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Sáb, Jul

desalento

  • O mercado de trabalho brasileiro vai de mal a pior, registrando o crescimento diário do número de pessoas que estão desocupadas há mais de dois anos, de acordo com estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) publicado nesta terça-feira (18).

    "Se, no primeiro trimestre de 2015, 17,4% dos desocupados estavam nessa situação [desempregados há mais de dois anos], no mesmo período de 2019, este porcentual avançou para 24,8%, o que corresponde a 3,3 milhões de pessoas”, aponta o Instituto.

    Na comparação com o primeiro trimestre de 2015, os grupos que apresentaram maior incremento nas suas populações desocupadas há mais de dois anos foram os homens, os trabalhadores mais jovens e os com ensino médio completo, cujas proporções saltaram de 11,3%, 15% e 18,5%, respectivamente, para 20,3%, 23,6% e 27,4%, no período

    "No caso dos trabalhadores mais jovens, este resultado acaba por corroborar um cenário de emprego ainda mais adverso, que combina desemprego elevado (27,3%), baixo crescimento da ocupação (0,4%) e queda de rendimento real (-0,8%)", explicou o órgão.

    As estatísticas reunidas pelo Ipea sugerem que o problema se agravou com a recessão e o golpe de 2018, que congelou os gastos públicos e promoveu uma reforma trabalhista regressiva. A parcela de pessoas desocupadas há mais de dois anos entre os primeiros trimestres de 2015 e 2019 cresceu 42,4%.

    No mesmo período houve um avanço igualmente notável da precarização, com o número de trabalhadores na informalidade superando o daqueles que têm carteira assinada. Ocorreu o contrário do que os defensores da reforma trabalhista imposta por Temer alardearam. A política ultraliberal da dupla Bolsonaro/Guedes está ampliando o desastre e conduzindo o Brasil no caminho de uma nova recessão. Quem paga a conta é o povo trabalhador.

  • A mídia burguesa não se cansa de repetir o cantochão otimista de que a economia está a caminho da recuperação como resultado das políticas neoliberais que vêm sendo imposta ao país desde o golpe de Estado de 2016, liderado pelo senhor Michel Temer, um político que chegou a ser considerado chefe da mais perigosa quadrilha do Brasil. A receita de Bolsonaro não difere fundamentalmente daquela aplicada por seu antecessor, com o detalhe de que é ainda mais radical e impiedosa com o povo brasileiro.

    Em nome da retomada da confiança empresarial, do crescimento e do emprego, Temer instituiu um novo regime fiscal, congelando por 20 anos os gastos públicos primários, promoveu a reforma trabalhista e a terceirização irrestrita, retomou o projeto de privataria tucano, deflagrado por FHC e interrompido por Lula, e deu início ao processo de entrega do pré-sal ao capital estrangeiro.

    Da recessão à etagnação

    O resultado está hoje aí, à vista de todos. A reforma trabalhista não trouxe os empregos prometidos, mas ampliou sensivelmente a precarização do mercado de trabalho, subtraindo direitos trabalhistas e depreciando salários. O equilíbrio fiscal ainda não é mais que uma promessa, o déficit persist mas a política de austeridade reduziu ainda mais os investimentos públicos e é responsável por desastres como a destruição do Museu Nacional, o desmantelamento do SUS e a degradação da educação e dos serviços públicos em geral.

    A consequência mais dramática é revelada pelos indicadores do desempenho da economia nacional, que depois de dois anos da maior recessão da história (2015/2016) resvalou para o pântano da estagnação, condenando a nação brasileira provavelmente a mais uma ou duas décadas perdidas.

    Não seria necessário maior esforço intelectual para concluir que a origem do desastre está no neoliberalismo, mas o pensamento dominante, disseminado pela mídia burguesa, não pode admitir e não admite tal conclusão, ainda que ela nos pareça e de fato seja óbvia. Os interesses sempre falam mais alto do que a ciência e moldam as ideias e as ideologias. Isto explica a razão da insistência das classes dominantes no fracasso projeto neoliberal.

    27,5 milhões de subutilizados

    O mercado de trabalho brasileiro, cuja recuperação é prometida e prenunciada pela mídia após cada medida neoliberal adotada pelo governo, é o retrato falado do desalento. O índice de desemprego aberto voltou a subir no trimestre terminado em janeiro deste ano, atingindo 12%, o que equivale a 12,7 milhões de pessoas. É o maior desde agosto, segundo o IBGE. Já o número de trabalhadores por conta própria bateu recorde histórico, chegando 23,9 milhões.

    O mercado de trabalho tem sido desestruturado pelo crescente número de desalentados e de subutilizados. A taxa de subutilização da força de trabalho ficou em 24,3%. De acordo com o IBGE, 27,5 milhões de brasileiros estavam subutilizados no trimestre encerrado em janeiro – 209 mil a mais que no trimestre imediatamente anterior. Já na comparação anual, esse contingente cresceu 2,5% (mais 671 mil pessoas).

    O número de desalentados ou de trabalhadores que desistiram de procurar uma vaga (4,7 milhões) ficou estável em relação ao trimestre anterior, mas aumentou 6,7% na comparação anual (296 mil a mais). Já o contingente de pessoas subocupadas por insuficiência de horas trabalhadas (6,8 milhões) caiu 2,4% em relação ao trimestre anterior, mas subiu 7,3% em relação ao mesmo trimestre do ano anterior (466 mil a mais).

    Efeito sazonal

    A alta do desemprego neste início de 2019x, segundo técnicos do IBGE, deve ser parcialmente atribuída ao movimento sazonal de dispensa após as contratações de final de ano. Janeiro é um mês em que muitos trabalhadores temporários são dispensados e tradicionalmente há um aumento da taxa de desocupação.

    Na comparação com o trimestre anterior (agosto a outubro), a taxa de desemprego aumentou 0,3 ponto percentual, com um adicional de 318 mil pessoas na fila do desemprego. Segundo o gerente da pesquisa, Cimar Azeredo, trata-se de um movimento sazonal. "Tem a ver com o movimento natural do mês de janeiro, com a dispensa de trabalhadores, sobretudo temporários no comércio", disse.

    Desindustrialização

    A indústria foi o setor que mais dispensou trabalhadores na comparação com o trimestre encerrado em outubro (menos 345 mil), seguida por agricultura (menos 192 mil) e administração pública (menos 175 mil). É mais um indicador do processo já histórico de desindustrialização da economia brasileira.

    O número atual de ocupados (92,5 milhões) no trimestre encerrado em janeiro também é o menor desde agosto de 2018. Segundo o IBGE, a população ocupada no país caiu -0,4% (menos 354 mil pessoas) em relação ao trimestre encerrado em outubro.

    "Não é possível falar em recuperação do mercado de trabalho com esse quadro. Nós temos o mesmo quadro que em janeiro do ano passado se olharmos somente para o lado da desocupação. Mas se nos voltarmos para a ocupação apenas, vemos um incremento de 846 mil trabalhadores. Isso é bom, ter mais gente ocupada? Por um lado, sim, mas são todas vagas informais", avaliou Azeredo.

    Ocupação no Brasil por posição, segundo o IBGE

    Em número de pessoas (mil)

    Empregado com carteira setor privado: 32.916

    Empregado sem carteira setor privado: 11.307

    Conta própria: 23.901

    Empregado setor público: 11.499

    Trabalhador doméstico: 6.239

    Empregador: 4.514

    Trabalhador familiar auxiliar: 2.171

    Recorde de trabalhadores por conta própria

    O número de trabalhadores por conta própria e de empregadores tiveram recorde histórico neste trimestre encerrado em janeiro, reunindo, respectivamente, 23,9 milhões e 4,5 milhões de pessoas.

    Na comparação com o trimestre anterior, o número de trabalhadores por conta própria aumentou em 1,2% (291 mil a mais). Já na comparação com o mesmo trimestre do ano anterior, a alta foi de 3,1% (719 mil pessoas a mais).

    O número de empregadores se manteve estável em 3 meses, mas cresceu 3,3% na comparação com janeiro de 2018 (146 mil a mais).

    Os grupamentos de atividades que mais registraram aumento nestes dois tipos de posição foram os de comércio, outros serviços, alojamento e alimentação e, sobretudo, transportes. Segundo Azeredo, prevalece a tendência do aumento de pessoas trabalhando com o transporte alternativo de passageiros, por meio dos aplicativos de transporte, que representam uma porta mais fácil de ingresso informal no mercado de trabalho.

    Trabalho formal e sem carteira assinada

    O número de trabalhadores em carteira de trabalho assinada caiu 2,8% na comparação com o trimestre anterior (menos 321 mil pessoas). Na comparação anual, entretanto, subiu 2,9%, um adicional de 320 mil pessoas.

    O número de empregados com carteira de trabalho assinada, por sua vez, ficou estável na comparação com o trimestre anterior, mas em 1 ano recuou 1,1% (380 mil a menos).

    "A carteira de trabalho continua estável, mas em momento algum a gente percebe geração de postos de trabalho com carteira", avaliou Azeredo.

    Os números de emprego formal em janeiro pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) serão divulgados nesta quinta-feira pelo governo federal.

    Umberto Martins, com informações do G1 e outras agências

  • O clima de crise e desesperança avança no Brasil junto como desemprego e a precarização dos poucos postos de trabalho abertos pós-reforma trabalhista.

    Pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostra que, entre 2016 e 2017, foram encerrados no país mais de 2 milhões de postos de trabalho. O resultado é o maior desde o início da pesquisa em 1976, afirma o Insitituto.

    E fica pior. Ao avaliar o avanço do desemprego e o rebaixamento das vagas criadas, Nota Técnica do Dieese destaca que volume de empregos perdidos não será recuperado tão cedo, com o agravamento da política neoliberal. 

    O Dieese lembra que, sem trabalho formal, o que cresce é a informalidade.

    Dados do IBGE indicam que, hoje, mais de 37 milhões de brasileiros vivam do trabalho informal, com jornadas que muitas vezes ultrapassam 12 horas, para manter o mesmo padrão de vida de quem tem a carteira assinada. 

    Portal CTB - Com informações das agências

  • Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua publicados nesta quinta (31) aponta que o número de trabalhadores por conta própria em 2018 chegou a 23,3 milhões - mais de um quarto de todos os ocupados no país.

    Ao comentar os dados, o diretor Técnico do Dieese, Clemente Ganz Lúcio, lembrou que "mais de 70% dos empregos gerados entre o primeiro e segundo trimestre de 2048 foram informais, ou seja, sem as proteções oferecidas a quem tem carteira assinada, como férias, 13º salário e FGTS. Neste período, 8,8 milhões de pessoas que estavam trabalhando ficaram desempregadas ou saíram por conta própria do trabalho. Ao mesmo tempo, 9,4 milhões de desempregados conseguiram um emprego. Entre os novos empregados, 74% ficaram na informalidade", indicou.

    Fique de olho

    Ainda que a taxa média de desemprego tenha estacionado, a informalidade no mercado de trabalho está em seu nível mais alto e o desalento triplicou - aquelas que desistiram de procurar trabalho. Foram 4,736 milhões em 2018. Eram 1,532 milhão em 2014, segundo o IBGE. 

    Mais um dado negativo está no contingente das chamadas pessoas subutilizadas na força de trabalho (as que poderiam estar trabalhando mais horas por semana, por exemplo): 27,401 milhões, crescimento de 3,4% em relação a 2017 e de 45,7% em quatro anos. A taxa de subutilização também foi a maior, 24,4%, ante a de 15,1% registrada em 2014.  

    Entre os setores econômicos, a construção civil foi o que mais perdeu mão de obra entre 2017 e 2018, passando de 6,846 milhões para 6,643 milhões (-2,4%). 

    Portal CTB - Com informações das agências

  • Salvo melhor juízo ou novidade que surja ao longo do debate político pós sucessão, 3 elementos ou fenômenos eleitorais contribuíram sobremodo para a vitória do ex-deputado federal Jair Bolsonaro: o “bolsonarismo”, o antipetismo e o desalento político.

    Dragada por profunda crise, que começou com as jornadas de junho/julho de 2013, a sociedade brasileira chegou nas eleições de 2018 moralmente, eticamente, socialmente, politicamente e, sobretudo, economicamente exaurida. O processo eleitoral não produziu nada de novo ou palpável que pudesse apontar caminhos para a solução ou pelo menos, a redução dos graves problemas econômicos e sociais que acometem o País.

    Diante desse quadro, os eleitores foram levados à optar pela volta do PT ou algo, em tese novo, que foi se consolidando como o candidato antipetista ou antilulista visceral — o eleito Jair Bolsonaro (PSL).

    Mas, objetivamente, quem ou o que elegeu aquele que no início do processo eleitoral era o menos provável que chegasse na reta final e vencesse o pleito mais anormal desde a redemocratização, em 1985/1986?

    Talvez 3 elementos centrais tenham sido os responsáveis ou expliquem, em certa medida, a vitória do ex-deputado federal Jair Bolsonaro:

    1) o fenômeno eleitoral apelidado de “bolsonarismo”,

    2) o antipetismo visceral, e

    3) o desalento político.

    Mas antes de entrar neste contencioso, sugiro a leitura atenta no artigo da jornalista Eliane Brum: O homem mediano assume o poder. Neste, o melhor que li até agora sobre o assunto, a repórter, entre outros aspectos enumera o perfil do eleitor que apoiou e votou em Bolsonaro e também destrincha sua psique.

    “Durante as várias fases republicanas do Brasil, a candidatura e os candidatos foram acertos das elites que disputavam o poder — ou resultado de uma disputa entre elas. O mais popular presidente do Brasil do século 20, Getúlio Vargas (1882-1954), que em parte de sua trajetória política foi também um ditador, era um estancieiro, filho da elite gaúcha. Ainda que tenha havido alguns presidentes apenas medianos durante a República, eram por regra homens oriundos de algum tipo de elite e alicerçados por ela.”

    “Lula foi exceção. E Bolsonaro é exceção. Mas representam opostos. Não apenas por um ser de centro esquerda e outro de extrema direita. Mas porque Bolsonaro rompe com a ideia da excepcionalidade. Em vez de votar naquele que reconhecem como detentor de qualidades superiores, que o tornariam apto a governar, quase 58 milhões de brasileiros escolheram um homem parecido com seu tio ou primo. Ou consigo mesmos.”

    “Jair Bolsonaro, filho de um dentista prático do interior paulista, oriundo de uma família que poderia ser definida como de classe média baixa, não é representante apenas de um estrato social. Ele representa mais uma visão de mundo. Não há nada de excepcional nele. Cada um de nós conheceu vários Jair Bolsonaro na vida. Ou tem um Jair Bolsonaro na família”, destaca a repórter.

    Bolsonarismo

    Este fenômeno eleitoral foi um dos elementos que levou à vitória do ex-deputado. Mas não foi o elemento central. O “bolsonarismo”, tudo indica, foi crescendo à medida que se insistiu na candidatura de Lula, mesmo o petista estando preso em Curitiba, nas dependências da Polícia Federal. A insistência na candidatura de Lula retroalimentou e fortaleceu a candidatura de Bolsonaro ao longo do curto processo eleitoral.

    Essa parcela de eleitores via como absurdo, o PT insistir na candidatura de condenado em 2ª instância, e preso por supostos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro, a 12 anos e 1 mês de reclusão. O “bolsonarista” é o eleitor acometido pelo antipetismo visceral e é também marcado pelo desalento político, o que o transforma num elemento “ideológico” do chamado “bolsonarismo”.

    Antipetismo

    Este fenômeno político não é novo. O antipetismo tem como matriz ideológica o anticomunismo. O problema é que o condutores da campanha do PT não conseguiram detectar nem o 1º fenômeno, o “bolsonarismo”, nem tampouco este 2º.

    O antipetismo foi muito bem alimentado pela mídia desde que o PT surgiu como força eleitoral crescente na sociedade brasileira. E não arrefeceu em nenhum momento. Aqui e acolá houve certa trégua da mídia, mas sempre que os meios de comunicação podiam apontar algum malfeito do PT, dentro ou fora do governo, isto era e é feito com grande exposição e estardalhaço midiáticos.

    O antipetismo talvez tenha sido a grande mola propulsora que elevou o então candidato Jair Bolsonaro da obscuridade político-eleitoral para o protagonismo que o guindou à expressiva vitória, no 2º turno, em relação ao adversário do PT, Fernando Haddad. Bolsonaro quase venceu o pleito no 1º turno, o que tornou o 2º tempo da corrida eleitoral mais emocionante.

    Desalento

    Este 3º elemento do fenômeno eleitoral que permitiu a vitória de Bolsonaro, ex-deputado federal, que pouco ou nada produziu de relevante durante seus 28 anos de mandato na Câmara dos Deputados, junto com o antipetismo, “lacrou” o resultado do pleito vencido no 2º turno.

    O desalento político da sociedade brasileira foi e é alimentado continuamente pela grande mídia, que estimula e acende, sem massa crítica, o problema da corrupção entre os chamados políticos, seja no Executivo ou no Legislativo. Diante disso, está convencionado entre o povo, que quem se envolve com política ou faz parte de partido político, o faz apenas para “se dar bem”, isto é, tirar proveito próprio, em detrimento dos interesses e demandas dos eleitores, em particular, e do povo, em geral.

    Assim, diante desse desalento, e em rejeição ao que a mídia cunhou como o “partido mais corrupto” dentre todos em funcionamento no País, a maioria dos eleitores resolveu eleger, dentre os candidatos que se apresentaram para o pleito de 2018, o candidato, cuja única expressão política era o de não ser corrupto.

    O resto da história todos já conhecem!

    *Marcos Verlaine é jornalista, analista político e assessor parlamentar do Diap.


    Os artigos publicados na seção “Opinião Classista” não refletem necessariamente a opinião da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e são de responsabilidade de cada autor.

  • Enquanto o presidente Jair Bolsonaro esmera-se na arte de achincalhar a imagem do Brasil no exterior, com um escândalo de 39 quilos a bordo de um avião presidencial, o IBGE divulga mais um retrato aterrador do mercado de trabalho brasileiro. 

    O número de trabalhadoras e trabalhadores considerados subutilizados, que inclui desempregados, desalentados e subocupados, subiu a 28,5 milhões, um trágico recorde. Desempregados diretos (que continuam procurando emprego diariamente, mas não encontram) são 13 milhões. Para quem é jovem o cenário é mais sombrio: 27% estão desocupados. A informalidade continua em alta, em detrimento do trabalho formal, com carteira assinada.

    Indiferença

    O governo de extrema direita comporta-se como quem não tem responsabilidade alguma pelo drama e também como se nada pudesse fazer (e de fato nada faz) para minorar o sofrimento do povo trabalhador, uma posição de absoluta indiferença amparada na ideologia do Estado mínimo. Aproveita a desgraça para fazer chantagem com a reforma da Previdência, com o falso e requentado argumento (usado igualmente para impor a reforma trabalhista) de que sem reformar o sistema de aposentadorias, privatizando-o, o Brasil quebra e o mercado de trabalho continuará deprimido.  

    Mais do que um número, o desemprego é um flagelo para milhões de famílias brasileiras. Significa fome em muitos lares humildes. É, adicionalmente, um veneno para a economia, pois traduz um desperdício colossal de forças produtivas. É o trabalhador que transforma e agrega valor às mercadorias. Ocioso, é sinônimo de perda para o PIB e o desenvolvimento nacional.

    Embora o Palácio do Planalto faça de conta que o problema não é dele, a responsabilidade do governo é total. A causa mais relevante da estagnação da economia e do desemprego em massa, que persistem depois de dois anos de uma severa recessão (2015-2016) é a política econômica do governo.

    O novo regime fiscal imposto pelo golpe de 2016, radicalizada pelo atual governo, com congelamento e cortes generalizados dos gastos e investimentos públicos é o vilão maior, mas também contam a reforma trabalhista e a terceirização irrestrita, que depreciaram o valor da força de trabalho e precarizam ainda mais as relações entre capital e trabalho, contribuindo para o empobrecimento do povo e o enfraquecimento do mercado interno.

    Política fiscal

    Até o presidente da Câmara Federal, Rodrigo Maia, um neoliberal de carteirinha, reconheceu que sem mudar a política fiscal e ampliar gastos e investimentos públicos não teremos recuperação da economia e do emprego. Com cortes infindos nos recursos para saúde, ciência, infraestrutura, meio ambiente e programas sociais, o impasse aumenta e o futuro que se delineia é o da recessão.

    A política de restauração neoliberal é altamente nociva e contrária aos interesses nacionais,  enfraquece o Brasil, deprime a demanda interna e perpetua nosso subdesenvolvimento. Cabe destacar o impacto negativo sobre a taxa de investimento, que é a força motriz do crescimento da produção e no primeiro trimestre deste ano chegou ao seu menor nível (15,5%) nos últimos 50 anos. 

    A suposição neoliberal de que, com privatização e cortes na saúde, educação e previdência os investimentos privados vão compensar a ausência do Estado é ilusória, não tem respaldo na realidade. O que a experiência histórica demonstra, especialmente no caso do Brasil, é que sem investimentos públicos a economia continuará patinando e tende a resvalar novamente para a recessão.

    A política do governo, com cortes generalizados, compromete a ciência, a Educação, os direitos sociais e o futuro. Vai na contramão das medidas necessárias para recolocar o país no rumo do desenvolvimento. A olímpica indiferença em relação ao desemprego é um crime contra o povo brasileiro e os interesses nacionais.

    Umberto Martins