Sidebar

16
Sex, Nov

facebook

  • As maiores torcidas organizadas do Corinthians e do Santos dizem não a Bolsonaro

    Cresce a rejeição ao candidato da extrema-direita à Presidência da República, Jair Bolsonaro. A Gaviões da Fiel, do Corinthians e a Torcida Jovem do Santos divulgaram nota oficial contra a sua candidatura nesta quinta-feira (20). 

    As duas torcidas organizadas dos clubes paulistas prometem aderir às manifestações do sábado (29) contra o candidato, que acontece em todo o país. “Esses torcedores mostram que no futebol não tem apenas alienação", afirma Vânia Marques Pinto, secretária de Políticas Sociais, do Esporte e Lazer da CTB.

    "Há também uma vontade de ver o país voltar ao rumo do crescimento com criação de emprego e valorização do trabalho e respeito aos direitos humanos”, emenda.

    “É importante deixar claro a incoerência que há em um Gavião apoiar um candidato que, não apenas é favorável à ditadura militar pelo qual nascemos nos opondo, mas ainda elogia e homenageia publicamente torturadores que facilmente poderiam ter sido os algozes de nossos fundadores”, diz trecho da nota. A Gaviões promete lotar o Largo da Batata no sábado (29), em São Paulo (veja).

    Leia a íntegra nota divulgada pela Gaviões da Fiel aqui.

    Já a Torcida Jovem do Santos afirma que o “nosso repúdio a essa pauta extremista não apaga o olhar crítico que temos em relação ao cenário político em geral, tomando como referência a nossa postura histórica de combate aos retrocessos sociais. A opressão jamais irá vencer a nossa luta por liberdade dentro e fora dos estádios”. A torcida santista também garante presença no protesto contra o candidato do PSL.

    santos contra bolsonaro

    Leia a íntegra da nota da Torcida Jovem do Santos aqui.

    O candidato mais rejeitado em todas as pesquisas tem poucos votos no eleitorado feminino (52,5% do total de eleitores), por causa de seguidas declarações misóginas, racistas e LGBTfóbicas.

    Inclusive a página de Facebook Mulheres Unidas Contra Bolsonaro já ultrapassa a marca de 2,7 milhões de integrantes, mesmo tendo sido invadida por hackers defensores do candidato extremista.

    Para Vânia, “é muito interessante perceber que o apoio de alguns jogadores não se reflete nas torcedoras e torcedores, que pensam por si próprios e declaram-se contra candidato defensor da tortura, da violência e do ódio”.

    A campanha #EleNão ganha as redes sociais e as ruas com intensidade. Vânia argumenta que “são as mulheres, a população negra, os LGBTs, os indígenas, a juventude e a classe trabalhadora se posicionando contra um candidato que representa ainda mais retrocessos para a vida de todas e todos”.

    "As centrais sindicais e os movimentos sociais se contrapõem ao projeto representado por Bolsonaro porque traz mais recessão, mais desemprego, menos educação, menos esporte, menos cultura, menos saúde e menos direitos", define a sindicalista baiana.

    Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB. Foto: Reprodução/YouTube

  • #EuEmpregadaDoméstica: a senzala moderna é no quartinho 2x2 destinado às trabalhadoras

    Viraliza na internet a página do Facebook Eu Empregada Doméstica, que em poucas horas atingiu quase 20 mil curtidas. A rapper Preta Rara (Joyce Fernandes), criadora da página, conta que a ideia surgiu quando ela decidiu contar um episódio de sua vida como trabalhadora doméstica (veja abaixo).

    eu empregada domestica

    De acordo com ela, em pouco tempo o seu relato teve centenas de compartilhamentos. Preta Rara diz que após a sua postagem deixou de ser “só a minha história, várias mulheres começaram a me falar situações parecidas”.

    Acompanhe os relatos na página Eu Empregada Doméstica. Preta Rara também indica a utilização da hashtag #EuEmpregadaDoméstica.

    Os relatos encontrados na página são assustadores. M.D. conta uma história acontecida com sua prima, cuja patroa reclamava da Lei das Domésticas, aprovada há dois anos. “Ela (a patroa) disse assim ‘...meu amor, não é por nada, mas não é justo uma empregada doméstica ter os mesmos direitos que uma secretária, é questão de justiça elas tiveram pelo menos alguma preparação para trabalhar’. Minha prima chorou ao me contar, é um absurdo achar que elas estão abaixo de qualquer coisa... muito triste, e ela continua trabalhando lá”.

    A dirigente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Lucileide Mafra, presidenta da Federação das Trabalhadoras Domésticas da Região Amazônica, conta que essas histórias ainda são comuns nessa categoria.

    “Na verdade, para as trabalhadoras domésticas brasileiras, a senzala só mudou de lugar. Hoje ela está nos quartinhos 2mx2m, seja nos apartamentos ou nas mansões dos patrões, que maltratam as trabalhadoras de diversas maneiras”.

    lucileide mafra

    Lucileide Mafra diz que as trabalhadoras domésticas continuam sendo maltratadas e desrespeitadas

    Para Mafra, essa iniciativa da rapper paulista é muito interessante, porque “as pessoas passam a ter conhecimento da dura realidade enfrentada pelas trabalhadoras domésticas e quem sabe isso ajude a acabar com essa prática abusiva”.

    Um rapaz, narra fatos acontecidos com sua mãe, uma ex-trabalhadora doméstica. “Ela começou a trabalhar aos 8 anos de idade, cuidando de uma outra criança”, conta. “Um belo dia sua patroa fez uma festa, comprou vários doces. No final da festa, ela chamou minha mãe e disse: ‘leva o resto dos doces e aperitivos pros seus filhos, eles vão gostar, nunca comeram isso, né?’".

    Acostumada com acontecimentos desse tipo, Mafra não se espanta e diz que com o afastamento da presidenta Dilma, “parece que as coisas ruins estão voltando com força”, reclama. “Em um condomínio de luxo no Pará, as trabalhadoras não podiam usar a entrada dos patrões”.

    Mafra lembra de um outro caso, que chamou muito a atenção da diretoria da federação que ela preside. “Uma promotora da Justiça demitiu e descontou R$ 100 de uma trabalhadora, só porque ela comeu um pedaço de pudim. E ainda tentou nos pressionar para não ser processada”.

    Leia mais

    Dia das Trabalhadoras Domésticas: a luta agora é pela aplicação da lei

    Trabalhadoras domésticas conquistam lei com muita abnegação

    Para a sindicalista paraense, a sociedade brasileira é hipócrita. “As pessoas são valorizadas pelo que elas têm ou aparentam ser, sem atentar para os direitos e para a qualidade de vida das pessoas. Uns se julgam melhores que os outros e nesse contexto, as trabalhadoras domésticas são extremamente discriminadas”.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

    Veja vídeo com Preta Rara sobre a página que ela criou

    Preta Rara canta sua música "Audácia"

     

  • #EuEmpregadaDoméstica: a senzala moderna é no quartinho destinado às trabalhadoras

    Viraliza na internet a página do Facebook Eu Empregada Doméstica, que em poucas horas atingiu quase 20 mil curtidas. A rapper Preta Rara (Joyce Fernandes), criadora da página, conta que a ideia surgiu quando ela decidiu contar um episódio de sua vida como trabalhadora doméstica (veja abaixo).

    eu empregada domestica

    De acordo com ela, em pouco tempo o seu relato teve centenas de compartilhamentos. Preta Rara diz que após a sua postagem deixou de ser “só a minha história, várias mulheres começaram a me falar situações parecidas”.

    Acompanhe os relatos na página Eu Empregada Doméstica. Preta Rara também indica a utilização da hashtag #EuEmpregadaDoméstica.

    Os relatos encontrados na página são assustadores. M.D. conta uma história acontecida com sua prima, cuja patroa reclamava da Lei das Domésticas, aprovada há dois anos. “Ela (a patroa) disse assim ‘...meu amor, não é por nada, mas não é justo uma empregada doméstica ter os mesmos direitos que uma secretária, é questão de justiça elas tiveram pelo menos alguma preparação para trabalhar’. Minha prima chorou ao me contar, é um absurdo achar que elas estão abaixo de qualquer coisa... muito triste, e ela continua trabalhando lá”.

    A dirigente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Lucileide Mafra, presidenta da Federação das Trabalhadoras Domésticas da Região Amazônica, conta que essas histórias ainda são comuns nessa categoria.

    “Na verdade, para as trabalhadoras domésticas brasileiras, a senzala só mudou de lugar. Hoje ela está nos quartinhos 2mx2m, seja nos apartamentos ou nas mansões dos patrões, que maltratam as trabalhadoras de diversas maneiras”.

    lucileide mafra

    Lucileide Mafra diz que as trabalhadoras domésticas continuam sendo maltratadas e desrespeitadas

    Para Mafra, essa iniciativa da rapper paulista é muito interessante, porque “as pessoas passam a ter conhecimento da dura realidade enfrentada pelas trabalhadoras domésticas e quem sabe isso ajude a acabar com essa prática abusiva”.

    Um rapaz, narra fatos acontecidos com sua mãe, uma ex-trabalhadora doméstica. “Ela começou a trabalhar aos 8 anos de idade, cuidando de uma outra criança”, conta. “Um belo dia sua patroa fez uma festa, comprou vários doces. No final da festa, ela chamou minha mãe e disse: ‘leva o resto dos doces e aperitivos pros seus filhos, eles vão gostar, nunca comeram isso, né?’".

    Acostumada com acontecimentos desse tipo, Mafra não se espanta e diz que com o afastamento da presidenta Dilma, “parece que as coisas ruins estão voltando com força”, reclama. “Em um condomínio de luxo no Pará, as trabalhadoras não podiam usar a entrada dos patrões”.

    Mafra lembra de um outro caso, que chamou muito a atenção da diretoria da federação que ela preside. “Uma promotora da Justiça demitiu e descontou R$ 100 de uma trabalhadora, só porque ela comeu um pedaço de pudim. E ainda tentou nos pressionar para não ser processada”.

    Leia mais

    Dia das Trabalhadoras Domésticas: a luta agora é pela aplicação da lei

    Trabalhadoras domésticas conquistam lei com muita abnegação

    Para a sindicalista paraense, a sociedade brasileira é hipócrita. “As pessoas são valorizadas pelo que elas têm ou aparentam ser, sem atentar para os direitos e para a qualidade de vida das pessoas. Uns se julgam melhores que os outros e nesse contexto, as trabalhadoras domésticas são extremamente discriminadas”.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

    Veja vídeo com Preta Rara sobre a página que ela criou

    Preta Rara canta sua música "Audácia"

     

  • A direita mostra a sua cara: Doria e Russomanno acusados de humilhar trabalhadores

    A direita mais reacionária da sociedade paulistana mostra a sua cara nestas eleições com atitudes que não aparecem nas campanhas dos seus respectivos candidatos. Celso Russomanno (PRB) tenta censurar os Jornalistas Livres e um ex-assessor de João Doria Junior (PSDB), Luiz Carlos Franco, o acusa de falsidade e perseguição.

    Franco escreve em seu Facebook sobre o candidato do PSDB: “Cruzamos caminhos algumas vezes, e após eu ter investido dois anos de minha vida profissional para torná-lo presidente da Embratur, foi capaz de oferecer seus serviços de agência à TAM – Linhas Aéreas, onde eu trabalhava, o que implicaria – se o comandante Rolim aceitasse – na minha demissão”.

    Já o candidato do PRB entrou com ação contra os Jornalistas Livres para tirar do ar a entrevista com Cleide Cruz, a caixa de supermercado humilhada por ele numa reportagem de 10 anos atrás, exibida pela Band (assista aqui a reportagem do então deputado federal).

    De acordo com os Jornalistas Livres, “o processo está sendo movido por nada menos do que 11 advogados contratados por Russomanno, que solicitou à Justiça a retirada da reportagem do ar antes mesmo que os Jornalistas Livres pudessem apresentar sua defesa” (assista a entrevista com a trabalhadora aqui).

    Explicam ainda que o juiz Sidney da Silva Braga, da 1ª zona eleitoral de São Paulo negou o pedido do candidato, afirmando não enxergar nenhum motivo que justificasse a retirada da reportagem do ar.

    Em relação a Doria, Franco afirma ainda que ele “pediu minha cabeça ao sr. Frias (Octavio), dono da Folha (de S.Paulo), por discordar de artigos que publiquei. Tive certeza da sua fidelidade ao ser informado pelo comandante Rolim sobre sua proposta; e pelo jornalista Adilson Laranjeira, meu chefe à época na Folha da Tarde”.

    Para ele, “Joãodoria45 é tão verdadeiro quanto nota de R$ 30,00, ou como o tingimento de seus cabelos ou o Botox que andou aplicando” (saiba mais aqui).

    Portal CTB com agências

  • A Folha saiu do Facebook. E agora?

    Decisão do jornal é uma tentativa de se reposicionar na disputa por audiência e credibilidade, e escancara os graves problemas do Facebook no controle, sem transparência, da distribuição de conteúdos.

    Nesta briga de titãs, não nos cabe defender um ou outro monopólio. Mas não resta dúvida: Já passou da hora de mais setores da sociedade, em particular da mídia alternativa, repensarem sua presença no Facebook e descortinarem outros mecanismos que recuperem o papel da própria rede mundial de computadores, para enfim reduzir o poder desta corporação que quer fagocitar a internet.

    Nesta quinta-feira, 08 de fevereiro, a Folha de S.Paulo anunciou, em chamada de capa, que não vai mais publicar seus conteúdos no Facebook. Os motivos elencados pelo jornal são: a alteração dos algoritmos implementada pela plataforma que “passou a privilegiar conteúdos de interação pessoal, em detrimento dos produzidos por empresas, como as que produzem jornalismo profissional”, e o fato de o Facebook não ter conseguido “resolver satisfatóriamente o problema de identificar o que é conteúdo relativo a jornalismo profissional e o que não é”, o que de acordo com a Folha contribui para a disseminação das “fake news”.

    Há vários aspectos a serem analisados tanto na decisão da Folha, quanto nos argumentos por ela explicitados. É importante, também, refletir sobre este momento do Facebook, talvez a primeira crise da rede social criada por Mark Zuckerberg em fevereiro de 2004, e que tem em torno de 2 bilhões de usuários.

    A encruzilhada do jornalismo como produto comercial

    Os últimos anos foram mortais para as empresas jornalísticas. O surgimento da internet abalou os pilares que sustentavam essas empresas e abriu caminho para que o monopólio da produção de notícias fosse ameaçado.

    No Brasil, as empresas jornalísticas privadas gozavam do privilégio de serem, praticamente, as únicas produtoras de notícias para grandes massas. A barreira econômica de entrada para esta atividade empresarial sempre foi muito elevada e, portanto, reservada a grandes capitalistas, primeiro no meio impresso, depois no rádio e na televisão. Por integrarem um extrato da elite econômica, essas empresas também sempre tiverem o monopólio do discurso, impondo à sociedade uma agenda política, social e cultural baseada nos seus interesses de classe.

    A Internet mudou isso. Novos grupos sociais, políticos e econômicos passaram a ter a possibilidade de produzir conteúdo informativo e opinativo, disputando a atenção de parcela da sociedade e criando um ambiente mais plural e diverso na arena da comunicação. O “valor” da notícia caiu. Informações das mais variadas fontes passaram a estar disponíveis “sem custo” para o internauta. Esse novo ambiente abalou o modelo de negócios no qual – principalmente a mídia impressa – se baseava.

    Esse modelo era o da criação de uma escassez artificial da notícia. Mas o que é isso? Sinteticamente: A informação é um bem intangível (não existe fisicamente). Se eu te “dou” uma informação eu não deixo de tê-la. Eu a divido com você e nós dois passamos a ter a mesma informação. É diferente dos bens tangíveis, uma cadeira, por exemplo. Se eu dou a cadeira para você, eu deixo de tê-la. Bom, e daí? Daí, que este é um dos elementos que determinam o preço das coisas e todo o seu ciclo econômico. Com a informação, a notícia, não é assim. Por isso, o que as empresas faziam era criar uma escassez artificial da informação, a partir do controle de acesso (tiragem, bilhete, assinatura), da obsolescência programada (ninguém compra o jornal do dia anterior, ele perde a “validade e o valor” em 24 horas), propriedade intelectual e outros mecanismos.

    O valor da produção da notícia em si é aproximadamente o mesmo para a Folha e para um site da mídia alternativa. O que muda é o preço da impressão e distribuição. A internet eliminou estes dois e “desmonetizou” a notícia.

    Agora, a informação é dada em tempo real pela internet muito antes de sair nos jornais e está disponível em dezenas, centenas de páginas. Esse é o dilema das grandes empresas jornalísticas que se veem diante da eminência do já anunciado juízo final dos jornais impressos.

    Facebook alavanca novos produtores

    O Facebook condensou na sua plataforma mecanismos de distribuição de conteúdo que romperam a lógica dos grandes jornais e portais, permitindo a ampliação do alcance de outras veículos. Novas fontes de informação e opinião ganharam um grande alcance na rede social. O fenômeno já vinha desde o final de 2010. Mas, em particular no Brasil, houve um boom de novos coletivos de comunicação e cultura, que passaram a ser referência e ter grande alcance. Um deles é a própria Mídia Ninja.

    É nesta fase que se dá uma disputa mais acirrada pela audiência entre a mídia tradicional e as “novas mídias”. Isso se refletiu, inclusive, na distribuição de publicidade privada e estatal. É neste período que empresas e governos passam a investir mais recursos de publicidade na internet e em plataformas como Google e Facebook.

    Parecia inevitável que, em algum momento, a contradição entre os interesses deste novo gigante da internet e os da mídia tradicional fossem se chocar.

    Bate a assopra

    Há alguns anos o Facebook buscou estabelecer uma “aliança” com os tradicionais veículos de mídia, criando a funcionalidade dos “instant articles”. O recurso, lançado em 2015, permitia que as empresas de comunicação “hospedassem” seus conteúdos no Facebook. Desta forma, a pessoa poderia ler o conteúdo diretamente na plataforma do Zuckerberg sem ser direcionado para a página do jornal. A vantagem para o jornal seria o carregamento mais rápido do seu conteúdo e o estímulo ao usuário ler seus artigos na integra.

    Esse recurso coincide, mais ou menos, com o crescimento das ofertas de Facebook grátis para os planos de internet móvel, o chamado zero-rating. Operadoras e plataforma firmavam algum tipo de parceria e na hora de adquirir um pacote de dados para acesso à internet pelo celular, o cliente ganhava o Facebook – ou seja, a navegação na plataforma do Zuckerberg não descontava do plano de dados do usuário.

    Isso parecia interessante naquele momento, já que dados da Organização União Internacional das Telecomunicações (UIT) mostravam (e ainda mostram) que a maior parte das pessoas com acesso à internet estão conectadas pelo celular. Grandes empresas jornalísticas aderiram à proposta do Facebook: The New York Times, National Geographic, The Atlantic, NBC News. No Brasil o Estadão, a revista Exame e Catraca Livre.

    A força centrípeta do Facebook e seu crescimento no último período tornava de certa forma inquestionável que, apesar das contradições, as empresas jornalísticas ainda tinham algo a ganhar de visibilidade e audiência compartilhando seus conteúdos na rede social. Um pouco na lógica de ruim com ele, pior sem ele.

    Mas em janeiro desse ano, Mark Zuckerberg anuncia mais uma mudança nos algoritmos do Facebook e diz que sua plataforma vai mudar os critérios de indexação dos conteúdos para dar mais visibilidade a compartilhamentos pessoais, de amigos e família.

    Em sua página, o CEO do Facebook disse que uma pesquisa feita internamente mostra que “quando nós usamos as redes sociais para nos conectarmos com pessoas que gostamos, pode ser bom para nosso bem-estar”. E segundo ele esse é o objetivo da sua plataforma.“Uma vez que há mais conteúdo público do que posts de amigos e da família, o feed afastou-se da coisa mais importante que o Facebook pode fazer: ajudar a nos conectarmos uns com os outros”.

    Na sua avaliação, “nós podemos nos sentir mais conectados e menos sozinhos, e isso faz um paralelo com uma série de medidas sobre felicidade e saúde. Por outro lado, ler artigos passivamente ou assistir a vídeos — mesmo que eles sejam para entretenimento ou informativos — pode não ser tão bom.”

    A medida foi mal recebida pelas empresas jornalísticas, por outros produtores de conteúdo para o Facebook e inclusive para a bolsa de valores de Nova York – Nasdaq.

    As ações da companhia caíram, só em 12 de janeiro (um dia depois do anúncio), 4,47%. Essa queda representou uma perda de U$ 24,2 bilhões de dólares no valor de mercado do Facebook.

    Essa foi a gota da água, pelo menos para a Folha de S.Paulo, que ousou ao anunciar sua “retirada” do Facebook. Desde meados de 2017, mudanças nos algoritmos da plataforma já estavam afetando o alcance e a visualização de conteúdos de páginas, inclusive da mídia alternativa. No caso da Folha, “a importância do Facebook como canal de distribuição já vinha diminuindo significativamente antes mesmo da mudança do mês passado, tendência também observada em outros veículos”.

    Eles mostram que “o volume total de interações obtido pelas 10 maiores páginas de jornais brasileiros no Facebook caiu 32% na comparação com o mesmo mês do ano passado”.

    O fato é que ninguém sabe ao certo como funcionam os algorítimos do Facebook.

    Não há nenhuma transparências nos parâmetros que definem o que aparece ou não na nossa timeline.

    Não há mecanismos de accountability e os usuários (indivíduos ou empresas) são completamente reféns da caixa-preta do Facebook e do que o CEO considera que deva ser a missão da plataforma. Nos últimos anos, a plataforma de Zuckerberg foi se tornando cada vez mais um grande filtro de informação, ou como se diz no jargão jornalístico, um gatekeeper. Passou a direcionar o que a gente vê, lê ou assiste, de acordo com nossos “gostos”. O Facebook criou grandes bolhas que têm trazido impactos preocupantes para a vida em sociedade, amplificando a intolerância ao impedir a saudável contraposição de opiniões.

    Folha x Facebook

    A disputa econômica é o pano de fundo da decisão da Folha, que está apostando em outros mecanismos para recuperar relevância e audiência na internet. Entre eles, a mudança nos algoritmos do Google, que ao contrário do Facebook, passaram a privilegiar os veículos de grande mídia na indexação de suas buscas sobre o argumento de combater as “fake news”. Ou seja, se a notícia foi produzida por uma empresa jornalística sai ganhando na hora de aparecer nas primeiras colocações dos resultados do Google.

    Se o que moveu a Folha foi o fator econômico, o argumento público para justificar o “abandono” do Facebook é justamente o do combate às notícias falsas, ou “fake news”.

    Segundo avaliação do jornal, ao tirarem a “prioridade” dos conteúdos jornalísticos do seu feed, o Facebook está aumento o espaço para a disseminação de “fake news” e reduzindo o do jornalismo profissional.

    Aqui tem um termo que vale a reflexão: Jornalismo Profissional. Ele foi cunhado há mais um menos um ano, quando a Folha de S.Paulo lançou o seu novo Projeto Editorial.

    Estava claro, ali, que o objetivo já era tentar diferenciar o conteúdo produzido pelo jornal dos produzidos pela mídia alternativa.

    Ao adjetivar o jornalismo com o termo profissional, a Folha buscava recuperar a sua credibilidade, bastante comprometida pela cobertura explicitamente pró impeachment e subordinada ao projeto de retomada de uma agenda regressiva na área econômica, política e social.

    O termo profissional é uma maneira de qualificar o conteúdo da Folha, e desqualificar todo e qualquer conteúdo produzido por sites da mídia alternativa, independente, popular, comunitária. É uma forma de recuperar o valor comercial da notícia. Assim, tudo o que for produzido por coletivos e outros veículos que não sejam de empresas jornalísticas privadas não é “jornalismo profissional” e, portanto, não merece credibilidade.

    Se não é da grande mídia não tem qualidade, é suspeito e pode ser, potencialmente, uma notícia falsa. Por detrás do alarde criado em torno das “fakes news” há um velho conglomerado de empresas midiáticas monopolistas, que passaram a ter a sua hegêmonia econômica e política abaladas e que precisam a todo custo recuperar sua posição.

    Este divórcio entre Folha e Facebook é importante porque contribui para trazer à tona tanto o caráter prejudicial da rede social, quanto para mostrar as verdadeiras intenções dos jornalões que fazem de tudo para sobreviver.

    Renata Mielli é jornalista, coordenadora geral do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação e secretária geral do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé e colunista da Mídia Ninja.

    Os artigos publicados na seção “Opinião Classista” não refletem necessariamente a opinião da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e são de responsabilidade de cada autor. 

     

  • Audiência pública debate o genocídio da juventude negra em São Paulo, nesta terça (10)

    O movimento negro se une à deputada estadual Leci Brandão (PCdoB) para realizar, nesta terça-feira (10), às 18h30, uma audiência pública para debater a matança de jovens negros, pobres e moradores da periferia. A audiência acontece no Auditório Paulo Kobayashi da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp, na av. Pedro Álvares Cabral, 201, na capital paulista).

    Lidiane Gomes, secretária da Igualdade Racial da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil em São Paulo (CTB-SP), conta que leciona em escola pública da periferia há 14 anos e há 5 anos em escola da rede privada e sente a diferença de perspectivas de vida porque “como pode uma criança pobre acreditar que o estudo lhe dará boas chances de ter uma vida abastada, se ela vai para a escola esperando sua primeira refeição do dia?”

    audiencia contra genocidio juventude negra

    Participarão da audiência mães que perderam seus filhos pelas mãos do Estado e as entidades do movimento negro em São Paulo, além da Rede de Proteção e Enfrentamento ao Genocídio. A deputada Leci Brandão convida a todas as pessoas que acreditam na necessidade de parar com essa matança a parrticiparem dessa audiência.

    Confirme presença pela página do Facebook da audiência aqui.

    O Atlas da Violência 2017, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, mostra que de cada 100 pessoas assassinada no Brasil entre 2005 e 2015, 71 foram negras, boa parte de jovens.

    Ainda de acordo com o Atlas, mais de 318 mil jovens foram assassinados no país nesse período. Os homens jovens, negros e pobres continuam sendo as principais vítimas com mais de 92% das mortes.

    Gomes ressalta a necessidade de criação de políticas públicas para combater a brutal diferença das escolas públicas da periferia e as escolas particulares. “Na periferia, as crianças e jovens ficam expostos a todo tipo de violência e até ao aliciamento por traficantes. Aí ou morrem pelas mãos da polícia ou pelo tráfico”.

    Por isso, denuncia a professora de história no interior de São Paulo, “as crianças da escola pública têm menos chances de sobreviverem do que os da escola privada. Essa audiência pode apontar caminhos para mudarmos essa triste realidade”.

    Campanha contra o genocídio da juventude negra 

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

  • Bem amigos…o jogo da Seleção não vai passar na Globo!

    Vai ser o primeiro Brasil X Argentina que não será transmitido pela Rede Globo. TV Brasil e Facebook exibirão os dois amistosos da seleção que acontecerão nos dias 9 e 13 de junho, na Austrália.

    O casamento entre a emissora de televisão e a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) – que resultou num dos maiores monopólios midiático-esportivo do mundo – esteve inabalável por 4 décadas. Agora, a política, as novas tecnologias, e a busca por mais lucratividade são fatores que estremecem a relação entre ambas e podem abrir um novo capítulo na discussão sobre direito de transmissão de eventos esportivos no Brasil.

    O poder econômico da Rede Globo nunca abriu brechas para que outras emissoras de televisão pleiteassem a compra dos direitos de transmissão de campeonatos de futebol. A Globo, para não perder a sua força, comprava tudo – o que ia transmitir e o que não ia transmitir. Ou seja, eliminava qualquer possibilidade de concorrência e criava uma situação na qual a sociedade ficava completamente refém da emissora. A Globo impunha o jogo de futebol que a sociedade iria assistir na televisão. Isso teve impactos culturais, como o fato de ser o Flamengo o time de maior torcida nacional.

    Já em 2016 o monopólio da Globo nas transmissões de partidas de futebol começou a ruir com a entrada em campo do Esporte Interativo, que começou a fechar os direitos para transmitir jogos de campeonatos brasileiros da séria A, B e C a partir de 2019. Mas até então isso não resvalava na Seleção.

    O primeiro atrito entre CBF e Globo aconteceu no início de 2017, no amistoso entre Brasil e Colômbia para homenagear as vítimas da Chapecoense. A Globo não quis comprar o direito de transmissão do jogo pela bagatela de 2 milhões de reais. A CBF não gostou da “rebeldia” da parceira e decidiu abrir o sinal da partida.

    Depois disso, a Globo aguardava o leilão (bid) que a CBF faz para vender o “pacote” de jogos amistosos da seleção. Mas eis que a Confederação decidiu comercializar as partidas da Austrália de forma avulsa.

    Novos jogadores mudam as regras do jogo

    A blindagem da Globo para impedir que novos modelos de negócio envolvendo a transmissão de jogos chegassem no Brasil foi furada. Em outros países, a compra dos direitos e a divisão das cotas já envolve de forma mais direta os canais de TV por assinatura e, mais recentemente, serviços da internet entram na arena: Facebook, Twitter e YouTube.

    De um lado, clubes e confederações buscam diversificar a oferta e obter mais lucro com a comercialização das partidas. A CBF, inclusive, começa a investir mais na geração direta das imagens. Assim, pretendem arrecadar mais dinheiro com patrocínio e a venda do sinal para as emissoras que adquirirem o direito de transmissão.

    Para a Globo, se este modelo se consolidar será um desastre. Além de perder a hegemonia mantida até hoje, a emissora vai perder milhões de reais com a venda de publicidade de forma exclusiva para veiculação nos intervalos e durante os jogos.

    Tanto é que a direção da emissora já começa a fazer mudanças na equipe para tentar impedir que a Globo fique em desvantagem: deve entrar com tudo para garantir a compra dos próximos amistosos e das Eliminátórias no lote a ser colocado à venda pela CBF para o período de 2018 a 2022.

    Facebook está de olho nos cifrões do futebol

    A transmissão de jogos pela internet já começa a crescer. As parcerias que o Facebook tem firmado envolvem inclusive negociações com as emissoras detentoras dos direitos de transmissão.

    Mas há negociação feita diretamente com clubes e ligas. Em março, o Facebook fechou um acordo com a MLS, principal liga de futebol americano, para a transmissão de 22 jogos. Twitter também já tem parcerias com a NBA (basquete) e a NFL (futebol americano).

    A transmissão de eventos esportivos é um filão bilionário e é claro que Mark Zuckerberg está de olho nisso. Nós também temos que ficar de olho, porque a sociedade tem que aproveitar o novo ambiente digital como uma oportunidade para enfrentar o monopólio das transmissões.

    Não podemos deixar que apenas se troque um monopólio por outro.

    Renata Mielli é jornalista, coordenadora-geral do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação, secretária-geral do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé e colunista da Mídia Ninja às quintas-feiras. Foto: Mídia Ninja.

    Os artigos publicados na seção “Opinião Classista” não refletem necessariamente a opinião da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e são de responsabilidade de cada autor.

  • Cresce a concentração de renda na medida em que os salários perdem valor

    Relatório do Boston Consulting Group (BCG), divulgado na sexta-feira (16) mostra claramente o que está acontecendo no mundo do século 21. A concentração de renda cresceu. Além de 1% deter 45% da riqueza mundial, aumenta o número de milionários nos Estados Unidos.

    Cerca de 18 milhões de famílias no mundo possuem uma riqueza de mais de US$ 1 milhão, de acordo com o BCG, sendo cerca de 7 milhões somente nos Estados Unidos e a estimativa é de que essa concentração cresça substancialmente. O relatório mostra também que a concentração de renda cresce em cima do achatamento salarial da classe trabalhadora.

    “Enquanto isso, os países emergentes veem sua economia definhar com o ultraliberalíssimo dominando as agendas, com sucessivos ataques às conquistas da classe trabalhadora, como no Brasil com o governo ilegítimo de Temer”, diz Carlos Rogério Nunes, secretário de Políticas Sociais da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).

    Os dados comprovam que o sistema financeiro domina a economia em detrimento dos setores produtivos, o que faz aumentar a concentração de riqueza e diminuir a criação de novos postos de trabalho. 

    Isso é o que acontece no Brasil após o impeachment da presidenta Dilma Rousseff no ano passado. Voltou-se a “um Estado que protege os interesses do 1% mais rico e vira as costas para a grande maioria da população, deixa o povo desprotegido. Tira os seus direitos, antes de tudo o direito a um emprego”, acentua o cientista social Emir Sader.

    Os oito mais ricos do mundo

    Pela lista da revista Forbes, entre os oito mais ricos do mundo, seis são norte-americanos. Os mais ricos são: Bill Gates, fundador da Microsoft, lidera o ranking, com uma fortuna de US$ 75 bilhões; seguido pelo espanhol Amancio Ortega, fundador da Inditex, empresa-mãe da Zara (US$ 67 bilhões); pelo americano Warren Buffett, acionista da Berkshire Hathaway (US$ 60,8 bilhões); pelo mexicano Carlos Slim Helu, dono da Grupo Carso (US$ 50 bilhões); e pelos americanos Jeff Bezos, fundador e principal executivo da Amazon (US$ 45,2 bilhões); Mark Zuckerberg, cofundador e principal executivo do Facebook (US$ 44,6 bilhões); Larry Ellison, cofundador e principal executivo da Oracle (US$ 43,6 bilhões) e Michael Bloomberg, cofundador da Bloomberg LP (US$ 40 bilhões).

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy com agências. Arte: Latuff

  • CTB presta solidariedade a Olívia Santana que sofreu agressão em Salvador neste sábado (3)

    A secretária estadual do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte da Bahia, Olívia Santana, denuciou em sua página do Facebook ter sido agredida ao participar do evento - para o qual foi convidada - "Folia do Batom", no Hotel Catussaba, em Itapuã, na capital baiana.

    Segundo informações do jornal A Tarde, uma mulher se dirigiu à secretária e disse que ela era uma "comunista" e, por isso, não deveria estar no hotel e que "deveria voltar para a favela".

    Santana registrou queixa e a senhora foi encaminhada à delegacia de polícia e responderá a processo. Essa senhora afirmou também que "a intervenção militar vai vir para acabar com essa mordomia de vocês (esquerda)", e complementou: "Gosta de socialismo? Vai para um acampamento do MST".

    A CTB condena o racismo e toda a prática que defenda a discriminação, o ódio e a violência. Em pleno século 21 é impossível conceber tamanha insansatez.

    Mônica Custódio, secretária da Igualdade Racial da CTB, escreveu um artigo prestando a solidariedade da central à secretária do governo da Bahia e ativista do movimento negro e feminista. Custódio afirma que "o nível de agressão, o ódio destilado, foi sem precedentes, é isso que a população negra passa cotidianamente. Muitos de nós ouvimos e nos calamos, outros fingem que não ouvem como defesa, outros ouvem e vão à luta em defesa de seus direitos, e têm dessas e desses que se fortalecem, e passam a fazer a luta no coletivo por que sentiram na pele, e na alma, que o duelo é mais que ideológico, e ou estrutural, e existencial" (leia a íntegra abaixo). 

    Racismo ou vitimização

    Para aquelas pessoas que preferem não acreditar que em dias como os de hoje o racismo ainda é uma realidade e apenas uma retórica, já podem parar para fazer sua reflexão e ter a percepção que a questão racial não é uma questão subjetiva no foco sócio econômico, e muito menos de identitariedade no foco dos movimentos sociais. O racismo é real, desumano, marginal, covarde, cotidiano e letal.

    O que aconteceu com a secretária estadual de Emprego e Renda e Esporte da Bahia, Olívia Santana, quando a convite de vice-presidência da Federação Nacional de Automobilismo Selma Moraes, participava do evento "Folia Batom" no Hotel Catussaba, foi um descalabro. Uma agressão, física, verbal, moral, e psicológica sofrida pela militante, fundadora da União de Negros Pela Igualdade (Unegro), o nível de agressão, o ódio destilado, foi sem precedentes, é isso que a população negra passa cotidianamente. Muitos de nós ouvimos e nos calamos, outros fingem que não ouvem como defesa, outros ouvem e vão à luta em defesa de seus direitos, e têm dessas e desses que se fortalecem, e passam a fazer a luta no coletivo por que sentiram na pele, e na alma, que o duelo é mais que ideológico ou estrutural, é existencial.

    E neste caso a agressora, que cometeu injúria, racismo e preconceito, mexeu em um vespeiro, porque Olívia Santana é mais que a secretária do Trabalho, ela é a negona da Bahia, da Unegro, uma mulher impecável na luta em defesa da mulher, em defesa do estado laico, e contra a Intolerância religiosa, em defesa dos direitos LGBTT, e de todas as formas de racismo e Discriminação.

    Comunista sim! Senhora de engenho, essa mulher que você pensa ter humilhado, é dona de si, não se abate, e o que você fez foi provocar ainda mais nessa militante comunista a capacidade de fazer o bom combate, que é, e sempre foi, do bem comum, pela emancipação humana e pelo direito individual e coletivo, uma batalha sem fim, dia-a-dia por melhores condições de vida, duelando e vencendo pensamentos e políticas atrasadas com as que você e sua classe destila.

    O que precisa ficar nítido, esclarecido, empretecido, ou como bem queiram entender, é que depois de 130 anos da “Abolição”, para a senzala nós não voltamos! Olívia Santana representa essa trincheira de luta e resistência. Vamos à luta pela dignidade dessa mulher que representa o berço do nosso país, a cidade de maior representação negra do Brasil, que é a maior população negra fora de África.

    Vida Longa à guerreira e vitoriosa, Olívia Santana. Você nos representa!! Força negona da Bahia, da Unegro, dos movimentos sociais.

    Mônica Custódio, secretária de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da CTB.

  • É hoje: Encontro da Nação Hip Hop Brasil em São Caetano (SP); CTB apoia!

    São Caetano vai parar neste domingo (27). E não tem nada a ver com a greve dos caminhoneiros. A cidade do ABC paulista sedia o 5º Encontro Estadual São Paulo da Nação Hip Hop Brasil, a partir das 9h, na Estação Cultura.

    A Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) apoia o encontro que terá debates, oficinas e apresentações culturais.

    Confirme presença e veja a programação na página do Facebook do evento.

    Roberto Landim (Beto Teoria), um dos organizadores do evento, explica que a Nação Hip Hop Brasil organiza esse encontro para trocar ideias sobre a atuação do movimento. “Nosso encontro de São Paulo é uma preparação para o encontro nacional que começa na quinta-feIRA (31), em Belo Horizonte”, diz.

    nacao hip hop ctb

    Inclusive o debate temático “Hip Hop pela Transformação Social” acontece porque o hip hop nasceu na periferia voltado para as questões sociais, políticas e culturais da juventude pobre dos Estados Unidos e “se espalhou pelo mundo, porque fala a linguagem da juventude periférica e pobre”.

    Teoria afirma ainda que a intenção do encontro paulista é resgatar o debate sobre as questões mais candentes da vida da juventude. “O hip hop nasceu questionando a Guerra do Vietnã, na década de 1970, em Nova York e sempre teve essa inserção social e política”.

    Não Pode Me Parar, de Thaíde e DJ Hum 

    Para ele, o hip hop é um movimento que busca levar uma consciência política para as pessoas. “Nos organizamos debatendo as nossas necessidades que são as necessidades das pessoas que vivem longe dos grandes centros, em situação precária e batalham a vida com dificuldades”.

    Por isso, Luiza Bezerra, secretária da Juventude Trabalhadora da CTB, reforça a importância de a CTB dar o seu apoio à realização desse encontro que reúne jovens oriundos das periferias das grandes cidades e da classe trabalhadora. “Essa é uma forma de dialogarmos com a juventude trabalhadora”, diz.

    Nelson Triunfo e Funk e Cia. 

    “O hip hop está há 40 anos no Brasil, sempre na luta das questões cruciais para o país”, argumenta Teoria. “Desde a luta contra a ditadura (1964-1985) ao apoio ao presidente Lula”.

    Para ele, o apoio da CTB tem tudo a ver porque “90% dos integrantes do hip hop têm a sua manifestação artística, mas precisam trabalhar em outra coisa para se manter”, por isso, acentua, “temos uma ligação direta com a CTB, com o movimento sindical”.

    Bezerra concorda com ele e acentua a disposição da CTB para andar junto com os movimentos sociais e culturais abraçados pela juventude trabalhadora. Com isso, "ampliamos a resistência à ofensiva do capital contra o trabalho e contra os direitos da juventude”.

    No Brooklin, de Sabotage & Negra Li 

    Serviço

    O que: 5º Encontro Estadual São Paulo da Nação Hip Hop Brasil

    Onde: Estação Cultura

                Rua Serafim Constantino, s/n - Piso Superior do Módulo II do Terminal Rodoviário Nicolau Delic, centro de São Caetano.

    Quando: Domingo (27), às 9h

    Quanto: De graça

    Marcos Aurélio Ruy - Portal CTB

  • Eleonora Menicucci: sentença revista é vitória das mulheres contra a cultura do estupro

    Até o sol ameaçou abrir na nublada São Paulo na manhã desta terça-feira (24). A ex-ministra de Políticas para as Mulheres de Dilma Rousseff, Eleonora Menicucci, teve seu recurso acatado contra condenação anterior em processo movido pelo ator pornô Alexandre Frota.

    Assista a manifestação em apoio à luta das mulheres contra a violência e a discriminação 

    O julgamento ocorreu no Fórum João Mendes, no centro da capital paulista e o resultado foi muito comemorado por dezenas de manifestantes solidárias à Menicucci. “Foi uma vitória do bom senso”, afirma Celina Arêas, secretária da Mulher Trabalhadora da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).

    Entenda o caso

    Mulheres organizam manifesto em apoio à ex-ministra Eleonora Menicucci

    “Aqui vai o meu mais profundo agradecimento a todas as mulheres, de todas as raças, de todas as matrizes religiosas, de todas as idades. Essa vitória é das mulheres brasileiras porque foi com elas que eu aprendi a lutar”, afirmou Menicucci ao sair do tribunal.

    “A CTB apoia a ex-ministra e está na luta contra qualquer disseminação de atos violentos contra as mulheres, inclusive contra insinuações de sexo não consensual em um canal de televisão”, reforça Arêas. “Para nós, Frota é quem deveria estar sendo julgado por suas grosserias contra as mulheres e a população LGBT”.

    Inclusive foi criada a página Somos Todas Eleonorano Facebook em apoio à ex-ministra, de 73 anos. 

    A ex-ministra havia sido condenada no ano passado em primeira instância a indenizar Frota em R$ 10 mil por ter dito que o ator faz apologia ao estupro e criticou o ministro da Educação, Mendonça Filho, por tê-lo recebido em seu gabinete. “Frota não só assumiu ter estuprado uma mulher, mas também faz apologia ao estupro”, disse a ex-ministra à época.

    Frota chegou ao tribunal escoltado por policias militares, discutiu com as manifestantes e tentou agredi-las como mostra o vídeo do Brasil de Fato (veja abaixo). “A que ponto chegamos com esse golpe, uma mulher da envergadura de Menicucci ter que comparecer aos tribunais para responder às acusações de um ator como o Frota. Impensável”, diz Arêas.

    Veja como foi a entrevista que causou a acusação de Menicucci

    Após insinuar sexo não consensual em TV, Alexandre Frota processa ex-ministra de Dilma

    Para a cetebista, “é muito importante a união de todas as brasileiras e brasileiros que sonham com um país mais igual e humano”. Ela critica a decisão da juíza de primeira instância e reafirma a necessidade de o movimento feminista “tomar as ruas para denunciar as constantes violências as quais as mulheres são submetidas" e complementa: "queremos nossos direitos a uma vida digna respeitados”.

    Portal CTB - Marcos Aurélio Ruy

  • Facebook: 2 bilhões de usuários e um projeto para dominar o mundo

    Além de violar o nosso direito à privacidade e usar de forma indevida nossos dados pessoais, agora o Facebook quer ler nossas emoções, quer se apropriar da nossa alma.

    O Facebook atingiu a impressionante marca de 2 bilhões de usuários em todo o planeta. Aproximadamente 25% da população mundial está na plataforma fundada por Mark Zuckerberg. Isso deveria ser motivo de uma séria e profunda reflexão sobre o papel desta plataforma na sociedade hoje.

    Nascido em fevereiro de 2004 para ser uma rede de relacionamento para os estudantes da Universidade Harvard, o Facebook, em apenas 13 anos, transformou-se num dos maiores – senão o maior – monopólio privado de comunicação do mundo.

    Ao longo desta década, a existência do Facebook teve impacto importante nos hábitos de consumo de notícias, no padrão de ‘relacionamento’ entre as pessoas e organizações e tem crescentemente influenciado decisões políticas e eleitorais.

    Primavera Árabe, Indignados da Espanha e Occupy Wall Street, no ano de 2011, foram talvez as primeiras grandes mobilizações sociais cujo engajamento ocorreu de forma decisiva pela plataforma de Zuckerberg. No Brasil, podemos citar as mobilizações de junho de 2013.

    Sua rede está tão onipresente nos dias atuais, que muitos usuários acreditam que o Facebook seja a própria internet. Isso não é nada bom. Ao contrário: é muito perigoso.

    Rua sem Saída

    O Facebook está sugando a internet para dentro de sua “timeline”. Poucas pessoas navegam na internet hoje. Elas acessam o Facebook e nele ficam lendo manchetes de notícias, postagens pessoais, institucionais, fotos e vídeos, mas dificilmente clicam para ir para o conteúdo original.

    Isso ocorre por vários motivos, entre eles porque as novas tecnologias criaram a ditadura da velocidade: não há tempo para ler uma notícia, um artigo ou assistir a um vídeo de mais de 30 segundos.

    Também porque o modelo de negócio das empresas de Telecomunicações impôs um padrão de acesso baseado nos dispositivos móveis (celulares) que oferta pacotes limitados de dados com alguns aplicativos “gratuitos”. É o que chamamos de ‘zero-rating’. E o Facebook, coincidentemente, é um destes aplicativos nos quais você navega e acredita não estar pagando por isso. Aliás, o Facebook e o Whatsapp (comprado pelo Facebook, em 2014, pela bagatela de US$ 22 bilhões).

    Assim, quando você se depara com um artigo bacana do Mídia Ninja na sua timeline e clica para ler o conteúdo, aparece uma mensagem, digamos pouco estimulante, perguntando se você tem certeza que quer ler aquele conteúdo, porque a partir daquele momento o tempo que você ficar fora do Facebook vai ser descontado do seu pacote de dados.

    Digamos que para 89% dos usuários da internet no Brasil que acessam a rede a partir de dispositivos móveis, – a maioria com contrato no modelo pré-pago – a mensagem é quase um alerta: Não faça isso!

    Além disso, o Facebook foi criando novas funcionalidades para que você se sinta cada vez mais “em casa” e não queria sair. Por que sair, não é mesmo? Por exemplo, se você quer publicar um vídeo, publique diretamente no Facebook. Transmissão ao vivo, use o live do Facebook. Até porque se você não fizer isso, sua postagem será, digamos, sabotada. Experimente comparar o desempenho de postagens de vídeos ou lives de outros aplicativos e os que usam o próprio Facebook que você vai ver isso explicitamente.

    O Facebook é como uma rua sem saída. Até os conglomerados tradicionais da mídia hegemônica estão se rendendo a sua força centrípeta. Acordos entre a rede social e grupos de mídia criaram os instant articles. Sob o argumento de que nos celulares muitas vezes o carregamento de páginas externas é muito lento, o Facebook criou um mecanismo para que as empresas jornalísticas publiquem notícias diretamente na plataforma. Conveniente, não?

    Trabalho não remunerado

    Não dá para negar que o CEO do Facebook e sua equipe são brilhantes. Não pelas funcionalidades do Facebook e por terem construído algo tão grandioso, mas principalmente porque fizeram um negócio bilionário cujo conteúdo que lhe dá valor é produzido por seus 2 bilhões de usuários, de forma gratuita. Isso mesmo, eu, você, e todos que postamos NOSSOS conteúdos no Facebook e trabalhamos gratuitamente para ele. E para se ter uma ideia do quanto nosso trabalho é lucrativo, em 2016 o Facebook teve um receita de US$ 26,8 bilhões, 57% maior que em 2015. Seu lucro líquido aumentou 117%.

    Ah, você pode me questionar agora, “mas não pagamos nada por isso”, o Facebook é “de grátis”. Mais ou menos.

    Primeiro porque pagamos com o nosso trabalho, com o tempo que dedicamos a curtir, reagir e postar coisas no Facebook. E uma das máximas do capitalismo pode ser expressa pela frase “time is money”. E, além disso, o Zuckerberg criou os posts patrocinados. Ah!, quem disse que a gente não paga pelo Facebook. A gente precisa pagar para ser visto, ou para termos a sensação que estamos sendo vistos, lidos e seguidos.

    Aqui, na minha opinião, está um dos problemas mais graves do Facebook: a falsa ideia de que estamos falando para muita gente, que finalmente quebramos a barreira da comunicação unidirecional e que estamos exercendo plenamente nossa liberdade de expressão. Ledo engano. Você pode ter 1 milhão de amigos, igual ao Rei Roberto Carlos, mas esteja certo de que algo em torno de 1% disso pode de fato prestar atenção em você. Se você pagar, vai atingir um pouco mais, mesmo assim, quem vai te ver será determinado por um algoritmo, uma fórmula matemática que, aplicada, tem contribuído para uma rápida evolução da Inteligência Artificial.

    Ou seja, quem determina quando e quem vai ver sua postagem é um código que, no fundo, ninguém sabe como funciona de verdade e quais são os parâmetros de dados utilizados para definir a sua programação.

    A ideia de que seriam apenas dados aleatórios baseados no número de interações, interesses e no mapa do seu comportamento na rede, de que não seriam aplicados outros filtros, de caráter político, ideológico e econômico não está devidamente garantida.

    Até porque o Facebook já informou, há quinze dias (após os atentados do início de junho em Londres), que seus algoritmos estão usando Inteligência Artificial para retirar conteúdos “terroristas” da sua plataforma. “A análise inclui um algoritmo que está no estágio inicial de aprendizagem sobre como detectar posts similares. A promessa do Facebook é que o algoritmo vai acumulando informação e se aperfeiçoando com o tempo. Os algoritmos também estão usando páginas, grupos, posts ou perfis já catalogados que estão apoiando o terrorismo para tentar identificar material relacionado que possa estar fazendo o mesmo”, disse nota da empresa.

    Se podem identificar conteúdo “terrorista”, podem identificar qualquer conteúdo e isso pode significar um potencial de censura e manipulação da informação imensos. Quem define quem são os terroristas? Quem define quem são os inimigos?

    O plano: dominar o mundo

    E muito ainda está por vir. Novas funcionalidades para o Facebook são estudadas e desenvolvidas na velocidade da luz. Todas devidamente patenteadas para garantir a propriedade do Facebook sobre elas. Aliás, uma visita no escritório de patentes para conhecer o que o Facebook tem em seu nome é uma pesquisa interessante e preocupante. Uma delas é um dispositivo para capturar o rosto dos seus usuários e, com isso, definir seu “humor”. “Através de uma técnica para detecção de emoção e entrega de conteúdo. Este é um fluxograma direto para capturar a imagem dos usuários através da câmera para rastrear suas emoções ao visualizar diferentes tipos de conteúdo. O Facebook poderia ver seus estados emocionais ao assistir vídeos, anúncios ou imagens de bebê e isso serviria de conteúdo no futuro, apenas lendo seu estado inicial de emoção”, segundo notícia publicada no site da Forbes.

    Além de violar o nosso direito à privacidade e usar de forma indevida nossos dados pessoais (nós concordamos com isso de forma não informada quando aceitamos às políticas de privacidade – alguém lê mesmo isso? Tema para outro artigo futuro), agora o Facebook quer ler nossas emoções, quer se apropriar da nossa alma.

    E qual o objetivo de tudo isso? Melhorar a nossa “experiência” de navegação? Certamente que não. O poder é algo que seduz. E Mark Zuckerberg definitivamente parece estar querendo mais poder.

    No início deste ano, às vésperas de chegar à marca de 2 bilhões de usuários, Zuckerberg fez dois pronunciamentos, um em março e outro no último dia 22 de junho, dizendo que diante do novo contexto internacional, dos dilemas da humanidade, o Facebook se viu convocado a mudar a sua missão. Inicialmente pensada para “conectar as pessoas”, agora ela é ajustada para “aproximar o mundo” (Bringing the World Closer Together).

    O CEO do Facebook parece crer que sua plataforma pode estar acima das nações e dos poderes constituídos. Na primeira carta que lançou sobre o tema, Zuckerberg afirma: “Os atuais sistemas da humanidade são insuficientes. Esperei muito por organizações e iniciativas para construir ferramentas de saúde e segurança por meio da tecnologia e fiquei surpreso por quão pouco foi tentado. Há uma oportunidade real de construir uma infraestrutura de segurança global e direcionei o Facebook para investir mais recursos pra atender a essa necessidade”.

    Mais recentemente, no evento que reuniu as “lideranças” das maiores comunidades do Facebook, Zuckerberg retoma o tema e afirma que é preciso enfrentar um mundo dividido e, a partir do Facebook, lançar as bases para um “common ground”, numa tradução literal um terreno comum, um mundo mais homogêneo e unido. “Este é o nosso desafio. Temos que construir um mundo onde todos tenham um senso de propósito e comunidade. É assim que vamos aproximar o mundo. Temos que construir um mundo em que nos preocupemos com uma pessoa na Índia, na China ou na Nigéria ou no México, tanto quanto uma pessoa aqui. É assim que conseguiremos as nossas maiores oportunidades e construir o mundo que queremos para as gerações vindouras. Eu sei que podemos fazer isso. Podemos reverter esse declínio, reconstruir nossas comunidades, começar novas e aproximar o mundo inteiro”.
    A despeito de palavras bonitas, é preciso compreender que este não pode ser o papel de uma empresa privada. Inclinações totalitárias não combinam com soberania e democracia.

    Renata Mielli é Jornalista, coordenadora geral do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação e secretária geral do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé. Artigo originalmente publicado em sua coluna na Mídia Ninja.

  • Grupo Mulheres Unidas Contra Bolsonaro retorna e divulga carta à nação contra a cultura do ódio

    “O Brasil vive um momento especialmente dramático de sua história. Nas eleições mais conturbadas após o fim da ditadura civil-militar, assistimos à perigosa afirmação, por um dos candidatos à Presidência, de princípios antidemocráticos, expressos num discurso fundado no ódio, na intolerância e na violência”, diz trecho da carta das brasileiras em defesa da democracia (leia a íntegra da carta abaixo).

    Depois de ultrapassar o número de 2 milhões de integrantes, em poucos dias, a página de Facebook Mulheres Unidas Contra Bolsonaro foi hackeada e o Facebook a tirou do ar para averiguar os acontecimentos (Saiba mais aqui). Depois dessa violência, começama surgir diversas páginas com o mesmo teor.

    A página foi reativada no domingo (16). Além do ataque cibernético, pessoas ligadas ao candidato Jair Bolsonaro disseminaram fakes pelas redes sociais sobre o grupo. Eduardo, deputado federal e filho do candidato da extrema-direita, divulgou texto acusando o jornal britânico The Guardian de mentir sobre as integrantes do grupo e a sua procedência.

    Além disso, o deputado afirmou que "uma página qualquer do Facebook tinha 1 milhão de seguidores quando foi vendida para a esquerda. Então, sem qualquer vergonha, eles mudaram o nome dela para 'Mulheres Unidas Contra Bolsonaro' e saiu alardeando por aí que havia uma onda de mulheres contra o presidenciável", como mostra o jornal El País Brasil.

    A página retornou às verdadeiras proprietárias agora como “secreta”, ou seja, para participar desse grupo somente recebendo convite ou indicação de alguém que já está. De acordo com uma das administradoras o hacker foi identificado. Usa o nome de Eduardo Shinok. A página dele no Facebook não está mais disponível. De acordo com essa administradora ele recebeu ajuda da namorada no hackeamento. A investigação prossegue.

    Portal CTB

    Leia a carta na íntegra:

    Carta das brasileiras em defesa da democracia, da igualdade e respeito à diversidade

    O Brasil vive um momento especialmente dramático de sua história. Nas eleições mais conturbadas após o fim da ditadura civil-militar, assistimos à perigosa afirmação, por um dos candidatos à Presidência, de princípios antidemocráticos, expressos num discurso fundado no ódio, na intolerância e na violência.

    Se a posição deste  candidato era pública, tendo sido reiteradamente manifesta  ao longo dos 27 anos em que vem atuando na Câmara Federal, causa perplexidade a adesão a tais princípios por parte significativa da sociedade brasileira.

    O tratamento desrespeitoso dirigido às mulheres, aos negros,  indígenas, homossexuais,  o culto à  violência, a   agressão contra adversários, a defesa da tortura  e de torturadores,  constituem  manifestações que devem ser combatidas por aqueles que acreditam nos princípios civilizatórios que possibilitam a existência de uma sociedade democrática e plural.

    Neste contexto, nós, mulheres, vítimas  de agressões e desqualificações por parte deste candidato, viemos à público expressar nosso mais veemente repúdio aos princípios por ele defendidos, conclamando a população brasileira a se unir na defesa da democracia, contra o fascismo e a barbárie.

    Somos muitas, para além de um milhão que integra este grupo. Defendemos candidatos e candidatas distintas, dos mais diferentes matizes político- ideológicos.  Temos experiências e visões de mundo diversas,  assim como são distintas nossas idades, orientação sexual, identidades étnico- raciais e de gênero, classe social,  regiões do país em que vivemos, posições religiosas, escolaridade e atividade profissional. Na verdade, nos constituímos como coletivo a partir de uma causa comum, expressa nesta carta: a rejeição à prática política do candidato  e aos  princípios que a regem. Nos constituímos nas redes sociais, unidas  numa corrente crescente e ativa, pela necessidade de tornar pública nossa posição no exercício da cidadania e participação, a partir da identidade feminina que nos congrega. 

     Nós, mulheres, historicamente inferiorizadas e marginalizadas, sujeitas  a toda sorte de violência e  desrespeito,  recusamos hoje o silêncio e a submissão, herdeiras de uma luta  há muito travada por mulheres que nos antecederam.

    Somos aquelas que constituem a maioria do eleitorado brasileiro, ainda que sub-representadas na política partidária. Somos aquelas que, gestando  e alimentado  novas vidas, defendemos o direito de todos e todas  a uma vida digna. Somos aquelas que, temendo pelas  nossas vidas, pelas vidas de nossos filhos, filhas,   companheiros e companheiras, diante da violência que assola e corrói  a sociedade brasileira,  somos contra a liberação do porte de armas, que  só irá piorar o já dramático quadro atual.

    Somos aquelas que, recebendo salários inferiores, com menor chance de contratação e progressão nos espaços de trabalho,  entendemos que cabe  aos governantes, à semelhança do que já ocorre em muitos países, construir políticas de igualdade salarial entre homens e mulheres.

    Somos aquelas que , vítimas  de assédio, estupro, agressão e feminicídio, defendemos  o direito à liberdade no exercício da vida afetiva e sexual,  demandando do   Estado proteção e punição aos crimes contra nós cometidos 

    Somos aquelas que protestam contra a perseguição e violência contra a população LGBTQ, porque entendemos que  cada ser humano tem direito a viver sua identidade de gênero e orientação sexual.

    Somos aquelas que se insurgem contra todas as formas de racismo e xenofobia, que defendem um país   social  e racialmente mais justo  e igualitário, que respeite as diferenças e  valorize as ancestralidades.

    Somos aquelas que combatem o falso moralismo e a censura às expressões artísticas, que defendem a livre manifestação estética, o acesso à cultura em suas múltiplas manifestações.

    Somos aquelas que defendem  o acesso à informação e a uma educação sexual responsável, através de  livros, filmes e materiais que eduquem as crianças e jovens para o mundo contemporâneo. 

    Somos aquelas que defendem  o diálogo e parceria com  escolas,   professores e professoras  na educação de nossos filhos e filhas, sustentados  na laicidade, no aprendizado da ética, da cidadania e dos direitos humanos.

    Somos aquelas  que querem um país com políticas sustentáveis, que respeitem e protejam o meio ambiente e os animais, que garanta o direito à terra pelas  populações tradicionais que nela vivem e trabalham.  

    Somos muitas, somos milhões, somos: 

    #MulheresUnidasContraBolsonaro

    Contra o ódio, a violência e a intolerância

  • Hackers fascistas invadem página de Mulheres Unidas Contra Bolsonaro no Facebook

    Arte de Ribs mostra a disposição das mulheres contra o candidado da extrema-direita, misógino, racista e LGBTfóbico

    A três semanas das eleições, hackers (criminosos cibernéticos) conseguiram invadir a página de Facebook do grupo Mulheres Unidas Contra Bolsonaro, que já havia ultrapassado os 2,2 milhões de integrantes, em poucos dias de funcionamento.

    “As mulheres estão cada vez mais unidas e conscientes de que só mudaremos a política participando dela e neste momento o nosso principal inimigo é o candidato da extrema-direita”, diz Celina Arêas, secretária da Mulher Trabalhadora da CTB.

    Para ela, “de nada adianta criminosos agirem contra a democracia e a liberdade de expressão”, certamente, “não nos calarão”. De acordo com a sindicalista, a ação dos hackers seguidores do candidato Jair Bolsonaro, chamou mais ainda a atenção a importância para o voto feminino, "contra as pautas do ódio e da violência".

    Ao mesmo tempo em que viraliza na internet a campanha com a hashtag #EleNão, Celina afirma que “não mudarão nosso voto com o uso da violência; não os intimidarão”. Segundo a sindicalista, “a campanha contra o machismo e o desrespeito às mulheres seguirá firme e forte. Descobrimos o caminho da unidade e não abriremos mão de votar nas candidaturas a favor da cultura da paz, da justiça e da igualdade de direitos”.

    Música de autora desconhecida viraliza: #EleNão 

    "O grupo foi temporariamente removido após detectarmos atividade suspeita. Estamos trabalhando para esclarecer o que aconteceu e restaurar o grupo às administradoras", informa o Facebook.

    A invasão criminosa ocorreu na sexta-feira (14). Os criminosos invadiram o perfil de uma das administradoras e chegaram a alterar no nome do grupo. Além de agredir outras administradoras.

    Chegaram a divulgar dados pessoais de uma delas e ameaçaram outra via WhatsApp. “Esquerdistas de merda” foi um dos xingamentos. “É de conhecimento geral que os apoiadores do fascismo utilizam-se dos meios mais sórdidos para tentar calar aqueles que não aceitam passivos a disseminação do discurso de ódio proferido pelo candidato que fazemos frente de resistência absoluta”, afirmam as responsáveis pelo grupo.

    hacker

    Hackers fascistas cometem crime cibernético: serão punidos?

    Celina acentua que “as mulheres têm consciência de que lutar por igualdade de direitos incomoda as mentes reacionárias, principalmente de homens violentos e sem a mínima condição de administrar qualquer coisa, muito menos um país".

    E questiona: "Será que essa invasão não configura crime eleitoral para uma possível impugnação do candidato da extrema-direita?".

    Já as organizadoras da página invadida Mulheres Unidas Contra Bolsonaro afirmam que “nossa resposta será nas urnas, onde iremos mostrar a força das mulheres, pois nossa união não é feita através da violência, mas na certeza de que juntas somos mais fortes e que temos o poder de direcionar nosso país para longe de um discurso racista, misógino e homofóbico”.

    Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB com Catraca Livre e El País Brasil

  • Jornalista da Folha induziu prisões em ato Fora Temer, denunciam manifestantes

     Ao se negarem a serem fotografados pela jornalista Joana Cunha durante a tarde desse domingo (11), um grupo de manifestantes acabou comprando uma briga maior do que imaginava.

    Joana, com a recusa, foi imediatamente aos policiais que estavam próximos para denunciá-los como “Black Blocs”, afirmaram os detidos. A ação de Joana teria sido decisiva na perseguição da PM que resultou na prisão de três pessoas minutos depois.

    A redação da Mídia NINJA entrou em contato com a repórter na madrugada de domingo para segunda-feira, pelo Facebook, e posteriormente às 9h na segunda-feira, por telefone, com uma pergunta simples: Você denunciou ou não o grupo de manifestantes para a PM?

    A resposta, motivada pela indagação da Mídia Ninja, demorou aproximadamente 30h, e foi publicada diretamente em nota da Folha de S.Paulo, onde afirma se sentir intimidada, mesmo com centenas de policiais no local:

    “Os mascarados se aproximaram, me disseram que eram menores de idade e que por este motivo eu não poderia fotografá-los. Falaram em “direitos de imagem”. Disseram que haveria problemas se a foto fosse publicada. Eu ergui os braços e disse a eles que sou jornalista e estava me sentindo intimidada. Na frente dos policiais, eles responderam que não estavam fazendo nada contra mim..”

    “Fomos pedir com toda delicadeza e gentileza para que ela apagasse essas imagens. Ela não só não apagou, como pediu para os policiais seguirem a gente”, afirmou Luana Machado, na 78 DP, local em que os manifestantes seguem detidos. Na sequência dessa afirmação, os manifestantes pedem pessoalmente para Joana que ainda gostariam que a foto fosse apagada, no que ela responde de forma arrogante: “Já foi pra Folha”.

    Os jovens foram enquadrados com violência pelos policiais militares, que revistaram seus pertences.

    (…)

    Joana é repórter do caderno de economia e já foi correspondente internacional em Nova Iork pela Folha. Segundo fontes internas do jornal que preferem não se identificar, Joana não tem preparo ou “jogo de cintura” suficiente para coberturas de grandes manifestações.

    Fonte: Diário do Centro do Mundo

  • Jovem quase é impedido de dar um prato de comida a uma criança em shopping; assista

    "Algumas vezes a solidariedade vence a insanidade tão presente no Brasil do golpe de 2016", diz Vânia Marques Pinto, secretária de Políticas Sociais da CTB. Esse é o caso do fato ocorrido no Shopping da Bahia em Salvador, na segunda-feira(11), véspera do Dia Mundial Contra o Trabalho Infantil.

    Tudo aconteceu na praça da alimentação do shopping, onde um segurança fez o que sempre fazem os seguranças e tentou impedir o jovem Kaique Sofredine de pagar almoço para um “menino de rua”. A cena foi filmada e o vídeo já se aproximava (até o fechamento desta matéria) dos 15 milhões de visualizações na página de Facebook de Sofredine.

    Após a repercussão negativa, a direção do shopping divulgou uma afirmando que “reforçamos que nossa operação atua em alinhamento com órgãos de defesa dos direitos humanos, como o Conselho Tutelar e o Juizado de Menores. O empreendimento reforça ainda que, em seus 42 anos de história, sempre teve orgulho de manter uma relação de proximidade e respeito com seus clientes, valorizando a cultura e o povo da Bahia”.

    Assista a bela atitude de Kaique Sofredine no Shopping da Bahia, em Salvador 

    Episódios de discriminação de crianças em situação vulnerável não é novidade. Chama a atenção a atitude do jovem e os milhares de comentários em seu apoio. “Por que ele não vai comer?", pregunta o rapaz. "É um ser humano como outro qualquer”, complementa. “Eu queria ver se fosse seu filho na rua passando fome”.

    Para a sindicalista baiana, "a atitude do rapaz e de quem filmou tudo é altamente louvável para ver se mudamos a mentalidade desses trabalhadores que são treinados para defender o patrimônio sem se importar com a pessoa”.

    Vânia acredita que o segurança em questão agiu de forma padrão. “Vivemos um momento de crescimento da violência e do ódio de classe. O aprofundamento da crise poderá trazer à tona muitas ações como a desse menino e a segurança sempre agirá para reprimir”.

    Muito importante, de acordo com a trabalhadora rural, “é valorizarmos as boas atitudes como a desse jovem". Para ela, "a eleição deste ano contará com dois componentes a serem conquistados: acabar com a miséria e a volta da democracia".

    Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB

  • Mais de um milhão de mulheres aderem rapidamente a grupo contra Bolsonaro no Facebook

    A vida não anda fácil para o candidato da extrema-direita, Jair Bolsonaro. Além de ver a sua rejeição subir nas pesquisas, mesmo após o episódio da facada que levou na quinta-feira (6), em Juiz de Fora (MG), mais de um milhão de mulheres aderiu ao grupo fechado do Facebook, Mulheres Unidas Contra Bolsonaro.

    A sua candidatura se manteve estável nas pesquisas do Ibope e do Datafolha, divulgadas recentemente, crescendo na margem de erro, mas viu sua rejeição subir consideravelmente, principalmente no eleitorado feminino.

    Nesta quarta-feira (12), o grupo superou a marca de um milhão de integrantes, cerca de 10 mil adesões por minuto. “Esse é um fato novo e alvissareiro na política brasileira”, afirma Celina Arêas, secretária da Mulher Trabalhadora da CTB. “As mulheres estão se posicionando com firmeza contra um candidato com posições amplamente contrárias à igualdade de direitos”.

    O grupo, criado em 30 de agosto, é apartidário e pretende se contrapor ao “avanço e fortalecimento do machismo, misoginia e outros tipos de preconceitos”, diz texto de apresentação na página do Facebook.

    Isso porque “acreditamos que este cenário que em princípio nos atormenta pelas ameaças as nossas conquistas e direitos é uma grande oportunidade para nos reconhecer como mulheres”, complementa o texto de apresentação.

    Para participar do grupo clique aqui

    "O grupo é fechado e as pessoas que aderem precisam ser autorizadas a participar porque o candidato, segundo informações, possui mais de 400 mil robôs nas redes sociais e isso poderia comprometer o funcionamento do grupo, além da violência costumeira de seguidores do candidato extremista", explica Kátia Branco, secretária da Mulher Trabalhadora da CTB-RJ.

    Para Celina, a participação das mulheres nesta eleição é fundamental. “Somos a maioria da população e do eleitorado, temos que fazer valer a nossa voz e os nossos direitos”, diz. “A CTB luta pela igualdade de gênero e defende mais mulheres na política e no poder”.

    A publicitária Ludmila Teixeira, uma das organizadoras do grupo, diz à revista Exame que “ele representa tudo que é de atraso na luta pelos direitos das mulheres, ele ataca diretamente a licença maternidade" e defende "a diferença salarial entre homens e mulheres”.

    As mulheres compõem 52,5% do eleitorado, segundo o Tribunal Superior Eleitoral e conforme a pesquisa mais recente do instituto Datafolha, o candidato do PSL é rejeitado por 49% das mulheres e com curva ascendente.

    "As manifestações misóginas, racistas e LGBTfóbicas do candidato dos banqueiros são costumeiras", reforça Celina. "Agora nas eleições tenta desmentir o que disse e vem dizendo, mas está tudo registrado".

    “Estamos a poucos dias de mudar os rumos do país”, acentua Celina. “Agora é arregaçar as mangas e trabalhar incansavelmente para elegermos candidaturas comprometidas com a classe trabalhadora, com a causa da emancipação feminina, contra o racismo e a discriminação de gênero”, conclui.

    Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB

  • Melhora quadro clínico do estudante Mateus Ferreira da Silva agredido por policial em Goiânia

    O estudante Mateus Ferreira da Silva teve melhora em seu quadro clínico informa o boletim médico divulgado nesta terça-feira (2) pela equipe médica do Hospital de Urgências de Goiânia. Mas permanece na Unidade de Terapia Intensiva.

    “As informações são de que o Mateus acordou e teve a sedação suspensa, respondeu algumas perguntas e se queixou de dores de cabeça algumas vezes”, afirma Ailma Oliveira, presidenta da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil em Goiás (CTB-GO).

    “Os médicos informam que essa é a melhor evolução do estudante desde a sexta-feira (28), quando sofreu a agressão”, ressalta Oliveira, que acompanha o caso dessa violência. Para ela, “o Mateus é o nosso herói”.

    Os estudantes da Universidade Federal de Goiás (UFG), onde Mateus estuda, convocam uma paralisação nesta quarta-feira (3) quando acontece uma vigília que já ocorre em frente ao hospital em apoio ao estudante agredido.

    Saiba mais pela página de Facebook do evento aqui

    O Diretório Central Estudantil da UFG enviou uma solicitação para paralisar as atividades com objetivo de “exigir justiça”. Texto divulgado nas redes sociais do DCE reforça que a paralisação ocorre “em apoio ao Mateus e contra a violência policial”, independente da postura adotada pela universidade.

    Mateus Ferreira da Silva foi agredido pelo policial militar Augusto Sampaio de Oliveira Neto na cabeça e foi internado em estado grave com traumatismo cranioencefálico durante manifestação que reunia mais de 40 mil pessoas em Goiânia (saiba mais aqui).

    Leia aquinota de solidariedade da CTB-GO

    “A CTB-GO acompanha de perto o caso dessa violência desmedida. Juntamente com os estudantes, familiares e a sociedade civil exigimos investigação rigorosa e punição ao responsável por tamanha violência. A juventude merece tratamento melhor”, afirma Oliveira.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

  • O filme Aquarius desnuda o capital que destrói o mundo e a vida para ter lucro

    Humberto Carrão, Sonia Braga e Kleber Mendonça Filho, equipe de Aquarius é afinada

    Apesar do retrocesso político no país, com o golpe jurídico-parlamentar que trouxe de volta o fantasma do Fundo Monetário Internacional, e todo o caos que isso representa para a classe trabalhadora, o cinema nacional tem uma safra de obras ímpares.

    Aquarius, do pernambucano Kleber Mendonça Filho, já nasce clássico. Causou polêmica desde o protesto promovido pelo elenco do filme no Festival de Cannes, na França, em maio. Por causa disso, a equipe foi alvo de uma denúncia vazia por um crítico.

    Também se estabeleceu a idade de 18 anos como mínima para assisti-lo. E para coroar a perseguição golpista, a obra foi preterida pelo Ministério da Cultura na seleção do candidato brasileiro para o Oscar 2017. Com muita delicadeza, Mendonça mostra na telona as transformações que o Brasil sofreu nas últimas décadas.

    Com um roteiro sólido, intrincado com uma trilha sonora perfeita, a obra encena a trajetória de Clara (Barbara Colen, no começo e Sonia Braga), uma mulher de fibra, como é forte a mulher brasileira. Através da vida de Clara, a trama desenrola as mudanças do país.

    A película se fia totalmente à canção tema Hoje, de Taiguara (1945-1996). Como na música, a questão do tempo é forte do começo ao fim da obra. A plateia se emociona com os versos: “(...) Hoje/Homens sem medo aportam no futuro/Eu tenho medo acordo e te procuro/Meu quarto escuro é inerte como a morte (...)”.

    Um filme para a recuperar os tempos da delicadeza sem retroceder, caminhando sim com os olhos no futuro e resistir às opressões no presente. Por isso, “Eu não queria a juventude assim perdida/Eu não queria andar morrendo pela vida/Eu não queria amar assim como eu te amei” (Hoje).

    Acompanhe também pelo Facebook aqui.

    A vida entre o velho que insiste em ficar e o novo lutando para brotar permeia toda a obra. Quando o herdeiro de uma construtora de Recife, Diego Bonfim (Humberto Carrão) manda introduzir um cupinzeiro no prédio onde Clara morava e se recusava a vender seu apartamento.

    Uma certa atualização da famosa frase do escritor paulista Mário de Andrade (1893/1945), no livro Macunaíma (1928) “muita saúva e pouca saúde os males do Brasil são”. Com os cupins representando a voracidade do capital sobre a classe trabalhadora, o meio ambiente, a vida.

    Mendonça Filho nos leva a uma viagem incrível de sonhos, magia e cultura. Onde se vê claramente as nuances da luta de classes num país único como é o Brasil. Na resistência fica a esperança no futuro.

    “Hoje/Homens sem medo aportam no futuro/Eu tenho medo acordo e te procuro/Meu quarto escuro é inerte como a morte”, como diz Taiguara na canção tema do filme. Em cartaz.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

    Assista trailer de Aquarius 

    Um pouco de como o filme foi feito 

  • Orientações aos professores ameaçados em sua liberdade de cátedra

    Diante de todas os ataques recentes à autonomia docente e a liberdade de cátedra, asseguradas na Constituição Federal/1988 bem como na Lei de Diretrizes e Bases da Educação nacional/1996, o Sinpro Minas manifesta-se veementemente contra quaisquer atitudes que visam amordaçar, constranger e ameaçar os professores.

    o Sindicato também coloca-se à disposição da sua categoria na defesa dos seus direitos, como já faz há mais de 85 anos.

    Professor, em caso de retaliação ou ameaça, procure o Sinpro Minas

    Geral: 31-3115-3000

    Plantão diretoria: 31-3115-3046

    Plantão agente sindical: 31-3115-3001

    Plantão jurídico: 31-3115-3018

    E-mail: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

    Não nos calarão!

    Segue, abaixo, um pequeno manual elaborado pela Pressenza International Press Agency, que orienta professores ameaçados em sala de aula

    Manual de defesa para docentes

    Como se defender?

    A Constituição Federal assegura ao educador o direito a liberdade de cátedra, que se resume em sua liberdade de atuação em sala de aula. Portanto, qualquer lei que viole esse direito se torna inconstitucional e portanto não passível de promulgação pelo presidente da República. O art. 206 da CF assegura a liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber. O mesmo princípio é reforçado no terceiro artigo da Lei de N 9.394 – de Diretrizes e Bases Nacional. Portanto, os professores que se sentirem constrangidos, censurados em sala de aula, podem e devem fazer o uso da legislação existente sobre o assunto para salvaguardar seu direito à liberdade de cátedra. De modo que devem buscar ajuda jurídica e proteger seus direitos.

    A liberdade de Cátedra – ou de ensino – surge no nível constitucional na carta magna de 1934 em seu artigo 155. Posteriormente, na CF de 1946, em seu artigo 168. Reafirmado pela constituição de 1988 – conhecida como a constituição cidadã, o docente tem plena autonomia para escolher os métodos didáticos que respeitem a pluralidade de idéias e a não-discriminação.

    O que fazer se a sua sala de aula for invadida?

    Em caso de uma invasão e/ou eventual assédio em sala de aula, o professor pode e deve:

    1. Exigir a presença de testemunhas, como a diretora, coordenadora pedagógica e outros docentes da escola. Não saia da sala de aula, para isso basta pedir para um ou dois alunos irem chamar a presença deles.
    2. Sempre estar munido com o número do sindicato e/ou de um advogado. Desta forma, poderá pedir ajuda jurídica necessária.
    3. A entrada de terceiros só pode ocorrer com a autorização prévia do professor, ninguém pode invadir a sala de aula. Se aparecer alguém não convidado simplesmente feche a porta.
    4. Caso o invasor force a entrada, disque 190 e acione a polícia. Peça a presença de uma ronda escolar e leve todo mundo para registrar um boletim de ocorrência na delegacia mais próxima.
    5. Caso o agressor grave vídeos na sala de aula, o docente pode entrar com processo por difamação, calúnia e uso indevido de imagem. A pena para o crime de difamação é de detenção, de três meses a um ano, e multa.
    6. Em caso de ofensas e ameaças diante de alunos, peça para registrarem o episódio, reúna duas testemunhas e acione o advogado do seu sindicato. Ninguém pode entrar no local de trabalho do professor de modo a constrangê-lo ou censurá-lo. Isso configura ameaça e assédio ao servidor público. O que também é passível de pena.

    O que fazer se publicarem um vídeo te difamando?

    Caso publiquem alguma vídeo com uma suposta “denúncia” de doutrinação em sala de aula, o professor pode e deve:

    1. Pedir ajuda jurídica para o seu sindicato
    2. Denunciar as postagens em redes sociais com conteúdos difamatórios, todas as páginas como o Facebook, Youtube e Google tem botões e formulários para denunciar postagens indevidas.
    3. Reunir um grupo de professores que também foram difamados e/ou ameaçados e entre com um processo coletivo pedindo indenização por danos morais e/ou a detenção de quem tiver feito o assédio e publicado o vídeo difamatório.
    4. Envie cartas registradas para a sede do Google e do Facebook, explicando o ocorrido e solicitando a retirada do conteúdo do ar, esta carta poderá ser anexada ao processo.
    5. Procure veículos de mídia livre e alternativa como a Agência Pressenza, o QuatroV, Outras Palavras, Agência Ponte e Justificando, para dar sua versão do que ocorreu, pois os veículos de mídia tradicional geralmente distorcem e manipulam os fatos.

    Não deixe passar, hoje eles te atacam. Amanhã estão atacando outras escolas. É preciso aproveitar que no geral, estes fascistas são covardes, e fogem assim que enxergam a primeira reação mais organizada, permanente e coletiva.

    Os professores não estão desamparados pela lei com relação a posturas fascistas que certos indivíduos podem tomar. Sua liberdade é assegurada em nível constitucional. Ao se depararem com situações onde sua liberdade está ameaçada, tem como recurso a legislação vigente para se defender.

    https://www.pressenza.com/pt-pt/2017/04/manual-de-defesa-para-docentes/

    _________________

    Recomendações do Ministério Público Federal no caso de assédio aos professores

    Recomendação – assédio professores

    ________________

    Modelo de contra-notificação extrajudicial feita pelo Instituto Herzog para os professores usarem caso sejam notificados por dar aulas ditas “subversivas” (vocabulário dos anos 1970!)

    Contranotificação_Extrajudicial_ESP1

    solidarize se com professor

    Fonte: Sinpro Minas

  • Para o filósofo Leandro Karnal, é necessário aprender a dialogar e respeitar as diferenças

    O filósofo Leandro Karnal publicou nesta terça-feira (6) um texto intitulado “O limite da liberdade de expressão” em resposta ao professor da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp) Jairo José da Silva, que defendeu a violência policial nos atos pelo “Fora Temer”.

    Silva escreveu em seu Facebook: "Uma garota ficou ferida na esbórnia pró-Dilma em São Paulo. Pode ficar cega. Se for petista é uma boa notícia, mas não vai fazer muita diferença, já que são cegos como toupeiras”.

    professor menna perdeu olho fascista

    Insano. A que ponto chega a mentalidade fascista. Desejar o mal para uma pessoa, só porque ela pensa diferentemente. Silva se refere à jovem Deborah Fabri atingida por estilhaços de bomba de gás lançada pela Polícia Militar em manifestação contra o governo golpista. O professor e filósofo Karnal escreveu uma resposta suficiente para fazer corar Silva, se ele ainda contar com alguma consciência.

    Diz que “posso, com bons argumentos, ser contra o partido A ou B. Posso condenar quem depreda patrimônio público ou privado. Posso ser do PSOL ou do DEM. A sociedade precisa desta diversidade de posicionamentos. Nunca posso defender violência contra uma pessoa. Nada justifica isto” (leia a íntegra abaixo).

    O limite da liberdade de expressão

    Conquistamos com dificuldade a liberdade de expressão. Ela é um direito constitucional e um esteio do pacto social. A própria lei já estabelece limites: não posso defender ou incitar crime. Não posso, em nome da liberdade de expressão, defender racismo ou violência contra mulheres ou pedofilia. A liberdade é ampla, mas não absoluta.

    O professor Jairo José da Silva é titular da Unesp e com consagrada carreira acadêmica. Tudo indica tratar-se de pesquisador sério e reconhecido em muitos bons centros. Isto não impediu de afirmar algo muito difícil no seu Facebook. Diante do fato de uma aluna Deborah Fabri, de 19 anos, ter sido atingida no olho por bala de borracha e ter perdido a visão, o docente comentou que era uma notícia potencialmente boa que ela ficasse cega.

    Posso discordar das manifestações. Posso, com bons argumentos, ser contra o partido A ou B. Posso condenar quem depreda patrimônio público ou privado. Posso ser do PSOL ou do DEM. A sociedade precisa desta diversidade de posicionamentos. Nunca posso defender violência contra uma pessoa. Nada justifica isto. Este é o limite da liberdade de expressão, pois além deste limite começa o mundo da barbárie. Todos podemos dizer coisas que, refletindo melhor, pensamos ser um equívoco. Cabe, então, veemente pedido de desculpas. Até ele ocorrer, somos coautores da violência defendida. Violência é o fim do diálogo. Como professor, fico intensamente chocado quando alguém se alegra com uma aluna perdendo a visão. Fico mais chocado com alguém que, tendo os dois olhos, seja tão cego.

    Temos um longo caminho pela frente. Aprender a ser crítico sem destruir, aprender a ser policial sem cegar, aprender a discordar sem apoiar violência e, acima de tudo, aprender a dialogar.

    Portal CTB

  • Paulista ficou pequena na noite desta quinta (21) para ato espontâneo em defesa da democracia

    Uma grande manifestação espontânea levou milhares de pessoas à avenida Paulista, em São Paulo, na noite desta quinta-feira (21) – dia do herói da Inconfidência Mineira, Tiradentes – em ato combinado pelo Facebook, para gritar a nova palavra de ordem em defesa da democracia: Fica Querida.

    Justamente para se contrapor ao "tchau querida" que os deputados golpistas usaram no domingo (17), dia no qual disseram sim ao golpe tramado pela direita mais reacionária da sociedade brasileira. Os manifestantes de todas as idades, cores e orientações sexuais, também gritaram "Dilma Fica".

    Vários manifestantes mencionaram o circo armado na votação da aceitação do pedido de impeachment para a presidenta Dilma. Para a maioria, essa votação deixou claro por “quem eles estavam votando”.

    Tanto que a secundarista Anna Júlia Potye disse aos Jornalistas Livres que essa foi a sua “primeira vez numa manifestação pró-democracia”. Segundo ela, “aquele circo” criou um “desejo de justiça” e acabou inflamando a juventude a defender a liberdade.

    O estudante Luiz Dantas conta que “criaram um evento falso no Facebook” convocando para o ato e mesmo assim “o pessoal veio, o ato começou pequeno e foi crescendo”.

    Já a cientista social Maiara Beckrich acredita que a transmissão ao vivo da votação despertou muitas pessoas para o que realmente está acontecendo no país.

    Leia mais:

    Presidenta Dilma denuncia golpe na democracia brasileira na sede da ONU, nos Estados Unidos

    A norte-americana CNN também denuncia o golpe dos sem voto no Brasil. Assista!

    Dilma recebe flores e solidariedade em "Abraçaço da Democracia"

    “Muita gente que estava em cima do muro, muita gente viu em nome de quem estavam votando aqueles deputados. Eu acho que essas pessoas que viram o cunho dessas falas também se mobilizaram e perceberam que não podiam estar do lado de lá, tinham que estar desse lado de cá mesmo”, afirma.

    “Toda vez que eu venho num protesto e tem um enorme número de mulheres, eu me sinto acolhida, me sinto à vontade num nível que não é compreensível, sabe?”, diz Anna Júlia. A estudante Márcia Rosa diz que “eles são todos contra mim” e complementa: “sou mulher, negra, pobre, lésbica e comunista”.

    Entre feministas, movimento negro, LGBT, indígenas e trabalhadores, o canto é uníssono: Dilma fica, e Cunha sai. Também entoaram cânticos com a frase “Dilma guerreira, mulher brasileira”. Diversas manifestantes disseram sentir-se atingidas pelos ataques misóginos à presidenta.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy com informações dos Jornalistas Livres - Foto: Revista Fórum

    Assista vídeo de Henrique Cartaxo para os Jornalistas Livres:

     

  • Será o começo do fim do Facebook?

    O título é mais uma provocação do que um prognóstico. Seria precipitado afirmar que o Facebook está com os dias contados. Mas é fundamental entender os motivos e o que representa essa que talvez seja a primeira grande crise da plataforma que, em 2017, ocupou o 4º lugar no ranking das empresas de internet mais valiosas do mundo, atrás apenas da Apple, Alphabetic (Google) e Microsoft. Em dezembro de 2017, a rede social de Zuckerberg alcançou a marca dos US$ 520 bilhões, mantendo-se à frente de outra gigante, a Amazon, segundo dados da Forbes.

    O Facebook tem sido alvo de multas milionárias (bilionárias até), de críticas motivadas pelo descontentamento de usuários que se veem lesados pelo uso indevido dos seus dados, pela maneira como os algoritmos da plataforma cria bolhas, a falsa ilusão de alcance, contra a política de patrocínios e a propagação de notícias falsas.

    O escândalo sobre o vazamento de dados pessoais de cerca de 50 milhões de usuários para uso indevido por uma empresa de estratégia política, a Cambridge Analytica, é a mais profunda que Mark Zuckerberg já enfrentou.

    O CEO e fundador do Facebook saiu da sua “bolha de proteção e conforto” para assumir a missão de tentar limpar a imagem da sua plataforma. Deu entrevistas a jornais e redes de televisão – o que não é uma prática de Zuckerberg – e já apresentou medidas de controle e segurança, com o intuito de reduzir danos, em particular na bolsa de valores, onde as ações da companhia já tiveram uma queda de mais de 12%, acumulando uma perda de mais de 50 bilhões de dólares apenas essa semana.

    As propostas de Zuckerberg, no entanto, são superficiais e pouco eficazes para impedir novos vazamentos. No caso dos aplicativos, eles anunciaram que irão fazer uma auditoria nos apps que usam o Face para identificar os que fazem “mau uso dos dados” e bani-los da plataforma. Se uma pessoa não fizer uso de um app por mais de 3 meses, o aplicativo deixará de ter acesso aos seus dados. Zuckerberg também anunciou que vai ensinar as pessoas a gerenciar seus apps, e informar quando os dados de alguém tiver sido usado de forma indevida.

    Enfrentar os problemas na raiz

    Essas medidas – que já deveriam ser uma política da empresa desde sempre – atacam apenas a superfície do problema. A raiz é justamente a possibilidade de a plataforma e seus aplicativos terem acesso irrestrito aos dados pessoais, de navegação e a todas as atividades do usuário na sua plataforma e, inclusive, fora dela. A origem do problema está na arquitetura dos algoritmos do Facebook, que são desenvolvidos para rastrear nosso comportamento digital e armazenar nossos dados. Ou seja, o Facebook foi construído desde o início com esse propósito, o seu modelo de negócios está baseado na coleta e comercialização das informações que nós, usuários, fornecemos gratuitamente para ele.

    Esse modelo de negócios é ainda mais perigoso, porque é operado por um monopólio que congrega e interliga outras redes à sua rede. Um dos compromissos firmados pelo Facebook na ocasião da aquisição do Whatsapp e Instagram foi justamente o de manter as três redes independentes. Pouco mais de um ano depois da compra das duas plataformas, o Facebook fez a integração das três, ampliando ainda mais a coleta de informações e dados que permitem traçar perfis praticamente individuais dos usuários, uma verdadeira mina de ouro tanto para o mercado de comércio e serviços, como para o “mercado da política” que tem empresas como a Cambridge Analytica.

    Zuckerberg também declarou que talvez seja o caso de haver algum tipo de regulação da sua plataforma. Admitiu publicamente que o Facebook assumiu um papel importante na construção de opinião e direcionamento de temas, além de reconhecer que sua plataforma tem um forte poder político para direcionar políticas e até governos.

    Por mais que seja uma plataforma privada, o Facebook adquiriu – gostemos ou não – uma papel público relevante e perigoso demais para ser mantido sem qualquer tipo de regulação.

    Por isso, para além das medidas anunciadas – totalmente paliativas – é preciso criar regras de transparência sobre as atividades e funcionamento da plataforma; exigir que o desenvolvimento dos algoritmos se dê a partir do conceito de privace by design (que desde a concepção são construídos para garantir parâmetros de privacidade); definir regras de desconcentração, impondo que o compromisso da separação entre Facebook, Instagram e Whatsapp seja cumprido; impedir que o Facebook adquira novas redes, medida importante para frear a ação monopolista da companhia na internet; definir políticas de proteção de dados pessoais e modelos mais rígidos e transparentes para que o usuário tenha conhecimento das regras e possa decidir sobre como devem ou não ser utilizadas suas informações. Padrões internacionais mínimos deveriam ser definidos sobre esse tema, mas a plataforma deveria ser obrigada a obedecer as legislações nacionais de proteção de dados pessoais.

    É cedo para dizer qual será o desdobramento dessa crise do Facebook. Se este será um momento de reconfiguração da plataforma que já passou por mudanças significativas desde a sua criação (apesar de nenhuma delas motivada por uma crise de credibilidade); ou se esse abalo vai levar a um êxodo da rede, que poderá perder relevância até ser superada por outra novidade, como aconteceu com o Orkut.

    Aliás, essa é uma característica da Internet: a velocidade com a qual as novidades surgem e desaparecem na rede mundial de computadores é muito grande. Isso faz com que seus gigantes econômicos tenham uma vida mais curta que os gigantes da economia tradicional. AOL, Altavista, Napster, Orkut são alguns dos exemplos que mostram como é possível ser grande tão rapidamente, mas, num piscar de olhos, deixar de existir.

    O próprio surgimento de uma bolsa de valores específica (Nasdaq) para negociar ações de empresas de tecnologia se constituiu num grande fenômeno que cresceu e explodiu. Toda grande bolha cresce até o limite de sua elasticidade, depois estoura.

    Uma breve linha do tempo do Facebook

    Os picos de expansão econômica do Facebook coincidem com mudanças significativas da plataforma e do seu modelo de negócios (introdução de anúncios, posts patrocinados, impulsionamento de páginas, parcerias com outras empresas e plataformas, criação de funcionalidades para competir com os concorrentes – como os vídeos ao vivo – e outras inovações ao longo dos últimos 14 anos).

    Quando percebeu o alcance de sua rede – que nasceu para conectar os estudantes da Universidade de Harvard – e o potencial bilionário de seu negócio, Zuckerberg começou ampliar suas metas e aspirar, porque não, transformar o Facebook na própria internet.

    Quando os caminhos de Zuckerberg começaram a trilhar neste sentido, ele começou a enfrentar seus primeiros obstáculos. Não adianta conquistar o mundo e matá-lo ao mesmo tempo.

    O Facebook passou a ser uma ferramenta de interação mais ou menos dois anos depois de ser lançado.

    Em 2006, a plataforma criou sua primeira versão de feed de notícias. Até aí, apenas páginas pessoais eram possíveis de serem criadas e a rede era, digamos, estritamente social – uma maneira de contar ao outro o que o que você estava fazendo, com quem e onde, e o que pensava ou sentia sobre determinado assunto.

    Em 2008, surgiu a primeira funcionalidade para que o usuário pudesse adicionar links e fotos ao seu status. Foi aí que as pessoas começaram a trocar links de páginas de notícias, de venda de produtos, de empresas, dos mais variados temas. Zuckerberg percebeu que seria muito interessante introduzir as empresas na sua plataforma, permitir que além das pessoas físicas, pessoas jurídicas (.com e .gov) pudessem produzir conteúdo – e valor econômico – para o Facebook.

    É nesta etapa que o Facebook passa a desenhar o seu modelo de negócios como o conhecemos hoje – gerar cada vez mais tráfego na sua plataforma, aumentar mecanismos de interação (comentários, compartilhamentos e likes) e a partir disso monetizar as interações com base em frequência e relevância.

    Também é aqui que o modelo passa a se basear de forma mais dependente da coleta, tratamento e comercialização de dados pessoais.

    Em 2009 surgem as páginas, com funcionalidades distintas dos perfis pessoais. Nessa altura, muitas empresas e governos já mantinham perfis individuais. O Facebook fez uma campanha para que houvesse uma migração para as páginas. Nas páginas, funcionalidades de acompanhamento estatístico do alcance das postagens foram introduzidas, preparando o caminho para o que já estava planejado como próximo passo: os patrocínios e impulsionamentos.

    Bolhas, ilusões e bolsa de valores
    Ninguém, nem mesmo o Rei Roberto Carlos, pode ter realmente 1 milhão de amigos. Nem mil. O Facebook criou essa ilusão, de que ao se conectar com alguém na sua plataforma você está fazendo um “amigo”. E junto com isso, o Facebook vendeu inicialmente para seus usuários outra falsa ideia: a de que os seus milhares de amigos podem acompanhar a sua atualização de status. Talvez lá no início fosse assim. Mas com toda certeza a partir de 2009, 2010, já não era mais.

    Então, é mais ou menos neste momento que o papel dos algoritmos passou a se tornar mais relevante e a mudar o perfil da rede social.

    Já havia um algoritmo que “selecionava” o que cada usuário via no seu feed. Mas a entrada dos usuários .gov e .org ampliaram essa “seleção”.

    No ano de 2012 o Facebook passou realmente por uma grande transformação. Não na sua interface e funcionalidade, mas na sua composição. De um empreendimento individual, tornou-se uma empresa capitalista de mercado aberto. Em 18 de maio, Zuckerberg vendeu o primeiro lote de ações da sua empresa na Bolsa de Valores de Tecnologia de Nova York, a Nasdaq. Naquele momento, a empresa estava avaliada em US$ 104 bilhões.

    Ao abrir seu capital, o Facebook passou a ter a obrigação de reverter lucro aos acionistas que investiram na empresa. O ideal “misantropo” de Zuckerberg de conectar as pessoas deu lugar à frase máxima do capitalismo norte-americano “Show me the money”.

    Lucro e Poder

    Essa mudança se traduz no botão “Promote” ou “Promover”. Já havia uma insatisfação das páginas que percebiam pelas estatísticas o baixo alcance de suas publicações para os seus “fãs” ou seguidores. Nesta época, uma média de 12% das pessoas que curtiram uma página visualizavam seus posts. O Facebook então resolveu fazer com que as páginas pagassem para ter mais alcance. Quer ser visto ou lido? Então pague por isso.

    Assim, o Facebook aprofundou o modelo econômico baseado nos likes: quanto mais tempo, mais interação e frequência de postagens você tiver, mais valor você vai gerar para si e para o Facebook.

    Ao adotar este caminho econômico, o Facebook direcionou os conteúdos pela afinidade dos seus usuários – afinal, aparecem para mim conteúdos relacionados com o meu hábito – de quem eu mais compartilho, interajo etc. Começaram a se aprofundar as bolhas. O que havia de diversidade no Facebook, a possibilidade de estar em contato com conteúdos diferentes, de se confrontar com outros pontos de vista, foi reduzido praticamente a zero.

    Outras mudanças foram sendo incorporadas – a ideia aqui não é fazer um histórico detalhado da evolução do Facebook, mas mostrar como sua trajetória foi sendo conduzida para criar armadilhas no sentido de aprisionar cada vez mais as pessoas dentro da plataforma. A ideia era de que a internet que se lasque, você tem que postar no Facebook, compartilhar no Facebook, comentar no Facebook, publicar o link da notícia no Facebook e, porque não, ler na íntegra os conteúdos de outros sites dentro do Facebook.

    Surgem os Instant Articles, parcerias com empresas de mídia para não mais postarem links, mas hospedarem seus conteúdos para serem lidos diretamente na timeline do Facebook.

    De novo, menos internet mais Facebook.

    Saltamos para o ano de 2014. É mais ou menos neste momento que o CEO do Facebook anunciou a criação de um projeto para conectar os desconectados através de um acesso móvel oferecido pela empresa chamado Internet.org, que de tão bombardeado mudou rapidamente de nome e passou a chamar Free Basics. Através de um aparelho celular, a pessoa baixa o aplicativo do Free Basics e instala uma versão do Facebook que dá acesso à algumas funcionalidades da plataforma. A pessoa não estará conectada à rede mundial de computadores, não poderá transmitir dados como vídeos, fotos de alta resolução, transferir arquivos, ou usar programas de voz por IP [como o Skype], mas poderá navegar no Facebook.

    Todas essas iniciativas coincidem com a discussão envolvendo a neutralidade de rede e o modelo de negócios de acesso à internet baseado na expansão da conexão por dispositivos móveis. Nesse momento, o Facebook e empresas de telecomunicações firmaram uma parceria que permitia pessoas que contratassem um pacote de dados para acesso à internet pelo celular “ganhassem” o acesso grátis ao Facebook. Ou seja, para navegar na plataforma do Zuckerberg não haveria descontos do pacote de dados. Essa oferta é chamada de zero-rating.

    Esses e outros instrumento perversos do Facebook foram criados para manter as pessoas quase que “exclusivamente na sua plataforma” e limitar o acesso à internet. Quando o usuário via uma notícia interessante na sua timeline e clicava para acessa-la, uma janela abria instantaneamente para perguntar: Você tem certeza que quer continuar? A partir deste momento a navegação será descontada do seu pacotes de dados.

    Nem precisa pensar duas vezes: num cenário de preços elevadíssimos dos pacotes de dados, pelo menos no Brasil, o usuário não vai clicar para ler a notícia, vai guardar os dados para um momento mais importante. E assim a pessoa vai ficando no Facebook, adquirindo pacotes cada vez menores e usando apenas aquilo que vem de graça – Facebook, Instagram e Whatsapp, estes dois últimos comprados pelo Zuckerberg em 2012 e 2014 respectivamente. Ou seja, é como se o usuário ficasse preso em casa, num cárcere privado, sem a possibilidade de percorrer as largas avenidas e milhares de ruas que compõem a world wide web.

    Encruzilhada

    Apesar de ainda manter um crescimento, aos poucos o Facebook vai perdendo sua relevância. As pessoas começam a tomar consciência dos limites, da manipulação, das bolhas e do poder que o Facebook tem de interferir nos hábitos, em suas vidas e na própria soberania e democracia dos países.

    Ao aprofundar esse modelo que originou as grandes bolhas de auto-referenciamento de opiniões já estratificadas, a plataforma gerou um ambiente refratário ao debate e até impulsionador de intolerância e preconceitos. Passaram a ser mais constantes os discursos de ódio no Facebook, como campanhas de difamação. A economia dos cliques, impulsionada pela plataforma, gerou um caça níqueis que permitiu o surgimento de páginas de conteúdos sensacionalistas e notícias falsas, que rapidamente foram instrumentalizados com objetivos políticos.

    Os setores progressistas, de outro lado, já há muito tempo denunciam os mecanismos de coleta e uso de dados pessoais dos usuários do Facebook, o intercâmbio com agências de inteligência, o cerceamento à liberdade de expressão por retirada de conteúdos de seus usuários, a definição discricionária da plataforma sobre o que é ou não conteúdo terrorista, ou impróprio, enfim, uma série de “decisões” da empresa que impactam negativamente na circulação dos conteúdos na timeline.

    O que vai acontecer a partir daqui é difícil dizer. Mas parece certo que o Facebook está diante de uma encruzilhada.

    Ceder à pressão para que a sua plataforma possa ser alvo de uma regulação externa, que ao mesmo tempo imponha uma série de obrigações à empresr de decisão sobre sua presença na rede; ou se vai manter a postura de adotar medidas paliativas e garantir a permanência do modelo atual.

    Qualquer dos dois caminhos, vai exigir, também, medidas para impedir uma retirada em massa da plataforma, que segundo informações divulgadas pelo próprio Zuckerbeg, já sofreu uma redução de 50 milhões de horas a menos de utilização diária desde o início desse ano.

    Talvez, como outros gigantes da internet, o Facebook já tenha vivido seu auge e esteja entrando no seu declínio.

    Renata Mielli é jornalista, coordenadora geral do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação e secretária geral do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé e colunista da Mídia Ninja.

    Os artigos publicados na seção “Opinião Classista” não refletem necessariamente a opinião da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e são de responsabilidade de cada autor.