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Qua, Jun

Cuba

  • José Angel Portal Miranda, ministro da Saúde Pública de Cuba, foi enfático e ao mesmo tempo didático ao rebater argumentos do presidente eleito, Jair Bolsonaro, sobre a destinação dos recursos extraídos do programa Mais Médico. O líder da extrema direita destilou ódio anticomunista contra o país socialista, que em resposta deixou de participar do programa criado pelo governo de Dilma Rousseff para atender as demandas provenientes dos municípios mais pobres e carentes, locais para os quais a maioria dos profissionais da saúde formados no Brasil infelizmente não quer se deslocar para trabalhar.

    Falando ao site Cubadebate, ele observou que Cuba tomou uma decisão “dolorosa, mas necessária” ao encerrar sua participação no programa Mais Médicos do Brasil. A revista Fórum publicou a íntegra da entrevista, que o Portal CTB também reproduz mais abaixo.

    "O dinheiro que chega a Cuba como parte da cooperação médica com o Brasil contribui para financiar os serviços sociais de 11 milhões de cubanos, incluindo os parentes dos médicos no exterior. O dinheiro não vai para a conta pessoal de ninguém nem serve interesses individuais. Enquanto alguns usam dinheiro público para salvar bancos, Cuba salva vidas", disse José Angel Portal Miranda.

    Segundo ele, Cuba não buscou a situação atual, mas agiu “em defesa da dignidade profissional e humana de nossos colaboradores e de sua segurança”.

    Para Miranda, Jair Bolsonaro manteve uma postura agressiva contra o Mais Médicos e a participação de Cuba, desde a sua criação em 2013. Uma vez eleito presidente, referiu-se de forma direta, depreciativa e ameaçadora à presença dos médicos cubanos, reiterando que iria modificar os termos e condições do programa.

    Diante desse cenário, o Ministério da Saúde Pública de Cuba (MINSAP) decidiu encerrar sua participação no programa Mais Médicos, pelo qual mais de 20 mil profissionais de saúde cubanos atenderam milhões de brasileiros em áreas pobres e geograficamente remotas. Leia a seguir a entrevista.

    Que elementos foram levados em conta para concluir a participação cubana no Mais Médicos? O que responderia àqueles que consideram que talvez houve precipitação?

    Nada do que foi feito até este momento é precipitado. Entendemos perfeitamente que a decisão tem impacto no povo brasileiro. Ao contrário de outros, sempre consideramos o atendimento de saúde como uma questão de máxima prioridade, além de qualquer consideração de natureza política.

    Tomamos uma decisão dolorosa, mas necessária, em defesa da dignidade profissional e humana de nossos colaboradores e de sua segurança. Durante meses viemos acompanhando os pronunciamentos ameaçadores e provocativos do presidente eleito, que ratificou no dia seguinte à confirmação de sua eleição.

    Até que ponto se chegou a uma situação limite no Brasil?

    Levamos tempo suficiente para confirmar que o presidente eleito estava disposto a afetar o atendimento de saúde de cerca de 30 milhões de brasileiros, tudo isso para realizar um jogo político do qual é impossível entender quanto beneficiará seu país.

    Não é que Cuba possa ter diferenças políticas ou ideológicas com um determinado governo. A prática das últimas décadas inclui inúmeros exemplos de como nosso país colocou a saúde de um povo acima da política. Em 2009, durante o golpe de Estado em Honduras contra o presidente Manuel Zelaya, cerca de 400 médicos cubanos permaneceram naquele país em condições muito difíceis, assumindo riscos pessoais e sem qualquer tipo de garantia econômica. Os elementos de raciocínio que prevaleceram então foram o impacto social que sua retirada teria para o povo hondurenho e que o governo golpista nunca assumiu uma postura agressiva ou questionou a colaboração cubana. Cuba não faz política com a saúde de nenhum povo.

    Mas o que não pode ser permitido em qualquer caso, o que é doloroso no Brasil, é que o reconhecido prestígio da escola de saúde cubana seja posto em questão. Tampouco podem ser toleradas as ofertas maliciosas e tendenciosas que têm como fim que os colaboradores abandonem sua missão. Muito menos vamos admitir as ofensas à sua integridade moral, ou o menor risco para suas vidas.

    É a primeira vez em 55 anos de colaboração, tempo em que mais de 600 mil cubanos ofereceram seus serviços em mais de 160 países, que nos deparamos com uma situação destas. Nós não a procuramos.

    Bolsonaro até qualificou os médicos cubanos de “escravos”…

    Nossos médicos não são formados na escola do ‘salve-se quem puder’, tal como acontece no neoliberalismo. Após o golpe de Estado, os gastos sociais foram congelados no Brasil por 20 anos, mas Cuba destina mais de 25% do orçamento do Estado para despesas de saúde e previdência social. Nosso projeto social é baseado na solidariedade e na justiça, daí o apoio que recebemos do mundo.

    O dinheiro que chega a Cuba como parte da cooperação médica com o Brasil contribui para financiar os serviços sociais de 11 milhões de cubanos, incluindo os parentes dos médicos no exterior. O dinheiro não vai para a conta pessoal de ninguém nem serve interesses individuais. Enquanto alguns usam dinheiro público para salvar bancos, Cuba salva vidas.

    É pelo menos suspeito que o presidente eleito se importe tanto com o bem-estar dos médicos cubanos e suas famílias, mas não comente acerca das dezenas de milhares de profissionais brasileiros que não possuem um grau reconhecido para praticar medicina. Em cada 100 profissionais que se submetem a exames, a Associação Médica Brasileira aprova apenas oito, para regular aquilo que ela considera um mercado de saúde. Menos preocupação ainda mostra o presidente eleito pelos mais de 30 milhões de brasileiros que ficarão sem atendimento médico em 2019. Por acaso esses brasileiros não têm direitos humanos?

    Da única coisa que os médicos cubanos são escravos é do amor ao ser humano e da solidariedade com os que mais precisam. E isso pode ser testemunhado por qualquer pessoa no mundo que tenha sido servida por eles.

    Que medidas concretas são tomadas para proteger os médicos?

    Como é tradição em nossa Revolução, ninguém será abandonado ou perderá a atenção e a companhia. O governo cubano criou um grupo de trabalho intersetorial que analisa cada passo e cada medida, todos os dias. Em coordenação com a nossa Missão Estatal no Brasil, incluindo nossa Brigada Médica, prevemos um retorno rápido e ordenado do pessoal médico, com todas as garantias para os colaboradores e sua segurança.

    Uma parte de nossos médicos são residentes permanentes no Brasil, com famílias brasileiras incorporadas. Também não vamos deixá-los ao seu destino e eles sempre poderão contar com o apoio e as garantias de Cuba.

    Que opções terão os mais de oito mil profissionais de saúde cubanos que retornam do Brasil?

    Em primeiro lugar, eles têm o direito de retornar aos seus empregos em Cuba, em condições semelhantes às que tinham antes de partir. Aqueles que preferirem também terão a possibilidade de prestar seus serviços de solidariedade em outras nações que o exijam.

    Cuba recebe constantemente pedidos de serviços de saúde de vários países, não apenas da América Latina e do Caribe. A formação de um médico pode levar décadas e nem todas as nações são capazes de alcançá-la, pelo qual o modelo cubano serviu para levar cuidados de saúde a milhões de pessoas no mundo, em um formato de cooperação Sul-Sul, mais do que testado na prática e que constitui a principal contribuição de Cuba para o acesso universal à saúde.

    E eu não estou falando de qualquer um modelo de atendimento de saúde, mas de um baseado no humanismo e que esteja disposto a ir aos lugares mais complexos, onde até os profissionais locais evitam ir. Essa é a escola de medicina cubana, que tem reconhecido prestígio internacional, baseada na qualidade de seus professores, no alto nível científico, no intercâmbio permanente com as práticas mais avançadas em nível internacional e em uma constante melhoria.

    E se houver alguma dúvida sobre sua qualidade, eis os indicadores de saúde de nosso país, que concorrem com os dos países do Primeiro Mundo, para esclarecer qualquer dúvida.

    Compartilhamos esses mesmos valores com as dezenas de milhares de profissionais de saúde estrangeiros formados em Cuba. Daí também o reconhecimento que conquistamos de organizações internacionais como a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS).

    Qual é o saldo destes cinco anos de Mais Médicos?

    Os povos de Cuba e do Brasil sempre vão se sentir orgulhosos da façanha feita durante cinco anos por quase 20 mil colaboradores da saúde que fizeram parte do Programa Mais Médicos, iniciado pelo governo do Partido dos Trabalhadores para melhorar a cobertura de saúde nas áreas mais pobres do país.

    Nossos profissionais realizaram mais de 100 milhões de consultas e mudaram a história do Brasil. Os habitantes de cerca de 700 municípios desse gigantesco país sul-americano viram pela primeira vez um médico com a chegada dos cubanos. Esses médicos modificaram os indicadores de saúde daquele país e mostraram que é possível promover a cooperação internacional Sul-Sul com o apoio e orientação da Organização Pan-Americana da Saúde.

    Como você acha que os médicos em Cuba serão recebidos?

    Devemos recebê-los como heróis, com gratidão e admiração, com os mesmos sentimentos com que o povo brasileiro se despede deles hoje.

    Esta segunda-feira, por exemplo, foi o aniversário de uma de nossas colaboradoras no Brasil, Yarima Lastres Carreras. A partir de seus comentários nas redes sociais, soubemos que ela celebrava com vários dos mais de cinco mil pacientes que atende no estado de Santa Catarina, no sul do Brasil. Ela nos disse que estará em seu trabalho até o último minuto, porque tem um compromisso com os mais pobres, em um país marcado pela desigualdade.

    ‘Quem os olhará nos olhos e os auscultará realmente tocando-os? Quem vai curar o corpo e também a alma … como nós somente sabemos fazer?’ Estas são as preocupações de Yarima e também são nossas.

    Mas ela, tal como o resto de seus colegas, voltará com a cabeça erguida, porque eles deram o melhor de si mesmos, porque são muito Mais do que Médicos.

  • O sindicalismo na América Latina e Caribe foi o tema debatido, na manhã desta terça-feira (14), no Sindicato dos Marceneiros em São Paulo, por dirigentes da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) com o representante da Central dos Trabalhadores de Cuba (CTC), Ernesto Freire.

    CTB irá realizar plenária com o sindicalista cubano Ernesto Freire, em São Paulo

    O cubano está na capital paulista esta semana para participar de um intercâmbio sindical. Para o presidente da central brasileira, Adilson Araújo, esta ação é fundamental para trocar experiências e pensar em uma estratégia comum do movimento sindical na região.

    “A integração regional é essencial para a classe trabalhadora mundial potencializar suas ações e resistir à ofensiva imperialista”, disse Araújo durante sua intervenção na mesa mediada pelo secretário de Relações Internacionais, Divanilton Pereira. 

    Freire fez uma análise sobre a atuação do movimento sindical na América Latina e Caribe e avaliou que é preciso fortalecer a unidade de ação do movimento sindical. “A única saída é a integração”, expressou o sindicalista.

    cuba marceneiros ernesto adilson
    O vice-presidente da Federação Sindical Mundial (FSM), João Batista Lemos, concorda com Freire. Ele destacou também a necessidade de renovação dos quadros sindicais para combater a onda conservadora. “Precisamos forjar novas lideranças para atuarem no movimento sindical internacional”, expressou.

    No fim da reunião, Batista falou sobre o papel do Encontro Sindical Nossa América (Esna) e como a FSM pode intervir para fortalecer os laços entre a CTB e as centrais sindicais internacionais como a CTC.

    Plenária Sindical

    Nesta quinta-feira (16), Ernesto Freire irá participar da Plenária Sindical “Conversando com Cuba”, na qual irá dialogar com os sindicalistas sobre “Cuba, atualização política e os EUA”, entre outros temas. 

    O encontro será a partir das 14 horas no auditório do Sintaema (Sindicato dos Trabalhadores em Água, Esgoto e Meio Ambiente), que fica na Avenida Tiradentes, 1323.

    Érika Ceconi - Portal CTB 

  • A Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) realizou, nesta quarta-feira (26), no auditório do Sindicato dos Trabalhadores em Água, Esgoto e Meio Ambiente (Sintaema, em São Paulo, o “Ato Político em Solidariedade a Cuba”. A atividade faz parte da Campanha Internacional da Federação Sindical Mundial (FSM) em defesa de Cuba inaugurada hoje. 

     CTB realiza ato em São Paulo contra o bloqueio econômico dos EUA a Cuba. É hoje, participe!

    Em todo o mundo, as entidades sindicais filiadas e amigas da FSM realizaram ações para denunciar o bloqueio político e econômico dos Estados Unidos e seus aliados contra a ilha caribenha e exigir a devolução do território de Guantánamo ao povo cubano.

    A data escolhida marca os 64 anos da tentativa de tomada dos quartéis Moncada (Santiago) e Carlos Manuel de Céspedes (Bayamo) por jovens liderados por Fidel Castro dando início à Revolução Cubana.

    Representantes de diversas categorias, lideranças políticas e sociais da juventude, pacifistas, mulheres, negros entre outros prestigiaram a iniciativa na capital paulista que contou com a presença do cônsul cubano Antonio Mata Salas.

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    O diplomata fez um histórico da resistência cubana durante mais de meio século de bloqueio e denunciou as recentes declarações feitas pelo presidente norte-americano Donald Trump contra Cuba.

    Em nome da CTB, o vice-presidente Nivaldo Santana destacou: “Nosso compromisso é lutar pelo internacionalismo proletário. Este ato representa nossa constante solidariedade a Cuba”, frisou o sindicalista durante sua fala no encerramento do ato.

    Na abertura do encontro, o documentarista argentino Carlos Pronzato leu uma poesia em homenagem à Guantánamo, logo após a leitura foi composta a mesa, coordenada pela dirigente da CTB, Luiza Bezerra, e integrada pelo presidente da CTB-São Paulo e do Sintaema, Rene Vicente, o secretário-geral da União Internacional dos Sindicato (UIS) Metal, Francisco Sousa, a presidenta do Conselho Mundial da Paz, Socorro Gomes e o cônsul.

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    No fim da atividade, Rene presenteou o cônsul com o cartaz oficial da Campanha Internacional de Solidariedade a Cuba da FSM. Na oportunidade, também foi exibido um filme sobre a Revolução Cubana e a resistência anti-imperialista até os dias de hoje.

    Érika Ceconi - Portal CTB

     

  • Em vídeo ao vivo, via redes sociais, o presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) afirmou nesta terça (18) que irá agir contra a Venezuela e Cuba.

    Sem apresentar provas, durante o vídeo, o presidente eleito voltou a fomentar fakenews ao afirmar que entre os integrantes do Programa Mais Médicos havia agentes cubanos.

    Crítico frequente dos dois países, discurso que piorou durante sua campanha eleitoral e fomentou ódio às duas nações irmãs, Bolsonaro afirmou "tudo o que pudermos fazer dentro da legalidade e da democracia contra esses países nós faremos".

    Durante o vídeo, ele reiterou o "desconvite" para a sua posse feito aos dirigentes da Venezuela, Nicolás Maduro, e de Cuba, Miguel Díaz-Canel. 

    Portal CTB - Com informações das agências

  • Está sendo realizado em Santos a XXIV Convenção Nacional de Solidariedade a Cuba, que compreende a programação de uma semana de atividades, iniciada na segunda (17). Nesta quarta-feira (19) ocorrerá uma reunião com estudantes, na quinta (20) será aberto um seminário na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), que debaterá vários temas relacionados principalmente à conjuntura política e econômica da América Latina e prosseguirá até o sábado (22).

    A convenção é organizada de dois em dois anos por dezenas de entidades que promovem atividades de solidariedade à Ilha Socialista. Desta vez são mais de 37 organizações de todo o país envolvidas. O evento acontece numa conjuntura marcada por uma feroz ofensiva imperialista, liderada pelos EUA, que neste momento submetem o povo cubano a um bloqueio econômico que está sendo considerado por lideranças do país como o mais sério e duro em 60 anos de revolução.

    Debater os efeitos e consequências da Revolução Cubana em setores como Saúde, Educação e Esporte é um dos objetivos da XXIV Convenção. A Associação Cultural José Martí – Baixada Santista – é a principal promotora do encontro, que vai explorar o tema “Revolução Cubana – 60 Anos: Conquistas e Desafios”. Na convenção, realizada na sede do Sindicato dos Petroleiros, na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e na associação, também serão discutidos o fim do bloqueio econômico a Cuba e a devolução da Base Militar de Guantánamo.

    Durante o fórum, analistas e autoridades cubanas debaterão inúmeros assuntos relacionados à Ilha: Solidariedade Internacionalista; Situação política da América Latina; Ofensiva imperialista; Movimentos revolucionários e progressistas da AL; Atualidade – 60 Anos da Revolução – Nova Constituição e Juventude; Ciência e Tecnologia; Educação e Saúde – Formação de uma sociedade mais justa; Gênero; Política – Bloqueio econômico e guerra midiática.

    Convidados

    Para debater estes e outros temas foram convidadas as cubanas Yenisey Cruz Carreno, deputada da Assembleia Nacional do poder popular e segunda secretária da Juventude Comunista Cubana; Naomi Rabaza, vice-presidente do Instituto Cubano de Amizades entre os Povos (ICAP); e Yarisledis Medina, também do ICAP.

    Participarão, ainda, os diplomatas Pedro Monzon Baratá, cônsul-geral de Cuba; Antônio Mata, cônsul cubano de imprensa; e Rolando Gomez Gonzáles, embaixador de Cuba no Brasil. O venezuelano Yhonny Gárcia Calles, coordenador do Movimento de Amizade e Solidariedade a Cuba da Venezuela, é outro integrante das mesas de debates.

    Além dos convidados internacionais, estarão presentes a historiadora Anita Leocádia Prestes e os professores doutores Angélica Lovatto e Nildo Ouriques.

    Atividades culturais

    As mesas de debates não serão as únicas atrações da Convenção Nacional de Solidariedade a Cuba. Estão programadas atividades culturais, com shows musicais de artistas cubanos e brasileiros, livraria e a II Feira da Reforma Agrária da Baixada Santista.

    Visita à CTB

    Nesta terça-feira (18) o cônsul geral de Cuba, embaixador Pedro Monzón, visitou a sede nacional da CTB, onde se reuniu com dirigentes da Central, que em nome da classe trabalhadora brasileira manifestaram irrestrita solidariedade ao país e à revolução, que neste momento enfrentam um cerco econômico inédito imposto pelo governo Trump. Também estiveram presentes a vice-presidente do Instituto Cubano de Amizade com os Povos, Noemi R. Rabaze Fernández, e o diplomata Antonio Mata Salas.

    O cerco a Cuba não é um acontecimento isolado no continente, é parte do contra ataque do império contra os governos democráticos e progressistas da região, que estava a caminho de um novo arranjo político com a criação da Unasul e da Celac, mas no momento está às voltas com os ventos do retrocesso. As agressões contra a Ilha Socialista tem forte parentesco com o golpe de 2016 no Brasil, a guerra econômica e midiática contra a Venezuela, a prisão de Lula, a eleição de Bolsonaro e outros acontecimentos do gênero.

  • Há 60 anos, em Ao 1º de janeiro de 1959, o ditador Fulgencio Batista abandonava a ilha de Cuba e confirma a vitória da resistência revolucionário liderada por Fidel Castro. Consolidava-se assim a Revolução Cubana.

    Em homenagem à luta dos companheiros e companheiras cubanos, a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e o Centro Nacional de Estudos Sindicais e do Trabalho (CES) realizam, nesta quinta (24), ato que marca os 60 anos da Revolução Cubana.

    O evento, que tem presença confirmada da consulesa de Cuba, Nelida Hernández Carmona, acontece às 18h30, no Sindicato dos Eletricitários de São Paulo, localizado na Rua Thomaz Gonzaga, 50, Bairro Liberdade, na capital paulista.

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    Solidariedade

    Ainda nesta semana, no dia 26 de janeiro, a CTB e o CES convocam todos e todas para "Vigília em Solidariedade a Cuba", no Consulado de Cuba, localizado na Rua Cardoso de Almeida, 2115, Sumaré, São Paulo. A direção da CTB informa que a concentração acontece a partir das 11h.

    Serviço:

    Dia 24 de janeiro

    60 anos da Revolução Cubana
    A partir das 18h, no Sindicato dos Eletricitários de São Paulo (Rua Thomaz Gonzaga, 50 - Liberdade/SP)}
    Mais informações, Secretária Internacional da CTB: (11) 3874-0040

    Dia 26 de janeiro
    Vigília em Solidariedade a Cuba
    A partir das 11h, no Consulado de Cuba ( Rua Cardoso de Almeida, 2115 - Sumaré/SP)
    Mais informações, Secretária Internacional da CTB: (11) 3874-0040
     
    Portal CTB
  • Na última terça-feira (2), a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), participou, por meio do seu secretário de Relações Internacionais e membro da Federação Sindical Mundial (FSM), Divanilton Pereira, de um encontro de solidariedade a Cuba ocorrido na capital Havana. 

    Trabalhadores e trabalhadoras celebram 1º de maio em todo o mundo

    Mais de mil pessoas oriundas de 86 países representando 349 entidades sindicais participaram do evento. A atividade, que ocorre após o 1º de maio há muitos anos, contou com um painel no qual a CTB, juntamente com um representante da Venezuela, Argentina e Cuba abordaram a situação em seus países.

    Em sua exposição, Divanilton Pereira, denunciou o golpe no Brasil e as reformas que o governo ilegítimo liderado por Michel Temer está implementando que atentam contra os interesses da classe trabalhadora

    Durante o evento, a Central dos Trabalhadores de Cuba (CTC) condecorou com medalha honorária o secretário-geral e o vice-presidente da FSM, George Mavrikos e Valentin Pacho, respectivamente, por sua ação e contribuição com o movimento sindical internacional.

    Leia abaixo a íntegra da exposição:

    Primeiro, agradeço o convite da Central de Trabalhadores de Cuba, CTC, pela honra de poder participar da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil, CTB, filiada a Federação Sindical Mundial, dessa importante manifestação política de solidariedade internacional.

    Dessa vez a solidariedade mundial amplia-se, pois, este ano não contamos com a presença física de um dos maiores líderes da contemporaneidade: Fidel Castro Ruz. Contudo, a extraordinária marcha de ontem, 1º de maio, comprova que a vida e a luta seguem.

    Segundo, parabenizo essa iniciativa de fomentar a investigação e as reflexões necessárias sobre o recente ciclo político vivido pela América Latina e o Caribe. Esse intercâmbio entre as nossas experiências concretas nos fortalece.
    Ano passado, nesse mesmo palácio, já tratávamos sobre esse assunto e coube a mim abordar a situação brasileira e hoje, um ano após o golpe, apresentarei as consequências que o nosso povo, sobretudo, a classe trabalhadora, está passando.

    Antes, porém, lembro-lhes que em abril do ano passado a Câmara dos Deputados aprovou a admissibilidade do afastamento da presidenta Dilma Rousseff e em agosto, o Supremo Tribunal Federal, tentando dá ares de legalidade, participou da sessão no Senado Federal que afastou definitivamente uma presidenta sem nenhum crime de responsabilidade, uma exigência prevista na Constituição brasileira. Consagrou-se assim, o golpe parlamentar-judiciário-midiático no Brasil.

    Permitam-me reforçar dois fatores, entre os vários aqui já apresentados, que contribuíram para que o Brasil- como também todos os países que integram o ciclo progressista da América Latina e o Caribe - estão sendo afetados – sofresse esse golpe.

    Dentro de um contexto no qual o desenvolvimento desigual das nações amplia-se, o Brasil alterou suas relações entre os atores que disputam a geopolítica atual. A China e mais recentemente a Rússia lideram um novo protagonismo e o Brasil que integra o BRICS, vinha fortalecendo esse novo polo.

    Soma-se a isso, os esforços empreendidos pela integração regional como a ALBA, CELAC e UNASUL. Em minha opinião, essas diretrizes contrariam o império americano e seus aliados, que apesar deles não assumirem, são questões centrais que os fazem atacarem esses processos soberanos.

    Para isso, sofisticou suas ações e articulado com as elites nacionais, patrocina ou age diretamente com desestabilizações políticas e o terrorismo econômico, sendo os meios de comunicação de massa o instrumento conspiratório maior

    Atualmente, com a perda eleitoral na Argentina, a instabilidade na Venezuela e o golpe no Brasil a nossa região vive uma inclinação política desfavorável.

    Sobre esse tema, entre nós, sobretudo no caso brasileiro, a maioria das análises destaca mais a ação e a força de nossos adversários. Porém, hoje cito fatores que, em minha opinião, afetaram as limitações do projeto político no Brasil:

    Os efeitos da crise capitalista, as limitações de perspectiva estratégica, a subestimação da questão nacional, a ilusão de classe, o voluntarismo econômico, o hegemonismo político e uma unidade insuficiente, inclusive no movimento sindical. São itens que deixo para uma investigação posterior e mais aprofundada. Contudo, quero aqui reafirmar que foram os êxitos desse período que motivaram a sua interrupção.

    Deferido o golpe, o ilegítimo presidente Michel Temer imediatamente tratou de pagar a conta com os seus patrocinadores.

    Constituiu um Ministério corruptos – 5 Ministros já foram afastados e tantos outros estão sendo investigados – e alijou da sua composição as mulheres e os negros.

    Retornou a política externa aos ditames dos Estados Unidos.

    Na questão nacional, alterou a legislação do petróleo para entregar as reservas do pré-sal, acelera a privatização da Petrobras – uma das maiores empresas de petróleo do mundo - e modificou uma política que preservava as empresas brasileiras. Essas medidas já produziram milhares e milhares de demissões nesse estratégico setor.

    Está diminuindo o papel dos bancos públicos e particularmente o BNDES – um dos maios bancos de fomento do mundo – está sendo desviado para financiar as privatizações e não o desenvolvimento nacional e regional.

    No plano econômico, seguindo as diretrizes da banca financeira, está impondo uma recessão que já provocou o recorde de mais de 14 milhões de desempregados no país.

    Nas questões sociais, retirou da constituição um dispositivo que garantia o financiamento público obrigatório, sobretudo à saúde e à educação e o substituiu por outro que congela em valores por 20 anos.

    No conservador Parlamento brasileiro, apresentou um conjunto de reformas que pode impor à classe trabalhadoras condições de trabalho de séculos atrás:

    Já foram aprovadas a da terceirização sem limites e semana passada, a trabalhista – esta ainda seguirá para o Senado Federal – que poderá estabelecer a escravidão assalariada no país. Seu conteúdo também enfraquece a justiça do trabalho e inviabiliza o funcionamento das entidades sindicais.

    Já a previdenciária – que tramita com Congresso Nacional - além de entregar esse importante setor à iniciativa privada, inviabiliza as condições racionais para obtenção das aposentadorias, atingindo fortemente as mulheres e os trabalhadores rurais, dentre outros segmentos.

    No campo político, mesmo com o sistema eleitoral brasileiro esgotado, está em curso restrições que inviabilizam a vida parlamentar de partidos ideológicos como o PCdoB e o PSOL.

    Portanto, essa é agenda do golpe. Uma ofensiva ultraliberal sem precedentes em nossa história.

    Hoje, diante dessas propostas governamentais, desperta-se até mesmo entre os anteriores apoiadores, uma rejeição ao Governo: Apenas 9% aprovam o presidente Michel Temer.

    O movimento democrático, social e sindical realizou importantes mobilizações no país, como as dos dias 08, 15 e 31 de março último.

    Esse acúmulo permitiu que a centrais sindicais convocassem, para o dia 28 de abril último, uma Greve Geral contra as reformas, em particular a previdenciária.

    Neste dia realizou-se a maior greve geral dos últimos tempos. 40 milhões, entre homens e mulheres, participaram dessa paralisação. A classe trabalhadora, que em grande medida ficou indiferente ao processo golpista, retomou seu protagonismo político. Apoios importantes da intelectualidade, juristas do trabalho e das igrejas deram a amplitude necessária para o êxito dessa jornada.

    Sua dimensão política pode significar uma inflexão na conjuntura do país e criar as condições para derrotarmos essas reformas liberais.

    Contudo, a luta continua, pois, o desfecho da luta política brasileira ainda é de grande imprevisibilidade.

    A operação Lava Jato, supostamente feita para combater a corrupção, desvirtuou-se, derrubou uma presidenta e faz uma caçada brutal para evitar a candidatura de Lula em 2018 – atualmente líder nas pesquisas de opinião pública. Hoje, seus ideólogos, com o objetivo maior alcançado, tentam pará-la, pois seus dirigentes foram atingidos.

    Para isso, haveremos de buscar inspirações no legado da grande revolução centenária russa e no nosso eterno comandante Fidel Castro.

    Em nome da CTB registro mais uma vez a nossa solidariedade com o povo cubano, exigindo a imediata suspensão do bloqueio norte-americano, além de reiteramos apoio ao processo da atualização econômica do socialismo no país. Nessa mesma direção, nos manifestamos com o total apoio a revolução bolivariana na Venezuela.

    Viva a integração latino-americana e caribenha!
    Fidel Castro vive!
    Venceremos!

    Muito obrigado!

    Divanilton Pereira é secretário de Relações Internacionais da CTB e secretário-geral adjunto da Federação Sindical Mundial

    *Matéria alterada 05/04 às 12h para acréscimo de informação

  • A Federação Sindical Mundial (FSM) iniciará, na próxima quarta-feira (26), uma Campanha Internacional em Solidariedade a Cuba para denunciar o bloqueio político e econômico contra a ilha caribenha - que completou 55 anos – e exigir a devolução do território de Guantánamo.

    Entidades sindicais organizam atos no Brasil para denunciar bloqueio econômico dos EUA a Cuba

    A iniciativa vem de encontro com as recentes declarações do presidente norte-americano, Donald Trump, que anunciou o cancelamento da política de aproximação entre os dois países e afirmou que vai reforçar o bloqueio.

    Atendendo ao chamado da entidade sindical mundial, a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) promoverá um ato político em São Paulo que contará com a participação do cônsul-geral de cuba na capital paulista, Antonio Mata.

    Dia da Rebeldia Nacional

    A data escolhida para inaugurar a campanha da FSM é celebrada em Cuba como o “Dia da Rebeldia Nacional”. Em 1953, daquele 26 de julho, sob a liderança de Fidel Castro, jovens atacaram os quartéis de Moncada, em Santiago e Carlos Manuel de Céspedes, em Bayamo, marcando o início da Revolução Cubana.

    Para o secretário de Relações Internacionais da CTB e secretário-geral adjunto Federação Sindical Mundial, Divanilton Pereira, esta campanha de solidariedade é estratégica para reforçar a integração regional contra as ameaças imperialistas.

    “Hoje, denunciar e exigir o imediato fim do bloqueio político-econômico contra Cuba e a devolução da base de Guantánamo ao seu povo é uma jornada extraterritorial, pois faz parte das lutas nacionais, integracionistas e libertárias da América Latina e Caribe”, expressou o sindicalista, que participará da ação em Atenas, Grécia.

    Entidades sindicais filiadas e amigas da FSM em todo o mundo realização atividades denunciando as ações dos Estados Unidos e seus aliados contra a ilha caribenha.

    Em São Paulo, a CTB promoverá um Ato Político em Solidariedade a Cuba, que será no auditório do Sintaema (Sindicato dos Trabalhadores em Água, Esgoto e Meio Ambiente) localizado na Avenida Tiradentes, 1323 - próximo à estação Armênia do metrô a partir das 14 horas.

    Serviço:

    Ato Político em Solidariedade a Cuba
    Quando: 26/07 – Quarta-feira
    Onde: Sintaema (Avenida Tiradentes, 1323 – Ponte Pequena – SP)
    Horário: 14h00

    Érika Ceconi - Portal CTB 

  • Quatro dias após o ato de vandalismo propagado pelo integrante do Movimento Brasil Livre (MBL), Fernando Holiday, que tentou tumultuar uma sessão solene na Câmara Municipal de São Paulo em homenagem aos 90 anos de Fidel Castro, um grupo tentou invadir o gabinete do vereador Jamil Murad (PCdoB), na última terça-feira (23). 

    Cerca de 15 pessoas se dirigiram à sala de Murad aos gritos: “fora, Murad”, “fora, comunistas”, “fora Lula e Dilma” e tentaram agredi-lo fisicamente. O grupo teve que ser contido pela segurança do local.

    Para o secretário de Relações Internacionais da CTB, Divanilton Pereira, que participou na organização da sessão solene, “essa atitude exprime intolerância e preconceito típicos deste novo ambiente político conservador nacional”, frisou o sindicalista.

    Jamil Murad mediou a homenagem que contou com a presença da cônsul de Cuba, Nélida Hernández Carmona, do teólogo Frei Betto e de lideranças políticas e do movimento social. No começo do evento, Holiday, que é candidato a vereador pelo partido Democratas, tentou arrancar o banner e agrediu verbalmente os participantes ele foi levado para a delegacia para prestar depoimento.

    jamil murad camara sãopaulo

    Para Murad, os dois episódios estão interligados. Segundo ele, o ocorrido nesta terça teria sido uma retaliação à homenagem a Fidel, "um líder que tirou o povo do analfabetismo e enfrentou o imperialismo".

    Na opinião do dirigente da CTB, este ataque contra Fidel Castro “revela que o líder da Revolução Cubana está ao lado dos valores democráticos e solidários”, declarou. Ele também condenou a agressão contra o vereador. Murad  classificou como "fascista"a onda de intolerância que ronda o país, em um momento de investida contra a democracia. "Mas eles não vão nos calar, nem nos intimidar", disse.

    O integrante da Frente Povo Sem Medo, Guilherme Boulos, em ato contra o golpe na noite da última terça, também repudiou o ataque contra o Murad. 

    Érika Ceconi - Portal CTB 

  • Cuba conclamou a comunidade internacional nesta quarta-feira (27) a contribuir na construção de uma nova ordem mundial baseado na solidariedade humana e na Justiça, em que o diálogo e a cooperação prevaleçam na solução dos conflitos.

    Ao intervir na Conferência de Desarmamento em Genebra, o vice-primeiro-ministro das Relações Exteriores de Cuba, Marcelino Medina, afirmou que é necessário salvaguardar as futuras gerações do flagelo da guerra e dos nefastos sofrimentos que provoca.

    Trabalhar pela paz

    “Trabalhar incansavelmente para preservar a paz e a segurança internacionais e fomentar entre as nações as relações de amizade baseadas no respeito aos princípios da igualdade, soberana e a livre determinação dos povos, deve continuar sendo um compromisso da ONU e de seus Estados membros”, destacou.

    O diplomata denunciou que em 2017 foram gastos em despesas militares 1,74 trilhão de dólares, a cifra mais alta desde o fim da Guerra Fria.

    Lamentou que a cada ano se invistam somas exorbitantes na indústria da guerra, se modernizem os arsenais nucleares existentes e se desenvolvam novos sistemas desse tipo de armamento, em lugar de destinar esses recursos a fomentar a paz, combater a fome e a pobreza e à implementação da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável.

    Desarmamento nuclear

    “O desarmamento nuclear permanece congelado e a existência de enormes arsenais nucleares, sendo que apenas 100 dessas ogivas bastariam para provocar o inverno nuclear, constitui uma grave e iminente ameaça à sobrevivência da Humanidade”, avisou.

    O vice-chanceler destacou a grande importância que a ilha das Antilhas concede à promoção do multilateralismo como princípio básico das negociações em matéria de desarmamento e não proliferação.

    Nesse contexto, expressou a preocupação pela decisão dos Estados Unidos de retirar do Plano de Ação Integral Conjunto ou Acordo Nuclear com Irã e, mais recentemente, do Tratado sobre Mísseis de Alcance Curto e Intermediário assinado com Rússia em 1987.

    “A comunidade internacional não pode permanecer passiva, nem em silêncio, muito menos quando se constata o fortalecimento do papel das armas nucleares nas doutrinas de defesa e segurança de determinados Estados possuidores”, precisou.

    Alertou que essas nações estão cada vez mais prestes a considerar a utilização dessas armas, inclusive em resposta às chamadas “ameaças estratégicas não nucleares”.

    Medina condenou o papel dos apetrechos nucleares nas doutrinas, políticas e estratégias de segurança, bem como a ameaça de seu uso, ao mesmo tempo em que reiterou o direito inalienável ao uso pacífico da energia nuclear.

    Celac e Venezuela

    Aproveitou a tribuna deste foro multilateral para ratificar a vigência da proclamação da América Latina e o Caribe como Zona de Paz, adotada em II Cúpula da Comunidade dos Estados Latino-americanos e Caribenhos, celebrada em Havana em 2014.

    O representante da ilha denunciou a escalada de pressões e ações do governo estadunidense para preparar o que taxou de aventura militar, disfarçada de “intervenção humanitária”, contra a República Bolivariana da Venezuela.

    “A história julgará severamente uma nova intervenção militar imperialista na região e a cumplicidade de quem irresponsavelmente acompanhá-la”, advertiu o vice-ministro.

    Considerou ainda que na Venezuela se decide hoje não só a soberania e a dignidade da América Latina, do Caribe e dos povos do Sul, mas também a sobrevivência das normas do Direito Internacional e da Carta das Nações Unidas.

    “Temos a responsabilidade de preservar as próximas gerações do flagelo da guerra, salvar o planeta e criar condições sob as quais possam ser mantidas a justiça e o respeito às obrigações emanadas dos tratados internacionais”, concluiu.

    Fonte: Prensa Latina

  • Um comunicado do governo cubano informa que aeronaves militares norte-americanas, que saíram de bases utilizadas para operações secretas, têm pousado em países vizinhos; chancelaria russa já havia feito o alerta de que "ajuda humanitária" seria disfarce para uma intervenção bélica na Venezuela

    As suspeitas de que a “ajuda humanitária” que os Estados Unidos têm oferecido à Venezuela são, na verdade, um plano para uma intervenção militar, têm ficado cada vez mais fortes. Nesta quinta-feira (14), o governo cubano, aliado ao governo de Nicolás Maduro, divulgou um comunicado em que informa que os norte-americanos estão posicionando – em segredo – forças militares em países cada vez mais próximos da Venezuela.

    De acordo com Cuba, os Estados Unidos têm usado o pretexto de ajuda humanitária para disfarçar uma intervenção bélica no país, que sofre com a crise econômica e política amplificada por sanções do próprio governo norte-americano. Segundo o comunicado, entre 6 e 10 de fevereiro, “aeronaves militares de transporte voaram para o Aeroporto Rafael Miranda de Porto Rico, para a Base Aérea de San Isidro, na República Dominicana, e para outras ilhas caribenhas localizadas estrategicamente, provavelmente sem o conhecimento dos governos destas nações”.

    “Estes voos decolaram de instalações militares americanas a partir das unidades em que as Operações Especiais e do Corpo de Fuzileiros Navais operam, que são usadas para ações sigilosas”, prosseguiu o governo cubano no comunicado oficial.

    O mesmo alerta já havia sido feito pela chancelaria russa na semana passada. De acordo com a porta-voz do Ministério de Relações Exteriores da Rússia, “continuam chegando sinais de Washington sobre a possibilidade de usar a força para derrubar as autoridades legítimas através de uma intervenção militar direta”.

    Em entrevista à Fórum, o ex-ministro das Relações Exteriores brasileiro, Celso Amorim, aventou a mesma possibilidade. “Ajuda humanitária tem que ser feita de acordo com as autoridades do local, senão ela vira uma operação com natureza militar. E isso seria caracterizado como uma intervenção militar vedada pela própria ONU”, pontuou Amorim.

    Fonte: Fórum

  • Um comunicado do governo cubano informa que aeronaves militares norte-americanas, que saíram de bases utilizadas para operações secretas, têm pousado em países vizinhos; chancelaria russa já havia feito o alerta de que "ajuda humanitária" seria disfarce para uma intervenção bélica na Venezuela

    As suspeitas de que a “ajuda humanitária” que os Estados Unidos têm oferecido à Venezuela são, na verdade, um plano para uma intervenção militar, têm ficado cada vez mais fortes. Nesta quinta-feira (14), o governo cubano, aliado ao governo de Nicolás Maduro, divulgou um comunicado em que informa que os norte-americanos estão posicionando – em segredo – forças militares em países cada vez mais próximos da Venezuela.

    De acordo com Cuba, os Estados Unidos têm usado o pretexto de ajuda humanitária para disfarçar uma intervenção bélica no país, que sofre com a crise econômica e política amplificada por sanções do próprio governo norte-americano. Segundo o comunicado, entre 6 e 10 de fevereiro, “aeronaves militares de transporte voaram para o Aeroporto Rafael Miranda de Porto Rico, para a Base Aérea de San Isidro, na República Dominicana, e para outras ilhas caribenhas localizadas estrategicamente, provavelmente sem o conhecimento dos governos destas nações”.

    “Estes voos decolaram de instalações militares americanas a partir das unidades em que as Operações Especiais e do Corpo de Fuzileiros Navais operam, que são usadas para ações sigilosas”, prosseguiu o governo cubano no comunicado oficial.

    O mesmo alerta já havia sido feito pela chancelaria russa na semana passada. De acordo com a porta-voz do Ministério de Relações Exteriores da Rússia, “continuam chegando sinais de Washington sobre a possibilidade de usar a força para derrubar as autoridades legítimas através de uma intervenção militar direta”.

    Em entrevista à Fórum, o ex-ministro das Relações Exteriores brasileiro, Celso Amorim, aventou a mesma possibilidade. “Ajuda humanitária tem que ser feita de acordo com as autoridades do local, senão ela vira uma operação com natureza militar. E isso seria caracterizado como uma intervenção militar vedada pela própria ONU”, pontuou Amorim.

    Fonte: Fórum

  • “Viva Cuba! Viva Cuba!” Assim o público paulista se despediu do Buena Vista Social Club, um dos conjuntos mais expressivos da música latino-americana. Na noite deste sábado (16/05), em São Paulo, o grupo fez um dos últimos shows de sua existência, como parte da turnê de encerramento de seus mais de 70 anos de carreira.

    A equipe da Rádio Maíz esteve presente para curtir e se despedir dos remanescentes do lendário clube de Havana, que por anos foi embalado pelos lendários Ibrahim Ferrer e Compay Segundo, falecidos na década passada.

    Omara Portuondo, “Barbarito” Torres e “Guajiro” Mirabal, lendas vivas do Buena Vista, mostraram energia, alegria e virtuosismo a uma sala lotada e entregue aos ritmos caribenhos.
    Em meio às mesas da casa de show, onde não havia pista, bailava-se.

    Ouvir “Chan Chan”, “Dos gardênias”, “Candela”, “El cuarto de Tula” e os demais clássicos, enquanto se assistia às imagens históricas dos integrantes projetadas nos telões, tornava o clima de despedida ainda mais emocionante a cada foto, a cada nota.

    Todo o show parecia uma obra de ficção e resumia uma história importante da música mundial, como num longa-metragem de uma hora e meia de duração, desses que de tão bons nem se percebe o tempo transcorrido.

    A turnê de adeus, que já passou pelo Rio de Janeiro, contará com uma apresentação extra em São Paulo, dia 23 deste mesmo mês, em resposta à admiração do público brasileiro, que será marcado por um rastro de saudades maior que o previsto.

    O Buena Vista fez do mundo o novo endereço do clube cubano.

    Por Ivan Dias, da Rádio Maíz no blog Diferente, pero no mucho 

  • Fidel Castro (1926-2016) foi o líder revolucionário que governou Cuba de 1959 a 2008. Ele conduziu um levante popular contra Fulgencio Batista baseado em ideais comunistas e liderou tanto o processo de desenvolvimento cubano quanto o Partido Comunista de Cuba.

    Sob seu comando, a ilha caribenha tornou-se um autêntico Estado socialista, com indústria e negócios nacionalizados. Foi desta forma que ela tornou-se a nação mais desenvolvida do continente americano sob o ponto de vista social, erradicando o analfabetismo, a miséria e a falta de atendimento médico em poucas décadas.

  • Nesta sexta-feira (19), os partidos de esquerda promoveram uma sessão solene, na Câmara Municipal de São Paulo, em homenagem ao líder da Revolução Cubana, Fidel Castro, que completou 90 anos no último sábado (13). 

    Além dos parlamentares, o evento contou com a presença de lideranças do movimento estudantil, da cônsul Geral de Cuba na capital paulista, Nelida Hernández Carmona, e do teólogo Frei Betto, que falaram das dificuldades causadas pelo bloqueio econômico dos EUA, e das importantes conquistas da ilha caribenha, como a erradicação do analfabetismo, o acesso à saúde e educação e a reforma agrária, entre outras.

    “Fidel, desde muito cedo, abraçou o diário martiniano (de José Marti) e dedicou sua vida a transformá-lo em realidade, logrando a Patria Livre”, declarou Nelida Carmona, ao fazer referência ao herói da independência cubana, José Marti.

    Em sua intervenção, Frei Betto contou que esteve com Fidel na ocasião de seu 90º aniversário. “Quantas vidas foram salvas em Cuba graças à revolução”, frisou o teólogo, que exaltou a luta do revolucionário e de seu povo por uma sociedade mais justa e igualitária.

    Para o presidente da CTB São Paulo, Onofre Gonçalves, Fidel é um ícone das forças revolucionárias e progressistas em todo o mundo. “A CTB saúda o grande comandante Fidel Castro e o povo de Cuba por sua luta anti-imperialista”, declarou o sindicalista.

    Já o vice-presidente da seção estadual da central, Pedro Mesquita, que esteve na ilha caribenha, destacou que “Cuba é um exemplo para o Brasil e para o mundo de uma sociedade que luta pelo coletivo”, disse. No fim do encontro foi exibido um vídeo, feito em Cuba, parabenizando Fidel. A atividade foi organizada pelos partidos PCdoB, PSOl, PT, PSB e PDT.

    No começo do encontro, durante o discurso de Jamil Murad (PCdoB), o candidato a vereador pelo partido Democratas e membro do Movimento Brasil Livre (MBL), Fernando Holiday, tentou arrancar o banner de Fidel Castro e tumultuar a sessão. Ele foi levado para a delegacia para prestar depoimento. O ato de vandalismo foi repudiado por todos os presentes.

    Érika Ceconi - Portal CTB

  • O teólogo brasileiro Frei Betto participará da homenagem pelos 57 anos do triunfo da Revolução Cubana e do 90º aniversário de seu líder, Fidel Castro, que ocorrerá nesta sexta-feira (19), na Câmara Municipal de São Paulo. 

    Amigo de Fidel, um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores (PT) e integrante do primeiro mandato do governo do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Frei Betto é autor do livro “Fidel e a Religião”.

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    Ele confirmou sua presença na atividade desta sexta organizada pelos partidos PCdoB, PSOl, PT, PSB e PDT, e que terá a participação da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).

    No dia 13, a CTB celebrou o aniversário de Fidel Castro com uma grande comemoração em São Paulo que foi saudada pela Central dos Trabalhadores de Cuba (CTC), por meio de uma nota enviada à central sindical brasileira.

    Serviço:

    90 anos de Fidel Castro e 57 anos de Cuba Livre do Imperialismo

    Data: dia 19/08 - sexta-feira
    Local: Câmara Municipal de São Paulo, plenário 1º de Maio (Viaduto Jacareí,100)
    Horário: das 15 às 18 horas

    Portal CTB 

  • A Federação Sindical Mundial - FSM publicou no último sábado (17) uma declaração oficial na qual se posiciona de forma veemente contra a decisão do presidente norte-americano, Donald Trump, de cancelar o acordo vigente com Cuba, assim como seu anúncio de intensificação do bloqueio comercial ao país.

    Para a FSM, as palavras de Trump soaram "anti-trabalhistas e reacionárias", e sua intenção de reforçar o bloqueio é "inaceitável e criminosa contra o povo heróico cubano". "Cuba não está sozinha; tem ao seu lado a voz da nossa grande família sindical, e o apoio prático do movimento sindical internacional classista!", escreveu a entidade.

    O texto pede ainda a retirada da base militar de Guantanamo e o respeito à auto-determinação dos povos. Confira na integra:

    Atenas, el 17 de junio 2017 
    SOLIDARIDAD INTERNACIONAL DE LA FSM CON CUBA

    La Federación Sindical Mundial –FSM- que es la voz militante de 92 millones de trabajadores y trabajadoras en 126 países de todo el mundo, rechaza de la manera más rotunda la desición del gobierno imperialista de los EEUU y del presidente Trump de cancelar el acuerdo vigente con Cuba. Utilizando palabras antilaborales y reaccionarias, el presidente de los EEUU afirmó desde Miami, la base de los criminales de la mafia cubana, la cancelación con efecto inmediato del acuerdo entre EEUU y Cuba, al mismo tiempo que anunció la intensificación del bloqueo inaceptable y criminal en contra del heroico pueblo cubano. Además, declaró con hipocresía que supuestamente se preocupa de los “derechos humanos” y de manera provocadora manifestó que utilizará la embajada estadounidense en La Habana como palanca para “el cambio rumbo a la libertad”. 

    La FSM declara otra vez más que ¡las amenazas de los imperialistas no pasarán! Por mucho que los halcones del imperialismo estadounidense y sus colaboradores mafiosos chantajeen, no quebrantarán el espíritu de lucha del orgulloso e insumiso pueblo cubano. Cuba no está sola; ¡tiene a su lado la voz de nuestra gran familia sindical, el apoyo práctico del movimiento sindical internacional de clase!
    La Federación Sindical Mundial llama a todos los sindicatos clasistas en todo el mundo a sumar su voz en la campaña internacional de la FSM, reivindicando el fin del bloqueo inaceptable e inhumano impuesto en contra de Cuba. Al mismo tiempo, solicitamos la devolución inmediata del territorio de Guantánamo al estado cubano. Otra vez más, reiteramos nuestro apoyo incondicional al derecho de los pueblos a decidir por sí solos sobre su presente y futuro, sin las intervenciones asesinas de los imperialistas.

    ¡El pueblo cubano vencerá! ¡Abajo el bloqueo! ¡Devolución del territorio de Guantánamo a Cuba ya!

    El Secretariado

    Portal CTB

  • Fidel Castro entra aclamado em Havana em janeiro de 1959, era a vitória da Revolução

    Depois de sobreviver a 638 atentados e a incontáveis anúncios de sua morte, o líder da Revolução Cubana e um dos mais notáveis do século 20, Fidel Alejandro Castro Ruz morreu na noite da sexta-feira (25), pelo horário de Havana e madrugada deste sábado pelo horário de Brasília.

    O presidente de Cuba Raúl Castro fez o anúncio da morte do irmão pela TV e Cuba amanheceu triste, assim como todos os que acreditam numa vida melhor. Fidel Castro deixa um legado infinito de abnegação e de crença no futuro da humanidade solidária, fraterna, igual e que possa viver livre de opressões.

    “Com profunda dor, compareço aqui para informar ao nosso povo, aos amigos da nossa América e do mundo que hoje, 25 de novembro de 2016, às 10h29 da noite [1h29 de sábado, pelo horário de Brasília] faleceu o comandante em chefe da Revolução Cubana, Fidel Castro Ruz”, anunciou Raúl Castro.

    Assista o anúncio da morte de Fidel na TV Cubana 

    A Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil fez uma grande festa em comemoração aos 90 anos do comandante da Revolução Cubana, em 12 de agosto, um dia antes do aniversário dele.

    Fidel foi o dirigente da revolução por 47 anos, deixando o poder em 2006, quando seu irmão Raúl assumiu a presidência de Cuba. O escritor colombiano Gabriel García Márquez falou sobre o amigo suas palavras eram quase mágicas. “Três horas são para ele uma boa média para uma conversa comum. E, de três horas em três horas, os dias passam para ele como sopros”, afirmou.

    Grande estudioso, ele foi personagem central do século 20 e fez incontáveis longos discursos (sua marca registrada), inclusive sendo presença no Guinness Book com o discurso mais longo proferido na Organização das Nações Unidas, quando falou por 4 horas e 29 minutos, em 29 de setembro de 1960.

    Fidel Castro guerrilha United Press International

    Fidel Castro na guerrilha, pouco antes da vitória em 1959 (United Press International)

    Em uma entrevista ao canal norte-americano Telemundo, em 1995, disse que "todos os inimigos podem ser vencidos". Uma grande lição para todos os revolucionários do mundo, principalmente quando a desesperança toma conta.

    Ao lado de Che Guevara (assassinado em 1969, na Bolívia, a mando da CIA – inteligência norte-americana), esteve entre os mais perseguidos pela burguesia, justamente por representarem a possibilidade de autonomia da classe trabalhadora, num mundo onde prevalecia a mais profunda exploração do homem pelo homem.

    Preso e condenado em 1953, na fracassada tentativa de derrotar a ditadura de Fulgêncio Batista, disse que a história o absolviria indicando já uma visão de futuro. Odiado pelos capitalistas, Fidel morre amado por seu povo e por todos os que crêem no socialismo.

    Fidel CASTRO guevara 1959 roberto salas

    Fidel e Che Guevara em 1959, logo após o triunfo da Revolução (Foto: Roberto Salas)

    A classe trabalhadora já o absolveu e o elegeu um de seus maiores representantes, principalmente porque o líder revoulucionário sempre levou a sério o internacionalismo comunista e a máxima de Karl Marx (importante revolucionário e pensador alemão do século 19): "Proletários de todo o mundo uní-vos", mostrando que a melhor forma de derrotar o capital é a unidade da classe trabalhadora.

    O líder revolucionário esteve presente nas mais importantes discussões sobre os rumos da humanidade no século 20. Sempre em defesa da causa proletária e do socialismo. Ainda levarão anos para que toda a sua magnitude seja reconhecida.

    Fidel Castro deixa o legado de resistência e persistência para vencer o inimigo, o capital. Ele vive em nós e na luta pela construção do mundo novo, mais justo, mais igual, mais feliz.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

     

  • O debate sobre a descriminalização do aborto ganha realce após decisão da primeira turma do Supremo Tribunal Federal (STF), na terça-feira (29), descriminalizando a interrupção da gravidez até o terceiro mês de gestação, ferve um debate apaixonado em torno do tema.

    De acordo com a Pesquisa Nacional do Aborto 2016, divulgada nesta segunda-feira (5), uma em cada cinco mulheres até os 40 anos já fez aborto no Brasil. Sendo 64% casadas, 88% professam uma religião e 81% já têm filhos (veja abaixo mais dados no vídeo Precisamos Falar Sobre Isso, publicado pelo grupo Olmo e a Gaivota).

     

    De acordo com pesquisa do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mais de 8,7 milhões de brasileiras, entre 18 e 49 anos, fizeram aborto. A Organização Mundial de Saúde (OMS) mostra que 200 mulheres morrem todos os anos no país, vítimas de abortos clandestinos. Já no mundo, a OMS aponta 47 mil mortes de mulheres por abortos mal realizados entre 2003 e 2008 e mais de 8 milhões tiveram sequelas.

    A cantora MC Carol afirma que o aborto só é visto “como crime, como uma coisa errada e ilegal quando a mulher é pobre! Na Europa e em outros países, em até 12 semanas, o aborto é legalizado. Quando a mulher é rica, de família rica, ela vai para o exterior onde não é crime, tira o feto com os melhores médicos, faz uma lipo e volta”.

    Ivânia Pereira, secretária da Mulher Trabalhadora da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), concorda com a funkeira. “O que está por trás de toda essa cortina em torno da criminalização do aborto é o machismo”.

    Para ela, o aborto não é descriminalizado para o sistema patriarcal manter seu “domínio sobre a vida e o corpo da mulher”. Fora disso, “é pura hipocrisia de religiosos fundamentalistas que são a favor da pena de morte e falam em defesa da vida, qual vida”?

    A dirigente da CTB lembra de pesquisas mostrando que o aborto é legalizado em 74% dos países no mundo, mas que na América Latina isso acontece apenas em quatro países: Cuba, Guiana, Porto Rico e Uruguai.

    “Nos países onde o aborto foi legalizado, a interrupção da gravidez caiu, enquanto o problema só aumenta onde ele é proibido. Tem gente ganhando dinheiro arriscando a vida das mulheres pobres”, reforça.

    Ciência e religião

    Drauzio Varella questiona o argumento religioso de que a vida começa a partir do momento da concepção. "Muitos consideram que a vida humana começa no instante da fecundação. Mas, por esse raciocínio, a então vida começa antes, porque o espermatozoide é vivo e o óvulo também".

    O famoso médico diz ainda que "o aborto já é livre no Brasil. É só ter dinheiro para fazer em condições até razoáveis. Todo o resto é falsidade. Todo o resto é hipocrisia." Texto da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) se posiciona visceralmente contra.

    “Conclamamos nossas comunidades a rezarem e a se manifestarem publicamente em defesa da vida humana, desde a sua concepção”, diz trecho do documento da CNBB. Já o deputado federal Evandro Gussi (PV-SP), da bancada evangélica, ataca a decisão dessa turma do STF.

    Ele acredita que isso revoga o Código Penal, que só admite a interrupção da gravidez em caso de estupro, quando a mãe corre risco de morte e bebês com anencefalia. “Revogar o Código Penal, como foi feito, trata-se de um grande atentado ao Estado de Direito. O aborto é um crime abominável porque ceifa a vida de um inocente”.

    Já Pereira entende a necessidade de se rever o Código Penal, elaborado em 1940. “Esse Código Penal foi feito com preceitos conservadores em relação aos direitos da mulher”, portanto, argumenta, “O STF está certo em fazer prevalecer os preceitos constitucionais”.

    Assista Somos Todas Clandestinas 

    "Os deputados até podem colocar algo no Código Penal que explicite que o aborto é crime mesmo quando praticado nos três primeiros meses da gestação", diz Ivar Hartmann, professor de direito da Fundação Getúlio Vargas, mas não podem mudar uma decisão do STF, garante.

    Quando a vida começa?

    Essa questão tem suscitado inúmeros debates. E o pastor evangélico, escritor e doutor em Ciências da Religião, Hermes Fernandes elucida posicionamento interessante. Para ele, a polêmica não consiste há vida a partir da concepção.

    “A questão é se há algum nível de consciência no feto. Há vida em cada espermatozoide e ninguém é acusado de ter cometido um genocídio depois de masturbar-se ou interromper um coito”, afirma.

    “Não é o início da vida que está em debate aqui, e sim o começo do indivíduo humano como ser consciente, dotado de uma mente e, portanto, apto a receber a proteção do Estado”.

    Ele argumenta também que a ciência decreta o falecimento de uma pessoa a partir da morte cerebral e que esse conceito deve ser levado para distinguir o início da vida, portanto quando o cérebro começa a ganhar forma no feto a partir dos três meses da gravidez.

    “O cérebro não tem sua arquitetura básica formada no mínimo até o terceiro mês da gestação. Isso significa que o embrião não percebe o mundo, não tem consciência, é um conjunto de células como qualquer pedaço de pele”, conclui Fernandes.

    Criminalização da pobreza

    Ele também critica o posicionamento de Edir Macedo, da Igreja Universal do Reino de Deus. Macedo defende o aborto para se evitar o nascimento de “bandidos”, como se as crianças que nascem na pobreza estivessem predestinadas a esse futuro.

    Pereira conta uma história que aconteceu em Sergipe, seu estado de origem. Numa pesquisa em uma escola, descobriu-se que “uma menina engravidou e o seu namoradinho a convidava para ir à quadra esportiva da escola, onde ele chutava a barriga da menina para ela abortar”.

    O grupo Católicas pelo Direito de Decidir pergunta “como pode o Estado – isto é, um delegado de polícia, um promotor de justiça ou um juiz de direito – impor a uma mulher, nas semanas iniciais da gestação, que a leve a termo, como se tratasse de um útero a serviço da sociedade, e não de uma pessoa autônoma, no gozo de plena capacidade de ser, pensar e viver a própria vida?".

    “As mulheres que fazem o aborto são mais felizes porque exercem o direito de decidir sobre o seu próprio corpo, sobre a sua vida”, finaliza Pereira. “Legalizar o aborto é defender a vida de centenas de mulheres que morrem todos os anos em abortos clandestinos no país".

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

  • Será realizada neste sábado (8) a X Convenção Estadual de Solidariedade a Cuba de São Paulo. O evento ocorrerá no Sindicato dos Bancários, situado na rua São Bento, 413, próximo à Praça da Sé, no centro da capital. No ano em que comemora os 60 anos da revolução que resgatou o país da opressão e humilhação imperialista, a ilha socialista é vítima de uma forte ofensiva dos Estados Unidos, com o governo de Donald Trump recorrendo inclusive ao bloqueio marítimo para exigir que o governo cubano deixe de ser solidário com a revolução bolivariana da Venezuela e o governo Nicolás Maduro.

    "A solidariedade de Cuba com o Presidente Constitucional Nicolás Maduro Moros, com a Revolução bolivariana e chavista e com a união cívico-militar de seu povo, não é negociável", afirmou o governo cubano em uma declaração publicada na imprensa local, rechaçando a chantagem da Casa Branca.

    A abertura da convenção, prevista para 9h30, será dedicada ao debate do tema “A nova Constituição cubana e as intervenções do imperialismo na América Latina”. À tarde ocorrerá o lançamento do documentário “Cubanas, mulheres em revolução”. A reunião será encerrada com a leitura da “Carta de São Paulo”, documento que vai refletir a solidariedade das forças progressistas brasileiras com o regime revolucionário que Washington tenta destruir desde a derrubada do ditador Fulgêncio Batista, lacaio dos EUA ligado à máfia da Chicago, no réveillon de 1949.

    Participarão da convenção, que é aberta ao público, organizações solidárias com Cuba, bem como personalidades e militantes dos movimentos sociais e partidos progressistas que defendem o sagrado direito dos povos e nações à autodeterminação e rejeitam a ingerência imperialista dos EUA na América Latina e nos países do chamado Terceiro Mundo que não rezam pela cartilha imperialista. 

  • Na tarde desta quinta-feira (16), sindicalistas de diversas categorias tiveram a oportunidade de participar da Plenária Sindical “Conversando com Cuba”, atividade organizada pela Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).

    O evento, que ocorreu no auditório do Sindicato dos Trabalhadores em Água, Esgoto e Meio Ambiente do Estado de São Paulo (Sintaema), contou com a exposição do coordenador do departamento de Relações Internacionais da Central dos Trabalhadores de Cuba (CTC), Ernesto Freire, que aprofundou o debate sobre a atuação do movimento sindical na ilha caribenha.

    “Sindicalismo mundial precisa fortalecer sua unidade de ação”, diz dirigente cubano

    A mesa de debates foi composta por representantes das entidades sindicais filiadas à Federação Sindical Mundial (FSM) no Brasil e mediada pela secretária da Mulher Trabalhadora da CTB São Paulo, Gicélia Bitencourt. Em nome da CTB, o secretário adjunto de Relações Internacionais, José Adilson Pereira, saudou a iniciativa e lembrou-se da conjuntura política adversa. “Para nós a presença do Ernesto é muito importante neste momento”, disse.

    O evento contou ainda com a participação da cônsul-geral de Cuba em São Paulo, Nelida Hernández Carmona, que elogiou a iniciativa “Fortalecer as relações entre nossas entidades sindicais é um aspecto muito importante, pois nossas lutas são as mesmas”, sublinhou.

    Durante sua exposição, Ernesto contou sobre a condição da classe trabalhadora cubana. “As trabalhadoras podem tirar um ano de licença maternidade remunerada”, informou. O sindicalista também falou sobre o setor privado e os desafios do movimento sindical cubano para atender as particularidades de cada categoria.

    Ele destacou ainda a importância das Assembleias Populares, convocadas pelos sindicatos, para debater com a classe trabalhadora as questões de seu interesse, para fortalecendo assim o diálogo e as reivindicações trabalhistas.

    Sobre a relação de Cuba com os Estados Unidos, o sindicalista acredita que “a estratégia do imperialismo é destruir a Revolução Cubana”, alertou. No fim do encontro ele lembrou-se da recente libertação dos 5 heróis cubanos, que foram evitar atentados terroristas dos EUA contra a ilha, e agradeceu a solidariedade dos movimentos sociais brasileiros que denunciaram fortemente a injusta prisão dos cubanos.

    raul castro ctb fidel

    Ernesto presenteou a CTB com um pôster do líder revolucionário Fidel Castro, morto em novembro de 2016.

    Érika Ceconi - Portal CTB