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Qui, Jun

Estado Islâmico

  • Enquanto os correligionários do ódio espalham fake news no submundo da internet, destilando fel, dois vídeos viralizam para mostrar que ainda somos humanos. Num deles o cantor e compositor paulista Arnaldo Antunes declama emocionado uma ode ao amor e à vida.

    “No coração do Brasil, que tento sentir pulsar ainda entre a luz de Luiz (Melodia) e a treva desse buraco vazio que não pulsa mais no peito”, desabafa Antunes. E segue sua crítica à ignorância do violento exército de quem não sabe o significado da palavra amor.

    “Como explicar a lei da gravidade para quem ainda crê que a terra é plana”, questiona o compositor. Isso em pleno século 21. O Estado Islâmico está morrendo de inveja dos nazistas tupiniquins que querem impor a violência atacando todas as pessoas que pensam.

    Assista ao desabafo emocionado de Arnaldo Antunes 

    Já o professor e historiador Leandro Karnal explica didaticamente que “elogiar a tortura é declarar-se inimigo de Jesus Cristo”. E ainda conta que as “pessoas de bem” da época, torturaram, humilharam, falaram mal e crucificaram Cristo, em nome de Deus. Existe um Deus do ódio?

    Quantas barbaridades vêm cometendo em nome de Deus? Seguidores do candidato do ódio atacam covardemente em bandos pessoas sozinhas, mulheres de preferência, picham frases racistas em universidades e desenham a suástica nazista em clube judeu e a polícia fica na praça “dando milho aos pombos”.

    Preste atenção nas palavras de Leandro Karnal 

    Essas “pessoas de bem” propagam fake news (mentiras) pela internet e já na luz do dia batem, ofendem, agridem pessoas nas ruas. Chegaram a desenhar a suástica nazista na barriga de uma jovem de 19 anos em Porto Alegre e o delegado que investiga o caso ameniza dizendo que é o símbolo do budismo. Em vez de investigar a violência. Ou as pessoas podem atacar as outras por pensar diferente?

    É da lei desenhar à força alguma coisa no corpo de alguém com canivete? Mesmo porque, sete meses depois do assassinato de Marielle Franco e ainda não se sabe quem a matou e muito menos quem a mandou matar.

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    Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB

  • O Comitê Norueguês do Nobel anunciou os vencedores do Prêmio Nobel da Paz 2018, nesta sexta-feira (5), em Oslo, capital da Noruega. Por suas atividades de combate às guerras e à violência sexual, o médico congolês Denis Mukwege e a ativista da minoria yazidi Nadia Murad, do Iraque, venceram a disputa entre as 115 organizações e os 216 indivíduos indicados. O prêmio é de aproximadamente US$ 1 milhão e será entregue numa cerimônia em Oslo em 10 de dezembro – Dia Internacional dos Direitos Humanos.

    “Muito merecido o Nobel da Paz para esses ativistas”, afirma Celina Arêas, secretária da Mulher Trabalhadora da CTB. “Os dois têm um trabalho fundamental para resgatar as vítimas desses crimes hediondos". 

    Para a sindicalista mineira, o exemplo de resistência e luta de ambos serve “de inspiração para todas as pessoas que defendem a cultura da paz e não acreditam no poder das armas e da opressão para resolver nenhum tipo de problema”.

    O médico ginecologista Mukwege, de 63 anos, conta horrores sobre vítimas de estupro na guerra da República Democrática do Congo. Ele ganhou o prêmio pela sua dedicação no atendimento das vítimas e na ajuda ao encaminhamento de suas vidas, depois de atendidas, cuidadas e medicadas.

    Nadia, de 25 anos, foi sequestrada pelo Estado Islâmico em 2014, no Iraque e transformada em escrava sexual, juntamente com outras 3 mil meninas, da minoria yazidi - grupo étnico-religioso do Iraque. Ela permaneceu três meses como escrava.  Quando conseguiu escapar do grupo defensor do ódio e da violência às minorias, se transformou numa ardorosa defensora das vítimas de estupro.

    "Denis Mukwege e Nadia Murad colocaram sua segurança pessoal em risco ao combaterem com coragem crimes de guerra e buscarem justiça para suas vítimas", explica em nota o Comitê responsável pelo Nobel da Paz. "Eles promoveram a fraternidade entre nações ao aplicarem princípios da legislação internacional", complementa.

    Berit Reiss-Andersen, presidente do comitê norueguês, afirma que a intenção com a premiação dos ativistas é passar para o mundo uma "mensagem de conscientização, de que as mulheres precisam de proteção e de que agressores devem ser processados e responsabilizados por suas ações".

    A jovem Nadia conta à BBC News que foi raptada com milhares de meninas quando os fanáticos do Estado Islâmico cercaram a sua aldeia, depois invadiram, mataram os homens e as mulheres mais velhas. Escravizaram crianças e as mulheres mais jovens.

    Ela conta que até meninas de 10 anos foram transformadas em escravas sexuais. "Perguntei por que faziam aquilo conosco, por que haviam matado nossos homens, por que nos estupraram violentamente. Disseram-me que 'os yazidis são infiéis, não são um povo das Escrituras, são um espólio de guerra e merecem ser destruídos'".

    Para Luiza Bezerra, secretária da Juventude Trabalhadora da CTB, “o fanatismo leva pessoas e grupos à cegueira" e isso "é um passo para o uso da violência e do abuso”. Ela acredita, porém, que a cultura do estupro ultrapassa as fronteiras do Oriente Médio, onde fica o grupo Estado Islâmico. “Muitos grupos de diversos países defendem abertamente a violência contra as mulheres, contra a juventude e às chamadas minorias”, diz.

    O médico Mukwege relata também à BBC a sua experiência e o terror experimentado ao atender vítimas da Guerra do Congo. “Comecei a me perguntar o que estava acontecendo”, relata. Para ele, a violência sexual se transformou em "arma de guerra”.

    Ele já atendeu mais de 30 mil vítimas de abuso sexual com ferimentos graves em seu país, que vive uma guerra civil que deixou mais de 6 milhões de mortos, e milhares de mulheres vêm sendo submetidas a estupros.

    Celina analisa o perigo que grupos extremisntas representam para a sociedade. "Ainda mais quando são misóginos (ódio às mulheres), racistas e LGBTfóbicos. É necessário muita reflexão sobre os projetos de defensores do ódio, da opressão e da utilização de armas como segurança pública”.

    Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB com informações da BBC News. Foto: Picture Alliance/Dpa

  • Com o golpe de Estado em marcha no Brasil, ganha corpo a discussão sobre o projeto “escola sem partido”, que visa amordaçar o ensino brasileiro, chegando a prever prisão para professores que fizerem comentários sobre o conteúdo de suas aulas, sejam elas de que temas forem.

    Tanto que o Senado Federal abriu uma consulta pública sobre o Projeto de Lei do Senado 163/2016, de autoria do senador Magno Malta (PR-ES), da bancada evangélica, que pretende incluir a matéria na Lei de Diretrizes e Bases da Educação. Até o fechamento desta reportagem, o resultado estava em 122.988 votos a favor e 147.522 contra o PLS.

    Essa proposta nasceu há 12 anos, quando um pai questionou as aulas de história que sua filha recebia. O advogado Miguel Nagib diz que "é fato notório que professores e autores de livros didáticos vêm se utilizando de suas aulas e de suas obras para tentar obter a adesão dos estudantes a determinadas correntes políticas e ideológicas".

    Esse projeto “está no bojo da sustentação ideológica do golpe dessa elite que quer impor ao Brasil os seus interesses e restringir o pensamento a uma única possibilidade “, afirma Isis Tavares, presidenta da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil no Amazonas (CTB-AM).

    Para ela, a ideia de controlar a juventude remonta ao nazismo. “Na Alemanha de Hitler aconteceu exatamente o que querem os defensores dessa proposta. Se os pais não gostassem daquilo que os professores estavam ensinando aos seus filhos, poderiam denunciá-los e os educadores corriam o risco de serem presos”.

    Um levantamento feito pela insuspeita revista “Nova Escola”, da Fundação Victor Civita, questiona os argumentos dos propulsores do projeto ‘escola sem partido’, que ganhou realce com a visita do ator de filmes pornôs, Alexandre Frota ao Ministério da Educação, para sugerir a inclusão dessa proposta na educação brasileira.

    A “Nova Escola” foi ao site do “escola sem partido” e derrubou o argumento de que milhares de pessoas denunciavam professores “doutrinadores” de seus filhos. “O site do movimento registra somente 33” denúncias, num país com “mais de 45 milhões de estudantes”, anuncia a reportagem da revista especializada em educação.

    abaixo lei da mordaca

    Para Camila Lanes, presidenta da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes), “a ‘escola sem partido’, nada mais é do que a escola de apenas um partido, de apenas um lado (o mais conservador de todos), buscando enterrar a diversidade de pensamento natural na busca de conhecimentos e transformando o processo educacional em instrumento de opressão e de censura”.

    Enquanto os organizadores do blog Professores Contra o Escola Sem Partido, que também tem página no Facebook, afirmam que as postulações dos defensores dessa proposta, são amplamente vagas “de maneira proposital”. Mas no fundo, “eles entendem que a escola está dominada por uma ideologia esquerdista e que falta o estudo de autores conservadores, por exemplo, e que os professores ao invés de ensinarem os conteúdos estão doutrinando os alunos para que eles se tornem todos esquerdistas ou gays”.

    Por isso, a chiadeira foi geral quando se aprovou no Plano Nacional de Educação a inserção do debate da questão de gênero nas escolas. “Eles falam de neutralidade política e religiosa. Mas, digamos, quando acontece um caso de racismo na escola, ou de intolerância religiosa, a gente não pode se manifestar contra aquilo porque se tiver alunos cristãos na sala isso irá contra a educação que eles recebem em casa”, argumentam os professores contra esse projeto.

    Já Marianna Dias (Mari), diretora de Relações Internacionais da União Nacional dos Estudantes (UNE), acredita que "a Lei da Mordaça não pode ser encarada como um debate setorial, que diz respeito apenas à educação, à escola ou à universidade”.

    “É uma questão que precisa preocupar a sociedade”, diz Mari, “e isso nos obriga a questionar qual o papel social da educação. A escola não pode ser apenas um ambiente para se aprender a ler, precisa ser um ambiente que forme cidadãos  e que se preocupem com a sociedade, com o país, com a vida e com o mundo”.

    Nesse contexto, Tavares afirma que “quando você bloqueia o acesso ao conhecimento, está cerceando a liberdade e o desenvolvimento consciente das pessoas”. Mari vai de encontro a essa proposta.

    De acordo com ela os estudantes brasileiros querem "uma escola que reflita sobre os nossos anseios, que não reproduza os preconceitos e muito menos limite a nossa liberdade”. Na verdade, acentua ela, “queremos uma escola com arte, cultura, sociologia e esporte. Que nos prepare como agente transformador para que possamos construir um amanhã melhor".

    Tavares complementa ao afirmar que ao contrário do que dizem os defensores do “escola sem partido”, a juventude tem a capacidade de pensar e decidir por si. “Os jovens pensam e a escola deve lhes proporcionar a possibilidade de ampliação do discernimento sobre todas as questões que lhes aflige. Fazer o contrário, sim é doutrinar”.

    Já a líder secundarista, Lanes, diz que “eles (defensores escola sem partido) querem, na verdade, é substituir a liberdade de diálogo e de debate de ideias na sala de aula por uma ideologia conservadora”, argumenta Lanes. Para ela, “o projeto ‘escola sem partido’ é extremamente ideológico! Nele, não existe imparcialidade nenhuma! É a ideologia dos que querem uma população alienada, dos que não querem que a sociedade mude, mas que continue desigual e injusta”.

    A vontade dos defensores dessa ideia, que conta com 12 projetos na Câmara dos Deputados e o PLS de Malta, no Senado, defendem “a intolerância como norma de vida”, reforça Tavares. “Essa proposta visa bloquear o nosso desenvolvimento civilizatório, exatamente como faz o Estado Islâmico quando explode edifícios históricos milenares, só porque são de outros povos e pensamentos”.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

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