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Sáb, Jan

Donald Trump

  • "Federação Sindical Mundial se manterá firme ao lado dos trabalhadores Palestinos", diz nota

    Após a decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de transferir a embaixada norte-americana em Israel de Tel Aviv para Jerusalém, reconhecendo assim a cidade como capital do governo israelense diversas lideranças, organizações e entidades sindicais em todo o mundo manifestaram seu repúdio à atitude de Trump, entre elas a Federação Sindical Mundial (FSM), que divulgou uma nota em apoio ao povo palestino. 

    Leia abaixo a íntegra: 

    Não à decisão do presidente dos EUA

    A Federação Sindical Mundial condena a decisão do presidente dos Estados Unidos de declarar Jerusalém como a capital de Israel. Esse ato revela como o imperialismo é impiedoso, bárbaro,agressivo.

    Temos a responsabilidade de dar apoio ao heroico povo palestino contra essa agressividade. Precisamos apoiar esse povo, que há tempos luta contra a ocupação de um exército, contra as políticas dos governos israelenses, contra as políticas que os obrigam a aceitar a ocupação de Israel.

    A FSM sempre esteve e sempre se manterá firme ao lado dos trabalhadores Palestinos, que hão de continuar sua luta. A FSM usará todos os fóruns internacionais para promover as justas demandas do Povo Palestino. A FSM também irá revelar as responsabilidades dos líderes sindicais “amarelos” que dão suporte à política de Israel.

    Todas as entidades sindicais Palestinas que têm orgulho de lutar em defesa de seu povo virão ao nosso encontro, em solidariedade a eles. Todos os sindicalistas nas bases de suas entidades, que estão lutando contra sindicalistas corruptos e comprometidos, vão nos encontrar ao seu lado.

    As circunstâncias de hoje, especialmente após a inaceitável decisão do presidente dos EUA, exigem um movimento sindical classista, renovado, internacionalista, massivo e unitário.Um movimento sindical livre de intervenções burocráticas e corrupção. Somente um movimento sindical que é organizado de modo independente e que luta com todas as categorias da FSM pode dar o apoio que o povo Palestino necessita.

    Atenas, 6 de dezembro de 2017

    O Secretariado 

    Portal CTB 

  • Ataque de Israel contra civis na Palestina pode configurar crime de guerra

    Navi Pillay, Alta Comissária para os Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU), afirmou nesta sexta-feira (18) que os ataques do exército de Israel contra uma manifestação de palestinos na Faixa de Gaza, na terça-feira (15) podem configurar “crime de guerra”.

    Nesse dia os palestinos relembram da Nakba (Catástrofe), quando em 1948, 700 mil árabes foram forçados a deixar suas casas e territórios que foram ocupados pelo recém-criado Estado de Israel. Desde então, todos os anos nesse dia, os palestinos protestam contra essa desocupação.

    Milhares marchavam pacificamente e o Exército de Israel atirou contra os manifestantes matando 62 e ferindo 2.700 pessoas. “O genocídio praticado por Israel que conta com o patrocínio do presidente dos EUA, Donald Trump, merece total repúdio da comunidade Internacional”, diz Adilson Araújo, presidente da CTB.

    Para ele, é natural que a ONU declare esse massacre como crime de guerra.  “Ao tempo que prestamos a nossa solidariedade ao povo palestino, cumpre importante papel a denúncia da limpeza étnica promovida por Israel".

    Para a ONU, Israel ignorou a lei internacional sobre o uso da força ao atacar palestinos que protestavam em Gaza. “As regras para uso da força sob a lei internacional foram repetidas muitas vezes, mas parecem ser ignoradas repetidamente. Parece que qualquer um pode ser morto ou ferido: mulheres, crianças, imprensa, equipes de primeiros socorros, passantes ou qualquer um que esteja a até 700 metros da cerca”, afirma o órgão, pelo Twitter.

    Rupert Colville, porta-voz do Alto Comissariado, diz que “força letal só pode ser usada como último, não como primeiro recurso”. Já Pillay acredita que “Israel não fez o que devia para proteger a vida dos civis”.

    De acordo com ela, desde o início da Grande Marcha do Retorno, em 30 de março, 74% dos mortos em Gaza são civis.  “O que acabo de descrever apontam para uma forte possibilidade de violação do Direito Internacional o que pode configurar-se como um crime de guerra”, reforça.

    Já o relator especial da ONU sobre os Direitos Humanos dos palestinos, Michael Lynk afirma que a condenação será “vazia se não for acompanhada de uma ação da Justiça e de uma prestação de contas por parte do Estado de Israel".

    Lynk estima em “mais de uma centena” o número de manifestantes mortos pelas “mãos das forças israelenses” e em mais de 12 mil os feridos desde a Grande Marcha do Retorno. Muitos deles, com lesões “devastadoras”.

    Para Araújo, “condenar as ações genocidas de Israel contra o povo palestino é uma necessidade da comunidade internacional. A Palestina deve ser reconhecida como um Estado soberano e seus direitos respeitados. O mundo quer a paz, mas uma paz que respeite a vida de todas as pessoas”.

    Portal CTB. Foto: Ibraheem Abu Mustafa/Reuters

  • Bolsonaro e o fascismo do século 21

    O ex-presidente venezuelano Hugo Chávez, morto em 2013, costumava evocar a ideia loquaz de um “socialismo do século 21”. Embora mobilizador, o termo teve sempre algo vago. No que consistiria, afinal, um modelo de socialismo para o novo século? Que aproximações e distanciamentos guardaria em relação às disposições clássicas do mesmo projeto político?

    Indagações semelhantes são dirigidas, hoje, a movimentos e atores do lado inverso do espectro ideológico. Em contexto de avanços da extrema-direita, cujo paradigma é a eleição de Donald Trump, um debate ganha força: pode-se, em casos como esse, falar em fascismo? Que relação haveria entre os movimentos autocráticos na Europa do século 20 e as tendências de ultradireita que irrompem no século 21, impulsionadas por uma das mais graves crises econômicas da história?

    A depressão econômica conduz a uma situação curiosa. Embora contribua para a denúncia do que o Nobel de Economia J. Stiglitz chama de “fundamentalismo de mercado”, a crise fortalece em todo o mundo, paradoxalmente, as políticas de austeridade. Também fomenta falsas soluções — muitas delas com apelo à violência — e respostas defensivas como o ódio, a intolerância, a xenofobia e o racismo.

    A ascensão de Jair Bolsonaro é o Brasil nesse panorama. Sua candidatura à Presidência é filha dileta da crise — não só a econômica, mas também a correlata crise política que se abate sobre o Brasil desde 2013. Como Trump, Bolsonaro projeta-se explorando uma situação descrita como falência da democracia, resultado do esgarçamento das instituições políticas, capturadas pelo poder econômico, distanciadas da população, afundadas na corrupção e na burocracia.

    Num quadro de esvaziamento da política, o candidato neoconservador desdenha das mediações partidárias, como se vê logo em sua aliança. Prefere as mediações de cunho midiático, facilitadas pelas novas possibilidades abertas com as redes sociais. Vai conseguindo, dessa maneira, transformar em força eleitoral o próprio descrédito para com os partidos e a política.

    Se tiver êxito, não terá sido a primeira vez que acontece. Nos primórdios do século 20, na Itália — país que conserva importantes paralelos com o Brasil —, a nomeação de Benito Mussolini como primeiro-ministro resultou de grave crise do regime liberal. O pensador italiano Antonio Gramsci — um dos primeiros a refletir sobre a gênese e os significados da experiência fascista — situa as origens da crise política italiana na Primeira Grande Guerra. Esta, por sua vez, teria raízes na crise econômica, que já era latente antes do Crash de 1929. “Todo o após-guerra é crise, com tentativas de remediá-la que às vezes têm sucesso neste ou naquele país [...] A própria guerra é uma manifestação da crise”, diz o autor nos Cadernos do Cárcere (Einaudi, 1975).

    Na Península Itálica, as sequelas da Guerra evoluíram para o que Gramsci chamou de crise orgânica: a ruptura entre as classes sociais e suas representações tradicionais. É característica desse tipo de crise a falência total ou parcial do sistema político-partidário. Essa situação abre espaço para a atuação política de outros tipos de instituições. Reforça-se o poder da burocracia, dos tribunais, da finança, dos meios de comunicação, das igrejas. Diz Gramsci:

    “A certo ponto de sua vida histórica os grupos sociais se destacam de seus partidos tradicionais [...] Os homens determinados que os constituem, os representam e os dirigem não são mais reconhecidos como expressão de sua classe [...]. Quando essas crises se verificam, a situação imediata torna-se delicada e perigosa, porque o campo é aberto às soluções de força, à atividade de poderes sombrios representados pelos homens providenciais ou carismáticos.”

    O fascismo irrompe, nessa perspectiva, como alternativa conservadora para a solução da crise orgânica que colocava em xeque a hegemonia burguesa na Itália, no após-guerra. Essa visão é corroborada por outro autor de extração marxista, o peruano J. C. Mariátegui. Em Biología del Fascismo (Lanús Oeste, 2012), ele observa que os ressentimentos pela participação da Itália na Primeira Guerra criaram um clima favorável à reação conservadora. A guerra deixou como herança um rastilho de mágoa e decepção. Esse caldo de cultura ganhou corpo, em primeiro plano, na classe média rural e urbana. Ela “sentia-se distante e adversária da classe proletária [...] Não lhe perdoava os altos salários, os subsídios do Estado, as leis sociais que, durante a guerra e depois dela, havia arrancado ao medo da revolução. [...] Esses maus humores da classe média encontraram guarida no fascismo”.

    A base social do fascismo tinha o mesmo diapasão das camadas médias. Eram intelectuais, estudantes, oficiais, nobres, empresários, camponeses e, mesmo, operários. Essa heterogeneidade refletiu-se no caráter nebuloso de sua orientação política e ideológica, que tinha o prodígio de mesclar liberalismo, nacionalismo, militarismo e, mesmo, sindicalismo — tudo salpicado com ingredientes utópicos. Com essa orientação contraditória, o fascismo jamais alcançou um programa coerente.

    O que temos na Itália dos 1920 é muito mais um conjunto de impulsos políticos que não consegue articular-se em programa. Não consegue e, na verdade, também não ousa: por inconfessável que é, a ideologia fascista tem dificuldade em mostrar-se por completo. Revela-se, quando muito, em lusco-fusco. Vem daí o pendor pragmático de um Mussolini, que declarava: “Afinal, de que importa saber o conteúdo teórico de um partido? O que lhe dá força e vida é sua tonalidade, é sua vontade, é a alma daqueles que o constituem”.

    As palavras do duce revelam uma característica marcante desse movimento político. A exposição de motivos de fundo, articulados em sistema de ideias e valores, não é seu ponto forte. Não estamos diante de um movimento que apela para a razão. O que vemos são menos arrazoados consistentes do que palavras de ordem e ações concretas, embora na maioria das vezes desconexas. Nos termos de Mariátegui, “não se trata de um fenômeno cerebral; trata-se de um fenômeno irracional” (2012, p. 24).

    Por conta desse caráter intuitivo, o fascismo não pode abrir mão de grandes agitadores. Seus líderes são figuras teatrais e carismáticas, talhadas para mexer com brios e vontades. Na Itália, Mussolini revelou-se o homem certo para esse papel. Mariátegui o descreve como um tipo “volitivo, dinâmico, italianíssimo, singularmente dotado para agitar massas e excitar multidões”.

    Quando da nomeação do duce como premier, em 1922, o Partido Nacional Fascista (PNF) não possuía maioria no Parlamento. Isso só ocorreria nas eleições de 1924, marcadas por clima de intimidação contra sindicatos e organizações de esquerda. Eram os anos do imediato pós-Revolução Russa. Na Itália, o Biennio Rosso, movimento de ocupação de fábricas em Turim e Milão, trouxe o temor do “contágio vermelho”. Havia ainda um forte movimento de luta pela terra, duramente combatido pelo esquadrismo, nome dado às tropas de assalto contratadas por latifundiários.

    O esquadrismo, que reunia muitos ex-combatentes da Guerra, seria uma das vertentes a desaguar nos fasci de combattimento, as milícias fundadas em 1919 que se converteriam, dois anos após, no PNF. Sua atuação usava de violência ilegal contra comunistas, liberais, pacifistas, intelectuais progressistas e sindicalistas. Agiam com a conivência da Monarquia, das Forças Armadas e, também, do empresariado — o que nos remete ao posicionamento político da burguesia agrária, industrial e financeira.

    Não é possível dizer que a burguesia possua especial inclinação pelo fascismo. Ela prefere o liberalismo econômico, a política eleitoral-parlamentar e as demais instituições da normalidade capitalista. Mas esse comportamento não existe in abstracto. Depende da realidade social e histórica. Na Itália da primeira metade do século 20, assustada com o crescimento das organizações operárias, a burguesia estimulou e armou as brigadas fascistas, empurrando-as a uma postura truculenta contra a esquerda e os sindicatos. “O fascismo converteu-se, assim, em uma milícia numerosa e aguerrida”, diz Mariátegui. “Acabou por ser forte tal qual o próprio Estado. E então reclamou o poder.”

    Quando chega ao poder, o fascismo sente a necessidade de maior coerência programática. Mas a heterogeneidade de sua base social e política não o permite. O regime passa a oscilar entre o parlamentarismo e arroubos ditatoriais. Logo se tornam nítidos dois humores: um extremista — que propugna a inserção integral da contrarrevolução fascista na Constituição — e outro revisionista e liberal, que condena a violência e propõe uma retificação da política do Partido.

    Com o desenvolvimento do processo político e a transformação dessas duas ênfases em alas diferenciadas, ocorre o afastamento dos liberais. O regime começa a perder apoios, e quanto mais os perde mais recorre à força bruta, mostrando sua face extremista. Criam-se as condições para a divisão das hostes de Mussolini e o isolamento de seu Partido, com a criação de uma ampla frente antifascista.

    No Brasil, o elemento de combatividade contra as organizações trabalhistas e de esquerda sedimentou-se na candidatura de Bolsonaro. Não à toa, seu nome foi catapultado nacionalmente pelo clima de acirramento que culminou nas grandes manifestações contra o governo de Dilma Rousseff. A candidatura de Geraldo Alckmin, com perfil mais centrista, tem dificuldades em exibir semelhante verve. Em cenário de ultrapolarização política — com duas forças, o lulismo e o bolsonarismo, convictas e articuladas —, este talvez seja o grande ativo de Bolsonaro, capaz de explicar sua resiliência nas pesquisas eleitorais. Além disso, entre os candidatos viáveis da direita, ele é o que tem melhores condições de delimitar-se com o governo Temer, assim como, hoje sabemos, Trump mostrou-se o republicano mais bem talhado para demarcar com o establishment norte-americano.

    Atentos a essas tendências, setores das elites econômicas cogitam um “desembarque da Normandia” às avessas, com a adesão à candidatura de extrema-direita. Mas é aí que sobrevêm, para o campo liberal, dilemas profundos. Uma vez no poder, os movimentos de cunho fascistoide não se limitam a conservar o status quo. Como explica Mariátegui,

    “A reação, chegada ao poder, não se conforma em conservar; [...] tem que tratar de refazer o passado. Passado que se condensa nestas normas: princípio de autoridade, governo de uma hierarquia, religião de Estado etc. Ou seja, as normas que a revolução burguesa e liberal rasgou e destruiu porque entravavam o desenvolvimento da economia capitalista.”

    Qualquer semelhança com os Estados Unidos de Trump não é mera coincidência, como se vê desde sempre nas críticas da mídia liberal. Com seu protecionismo e seu isolacionismo — tão bem traduzidos nas críticas, reverberadas por Bolsonaro, aos acordos e às instituições internacionais —, o milionário ajuda a truncar o liberalismo econômico e as instituições do capitalismo moderno.

    Alguns dizem que Bolsonaro é diferente; que seu protofascismo é mais “proto” que fascismo; que seu conservadorismo é apenas na política e nos costumes; que o programa do economista Paulo Guedes é radicalmente liberal. A verdade é que há muitos aspectos do funcionamento do capitalismo e das instituições liberais que não são do domínio estrito da política econômica, mas incidem sobre ela. Por isso são reais os dilemas das elites econômico-financeiras quando confrontadas com Bolsonaro. Um eventual governo da extrema-direita traria de volta a estabilidade? Ou detonaria novo ciclo de turbulência política, isolando-se não apenas das esquerdas, mas do liberalismo consequente?

    Seja como for, o crescimento de setores radicalizados do conservadorismo é possibilitado pelas debilidades tanto do liberalismo quanto da esquerda. Os liberais parecem incapazes de recuperar sua antiga força combativa. Perdidos no automatismo urbano-industrial, trocaram a utopia do “liberté, égalité, fraternité” pela ideologia da “normalização”. Já a esquerda — especialmente a social-democrata —, após décadas vivendo em perigosa simbiose com o sistema, encontra dificuldades em desempenhar o papel, que lhe seria precípuo, de encarnar anseios transformadores.

    Embora se deem por motivos distintos, os fracassos dessas duas correntes geram desencanto. Em muitos países do Ocidente, essa situação vem sendo capitalizada pela extrema-direita. A depender do desenrolar das coisas, liberais e socialistas ainda podem surpreender-se lutando na mesma trincheira contra o inimigo comum. No Brasil isso também pode ocorrer – até mais cedo do que se pensa. Se for assim, o século 20 terá antecipado em muitos sentidos, não obstante a diferença qualitativa de uma época, aquilo que temos nesta conturbada aurora do século 21.

    Fábio Palácio é jornalista, doutor em Ciências da Comunicação (ECA/USP), professor adjunto do Departamento de Comunicação da Universidade Federal do Maranhão.

    Os artigos publicados na seção “Opinião Classista” não refletem necessariamente a opinião da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e são de responsabilidade de cada autor.

  • Cadê o Steve Bannon da esquerda? Em defesa do populismo

    Steve Bannon é de direita. Donald Trump é de direita. O governo dos Estados Unidos continua sendo imperialista, violento e destruidor. Trump promove políticas reacionárias, racistas, xenófobas e etc. A extrema-direita norte-americana, como o que resta da Ku Klux Klan, foi protagonista da eleição do atual presidente. Internacionalmente, Bannon lidera uma fundação chamada “O Movimento” que articula políticos de direita na Europa, e apoia governos de extrema-direita como o do fascista Viktor Orban da Hungria. Dito tudo isso, para evitar ruídos e acusações histéricas, o objetivo deste texto não é discutir a ideologia conservadora, ou a posição à direita no espectro político no qual se encontra Steve Bannon e seu movimento, e muito menos advogar em prol de seu reacionarismo. A questão proposta é sobre o problema das estratégias de formulação, comunicação e organização, de um movimento político que seja capaz de efetivamente disputar o poder e transformar (inclusive para pior) estruturas profundas da economia política nacional e mundial.

    O personagem dessa reflexão é Steve Bannon, e não Donald Trump, porque ele é que formula algo muito mais amplo e duradouro que a eleição e administração de Trump. Bannon foi militar nos anos 70 e 80, tendo servido no Pacífico e também no Golfo Pérsico, e chegou a trabalhar no Pentágono, enquanto estudava para obter um mestrado em Estudos de Segurança Nacional na Universidade de Georgetown. De cara, fica evidente que é um sujeito altamente treinado e ligado às questões mais sensíveis de seu Estado nacional. Depois disso, Bannon trabalhou no poderoso banco Goldman Sachs e saiu para criar seu próprio banco de investimento focado na indústria do entretenimento. Nos anos 90 ingressa na indústria cinematográfica como produtor executivo em Hollywood. Assim, fica óbvio que Bannon conhece também, por intensa experiência, os meandros do poder econômico e midiático dos EUA.

    A partir daí sua trajetória política fica clara e cristalina. Nos anos 2000, Bannon produziu e dirigiu diversos documentários políticos com viés conservador do movimento Tea Party1 republicano, iniciando com uma homenagem a Ronald Reagan chamado “In The Face of Evil” (2004), seguido por filmes como: “Fire from the Heartland: The Awakening of the Conservative Woman” (2010), “The Undefeated” (2011), e “Occupy Unmasked” (2012). O primeiro é uma série de entrevistas com mulheres de diversas classes sociais sobre política. O segundo trata da ex-governadora do Alaska, Sarah Palin, que concorreu como vice-presidente na chapa de John McCain do Partido Republicano em 2008. O terceiro é uma abordagem crítica ao movimento Occupy Wall Street.

    Depois da experiência como militar, banqueiro, e cineasta, Steve Bannon torna-se um protagonista da arena da luta política do século XXI, a internet, no famigerado site Breitbart News. Acusado, entre outras coisas, de sexista e xenófobo, mas principalmente de disseminar fake news, o site foi fundado em 2007 por Andrew Breitbart, que chegou a dizer que Bannon era a Leni Riefenstahl2 do Tea Party. Com a morte do fundador em 2012, Steve Bannon assumiu o Breitbart News e declarou abertamente que o site era o canal da Alt-Right3. É como chefe do Breitbart News que Bannon torna-se figura mundialmente conhecida, catapultando-se para o comando da virada eleitoral na reta final da campanha de Donald Trump contra Hillary Clinton, e então à Casa Branca.

    Bob Woodward4 em seu livro-reportagem sobre os dois primeiros anos da Administração Trump, chamado “Medo: Trump na Casa Branca”, conta que Bannon entra na campanha num momento de péssimos resultados nas pesquisas eleitorais, chegando ao ponto do Diretório Nacional Republicano cogitar retirar Trump da corrida, e colocar o vice Mike Pence como candidato, para evitar a pior e mais humilhante derrota de todos os tempos para os republicanos. O novo estrategista da campanha radicaliza e simplifica o discurso. Vale a pena reproduzir trecho do livro de Woodward no qual Bannon expõe a nova estratégia ao candidato:

    “As elites do país se sentem confortáveis em administrar o declínio. E os trabalhadores deste país não estão satisfeitos. Eles querem tornar a América grande novamente. Vamos simplificar a campanha. Hillary é a porta-voz de um status quo corrupto e incompetente de elites que se sentem à vontade em administrar o declínio. Você é o porta-voz do homem esquecido que quer tornar o país grande de novo. E vamos fazer isso com alguns poucos temas. Número um, vamos impedir a imigração ilegal e começar a limitar a imigração legal para recuperar nossa soberania. Número 2, você vai trazer os empregos de volta ao país. E número três, vamos sair das guerras injustas no exterior. Esses são os três temas em que Hillary não pode se defender. Ela é parte daquilo que abriu as fronteiras, é parte daquilo que fez acordos de comércio ruins e deixou os empregos irem para a China. Ela apoiou todas as guerras. Vamos martelar nisso. É só. Insista nisso.”5

    A radicalização trumpista foi vitoriosa. A internet foi decisiva. Trump utilizou as redes sociais de forma excessiva. O tema das fake news tornou-se pauta central da grande mídia contra o presidente eleito que preferia usar o Twitter para se comunicar direto com os seguidores, do que responder as perguntas dos meios de comunicação corporativos.

    Bannon ficou poucos meses na Casa Branca, e travou embates virulentos, por vezes sorrateiros, com diversos setores que compõe o governo. A família do presidente era um dos focos de conflito, pois a filha Ivanka e o genro Jared Kushner tem cargos de assessores sênior e livre trânsito na Casa Branca, e os dois defendem agendas a favor de acordos globais que Bannon era contra, além de também polemizarem contra as restrições imigratórias. Segundo Woodward, o próprio presidente tira sarro dizendo que os dois são “democratas porque foram criadas em Nova York”, mas o fato é que são agentes políticos realmente relevantes dos negócios bilionários do pai e sogro, e que expressavam contradições com o programa político antissistema da direita alternativa de Bannon. Também ocorreram conflitos com a presença sempre perene, seja em governos democratas ou republicanos, do establishment de Wall Street em posições chave da equipe econômica, geralmente representados por algum banqueiro do Goldman Sachs, antigo empregador de Bannon.

    O fato é que Steve Bannon efetivamente enfrentou o status quo dentro da Casa Branca, e defendeu as agendas de campanha que mobilizaram as bases que elegeram Trump. Em palestra para estudantes de Oxford em novembro de 2018, Bannon admite que seu movimento e programa político fazem parte de um processo contínuo, complexo e contraditório, com vitórias e derrotas parciais, mas defende o governo Trump como um primeiro passo de ruptura com o establishment financeiro e com a globalização. Bannon inicia sua palestra dizendo que seu movimento é perigoso porque “é contra a ordem estabelecida”.

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    Segundo ele, os EUA estão apresentando um crescimento de 3,5% ao ano, quase o dobro da média anterior de 1,8%, ressaltando que Obama e os democratas convenceram as pessoas que este baixo crescimento é o novo normal. Mas deixando de lado o conteúdo de seu discurso ideológico sobre o suposto sucesso econômico do governo Trump em contraste com a “ordem estabelecida” anterior, Bannon discute com os alunos de Oxford questões sobre a organização e a forma de fazer política que ele propõe. Ele se intitula abertamente populista e nacionalista. Seu conceito de populismo diz respeito à expressão dos interesses dos “little men”, em tradução livre e contextual, do homem médio, da população comum, em oposição às elites ilustradas e endinheiradas. O nacionalismo diz respeito à soberania de seu país para defender os interesses dessa população comum da competição internacional, ou seja, da globalização.

    Sob as acusações de xenofobia e racismo, Bannon se defende dos estudantes dizendo que seu nacionalismo é econômico, não étnico. Ele repudia duramente os ataques violentos de organizações racistas como a Ku Klux Klan, e num clichê comum também à direita brasileira, acusa a esquerda de também praticar atos violentos, no caso dos EUA, ele condena as supostas ações violentas do movimento Black Live Matters. Mas isso é lateral em seu pensamento. O que importa é discutir a defesa da cidadania norte-americana independente da etnia. Com um argumento astuto, Bannon diz que ao lutar por restrições imigratórias está defendendo os empregos e salários dos negros e hispânicos que sofrem com a competição da força de trabalho imigrante, e radicaliza, dizendo que é o establishment financeiro que exige imigração para pressionar para baixo os salários da força de trabalho. Fica claro que a direita alternativa liderada por Bannon tem a classe trabalhadora como sujeito e objeto de sua interpelação.

    Questionado sobre o enfraquecimento da democracia que seu discurso radical de direita causa ao propagar a desconfiança da população nas instituições políticas estabelecidas e também contra a mídia, Bannon rebate a acusação com uma argumentação fática, e confronta as concepções liberais tradicionais sobre política. Segundo ele, as eleições de 2016 tiveram 114 milhões de votantes, e foi o maior engajamento eleitoral da história dos EUA. Mas não só isso, a população norte-americana está permanentemente mobilizada, à direita e à esquerda, participando do debate público, manifestando-se, através dos novos meios de comunicação e nas ruas. E aqui, o estrategista da nova direita populista aprofunda seu discurso antissistema.

    Segundo Bannon, o populismo está ressurgindo contra as estruturas de poder em todo o espectro político. Ele argumenta que a principal missão do Breitbart News sobre seu comando foi confrontar o establishment republicano, e não o Partido Democrata. Após a vitória de Trump nas primárias contra os oligarcas republicanos como Mitt Romney, John McCain, os Bush, e etc, ele conta que foi sondado por agentes da esquerda para combater o establishment democrata, ou seja, Obama, os Clinton e etc. Segundo ele, a esquerda percebeu a necessidade de um “Breitbart progressista”. Contra as acusações de que seu discurso é baseado na raiva, ele diz que o populismo “esquentou” a política, e que isso é bom para todos, inclusive para a esquerda que venceu as eleições legislativas de 2018, porque, de acordo com ele, se mobilizou através desse “esquentamento” e dessa raiva, e deve ser admirada por isso.

    Bannon analisa também que o Brexit6 faz parte deste contexto pela direita, e cita pela esquerda o líder trabalhista Jeremy Corbyn na Inglaterra, e Bernie Sanders nos EUA. Ele revela que seu movimento busca conquistar o apoio dos eleitores de Sanders nos EUA, pois tem em comum o nacionalismo econômico, e indica dados de que esses eleitores não votaram e não pretendem votar em Hillary Clinton em 2020. O manejo dos instrumentos digitais ocupa lugar fundamental em sua estratégia. Desde meios de comunicação, como foi o Breitbart News e as redes sociais a exemplo do Twitter, mas principalmente a coleta e análise de dados em massa que servem para visualizar os anseios da população através da internet. “O Movimento” oferece, como arma principal para os líderes da direita, o processamento de big data sobre as tendências políticas da população. Na Europa, Bannon diz que está trabalhando pelo diálogo cada vez maior entre os líderes populistas de direita, e está realizando pesquisas, análises e montando estratégias sobre as eleições para o Parlamento Europeu em maio de 2019, e avalia que o populismo deve varrer o establishment liberal da União Européia em Bruxelas.

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    Por fim, Steve Bannon faz uma audaciosa análise de conjuntura do difícil momento que vive o governo Trump e sua projeção para as eleições de 2020. Com a derrota legislativa de 2018 e perda do controle da Câmara para os democratas sob o comando da experiente Nancy Pelosi, as investigações e o desgaste contra o presidente devem se intensificar. Esse movimento para derrubá-lo irá forçá-lo a buscar sua base eleitoral radical, por isso a contra-ofensiva na questão da imigração encaminhando a promessa de campanha do muro na fronteira com o México. Essa radicalização do cenário político coloca o establishment financeiro, que quer estabilidade, novamente a favor de Hillary Clinton, que já trabalha para ser a candidata democrata em 2020. No entanto, os setores populistas de esquerda é que foram os protagonistas das eleições legislativas e conquista da Câmara, o que irá radicalizar a luta dentro do Partido Democrata também. Dessa forma, segundo Bannon, pode surgir uma alternativa de centro dos dois partidos que queiram evitar uma disputa radical em 2020, unindo moderados como Mitt Romney (republicano) e Joe Biden (democrata), numa terceira via viável pela primeira vez na história.

    Este pequeno retrato da atuação e formulação política de Steve Bannon compõe um quadro mais amplo no qual a maior potência econômica e militar do mundo está em profunda transformação desde a crise de 2008, e portanto, também toda a geopolítica e economia política mundial. É uma transição turbulenta, na qual não é possível ainda prever seus desdobramentos e como se estabilizará o novo regime de acumulação e o modo de regulação deste novo capitalismo que surgirá da crise do pós-fordismo e do neoliberalismo. Mas interessa ressaltar a importância do populismo nessa transição. A direita sai na frente, elege um presidente no centro econômico e militar do capitalismo, ainda que com muitas dificuldades para governar, e forja um ativista e estrategista de longo prazo. Se Bannon estiver certo e for pelo menos parcialmente vitorioso nas disputas do Parlamento Europeu e na eleição de 2020, a tendência populista neoconservadora deve se consolidar, e em caso de derrota, as contradições que originam esses movimentos não devem desaparecer.

    A esquerda lança alguns líderes, mas que tem muito mais dificuldades de chegar ao poder, como Corbyn e Sanders, ou não consegue fazer avançar um programa minimamente transformador dentro das estruturas estatais existentes, como o Syriza na Grécia algemado pelo financismo alemão, e os governos de esquerda na América Latina, que na sua maioria foram derrotados ou derrubados, mesmo quando sequer tinham um programa radical, como é o caso do Brasil. No entanto, as dificuldades de composição de interesses contraditórios dentro do Estado não é exclusividade da esquerda, como se vê na passagem de Bannon pela Casa Branca.

    Olhando para o Brasil, o recém empossado Jair Bolsonaro parece também enfrentar contradições insolúveis entre agendas econômicas e sociais incompatíveis de setores que integram o governo. Mas sua relação direta com sua base popular e o esforço de expressar sentimentos do homem comum, do “little men”, como diz Bannon, indicam haver uma força populista que sustente por um tempo o novo governo. O apelo pseudo-nacionalista joga papel central, e os instrumentos digitais mais ainda, o enfrentamento com os grandes meios de comunicação é claro e insofismável apesar do apoio midiático às pautas econômicas. Apesar de hipocrisias e da dominação flagrante do capital financeiro sobre o governo, o fato inegável é que a nova direita brasileira em ascensão tem uma estratégia populista, ainda que incipiente e tosca. O problema é que a esquerda sequer tem isso. Lula, o líder mais popular da esquerda brasileira, está preso, e nunca enfrentou o status quo econômico ou midiático.

    Na verdade, o populismo não era o centro da estratégia política de Lula e seu partido, e nem o nacionalismo o conteúdo de seu programa. Pelo contrário, o PT surge contra a tradição nacional-populista do trabalhismo de Getúlio Vargas, com apoio teórico da sociologia da USP que criticava o populismo como manipulação oportunista das massas. Essa concepção vulgar e negativa de populismo já foi criticada em diversas ocasiões, mas importa menos o debate teórico – que também deve ser realizado – do que suas repercussões políticas. Com a estigmatização negativa do termo populista, realizada também pela própria esquerda, os partidos e movimentos populares brasileiros foram alijados da estratégia e dos instrumentos necessários para chegar ao poder, e para enfrentar a ordem estabelecida.

    É preciso refletir se é possível construir um populismo pujante de esquerda que chegue ao poder. De imediato, uma das questões candentes é retornar aos formuladores teóricos e à história do populismo latino-americano e brasileiro. A partir disso, reconstruir organizações de massas como as que já existiram, para mobilizar o povo no sentido de influenciar e transformar as estruturas da economia política. Para tal, seria preciso não ter medo de se relacionar com o homem comum e suas contradições ideológicas, o que cria problemas axiológicos para a esquerda sobre identidades religiosas, raciais, de gênero, e etc. Além disso, teria que se investir prioritariamente nos novos meios de comunicação e processamento de dados para conseguir interpelar essa população que se vê desconectada com o sistema político, o que envolve infraestruturas materiais e financeiras geralmente não disponíveis para a esquerda. De toda forma, a direita norte-americana mostrou sucesso e a direita brasileira a emula mesmo que precariamente. A esquerda populista dos países centrais ainda se move com pouca efetividade, mas atua com ousadia e sem dúvida está em ascensão. Por aqui, precisamos urgentemente de um Steve Bannon de esquerda, ou mais precisamente, de uma organização política capaz de levar a cabo uma estratégia nacional-populista de esquerda (para que não seja acusado de esperar um salvador da pátria).

    Notas de Rodapé

    1. Refere-se à ala radical do Partido Republicano dos EUA que é informal e passa a se organizar a partir da eleição do democrata Obama em 2009.
    2. Referência à diretora alemã de “O Triunfo da Vontade”, icônico filme de propaganda nazista na década de 30.
    3. Abreviação em inglês para “direita alternativa”, expressão que surge para designar diversos movimentos de direita antissistema.
    4. Um dos mais importantes jornalistas políticos de todos os tempos, expôs, com seu colega Carl Bernstein no Washington Post, o escândalo do Watergate que derrubou o presidente Richard Nixon em 1976. Venceu dois prêmios Pulitzer, o primeiro pela investigação sobre Nixon, e o segundo pela cobertura dos atentados terroristas do 11 de Setembro.
    5. WOODWARD, Bob. Medo: Trump na Casa Branca. São Paulo: Todavia, 2018, p. 35.
    6. Abreviação para o plebiscito que decidiu pela saída do Reino Unido da União Européia e também é caracterizado como um movimento populista e nacionalista.

    *Luiz Roque Miranda Cardia é Advogado, mestrando em Direito Político e Econômico na Universidade Presbiteriana Mackenzie, e editor do Portal Disparada.


     Os artigos publicados na seção “Opinião Classista” não refletem necessariamente a opinião da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e são de responsabilidade de cada autor.

  • Central sindical mexicana denuncia políticas do presidente dos EUA, Donald Trump

    Entre os dias 27, 28 e 29 deste mês, a Nova Central de Trabalhadores do México (NCT) realizou seu segundo congresso. Edson de Paula representou a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) no encontro.

    Unasul reprova decisão dos EUA de construir muro na fronteira com o México

    Segundo a organização, compareceram na atividade cerca de 300 delegados e delegadas de mais de 50 organizações, além de convidados internacionais do Brasil, Argentina, Uruguai, Estados Unidos, Nicarágua, Austrália e Suíça. 

    Entre as resoluções do congresso está o rechaço da central mexicana às políticas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump que assinou, na última quarta-feira (25),  a ordem para a construção de um muro na fronteira dos dois países.

    Leia abaixo a íntegra do documento em espanhol:

    Un gran éxito el II Congreso Ordinario Nacional de la Nueva Central de Trabajadores con la presencia de una importante delegación de invitados internacionales de Brasil, Argentina, Uruguay, Estados Unidos, Nicaragua, Australia y Suiza, así como de cerca de 300 delegados de más de 50 organizaciones provenientes de 20 estados de la República, culminó exitosamente nuestro Segundo Congreso, que se desarrolló durante los días 27, 28 y 29 de enero, con las siguientes resoluciones fundamentales:

    1.- La Nueva Central de Trabajadores (NCT), se pronuncia en contra de Donald Trump por su política anti mexicana, racista, anti inmigrante, misógina y retrógrada, a partir de su discurso proteccionista y neonazi.

    2.- Rechaza tajantemente el gasolinazo impuesto por el gobierno de Enrique Peña Nieto y se compromete a apoyar las protestas populares, civiles y pacíficas que se desarrollan a lo largo y ancho del país. La NCT llama a articular todos los esfuerzos populares, por lo que proponemos que el 5 de febrero se realicen Asambleas Populares en todas las plazas públicas para organizar una gran Jornada Nacional de Lucha, un Día Nacional de Protesta el 16 de febrero próximo, sincronizanda con los emplazamientos a huelga de los Sindicatos Universitarios, de Educación Superior, Investigación y Cultura.

    3.- Se solidariza con las principales luchas y exige la aparición con vida de los 43 normalistas de Ayotzinapa, el castigo a los responsables de los asesinatos y los crímenes de Estado, así como la liberación de los presos políticos.

    4.- La Nueva Central de Trabajadores (NCT), en una resolución inédita en nuestro país, resolvió lanzar una Campaña de Afiliación individual y directa de los trabajadores y trabajadoras no organizados y precarizados, que estén dispuestos a formar Sindicatos o Comités de Lucha para sumarse a la Nueva Central. Asimismo realizará una campaña de organización de la juventud trabajadora.

    5.- Resolvió la formación de Federaciones Independientes y Democráticas por rama y sector iniciando por las de la Energía, el Transporte, la Educación, la Salud, los trabajadores públicos, del Poder Judicial; con el objetivo de formalizar a la Nueva Central de Trabajadores como una Confederación Nacional Autónoma y Clasista.

    6.- Fortalecer la participación de los jóvenes, los jubilados, pensionados y adultos mayores, que se organizarán en nuevos colectivos dentro de la Nueva Central, como lo han hecho las cooperativas y las mujeres trabajadores en el colectivo de género.

    7.- Nos solidarizamos con las todas las luchas de resistencia de quienes defienden el territorio, el agua y los recursos naturales, en contra de los megaproyectos de la minería y otras obras depredadoras de nuestros recursos y derechos, así como con la lucha de los trabajadores de La Jornada, la huelga de los trabajadores del CONALEP y del conflicto en las tele prepas de Nayarit, los emplazamientos a huelga unificados por los trabajadores universitarios integrantes de la Coordinadora Nacional de Sindicatos Universitarios, la Educación Superior, Investigación y Cultura, entre ellos el SITUAM, SUTIEMS y STAUACH, integrantes de la NCT para el 16 de febrero, el de los trabajadores del Sindicato de Trabajadores del Transporte de Pasajeros de la CDMX, de los trabajadores de la industria hulera, con las trabajadoras de intendencia despedidas del IEMS, de Karla Hernández del SUTIEMS y demanda la reinstalación de los maestros despedidos de la CNTE, así como organizar la solidaridad con todos los sindicatos que enfrentarán procesos de revisiones salariales y contractuales. Asimismo apoya a los trabajadores de AGR Clarín en Argentina que luchan por su reinstalación.

    8.- Exige un aumento salarial de emergencia, ante la escalada de precios desatada por el gasolinazo. Preparará un Paro Cívico Nacional e impulsará una Huelga Política Nacional.

    9.- La NCT apoyará las luchas de los migrantes mexicanos en Estados Unidos, con quienes buscaremos una coordinación binacional, para luchar conjuntamente contra las deportaciones masivas que pretende realizar Donald Trump. También nos solidarizaremos con los pueblos de América Latina en sus luchas contra el neoliberalismo y la anunciada ofensiva del mismo gobernante norteamericano.

    10.- Finalmente convoca a la Jornada Internacional por un paro de mujeres el próximo 8 de marzo, realizando una gran movilización en contra de los feminicidios y por los derechos de la mujer. La NCT comienza una nueva etapa en su construcción por la emancipación social, política y económica de la clase trabajadora de México y el Mundo. Atentamente: José Humberto Montes de Oca Luna. Coordinador de la Estructura Ejecutiva y Secretario del Exterior del Sindicato Mexicano de Electricistas

  • CTB São Paulo participa de ato em solidariedade ao povo palestino

    Atendendo ao chamado da Federação Sindical Mundial (FSM) que realiza, desde a última sexta-feira (15), uma semana em solidariedade ao povo palestino com ações em todo o mundo, a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) participou do ato realizado em São Paulo.

    CTB condena decisão de Trump de reconhecer Jerusalém como capital de Israel

    Representantes de organizações solidárias com a Palestina no Brasil, entre elas a CTB-SP, marcharam, na sexta, até o Consulado dos Estados Unidos onde protestaram contra a decisão do presidente, Donald Trump, de reconhecer Jerusalém como capital de Israel e transferir a embaixada norte-americana de Tel Aviv para a cidade.

    palestina sp 2

    Em 1967, Israel ocupou militarmente Jerusalém Oriental e em 1980 anexou essa zona e proclamou a cidade como sua capital. A comunidade internacional não reconhece Jerusalém como capital israelense e nem a anexação. A Organização das Nações Unidas (ONU) exige, através de diversas resoluções, a retirada das tropas.

    Desde o anúncio de Trump, líderes mundiais têm condenado a iniciativa que desencadeou uma onda de violência na região. Na última quinta (13), durante reunião da Organização de Cooperação Islâmica (OIC), líderes de países muçulmanos pediram que Jerusalém Oriental seja reconhecida como capital do futuro Estado da Palestina.

    Em diversas partes do mundo estão sendo realizados protestos em solidariedade ao povo palestino. Até a próxima quinta (21), o movimento sindical internacional, convocado pela FSM, fará demonstrações em repúdio à atitude do governo dos Estados Unidos.

    Portal CTB 

  • Depois de 90 anos, a esquerda vence eleição no México apesar de Trump

    Depois de 90 anos de dominação de partidos conservadores se alternando no poder, Andrés Manuel López Obrador, do esquerdista Movimento de Renovação Nacional (Morena) foi  eleito presidente de México neste domingo (1º).

    Obrador obteve 53,3% dos votos e já teve a vitória reconhecida. “A eleição de López Obrador tem um significado histórico que transcende as fronteiras daquele país”, argumenta Divanilton Pereira, presidente interino da CTB.

    Para ele, o México “que teve boa parte do seu território tomado pelo vizinho Estados Unidos e sua economia anexada pelo seu poderoso vizinho, como consequência, há décadas convive com perda de soberania, instabilidades políticas, violência, corrupção sistêmica e a metade de sua população na linha de pobreza”.

    A esperança da maioria dos mexicanos é de que Obrador efetive um projeto de desenvolvimento nacional voltado para os interesses de seu país, contra a “situação imposta pela elite direitista mexicana que durante todo o século 20, como também no último período, dirigiu o país sob a tutela do liberalismo”, complementa Pereira.

    Essa foi a terceira eleição disputada por ele, conhecido pela sigla AMLO, o que pode significar uma nova era em seu país. “Tão longe de Deus e tão perto dos Estados Unidos, o México tem sido um dos países mais atingidos pela política hostil de Donald Trump, que já dificultou o processo de exportação dos produtos mexicanos, está tratando os imigrantes a ferro e fogo com a expulsão e separação de famílias inteiras e ainda insiste na proposta estapafúrdia da construção do muro na fronteira’, escreve no Portal Vermelho, a jornalista Mariana Serafini.

    Isso ressalta a importância dessa vitória na América Latina. Aos 64 anos, o líder do Morena promete uma transformação histórica à altura da Independência (1821), da Reforma (1857-61) e da Revolução (1910). Mas a partir de agora, as propostas grandiloquentes precisarão ser estacionadas. López Obrador terá de especificar como acabará com a corrupção, indo além de uma vaga promessa de honestidade, e definir um plano para reduzir os níveis de violência.

    Além do presidente, os mexicanos elegeram neste domingo 500 deputados e 128 senadores. Também estavam em jogo 9 dos 32 estados do país, entre eles os estratégicos Cidade do México, Jalisco e Veracruz, três das entidades mais povoadas. Mais de 1.600 prefeituras também foram renovadas.

    A vitória foi assegurada porque “AMLO conseguiu aglutinar uma ampla frente de forças e uma plataforma sintonizada com as aspirações do povo, este exigindo profundas mudanças em sua dramática situação de vida”, acentua Pereira.

    “A força mudancista alcançou tamanha dimensão, que a elite e o seu suporte imperialista, não conseguiram dessa vez, fraldar as eleições a ponto de evitar a vitória progressista”.

    Para o presidente interino, “a inédita e expressiva votação da centro-esquerda nas últimas eleições colombianas, a reeleição do presidente Nicolás Maduro na Venezuela e agora, a de Obrador, no México, são evidências de que o ciclo político da região inaugurado com Hugo Chávez em 1998 não está morto, pelo contrário, está vivo e ativo”.

    Pereira crê que “esses resultados e o fracasso econômico e social nos países golpeados pela agenda neoliberal, representam novas possibilidades para que a esquerda retome a liderança nestes países”.

    A vitória de uma coligação de esquerda depois de “tanto tempo sob o domínio da direita, o México se transforma em um grande exemplo para a esquerda na América Latina”, define. Mas o sucesso do governo de Obrador “dependerá da capacidade em formar uma ampla aliança capaz de ganhar e viabilizar uma agenda que valorize a soberania nacional, o desenvolvimento, o trabalho e os direito sociais dos povos de nossa região. Este desafio está posto neste momento inclusive para a esquerda brasileira”.

    Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB. Foto: Ramon Espinosa/AP

  • Documentário ajuda a entender os interesses dos EUA

    O documentário Why We Fight, do diretor Eugene Jarecki, mostra as causas que levaram os americanos à guerra contra o Iraque, indo além do 11 de setembro de 2001. Para isso, remonta a história desde a Segunda Guerra Mundial, contando com entrevistas com militares, executivos e políticos a fim de procurar fatores que explicariam a guerra, ao mesmo tempo que desmente a grande falácia de que os Estados Unidos estariam invadindo regiões como, por exemplo, o Oriente Médio, para levar liberdade e democracia.

     

    Por qué luchamos - Por que lutamos from olho.cósmico on Vimeo.

    Em vários momentos do documentário aparece o pronunciamento de despedida do ex-presidente Dwight D. Eisenhower (1953 - 1961), no qual ele alerta para o perigo que o complexo militar-industrial poderia trazer. Não é à toa já que, atualmente, este é um grande mercado em que diversas empresas privadas competem, as quais são aliadas aos políticos do Congresso, exercendo sua influência principalmente através do lobby. Enquanto a guerra for lucrativa para este setor, ela não irá acabar tão cedo.

    Além dos interesses do mercado produtor de armas, há também o alienamento dos militares. Notamos nas entrevistas que esses não sabiam, por exemplo, quais eram os alvos do primeiro ataque no Iraque, nem o porquê eles estavam bombardeando os prédios que eram os alvos. A manipulação da mídia para fazer a opinião pública (que mostrou sua importância após o fracasso do país na guerra contra o Vietnã) abraçar a guerra, nesse sentido, também opera um importante papel.

    Outro ponto que merece ser explorado é a questão do petróleo, sendo essa de relevância para a segurança energética dos Estados Unidos, pois hoje em dia o país não consegue suprir suas demandas e se tornou um dos maiores importadores deste produto. Os americanos invadem países do Oriente Médio que possuem grandes reservas de petróleo desde a metade do século passado, quando a então British Petroleum pediu ajuda no Irã. E devemos lembrar que o complexo militar-industrial consome muita energia e, por isso, tem interesse em assegurar o fornecimento de petróleo.

    O documentário e as questões que são mostradas nele ajudam a pensar os interesses dos Estados Unidos para além do Oriente Médio, como na Venezuela, e até mesmo no Brasil, já que são esses os países que mais produzem petróleo na América do Sul. O atual presidente americano, Donald Trump, possui fortes ligações com a indústria de armas do país que, através da Associação Nacional do Rifle, exerce lobby sobre seu governo.

    Ou seja, há muito mais interesses por trás das ameaças de invasão no território venezuelano, bem como no apoio incondicional que o futuro presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, presta aos Estados Unidos do que somente a superficial defesa da liberdade e democracia contra a “ameaça” comunista.

    Fonte: FPA

  • Emprego nos EUA paga pouco e não tem direitos

    A baixa taxa de desemprego nos Estados Unidos tem frequentado as conversas com quase o mesmo interesse despertado pelos resultados esportivos. Na casa dos 3,7% em setembro, é oficialmente a menor desde 1969 naquele país. E, como nos comentários esportivos, o tema é cercado por chutes.

    Ao contrário do que pode parecer, o resultado não comprova o acerto da retórica protecionista e xenófoba do governo Trump, tampouco é fruto somente da gestão dele. E, principalmente, não é um bom exemplo, já que boa parte dos empregos criados tem salários muito baixos e a imensa maioria não vem acompanhada de direitos fundamentais como auxílio-saúde, descanso semanal remunerado e outros.

    O baixo desemprego anunciado por lá também se vale de uma forma de medição que inclui até mesmo as pessoas que estão nas penitenciárias. Caso a população carcerária não entrasse na conta dos empregados, a taxa de desemprego subiria aproximadamente cinco pontos, conta o economista Marcelo Manzano, pesquisador do CESIT/Unicamp e consultor da Fundação Perseu Abramo.

    A julgar pelas propostas e promessas do futuro governo brasileiro, a experiência de empobrecimento maior de quem trabalha vai ser aplicada por aqui. O presidente eleito já afirmou mais de uma vez que o trabalhador terá de escolher se quer direitos ou se quer emprego, as duas coisas juntas seriam demais. Ele também criticou os métodos do IBGE para medir emprego e desemprego e disse querer mudá-los.

    Nos Estados Unidos, o salário médio anual gira em torno de US$ 33 mil dólares. Em comparação, o custo anual de uma faculdade privada é de US$ 30 mil dólares por ano. Essa amostra da ínfima diferença entre o ganho real e custo de vida comprova a fragilidade da renda do trabalho e também ajuda a explicar o endividamento dos jovens com crédito estudantil tomado em bancos, um fenômeno que ocorre nos EUA. Segundo dados do Fed (banco central), quatro em cada 10 recém-formados estão pendurados nesse crédito, que neste ano ultrapassou US$ 1,5 trilhão.

    Sindicato faz falta

    “A maioria dos empregos gerados são temporários ou de tempo parcial. Não vem com quase nada além do baixo salário”, confirma Jana Silvermann, diretora para o Brasil e Paraguai do Solidarity Center da AFL-CIO, maior central sindical dos EUA. Segundo ela, grande parte está no setor de serviços não-especializados. Em todo o setor privado estadunidense, 93% dos trabalhadores não têm proteção de acordos coletivos de trabalho negociados por sindicatos, “quase sem direito nenhum”, diz a dirigente. Outra experiência que o futuro governo pretende aplicar por aqui, com sua sanha antissindical.

    Com escassa cobertura em serviços públicos, a situação do trabalho nos EUA piora. Jana lembra, por exemplo, que uma das propostas da pré-campanha do socialista Bernie Sanders à Presidência que mais sucesso fez entre o eleitorado jovem foi a criação de cursos técnicos de dois anos de duração, inteiramente grátis, ou melhor, subsidiados pelo Estado. Não foi adiante.

    A perda do vigor industrial dos EUA, setor que oferece os empregos mais bem remunerados, não se reverteu, apesar de todas as promessas de Trump. “A recuperação econômica americana se dá por bolhas. Há hoje duas bolhas, a dos títulos públicos e a do mercado de ações, movidas pelo excesso de liquidez”, comenta o economista Guilherme Mello, em referência à grande quantidade de dinheiro em circulação movida a corte de impostos, baixa taxa de juros e com a ajuda da máquina de imprimir dólares, que só eles têm.

    Crisis, what crisis?

    “Para onde vai essa liquidez?”, pergunta Mello.”Vai para aplicações financeiras, para títulos públicos, para o mercado de ações, o que vai gerando essa bolha”. Isso quer dizer mais especulação, menos produção de bens reais. Para o economista, outra crise semelhante à de 2008 chegará, mais cedo ou mais tarde. “A combinação da desaceleração chinesa e do comércio internacional – porque há uma guerra comercial em curso – e essas bolhas crescendo, haverá uma reversão, um acerto de contas, vamos dizer assim”, completa.

    Enquanto isso, o emprego industrial segue lento, sem se importar com as promessas de campanha de Trump. Segundo dados apurados pela AFL-CIO, desde 1994 sumiram 600 mil empregos no setor. O atual governo comemora a criação de 180 mil desde 2016, escondendo o déficit. Detalhe: 1994 é o ano que marcou a assinatura do Nafta, acordo de livre comércio entre EUA, Canadá e México que gerou imensa exportação de empregos. De má qualidade, especialmente para o México.

    Por fim, a baixa taxa de empregos, inegável embora cercada de contradições, não pode ser creditada exclusivamente a Trump. O economista Fausto Augusto Jr., do Dieese, lembra que ações de Barack Obama para enfrentar a crise de 2008 estão surtindo efeito, a exemplo da intervenção estatal para evitar a quebra de conglomerados como a GM, e a adoção de uma taxa básica de juros negativa por longo período.

    Fonte: FPA

  • Federação Sindical Mundial denuncia política anti-imigração de Donald Trump

    O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou um decreto, na última sexta-feira (27), que suspende o programa de admissão de refugiados e veta a entrada de cidadãos de sete países de maioria muçulmana.

    Em resposta, a Federação Sindical Mundial (FSM), entidade a qual a Central dos Trabalhadores e Trabalhadores do Brasil (CTB) é filiada, emitiu uma declaração exigindo a revogação do decreto classificado como racista.

    A entidade internacional denuncia ainda que o objetivo dessas medidas é promover o racismo e a intolerância para dividir a classe trabalhadora. “A FSM, fiel aos seus princípios internacionalistas, chama os trabalhadores do mundo, independentemente da sua religião, cor e língua para unir-se sob as bandeiras das organizações classistas contra seu inimigo comum: os capitalistas, para um mundo sem guerras, pobreza e racismo”, diz a declaração.

    Leia abaixo a íntegra:


    Declaração da FSM sobre o decreto presidencial racista do governo dos EUA

    A FSM representando 92 milhões de trabalhadores em todos os cantos do mundo, condena fortemente o decreto presidencial racista do governo de EUA que proíbe a entrada nos EUA de viajantes provenientes de sete países (Síria, Somália, Sudão, Irã, Iraque, Líbia, Iémen), culpando-os de "terrorismo islâmico", separando assim os povos do mundo, de acordo com a religião.

    O Presidente Trump esqueceu que o Estado Islâmico foi criado, financiado, armado e apoiado pelo governo de EUA liderado pelo Presidente Obama? Foi a política dos EUA que sangrou os povos na Síria, Líbia, Afeganistão, Iraque e em outros lugares.

    O racismo e a intolerância, promovida pelos capitalistas e seus governos pretendem separar os trabalhadores, virando uns contra os outros. Os capitalistas exploram os ataques terroristas na Turquia e nos países europeus assim como o recente assassinato de seis muçulmanos enquanto rezavam em Quebec, Canadá.

    O objetivo é tomar novas medidas contra as lutas dos povos e aqueles que estão resistindo aos planos dos imperialistas. A FSM, fiel aos seus princípios internacionalistas, chama os trabalhadores do mundo, independentemente da sua religião, cor e língua para unir-se sob as bandeiras das organizações classistas contra seu inimigo comum: os capitalistas, para um mundo sem guerras, pobreza e racismo.

    Por um mundo sem exploração do homem pelo homem. A FSM exige a revogação do decreto racista contra os 7 países e expressa a sua solidariedade às famílias dos seis muçulmanos que injustamente perderam suas vidas em Quebec.

    Atenas, 31 de janeiro 2017,
    Secretariado da FSM

    Portal CTB - Foto: Joshua Lott - AFP

  • Federação Sindical Mundial lança campanha em solidariedade ao povo palestino nesta sexta (15)

    A Federação Sindical Mundial (FSM) inaugura, nesta sexta-feira (15), uma campanha internacional em solidariedade ao povo palestino para denunciar a agressão que o governo dos Estados Unidos cometeu contra aquele país ao reconhecer Jerusalém como capital de Israel.

    CTB condena decisão de Trump de reconhecer Jerusalém como capital de Israel

    “A FSM proclama uma semana de solidariedade ativa e militante com o povo heroico da Palestina”, diz a convocatória. A entidade sindical conclama a classe trabalhadora para organizar manifestações, durante toda a semana, contra a decisão do presidente estadunidense Donald Trump.

    palestina es cartaz

    Em São Paulo, organizações solidárias com a Palestina, farão um grande ato de repúdio ao governo Trump. Segundo a organização da iniciativa, os manifestantes se concentrarão a partir das 15 horas na Estátua do Borba Gato (Avenida Santo Amaro, 5700) e sairão em caminhada até o Consulado dos Estados Unidos. (Confira os detalhes do evento na página do Facebook). A CTB se soma nesta atividade.

    “Para os povos de todo o mundo e para a Federação Sindical Mundial Jerusalém Oriental é a capital da Palestina, dentro das fronteiras de 1967”, conclui o comunicado. (leia aqui a íntegra).

    A campanha se estende até a próxima quinta-feira (21) e contará com a participação de entidades sindicais em todo o mundo. 

    Portal CTB 

  • FSM publica declaração condenatória contra Trump e sua nova agressão contra Cuba

    A Federação Sindical Mundial - FSM publicou no último sábado (17) uma declaração oficial na qual se posiciona de forma veemente contra a decisão do presidente norte-americano, Donald Trump, de cancelar o acordo vigente com Cuba, assim como seu anúncio de intensificação do bloqueio comercial ao país.

    Para a FSM, as palavras de Trump soaram "anti-trabalhistas e reacionárias", e sua intenção de reforçar o bloqueio é "inaceitável e criminosa contra o povo heróico cubano". "Cuba não está sozinha; tem ao seu lado a voz da nossa grande família sindical, e o apoio prático do movimento sindical internacional classista!", escreveu a entidade.

    O texto pede ainda a retirada da base militar de Guantanamo e o respeito à auto-determinação dos povos. Confira na integra:

    Atenas, el 17 de junio 2017 
    SOLIDARIDAD INTERNACIONAL DE LA FSM CON CUBA

    La Federación Sindical Mundial –FSM- que es la voz militante de 92 millones de trabajadores y trabajadoras en 126 países de todo el mundo, rechaza de la manera más rotunda la desición del gobierno imperialista de los EEUU y del presidente Trump de cancelar el acuerdo vigente con Cuba. Utilizando palabras antilaborales y reaccionarias, el presidente de los EEUU afirmó desde Miami, la base de los criminales de la mafia cubana, la cancelación con efecto inmediato del acuerdo entre EEUU y Cuba, al mismo tiempo que anunció la intensificación del bloqueo inaceptable y criminal en contra del heroico pueblo cubano. Además, declaró con hipocresía que supuestamente se preocupa de los “derechos humanos” y de manera provocadora manifestó que utilizará la embajada estadounidense en La Habana como palanca para “el cambio rumbo a la libertad”. 

    La FSM declara otra vez más que ¡las amenazas de los imperialistas no pasarán! Por mucho que los halcones del imperialismo estadounidense y sus colaboradores mafiosos chantajeen, no quebrantarán el espíritu de lucha del orgulloso e insumiso pueblo cubano. Cuba no está sola; ¡tiene a su lado la voz de nuestra gran familia sindical, el apoyo práctico del movimiento sindical internacional de clase!
    La Federación Sindical Mundial llama a todos los sindicatos clasistas en todo el mundo a sumar su voz en la campaña internacional de la FSM, reivindicando el fin del bloqueo inaceptable e inhumano impuesto en contra de Cuba. Al mismo tiempo, solicitamos la devolución inmediata del territorio de Guantánamo al estado cubano. Otra vez más, reiteramos nuestro apoyo incondicional al derecho de los pueblos a decidir por sí solos sobre su presente y futuro, sin las intervenciones asesinas de los imperialistas.

    ¡El pueblo cubano vencerá! ¡Abajo el bloqueo! ¡Devolución del territorio de Guantánamo a Cuba ya!

    El Secretariado

    Portal CTB

  • Imperialismo: Venezuela está sob ameaça de ingerência externa e cerco militar

     O documento emitido pelo Grupo de Lima logo após as eleições democráticas realizadas na Venezuela – que deram uma vitória retumbante ao presidente Nicolás Maduro – em que os países signatários, entre eles o Brasil, declaram não reconhecer os resultados eleitorais e propõem uma série de medidas de ingerência, significam a intensificação da ameaça intervencionista sobre o país bolivariano.

    Por trás, manejando os cordéis, encontra-se o Departamento de Estado dos Estados Unidos. Como ponta de lança, governos reacionários, golpistas, subservientes aos interesses do imperialismo, como os do Brasil, Argentina e Peru, entre outros.

    De per si perigosa, a ameaça de ingerência não se esgota, porém, no âmbito diplomático. Tem também um componente militar, o qual se desenvolve há mais tempo e diz respeito à segurança e à paz de toda a região latino-americana e caribenha.

    As forças que engendram intervenções e guerras exploram com despudor a presença de venezuelanos nas regiões fronteiriças com a Colômbia e o Brasil. Utilizam o problema migratório como “prova” da existência de uma crise humanitária no país bolivariano e como pretexto para criar incidentes que poderiam transformar-se em conflitos de grave natureza política e militar.

    A ameaça foi explícita em declarações do presidente dos Estados Unidos Donald Trump. E é latente, quando se considera o entorno geopolítico e ações no âmbito militar que envolvem governos subalternos aos Estados Unidos e a própria potência imperialista do norte.

    Em novembro do ano passado, realizaram-se manobras militares, com a participação dos Estados Unidos, em território amazônico, na tríplice fronteira entre Brasil, Colômbia e Peru. Nenhum patriota brasileiro e latino-americano pode deixar de considerar o evento como uma grave ameaça à soberania nacional brasileira e de todos os países da região, uma ameaça à estabilidade, à segurança e à paz.

    Foi a primeira vez que o território da Amazônia brasileira se tornou cenário de semelhantes exercícios militares. “Um exercício inédito no âmbito da América do Sul. A primeira vez que vamos montar uma base logística internacional”, disse na altura o general Theofilo Gaspar de Oliveira, responsável do Comando Logístico do exército brasileiro, em Brasilia, e um dos organizadores dos exercícios apelidados de AmazonLog.

    A “Operação América Unida”, como se denominaram os exercícios militares, durou dez dias, com simulações comandadas a partir de uma base multinacional formada por tropas de Brasil, Colômbia, Peru e Estados Unidos. A base da atividade foi a cidade de Tabatinga (AM), que faz fronteira com Letícia (Colômbia) e Santa Rosa (Peru).

    Os porta-vozes das Forças Armadas brasileiras informaram que a base é temporária e abrigou ítens de logística como munição, aparato de disparos e transporte e equipamentos de comunicação, além das tropas. Afirmam ademais que também convidaram observadores militares de outros países, agências e organismos governamentais.

    A operação fez parte do denominado AmazonLog, exercício militar criado pelo exército brasileiro a partir de uma atividade realizada em 2015 na Hungria pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), braço armado do imperialismo norte-americano e seus aliados da União Europeia, da qual o Brasil participou como observador.

    O exército brasileiro negou que a atividade sirva como embrião para uma possível base multinacional na Amazônia.

    O exercício militar AmazonLog foi o primeiro na região, mas não foi o primeiro exercício conjunto entre as Forças Armadas brasileiras e os Estados Unidos em território brasileiro. Em 2016, as marinhas das duas nações fizeram uma atividade preparatória para as Olimpíadas no Rio de Janeiro, envolvendo treinamento com foco ‘antiterrorismo’.

    Em 2015, um porta-aviões estadunidense passou pela costa do Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro para treinamento da Força Aérea Brasileña (FAB).

    O objetivo explícito dos exercícios AmazonLog era, segundo o exército brasileiro, o aumento da capacidade de pronta resposta multinacional, sobretudo nos campos da logística humanitária e apoio ao enfrentamento de ilícitos transnacionais.

    Estes exercícios militares ocorrem em um quadro de maior aproximação entre os militares brasileiros e estadunidenses. Em março de 2017, o major general Clarence K.K. Chin, comandante do Exército Sul dos Estados Unidos, responsável por realizar operações multinacionais com 31 países nas Américas do Sul e Central, foi condecorado em Brasília com a medalha da Ordem do Mérito Militar. Na ocasião, o comandante norte-americano visitou as instalações do Comando Militar da Amazônia, segundo repoprtagem da “BBC News”.

    Também em março, o exército dos EUA inaugurou um centro de tecnologia em São Paulo para desenvolver alianças com o Brasil em projetos de investigação com foco em inovação. Na mesma ocasião, o Ministério da Defesa do Brasil e o Departamento de Defesa dos Estados Unidos firmaram o Convênio para Intercâmbio de Informação em Investigação e Desenvolvimento, o MIEA (Master Information Exchange Agreement, na sigla em inglês). Acordos de intercâmbio como este não necessitam de aprovação do Congresso Nacional.

    Em 3 de abril, o Ministério da Defesa anunciou em um evento na embaixada estadunidense que o Brasil e os Estados Unidos desenvolverão “um projeto de defesa” em conjunto.

    A embaixada dos Estados Unidos em Brasilia disse que o país “está satisfeito de ter sido convidado junto a outras nações regionais para participar” do exercício na Amazônia e que “busca expandir e aprofundar as parcerias de defesa com o Brasil” (“BBC News”).

    “Durante o último ano finalizamos uma série de compromissos relacionados com a Defesa (entre EUA e o Brasil)”, afirmaram porta-vozes da embaixada estadunidense. “Olhando para o futuro, outros acordos estão em discussão, incluindo suporte logístico, prova e avaliação em ciência e tecnologia e intercâmbios científicos.” (“BBC News”).

    O exército brasileiro também trabalha para organizar a ida de um batalhão de infantaria do Brasil para treinamento em uma brigada do exército estadunidense em Fort Polk, na Lusiana, no segundo semestre de 2020.

    Um dos objetivos da cooperação militar bilateral seria criar uma fiscalização maior na região e elaborar doutrinas para combater os crimes transfronteiriços que afetam a região na guerra de fronteira que hoje alimenta a guerra urbana existente nos grandes centros.

    Coincidem com esses exercícios as tratativas entre o governo dos Estados Unidos e o governo golpista de Michel Temer para ceder o centro de lançamento de foguetes e outros veículos espaciais situado em Alcântara, no estado do Maranhão. Isto representa uma gravíssima ameaça à soberania nacional brasileira e de todos os países vizinhos.

    As recentes manobras militares na Amazônia são tão graves como foram a recriação da Quarta Frota da Marinha de Guerra estadunidense em 2008 e os acordos para a instalação de bases militares na Colômbia em 2009.

    Com justa razão, o chanceler venezuelano, Jorge Arreaza, declarou em 1º de dezembro do ano passado que o presidente Nicolás Maduro está preocupado com a iniciativa de realizar manobras militares em território amazônico. As declarações foram feitas durante a 13ª Reunião de Ministros de Relações Exteriores da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA) que se realizou em Tena, Equador, onde também pediu aos países membros que se declarem em emergência. “O Tratado e a organização do Tratado de Cooperação Amazônica devem declarar-se em emergência. O governo do Equador pode dar um primeiro passo para avançar nesse sentido, devemos ser oportunos e pertinentes”, disse o chanceler Arreaza.

    O militarismo, o intervencionismo e o golpismo, constituem o caminho que o imperialismo estadunidense percorre para impor à força a sua hegemonia. Além dos aspectos econômico, cultural e diplomático, os Estados Unidos levam a cabo uma estratégia intervencionista e militarista para assegurar um domínio multifacético de amplo espectro que pode conduzir o mundo a graves conflitos e perigosas conflagrações.

    Para robustecer a política belicista do imperialismo, Donald Trump aumentou o orçamento militar a 603 bilhões de dólares em seu primeiro ano de mandato (2017). A crescente militarização do planeta, a expansão da Otan para o leste da Europa, com vistas à Rússia, o aumento do número de bases militares, a modernização das armas nucleares e a elaboração de uma estratégia militar centrada na Ásia para a China, são aspectos essenciais da ofensiva do imperialismo, para além das investidas no Atlântico Sul com a reativação da Quarta Frota Naval.

    Os Estados Unidos e seus aliados na região latino-americana e caribenha buscam restaurar seu domínio absoluto.

    A América Latina conheceu nas duas últimas décadas um ciclo progresista cujo ponto inicial foi a eleição de Hugo Chávez para a presidência da Venezuela em 1998. Desde então, em mais de uma dezena de países foram eleitos governos progressistas, que se somaram a Cuba na resistência e na luta por uma América Latina soberana e progressista.

    A onda progressista repercutiu em toda a região, alterando significativamente, durante a primeira década e início da segunda do século 21, a correlação de forças e contrapondo-se ao poder do imperialismo estadunidense que, isolado, sofreu derrotas.

    A luta contra o neoliberalismo e pela integração latino-americana avançou. Milhões de pessoas saíram da pobreza e se criaram valiosos instrumentos de integração regional: a Aliança Bolivariana para os Povos de Nossa América-Tratado de Comércio dos Povos (Alba-TCP), a União de Nações Sul-americanas (Unasul), a Comunidade de Estados Latino-americanos e Caribenhos (Celac) e o Acordo de Cooperação Energética Petrocaribe.

    Os governos democráticos, patrióticos e populares da América Latina, alguns deles revolucionários e com orientação socialista, basearam sua plataforma política na promoção dos direitos sociais, no reforço do Estado nacional, na nacionalização dos recursos energéticos e, em alguns casos, na realização de transformações estruturais.

    Agora, está em curso uma ofensiva para liquidar essas conquistas, estando a Venezuela no foco. As forças reacionárias locais e o imperialismo estadunidense exploram as dificuldades econômicas e sabotam a economia com fins políticos.

    No caso da Venezuela, realizam literalmente uma guerra de quarta geração, de que fazem parte a guerra econômica, o estímulo e organização de atos violentos, o isolamento diplomático, a campanha de descrédito pela mídia empresarial, as ameaças de ingerência externa e a preparação para a guerra propriamente dita.

    Em 2016, produziu-se o golpe de Estado no Brasil. O retrocesso já consumado no Brasil, Argentina e Chile marca um ponto de inflexão no ciclo progressista latino-americano.

    O objetivo principal do imperialismo estadunidense e seus aliados é solapar e reverter o processo de integração regional, esvaziar o eixo Sul-Sul, debilitar o Brics e realinhar subalternamente a região latino-americana aos Estados Unidos.

    No contexto da crise do capitalismo e da intensificação dos conflitos geopolíticos, acentua-se no mundo a ofensiva imperialista contra direitos, liberdades e soberania nacional. Mas por todas as partes desperta a luta democrática, nacional e libertadora dos povos. Multiplicam-se as forças que na região e no mundo buscam alternativas que assegurem a soberania das nações, a prosperidade e o desenvolvimento dos países, a integração assentada na cooperação mútua entre Estados e povos, a democracia, os direitos sociais e a paz.

    A luta por democracia, independência e paz na América Latina e Caribe pressupõe a firme oposição aos planos e ações militaristas promovidos pelos Estados Unidos e os regimes reacionários seus aliados.

    Fonte: Blog Resistência, por José Reinaldo Caravalho. Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil

  • Juventude Trabalhadora da Federação Sindical Mundial denuncia prisão de jovem palestina

    O Comitê de Juventude Trabalhadora da Federação Sindical Mundial (FSM) denunciou o Estado de Israel pela detenção e prisão da palestina Ahed Tamimi, de 16 anos, por confrontar dois soldados israelenses que estavam em frente à sua casa.

    CTB condena decisão de Trump de reconhecer Jerusalém como capital de Israel

    A detenção ocorreu em dezembro em meio aos protestos palestinos contra a decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de reconhecer Jerusalém como capital de Israel.

    “A prisão da jovem palestina, de apenas 16 anos, ocorre num contexto de guerras imperialistas, que têm ceifado a vida de diversas pessoas, em sua maioria jovens”, expressou a secretária de Juventude da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Luiza Bezerra, que também integra o comitê da FSM.

    Precisamos denunciar essa realidade, disse Luiza, bem como tais prisões arbitrárias. “Os jovens não devem ser punidos por lutarem por seus direitos”, sublinhou a dirigente.

    Além de repudiar a ação e exigir a liberação imediata de Ahed o comitê fez um chamado aos jovens trabalhadores em todo o mundo para que se solidarizem com a jovem. Vários países já demonstraram seu apoio e estão denunciando sua prisão. Confira a galeria de fotos clicando aqui.

    Participe desta campanha! Baixe o cartaz (aqui)  e denuncie a prisão de  Ahed Tamimi.

    Portal CTB 

  • Mulheres derrotam Donald Trump em eleição histórica nos Estados Unidos

    A terça-feira (6) entra para a história dos Estados Unidos como o dia em que as mulheres derrotaram o presidente Donald Trump, eleito dois anos antes atacando as questões de gênero, os imigrantes e defendendo propostas racistas e xenófobas. As semelhanças com Jair Bolsonaro não param por aí. Trump também é acusado de utilização de fake news para derrotar a adversária democrata Hillary Clinton.

    “As estadunidenses se mobilizaram para avançar nas lutas por igualdade de direitos”, afirma Celina Arêas, secretária da Mulher Trabalhadora da CTB, com base em informações do jornal The New York Times. Com o resultado o Partido Democrata conquistou maioria na Câmara, mas se mantém em minoria no Senado. Nas duas casas legislativas, a representação feminina já ultrapassa os 20%.

    De acordo com as repórteres Susan Chira e Kate Zernike , “as mulheres participaram de grupos de base determinadas a reconquistar o controle democrata sobre a Câmara, e lotaram organizações que as prepararam para concorrer aos cargos. Como candidatas, elas quebraram regras e derrotaram a sabedoria política convencional”.

    Até o momento já eram 92 eleitas, em 435 parlamentares, superando o recorde anterior de 84 para a Câmara dos Representantes. “Como ativistas, expandiram a definição das questões femininas para além da educação e dos direitos reprodutivos, incluindo assistência médica, imigração, violência armada e proteção do meio ambiente”, assinalam as repórteres. No Senado foram eleitas 10 mulheres nas 35 vagas em disputa.

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    Para Celina, o resultado da eleição da maior potência capitalista do mundo, significa “uma pedra no caminho dos projetos anti-imigração, belicista e armamentista, contra os direitos humanos de Trump”.

    Foram muitas boas novidades. Pelos democratas: em Massachusetts, Ayanna Pressley se tornou a primeira negra eleita. Rashida Tlaib, em Michigan e Ilhan Omar, em Minnesota serão as primeiras muçulmanas no Congresso. Sharice Davids derrubou um republicano no Kansas e Deb Haaland prevaleceu no Novo México, tornando-se as primeiras indígenas eleitas para o Congresso. No Tennessee, Marsha Blackburn, uma republicana, tornou-se a primeira mulher do estado eleita para o Senado.

    Kelly Dittmar, cientista política da agência de Rutgers, disse ao New York Times que "para algumas mulheres, isso significava não esperar a sua vez", enquanto “para outras, isso também significava concorrer de uma maneira que adotasse o gênero e a raça como um trunfo para a candidatura e a manutenção de escritórios, em vez de um obstáculo que precisam superar para ter sucesso no mundo da política eleitoral masculino".

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    Jared Polis foi eleito no Colorado como o primeiro governador de um estado estadunidense, assumidamente gay, também pelos democratas. “Ampla derrota para Trump, que viu suas plataformas principais ruírem”, analisa a sindicalista da CTB.

    Especialistas indicam polarização entre o eleitorado masculino e feminino, muito parecido com o fenômeno que aconteceu na eleição brasileira. “A luta das mulheres não vai parar enquanto houver discriminação, violência e preconceito. O resultado dessa eleição vai além dos números e traz grande signifido político para avançarmos na unidade em defesa da igualdade e do respeito a todas as pessoas”, finaliza Celina. Para ela, a reeleição de Trump em 2020 está comprometida "para o bem da humanidade".

    Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB

  • Norte-americanos elegem Hillary ou Trump nesta terça-feira (8)

    Chega ao fim a disputa pela presidência dos Estados Unidos da América. Nesta terça-feira (8), a candidata pelo Partido Democrata, Hillary Clinton, ou republicano, Donald Trump, irá suceder Barack Obama. As últimas pesquisas, realizadas no país, apontam que a democrata está com uma pequena vantagem, em média, de três pontos à frente do empresário.

    A estudante de enfermagem brasileira, Bábara Larissa Santos, que mora em Nova York há oito anos, conversou com o Portal CTB sobre o tema. Ela acredita que a população está dividida. “Por um lado, muitas pessoas dizem que vão votar na Hilary, porque ela está mais preparada, tem mais experiência política, mas sabendo que vai manter a política neoliberal; e por outro lado tem Trump, com o histórico que ele tem”, expressou.

    O republicano é dono de um império no país, boa parte herdado do pai. Acusado de assediar sexualmente pelo menos 11 mulheres, propôs construir um muro na divisa do país com o México para impedir a entrada de estrangeiros. Ele ameaçou rejeitar o resultado da eleição caso perca.

    “Trump seria um completo desastre: racista, contra os trabalhadores imigrantes e com políticas anti-sindicais, apoia a extrema-direita e é fascista”, expressou o representante permanente da Federação Sindical Mundial (FSM) na ONU, Frank Goldsmith.

    O secretário de Relações Internacionais da CTB, Divanilton Pereira, concorda com Goldsmith. “Como surge um elemento com estas propostas anticivilizacionais , propagando a xenofobia, misoginia, discriminação e se torna candidato à presidência do país”, questionou.

    Na avaliação de Goldsmith, se Hillary vencer, ela apoiará políticas contra os governos progressistas e de esquerda na América do Sul e América Central. “Trump é um personagem da televisão e Clinton um produto do Partido Democrata”, disse.

    Eleição indireta

    Diferente do Brasil, nos Estados Unidos os votos dos eleitores de cada estado servem para eleger os delegados no Colégio Eleitoral, que é composto por 538 pessoas, são estes que representarão os eleitores de sua unidade federativa na escolha final do presidente. Para vencer, o candidato precisa ter o apoio de 270 votos (metade mais um).

    De acordo com Pereira, este sistema eleitoral é uma verdadeira “farsa da democracia”. “Os norte-americanos, que se dizem tão democráticos, realizam a votação de maneira indireta. Isto é uma falácia”, frisou.

    Diante deste cenário, Goldsmith acredita que o movimento sindical internacional precisa estar unido e se fortalecer. “Precisamos continuar lutando, orientados pelo sindicalismo classista como a CTB, em todos os países e como FSM em sua perspectiva internacional. Ninguém pode vencer politicamente sem a orientação classista em suas bases. Vamos derrotar os “Trumps” independente de qual país "eles" tentam restaurar seu poder. Vamos derrotar o neoliberalismo da mesma forma”, concluiu.

    Ambos os candidatos estão com índices recordes de rejeição, mais de 50%, num país em que o voto é facultativo. O vencedor deverá ser conhecido entre 2h e 3h da madrugada desta quarta-feira (9), quando os últimos Estados fecharão suas urnas. 

    Érika Ceconi - Portal CTB
    Foto: Reprodução

  • O sonho americano acabou?

    Os Estados Unidos da América, a terra dos sonhos de liberdade, igualdade, dignidade, respeito, liberdade religiosa e educação, mudou radicalmente com a eleição do milionário Donald Trump à Presidência da República. O discurso agressivo do novo presidente, durante a campanha e após as eleições, despertou uma parcela minoritária da população que quer ressuscitar o racismo, a homofobia, a xenofobia e a intolerância.

    Nos últimos meses, a nação ‘’hollywoodiana’’ vem vendo o ressurgimento de grupos racistas como o Klu Klux Kan em todos os estados. Várias outras organizações menores têm realizado demonstrações ou publicado artigos provocadores nas redes sociais. A manifestação de um grupo de supremacistas brancos (em inglês, “white-supremacists”) em Charlottesville, estado da Virginia, no dia 12 de agosto, resultou na morte de Heather Heyer, uma ativista dos direitos humanos de 32 anos. Este evento foi o estopim de uma nova fase desses grupos de inspiração neonazista ou apenas mais uma etapa da escalada de ódio que assola o país?

    O presidente americano condenou a violência de forma ambígua e disse que os dois grupos de manifestantes eram igualmente culpados. Esta declaração provocou uma reação negativa em boa parte da população. Ao culpar os dois grupos, o presidente não condenou a presença de neonazistas e membros da Klu Klux Kan entre os manifestantes racistas. Políticos republicanos e democratas foram contra a posição de Trump. Alguns membros do conselho de apoio ao presidente abandonaram o comitê depois dessas declarações. O último golpe foi a demissão coletiva dos membros do Conselho Presidencial para as Artes e Humanidades. Em carta pública, os membros do conselho ressaltaram em cada parágrafo a sua oposição às declarações de Trump. A primeira letra de cada um dos seis parágrafos da carta formou a palavra ‘’Resist’’, associada com os protestos contra a atual administração.

    De fato, há uma resistência popular contra Trump que a imprensa internacional, e em especial a brasileira, não consegue captar. Milhares de americanos estão realizando manifestações em diversas partes do país. Em Boston, cerca de 40.000 ativistas pelos direitos humanos marcharam pelas ruas do centro no dia 19 de agosto para demonstrar seu repúdio contra um grupo racista que, baseado na Constituição norte-americana, quis realizar um ‘’free speech’’ (liberdade de expressão) no principal parque da cidade. A “contra-marcha” dos setores progressistas foi pacífica e a administração de Boston deixou bem claro que atos de violência e de provocação não serão tolerados. O prefeito Marty Walsh e a procuradora-geral do estado de Massachusetts, Maura Healey, caminharam lado a lado com os manifestantes.

    Neste momento conturbado da administração de Donald Trump o que está no horizonte é o perigo da volta de um período macabro de racismo da história norte-americana e a decisão política da população de permitir ou não que isto aconteça. Uma vez mais, a nação mais poderosa do planeta terá a oportunidade de mostrar ao mundo se o significado do “american way of life” contempla a democracia ou não. A grande questão é saber diferenciar quem é quem nesta realidade que, infelizmente, remete a um cenário ‘’hollywoodiano”.

    Marcia Cruz-Redding é jornalista brasileira residente em Waltham, estado de Massachusetts, nos Estados Unidos.

    Os artigos publicados na seção “Opinião Classista” não refletem necessariamente a opinião da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e são de responsabilidade de cada autor.

  • Presidenta da UBM visita a CTB em busca de maior aproximação com as mulheres trabalhadoras

    Vanja Santos, a presidenta recém-eleita da União Brasileira de Mulheres (UBM), fez uma visita de cortesia para conhecer a nova sede nacional da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) nesta segunda-feira (27), em São Paulo.

    “Estou viajando o país para articular com o movimento feminista o fortalecimento da resistência à ofensiva contra as conquistas das mulheres nos últimos anos”, diz Santos. Ela reconhece que a CTB vem se destacando na defesa da igualdade de gênero.

    “O movimento emancipacionista reconhece a atuação da CTB na luta das mulheres por igualdade”, afirma. Além do mais, a central “tem sido uma grande parceira da UBM, nos aproximando ainda mais das mulheres trabalhadoras”.

    Santos conversou com o Portal CTB também sobre os retrocessos nas questões de gênero no mundo inteiro. “Trump (Donald, presidente dos Estados Unidos) abomina os direitos humanos e a igualdade de direitos em todos os setores. Isso se reflete na América Latina com crescimento da violência contra as mulheres e a população negra e pobre”.

    A ativista feminista ataca inclusive o papel de naturalização da violência promovido pela mídia comercial. “A mídia notícia as agressões, os crimes, mas o faz de uma maneira superficial. Tentam justificar a violência contra as mulheres como algo natural porque nos apresentam como objetos do desejo do homem e imputam razões passionais para os feminicídios".

    Lembrando que o Brasil é o quinto país mais violento contra as mulheres, o primeiro contra a população LGBT e o genocídio da juventude negra, pobre e da periferia cresce ano a ano. “A mídia e os governantes são como um espelho para a população que acabam achando muito natural agredir ou matar mulheres, pobres e todos os que se assemelham ao feminino”, acentua.

    Por isso, conclui Santos, “lutamos para termos mais mulheres em todos os ambientes. Seja nos legislativos, nos executivos, no mundo do trabalho e no movimento sindical. Queremos mais presença em cargos com poder de decisão”.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

  • Reunião do G20: “ultima chance” de um acordo ainda em 2018?

    O Portal CTB reproduz as Notas Internacionais diárias produzidas pela socióloga e cientista política, Ana Prestes, desta quarta (13).

    Notas internacionais (13/12/18)

    - Desde segunda (10) estão reunidos no Uruguai os negociadores do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia. A reunião é vista como a “ultima chance” de um acordo ainda em 2018, mas todos com a forte impressão de que qualquer decisão poderá ser mudada pelo futuro governo Bolsonaro. Caso haja avanço até amanhã (14), a Argentina convocará reunião ministerial dos dois blocos para tentar fechar os últimos detalhes de um acordo que está há 19 anos em negociação. Merkel parece aberta a concessões e colocou pressão ontem dizendo que o tempo está se esgotando, pois sob um governo Bolsonaro será mais difícil. Um dos grandes bloqueadores tem sido a França, que na última reunião do G20 disse que só fecha acordo com firmantes do Acordo Climático de Paris, em clara alusão ao futuro governo Bolsonaro.

    - Theresa May sobreviveu. Não foi aprovada a moção de censura apresentada por parlamentares de seu partido (Conservador) ontem (12) no parlamento britânico. Ela permanece sendo a líder do partido e por consequência a primeira ministra. No entanto, não foi sem custos. Ela se comprometeu a deixar a liderança do partido antes de 2022, quando ocorrem as próximas eleições. Seu grande desafio continua sendo dar um desfecho ao Brexit, o que parece cada vez mais difícil.

    - Macri, presidente argentino, cancelou a confirmação de sua vinda ao Brasil para a posse do presidente Jair Bolsonaro em 1º. de janeiro. A alegação é de que estará em férias com sua família na Patagônia. Os jornais argentinos, no entanto, especulam que os efeitos das notícias sobre suspeita de corrupção no seio da família Bolsonaro, envolvendo filho e esposa do presidente eleito, podem ter influenciado na decisão. Macri já está com uma popularidade baixíssima, tem a própria família (pai e irmão) envolvida em um escândalo de corrupção e não quer desgastar ainda mais sua imagem na entrada do ano novo que para ele será eleitoral. A Argentina é um dos principais parceiros comerciais e políticos do Brasil na América do Sul.

    - Os ataques entre EUA e China continuam. O último episódio foi a alegação do secretário de estado norte-americano, Mike Pompeo de que o recente vazamento de dados do grupo Marriot (rede hoteleira) teria sido fruto de espionagem chinesa. Estima-se que os dados de 500 milhões de clientes da rede Marriot tenham sido hackeados em novembro. Os americanos se dizem especialmente preocupados, pois seus militares e funcionários de agencias governamentais se hospedam nessa rede.

    - As acusações sobre a China no “caso Marriot” ocorrem ainda no calor da recente prisão da executiva financeira do grupo chinês Huawei. Solta sob fiança, Meng Wanzhou aguarda decisão sobre sua possível extradição para os EUA, onde está acusada de fraude pela justiça americana. A Huawei é hoje a maior fabricante mundial em equipamentos de telecomunicações e a segunda em smartphones e tem causado grande incomodo por estar à frente das concorrentes em tecnologia para a rede móvel de 5ª geração (5G). A mobilização do aparato judicial dos EUA contra a empresa vem no bojo da guerra estabelecida com a China. Segundo os americanos, a tecnologia 5G da Huawei deixará os EUA expostos a ciberataques.

    - A aproximação entre Rússia e Turquia tem desagradado Israel, que agora tenta a formação de um bloco com EUA, Grécia e Chipre com o nome de “eixo-democrático” do Oriente Médio. A aliança incluiria uma cooperação militar entre os quatro países na região.

    - Moscou considerou pouco diplomáticas e inapropriadas as declarações do secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, sobre os aviões bombardeiros russos (Tu-160) que chegaram à Venezuela para realização de exercícios militares. Pompeo havia “tuitado” que os exercícios militares da Venezuela em conjunto com a Rússia expõem dois governos corruptos e que usam dinheiro público para manobras militares. O porta voz do Kremlin, Dmitri Peskov, disse que só a metade do orçamento de defesa dos EUA daria para “alimentar toda a África”.

    - Sobre as propostas anunciadas por Macron ao longo da semana em resposta aos protestos dos Jalecos Amarelos, há quem diga que ele tenta dividir o movimento. Há manifestantes que pedem a renúncia de Júpiter (como chamam Macron) e os que se dispõem a negociar. O aumento de 100 euros no salário mínimo pode dividir o movimento. O movimento não tem um a liderança clara declarada, seus integrantes são em maioria homens entre 20 e 40 anos, trabalhadores do interior da França, vinculados a pequenas empresas e a maioria não é sindicalizada. Somam-se a eles movimentos de diferentes setores que também se opõe aos aumentos dos impostos dos combustíveis e com a situação geral do país. Há novas manifestações marcadas para o sábado, 15.

    - Também na França, está convocada para amanhã, 14 de dezembro, uma greve de docentes nas escolas de ensino médio e universidade. Ofuscada pelas manifestações dos jalecos amarelos, a mobilização estudantil na França já dura duas semanas. A última manifestação, da terça 11, que os líderes chamaram de “terça negra” contou com cerca de 35 mil jovens e o bloqueio de 450 unidades educacionais. Eles protestam contra o Parcoursup, uma espécie de ENEM de acesso a universidade, a ser implementado, contra a reforma educacional prevista para 2021, contra o SNU (serviço nacional universal) que obrigará os estudantes de 16 anos a prestarem serviços comunitários e contra o aumento das matrículas para os estudantes que não são provenientes da União Europeia.

    - Quem está de olho no noticiário econômico internacional percebeu o quanto tem se falado da chegada de uma nova crise econômica, maior do que a de 2008. A dívida mundial está em níveis recordes. O último informe de estabilidade financeira do FMI estima que a dívida mundial (não financeira) ao final de 2017 era de 250,7% do PIB mundial.

    - Militares das duas Coreias, sul e norte, fizeram ontem (12) pela primeira vez uma missão conjunta desde o fim da Guerra da Coreia (1950 – 1953). Os militares inspecionaram a demolição e o desarmamento de 22 postos de guarda ao longo da fronteira. Estima-se que esta área tenha 2 milhões de minas terrestres.

    - A popularidade do presidente colombiano Ivan Duque caiu de 53,8% para 27,2% em apenas três meses de governo.

    -Ao homenagear jornalistas, como personalidades do ano de 2018, a revista norte-americana Time citou a jornalista brasileira da Folha de São Paulo, Patrícia Campos Mello, por ter sido alvo de ameaças após relatar que apoiadores do presidente eleito, Jair Bolsonaro, financiaram uma campanha para disseminar notícias falsas no WhatsApp.

    - Foi lançado esta semana em São Paulo o documentário “Exteriores – Mulheres Brasileiras na Diplomacia” em memória aos 100 anos de ingresso da primeira mulher no Itamaraty, em 1918. Na época o chanceler era Nilo Peçanha e assim se referiu à Maria José Rebello, primeira mulher servidora pública concursada do país e primeira diplomata: “Melhor seria, certamente, para o seu prestígio que continuasse à direção do lar, tais são os desenganos da vida pública, mas não há como recusar a sua aspiração”. Maria José foi a primeira colocada no concurso daquele ano. Entre 1938 e 1954, as mulheres brasileiras ficariam proibidas de entrar na diplomacia. Hoje as mulheres são apenas 23% do corpo diplomático e chefiam 9,8% dos postos no exterior.

  • Trump é menos perigoso que Obama e Clinton

    Não restam dúvidas de que o presidente dos EUA, Donald Trump, é um demagogo bufão. Mas em matéria de política externa ele parece menos perigoso e agressivo do que seu antecessor democrata, Barack Obama, e a ex-secretária de Estado, Hillary Clinton. Isto apesar da retórica explosiva contra a Coreia do Norte e o Irã. O caráter imperialista da política e do Estado americano evidentemente não mudou (e não poderia ser diferente).

    É preciso lembrar que Obama deixou os EUA à beira de uma guerra com a Rússia, país ao qual impôs duras sanções econômicas em função das divergências em relação à Ucrânia e à Síria, que serviram também de pretexto para que mobilizasse e concentrasse força militar no entorno de Moscou. Clinton, candidata de Wall Street e do complexo industrial-militar que sofreu uma inesperada e humilhante derrota para Trump, era ainda mais belicosa que Obama.

    Os fatos sugerem que o atual presidente está reduzindo, sem muito alarde, as tensões em relação à Rússia, encerrou o apoio da CIA a grupos terroristas que combatem o governo do presidente sírio, Bashar al-Assad, e anunciou uma nova política para o país, não mais centrada na oposição implacável a Assad, cuja cabeça era exigida por Obama, Clinton, CIA e Pentágono. Isto não é pouco quando se sabe que enfrenta forte oposição interna a tal orientação.

    Depois de encontrar o presidente Vladimír Putin em sua recente visita ao continente asiático, o presidente estadunidense afirmou que acredita na versão do líder russo de que Moscou não interferiu nas eleições americanas. Contradisse e contrariou a mídia e os serviços de inteligência, integrantes do “Estado oculto”, que sustentam o contrário.

    Em Pequim, Trump apontou o déficit comercial como principal causa da desindustrialização e decadência dos EUA (no que ele está coberto de razão), mas isentou a China de responsabilidade no problema, diferentemente de seus antecessores que não se cansavam de acusar a potência asiática de manipulação cambial e acenar com sanções e represálias.

    Reafirmou também, durante a cúpula da Apec (Cooperação Econômica Ásia-Pacífico), a retirada dos EUA da chamada Parceria Transpacífico (TPP, na sigla em inglês), que a última administração democrata concebeu como uma ampla aliança para isolar e confrontar a China, cujo poder e influência geopolítica cresce diariamente naquele continente e em todo o mundo, ameaçando a belicosa Pax americana.

    Donald Trump é um político bilionário que pode ser definido como um falastrão reacionário. É produto da desindustrialização e decadência americana, mas seu propalado isolacionismo é bem-vindo para o mundo na medida em que reduz os conflitos na Ásia e Eurásia com as duas principais potências rivais - China e Rússia. E é basicamente por isto, muito mais do que por suas opiniões conservadoras em vários outros temas, que vem sofrendo forte oposição dentro dos Estados Unidos e não é impossível que venha a ser vítima de impeachment como Richard Nixon em 1973.

    Umberto Martins é jornalista e assessor político da CTB