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Ter, Jul

EBC

  • Há 20 anos, o Brasil perdia um de seus artistas mais inovadores: Francisco de Assis França, o Chico Science, teve sua breve e intensa carreira encerrada em um domingo. Era 2 de fevereiro de 1997, quando a vida do músico foi interrompida aos 30 anos de idade em um acidente de carro.

    O músico encabeçou o movimento Manguebeat, que projetou mundialmente a cena cultural que fervilhava no Recife. Ana Sousa, curadora da Ocupação Chico Science, realizada pelo Itaú Cultural em 2010, considera que o músico deu voz a uma cena musical prestes a explodir.

    “Chico Science foi uma espécie de abre alas, foi o porta-voz desse processo. A relevância dele está no campo das composições e criações, mas é também desse cara que era do palco, que trouxe essa mise-en-scene de novo pra cena pernambucana”, considera.

    Há muito o Brasil não via um movimento musical e estético alcançar tamanha projeção, a ponto de o crítico musical Jon Pareles, no jornal norte-americano The New York Times, apresentar Science como fundador do movimento de maior impacto na música brasileira desde a Tropicália. O texto é “Chico Science, 30, Brazilian Pop Music Star”, publicado após a morte do músico.

    “As letras combinam protesto político com imagens visionárias, e Chico Science as performou com exuberância, misturando movimentos de break-dance com a ciranda brasileira, usando um chapéu de palha de pescador tradicional e óculos escuros de um rocker”, descreveu Pareles na edição de 5 de fevereiro de 1997 do jornal.

    “Ele era um gênio artista. Acho que para além da questão musical, ele era um performer. Até quando dava entrevista, ele não era o Chico, era o Chico Science... se construía nessa persona e isso exige muita consciência artística”, considera Ana Sousa.

    Entre abril de 1994 até o dia do acidente, Science gravou dois discos que alcançaram repercussão mundial, com prensagens nos EUA, Europa e Japão, e realizou duas turnês mundiais à frente da banda Chico Science & Nação Zumbi.

    Chico Science e Nação Zumbi interpretam Maracatu Atòmico, de Jorge Mautner: 

    “Parece que alguma coisa estava dizendo: ‘olha, corre e faz um monte porque não vai durar muito’. A sensação é essa, pela quantidade de coisas que a gente conseguiu fazer. É como se a gente tivesse correndo contra o tempo”, considera Paulo André Pires, empresário da banda.

    “Ele era um cara empenhado no sonho dele, nas coisas que queria fazer, tinha uma visão estratégica do trabalho muito boa. Tinha toda uma coisa de pensar o trabalho, a evolução da banda, a música e o contexto social em que o trabalho estava inserido”, lembra a irmã Goretti, com quem Chico morava em um apartamento no Recife.

    Auge da carreira: 1996

    O ano de 1996 projetou Chico Science & Nação Zumbi definitivamente para o mundo após o lançamento do segundo disco, Afrociberdelia. A banda se mudou do Recife para o Rio de Janeiro em dezembro de 1995 para facilitar o contato com o mercado fonográfico.

    “Pra que a gente fizesse mais show, estivesse mais perto e disponível, a gente resolveu mudar pro Rio porque a gravadora era lá também”, lembra o empresário.

    Os músicos trabalharam no disco até janeiro de 1996. Ainda nesse mês, se apresentaram no festival Hollywood Rock Brasil, ao lado de nomes como The Cure, Smashing Pumpkins, Supergrass e Page & Plant. O disco Afrociberdelia foi lançado em julho, momento em que a banda seguia para sua segunda turnê internacional, que percorreu sete países da Europa e EUA.

    Chico Science & Nação Zumbi passou por treze cidades e tocou em festivais de música pop entre 11 e 27 de julho daquele ano. Tocou ao lado de nomes como Beck, Nick Cave, Coolio e Ministry. Na Alemanha, se apresentou para 20 mil pessoas em Karlsruhr.

    A banda participou pela segunda vez do Montreaux Jazz Festival, na Suiça, onde os brasilienses do Paralamas do Sucesso fizeram o show de abertura para os músicos do Recife. O disco Afrociberdelia chegou ao 5º lugar na World Music Charts Europa.

    Cansaço

    Ao final de um ano, Chico se sentia cansado com o volume de trabalho e pediu para tirar férias. Foram oito shows em outubro e nove em novembro, quando a banda teve que entregar o apartamento alugado no Rio. O último show com a presença de Science aconteceu no dia 2 de dezembro, no Canecão.

    “Chico estava reclamando de muito trabalho.... essa intensidade, quase um show a cada três dias. Eu falava pra ele: ‘cara, vamos parar quando acabar o contrato do apartamento, tu tira férias e volta pro Carnaval’”, lembra o empresário Paulo André.

    A cidade, de Chico Science e Nação Zumbi: 

    Quando voltou ao Recife, Chico passou a dividir um apartamento com a irmã Goretti, que compartilhou com o músico seus últimos meses de vida. Única mulher de quatro filhos, pouco mais velha que Chico, o caçula, Goretti também lembra que o fim de 1996 foi de muito cansaço para o músico.

    “Nessa época, a memória que eu tenho mais forte era de muito cansaço. Cansado mesmo dessa coisa da turnê, do trabalho, do disco... essa coisa toda e queria descansar um pouco. Tanto que ele disse que chegou a desmarcar compromisso porque ele queria umas férias”, lembra.

    Após a entrega do apartamento, os músicos tiraram férias de dois meses e Chico seguiu para a Europa.

    Novas influências e projetos

    Na volta ao Brasil, após o período de descanso, a irmã Goretti lembra de um Chico renovado.
    “Ele voltou refeito, cheio de boas ideias, ouvindo muita bossa nova, muito apaixonado.Tava num momento muito tranquilo e ouvindo Elis Regina e Taiguara, todo apaixonadinho”, lembra.

    Chico também queria um retorno maior do trabalho que, apesar da repercussão, não tocava com frequência nas rádios brasileiras. Um dos projetos era passar um tempo em Nova York para difundir mais o trabalho nos EUA e tentar uma aproximação da Nação Zumbi com o hip hop norte americano.

    “Com essa dificuldade no Brasil de rádio não querer tocar, a ideia da gente era investir internacionalmente. Então a gente já tinha pensado em passar uns dois meses por exemplo em Nova York”, lembra Pires.

    O contrato de Chico Science & Nação Zumbi com a Sony previa a gravação de três discos. Com dois deles já lançados – Da Lama ao Caos (1994) e Afrociberdelia (1996), o mangueboy também pensava em como tocar sua carreira de forma independente num futuro próximo.

    “Chico pensava em fazer um selo pra lançar também outros artistas, fazer um projeto social – que era o Antromanque. Chico era um cara muito inquieto e a fim de fazer muita coisa.”

    Todos estão surdos, de Chico Science e Nação Zumbi: 

    O dia do acidente

    Science seguia em direção ao Recife onde se apresentaria pela primeira vez em um trio elétrico no bloco na Pancada do Ganzá, do músico e humorista Manoel da Nóbrega, marcado para 20h do dia 3 de fevereiro, na praia de Boa Viagem. Ele chegou a subir no trio elétrico ao lado do humorista uma semana antes em uma prévia para divulgar a apresentação no carnaval. Seria a última vez que Chico se apresentava ao público.

    O Fiat Uno da cor branca que o músico dirigia se chocou contra um poste na rodovia PE-1, divisa entre Olinda e Recife (PE), às 19h30.

    Um policial militar que estava em um ônibus viu o acidente e desceu para prestar socorro. O músico foi levado ao Hospital da Restauração, mas já chegou sem vida ao local cerca de uma hora e meia após o acidente.

    “Ele chegou morto, então nem colocaram ele numa maca. Ele estava no chão de uma sala de hospital, todo perfeito, mas com uma longa poça de sangue embaixo da cabeça, porque teve um corte profundo na nuca”, lembra Paulo André.

    A família do músico acionou a Justiça, após perícia no carro que o cantor conduzia, para constatar que a fivela metálica de segurança se rompeu no impacto com o poste. Em 2007, quando completaram dez anos do acidente, a família do músico recebeu indenização por meio de um acordo com a empresa Fiat.

    Como seria Chico Science hoje?

    A pergunta passou pela cabeça de sua irmã ao encontrar com o músico Siba, conterrâneo e contemporâneo de Chico, no aeroporto em Recife.

    “Ele tava com a barba branca e eu fiquei olhando pra ele e pensando, assim, como seria o rosto de Chico hoje? Aí fiquei tentando achar que cara ele teria. Talvez menos cabelo, a barba grisalha, um pouquinho barrigudo, apesar que ele corria sete quilômetros por dia. Ele era maravilhoso. Eu acho que uma vantagem de morrer cedo é que você fica com a idade que você tinha. Então vamos imaginá-lo um homem no auge da sua maturidade, com toda alegria e leveza que ele tinha aos 30, quando foi embora.”

    A questão sobre como seria Chico hoje em dia também chegou a Paulo André por meio da pergunta de um jornalista.

    “Ele estaria interagindo em todas as formas de redes sociais possíveis, estaria interagindo com o mundo. Isso facilitaria muito a interação dele com outros artistas porque ele também era muito de trocar ideia, de conhecer outra galera”, imagina o produtor.

    Ouça na íntegra o disco Da lama ao caos: 

    Por Leandro Melito, da  EBC

  • Há uma guerra institucional acontecendo entre a Empresa Brasil de Comunicações (EBC) e o governo golpista de Michel Temer - quem diz isso é próprio presidente da organização, Ricardo Melo. Em entrevista ao Diário do Centro do Mundo nesta quarta-feira (14), o mandatário avaliou a situação crítica que circunda a comunicação pública brasileira, e não poupou palavras: “eu, pessoalmente, vou até o fim”.

    A posição é uma afronta contra Temer, que desde o início de seu governo já tentou remover Melo em duas ocasiões diferentes, sem sucesso. A EBC realiza eleições internas para escolher seus presidentes, e tem seu líder protegido de interferências do Executivo. Seu mandato está previsto para durar quatro anos, e sua missão é dar voz àqueles que normalmente não teriam direito à se manifestarem em grandes veículos de comunicação.

    "Num país como o Brasil, onde existe uma mídia oligarca na produção e praticamente monopolizada na opinião, há uma necessidade de outras vias de informação", explicou. Ele criticou as ações do governo golpista, em particular a medida provisória que extinguiu o conselho curador que reunia as entidades ativistas na direção da EBC. “O objetivo [do governo Temer] é acabar com a comunicação pública, mesmo sem saber direito como. Entre os empregados da EBC, a maioria está comprometida com as causas mais antigas da empresa e são a favor da continuidade desses princípios”, continuou.

    Melo lembrou que quase 95% dos funcionários da empresa são concursados, e que é justamente essa raridade de cargos de confiança que garante à empresa a sua independência. A medida provisória recente editada por Temer muda essa realidade. “Um presidente nomear e destituir diretores numa empresa pública a seu bel prazer para mim soa como aparelhamento. É a morte da EBC como um instrumento da comunicação pública”, concluiu.

    A entrevista completa pode ser acessada aqui.

    A vingança de Temer

    A tentativa de afastamento de Ricardo Melo não é gratuita. Durante o processo de impeachment da presidenta eleita Dilma Rousseff, a EBC foi o único canal de TV aberta que agiu de forma isonômica com a defesa da presidenta, dando espaço equivalente para o contraditório e apontando as aberrações do processo.

    Depois do primeiro afastamento de Melo, ele recorreu ao Supremo Tribunal Federal para revogar a medida autoritária que resultou em sua demissão, e imediatamente atendeu a antigas reivindicações das entidades sindicais da comunicação. Em menos de uma semana, reformou o Comitê Editorial de Jornalismo da empresa nos moldes de seu Manual de Jornalismo, dando oito dos doze assentos aos empregados. O caráter propositivo do grupo garantiu que os trabalhadores tivessem voz ativa nos rumos da produção de conteúdo.

    Não à toa, um dos pontos principais da recente MP que alterou a estrutura da EBC envolve a dissolução desse mesmo comitê.

    A linha de atuação do governo Temer e seu ministro das Comunicações, Gilberto Kassab, tem sido sempre na linha da destruição da atuação pública. Não bastasse a extinção do Ministério das Comunicações e o abandono dos critérios técnicos para a distribuição dos recursos da publicidade oficial, favorecendo os aliados do golpe, o próprio Michel Temer anunciou que pretende encaminhar projeto de lei para a extinção da TV Brasil. Ele também renovou a concessão pública da Rede Globo anos antes do necessário, e sem nenhum tipo de investigação quanto aos problemas na Justiça que a empresa enfrenta.

    O estado de ânimos suscita a pergunta: por que é tão importante para Michel Temer asfixiar a comunicação pública no Brasil? Se a EBC sempre foi considerada um projeto secundário nos planos de governo, por que tornou-se uma das primeiras vítimas do autoritarismo da cúpula golpista?

    A função da comunicação pública

    A posição única dos órgãos públicos de comunicação é a de poder empregar dinheiro público sob formas de administração independentes do poder estatal, captando o melhor dos dois mundos. Ao não se submeter nem aos patrocinadores e nem a quem detém o poder político, essas emissoras e agências servem exclusivamente aos ideais da profissão. Assim é o caso da BBC da Inglaterra, da NPR nos Estados Unidos ou da NHK no Japão. A direção é composta pelos próprios funcionários, que devem trilhar carreiras internas para chegar aos postos de comando. Desta forma, a prioridade se torna a informação de qualidade e diversificada, sem dar prioridade para os desejos de grupos de poder.

    A existência de uma organização nestes moldes está prevista inclusive na nossa Constituição Federal, que desde 1988 determina em seu capítulo V a existência da “complementaridade dos sistemas privado, público e estatal”. Na mistura desses três formatos, a comunicação dá voz a todos os setores da sociedade, algo fundamental para uma democracia verdadeira. Enquanto o capital fala pela iniciativa privada e os políticos usam as estatais, o público excluído e sem poder é representado pelas agências públicas.

    Por Renato Bazan - Portal CTB (agradecimentos ao DCM)

  • Diante da ameaça de Michel Temer de extinguir a Empresa Brasil de Comunicação, a EBC, o Conselho Curador da empresa emitiu na segunda-feira (13) uma nota de repúdio à insinuação autoritária do vice-presidente. Eles lembram que a própria Constituição Federal determina a criação e a independência editorial da EBC, e dão o recado: vai ter luta. Leia a íntegra da nota:

    "Mais uma vez, a Empresa Brasil de Comunicação (EBC) se depara com a ameaça de intervenção do governo interino de Michel Temer, o que só pode se dar ao arrepio da lei 11.652/2008, que hoje é a garantia das suas atividades de comunicação pública.

    Auxiliares do governo falam abertamente na possibilidade de extinção da EBC, mudança da lei ou redução da empresa pública à prestação do serviço governamental, com distribuição de trabalhadores por outros setores públicos. Em suas declarações, ignoram ou indicam pretensão de descumprir o mandamento constitucional da complementaridade dos sistemas de comunicação público, privado e estatal (caput do artigo 223).

    Apontam como justificativa eventuais problemas de gestão, gastos elevados, ocupação de cargos comissionados e contrariedade em relação a conteúdos editoriais.

    O Conselho Curador da EBC manifesta seu veemente repúdio à tentativa de desestabilização da empresa pública, com base em problemas cujas soluções competem aos gestores, trabalhadores e conselhos e não à interferência e tutela governamental.

    A EBC administra vários veículos, entre eles TV Brasil, Agência Brasil, Radioagência Nacional e rádios Nacional do Rio, Brasília, Amazônia e Alto Solimões. Fornece informação e entretenimento comprometido com a cidadania.

    O funcionamento da EBC requer a responsabilidade do governo em não represar ou contingenciar recursos garantidos por lei, a independência dos trabalhadores para negociar seus direitos sem ameaças de governantes e a autonomia da empresa para não subordinar suas atividades aos interesses de governos, partidos ou de mercado.

    A EBC pertence à sociedade e deve ser pautada pelo interesse público, antes e acima de qualquer outro. O Conselho Curador reafirma sua determinação em vigiar pela defesa da EBC, em conjunto com a sociedade e seus trabalhadores, e denunciar toda e qualquer tentativa de introduzir, no seio da empresa, a insegurança e instabilidade decorrentes de boatos e ameaças à continuidade do projeto que ela representa.

    Nesse sentido, conclama o governo interino de Michel Temer a observar, respeitar e preservar a Lei 11.652/2008, sem a qual a complementariedade dos sistemas público, privado e estatal de comunicação, prevista na Constituição, estará seriamente ameaçada."

    Do Conselho Curador da EBC

  • O presidente interino e ilegítimo Michel Temer não se intimidou com a anulação pelo Supremo Tribunal Federal (STF) da exoneração do diretor-presidente da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), Ricardo Melo. Segundo informações publicadas nesta sexta-feira (17) na Folha de S.Paulo, ele deverá encaminhar projeto de lei ao Congresso para alterar a legislação da EBC, o que vai resultar no fechamento da Tv Brasil e do Conselho Curador da empresa. A mídia golpista aplaude.

    A abordagem da matéria do jornal dos Frias mostra o jogo duplo da Folha, que alardeia as delações contra Temer, para posar de isenta junto à população, enquanto tenta reduzir a um simples jogo de interesses os ataques à tv Brasil. Não é de se estranhar visto que a própria Folha defende o fechamento da EBC desde que ela foi criada.

    Na opinião de jornalistas que atuam pelo direito à comunicação, a intenção do presidente golpista Temer, levado a essa condição com a apoio da imprensa empresarial, é destruir uma experiência de 8 anos voltada para a construção, de maneira inédita no Brasil, de uma prática de comunicação balizada pelo interesse público. “É a luta pela comunicação pautada pelo interesse público, com uma programação que se distingue da programação da comunicação comercial privada, que está voltada para os interesses comerciais e para a venda de anúncio”, afirmou Renata Mielli, coordenadora do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação em reportagem para o Portal Vermelho, no início de junho. No artigo “Valor da comunicação pública é maior que os interesses do governo da vez”, publicado nesta quinta-feira (16) no portal do FNDC, o jornalista Lalo Leal reforça que existem outras formas de fazer rádio e televisão diferentes daquelas que vendem produtos ou arrecadam dinheiro para as igrejas.

    Lalo lembrou que a EBC surgiu para completar o tripé de modelos de radiodifusão no Brasil, dominada pelos modelos privado e estatal. “O privado é o dominante há décadas, o estatal sobrevive com a Voz do Brasil no rádio e a TV NBR e o público, de caráter nacional, começa a ser construído com a EBC que administra hoje duas emissoras de televisão, oito de rádio, duas agências de notícias e uma prestadora de serviços externos”, explicou.

    Renata declarou que o agravamento da crise política e econômica no Brasil desviou o foco de alguns progressos obtidos pela TV pública. “O seu formato (EBC) é uma iniciativa que está em construção. Existem críticas em relação à abordagem de temas que carecem mais de diálogo com o movimento social e de se distanciar mais da grade da comunicação privada, mas isso é um processo de construção política. A EBC só tem oito anos”, lembrou Renata.

    “Na TV Brasil, por exemplo, os programas infantis hoje banidos das emissoras comerciais alcançam as maiores audiências”, lembrou Lalo. Ele destacou ainda na grade da TV Brasil o programa de samba, único na TV aberta brasileira, o espaço para o debate sobre concessões das emissoras, a presença do negro na televisão, a ditadura da imagem da mulher e ainda sobre a onda de intolerância, que estimula a violação aos direitos humanos alimentada pelos programas de tv policialescos. “Coube à TV Brasil, recentemente, colocar no ar o primeiro programa LGBT da televisão brasileira, mostrando com seriedade e respeito um mundo excluído e ridicularizado em outras emissoras. Personagens da vida pública, com algum compromisso com as lutas sociais mais amplas, só encontram espaço nos programas de entrevistas e nos telejornais da TV Brasil”, enfatizou Lalo.

    Por Railídia Carvalho, do Vermelho

  • Em programa da TV Brasil, da Empresa Brasileira de Comunicação (EBC), o ator e escritor Pedro Cardoso fez comentário que viraliza na internet.

    Na tarde desta quinta-feira (23), no programa Sem Censura, Cardoso pediu desculpas e disse que não poderia participar de um programa de uma empresa na qual os trabalhadores estão em greve. Ele disse ainda desconhecer as razões da paralisação, mas "diante deste governo, provavelmente os grevistas têm toda razão", disse.

    Veja o que disse Pedro Cardoso 

    Antes de levanter, despedir-se das pessoas e ir embora, o ator afirmou ainda que "o presidente (Laerte Rimoli) desta empresa pública, que pertence ao povo brasileiro, fez comentários extremamente inapropriados a respeito do que teria dito uma colega minha, onde a presença do sangue africano é visível na pele". E por isso, disse que não poderia compactuar com essa atitude participando do programa.

    Confira os comentários de Taís Araújo 

    "Porque o sangue africano está presente em todos nós, em alguns de nós está presente também na pele, mas em todos nós ele está presente". Falou isso em referência aos memes absurdos que Rimoli postou em seu Facebook para diminuir o depoimenteo de Taís Araújo sobre racismo. 

    Veja os memes inaproriados de Laerte Rimoli

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    Portal CTB - Marcos Aurélio Ruy

  • Uma negra acorrentada num fórum no Brasil, hoje, sendo essa advogada, é o retrato da normatização da escrotidão sobre uma etnia e nos põe a todos na mira do atraso, nos atola na triste conclusão de que a escravidão não acabou. Valéria não infringiu a lei, não é bandida e foi detida no trabalho ao defender sua cliente, a negra ré. Vemos a face de sua dignidade, a certeza de estar legalmente correta em pleno exercício da profissão e, para nosso enjoo e espanto, a indiferença, a omissão e a anuência de seus colegas com esta barbárie que é o racismo contemporâneo brasileiro (Ó triste frase, ainda existe?).

    Escrevo em pensamento e caminho por dez minutos na Copacabana que me expõe doze moradores de rua (contei). Espalhados nas calçadas, nos quarteirões do bairro que amo. Todos corpos negros, mais da metade jovens em idade escolar. Doença, desamparo, alcoolismo, crack, abandono, humilhação, fome. Todos abaixo da linha da dignidade, chafurdados no cuspe da exclusão. Passeio entre refugiados, neste campo de concentração imenso no qual o Brasil se tornou. Muitos sobreviventes deste holocausto estão nas ruas, ou nas carceragens, ou na bandidagem. E quem repara?

    Todo dia se mata na favela. Vidas negras importam? A quem? Nem reconhecemos como holocausto a tragédia carnificeira que comandou o tráfico de gente pelos oceanos durante quatro séculos! Algum mecanismo aconteceu em nossas cabeças que somos um país que não se comove diante do extermínio da nossa juventude negra, mas é capaz de chorar copiosamente vendo o diário de Anne Frank. Uma dor não é maior do que a outra. Porém afirmo que, por ignorância da nossa verdadeira história, não nos comovemos com a escravização. Uma tal artimanha psicossociológica despregou da fé o tema. Uma pessoa é capaz de não permitir que sua filha se case com um negro, de sair com a sua “escravinha” vestida de branco a tiracolo aos domingos, de mantê-la na senzalinha sem janela, conhecida como dependência de empregada, de passar a vida achando que é maior do que os outros porque tem mais dinheiro, e isso não ameaçar um milímetro de sua fé! Por que discriminar, explorar, dispor do corpo negro, seja como mercadoria, assédio, feminicídio ou extermínio mesmo, não é pecado? E patrões e empregados, comendo comidas diferenciadas e separados? Por que não comemos todos na mesma mesa?

    Neste momento em que tento digerir as violentas imagens da “irmã” humilhada, me agrada a ideia de que ao mesmo tempo nunca o racismo foi tão percebido. Estamos estreando esta verdade. Tem gente só percebendo agora. Melhor. Está pegando mal não ter um negro na equipe, na festinha, nas selfies. Graças às nossas lutas e aos últimos governos legítimos que nos proporcionaram ótimas políticas de inclusão, o Brasil é outro. Narrativas negras começam a ter poder em diversas plataformas e o que sempre ocorreu está chegando na mesa da Casa Grande para ser mais do que um incômodo, ser mudança de atitude. Democrata não dá. Nem há chances de cristão racista ter vida boa na eternidade, eu soube. Portanto, ainda que seja para limpar a barra diante da fúria de um justo e propagado Deus, ou seja, ainda que para salvar a própria pele, é melhor que se curem já. Tal prática nos apodrece, mina nossas possibilidades de paz. Dra. Valéria foi humilhada, algemada e não teve a defesa dos seus pares que a tudo presenciaram, omissos. Pois lhes digo: a atitude desses senhores é metáfora irmã de muitas de nossas ações. Quem me lê agora e em sua prática cotidiana não resolve o dilema torto da nossa história, está cego ao seu horror, e cada um, direta ou indiretamente, algemou Valéria ontem. Se omitiu ao não defendê-la. E continua distribuindo sua dose de injustiça como se inocente fosse. Grite, Angela Davis: “Não basta não ser racista. É pouco. É preciso ser antirracista.”

    Elisa Lucinda é atriz e poeta. Foto: EBC

    Os artigos publicados na seção “Opinião Classista” não refletem necessariamente a opinião da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e são de responsabilidade de cada autor.

  • Jornalistas e radialistas da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) entram em greve a partir de zero hora da terça-feira (14), em protesto à falta de reajuste salarial e à retirada de direitos do acordo coletivo, propostos pela direção da EBC.

    A decisão foi tomada na sexta-feira (10) em assembleia nacional da campanha salarial, nas praças de São Paulo, Brasília, Rio de Janeiro e Maranhão, com 262 votos a favor da greve, 14 votos por nova assembleia na quinta-feira (16) e nove abstenções.

    A data-base das categorias é 1º de novembro. Os trabalhadores reivindicam 4% de reajuste para repor a inflação do período e perdas acumuladas. Porém, após oito rodadas de negociação, a direção da EBC não aceita reajustar nenhuma das cláusulas econômicas e afirma que não vai avançar em relação à proposta de 0%. Além dos salários, ficariam sem reajuste benefícios como ajuda-alimentação, auxílio às pessoas com deficiência, auxílio-creche e seguro de vida em grupo.

    Além de reajuste zero, a direção da empresa quer retirar direitos como o vale cesta-alimentação (pago somente em dezembro e junho), a garantia de translado aos trabalhadores por questões de segurança, a complementação de auxílio previdenciário, a realização de homologações das rescisões de contrato nos sindicatos, o vale-cultura, a multa pelo descumprimento do acordo coletivo e até o fim do quinquênio para os que ingressarem na empresa.

    Com sede em Brasília e filiais no Rio de Janeiro, São Paulo, Maranhão e Rio Grande do Sul, a EBC faz a gestão da TV Brasil, TV Brasil Internacional, Agência Brasil, Portal EBC, Radioagência Nacional e do Sistema Público de Rádio – composto por oito emissoras.

    Fonte: Rede Brasil Atual