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Eleições

  • Acontecem hoje (22) os primeiros debates para as prefeituras - só com quem se deu bem em 2014

    Na noite desta segunda-feira (22), acontecem os primeiros debates entre candidatos a prefeito nas diversas capitais brasileiras. A emissora a sediar o debate será a Bandeirantes, a partir das 22h30. Quem ligar a TV nesse horário, no entanto, vai se deparar com um confronto distorcido das posições políticas, sem a presença dos candidatos do PSOL, como Luiza Erundina (em São Paulo) e Marcelo Freixo (no Rio), e outros partidos minoritários.

    A justificativa para a aberração é uma decisão da própria Justiça Eleitoral, que na última sexta-feira (19) desobrigou as emissoras a darem espaço para essas legendas no rádio e na televisão. A regra decorre da Reforma Política levada adiante em 2015 pelo ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que determina obrigatoriedade do convite apenas aos candidatos cujos partidos tiverem pelo menos nove deputados federais. O PSOL tem seis.

    Essa alteração atinge em cheio o partido de Erundina, que perde o direito de participar dos debates mesmo nas cidades em que tem o candidato líder nas intenções de voto - caso de Porto Alegre, em que Luciana Genro lidera a disputa com mais de 20%. A única chance de reversão acontece se ao menos dois terços dos demais adversários concordarem com sua inclusão.

    O partido perde também grande parte de seu tempo de propaganda eleitoral gratuita, cuja duração passa a ser 90% proporcional à representação dos partidos na Câmara. Sem uma cota mínima, Erundina e mais 5 candidatos terão menos de 15 segundos para falar na TV em São Paulo.

    “Decisão antidemocrática”

    Para o PSOL, a nova lei eleitoral foi uma vingança de Eduardo Cunha pelo fato de a legenda ter entrado com o pedido de sua cassação como presidente da Câmara. "A decisão antidemocrática de impedir a participação do PSOL nos debates eleitorais é uma afronta às lutas do povo e à livre circulação de ideias. Tirar a voz de uma ex-prefeita, que está em terceiro lugar nas pesquisas, é a demonstração de que Marta, Dória, Olímpio e seus partidos são inimigos da democracia e não merecem governar São Paulo", escreveu Erundina no Facebook.

    De seus adversários, apenas o atual prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), e o opositor Celso Russomano (PRB) concordaram com a inclusão da ex-prefeita no confronto televisivo. Os outros três adversários citados, Marta (PMDB), João Dória Jr. (PSDB) e Major Olímpio (SD), vetaram sua participação.

    O PSOL aguarda atualmente o resultado de uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) protocolada no Supremo Tribunal Federal contra a reforma eleitoral de Cunha. O processo foi distribuído para a ministra Rosa Weber, e pleiteia uma medida liminar que garanta espaço nos debates em 2016, já que os deputados da atual legislatura foram eleitos em 2014, um ano antes de sua aprovação. Na petição, o partido argumenta que a nova regra só poderia começar a ser aplicada a partir de 2018, com uma nova composição parlamentar. Outros partidos, como o PV, também entraram com ações parecidas.

    Por Renato Bazan - Portal CTB

  • Cadê o Steve Bannon da esquerda? Em defesa do populismo

    Steve Bannon é de direita. Donald Trump é de direita. O governo dos Estados Unidos continua sendo imperialista, violento e destruidor. Trump promove políticas reacionárias, racistas, xenófobas e etc. A extrema-direita norte-americana, como o que resta da Ku Klux Klan, foi protagonista da eleição do atual presidente. Internacionalmente, Bannon lidera uma fundação chamada “O Movimento” que articula políticos de direita na Europa, e apoia governos de extrema-direita como o do fascista Viktor Orban da Hungria. Dito tudo isso, para evitar ruídos e acusações histéricas, o objetivo deste texto não é discutir a ideologia conservadora, ou a posição à direita no espectro político no qual se encontra Steve Bannon e seu movimento, e muito menos advogar em prol de seu reacionarismo. A questão proposta é sobre o problema das estratégias de formulação, comunicação e organização, de um movimento político que seja capaz de efetivamente disputar o poder e transformar (inclusive para pior) estruturas profundas da economia política nacional e mundial.

    O personagem dessa reflexão é Steve Bannon, e não Donald Trump, porque ele é que formula algo muito mais amplo e duradouro que a eleição e administração de Trump. Bannon foi militar nos anos 70 e 80, tendo servido no Pacífico e também no Golfo Pérsico, e chegou a trabalhar no Pentágono, enquanto estudava para obter um mestrado em Estudos de Segurança Nacional na Universidade de Georgetown. De cara, fica evidente que é um sujeito altamente treinado e ligado às questões mais sensíveis de seu Estado nacional. Depois disso, Bannon trabalhou no poderoso banco Goldman Sachs e saiu para criar seu próprio banco de investimento focado na indústria do entretenimento. Nos anos 90 ingressa na indústria cinematográfica como produtor executivo em Hollywood. Assim, fica óbvio que Bannon conhece também, por intensa experiência, os meandros do poder econômico e midiático dos EUA.

    A partir daí sua trajetória política fica clara e cristalina. Nos anos 2000, Bannon produziu e dirigiu diversos documentários políticos com viés conservador do movimento Tea Party1 republicano, iniciando com uma homenagem a Ronald Reagan chamado “In The Face of Evil” (2004), seguido por filmes como: “Fire from the Heartland: The Awakening of the Conservative Woman” (2010), “The Undefeated” (2011), e “Occupy Unmasked” (2012). O primeiro é uma série de entrevistas com mulheres de diversas classes sociais sobre política. O segundo trata da ex-governadora do Alaska, Sarah Palin, que concorreu como vice-presidente na chapa de John McCain do Partido Republicano em 2008. O terceiro é uma abordagem crítica ao movimento Occupy Wall Street.

    Depois da experiência como militar, banqueiro, e cineasta, Steve Bannon torna-se um protagonista da arena da luta política do século XXI, a internet, no famigerado site Breitbart News. Acusado, entre outras coisas, de sexista e xenófobo, mas principalmente de disseminar fake news, o site foi fundado em 2007 por Andrew Breitbart, que chegou a dizer que Bannon era a Leni Riefenstahl2 do Tea Party. Com a morte do fundador em 2012, Steve Bannon assumiu o Breitbart News e declarou abertamente que o site era o canal da Alt-Right3. É como chefe do Breitbart News que Bannon torna-se figura mundialmente conhecida, catapultando-se para o comando da virada eleitoral na reta final da campanha de Donald Trump contra Hillary Clinton, e então à Casa Branca.

    Bob Woodward4 em seu livro-reportagem sobre os dois primeiros anos da Administração Trump, chamado “Medo: Trump na Casa Branca”, conta que Bannon entra na campanha num momento de péssimos resultados nas pesquisas eleitorais, chegando ao ponto do Diretório Nacional Republicano cogitar retirar Trump da corrida, e colocar o vice Mike Pence como candidato, para evitar a pior e mais humilhante derrota de todos os tempos para os republicanos. O novo estrategista da campanha radicaliza e simplifica o discurso. Vale a pena reproduzir trecho do livro de Woodward no qual Bannon expõe a nova estratégia ao candidato:

    “As elites do país se sentem confortáveis em administrar o declínio. E os trabalhadores deste país não estão satisfeitos. Eles querem tornar a América grande novamente. Vamos simplificar a campanha. Hillary é a porta-voz de um status quo corrupto e incompetente de elites que se sentem à vontade em administrar o declínio. Você é o porta-voz do homem esquecido que quer tornar o país grande de novo. E vamos fazer isso com alguns poucos temas. Número um, vamos impedir a imigração ilegal e começar a limitar a imigração legal para recuperar nossa soberania. Número 2, você vai trazer os empregos de volta ao país. E número três, vamos sair das guerras injustas no exterior. Esses são os três temas em que Hillary não pode se defender. Ela é parte daquilo que abriu as fronteiras, é parte daquilo que fez acordos de comércio ruins e deixou os empregos irem para a China. Ela apoiou todas as guerras. Vamos martelar nisso. É só. Insista nisso.”5

    A radicalização trumpista foi vitoriosa. A internet foi decisiva. Trump utilizou as redes sociais de forma excessiva. O tema das fake news tornou-se pauta central da grande mídia contra o presidente eleito que preferia usar o Twitter para se comunicar direto com os seguidores, do que responder as perguntas dos meios de comunicação corporativos.

    Bannon ficou poucos meses na Casa Branca, e travou embates virulentos, por vezes sorrateiros, com diversos setores que compõe o governo. A família do presidente era um dos focos de conflito, pois a filha Ivanka e o genro Jared Kushner tem cargos de assessores sênior e livre trânsito na Casa Branca, e os dois defendem agendas a favor de acordos globais que Bannon era contra, além de também polemizarem contra as restrições imigratórias. Segundo Woodward, o próprio presidente tira sarro dizendo que os dois são “democratas porque foram criadas em Nova York”, mas o fato é que são agentes políticos realmente relevantes dos negócios bilionários do pai e sogro, e que expressavam contradições com o programa político antissistema da direita alternativa de Bannon. Também ocorreram conflitos com a presença sempre perene, seja em governos democratas ou republicanos, do establishment de Wall Street em posições chave da equipe econômica, geralmente representados por algum banqueiro do Goldman Sachs, antigo empregador de Bannon.

    O fato é que Steve Bannon efetivamente enfrentou o status quo dentro da Casa Branca, e defendeu as agendas de campanha que mobilizaram as bases que elegeram Trump. Em palestra para estudantes de Oxford em novembro de 2018, Bannon admite que seu movimento e programa político fazem parte de um processo contínuo, complexo e contraditório, com vitórias e derrotas parciais, mas defende o governo Trump como um primeiro passo de ruptura com o establishment financeiro e com a globalização. Bannon inicia sua palestra dizendo que seu movimento é perigoso porque “é contra a ordem estabelecida”.

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    Segundo ele, os EUA estão apresentando um crescimento de 3,5% ao ano, quase o dobro da média anterior de 1,8%, ressaltando que Obama e os democratas convenceram as pessoas que este baixo crescimento é o novo normal. Mas deixando de lado o conteúdo de seu discurso ideológico sobre o suposto sucesso econômico do governo Trump em contraste com a “ordem estabelecida” anterior, Bannon discute com os alunos de Oxford questões sobre a organização e a forma de fazer política que ele propõe. Ele se intitula abertamente populista e nacionalista. Seu conceito de populismo diz respeito à expressão dos interesses dos “little men”, em tradução livre e contextual, do homem médio, da população comum, em oposição às elites ilustradas e endinheiradas. O nacionalismo diz respeito à soberania de seu país para defender os interesses dessa população comum da competição internacional, ou seja, da globalização.

    Sob as acusações de xenofobia e racismo, Bannon se defende dos estudantes dizendo que seu nacionalismo é econômico, não étnico. Ele repudia duramente os ataques violentos de organizações racistas como a Ku Klux Klan, e num clichê comum também à direita brasileira, acusa a esquerda de também praticar atos violentos, no caso dos EUA, ele condena as supostas ações violentas do movimento Black Live Matters. Mas isso é lateral em seu pensamento. O que importa é discutir a defesa da cidadania norte-americana independente da etnia. Com um argumento astuto, Bannon diz que ao lutar por restrições imigratórias está defendendo os empregos e salários dos negros e hispânicos que sofrem com a competição da força de trabalho imigrante, e radicaliza, dizendo que é o establishment financeiro que exige imigração para pressionar para baixo os salários da força de trabalho. Fica claro que a direita alternativa liderada por Bannon tem a classe trabalhadora como sujeito e objeto de sua interpelação.

    Questionado sobre o enfraquecimento da democracia que seu discurso radical de direita causa ao propagar a desconfiança da população nas instituições políticas estabelecidas e também contra a mídia, Bannon rebate a acusação com uma argumentação fática, e confronta as concepções liberais tradicionais sobre política. Segundo ele, as eleições de 2016 tiveram 114 milhões de votantes, e foi o maior engajamento eleitoral da história dos EUA. Mas não só isso, a população norte-americana está permanentemente mobilizada, à direita e à esquerda, participando do debate público, manifestando-se, através dos novos meios de comunicação e nas ruas. E aqui, o estrategista da nova direita populista aprofunda seu discurso antissistema.

    Segundo Bannon, o populismo está ressurgindo contra as estruturas de poder em todo o espectro político. Ele argumenta que a principal missão do Breitbart News sobre seu comando foi confrontar o establishment republicano, e não o Partido Democrata. Após a vitória de Trump nas primárias contra os oligarcas republicanos como Mitt Romney, John McCain, os Bush, e etc, ele conta que foi sondado por agentes da esquerda para combater o establishment democrata, ou seja, Obama, os Clinton e etc. Segundo ele, a esquerda percebeu a necessidade de um “Breitbart progressista”. Contra as acusações de que seu discurso é baseado na raiva, ele diz que o populismo “esquentou” a política, e que isso é bom para todos, inclusive para a esquerda que venceu as eleições legislativas de 2018, porque, de acordo com ele, se mobilizou através desse “esquentamento” e dessa raiva, e deve ser admirada por isso.

    Bannon analisa também que o Brexit6 faz parte deste contexto pela direita, e cita pela esquerda o líder trabalhista Jeremy Corbyn na Inglaterra, e Bernie Sanders nos EUA. Ele revela que seu movimento busca conquistar o apoio dos eleitores de Sanders nos EUA, pois tem em comum o nacionalismo econômico, e indica dados de que esses eleitores não votaram e não pretendem votar em Hillary Clinton em 2020. O manejo dos instrumentos digitais ocupa lugar fundamental em sua estratégia. Desde meios de comunicação, como foi o Breitbart News e as redes sociais a exemplo do Twitter, mas principalmente a coleta e análise de dados em massa que servem para visualizar os anseios da população através da internet. “O Movimento” oferece, como arma principal para os líderes da direita, o processamento de big data sobre as tendências políticas da população. Na Europa, Bannon diz que está trabalhando pelo diálogo cada vez maior entre os líderes populistas de direita, e está realizando pesquisas, análises e montando estratégias sobre as eleições para o Parlamento Europeu em maio de 2019, e avalia que o populismo deve varrer o establishment liberal da União Européia em Bruxelas.

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    Por fim, Steve Bannon faz uma audaciosa análise de conjuntura do difícil momento que vive o governo Trump e sua projeção para as eleições de 2020. Com a derrota legislativa de 2018 e perda do controle da Câmara para os democratas sob o comando da experiente Nancy Pelosi, as investigações e o desgaste contra o presidente devem se intensificar. Esse movimento para derrubá-lo irá forçá-lo a buscar sua base eleitoral radical, por isso a contra-ofensiva na questão da imigração encaminhando a promessa de campanha do muro na fronteira com o México. Essa radicalização do cenário político coloca o establishment financeiro, que quer estabilidade, novamente a favor de Hillary Clinton, que já trabalha para ser a candidata democrata em 2020. No entanto, os setores populistas de esquerda é que foram os protagonistas das eleições legislativas e conquista da Câmara, o que irá radicalizar a luta dentro do Partido Democrata também. Dessa forma, segundo Bannon, pode surgir uma alternativa de centro dos dois partidos que queiram evitar uma disputa radical em 2020, unindo moderados como Mitt Romney (republicano) e Joe Biden (democrata), numa terceira via viável pela primeira vez na história.

    Este pequeno retrato da atuação e formulação política de Steve Bannon compõe um quadro mais amplo no qual a maior potência econômica e militar do mundo está em profunda transformação desde a crise de 2008, e portanto, também toda a geopolítica e economia política mundial. É uma transição turbulenta, na qual não é possível ainda prever seus desdobramentos e como se estabilizará o novo regime de acumulação e o modo de regulação deste novo capitalismo que surgirá da crise do pós-fordismo e do neoliberalismo. Mas interessa ressaltar a importância do populismo nessa transição. A direita sai na frente, elege um presidente no centro econômico e militar do capitalismo, ainda que com muitas dificuldades para governar, e forja um ativista e estrategista de longo prazo. Se Bannon estiver certo e for pelo menos parcialmente vitorioso nas disputas do Parlamento Europeu e na eleição de 2020, a tendência populista neoconservadora deve se consolidar, e em caso de derrota, as contradições que originam esses movimentos não devem desaparecer.

    A esquerda lança alguns líderes, mas que tem muito mais dificuldades de chegar ao poder, como Corbyn e Sanders, ou não consegue fazer avançar um programa minimamente transformador dentro das estruturas estatais existentes, como o Syriza na Grécia algemado pelo financismo alemão, e os governos de esquerda na América Latina, que na sua maioria foram derrotados ou derrubados, mesmo quando sequer tinham um programa radical, como é o caso do Brasil. No entanto, as dificuldades de composição de interesses contraditórios dentro do Estado não é exclusividade da esquerda, como se vê na passagem de Bannon pela Casa Branca.

    Olhando para o Brasil, o recém empossado Jair Bolsonaro parece também enfrentar contradições insolúveis entre agendas econômicas e sociais incompatíveis de setores que integram o governo. Mas sua relação direta com sua base popular e o esforço de expressar sentimentos do homem comum, do “little men”, como diz Bannon, indicam haver uma força populista que sustente por um tempo o novo governo. O apelo pseudo-nacionalista joga papel central, e os instrumentos digitais mais ainda, o enfrentamento com os grandes meios de comunicação é claro e insofismável apesar do apoio midiático às pautas econômicas. Apesar de hipocrisias e da dominação flagrante do capital financeiro sobre o governo, o fato inegável é que a nova direita brasileira em ascensão tem uma estratégia populista, ainda que incipiente e tosca. O problema é que a esquerda sequer tem isso. Lula, o líder mais popular da esquerda brasileira, está preso, e nunca enfrentou o status quo econômico ou midiático.

    Na verdade, o populismo não era o centro da estratégia política de Lula e seu partido, e nem o nacionalismo o conteúdo de seu programa. Pelo contrário, o PT surge contra a tradição nacional-populista do trabalhismo de Getúlio Vargas, com apoio teórico da sociologia da USP que criticava o populismo como manipulação oportunista das massas. Essa concepção vulgar e negativa de populismo já foi criticada em diversas ocasiões, mas importa menos o debate teórico – que também deve ser realizado – do que suas repercussões políticas. Com a estigmatização negativa do termo populista, realizada também pela própria esquerda, os partidos e movimentos populares brasileiros foram alijados da estratégia e dos instrumentos necessários para chegar ao poder, e para enfrentar a ordem estabelecida.

    É preciso refletir se é possível construir um populismo pujante de esquerda que chegue ao poder. De imediato, uma das questões candentes é retornar aos formuladores teóricos e à história do populismo latino-americano e brasileiro. A partir disso, reconstruir organizações de massas como as que já existiram, para mobilizar o povo no sentido de influenciar e transformar as estruturas da economia política. Para tal, seria preciso não ter medo de se relacionar com o homem comum e suas contradições ideológicas, o que cria problemas axiológicos para a esquerda sobre identidades religiosas, raciais, de gênero, e etc. Além disso, teria que se investir prioritariamente nos novos meios de comunicação e processamento de dados para conseguir interpelar essa população que se vê desconectada com o sistema político, o que envolve infraestruturas materiais e financeiras geralmente não disponíveis para a esquerda. De toda forma, a direita norte-americana mostrou sucesso e a direita brasileira a emula mesmo que precariamente. A esquerda populista dos países centrais ainda se move com pouca efetividade, mas atua com ousadia e sem dúvida está em ascensão. Por aqui, precisamos urgentemente de um Steve Bannon de esquerda, ou mais precisamente, de uma organização política capaz de levar a cabo uma estratégia nacional-populista de esquerda (para que não seja acusado de esperar um salvador da pátria).

    Notas de Rodapé

    1. Refere-se à ala radical do Partido Republicano dos EUA que é informal e passa a se organizar a partir da eleição do democrata Obama em 2009.
    2. Referência à diretora alemã de “O Triunfo da Vontade”, icônico filme de propaganda nazista na década de 30.
    3. Abreviação em inglês para “direita alternativa”, expressão que surge para designar diversos movimentos de direita antissistema.
    4. Um dos mais importantes jornalistas políticos de todos os tempos, expôs, com seu colega Carl Bernstein no Washington Post, o escândalo do Watergate que derrubou o presidente Richard Nixon em 1976. Venceu dois prêmios Pulitzer, o primeiro pela investigação sobre Nixon, e o segundo pela cobertura dos atentados terroristas do 11 de Setembro.
    5. WOODWARD, Bob. Medo: Trump na Casa Branca. São Paulo: Todavia, 2018, p. 35.
    6. Abreviação para o plebiscito que decidiu pela saída do Reino Unido da União Européia e também é caracterizado como um movimento populista e nacionalista.

    *Luiz Roque Miranda Cardia é Advogado, mestrando em Direito Político e Econômico na Universidade Presbiteriana Mackenzie, e editor do Portal Disparada.


     Os artigos publicados na seção “Opinião Classista” não refletem necessariamente a opinião da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e são de responsabilidade de cada autor.

  • Candidatos de esquerda defendem a revogação da reforma trabalhista

    A esquerda deve iniciar a corrida presidencial deste ano apresentando pelo menos quatro concorrentes: Lula, que deve ser confirmado como candidato do PT até o dia 15; Ciro Gomes, pelo PDT; Manuela D´Ávila, que teve sua candidatura oficializada nesta quarta (1/8) em Convenção Nacional do PCdoB e Guilherme Boulos, pelo PSOL.

    Este quadro, porém, pode mudar em função de movimentos que objetivam unificar as forças de oposição para garantir um lugar no segundo turno e derrotar as forças conservadoras e de direita, representadas por Alckmin, Bolsonaro e Marina, entre outros presidenciáveis.

    Tanto Lula quanto Ciro, Manuela e Boulos defendem a revogação da reforma trabalhista e da Emenda Constitucional 95 que congelou os investimentos públicos por 20 anos, sacrificando a saúde, a educação e o desenvolvimento nacional.

    Portal CTB

  • Eleições 2018: perseguido e preso, Lula dispara e lidera com 39%

    Ex-presidente Lula confirma favoritismo e sobe sete pontos em relação a levantamento de abril, com 39% das intenções de voto para Presidência da República, segundo pesquisa Datafolha divulgada na madrugada desta quarta (22).

    Ele ratifica sua liderança já apontada nesta segunda (20) por pesquisas CNT/MDA e Ibope e supera em mais que o dobro o segundo colocado, Jair Bolsonaro, que tem agora 19% (tinha 15% em abril).

    A pesquisa também aponta que, em um eventual cenário em que a candidatura de Lula venha a ser impedida, seu virtual substituto, o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad aparece com 4%. No entanto, 31% dos que dizem votar em Lula votariam em um nome apoiado por ele. E que outros 18% podem vir a fazê-lo.

    Eleição sem Lula?

    Os votos brancos e nulos somam 11%, com 3% de indecisos, em um cenário com o ex-presidente. Sem Lula, esses índices sobem respectivamente para 22% e 6%. Bolsonaro passa a liderar com 22%. Marina e Ciro dobram para 16% e 10%. E Alckmin também sobe para 9%. 

    Portal CTB - Com informações da RBA

    Foto: Ricardo Stuckert/Instituto Lula

  • Lula cresce e vai a 37,3% dos votos em pesquisa da CNT/MDA divulgada nesta segunda (20)

    ​A 137ª pesquisa presidencial da CNT/MDA, divulgada nesta segunda-feira (20), aborda as intenções de votos nas eleições de outubro em cenários de primeiro e segundo turnos, com e sem a presença de Lula.

    Este é o primeiro levantamento realizado pelo instituto desde o início oficial da campanha eleitoral 2018. A pesquisa foi realizada entre os dias 15 e 18 de agosto de 2018. Foram ouvidas 2.002 pessoas, em 137 municípios de 25 Unidades Federativas, das cinco regiões do país.

    Os resultados mostram crescimento e liderança do ex-presidente Lula na intenção de voto para presidente da República, com Jair Bolsonaro na segunda posição. O ex-presidente ganha em todos os quatro cenários simulados de segundo turno. 
     
    Outro dado levantado na pesquisa é a certeza do voto - entre os eleitores de Lula, 82,3% consideram o voto como definitivo. 
     
    Sem Lula 
     
    Caso o ex-presidente Lula seja impedido de concorrer a presidente da República, dos 37,3% que afirmam votar nele na pergunta estimulada, 17,3% iriam para Fernando Haddad.
     
    O restante dos votos se distribuiria da seguinte maneira: 11,9% para Marina Silva, 9,6% para Ciro Gomes, 6,2% para Jair Bolsonaro, 3,7% para Geraldo Alckmin, 0,8% para Guilherme Boulos, 0,7% para Alvaro Dias, 0,7% para Henrique Meirelles, 0,5% para Vera; 0,3% para Cabo Daciolo, 0,3% para João Amoêdo, 0,1% para João Goulart Filho.
     
    Nos cenários de 2º turno sem o ex-presidente Lula, observa-se empate técnico nas seis simulações realizadas, envolvendo os nomes de Jair Bolsonaro, Marina Silva, Geraldo Alckmin e Ciro Gomes. 
     
    A avaliação da atuação do presidente Michel Temer e a sua aprovação atingem os menores níveis da série histórica das pesquisas CNT de Opinião, realizadas desde 2001. É positiva para 2,7% dos entrevistados contra 78,3% de avaliação negativa. A aprovação do desempenho pessoal do presidente atinge 6,9% contra 89,6% de desaprovação
     

    Resumo dos resultados

    Eleição presidencial 2018 

    Lula: 37,3%
    Jair Bolsonaro: 18,8%
    Marina Silva: 5,6% 
    Geraldo Alckmin: 4,9% 
    Ciro Gomes: 4,1% 
    Alvaro Dias 2,7% 
    Guilherme Boulos: 0,9% 
    João Amoêdo: 0,8% 
    Henrique Meirelles: 0,8% 
    Cabo Daciolo: 0,4% 
    Vera: 0,3% 
    João Goulart Filho: 0,1% 
    José Maria Eymael: 0,0% 
    Branco/Nulo: 14,3% 
    Indecisos: 8,8%.
     
    • Entre os eleitores de Lula, 82,3% consideram o voto como definitivo e 17,7% consideram que pode mudar. 
    • Entre os eleitores de Jair Bolsonaro, 70,7% consideram o voto como definitivo e 29,3% consideram que pode mudar. 
    • Entre os eleitores de Marina Silva, 33,9% consideram o voto como definitivo e 66,1% consideram que pode mudar. 
    • Entre os eleitores de Geraldo Alckmin, 36,7% consideram o voto como definitivo e 63,3% consideram que pode mudar. 
    • Entre os eleitores de Ciro Gomes, 37,3% consideram o voto como definitivo e 62,7% consideram que pode mudar. 
    • Entre os eleitores de Alvaro Dias, 64,8% consideram o voto como definitivo e 35,2% consideram que pode mudar. 
     
    2º TURNO: Intenção de voto ESTIMULADA

    CENÁRIO 1: Lula 49,4%, Ciro Gomes 18,5%, Branco/Nulo: 27,2%, Indecisos: 4,9%.
    CENÁRIO 2: Lula 49,5%, Geraldo Alckmin 20,4%, Branco/Nulo: 25,2%, Indecisos: 4,9%.
    CENÁRIO 3: Lula 50,1%, Jair Bolsonaro 26,4%, Branco/Nulo: 19,1%, Indecisos: 4,4%.
    CENÁRIO 4: Lula 49,8%, Marina Silva 18,8%, Branco/Nulo: 26,7%, Indecisos: 4,7%.
    CENÁRIO 5: Jair Bolsonaro 29,4%, Ciro Gomes 28,2%, Branco/Nulo: 32,7%, Indecisos: 9,7%.
    CENÁRIO 6: Jair Bolsonaro 29,4%, Geraldo Alckmin 26,4%, Branco/Nulo: 35,0%, Indecisos: 9,2%.
    CENÁRIO 7: Jair Bolsonaro 29,3%, Marina Silva 29,1%, Branco/Nulo: 33,3%, Indecisos: 8,3%.
    CENÁRIO 8: Ciro Gomes 26,1%, Marina Silva 25,2%, Branco/Nulo: 40,0%, Indecisos: 8,7%.
    CENÁRIO 9: Marina Silva 26,7%, Geraldo Alckmin 23,9%, Branco/Nulo: 40,8%, Indecisos: 8,6%.
    CENÁRIO 10: Ciro Gomes 25,3%, Geraldo Alckmin 22,0%, Branco/Nulo: 42,6%, Indecisos: 10,1%.
     
    Portal CTB com informações da CNT/MDA
     
     
  • Mas quem ou o que elegeu Bolsonaro presidente?

    Salvo melhor juízo ou novidade que surja ao longo do debate político pós sucessão, 3 elementos ou fenômenos eleitorais contribuíram sobremodo para a vitória do ex-deputado federal Jair Bolsonaro: o “bolsonarismo”, o antipetismo e o desalento político.

    Dragada por profunda crise, que começou com as jornadas de junho/julho de 2013, a sociedade brasileira chegou nas eleições de 2018 moralmente, eticamente, socialmente, politicamente e, sobretudo, economicamente exaurida. O processo eleitoral não produziu nada de novo ou palpável que pudesse apontar caminhos para a solução ou pelo menos, a redução dos graves problemas econômicos e sociais que acometem o País.

    Diante desse quadro, os eleitores foram levados à optar pela volta do PT ou algo, em tese novo, que foi se consolidando como o candidato antipetista ou antilulista visceral — o eleito Jair Bolsonaro (PSL).

    Mas, objetivamente, quem ou o que elegeu aquele que no início do processo eleitoral era o menos provável que chegasse na reta final e vencesse o pleito mais anormal desde a redemocratização, em 1985/1986?

    Talvez 3 elementos centrais tenham sido os responsáveis ou expliquem, em certa medida, a vitória do ex-deputado federal Jair Bolsonaro:

    1) o fenômeno eleitoral apelidado de “bolsonarismo”,

    2) o antipetismo visceral, e

    3) o desalento político.

    Mas antes de entrar neste contencioso, sugiro a leitura atenta no artigo da jornalista Eliane Brum: O homem mediano assume o poder. Neste, o melhor que li até agora sobre o assunto, a repórter, entre outros aspectos enumera o perfil do eleitor que apoiou e votou em Bolsonaro e também destrincha sua psique.

    “Durante as várias fases republicanas do Brasil, a candidatura e os candidatos foram acertos das elites que disputavam o poder — ou resultado de uma disputa entre elas. O mais popular presidente do Brasil do século 20, Getúlio Vargas (1882-1954), que em parte de sua trajetória política foi também um ditador, era um estancieiro, filho da elite gaúcha. Ainda que tenha havido alguns presidentes apenas medianos durante a República, eram por regra homens oriundos de algum tipo de elite e alicerçados por ela.”

    “Lula foi exceção. E Bolsonaro é exceção. Mas representam opostos. Não apenas por um ser de centro esquerda e outro de extrema direita. Mas porque Bolsonaro rompe com a ideia da excepcionalidade. Em vez de votar naquele que reconhecem como detentor de qualidades superiores, que o tornariam apto a governar, quase 58 milhões de brasileiros escolheram um homem parecido com seu tio ou primo. Ou consigo mesmos.”

    “Jair Bolsonaro, filho de um dentista prático do interior paulista, oriundo de uma família que poderia ser definida como de classe média baixa, não é representante apenas de um estrato social. Ele representa mais uma visão de mundo. Não há nada de excepcional nele. Cada um de nós conheceu vários Jair Bolsonaro na vida. Ou tem um Jair Bolsonaro na família”, destaca a repórter.

    Bolsonarismo

    Este fenômeno eleitoral foi um dos elementos que levou à vitória do ex-deputado. Mas não foi o elemento central. O “bolsonarismo”, tudo indica, foi crescendo à medida que se insistiu na candidatura de Lula, mesmo o petista estando preso em Curitiba, nas dependências da Polícia Federal. A insistência na candidatura de Lula retroalimentou e fortaleceu a candidatura de Bolsonaro ao longo do curto processo eleitoral.

    Essa parcela de eleitores via como absurdo, o PT insistir na candidatura de condenado em 2ª instância, e preso por supostos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro, a 12 anos e 1 mês de reclusão. O “bolsonarista” é o eleitor acometido pelo antipetismo visceral e é também marcado pelo desalento político, o que o transforma num elemento “ideológico” do chamado “bolsonarismo”.

    Antipetismo

    Este fenômeno político não é novo. O antipetismo tem como matriz ideológica o anticomunismo. O problema é que o condutores da campanha do PT não conseguiram detectar nem o 1º fenômeno, o “bolsonarismo”, nem tampouco este 2º.

    O antipetismo foi muito bem alimentado pela mídia desde que o PT surgiu como força eleitoral crescente na sociedade brasileira. E não arrefeceu em nenhum momento. Aqui e acolá houve certa trégua da mídia, mas sempre que os meios de comunicação podiam apontar algum malfeito do PT, dentro ou fora do governo, isto era e é feito com grande exposição e estardalhaço midiáticos.

    O antipetismo talvez tenha sido a grande mola propulsora que elevou o então candidato Jair Bolsonaro da obscuridade político-eleitoral para o protagonismo que o guindou à expressiva vitória, no 2º turno, em relação ao adversário do PT, Fernando Haddad. Bolsonaro quase venceu o pleito no 1º turno, o que tornou o 2º tempo da corrida eleitoral mais emocionante.

    Desalento

    Este 3º elemento do fenômeno eleitoral que permitiu a vitória de Bolsonaro, ex-deputado federal, que pouco ou nada produziu de relevante durante seus 28 anos de mandato na Câmara dos Deputados, junto com o antipetismo, “lacrou” o resultado do pleito vencido no 2º turno.

    O desalento político da sociedade brasileira foi e é alimentado continuamente pela grande mídia, que estimula e acende, sem massa crítica, o problema da corrupção entre os chamados políticos, seja no Executivo ou no Legislativo. Diante disso, está convencionado entre o povo, que quem se envolve com política ou faz parte de partido político, o faz apenas para “se dar bem”, isto é, tirar proveito próprio, em detrimento dos interesses e demandas dos eleitores, em particular, e do povo, em geral.

    Assim, diante desse desalento, e em rejeição ao que a mídia cunhou como o “partido mais corrupto” dentre todos em funcionamento no País, a maioria dos eleitores resolveu eleger, dentre os candidatos que se apresentaram para o pleito de 2018, o candidato, cuja única expressão política era o de não ser corrupto.

    O resto da história todos já conhecem!

    *Marcos Verlaine é jornalista, analista político e assessor parlamentar do Diap.


    Os artigos publicados na seção “Opinião Classista” não refletem necessariamente a opinião da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e são de responsabilidade de cada autor.

  • Mulheres derrotam Donald Trump em eleição histórica nos Estados Unidos

    A terça-feira (6) entra para a história dos Estados Unidos como o dia em que as mulheres derrotaram o presidente Donald Trump, eleito dois anos antes atacando as questões de gênero, os imigrantes e defendendo propostas racistas e xenófobas. As semelhanças com Jair Bolsonaro não param por aí. Trump também é acusado de utilização de fake news para derrotar a adversária democrata Hillary Clinton.

    “As estadunidenses se mobilizaram para avançar nas lutas por igualdade de direitos”, afirma Celina Arêas, secretária da Mulher Trabalhadora da CTB, com base em informações do jornal The New York Times. Com o resultado o Partido Democrata conquistou maioria na Câmara, mas se mantém em minoria no Senado. Nas duas casas legislativas, a representação feminina já ultrapassa os 20%.

    De acordo com as repórteres Susan Chira e Kate Zernike , “as mulheres participaram de grupos de base determinadas a reconquistar o controle democrata sobre a Câmara, e lotaram organizações que as prepararam para concorrer aos cargos. Como candidatas, elas quebraram regras e derrotaram a sabedoria política convencional”.

    Até o momento já eram 92 eleitas, em 435 parlamentares, superando o recorde anterior de 84 para a Câmara dos Representantes. “Como ativistas, expandiram a definição das questões femininas para além da educação e dos direitos reprodutivos, incluindo assistência médica, imigração, violência armada e proteção do meio ambiente”, assinalam as repórteres. No Senado foram eleitas 10 mulheres nas 35 vagas em disputa.

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    Para Celina, o resultado da eleição da maior potência capitalista do mundo, significa “uma pedra no caminho dos projetos anti-imigração, belicista e armamentista, contra os direitos humanos de Trump”.

    Foram muitas boas novidades. Pelos democratas: em Massachusetts, Ayanna Pressley se tornou a primeira negra eleita. Rashida Tlaib, em Michigan e Ilhan Omar, em Minnesota serão as primeiras muçulmanas no Congresso. Sharice Davids derrubou um republicano no Kansas e Deb Haaland prevaleceu no Novo México, tornando-se as primeiras indígenas eleitas para o Congresso. No Tennessee, Marsha Blackburn, uma republicana, tornou-se a primeira mulher do estado eleita para o Senado.

    Kelly Dittmar, cientista política da agência de Rutgers, disse ao New York Times que "para algumas mulheres, isso significava não esperar a sua vez", enquanto “para outras, isso também significava concorrer de uma maneira que adotasse o gênero e a raça como um trunfo para a candidatura e a manutenção de escritórios, em vez de um obstáculo que precisam superar para ter sucesso no mundo da política eleitoral masculino".

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    Jared Polis foi eleito no Colorado como o primeiro governador de um estado estadunidense, assumidamente gay, também pelos democratas. “Ampla derrota para Trump, que viu suas plataformas principais ruírem”, analisa a sindicalista da CTB.

    Especialistas indicam polarização entre o eleitorado masculino e feminino, muito parecido com o fenômeno que aconteceu na eleição brasileira. “A luta das mulheres não vai parar enquanto houver discriminação, violência e preconceito. O resultado dessa eleição vai além dos números e traz grande signifido político para avançarmos na unidade em defesa da igualdade e do respeito a todas as pessoas”, finaliza Celina. Para ela, a reeleição de Trump em 2020 está comprometida "para o bem da humanidade".

    Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB

  • Os EUA finalmente têm um candidato presidencial socialista - e ele está cada vez mais forte

    Nesta segunda-feira (1), os Estados Unidos começaram a primeira etapa da corrida presidencial que definirá, em outubro, o sucessor de Barack Obama - as eleições primárias dentro dos partidos democrata e republicano. As nomeações prévias foram votadas no estado de Iowa, mas o que era para ser um ritual de praxe se transformou em uma batalha de voto-a-voto quando o candidato socialista Bernie Sanders chegou ao empate com Hillary Clinton. Ele é atualmente senador pelo estado de Vermont.

    O precedente para um candidato socialista forte naquele país é o de Franklin Roosevelt, mais de 70 anos atrás. E ele acabou presidente. Não é à toa que a esquerda americana está em polvorosa.

    Conforme as urnas foram sendo abertas, o que era uma clara vitória para Hillary Clinton foi se acirrando até o empate. Na madrugada da terça-feira, três distritos desistiram de contar votos e decidiram seus vencedores em um literal cara-ou-coroa. Hillary, favorita do comando nacional dos democratas, levou os três, e acabou vencendo por 22 a 21 na contagem de delegados para a decisão final.

    O resultado, contudo, é imensamente favorável a Sanders. Até meses atrás, ele se encontrava com desvantagem eleitoral superior a 40%, comparado com Hillary, e conseguiu erguer sua campanha com ajuda intensa do voluntariado progressista. Empatar, portanto, é uma vitória extraordinária, amplificada pelo fato de Iowa ter peso crucial na formação de tendências para os estados seguintes. Em 2008, foi por este mesmo caminho que Barack Obama conseguiu sair de seus 7% iniciais para a presidência americana.

    Na semana que vem, a votação do estado de New Hampshire está cercada de expectativas de que Sanders vença, acelerando ainda mais a trajetória política de sua campanha. As últimas pesquisas indicam uma vantagem de 18% sobre a ex-primeira dama, fruto de um sistema regional que permite a participação de eleitores independentes - pessoas que se enxergam à esquerda, mas que discordam do centrismo de Hillary e não se ligariam a sua campanha. Esses podem reforçar a mensagem de “revolução política” que Sanders carrega em seus discursos.

    O resultado indica que, depois de um longo período de estigmatização, o socialismo americano finalmente está livre das comparações inconsistentes com a União Soviética a que foi submetido. A jornada de retorno surfa no pique de setores populares, estudantes, intelectuais, artistas e uma parte adormecida e desanimada da opinião pública americana, que vê o fosso das desigualdades sociais com reprovação. Os números não deixam dúvidas: Sanders é o vencedor absoluto entre os mais jovens (84%), entre os mais pobres (57%), entre eleitores independentes (69%) e entre todos aqueles que preferiam não se envolver com eleições anteriormente (59%).

    Com o sistema bizantino de decisão partidária dos EUA, ainda é impossível prever as chances de Sanders. Mesmo que ele vença a maioria das primárias, ainda caberá ao comando do Partido Democrata e seus “super delegados” darem os votos de minerva a esta corrida, que se provará apertada. Independente disso, está claro que a nova geração americana terá valores mais alinhados com a esquerda - um alívio, de fato, considerando a onda conservadora que varre a América do Sul.

    Por Renato Bazan, com informações do New York Times e da Associated Press

  • Sindicato dos Condutores de SP reforça mobilização para o #DiadoBasta

    Em plenária realizada nesta quinta (02), no Sindicato dos Motoristas e Trabalhadores em Transporte Rodoviário Urbano de São Paulo (Sindmotoristas), os trabalhadores e trabalhadores dos diferentes modais de transporte debatem a centralidade da mobilização da sociedade para o dia 10 de Agosto, Dia do Basta!

    Representando a CTB, Zé Carlos Negrão, lembrou que "Somente com luta reverteremos essa agenda que condena milhões ao desemprego e miséria. Sofre todo mundo e o trabalhador e trabalhadora do Transporte já sente na pele o impacto do pacote do governo golpista".

    "A classe trabalhadora enfrenta uma conjuntura de grandes desafios. O Dia de Agosto será uma dia de luta para externarmos os ataques aos direitos que prejudicam o conjunto da sociedade. Estamos mobilizando a base para se somar nesta luta", afirmou Wagner Fajardo, coordenador geral do Sindicato dos Metroviários de São Paulo, ao sinalizar que a entidade está firme na mobilização para o dia 10 de agosto.

    Ao ressaltar a importância da participação do setor de Transportes, Luiz Gonçalves, o Luizinho, presidente da Nova Central-SP,destacou que "a unidade será fundamental para a construção do dia 10 de agosto. E o setor de transportes é fundamental para tornar isso possível."

    ORIENTAÇÕES

    DIA 10 DE AGOSTO | Em todo o Brasil | Dia Nacional do Basta!

    O que é?

    Organizado pelas Centrais Sindicais, tem como objetivo paralisar os locais de trabalho e mobilizar as bases sindicais e os movimentos sociais em manifestações de PROTESTO contra o desemprego crescente, contra a retirada de direitos da classe trabalhadora, contra as privatizações, pela revoção da Emenda Constitucional 95 (EC95), da reforma trabalhista e da lei que libera a terceirização irrestrita. Além de alerta sobre a ameaça da Reforma da Previdência e os ataques à Democracia e ao Estado Democrático de Direito.

    Serviço

    Dia Nacional do Basta! - Em todo o Brasil
 - 10 de Agosto 

    São Paulo
    Em frente à Fiesp, às 10h

    Mais informações
    
Assessoria de Imprensa e Comunicação - (11) 98442-9245

  • Transição: coincidências entre Jair Bolsonaro e Michel Temer

    A ideia do novo presidente é aproveitar esses meses que antecedem a posse para adiantar alguns temas de sua agenda, para que possa se dedicar à luta política contra os movimentos sociais e os partidos de esquerda, enquanto seus operadores tocam a chamada agenda estrutural, ou seja, as reformas de grande interesse do Estado, como as mudanças nos marcos regulatórios da economia, a reforma administrativa e uma robusta reforma da Previdência.

    O presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) sabe que sua “lua de mel” com os eleitores — caracterizada por aquele período de 6 meses de condescendência da sociedade — começa a contar desde a eleição, e não a partir da posse, como em governos anteriores. Pensando nisso, quer aproveitar o período de transição e a coincidência de agenda liberal e fiscal entre ele e o governo Michel Temer para aprovar alguns pontos da pauta econômica, especialmente aqueles remanescentes da chamada agenda 15, apresentada por ocasião da suspensão da votação da reforma da Previdência, além de adiantar algumas medidas fiscais.

    Entre os pontos remanescentes que podem ser objeto de deliberação ainda no atual Congresso podemos mencionar os projetos de lei e medidas provisórias em tramitação nas 2 Casas do Congresso, que tratam dos seguintes temas:

    1) agenda da chamada melhoria do ambiente de negócio,

    2) concessão pública e venda de ativos, e

    3) projetos sobre matérias com impactos fiscais e tributários.

    No 1º grupo das proposições, que dispõem sobre a chamada melhoria do ambiente de negócio, podemos citar:

    1) o projeto de lei que trata do cadastro positivo, pendentes de votação destaques na Câmara;

    2) o projeto de lei das telecomunicações, sob exame do Senado;

    3) o projeto da autonomia do Banco Central, que poderá receber substitutivo na Câmara a partir de sugestão da Presidência do Banco Central; e

    4) o projeto que muda as regras sobre distrato nas operações de compra e venda de imóveis, sob exame do Senado.

    No 2º grupo sobre concessão e venda de ativos, o 1º projeto trata da cessão onerosa do excedente do pré-sal, sob exame do Senado; a 2ª proposição disciplina e regula os poderes e atribuições das agências reguladoras, que aguarda manifestação da Câmara, após ter sido aprovado no Senado; e o 3º projeto dispõe sobre a privatização da Eletrobras, que aguarda manifestação do plenário da Câmara dos Deputados. Desse grupo, este último projeto poderá ter dificuldade de aprovação.

    No 3º grupo, dos temas fiscais, podemos mencionar a proposta orçamentária para 2019, que sofrerá ajustes por sugestão do novo governo; o projeto de lei que trata do teto remuneratório, sob exame da Câmara dos Deputados; o projeto de lei de tributação dos fundos de investimentos, que também aguarda manifestação da Câmara dos Deputados, além da Proposta de Emenda à Constituição da reforma da Previdência, que espera manifestação do plenário da Câmara, mas depende da suspensão da intervenção federal na segurança do estado do Rio de Janeiro.

    Todas as propostas já mencionadas, sem nenhuma exceção, foram encaminhadas ao Congresso pelo governo de Michel Temer ou partiu de sua base de apoio e têm seu incondicional apoio, o que prova que o futuro governo Bolsonaro, ao contrário do que disse na campanha, é de continuidade, já que faz sua praticamente toda a agenda liberal/fiscal remanescente.

    Além dos temas que fazem parte da agenda Michel Temer ou da agenda “Ponte para o futuro” e das “maldades” via medida provisória, o governo Bolsonaro quer aproveitar esses 2 últimos meses de funcionamento do Congresso para incluir alguns temas de sua pauta conservadora, particularmente relacionada a pontos como Escola sem Partido, desfiguração do Estatuto do Desarmamento, votação de proposta de emenda à Constituição sobre redução da idade penal, entre outros compromissos com as bancadas evangélica, ruralista e da bala.

    A ideia do novo presidente é aproveitar esses meses que antecedem a posse para adiantar alguns temas de sua agenda, para que possa se dedicar à luta política contra os movimentos sociais e os partidos de esquerda, enquanto seus operadores tocam a chamada agenda estrutural, ou seja, as reformas de grande interesse do Estado, como as mudanças nos marcos regulatórios da economia, a reforma administrativa e uma robusta reforma da Previdência.

    O interesse pela reforma da Previdência agora seria apenas um remendo para dar uma primeira satisfação ao mercado, com aumento da idade mínima, enquanto prepara o pacote previdenciário, que inclui:

    1) um pilar assistencial, com valor em torno de 70% do salário mínimo;

    2) um pilar público contributivo, em torno de 2 salários mínimos; e

    3) um pilar privado, no regime de capitalização, de caráter complementar e facultativo.

    Paralelamente ao novo desenho, válido para os futuros segurados, seriam modificadas as regras dos atuais segurados, possivelmente com a instituição de redutor nas aposentadorias dos servidores, o provável aumento da contribuição previdenciária, a provável desvinculação dos benefícios assistenciais do salário mínimo, a possível desvinculação dos pisos previdenciários, urbanos e rurais do salário mínimo, e ampliação dos requisitos, tanto de idade quanto de tempo de contribuição, além de mudança no cálculo do benefício.

    Quanto à reforma administrativa, a equipe do novo governo discute e elabora propostas com vistas a:

    1) fim da estabilidade ou a adoção da avaliação de desempenho para efeito de dispensa de servidor;

    2) reestruturação das carreiras de Estado, com redução do salário de ingresso;

    3) redução drástica de novos concursos;

    4) transferência de atribuições da União para estados e municípios;

    5) ampliação da terceirização, incluindo áreas que atualmente são exercidas por servidores de carreira; e

    6) redução do número e transversalidade das carreiras, que poderão servir em qualquer área do governo.

    Ainda no período de transição — e o aliado Michel Temer já se colocou à disposição — o novo governo pretende “alugar” a mão e a caneta do atual para editar uma série de medidas provisórias com a adoção de várias medidas impopulares, especialmente na área fiscal. Estariam entre as prováveis medidas restrições graves nos critérios para concessão de benefícios previdenciários, inclusive a revogação da fórmula 85/95, instituída para os segurados do INSS durante o governo Dilma.

    Esse conjunto de medidas e ações faz parte do ideário do governo Bolsonaro e, se depender dele, parte dos temas será aprovada ainda durante o atual governo, aproveitando os 2 meses de trabalho do governo Temer e do atual Congresso Nacional.

    Os desafios, como se pode ver, são muitos e ameaçadores, porque pressupõem o desmonte do Estado e dos direitos sociais e previdenciários dos trabalhadores da iniciativa privada e do serviço público. Entender e resistir é preciso.

    *Jornalista, consultor, analista político e diretor de Documentação do Diap. Texto publicado originalmente na revista eletrônica Teoria & Debate.

  • Vicente Selistre é reeleito presidente do sindicato dos Sapateiros de Campo Bom

    Como muita animação da base, Vicente Selistre, secretário de Relações Institutcioais da CTB foi reeleito para mais um mandato à frente do Sindicato dos Sapateiros de Campo Bom, uma das mais importantes cidades do polo calçadista do RS. A posse da diretoria eleita será no dia 17 de fevereiro e o Sindicato já prepara a comemoração dos seus 60 anos de existência que completará em 18 de abril.

    A eleição, em chapa única, foi considerada histórica com a participação de mais de 67% do quadro social, contabilizando 1.385 votos, comprovando a confiança da maioria absoluta da categoria no seu sindicato que aprovou a chapa proposta com mais de 96% dos votos.

    Destaca-se que a construção da chapa primou por uma renovação harmônica do quadro dirigente, que passará a ter a maioria de mulheres. Serão 14 mulheres e 12 homens na diretoria, que contará também com a efetiva participação de jovens lideranças trabalhadoras que, a partir da posse em fevereiro, farão a luta sindical ao lado dos dirigentes mais experientes.

    A participação da Federação dos Trabalhadores nas Indústrias do Calçado e Vestuário por seu presidente João Pires e das mais de 20 entidades sindicais cujos dirigentes trabalharam durante os dois dias na coleta dos votos, confirma o protagonismo e a liderança do Sindicato dos Sapateiros de Campo Bom em todo o Vale do Calçado.

    Convidado para presidir o processo de apuração da Eleição, o Presidente Nacional da CTB, Adilson Araújo, em sua chegada à Campo Bom, foi recebido em frente à sede do sindicato por Vicente Seliste e diretores.   

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    Após visitar as dependências da sede e conhecer a estrutura e os serviços que a entidade oferece aos associados, Adilson Araújo reuniu-se com Selistre na sala da presidência onde recebeu as informações sobre a composição da chapa.

    Um momento de grande emoção aconteceu após o encerramento do processo de coletas de votos, quando a diretoria do sindicato, as delegações das entidades apoiadoras e um grande número de associados foram até à frente da sede para inauguração do painel “Orgulho Sapateiro”. O trabalho artístico, sob o conceito de “arte muralista”, faz homenagem aos trabalhadores e trabalhadoras do setor calçadista que construíram o “Pequeno Gigante do Vale”, como também é conhecida a cidade Campo Bom.

    A obra dos artistas Kia Santos e Everaldo Vitorino, buscou em seus traços, traduzir o valor do trabalho como base para a justiça e para a paz lembrando também, que juntos, Campo Bom e o Sindicato, completam 60 anos em 2019.

    Após a solenidade de inauguração, o presidente nacional da CTB, Adilson Araújo, juntamente com o presidente estadual da CTB/RS Guiomar Vidor, reabriu os trabalhos da comissão eleitoral, atestando que fora alcançado o quórum muito superior ao mínimo exigido pelo estatuto social, instalando a seguir as mesas escrutinadoras para a contagem dos votos.

    Encerrada a apuração, Adilson Araújo declarou eleita a chapa 1 com 1.331 votos (96,1%) e apenas 54 votos nulos e brancos (3,9%).

    Na sequência, o microfone ficou a disposição para os cumprimentos e manifestações das lideranças e convidados.

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    Guiomar Vidor cumprimentou a chapa eleita, dizendo que a CTB tem imenso orgulho deste sindicato pelas grandes conquistas ao longo da sua história, pela postura firmeza e incansável no combate contra a retirada de direitos. Falando aos novos dirigentes, Guiomar os alertou sobre os grandes desafios que enfrentarão desde já e nos próximos anos. Saudou a renovação que a chapa eleita representa para o movimento sindical, dizendo que os jovens dirigentes, amparados pelas lideranças mais experientes terão que enfrentar duras lutas contra a retirada de direitos.

    Vicente Selistre, em nome da chapa eleita, promoveu um ato simbólico de aplausos em memória do companheiro e ex-diretor do sindicato, Gilberto Barbosa, popularmente conhecido como “Pavão”, falecido nesta terça feira, 15 de janeiro.

    Agradeceu a todos os companheiros de chapa e chamou a atenção aos grandes desafios que terão pela frente, que é garantir o emprego com carteira assinada, a aposentadoria decente, o FGTS. Acusou o sistema financeiro como responsável pela crise que passa o país, já que o setor suga mais de 44% de tudo o que o povo trabalhador brasileiro produz de riqueza. Finalizou agradecendo a presença e apoio do presidente Adilson e do presidente Guiomar, agradeceu aos associados que participaram do processo eleitoral em grande número, citou como um momento histórico o ato de inauguração do painel “Orgulho Sapateiro” ocorrido a pouco. que serve também como uma homenagem à indústria local e brasileira, que gera e trabalho e renda. Conclamou a todas as entidades, das mais diversas categorias profissionais a se unirem em defesa da democracia, dos direitos sociais e das conquistas de toda classe trabalhadora.

    CTB Rio Grande do Sul

  • Vitória da Chapa 1 Sintepp "Independente, Classista e de Luta"

    Ocorreram nos dias 12 e 13 de dezembro de 2018 as eleições para a Coordenação da Subsede do Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Pará - Sintepp em São Miguel do Guamá, no Pará, para a gestão no triênio 2019/2021, com duas chapas concorrentes. A chapa 1 Sintepp Independente, Classista e de Luta, venceu as eleições com 60% dos votos válidos, 257 votos contra 175 votos para a chapa 2 Sintepp de Cara Nova – Avançar na Luta com Renovação.

    O processo eleitoral foi marcado por forte disputa entra a Chapa 1 encabeçada por Saulo Ribeiro e Eliene Galis, que defendia um Sintepp independente e autônomo em relação ao governo e classista na luta e defesa dos interesses da categoria educacional, enquanto a chapa 02 encabeçada por Tânia Rodrigues e Marcelina Aparecida, representava um atrelamento e subordinação do Sintepp ao governo municipal, a “chapa branca”. Diferenças estas, visíveis nas eleições, nas formações das chapas e no forte envolvimento de servidores comissionados e temporários no processo eleitoral em favor da chapa 2.

    O novo coordenador geral eleito, Saulo Ribeiro, ressaltou que a vitória da chapa 1 “mostrou o quanto a organização dos trabalhadores e trabalhadoras precisa está afinada na busca da garantia de direitos e contra os retrocessos de nossas conquistas”, afirmando ainda, que “barramos a tentativa de infiltração do governo dentro sindicato” e que com “unidade e independência vamos avançar nas lutas e conquistas para toda a categoria”, finalizou Ribeiro.

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    O Coordenador da Secretaria Geral do Sintepp Estadual, prof. Thiago Barbosa, que também é Vice-Presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil – CTB/Pará, lembrou que nos tempos atuais, há a tentativa de sabotagem e interferência dos Governos nas entidades representativas de classe e que com este resultado das eleições o “nosso Sindicato continuará nas mãos dos trabalhadores e trabalhadoras, e continuará fazendo o trabalho de cobrar e fiscalizar a aplicação dos recursos na educação”. Por fim, Barbosa, afirmou que a eleição do SINTEPP Subsede São Miguel do Guamá “foi um belo exemplo de luta e determinação do conjunto dos integrantes da Chapa 1 e seus apoiadores, que impuseram uma derrota histórica para o atraso”.

    A atual Coordenadora Geral do Sintepp subsede do São Miguel do Guamá, Ivone Brasil, afirmou estar "confiante na continuidade de uma gestão democrática, classista e autônoma em relação a secretária de educação e com capacidade de negociação com o governo para ampliar e manter direitos", bem como, de avançar na "melhoria da subsede para atender com conforto e qualidade aos sindicalizados", em referência a reforma da sede administrativa do Sintepp, que ela implementou nos últimos anos.

    Na comemoração da vitória, Saulo Ribeiro, agradeceu aos filiados e filiadas do Sintepp pelos votos recebidos, os membros de sua chapa, os apoios recebidos de dirigentes de outras organizações que estiveram nas eleições e nos trabalhos de campanha, de mesários e da comissão eleitoral, ressaltando o apoio da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil-CTB/Pará, e em nome do presidente Cleber Rezende, agradeceu todos da Central; em nome do Thiago Barbosa agradeceu as Coordenações Estadual e Regional do SINTEPP, os dirigentes do Sindicato da Construção Civil – SINTIMIG, Sindicato dos Trabalhadores em Carro Forte – SINDFORTE, Sindicato dos Servidores Públicos do Pará – SEPUB e a brava juventude da UJS, bem como ao vereador prof. Alfredo Borges.

    CTB Pará