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26
Dom, Maio

EUA

  • Lideranças dos movimentos sociais realizan nesta sexta-feira (8), às 14 horas, na capital paulista, uma manifestação de solidariedade à Venezuela e ao seu legítimo presidente, Nicolás Maduro, diante do Consulado da Venezuela, situado na rua general Fonseca Téles, 564, no Jardim Paulista. A direção da CTB, que estará presente na manifestação, divulgou nota contra a intervenção imperialista liderada pelos EUA no país. Leia abaixo:

    O povo venezuelano e a sua revolução bolivariana vivem uma de suas maiores ameaças. Um consórcio internacional golpista, liderado pelos Estados Unidos, fabricou um desconhecido fantoche (Juan Guaidó, que se autoproclamou presidente) e, através dele, agride as normas das relações internacionais e tenta derrubar o presidente legitimamente eleito do país, Nicolás Maduro. 

    Neste momento, a luta anti-imperialista desloca-se para a América Latina e tem como centro a defesa da autodeterminação do povo venezuelano e o respeito da América Latina como uma Zona de Paz. Como aprovou a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) em 2014, “baseada no respeito aos princípios e normas do Direito Internacional", os países se comprometem a solucionar pacificamente suas diferenças e conflitos, "expatriando para sempre" a ameaça da força como ferramenta política na região.

    O combate à ingerência externa contra a Venezuela tem a ver com o enfrentamento da onda direitista no mundo e em nossa região. Assim pensam e se orientam os classistas da CTB. 

    O povo venezuelano está fazendo a sua parte, resistindo nas ruas. Quanto a nós, devemos intensificar atos e agendas que denunciem mais uma manobra imperialista e prestar total solidariedade ao povo venezuelano e ao seu presidente Nicolás Maduro.

    Com base nessas opiniões, a reunião ocorrida ontem, 05/02, em São Paulo, a maior e mais representativa do Comitê pela Paz na Venezuela desde a sua constituição em 2017, definiu uma atividade que expressa nossa solidariedade e combate ao cerco midiático golpista contra a soberania da Venezuela (veja abaixo).

    Mãos à obra!

    Adilson Araújo - 

    Presidente nacional da CTB

    Nivaldo Santana - Secretário de Relações Internacionais da CTB

  • A Venezuela está sob forte pressão dos EUA, que pretendem consumar um golpe contra o presidente Nicolás Maduro, legitimamente eleito, e impor ao país um novo regime político liderado pelo deputado Juan Guaidó. Na próxima sexta-feira (8), às 14 horas, lideranças dos movimentos realizarão uma manifestação de solidariedade ao país e ao presidente Maduro diante do Consulado da Venezuela em São Paulo, na rua general Fonseca Téles, 564, no Jardim Paulista.

    “Vamos defender o sagrado direito do povo venezuelano à autodeterminação e denunciar a intervenção imperialista dos EUA”, comentou Divanilton Pereira, vice-presidente da CTB. Veja entrevista de Maduro no youtube sobre a conjuntura do país: https://www.youtube.com/watch?v=79yrsvJDVRA.

  • Por Art Jipson e Paul J. Becker, no blog Socialista Morena:

    O recente massacre de 50 fiéis muçulmanos em duas mesquitas em Christchurch, Nova Zelândia, é a última confirmação de que a supremacia branca é um perigo às sociedades democráticas ao redor do planeta.

    A despeito da insinuação do presidente Donald Trump de que o terrorismo nacionalista branco não é um problema grave, dados recentes das Nações Unidas, da Universidade de Chicago e de outras fontes mostram o contrário.

    À medida que mais e mais pessoas abraçam uma perspectiva mundial xenófoba e anti-imigrantes, alimentam a hostilidade e a violência voltadas àquelas consideradas “forasteiras” –seja pela religião, cor da pele ou origem nacional.

    A maior parte do mundo ocidental –da Suíça e Alemanha até os Estados Unidos, Escandinávia e Nova Zelândia– têm testemunhado uma forte tensão nacionalista que infecta a sociedade nos últimos anos.

    Conduzidos pelo medo quanto à perda da primazia branca, nacionalistas brancos creem que a identidade branca deve ser o princípio organizador da sociedade ocidental.

    “Todas as pessoas no mundo podem ter o seu próprio país, exceto as pessoas brancas,” disse William Daniel Johnson, do American Freedom Party (Partido da Liberdade Americana), ao Chicago Sun Times após o ataque na Nova Zelândia. “Deveríamos ter etno-estados brancos.”

    No ano passado, nacionalistas brancos mataram pelo menos 50 pessoas nos EUA. Todos os perpetradores de violência extremista letal no país em 2018 tinham ligações com grupos nacionalistas brancos

    Ao pesquisarmos para o nosso próximo livro sobre o extremismo –nossa área conjunta de especialização acadêmica– descobrimos que os crimes de ódio têm crescido lado a lado à propagação global do nacionalismo branco. Ataques racistas a refugiados, imigrantes, muçulmanos e judeus estão aumentando no mundo inteiro num nível alarmante.

    Acadêmicos que estudam a internacionalização de crimes de ódio chamam este perigoso fenômeno de “transnacionalismo violento”.

    Na Europa, a violência branca parece ter sido desencadeada pelo súbito aumento, em 2015, do número de refugiados que fugiam da guerra na Síria e em outras partes do Oriente Médio.

    Ultranacionalistas em todo o continente –inclusive políticos nos mais altos escalões do poder– usaram a onda de migrações como evidência do iminente “genocídio cultural” das pessoas brancas.

    Esta tendência internacional perturbadora, em sua encarnação moderna, nasceu nos Estados Unidos.

    Desde os anos 1970, uma pequena facção vociferante de supremacistas brancos norte-americanos têm procurado exportar sua ideologia de ódio. Racistas confessos como o líder da Ku Klux Klan David Duke, o fundador da Aryan Nations (Nações Arianas) Richard Butler e o autor extremista William Pierce acreditam que a raça branca está sob ataque no mundo inteiro por uma invasão cultural de imigrantes e pessoas negras e mestiças.

    Os Estados Unidos estão se diversificando, mas continuam a ser 77% brancos. Os supremacistas brancos, contudo, há muito argumentam que as mudanças demográficas do país levarão a um extermínio da raça e cultura brancas.

    A “alt-right” (direita alternativa ou extrema-direita) –um termo abrangente que descreve o movimento supremacista branco moderno online– usa a mesma linguagem. E tem expandido esta perspectiva mundial xenofóbica do século 20 para caracterizar refugiados, muçulmanos e progressistas como uma ameaça, também.

    Líderes da extrema-direita como Richard Spencer, Jared Taylor e o editor do site neonazista The Daily Stormer, Andrew Anglin, também usam as redes sociais para compartilhar sua ideologia e recrutar membros mundo afora.

    Eles acharam uma plateia mundial de supremacistas brancos que, por sua vez, também usam a internet para compartilhar suas ideias, encorajar a violência e difundir seus crimes de ódio no mundo inteiro.

    “O ódio que levou à violência em Pittsburgh e Charlottesville está encontrando novos adeptos ao redor do mundo,” disse Jonathan Greenblatt, da Anti-Defamation League (Liga Anti-Difamação), uma entidade de defesa das liberdades civis, ao USA Today após o ataque na Nova Zelândia. “De fato, parece que este ataque não teve apenas a Nova Zelândia em foco; houve a intenção de ter um impacto global.”

    Sabemos que o ódio aos muçulmanos do alegado atirador das mesquitas na Nova Zelândia era inspirado pelo nacionalismo branco norte-americano – ele mesmo confirmou isso no twitter.O ódio que levou à violência em Pittsburgh e Charlottesville está encontrando novos adeptos ao redor do mundo. Parece que este ataque não teve apenas a Nova Zelândia em foco; houve a intenção de ter um impacto global

    Seu “manifesto” online inclui referências a conflitos culturais que o autor acreditava que levariam, ao fim e ao cabo, os Estados Unidos a se dividir em orientações étnicas, políticas e raciais mais para a frente.

    O alegado agressor também escreveu que apoia o presidente Donald Trump “como um símbolo da identidade branca renovada.”

    Trump e outros políticos de extrema-direita, como a candidata à presidência da França Marine Le Pen e o líder da oposição holandesa Geert Wilders, têm colocado a culpa pelos problemas reais, próprios da vida moderna – progressiva instabilidade econômica, crescente desigualdade e decadência da indústria– nos imigrantes e negros.

    Essa narrativa tem adicionado mais hostilidade à atual tendência de intolerância em sociedades cada vez mais multiculturais como os EUA. Crimes de ódio contra muçulmanos, imigrantes e negros vem crescendo nos EUA desde 2014.

    Em 2015, o Southern Poverty Law Center documentou 892 crimes de ódio. No ano seguinte, foram 917 crimes de ódio. Em 2017 –o ano em que Trump assumiu o poder, alimentando o sentimento nacionalista com promessas de construir muros, deportar mexicanos e banir muçulmanos– os EUA assistiram a 954 ataques de supremacistas brancos.

    Um deles foi um embate violento entre manifestantes e nacionalistas brancos acerca da retirada de uma estátua confederada em Charlottesville, Virginia. O protesto de 2017 “Unite the Right” (Unir a Direita), que matou uma pessoa e feriu dezenas delas, amplificou as ideias dos modernos nacionalistas brancos nacional e mundialmente.

    Líderes da extrema-direita usam as mídias sociais para compartilhar sua ideologia e recrutar membros. Eles têm encontrado uma plateia mundial de supremacistas brancos que também usa a internet para compartilhar suas ideias, encorajar a violência e difundir crimes de ódio

    No ano passado, nacionalistas brancos mataram pelo menos 50 pessoas nos Estados Unidos. Suas vítimas incluem 11 fiéis de uma sinagoga em Pittsburgh, dois consumidores idosos negros num estacionamento do supermercado Kroger no Kentucky e duas mulheres que praticavam ioga na Flórida.

    Os anos de 2015, 2016 e 2018 foram os anos mais mortíferos dos Estados Unidos em relação à violência extremista desde 1970, segundo a Anti-Defamation League.

    Todos os perpetradores de violência extremista letal nos EUA em 2018tinham ligações com grupos nacionalistas brancos. Isso transformou 2018 em “um ano particularmente ativo para assassinos extremistas de direita”, diz a Anti-Defamation League.

    O terror nacionalista é um perigo à segurança interna dos EUA e, como mostram as evidências, uma ameaça de terror mundial que põe em risco a própria natureza da sociedade democrática global.

    * Art Jipson é professor associado de Sociologia na Universidade de Dayton; Paul J. Becker é professor Associado de Sociologia na Universidade de Dayton.

    * Publicado originalmente no site The Conversation. Tradução de Maurício Búrigo.

    *APOIE O TRADUTOR: Gostou da matéria? Contribua com o tradutor. Todas as doações para este post irão para o tradutor Maurício Búrigo. Se você preferir, pode depositar direto na conta dele: Maurício Búrigo Mendes Pinto, Banco do Brasil, agência 2881-9, conta corrente 11983-0, CPF 480.450.551-20. Obrigada por colaborar com uma nova forma de fazer jornalismo no Brasil, sustentada pelos leitores.

  • O principal jornal dos Estados Unidos, The New York Times(NYT) publicou recentemente uma reportagem “South America’s Powerful Women Are Embattled. Is Gender a Factor?” (“Mulheres no poder são alvo de machismo latente na política da América Latina?”).

    “Gênero, dizem os analistas, não é a causa dos atuais problemas das líderes. Mas, acrescentam eles, o declínio coletivo das três mulheres aponta para uma persistência de atitudes machistas na região, especialmente dentro do establishment político”, afirma o NYT.

    Esse declínio, segundo o jornalista argentino Sergio Berensztein, mostra que há “forças poderosas que resistem a estas mudanças”. Já a secretária da Mulher Trabalhadora da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Ivânia Pereira afirma que “o capitalismo reforça o patriarcado para manter o poder dos ricos contra os pobres”.

    Para a sindicalista, “a pressão contra as mulheres no poder é muito mais intensa em relação aos homens. Isso ocorre porque a luta por igualdade de gênero, assusta a elite. Então atacam as mulheres como se fossem responsáveis pelos erros dos homens”.

    “É como se as líderes mulheres estivessem recebendo toda a repercussão pela corrupção dos homens”, diz Farida Jalalzai, professora de política de gênero na Universidade Estadual de Oklahoma para o NYT. “Seria surpreendente se não houvesse a dinâmica do gênero por trás disso”, reforça.

    O jornal norte-americano destaca ainda que vários políticos têm sido acusados de corrupção. Mas tem sobrado para as mulheres. Nesse contexto, “as mídias locais têm contribuído muito para perpetuar os ataques às mulheres mandatárias de seus países”, lembra Gicélia Bitencourt, secretária da Mulher Trabalhadora da CTB-SP.

    A presidenta do Chile, Michelle Bachelet também é citada na reportagem porque enfrenta problemas similares às suas vizinhas. Tem sido sistematicamente acusada de atos ilícitos que, lá como aqui, são feitos sem provas.

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    Em relação ao Brasil, o jornal diz que “a indignação pública sobre um escândalo de propinas na companhia nacional de petróleo se aglutinou em torno de Dilma e ajudou a impulsionar o processo de impeachment, mesmo que ela não esteja diretamente nomeada na investigação”.

    Aqui, fala Ivânia, “os ataques misóginos à presidenta Dilma têm sido a tônica da mídia, como fez a revista IstoÉ, com várias acusações sem nenhuma comprovação, tentando dizer que as mulheres não são preparadas emocionalmente para governar”.

    Manifestação de mulheres contra a cultura do estupro na avenida Paulista em São Paulo:

     

    “Mesmo que o sistema de cotas venha impulsionando as carreiras de mulheres políticas na região, há uma sensação de que as atitudes tradicionais nunca realmente ficaram para trás”, diz o NYT. “A mais recente safra de esposas presidenciais, dizem os observadores, são modelos de feminilidade”.

    A reportagem cita o governo golpista de Michel Temer, “que nomeou um gabinete desprovido de mulheres” e “é casado com uma ex-participante de concurso de beleza”. Marcela Temer foi personagem da reportagem “bela, recatada e do lar”, da revista Veja, que provocou fúria das feministas, tão deslavado machismo”, diz Gicélia.

    Na Argentina não é muito diferente, diz o jornal. Juliana Awada, esposa do presidente Mauricio Macri, é uma designer de moda e faz o jogo “bela, recatada e do lar”, quase tanto quanto a esposa do Temer.

    Berensztein cita alguns exemplos de “atitudes machistas residuais”. Tanto que “Isabel Macedo, a nova noiva de Juan Manuel Urtubey, um proeminente governador argentino com ambições presidenciais, foi uma atriz de telenovelas, como tem Angélica Rivera, a primeira-dama do México”, observa a reportagem.

    Mas, nem tudo está perdido. O NYT ressalta o movimento de mulheres que tomou as ruas, principalmente no Brasil, mas também na Argentina com o movimento “Ni Una Menos”, também contra os sucessivos estupros ocorridos no país.

    No Brasil, as mulheres tomam as ruas para combater tenazmente a cultura do estupro, que levou o ator pornô, Alexandre Frota, ao Ministério da Educação para propor cerceamento do debate de gênero nas escolas e censura aos educadores.

    ChX212dU4AAZy01“Estaremos nas ruas e nas escolas, todas por nós e sempre unidas vamos transformar o mundo. O machismo mata, mas o feminismo nos redime e constrói o mundo novo”, afirma Camila Lanes, presidenta da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas.

    O debate de gênero nas escolas é essencial para a “construção de uma sociedade mais humana”, realça Camila. “Uma civilização só avança com conhecimento e conhecimento pressupõe democracia e liberdade”.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy, com agências

  • Parece que os ventos estão mudando. Não sopram mais tão favoravelmente ao golpe em marcha no Brasil, travestido de impeachment. No mesmo dia em que o Supremo Tribunal Federal liberou o teor da delação premiada do empresário Sérgio Machado, onde não aparecem os nomes do ex-presidente Lula e da presidenta afastada Dilma não aparecem, o ator Wagner Moura denunciou o golpe contra a democracia brasileira.

    Em entrevista ao talkshow Chelsea Handler, do canal de TV paga E!, Moura criticou a parcialidade da velha mídia na cobertura dos fatos, enquanto sobraram elogios à cobertura feita pela sucursal brasileira do Huffington Post e o trabalho do jornalista norte-americano Glenn Greenwald, que reside no Rio de Janeiro, em seu site The Intercept. 

    De acordo com o ator baiano, "afastaram a presidenta sem nenhuma razão". Ele relata que não votou em Dilma e tem sido crítico a seu governo desde 2013, mas "acho ela uma boa presidenta".

    Moura reforça que o golpe foi engendrado pelos "mesmos velhos políticos, os políticos de sempre, com um discurso moral e ambíguo". Segundo ele, o Brasil vive "algo muito próximo a um golpe de Estado".

    Portal CTB - Marcos Aurélio Ruy

    Assista parte da entrevista:

     

  • Um incêndio afetou três tanques de armazenamento de petróleo em uma instalação da estatal venezuelana PDVSA na Faixa do Orinoco - informou o governo nesta quinta-feira (14), atribuindo o fato a uma "ação terrorista" dos Estados Unidos.

    A deflagração aconteceu na quarta à tarde em Petro San Félix (estado Anzoátegui, ao norte), disse o ministro do Petróleo e presidente da PDVSA, general Manuel Quevedo.

    "Foi uma ação terrorista que denunciamos em nível internacional", declarou o oficial à emissora pública VTV.

    Quevedo culpou, em particular, o senador republicano americano Marco Rubio, considerado um dos artífices da estratégia dos Estados Unidos para tirar do poder o presidente venezuelano, Nicolás Maduro.

    Eis a mensagem que ele postou na internet:

    "@MarcoRubio ordenou mais violência na Venezuela. A direita e sua marionete @jguaido aumentaram as incursões terroristas contra a PDVSA. Atacaram os Tanques de Armazenamento de Petro San Félix para afetar a produção petroleira. Entreguistas", disse o o general no Twitter.

    O ministro se referia ao líder de oposição Juan Guaidó, lacaio do imperialismo que se autoproclamou presidente interino da Venezuela por orientação do vice-presidente dos Estados Unidos, Mike Pence.

    Quevedo não relatou feridos no atentado, que acontece uma semana depois do início de um apagão que afetou por dias 22 dos 23 estados do país, além de Caracas.Maduro atribuiu o corte de energia a "ataques cibernéticos e eletromagnéticos" do Pentágono e ao Comando Sul americano.

    O sistema de energia elétrica já foi restabelecido na Venezuela. O apagão começou há uma semana, na quinta passada, e afetou todo o país. Um incêndio teria sido a causa do blecaute. O governo Maduro encontrou indícios materiais de sabotagem, enquanto os EUA e a oposição usaram o episódio para tentar manter acesa a chama do golpismo.

    A Faixa do Orinoco abriga as maiores reservas de petróleo do mundo e os imperialistas norte-americanos estão ávidos para se aproprierem desta riqueza, o que explica a escancarada ingerência nos conflitos domésticos do país. Em abril de 2002 eles estiveram por trás de um fracassado golpe contra Hugo Chávez.

    "Os EUA decidiram, também, despojar a Venezuela de seus recursos petroleiros em troca de apoiar @jguaido com violência. Os gringos não querem intercâmbio econômico. Pediram os campos de petróleo em propriedade. Sentem desprezo pelos venezuelanos", afirmou Quevedo.

  • Por Umberto Martins, editor do Portal CTB

    Presenciamos nesses dias um dos capítulos mais indignos da história do Brasil. O presidente Jair Bolsonaro acaba de desempenhar nos EUA o papel de um governante vassalo, completamente subserviente ao bilionário Donald Trump, um líder de extrema direita que não goza de boa reputação na chamada comunidade internacional, nem mesmo entre os mais tradicionais aliados de Washington.

    O espírito de vira-lata (descoberto por Nelson Rodrigues) baixou com tal desenvoltura no capitão reformado que escandalizou até o jornalista Marco Antonio Villa, um colunista conservador acostumado a criticar diuturnamente o PT. “Esta viagem está sendo desastrosa”, comentou, classificando de “absurdo o que está sendo feito. Você se alia aos EUA e não vai receber nada. É necessário acabar com essa subserviência”.

    Com efeito, Bolsonaro sentou no colo de Donald Trump e cedeu praticamente a todos os desejos do seu chefe e ídolo. Entregou a estratégica base aérea de Alcântara (MA), disse que o Brasil “está a postos” para servir de bucha de canhão numa possível intervenção militar do imperialismo na Venezuela, acenou com a internacionalização da Amazônia, reduziu tarifas de importação de trigo e abriu o mercado para carne suína estadunidense.

    Ele também liberou visto para turistas provenientes daquele país sem qualquer contrapartida e humilhou brasileiros imigrantes apoiando a política xenófoba de Trump, incluindo a construção do chamado “Muro da Vergonha” na fronteira com o México. Chegou ao ponto de declarar que a grande maioria dos imigrantes “não tem boas intenções”.

    Como se não bastasse, sinalizou com apoio à estratégia do imperialismo contra a China, nossa maior parceira comercial que já se transformou na maior economia do planeta, condição que a coloca naturalmente numa rota de colisão com os EUA, que querem manter a qualquer preço a hegemonia sobre a geopolítica global.

    Contra os interesses nacionais

    Orientada pela mais tosca das ideologias, a política externa do governo Bolsonaro está na contramão da história e também dos interesses nacionais. Não é preciso grande esforço intelectual para perceber que ao longo da história universal, a política imperialista dos Estados Unidos, inaugurada no século 19,  contrariou os interesses dos povos e das nações, sobretudo na América Latina e Caribe, região considerada como um mero “quintal” por Washington, mas igualmente no Oriente Médio, na África, Ásia e mesmo na Europa.

    No Brasil, os Estados Unidos estiveram desde sempre aliados às forças sociais mais obscurantistas e reacionários para combater as forças progressistas e sabotar o desenvolvimento nacional. Foram as “forças subterrâneas” denunciadas por Getúlio Vargas, levado ao suicídio em 1954, enviaram uma frota para garantir o golpe militar de 1964, que depôs João Goulart, e deixaram fortes impressões digitais no golpe de Estado de 2016, travestido de impeachment.

    Grampearam a ex-presidente Dilma Rousseff e municiaram a Lava Jato com informações sobre a Petrobras e a Odebrecht colhidas por suas agências de espionagem. Convém lembrar que Sergio Moro, acusado de ser um “agente dos EUA” pelo jurista Fábio Konder Comparato, fez questão de visitar com Bolsonaro a sede da CIA em Washington. Na América Latina os EUA estiveram por trás dos sangrentos golpes de Estado no Chile (liderado por Augusto Pinochet em 1973), na Argentina (1975) e outros países.

    Uma das contrapartidas ao espetáculo de vira-latismo, destacado com ironia pelo jornal “Washington Post”, foi o aval do governo norte-americano ao ingresso do Brasil na decadente OCDE, considerada falsamente por apologistas do capitalismo neoliberal como um “clube dos ricos”. Mas nem mesmo isto está em sintonia com os interesses nacionais, pois nos impõe prejuízos, uma vez que tal associação (descartada por Lula e por Dilma) está condicionado à perda de vantagens no comércio exterior conferidas aos países considerados em via de desenvolvimento, como tarifas diferenciadas para proteger a indústria e ramos sensíveis da economia.

    Uma potência em declínio

    Conquistada no bojo da Segunda Guerra Mundial e traduzida nos acordos celebrados na cidade estadunidense de Bretton Woods em 1944, a hegemonia dos EUA tem por principal fundamento a sua força econômica, que ao término da carnificina era indiscutível. Mas hoje em dia este poder está em franco declínio, em função do parasitismo enraizado no American Way of life (modo de vida americano) e, em igual ou maior medida, do desenvolvimento desigual das nações, uma lei da história moderna, refletida nas disparidades das taxas de crescimento dos PIBs, que resultou na fulminante ascensão da China.

    A ação desses fatores ao longo das últimas décadas promoveu transformações de vulto na economia mundial e na correlação de forças entre as grandes potências, conduzindo ao deslocamento da produção industrial, e por extensão do poder econômico, do chamado Ocidente (leia-se EUA, Europa e Japão) para o Oriente, e principalmente dos Estados Unidos para a China.

    Isto também significa o esgotamento da ordem mundial fundada na hegemonia do dólar e liderada pelos EUA, o que se desdobra objetivamente num processo de transição global na direção de uma nova ordem internacional, que a julgar pelos propósitos declarados por Pequim e Moscou deve ser orientada pelo respeito ao direito dos povos e nações à autodeterminação, à margem de intervenções imperialistas, bem como pelo multilateralismo, ou seja, sem hegemonismo e unilateralismo, como é o caso da atual.

    A sabujice que guia a política externa de Bolsonaro vai na contramão deste movimento, e por isto na direção oposta ao novo cenário geopolítico que está sendo desenhado pela história. A subordinação do Brasil aos EUA seria um gesto vil e desprezível em qualquer momento da nossa história, mas é um contrasenso que pode nos custar caro especialmente no atual contexto, em que os EUA nada têm a nos oferecer senão mais exploração e sofrimento.

    Hostilizando a China, por outro lado, temos muito a perder e já começamos a acumular prejuízos. O gigante asiático, que absorve 26% das exportações brasileiras (mais do que o dobro dos EUA, que ficam com apenas 12%), já reduziu e suspendeu investimentos bilionários no Brasil em reação às provocações do governo de extrema direita. Agora está restringindo as compras de produtos oriundos do agronegócio, para desespero dos nossos ruralistas, que já manifestam arrependimento pelo entusiasta e pouco racional apoio que deram ao golpe de 2016 e a eleição do capitão fascista.  

     

  • Por Umberto Martins, editor do Portal CTB

    Presenciamos nesses dias um dos capítulos mais indignos da história do Brasil. O presidente Jair Bolsonaro acaba de desempenhar nos EUA o papel de um governante vassalo, completamente subserviente ao bilionário Donald Trump, um líder de extrema direita que não goza de boa reputação na chamada comunidade internacional, nem mesmo entre os mais tradicionais aliados de Washington.

    O espírito de vira-lata (descoberto por Nelson Rodrigues) baixou com tal desenvoltura no capitão reformado que escandalizou até o jornalista Marco Antonio Villa, um colunista conservador acostumado a criticar diuturnamente o PT. “Esta viagem está sendo desastrosa”, comentou, classificando de “absurdo o que está sendo feito. Você se alia aos EUA e não vai receber nada. É necessário acabar com essa subserviência”.

    Com efeito, Bolsonaro sentou no colo de Donald Trump e cedeu praticamente a todos os desejos do seu chefe e ídolo. Entregou a estratégica base aérea de Alcântara (MA), disse que o Brasil “está a postos” para servir de bucha de canhão numa possível intervenção militar do imperialismo na Venezuela, acenou com a internacionalização da Amazônia, reduziu tarifas de importação de trigo e abriu o mercado para carne suína estadunidense.

    Ele também liberou visto para turistas provenientes daquele país sem qualquer contrapartida e humilhou brasileiros imigrantes apoiando a política xenófoba de Trump, incluindo a construção do chamado “Muro da Vergonha” na fronteira com o México. Chegou ao ponto de declarar que a grande maioria dos imigrantes “não tem boas intenções”.

    Como se não bastasse, sinalizou com apoio à estratégia do imperialismo contra a China, nossa maior parceira comercial que já se transformou na maior economia do planeta, condição que a coloca naturalmente numa rota de colisão com os EUA, que querem manter a qualquer preço a hegemonia sobre a geopolítica global.

    Contra os interesses nacionais

    Orientada pela mais tosca das ideologias, a política externa do governo Bolsonaro está na contramão da história e também dos interesses nacionais. Não é preciso grande esforço intelectual para perceber que ao longo da história universal, a política imperialista dos Estados Unidos, inaugurada no século 19,  contrariou os interesses dos povos e das nações do Terceiro Mundo, sobretudo na América Latina e Caribe, região considerada como um mero “quintal” por Washington, mas igualmente no Oriente Médio, na África, Ásia e mesmo na Europa.

    No Brasil, os Estados Unidos estiveram desde sempre aliados às forças sociais mais obscurantistas e reacionários para combater as forças progressistas e sabotar o desenvolvimento nacional. Foram as “forças subterrâneas” denunciadas por Getúlio Vargas, levado ao suicídio em 1954; enviaram uma frota para garantir o golpe militar de 1964, que depôs João Goulart, e deixaram fortes impressões digitais no golpe de Estado de 2016, travestido de impeachment.

    Grampearam a ex-presidente Dilma Rousseff e municiaram a Lava Jato com informações sobre a Petrobras e a Odebrecht colhidas por suas agências de espionagem. Convém lembrar que Sergio Moro, acusado de ser um “agente dos EUA” pelo jurista Fábio Konder Comparato, fez questão de visitar com Bolsonaro a sede da CIA em Washington. Na América Latina os EUA estiveram por trás dos sangrentos golpes de Estado no Chile (liderado por Augusto Pinochet em 1973), na Argentina (1975) e outros países.

    Uma das contrapartidas ao espetáculo de vira-latismo, destacado com ironia pelo jornal “Washington Post”, foi o aval do governo norte-americano ao ingresso do Brasil na decadente OCDE, considerada por apologistas do capitalismo neoliberal como um “clube dos ricos”, o que já não corresponde aos fatos. Tal associação, embora celebrada pela mídia, tampouco está em sintonia com os interesses nacionais, pois nos impõe prejuízos, uma vez que (descartada por Lula e por Dilma) está condicionada à perda de vantagens no comércio exterior conferidas aos países considerados em via de desenvolvimento, como tarifas diferenciadas para proteger a indústria e ramos sensíveis da economia.

    Uma potência em declínio

    Conquistada no bojo da Segunda Guerra Mundial e traduzida nos acordos celebrados na cidade estadunidense de Bretton Woods em 1944, a hegemonia dos EUA tem por principal fundamento a sua força econômica, que ao término da carnificina era indiscutível. Mas hoje em dia este poder está em franco declínio, em função do parasitismo enraizado no American Way of life (modo de vida americano) e, em igual ou maior medida, do desenvolvimento desigual das nações, uma lei da história moderna, refletida nas disparidades das taxas de crescimento dos PIBs, que resultou na fulminante ascensão da China.

    A ação desses fatores ao longo das últimas décadas promoveu transformações de vulto na economia mundial e na correlação de forças entre as grandes potências, conduzindo ao deslocamento da produção industrial, e por extensão do poder econômico, do chamado Ocidente (leia-se EUA, Europa e Japão) para o Oriente, e principalmente dos Estados Unidos para a China.

    Isto também significa o esgotamento da ordem mundial fundada na hegemonia do dólar e liderada pelos EUA, o que se desdobra objetivamente num processo de transição global na direção de uma nova ordem internacional, que a julgar pelos propósitos declarados por Pequim e Moscou deve ser orientada pelo respeito ao direito dos povos e nações à autodeterminação, à margem de intervenções imperialistas, bem como pelo multilateralismo, ou seja, sem hegemonismo e unilateralismo, como é o caso da atual.

    A sabujice que guia a política externa de Bolsonaro vai na contramão deste movimento, e por isto na direção oposta ao novo cenário geopolítico que está sendo desenhado pela história. A subordinação do Brasil aos EUA seria um gesto vil e desprezível em qualquer momento da nossa história, mas é um contrasenso que pode nos custar caro especialmente no atual contexto, em que os EUA nada têm a nos oferecer senão mais exploração e sofrimento.

    Hostilizando a China, por outro lado, temos muito a perder e já começamos a acumular prejuízos. O gigante asiático, que absorve 26% das exportações brasileiras (mais do que o dobro dos EUA, que ficam com apenas 12%), já reduziu e suspendeu investimentos bilionários no Brasil em reação às provocações do governo de extrema direita. Agora está restringindo as compras de produtos oriundos do agronegócio, para desespero dos nossos ruralistas, que já manifestam arrependimento pelo entusiasta e pouco racional apoio que deram ao golpe de 2016 e à eleição do capitão fascista.  

     

  • A manhã desta terça-feira (12) entra para a história como o dia em que o Brasil perdeu uma “importante guerreira da causa da igualdade racial e de gênero”, diz Mônica Custódio, secretária de Promoção da Igualdade Racial da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).

    A ex-ministra Luiza Bairros, de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, entre 2011 e 2014, morreu hoje, aos 63 anos, vítima de câncer no pulmão, do qual se tratava há meses. O velório tem início ainda hoje, às 20h, e o sepultamento será na quinta feira (14), às I5 horas, na capela 9 do Cemitério João XXIII, em Porto Alegre.

    “Hoje é um dia de tristeza por uma irreparável perda. Mas, também de reverência a uma longa e brilhante trajetória de luta por toda a população negra, especialmente pelas mulheres negras brasileiras”, diz Ângela Guimarães, presidenta da União de Negros pela Igualdade (Unegro). 

    “Nosso compromisso é honrar o legado, a vida e seguir adiante com as bandeiras dessa grande brasileira que tanto nos ensinou a lutar com garra, brilho e competência. Que o Orun a receba, na certeza que junto com Lélia Gonzalez, Beatriz Nascimento e outras estrelas guerreiras, continuará a nos inspirar a não retroceder nunca”, afirmou.

    Mônica reforça o importante legado deixado pela ex-ministra. “As políticas e ideias defendidas por ela na campanha pelo bem viver, com valorização da mulher negra enquanto protagonista de sua própria história, foi fundamental para elevarmos o patamar de nossa luta”, disse ela. "A trajetória dela reforça a nossa luta, principalmente pelo empoderamento das mulheres negras. Aquelas que trabalham como domésticas e muitas vezes não veem suas reivindicações colocadas pelas bandeiras feministas”.

    A presidenta afastada, Dilma Rousseff, emitiu uma nota sobre o falecimento de sua ex-ministra. “Luiza foi uma incansável militante da causa negra e da democracia brasileira. Sua obra permanece viva e continua sendo um símbolo da luta contra o preconceito e em favor das melhores causas da vida política nacional”.

    Trajetória

    Luiza Helena Bairros nasceu em Porto Alegre e se graduou em Administração pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Concluiu mestrado em Ciências Sociais pela Universidade Federal da Bahia, morando em Salvador a partir de 1979. Seu doutorado ocorreu na Universidade de Michigan, nos Estados Unidos.

    Importante militante do Movimento Negro Unificado, sempre esteve na linha de frente das principais lutas desenvolvidas contra o racismo e pelo fim da violência contra a mulher. Trabalhou na Organização das Nações Unidas em 2001 e em 2005.

    Foi secretária da Igualdade Racial da Bahia em governos do PT e ministra-chefe da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, de 2011 a 2014. Em sua gestão foi criada o Sistema Nacional de Promoção da Igualdade Racial (Sinapir), importante órgão para a formulação de políticas públicas para a população negra no país.

    “O Brasil está de luto e o nosso coração chora a morte dessa guerreira brasileira, fundamental para o desenvolvimento de políticas de combate às desigualdades e ao preconceito. Mas a luta dela permanece em nós na criação de políticas públicas para a criação de um país mais justo e igual”, diz Mônica.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

  • Pressionado pelo chamado agronegócio e enquadrado pelos militares, Jair Bolsonaro não cumpriu a promessa de transferir a embaixada brasileira em Israel para a cidade de Jerusalém, feita durante a campanha presidencial. Parece ter sido mais um produto da sua próspera fábrica de fake news. Ainda assim sua visita ao país sionista, hoje dirigido por um desacreditado líder de extrema direita (Benjamin Netanyahu), tende a provocar sensíveis prejuízos à economia nacional.

    O líder da extrema direita tropical, que tem por guru um astrólogo alucinado que se acha filósofo, resolveu instalar um escritório comercial em Jerusalém, o que foi descrito pelo general Mourão, seu vice, como “um passo intermediário”. Na realidade, é bem menos do que prometeu a Netanyahu, mas o gesto despertou a indignação dos palestinos, cujo território foi ocupado ilegalmente pelos judeus, e contribuiu para azedar um pouco mais as relações entre o Brasil e a comunidade árabe.

    Em nota divulgada domingo (31), a Autoridade Palestina condenou “nos termos mais fortes” a decisão, que considera  "uma violação flagrante da legitimidade e das resoluções internacionais, uma agressão direta ao nosso povo e a seus direitos e uma resposta afirmativa para a pressão israelense-americana que mira reforçar a ocupação e a construção de assentamentos na área ocupada em Jerusalém".

    Israel é um Estado notoriamente opressor que vive à margem do Direito Internacional, em conflito com o Conselho de Segurança da ONU, mas cujas ações criminosas são respaldadas pelo poder militar dos Estados Unidos. O governo atual está completamente isolado em sua pretensão de transferir a capital de Tel Aviv para Jerusalém, que conta apenas com o apoio de Donald Trump e de autoridades australianas.

    A ONU considera Jerusalém Oriental como território palestino ocupado ilegalmente, tendo declarado em 1980 que se trata de uma violação do Direito Internacional. O status final da cidade deve ser negociado entre as partes, de acordo com a organização, que por meio da resolução 478 recomendou a todos os países com representação em Jerusalém que se retirassem de lá.

    A política de Bolsonaro para Israel, apoiada por alguns grupos evangélicos, está em sintonia com a estratégia de Washington para o Oriente Médio e evidentemente visa agradar o bilionário Donald Trump, ídolo e patrão do capitão. Em contrapartida, contraria as tradições do Itamaraty, é nociva aos interesses nacionais e prejudicial particularmente para nosso comércio exterior, conforme alertou o economista Márcio Pochmann.    

    O intercâmbio do Brasil com os árabes é muito mais relevante do que com Israel. Somente em janeiro deste ano as exportações brasileiras para os países árabes somaram US$ 1,2 bilhão, o que significa 6,4% do valor total das nossas vendas ao exterior. Já as importações custaram US$ 597 milhões, o que resulta num superávit comercial de US$ 621 milhões em apenas um mês.

    As exportações para Israel são uma fração disto. Alcançaram apenas US$ 57,33 milhões no mesmo mês, ou seja, cerca de 22 vezes menos. O valor das importações foi de US$ 184,55 milhões, o que significa um saldo negativo de US$ 127,22 milhões. São números eloquentes.

    Se a política externa brasileira fosse guiada pelos interesses nacionais, combinados com princípios democráticos e civilizatórios consagrados no Direito Internacional, como de resto ocorreu na época de Lula e Dilma, o caminho seria outro. Ao contrário do que costuma alardear, o presidente da extrema direita se orienta pela mais tosca das ideologias, um ódio cego ao comunismo e absoluta submissão ao imperialismo liderado pelos EUA. O Brasil não tem nada a ganhar, mas terá muito a perder se continuar neste rumo.

    Umberto Martins

     

  • A decadência dos EUA e a ascensão da China são os fenômenos econômicos e geopolíticos mais relevantes do nosso tempo. Eles dão o tom dos conflitos internacionais e explicam a estratégia agressiva dos EUA para preservar e se possível ampliar a sua hegemonia.

    Entre os meios usados pelo império para manter o domínio global destacam-se a chamada guerra híbrida e as revoluções coloridas, que transformaram a realidade do Oriente Médio e levaram a mudanças de regime no leste europeu favoráveis a Washington e contrários aos interesses da Rússia. Esta, sob o governo Putin, transformou-se na mais forte e poderosa aliada da China na batalha por uma nova ordem internacional esboçada em iniciativas como a formação do Brics, a criação do Banco Asiático de Investimentos e Infraestrutura e de uma nova “Rota da Seda”.

    Os países da América Latina e Caribe também são palcos deste duelo, com os EUA em aliança com as forças conservadoras locais, principalmente as de extrema-direita, trabalhando para destruir as experiências de governos progressistas que, eleitos pelo povo, que derrotaram a Alca (em 20015) e deflagraram um processo de transição geopolítico na região hostil a Washington, que estimulou golpes de Estado em Honduras (2009), no Paraguai (2012) e Brasil (2016) para reverter o cenário político.

    Objetivos na Venezuela

    Neste momento, a Casa Branca não poupa esforços e conspira abertamente para derrubar o regime bolivariano liderado por Nicolás Maduro, que significativamente é apoiado por Moscou e Pequim. São dois os principais objetivos dos EUA na Venezuela: apoderar-se das maiores reservas de petróleo do mundo e conter a expansão da China na região que os imperialistas norte-americanos consideram como seu “quintal’. O resto é retórica sem substância real.

    A China é a nação mais rica e mais próspera do globo hoje. O histórico das estatísticas econômicas revela a superioridade do seu socialismo de mercado sobre o capitalismo neoliberal do Ocidente. O governo estadunidense, presidido pelo bilionário Donald Trump, iniciou uma temporada de guerra comercial contra o gigante asiático com o objetivo de interromper e reverter a sua ascensão. Até agora não teve êxito, mas estende sua estratégia agressiva não só para o campo comercial. Suas apostas provavelmente contemplam também a chamada guerra híbrida e lembram os eventos de 1989 na Praça da Paz Celestial, nos quais ficaram impressas as impressões digitais subversivas do poderoso império.

    Abaixo reproduzimos reportagem publicada recentemente no jornal “Valo Econômico”, assinada por Katsuji Nakazawa e intitulada “Exigências dos EUA abalam as bases do poder na China”, sobre o alarme que autoridades chinesas fizeram soar sobre a necessidade de prevenir contra a tentativa de fazer vingar no país uma “revolução colorida”. As frases entre parênteses foram observações críticas acrescentadas pela Redação do Portal CTB.

    Aniversário da revolução

    A polícia da China terá de impedir uma “revolução colorida” neste ano, o 70º aniversário da fundação da República Popular da China. A afirmação foi feita recentemente por uma importante autoridade da ordem pública, surpreendendo analistas da China no exterior.

    A advertência veio de Zhao Kezhi, conselheiro de Estado e ministro da Segurança Pública, uma autoridade com poderes de vice-premiê, encarregada de manter a ordem pública. É raro que autoridades chinesas se referirem publicamente à necessidade de evitar levantes populares num país em que o regime do Partido Comunista é tido como perfeito.

    Mas, no discurso feito na reunião nacional anual do ministério, em 17 de janeiro, Zhao disse que a polícia precisa “enfatizar a prevenção e oposição a ‘revoluções coloridas’, e lutar com firmeza para proteger a segurança política da China”. A transcrição do discurso se encontra no site do ministério.

    Defender o sistema socialista

    “Temos de defender com firmeza a liderança do Partido Comunista Chinês e o sistema socialista de nossa nação”, afirmou ele, acrescentando que a polícia precisa ainda “reagir contra todos os tipos de infiltração e atividades subversivas de forças estrangeiras hostis”.

    O termo revoluções coloridas é uma referência aos movimentos de democratização que varreram a extinta União Soviética, o Leste Europeu e o Oriente Médio nas últimas décadas, derrubando regimes autoritários duradouros (na verdade, trata-se de governos aliados à Rússia, substituídos por aliados de Washington; na Ucrânia foi instalado um governo golpista de feição neofascista apoiado pelos EUA e a Otan).

    Muitos movimentos receberam o nome de cores de flores. A Revolução Laranja de 2004-2005 na Ucrânia é um exemplo, assim como a Revolução Jasmim de 2010-2011 na Tunísia, que desencadeou a Primavera Árabe.

    A China também registrou clamores parecidos em 2011, mas mensagens disseminadas na internet foram rapidamente sufocadas, com as autoridades entrando em modo de gerenciamento de crise.

    Números invejáveis

    A economia da China cresceu 6,6% em 2018 e foi novamente estimulada no começo deste mês por um aumento de 8,5% no consumo no feriado do Ano Novo chinês. Embora os dois números sejam invejáveis pelos padrões globais, eles não dão aos líderes chineses conforto suficiente.

    Olhando em retrospecto, a economia chinesa vem crescendo desde a introdução, em 1978, da política de “reforma e abertura”. Apesar dos altos e baixos, a população chinesa não interrompeu sua marcha em busca de mais prosperidade. Seu sentimento de satisfação com a política econômica tem sido a pedra fundamental da legitimidade do partido para governar.

    É difícil prever o que acontecerá numa sociedade acostumada a crescer 10% ao ano se, de repente, o bolo crescer pouco. Mas essa incerteza provavelmente é o que levou o presidente Xi Jinping a alertar para o risco de um “cisne negro” em um pronunciamento recente. A expressão refere-se a eventos inesperados de grandes proporções.

    Estratégia de Big Data

    Por décadas a China alertou contra a teoria da Evolução Pacífica, uma crença de que o Ocidente, principalmente os Estados Unidos, estariam tentando transformar gradualmente o sistema socialista da China via meios pacíficos.

    O Ocidente, diz a tese, faria isso espalhando ideias políticas e estilos de vida ocidentais e incitando o descontentamento, encorajando grupos a se mobilizar e a enfrentar o Partido Comunista.

    A ansiedade é um reflexo do trauma sofrido pela China ao assistir o colapso da União Soviética, em 1991. A cautela da China com a teoria da Evolução Pacífica posteriormente se transformou em vigilância contra a ameaça mais iminente das revoluções coloridas.

    No discurso de janeiro, o chefe de polícia, Zhao Kezhi, falou sobre como evitar uma revolução colorida. A polícia vai empregar uma “estratégia de Big Data”, disse ele, e usar tecnologia digital de ponta.

    Na China, já aconteceu de um criminoso procurado pela Justiça ser presos num grande show de música. Câmeras de vigilância instaladas nas arenas e outros espaços públicos permitem o uso de sistemas de reconhecimento facial. O mesmo sistema monitora hóspedes que chegam a hotéis.

    Supremacia tecnológica

    Essa estratégia de Big Data é viabilizada por empresas de tecnologia como a Hikvision Digital Technology e Hytera Communications. Sediada em Hangzhou, a Hikvision é a maior fabricante de câmeras de vigilância do mundo, enquanto a Hytera, sediada em Shenzhen, é uma grande fabricante de equipamentos de rádio e sistemas de rádio para a polícia.

    Essas empresas estão agora no centro da disputa entre os EUA e a China que, à primeira vistas parece envolver questões econômicas e comerciais, mas no fundo é uma luta pela supremacia tecnológica.

    Os EUA começaram a impor sanções a essas companhias com a aprovação da Lei de Autorização de Defesa Nacional, no terceiro trimestre de 2018. A partir de agosto de 2020, empresas que estiverem usando em seus escritórios produtos fabricados por cinco companhias chinesas de tecnologia, incluindo a Hikvision e a Hytera, serão proibidas de fazer negócios com órgãos do governo dos EUA.

    Mobilizar o Big Data e acelerar a “China Digital” são pilares importantes do “Made in China 2025”, o programa chinês de desenvolvimento de setores “high-tech”. Washington já exigiu que a China abandone totalmente a iniciativa.

    O controle duro exercido pela China sofre a informação é bem representado pelo bloqueio a plataformas internacionais de redes sociais, como Google e Facebook. O temor é que o fluxo livre de informações possa ameaçar o sistema de governo do Partido Comunista (afinal, conforme mostraram informações vazadas pelo Wikileaks as grandes empresas de informática dos EUA estão associadas ao serviço de espionagem global montado pela CIA, NSA e Pentágono).

    Enquanto isso, o WeChat e outras redes sociais chinesas podem ser usadas livremente nos países ocidentais. O Ocidente teme que, por meio delas, informações possam ser coletadas em todo o mundo pela China. Memes da internet que criticam o Partido são deletados e, em alguns casos, as contas são suspensas abruptamente.

    Com uma confiança recém-adquirida em suas habilidades de tecnologia da informação, a China está trocando sua tradicional posição defensiva por uma mais ofensiva, tentando ampliar o alcance de sua rede de informações.

    A batalha pela supremacia dos dados é o que está por trás da decisão de excluir a gigante tecnológica chinesa Huawei Technologies do fornecimento de infraestrutura para as redes de comunicação 5G da próxima geração. Os EUA querem impedir que informações de todo o mundo, inclusive do próprio país, fluam para a China.

    Enquanto houver confronto, são mínimas as possibilidades de a China permitir buscas no Google e acesso ilimitado ao Facebook em seu território, sem censura.

    Guerra comercial

    Permitir isso afetaria a base da política de propaganda e de governança do partido. O mesmo vale para as negociações comerciais entre EUA e China, que entraram numa fase crítica antes do prazo final de 1º de março para que os dois países cheguem a um acordo.

    O representante comercial dos EUA, Robert Lighthizer, que liderou a delegação americana em Pequim, na semana passada, disse que “questões estruturais” são importantes, assim como mecanismos para fazer a China cumprir os acordos. Mas a China insiste que é impossível mudar a base de seu sistema econômico. As divisões entre os EUA e a China são grandes.

    O principal foco das negociações sino-americanas não está mais no desequilíbrio comercial bilateral. Está na “proteção da segurança política da China”, segundo disse o ministro da Segurança Pública, Zhao, em seu discurso.

    As exigências comerciais dos EUA se aproximam do centro do regime do partido. A insistência de Washington para que Pequim elimine os subsídios às estatais chinesas é um exemplo disso.

    O fortalecimento das empresas estatais é um dos pilares da “nova era” de Xi. O próprio presidente chinês faz vários apelos por estatais “mais fortes, melhores e maiores”. Se os EUA interferirem, as conquistas de Xi poderão ser invalidadas, e sua autoridade, minada (note-se que a política da China, neste e em outros aspectos, é uma antítese da receita neoliberal que o governo estadunidense pretendem impor a todo o mundo).

    Até mesmo companhias estatais ineficientes podem ter lucro e sobreviver na China, pois recebem tratamento favorável do governo, que permite seus oligopólios.

    Além do mais, mudanças de pessoal na cúpula das estatais são feitas com o mesmo mecanismo que o partido e o governo usam no rearranjo de suas lideranças. Executivos graduados de estatais são trocados regularmente segundo interesses do Comitê Central do partido. Eles não são executivos no sentido ocidental da palavra, e sim burocratas que desempenham um papel no Partido Comunista.

    Assim, Xi não pode negar a si próprio esse pilar da “nova era”. Como a liderança chinesa não pode abrir mão de seu controle sobre o Big Data, que ela usa para manter a rede de vigilância que, acredita, irá evitar uma revolução colorida.

    Antes das negociações comerciais da semana passada, o presidente americano, Donald Trump, não deixou claro se se reuniria com Xi, pressionando o líder chinês. O governo Trump ameaça aumentar as sobretaxas impostas a US$ 200 bilhões em produtos importados da China, de 10% para 25%, se não houver acordo até 1º de março. O tempo está acabando (na verdade já acabou sem que se chegasse a um acordo e um novo prazo final para o encerramento das negociações foi fixado: 27 de março, quando Trump tem um encontro marcado com Xi na Flórida).

  • N

    Por José Carlos de Assis*

                    Não há nada mais desesperador para um chefe de família, do ponto de vista pessoal e emocional, do que um longo período de desemprego involuntário. Sua dignidade, sua auto-estima, seu amor à vida desaparecem. Essa situação é comum a todos os trabalhadores desempregados ou subempregados, exceto os que têm alguma riqueza acumulada e possam consumi-la como renda ou crédito. Pior do que o desemprego só a morte. E para alguns, a morte, de si ou de outrem, o roubo, o assassinato acabam se apresentando como solução.

                    Vivemos essa trágica realidade. E me espanta que as classes dominantes brasileiras, as elites cultas e o governo praticamente ignoram 27 milhões de desempregados e subempregados no país, população igual à de muitos países médios. É um acinte. Um assassinato premeditado de grande parte da sociedade. Se houvesse um mínimo de consciência cívica, os jornais e a mídia estariam martelando diariamente essa situação, convocando uma cruzada política para combater o desemprego.

                    É que a solução está necessariamente na política. É uma ingenuidade perversa achar que a culpa pelo desemprego é o desempregado mal preparado para o mercado de trabalho, ou preguiçoso, ou que não tem iniciativa. A sociedade tem limites para atividades econômicas individuais. Onde um ambulante vende amendoim não cabem cem que vendem amendoins. A iniciativa, sim, a iniciativa de que tratam os neoliberais: como se pode ter iniciativa a partir do nada, que é a condição inicial de muitos desempregados?

                    Por trás dessa perversidade há uma ignorância histórica. A democracia não suporta alto desemprego por muito tempo. Fundada na defesa da propriedade privada, o que se chamaria mais tarde democracia burguesa enfrentou sucessivas rebeliões de trabalhadores ao longo do século XIX e início do século XX justamente porque ela própria não se havia dado conta de uma contradição: vocês estão fundados na defesa da propriedade privada; e quanto aos que não tem propriedade, que são a imensa maioria?

                    A solução para isso foram as políticas de pleno emprego no norte da Europa, nos Estados Unidos do New Deal e, sim, na Alemanha de Jalmar Schacht nos anos 30. Posteriormente, nas três décadas de ouro do capitalismo no pós-guerra, afastada a estupidez liberal, situações de virtual pleno emprego seriam promovidas em toda a Europa Ocidental. Isso, em grande parte, fez prevalecer no imaginário político o pleno emprego com liberdade em confronto com o pleno emprego sem liberdade dos países socialistas do Leste.

                    Estamos neste momento diante da mais extravagante estupidez política de nossa história. Não é de estranhar que esteja sendo conduzida por um economista de mercado. Num momento em que cerca de um terço da sociedade está desempregada ou subempregada, o que o governo Guedes proclama é a prioridade absoluta, não da promoção do emprego, mas da chamada reforma da Previdência. Esta, em seus circuitos ocultos, nada mais é que a promoção de um regime de capitalização para enriquecer ainda mais a banqueirada e expor os jovens trabalhadores (os que existirem)  ao achaque institucionalizado dos  fundos abertos.

                    Não há déficit da Previdência. O que há é a transferência por Guedes de R$ 602 bilhões de recursos fiscais, inclusive das receitas da Seguridade Social previstas na Constituição, para a fornalha da especulação financeira. Considerando que isso, em si mesmo, é fortemente contracionista – retirada de recursos da economia real para a especulação -, temos mais uma razão para a queda do PIB este ano. Na Europa, diz-se dos gastos previdenciários obrigatórios que são “estabilizadores automáticos” da economia. Evitam ou reduzem o efeito da recessão porque garantem a demanda. Aqui, Guedes quer fazer da Previdência fonte de especulação.

                    Não há nenhuma mágica para garantir uma política de pleno emprego. É a mesma política para assegurar o crescimento do PIB a taxas razoáveis depois de uma depressão. Mas o governo Guedes não está preocupado com o crescimento da economia. Está preocupado com o que ele e seu grupo querem ganhar pessoalmente com fundos previdenciários, em que é especialista. Entretanto, um crescimento razoável do PIB, estimulado pela ampliação dos gastos públicos reais, resolveria o problema de todos os gastos públicos deficitários atuais. Lembre-se que, para defender o emprego, Obama fez déficits sucessivos de US$ 7,5 trilhões acumulados entre 2009 e 2014!

                    Temos um PIB de R$ 6,4 trilhões, e uma carga fiscal da ordem de R$ 2,2 trilhões. Se tivéssemos tido um crescimento do PIB de 2% ao ano, induzindo crescimento semelhante da carga fiscal, teríamos um adicional de R$ 700 bilhões de receita tributária caso a economia voltasse ao patamar de 2014 (crescimento de 0,5%). Tudo isso sem aumento de alíquota de imposto. Basta simplesmente que se faça uma política de pleno emprego, ou de recuperação econômica, a partir da expansão dos gastos públicos, desviando dinheiro da especulação financeira improdutiva no over para investimentos e gastos reais com gente e com obras.

                    Ou isso, ou a reprise concentrada da era das revoluções de Hobsbawn em escala brasileira. É que se você não considera a necessidade de eliminar o desemprego generalizado como uma questão de solidariedade humana, pelo menos considere o desempregado como uma ameaça pessoal e coletiva.

                    *Economista, jornalista, escritor e professor

  • Michel Temer se entregou na tarde desta quinta-feira (9) à Polícia Federal em São Paulo. Ele voltou à cadeia por determinação da 1ª Turma do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2), que revogou um habeas corpus emitido recentemente a seu favor. Temer já é réu em seis processos e terá de responder por grossa corrupção.

    A ironia da história é que ele foi alçado à Presidência da República em 2016 por meio de um golpe de Estado cujos protagonistas políticos pegaram carona numa hipócrita campanha moralista contra a corrupção, cujo alvo principal era o PT, o governo Dilma e o ex-presidente Lula.

    Dilma é uma mulher honesta. Contra ela não pesa sequer suspeita ou denúncia de corrupção, não responde na Justiça por "malfeito" (como dizia). Foi afastada injustamente, num impeachement sem crime de responsabilidade (portanto, inconstitucional) e o seu lugar no Palácio do Planalto foi usurpado por uma figura sinistra que o empresário Joesley Batista classificou como “chefe da quadrilha mais perigosa do Brasil”. Os golpistas instalaram uma cleptocracia em Brasília.

    Na Presidência Temer cumpriu rigorosamente as tarefas que lhe foram atribuídas pelas classes dominantes que estiveram por trás do golpe, o que inclui os grandes capitalistas estrangeiros cujos interesses são defendidos por governos como os dos EUA. O golpe impôs ao povo trabalhador uma reforma trabalhista que subtraiu direitos e precarizou ainda mais as relações de produção, a terceirização irrestrita e um “novo regime fiscal” que degrada os serviços públicos e condena a economia nacional à estagnação, a entrega do pré sal e a retomada do desastrado programa de privatização, inaugurando uma página triste da nossa história que se torna ainda mais trágica com Jair Bolsonaro.

    O placar no TRF-2 ficou em 2 a 1. O voto de desempate veio do desembargador Paulo Espírito Santo, que defendeu a retomada da prisão de Temer e Lima. “Eu não tenho a menor dúvida que ele foi a base comportamental a partir de um determinado tempo para toda essa corrupção praticada, alegada corrupção, porque ele não é réu ainda, o ex-presidente”, disse.

    Promotores do Ministério Público Federal afirmaram que o grupo chefiado por Temer chegou a manter atividades de contrainteligência sobre investigações feitas pela Polícia Federal. No inquérito, o MPF mencionou a possibilidade de destruição de provas e argumentou que a prisão domiciliar seria insuficiente para impedir crimes.

    'Surpresa desagradável'

    Pouco após o anúncio da revogação do habeas corpus, o ex-presidente deu entrevista a jornalistas na porta de sua casa e disse que considera a decisão “inteiramente equivocada sob o foco jurídico”. “Eu sempre sustentei que nessas questões todas não há prova. Para mim, foi uma surpresa desagradável”, afirmou.

    O ex-presidente é acusado de liderar uma organização criminosa que teria negociado R$ 1,8 bilhão em propina. A operação teve como base a delação do dono da Engevix e investigações sobre obras da usina nuclear de Angra 3.

    A acusação fala em corrupção, peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Temer foi o segundo presidente do Brasil a ser preso após investigações na esfera penal. O primeiro a ser preso foi o ex-presidente Lula.

    O advogado de Temer e Coronel Lima, Eduardo Pizarro Carnelós, disse considerar a decisão injusta. “Respeitamos a decisão do tribunal, mas só podemos considerá-la injusta. Uma injustiça contra o ex-presidente. A prisão foi feita sem nenhum fundamento, apenas para dar um exemplo. Vamos ao Superior Tribunal de Justiça para recorrer”, disse Canelós.

    A defesa do ex-presidente Michel Temer pediu nesta quinta-feira (9) liberdade ao Superior Tribunal de Justiça (STJ). Ainda não foi definido um relator para o caso.

    Para a procuradora Mônica de Ré, a decisão “representa a Justiça diante de todas as provas apresentadas pelo Ministério Público”. “Restabelecemos a verdade dos fatos com relação ao presidente Temer e ao coronel Lima. Com os dois presos, esse processo andará mais rápido.”

    Operação Descontaminação

    Os oito réus foram presos na Operação Descontaminação no dia 21 de março, pela Justiça Federal do Rio. Naquele dia, Temer foi abordado na rua, perto de sua casa, em Alto de Pinheiros, bairro nobre da Zona Oeste de São Paulo. Ele foi retirado de seu carro e transferido para o Rio.

    Na ocasião, a defesa de Temer disse que nada foi provado contra ele, e que a prisão constituiu um "atentado ao Estado democrático de Direito".

    O ex-presidente ficou preso em uma sala da Corregedoria, no terceiro andar do prédio da superintendência da Polícia Federal no Rio de Janeiro. É uma das poucas salas no edifício com banheiro privativo. O local tem frigobar, ar-condicionado e cerca de 20 m².

  • “Sabemos que a administração Trump está envolvida em uma estratégia de mudança de regime imprudente na Venezuela, buscando fomentar um golpe militar ou revolta em massa”, postou o cineasta

    O cineasta norte-americano Oliver Stone postou um texto em sua página no Facebook, no qual diz que não se pode descartar a participação dos Estados Unidos na queda de energia elétrica que atingiu a Venezuela, entre os dias 7 e 12 de março, provocando prejuízos à população.

    Stone divulgou uma cena do Filme “Snowden”, dirigido por ele, no qual o então agente da NSA aparece espionando, entre outros, a Venezuela e o Brasil.

    Acompanhem a íntegra do texto:

    De 7 de março a 12 de março deste ano, a Venezuela sofreu a pior queda de energia elétrica da sua história. Aconteceu logo depois de Juan Guaidó – um presidente autodeclarado apoiado pelos EUA – retornou para a Venezuela e pediu protestos em massa para tentar forçar o governo de Nicolás Maduro a deixar o poder. Uma coincidência?

    Nosso governo causou estragos em sistemas de computadores estrangeiros antes, por exemplo, no Irã, no final dos anos 2000, em uma operação conjunta dos EUA / Israel que visava o programa nuclear do Irã. Como Kalev Leetura escreveu recentemente na Forbes, “a ideia de um governo como os Estados Unidos interferindo na [da Venezuela] é realmente bastante realista. Operações cibernéticas remotas raramente exigem uma presença significativa no solo, tornando a operação de influência ideal aceitável”.

    Não podemos ter certeza de que o governo dos EUA esteve envolvido nesta situação sem precedentes, mas sabemos que o governo Trump está engajado em uma estratégia de mudança de regime imprudente na Venezuela, buscando fomentar um golpe militar ou uma revolta em massa por meio da criação de uma presidência paralela, impondo sanções econômicas devastadoras e ameaçando a intervenção militar.

     

    Fonte: revistaforum.com.br

  • O governo de Donald Trump foi derrotado nas últimas reuniões da OEA (Organização dos Estados Americanos) e do Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) em que levaram a proposta de deslegitimar o governo de Nicolás Maduro, reeleito presidente da Venezuela, e respaldar o golpe de Estado pretendido pelo oposicionista Juan Guaidó, que se autoproclamou presidente interino. “Por isso, eles não esperavam”, comemorou o ministro de Relações Exteriores da Venezuela, Jorge Arreaza.

    Na ONU, a maioria dos conselheiros considerou que os problemas internos do país devem ser tratados pelo próprio povo, respeitando-se o sagrado direito à autodeterminação das nações. China e Rússia, potências nucleares com poder de veto no Conselho de Segurança, manifestaram formalmente apoio a Maduro e à soberania da Venezuela. “A verdadeira ameaça à paz são os EUA e seu desejo de participar do golpe”, declarou o embaixador russo Vasili Nebenzia.

    O papa Francisco também se pronunciou sobre a crise no país sul-americano domingo (27) e defendeu uma “solução justa e pacífica” para os dilemas. “O que me assusta é o derramamento de sangue”, afirmou, o que foi interpretado como uma condenação velada à política belicosa dos EUA.

    Portal CTB

  • O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, acusou nesta quarta-feira (1º) a oposição liderada por Juan Guaidó de querer iniciar uma guerra civil na Venezuela. Ele também alertou que os Estados Unidos poderiam ordenar uma invasão militar caso a tensão interna desaguasse num conflito armado.

    "Se tivéssemos mandado tanques para os enfrentar, o que teria acontecido? Um massacre entre venezuelanos", afirmou o presidente.

    Essa foi a segunda aparição pública de Maduro desde a escalada das tensões políticas na Venezuela após Guaidó tentar um frustrado golpe militar e bazofiar que tinha apoio militar na terça-feira (30). Houve confrontos entre manifestantes e policiais nos dois dias, que, segundo fontes locais, deixaram mais de 100 feridos e quatro mortos.

    Mais cedo, um grupo fez vigília diante do palácio presidencial de Miraflores. A milícia bolivariana também se posicionou perto da sede do governo.

    Maduro escreveu uma mensagem sobre o 1º de maio no Twitter na qual afirma que a classe trabalhadora sempre terá nele um presidente "que sempre defenderá seus direitos e revindicações, fazendo frente ao império e seus lacaios, que pretendem tirar nossas conquistas". "Fracassarão. Nós venceremos!", afirmou.

    Imperialismo americano

    John Bolton, assessor especial do governo de Donald Trump, foi quem tramou o "golpe de Estado", segundo Maduro. Os Estados Unidos convocam países vizinhos, entre eles Colômbia e Brasil, para coordenar a derrubada do regime.

    "Quem quiser chegar a Miraflores [palácio presidencial] tem que ganhar eleições, esta é a única forma de chegar à presidência venezuelana. Apenas o povo coloca e tira. Não são as armas que colocarão, jamais, um presidente fantoche na presidência", disse Maduro.

    Grande jornada de consultas

    Em seu discurso nesta quarta, Maduro também convocou o povo, e em particular três setores da sociedade, para "uma grande jornada de consultas", na qual diz estar disposto a ouvir sugestões sobre como lidar com o bloqueio imposto pelos Estados Unidos e como melhorar a vida da população venezuelana.

    Para reuniões no próximo fim de semana, ele convocou o Congresso Bolivariano dos Povos, que reúne centenas de organizações, integrantes do Partido Socialista Venezuelano e também governadores e prefeitos de todo o país, a quem pediu que apresentem planos.

    "Todos os dias, penso como podemos melhorar, que coisas temos que mudar", afirmou.

  • Teve inicio no último sábado, 24 de fevereiro, e prossegue até o dia 28, em Caracas, capital da Venezuela, a Assembleia Internacional dos Povos. O evento reúne cerca de 400 pessoas oriundas dos cinco continentes e representam mais de 100 movimentos sociais, que manifestam sua solidariedade à “Revolução Bolivariana” e à soberania da Venezuela, ao mesmo tempo em que condenam e denunciam a ingerência do imperialismo norte-americano, que ameaça abertamente com a intervenção militar.  O Brasil participa com 30 delegados/as, dirigentes de diferentes organizações e  movimentos sociais, incluindo o movimento sindical.

    A  dirigente Vânia Marques, secretaria de Movimentos Sociais  da CTB e trabalhadora rural da Bahia, representa a central na reunião. "Apesar de todo o terrorismo que as mídias oficiais tem disseminado no Brasil”, observou, “o clima aqui é de resistência, segundo venezuelanos com quem tive a oportunidade de conversar. Esse não é o primeiro ataque do imperialismo estadunidense contra o país. Por onde se anda respiramos ares de revolução, nas artes, pinturas, grafites, o patriotismo e o chavismo estão presente nas ruas”.

    Segundo Vânia, o primeiro dia do encontro traduziu o forte sentimento de resistência e solidariedade. As falas acenam para uma forte aliança internacionalista dos povos. É preciso enfrentar o avanço do imperialismo de forma organizada, e desmascarar as mentiras que, através da mídia burguesa, espalha pelo mundo a fora.

  • A paisagem mundial é marcada pelo conflito entre os Estados Unidos e a China. Esse conflito vai perdurar pelas próximas décadas. A China, que já tem a maior economia do planeta (em paridade de poder de compra), deve continuar crescendo e ganhando peso relativo vis-à-vis dos EUA e da economia mundial como um todo. Os americanos vêm lidando mal com essa ascensão.

    Trump não criou o conflito, que remonta ao período Obama, pelo menos. O cenário de uma ascensão tranquila da China parece pouco provável, mesmo depois de Trump – em parte por causas das reações nacionalistas dos EUA, em parte porque o sucesso dificilmente deixa de subir à cabeça, e os chineses não estão imunes a essa regra geral. Desde o início do governo Xi Jinping, nota-se, eu não diria arrogância, mas uma crescente altivez dos chineses, o que acentua a reação americana.

    Como deveria se posicionar o Brasil? Primeiro, o óbvio: o Brasil não deve se alinhar a nenhum dos dois. País que se preza não se alinha automaticamente a ninguém. As nações, como dizia o general de Gaulle, não têm amigos, mas interesses. Para o Brasil, as relações com os EUA e a China são de grande importância econômica e política. O Brasil não tem a mais remota razão para tomar partido ou imiscuir-se nas desavenças entre os dois.

    Espero não estar exagerando na homenagem ao Conselheiro Acácio. Mas é que alguns dos integrantes do governo Bolsonaro (inclusive, infelizmente, o próprio presidente), flertam com a ideia de alinhamento aos EUA. Faz parte disso a oferta gratuita e absurda, em seguida abandonada, de sediar uma base americana em solo nacional. Faz parte disso, também, certa hostilidade à China – é verdade que mais antes do que depois da eleição. Escapa à minha compreensão o que exatamente o deputado Bolsonaro pretendia com a visita que fez a Taiwan, em março de 2018.

    O exemplo de Getúlio Vargas talvez seja relevante. Na segunda metade das décadas de 1930 e no início dos anos 1940, quando os EUA se defrontavam com a ameaça de uma Alemanha em ascensão, Vargas não se comprometeu com nenhum dos dois. Acabou entrando do lado americano na Segunda Guerra, mas obteve importantes vantagens em troca, inclusive o apoio dos EUA à implantação de Volta Redonda.

    Não deveria a postura brasileira ser semelhante agora? Ou seja: não caberia evitar precipitações e verificar, caso-a-caso, quem oferece melhores condições em termos de parcerias econômicas e políticas? Isso inclui, por exemplo, não assumir compromissos com a OCDE, fugindo da linha iniciada pelo governo Temer. A OCDE, recorde-se, é uma organização controlada pelos EUA e outros países desenvolvidos. Estabelece exigências abrangentes, que limitam severamente as políticas de desenvolvimento e defesa da economia nacional.

    Em Davos, Bolsonaro afirmou que buscará incorporar “as melhores práticas internacionais, como aquelas que são adotadas e promovidas pela OCDE”. O medíocre presidente do Banco Central do governo Temer, Ilan Goldfajn, que permanece temporariamente no cargo, foi mais longe e especificou há poucos dias que o Brasil está comprometido em aderir ao acordo de liberalização dos fluxos de capital da OCDE. Mais uma bobagem.

    Tive longa convivência com americanos e chineses no FMI, no G-20 e nos BRICS. Os chineses têm qualidades, mas a sua agenda é estreita e eles são de um pragmatismo ligeiramente selvagem; não hesitam em sacrificar os outros BRICS quando isso lhes convém.

    Mas os americanos mostram-se mais complicados. Comportam-se, em geral, de maneira prepotente e se consideram líderes natos e hereditários. Não sabem trabalhar em aliança. Coisa curiosa: com os americanos é difícil cooperar mesmo quando há concordância de posições. Passei por isso mais de uma vez nos oito anos em que tive contato regular com as delegações americanas no G-20 e a diretoria desse país no FMI.

    E um aviso aos navegantes: os americanos desprezam visceralmente comportamentos subservientes. Quantas vezes testemunhei a indiferença e, não raro, os maus-tratos dispensados por americanos a seus satélites, especialmente latino-americanos!

    Não se alinhar a nenhum dos dois não significa necessariamente manter equidistância. Se tivermos que pender para um dos lados, é provavelmente preferível pender um pouco para o da China com quem o Brasil tem uma cooperação de caráter estratégico e relativamente equilibrada no âmbito dos BRICS. Em 2019, convém recordar, o Brasil exerce a presidência de turno do grupo. A cúpula dos BRICS se dará em novembro, no Brasil, sob presidência brasileira – oportunidade que não deve ser desperdiçada.

    *Paulo Nogueira Batista Jr. é economista, foi vice-presidente do Novo Banco de Desenvolvimento, estabelecido pelos BRICS em Xangai, e diretor executivo no FMI pelo Brasil e mais dez países.

  • Por Vinícius Segalla

    O último balanço oficial da Petrobrás, publicado em 27 de fevereiro, ou seja há mais de um mês, traz uma informação que passou batida pela imprensa brasileira. Quanto a empresa já pagou nos Estados Unidos de multas por causa da Operação Lava Jato.

    O valor é gigantesco: 3,8 bilhões de dólares ou 14,85 bilhões de reais (ao câmbio atual).

    Se no Brasil os procuradores de Curitiba atuam com o discurso de combate à corrupção na Petrobrás e defesa da empresa, ao mesmo tempo forneceram nos Estados Unidos material e testemunhas (delatores premiados) em ações onde a Petrobrás não é a vítima, mas ré nos processos.

    Ou seja, os promotores brasileiros, em acordos de cooperação que por muito tempo correram em sigilo protegido por Sérgio Moro, atuaram como auxiliares de acusação contra a Petrobrás nos Estados Unidos.

    Essas ações forçaram a estatal brasileira a fechar acordos com diferentes autoridades norte-americanas, resultando em multas muito superiores ao valor recuperado pelo MPF de delatores e empresas que fecharam acordo de leniência no Brasil.

    No balanço da Petrobrás, publicado na imprensa em 27 de fevereiro, os valores devolvidos pela Lava Jato para Petrobrás aparecem em negrito e somam R$ 3.24 bilhões de reais. Esses valores foram dados em vários eventos públicos com a presença do então presidente da empresa, Pedro Parente e Deltan Dallagnol, e fotos de cheques para a imprensa.

    Já os valores pagos nos Estados Unidos aparecem separados e em dólares, mas somam valores muito superiores. Tem os famosos 2,5 bilhões de reais já pagos (equivalentes a 682,6 milhões de dólares) que seriam destinados para a Fundação controlada pelo MP de Curitiba, como parte do acordo com o Departamento de Justiça dos Estados Unidos.

    Esse dinheiro está suspenso por determinação do Supremo Tribunal Federal, que concluiu que a Lava Jato não poderia assinar o acordo com autoridades estrangeiras em nome do Brasil sem o devido processo legal, nem seria a destinatária dos recursos que o acordo diz deverem ir para “autoridades brasileiras”.

    Tem também 333 milhões de reais pelo câmbio de hoje (85,3 milhões de dólares) para o Departamento de Justiça americano e o mesmo valor para a Security Exchange Comission (SEC), o equivalente americano da CVM, que fiscaliza o mercado de ações.

    Mas a maior parte do dinheiro, 2,95 bilhões de dólares, equivalentes ao câmbio de hoje a 11,5 bilhões, foi dado no acordo assinado por Pedro Parente em janeiro de 2018 com os acionistas minoritários americanos que entraram com uma ação coletiva de reparação (class action) contra a empresa, baseados nas informações da Lava Jato. A última parcela do acordo foi paga em janeiro de 2019.

    Ou seja, em uma conta simples, de padaria, há um saldo negativo entre o que saiu dos cofres da Petrobrás por conta da Lava Jato e o que entrou de 11,61 bilhões de reais, sem considerar por exemplo, percentuais de participação dos advogados da Petrobrás nos valores recuperados pela Operação.

    Ou o dano de imagem para a Petrobrás causado pela Lava Jato, ou o custo dos projetos parados pela operação, ou reduções de valor de ativos no balanço da empresa.

    Também não existem números precisos, quanto mais independentes, de quanto teria sido desviado da Petrobrás pela corrupção antes da Operação.

    A Polícia Federal, em laudo de 2015, trabalha com números entre R$ 6,4 bilhões e R$ 42,8 bilhões, mas tais números não são fruto de provas contábeis.

    São estimativas de projeção no contato, com o valor mais baixo indo de uma estimativa de 3% de desvio e o mais alto de 20% de desvio que foram aplicados linearmente em uma série de contratos.

    Valores baseados principalmente em uma planilha produzida por Pedro Barusco especialmente para a Operação durante a negociação de seu acordo de delação premiada. Barusco devolveu 100 milhões de dólares desviados em acordo de delação. E depôs nos Estados Unidos contra a Petrobrás, levado pelos promotores brasileiros.

     

    petrobras 2019 450

     

    Com informações de diariodocentrodomundo.com.br

  • Por Thais Reis Oliveira, na Carta Capital 

    Iniciativa ocorre em meio a um racha na Procuradoria-Geral da República

    Depois da censura pública de Raquel Dodge ao acordo que daria à força-tarefa da Lava Jato o poder de gerir um caixa bilionário, a Corregedoria da Procuradoria-Geral da República abriu um processo para investigar a atuação dos envolvidos no caso.

    Segundo a colunista Monica Bergamo, da Folha de S. Paulo, o processo deve atingir Deltan Dallagnol, o estrelado coordenador da operação no Ministério Público. Sob sua batuta, a turma de Curitiba negociou diretamente com a Petrobras o destino de 2,5 bilhões de reais recuperados graças a um acordo com a justiça americana.

    Conforme o trato, metade dessa verba iria financiar uma fundação privada, administrada pelos próprios procuradores e cuja missão seria reforçar “a luta da sociedade brasileira contra a corrupção”. Mas o projeto afundou em meio a críticas dentro e fora do meio jurídico. Ao menos por enquanto.

    Na terça-feira 12, Raquel Dodge pediu ao Supremo que anulasse o acordo. A chefe do Ministério Público Federal entendeu que os procuradores da Lava Jato violaram a Constituição. Dodge evocou, no pedido, a separação de poderes, a preservação das funções essenciais à Justiça, a independência do MP e os princípios da legalidade, da moralidade e da impessoalidade.

    No mesmo dia, o MPF já havia pedido a suspensão da fundação, parte mais criticada do acordo, mas mantinham o dinheiro sob a conta judicial gerida pelos paranaenses.

    Os procuradores pareciam certos de que o dinheiro ficaria sob a guarda do MP de Curitiba. Um documento divulgado em primeira mão por Luis Nassif, do Jornal GGN, mostra que, dias antes do depósito da Petrobras cair na conta, Deltan Dallagnol negociou diretamente com a Caixa as melhores alternativas de investimentos.

    Racha no MPF

    O pedido de Raquel Dodge desagradou alguns setores do MP. A Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR) divulgou uma nota de repúdio à decisão. Para os signatários, Dodge se excedeu ao pedir a degola total do acordo. Argumentam ainda que “não é normal” que uma matéria da primeira instância do MP seja levada ao Supremo pela procuradora-geral da República.

    Maior revés da operação até aqui, a ofensiva da procuradora-geral ocorre em meio a uma disputa pelo comando da PGR. O mandato Dodge vence em setembro e não há garantias de que Jair Bolsonaro vá reconduzi-la ao cargo. O nome de Dallagnol agrada Sergio Moro e apoiadores dentro do MPF. Mas há grandes barreiras para os planos do golden boy (campeão) da Lava Jato.

    No início deste mês, o Conselho Superior do MPF reafirmou que o cargo de procurador-geral da República só pode ser ocupado por subprocuradores-gerais. Sob essa condição, Deltan não poderia concorrer, já que ainda atua na primeira instância da entidade, dois degraus abaixo da Subprocuradoria.

  • O país enfrenta aumentos de tarifas em uma guerra comercial com os EUA, além de outras provocações da maior potência capitalista do planeta.

    A China tem que se preparar para tempos difíceis já que a situação internacional é cada vez mais complexa, disse o presidente chinês, Xi Jinping, em comentários divulgados pela mídia estatal nesta quarta-feira (22).

    O presidente estadunidense Donald Trump deflagrou uma guerra comercial contra a China e os dois países estão elevando as tarifas comerciais sobre os produtos um do outro, depois que as negociações para resolver a disputa foram interrompidas.

    A disputa não se limita ao comércio exterior, estende-se à produção de alta tecnologia e se intensificou desde a semana passada com Washington colocando a empresa chinesa de equipamentos de telecomunicações Huawei Technologies em uma lista negra de comércio, com o propósito de enfraquecer e liquidar a Companhia (segunda maior do mundo no ramo), o que agitou as cadeias de fornecimento de tecnologia e investidores.

    Durante uma viagem de três dias nesta semana para a província de Jiangxi, um dos berços da revolução socialista liderada pelo Partido Comunista da China, Xi pediu às pessoas que aprendam as lições das dificuldades do passado.

    "Hoje...precisamos superar vários grandes riscos e desafios nacionais e estrangeiros e conquistar novas vitórias para o socialismo com características chinesas", afirmou Xi segundo a agência estatal de notícias Xinhua.

    "Nosso país ainda está em um período de importantes oportunidades estratégicas para o desenvolvimento, mas a situação internacional é cada vez mais complicada", acrescentou.

    "Devemos estar conscientes da natureza complexa e de longo prazo de vários fatores desfavoráveis em casa e no exterior, e nos preparar adequadamente para várias situações difíceis."

    Xi também falou sobre a importância da tecnologia e enfatizou que a inovação tecnológica é a força vital das empresas. “Somente tendo propriedade intelectual e tecnologia de base é possível produzir produtos que possuam competitividade central, e só então uma posição invencível pode ser alcançada em meio à competição acirrada"

    A China precisa dominar mais tecnologias essenciais e aproveitar o "terreno elevado" no desenvolvimento industrial, acrescentou.

  • Os professores da Universidade Nacional Experimental Rafael Maria Baralt, instituição que, através da docência, investigação e extensão, busca a transformação e desenvolvimento da sociedade venezuelana, emitiram nota denunciando a intromissão dos Estados Unidos nos assuntos internos do país latino-americano. Segue a íntegra:

    COMUNICADO

    Os professores da Universidade Nacional Experimental Rafael Maria Baralt repudiam o intervencionismo dos Estados Unidos em sua estratégia de deslegitimação do governo do presidente constitucional da República Bolivariana da Venezuela, Nicolas Maduro Moros.

    O povo soberano da Venezuela, digno herdeiro do Libertador Simon Bolívar, é o único legitimado para qualificar seu sistema democrático e o fez legal e repetidamente nos últimos 19 anos, ante os olhos do mundo, depositando sua confiança nos resultados de 25 processos eleitorais, assim como nas profundas transformações sociais enunciadas em nossa Constituição.

    Portanto, nós, os docentes membros do Sindicato Único Bolivariano de Professores da Universidade Nacional Experimental Rafael Maria Baralt, rechaçamos categoricamente a intervenção e a qualificação de ilegítimo ao governo do presidente Nicolas Maduro emanada a vice-presidência dos Estados Unidos da América, em representação de seu porta-voz, senhor Mike Pence. Venezuela é governada pelos venezuelanos, não aceitamos ingerência imperial, estamos dispostos a defender no cenário que se apresente nossa pátria e nossa soberania.

    Do mesmo modo, a República Bolivariana da Venezuela demonstrou crer nas leis internacionais, no diálogo e na autodeterminação dos povos. Neste sentido, exigimos que o governo dos Estados Unidos da Améria não interfira em nossos assuntos internos e respeite o sistema constitucional que o povo soberano da Venezuela construiu com paz, liberdade e independência.

    Cabimas, Venezuela, 22 de janeiro de 2019

    Fonte: Contee

  • Por Manlio Dinucci (*) em Il Manifesto

    Constranger o adversário a se tensionar excessivamente para desequilibrá-lo e abatê-lo: não é um movimento de judô, mas o plano contra a Rússia elaborado pela Rand Corporation, o mais influente think tank dos EUA que, com uma equipe de milhares de especialistas, apresenta-se como a mais confiável fonte mundial de inteligência e análise política para os governantes dos Estados Unidos e seus aliados.

    A Rand Corp se jacta de ter contribuído para elaborar a estratégia de longo prazo que permitiu aos Estados Unidos vencer a guerra fria, obrigando a União Soviética a consumir seus recursos no confronto estratégico.

    É neste modelo que se inspira o novo plano, o “Overextending and Unbalancing Russia” (1), publicado pela Rand.

    Segundo seus analistas, a Rússia permanece um potente competidor dos Estados Unidos em alguns campos fundamentais. Por isto, os EUA devem perseguir, juntamente com seus aliados, uma estratégia integral de longo prazo que explore sua vulnerabilidade.

    Assim, analisam vários modos para obrigar a Rússia a desequilibrar-se, indicando para cada um desses modos as probabilidades de sucesso, os ganhos, custos e riscos para os EUA.

    Os analistas da Rand consideram que a maior vulnerabilidade da Rússia é a econômica, que se deve à sua forte dependência das exportações de petróleo e gás, cujas receitas podem ser reduzidas tornando mais pesadas as sanções e aumentando as exportações energéticas estadunidenses.

    Trata-se de fazer com que a Europa diminua a importação do gás natural russo, substituindo-o por gás natural liquefeito transportado por mar de outros países.

    Outra maneira de danificar ao longo do tempo a economia da Rússia é encorajar a emigração de pessoal qualificado, em particular os jovens russos com alto grau de instrução.

    No campo ideologico e informativo, trata-se de encorajar os protestos internos e ao mesmo tempo minar a imagem da Rússia no exterior, excluindo-a de fóruns internacionais e boicotando os eventos esportivos internacionais que ela organiza.

    No campo geopolítico, armar a Ucrânia permite aos EUA explorar o ponto de maior vulnerabilidade externa da Rússia, mas isto deve ser calibrado para manter a Rússia sob pressão sem chegar a um grande conflito no qual ela levasse a melhor.

    No campo militar os EUA podem obter altos ganhos, com baixos custo e risco, do aumento das forças terrestres dos países europeus da Otan em uma função anti-Rússia.

    Os EUA podem ter alta probabilidade de êxito e altos ganhos, com riscos moderados, sobretudo investindo pesadamente em bombardeiros estratégicos e mísseis de ataque de longo alcance dirigidos contra a Rússia.

    Sair do Tratado INF (2) e posicionar na Europa novos mísseis nucleares de médio alcance apontados para a Rússia garante suas altas probabilidades de sucesso, mas também comporta elevados riscos.

    Calibrando cada opção para obter o efeito desejado – concluem os analistas da Rand – a Rússia acabará pagando o preço mais alto no confronto com os EUA, mas também estes deverão investir grandes recursos subtraindo-os de outros escopos. Prenunciando, assim, um forte aumento ulterior da despesa militar dos EUA e da Otan, em detrimento dos gastos sociais.

    Este é o futuro que projeta a Rand Corporation, o mais influente think tank do Estado profundo, ou seja, do centro subterrâneo do poder real mantido pela oligarquia econômica, financeira e militar, o qual determina as escolhas estratégicas não só dos EUA, mas de todo o Ocidente.

    As “opções” previstas pelo plano são na realidade apenas variantes da mesma estratégia de guerra, cujo preço em termos de sacrifícios é pago por todos nós.

    (1) Ultrapassando e desequilibrando a Rússia
    (2) Intermediate-Range Nuclear Forces (Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário), assinado pelos Estados Unidos e a então União Soviética em 8 de dezembro de 1987.

    (*) Jornalista e geógrafo

    Tradução de José Reinaldo Carvalho, editor da Página da Resistência

  • A Itália entrou oficialmente em recessão técnica depois que seu Produto Interno Bruto (PIB) recuou dois trimestres consecutivos.

    No quarto trimestre do ano, o PIB caiu 0,2%, depois de uma queda de 0,1% no terceiro trimestre.

    Uma recessão técnica é definida por dois trimestres consecutivos de queda do PIB.

    O primeiro-ministro Giuseppe Conte disse na quarta-feira que esperava uma contração da economia no quarto trimestre, mas afirmou que espera voltar a crescer no segundo trimestre de 2019.

    Em todo o ano de 2018, o crescimento foi de 0,8%. Antes da queda do PIB no terceiro trimestre do ano passado, a economia italiana teve 14 trimestres consecutivos de pequenos aumentos.

    O recuo da produção foi atribuído pelos analistas a fatores como a desaceleração da economia europeia, especialmente da Alemanha, tensões comerciais entre a China e os Estados Unidos e relutância das empresas italianas em investir.

    O cenário italiano, deprimente, é um sinal de que a União Europeia ainda não superou a crise econômica que irrompeu em 2011 no rastro da Grande Recessão dos EUA, deflagrada no final de 2007. O declínio do capitalismo europeu é acompanhado de uma grave crise social, ofensiva contra o Estado de Bem Estar Social e ascensão política da da extrema direita, e com ela da intolerância, voltada principalmente contra imigrantes, ou seja da xenofobia.

    Com agências

  • O Portal CTB reproduz as Notas Internacionais diárias produzidas pela socióloga e cientista política, Ana Prestes, desta quarta (13).

    Notas internacionais (13/12/18)

    - Desde segunda (10) estão reunidos no Uruguai os negociadores do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia. A reunião é vista como a “ultima chance” de um acordo ainda em 2018, mas todos com a forte impressão de que qualquer decisão poderá ser mudada pelo futuro governo Bolsonaro. Caso haja avanço até amanhã (14), a Argentina convocará reunião ministerial dos dois blocos para tentar fechar os últimos detalhes de um acordo que está há 19 anos em negociação. Merkel parece aberta a concessões e colocou pressão ontem dizendo que o tempo está se esgotando, pois sob um governo Bolsonaro será mais difícil. Um dos grandes bloqueadores tem sido a França, que na última reunião do G20 disse que só fecha acordo com firmantes do Acordo Climático de Paris, em clara alusão ao futuro governo Bolsonaro.

    - Theresa May sobreviveu. Não foi aprovada a moção de censura apresentada por parlamentares de seu partido (Conservador) ontem (12) no parlamento britânico. Ela permanece sendo a líder do partido e por consequência a primeira ministra. No entanto, não foi sem custos. Ela se comprometeu a deixar a liderança do partido antes de 2022, quando ocorrem as próximas eleições. Seu grande desafio continua sendo dar um desfecho ao Brexit, o que parece cada vez mais difícil.

    - Macri, presidente argentino, cancelou a confirmação de sua vinda ao Brasil para a posse do presidente Jair Bolsonaro em 1º. de janeiro. A alegação é de que estará em férias com sua família na Patagônia. Os jornais argentinos, no entanto, especulam que os efeitos das notícias sobre suspeita de corrupção no seio da família Bolsonaro, envolvendo filho e esposa do presidente eleito, podem ter influenciado na decisão. Macri já está com uma popularidade baixíssima, tem a própria família (pai e irmão) envolvida em um escândalo de corrupção e não quer desgastar ainda mais sua imagem na entrada do ano novo que para ele será eleitoral. A Argentina é um dos principais parceiros comerciais e políticos do Brasil na América do Sul.

    - Os ataques entre EUA e China continuam. O último episódio foi a alegação do secretário de estado norte-americano, Mike Pompeo de que o recente vazamento de dados do grupo Marriot (rede hoteleira) teria sido fruto de espionagem chinesa. Estima-se que os dados de 500 milhões de clientes da rede Marriot tenham sido hackeados em novembro. Os americanos se dizem especialmente preocupados, pois seus militares e funcionários de agencias governamentais se hospedam nessa rede.

    - As acusações sobre a China no “caso Marriot” ocorrem ainda no calor da recente prisão da executiva financeira do grupo chinês Huawei. Solta sob fiança, Meng Wanzhou aguarda decisão sobre sua possível extradição para os EUA, onde está acusada de fraude pela justiça americana. A Huawei é hoje a maior fabricante mundial em equipamentos de telecomunicações e a segunda em smartphones e tem causado grande incomodo por estar à frente das concorrentes em tecnologia para a rede móvel de 5ª geração (5G). A mobilização do aparato judicial dos EUA contra a empresa vem no bojo da guerra estabelecida com a China. Segundo os americanos, a tecnologia 5G da Huawei deixará os EUA expostos a ciberataques.

    - A aproximação entre Rússia e Turquia tem desagradado Israel, que agora tenta a formação de um bloco com EUA, Grécia e Chipre com o nome de “eixo-democrático” do Oriente Médio. A aliança incluiria uma cooperação militar entre os quatro países na região.

    - Moscou considerou pouco diplomáticas e inapropriadas as declarações do secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, sobre os aviões bombardeiros russos (Tu-160) que chegaram à Venezuela para realização de exercícios militares. Pompeo havia “tuitado” que os exercícios militares da Venezuela em conjunto com a Rússia expõem dois governos corruptos e que usam dinheiro público para manobras militares. O porta voz do Kremlin, Dmitri Peskov, disse que só a metade do orçamento de defesa dos EUA daria para “alimentar toda a África”.

    - Sobre as propostas anunciadas por Macron ao longo da semana em resposta aos protestos dos Jalecos Amarelos, há quem diga que ele tenta dividir o movimento. Há manifestantes que pedem a renúncia de Júpiter (como chamam Macron) e os que se dispõem a negociar. O aumento de 100 euros no salário mínimo pode dividir o movimento. O movimento não tem um a liderança clara declarada, seus integrantes são em maioria homens entre 20 e 40 anos, trabalhadores do interior da França, vinculados a pequenas empresas e a maioria não é sindicalizada. Somam-se a eles movimentos de diferentes setores que também se opõe aos aumentos dos impostos dos combustíveis e com a situação geral do país. Há novas manifestações marcadas para o sábado, 15.

    - Também na França, está convocada para amanhã, 14 de dezembro, uma greve de docentes nas escolas de ensino médio e universidade. Ofuscada pelas manifestações dos jalecos amarelos, a mobilização estudantil na França já dura duas semanas. A última manifestação, da terça 11, que os líderes chamaram de “terça negra” contou com cerca de 35 mil jovens e o bloqueio de 450 unidades educacionais. Eles protestam contra o Parcoursup, uma espécie de ENEM de acesso a universidade, a ser implementado, contra a reforma educacional prevista para 2021, contra o SNU (serviço nacional universal) que obrigará os estudantes de 16 anos a prestarem serviços comunitários e contra o aumento das matrículas para os estudantes que não são provenientes da União Europeia.

    - Quem está de olho no noticiário econômico internacional percebeu o quanto tem se falado da chegada de uma nova crise econômica, maior do que a de 2008. A dívida mundial está em níveis recordes. O último informe de estabilidade financeira do FMI estima que a dívida mundial (não financeira) ao final de 2017 era de 250,7% do PIB mundial.

    - Militares das duas Coreias, sul e norte, fizeram ontem (12) pela primeira vez uma missão conjunta desde o fim da Guerra da Coreia (1950 – 1953). Os militares inspecionaram a demolição e o desarmamento de 22 postos de guarda ao longo da fronteira. Estima-se que esta área tenha 2 milhões de minas terrestres.

    - A popularidade do presidente colombiano Ivan Duque caiu de 53,8% para 27,2% em apenas três meses de governo.

    -Ao homenagear jornalistas, como personalidades do ano de 2018, a revista norte-americana Time citou a jornalista brasileira da Folha de São Paulo, Patrícia Campos Mello, por ter sido alvo de ameaças após relatar que apoiadores do presidente eleito, Jair Bolsonaro, financiaram uma campanha para disseminar notícias falsas no WhatsApp.

    - Foi lançado esta semana em São Paulo o documentário “Exteriores – Mulheres Brasileiras na Diplomacia” em memória aos 100 anos de ingresso da primeira mulher no Itamaraty, em 1918. Na época o chanceler era Nilo Peçanha e assim se referiu à Maria José Rebello, primeira mulher servidora pública concursada do país e primeira diplomata: “Melhor seria, certamente, para o seu prestígio que continuasse à direção do lar, tais são os desenganos da vida pública, mas não há como recusar a sua aspiração”. Maria José foi a primeira colocada no concurso daquele ano. Entre 1938 e 1954, as mulheres brasileiras ficariam proibidas de entrar na diplomacia. Hoje as mulheres são apenas 23% do corpo diplomático e chefiam 9,8% dos postos no exterior.