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Qui, Fev

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  • #EuEmpregadaDoméstica: a senzala moderna é no quartinho 2x2 destinado às trabalhadoras

    Viraliza na internet a página do Facebook Eu Empregada Doméstica, que em poucas horas atingiu quase 20 mil curtidas. A rapper Preta Rara (Joyce Fernandes), criadora da página, conta que a ideia surgiu quando ela decidiu contar um episódio de sua vida como trabalhadora doméstica (veja abaixo).

    eu empregada domestica

    De acordo com ela, em pouco tempo o seu relato teve centenas de compartilhamentos. Preta Rara diz que após a sua postagem deixou de ser “só a minha história, várias mulheres começaram a me falar situações parecidas”.

    Acompanhe os relatos na página Eu Empregada Doméstica. Preta Rara também indica a utilização da hashtag #EuEmpregadaDoméstica.

    Os relatos encontrados na página são assustadores. M.D. conta uma história acontecida com sua prima, cuja patroa reclamava da Lei das Domésticas, aprovada há dois anos. “Ela (a patroa) disse assim ‘...meu amor, não é por nada, mas não é justo uma empregada doméstica ter os mesmos direitos que uma secretária, é questão de justiça elas tiveram pelo menos alguma preparação para trabalhar’. Minha prima chorou ao me contar, é um absurdo achar que elas estão abaixo de qualquer coisa... muito triste, e ela continua trabalhando lá”.

    A dirigente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Lucileide Mafra, presidenta da Federação das Trabalhadoras Domésticas da Região Amazônica, conta que essas histórias ainda são comuns nessa categoria.

    “Na verdade, para as trabalhadoras domésticas brasileiras, a senzala só mudou de lugar. Hoje ela está nos quartinhos 2mx2m, seja nos apartamentos ou nas mansões dos patrões, que maltratam as trabalhadoras de diversas maneiras”.

    lucileide mafra

    Lucileide Mafra diz que as trabalhadoras domésticas continuam sendo maltratadas e desrespeitadas

    Para Mafra, essa iniciativa da rapper paulista é muito interessante, porque “as pessoas passam a ter conhecimento da dura realidade enfrentada pelas trabalhadoras domésticas e quem sabe isso ajude a acabar com essa prática abusiva”.

    Um rapaz, narra fatos acontecidos com sua mãe, uma ex-trabalhadora doméstica. “Ela começou a trabalhar aos 8 anos de idade, cuidando de uma outra criança”, conta. “Um belo dia sua patroa fez uma festa, comprou vários doces. No final da festa, ela chamou minha mãe e disse: ‘leva o resto dos doces e aperitivos pros seus filhos, eles vão gostar, nunca comeram isso, né?’".

    Acostumada com acontecimentos desse tipo, Mafra não se espanta e diz que com o afastamento da presidenta Dilma, “parece que as coisas ruins estão voltando com força”, reclama. “Em um condomínio de luxo no Pará, as trabalhadoras não podiam usar a entrada dos patrões”.

    Mafra lembra de um outro caso, que chamou muito a atenção da diretoria da federação que ela preside. “Uma promotora da Justiça demitiu e descontou R$ 100 de uma trabalhadora, só porque ela comeu um pedaço de pudim. E ainda tentou nos pressionar para não ser processada”.

    Leia mais

    Dia das Trabalhadoras Domésticas: a luta agora é pela aplicação da lei

    Trabalhadoras domésticas conquistam lei com muita abnegação

    Para a sindicalista paraense, a sociedade brasileira é hipócrita. “As pessoas são valorizadas pelo que elas têm ou aparentam ser, sem atentar para os direitos e para a qualidade de vida das pessoas. Uns se julgam melhores que os outros e nesse contexto, as trabalhadoras domésticas são extremamente discriminadas”.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

    Veja vídeo com Preta Rara sobre a página que ela criou

    Preta Rara canta sua música "Audácia"

     

  • #EuEmpregadaDoméstica: a senzala moderna é no quartinho destinado às trabalhadoras

    Viraliza na internet a página do Facebook Eu Empregada Doméstica, que em poucas horas atingiu quase 20 mil curtidas. A rapper Preta Rara (Joyce Fernandes), criadora da página, conta que a ideia surgiu quando ela decidiu contar um episódio de sua vida como trabalhadora doméstica (veja abaixo).

    eu empregada domestica

    De acordo com ela, em pouco tempo o seu relato teve centenas de compartilhamentos. Preta Rara diz que após a sua postagem deixou de ser “só a minha história, várias mulheres começaram a me falar situações parecidas”.

    Acompanhe os relatos na página Eu Empregada Doméstica. Preta Rara também indica a utilização da hashtag #EuEmpregadaDoméstica.

    Os relatos encontrados na página são assustadores. M.D. conta uma história acontecida com sua prima, cuja patroa reclamava da Lei das Domésticas, aprovada há dois anos. “Ela (a patroa) disse assim ‘...meu amor, não é por nada, mas não é justo uma empregada doméstica ter os mesmos direitos que uma secretária, é questão de justiça elas tiveram pelo menos alguma preparação para trabalhar’. Minha prima chorou ao me contar, é um absurdo achar que elas estão abaixo de qualquer coisa... muito triste, e ela continua trabalhando lá”.

    A dirigente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Lucileide Mafra, presidenta da Federação das Trabalhadoras Domésticas da Região Amazônica, conta que essas histórias ainda são comuns nessa categoria.

    “Na verdade, para as trabalhadoras domésticas brasileiras, a senzala só mudou de lugar. Hoje ela está nos quartinhos 2mx2m, seja nos apartamentos ou nas mansões dos patrões, que maltratam as trabalhadoras de diversas maneiras”.

    lucileide mafra

    Lucileide Mafra diz que as trabalhadoras domésticas continuam sendo maltratadas e desrespeitadas

    Para Mafra, essa iniciativa da rapper paulista é muito interessante, porque “as pessoas passam a ter conhecimento da dura realidade enfrentada pelas trabalhadoras domésticas e quem sabe isso ajude a acabar com essa prática abusiva”.

    Um rapaz, narra fatos acontecidos com sua mãe, uma ex-trabalhadora doméstica. “Ela começou a trabalhar aos 8 anos de idade, cuidando de uma outra criança”, conta. “Um belo dia sua patroa fez uma festa, comprou vários doces. No final da festa, ela chamou minha mãe e disse: ‘leva o resto dos doces e aperitivos pros seus filhos, eles vão gostar, nunca comeram isso, né?’".

    Acostumada com acontecimentos desse tipo, Mafra não se espanta e diz que com o afastamento da presidenta Dilma, “parece que as coisas ruins estão voltando com força”, reclama. “Em um condomínio de luxo no Pará, as trabalhadoras não podiam usar a entrada dos patrões”.

    Mafra lembra de um outro caso, que chamou muito a atenção da diretoria da federação que ela preside. “Uma promotora da Justiça demitiu e descontou R$ 100 de uma trabalhadora, só porque ela comeu um pedaço de pudim. E ainda tentou nos pressionar para não ser processada”.

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    Trabalhadoras domésticas conquistam lei com muita abnegação

    Para a sindicalista paraense, a sociedade brasileira é hipócrita. “As pessoas são valorizadas pelo que elas têm ou aparentam ser, sem atentar para os direitos e para a qualidade de vida das pessoas. Uns se julgam melhores que os outros e nesse contexto, as trabalhadoras domésticas são extremamente discriminadas”.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

    Veja vídeo com Preta Rara sobre a página que ela criou

    Preta Rara canta sua música "Audácia"

     

  • A direita mostra a sua cara: Doria e Russomanno acusados de humilhar trabalhadores

    A direita mais reacionária da sociedade paulistana mostra a sua cara nestas eleições com atitudes que não aparecem nas campanhas dos seus respectivos candidatos. Celso Russomanno (PRB) tenta censurar os Jornalistas Livres e um ex-assessor de João Doria Junior (PSDB), Luiz Carlos Franco, o acusa de falsidade e perseguição.

    Franco escreve em seu Facebook sobre o candidato do PSDB: “Cruzamos caminhos algumas vezes, e após eu ter investido dois anos de minha vida profissional para torná-lo presidente da Embratur, foi capaz de oferecer seus serviços de agência à TAM – Linhas Aéreas, onde eu trabalhava, o que implicaria – se o comandante Rolim aceitasse – na minha demissão”.

    Já o candidato do PRB entrou com ação contra os Jornalistas Livres para tirar do ar a entrevista com Cleide Cruz, a caixa de supermercado humilhada por ele numa reportagem de 10 anos atrás, exibida pela Band (assista aqui a reportagem do então deputado federal).

    De acordo com os Jornalistas Livres, “o processo está sendo movido por nada menos do que 11 advogados contratados por Russomanno, que solicitou à Justiça a retirada da reportagem do ar antes mesmo que os Jornalistas Livres pudessem apresentar sua defesa” (assista a entrevista com a trabalhadora aqui).

    Explicam ainda que o juiz Sidney da Silva Braga, da 1ª zona eleitoral de São Paulo negou o pedido do candidato, afirmando não enxergar nenhum motivo que justificasse a retirada da reportagem do ar.

    Em relação a Doria, Franco afirma ainda que ele “pediu minha cabeça ao sr. Frias (Octavio), dono da Folha (de S.Paulo), por discordar de artigos que publiquei. Tive certeza da sua fidelidade ao ser informado pelo comandante Rolim sobre sua proposta; e pelo jornalista Adilson Laranjeira, meu chefe à época na Folha da Tarde”.

    Para ele, “Joãodoria45 é tão verdadeiro quanto nota de R$ 30,00, ou como o tingimento de seus cabelos ou o Botox que andou aplicando” (saiba mais aqui).

    Portal CTB com agências

  • A Folha saiu do Facebook. E agora?

    Decisão do jornal é uma tentativa de se reposicionar na disputa por audiência e credibilidade, e escancara os graves problemas do Facebook no controle, sem transparência, da distribuição de conteúdos.

    Nesta briga de titãs, não nos cabe defender um ou outro monopólio. Mas não resta dúvida: Já passou da hora de mais setores da sociedade, em particular da mídia alternativa, repensarem sua presença no Facebook e descortinarem outros mecanismos que recuperem o papel da própria rede mundial de computadores, para enfim reduzir o poder desta corporação que quer fagocitar a internet.

    Nesta quinta-feira, 08 de fevereiro, a Folha de S.Paulo anunciou, em chamada de capa, que não vai mais publicar seus conteúdos no Facebook. Os motivos elencados pelo jornal são: a alteração dos algoritmos implementada pela plataforma que “passou a privilegiar conteúdos de interação pessoal, em detrimento dos produzidos por empresas, como as que produzem jornalismo profissional”, e o fato de o Facebook não ter conseguido “resolver satisfatóriamente o problema de identificar o que é conteúdo relativo a jornalismo profissional e o que não é”, o que de acordo com a Folha contribui para a disseminação das “fake news”.

    Há vários aspectos a serem analisados tanto na decisão da Folha, quanto nos argumentos por ela explicitados. É importante, também, refletir sobre este momento do Facebook, talvez a primeira crise da rede social criada por Mark Zuckerberg em fevereiro de 2004, e que tem em torno de 2 bilhões de usuários.

    A encruzilhada do jornalismo como produto comercial

    Os últimos anos foram mortais para as empresas jornalísticas. O surgimento da internet abalou os pilares que sustentavam essas empresas e abriu caminho para que o monopólio da produção de notícias fosse ameaçado.

    No Brasil, as empresas jornalísticas privadas gozavam do privilégio de serem, praticamente, as únicas produtoras de notícias para grandes massas. A barreira econômica de entrada para esta atividade empresarial sempre foi muito elevada e, portanto, reservada a grandes capitalistas, primeiro no meio impresso, depois no rádio e na televisão. Por integrarem um extrato da elite econômica, essas empresas também sempre tiverem o monopólio do discurso, impondo à sociedade uma agenda política, social e cultural baseada nos seus interesses de classe.

    A Internet mudou isso. Novos grupos sociais, políticos e econômicos passaram a ter a possibilidade de produzir conteúdo informativo e opinativo, disputando a atenção de parcela da sociedade e criando um ambiente mais plural e diverso na arena da comunicação. O “valor” da notícia caiu. Informações das mais variadas fontes passaram a estar disponíveis “sem custo” para o internauta. Esse novo ambiente abalou o modelo de negócios no qual – principalmente a mídia impressa – se baseava.

    Esse modelo era o da criação de uma escassez artificial da notícia. Mas o que é isso? Sinteticamente: A informação é um bem intangível (não existe fisicamente). Se eu te “dou” uma informação eu não deixo de tê-la. Eu a divido com você e nós dois passamos a ter a mesma informação. É diferente dos bens tangíveis, uma cadeira, por exemplo. Se eu dou a cadeira para você, eu deixo de tê-la. Bom, e daí? Daí, que este é um dos elementos que determinam o preço das coisas e todo o seu ciclo econômico. Com a informação, a notícia, não é assim. Por isso, o que as empresas faziam era criar uma escassez artificial da informação, a partir do controle de acesso (tiragem, bilhete, assinatura), da obsolescência programada (ninguém compra o jornal do dia anterior, ele perde a “validade e o valor” em 24 horas), propriedade intelectual e outros mecanismos.

    O valor da produção da notícia em si é aproximadamente o mesmo para a Folha e para um site da mídia alternativa. O que muda é o preço da impressão e distribuição. A internet eliminou estes dois e “desmonetizou” a notícia.

    Agora, a informação é dada em tempo real pela internet muito antes de sair nos jornais e está disponível em dezenas, centenas de páginas. Esse é o dilema das grandes empresas jornalísticas que se veem diante da eminência do já anunciado juízo final dos jornais impressos.

    Facebook alavanca novos produtores

    O Facebook condensou na sua plataforma mecanismos de distribuição de conteúdo que romperam a lógica dos grandes jornais e portais, permitindo a ampliação do alcance de outras veículos. Novas fontes de informação e opinião ganharam um grande alcance na rede social. O fenômeno já vinha desde o final de 2010. Mas, em particular no Brasil, houve um boom de novos coletivos de comunicação e cultura, que passaram a ser referência e ter grande alcance. Um deles é a própria Mídia Ninja.

    É nesta fase que se dá uma disputa mais acirrada pela audiência entre a mídia tradicional e as “novas mídias”. Isso se refletiu, inclusive, na distribuição de publicidade privada e estatal. É neste período que empresas e governos passam a investir mais recursos de publicidade na internet e em plataformas como Google e Facebook.

    Parecia inevitável que, em algum momento, a contradição entre os interesses deste novo gigante da internet e os da mídia tradicional fossem se chocar.

    Bate a assopra

    Há alguns anos o Facebook buscou estabelecer uma “aliança” com os tradicionais veículos de mídia, criando a funcionalidade dos “instant articles”. O recurso, lançado em 2015, permitia que as empresas de comunicação “hospedassem” seus conteúdos no Facebook. Desta forma, a pessoa poderia ler o conteúdo diretamente na plataforma do Zuckerberg sem ser direcionado para a página do jornal. A vantagem para o jornal seria o carregamento mais rápido do seu conteúdo e o estímulo ao usuário ler seus artigos na integra.

    Esse recurso coincide, mais ou menos, com o crescimento das ofertas de Facebook grátis para os planos de internet móvel, o chamado zero-rating. Operadoras e plataforma firmavam algum tipo de parceria e na hora de adquirir um pacote de dados para acesso à internet pelo celular, o cliente ganhava o Facebook – ou seja, a navegação na plataforma do Zuckerberg não descontava do plano de dados do usuário.

    Isso parecia interessante naquele momento, já que dados da Organização União Internacional das Telecomunicações (UIT) mostravam (e ainda mostram) que a maior parte das pessoas com acesso à internet estão conectadas pelo celular. Grandes empresas jornalísticas aderiram à proposta do Facebook: The New York Times, National Geographic, The Atlantic, NBC News. No Brasil o Estadão, a revista Exame e Catraca Livre.

    A força centrípeta do Facebook e seu crescimento no último período tornava de certa forma inquestionável que, apesar das contradições, as empresas jornalísticas ainda tinham algo a ganhar de visibilidade e audiência compartilhando seus conteúdos na rede social. Um pouco na lógica de ruim com ele, pior sem ele.

    Mas em janeiro desse ano, Mark Zuckerberg anuncia mais uma mudança nos algoritmos do Facebook e diz que sua plataforma vai mudar os critérios de indexação dos conteúdos para dar mais visibilidade a compartilhamentos pessoais, de amigos e família.

    Em sua página, o CEO do Facebook disse que uma pesquisa feita internamente mostra que “quando nós usamos as redes sociais para nos conectarmos com pessoas que gostamos, pode ser bom para nosso bem-estar”. E segundo ele esse é o objetivo da sua plataforma.“Uma vez que há mais conteúdo público do que posts de amigos e da família, o feed afastou-se da coisa mais importante que o Facebook pode fazer: ajudar a nos conectarmos uns com os outros”.

    Na sua avaliação, “nós podemos nos sentir mais conectados e menos sozinhos, e isso faz um paralelo com uma série de medidas sobre felicidade e saúde. Por outro lado, ler artigos passivamente ou assistir a vídeos — mesmo que eles sejam para entretenimento ou informativos — pode não ser tão bom.”

    A medida foi mal recebida pelas empresas jornalísticas, por outros produtores de conteúdo para o Facebook e inclusive para a bolsa de valores de Nova York – Nasdaq.

    As ações da companhia caíram, só em 12 de janeiro (um dia depois do anúncio), 4,47%. Essa queda representou uma perda de U$ 24,2 bilhões de dólares no valor de mercado do Facebook.

    Essa foi a gota da água, pelo menos para a Folha de S.Paulo, que ousou ao anunciar sua “retirada” do Facebook. Desde meados de 2017, mudanças nos algoritmos da plataforma já estavam afetando o alcance e a visualização de conteúdos de páginas, inclusive da mídia alternativa. No caso da Folha, “a importância do Facebook como canal de distribuição já vinha diminuindo significativamente antes mesmo da mudança do mês passado, tendência também observada em outros veículos”.

    Eles mostram que “o volume total de interações obtido pelas 10 maiores páginas de jornais brasileiros no Facebook caiu 32% na comparação com o mesmo mês do ano passado”.

    O fato é que ninguém sabe ao certo como funcionam os algorítimos do Facebook.

    Não há nenhuma transparências nos parâmetros que definem o que aparece ou não na nossa timeline.

    Não há mecanismos de accountability e os usuários (indivíduos ou empresas) são completamente reféns da caixa-preta do Facebook e do que o CEO considera que deva ser a missão da plataforma. Nos últimos anos, a plataforma de Zuckerberg foi se tornando cada vez mais um grande filtro de informação, ou como se diz no jargão jornalístico, um gatekeeper. Passou a direcionar o que a gente vê, lê ou assiste, de acordo com nossos “gostos”. O Facebook criou grandes bolhas que têm trazido impactos preocupantes para a vida em sociedade, amplificando a intolerância ao impedir a saudável contraposição de opiniões.

    Folha x Facebook

    A disputa econômica é o pano de fundo da decisão da Folha, que está apostando em outros mecanismos para recuperar relevância e audiência na internet. Entre eles, a mudança nos algoritmos do Google, que ao contrário do Facebook, passaram a privilegiar os veículos de grande mídia na indexação de suas buscas sobre o argumento de combater as “fake news”. Ou seja, se a notícia foi produzida por uma empresa jornalística sai ganhando na hora de aparecer nas primeiras colocações dos resultados do Google.

    Se o que moveu a Folha foi o fator econômico, o argumento público para justificar o “abandono” do Facebook é justamente o do combate às notícias falsas, ou “fake news”.

    Segundo avaliação do jornal, ao tirarem a “prioridade” dos conteúdos jornalísticos do seu feed, o Facebook está aumento o espaço para a disseminação de “fake news” e reduzindo o do jornalismo profissional.

    Aqui tem um termo que vale a reflexão: Jornalismo Profissional. Ele foi cunhado há mais um menos um ano, quando a Folha de S.Paulo lançou o seu novo Projeto Editorial.

    Estava claro, ali, que o objetivo já era tentar diferenciar o conteúdo produzido pelo jornal dos produzidos pela mídia alternativa.

    Ao adjetivar o jornalismo com o termo profissional, a Folha buscava recuperar a sua credibilidade, bastante comprometida pela cobertura explicitamente pró impeachment e subordinada ao projeto de retomada de uma agenda regressiva na área econômica, política e social.

    O termo profissional é uma maneira de qualificar o conteúdo da Folha, e desqualificar todo e qualquer conteúdo produzido por sites da mídia alternativa, independente, popular, comunitária. É uma forma de recuperar o valor comercial da notícia. Assim, tudo o que for produzido por coletivos e outros veículos que não sejam de empresas jornalísticas privadas não é “jornalismo profissional” e, portanto, não merece credibilidade.

    Se não é da grande mídia não tem qualidade, é suspeito e pode ser, potencialmente, uma notícia falsa. Por detrás do alarde criado em torno das “fakes news” há um velho conglomerado de empresas midiáticas monopolistas, que passaram a ter a sua hegêmonia econômica e política abaladas e que precisam a todo custo recuperar sua posição.

    Este divórcio entre Folha e Facebook é importante porque contribui para trazer à tona tanto o caráter prejudicial da rede social, quanto para mostrar as verdadeiras intenções dos jornalões que fazem de tudo para sobreviver.

    Renata Mielli é jornalista, coordenadora geral do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação e secretária geral do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé e colunista da Mídia Ninja.

    Os artigos publicados na seção “Opinião Classista” não refletem necessariamente a opinião da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e são de responsabilidade de cada autor. 

     

  • Audiência pública debate o genocídio da juventude negra em São Paulo, nesta terça (10)

    O movimento negro se une à deputada estadual Leci Brandão (PCdoB) para realizar, nesta terça-feira (10), às 18h30, uma audiência pública para debater a matança de jovens negros, pobres e moradores da periferia. A audiência acontece no Auditório Paulo Kobayashi da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp, na av. Pedro Álvares Cabral, 201, na capital paulista).

    Lidiane Gomes, secretária da Igualdade Racial da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil em São Paulo (CTB-SP), conta que leciona em escola pública da periferia há 14 anos e há 5 anos em escola da rede privada e sente a diferença de perspectivas de vida porque “como pode uma criança pobre acreditar que o estudo lhe dará boas chances de ter uma vida abastada, se ela vai para a escola esperando sua primeira refeição do dia?”

    audiencia contra genocidio juventude negra

    Participarão da audiência mães que perderam seus filhos pelas mãos do Estado e as entidades do movimento negro em São Paulo, além da Rede de Proteção e Enfrentamento ao Genocídio. A deputada Leci Brandão convida a todas as pessoas que acreditam na necessidade de parar com essa matança a parrticiparem dessa audiência.

    Confirme presença pela página do Facebook da audiência aqui.

    O Atlas da Violência 2017, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, mostra que de cada 100 pessoas assassinada no Brasil entre 2005 e 2015, 71 foram negras, boa parte de jovens.

    Ainda de acordo com o Atlas, mais de 318 mil jovens foram assassinados no país nesse período. Os homens jovens, negros e pobres continuam sendo as principais vítimas com mais de 92% das mortes.

    Gomes ressalta a necessidade de criação de políticas públicas para combater a brutal diferença das escolas públicas da periferia e as escolas particulares. “Na periferia, as crianças e jovens ficam expostos a todo tipo de violência e até ao aliciamento por traficantes. Aí ou morrem pelas mãos da polícia ou pelo tráfico”.

    Por isso, denuncia a professora de história no interior de São Paulo, “as crianças da escola pública têm menos chances de sobreviverem do que os da escola privada. Essa audiência pode apontar caminhos para mudarmos essa triste realidade”.

    Campanha contra o genocídio da juventude negra 

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

  • Bem amigos…o jogo da Seleção não vai passar na Globo!

    Vai ser o primeiro Brasil X Argentina que não será transmitido pela Rede Globo. TV Brasil e Facebook exibirão os dois amistosos da seleção que acontecerão nos dias 9 e 13 de junho, na Austrália.

    O casamento entre a emissora de televisão e a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) – que resultou num dos maiores monopólios midiático-esportivo do mundo – esteve inabalável por 4 décadas. Agora, a política, as novas tecnologias, e a busca por mais lucratividade são fatores que estremecem a relação entre ambas e podem abrir um novo capítulo na discussão sobre direito de transmissão de eventos esportivos no Brasil.

    O poder econômico da Rede Globo nunca abriu brechas para que outras emissoras de televisão pleiteassem a compra dos direitos de transmissão de campeonatos de futebol. A Globo, para não perder a sua força, comprava tudo – o que ia transmitir e o que não ia transmitir. Ou seja, eliminava qualquer possibilidade de concorrência e criava uma situação na qual a sociedade ficava completamente refém da emissora. A Globo impunha o jogo de futebol que a sociedade iria assistir na televisão. Isso teve impactos culturais, como o fato de ser o Flamengo o time de maior torcida nacional.

    Já em 2016 o monopólio da Globo nas transmissões de partidas de futebol começou a ruir com a entrada em campo do Esporte Interativo, que começou a fechar os direitos para transmitir jogos de campeonatos brasileiros da séria A, B e C a partir de 2019. Mas até então isso não resvalava na Seleção.

    O primeiro atrito entre CBF e Globo aconteceu no início de 2017, no amistoso entre Brasil e Colômbia para homenagear as vítimas da Chapecoense. A Globo não quis comprar o direito de transmissão do jogo pela bagatela de 2 milhões de reais. A CBF não gostou da “rebeldia” da parceira e decidiu abrir o sinal da partida.

    Depois disso, a Globo aguardava o leilão (bid) que a CBF faz para vender o “pacote” de jogos amistosos da seleção. Mas eis que a Confederação decidiu comercializar as partidas da Austrália de forma avulsa.

    Novos jogadores mudam as regras do jogo

    A blindagem da Globo para impedir que novos modelos de negócio envolvendo a transmissão de jogos chegassem no Brasil foi furada. Em outros países, a compra dos direitos e a divisão das cotas já envolve de forma mais direta os canais de TV por assinatura e, mais recentemente, serviços da internet entram na arena: Facebook, Twitter e YouTube.

    De um lado, clubes e confederações buscam diversificar a oferta e obter mais lucro com a comercialização das partidas. A CBF, inclusive, começa a investir mais na geração direta das imagens. Assim, pretendem arrecadar mais dinheiro com patrocínio e a venda do sinal para as emissoras que adquirirem o direito de transmissão.

    Para a Globo, se este modelo se consolidar será um desastre. Além de perder a hegemonia mantida até hoje, a emissora vai perder milhões de reais com a venda de publicidade de forma exclusiva para veiculação nos intervalos e durante os jogos.

    Tanto é que a direção da emissora já começa a fazer mudanças na equipe para tentar impedir que a Globo fique em desvantagem: deve entrar com tudo para garantir a compra dos próximos amistosos e das Eliminátórias no lote a ser colocado à venda pela CBF para o período de 2018 a 2022.

    Facebook está de olho nos cifrões do futebol

    A transmissão de jogos pela internet já começa a crescer. As parcerias que o Facebook tem firmado envolvem inclusive negociações com as emissoras detentoras dos direitos de transmissão.

    Mas há negociação feita diretamente com clubes e ligas. Em março, o Facebook fechou um acordo com a MLS, principal liga de futebol americano, para a transmissão de 22 jogos. Twitter também já tem parcerias com a NBA (basquete) e a NFL (futebol americano).

    A transmissão de eventos esportivos é um filão bilionário e é claro que Mark Zuckerberg está de olho nisso. Nós também temos que ficar de olho, porque a sociedade tem que aproveitar o novo ambiente digital como uma oportunidade para enfrentar o monopólio das transmissões.

    Não podemos deixar que apenas se troque um monopólio por outro.

    Renata Mielli é jornalista, coordenadora-geral do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação, secretária-geral do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé e colunista da Mídia Ninja às quintas-feiras. Foto: Mídia Ninja.

    Os artigos publicados na seção “Opinião Classista” não refletem necessariamente a opinião da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e são de responsabilidade de cada autor.

  • Cresce a concentração de renda na medida em que os salários perdem valor

    Relatório do Boston Consulting Group (BCG), divulgado na sexta-feira (16) mostra claramente o que está acontecendo no mundo do século 21. A concentração de renda cresceu. Além de 1% deter 45% da riqueza mundial, aumenta o número de milionários nos Estados Unidos.

    Cerca de 18 milhões de famílias no mundo possuem uma riqueza de mais de US$ 1 milhão, de acordo com o BCG, sendo cerca de 7 milhões somente nos Estados Unidos e a estimativa é de que essa concentração cresça substancialmente. O relatório mostra também que a concentração de renda cresce em cima do achatamento salarial da classe trabalhadora.

    “Enquanto isso, os países emergentes veem sua economia definhar com o ultraliberalíssimo dominando as agendas, com sucessivos ataques às conquistas da classe trabalhadora, como no Brasil com o governo ilegítimo de Temer”, diz Carlos Rogério Nunes, secretário de Políticas Sociais da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).

    Os dados comprovam que o sistema financeiro domina a economia em detrimento dos setores produtivos, o que faz aumentar a concentração de riqueza e diminuir a criação de novos postos de trabalho. 

    Isso é o que acontece no Brasil após o impeachment da presidenta Dilma Rousseff no ano passado. Voltou-se a “um Estado que protege os interesses do 1% mais rico e vira as costas para a grande maioria da população, deixa o povo desprotegido. Tira os seus direitos, antes de tudo o direito a um emprego”, acentua o cientista social Emir Sader.

    Os oito mais ricos do mundo

    Pela lista da revista Forbes, entre os oito mais ricos do mundo, seis são norte-americanos. Os mais ricos são: Bill Gates, fundador da Microsoft, lidera o ranking, com uma fortuna de US$ 75 bilhões; seguido pelo espanhol Amancio Ortega, fundador da Inditex, empresa-mãe da Zara (US$ 67 bilhões); pelo americano Warren Buffett, acionista da Berkshire Hathaway (US$ 60,8 bilhões); pelo mexicano Carlos Slim Helu, dono da Grupo Carso (US$ 50 bilhões); e pelos americanos Jeff Bezos, fundador e principal executivo da Amazon (US$ 45,2 bilhões); Mark Zuckerberg, cofundador e principal executivo do Facebook (US$ 44,6 bilhões); Larry Ellison, cofundador e principal executivo da Oracle (US$ 43,6 bilhões) e Michael Bloomberg, cofundador da Bloomberg LP (US$ 40 bilhões).

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy com agências. Arte: Latuff

  • CTB presta solidariedade a Olívia Santana que sofreu agressão em Salvador neste sábado (3)

    A secretária estadual do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte da Bahia, Olívia Santana, denuciou em sua página do Facebook ter sido agredida ao participar do evento - para o qual foi convidada - "Folia do Batom", no Hotel Catussaba, em Itapuã, na capital baiana.

    Segundo informações do jornal A Tarde, uma mulher se dirigiu à secretária e disse que ela era uma "comunista" e, por isso, não deveria estar no hotel e que "deveria voltar para a favela".

    Santana registrou queixa e a senhora foi encaminhada à delegacia de polícia e responderá a processo. Essa senhora afirmou também que "a intervenção militar vai vir para acabar com essa mordomia de vocês (esquerda)", e complementou: "Gosta de socialismo? Vai para um acampamento do MST".

    A CTB condena o racismo e toda a prática que defenda a discriminação, o ódio e a violência. Em pleno século 21 é impossível conceber tamanha insansatez.

    Mônica Custódio, secretária da Igualdade Racial da CTB, escreveu um artigo prestando a solidariedade da central à secretária do governo da Bahia e ativista do movimento negro e feminista. Custódio afirma que "o nível de agressão, o ódio destilado, foi sem precedentes, é isso que a população negra passa cotidianamente. Muitos de nós ouvimos e nos calamos, outros fingem que não ouvem como defesa, outros ouvem e vão à luta em defesa de seus direitos, e têm dessas e desses que se fortalecem, e passam a fazer a luta no coletivo por que sentiram na pele, e na alma, que o duelo é mais que ideológico, e ou estrutural, e existencial" (leia a íntegra abaixo). 

    Racismo ou vitimização

    Para aquelas pessoas que preferem não acreditar que em dias como os de hoje o racismo ainda é uma realidade e apenas uma retórica, já podem parar para fazer sua reflexão e ter a percepção que a questão racial não é uma questão subjetiva no foco sócio econômico, e muito menos de identitariedade no foco dos movimentos sociais. O racismo é real, desumano, marginal, covarde, cotidiano e letal.

    O que aconteceu com a secretária estadual de Emprego e Renda e Esporte da Bahia, Olívia Santana, quando a convite de vice-presidência da Federação Nacional de Automobilismo Selma Moraes, participava do evento "Folia Batom" no Hotel Catussaba, foi um descalabro. Uma agressão, física, verbal, moral, e psicológica sofrida pela militante, fundadora da União de Negros Pela Igualdade (Unegro), o nível de agressão, o ódio destilado, foi sem precedentes, é isso que a população negra passa cotidianamente. Muitos de nós ouvimos e nos calamos, outros fingem que não ouvem como defesa, outros ouvem e vão à luta em defesa de seus direitos, e têm dessas e desses que se fortalecem, e passam a fazer a luta no coletivo por que sentiram na pele, e na alma, que o duelo é mais que ideológico ou estrutural, é existencial.

    E neste caso a agressora, que cometeu injúria, racismo e preconceito, mexeu em um vespeiro, porque Olívia Santana é mais que a secretária do Trabalho, ela é a negona da Bahia, da Unegro, uma mulher impecável na luta em defesa da mulher, em defesa do estado laico, e contra a Intolerância religiosa, em defesa dos direitos LGBTT, e de todas as formas de racismo e Discriminação.

    Comunista sim! Senhora de engenho, essa mulher que você pensa ter humilhado, é dona de si, não se abate, e o que você fez foi provocar ainda mais nessa militante comunista a capacidade de fazer o bom combate, que é, e sempre foi, do bem comum, pela emancipação humana e pelo direito individual e coletivo, uma batalha sem fim, dia-a-dia por melhores condições de vida, duelando e vencendo pensamentos e políticas atrasadas com as que você e sua classe destila.

    O que precisa ficar nítido, esclarecido, empretecido, ou como bem queiram entender, é que depois de 130 anos da “Abolição”, para a senzala nós não voltamos! Olívia Santana representa essa trincheira de luta e resistência. Vamos à luta pela dignidade dessa mulher que representa o berço do nosso país, a cidade de maior representação negra do Brasil, que é a maior população negra fora de África.

    Vida Longa à guerreira e vitoriosa, Olívia Santana. Você nos representa!! Força negona da Bahia, da Unegro, dos movimentos sociais.

    Mônica Custódio, secretária de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da CTB.

  • Eleonora Menicucci: sentença revista é vitória das mulheres contra a cultura do estupro

    Até o sol ameaçou abrir na nublada São Paulo na manhã desta terça-feira (24). A ex-ministra de Políticas para as Mulheres de Dilma Rousseff, Eleonora Menicucci, teve seu recurso acatado contra condenação anterior em processo movido pelo ator pornô Alexandre Frota.

    Assista a manifestação em apoio à luta das mulheres contra a violência e a discriminação 

    O julgamento ocorreu no Fórum João Mendes, no centro da capital paulista e o resultado foi muito comemorado por dezenas de manifestantes solidárias à Menicucci. “Foi uma vitória do bom senso”, afirma Celina Arêas, secretária da Mulher Trabalhadora da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).

    Entenda o caso

    Mulheres organizam manifesto em apoio à ex-ministra Eleonora Menicucci

    “Aqui vai o meu mais profundo agradecimento a todas as mulheres, de todas as raças, de todas as matrizes religiosas, de todas as idades. Essa vitória é das mulheres brasileiras porque foi com elas que eu aprendi a lutar”, afirmou Menicucci ao sair do tribunal.

    “A CTB apoia a ex-ministra e está na luta contra qualquer disseminação de atos violentos contra as mulheres, inclusive contra insinuações de sexo não consensual em um canal de televisão”, reforça Arêas. “Para nós, Frota é quem deveria estar sendo julgado por suas grosserias contra as mulheres e a população LGBT”.

    Inclusive foi criada a página Somos Todas Eleonorano Facebook em apoio à ex-ministra, de 73 anos. 

    A ex-ministra havia sido condenada no ano passado em primeira instância a indenizar Frota em R$ 10 mil por ter dito que o ator faz apologia ao estupro e criticou o ministro da Educação, Mendonça Filho, por tê-lo recebido em seu gabinete. “Frota não só assumiu ter estuprado uma mulher, mas também faz apologia ao estupro”, disse a ex-ministra à época.

    Frota chegou ao tribunal escoltado por policias militares, discutiu com as manifestantes e tentou agredi-las como mostra o vídeo do Brasil de Fato (veja abaixo). “A que ponto chegamos com esse golpe, uma mulher da envergadura de Menicucci ter que comparecer aos tribunais para responder às acusações de um ator como o Frota. Impensável”, diz Arêas.

    Veja como foi a entrevista que causou a acusação de Menicucci

    Após insinuar sexo não consensual em TV, Alexandre Frota processa ex-ministra de Dilma

    Para a cetebista, “é muito importante a união de todas as brasileiras e brasileiros que sonham com um país mais igual e humano”. Ela critica a decisão da juíza de primeira instância e reafirma a necessidade de o movimento feminista “tomar as ruas para denunciar as constantes violências as quais as mulheres são submetidas" e complementa: "queremos nossos direitos a uma vida digna respeitados”.

    Portal CTB - Marcos Aurélio Ruy

  • Facebook: 2 bilhões de usuários e um projeto para dominar o mundo

    Além de violar o nosso direito à privacidade e usar de forma indevida nossos dados pessoais, agora o Facebook quer ler nossas emoções, quer se apropriar da nossa alma.

    O Facebook atingiu a impressionante marca de 2 bilhões de usuários em todo o planeta. Aproximadamente 25% da população mundial está na plataforma fundada por Mark Zuckerberg. Isso deveria ser motivo de uma séria e profunda reflexão sobre o papel desta plataforma na sociedade hoje.

    Nascido em fevereiro de 2004 para ser uma rede de relacionamento para os estudantes da Universidade Harvard, o Facebook, em apenas 13 anos, transformou-se num dos maiores – senão o maior – monopólio privado de comunicação do mundo.

    Ao longo desta década, a existência do Facebook teve impacto importante nos hábitos de consumo de notícias, no padrão de ‘relacionamento’ entre as pessoas e organizações e tem crescentemente influenciado decisões políticas e eleitorais.

    Primavera Árabe, Indignados da Espanha e Occupy Wall Street, no ano de 2011, foram talvez as primeiras grandes mobilizações sociais cujo engajamento ocorreu de forma decisiva pela plataforma de Zuckerberg. No Brasil, podemos citar as mobilizações de junho de 2013.

    Sua rede está tão onipresente nos dias atuais, que muitos usuários acreditam que o Facebook seja a própria internet. Isso não é nada bom. Ao contrário: é muito perigoso.

    Rua sem Saída

    O Facebook está sugando a internet para dentro de sua “timeline”. Poucas pessoas navegam na internet hoje. Elas acessam o Facebook e nele ficam lendo manchetes de notícias, postagens pessoais, institucionais, fotos e vídeos, mas dificilmente clicam para ir para o conteúdo original.

    Isso ocorre por vários motivos, entre eles porque as novas tecnologias criaram a ditadura da velocidade: não há tempo para ler uma notícia, um artigo ou assistir a um vídeo de mais de 30 segundos.

    Também porque o modelo de negócio das empresas de Telecomunicações impôs um padrão de acesso baseado nos dispositivos móveis (celulares) que oferta pacotes limitados de dados com alguns aplicativos “gratuitos”. É o que chamamos de ‘zero-rating’. E o Facebook, coincidentemente, é um destes aplicativos nos quais você navega e acredita não estar pagando por isso. Aliás, o Facebook e o Whatsapp (comprado pelo Facebook, em 2014, pela bagatela de US$ 22 bilhões).

    Assim, quando você se depara com um artigo bacana do Mídia Ninja na sua timeline e clica para ler o conteúdo, aparece uma mensagem, digamos pouco estimulante, perguntando se você tem certeza que quer ler aquele conteúdo, porque a partir daquele momento o tempo que você ficar fora do Facebook vai ser descontado do seu pacote de dados.

    Digamos que para 89% dos usuários da internet no Brasil que acessam a rede a partir de dispositivos móveis, – a maioria com contrato no modelo pré-pago – a mensagem é quase um alerta: Não faça isso!

    Além disso, o Facebook foi criando novas funcionalidades para que você se sinta cada vez mais “em casa” e não queria sair. Por que sair, não é mesmo? Por exemplo, se você quer publicar um vídeo, publique diretamente no Facebook. Transmissão ao vivo, use o live do Facebook. Até porque se você não fizer isso, sua postagem será, digamos, sabotada. Experimente comparar o desempenho de postagens de vídeos ou lives de outros aplicativos e os que usam o próprio Facebook que você vai ver isso explicitamente.

    O Facebook é como uma rua sem saída. Até os conglomerados tradicionais da mídia hegemônica estão se rendendo a sua força centrípeta. Acordos entre a rede social e grupos de mídia criaram os instant articles. Sob o argumento de que nos celulares muitas vezes o carregamento de páginas externas é muito lento, o Facebook criou um mecanismo para que as empresas jornalísticas publiquem notícias diretamente na plataforma. Conveniente, não?

    Trabalho não remunerado

    Não dá para negar que o CEO do Facebook e sua equipe são brilhantes. Não pelas funcionalidades do Facebook e por terem construído algo tão grandioso, mas principalmente porque fizeram um negócio bilionário cujo conteúdo que lhe dá valor é produzido por seus 2 bilhões de usuários, de forma gratuita. Isso mesmo, eu, você, e todos que postamos NOSSOS conteúdos no Facebook e trabalhamos gratuitamente para ele. E para se ter uma ideia do quanto nosso trabalho é lucrativo, em 2016 o Facebook teve um receita de US$ 26,8 bilhões, 57% maior que em 2015. Seu lucro líquido aumentou 117%.

    Ah, você pode me questionar agora, “mas não pagamos nada por isso”, o Facebook é “de grátis”. Mais ou menos.

    Primeiro porque pagamos com o nosso trabalho, com o tempo que dedicamos a curtir, reagir e postar coisas no Facebook. E uma das máximas do capitalismo pode ser expressa pela frase “time is money”. E, além disso, o Zuckerberg criou os posts patrocinados. Ah!, quem disse que a gente não paga pelo Facebook. A gente precisa pagar para ser visto, ou para termos a sensação que estamos sendo vistos, lidos e seguidos.

    Aqui, na minha opinião, está um dos problemas mais graves do Facebook: a falsa ideia de que estamos falando para muita gente, que finalmente quebramos a barreira da comunicação unidirecional e que estamos exercendo plenamente nossa liberdade de expressão. Ledo engano. Você pode ter 1 milhão de amigos, igual ao Rei Roberto Carlos, mas esteja certo de que algo em torno de 1% disso pode de fato prestar atenção em você. Se você pagar, vai atingir um pouco mais, mesmo assim, quem vai te ver será determinado por um algoritmo, uma fórmula matemática que, aplicada, tem contribuído para uma rápida evolução da Inteligência Artificial.

    Ou seja, quem determina quando e quem vai ver sua postagem é um código que, no fundo, ninguém sabe como funciona de verdade e quais são os parâmetros de dados utilizados para definir a sua programação.

    A ideia de que seriam apenas dados aleatórios baseados no número de interações, interesses e no mapa do seu comportamento na rede, de que não seriam aplicados outros filtros, de caráter político, ideológico e econômico não está devidamente garantida.

    Até porque o Facebook já informou, há quinze dias (após os atentados do início de junho em Londres), que seus algoritmos estão usando Inteligência Artificial para retirar conteúdos “terroristas” da sua plataforma. “A análise inclui um algoritmo que está no estágio inicial de aprendizagem sobre como detectar posts similares. A promessa do Facebook é que o algoritmo vai acumulando informação e se aperfeiçoando com o tempo. Os algoritmos também estão usando páginas, grupos, posts ou perfis já catalogados que estão apoiando o terrorismo para tentar identificar material relacionado que possa estar fazendo o mesmo”, disse nota da empresa.

    Se podem identificar conteúdo “terrorista”, podem identificar qualquer conteúdo e isso pode significar um potencial de censura e manipulação da informação imensos. Quem define quem são os terroristas? Quem define quem são os inimigos?

    O plano: dominar o mundo

    E muito ainda está por vir. Novas funcionalidades para o Facebook são estudadas e desenvolvidas na velocidade da luz. Todas devidamente patenteadas para garantir a propriedade do Facebook sobre elas. Aliás, uma visita no escritório de patentes para conhecer o que o Facebook tem em seu nome é uma pesquisa interessante e preocupante. Uma delas é um dispositivo para capturar o rosto dos seus usuários e, com isso, definir seu “humor”. “Através de uma técnica para detecção de emoção e entrega de conteúdo. Este é um fluxograma direto para capturar a imagem dos usuários através da câmera para rastrear suas emoções ao visualizar diferentes tipos de conteúdo. O Facebook poderia ver seus estados emocionais ao assistir vídeos, anúncios ou imagens de bebê e isso serviria de conteúdo no futuro, apenas lendo seu estado inicial de emoção”, segundo notícia publicada no site da Forbes.

    Além de violar o nosso direito à privacidade e usar de forma indevida nossos dados pessoais (nós concordamos com isso de forma não informada quando aceitamos às políticas de privacidade – alguém lê mesmo isso? Tema para outro artigo futuro), agora o Facebook quer ler nossas emoções, quer se apropriar da nossa alma.

    E qual o objetivo de tudo isso? Melhorar a nossa “experiência” de navegação? Certamente que não. O poder é algo que seduz. E Mark Zuckerberg definitivamente parece estar querendo mais poder.

    No início deste ano, às vésperas de chegar à marca de 2 bilhões de usuários, Zuckerberg fez dois pronunciamentos, um em março e outro no último dia 22 de junho, dizendo que diante do novo contexto internacional, dos dilemas da humanidade, o Facebook se viu convocado a mudar a sua missão. Inicialmente pensada para “conectar as pessoas”, agora ela é ajustada para “aproximar o mundo” (Bringing the World Closer Together).

    O CEO do Facebook parece crer que sua plataforma pode estar acima das nações e dos poderes constituídos. Na primeira carta que lançou sobre o tema, Zuckerberg afirma: “Os atuais sistemas da humanidade são insuficientes. Esperei muito por organizações e iniciativas para construir ferramentas de saúde e segurança por meio da tecnologia e fiquei surpreso por quão pouco foi tentado. Há uma oportunidade real de construir uma infraestrutura de segurança global e direcionei o Facebook para investir mais recursos pra atender a essa necessidade”.

    Mais recentemente, no evento que reuniu as “lideranças” das maiores comunidades do Facebook, Zuckerberg retoma o tema e afirma que é preciso enfrentar um mundo dividido e, a partir do Facebook, lançar as bases para um “common ground”, numa tradução literal um terreno comum, um mundo mais homogêneo e unido. “Este é o nosso desafio. Temos que construir um mundo onde todos tenham um senso de propósito e comunidade. É assim que vamos aproximar o mundo. Temos que construir um mundo em que nos preocupemos com uma pessoa na Índia, na China ou na Nigéria ou no México, tanto quanto uma pessoa aqui. É assim que conseguiremos as nossas maiores oportunidades e construir o mundo que queremos para as gerações vindouras. Eu sei que podemos fazer isso. Podemos reverter esse declínio, reconstruir nossas comunidades, começar novas e aproximar o mundo inteiro”.
    A despeito de palavras bonitas, é preciso compreender que este não pode ser o papel de uma empresa privada. Inclinações totalitárias não combinam com soberania e democracia.

    Renata Mielli é Jornalista, coordenadora geral do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação e secretária geral do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé. Artigo originalmente publicado em sua coluna na Mídia Ninja.

  • Jornalista da Folha induziu prisões em ato Fora Temer, denunciam manifestantes

     Ao se negarem a serem fotografados pela jornalista Joana Cunha durante a tarde desse domingo (11), um grupo de manifestantes acabou comprando uma briga maior do que imaginava.

    Joana, com a recusa, foi imediatamente aos policiais que estavam próximos para denunciá-los como “Black Blocs”, afirmaram os detidos. A ação de Joana teria sido decisiva na perseguição da PM que resultou na prisão de três pessoas minutos depois.

    A redação da Mídia NINJA entrou em contato com a repórter na madrugada de domingo para segunda-feira, pelo Facebook, e posteriormente às 9h na segunda-feira, por telefone, com uma pergunta simples: Você denunciou ou não o grupo de manifestantes para a PM?

    A resposta, motivada pela indagação da Mídia Ninja, demorou aproximadamente 30h, e foi publicada diretamente em nota da Folha de S.Paulo, onde afirma se sentir intimidada, mesmo com centenas de policiais no local:

    “Os mascarados se aproximaram, me disseram que eram menores de idade e que por este motivo eu não poderia fotografá-los. Falaram em “direitos de imagem”. Disseram que haveria problemas se a foto fosse publicada. Eu ergui os braços e disse a eles que sou jornalista e estava me sentindo intimidada. Na frente dos policiais, eles responderam que não estavam fazendo nada contra mim..”

    “Fomos pedir com toda delicadeza e gentileza para que ela apagasse essas imagens. Ela não só não apagou, como pediu para os policiais seguirem a gente”, afirmou Luana Machado, na 78 DP, local em que os manifestantes seguem detidos. Na sequência dessa afirmação, os manifestantes pedem pessoalmente para Joana que ainda gostariam que a foto fosse apagada, no que ela responde de forma arrogante: “Já foi pra Folha”.

    Os jovens foram enquadrados com violência pelos policiais militares, que revistaram seus pertences.

    (…)

    Joana é repórter do caderno de economia e já foi correspondente internacional em Nova Iork pela Folha. Segundo fontes internas do jornal que preferem não se identificar, Joana não tem preparo ou “jogo de cintura” suficiente para coberturas de grandes manifestações.

    Fonte: Diário do Centro do Mundo

  • Melhora quadro clínico do estudante Mateus Ferreira da Silva agredido por policial em Goiânia

    O estudante Mateus Ferreira da Silva teve melhora em seu quadro clínico informa o boletim médico divulgado nesta terça-feira (2) pela equipe médica do Hospital de Urgências de Goiânia. Mas permanece na Unidade de Terapia Intensiva.

    “As informações são de que o Mateus acordou e teve a sedação suspensa, respondeu algumas perguntas e se queixou de dores de cabeça algumas vezes”, afirma Ailma Oliveira, presidenta da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil em Goiás (CTB-GO).

    “Os médicos informam que essa é a melhor evolução do estudante desde a sexta-feira (28), quando sofreu a agressão”, ressalta Oliveira, que acompanha o caso dessa violência. Para ela, “o Mateus é o nosso herói”.

    Os estudantes da Universidade Federal de Goiás (UFG), onde Mateus estuda, convocam uma paralisação nesta quarta-feira (3) quando acontece uma vigília que já ocorre em frente ao hospital em apoio ao estudante agredido.

    Saiba mais pela página de Facebook do evento aqui

    O Diretório Central Estudantil da UFG enviou uma solicitação para paralisar as atividades com objetivo de “exigir justiça”. Texto divulgado nas redes sociais do DCE reforça que a paralisação ocorre “em apoio ao Mateus e contra a violência policial”, independente da postura adotada pela universidade.

    Mateus Ferreira da Silva foi agredido pelo policial militar Augusto Sampaio de Oliveira Neto na cabeça e foi internado em estado grave com traumatismo cranioencefálico durante manifestação que reunia mais de 40 mil pessoas em Goiânia (saiba mais aqui).

    Leia aquinota de solidariedade da CTB-GO

    “A CTB-GO acompanha de perto o caso dessa violência desmedida. Juntamente com os estudantes, familiares e a sociedade civil exigimos investigação rigorosa e punição ao responsável por tamanha violência. A juventude merece tratamento melhor”, afirma Oliveira.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

  • O filme Aquarius desnuda o capital que destrói o mundo e a vida para ter lucro

    Humberto Carrão, Sonia Braga e Kleber Mendonça Filho, equipe de Aquarius é afinada

    Apesar do retrocesso político no país, com o golpe jurídico-parlamentar que trouxe de volta o fantasma do Fundo Monetário Internacional, e todo o caos que isso representa para a classe trabalhadora, o cinema nacional tem uma safra de obras ímpares.

    Aquarius, do pernambucano Kleber Mendonça Filho, já nasce clássico. Causou polêmica desde o protesto promovido pelo elenco do filme no Festival de Cannes, na França, em maio. Por causa disso, a equipe foi alvo de uma denúncia vazia por um crítico.

    Também se estabeleceu a idade de 18 anos como mínima para assisti-lo. E para coroar a perseguição golpista, a obra foi preterida pelo Ministério da Cultura na seleção do candidato brasileiro para o Oscar 2017. Com muita delicadeza, Mendonça mostra na telona as transformações que o Brasil sofreu nas últimas décadas.

    Com um roteiro sólido, intrincado com uma trilha sonora perfeita, a obra encena a trajetória de Clara (Barbara Colen, no começo e Sonia Braga), uma mulher de fibra, como é forte a mulher brasileira. Através da vida de Clara, a trama desenrola as mudanças do país.

    A película se fia totalmente à canção tema Hoje, de Taiguara (1945-1996). Como na música, a questão do tempo é forte do começo ao fim da obra. A plateia se emociona com os versos: “(...) Hoje/Homens sem medo aportam no futuro/Eu tenho medo acordo e te procuro/Meu quarto escuro é inerte como a morte (...)”.

    Um filme para a recuperar os tempos da delicadeza sem retroceder, caminhando sim com os olhos no futuro e resistir às opressões no presente. Por isso, “Eu não queria a juventude assim perdida/Eu não queria andar morrendo pela vida/Eu não queria amar assim como eu te amei” (Hoje).

    Acompanhe também pelo Facebook aqui.

    A vida entre o velho que insiste em ficar e o novo lutando para brotar permeia toda a obra. Quando o herdeiro de uma construtora de Recife, Diego Bonfim (Humberto Carrão) manda introduzir um cupinzeiro no prédio onde Clara morava e se recusava a vender seu apartamento.

    Uma certa atualização da famosa frase do escritor paulista Mário de Andrade (1893/1945), no livro Macunaíma (1928) “muita saúva e pouca saúde os males do Brasil são”. Com os cupins representando a voracidade do capital sobre a classe trabalhadora, o meio ambiente, a vida.

    Mendonça Filho nos leva a uma viagem incrível de sonhos, magia e cultura. Onde se vê claramente as nuances da luta de classes num país único como é o Brasil. Na resistência fica a esperança no futuro.

    “Hoje/Homens sem medo aportam no futuro/Eu tenho medo acordo e te procuro/Meu quarto escuro é inerte como a morte”, como diz Taiguara na canção tema do filme. Em cartaz.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

    Assista trailer de Aquarius 

    Um pouco de como o filme foi feito 

  • Para o filósofo Leandro Karnal, é necessário aprender a dialogar e respeitar as diferenças

    O filósofo Leandro Karnal publicou nesta terça-feira (6) um texto intitulado “O limite da liberdade de expressão” em resposta ao professor da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp) Jairo José da Silva, que defendeu a violência policial nos atos pelo “Fora Temer”.

    Silva escreveu em seu Facebook: "Uma garota ficou ferida na esbórnia pró-Dilma em São Paulo. Pode ficar cega. Se for petista é uma boa notícia, mas não vai fazer muita diferença, já que são cegos como toupeiras”.

    professor menna perdeu olho fascista

    Insano. A que ponto chega a mentalidade fascista. Desejar o mal para uma pessoa, só porque ela pensa diferentemente. Silva se refere à jovem Deborah Fabri atingida por estilhaços de bomba de gás lançada pela Polícia Militar em manifestação contra o governo golpista. O professor e filósofo Karnal escreveu uma resposta suficiente para fazer corar Silva, se ele ainda contar com alguma consciência.

    Diz que “posso, com bons argumentos, ser contra o partido A ou B. Posso condenar quem depreda patrimônio público ou privado. Posso ser do PSOL ou do DEM. A sociedade precisa desta diversidade de posicionamentos. Nunca posso defender violência contra uma pessoa. Nada justifica isto” (leia a íntegra abaixo).

    O limite da liberdade de expressão

    Conquistamos com dificuldade a liberdade de expressão. Ela é um direito constitucional e um esteio do pacto social. A própria lei já estabelece limites: não posso defender ou incitar crime. Não posso, em nome da liberdade de expressão, defender racismo ou violência contra mulheres ou pedofilia. A liberdade é ampla, mas não absoluta.

    O professor Jairo José da Silva é titular da Unesp e com consagrada carreira acadêmica. Tudo indica tratar-se de pesquisador sério e reconhecido em muitos bons centros. Isto não impediu de afirmar algo muito difícil no seu Facebook. Diante do fato de uma aluna Deborah Fabri, de 19 anos, ter sido atingida no olho por bala de borracha e ter perdido a visão, o docente comentou que era uma notícia potencialmente boa que ela ficasse cega.

    Posso discordar das manifestações. Posso, com bons argumentos, ser contra o partido A ou B. Posso condenar quem depreda patrimônio público ou privado. Posso ser do PSOL ou do DEM. A sociedade precisa desta diversidade de posicionamentos. Nunca posso defender violência contra uma pessoa. Nada justifica isto. Este é o limite da liberdade de expressão, pois além deste limite começa o mundo da barbárie. Todos podemos dizer coisas que, refletindo melhor, pensamos ser um equívoco. Cabe, então, veemente pedido de desculpas. Até ele ocorrer, somos coautores da violência defendida. Violência é o fim do diálogo. Como professor, fico intensamente chocado quando alguém se alegra com uma aluna perdendo a visão. Fico mais chocado com alguém que, tendo os dois olhos, seja tão cego.

    Temos um longo caminho pela frente. Aprender a ser crítico sem destruir, aprender a ser policial sem cegar, aprender a discordar sem apoiar violência e, acima de tudo, aprender a dialogar.

    Portal CTB

  • Paulista ficou pequena na noite desta quinta (21) para ato espontâneo em defesa da democracia

    Uma grande manifestação espontânea levou milhares de pessoas à avenida Paulista, em São Paulo, na noite desta quinta-feira (21) – dia do herói da Inconfidência Mineira, Tiradentes – em ato combinado pelo Facebook, para gritar a nova palavra de ordem em defesa da democracia: Fica Querida.

    Justamente para se contrapor ao "tchau querida" que os deputados golpistas usaram no domingo (17), dia no qual disseram sim ao golpe tramado pela direita mais reacionária da sociedade brasileira. Os manifestantes de todas as idades, cores e orientações sexuais, também gritaram "Dilma Fica".

    Vários manifestantes mencionaram o circo armado na votação da aceitação do pedido de impeachment para a presidenta Dilma. Para a maioria, essa votação deixou claro por “quem eles estavam votando”.

    Tanto que a secundarista Anna Júlia Potye disse aos Jornalistas Livres que essa foi a sua “primeira vez numa manifestação pró-democracia”. Segundo ela, “aquele circo” criou um “desejo de justiça” e acabou inflamando a juventude a defender a liberdade.

    O estudante Luiz Dantas conta que “criaram um evento falso no Facebook” convocando para o ato e mesmo assim “o pessoal veio, o ato começou pequeno e foi crescendo”.

    Já a cientista social Maiara Beckrich acredita que a transmissão ao vivo da votação despertou muitas pessoas para o que realmente está acontecendo no país.

    Leia mais:

    Presidenta Dilma denuncia golpe na democracia brasileira na sede da ONU, nos Estados Unidos

    A norte-americana CNN também denuncia o golpe dos sem voto no Brasil. Assista!

    Dilma recebe flores e solidariedade em "Abraçaço da Democracia"

    “Muita gente que estava em cima do muro, muita gente viu em nome de quem estavam votando aqueles deputados. Eu acho que essas pessoas que viram o cunho dessas falas também se mobilizaram e perceberam que não podiam estar do lado de lá, tinham que estar desse lado de cá mesmo”, afirma.

    “Toda vez que eu venho num protesto e tem um enorme número de mulheres, eu me sinto acolhida, me sinto à vontade num nível que não é compreensível, sabe?”, diz Anna Júlia. A estudante Márcia Rosa diz que “eles são todos contra mim” e complementa: “sou mulher, negra, pobre, lésbica e comunista”.

    Entre feministas, movimento negro, LGBT, indígenas e trabalhadores, o canto é uníssono: Dilma fica, e Cunha sai. Também entoaram cânticos com a frase “Dilma guerreira, mulher brasileira”. Diversas manifestantes disseram sentir-se atingidas pelos ataques misóginos à presidenta.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy com informações dos Jornalistas Livres - Foto: Revista Fórum

    Assista vídeo de Henrique Cartaxo para os Jornalistas Livres: