Sidebar

17
Seg, Jun

EUA

  • "Mas é possível que o desgoverno Bolsonaro, com o pasmo e a preocupação que causa, tenha dado contribuição involuntária, e ainda assim significativa, para o cansaço reativo onde reagir é menos conturbador"’, enfatiza o articulista em sua coluna deste domingo (17) no jornal Folha de São Paulo.

    As quatro derrotas sofridas pelos integrantes da Lava Jato na última semana oferecem uma percepção retardatária e bem-vinda, diz Janio de Freitas em seu artigo, hoje, na Folha. Intitulado como ‘A reação do cansaço’, o artigo foca esse caminhar torto dos integrantes da Lava Jato nesses anos.

    Para ele, a força e a sequência das derrotas, mesmo com as pressões feitas pelo grupo, ‘indicam o esgotamento da tibieza com que autoridades maiores se curvaram a tantos desmandos, à margem da ação legal contra a corrupção, daqueles juízes e procuradores associados’. As entranhas da Lava Jato começam a aparecer.

    O fundo financeiro idealizado por Deltan Dallagnol e seus coordenados já demonstra todo o descaso do grupo por seus limites funcionais e legais, diz Janio. R$ 2,5 bilhões de multa aplicada à Petrobras tornado fundo sob influência da Lava Jato já constitui uma pretensão tão audaciosa que exigiu práticas bem conhecidas desses personagens.

    A primeira foi forçar o acordo de desvio da multa devida à União ao Estado. Depois disso, e sem poder para tanto, firmar esse acordo. Depois incluir em projeto a ser apreciado pela Justiça a falsa afirmação de que, nos termos negociados pela Petrobras com os Estados Unidos, se o fundo não fosse criado o dinheiro voltaria para os Estados Unidos. ‘É o grupo da Lava Jato aplicando os métodos de muitos de seus presos e condenados por utilizá-los’, afirma Janio.

    E o STF destruiu o plano e, ato contínuo, o ministro Alexandre de Moraes proferiu uma decisão arrasadora, tanto no sentido jurídico quanto moral. E era a segunda derrota do grupo, pois antes disso a procuradora-geral Raquel Dodge preferira entrar em conflito com a Lava Jato a admitir o negócio de fundo em nome do Ministério Público. Raquel, em seu parecer, pediu ao Supremo que rejeitasse o fundo e anulasse o acordo, por serem inconstitucionais no teor e inaceitáveis na forma de obtê-los.

    Além disso, o Supremo decidiu que caixa dois de campanhas eleitorais (aquele dinheiro não declarado) e os crimes conexos são inseparáveis para o processo e o julgamento, que cabem à Justiça Eleitoral, como reza o Código.

    E, lembra Janio, a reação da Lava Jato nesta decisão oposta a seus interesses foi tão forte que os ministros do Supremo se indignaram. Foi a terceira derrota, e Deltan foi às redes para dizer que a decisão da maioria dos ministros faria fechar a janela do combate à corrupção.

    E acusações a cada passo têm sido a tônica dos integrantes da Lava Jato contra o Supremo. Com Gilmar Mendes como alvo particular, mas os demais não escaparam das represálias do grupo. Dias Toffoli foi o primeiro presidente do tribunal a tomar atitude contra essa prática, e diz haver ‘ofensas criminosas’. Abriu inquérito que, se levado a sério, tratará principalmente da respeitabilidade do Supremo, tão questionada por influência desses ataques.

    Janio considera que esse esgotamento da complacência com os abusos de poder da Lava Jato vem em momento, e isso é interessante, quando as condições lhes foram mais favoráveis. Até para usurparem mais os poderes alheios. Segundo ele, o governo de Jair Bolsonaro e a Lava Jato carregam afinidades, inclusive da mistura do religioso com o poder público. ‘Mas é possível que o desgoverno Bolsonaro, com o pasmo e a preocupação que causa, tenha dado contribuição involuntária, e ainda assim significativa, para o cansaço reativo onde reagir é menos conturbador’, crava o articulista.

    E, na esteira, Sergio Moro – o ministro da carta branca que não pode indicar nem suplente de conselho – começa a ser escrutinado por seus admiradores. Em três meses não disse a que veio, e o que disse seria melhor ter calado. ‘Sob sua inutilidade, o crime avança para mais brutalidade’, finaliza Janio.

    Fonte: GGN

  • O ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal, afirmou ao jornalista Tales Farias, da UOL, que considera um absurdo a destinação pelos EUA de R$ 2,5 bilhões a uma fundação gerida pelos procuradores da Lava Jato para promover políticas de combate à corrupção.

    O dinheiro foi depositado em janeiro. É fruto de um acordo entre autoridades dos EUA, da Petrobras e a equipe da chamada República de Curitiba. Representa 80% do capital que a estatal brasileira teria que devolver aos cofres norte-americanos por conta das irregularidades detectadas na Lava Jato.

    Segundo Marco Aurélio Mello, tal destinação, além de ilegal, cria um super órgão e inviabiliza o controle fiscal de suas contas.

    Vejam o que ele argumentou na conversa com o jornalita: “como de há muito venho sustentando na bancada do Supremo, órgão público vive apenas do que previsto no orçamento aprovado pelo Legislativo”.

    “A mesclagem do público com o privado não interessa ao Estado, não interessa à sociedade. É pernicioso fazendo surgir 'super órgãos', inviabilizando o controle fiscal financeiro. É a perda de parâmetros, é o descontrole, é a bagunça administrativa. É a Babel”, concluiu o ministro.

    "Esquisitice jurídica"

    O governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), que é jurista e estudou com Segio Moro, também fez duras críticas ao acordo bilionário firmado entre o Ministério Público Federal (MPF) de Curitiba, Petrobras e Departamento de Justiça dos Estados Unidos, pela qual a estatal vai transferir R$ 2,5 bilhões a uma fundação administração pela força-tarefa da Lava Jato.

    “Mais uma esquisitice jurídica. Um acordo internacional, não aprovado pelo Congresso Nacional, gera R$ 2,5 bilhões a serem administrados por uma fundação privada, sem fiscalização do TCU (Tribunal de Contas da União), sem Portal da Transparência e sem submissão ao PPA (Plano Plurianual), LDO (Lei de Diretrizes Orçamentária) e LOA (Lei Orçamentária Anual) ”, escreveu o governador em seu perfil no Twitter.

    Flávio Dino diz que a chance desse acordo dar certo é igual a zero. “Para proteger o próprio Judiciário e o Ministério Público, a melhor coisa a fazer é devolver esse dinheiro ao patrimônio público. Imediatamente”, diz o governador.

    Segundo ele, quanto mais se explica sobre o assunto, mais piora. “Quem escolhe as tais entidades gestoras? Por que essas e não outras? Onde está a lei que criou o Fundo, conforme exige o artigo 167, inciso IX, da Constituição? São 2,5 bilhões de dinheiro público, que seriam simplesmente privatizados”, diz o governador.

    Por fim, o governador diz não duvidar de boas intenções, mas a gestão do patrimônio público obedece a regras constitucionais e legais. “E tais regras são incompatíveis com essa esquisita fundação privada bilionária, gerenciando dinheiro público”, concluiu.

    Com Conversa Afiada

  • A segunda edição do programa “No Jardim da Política” em 2019, na Rádio Brasil de Fato, na última quinta-feira (10), trouxe à tona um dos temas mais polêmicos deste início de ano: a política externa do governo Jair Bolsonaro (PSL). 

    Conduzida pelos jornalistas Nina Fideles e Leonardo Fernandes, a edição também contou com a participação da correspondente do Brasil de Fato na Venezuela, Fania Rodrigues, e com uma entrevista exclusiva da poeta, atriz e diretora de teatro Luiza Romão.

    Para refletir sobre a política externa, o programa recebeu o professor Igor Fuser, do curso de Relações Internacionais da Universidade Federal do ABC (UFABC). Doutor em Ciência Política, ele ressaltou o alinhamento do Brasil aos interesses dos Estados Unidos e a fragilização dos processos de integração regional na América Latina.

    A ascensão da extrema direita no Brasil e no mundo também é um dos temas do programa. O pesquisador reflete ainda sobre o que se pode esperar para o cenário latino-americano no futuro próximo. Confira a seguir os principais trechos da entrevista:

    Brasil de Fato: Em que se baseia a política externa do governo Bolsonaro?

    Igor Fuser: É muito importante a gente saber identificar o que é conversa inconsequente, bobagens mesmo, quantidade de asneiras que são faladas por esse novo chanceler [Ernesto Araújo, ministro das Relações Exteriores], o que é uma coisa realmente estarrecedora, constrangedora. Nos meios diplomáticos, a notícia que a gente tem é de que as pessoas estão envergonhadas, chocadas com o nível baixo do discurso do comando da diplomacia brasileira. Mas é necessário diferenciar essa enxurrada de asneiras daquilo que é substantivo na política externa.

    O traço principal dela é o alinhamento total, absoluto, incondicional do Brasil aos Estados Unidos. O Brasil entra numa posição subalterna que nunca existiu na história da sua diplomacia. Nem no regime militar, nem nas épocas do Fernando Henrique Cardoso [1995-2002] e do Collor [Fernando Collor, presidente entre 1990-1992] o Brasil foi tão submisso.

    A trajetória da política externa brasileira é marcada pela busca de algum tipo de autonomia. Uma autonomia mais ampla, mais completa, mais assertiva, como foi na época do Celso Amorim, no governo do Lula, ou uma autonomia mais acanhada, mais negociada, como foi na época do FHC. Agora, o Brasil se coloca aos pés dos EUA, como um soldado a serviço do Tio Sam, alinhado com o que tem de pior nos EUA, que é a diplomacia do Trump [Donald Trump, presidente estadunidense]. 

    Existem alguns limites. Por exemplo, o posicionamento do Bolsonaro em relação ao Mercosul é bastante alinhado com os interesses dos EUA. Por outro lado, temos um fluxo comercial muito grande com o Mercosul, e inviabilizaria economicamente o país se deixássemos de lado essa iniciativa, assim como outros pactos internacionais dos quais o país faz parte. Como você enxerga essas limitações dos pré-anúncios que têm sido feitos pelo governo de Jair Bolsonaro?

    Existem fatores internos que, como você aponta, colocam limites à implementação dessa política subalterna em relação aos EUA. Existem interesses comerciais. Por exemplo, a prioridade do governo dos EUA na atualidade é o enfrentamento com a China. O mundo hoje é marcado pela disputa geopolítica, e o esforço dos EUA é para diminuir a influência, a presença econômica da China na América Latina (AL).

    A pressão externa que o governo brasileiro sofre – isso já era bastante visível no governo Temer – era pra tentar afastar o Brasil da China. No entanto, ela é o principal parceiro comercial do Brasil, o principal comprador das nossas commodities de exportação. Especialmente a soja, secundariamente, o ferro e outros produtos. Então, qualquer limitação no comércio do Brasil com a China provocaria uma situação de verdadeiro colapso em setores estratégicos da economia brasileira. São limites muito complexos.

    Você falou do Mercosul. O Brasil não vai acabar com ele, porque a burguesia brasileira ganha com o Mercosul e as empresas transnacionais instaladas no Brasil e na Argentina se beneficiam também desse acordo. Então, o que vai se fazer é limitar o alcance do Mercosul, aprofundar essa tendência de abandono de qualquer projeto de integração regional. E o Brasil não está sozinho nisso. Há um governo na Argentina que vai pelo mesmo caminho.

    A mesma coisa [é] a questão do Oriente Médio. Sobre a conversa de transferir a embaixada do Brasil pra Jerusalém. Apenas dois países do mundo tomaram essa decisão, que são EUA e Guatemala. É uma posição que mostra uma ruptura com uma política histórica de neutralidade do Brasil em relação ao conflito israelense-palestino.

    Isso significa, se for levado à prática, o risco de perda de exportações [brasileiras] para países de maioria muçulmana. Trata-se de uma tentativa de agradar setores evangélicos que têm uma visão completamente maluca. Eles confundem os hebreus do Velho Testamento e certas passagens da Bíblia com a situação atual do conflito entre Israel e Palestina. Isso não é uma invenção de evangélicos brasileiros. É importado dos EUA, onde fundamentalistas evangélicos têm a mesma visão e pressionam nessa direção.

    Esse alinhamento que o senhor menciona, que também é ideológico, é mais uma das contradições do governo, inclusive do seu próprio slogan, que coloca “Brasil acima de tudo e Deus acima de todos”. [Essa postura] tem impacto na soberania nacional – pré-sal, Amazônia, o cuidado com o clima, que também tem muito a ver com a Amazônia. É correto dizer que esses são os grandes interesses dos EUA com relação à nossa soberania e às riquezas nacionais? 

    Esses que se apresentam como patriotas são os mais entreguistas, são verdadeiros traidores da pátria, e isso tem que ser dito claramente. O “Brasil acima de tudo” não está tão acima assim; é abaixo dos EUA. É uma hipocrisia total.

    Nessa questão das riquezas nacionais, nós estamos presenciando crimes que nunca houve na história do Brasil, com essa dimensão. A entrega do pré-sal, por exemplo. O pré-sal é o maior tesouro da indústria do petróleo mundial dos últimos 60 anos. São reservas gigantescas de petróleo de alta qualidade.

    A Petrobrás desenvolveu tecnologias que permitem exploração do pré-sal a custo baixo, com alta eficiência, e esse petróleo está sendo entregue de bandeja pras empresas transnacionais. Um terço do pré-sal já foi entregue a preço vil pra empresas estrangeiras. e o resto está a caminho de ser entregue também.

    A tentativa dos governos Lula e Dilma de utilizar o pré-sal como fator de desenvolvimento pro Brasil foi abandonada completamente. Nós estamos vivendo o maior processo de desnacionalização da economia brasileira em toda a nossa história. Estamos regredindo à condição de colônia.

    Um dos principais argumentos pró-privatizações é o de que o Estado não teria competência para gerir os negócios de uma empresa do tamanho da Petrobrás. Conversamos com o economista Guilherme Melo sobre esse argumento, e ele disse que isso é tão contraditório que as empresas que mais compram ativos do Brasil no setor elétrico, por exemplo, são estatais de outros países – da Noruega, da China.

    A Petrobras é uma das melhores empresas de petróleo do mundo, uma das mais eficientes e mais capazes de inovação tecnológica. E ela está sendo sucateada, reduzida ao mínimo da exploração de petróleo. Eles só não estão colocando na agenda a privatização completa dela porque isso seria um escândalo. Eles percebem que seria demais, iria dar muita bandeira sobre o que é realmente a essência do atual governo. Há também alguma resistência de setores militares que estão no governo.

    A mesma coisa no setor elétrico. O Brasil tem uma matriz hidrelétrica que é referência no mundo inteiro. E o que eles vão fazer? Vão acabar com a Eletrobras, privatizar, entregar as hidrelétricas para o capital estrangeiro. É uma ofensiva em todas as frentes contra o patrimônio público brasileiro, contra os serviços públicos essenciais, de saúde, de educação, de Previdência. E eles querem fazer isso muito rápido.

    Na geopolítica, nós estamos vendo governos de extrema direita se consolidando. O Brasil é um grande ator na América, e isso pesa na balança, mas também há resistência. Teremos várias eleições em 2019, tivemos a posse do Maduro, na Venezuela. O que podemos esperar desse cenário?

    Analisando friamente a situação mundial, a gente encontra muito pouco motivo de alegria. Temos um mundo que está indo no sentido que não é o do aprofundamento da democracia, da justiça social, do avanço dos direitos humanos, mas o contrário. Esse avanço da direita se nutre do próprio fracasso do capitalismo em atender às expectativas das massas, das populações, dos povos no mundo inteiro.

    As pessoas estão muito frustradas, revoltadas, e essa raiva, politicamente, tende a ser canalizada pra algum lugar. A direita tem sabido canalizar melhor do que a esquerda essa raiva. A direita chega e aponta o inimigo. Na Europa, o inimigo é o imigrante, o estrangeiro, que é bode expiatório. Eles estão conseguindo vender [a ideia], na Europa inteira, de que eles estariam muito bem se não fossem os africanos, os latino-americanos, os asiáticos, e assim por diante.  

    Na América Latina, eles estão encontrando como inimigo a esquerda, vendendo uma ideia de forma deturpada e, com isso, favorecendo projetos demagogos, como esse que foi vitorioso nas urnas do Brasil. Em outros lugares do mundo, essa raiva vai para o fundamentalismo religioso, como no Oriente Médio. E, na própria América Latina, se a gente vai analisar o que é o crescimento dos evangélicos, [isso] tem muito a ver com a negação do mundo. 

    É uma capitalização também desse descontentamento. Você não vê perspectivas no mundo como ele é, e aí abraça a perspectiva de uma vida futura depois da morte, que é oferecida pela religião. Na América Latina, nós tivemos um período de avanço muito importante das lutas sociais, o estabelecimento de governo progressistas, em grande parte da América do Sul e, de parte da América Central, no Caribe também. Esses governos foram vitoriosos em vários aspectos. Implementaram políticas públicas que favorecem avanços na educação, na saúde, aumento do nível de salário, da capacidade de consumo, melhoria da alimentação, diminuição da pobreza. Enfim, uma série de avanços, mas eles não foram acompanhados por uma mudança – que seria necessária – no plano dos valores, das ideias.

    As ideias continuaram sendo as ideias burguesas, do capitalismo, e é muito difícil essa mudança ideológica. Não é algo que se faz simplesmente num estalar de dedos, com uma decisão estratégica. São fatores muito complexos que estão envolvidos.

    Então, a falta dessa mudança naquilo que [Antonio] Gramsci chama de “senso comum”, das mentalidades no plano da ideologia, favoreceu o contra-ataque das forças conservadoras, explorando as fraquezas desses governos. Agora, vem a contraofensiva – que é muito forte – da direita, e [ela] está obtendo resultado. [Eles] viraram o governo na Argentina, no Brasil, e estão tentando, de todas as formas, virar o governo na Venezuela. Este ano, teremos novas batalhas. Vão tentar virar o governo na Bolívia, e lá não vai ser simples.

    A Bolívia é o país da América do Sul com os maiores índices de crescimento nos últimos 15 anos. No governo do Evo Morales, o país conseguiu avanços sociais muito importantes. O salário mínimo, por exemplo, quadruplicou em dez anos de governo do Morales. O governo da Bolívia tem elementos muito favoráveis a oferecer pra enfrentar, nas urnas, democraticamente, a tentativa da direita – e, por trás da burguesia local, o imperialismo – e tentar reverter a situação lá. Isso vai ser no final do ano, em outubro.

    Ainda teremos eleições no Uruguai, também neste ano, e um referendo constitucional em Cuba. Serão formas de resistência progressista ao avanço da direita na América Latina?

    O governo cubano está dando passos importantes para reforçar sua legitimidade, aumentar a democracia, a possibilidade de participação popular, em um contexto muito difícil. Essa ofensiva da direita na América Latina reflete em Cuba.

    Havia expectativa de normalização da inserção internacional de Cuba, a partir do acordo do país com os EUA, no governo Barack Obama – algo que foi revertido com Trump, que aposta em uma política mais dura e agressiva. Cuba está se defendendo e reforçando a legitimidade da sua revolução, preservando seus avanços e espaços socialistas que foram criados.

    Cuba está resistindo há 60 anos e vai continuar resistindo.

    O assunto Venezuela é sempre complicado para o público, porque há um bombardeio diário da mídia tradicional sobre esse assunto. Por que a oposição questiona esse novo mandato do Nicolás Maduro?

    Primeiro, gostaria de parabenizar o trabalho do Brasil de Fato por cobrir a Venezuela estando no olho do furacão, oferecendo informação confiável e alternativa à cobertura deformada dos grandes meios de comunicação. Há uma campanha de desestabilização e intervenção externa na Venezuela, tanto da mídia internacional, quanto dos veículos brasileiros. 

    Trata-se de um governo legítimo. Maduro foi eleito em eleições competitivas, com a participação de mais de 40 partidos, com vários candidatos, inclusive com um candidato da oposição conservadora que teve uma votação expressiva. O Maduro ganhou essa eleição com 2/3 dos votos, é incontestável.

    Li na Folha de São Paulo que "Maduro foi eleito com suspeita de fraude". Onde está denúncia concreta de fraude? Que denúncia foi essa? As eleições foram verificadas por mecanismos transparentes. É um presidente legítimo. Aliás, mais legítimo que o Bolsonaro, que só venceu porque inviabilizaram a candidatura do Lula. Há uma sombra sobre a legitimidade da eleição do Bolsonaro, assim como a disseminação de mensagens falsas às vésperas da eleição, que também é uma sombra no governo brasileiro. Mas, para a mídia brasileira, o que não é legítimo é o governo da Venezuela.

    A Venezuela tem um governo democrático, com vigência da liberdade de expressão. A oposição diz o que quer sem ser reprimida. As emissoras de maior audiência na TV estão nas mãos da oposição, os partidos funcionam. No ano passado, líderes da oposição foram aos EUA para pedir a invasão da Venezuela pelos EUA. Elas fizeram isso, voltaram para a Venezuela, tranquilas. Em qualquer lugar do mundo, um político que peça uma invasão externa ao seu país é preso por traição à pátria. Como, não há liberdade?

    A Venezuela tem problemas graves, mas o ponto inicial é: quem vai resolver esses problemas são os venezuelanos, com os mecanismos democráticos garantidos pela sua Constituição. A Venezuela sofre sanções tão duras quanto as que foram aplicadas em Cuba. Essas sanções são responsáveis, em grande medida, pelas dificuldades que o país está atravessando atualmente. 

    É importante falar da disputa global também no contexto venezuelano. Rússia e China fazem uma espécie de resistência, com palavras do [Vladimir] Putin proibindo qualquer ação militar dos EUA. A Venezuela está inserida nessa disputa global?

    O governo da Venezuela está tentando enfrentar a crise, resistir a essa pressão fortíssima que vem de fora. Eles vão buscar aliados. Aquele que está enfrentando um inimigo muito mais forte e poderoso sabe que não vai se aguentar sozinho. A Venezuela encontrou aliados na China e na Rússia.

    A China tem tido um papel importante no apoio ao governo venezuelano, com linhas de financiamento para tentar recuperar setores da economia venezuelana, em especial o petróleo. São empréstimos com pagamento a longo prazo. A Rússia está equipando o exército da Venezuela, que está sendo ameaçada de invasão pelos EUA, e nós sabemos que eles intervém mesmo.

    Eles já praticaram dezenas dessas ações ao longo do século 20. Na América Central, todos os países passaram por isso. Houve financiamento de golpes no Chile, na Argentina e no Brasil, algo amplamente conhecido e comprovado por documentos. Para resistir aos EUA, a Venezuela está buscando esse apoio militar na Rússia, para que possam se defender. A Venezuela está se aproveitando da disputa geopolítica para encontrar um contrapeso nessa disputa global. 

    Ao longo das eleições no Brasil, ouvimos duas coisas bem curiosas sobre a Venezuela: que eles não vivem uma democracia, e também sobre a "URSAL", a União das Repúblicas Socialistas da América Latina. Como você enxerga o aparecimento da URSAL no meio da disputa?

    Evidentemente, não existe nada nesse sentido. Para começar, o único país socialista na América Latina é Cuba. Para nossa tristeza, o que temos visto é uma destruição da tentativa de integração regional. A gente pode aproveitar essa piada, algo delirante que foi aproveitado na campanha eleitoral, e refletir um pouco se não seria no fundo uma boa ideia.

    Os povos latino-americanos são parecidos, com línguas próximas, de fácil entendimento. São realidades sociais parecidas, todos filhos da colonização, com genocídio os povos indígenas, escravização dos povos africanos, ditaduras em períodos da nossa história, a desigualdade social absurda. Precisamos nos aproximar dos países vizinhos, criar pontes de entendimento com outros povos. Isso foi tentado e está na Constituição brasileira. Quando esses governantes atacam o Mercosul ou iniciativas de busca de aproximação com países da região, eles estão indo contra a Constituição que eles juraram.

    Precisamos refletir sobre isso. Por que não o socialismo? O capitalismo só causa dor, miséria e revolta no mundo inteiro. Precisamos de alternativas. No século 20, houve um esforço de construção de uma sociedade alternativa socialista que não deu certo. Não funcionou porque ocorreu em condições desfavoráveis, erros foram cometidos. As pressões para que essas experiências não dessem certo foi muito grande. Mas não é porque se tentou uma vez e não se conseguiu, que não se deva continuar sonhando – e mais que sonhando, almejando e buscando uma alternativa a esse sistema.

    O capitalismo, na maneira como está concebido, tende a piorar cada vez mais a situação da humanidade, dos trabalhadores e dos povos. Os avanços tecnológicos, que deveriam tornar nossa vida cada vez melhor, mais próspera, está sendo usado ao contrário, colocando robôs no processo do trabalho, deixando trabalhadores sem fonte de renda. A robotização deve desempregar centenas de milhões de pessoas no mundo inteiro. Não tem como achar soluções dentro desse modelo e lógica. O capitalismo está falido como alternativa humana.

    Fonte: Brasil de Fato

  • Já não é de hoje que políticos brasileiros se entregam cegamente ao mito da austeridade fiscal. Governos de todas as cores têm se submetido docilmente às chantagens plantadas pelos interesses rentistas e a eles prometem fazer a “lição de casa” (gastar menos do que arrecadam) independentemente das condições de temperatura e pressão da economia.

    Apesar dos alertas do FMI ou dos nobéis de economia Paul Krugman e Joseph Stiglitz sobre a ineficácia e o caráter contraproducente das políticas de austeridade, com Paulo Guedes, o estranho ultraliberal que encarna a totalização do poder econômico, a ortodoxia fiscal deverá ser levada ao paroxismo e com ela mergulharemos em uma aventura jamais experimentada nestes trópicos.

    Proclamando zerar o déficit primário já no primeiro ano de governo, Guedes e seus amigos de Chicago terão que sangrar a economia brasileira em cerca de 160 bilhões para conseguir fechar as contas não-financeiras do setor público ao final de 2019. Entre o arsenal disponível, as prioridades anunciadas são as privatizações, um farto pacote de concessões de serviços públicos e a venda de recheados campos do pré-sal. Porém, como ainda assim faltarão recursos, já se começa a ventilar uma alternativa radical, cujas consequências podem ser dramáticas.

    Conforme noticiado pela imprensa nos últimos dias, a equipe de transição cogita uma proposta de mudança constitucional que acaba com a vinculação entre determinadas receitas e despesas, liberando o orçamento para ser gasto ao sabor do governante, sem nenhum tipo de obrigatoriedade programática ou setorial. É o que, no jargão dos economistas, se chama de “orçamento base zero”: a cada ano, o governo faria a elaboração do orçamento com absoluta liberdade para alocar os recursos onde achar necessário.

    Não haveria, assim, nenhuma obrigatoriedade legal para a realização de despesas com educação e saúde, cujos mínimos constitucionais são, respectivamente, de 18% e 15%. Assim, do alto de seu trono, o czar da economia disporia apenas de seu arbítrio para decidir onde, com quem e como gastar.

    O Brasil viraria do avesso. Não apenas estaríamos na iminência de dinamitar as bases de nosso precário Estado de Bem-Estar Social, como se estaria entregando ao governo central um instrumento de poder fortíssimo, uma vez que todo e qualquer pleito da sociedade poderia se tornar objeto de barganha com o todo poderoso comandante do orçamento. Em última instância, o alcance das políticas públicas seria definido em um leilão de carne a céu aberto e as instituições republicanas estariam seriamente ameaçadas pela brutal concentração de poder no executivo.

    É mesmo muito estranho chamarem a isso de liberalismo.

    *Marcelo Manzano é economista, professor de economia da Facamp (Faculdades de Campinas) e pós-doutorando do programa de Desenvolvimento Econômico no Instituto de Economia da Unicamp.


    Os artigos publicados na seção “Opinião Classista” não refletem necessariamente a opinião da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e são de responsabilidade de cada autor.

  • Por José Reinaldo Carvalho* no Jornalistas pela Democracia

    Na semana do tsunami, anunciado pelo próprio Bolsonaro, a luta política no Brasil mudou de patamar.

    A impressão que a semana deixou foi que transcorreram décadas. Quem está habituado aos solavancos da história, isto não é propriamente uma novidade. Há décadas em que não ocorre nada e há semanas que valem por décadas.

    Milhões de pessoas nas ruas de todo o Brasil, honradas com a designação presidencial de "militantes" (embora sua intenção fosse xingar), introduziram um fator novo na conjuntura: a pressão popular na forma do protesto de multidões contra as políticas do governo Bolsonaro, o protagonismo de quem trabalha e estuda.

    A mensagem foi clara e suficientemente forte, para ser entendida na Presidência da República, a ponto de transtornar seu titular, nos centros financeiros, no Parlamento e nos comandos militares, como um brado de insatisfação do povo brasileiro com as políticas em vigor, os ataques aos direitos do povo e o achaque à soberania nacional.

    O 15 de Maio foi o dia do basta. A experiência mostra que quando o povo começa a dizer NÃO inicia-se um novo ciclo político, uma nova etapa da luta, a preparação de um novo ascenso, no quadro de um processo prolongado de acumulação de forças. Uma retomada assim vale mais do que mil discursos e especulações.

    O Brasil vive uma crise profunda, cujo componente principal é a vigência de um governo de extrema-direita que vai mostrando sua fragilidade política e incapacidade. Um governo isolado, apartado do povo e perdido em escaramuças com o Legislativo.

    A crise acendeu o sinal amarelo nos poderes de fato. O impeachment passou a ser considerado algo natural, o próprio Bolsonaro o mencionou em entrevista em Dallas, os principais meios de comunicação publicaram editoriais ácidos, e estabeleceu-se uma nova unanimidade nacional, a de que este governo esgotou-se e não tem condições de continuar.

    Enquanto se aprofunda a crise do governo, a economia derrete, caminha ladeira abaixo para a depressão, e a crise social torna-se dramática. Quase 14 milhões de desempregados. Um cenário sombrio de uma nação que caiu no abismo.

    A resposta do presidente para demonstrar força, resiliência e capacidade de reação é um novo tsunami, com a reiteração de suas piores características de tirano.

    Bolsonaro ameaça o país com a instauração de uma ditadura, desdenha o congresso, ataca as instituições. Encastelado no seu clã, intolerante, incapaz de conviver com a oposição, chama de idiotas os manifestantes e convoca suas hordas às ruas, sabe-se lá com quantos milicianos na retaguarda. Sinaliza que somente através da tirania poderá garantir a governabilidade. Seus seguidores mais extremados prometem cerco ao Congresso, ao Judiciário e o desencadeamento de uma "revolução cidadã".

    O movimento popular não tem por que se intimidar e fugir da luta. As manifestações oposicionistas e os protestos não devem parar.

    A cara da ditadura se enfrenta com luta. O cenário político do país é de uma inevitável polarização que requer do polo progressista capacidade para unir amplas forças em torno da defesa da democracia, dos direitos sociais (Previdência) e da soberania nacional. Este último aspecto não pode ser contornado, porquanto o ministro Guedes, em estado de tchutchuca com furor entreguista, prometeu nos EUA vender tudo, até mesmo o Banco do Brasil e os palácios republicanos, desdenhando o fato de que não são propriedade do clã do seu chefe.

    Mas se há uma cara ditatorial e outra da luta, há também a do embuste.

    Ao vazio político deixado pelo descrédito e fracasso de Bolsonaro, a dupla Rodrigo Maia-Marcelo Ramos propõe resgatar o "protagonismo da Câmara", na verdade o protagonismo de um polo político que se vai consolidando - a oposição conciliadora e conservadora. Os dois decidiram juntar-se para elaborar um projeto "alternativo", "da Câmara", em que se troca seis por meia dúzia para cambiar a paternidade e o patrocínio da proposta de espoliação do povo que é a reforma da Previdência.

    Acima de tudo, diz o presidente da Comissão Especial da Reforma da Previdência, "é preciso proteger a pauta econômica da carga tóxica do governo".

    Mais: "Não é um novo projeto. O cronograma para a reforma está mantido. A questão é que como as alterações que a comissão fará são muito profundas, o que surgirá será um substitutivo que tem a cara da Câmara".

    A proposta "alternativa" com a "cara da Câmara" tem, e não é mera coincidência, o mesmo escopo da de Paulo Tchuchuca: confiscar R$ 1 trilhão de quem vive de pensões e aposentadorias para garantir que o governo Bolsonaro e os que lhe sucederão continuem pagando religiosamente a conta de juros para que o capital monopolista financeiro nacional e estrangeiro siga vivendo à tripa-forra, às expensas da miséria do povo brasileiro.

    Fica patente o embuste da alternativa política baseada na trama institucional encabeçada pela direita e centro-direita.

    Mais abstrusa ainda é a proposta de encontrar uma saída para a crise entregando o poder ao general da reserva Hamilton Mourão, vice-presidente. Mourão é a voz das catacumbas do regime ditatorial, modulada por um tom realista e pragmático, mas de sentido antidemocrático.

    A cara do embuste diz muito sobre o que seria o destino do Brasil sob a batuta dos defensores de tal política.

    São ilusórios os atalhos, seja dos que seguem o político Rodrigo Maia, seja os que batem continência ao militar de turno na vice-presidência.

    Em caso de crise institucional e governamental incontornável, não há saída possível fora da soberania popular.

    Atalhos não levarão à superação do regime do golpe, que começou em 2016 e teve continuidade com a eleição de Bolsonaro em 2018, nem a saída política para a crise do país virá dos protagonistas desse golpe.

    As forças progressistas estão desafiadas pela crise política aguda. Firmar um entendimento comum, formular uma plataforma de convergência e agir para pôr o movimento social nas ruas, serão já passos na direção do avanço da luta popular.

    Resistir e lutar contra a agenda de Bolsonaro, rechaçar sua ofensiva golpista, acumular forças com vistas à superação do ciclo de direita. O ajuste interno no campo conservador, incluindo a direção reacionária do congresso e as Forças Armadas não são alternativas válidas para o campo progressista.

    * Jornalista, pós-graduado em Política e Relações Internacionais, diretor do Cebrapaz – Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz. Integra o projeto Jornalistas pela Democracia

  • A boa imagem e comovente narrativa que a mídia hegemônica construiu em torno do juiz curitibano Sérgio Moro (um magistrado austero, impoluto, implacável no combate à corrupção, infenso a pressões políticas e a paixões partidárias) nunca foram mais que mitologia. O Mito levou isto em conta ao escalá-lo para sua malfadada equipe, recompensando-o pelos serviços prestados antes e durante a campanha presidendial.

    Mas como toda mitologia, esta que produziram cuidadosamente sobre o chefe da República de Curitiba também está cedendo aos fatos, que aos poucos vão removendo a maquiagem nele aplicada pela mídia. A descortesia que o agora ministro da Justiça cometeu contra a cientista política Ilona Szabó, por ele convidada e depois desconvidada para o Conselho Nacional de Política e Penintenciária por ordem do Clã Bolsonaro, é emblemática sobre sua personalidade, subserviente e oportunista.

    Szabó não é uma esquerdista, mas tem opiniões independentes, muitas delas conflitantes com as do governo Bolsonaro, como em relação à liberação do porte de armas, e durante a campanha eleitoral cometeu o sacrilégio de assinar um manifesto em defesa da democracia hostil à candidatura do líder da extrema direita. Foi a princípio convidada por Moro para o conselho, a julgar pelo que o próprio informou, pelo conhecimento e reconhecimento que angariou na área de segurança.

    Reino da intolerência

    O desconvite ordenado pelo chefe, e obedecido prontamente, é mais uma prova de que no governo da extrema direita não há lugar para diferenças e nem para quem defende princípios democráticos ou venha a ter alguma veia progressista. É o reino da intolerância, do fanatismo e da ignorância.

    Moro foi fundamental para a eleição do capitão neofascista. Primeiro, ao determinar a prisão de Lula, interditando sua candidatura presidencial, que conforme todas as pesquisas seria vitoriosa. Depois, ao vazar ilegalmente delações do traíra Antonio Pallioci contra Lula e o PT na véspera do primeiro turno das eleições presidenciais, o que alavancou a candidatura da extrema-direita.

    A máscara do algoz de Lula, um homem da extrema-direita, começou a se decompor depois que ele aceitou o convite para ser uma espécie de superministro de Bolsonaro. Sua moral baixou um pouco mais com a reação cínica e evasiva diante do escândalo de corrupção promovido pelo filho Flavio Bolsonaro, eleito senador. Moro disse que não tinha nada a ver com o caso, que no entando é da alçada da pasta que dirige. Foi rebatizado pelo cineasta José Padilha como Sergio Bolsomaro.

    “Queira ou não queira, ao aceitar o convite de Jair Bolsonaro para trabalhar no Ministério da Justiça, Sergio Moro avalizou implicitamente o governo Bolsonaro. Deu a este governo um carimbo de ética e de luta contra a corrupção. E, ao fazê-lo, colocou a sua biografia em jogo”, disparou o cineasta num artigo temperado pela desilusão publicado recentemente na “Folha de São Paulo”.

    Cargo e carreira

    O vergonhoso comportamento no episódio da cientista política Ilona Szabó indica que ele merece o novo nome atribuído por Padilha e, ainda, que mesmo a blindagem da mídia pode vir abaixo quando não for mais possível continuar tapando o sol com a peneira. Sinal disto foi o apelo de Ricardo Noblat em seu Blogo da revista “Veja”:

    “Moro, pede pra sair!

    “No dia em que anunciou que seus filhos não mandam no governo, sem dizer quem de fato manda, o presidente Jair Bolsonaro rendeu-se à pressão dos seus seguidores nas redes sociais e ordenou ao ministro Sérgio Moro, da Justiça e Segurança Pública, que retirasse o convite que fizera à cientista política Ilona Szabó para o Conselho Nacional de Política e Penitenciária. Moro obedeceu sem piar.” Ou seja, o cargo e a carreira acima de tudo, conforme sugere a maldosa nota postada pelo jornalista da “Veja” no facebook.

    Agente dos EUA

    Para quem enxerga a realidade com olho crítico, o senhor Bolsomoro nunca foi flor que se cheire. Basta refletir um pouco sobre os favores que prestou ao imperialismo norte-americano com a operação Lava Jato (que além de bombardear políticos e governos progressistas destruiu as multinacionais brasileiras da indústria de construção para deleite das concorrentes nos EUA) para concluir que, como dizia Cayme sobre quem não gosta de samba, "bom sujeito não é".

    O estranho relacionamento do juiz curitibano com o Departamento de Estado dos EUA é fonte de legítimas desconfianças e fez com que fosse acusado de agente do imperialismo por personalidades como o jurista Fábio Konder Comparato, o historiador Muniz de Souza (falecido em 2007) e a filósofa Maurilene Chauí. As relações perigosas de Bolsomoro com o imperialismo permanecem na obscuridade principalmente por conta da cumplicidade da mídia burguesa, coautora do golpe de 2016. Porém mais cedo ou mais tarde a verdade há de vir à tona, se é que já não está a caminho.

    Umberto Martins

  • A prisão de Assange é uma advertência da História

    Por John Pilger*

    A prisão de Julian Assange pela polícia britânica e no interior da embaixada do Equador tem muitos aspectos verdadeiramente repugnantes, desde a traição de Lenin Moreno [atual presidente do Equador] às mentiras com que essa violação do direito de asilo tentou justificar-se. O crime de Assange é divulgar fatos verdadeiros sobre como se comporta a criminosa elite que hoje comanda a maior parte do mundo. E, com Assange, são criminalizadas a difusão da verdade e a dignidade do jornalismo.

    Entrever Julian Assange sendo arrastado da embaixada equatoriana em Londres é emblemático do tempo que vivemos. O poder contra o direito. O músculo contra a lei. A indecência contra a coragem. Seis policias maltratam um jornalista doente, cujos olhos piscam face à primeira luz natural em quase sete anos.

    Que esse ultraje tenha acontecido no coração de Londres, na terra da Magna Carta, deveria envergonhar e irritar todos os que dizem temer pelas sociedades “democráticas”. Assange é um refugiado político protegido pelo direito internacional, objeto de asilo ao abrigo de um acordo estrito do qual a Grã-Bretanha é signatária. As Nações Unidas clarificaram-no na decisão jurídica do seu Grupo de Trabalho sobre Detenção Arbitrária.

    Mas para o diabo com isso. Deixem entrar os rufias. Dirigida pelos quase fascistas da Washington de Trump, em aliança com o equatoriano Lenin Moreno, um mentiroso Judas latino-americano procurando disfarçar o seu rançoso regime, a elite britânica abandonou o seu derradeiro mito imperial: o da honestidade e da justiça.

    Imaginem Tony Blair a ser arrastado da sua casa georgiana de muitos milhões de libras em Connaught Square, Londres, algemado, para ser enviado para a enxovia em Haia. Pelos padrões de Nuremberg, o “crime supremo” de Blair é a morte de um milhão de iraquianos. O crime de Assange é o jornalismo: responsabilizar os rapinantes, expor as suas mentiras e capacitar com a verdade as pessoas em todo o mundo.

    A chocante prisão de Assange comporta um aviso para todos os que, como Oscar Wilde escreveu, “costuram as sementes do descontentamento [sem as quais] não haveria avanço para a civilização”. O aviso é explícito para os jornalistas. O que aconteceu com o fundador e editor do WikiLeaks pode acontecer consigo num jornal, num estúdio de TV, na rádio, consigo executando um podcast.

    O principal atormentador midiático de Assange, o Guardian, um colaborador do Estado secreto, manifestou o seu nervosismo esta semana com um editorial que atingiu novas alturas no servilismo das ratazanas. O The Guardian explorou o trabalho de Assange e do WikiLeaks naquilo que o seu editor anterior chamou de “o maior furo dos últimos 30 anos”. O jornal apropriou-se das revelações do WikiLeaks e reivindicou os elogios e as riquezas que vieram com isso.

    Com nem um centavo indo para Julian Assange ou para o WikiLeaks, um elogiado livro do Guardian levou a um lucrativo filme de Hollywood. Os autores do livro, Luke Harding e David Leigh, voltaram-se contra a sua fonte, abusaram dela e revelaram a senha secreta que Assange havia dado ao jornal em sigilo, que fora concebida para proteger um arquivo digital contendo telegramas vazados de embaixadas norte-americanas.

    Com Assange retido na embaixada equatoriana, Harding juntou-se à polícia no exterior e regozijou-se no seu blog que “a Scotland Yard pode ser a última a rir”. O The Guardian publicou desde então uma série de falsidades sobre Assange, não menor do que uma alegação sem qualquer crédito de que um grupo de russos e o homem de Trump, Paul Manafort, tinham visitado Assange na embaixada. Essas reuniões nunca aconteceram; era Fake News.

    Mas o tom agora mudou. “O caso Assange é uma teia moralmente emaranhada”, opinou o jornal. “Ele (Assange) acredita em publicar coisas que não deveriam ser publicadas…Mas trouxe sempre à luz coisas que nunca deveriam ter sido escondidas”.

    Essas “coisas” são a verdade sobre o modo homicida como os EUA conduzem as suas guerras coloniais, as mentiras do Ministério das Relações Exteriores britânico na sua negação de direitos a gente vulnerável, como os ilhéus de Chagos, a denúncia de Hillary Clinton como apoiante e beneficiária do jihadismo no Médio Oriente, a descrição detalhada de embaixadores norte-americanos sobre como os governos da Síria e da Venezuela poderiam ser derrubados, e muito mais. Está tudo disponível no site do WikiLeaks.

    O Guardian está compreensivelmente nervoso. Policias secretos já visitaram o jornal e exigiram e conseguiram a destruição ritual de um disco rígido. Nisto o jornal tem experiência. Em 1983 uma funcionária do Ministério do Exterior, Sarah Tisdall, vazou documentos do governo britânico que mostravam quando chegariam à Europa as armas nucleares de cruzeiro norte-americanas. O Guardian foi regado com elogios.

    Quando uma ordem judicial exigiu conhecer a fonte, em vez de o editor ir para a prisão em defesa do princípio fundamental de proteção de uma fonte, Tisdall foi traída, processada e cumpriu seis meses de prisão.

    Se Assange for extraditado para os EUA por publicar o que o Guardian chama de “coisas” verdadeiras, o que impedirá o atual editor, Katherine Viner, de fazer o mesmo, ou o editor anterior, Alan Rusbridger, ou o prolífico propagandista Luke Harding?

    O que impedirá os editores do New York Times e do Washington Post, que também publicaram trechos da verdade com origem no WikiLeaks, e o editor do El Pais na Espanha, e o Der Spiegel na Alemanha e o Sydney Morning Herald na Austrália. A lista é longa.

    David McCraw, advogado principal do New York Times, escreveu: “Penso que a acusação [de Assange] seria um precedente muito mau para os editores… de tudo o que eu sei, ele parece estar na posição clássica de um editor e a lei teria muita dificuldade em distinguir entre o New York Times e o WikiLeaks. ”

    Mesmo que os jornalistas que publicaram os vazamentos do WikiLeaks não sejam intimados por um júri norte-americano, a intimidação de Julian Assange e Chelsea Manning já será suficiente. O jornalismo real está a ser abertamente criminalizado por rufias. A dissidência tornou-se um devaneio.

    Na Austrália, o atual-embrutecido governo está a processar dois informadores que revelaram que os espiões de Canberra montaram escutas nas reuniões do gabinete do novo governo de Timor-Leste, com o propósito expresso de vigarizar a pequena e empobrecida nação quanto à parte do petróleo e recursos de gás no Mar de Timor que lhe é devida. O julgamento será realizado em segredo. O primeiro-ministro australiano, Scott Morrison, tem o infame reconhecimento da sua participação na criação de campos de concentração para refugiados nas ilhas do Pacífico de Nauru e Manus, onde crianças se auto-mutilam e se suicidam. Em 2014, Morrison propôs campos de detenção em massa para 30.000 pessoas.

    O jornalismo real é o inimigo dessas desgraças. Há uma década, o Ministério da Defesa em Londres produziu um documento secreto que descrevia as três principais ameaças à ordem pública: terroristas, espiões russos e jornalistas investigadores. Esta última era designada como a maior ameaça.

    O documento foi vazado para o WikiLeaks, que o publicou. “Não tivemos escolha”, disse-me Assange. “É muito simples. As pessoas têm o direito de saber e o direito de questionar e desafiar o poder. É isso a verdadeira democracia”.

    E se Assange, Manning e outros da sua linha - se houver outros - forem silenciados e “o direito de saber, questionar e desafiar” for retirado?

    Na década de 1970, conheci Leni Riefenstahl, amiga íntima de Adolf Hitler, cujos filmes ajudaram a lançar a maldição nazi sobre a Alemanha.

    Ela disse-me que a mensagem nos seus filmes, a propaganda, dependia não de “ordens vindas de cima”, mas daquilo que chamava o “vazio submisso” do público.

    “Esse vazio submisso incluiu a burguesia liberal e educada?” Perguntei-lhe.

    “É claro”, ela disse, “especialmente a elite…. Quando as pessoas deixam de colocar perguntas sérias, são submissas e maleáveis. Tudo pode acontecer.”

    E aconteceu.

    O resto, poderia ela ter acrescentado, é história.

    *Jornalista australiano, autor de vários documentários, filmes, livros e reportagens, artigo extraído do Diário.info

  • Faz um ano neste domingo que o ex-presidete Lula está encarcerado em Curitiba. É um preso político, na opinião de inúmeros juristas brasileiros, bem como políticos, sindicalistas e personalidades de todo o mundo. Ele foi condenado sem provas e com base em uma delação premiada arrancada a fórceps pelo juiz Sergio Moro, hoje ministro de Jair Bolsonaro. Convém lembrar que o empresário delator, Leo Pinheiro, tinha feito um depoimento oposto antes, inocentando Lula. Mudou de opinião por pressão de Moro e como condição para recuperar a liberdade.

    Na verdade a condenação e prisão do maior líder popular da história do Brasil, respaldada por forças e interesses poderosos, foi mais um capítulo do golpe de Estado de 2016, patrocinado pelas classes dominantes e na qual a Operação Lava Jato, com o providencial apoio da mídia hegemônica, dempenhou papel central. Moro foi recompensado com o Ministério da Justiça.

    A injustiça cometida contra o ex-presidente contraria o principio constitucional de presunção da inocência, que só permite a subtração da liberdade do cidadão depois do chamado trânsito em julgado, ou seja, depois de esgotados todos os recursos, o que não é o caso. A prisão em segunda instância é uma afronta à Constituição, tema de recorrentes polêmicas e assunto pendente no Supremo, cuja maioria é hoje formada por defensores da presunção de inocência.

    O tema estava na pauta da Corte para nova análise por essas dias. A julgar pela expectativa dominante, deveria prevalecer a proibição da prisão sem o trânsito em julgado, decisão que implica na libertação de Lula. Na quinta-feira, o presidente do STF, ministro Dias Toffoli, que havia incluído a questão na pauta e anunciou que mudou de ideia e resolveu adiar o processo sobre prisão após julgamento em segundo instância. Seu gesto - oposto ao pensamento do relator da matéria, ministro Marco Aurélio - foi atribuído pelo jornalista Ricardo Noblat à pressão dos militares, que voltaram a dar as cartas em Brasília pelas mãos de Bolsonaro, 34 anos depois do fim do malfadado regime instalado em 1º de abril de 1964.

    Agenda golpista

    A interdição da candidatura do maior líder popular da história do Brasil foi essencial para a eleição de Jair Bolsonaro, que se tornou o queridinho do mercado (sobretudo dos capitalistas estrangeiros) ao lado do seu “posto Ipiranga”, o Paulinho Tchutchuca. Com Lula na parada o capitão da extrema direita não seria eleito, conforme indicavam todas as pesquisas de opinião à época.

    A vitória do candidato do PSL foi o coroamento do golpe de 2016 e a garantia da continuidade e aprofundamento da agenda regressiva inaugurada pelo usurpador Temer, fundada numa ofensiva sem paralelo do capital contra o trabalho, no desrespeito ao Estado Democrático de Direito e na abjeta submissão aos EUA.

    Este conteúdo reacionário da orientação política imposta desde 2016, traduzido na reforma trabalhista, no novo regime fiscal, na maior abertura do pré-sal, é agora acentuado por Jair Bolsonaro. Ele consumou a virada entreguista na política externa transformando o Brasil em colônia de um império decadente, quer acabar com os sindicatos e impor uma reforma previdenciária desumana e perversa com os mais pobres.

    A luta pela libertação de Lula e por um julgamento justo vai ganhar corpo com o crescimento da resistência dos movimentos sociais, das forças democráticas, patrióticas e progressistas do nosso país ao retrocesso político e à degradação do Estado nacional. A bandeira do Lula Livre será agitada nas ruas e vai ajudar a colorir as manifestações do nosso povo em defesa da democracia, da soberania e dos direitos sociais.

    Umberto Martins

  • A rainha da Inglaterra parece poderosa, mas não é. Ocupa um cargo mais decorativo do que real. Assim se sentiu o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, em Washington, conforme revela matéria da jornalista Patrícia Campos Mello, do jornal “Folha de São Paulo”, parcialmente reproduzida abaixo:

    “O chanceler Ernesto Araújo teve um chilique na frente de outros ministros por causa da participação do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) no encontro privado entre os presidentes Jair Bolsonaro (Brasil) e Donald Trump (EUA) nesta terça-feira (19).

    “Araújo não participou da reunião privada entre os dois líderes realizada no Salão Oval da Casa Branca, em Washington.

    “Segundo pessoas que estavam presentes no momento descreveram à Folha, Araújo ficou especialmente irritado após ler o blog da jornalista Míriam Leitão, do jornal O Globo.

    “No texto, ela afirma que o Itamaraty saiu rebaixado com ida de Eduardo para o encontro com Trump e diz que, se Araújo tivesse “alguma fibra”, ele pediria para deixar o cargo.

    “A percepção dos presentes foi de que o ministro às vezes tem comportamento instável. O ministro da Economia, Paulo Guedes, tentou acalmá-lo.”

    Ficou claro que o ministro virou uma espécie de rainha da Inglaterra do Itamaraty. O chanceler de fato é Eduardo Bolsonaro, que andou falando asneiras sobre imigrantes brasileiros e levou um puxão de orelha até do pastor Malafaia, eleitor de Bolsonaro.

    Quando à fibra e caráter do ministro Ernesto Araújo, o leitor Wagner Castro fez um comentário esclarecedor:

    “Ernesto Araújo não é um Chanceler. É um blogueiro e bajulador de extrema direita alçado ao topo da carreira pela simples identidade ideológica com o atual e famigerado governo e seu guru Olavo de Carvalho. E se Ernesto Araújo tivesse alguma ´fibra´, vulgo ´vergonha na cara´, ele jamais teria aceito um cargo para o qual não tem qualificação, inclusive a ausência dessa mesma ´fibra´.

    Que vergonha, meu Brasil!

  • Numa longa e dura audição no Congresso dos EUA, Michael Cohen comparou Donald Trump a um chefe da máfia, e acusou-o de o ter obrigado a mentir sobre os pagamentos para abafar relações extraconjugais.

    Em muitos aspectos, a aguardada audição do antigo advogado pessoal de Donald Trump no Congresso norte-americano esta quarta-feira (27), tem sido tudo aquilo que prometia ser: horas e horas de um espetáculo televisivo impensável há poucos anos, com Michael Cohen a descrever um Presidente dos EUA em exercício como uma espécie de chefe da máfia, habituado a mandar ameaçar os inimigos e a mentir de forma descarada para atingir os seus objetivos

    Mas a forma como os congressistas do Partido Republicano trataram esta testemunha da Comissão de Supervisão da Câmara dos Representantes, pondo em causa a sua credibilidade de uma forma por vezes brutal, indica que os dois lados da barricada – o Partido Democrata e o Partido Republicano – podem estar já a montar o cenário para uma peça ainda mais dramática: a abertura de um processo de impeachment do Presidente Trump na Câmara dos Representantes.

    "Vergonha" de defender Trump

    Quando Michael Cohen chegou ao Congresso para ler o seu depoimento inicial, por volta das 9h30 locais, as palavras que ia disparar contra Trump já eram conhecidas, uma vez que foram previamente divulgadas pela imprensa norte-americana.

    "Tenho vergonha de ter participado na ocultação dos atos ilícitos do sr. Trump, em vez de prestar atenção à minha própria consciência. Tenho vergonha, porque sei o que o sr. Trump é. É um racista. É um vigarista. É batoteiro."

    Para além das questões de carácter, que foram muito discutidas em milhares de notícias sobre Donald Trump nos últimos anos (desde que anunciou a sua candidatura à presidência dos EUA, em Junho de 2015), o depoimento de Michael Cohen voltou a implicar o presidente norte-americano em crimes durante a campanha e já na Casa Branca.

    Michael Cohen voltou a dizer, no Congresso, que Donald Trump o reembolsou dos pagamentos a uma antiga atriz de filmes pornográficos. Meses antes das eleições de novembro de 2016, a atriz, conhecida como Stormy Daniels, pediu 130 mil dólares para não contar que teve relações sexuais com Trump – um escândalo que poderia prejudicá-lo nas eleições. Cohen diz que fez esse pagamento por ordem de Trump, e que este lhe passou cheques quando já era presidente dos EUA.

    Não é claro se esta informação vai acrescentar algo às investigações que ainda estão a decorrer – a do procurador Robert Mueller, supervisionada pelo Departamento de Justiça, mas também as do Congresso.

    Cohen levou com ele a cópia de um cheque assinado por Trump, com dinheiro retirado da sua conta pessoal, mas isso pode ser pouco relevante. No ano passado, depois de meses a negar ter feito quaisquer pagamentos para abafar antigos casos amorosos, o Presidente norte-americano admitiu que passou cheques em seu nome pessoal, querendo dizer que o caso não pode ser visto como um problema de campanha eleitoral, mas sim da sua vida privada.

    Crimes sem acusação

    Mas a questão é que a decisão final sobre se Trump pode vir a responder em tribunal por quaisquer crimes, enquanto está a cumprir mandato na Casa Branca, cabe ao chefe do Departamento de Justiça. E o recém-empossado general William Bar, é conhecido por defender a tradição do departamento de considerar que um presidente em exercício não pode responder em tribunal.

    Como colaborador muito próximo de Trump durante mais de uma década, entre 2006 e 2018, Michael Cohen foi arrastado para o centro da investigação sobre as suspeitas de conluio entre a campanha de Trump e a Rússia nas eleições de 2016, liderada pelo procurador especial Robert Mueller.

    Em abril de 2018, o FBI fez buscas nos seus escritórios e em sua casa, e o então advogado do presidente transformou-se rapidamente num alvo importante do procurador Mueller – em dezembro de 2018, foi condenado a três anos de prisão, depois de se ter declarado culpado de vários crimes de fraude fiscal e bancária.

    Por isso, é difícil que Michael Cohen tenha dito alguma coisa na sua audição no Congresso que a equipe do procurador especial não conheça. O que empurra tudo o que se passou esta quarta-feira para uma realidade paralela, que parece estar a ganhar forma num Congresso dividido: estará o Partido Democrata a preparar terreno para a abertura de um processo de impeachment?

    Pressão sobre o Partido Democrata

    Em causa está a forma como os congressistas do Partido Republicano trataram Michael Cohen, bombardeando o antigo advogado – e os milhões de norte-americanos que acompanharam a audição ao vivo – com duras acusações contra o seu carácter.

    Afinal, Michael Cohen admitiu, em dezembro, que mentiu ao Congresso em 2017 sobre os negócios de Trump na Rússia – por isso, argumentaram os congressistas republicanos, como se atreve o Partido Democrata a pôr no lugar de testemunha principal, na Comissão de Supervisão da Câmara dos Representantes, um "mentiroso compulsivo condenado"?

    A atitude agressiva dos congressistas republicanos revela também que o partido permanece ao lado do Presidente Trump – e se esteve ao lado dele até agora não é provável que o abandonem por causa do depoimento de um antigo advogado que trataram como se fosse um ser abjeto.

    É uma forma de desacreditar Michael Cohen como principal testemunha num possível processo de impeachment contra Trump, desejado por alguns dos congressistas do Partido Democrata da ala mais progressista, eleitos em novembro do ano passado.

    Mas se a maioria da Câmara dos Representantes abrir um processo de impeachment, isso está longe de significar que o presidente será destituído. Para que isso aconteça, é preciso que o Senado julgue as acusações desse impeachment e que condene o presidente com uma maioria de dois terços – um cenário pouco provável num Senado de maioria republicana e em que os congressistas conservadores se mantêm ao lado de Trump.

    Seja como for, o episódio joga luz sobre a personalidade do presidente dos EUA, que se arvora ditador do mundo e cujo governo está empenhado neste momento em desestabilizar e destruir a Venezuela para se apoderar das maiores reservas de petróleo do mundo sob a falsa bandeira da defesa da democracia e dos direitos humanos.

    Fonte: artigo de Alexandre Martins no site português Público

  • O acordo de leniência que a Odebrecht assinou com o Ministério Público Federal em dezembro de 2016 se parece bastante com o acordo da Petrobras.

    Ambos preveem a criação de uma conta judicial, sob responsabilidade da 13ª Vara Federal de Curitiba, para que o dinheiro fique à disposição do MPF, para que lhe dê a destinação que quiser.

    No caso da Odebrecht, a construtora se comprometeu a pagar R$ 8,5 bilhões como multa por seus malfeitos, que serão divididos pelo MPF entre ele mesmo, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DoJ) e a Procuradoria-Geral da Suíça. A parte que ficar no Brasil ficará sob responsabilidade dos procuradores da “lava jato” em Curitiba.

    Segundo o acordo, esse dinheiro será destinado à reparação dos “danos materiais e imateriais” causados pela corrupção da Odebrecht. De acordo com explicação do MPF no Paraná à ConJur, 80% do dinheiro ficarão com o Brasil, 10% com os EUA e 10%, com a Suíça. Portanto, o MPF ficou responsável por gerenciar R$ 6,8 bilhões.

    Do que ficar no Brasil, 97,5% serão destinados aos “entes públicos, órgãos públicos, empresas públicas, fundações públicas e sociedades de economia mista” que foram lesados pelos atos da construtora. Ou seja, R$ 6,63 bilhões terão seu destino definido pelo MPF. Os outros 2,5% serão destinados à União, como parte da confissão pelo cometimento de improbidade administrativa.

    A repartição do dinheiro está no parágrafo 3o da cláusula 7ª do acordo, segundo o qual o “valor global será destinado ao Ministério Público Federal”. Em resposta aos questionamentos da ConJur, no entanto, o MPF garante que “o acordo não destina os recursos ao Ministério Público nem os coloca sob administração do Ministério Público”. Segundo a explicação oficial, o dinheiro será pago às “vítimas”, sempre que o MP responsável pela ação de improbidade aderir ao acordo do MPF.

    Embora o acordo seja público e uma de suas cláusulas diga que o dinheiro ficará à disposição do MPF, sua destinação está descrita num trecho sigiloso do documento, o “Apêndice 5”. Esse documento não foi divulgado pelo Ministério Público e vem sendo tratado com bastante cuidado pela 13ª Vara Federal de Curitiba, que teve o hoje ministro da Justiça Sergio Moro como titular durante toda a “lava jato”. Em pelo menos três oportunidades, Moro negou pedidos de acesso a esse apêndice sob o argumento de que ele poderia atrapalhar investigações em andamento.

    O acordo com a Odebrecht é de dezembro de 2016. Mais antigo, portanto, que o da Petrobras, assinado em setembro de 2018 e divulgado em janeiro deste ano. Mas muitos dos elementos que levantaram suspeitas sobre as intenções dos procuradores da “lava jato” com sua cruzada anticorrupção já estavam ali — e vinham passando despercebidos.

    No caso da Petrobras, anexos do acordo foram divulgados recentemente e revelaram essas intenções: a criação de uma fundação em que o dinheiro, R$ 2,5 bilhões, seria direcionado para ações de combate à corrupção. Esse fundo seria gerido pelos procuradores da operação “lava jato” em Curitiba. E, claro, seria enviado para entidades amigas. Esse trecho foi suspenso pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.

    Já o acordo com a Odebrecht vem sendo mais bem protegido. Mas já dá para saber, por exemplo, que o dinheiro que ficar no Brasil não será enviado a uma conta do Tesouro, como manda a jurisprudência do Supremo. Ficará sob os cuidados dos integrantes da autoproclamada força-tarefa da “lava jato”.

    Prestação de serviços

    Em troca, eles se comprometem a “fazer gestões” junto à Controladoria-Geral da União, à Advocacia-Geral da União e ao Tribunal de Contas da União para que eles não questionem o valor da multa e nem acusem a empresa e seus diretores de improbidade administrativa.

    No jargão da burocracia, “fazer gestões” significa articular e, em alguns casos, fazer pedidos não oficiais. No caso de agentes públicos que recebem dinheiro para fazê-lo em nome de particulares, é advocacia administrativa, explica um especialista que falou à ConJur sob a condição de não ser identificado.

    O capítulo norte-americano do acordo tem menos a ver com poder e mais com negócios. Entre as diversas exigências que a Odebrecht se comprometeu a atender, está a nomeação de um “monitor externo de cumprimento do acordo”, para que faça relatórios a cada 120 dias.

    Esses relatórios devem ser mostrados ao conselho de administração da empreiteira e ao chefe da divisão de FCPA do Departamento de Justiça dos EUA. O último item do último anexo do acordo com o DoJ explica que os relatórios esperados pelo governo americano “provavelmente incluem” informações “proprietárias, financeiras, comerciais e concorrenciais sigilosas”.

    FCPA é a sigla em inglês para a lei anticorrupção internacional dos EUA. Ela existe para punir empresas de fora do país que negociem ações em suas bolsas de valores ou com suas empresas. Mas analistas têm apontado que a lei vem sendo usada como instrumento para expansão da influência econômica do governo dos EUA, por meio de empresas privadas, em outros países.

    Não é uma análise muito popular entre os procuradores do DoJ, que desacreditam a tese sempre que podem. Mas o fato é que, no início da “lava jato”, a Odebrecht tinha 240 mil funcionários. Hoje, tem 60 mil, segundo a própria empresa.

    No jargão da burocracia, “fazer gestões” significa articular e, em alguns casos, fazer pedidos não oficiais. No caso de agentes públicos que recebem dinheiro para fazê-lo em nome de particulares, é advocacia administrativa, explica um especialista que falou à ConJur sob a condição de não ser identificado.

    O capítulo norte-americano do acordo tem menos a ver com poder e mais com negócios. Entre as diversas exigências que a Odebrecht se comprometeu a atender, está a nomeação de um “monitor externo de cumprimento do acordo”, para que faça relatórios a cada 120 dias.

    Esses relatórios devem ser mostrados ao conselho de administração da empreiteira e ao chefe da divisão de FCPA do Departamento de Justiça dos EUA. O último item do último anexo do acordo com o DoJ explica que os relatórios esperados pelo governo americano “provavelmente incluem” informações “proprietárias, financeiras, comerciais e concorrenciais sigilosas”.

    FCPA é a sigla em inglês para a lei anticorrupção internacional dos EUA. Ela existe para punir empresas de fora do país que negociem ações em suas bolsas de valores ou com suas empresas. Mas analistas têm apontado que a lei vem sendo usada como instrumento para expansão da influência econômica do governo dos EUA, por meio de empresas privadas, em outros países.

    Não é uma análise muito popular entre os procuradores do DoJ, que desacreditam a tese sempre que podem. Mas o fato é que, no início da “lava jato”, a Odebrecht tinha 240 mil funcionários. Hoje, tem 60 mil, segundo a própria empresa.

    Tese defensiva

    A defesa do ex-presidente Lula, feita pelo advogado Cristiano Zanin Martins, vem tentando acessar os autos do acordo desde maio de 2017, e não consegue.

    Moro negou três pedidos de acesso num espaço de pouco mais de um ano. A primeira negativa foi em setembro de 2017, quando o então juiz disse que a entrega de cópia do documento poderia prejudicar outras investigações em andamento. No dia 24 de maio do ano seguinte, foi mais claro: “Não há necessidade de acesso aos próprios autos do processo de leniência”. No terceiro indeferimento, de agosto de 2018, ele apenas repetiu a decisão do ano anterior.

    Em fevereiro, Zanin ajuizou uma reclamação no Supremo alegando violação à Súmula Vinculante 14 do STF com as negativas. O verbete garante à defesa acesso a todos os elementos do inquérito já documentados, desde que o acesso não prejudique diligências em andamento — justamente o argumento usado por Moro.

    Segundo o advogado, o acesso aos autos pode corroborar as teses defensivas de que Lula nunca recebeu nada como pagamento por qualquer “serviço” prestado à Odebrecht. E que a acusação feita a ele não foi repetida nos EUA. Foi feita no Brasil para garantir benefícios à família Odebrecht e aos ex-executivos da empreiteira.

    Moro argumentou que o acesso aos autos do acordo é desnecessário. Mas Zanin usa o exemplo da Petrobras: o acordo havia sido assinado em setembro de 2018 e foi divulgado no dia 30 de janeiro deste ano. Mas só semanas depois é que os detalhes da criação do fundo pelo MPF foram divulgados — e a informação se mostrou essencial para o processo, a ponto de um ministro do Supremo suspender esse trecho enquanto recebe mais informações para julgar o mérito.

    Lá e cá

    A defesa de Lula fala em dois motivos principais para ter acesso aos autos do acordo. O primeiro é que, no apêndice 5, diz a reclamação, estão informações sobre a destinação do dinheiro pago pela Odebrecht a título de multa.

    E o MPF pede que Lula pague uma multa a título de indenização pelos prejuízos causados ao país com seus atos corruptos. Só que ele é acusado de receber um apartamento da construtora. Se ele e a empreiteira pagarem multas pelos mesmos fatos, haverá bis in idem, argumenta Zanin, o que prejudicaria o ex-presidente.

    Lula também pede para ver o que há dentro do sistema chamado My Web Day. Trata-se de um software de contabilidade paralela, para controle dos subornos pagos, devidos e recebidos, usado pelo “setor de operações estruturadas”, o tal do departamento de propina, como se acostumaram a dizer os jornais.

    Mas a Polícia Federal, quando teve acesso ao sistema, reclamou da falta de integridade dos arquivos, que apresentavam dados apagados ou corrompidos.

    Para o advogado de Lula, o fato de esses arquivos estarem corrompidos milita em favor de seu cliente. É que a Odebrecht contou histórias diferentes no Brasil e nos EUA.

    Aqui, disse que subornou Lula para que ele intercedesse junto à empresa na Petrobras. Uma dessas intromissões seria a nomeação dos ex-diretores responsáveis por manter o esquema de fraude a licitações funcionando.

    Mas ao DoJ, os executivos da Odebrecht descreveram como funcionava o cartel que empreiteiras montaram para fraudar licitações da Petrobras e superfaturar contratos de construção civil. E nada sobre Lula.

    Sem fumaça

    No Supremo, o ministro Luiz Edson Fachin também indeferiu o pedido de acesso. Segundo ele, não houve “ilegalidade flagrante” nas decisões de Moro, e por isso não havia motivos para a concessão da liminar. A decisão é do dia 15 de março deste ano, e também pede informações à autoproclamada força-tarefa da “lava jato”.

    O atual titular da 13ª Vara Federal de Curitiba, Luiz Antônio Bonat, repetiu a Fachin os argumentos de seu antecessor: franquear o acesso aos autos do acordo prejudicaria investigações em andamento. Ele acrescenta que os documentos que Lula quer ver, “em princípio, correspondem a informações que não teriam maior relevância”. “Entretanto, não é de se verificar óbice ao fornecimento dessa informação”, conclui Bonat, no ofício.

    Em resposta, a defesa de Lula pediu que Fachin reconsiderasse a decisão anterior e que sobrestasse o andamento da ação penal contra o ex-presidente, no caso do apartamento.

    “É possível garantir que a versão de fatos da Odebrecht nos autos de acordo de leniência é a mesma que vem apresentando nas ações judiciais? Ou que os elementos contidos nos autos que tal acordo fora homologado não são relevantes para a Defesa do Peticionário?”

     

    Com informações de viomundo.com.br

  • Moro não foi aos EUA sozinho. Levou o diretor-geral da PF, Maurício Valeixo, um dos que elogiou em 2017 a cooperação dos EUA na Lava Jato

    Jornal GGN – A participação de Sérgio Moro na visita à Washington, junto a comitiva de Jair Bolsonaro para se encontrar com Donald Trump, não teve só como objetivo a pauta de aproximação internacional. Para Moro, a ida aos Estados Unidos tinha também como meta articular outras parcerias junto ao Departamento de Justiça dos Estados Unidos, o Doj.

    Um destes acordos, segundo a colunista Bela Megale, de O Globo, é que Sérgio Moro quer permitir o acesso de pessoas investigadas em redes sociais como o Facebook e o WhatsApp, sem a obrigatoriedade que estas redes deem a permissão por meio de um pedido judicial.

    Moro não foi aos EUA sozinho. Também está acompanhado do diretor-geral da Polícia Federal, Maurício Valeixo, interessado no fim da privacidade das redes sociais como meio de provas para investigações. Ainda de acordo com a colunista, as investigações sofrem esse tipo de barreira, já que o Facebook e WhatsApp não permitem o acesso a informações confidenciais de seus usuários.

    Entretanto, além desse interesse de Moro, há a suspeita de que o atual ministro da Justiça e o diretor da PF avancem em tratativas relacionadas a outros acordos de cooperação com as autoridades norte-americanas, a exemplo do que ocorreu enquanto Moro era juiz de primeira instância, com a colaboração extraoficial junto ao DoJ, relacionado à Lava Jato, ocasionando depois ações contra empresas brasileiras como a Odebrecht e contra a estatal brasileira Petrobras.

    A cooperação judicial dos EUA com o Brasil no caso específico da Lava Jato já vem sendo assumida desde a gestão de Rodrigo Janot na Procuradoria-Geral da República. No ano passado, por exemplo, o GGN divulgou um vídeo do então procurador-geral adjunto dos Estados Unidos, Kenneth Blanco, elogiando essa troca de informações com a nação estadunidense e Janot afirmando que “sem a cooperação jurídica internacional, seria impossível fazer o que nós estamos fazendo”, ao se referir à Lava Jato.

    O seminário em Washington datado de julho de 2017 também contava com a participação de Maurício Valeixo, hoje nomeado diretor da PF por Moro. Naquela ocasião, o ex-chefe da FCPA Unit do Departamento de Justiça dos Estados Unidos, Patrick Stolkes, fez questão de ressaltar a Lava Jato e admitiu que o Brasil conseguiu “otimizar o sistema jurídico”, para investigar “vários casos ao mesmo tempo”, graças “à adaptação de seus sistemas [de investigação] e o aumento da cooperação internacional”.

    Mas as suspeitas da interferência de autoridades norte-americanas nas investigações internas brasileiras data ainda de antes da Lava Jato. Ainda em 2004, a CartaCapital entrevistou Carlos Costa, que foi chefe do FBI no Brasil, e afirmou que as autoridades norte-americanas haviam “comprado a Polícia Federal” e a ABIN, Agência Brasileira de Inteligência, também havia se “prostituído”.

    “A vossa Polícia Federal é nossa, trabalha para nós há anos. […] Foi comprada por alguns milhões de dólares. […] Os Estados Unidos compraram a Polícia Federal… quem paga dá as ordens…”, acusava Carlos, que comandou o FBI, durante o govenro de Fernando Henrique Cardoso e início do governo de Lula.

    Polcia Federal brasileira recebe mensalo do governo dos Estados Unidos

    Não se sabe se Sérgio Moro quer buscar parcerias que ultrapassem a do simples acesso dos investigadores brasileiros aos dados confidenciais de usuários do Facebook e WhatsApp que são alvos de apurações. Mas o assento de Moro e de Valeixo no avião de Bolsonaro não tinha como intenção a agenda do mandatário brasileiro do apenas comércio bilateral.

     

    Fonte: jornalggn.com.br

  • O acordo que destina R$ 2,5 bilhões para uma fundação a ser criada pela Lava Jato será alvo de grande ofensiva nesta semana. O TCU espera ser demandado até a sexta (15), e ministros cogitam responsabilizar pessoalmente os dirigentes da Petrobrás que autorizaram o pacto, inclusive com bloqueio de bens. No Congresso, o PT discute ações com outros partidos. Além de recorrer ao STF e ao STJ, a sigla vê base para questionar a atitude de procuradores no Conselho Nacional do Ministério Público. A informação é da coluna Painel, do Jornal Folha de S.Paulo.

    A coluna ainda apurou que é um procedimento padrão. Técnicos do Tribunal de Contas da União dizem que o bloqueio de bens e a cobrança de dirigentes da Petrobras segue lógica adotada em casos semelhantes. Em debates informais, ministros da corte classificam o trato como "absurdo" e lesivo ao país. Prevalece o consenso de que acordo, que prevê a entrega de segredos da Petrobrás aos EUA, é contra os interesses do Brasil

    Entenda o caso

    A Lava Jato acertou um acordo inédito com a Petrobras. Por ele, a empresa pagou R$ 2,5 bilhões de reparação, para serem aplicados em projetos sociais administrados por uma fundação de direito privado recém constituída e controlada pelo Ministério Público Federal do Paraná, em conta vinculada com a 13ª Vara Federal de Curitiba, à qual pertencia Sérgio Moro.

    Os estatutos da fundação foram aprovados pela 13ª Vara. Na coordenação haverá um representante do Ministério Público do estado do Paraná, indicado pelo próprio chefe da Procuradoria. A sede será em Curitiba. Pelo acordo, terá uma orçamento anual superior ao da própria Procuradoria Geral da República.

    Dallagnol, um “agente da CIA”

    O ex-senador Roberto Requião (MDB-PR), que foi também governador do Paraná, condenou duramente o acordo celebrado entre Lava Jato e Petrobras para a criação da fundação privada, e denuncia que "todas as suas informações confidenciais serão entregues ao governo norte-americano. É um escárnio. Ou ele é paranoico, no combate à corrupção, ou é um agente da CIA", afirma o ex-senador, referindo-se ao procurador e um dos coordenadores da Lava Jato, Deltan Dallagnol.

    "A força-tarefa da Lava Jato não tem competência para gerir orçamento público e o que está sendo criado é um estado paralelo", acrescenta Requião. Apesar da blindagem promovida pela mídia hegemônica em torno da operação, cujos protagonistas foram transformados em heróis da luta contra a corrupção, vai ficando claro que a Lava Jato, municiada pela rede de espionagem dos EUA, foi feita sob medida para servir aos interesses econômicos e geopolíticos dos EUA.

    Generosos favores

    Não foram poucos nem pequenos os favores prestados ao imperialismo norte-americano pela operação comandada por Sergio Bolsomoro, que além de bombardearem políticos e governos progressistas, ao ponto de levar Lula para a cadeia sem provar o crime que teria cometido e contribuir decisivamente para conduzir ao Palácio do Planalto um maluco de extrema-direita que colocou o Brasil no colo de Donald Trump, destruiu as multinacionais brasileiras da indústria de construção para favorecer as concorrentes estrangeiras, especialmente dos EUA.

    Resta saber se foram gestos gratuitos, explicados pela estultice e o fundamentalismo anticomunista, ou se houve recompensas para nossos heróis, como sugere o acordo que prevê US$ 2,5 bilhões para uma fundação privada associada à badalada operação, que sob a bandeira moralista do combate à corrupção ajudou a destruir a engenharia nacional e, com ela, milhões de postos de trabalho.

    É fundamental jogar um pouco mais de luz sobre esta estranha e perigosa ligação dos heróis da Lava Jato com o imperialismo, que sempre meteu os bedelhos nos assuntos domésticos do Brasil para satisfazer o apetite insaciável de suas multinacionais por benesses e lucros, associando-se às forças reacionárias locais. Não é demais recordar que em 1964 enviaram uma frota militar para águas próximas do litoral carioca em apoio ao golpe militar, episódio que ficou conhecido como Operação Brother Sam. Com toda hipocrisia, alegaram estar defendendo a democracia, discurso que repetem hoje sobre a Venezuela para ocultar o propósito real da ofensiva imperialista que ora empreendem, ou seja, o de apoderar-se das maiores reservas petrolíferas do mundo e conter a ascensão da China na América Latina, que os imperialistas consideram como mero quintal dos EUA.

    Com informações do 247

  • O grito de protesto contra o governo Bolsonaro ecoou forte no Carnaval 2019. Blocos e escolas de samba desfilaram nas avenidas embalados por sambas e marchinhas temperadas com críticas ao presidente e à extrema direita. Entre os hinos que mais empolgaram as multidões constam o já famoso “Ei, Bolsonaro, vai tomar no c...” e “Ai, ai, ai, Bolsonaro é o carai”.

    O capitão não gostou. Para se vingar postou terça-feira (5) no twitter um vídeo com uma performance pornográfica protoganizada por dois jovens cariocas, insinuando que a putaria tinha corrompido de vez a maior festa popular do Brasil, motivo para admiração e atração de turistas de todo o mundo. O gesto tresloucado pegou mal aqui, inclusive entre seus correligionários, e em todo o mundo, onde o episódio causou estupefação e inspirou piadas.

    Muitos acusaram o presidente de cometer crime de responsabilidade, atentando contra a dignidade e o decoro do cargo, e três advogados já ingressaram com ação na Justiça contra o capitão. O jornalista Jamil Chade, correspondente do “Estadão” na Europa, narrou que um deputado do Parlamento Europeu, perplexo, chegou a lhe indagar se a notícia não era “Fake News”.

    Mas eis que no dia seguinte, sentindo a repercussão negativa e procurando amparo entre os militares, o presidente da extrema direita aprontou mais uma. Disse que a Democracia não existiria no Brasil sem a anuência das Forças Armadas, o que além de despertar indignação entre todos os que prezam a Democracia, está longe de corresponder à verdade e foi interpretado como um recado ameaçador ao Congresso para que os parlamentares aprovem sua indigesta proposta de reforma da Previdência. A Democracia foi conquistada no Brasil contra a vontade dos militares, que promoveram um golpe de Estado em 1964 e saíram da cena política desmoralizados em 1985 após a derrota do seu candidato, Paulo Maluf, no Colégio Eleitoral. Será que vão desejam repetir a lastimável experiência, ignorando as duras lições da história?

    Ele quer sufocar os sindicatos

    Outro destaque da semana foi a Medida Provisória MP 873, baixada por Bolsonaro no dia 1º de março, véspera do Caraval, com o claro propósito de sufocar financeiramente o movimento sindical brasileiro, colocando novos obstáculos à arrecadação de contribuição dos trabalhadores e trabalhadoras nas bases para a manutenção de suas entidades de classe. Note-se que isto ocorre num momento de luta contra a famigerada reforma da Previdência.

    Nota subscrita pelas nove principais dirigentes das maiores centrais considera a MP “um grave ataque contra o princípio da liberdade e autonomia sindical e o direito de organização dos trabalhadores, dificultando o financiamento das entidades de classe no momento em que cresce, no seio da classe trabalhadora e do conjunto da sociedade, a resistência ao corte de direitos de aposentadoria e previdenciários em marcha, com a apresentação da proposta de Reforma da Previdência que já tramita no Congresso Nacional”.

    Além de não tratar de tema que reclama urgência, a Medida Provisória contém uma série de outras inconstitucionalidades, de acordo com advogados e juristas. Como resposta os sindicalistas também prometem intensificar a mobilização para o Dia Nacional de Luta contra a reforma da Previdência da dupla Bolsonaro/Guedes. Será em 22 de março.

    Lula é mesmo um preso político

    Também no dia 1º de março, depois de muitas idas e vindas, o ex-presidente Lula foi autorizado pela Justiça a acompanhar o velório e o enterro do seu neto de 7 anos, que faleceu vítima de meniginte. As restrições que precederam a autorização e o forte efetivo policial mobilizado para impedir qualquer contato de Lula com o povo serviram para evidenciar o que os críticos do golpe de 2016 não se cansam de repetir: Lula é um preso político e o desejo majoritário dos brasileiros e brasileiros é ver Lulalivre.

    Venezuela

    A queda de braço entre Maduro e o golpista Guaidó, lacaio do imperialismo americano, ainda parece longe de um desfecho. O golpista voltou e tenta organizar uma greve do setor público. Já os chavistas preparam grandes manifestações contra o imperialismo e em defesa do governo bolivariano para este sábado (9).

    Semana da mulher

    Além do Carnaval, esta foi também a “Semana da Mulher”, marcada por debates, manifestações e protestos no Brasil e em todo o mundo. O 8 de Março foi um grito pela igualdade, contra o feminicídio, a discriminação e a violência, da qual as mulheres são as maiores vítimas. No Brasil, o foco maior foi dado pela luta contra a reforma da Previdência e em defesa da democracia, da soberania nacional e dos direitos sociais, alvos do governo de extrema direita presidido por Bolsonaro.

    Posse de José de Abreu

    Autoproclamado presidente do Brasil, o ator José de Abreu tomou posse no inívio da noite de sexta-feira numa animada solenidade diante do aeroporto do Galeão no Rio. Promoteu promover “o bem geral do povo brasileiro, sustentar a união, a integridade e a independência do Brasil”, valores fundamentais que o atual governo resolveu jogar na lata de lixo. Foi aclamado e carregado pela multidão presente à solenidade de posse.

    A decadência irreversível dos EUA

    Apesar da guerra comercial deflagrada em março do ano passado pelo presidente Donald Trump, os EUA acumularam em 2018 o maior déficit comercial registrado ao longo dos últimos 10 anos, notícia que abalou os mercados de capitais nesta sexta-feira. O rombo somou US$ 891,3 bilhões e só com a China foi de US$ 419 bilhões. Com razão, o presidente norte-americano enxerga no déficit a principal causa da decomposição da hegemonia econômica dos EUA no mundo. Promoveu a guerra comercial proclamando o propósito de revertê-lo, mas os fatos mostram que não teve sucesso, agiu como Dom Quixote contra os moinhos do vento. O déficit de mercadorias é a medida do parasitismo que graça na maior economia capitalista do mundo. Reflete o excesso de consumo sobre a produção e é ao mesmo tempo efeito e causa do processo de de desindustrialização e financeirização que corrompe o tecido econômico e social do país. É um fenômeno que torna a decadência irreversível.

    Servidores paulistanos encerram greve

    Em assembleia realizada na tarde de sexta-feira (8) os servidores paulistanos decidiram encerrar a greve iniciada em 4 de fevereiro contra a reforma da Previdência do governo Bruno Covas. O acordo que pôs fim ao movimento prevê que não será instituída a contribuição extraordinária para os servidores ativos; não haverá migração dos ativos para o regime complementar e será mantido o teto de R$ 24 mil. O prefeito garantiu o pagamento das aposentadorias e pensões atuais com recursos do tesouro municipal, independente de déficit atuarial do Iprem; o cumprimento do piso da educação com reajustes anuais;abono emergencial para os ativos de nível básico e nível médio até mesa negocial e apresentação de incorporação; mesa negocial para todas as carreiras e pagamento dos dias parados.

  • Apontado como um risco à civilização global, Jair Bolsonaro voltou a atacar Cristina Kirchner e, mais uma vez, deverá tornar mais fácil sua vitória contra Mauricio Macri. Numa agressão à soberania do povo argentino, Jair Bolsonaro anunciou nesta sexta-feira (3) um veto à possível eleição da senadora Cristina Kirchner como presidenta do país vizinho. Ela presidiu a Argentina entre 2007 e 2015 e lidera todas as pesquisas eleitorais, com larga margem sobre o atual presidente, o direitista Mauricio Macri, que afundou o país numa crise brutal devido às mesmas receitas econômicas que Bolsonaro tenta implantar no Brasil. O pleito acontecerá em 27 de outubro próximo.

    Bolsonaro insinuou que poderá se colocar novamente a serviço dos EUA para torpedear a democracia na América Latina: "Não queremos, acho que o mundo todo não quer, uma outra Venezuela mais ao sul do nosso continente". Numa ameaça explícita, afirmou que quando os diplomatas “falham”, as Forças Armadas precisam atuar. “Quando os senhores falham, entram nós das Forças Armadas. E confesso que torcemos e muito para não entrarmos em campo”, declarou. Após a cerimônia, acrescentou, em tom bélico: “Quando acaba a saliva, entra a pólvora. Não queremos isso”.

    Ele discursava na formatura de novos diplomatas do Itamaraty, em Brasília, no Dia do Diplomata, quando lançou o ataque ao povo argentino, aparentemente de improviso: "Aproveito o momento, o momento ímpar por ser ouvido pela nossa querida, estimada e necessária imprensa, que, além da Venezuela, a preocupação de todos nós deve voltar-se um pouco mais ao sul agora, para a Argentina, por quem poderá voltar a comandar aquele país. Não queremos, acho que o mundo todo não quer, uma outra Venezuela mais ao sul do nosso continente".

    Ao final da solenidade de formatura dos novos diplomatas, Bolsonaro concedeu uma entrevista a jornalistas na qual reafirmou as ameaças. "Minha maior preocupação é com a Argentina hoje em dia", disse.

    É o segundo dia consecutivo que Bolsonaro brande ameaças contra o povo argentino. Na quinta-feira, em sua transmissão semanal pelo Facebook, havia dito que "pede a Deus" para que Cristina não vença as eleições em outubro.

    O capitão fascista tem razão para ficar com medo, pois o fracasso da restauração neoliberal empreendida pelo seu colega argentino, Maurício Macri, é notório e a resposta do povo virá em outubro muito provavelmente com a vitória de Cristina, que como Lula sofre uma dura perseguição judicial.

    É o mesmo futuro que aguarda Jair Bolsonaro e sua desastrada política econômica. Quem viver verá. Daí o medo ao se ver refletido no espalho do vizinho e as bravatas, que por sinal terão efeito inverso ao desejado, pois o líder da extrema direita brasileira não é bem visto pelos argentinos, é rejeitado e rechaçado pela maioria do povo do país.

    Com informações do 247

  • Por Umberto Martins

    O governo Bolsonaro provocou deliberadamente uma crise diplomática na fronteira do Brasil com a Venezuela e resolveu envolver o país, sem o consentimento do seu povo, na aventura da guerra híbrida que os EUA deflagraram contra a Venezuela, que está caminhando aceleradamente para uma intervenção militar aberta, encoberta pela retórica de “ajuda humanitária” e defesa da democracia.

    A decisão do governo de extrema direita de enviar “ajuda humanitária” ao país vizinho, integrando-se à estratégia de Washintgon contra o presidente de Nicolás Maduro, é uma notória intervenção no conflito interno que divide a sociedade venezuelana. O mesmo se pode afirmar acerca do reconhecimento do governo paralelo liderado pelo deputado Juan Guaidó, um lacaio do imperialismo que se autoproclamou presidente depois de receber orientação (ou ordem) neste sentido por telefone do vice-presidente dos EUA, Mike Pence.

    É plenamente justificável a reação do governo bolivariano de fechar a fronteira com o Brasil em Roraima, que vem sendo usada como pretexto pelo governo do senhor Jair Bolsonaro para promover novas provocações, cujas consequências são ainda imprevisíveis, mas em nenhuma hipótese favoráveis ao povo ou à nação brasileira. Só quem ganha com isto são os imperialistas estadunidenses, que querem se apoderar das maiores reservas de petróleo do planeta.

    Constituição

    Além de não corresponder aos interesses nacionais, e também por isto, tal política viola a Constituição brasileira, promulgada em 1988, que em seu Artigo 4º consagra os princípios da não intervenção, respeito à autodeterminação dos povos, cooperação entre as nações para o progresso da humanidade e a defesa da solução pacífica dos conflitos nas relações internacionais. Estabelece ainda, em seu parágrafo único, que a “República Federativa do Brasil buscará a integração econômica, política, social e cultural dos povos da América Latina, visando à formação de uma comunidade latino-americana de nações”.

    A orientação tresloucada do atual governo, expressão daquilo que Nelson Rodrigues batizou de “espírito de vira lata”, contradiz todos esses princípios fundamentais estabelecidos na Constituição. Bolsonaro, no colo de Donald Trump, está desempenhando o vil papel de capanga dos EUA na geopolítica regional, que envolve interesses globais das corporações ligadas ao petróleo e o duelo que a potência hegemônica no mundo capitalista trava com a China e a Rússia com o objetivo de preservar e ampliar seu domínio internacional.  

    Petróleo e geopolítica

    A propaganda mentirosa marqueteada pelo imperialismo, com a cumplicidade da mídia burguesa em todo o continente, procura demonizar o presidente legítimo da Venezuela e pintar o conflito como uma peleja entre democracia e autoritarismo, bem como encobrir a intervenção militar com propósitos supostamente humanitários. Porém, a agressão imperialista contra o regime chavista tem outra natureza e objetivos bem menos nobres.

    Começa pelo petróleo. Conforme revelou o ex-diretor do FBI Andrew McCabe durante um programa de entrevistas da rede MSNBC, no final de 2017 o próprio Trump teria externado sua intenção de ir à guerra contra a Venezuela, argumentando que “eles têm todo o petróleo e estão na nossa porta de fundos”. O óleo negro é fonte perene de conflitos bélicos não só no Oriente Médio e África, em geral guerras por procuração orientadas à distância pelos falcões do Pentágano.

    Entrelaçada com a avidez das transnacionais pelo petróleo, temos como pano de fundo do drama que se desenvolve na Venezuela (e não apenas lá) a crise geopolítica em curso no mundo. O ataque à Venezuela é, simultaneamente, uma grave ofensa à China e à Rússia, nações que apoiam e mantêm com o governo Maduro uma parceria estratégica. A potência asiática, comandada pelos comunistas, investiu dezenas de bilhões de dólares no país enquanto o governo Putin estreitou os laços políticos, econômicos e militares com a revolução bolivariana.

    China e Rússia

    China e Rússia opõem-se energicamente à política imperialista dos EUA, que hoje tem declaradamente o propósito de conter a expansão da influência econômica e política da China na América Latina e implodir o Brics. Eis uma outra razão pela qual a política do Trump tupiniquim vai na contramão dos interesses nacionais do Brasil.

    Do ponto de vista do poderio econômico relativo, os EUA são uma potência em franca decadência e estão sendo superados pela China em diversos aspectos, incluindo o PIB medido pelo critério de Paridade de Poder de Compra (PCC), numa prova muito prática e concreta da superioridade da economia socialista de mercado sobre o capitalismo neoliberal. O Brasil é hoje muito mais dependente comercial e financeiramente da China do que dos EUA. Só temos a perder com as relações carnais entre Donald Trump e Jair Bolsonaro, que fez continência à bandeira da potência imperialista e declarou ser fã número um do presidente norte-americano.

    O declínio da maior potência imperialista do planeta também ocorria no plano político em nossa região, que caminhava para um novo arranjo geopolítico com as políticas externas soberanas e integracionistas promovidas pelos governos progressistas de Hugo Chávez, Lula, Evo Morales, Rafael Correia e outros líderes de esquerda com fortes raízes nos movimentos sociais. A mudança na região convergia com as transformações em curso no mundo e o deslocamento do poder econômico do Ocidente para o Oriente, o que se traduziu na parceria China/Celac.

    Retrocesso

    Tal realidade, porém, foi revertida nos últimos anos ao custo de golpes de Estado (em Honduras, no Paraguai, no Brasil e agora na Venezuela) e a eleição de líderes da extrema-direita neoliberal na Colômbia e na Argentina. Os EUA estão retomando plenamente o controle geopolítico do continente.

    É preciso acrescentar que esta dimensão geopolítica do conflito na Venezuela é, em geral, solenemente ignorada pela mídia hegemônica, dedicada ao serviço, sujo e diuturno, de desinformação da opinião pública (ou publicada) para embelezar o golpe de Estado e vender a intervenção militar imperialista como “ajuda humanitária” e defesa da democracia.

    Se não for derrotado, o golpe em curso na Venezuela vai coroar a vitória do imperialismo e aprofundar o retrocesso político na América Latina. Isto pode retardar, mas não vai reverter o processo histórico de decadência dos Estados Unidos no cenário internacional, determinado pelo desenvolvimento desigual e o crônico parasitismo que corrói a maior economia capitalista do mundo. A história vive hoje um dilema entre sombras e luz e muito embora as sombras predominem no momento, a luz tende a prevalecer no futuro. 

    As forças democráticas e progressistas não devem vacilar nem se deixar seduzir pelo canto de sereia regido pelo imperialismo. A intervenção imperialista dos EUA na Venezuela merece o mais profundo repúdio dos povos da América Latina e de todo o mundo. A defesa do sagrado direito dos povos à autodeterminação, previsto na Constituição brasileira, está na ordem do dia.

    Veja o que diz a Constituição sobre as relações internacionais do Brasil:

    Título I  

    Dos Princípios Fundamentais

    Art. 4º A República Federativa do Brasil rege-se nas suas relações internacionais pelos seguintes princípios:

           I - independência nacional;

           II - prevalência dos direitos humanos;

           III - autodeterminação dos povos;

           IV - não-intervenção;

           V - igualdade entre os Estados;

           VI - defesa da paz;

           VII - solução pacífica dos conflitos;

           VIII - repúdio ao terrorismo e ao racismo;

           IX - cooperação entre os povos para o progresso da humanidade;

           X - concessão de asilo político.

    *Editor do Portal CTB e autor do livro "O golpe do capital contra o trabalho"

  • Indicado por Bolsonaro para ministros das Relações Exteriores, sob protesto dos quadros do Itamaraty, Ernesto Araújo corre sério risco de ser defenestrado. Não é a primeira vez que o caráter duvidoso do chanceler transparece. Carreirista, ele fez rasgados elogios à política externa dos governos Lula e Dilma em 2011, quanfo foi conselheiro da embaixada brasileira em Washington. Depois, tornou-se um bizarro “trompista". O Portal CTB reproduz abaixo o artigo que o jornalista José Seabra publicou no site Notibras.

    O chanceler Ernesto Araújo está com os dias contados no cargo. É o que se ouve a boca pequena no Itamaraty. E a eventual demissão não teria nada a ver com os gestos atabalhoados do ministro na política externa, a ponto de deixarem os generais que cercam Jair Bolsonaro de cabelo em pé.

    O caso é mais grave. Ernesto Araújo está sendo acusado de prevaricação, improbidade administrativa e má fé quando presidiu, no ano passado, uma comissão que levou à demissão do diplomata de carreira Renato de Ávila Viana. Como responsável pela comissão que aprovou a demissão do servidor, Ernesto foi desonesto.

    Além de perder o emprego, vítima de falhas de um processo administrativo, Renato cumpre pena de prisão na Papuda, por suposta agressão física a uma ex-namorada. Mas ele não tem culpa no cartório quando é acusado de colocar em cárcere privado outra namorada, principal motivo alegado para ser demitido.

    A acusação de cárcere privado foi feita a uma comissão de investigação do Itamaraty por Jobevina Livramento de Melo, mãe de Rafaella de Melo Maciel. Jobevina é ex-candidata a sogra de Renato. Ela prestou depoimento à comissão presidida por Ernesto Araújo, hoje sentado na principal cadeira do Ministério das Relações Exteriores. Teve bate-boca com a defesa de Renato, presente à oitiva.

    Ocorre que Jobevina, segundo a própria filha Rafaela, mentiu. Ela diz que sempre esteve na casa de Renato por livre e espontânea vontade. E que sempre foi bem recebida, bem tratada. Policiais que se deslocaram à residência de Renato, na Asa Norte, em Brasília, na tentativa de registrar flagrante por cárcere privado, saíram de lá desconcertados. Não havia nada de anormal. E Rafaela foi conduzida à Delegacia da Mulher, onde prestou depoimento inocentando Renato de todas as acusações.

    Renato começou a ser perseguido por alguns colegas do Itamaraty – entre os quais o hoje chanceler Ernesto Araújo -, há pouco mais de dois anos, quando denunciou lavagem de dinheiro nas Ilhas Cayman por iniciativa da embaixada brasileira em Caracas.

    A partir daí, a vida do diplomata virou de cabeça para baixo. A própria suposta agressão a uma ex-namorada, que provocou a prisão do diplomata, é hilária. A namorada, supostamente por ciúmes, subiu no capô da BMW e Renato e começou a pular, danificando o veículo. Entre o amor pela namorada e a paixão pelo carro, Renato puxou a moça, que caiu e machucou o lábio inferior. Inconformada, disse ter sido agredida. E deu no que deu.

    Agora, prestes a deixar a Penitenciária da Papuda, Renato de Ávila Viana prepara o troco. E mira justamente Ernesto Araújo. Para começar, a defesa do diplomata entrou com representação criminal na Justiça Federal, em Brasília, contra o agora chanceler. A principal acusação é de prevaricação. Se condenado, Ernesto pode pegar pena de 3 meses a um ano, além da perda de cargo ou função.

  • Em menos de dois meses no poder, o governo brasileiro já demonstrou submissão a uma nação estrangeira. Sob pressão dos Estados Unidos, o Brasil anunciou o envio de “ajuda humanitária” — não solicitada — à Venezuela.

    Nós, do Comitê Brasileiro pela Paz na Venezuela, vimos a público rechaçar completamente a ação do governo de Jair Bolsonaro, que vai contra uma longa tradição de diplomacia independente mantida até então pelo Itamaraty.

    Nos alarma o fato de nosso governo intervir abertamente no conflito interno de outro país, respaldando as intenções nitidamente imperialistas dos Estados Unidos, que buscam derrubar um governo eleito para alçar ao poder um governo dócil, que deixaria sob o controle das corporações estadunidenses a maior reserva de petróleo do mundo.

    Diante do show midiático orquestrado pelos EUA e governos satélites, nós dizemos: "o povo brasileiro não será bucha de canhão de uma guerra fratricida!".

    O rompimento de nossa tradição diplomática não é só um ataque aos venezuelanos, mas aos brasileiros. Diante de uma situação de arrocho que se verifica no país, com destaque para o ataque frontal à Previdência Social, questionamos como pode o Brasil sacrificar recursos para financiar uma guerra fratricida.

    Assim, nos comprometemos a estar de pé, dia após dia, denunciando as inúmeras violações da soberania e auto-determinação do povo venezuelano, bem como a violação de direitos humanos que esta e as consequentes ações vão provocar no país caribenho.

    BOLSONARO, TIRE AS MÃOS DA VENEZUELA!

    Comitê Brasileiro pela Paz na Venezuela
    Fevereiro de 2019.

  • Declaração do filho do presidente sobre imigração irritou brasileiros que moram no exterior

    Chanceler “em exercício”, o filho do presidente Jair Bolsonaro e deputado federal, Eduardo Bolsonaro, comentava em entrevista a iniciativa de conceder visto automático a turistas americanos em visita ao Brasil, quando cometeu uma indiscrição: “O brasileiro que vem para cá [Estados Unidos] de maneira regular é bem-vindo. Brasileiro ilegalmente fora do país é problema do Brasil, é vergonha nossa”.

    O comentário mexeu com os brios da comunidade brasileira nos Estados Unidos, majoritariamente apoiadora do pai de Eduardo (no segundo turno das eleições, Bolsonaro teve 81,7% dos votos válidos entre eleitores vivendo no país). “Está todo mundo em choque, se sentindo traído”, disse a Época a professora e diretora executiva do Brazilian Worker Center, Natalícia Tracy. “A comunidade é enorme, diversa. Para uma população imigrante cada vez mais marginalizada, foi muito triste ouvir esse tipo de declaração”, completou.

    Vergonha para quem?

    O Brazilian Women's Group, de Massachusetts, divulgou nota: “Vergonha é um político brasileiro, em viagem oficial paga pelo tributo do povo brasileiro, criticar seus concidadãos no exterior, durante encontro com personalidades estrangeiras”, escreveram as integrantes do grupo, que atua desde 1995. Elas continuaram: “Estamos acostumadas a defender nossa comunidade da perseguição, da discriminação e da xenofobia do governo americano. Nunca pensamos que precisaríamos defender os brasileiros do governo brasileiro".

    Integrante do Conselho de Cidadãos de Boston, a goiana Margareth Shepard foi mais sutil na mensagem aos amigos: “Deixo para vocês meus amigos (as) indocumentados responderem à altura. De minha parte respondo com meus atos 'welcoming immigrants'". Eliana Pfeffer defendeu que o presidente “se desvincule dos filhos”. Terezinha de Oliveira defendeu o voto no pai, mas disse não responder pelo herdeiro. “Me responde se você tiver um filho mau-caráter e você for culpado por isso”. Até o pastor Silas Malafaia, apoiador de Bolsonaro de primeira ordem, gritou: “Quando esse cara fala isso, mostra que não conhece a realidade do imigrante brasileiro”.

    Declaração indigesta

    De 3 milhões de brasileiros vivendo no exterior, segundo o Itamaraty, 1,4 milhão estão nos EUA. Eduardo Bolsonaro é descendente de italianos que migraram para o Brasil no século passado para fugir da fome e trabalhar no interior de São Paulo. A repercussão da declaração indigesta levou o filho do presidente a tentar minimizar o caso, no próprio domingo. “A declaração foi para dizer que o Brasil tem responsabilidade com seus nacionais e não vai ficar permitindo que brasileiros entrem ou facilitando, melhor dizendo, a entrada de brasileiro em qualquer lugar que não seja da maneira legal”, justificou.

    Os panos quentes não resolveram. No dia seguinte, Eduardo mudou o que disse, em entrevista à Record News. Afirmou que na verdade se referia a brasileiros que cometem crimes, como tráfico internacional de drogas, e tentam fugir para outro país. “Se você não é procurado pela Interpol e não cometeu crime em seu país, vai ser bem-vindo. Não só nos EUA, como no Brasil”, declarou. Na tentativa de passar a borracha de vez no assunto, jogou a batata quente no colo de jornalistas, em mensagem a Malafaia: “Se o senhor parasse de se informar pela extrema imprensa, também ajudaria”.  

    Fonte: Época

  • Em sete dias de gestão o governo Jair Bolsonaro coleciona retrocessos, ataques a direitos, diminuição do salário, ataques as liberdades democráticas e muito bate cabeça de suas principais cabeças.

    Selecionamos 17 para começar:

    1) Garfou 8 Reais do Salário Mínimo aprovado pelo Congresso;

    2) Extinguiu Secretaria da Diversidade, Alfabetização e Inclusão do MEC, para reimplantar o preconceito e impedir o ensino crítico;

    3) Proibiu a Funai de demarcar áreas indígenas, que agora será feita pelo Ministério do Agronegócio;

    4) Anunciou liberação a posse de armas e disse que vai tornar esse “direito” vitalício;

    5) Anunciou que vai impor a prisão de condenados em segunda instância, atropelando o STF;

    6) Extinguiu os Ministérios do Trabalho, da Cultura, das Cidades, Esportes e Integração Racial;

    7) Esvaziou a Comissão da Anistia, remetendo-a para o patético Ministério da Damares;

    8) Liberou as chefias do Itamaraty para nomeações políticas, quebrando uma tradição secular da diplomacia profissional brasileira;

    9) Anunciou que vai privatizar Eletrobras, apesar do veto do Congresso ao processo de capitalização da estatal;

    10) Comprometeu-se com os EUA para atacar Venezuela, Cuba e Nicarágua;

    11) Colocou a reforma contra os Aposentados no topo da agenda de governo;

    12) Confirmou a transferência da embaixada brasileira para Jerusalém, mostrando que é submisso a Trump e ofendendo a comunidade árabe;

    13) Reprimiu seus próprios apoiadores na posse e censurou violentamente a cobertura da imprensa;

    14) Anunciou demissão sumária de servidores que criticaram suas políticas em redes sociais privadas;

    15) Extinguiu o Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (CONSEA), que orienta o combate à fome e o Bolsa Família;

    16) Acabou com o Conselho Nacional de Integração de Políticas de Transportes e tirou do Senado a aprovação dos diretores do DNIT;

    17) Fez um acordão com os partidos políticos que ele tanto criticou, para que o PSL apoie a reeleição de Rodrigo Maia e ganhe cargos na Câmara.”

  • Acontece agora, em Caracas, na Venezuela, grande marcha, liderada pelo Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), do povo revolucionário com a finalidade de defender a soberania do país sul-americano, especialmente das intenções golpistas da oposição de derrubar o processo bolivariano.
     
    Desde as primeiras horas desta quarta (23), as forças populares se concentraram em três pontos desta capital para marchar desfilar até a Praça O'leary, onde se encontraram com as principais autoridades governamentais, de acordo com informação fornecida pela diretora da organização política.
     
    Com o desfile o Poder Popular respaldará a liderança do presidente da República, Nicolás Maduro, além de comemorar os 61 anos da queda da ditadura de Marcos Pérez Jiménez.
     

    Em coletiva à imprensa, a vice-presidenta executiva, Delcy Rodríguez, reiterou que a grande marcha ocupa as ruas "para defender a paz, a união nacional contra uma terrível campanha de racismo e de xenofobia contra o povo venezuelano".

    Presente desde cedo no ato, o primeiro vice-presidente do PSUV, Diosdado Cabelo, destacou que os revolucionários se somam aos diversos movimentos sociais para defender a nação. "A marcha tem como objetivo proteger a pátria e a Revolução bolivariana, daqueles que agridem constantemente os ideais de liberdade e igualdade, bem como a soberania da nação", ressaltou. 

     

    Portal CTB - Com informações das agências

  • Cuba conclamou a comunidade internacional nesta quarta-feira (27) a contribuir na construção de uma nova ordem mundial baseado na solidariedade humana e na Justiça, em que o diálogo e a cooperação prevaleçam na solução dos conflitos.

    Ao intervir na Conferência de Desarmamento em Genebra, o vice-primeiro-ministro das Relações Exteriores de Cuba, Marcelino Medina, afirmou que é necessário salvaguardar as futuras gerações do flagelo da guerra e dos nefastos sofrimentos que provoca.

    Trabalhar pela paz

    “Trabalhar incansavelmente para preservar a paz e a segurança internacionais e fomentar entre as nações as relações de amizade baseadas no respeito aos princípios da igualdade, soberana e a livre determinação dos povos, deve continuar sendo um compromisso da ONU e de seus Estados membros”, destacou.

    O diplomata denunciou que em 2017 foram gastos em despesas militares 1,74 trilhão de dólares, a cifra mais alta desde o fim da Guerra Fria.

    Lamentou que a cada ano se invistam somas exorbitantes na indústria da guerra, se modernizem os arsenais nucleares existentes e se desenvolvam novos sistemas desse tipo de armamento, em lugar de destinar esses recursos a fomentar a paz, combater a fome e a pobreza e à implementação da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável.

    Desarmamento nuclear

    “O desarmamento nuclear permanece congelado e a existência de enormes arsenais nucleares, sendo que apenas 100 dessas ogivas bastariam para provocar o inverno nuclear, constitui uma grave e iminente ameaça à sobrevivência da Humanidade”, avisou.

    O vice-chanceler destacou a grande importância que a ilha das Antilhas concede à promoção do multilateralismo como princípio básico das negociações em matéria de desarmamento e não proliferação.

    Nesse contexto, expressou a preocupação pela decisão dos Estados Unidos de retirar do Plano de Ação Integral Conjunto ou Acordo Nuclear com Irã e, mais recentemente, do Tratado sobre Mísseis de Alcance Curto e Intermediário assinado com Rússia em 1987.

    “A comunidade internacional não pode permanecer passiva, nem em silêncio, muito menos quando se constata o fortalecimento do papel das armas nucleares nas doutrinas de defesa e segurança de determinados Estados possuidores”, precisou.

    Alertou que essas nações estão cada vez mais prestes a considerar a utilização dessas armas, inclusive em resposta às chamadas “ameaças estratégicas não nucleares”.

    Medina condenou o papel dos apetrechos nucleares nas doutrinas, políticas e estratégias de segurança, bem como a ameaça de seu uso, ao mesmo tempo em que reiterou o direito inalienável ao uso pacífico da energia nuclear.

    Celac e Venezuela

    Aproveitou a tribuna deste foro multilateral para ratificar a vigência da proclamação da América Latina e o Caribe como Zona de Paz, adotada em II Cúpula da Comunidade dos Estados Latino-americanos e Caribenhos, celebrada em Havana em 2014.

    O representante da ilha denunciou a escalada de pressões e ações do governo estadunidense para preparar o que taxou de aventura militar, disfarçada de “intervenção humanitária”, contra a República Bolivariana da Venezuela.

    “A história julgará severamente uma nova intervenção militar imperialista na região e a cumplicidade de quem irresponsavelmente acompanhá-la”, advertiu o vice-ministro.

    Considerou ainda que na Venezuela se decide hoje não só a soberania e a dignidade da América Latina, do Caribe e dos povos do Sul, mas também a sobrevivência das normas do Direito Internacional e da Carta das Nações Unidas.

    “Temos a responsabilidade de preservar as próximas gerações do flagelo da guerra, salvar o planeta e criar condições sob as quais possam ser mantidas a justiça e o respeito às obrigações emanadas dos tratados internacionais”, concluiu.

    Fonte: Prensa Latina

  • Um comunicado do governo cubano informa que aeronaves militares norte-americanas, que saíram de bases utilizadas para operações secretas, têm pousado em países vizinhos; chancelaria russa já havia feito o alerta de que "ajuda humanitária" seria disfarce para uma intervenção bélica na Venezuela

    As suspeitas de que a “ajuda humanitária” que os Estados Unidos têm oferecido à Venezuela são, na verdade, um plano para uma intervenção militar, têm ficado cada vez mais fortes. Nesta quinta-feira (14), o governo cubano, aliado ao governo de Nicolás Maduro, divulgou um comunicado em que informa que os norte-americanos estão posicionando – em segredo – forças militares em países cada vez mais próximos da Venezuela.

    De acordo com Cuba, os Estados Unidos têm usado o pretexto de ajuda humanitária para disfarçar uma intervenção bélica no país, que sofre com a crise econômica e política amplificada por sanções do próprio governo norte-americano. Segundo o comunicado, entre 6 e 10 de fevereiro, “aeronaves militares de transporte voaram para o Aeroporto Rafael Miranda de Porto Rico, para a Base Aérea de San Isidro, na República Dominicana, e para outras ilhas caribenhas localizadas estrategicamente, provavelmente sem o conhecimento dos governos destas nações”.

    “Estes voos decolaram de instalações militares americanas a partir das unidades em que as Operações Especiais e do Corpo de Fuzileiros Navais operam, que são usadas para ações sigilosas”, prosseguiu o governo cubano no comunicado oficial.

    O mesmo alerta já havia sido feito pela chancelaria russa na semana passada. De acordo com a porta-voz do Ministério de Relações Exteriores da Rússia, “continuam chegando sinais de Washington sobre a possibilidade de usar a força para derrubar as autoridades legítimas através de uma intervenção militar direta”.

    Em entrevista à Fórum, o ex-ministro das Relações Exteriores brasileiro, Celso Amorim, aventou a mesma possibilidade. “Ajuda humanitária tem que ser feita de acordo com as autoridades do local, senão ela vira uma operação com natureza militar. E isso seria caracterizado como uma intervenção militar vedada pela própria ONU”, pontuou Amorim.

    Fonte: Fórum

  • Um comunicado do governo cubano informa que aeronaves militares norte-americanas, que saíram de bases utilizadas para operações secretas, têm pousado em países vizinhos; chancelaria russa já havia feito o alerta de que "ajuda humanitária" seria disfarce para uma intervenção bélica na Venezuela

    As suspeitas de que a “ajuda humanitária” que os Estados Unidos têm oferecido à Venezuela são, na verdade, um plano para uma intervenção militar, têm ficado cada vez mais fortes. Nesta quinta-feira (14), o governo cubano, aliado ao governo de Nicolás Maduro, divulgou um comunicado em que informa que os norte-americanos estão posicionando – em segredo – forças militares em países cada vez mais próximos da Venezuela.

    De acordo com Cuba, os Estados Unidos têm usado o pretexto de ajuda humanitária para disfarçar uma intervenção bélica no país, que sofre com a crise econômica e política amplificada por sanções do próprio governo norte-americano. Segundo o comunicado, entre 6 e 10 de fevereiro, “aeronaves militares de transporte voaram para o Aeroporto Rafael Miranda de Porto Rico, para a Base Aérea de San Isidro, na República Dominicana, e para outras ilhas caribenhas localizadas estrategicamente, provavelmente sem o conhecimento dos governos destas nações”.

    “Estes voos decolaram de instalações militares americanas a partir das unidades em que as Operações Especiais e do Corpo de Fuzileiros Navais operam, que são usadas para ações sigilosas”, prosseguiu o governo cubano no comunicado oficial.

    O mesmo alerta já havia sido feito pela chancelaria russa na semana passada. De acordo com a porta-voz do Ministério de Relações Exteriores da Rússia, “continuam chegando sinais de Washington sobre a possibilidade de usar a força para derrubar as autoridades legítimas através de uma intervenção militar direta”.

    Em entrevista à Fórum, o ex-ministro das Relações Exteriores brasileiro, Celso Amorim, aventou a mesma possibilidade. “Ajuda humanitária tem que ser feita de acordo com as autoridades do local, senão ela vira uma operação com natureza militar. E isso seria caracterizado como uma intervenção militar vedada pela própria ONU”, pontuou Amorim.

    Fonte: Fórum

  • Confirmado: militares dos Estados Unidos perto da Venezuela

    Por Sergio Alejandro Gómez e Edilberto Carmona Tamayo, no CubaDebate

    Os recentes movimentos de tropas dos EUA, relatados por fontes públicas e pela mídia, confirmam que Washington está se preparando para agir militarmente na República Bolivariana da Venezuela, sob o pretexto de uma suposta “intervenção humanitária”.

    Cuba assegurou em 13 de fevereiro, por meio de uma declaração do governo revolucionário, que os Estados Unidos pretendem fabricar “um pretexto humanitário para iniciar uma agressão militar contra a Venezuela” e denunciou vôos militares na região do Caribe como parte dos preparativos.

    Embora fontes em Washington e alguns dos países envolvidos tenham sido rápidas em negar as denúncias cubanas, as últimas informações disponíveis ratificam e ampliam a evidência de um cerco militar premeditado contra Caracas.

    “Os Estados Unidos silenciosamente acumulam seu poder militar perto da Venezuela”, disse o jornalista e especialista militar britânico Tom Rogan no jornal Washington Examiner.

    “Uma importante presença naval e marítima dos Estados Unidos está operando perto da Colômbia e da Venezuela. Seja por coincidência ou não, essa presença dá à Casa Branca uma gama crescente de opções “.

    Segundo Rogan, em menos de uma semana o Pentágono é capaz de mobilizar 2.200 fuzileiros navais, jatos de combate, tanques e colocar dois porta-aviões na Venezuela.

    Os três pontos do tridente norte-americano ficam no Caribe, Colômbia e Brasil.

    Não é por acaso que o almirante Craig Faller, chefe do Comando Sul, visitou Bogotá, Brasília e Curaçao durante as últimas semanas, sob a cobertura da alegada organização da entrega de “ajuda humanitária” para a Venezuela.

    Com a autorização da Holanda, os Estados Unidos organizam um centro de distribuição para a alegada ajuda na ilha de Curaçao, a poucos quilômetros das fronteiras com a Venezuela.

    Mas a mobilização militar é muito mais ampla na região do Caribe.

    Na denúncia cubana, explica-se como, entre 6 e 10 de fevereiro de 2019, foram feitos vôos de aeronaves de transporte militar para o Aeroporto Rafael Miranda de Porto Rico, a Base Aérea de San Isidro, na República Dominicana e para outras ilhas do Caribe estrategicamente localizadas.

    Agora, há o anúncio de que a Marinha dos Estados Unidos moveu um Grupo de Ataque de Porta-Aviões (CSG) no Oceano Atlântico e na costa da Flórida.

    A frota consiste no porta-aviões USS Abrahm Lincoln (CVN-72), um cruzador de mísseis e quatro contratorpedeiros, bem como uma fragata da marinha espanhola convidada a participar.

    “Os GSGs têm recursos de plataforma cruzada para operar onde e quando necessário. Além de possuir a flexibilidade e sustentabilidade para lutar em guerras de escala e garantir a liberdade dos mares, o CSG são visíveis e um poderoso compromisso dos EUA com seus aliados, parceiros e amigos”, diz um comunicado de imprensa oficial da Marinha americana.

    A bordo do USS Abraham Lincoln, porta-aviões nuclear da classe Nimitz, está o Embarked Air Squadron (CVW) 7, equipado com os Lockheed F-35C Relâmpago II, o mais avançado caça-bombardeiro que opera no arsenal dos EUA.

    O grupo iniciou no dia 25 de janeiro os exercícios COMPTUEX, supostamente destinados a preparar a formação, antes de um destacamento militar.

    Embora sua localização atual e o destino sejam desconhecidos, os consultores militares Stratfor e Southfront localizaram o GSG em algum ponto do Atlântico, na costa do estado da Flórida.

    Nos últimos dias, foi relatado que o grupo havia tentado um cruzamento de estreitos, uma manobra necessária para entrar no Mar do Caribe, a alguns dias de navegação.

    Rogan aponta outra informação interessante em seu artigo [no Washington Examiner]. Os Estados Unidos poderiam ter não apenas um, mas dois porta-aviões na faixa operacional da Venezuela, em uma semana.

    O porta-aviões USS Theodore Roosevelt e o navio USS Boxer, de desembarque anfíbio, estão “casualmente”, agora, no porto de San Diego, na Califórnia, a menos de uma semana da costa do Pacífico colombiano.

    “O Boxer tem a bordo a décima primeira unidade expedicionária marinha (MEU), uma das 7 MEU que compõem o Exército dos EUA. Esta unidade de fuzileiros navais tem aproximadamente 2.000 homens. O propósito expresso de uma MEU é oferecer uma capacidade de rápida implementação militar “, diz Rogan.

    Colômbia, para onde Bolton quer enviar 5.000 soldados

    Desde a época do Plano Colômbia, inaugurado em 1999, a Colômbia é um dos principais aliados militares dos Estados Unidos na região.

    Washington estava prestes a instalar formalmente sete bases militares na Colômbia no governo do presidente Alvaro Uribe, mas uma decisão do Tribunal Constitucional bloqueou o plano.

    No entanto, Bogotá tem encontrado maneiras de contornar os controles e, finalmente, a presença dos EUA nas principais instalações militares do país andino foi autorizada.

    Essa aliança estreita atingiu as manchetes no final de janeiro, quando o Conselheiro de Segurança Nacional na Casa Branca, John Bolton, revelou “acidentalmente” um texto em seu notebook com o plano de enviar 5.000 soldados dos EUA para a Colômbia, como parte da operação contra a Venezuela.

    O próprio presidente Donald Trump não descartou a idéia e, quando perguntado sobre isso durante uma reunião com seu colega colombiano, Iván Duque, ele simplesmente disse: “Vamos ver”.

    O presidente colombiano, por sua vez, preferiu não responder com um “sim” ou um “não” à possibilidade de a Colômbia permitir a entrada de tropas americanas, apesar do jornalista Bricio Segovia, da Voz da América, ter perguntado a ele.

    Durante a entrevista, Segovia perguntou a Iván Duque:

    — A Colômbia estaria disposta a receber 5.000 soldados em seu território?

    Ao que o presidente colombiano respondeu: — Não sou bom em ler textos de outras pessoas.

    Segovia insiste: — Você esteve com ele (John Bolton) recentemente?

    — O que eu posso dizer é que estamos trabalhando duro para a libertação do povo venezuelano e estamos fazendo isso com um cerco diplomático bem-sucedido. Esse cerco diplomático é sem precedentes. Esse cerco diplomático isolou o ditador. Esse cerco diplomático é irreversível e a continuidade disto virá do efeito dominó que deve ser ativado pelas Forças Militares da Venezuela — respondeu Duque.

    — Mas a Colômbia está disposta a receber tropas militares em seu território? — insiste Segovia.

    — Eu tenho sido claro, a solução em que acredito está no cerco diplomático. A continuidade do cerco diplomático deve gerar o efeito dominó na Venezuela, quando outros membros das Forças Armadas declararem sua lealdade a [o presidente autodeclarado] Juan Guaidó — ressaltou Iván Duque.

    — Então, a Colômbia não está disposta a receber tropas americanas em seu território … — diz Segovia.

    — Nós fomos claros. O mais importante para a Venezuela alcançar a liberdade é o cerco diplomático, diz Duque.

    — Então, é um não? — insiste Segovia

    — O cerco diplomático é a ferramenta mais importante na história da América Latina. Então, acho que é um grande triunfo a comemorar. A continuidade disso é representada pelo fato de que há mais soldados venezuelanos, assim como aqueles que já o fizeram nos últimos dias, entregando sua lealdade e juramento a Juan Guaidó.

    Embora a chegada de 5.000 soldados não tenha sido confirmada, os Estados Unidos operam uma ponte aérea a partir da base militar em Homestead, na Flórida, para a cidade colombiana de Cucuta, a 2.600 km de distância.

    Para as operações, pelo menos três aviões militares de transporte pesado de longo alcance, C-17 Globemas, fabricados pela Boeing, com capacidade de carga de 180 toneladas, e entre 80 e 100 tripulantes, são utilizados.

    Homestead é também a sede do controverso Comando Sul dos EUA.

    É o Unified Command das Forças Armadas dos Estados Unidos que opera na América Latina e no Caribe e um dos nove comandos que estão diretamente ligados ao topo da liderança do Departamento de Defesa.

    Opera em um raio de ação de 32 países, 19 deles na América Central e do Sul e o restante no Caribe. Desde 1997, sua sede é no estado da Flórida.

    Antes, desde 1947, baseava-se no Panamá.

    Sua própria história reconhece, como antecedente “glorioso”, o desembarque de fuzileiros navais ianques naquele país, no início do século XX.

    O Comando Sul, também conhecido pela sigla em inglês USSOUTHCOM, se tornou um símbolo do intervencionismo americano na região e tem sido um aliado das forças militares e paramilitares ligadas a mortes, torturas e desaparecimentos em nações latino-americanas e no Caribe, há mais de um século.

    Nos últimos anos, o USSOUTHCOM vem armando, treinando e doutrinando exércitos nacionais para servir aos interesses dos EUA.

    O objetivo é evitar o uso de tropas americanas e, assim, reduzir a oposição política nos Estados Unidos.

    No modelo, Washington dirige e treina exércitos latino-americanos através de “programas conjuntos”, extensivos e intensivos, e subcontrata empresas mercenárias privadas que prestam serviços militares especializados, com oficiais “aposentados” do exército norte-americano.

    O Brasil de Bolsonaro, um novo aliado do Pentágono

    O Brasil, o maior país da América do Sul e com as maiores forças militares, tornou-se nos últimos anos um aliado inesperado do avanço do Pentágono na região.

    Os governos de Michel Temer (interino, após um golpe parlamentar) e Jair Bolsonaro pretendem mudar a matriz do nacionalismo forte que se consolidou durante os governos do Partido dos Trabalhadores.

    Em uma das primeiras entrevistas depois de assumir o cargo de presidente, Bolsonaro garantiu ao canal SBT que haveria a possibilidade de instalar uma base militar norte-americana no país.

    Mas Bolsonaro, um ex-capitão, retirou a ideia ao receber fortes críticas de seus próprios generais.

    No entanto, ninguém duvida da proximidade do novo presidente brasileiro com seu colega americano, nem da admiração de dois de seus filhos pelo Mossad (serviço secreto de Israel) e pelo exército israelense.

    O chefe do Comando Sul dos Estados Unidos esteve na semana passada no Brasil e foi recebido pelo ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, com quem discutiu o “caso da Venezuela”.

    Bolsonaro comprometeu-se a usar o estado de Roraima como um centro de coleta para a alegada ajuda humanitária para a Venezuela e, portanto, para o triângulo logístico dos EUA.

    Seja qual for o objetivo da mobilização militar ordenada pela Casa Branca — dos preparativos para uma agressão direta ou como medida de pressão psicológica –, o que é inegável neste momento é que os Estados Unidos jogam suas cartas na região para cercar a Venezuela por todas os caminhos a seu alcance.

    Diante desse cenário, Cuba convocou todos os povos e governos do mundo para defender a paz e se opor, juntos, às diferenças políticas ou ideológicas, para impedir uma nova intervenção militar imperialista na América Latina e no Caribe, que prejudicaria a independência, a soberania e os interesses dos povos do Rio Grande à Patagônia.

    Fonte: Viomundo, que acrescentou a seguinte observação: Os serviços de inteligência de Cuba estão entre os melhores do mundo e os da Venezuela, formados pela CIA no tempo da DISIP (Direção dos Serviços de Inteligência e Prevenção), renomeada SEBIN por Hugo Chávez, não ficam muito atrás. A DISIP, aliás, é acusada de ter ajudado o terrorista Luis Posada Carriles a derrubar um avião da Cubana de Aviación em 6 de outubro de 1976, causando a morte de 73 civis. É um atentado praticamente desconhecido na grande mídia, por motivos óbvios: ela é de direita e identifica o terrorismo como sendo “de esquerda”. Não fica bem dizer que um terrorista que circulava livremente pelos Estados Unidos derrubou um avião lotado de civis, inclusive uma equipe de esgrima de Cuba que havia acabado de competir na Venezuela. Já imaginou, um inimigo de Fidel Castro ser tachado de “terrorista”? A mídia jamais faria isso com seus “parceiros”.