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19
Sex, Abr

Dilma Rousseff

  • "Não esperem de mim o silêncio obsequioso dos covardes", disse Dilma Rousseff; assista na íntegra

    Leia aqui, na íntegra, o depoimento inicial de Dilma Rousseff, na abertura do quarto dia de julgamento no Senado. Ao final, o pronunciamento em vídeo, para quem não assistiu:

    “No dia 1° de janeiro de 2015 assumi meu segundo mandato à Presidência da República Federativa do Brasil. Fui eleita por mais de 54 milhões de votos.
    Na minha posse, assumi o compromisso de manter, defender e cumprir a Constituição, bem como o de observar as leis, promover o bem geral do povo brasileiro, sustentar a união, a integridade e a independência do Brasil.

    Ao exercer a Presidência da República respeitei fielmente o compromisso que assumi perante a nação e aos que me elegeram. E me orgulho disso. Sempre acreditei na democracia e no Estado de direito, e sempre vi na Constituição de 1988 uma das grandes conquistas do nosso povo.

    Jamais atentaria contra o que acredito ou praticaria atos contrários aos interesses daqueles que me elegeram.

    Nesta jornada para me defender do impeachment me aproximei mais do povo, tive oportunidade de ouvir seu reconhecimento, de receber seu carinho. Ouvi também críticas duras ao meu governo, a erros que foram cometidos e a medidas e políticas que não foram adotadas. Acolho essas críticas com humildade.
    Até porque, como todos, tenho defeitos e cometo erros.

    Entre os meus defeitos não está a deslealdade e a covardia. Não traio os compromissos que assumo, os princípios que defendo ou os que lutam ao meu lado. Na luta contra a ditadura, recebi no meu corpo as marcas da tortura. Amarguei por anos o sofrimento da prisão. Vi companheiros e companheiras sendo violentados, e até assassinados.

    Na época, eu era muito jovem. Tinha muito a esperar da vida. Tinha medo da morte, das sequelas da tortura no meu corpo e na minha alma. Mas não cedi. Resisti. Resisti à tempestade de terror que começava a me engolir, na escuridão dos tempos amargos em que o país vivia. Não mudei de lado. Apesar de receber o peso da injustiça nos meus ombros, continuei lutando pela democracia.

    Dediquei todos esses anos da minha vida à luta por uma sociedade sem ódios e intolerância. Lutei por uma sociedade livre de preconceitos e de discriminações. Lutei por uma sociedade onde não houvesse miséria ou excluídos. Lutei por um Brasil soberano, mais igual e onde houvesse justiça.
    Disso tenho orgulho. Quem acredita, luta.

    Aos quase setenta anos de idade, não seria agora, após ser mãe e avó, que abdicaria dos princípios que sempre me guiaram.
    Exercendo a Presidência da República tenho honrado o compromisso com o meu país, com a Democracia, com o Estado de Direito. Tenho sido intransigente na defesa da honestidade na gestão da coisa pública.

    Por isso, diante das acusações que contra mim são dirigidas neste processo, não posso deixar de sentir, na boca, novamente, o gosto áspero e amargo da injustiça e do arbítrio.

    E por isso, como no passado, resisto.

    Não esperem de mim o obsequioso silêncio dos covardes. No passado, com as armas, e hoje, com a retórica jurídica, pretendem novamente atentar contra a democracia e contra o Estado do Direito.

    Se alguns rasgam o seu passado e negociam as benesses do presente, que respondam perante a sua consciência e perante a história pelos atos que praticam. A mim cabe lamentar pelo que foram e pelo que se tornaram.

    E resistir. Resistir sempre. Resistir para acordar as consciências ainda adormecidas para que, juntos, finquemos o pé no terreno que está do lado certo da história, mesmo que o chão trema e ameace de novo nos engolir.

    Não luto pelo meu mandato por vaidade ou por apego ao poder, como é próprio dos que não tem caráter, princípios ou utopias a conquistar. Luto pela democracia, pela verdade e pela justiça. Luto pelo povo do meu País, pelo seu bem-estar.

    Muitos hoje me perguntam de onde vem a minha energia para prosseguir. Vem do que acredito. Posso olhar para trás e ver tudo o que fizemos. Olhar para a frente e ver tudo o que ainda precisamos e podemos fazer. O mais importante é que posso olhar para mim mesma e ver a face de alguém que, mesmo marcada pelo tempo, tem forças para defender suas ideias e seus direitos.

    Sei que, em breve, e mais uma vez na vida, serei julgada. E é por ter a minha consciência absolutamente tranquila em relação ao que fiz, no exercício da Presidência da República que venho pessoalmente à presença dos que me julgarão. Venho para olhar diretamente nos olhos de Vossas Excelências, e dizer, com a serenidade dos que nada tem a esconder que não cometi nenhum crime de responsabilidade. Não cometi os crimes dos quais sou acusada injusta e arbitrariamente.
    Hoje o Brasil, o mundo e a história nos observam e aguardam o desfecho deste processo de impeachment.

    No passado da América Latina e do Brasil, sempre que interesses de setores da elite econômica e política foram feridos pelas urnas, e não existiam razões jurídicas para uma destituição legítima, conspirações eram tramadas resultando em golpes de estado.

    O Presidente Getúlio Vargas, que nos legou a CLT e a defesa do patrimônio nacional, sofreu uma implacável perseguição; a hedionda trama orquestrada pela chamada “República do Galeão, que o levou ao suicídio.

    O Presidente Juscelino Kubitscheck, que contruiu essa cidade, foi vítima de constantes e fracassadas tentativas de golpe, como ocorreu no episódio de Aragarças.
    O presidente João Goulart, defensor da democracia, dos direitos dos trabalhadores e das Reformas de Base, superou o golpe do parlamentarismo mas foi deposto e instaurou-se a ditadura militar, em 1964. Durante 20 anos, vivemos o silêncio imposto pelo arbítrio e a democracia foi varrida de nosso País. Milhões de brasileiros lutaram e reconquistaram o direito a eleições diretas.

    Hoje, mais uma vez, ao serem contrariados e feridos nas urnas os interesses de setores da elite econômica e política nos vemos diante do risco de uma ruptura democrática. Os padrões políticos dominantes no mundo repelem a violência explícita. Agora, a ruptura democrática se dá por meio da violência moral e de pretextos constitucionais para que se empreste aparência de legitimidade ao governo que assume sem o amparo das urnas. Invoca-se a Constituição para que o mundo das aparências encubra hipocritamente o mundo dos fatos.

    As provas produzidas deixam claro e inconteste que as acusações contra mim dirigidas são meros pretextos, embasados por uma frágil retórica jurídica.
    Nos últimos dias, novos fatos evidenciaram outro aspecto da trama que caracteriza este processo de impeachment. O autor da representação junto ao Tribunal de Contas da União que motivou as acusações discutidas nesse processo, foi reconhecido como suspeito pelo Presidente do Supremo Tribunal Federal. Soube-se ainda, pelo depoimento do auditor responsável pelo parecer técnico, que ele havia ajudado a elaborar a própria representação que auditou. Fica claro o vício da parcialidade, a trama, na construção das teses por eles defendidas.

    São pretextos, apenas pretextos, para derrubar, por meio de um processo de impeachment sem crime de responsabilidade, um governo legítimo, escolhido em eleição direta com a participação de 110 milhões de brasileiros e brasileiras. O governo de uma mulher que ousou ganhar duas eleições presidenciais consecutivas.

    São pretextos para viabilizar um golpe na Constituição. Um golpe que, se consumado, resultará na eleição indireta de um governo usurpador.
    A eleição indireta de um governo que, já na sua interinidade, não tem mulheres comandando seus ministérios, quando o povo, nas urnas, escolheu uma mulher para comandar o país. Um governo que dispensa os negros na sua composição ministerial e já revelou um profundo desprezo pelo programa escolhido pelo povo em 2014.

    Fui eleita presidenta por 54 milhões e meio de votos para cumprir um programa cuja síntese está gravada nas palavras “nenhum direito a menos”.
    O que está em jogo no processo de impeachment não é apenas o meu mandato. O que está em jogo é o respeito às urnas, à vontade soberana do povo brasileiro e à Constituição.

    O que está em jogo são as conquistas dos últimos 13 anos: os ganhos da população, das pessoas mais pobres e da classe média; a proteção às crianças; os jovens chegando às universidades e às escolas técnicas; a valorização do salário mínimo; os médicos atendendo a população; a realização do sonho da casa própria.

    O que está em jogo é o investimento em obras para garantir a convivência com a seca no semiárido, é a conclusão do sonhado e esperado projeto de integração do São Francisco. O que está em jogo é, também, a grande descoberta do Brasil, o pré-sal. O que está em jogo é a inserção soberana de nosso País no cenário internacional, pautada pela ética e pela busca de interesses comuns.

    O que está em jogo é a auto-estima dos brasileiros e brasileiras, que resistiram aos ataques dos pessimistas de plantão à capacidade do País de realizar, com sucesso, a Copa do Mundo e as Olimpíadas e Paraolimpíadas.

    O que está em jogo é a conquista da estabilidade, que busca o equilíbrio fiscal mas não abre mão de programas sociais para a nossa população.
    O que está em jogo é o futuro do País, a oportunidade e a esperança de avançar sempre mais.

    Senhoras e senhores senadores,

    No presidencialismo previsto em nossa Constituição, não basta a eventual perda de maioria parlamentar para afastar um Presidente. Há que se configurar crime de responsabilidade. E está claro que não houve tal crime.

    Não é legítimo, como querem os meus acusadores, afastar o chefe de Estado e de governo pelo “conjunto da obra”. Quem afasta o Presidente pelo “conjunto da obra” é o povo e, só o povo, nas eleições. E nas eleições o programa de governo vencedor não foi este agora ensaiado e desenhado pelo Governo interino e defendido pelos meus acusadores.

    O que pretende o governo interino, se transmudado em efetivo, é um verdadeiro ataque às conquistas dos últimos anos.

    Desvincular o piso das aposentadorias e pensões do salário mínimo será a destruição do maior instrumento de distribuição de renda do país, que é a Previdência Social. O resultado será mais pobreza, mais mortalidade infantil e a decadência dos pequenos municípios.

    A revisão dos direitos e garantias sociais previstos na CLT e a proibição do saque do FGTS na demissão do trabalhador são ameaças que pairam sobre a população brasileira caso prospere o impeachment sem crime de responsabilidade.

    Conquistas importantes para as mulheres, os negros e as populações LGBT estarão comprometidas pela submissão a princípios ultraconservadores.
    O nosso patrimônio estará em questão, com os recursos do pré-sal, as riquezas naturais e minerárias sendo privatizadas.

    A ameaça mais assustadora desse processo de impeachment sem crime de responsabilidade é congelar por inacreditáveis 20 anos todas as despesas com saúde, educação, saneamento, habitação. É impedir que, por 20 anos, mais crianças e jovens tenham acesso às escolas; que, por 20 anos, as pessoas possam ter melhor atendimento à saúde; que, por 20 anos, as famílias possam sonhar com casa própria.

    Senhor Presidente Ricardo Lewandowski, Sras. e Srs. Senadores,
    A verdade é que o resultado eleitoral de 2014 foi um rude golpe em setores da elite conservadora brasileira.
    Desde a proclamação dos resultados eleitorais, os partidos que apoiavam o candidato derrotado nas eleições fizeram de tudo para impedir a minha posse e a estabilidade do meu governo. Disseram que as eleições haviam sido fraudadas, pediram auditoria nas urnas, impugnaram minhas contas eleitorais, e após a minha posse, buscaram de forma desmedida quaisquer fatos que pudessem justificar retoricamente um processo de impeachment.
    Como é próprio das elites conservadoras e autoritárias, não viam na vontade do povo o elemento legitimador de um governo. Queriam o poder a qualquer preço.
    Tudo fizeram para desestabilizar a mim e ao meu governo.

    Só é possível compreender a gravidade da crise que assola o Brasil desde 2015, levando-se em consideração a instabilidade política aguda que, desde a minha reeleição, tem caracterizado o ambiente em que ocorrem o investimento e a produção de bens e serviços.

    Não se procurou discutir e aprovar uma melhor proposta para o País. O que se pretendeu permanentemente foi a afirmação do “quanto pior melhor”, na busca obsessiva de se desgastar o governo, pouco importando os resultados danosos desta questionável ação política para toda a população.

    A possibilidade de impeachment tornou-se assunto central da pauta política e jornalística apenas dois meses após minha reeleição, apesar da evidente improcedência dos motivos para justificar esse movimento radical.

    Nesse ambiente de turbulências e incertezas, o risco político permanente provocado pelo ativismo de parcela considerável da oposição acabou sendo um elemento central para a retração do investimento e para o aprofundamento da crise econômica.

    Deve ser também ressaltado que a busca do reequilíbrio fiscal, desde 2015, encontrou uma forte resistência na Câmara dos Deputados, à época presidida pelo Deputado Eduardo Cunha. Os projetos enviados pelo governo foram rejeitados, parcial ou integralmente. Pautas bombas foram apresentadas e algumas aprovadas.

    As comissões permanentes da Câmara, em 2016, só funcionaram a partir do dia 5 de maio, ou seja, uma semana antes da aceitação do processo de impeachment pela Comissão do Senado Federal. Os Srs. e as Sras. Senadores sabem que o funcionamento dessas Comissões era e é absolutamente indispensável para a aprovação de matérias que interferem no cenário fiscal e encaminhar a saída da crise.

    Foi criado assim o desejado ambiente de instabilidade política, propício a abertura do processo de impeachment sem crime de responsabilidade.
    Sem essas ações, o Brasil certamente estaria hoje em outra situação política, econômica e fiscal.

    Muitos articularam e votaram contra propostas que durante toda a vida defenderam, sem pensar nas consequências que seus gestos trariam para o país e para o povo brasileiro. Queriam aproveitar a crise econômica, porque sabiam que assim que o meu governo viesse a superá-la, sua aspiração de acesso ao poder haveria de ficar sepultada por mais um longo período.

    Mas, a bem da verdade, as forças oposicionistas somente conseguiram levar adiante o seu intento quando outra poderosa força política a elas se agregou: a força política dos que queriam evitar a continuidade da “sangria” de setores da classe política brasileira, motivada pelas investigações sobre a corrupção e o desvio de dinheiro público.

    É notório que durante o meu governo e o do Pr Lula foram dadas todas as condições para que estas investigações fossem realizadas. Propusemos importantes leis que dotaram os órgãos competentes de condições para investigar e punir os culpados.

    Assegurei a autonomia do Ministério Público, nomeando como Procurador Geral da República o primeiro nome da lista indicado pelos próprios membros da instituição. Não permiti qualquer interferência política na atuação da Polícia Federal.

    Contrariei, com essa minha postura, muitos interesses. Por isso, paguei e pago um elevado preço pessoal pela postura que tive.

    Arquitetaram a minha destituição, independentemente da existência de quaisquer fatos que pudesse justificá-la perante a nossa Constituição.
    Encontraram, na pessoa do ex-Presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha o vértice da sua aliança golpista.

    Articularam e viabilizaram a perda da maioria parlamentar do governo. Situações foram criadas, com apoio escancarado de setores da mídia, para construir o clima político necessário para a desconstituição do resultado eleitoral de 2014.

    Todos sabem que este processo de impeachment foi aberto por uma “chantagem explícita” do ex-Presidente da Câmara, Eduardo Cunha, como chegou a reconhecer em declarações à imprensa um dos próprios denunciantes. Exigia aquele parlamentar que eu intercedesse para que deputados do meu partido não votassem pela abertura do seu processo de cassação.​

    Nunca aceitei na minha vida ameaças ou chantagens. Se não o fiz antes, não o faria na condição de Presidenta da República. É fato, porém, que não ter me curvado a esta chantagem motivou o recebimento da denúncia por crime de responsabilidade e a abertura deste d processo, sob o aplauso dos derrotados em 2014 e dos temerosos pelas investigações.

    Se eu tivesse me acumpliciado com a improbidade e com o que há de pior na política brasileira, como muitos até hoje parecem não ter o menor pudor em fazê-lo, eu não correria o risco de ser condenada injustamente.

    Quem se acumplicia ao imoral e ao ilícito, não tem respeitabilidade para governar o Brasil. Quem age para poupar ou adiar o julgamento de uma pessoa que é acusada de enriquecer às custas do Estado brasileiro e do povo que paga impostos, cedo ou tarde, acabará pagando perante a sociedade e a história o preço do seu descompromisso com a ética.

    Todos sabem que não enriqueci no exercício de cargos públicos, que não desviei dinheiro público em meu proveito próprio, nem de meus familiares, e que não possuo contas ou imóveis no exterior. Sempre agi com absoluta probidade nos cargos públicos que ocupei ao longo da minha vida.

    Curiosamente, serei julgada, por crimes que não cometi, antes do julgamento do ex-presidente da Câmara, acusado de ter praticado gravíssimos atos ilícitos e que liderou as tramas e os ardis que alavancaram as ações voltadas à minha destituição.

    Ironia da história? Não, de forma nenhuma. Trata-se de uma ação deliberada que conta com o silêncio cúmplice de setores da grande mídia brasileira.
    Viola-se a democracia e pune-se uma inocente. Este é o pano de fundo que marca o julgamento que será realizado pela vontade dos que lançam contra mim pretextos acusatórios infundados.

    Estamos a um passo da consumação de uma grave ruptura institucional. Estamos a um passo da concretização de um verdadeiro golpe de Estado.

    Senhoras e Senhores Senadores,
    Vamos aos autos deste processo. Do que sou acusada? Quais foram os atentados à Constituição que cometi? Quais foram os crimes hediondos que pratiquei?
    A primeira acusação refere-se à edição de três decretos de crédito suplementar sem autorização legislativa. Ao longo de todo o processo, mostramos que a edição desses decretos seguiu todas as regras legais. Respeitamos a previsão contida na Constituição, a meta definida na LDO e as autorizações estabelecidas no artigo 4° da Lei Orçamentária de 2015, aprovadas pelo Congresso Nacional.

    Todas essas previsões legais foram respeitadas em relação aos 3 decretos. Eles apenas ofereceram alternativas para alocação dos mesmos limites, de empenho e financeiro, estabelecidos pelo decreto de contingenciamento, que não foram alterados. Por isso, não afetaram em nada a meta fiscal.

    Ademais, desde 2014, por iniciativa do Executivo, o Congresso aprovou a inclusão, na LDO, da obrigatoriedade que qualquer crédito aberto deve ter sua execução subordinada ao decreto de contingenciamento, editado segundo as normas estabelecidas pela Lei de Responsabilidade Fiscal. E isso foi precisamente respeitado.

    Não sei se por incompreensão ou por estratégia, as acusações feitas neste processo buscam atribuir a esses decretos nossos problemas fiscais. Ignoram ou escondem que os resultados fiscais negativos são consequência da desaceleração econômica e não a sua causa.

    Escondem que, em 2015, com o agravamento da crise, tivemos uma expressiva queda da receita ao longo do ano – foram R$ 180 bilhões a menos que o previsto na Lei Orçamentária.

    Fazem questão de ignorar que realizamos, em 2015, o maior contingenciamento de nossa história. Cobram que, quando enviei ao Congresso Nacional, em julho de 2015, o pedido de autorização para reduzir a meta fiscal, deveria ter imediatamente realizado um novo contingenciamento. Não o fiz porque segui o procedimento que não foi questionado pelo Tribunal de Contas da União ou pelo Congresso Nacional na análise das contas de 2009.

    Além disso, a responsabilidade com a população justifica também nossa decisão. Se aplicássemos, em julho, o contingenciamento proposto pelos nossos acusadores cortaríamos 96% do total de recursos disponíveis para as despesas da União. Isto representaria um corte radical em todas as dotações orçamentárias dos órgãos federais. Ministérios seriam paralisados, universidades fechariam suas portas, o Mais Médicos seria interrompido, a compra de medicamentos seria prejudicada, as agências reguladoras deixariam de funcionar. Na verdade, o ano de 2015 teria, orçamentariamente, acabado em julho.

    Volto a dizer: ao editar estes decretos de crédito suplementar, agi em conformidade plena com a legislação vigente. Em nenhum desses atos, o Congresso Nacional foi desrespeitado. Aliás, este foi o comportamento que adotei em meus dois mandatos.

    Somente depois que assinei estes decretos é que o Tribunal de Contas da União mudou a posição que sempre teve a respeito da matéria. É importante que a população brasileira seja esclarecida sobre este ponto: os decretos foram editados em julho e agosto de 2015 e somente em outubro de 2015 o TCU aprovou a nova interpretação.

    O TCU recomendou a aprovação das contas de todos os presidentes que editaram decretos idênticos aos que editei. Nunca levantaram qualquer problema técnico ou apresentaram a interpretação que passaram a ter depois que assinei estes atos.

    Querem me condenar por ter assinado decretos que atendiam a demandas de diversos órgãos, inclusive do próprio Poder Judiciário, com base no mesmo procedimento adotado desde a entrada em vigor da Lei de Responsabilidade Fiscal, em 2001?

    Por ter assinado decretos que somados, não implicaram, como provado nos autos, em nenhum centavo de gastos a mais para prejudicar a meta fiscal?
    A segunda denúncia dirigida contra mim neste processo também é injusta e frágil. Afirma-se que o alegado atraso nos pagamentos das subvenções econômicas devidas ao Banco do Brasil, no âmbito da execução do programa de crédito rural Plano Safra, equivale a uma “operação de crédito”, o que estaria vedado pela Lei de Responsabilidade Fiscal.

    Como minha defesa e várias testemunhas já relataram, a execução do Plano Safra é regida por uma lei de 1992, que atribui ao Ministério da Fazenda a competência de sua normatização, inclusive em relação à atuação do Banco do Brasil. A Presidenta da República não pratica nenhum ato em relação à execução do Plano Safra. Parece óbvio, além de juridicamente justo, que eu não seja acusada por um ato inexistente.

    A controvérsia quanto a existência de operação de crédito surgiu de uma mudança de interpretação do TCU, cuja decisão definitiva foi emitida em dezembro de 2015. Novamente, há uma tentativa de dizer que cometi um crime antes da definição da tese de que haveria um crime. Uma tese que nunca havia surgido antes e que, como todas as senhoras e senhores senadores souberam em dias recentes, foi urdida especialmente para esta ocasião.

    Lembro ainda a decisão recente do Ministério Público Federal, que arquivou inquérito exatamente sobre esta questão. Afirmou não caber falar em ofensa à lei de responsabilidade fiscal porque eventuais atrasos de pagamento em contratos de prestação de serviços entre a União e instituições financeiras públicas não são operações de crédito.

    Insisto, senhoras senadoras e senhores senadores: não sou eu nem tampouco minha defesa que fazemos estas alegações. É o Ministério Público Federal que se recusou a dar sequência ao processo, pela inexistência de crime.

    Sobre a mudança de interpretação do TCU, lembro que, ainda antes da decisão final, agi de forma preventiva. Solicitei ao Congresso Nacional a autorização para pagamento dos passivos e defini em decreto prazos de pagamento para as subvenções devidas. Em dezembro de 2015, após a decisão definitiva do TCU e com a autorização do Congresso, saldamos todos os débitos existentes.

    Não é possível que não se veja aqui também o arbítrio deste processo e a injustiça também desta acusação.

    Este processo de impeachment não é legítimo. Eu não atentei, em nada, em absolutamente nada contra qualquer dos dispositivos da Constituição que, como Presidenta da República, jurei cumprir. Não pratiquei ato ilícito. Está provado que não agi dolosamente em nada. Os atos praticados estavam inteiramente voltados aos interesses da sociedade. Nenhuma lesão trouxeram ao erário ou ao patrimônio público.

    Volto a afirmar, como o fez a minha defesa durante todo o tempo, que este processo está marcado, do início ao fim, por um clamoroso desvio de poder.
    É isto que explica a absoluta fragilidade das acusações que contra mim são dirigidas.

    Tem-se afirmado que este processo de impeachment seria legítimo porque os ritos e prazos teriam sido respeitados. No entanto, para que seja feita justiça e a democracia se imponha, a forma só não basta. É necessário que o conteúdo de uma sentença também seja justo. E no caso, jamais haverá justiça na minha condenação.

    Ouso dizer que em vários momentos este processo se desviou, clamorosamente, daquilo que a Constituição e os juristas denominam de “devido processo legal”.
    Não há respeito ao devido processo legal quando a opinião condenatória de grande parte dos julgadores é divulgada e registrada pela grande imprensa, antes do exercício final do direito de defesa.

    Não há respeito ao devido processo legal quando julgadores afirmam que a condenação não passa de uma questão de tempo, porque votarão contra mim de qualquer jeito.

    Nesse caso, o direito de defesa será exercido apenas formalmente, mas não será apreciado substantivamente nos seus argumentos e nas suas provas. A forma existirá apenas para dar aparência de legitimidade ao que é ilegítimo na essência.
    Senhoras e senhores senadores,
    Nesses meses, me perguntaram inúmeras vezes porque eu não renunciava, para encurtar este capítulo tão difícil de minha vida.

    Jamais o faria porque tenho compromisso inarredável com o Estado Democrático de Direito.

    Jamais o faria porque nunca renuncio à luta.

    Confesso a Vossas Excelências, no entanto, que a traição, as agressões verbais e a violência do preconceito me assombraram e, em alguns momentos, até me magoaram. Mas foram sempre superados, em muito, pela solidariedade, pelo apoio e pela disposição de luta de milhões de brasileiras e brasileiros pelo País afora. Por meio de manifestações de rua, reuniões, seminários, livros, shows, mobilizações na internet, nosso povo esbanjou criatividade e disposição para a luta contra o golpe.

    As mulheres brasileiras têm sido, neste período, um esteio fundamental para minha resistência. Me cobriram de flores e me protegeram com sua solidariedade. Parceiras incansáveis de uma batalha em que a misoginia e o preconceito mostraram suas garras, as brasileiras expressaram, neste combate pela democracia e pelos direitos, sua força e resiliência. Bravas mulheres brasileiras, que tenho a honra e o dever de representar como primeira mulher Presidenta do Brasil.

    Chego à última etapa desse processo comprometida com a realização de uma demanda da maioria dos brasileiros: convocá-los a decidir, nas urnas, sobre o futuro de nosso País. Diálogo, participação e voto direto e livre são as melhores armas que temos para a preservação da democracia.

    Confio que as senhoras senadoras e os senhores senadores farão justiça. Tenho a consciência tranquila. Não pratiquei nenhum crime de responsabilidade. As acusações dirigidas contra mim são injustas e descabidas. Cassar em definitivo meu mandato é como me submeter a uma pena de morte política.

    Este é o segundo julgamento a que sou submetida em que a democracia tem assento, junto comigo, no banco dos réus. Na primeira vez, fui condenada por um tribunal de exceção. Daquela época, além das marcas dolorosas da tortura, ficou o registro, em uma foto, da minha presença diante de meus algozes, num momento em que eu os olhava de cabeça erguida enquanto eles escondiam os rostos, com medo de serem reconhecidos e julgados pela história.

    Hoje, quatro décadas depois, não há prisão ilegal, não há tortura, meus julgadores chegaram aqui pelo mesmo voto popular que me conduziu à Presidência. Tenho por todos o maior respeito, mas continuo de cabeça erguida, olhando nos olhos dos meus julgadores.

    Apesar das diferenças, sofro de novo com o sentimento de injustiça e o receio de que, mais uma vez, a democracia seja condenada junto comigo. E não tenho dúvida que, também desta vez, todos nós seremos julgados pela história.

    Por duas vezes vi de perto a face da morte: quando fui torturada por dias seguidos, submetida a sevícias que nos fazem duvidar da humanidade e do próprio sentido da vida; e quando uma doença grave e extremamente dolorosa poderia ter abreviado minha existência.

    Hoje eu só temo a morte da democracia, pela qual muitos de nós, aqui neste plenário, lutamos com o melhor dos nossos esforços.
    Reitero: respeito os meus julgadores.

    Não nutro rancor por aqueles que votarão pela minha destituição.

    Respeito e tenho especial apreço por aqueles que têm lutado bravamente pela minha absolvição, aos quais serei eternamente grata.

    Neste momento, quero me dirigir aos senadores que, mesmo sendo de oposição a mim e ao meu governo, estão indecisos.

    Lembrem-se que, no regime presidencialista e sob a égide da nossa Constituição, uma condenação política exige obrigatoriamente a ocorrência de um crime de responsabilidade, cometido dolosamente e comprovado de forma cabal.

    Lembrem-se do terrível precedente que a decisão pode abrir para outros presidentes, governadores e prefeitos. Condenar sem provas substantivas. Condenar um inocente.

    Faço um apelo final a todos os senadores: não aceitem um golpe que, em vez de solucionar, agravará a crise brasileira.

    Peço que façam justiça a uma presidenta honesta, que jamais cometeu qualquer ato ilegal, na vida pessoal ou nas funções públicas que exerceu. Votem sem ressentimento. O que cada senador sente por mim e o que nós sentimos uns pelos outros importa menos, neste momento, do que aquilo que todos sentimos pelo país e pelo povo brasileiro.

    Peço: votem contra o impeachment. Votem pela democracia.

    Muito obrigada.”

  • "Querem trocar um colégio eleitoral de 150 milhões por outro de 81 senadores", diz Dilma em ato em SP

    "Algum brasileiro votou para que os recursos da educação e da saúde fiquem congelados por 20 anos? Pois é disso que se trata o golpe”, disse a presidenta afastada Dilma Rousseff, em ótimo discurso proferido na noite desta terça-feira (23), durante ato popular na região central de São Paulo, em apoio à manutenção de seu mandato e contra o golpe.

    Ela se referia à PEC 241, proposta de emenda à Constituição do governo interino que faz um drástico corte nos gastos públicos, e que foi aprovada em comissão da Câmara na semana passada. “Querem substituir um colégio eleitoral de 150 milhões por outro de 81 senadores. Trocar a escolha direta pela indireta. Porque a democracia é incômoda – principalmente quando cresce a participação popular nas decisões", disse Dilma. 

    A manifestação organizada pelas frentes Brasil Popular e Povo sem Medo reuniu movimentos sociais, sindicais e partidários, além de intelectuais e juristas em apoio aos direitos sociais e trabalhistas, à presidenta e à democracia. O ex-senador Eduardo Suplicy, o prefeito da capital, Fernando Haddad, o presidente da CTB, Adilson Araújo, o coordenador do MTST, Guilherme Boulos, a ex-presidente da UNE, Carina Vitral, e a socióloga Marilena Chauí estavam presentes no ato.

    Dilma também lembrou que esta luta não tem data para terminar. “Uma das coisas que aprendemos com tudo o que aconteceu é que a democracia no país não está garantida, como pensávamos. A democracia é uma conquista sistemática e precisamos estar atentos", afirmou.

    "Questão de sobrevivência"

    O presidente nacional da CTB, Adilson Araújo, destacou em seu discurso a importância da participação política neste momento em que os meios de comunicação não fazem outra coisa senão demonizar a política, em um enorme desserviço à democracia. “Sob a luz do ódio e do preconceito, eles tentam massacrar, quebrar a espinha dorsal do campo democrático popular. Ainda assim, quando fazem uma pesquisa, dá Lula em primeiro para presidente.”

    Para Araújo, isto mostra a força dos movimentos populares e a importância da mobilização neste momento: “É dever moral de cada um de nós enxergar que esta luta se tornou questão de sobrevivência". 

    Foto Érika Ceconi

    "Farsantes"

    O jurista Dalmo Dallari, 85 anos, enviou uma mensagem de apoio a Dilma que foi lida por Suplicy, visivelmente emocionado. Dallari frisa o que o movimento dos juízes pela democracia vêm defendendo com veemência: que não há fundamentação legal para o impeachment. "O que tem sido publicado não passa de farsa e afrontas constitucionais - levadas a cabo por despreparo ou má fé. Alguns proponentes são verdadeiros farsantes", escreveu Dallari.

    "Legítima defesa"

    Para o presidente da União de Negros pela Igualdade (Unegro), Edson França, barrar o golpe é um movimento de "legítima defesa".

    "Não queremos a volta do senhor de engenho ao poder. Podem observar, a primeira coisa que a casa grande faz quando assume o poder é acabar com os direitos trabalhistas e desmantelar os programas sociais”, disse França.

    "PEC 241 é uma 'Desconstituinte'"

    "O que está em jogo - e é o fundamento deste impeachment forjado - é a Constituinte de 1988. A PEC 241, que já tramita no Congresso, é uma 'desconstituinte', representa a revogação dos direitos sociais. O recado é: - Esqueçam seus direitos. Daqui para frente é isto para menos", alertou o prefeito Fernando Haddad, candidato à reeleição na capital paulista.

    A mobilização em São Paulo é a primeira desta jornada em defesa da democracia que promoverá uma grande resistência ao golpe com atos em todo o país nesta reta final do processo. No próximo dia 29, Dilma Rousseff fará a sua defesa no Senado federal e um acampamento em Brasília irá acompanhar tudo, com protestos, manifestações e atos de resistência e apoio a Dilma e repúdio ao golpe. 

    Natália Rangel - Portal CTB 

    Foto UOL

  • A onda conservadora!

    A quadra política na qual estamos passando é conservadora, reacionária e do ponto da vista da economia é ultraliberal.

    Venho dizendo aqui, desde 2013, com a transversalidade dos atos que seriam para barrar os aumentos das passagens dos transportes urbanos, especificamente dos ônibus, que o quadro mudou, é como se a direita e seus tentáculos estivessem à espreita, esperando o momento certo de dar um golpe!

    O juiz Sergio Moro, há onze anos, escreveu um artigo que falava da Operação Mani Pulite (Operação Mãos Limpas) megainvestigação que aconteceu na Itália nos anos 1990. O juiz de Primeira Instância utiliza os métodos daquela operação, que era condenar sem provas e mais ainda, condenar a política como um todo, este é o manual daquela operação.

    Manipulados pela mídia, ávidas por noticias que pudessem colocar em cheque o domínio das esquerdas e o pensamento mais avançado, um consórcio se forma para não somente vencer as eleições de 2014, mas também para destruir e aniquilar uma posição mais progressista em nosso país.

    Apesar de vencermos o processo eleitoral daquele ano, entramos em 2015 sob forte bombardeio midiático que culminou quase dois anos depois com a cassação do mandato de Dilma Rousseff.

    O script já estava montado, o mercado deu o golpe, colocar um marionete no poder era o de menos, observamos os fatos na aprovação da famigerada reforma trabalhista, quando o governo do traidor e conspirador Michel Temer está para cair, mas os senadores, vassalos do mercador e do rentismo aprovaram com folga, sem ligar para

    os efeitos danosos da tal reforma, o fim da CLT em nosso país.

    O fim das garantias trabalhistas e futuramente a reforma da previdência, parte também deste grande esquema montado de desmonte do estado brasileiro. A condenação de Luiz Inácio Lula da Silva também é parte do grande esquema montado pela direita daqui em sociedade com o imperialismo!

    A condenação de Lula não é somente um ataque a ale mesmo ou ao seu partido, mas a toda esquerda latino-americana, faz parte do avanço conservador capitaneado pelo imperialismo estadunidense.

    Mas este conservadorismo em moda hoje, não é somente por aqui, o mundo hoje vivem estes paradigmas, com grupos xenófobos, fascistas, hordas humanas atravessando o limiar do bom senso, o ódio vai numa crescente assustadora!

    Mas não podemos temer, tenho a convicção que somente os movimentos sociais, a classe operária, os trabalhadores do campo, estudantes e os setores avançados da intelectualidade brasileira, têm condições de barrar este avanço conservador, com ações multitudinárias, as ruas são ainda o melhor caminho para barrar a sanha golpista e entreguista de parte da elite brasileira!

    Nivaldo Mota é vice-presidente do Sindicato dos Professores de Alagoas e dirigente da Contee.

    Os artigos publicados na seção “Opinião Classista” não refletem necessariamente a opinião da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e são de responsabilidade de cada autor.

  • Após afastamento de Dilma, Equador anuncia que vai chamar de volta o seu embaixador no Brasil

    O presidente do Equador, Rafael Correa, assim como seu homólogo boliviano, Evo Morales, expressou, nesta quarta-feira (31), sua solidariedade com a presidenta brasileira Dilma Rousseff que sofreu um impeachment, mesmo sem ter nenhum crime comprovado contra ela. 

    Leia também: Se impeachment for aprovado, Evo Morales diz que vai retirar embaixador do Brasil

    Em seu twitter, Correa disse que vai retirar o embaixador do país no Brasil, a medida é um dos mais graves gestos da diplomacia.

    “Destituíram Dilma. Uma apologia ao abuso e a traição. Retiraremos nosso encarregado da embaixada. Jamais honraremos essas práticas, que nos lembram as horas mais obscuras de nossa América. Toda nossa solidariedade com a companheira Dilma, Lula e com todo o povo brasileiro. Até a vitória sempre”, diz Correa em sua página oficial na rede social. 

  • Balanço do desgoverno Temer é assustador

    Desemprego causa transtornos para milhões de famílias (Foto: Thiago Freitas)

    No dia 31 de agosto de 2016, o Senado Federal encerrava o processo de impeachment da presidenta Dilma Rousseff, afastada desde o dia 12 de maio. Por 61 votos contra 20, a presidenta eleita constitucionalmente perdia o seu mandato, assumido então pelo vice-presidente Michel Temer.

    Foi o desfecho de intensos ataques ao segundo mandato da presidenta e a crise internacional chegando ao país. A união de amplos setores conservadores levou milhares para as ruas  e o golpe de Estado midiático-jurídico-parlamentar foi dado.

    A presidenta Dilma venceu a eleição em 2014 por uma margem mínima. Ela teve 51,64% dos votos válidos no segundo turno e Aécio Neves teve 48,16%, pouco mais de 3 milhões de votos de diferença. Foi o suficiente para o senador do PSDB por em dúvida o resultado.

    “A trama golpista envolveu amplos setores da elite brasileira em acordo com grandes corporações econômicas internacionais para atacar as principais conquistas da classe trabalhadora dos anos dos governos Lula e Dilma”, diz Ivânia Pereira, vice-presidenta da CTB.

    dilma impeachment carta capital

    Presidenta Dilma se despede firme na resistência ao golpe (Foto: Carta Capital)

    Com a promessa de combater a “corrupção” e tirar o Brasil da crise, os golpistas, com Temer à frente levaram a cabo o projeto de grandes conglomerados econômicos de barrar o projeto de desenvolvimento econômico voltado para os interesses nacionais, com distribuição de renda.

    Temer assumiu no dia 1º de setembro, com uma equipe de primeiro escalão sem a presença de mulheres, jovens e negros. De imediato já tirou o status de ministério da Secretaria de Políticas para as Mulheres, Igualdade Racial, Juventude, LGBT e Direitos Humanos.

    Desemprego alarmante

    Em seu discurso afirmou que "são quase 12 milhões de desempregados e mais de R$ 170 bilhões de déficit nas contas públicas. Meu compromisso é o de resgatar a força da economia e recolocar o Brasil nos trilhos".

    Mas a receita de seu projeto neoliberal só fez aprofundar a crise e o país volta ao Mapa da Fome da Organização das Nações Unidas com  desmonte dos programas sociais que haviam tirado cerca de 40 milhões de pessoas da miséria.

    “Temer vem fazendo sucessivos cortes nos beneficiários do Bolsa Família e em programas como o Minha Casa, Minha Vida e mais recentemente com o Farmácia Popular, além de acabar sem aviso prévio com a política de valorização do salário mínimo, que vinha trazendo aumentos reais”, argumenta Vânia Marques Pinto, secretária de Políticas Sociais da CTB. “E agora os aumentos têm sido abaixo da inflação”.

    A velocidade com que o governo golpista vem exterminando as conquistas que levaram o Brasil a ser a sexta economia do mundo, apavora. O desemprego que em 2015 era de 8,5%, atualmente está em 12,4%, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com mais de 13 milhões de famílias com algum desempregado.

    Além disso, lembra Ivânia, “a precariedade do trabalho avança com a aprovação da reforma trabalhista há pouco mais de um ano”. Juntando-se desocupados com subempregados chega-se ao astronômico número de mais de 27 milhões de pessoas, “sem perspectivas de melhoria imediata”.

     Investimentos congelados

    Com apoio de sua base, com ampla maioria no Congresso, Temer aprovou o congelamento de investimentos públicos nas áreas sociais por 20 anos, juntamente com os salários dos servidores federais, através da Emenda Constitucional 95.

    Os setores mais atingidos foram a saúde e educação públicas. Com isso, “o SUS (Sistema Único de Saúde) corre sério risco de extinção”, afirma Elgiane Lago, secretária da Saúde licenciada da CTB. “Querem pegar o dinheiro do SUS e passar para empresários da saúde, que só querem lucros”, denuncia.

    Na educação os cortes orçamentários têm sido brutais. “A reforma do ensino médio prioriza o ensino tecnicista e não valoriza o ensino voltado para o ingresso no ensino superior”, afirma Marilene Betros, secretária de Políticas Educacionais da CTB.

    Ela reclama da política autoritária desenvolvida pelo Ministério da Educação (MEC), tirando as representações da sociedade civil e do movimento educacional do Fórum Nacional de Educação e do Conselho Nacional de Educação.

    “As políticas do MEC representam a liquidação das 20 metas do PNE (Plano Nacional de Educação), principalmente a meta 20 de destinar 10% do PIB (Produto Interno Bruto) para essa área estratégica de qualquer nação”, diz.

    Já Luiza Bezerra, secretária da Juventude Trabalhadora da CTB, lembra que por causa das mudanças no Programa Universidade Para Todos (ProUNi) e no Financiamento estudantil, “mais de 170 mil universitários já abandonaram os estudos, além de nossos pesquisadores estarem saindo do país, numa grande perda para o desenvolvimento científico” .

    Reforma que deforma os direitos trabalhistas

    Outra marca registrada do desgoverno Temer é o entreguismo. A Petrobras perdeu a prioridade para a exploração dos poços de pré-sal, que estão sendo passados para petrolíferas estrangeiras.

    reforma trabalhista

    “Com a mudança no regime de exploração do petróleo, os royalties do pré-sal deixaram de ser destinados à educação e à saúde”, conta Luiza. Com isso, estima-se uma perda de R$ 1,3 trilhão somente para a educação em cerca de 30 anos.

    Mas a destruição não cessa. “A reforma trabalhista, ajudada pela terceirização ilimitada, liquida com a CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) e cria categorias de subempregados com a possibilidade de contratos intermitentes, de fatiamento das férias, entre outras perdas históricas”, afirma Ivânia.

    Não se pode esquecer da reforma da previdência, que está paralisada, mas ainda não foi engavetada.  “A promessa era a de criar empregos, mas a desocupação aumentou, o movimento sindical sore um ataque brutal na sua organização e o país vai afundando em índices alarmantes de violência”, assinala.

    Atlas da Violência

    De acordo o Atlas da Violência 2018, ocorreram 62.517 homicídios no país, em 2016, ou 30,3 mortes violentas por 100 mil habitantes, a maior taxa já registrada no Brasil. E para piorar, o estudo constatou que 56,5% dos assassinatos envolvem jovens entre 15 e 29 anos.

    Entre o total de assassinatos, 71,5% das vítimas eram negras ou pardas. Ou seja, a população negra tem 2,5 vezes de chances de serem mortas em relação à população branca (40,2 negros por 100 mil habitantes contra 16 brancos por 100 mil).

    “Com o golpe, o racismo institucional se revela ainda mais perverso”, acentua Mônica Custódio, secretária de Igualdade Racial da CTB. “Parece que as políticas afirmativas acirraram ainda mais os ânimos dos racistas, que se sentem ameaçados com a presença de negras e negros nas universidades, no mercado de trabalho, enfim em lugares onde não era habitual ver-se negros”.

    violencia negro latuff

    Arte de Carlos Lattuf

    Mulheres são as maiores vítimas

    “As mulheres são as que mais sofrem com a crise”, acentua Celina Arêas, secretária da Mulher Trabalhadora da CTB. “Ganhamos quase 30% a menos que os homens, sofremos assédio moral e sexual e somos as primeiras a ser demitidas e as últimas a se realocarem”.

    A violência de gênero está gritante. Houve crescimento de 6,4% de feminicídios nos dez anos pesquisados. Somente em 2016, foram mortas 4.645 mulheres, um acréscimo de 15,3% sobre 2015. No mesmo ano, as polícias brasileiras registraram 49.497 estupros no país, sendo que 50,9% das vítimas tinham menos de 13 anos.

    Com todos esses dados, “o balanço do desgoverno Temer é o pior da história”, ressalta Vânia. Por isso, “ele é o presidente mais rejeitado que o país já teve, chegando a mais de 90% de rejeição”. Por isso, nenhum candidato deseja o seu apoio explícito nestas eleições.

    Retrocessos no campo

    Para agradar a bancada ruralista no Congresso, Temer tem efetuado cortes orçamentários no programa de Agricultura Familiar, até então responsável por 70% de produção dos alimentos no país. Duas medidas provisórias afetam drasticamente a vida das agricultoras e agricultores familiares. A MP 839/2018 efetiva um corte de R$ 9,5 bilhões no orçamento destinado à agricultura familiar e a MP 842/2018, sobre a renegociação de dívidas fundiárias, prejudica as trabalhadoras e trabalhadores.

    Tanto que para o Conselho Político da CTB, "os trabalhadores e trabalhadoras rurais são vítimas do aumento da violência e uma agenda de retrocessos para a agricultura familiar, com redução dos investimentos e obstáculos à negociação das dívidas, cumplicidade com o trabalho escravo e o completo abandono da reforma agrária".

    Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB

  • Bob Fernandes: parlamentares afastam Dilma para salvar seus pescoços

    O jornalista Bob Fernandes disse em seu comentário sobre política para o telejornal noturno da TV Gazeta, na segunda-feira (29), que os parlamentares brasileiros “tomam o poder para salvar seus pescoços”, porque 1/3 do Congresso responde a processos na Operação Lava Jato.

    Para ele, o golpe parlamentar arrumou uma “gambiarra jurídica para emprestar legitimidade” ao golpe. Porque não existe nenhum termo na Constituição que preveja a destituição de um mandatário por ser mal governante, segundo a visão de alguns.

    De acordo com o jornalista, Dilma é atacada pelas ditas peladas fiscais, mas todos os gernantes pedalam, "Temer pedalou", então todos deveriam ser afastados.

    “Governo quem remove é o eleitor nas urnas”, argumenta Fernandes. Já esse golpe afasta uma presidenta “que não é acusada de corrupção”. Ele mostra que o processo foi iniciado por Eduardo Cunha, repleto de acusações contra si.

    Esse golpe foi dado para “salvar Cunha e sua língua”, que poderia levar à Justiça inúmeros parlamentares. As acusações da Lava Jato “envolvem Temer, PMDB, Serra, Aécio”, acentua Fernandes, além de inúmeros políticos que apearam a presidenta Dilma do poder.

    Assista Bob Fernandes 

    Tássia Camargo

    A atriz Tássia Camargo ironizou a situação vivida pelo país de maneira singular. Escreveu em sua rede social.

    "Passado o susto, agora a pouco, só tenho a agradecer, primeiramente a Deus, pelo livramento ocorrido agorinha comigo, no portão da minha casa. Fui abordada por dois ladrões, mas só cuspiram na minha cara e ameaçaram minha vida futuramente, depois do golpe concretizado. Não consegui identificar, mas um deles, um canalha, cafungava muito, o outro me pareceu ter nome de Anestesia.

    O que cafungava gritou: ‘Vamo bora, Anestisia!’.

    E o tal Anestesia respondeu: ‘Tá bom Ésim, tá bom Ésim’.

    Procura-se”.

    Para bom entendedor meia palavra basta, diz o dito popular.

    Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB

  • Bolsonaro quer destruir a política de valorização do salário mínimo

    O capitão Jair Bolsonaro já disse que chegou ao Palácio do Planalto não para construir, mas com o objetivo declarado de destruir. Temos de convir que, pelo menos neste sentido, não há como dele discordar. O presidente da extrema direita está empenhado em honrar a palavra. Nesta segunda-feira anunciou mais uma façanha: a destruição da política de valorização do salário mínimo, criada no governo Lula e institucionalizada por Dilma Rousseff em resposta à demanda unitária das centrais sindicais brasileiras.

    O governo propôs nesta segunda-feira (15) que o mínimo seja corrigido apenas pela inflação em 2020. Na prática, a medida, que depende de aval do Congresso, encerra a política que permitia ganhos reais aos trabalhadores e vigorou até janeiro deste ano.

    Sem aumento real

    A proposta que traça as diretrizes para o Orçamento do ano que vem, enviada ao Legislativo, prevê que o piso de salários no Brasil será de R$ 1.040 a partir de janeiro de 2020, o que representa uma correção de 4,2% referente à estimativa para a variação da inflação. Hoje, o valor está em R$ 998.​

    No texto do projeto da LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) de 2020, o governo ainda ampliou a previsão de rombo fiscal para o ano que vem, dos atuais R$ 110 bilhões de déficit para um resultado negativo de R$ 124,1 bilhões.

    A política de valorização do salário mínimo foi implementada no governo Lula e transformada em lei por sua sucessora Dilma Rousseff, com validade até este ano mas com previsão de prorrogação, principalmente porque ao longo dos últimos anos não houve aumento real devido ao baixo desempenho da economia.

    No cálculo vigente até o reajuste de 2019, o salário mínimo foi corrigido levando em conta a inflação no ano anterior somada ao PIB de dois anos antes, o que permitiu alta real em períodos de crescimento econômico. Se o valor de 2020 fosse definido pelo mesmo critério seria acrescido 1,1% de aumento real, referente ao crescimento do PIB de 2018. É o benefício que Bolsonaro está surrupiando da classe trabalhadora. E não é pela primeira vez, pois ele iniciou o governo reduzindo o valor proposto para o salário mínimo pelo governo Temer, de R$ 1006 para R$ 998. 

    Tudo pelo capital

    A decisão de acabar com os ganhos acima da inflação está em linha com a política neoliberal adotada pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, cujo principal fundamento é uma depreciação ainda mais profunda da força de trabalho no Brasil para atender demandas capitalistas. Ela tem a mesma lógica da perversa reforma da Previdência e da proposta de uma nova carteira do trabalho (verde e amarelo) sem as garantias da CLT e com as normas contratuais definidas por meio da negociação individual entre patrão e empregado.

    A desculpa, esfarrapada, para a decisão de subtrair do mínimo o aumento real é combater o déficit público e alcançar o equilíbrio fiscal, o que se procura fazer sempre às custas da classe trabalhadora, prejudicando principalmente as camadas mais pobres. Ao mesmo tempo os magnatas do agronegócio são premiados com subsídios bilionários, o pagamento dos juros (que consomem em torno de 50% do Orçamento da União) é sacralizado, as desonerações são preservadas, fraudes e sonegações fiscais bilionárias, por parte dos grandes empresários, são permitidas e agraciadas com a impunidade. E o déficit continua nas nuvens.

    Ou seja, o viés de classes da atual administração é transparente. Tudo se faz para satisfazer o afã dos capitalistas pela maximização dos lucros e a contrapartida desta benevolência é uma política implacável de destruição de direitos e conquistas da classe trabalhadora, temperada com um desumano desprezo pelos mais pobres, como se vê em relação ao programa Mais Médico, que está na UTI.

    Efeitos macroeconômicos  

    A direita neoliberal argumenta que a política de destruição de direitos e depreciação da força do trabalho é o remédio, amargo mas milagroso, que vai curar todos os males que perturbam a economia brasileira, despertando a generosidade (ou seria a cobiça?) da fada madrinha dos investimentos (o capital estrangeiro em primeiro lugar) e propiciando, com isto, a retomada do desenvolvimento. É uma tosca inversão da realidade, pois é o contrário que, efetivamente, ocorre.

    Lembremos que a malfadada reforma trabalhista foi imposta com a mesma promessa, assim como a famosa PEC do fim do mundo, que congelou por 20 anos as despesas públicas primárias (ou seja, todas as despesas do governo com a óbvia exceção do pagamento dos juros da dívida pública, que é sagrado ou simplesmente imexível, como diria Rogério Magri).

    O resultado é hoje visível: o novo regime fiscal, alicerçado no congelamento dos dispêndios governamentais, deprimiu ainda mais a já anêmica taxa de investimentos (ou Formação Bruta de Capital Fixo, no idioma do IBGE), agravando a crise e condenando a economia brasileira ao círculo vicioso da estagnação.

    A reforma trabalhista resultou em maior precarização e contribuiu, na mesma medida, para a redução dos salários e, por extensão, do consumo popular, bem como da arrecadação tributária nas três esferas da federação, indo de encontro ao suposto objetivo de combater o déficit público. Um resultado que já havia sido antecipado pelos críticos, pois enquanto o trabalhador formal, com carteira assinada, contribui para a Previdência, o FGTS, o Leão e o Sistema S, o precário (condenado à informalidade) está à margem não só dessas contribuições como igualmente dos benefícios a elas associados, como a aposentadoria e indenização nas demissões imotivadas.

    Com o arrocho do salário mínimo, que agora teve início, o efeito não será muito diferente. A política de valorização do salário mínimo fortaleceu o mercado interno brasileiro, estimulando a demanda e contribuindo decisivamente para a retomada do crescimento no governo Lula, especialmente no curso da crise econômica mundial iniciada no final de 2007 nos EUA.

    Valorizar o salário mínimo e promover, por este meio, o crescimento do consumo popular e a redução da chocante e crescente desigualdade social é um dos caminhos que críticos do neoliberalismo apontam para interromper e reverter o processo de degradação da economia e do próprio Estado nacional.

    O governo da extrema direita vai na direção oposta. Porém o retrocesso, neste caso, ainda pode ser evitado. A proposta do novo valor para o salário mínimo vai passar pelo crivo dos parlamentares e pode ser alterada ao longo da tramitação do projeto da LDO no Congresso. É de se esperar um debate mais profundo sobre o tema e maior sensibilidade no Parlamento aos reais interesses do povo e da nação brasileira.

    Mordomias militares

    Conforme informações do jornal Folha de São Paulo, o projeto da LDO prevê que os militares serão a única categoria do serviço público autorizada a ter reajuste de salários e benefícios em 2020. Uma benção do capitão Jair Bolsonaro.

    A liberação será feita antes mesmo da aprovação da reestruturação da carreira militar proposta pelo governo e em tramitação no Congresso. Em direção contrária, a proposta barra reajustes para todos os servidores civis.

    “Não teremos política de reajuste, precisamos controlar esse gasto”, afirmou o secretário.

    O notório privilégio concedido aos militares, que voltaram ao Palácio de Planalto pelas mãos de um capitão reformado 34 anos depois do desmoronamento da ditadura instalada pelos generais em 1964, desperta indignação não só entre os trabalhadores e trabalhadoras, sobretudo do setor público, mas inclusive no Congresso Nacional, onde tramita no momento a perversa proposta de reforma da Previdência da dupla Guedes/Bolsonaro, para a qual por sinal a contribuição de soldados e oficiais das Forças Armadas, que não abrem mão da integralidade e paridade, é menos que risível.

  • Conheça a trajetória guerreira de dona Marisa Letícia na luta por um Brasil mais justo e humano

    Na campamnha eleitoral de 1989, dona Marisa puxa a candidatura de Lula à Presidência para cima

    (Foto: Arquivo pessoal)

    “A mídia ignorou a trajetória de dona Marisa como se ela tivesse sido apenas uma dona de casa, vivendo à sombra do marido”, afirma Ivânia Pereira, secretária da Mulher Trabalhadora da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).

    Pereira se refere ao fato de a biografia de dona Marisa ter tido pouco destaque. “Ignoraram que ela foi uma guerreira desde a infância. Participou ativamente dos movimentos pela melhoria da vida do povo e das campanhas presidenciais do marido (Luiz Inácio Lula da Silva)”, diz.

    A labuta da menina que nasceu em São Bernardo do Campo, em 7 de abril de 1950 no seio de uma família pobre, começou muito cedo. Aos 9 anos já trabalhava como babá de sobrinhos do pintor Candido Portinari, num tempo em que não existia regulação nenhuma para o trabalho doméstico, nem controle sobre o trabalho infantil.

    De acordo com informações da Fundação Perseu Abramo e dos Jornalistas Livres, aos 13 anos ela já era operária da fábrica de balas, dropes e confeitos Dulcora. Dali saiu para o primeiro casamento aos 19 anos. Seis meses depois estava viúva e grávida do primeiro filho.

    Com a morte do primeiro marido, dona Marisa foi à luta para sustentar ela e o filho. Como operária foi ao Sindicato dos Metalúrgicos do ABC (na época de São Bernardo e Diadema), tratar da pensão do falecido marido, onde conhece Lula, então responsável pela assistência social do sindicato.

    Começa o namoro com ele em 1973 e se casam em 1974. Lula se torna presidente do sindicato no ano seguinte. Ela disse em uma entrevista que cansada da ausência do marido sindicalista, decidiu fazer um curso de política com Frei Betto.

    marisa lula casamento

    Foto: Arquivo pessoal

    A sua militância cresceu e não parou mais. Em outra entrevista afirmou que “em um casamento o amor é muito importante. Mas sonhar juntos é fundamental”. E ela fez o seu marido sonhar com ela em construir um novo Brasil.

    Tanto que para a presidenta deposta Dilma Rousseff dona Marisa foi uma "mulher de fibra, batalhadora que conquistou espaço e teve importante papel político”. Foi ela que fez a primeira bandeira do Partido dos Trabalhadores (PT), no ano de sua fundação em 1980.

    "Eu tinha um tecido vermelho, italiano, um recorte guardado há muito tempo. Costurei a estrela branca no fundo vermelho. Ficou lindo". Nesse mesmo ano, o ex-presidente Lula foi preso juntamente com outros sindicalistas, porque na ditadura (1964-1985) a greve era proibida.

    Dona Marisa então arregaçou as mangas e organizou uma grande passeata só de mulheres pelo centro de São Bernardo contra a prisão arbitrária dos dirigentes sindicais. "Hoje parece loucura. Fizemos uma passeata das mulheres. Encheu de polícia”, contou ela à Fundação Perseu Abramo.

    Em 1º de janeiro de 2003, tornou-se primeira-dama com a posse de Lula à Presidência da República. No mesmo ano disse à revista Criativa que “quando somos jovens imaginamos que o mundo tem que ser cor-de-rosa, só que ele não é. Isso muitas vezes é um choque. O amadurecimento proporciona isso, compreensão das coisas, mais paciência. Nós aproveitamos o nosso tempo juntos para ficar bem, felizes”.

    marisa leticia aeronautica ricardo stuckert

    Já como primeira-dama em solenidade em Brasília (Foto: Ricardo Stuckert)

    Já a ex-ministra Miriam Belchior afirma que “fora de casa Lula é o centro das atenções. No campo doméstico, Marisa é soberana. Ela é a âncora da família”.

    “A morte de Marisa Letícia mostra que as pessoas estão perdendo o sentimento de humanidade”, reforça a cetebista Pereira. “A mídia burguesa enxerga a mulher somente como coadjuvante, sempre à sombra dos homens. Assim não veem a nossa luta para construir o mundo novo. Luta que contou com a presença dessa guerreira".

    Portal CTB - Marcos Aurélio Ruy

  • CTB promove ato em jornada pela democracia; Dilma participa no Uruguai

    Diversos países da América Latina e Caribe deram início, nesta sexta-feira (4), à Jornada pela Democracia e Contra o Neoliberalismo, como forma de denunciar o avanço das forças conservadoras em toda a região.

    Durante todo o dia, organizações sociais do continente, entre elas a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), realizam atos em seus países denunciando as políticas que acabam com os direitos da classe trabalhadora.

    jornada bahia ctb fsm brasil pec241

    No Brasil, sindicalistas da CTB, se manifestaram em frente à Universidade Federal da Bahia (UFBA), a instituição está ocupada por estudantes que reivindicam mais investimentos na educação e são contra a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 241, que congela investimentos no setor por 20 anos.

    Como parte da Jornada, a central sindical brasileira irá realizar o Seminário Diálogos para a Resistência que ocorrerá na próxima terça e quarta-feira (8 e 9) em São Paulo e contará com a participação de lideranças do movimento social.   

    Uruguai

    A ação organizada pela central sindical uruguaia PIT-CNT contou com a participação da presidenta brasileira afastada, Dilma Rousseff. “Sem democracia não há como lutar por igualdade”, declarou ela no ato de encerramento da atividade que ocorreu em Montevidéu.

    Assista seu discurso:

     

    Após o ato, Rousseff se reuniu com sindicalistas na sede da central e denunciou o golpe. Ela aproveitou a oportunidade para agradecer a solidariedade internacional com o povo brasileiro.

    Érika Ceconi - Portal CTB

    Foto: PIT-CNT

     

  • Dom Pedro Casaldáliga critica golpe em carta aberta aos brasileiros e brasileiras

    O bispo emérito da Prelazia de São Félix do Araguaia (MT), Dom Pedro Casaldáliga, 88 anos, divulgou neste domingo (3) a “Carta Aberta às Comunidades Sobre a Atual Conjuntura Política do Brasil” contra o golpe e em defesa da democracia.

    “No Brasil, a conjuntura atual é caracterizada por uma profunda crise política institucional, que ameaça as conquistas democráticas, rompendo com o pacto social realizado nas últimas décadas, bem como com o respeito aos valores humanos básicos”, diz trecho da carta.

    O documento é assinado por Casaldáliga, pelo seu sucessor (Casaldáliga está aposentado) bispo Adriano Vasino e pelos agentes pastorais da Prelazia. “Repudiamos a tentativa de desestabilização de um governo democraticamente eleito, sob o risco de conduzir o país ao caos generalizado”.

    “Como Igreja, apoiamos o combate às injustiças e a corrupção e apelamos ao Ministério Público e ao Judiciário que ajam com isenção, rigor e imparcialidade no exercício de suas funções, punindo os responsáveis independentemente do partido a que pertençam”, reforça o manifesto.

    Sob comando de Dom Pedro Casaldáliga (até 2005) e do atual bispo Adriano Vasino, a Prelazia de São Félix do Araguaia desenvolve desde a década de 1970 trabalho pastoral ligado a causas como a defesa de direitos dos povos indígenas e contra a violência dos conflitos agrários.

    Adepto da Teologia da Libertação, o espanhol Casaldáliga ganhou notoriedade nos anos 1970 ao ajudar camponeses da sua região na questão da posse da terra. Por isso, foi alvo de inúmeras ameaças de morte. Também sofreu processos de expulsão do Brasil pela ditadura civil-militar (1964-1985).

    Portal CTB

    Confira abaixo a íntegra da carta aberta:

    Carta Aberta às Comunidades Sobre a Atual Conjuntura Política do Brasil

    “Quero ver o direito brotar como fonte, e correr a justiça qual riacho que não seca”

    Am 5, 24.

    Os agentes de pastoral da Prelazia de São Félix do Araguaia, reunidos, nos dias 28 de março a 02 de abril de 2016, em São Félix do Araguaia, MT, com o bispo Dom Adriano Ciocca Vasino e o bispo emérito Dom Pedro Casaldáliga, manifestam grande preocupação com o momento sociopolítico que vivenciamos atualmente.

    Sabemos que uma crise econômica, que se iniciou de forma concreta em 2008, está afetando fortemente o sistema capitalista e tem provocado, por parte de grandes empresas e países ricos como os Estados Unidos, uma investida violenta em diversos países em desenvolvimento. Tais países são vistos como fornecedores de matéria prima e mão de obra barata para alimentar o luxo e o consumo dos ricos de fora e da elite interna que tem se tornado cada vez mais rica e opulenta.

    Povos e comunidades são desconsiderados e expropriados de seus direitos para abrirem espaços para as grandes empresas. No Brasil, a conjuntura atual é caracterizada por uma profunda crise política institucional, que ameaça as conquistas democráticas, rompendo com o pacto social realizado nas últimas décadas, bem como com o respeito aos valores humanos básicos.

    Como Igreja, apoiamos o combate às injustiças e a corrupção e apelamos ao Ministério Público e ao Judiciário que ajam com isenção, rigor e imparcialidade no exercício de suas funções, punindo os responsáveis independentemente do partido a que pertençam.

    O momento atual que a sociedade brasileira atravessa é delicado e exige acima de tudo uma reflexão aprofundada isenta de paixões e partidarismos. Apelamos para o bom senso dos integrantes do Congresso Nacional (Deputados e Senadores), afim de que saibam olhar a complexidade e delicadeza desse momento. Não podemos retroceder nas conquistas democráticas alcançadas.

    Repudiamos a tentativa de desestabilização de um Governo democraticamente eleito, sob o risco de conduzir o País ao caos generalizado. Grupos conservadores, respaldados pela grande mídia, passam uma visão superficial e manipulada do grave momento que o país vive.

    Acreditamos que a sociedade brasileira, civil e organizada, esteja à altura de compreender a gravidade do momento e dizer NÃO a qualquer tentativa de golpe.

    O Povo já superou graves crises institucionais, saberá manter a serenidade e de forma pacífica fará valer o Direito e a Justiça.

  • Eleonora Menicucci: sentença revista é vitória das mulheres contra a cultura do estupro

    Até o sol ameaçou abrir na nublada São Paulo na manhã desta terça-feira (24). A ex-ministra de Políticas para as Mulheres de Dilma Rousseff, Eleonora Menicucci, teve seu recurso acatado contra condenação anterior em processo movido pelo ator pornô Alexandre Frota.

    Assista a manifestação em apoio à luta das mulheres contra a violência e a discriminação 

    O julgamento ocorreu no Fórum João Mendes, no centro da capital paulista e o resultado foi muito comemorado por dezenas de manifestantes solidárias à Menicucci. “Foi uma vitória do bom senso”, afirma Celina Arêas, secretária da Mulher Trabalhadora da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).

    Entenda o caso

    Mulheres organizam manifesto em apoio à ex-ministra Eleonora Menicucci

    “Aqui vai o meu mais profundo agradecimento a todas as mulheres, de todas as raças, de todas as matrizes religiosas, de todas as idades. Essa vitória é das mulheres brasileiras porque foi com elas que eu aprendi a lutar”, afirmou Menicucci ao sair do tribunal.

    “A CTB apoia a ex-ministra e está na luta contra qualquer disseminação de atos violentos contra as mulheres, inclusive contra insinuações de sexo não consensual em um canal de televisão”, reforça Arêas. “Para nós, Frota é quem deveria estar sendo julgado por suas grosserias contra as mulheres e a população LGBT”.

    Inclusive foi criada a página Somos Todas Eleonorano Facebook em apoio à ex-ministra, de 73 anos. 

    A ex-ministra havia sido condenada no ano passado em primeira instância a indenizar Frota em R$ 10 mil por ter dito que o ator faz apologia ao estupro e criticou o ministro da Educação, Mendonça Filho, por tê-lo recebido em seu gabinete. “Frota não só assumiu ter estuprado uma mulher, mas também faz apologia ao estupro”, disse a ex-ministra à época.

    Frota chegou ao tribunal escoltado por policias militares, discutiu com as manifestantes e tentou agredi-las como mostra o vídeo do Brasil de Fato (veja abaixo). “A que ponto chegamos com esse golpe, uma mulher da envergadura de Menicucci ter que comparecer aos tribunais para responder às acusações de um ator como o Frota. Impensável”, diz Arêas.

    Veja como foi a entrevista que causou a acusação de Menicucci

    Após insinuar sexo não consensual em TV, Alexandre Frota processa ex-ministra de Dilma

    Para a cetebista, “é muito importante a união de todas as brasileiras e brasileiros que sonham com um país mais igual e humano”. Ela critica a decisão da juíza de primeira instância e reafirma a necessidade de o movimento feminista “tomar as ruas para denunciar as constantes violências as quais as mulheres são submetidas" e complementa: "queremos nossos direitos a uma vida digna respeitados”.

    Portal CTB - Marcos Aurélio Ruy

  • Filme “Aquarius” vence festival em Amsterdã e Sonia Braga reafirma que impeachment é golpe

    Bem no dia em que o julgamento final do processo de impeachment da presidenta Dilma, nesta segunda-feira (29), atinge a sua fase derradeira, a atriz Sonia Braga, do filme “Aquarius”, disse durante o Festival de Gramado, que “nunca é suficiente repetir que é golpe. Ter criado esse precedente foi um crime”.

    Aliás, a obra de Kleber Mendonça Filho vem sendo perseguida pelo governo golpista de Michel Temer, desde que o seu elenco protestou no Festival de Cannes, na França, em maio, denunciando o golpe parlamentar-jurídico à democracia brasileira.

    “Aquarius” coleciona prêmios; O mais recente foi o de melhor filme no Festival Mundial de Cinema de Amsterdã (World Cinema Amsterdam). A película que estreia no território nacional na quinta-feira (1º) se destaca no mundo, mesmo sob ataque dos golpistas no país.

    Já o escritor Luiz Fernando Verissimo aconselhou-nos em sua coluna, no jornal O Globo, a evitar nos olharmos no espelho porque corremos o risco de “descobrir que nesta ópera o palhaço somos nós”, reafirmando que a farsa do impeachment é golpe.

    Marcos Aurélio Ruy - Portal CTB

  • Golpe traz de volta FMI, arrocho e recessão

    O dia 31 de agosto de 2016 entra para a história como a data em que a elite ataca a democracia para acabar com o projeto de governo a favor do povo que vinha ocorrendo nos últimos 14 anos.

    Esse golpe, disfarçado de impeachment, nada mais é do que uma farsa para banir os direitos do povo brasileiro. Um ataque direto aos direitos trabalhistas e sociais, conquistados com os governos Lula e Dilma. Mais ainda querem aniquilar os programas sociais, de distribuição de renda.

    O projeto do governo sem voto, acarretará perdas de conquistas históricas da classe trabalhadora. Pretendem liquidar direitos sociais e individuais, pelos quais as mulheres, os negros e negras, os povos indígenas e a comunidade LGBT verão suas conquistas irem para o ralo com essa elite branca e rica no poder.

    Já começam com a intenção de privatizar o ensino médio e superior na educação. Além de intencionarem impor o projeto “Escola Sem Partido” (saiba mais aqui), que nada mais é do que a imposição do fascismo, da falta de diálogo e do obscurantismo em salas de aula, tirando da juventude, essencialmente a mais pobre, a oportunidade de um desenvolvimento pleno, onde a cognição e a emoção caminhem lado a lado para a formação se um adulto completo, generoso e solidário.

    Acabar com as cotas sociais e raciais nas universidades também trará um prejuízo enorme aos negros e negras, aos pobres e aos povos indígenas. A elite não engoliu a adoção das cotas, que elevaram o número de negros nas universidades como nunca se viu (leia mais aqui).

    Composto por 80% de homens brancos, o Senado Federal cassou a presidenta Dilma para pôr fim às políticas de combate à pobreza, que melhorou a vida de mais de 40 milhões de pessoas, criando políticas públicas para promover acesso à cultura, educação, saúde, moradia, enfim uma vida digna para todos e todas.

    Fundamental neste momento a união de negros e negras com as forças democráticas para combater esse golpe nas ruas e nas redes todos os dias, todas as horas e segundos. Não tem arrego. Essa luta é nossa, por nós e pelas gerações futuras.

    Esse golpe parlamentar-jurídico representa trazer novamente para a vida dos brasileiros e brasileiras o fantasma do Fundo Monetário Internacional com sua receita de arrocho salarial, fim dos direitos trabalhistas e forte recessão na economia.

    Por isso, conclamamos todos e todas à luta. Não vamos permitir que manchem novamente a bandeira brasileira com o sangue de nossa juventude. Lutar sempre!

    Mônica Custódio, secretária de Promoção da Igualdade Racial da CTB

     

  • Jornal The New York Times denuncia ao mundo o golpe no Brasil

    Considerado o diário mais importante do mundo, o jornal The New York Times (NYT) faz uma série de reportagens sobre o golpe de Estado jurídico-parlamentar em marcha contra a democracia brasileira.

    A equipe de correspondentes acompanhou algumas manifestações em defesa do Estado Democrático de Direito e das conquistas sociais dos últimos 13 anos. Os jornalistas norte-americanos produziram um vídeo, visualizado no mundo inteiro.

    Assista o vídeo do NYT 

    Camila Márdila (a Jéssica de Que Horas Ela Volta?) gravou uma chamada à resistência ao golpe. "Algo muito importante ainda está pra acontecer, não tem nada definido... A gente tem que prestar muita atenção ao que pode acontecer nos próximos dias nesse país, e não é só nas Olimpíadas”, diz a atriz.

    Veja Camila Márdila

     

    O vídeo “Golpe x Democracia”, do grupo Juventude Decidida, pergunta: "De que lado você está? De Eduardo Cunha, com várias acusações de atos ilícitos, ou de Dilma, sem nenhuma acusação comprovada?"

    Veja o vídeo e decida 

    Com muita irreverência, centenas de brasileiros e brasileiras tomaram a Times Square em Nova York, Estados Unidos, em defesa da democracia e pelo “Fora Temer”, no domingo (31). Chico César canta “as velhas raposas querem o galinheiro”...

    Assista

    Os Jornalistas Livres gravam vídeo de uma solenidade com a presença de políticos graúdos do PSDB paulista sobre a questão da saúde, onde ocorre um protesto contra o desmanche do SUS e os políticos se fazem de desentendidos.

    Estavam presentes José Serra (ministro interino das Relações Exteriores), Fernando Capez (presidente da Assembleia Legislativa de SP), Geraldo Alckmin (governador de SP), David Uip (secretário de Estado da Saúde) e Ricardo Barros (ministro da saúde do interino).

    Repare a cara de pau dos tucanos 

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy. Charge: Latuff

  • Na Itália, Dilma afirma que Brasil precisa de um "banho de democracia"

    Durante o seminário “A solidão da democracia”, realizado nesta sexta-feira (27), na Universidade de Salento em Lecce, no sul da Itália, a presidenta Dilma Rousseff afirmou que acredita na força do povo brasileiro para impedir um outro golpe de Estado no Brasil em 2018 – o possível impedimento da candidatura do ex-presidente Lula ou da própria eleição. “Eu acredito na democracia. O Brasil precisa hoje de um banho de democracia. E isso, você só tem pelo voto”, alegou a presidenta dizendo que defender a democracia é a única arma contra a desigualdade.

    Confira como foi o discurso da presidenta:

    Para Dilma, não é possível conceber uma sociedade igualitária reduzindo os espaços de expressão política, como a história provou ao implantar regimes antidemocráticos. “Defender a participação, o debate, e assegurar que se ampliem os espaços de expressão são as únicas armas que temos”, disse. “A democracia passou a ter um papel central no nosso mundo. Ela torna nítido o que é escondido. Por isso, o papel estratégico para construir o novo presente é a democracia. Porque quando você constrói o presente, você está olhando para o futuro”.

    Para a presidenta, ao adotar medidas contra o povo, como a emenda constitucional que congela os gastos primários por 20 anos, o atual governo prova não estar preocupado com o futuro do país. “Ao mesmo tempo em que eles não apresentam nenhuma solução para a crise, adotam medidas impopulares. O horizonte desse governo é desconstruir o Estado, a economia e os ganhos sociais dos últimos anos. Essa é a impressão digital desse governo”.

    Do site oficial da presidenta Dilma Rouseff

  • O maior crime de Dilma foi ousar tornar-se presidenta

    Vivemos um momento triste para o país, para a democracia e, sobretudo, para as mulheres. Passadas décadas de luta pelo empoderamento feminino e pelo protagonismo que nos cabe nessa sociedade que dominamos como maioria, hoje damos um passo atrás.

    Vencidas pelo machismo, assistimos à presidenta Dilma Rousseff sofrer um golpe ao ser afastada do comando da Nação.

    Acusada por crimes inexistentes, seu maior crime foi o de, sendo mulher, ousar tornar-se presidenta dessa República marcada pelo machismo e pelo preconceito.

    Hoje assistimos a uma das maiores injustiças cometidas em toda a história política do país. O afastamento da 1ª Presidenta da República sem nenhum crime a ela imputado.

    Se há erros no governo, se há corruptos nos partidos que o compõem, nada disso justifica seu afastamento. Não houve crime, reforçam os juristas. Mas nada disso importa à oposição ansiosa pela retomada do poder.

    O impeachment é apenas o desfecho de um golpe arquitetado pelo bloco oposicionista - formado pela grande imprensa, setor patronal, partidos derrotados - desde a eleição de Dilma Rousseff.

    A oposição não aceitou a derrota nas urnas e partiu para o contra-ataque. Articulou o golpe. Manipulou parte da população com a ajuda da mídia golpista. E pelo que vemos hoje, vai conseguir voltar ao poder.

    Perde a classe trabalhadora, perdem as mulheres, perde a democracia.Contudo, perdemos a batalha, mas não a guerra.

    Neste momento, faço minhas as palavras de Dilma Rousseff, a quem dedico meu respeito, solidariedade e reverência: “Estou cansada dos desleais e dos traidores, mas não de lutar”.

    Cinthia Ribas é jornalista do Portal CTB


    Os artigos publicados na seção “Opinião Classista” não refletem necessariamente a opinião da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e são de responsabilidade de cada autor.


  • Para 95% da população, o Brasil está no rumo errado, revela pesquisa

    Falta pouco para o presidente Michel Temer conquistar a unanimidade contra o seu governo. A pesquisa Pulso Brasil, do Instituto Ipsos, mostra que 95% da população acredita que o país está no rumo errado.

    "Não vemos nenhuma fagulha de esperança por parte da população quanto à melhora nos rumos do país", diz o responsável pelo estudo, Danilo Cersosimo, à BBC Brasil. Isso aparece na rejeição ao governo Temer, avaliado como ruim ou péssimo por 84% dos pesquisados.

    Para Carlos Rogério Nunes, secretário de Políticas Sociais da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), “esses dados revelam que a maioria já percebeu a canoa furada que o país embarcou após o impedimento da ex-presidenta Dilma Rousseff”.

    Para ele, “com esse projeto de desenvolvimento, voltado para os interesses de poderosos grupos financeiros, não poderia dar outro resultado. O povo rejeita retrocessos". O sindicalista argumenta também que "a recessão faz o índice de desemprego disparar e ainda temos as reformas trabalhista e previdenciária que acabam com os sonhos da classe trabalhadora”.

    "Ocorre uma enorme desvalorização do trabalho", diz Nunes, "o que acarretam cortes em investimentos nas áreas sociais, com educação e saúde, a tendência é a vida dos brasileiros e brasileiras piorar e a esperança de futuro digno desaparece”.

    Já a economista Monica de Bolle, afirma que "este governo é formado por gente que sempre esteve muito afastada do dia a dia do brasileiro comum. O governo Dilma tinha vários defeitos, mas havia muita gente em cargos técnicos e de assessoria que entendia o que é ser de classe média baixa no Brasil. Este governo não tem isso. É um governo que vêm da elite da elite".

    Além de reprovarem os rumos do governo ilegítimo de Temer, 93% o desaprovam, segundo a pesquisa. Isso porque "desde o impeachment, o Brasil está paralisado” e “o clima é de desesperança generalizada", conclui Cersosimo.

    “Na verdade, o Brasil está afundando porque a base do governo golpista não dá ouvidos ao povo que deseja Diretas Já”, reforça Nunes.

    O levantamento entrevistou 1.200 pessoas, em 72 municípios, em todas as regiões do país, de 1º a 13 de junho. A margem de erro é de três pontos percentuais.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy. Arte: Sehii Lohvyniuk