “Ser jovem e não ser revolucionário é uma contradição genética”.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

  • Construção Civil se reúne com Governo do DF e debate direitos da categoria

    A CTB Distrito Federal junto com a diretoria do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção e do Mobiliário de Brasília e Entorno (STICOMBE), juntamente com inúmeros delegados sindicais, recebeu na última quinta (24) o secretário do Trabalho do Distrito Federal, João Pedro Ferraz, advogado trabalhista e ex-procurador geral do Ministério Público Trabalho e discutiram pauta de direitos da categoria.

    O sindicato da construção civil é filiado à Nova Central. Reforçando a proposta de unidade das centrais, a CTB Distrito Federal foi convidada pela CGTB.

    "Na ocasião foram debatidos diversos assuntos de interesse desta importante categoria representada pela entidade, como a implantação de um piso regional, o cumprimento de lei distrital que prevê a obrigatoriedade de fornecimento de plano de saúde para os trabalhadores das empresas terceirizadas que prestam serviço ao governo e a solução do impasse que envolve mais de 500 operários com uma construtora responsável por uma obra pública que não cumpriu com as suas obrigações trabalhistas", informou Paulo Vinicius, o PV, secretário de Relações de Trabalho da CTB Nacional, após a reunião.

    Ele indicou que de forma unitário, em conjunto com as demais centrais e os sindicatos, a CTB seguirá vigilante e em luta para fortalecer a luta e enfrentar a nova conjuntura que atravessa o país.

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    O presidente do STICOMBE, Raimundo Salvador, que presidiu o encontro, apresentou as reivindicações ao secretário, que, por sua vez, colocou-se à disposição para encaminhar cada uma delas, inclusive ao governador, se necessário. Outra questão abordada no encontro foi a constatação de que algumas empresas responsáveis por pequenas e médias obras públicas não estão sequer registrando os trabalhadores em carteira de trabalho, muito menos cumprindo com as demais obrigações previstas em lei.

    Contricom

    O presidente da CONTRICOM, Altamiro Perdoná, também presente à reunião, narrou a experiência que teve em Santa Catarina, onde preside a Federação da categoria, com a implantação do piso regional para diversos segmentos de trabalhadores. Segundo ele, “além de incrementar  a economia regional – e uma prova disso é que nosso Estado ostenta um dos menores índices de desemprego do país, o piso regional assegura mais dignidade e melhores condições de vida e trabalho para os trabalhadores”.

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    Portal CTB - Com informações do STICOMBE

    *Atualizada em 30 de janeiro de 2019, às 17h.

  • CTB e movimentos sociais se preparam para o Dia Nacional de Luta contra a reforma da Previdência

    Nesta sexta-feira (16), em Brasília, no auditório do SINPRO-DF, ocorreu a Plenária de Mobilização da CTB e Movimentos Sociais em Defesa da Previdência, com a presença do presidente da CTB nacional, Adilson Araújo.

    O evento, organizado pela direção da CTB-DF, com a participação de movimentos sociais,  entre eles, UJS e Unegro, discutiu estratégias para as atividades de segunda-feira (19), Dia Nacional de Luta Contra a Reforma da Previdência, com atos e paralisações por todo o País.  

    "A situação é dramática e precisamos derrotar Temer e sua quadrilha, que junto com os banqueiros querem escravizar nosso povo mais humilde e abandonar a nossa velhice. Só a derrota da votação pode mudar esse jogo", declarou o Secretário de Relações do Trabalho da CTB, Paulo Vinícius (PV), ao convocar todos à luta contra a reforma. 

    Para Adilson Araújo, a reforma da Previdência é uma reivindicação do mercado, prontamente atendida pelo governo neoliberal de Temer,  que trabalha para entregar o patrimônio do povo às multinacionais.

    "Temos que tomar partido e lutar contra esses desmandos promovidos pelo governo Temer. Estamos diante de um processo de neocolonização do Brasil. Essa agenda ultraliberal coloca o nosso país de cócoras aos interesses do imperialismo norte americano, do grande capital estrangeiro. Essa classe dominante não está disposta a discutir taxação de grandes fortunas. Essa burguesia não tem interesse em preservar o pouco de patrimônio público que se construiu a duras penas. O que eles querem é a liquidação total, é tornar o Brasil um país totalmente subordinado", destacou o dirigente durante a sua fala no evento.

    Na capital federal as manifestações ocorrerão durante todo o dia, com mobilizações no aeroporto Internacional Juscelino Kubitschek, na Rodoviária do Plano Piloto e no Museu da República. 

    Confira a programação:

    Dia Nacional de Luta Contra o Fim da Previdência Social
     
    6h30: Aeroporto
     
    10h: Anexo II da Câmara dos Deputados
     
    17h: Museu Nacional da República



    De Brasília,  Ruth de Souza  - Portal CTB

     

  • CTB marca presença no 1º Fórum Sindical promovido pelo governo de Brasília

    A Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil e outras entidades sindicais participaram ontem, 18, do 1º Fórum Sindical realizado pelo governo de Brasília. O evento ocorreu no Palácio do Buriti, na capital federal, com a participação do Secretário de Relações Institucionais e Sociais do GDF, Marcos Dantas, o presidente do Instituto de Previdência dos Servidores do Distrito Federal (IPREV), Roberto Moisés, o presidente da CTB-DF, Aldemir Domício, além de outras centrais e sindicatos ligados à gerência. Em discurso, Domício pediu mais atenção do GDF às demandas dos trabalhadores e trabalhadoras do Distrito Federal e uma interação maior entre administração e representantes da classe trabalhadora.

    O tema principal da reunião foi Previdência. Numa discussão sobre projetos e reivindicações relacionados à aposentadoria de servidores públicos e trabalhadores em geral, os representantes sindicais avaliaram como positiva a iniciativa do governo em promover o debate, mas destacaram a necessidade de uma discussão maior entre os porta-vozes da classe trabalhadora e o GDF, inclusive durante a elaboração das propostas que chegam à Câmara Legislativa. Os sindicalistas criticaram a atual gestão por não ouvir a categoria durante a elaboração de projetos trabalhistas.

    Em discurso aplaudido pelos presentes, o cetebista Aldemir cobrou atenção maior da administração às demandas dos trabalhadores e trabalhadoras do Distrito Federal. “Umas das queixas da CTB é a falta de diálogo deste governo com a classe trabalhadora. Embora este Fórum tenha dado o primeiro passo para estas discussões, é necessário que o processo se inicie com a retirada dos projetos que tramitam na Câmara para serem debatidos amplamente com os trabalhadores e seus representantes”. Aldemir ainda criticou a ausência de uma secretaria específica para uma interação maior com sindicatos e demais representações sociais. “Precisamos de uma porta aberta, onde as entidades sejam reconhecidas e atendidas pelo governo”, pontuou.

    Por sua vez, o secretário do comando, Marcos Dantas, prometeu legitimar todas as reivindicações colocadas na discussão. “O governo tem interesse e condições absolutas de fazer o que os representantes da classe trabalhadora cobram e vamos efetivar isso”.

    Por Ruth Rodrigues - De Brasília

  • CTB-DF participa de debate sobre os 130 anos da Abolição nesta terça-feira (15), em Brasília

    A Casa Manga com Leite, que se autodefine como “um espaço para debater as coisas da vida” convida as pessoas interessadas em compreender a conjuntura pela qual o país passa para a palestra “A Luta pela Verdadeira Abolição”, nesta terça-feira (15), às 18h30. O debate faz parte do evento Casa da Prosa.

    “A Lei Áurea trouxe a liberdade em 13 de maio de 1888, mas no dia seguinte deixou os seres humanos escravizados ao deus-dará, sem trabalho, sem terra, sem moradia, sem nenhuma indenização”, afirma Santa Alves, secretária de Combate ao Racismo da CTB-DF.

    ctb df santa alves casa manga com leite

    Ela, que também é presidenta da União dos Negros pela Igualdade (Unegro), é uma das palestrantes do evento. As outras pessoas são Maria da Conceição Silva, da Unegro e o jornalista João Negrão.

    “O nosso debate é para refletirmos sobre os reflexos dessa Abolição inconclusa na atualidade, onde a população afrodescendente vive marginalizada pelo mercado do trabalho, na educação, na saúde e em todos os âmbitos da sociedade”, acentua Alves.

    Ela complementa afirmando ainda que “nós mulheres somos as mais prejudicadas no mercado de trabalho, ganhamos menos que os homens, somos demitidas após ter filho e as últimas a conseguir emprego. As mulheres negras vivem em situação ainda mais degradante”.

    Por isso, a presença de todas e todos nesse debate “é essencial para encontrarmos soluções para essas questões que em pleno século 21 impedem que a maioria da população brasileira tenha as mesmas possibilidades de vida que a minoria”, conclui Alves.

    Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB

  • CTB: 11 anos de luta

    Fundada em 12 de dezembro de 2007 num congresso realizado em Belo Horizonte (MG) a CTB celebra nesta quarta-feira seu 11º aniversário.

    São 11 anos de luta em defesa dos direitos da classe trabalhadora, por um projeto nacional de desenvolvimento fundado na democracia, na soberania e na valorização do trabalho e contra a ofensiva das forças conservadoras, o golpe de Estado disfarçado de impeachment e a agenda de restauração neoliberal imposta pelo governo ilegítimo presidido por Temer.

    Apesar das adversidades e dos ataques sofridos pela classe trabalhadora e o movimento sindical nos últimos anos, a trajetória da nossa central classista desde 2007 foi de contínuo crescimento e consolidação. Tendo inaugurado sua existência com cerca de 600 entidades sindicais na base, hoje a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil conta com mais de 1200, um crescimento de 100% no período

    O êxito político e organizativo se explica pela coerência na defesa de seus princípios e a participação ativa e incansável na linha de frente das batalhas de classes que se verificaram no período. Daí a credibilidade no movimento sindical e entre as forças progressistas da nossa sociedade.

    Defesa do socialismo

    O que diferencia a CTB é o compromisso inarredável com os interesses imediatos e futuros da classe que representa: a defesa do Direito do Trabalho, da valorização dos salários, redução da jornada, trabalho decente, a luta contra a exploração do trabalho análogo ao escravo e do chamado trabalho infantil, contra a exploração capitalista e por uma sociedade sem exploradores e explorados, a defesa do socialismo e de um projeto nacional de desenvolvimento com democracia, soberania e justiça social.

    Entre as realizações e conquistas da CTB, sempre em aliança com as demais centrais e os movimentos sociais, destaca-se a realização da 2ª Conferência Nacional da Classe Trabalhadora (Conclat), que reuniu mais de 30 mil sindicalistas das cinco maiores centrais sindicais do país no Pacaembu (SP) em 1º de junho de 2010 e aprovou a “Agenda da classe trabalhadora por um novo projeto nacional de desenvolvimento com democracia, soberania e valorização do trabalho”.

    Conclat

    A Conclat foi originalmente proposta pela CTB no congresso fundação. Nossa Central teve também relevante participação nas marchas da classe trabalhadora, nas Marchas das Margaridas, na luta pela reforma agrária e o fortalecimento da agricultura familiar, pela redução dos juros, em defesa das aposentadorias, contra a terceirização irrestrita e contra a reforma trabalhista de Michel Temer.

    No campo das relações internacionais, nossa Central teve destacada participação na Federação Sindical Mundial e organizou em São Paulo um Simpósio internacional e um Ato mundial anti-imperialista na comemoração dos 70 anos da FSM em 3 de outubro de 2015. A CTB também é uma das fundadoras e líder do Encontro Sindical Nossa América (Esna), que congrega sindicalistas de vários países latino-americanos e caribenhos.

    Os cetebistas estiveram na linha de frente da greve geral de 28 de abril de 2017 e não vacilaram em denunciar, desde o início, o golpe de 2016, alertando e mobilizando suas bases contra o processo de restauração neoliberal e consequente desmantelamento dos direitos trabalhistas e da seguridade social, enfatizando a defesa do SUS e da educação pública, laica e gratuita. A CTB integra o Fórum das Centrais e as Frentes Brasil Popular e Povo sem Medo e celebra o seu 11º aniversário reiterando o compromisso de defender intransigentemente a causa dos trabalhadores e trabalhadoras, o desenvolvimento nacional soberano e o Socialismo, uma necessidade histórica que se transforma em imperativo do nosso tempo face à grave crise que abala o sistema capitalista internacional e que requer a construção de uma frente ampla de resistência para superá-la e evitar a barbárie.

    São Paulo, 12 de dezembro de 2018

    Adilson Araújo, presidente da CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil)

  • Dia dos Professores: Educadoras e educadores da CTB dizem que vale a pena viver pela educação

    Para homenagear as professoras e professores de todo o país, o Portal CTB fez uma enquete com os profissionais da educação, filiados à Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).

    No ano passado foi perguntado à educadora e educadores o que é ser professor?Neste ano, por todos os desastres promovidos pelo governo ilegítimo de Michel Temer, a pergunta feita foi: vale a pena ser professora ou professor?

    No início deste ano, o governo federal cortou R$ 4,3 bilhões do orçamento do Ministério da Educação. Além desse corte, os docentes têm pouco a comemorar sobre as condições de trabalho, já que a Emenda Constitucional 95 congela por 20 anos os seus salários e os investimentos em serviços públicos.

    Para Marilene Betros, secretária de Políticas Educacionais da CTB, “uma das prioridades do governo golpista é atacar a educação pública para impedir o livre pensar e dessa forma dominar a sociedade mais facilmente”.

    De acordo com ela, os projetos do Ministério da Educação visam limitar a escola pública ao âmbito do ensino básico. E ainda tirando matérias essenciais para desenvolver o senso crítico das crianças e jovens.

    “Desobrigar o ensino de Filosofia, Sociologia, História, Artes e Educação Física, mostram o propósito de manter o saber restrito a uma minoria, que terá essas matérias em escolas particulares e caríssimas”.

    Além disso, incluem “ensino religioso confessional, impondo uma religião sobre as outras, dificultando inclusive o debate de questões importantes a que a escola tem sido chamada e os conservadores temem”.

    Mesmo assim, diz Betros, “vale a pena ser professora, porque todos os dias renovamos o nosso conhecimento absorvendo o saber de nossos alunos e com essa troca evoluímos e juntamente com os estudantes criamos as possibilidades para a construção do novo”.

    Ouça Anjos da guarda, de Leci Brandão 

    Confira as respostas abaixo:

    Berenice Darc, secretária da Mulher da CTB-DF

    “Com certeza. Vale a pena. Sou professora na EJA (Educação de Jovens e Adultos), cada novo aprendizado, cada nova descoberta, cada conquista, cada sorriso dos nossos estudantes nos dá a certeza, que vale a pena. A educação, ainda é um elemento que pode transformar o ser em sujeito e a partir daí transformar sua realidade e ver o resultado disso é muito bacana. Por isso tudo, vale muito a pena”!

    Celina Arêas, secretária da Mulher Trabalhadora CTB

    “A classe trabalhadora de um modo geral, vive um momento de resistência pelos direitos questão nos tirando, de defesa da democracia e do Estado Democrático de Direito. E as professoras e os professores sentem mais com muita tristeza essa agenda de retrocessos.

    A Emenda Constitucional 95 que congela salários e investimentos nos serviços públicos, notadamente na educação e na saúde.

    Quem perde mais com tudo isso é a classe trabalhadora, cujos filhos e filhas correm risco de não terem escola no futuro. Já existem universidades federais sentindo profundamente os cortes na educação, fechando cursos, não fazendo vestibulares para novas turmas.

    A educação no campo está totalmente abandonada, com previsão de encerramento de mais de 60% dos cursos.

    Os projetos apresentados pelo Ministério da Educação privilegiam os empresários do setor e fragiliza a educação pública. A escola particular trata a educação com mera mercadoria e não como um bem para a humanidade.

    E ainda existe a Escola Sem Partido que é inconstitucional, mas ameaça as nossas cabeças e a dos estudantes com mais e mais repressão.

    Com tudo isso, ainda vale muito a pena. O melhor espaço da professora e do professor é a sala de aula. Como disse o escritor Guimarães Rosa, “mestre é aquele que de repente aprende”. E é essa beleza de ensinar aprendendo e ver os frutos brotarem que faz valer a pena trabalhar na educação”.

    Claudete Alves, presidenta do Sindicato da Educação Infantil de São Paulo

    “Mesmo enfrentando essa onda de conservadorismo que se volta contra as professoras e professores que acreditam na educação como motora do país, vale a pena ser professora. Vale porque as nossas crianças necessitam de profissionais compromissadas com o futuro e com a dignidade das crianças e jovens.

    Nós da educação infantil sentimos tudo isso bem de perto. Somos nós que damos a base para as crianças progredirem e crescerem de modo a se tornarem pessoas autônomas, criativas e felizes. As crianças precisam de nós e nós nos apaixonamos por elas todos os anos, sempre novas crianças tomam nossos corações”.

    Helmilton Beserra, presidente da CTB-PE

    “O trabalho do professor consiste em criar condições para que as crianças e jovens abram a mente para o mundo, criem métodos de estudos e com isso possam melhorar a vida neste mundo.

    Enfrentamos um momento difícil, mas não se pode tirar a autonomia do professor em sala de aula. Não existe educação emancipadora sem a liberdade. Cabe aos professores ajudar aos alunos a se desenvolverem e descobrirem seus caminhos e dessa maneira ajudarem a sociedade a se desenvolver e encontrar soluções coletivas para os problemas coletivos, sempre com muito respeito às diferenças, ao livre pensar”.

    Isis Tavares, presidenta da CTB-AM

    “Penso que devemos refletir se valerá a pena ser professora ou professor no futuro.

    Valerá a pena ser um profissional que é não considerado fundamental para a educação de nossas crianças e jovens?

    Valerá a pena trabalhar por 20 anos sem reajustes nos salários e sem perspectiva de conseguir se aposentar?

    Valerá a pena, todos os dias ir para seu local de trabalho sabendo que a patrulha ideológica da Escola Sem Partido pode lhe causar desde constrangimentos públicos até sua exoneração do serviço?

    Vai valer a pena ter que dizer ao seu aluno que a religião dele não é legítima porque não é considerada oficial?

    Vai valer a pena não poder sonhar junto, um sonho de construção de uma sociedade livre, laica, solidária com cidadãs e cidadãos críticos (lembram desse objetivo?) capazes de construir outro mundo possível?

    Vai valer a pena não poder mais programar visitas aos museus, porque vai dar trabalho fazer um roteiro com o que é ou não considerado arte?
    Vai valer a fazer apologia à meritocracia nos mais recônditos rincões de miséria e violência?

    Vai valer a pena ver nossos alunos tendo aulas com "professoras e professores" de "notório saber" sabendo que suas chances de entrar em um curso de nível superior foram deliberadamente reduzida para que engrossem as fileiras do exército de reserva em disputa por trabalhos terceirizados, precarizados?

    Vai valer a pena adoecer à mingua da falta de serviços de saúde públicos e de qualidade?

    Se fizermos esse exercício de projetar o futuro e considerarmos que a elite atrasada e golpista desse país está cometendo um crime contra o futuro do país e da nossa juventude, então vale a pena ser professora.

    Mas para isso precisamos nos organizar, buscar unidade com nossas companheiras e companheiros, com os pais e mães de nossas alunas e alunos, com a pluralidade dos movimentos sociais, centrais sindicais e resistir e lutar!”

    Acompanhe O professor, de Celso Viáfora, com Tânia Maya 

    Joelma Bandeira, dirigente do Sindicato dos Servidores Públicos em Educação no Estado do Amapá

    "A sociedade precisa entender que a atividade do magistério é essencial para qualquer projeto de nação. É muito importante saber de que lado se está. Se queremos um país para poucos ou com direitos iguais para todas e todos. E como a CTB tem lado, nós lutamos por uma educação pública, laica e de qualidade. As nossas ciranças e jovens precisam ter perspectivas de vida e esperança de um futuro digno. Nesse contexto, as professoras e professores compromissados com a educação são fundamentais em qualquer circustância".

    Josandra Rupf, secretária de Educação e Cultura da CTB-ES

    “Vale muito a pena ser professora hoje e enfrentar essa onda conservadora com coragem. Mesmo em uma profissão tão desvalorizada como o magistério a nossa atuação cotidiana tem oportunizado a construção de um Brasil melhor. Ser professor é um ato de coragem”.

    José Carlos Madureira Siqueira, secretário de Políticas Sociais da CTB-RJ

    “Vale a pena sentir que estamos formando gerações, vale o exercício cotidiano da construção cidadã. Entretanto a sociedade não valoriza, o Estado não valoriza e sucessivos governos não valorizam.

    Qualquer projeto de nação para ter força precisa enxergar a educação como estratégia estrutural, qualquer projeto para a educação não se sustenta sem o devido valor do professor”.

    Lidiane Gomes, secretária da Igualdade Racial da CTB-SP

    “Para mim ser professora sempre vale a pena. Faz parte da minha alma. É minha missão. O que ocorre é que a desvalorização da profissão é enorme. Ser professor é trabalhar muito para que se tenha um pouco de dignidade como ser humano. As duplas jornadas nos adoecem. Somos mal remuneradas.

    As muitas horas de trabalho em pé, o uso excessivo da garganta, as noites mal dormidas diminuem a capacidade de lecionar com qualidade, mas resistimos e insistimos. Porque o que seria do mundo sem as professoras"?

    Lúcia Rincon, dirigente da Associação dos Professores da PUC-GO

    "Ser professora nos proporciona a chance de colabarar com a construção de uma civilização avançada e justa, transformando o mundo num local bom para se viver para todas e todos, sem discriminações, sem perseguições, com muito respeito, solidariedade, generosidade, onde todas as pessoas possam viver sem medo e com liberdade".

    Nivaldo Mota, vice-presidente da CTB-AL

    “Ainda que vivamos em tempos sombrios, com retrocessos e um conservadorismo que comunga com o fascismo, mesmo assim, vale a pena para se contrapor a estas ideias nefastas! Não podemos sair da trincheira da liberdade, da livre consciência, precisamos ganhar os setores da sociedade com a perspectiva de uma escola democrática”

    Olgamir Amâncio, professora da Universidade de Brasília

    “Ser professora é uma opção de vida que fiz há exatos 40 anos. Certamente que para a sociedade capitalista esta não é uma profissão valorizada, principalmente quando se é professora de escola pública que acolhe as filhas e filhos do povo que trabalha. Mas a despeito das péssimas condições de trabalho, da desvalorização, e tudo o mais, penso que nossa profissão oportuniza grandes transformações nas pessoas e por isso, como nos ensina Paulo Freire, propicia condições para transformar o mundo. Não é por acaso que é tão desprestigiada, sucateada, os que dominam sabem do seu papel revolucionário. Educação e emancipação são faces de uma mesma moeda”.

    Raimunda Gomes (Doquinha), secretária de Comunicação da CTB

    “Sempre vale a pena. A profissão docente é indispensável em todas as sociedades, em qualquer tempo. Hoje com toda a onda conservadora que se abateu sobre o Brasil, é imprescindível que a profissão seja resguardada em sua importância estratégica, sem desmerecer nenhuma outra profissão, mas, o magistério possui a missão de conduzir seres humanos à busca do conhecimento, do entendimento de si e do outro. A interrelação que se constrói entre o sujeito que ensina e o sujeito que aprende, é uma via de mão dupla, que não se mede pelo salário apenas e nem a curto prazo, é um processo de construção em etapas”.

    O que é o que é, de Gonzaguinha 

    Rosa Pacheco da CTB Educação-PR

    “Quando os seus alunos e alunas crescem e você os encontra adultos e em diversas situações e locais e ouve ‘você foi minha professora, com você aprendi’. Não há valor maior. Saber que ensinou, que despertou naquele ou naquela criança ou adolescente algo que o faz ser diferente é especial”.

    Solange da Silva Carvalho, vice-presidenta do Sindicato dos Professores do Rio Grande do Sul

    “No Rio Grande do Sul nós estamos em greve há mais de um mês justamente porque acreditamos na importância de nosso trabalho. É uma questão de amor à nossa profissão e compromisso com a nação, com a infância e com a juventude.

    Estamos na luta em defesa da educação pública. Sabemos que as filhas e filhos da classe trabalhadora são as pessoas que mais precisam de uma escola pública de qualidade, com profissionais comprometidos com a difusão do saber com liberdade e respeito a diversidade.

    Por isso, lutamos contra o sucateamento da educação pública e a retirada de direitos do magistério, combatendo projetos autoritários, que visam impedir que a classe trabalhadora tenha conhecimento e dessa forma possa agir com mais autonomia”.

    Valéria Morato, presidenta da CTB-MG

    “Considero que vale a pena sim, ser professora. Apesar de todo ataque e desvalorização da profissão, não vejo alternativa para a transformação da sociedade que não passe pela educação. E nesse caso, o professor tem papel preponderante e essencial! E isso nos honra muito”!

    Portal CTB - Marcos Aurélio Ruy. Foto: Carta Educação

  • Especial Consciência Negra: o sociólogo Robson Camara analisa os 130 anos da Abolição

    O Portal CTB lança a partir desta segunda-feira (12) uma série especial de artigos e reportagens para marcar o Dia Nacional da Consciência Negra, celebrado no dia 20 de novembro, data da morte de Zumbi, o principal líder do Quilombo dos Palmares, o mais longevo e conhecido da história do Brasil.

    Leia também: A criminalização da pobreza e dos movimentos sociais 

    Abre este especial uma entrevista com o professor Robson Camara sobre os 130 anos da Abolição da escravidão no Brasil. Camara é doutor em Sociologia pela Universidade de Brasília (UnB), com pesquisa na área de Sociologia do Trabalho e da Educação e secretário de Formação da CTB-DF. Ele destaca a marginalização em pleno século 21 pelos descendentes dos seres humanos escravizados, vindos da África em condições desumanas nos porões dos navios negreiros.

    “Ser colocado no porão de um navio e atravessar o Atlântico em condições insalubres é um ato passivo? Voluntário?”, questiona ao lembrar que o presidente eleito Jair Bolsonaro afirmou que os próprios africanos é que se entregaram à escravidão.

    Camara tem ainda estágio doutoral no Centro de Estudos Interdisciplinares em Educação e Desenvolvimento (CeiED) da Universidade de Humanidades e Tecnologia (ULHT), de Lisboa/Portugal e é Mestre em Educação (UnB). Além de ser membro do Grupo de Estudos e Pesquisas sobre o Trabalho (GEPT) do Departamento de Sociologia da UnB, ligado ao Instituto de Ciências Sociais (ICS). É também professor da Escola de Aperfeiçoamento dos Profissionais da Educação (EAPE).

    Na entrevista ele diz também que a Abolição foi inconclusa para amainar a fúria da elite escravocrata e frear o avanço dos setores mais avançados contra o escravismo e por isso deixou a desejar do ponto de vista humano e de justiça social. “A Abolição veio para desfazer essa tensão, essa panela de pressão, mas não resolveu o problema do negro. Objetivamente, não houve contrapartida do Estado brasileiro. Nos soltaram à própria sorte”.

    A de Ó, do disco "Missa dos Quilombos", de Milton Nascimento, Pedro Tierra e Dom Pedro Casaldáliga 

    Leia a entrevista na íntegra abaixo:

    Portal CTB: Nos 130 anos da Abolição, a população negra se sente reparada pelo Estado e pela sociedade?

    Robson Camara: Em primeiro lugar, temos que compreender o processo de Abolição da escravidão sobre a perspectiva econômica e socio-histórica. Como nos ensina Clóvis Moura, em sua obra Dialética Radical do Brasil Negro, que o escravismo estava dentro da lógica do processo de acumulação de riqueza, primeiramente para a metrópole e depois para elite econômica do país, do século 16 até 1888 (em 13 de maio de 1888, a princesa Isabel assinou a Lei Áurea, pondo fim à escravidão no Brasil, que foi o último país do Ociedente a fazê-lo).

    Os escravizados eram o capital fixo (marxianamente falando) da engrenagem da economia política brasileira. Outro autor, Jacob Gorender afirma que temos que ver que a própria Lei Áurea não garantia indenização para os escravizados, mas àqueles que haviam se beneficiado pelo processo de escravização de seres humanos ao garantir-lhes indenização.

    São os elementos econômicos se expressando em ato político. Foi o que fez Ruy Barbosa (No dia 14 de dezembro de 1890, ele determinou que deveríamos queimar livros de matrícula, de controle aduaneiro e de recolhimento de tributos que envolvessem pessoas escravizadas. Documentos que estavam no ministério da Fazenda). Como mostra uma matéria publicada no jornal conservador “O Estado de S. Paulo”, de 19/12/1890, onde diz que “O Diário Oficial publicou ontem uma resolução do governo no sentido de fazer desaparecer os últimos vestígios da escravidão representados pelos diversos documentos existentes nas repartições do Ministério da Fazenda”. O que existia por trás disso era impossibilitar documentalmente a indenização do Estado aos senhores proprietários de escravizados.

    Isso significa que os ex-escravos foram abandonados pelo Estado?

    A verdade é que os escravizados, com a Abolição, não tiveram direito a indenização, nem a terra e nem a educação ou qualquer outro benefício social da suposta liberdade. Digo suposta, porque entendo a liberdade como exercício da cidadania. E não a liberdade de morrer de fome, de não ter saúde e educação, de não ter onde morar. Foi isso o que aconteceu com os escravizados.

    De qualquer forma, a Abolição não foi uma simples concessão do sistema não é?

    Sim. Já existia uma pressão nas senzalas e grandes quilombos se formavam pelo Brasil. Os escravocratas já tinham notícia do que ocorreu no Haiti. E temiam que aqui ocorresse o mesmo. A população negra já era maior que a população branca. A Abolição veio para desfazer essa tensão, essa panela de pressão, mas não resolveu o problema do negro. Objetivamente, não houve contrapartida do Estado brasileiro. Nos soltaram à própria sorte.Certamente a luta dos escravos foi intensa para a superação do escravagismo, mas houve conciliação das elites nacionais e internacionais para impedir maiores progressos.

    Quais as consequências dessa Abolição na vida da população negra atualmente?

    A desigualdade social que submete o povo negro após a Abolição é a prova maior que a dívida histórica não foi paga. Basta ver os indicadores sociais e onde está o negro na pirâmide social; nos dados estatísticos sobre educação, saúde, moradia e a qualidade de emprego, que dignamente exerce, estão sempre nas extremidades de baixo.

    As marcas da escravidão ainda estão presentes. As consequências são, por exemplo, ser o maior número da população carcerária, ser aqueles que ganham menos na escala salarial e o menor número de professores universitários, para citar alguns casos. Fomos excluídos e substituídos por trabalhadores europeus quando a mão de obra livre se tornou predominante.

    Isso teve grande impulso com a Abolição. Tudo isso foi reforçando a desigualdade histórica e ainda há resistência a essa reparação. O governo Lula foi fundamental em lançar um olhar diferenciado para saldar essa dívida histórica e teve continuidade no governo Dilma.

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    Então a Abolição tirou os escravizados da senzala e os jogou na rua?

    Como disse anteriormente, essa liberdade foi relativa. Liberdade para sofrer a exclusão social e se tornar um sujeito de segunda classe em uma país que insiste em não pagar a sua dívida histórica. Tivemos avanços, mas que estão constantemente ameaçados pelo conservadorismo que utiliza artifícios retóricos para negar a dívida histórica com a população negra.

    É correto dizer que nada mudou?

    Não. A grande mudança que tenho visto é a crescente autodenominação da população ao identificar-se como negra. Isso ganhou força com as políticas de cotas. Não percebo como oportunismo, como tem sido acusado por alguns setores que fazem oposição às políticas de ação afirmativa.

    A atuação do movimento negro valoriza a luta antirracista?

    Os movimentos sociais em defesa da igualdade, como a Unegro (União de Negros e Negras pela Igualdade), têm feito lutas e problematizações importantes. Tivemos a Seppir (Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial) com status de ministério em governos democráticos e populares, o que fez que o modelo fosse copiado por vários governos para empreender políticas públicas voltadas para a questão com conselhos e secretárias de estado.

    A política de cotas é face mais contundente desse processo. Levou negros para as universidades e para os empregos públicos. Isso permitirá a formação de uma classe média negra e, quiçá, politizada. Como isso é percebido pelos defensores da meritocracia (que de mérito não tem nada), eles reagem para se perpetuarem nos espaços sociais e econômicos em condições privilegiadas em detrimento dos negros que têm o seu ponto de partida na escala social bem mais atrás.

    Tem gente defendendo que os negros aceitavam passivamente a escravidão, isso é verdade? Quais os níveis de resistência?

    Nas últimas eleições, teve um candidato que disse que não tinha dívida histórica com o povo negro, pois nunca escravizou ninguém. E sugeriu que os negros entraram nos navios negreiros quase que voluntariamente, um absurdo. Isso demonstra como o conservadorismo compreende a processo de Abolição da escravidão. Que não há dívida histórica, que não precisa de cotas. É por esse caminho que o discurso conservador tenta justificar o seu contraponto às políticas afirmativas. Ou seja, são, contra as políticas que buscam reparar essa dívida. O escravagismo ainda não foi superado pelas elites.

    A escravidão não foi uma situação passiva, muito ao contrário. Ela foi violenta. Ser colocado no porão de um navio e atravessar o Atlântico em condições insalubres é um ato passivo? Voluntário?

    Essa retórica visa justificar o racismo?

    Esse discurso visa justificar o não compromisso com direitos humanos fundamentais e reverter os avanços que houveram. É a luta pela conservação dos espaços e impor sua hegemonia nos espaços historicamente ocupados pela elite econômica e política que tinham as universidades e empregos públicos de maior projeção econômica como deles.

    As Caravanas, de Chico Buarque 

    É importante compreender a diáspora negra para avançar na luta antirracista?

    Sim, sem dúvida. A diáspora negra representa o apartamento violento de toda uma coletividade e toda uma cultura para o outro lado do Atlântico para, de homens e mulheres livres, à condição de escravos. Mesmo aqueles que eram prisioneiros de guerras intertribais, de nações africanas não poderiam ter um destino tão vil. Isso muito foi incentivado e oportunizado pelas potências imperiais que viam no mercado negreiro uma grande fonte de lucros.

    Não se pode esquecer o contexto da diáspora negra. A luta antirracista é a busca de direitos para que a igualdade social seja de fato exercida e praticada. O Brasil é uma país desigual, mas a desigualdade mais contundente ocorre com os negros e todos aqueles que não se enquadram na perspectiva do biótipo branco de cor de pele. Os asiáticos, por exemplo, parecem ter melhor sorte que nós. Os negros são estigmatizados até hoje por sua cor. A luta antirracista é cavar o espaço social que merecemos.

    Por que a elite menospreza a influência africana na formação da nação?

    Temos que lembrar que desde a colonização, a proposta era catequizar o índio e apartá-lo das suas crenças originais. Já começa nas religiões para impor  a cultura do dominador. O Deus cristão era o único verdadeiro e subjugava todos os outros. Foi esse mesmo Deus cristão que foi utilizado para definir que as religiões africanas eram pagãs e que precisavam ser cristianizadas. A escravização era uma forma de depuração desse paganismo demoníaco sob essa ética da igreja.

    Mas a resistência se fez forte e inteligente.

    O sincretismo religioso foi a forma encontrada pelos negros em manter sua religião encapsulada pelos santos católicos. O candomblé e a umbanda resistiram nesse contexto de hegemonia do cristianismo. As religiões de matrizes africanas sobreviveram a todas as perseguições possíveis e sobreviveram. Somente com o a emenda na Constituição de 1946, o então deputado Jorge Amado, conseguiu inserir a liberdade religiosa no nosso marco legal.

    Isso não fez, necessariamente, com que as discriminações das religiões de matriz africana cessassem.

    Com o golpe de 2016, as religiões de matriz africana passaram a ser perseguidas com mais agressividade. Isso faz parte da implantação de um projeto autoritário?

    Há uma disputa por esse espaço religioso como um projeto de poder. Boa parte do povo deposita sua fé nos orixás e nos caboclos, entre outras variações que não saberia enumerar aqui. Mas o mercado da fé, atualmente, tem como alvo preferencial as religiões de matriz africana tentando impor um só Deus dentro das tradições judaico-cristã.

    A resistência cultural continua. Ela está presente na formação social do povo. Hoje, não só negros devotam sua fé às divindades de matriz africana, mas um amplo espectro social. Isso foge do controle. Essas pessoas têm mais autonomia sobre suas posições políticas, pois compõem um núcleo de resistência cultural que se espraia na música, na dança, nas comidas e nas relações sociais do nosso povo.

    algemas negros libertacao escravos

    Que perspectivas vê com o acesso ao poder da extrema direita?

    Os setores mais reacionários se apegam à tese da meritocracia para enganar o nosso povo negro. Falam isso como se o nosso ponto de partida histórico fosse igual ao deles. Para combater essa tese e o racismo institucional, temos muito a avançar. Porque sem desenvolvimento social e econômico, as contradições históricas vigentes tendem a se aprofundar e a vida dos menos privilegiados pode piorar e muito com aumento da concentração de renda e nenhuma contrapartida para proporcionar chances iguais no mercado de trabalho e na vida.

    Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB

     

  • Para dirigente da CTB, reforma trabalhista destroça a saúde da classe trabalhadora

    A Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil, seção Distrito Federal (CTB-DF) participou nesta quarta-feira (28) do Fórum Intersindical do DF, na sede do Sindicato dos Professores (Sinpro).

    Paulo Vinicius Santos da Silva, o PV, secretário das Relações do Trabalho da CTB, representou a central. Ele conta que a temática geral do evento se referiu á integração do movimento sindical para defender a saúde das trabalhadoras e dos trabalhadores.

    “Os debates ocorreram para aumentar a articulação intersindical em defesa da saúde da classe trabalhadora”, afirma PV. Principalmente por causa dos efeitos nefastos da reforma trabalhista sobre a vida das pessoas.

    “A deforma trabalhista destroça as garantias de quem trabalha e expõe a todas e todos a uma série de riscos causados pelo ritmo de trabalho e pela jornada exaustiva a que as pessoas estão expostas com essa nova realidade”, garante.

    De acordo como sindicalista, também foi discutido o problema das lesões e de como elas podem ser ressarcidas com a reforma trabalhista. “As indenizações serão pagas segundo a faixa salarial e não pelo dano efetivamente sofrido pelas pessoas”.

    PV e Rodrigo Britto, presidente da CUT-Brasília falaram na abertura do evento que foi seguido de palestras sobre as causas e consequências da LER/Dort, já que 28 de fevereiro é o Dia Mundial de Combate à LER/Dort.

    forum intersindical df

    Os diversos representantes sindicais presentes, mostraram-se preocupados com essa situação. “Todos esses problemas estão levando a progressivas articulações do movimento sindical cobrando dos poderes públicos as devidas fiscalizações para sanar problemas de insalubridade, de abuso nos locais de trabalho, garantindo uma proteção maior a quem trabalha”, reforça PV.

    Representando do Sinpro-DF, falou Manuel Filho, secretário de Saúde do Trabalhador do sindicato. Para ele, a unidade do movimento sindical é essencial para barrar os retrocessos do desgoverno Temer. "Defender a saúde da classe trabalhadora é essencial para podermos nos organizar e resisitir a esse governo ultra-liberal que quer acabar com nossas conquistas e ainda pretende acabar com a saúde pública", diz.

    Além dos sindicalistas, participaram representantes do Fórum Intersindical do DF, representante do Ministério da Saúde, da Secretaria da Saúde do DF, do Fórum Intersindical, do Sinpro-DF e representantes de servidores públicos federais e municipais. Também participou do Fórum, o jurista Charles Lustosa Silvestre, procurador do Ministério Público do Trabalho.

    Marcos Aurélio Ruy e Ruth de Souza (de Brasília) - Portal CTB 

    Foto: Guina  Ferraz - Seeb - Brasília 

  • Professores comemoram os 40 anos de existência do Sinpro-DF e aprovam calendário de lutas em assembleia

    Por Robson Camara

    Com a presença de milhares de professores (as) e Orientadores (as) educacionais, em assembleia geral, nesta quinta-feira (14), dia em que o Sinpro-DF completa 40 anos de existência, foi aprovado um calendário de lutas para 2019. A perspectiva de retrocessos no campo da educação mobilizou a categoria para enfrentar propostas regressivas na educação.

    Entre os pontos aprovados estão a instauração de um estado permanente de mobilização contra a reforma da Previdência (PEC 6/2019) de Bolsonaro, e a luta contra o projeto de militarização das escolas, que representa uma verdadeira ameaça à gestão democrática.

    Já no âmbito distrital, ficou definido que o embate é pelo cumprimento da Meta 17 do Plano Distrital de Educação (PDE), que trata da valorização do magistério, por meio da isonomia salarial em relação à média dos vencimentos das demais carreiras de servidores(as) públicos do GDF.

    Sobre essa reivindicação, já teve um apontamento inicial. Um Suplemento do Diário Oficial dessa quarta-feira (13), trouxe a criação do Grupo de Trabalho (GT) dentro do GDF que vai estudar formas de implementar a Meta 17 do Plano Distrital de Educação. Agora, o GT tem até 90 dias para apresentar uma proposta. A CTB conta com uma representante no GT, o que é importante para construir a unicidade na pluralidade, uma vez que se trata de um sindicato filiado à CUT.

    A pauta de negociação da categoria com o governo do Distrito Federal também inclui a nomeação de mais orientadores(as) educacionais e professores(as), plano de saúde, pagamento da pecúnia para os(as) servidores(as) aposentados(as) e uma vasta lista de reivindicações, com mais de 100 itens, que vão desde a construção e reforma de escolas até a redução de estudantes por turma.

    Ficou deliberado que o Sinpro comporá com outros sindicatos um fórum em defesa da previdência em articulação com outras centrais incluindo aí a CTB, que também compõe a diretoria atual do Sinpro-DF. As intervenções dos cetebistas Jairo Mendonça e Berenice Darc reforçam isso. É necessário enfrentar as ações anti-sindicais perpetrada pela Medida Provisória 873.