Sidebar

27
Qui, Jun

Fernanda Montenegro

  • Artistas de todo o país e de diversas áreas se unem contra a censura liderada por setores reacionários da sociedade às expressões artísticas. A campanha está no ar na página do Facebook do movimento 342Artes.

    O primeiro ato público contra a censura ocorreu nesta segunda-feira (9), em Belo Horizonte. A exposição do artista mineiro Pedro Moraleida “Faça você mesmo sua Capela Sistina”. atraiu centenas de pessoas, inclusive, Caetano Veloso que faz show com os três filhos na capital mineira.

    Artistas contra a censura  

    Aliás, o compositor baiano é um dos ativistas em favor da cultura. Em uma entrevista disse que “esse negócio de MBL, sinceramente, só gente idiota acredita que aquilo é pra valer”. Em outro vídeo Caetano afirma que “a arte é uma forma de liberdade”.

    Diversos artistas acusam o MBL de estar a serviço do desgoverno Temer para desviar o foco da crise que se aprofunda e das inúmeras acusações de atos ilícitos que Temer vem sofrendo. Em diversos vídeos eu viralizam na internet, os artistas convocam a população a resistir.

    Preste atenção à fala de Fernanda Montenegro 

    Fernanda Montenegro, 87 anos, entra com tudo na campanha. “Tudo é cultura, inclusive a cultura da repressão”, diz a maior atriz brasileira. “Mas só há um tipo de cultura que realmente constrói um país, a cultura da liberdade”.
    Para a diva da dramaturgia, o país precisa sim de “educação com cultura e cultura com educação e liberdade. Não existe nação sem liberdade”. E Caetano complementa ao se ir no indignar em ter que “discutir no século 21, censura às artes”.

    “O Brasil quer se ver livre da Intolerância. As vozes que se levantam contra a censura e a difamação, são as que acreditam no respeito, na diversidade e no amor. Não aceitaremos que um falso moralismo, oportunista e eleitoreiro, contamine a sociedade para fortalecer os interesses políticos dos fundamentalistas”, diz texto de apresentação do movimento dos artistas.

    Entenda

    Tudo começou com o encerramento antecipado, pelo Santander Cultural da exposição “Queermuseu - Cartografia da Diferença na Arte Brasileira” por pressões do Movimento Brasil Livre (MBL). Os fascistas acusaram a exposição de incitar à “pedofilia” e “zoofilia”, porque havia uma parte LGBT na mostra e pinturas com nus.

    Caetano Veloso detona em entrevista 

    Recentemente foi a vez do prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella (PRB), da igreja Universal do Reino de Deus, vetar a exposição na capital fluminense. Com as mesmas absurdas acusações Crivella impediu que o Museu de Arte do Rio levasse a exposição para os cariocas.

    A reação dos artistas veio de imediato. Porque existe um “processo forte de criminalização da arte e dos artistas e que nós teremos que enfrentar com bastante veemência”, afirma Gaudêncio Fidélis, curador da exposição Queermuseu, que teve as obras censuradas expostas em Nova York recentemente.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

  • Em poucos dias do assalto ao poder promovido pelos golpistas, ficou evidente o propósito desse golpe à democracia brasileira. “Com a extinção de vários ministérios da área social, todo mundo percebeu o caráter elitista, e antidemocrático do governo interino”, diz Celina Arêas, secretária de Formação e Cultura da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).

    Ela ressalta a resistência dos artistas em promover ocupações em edifícios ligados ao até então extinto Ministério da Cultura (MinC). “Os artistas nos mostraram a importância de estarmos coesos em torno da defesa da democracia e do país”, afirma.

    O movimento dos artistas obrigou o governo golpista de Michel Temer a recuar e “recriar" o MinC. Mas, diz Celina, “a resistência cultural deve continuar firme e forte, porque é a cultura que determina o caráter de uma nação. Sem cultura não somos nada”.

    Leia mais

    Extinção do Ministério da Cultura gera protesto em 18 estados e ocupação de 12 Funartes

    A atriz Marieta Severo diz que o movimento é contra esse “governo ilegítimo”. Até Fernanda Montenegro prometeu se engajar nessa luta. “Esse governo, até quando ele existir na atual conjuntura do Temer, vai sofrer um protesto violento, e eu estou neste protesto”, frisa a veterana atriz.

    “Cultura não deve ser encarada como cosmético. E é assim que a elite vê. Mas, para a classe trabalhadora, cultura é fundamental para a própria existência humana. Um povo só se reconhece como nação quando há uma identidade cultural”, afirma Celina.

    Já Jérferson Assumção, no site Outras Palavras, acredita que a elite não valoriza a cultura, justamente por predominar a ideia de compartilhamento e de liberdade. “A cultura, com suas redes, sua possibilidade de gerar empoderamento e autonomia, sua perspectiva ampliadora de repertórios”, incomoda as mentes reacionárias, acredita o ativista.

    Ocupação no Rio de Janeiro com a Orquestra Sinfônica Contra o Golpe faz versão da obra Carmina Burana - o Fortuna, de Carl Orff, e dá o recado dos artistas:

     

    Para Celina, “eles temem a veia criativa dos artistas, que com liberdade, podem levar consciência política à classe trabalhadora”. Por isso, acentua, “a CTB está junto com os artistas, não somente em defesa da cultura, mas da democracia vilipendiada por uma elite corrupta”.

    Enquanto o diretor teatral Marcus Galiña reafirma à Agência Brasil, a continuidade do movimento. “Vamos manter a ocupação, porque somos contra esse governo. Não fez nenhuma diferença a recriação do ministério. Nossa pauta não é essa. Vamos ter força, vamos reverberar e a população vai entender isso”.

    Como afirma o cientista Miguel Nicolelis, o Brasil "não pertence aos homens brancos, milionários e alguns deles criminosos, que ocuparam o poder neste momento. Para o cientista, o governo ilegítimo visa acabar com "o coração e a alma" da nação, através do ataque à cultura. De acordo com Nicolelis, "todos somos artistas, somos poetas".

    “Há um Brasil de verdade”, diz a ativista Katarina Peixoto, onde “há arte, pensamento, ciência, compromisso democrático, consciência, luta social, cultivo da memória e da história”. E, de acordo com ela, “este Brasil de verdade faz cinema, música, literatura, ciência, filosofia”, mas é um país que "está golpeado, espancado, ameaçado, violado”, mas está “vivo, muito vivo”.

    “Com essa grande vitória, devemos reforçar o movimento para termos de volta os ministérios da Mulher, da Igualdade Racial, dos Direitos Humanos, do Trabalho e principalmente a Presidência da República”, afirma Celina.

    Ação no Teatro Tivoli, em Lisboa, Portugal:

     

    Para ela, a cultura deu o tom da resistência e mostrou ao mundo o golpe de Estado, comandado pelos Estados Unidos. “Continuaremos nas ruas até a nossa presidenta voltar ao seu cargo de direito”, defende.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

  • Na abertura do 26º Festival de Curitiba, nesta quarta-feira (29), a primeira dama do teatro brasileiro, Fernanda Montenegro, 87 anos, fez uma breve explanação sobre o papel da arte milenar. “Cabe tudo aqui”, disse a atriz.

    Porque, “o papel do teatro na sociedade é falar dessa sociedade. É se propor a essa sociedade”, define. “E também receba da plateia a contestação se não concorda e o aplauso se concorda”.

    Ela cita fatos ocorridos quando encenava a peça “O Beijo no Asfalto”, de Nelson Rodrigues, que estreou em 1961. Tinha sempre um senhor que entrava e gritava: “Protesto em nome da família”. A diva conta ainda que isso não ocorre mais hoje.

    confira a fala da grande atriz: 

    Hoje, no máximo, se ouve um “Fora Temer”, e a plateia ecoa e aplaude a maior atriz brasileira. A voz de Montenegro se soma a 78% que reprovam o governo Temer, de acordo com pesquisa do Instituto Ipsos, divulgada nesta quinta-feira (30). Além disso, 90% julgam que o país está sendo conduzido no rumo errado.

    “O Beijo no Asfalto” foi muito atacada porque um homem encontra outro que foi atropelado e à beira da morte lhe pede um beijo. Desejo atendido. A peça teve adaptações para o cinema com destaque da feita por Bruno Barreto em 1981 (assista ao final).

    Já o Festival de Curitiba chega à 26ª edição com 350 espetáculos em cartaz (acompanhe aqui a página do evento). Vai até o dia 9 de abril com apresentações de teatro, dança, shows musicais, performances, reuniões para discussão, oficinas.

    Fernanda Montenegro nasceu Arlette Pinheiro Esteves da Silva, em 16 de outubro de 1929, no Rio de Janeiro. Com mais de 60 anos de carreira, começou em novelas de rádios e fez teatro, cinema e televisão. Em 1999, foi indicada ao Oscar de Melhor Atriz, pelo filme "Central do Brasil", de Walter Salles.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

    Assista O Beijo no Asfalto, de Bruno Barreto: 

  • Neste fim de semana, o repórter da TV Globo, Márcio Canuto passou aperto em reportagem nas ruas de São Paulo. Um grupo de jovens apareceu com cartazes pedindo o “Fora Temer” e com palavras de ordem contra as reformas da previdência e trabalhista e a terceirização ilimitada.

    Ao perceber a ação, o cinegrafista começou a mudar de posição e Canuto ficou rodando, ao que os manifestantes acompanhavam. O grupo Imprença postou dois vídeos lado a lado. Um como as coisas aconteceram e outro como a Vênus platinada mostrou.

    Confira o constrangimento do repórter Canuto: 

    Festival de Curitiba

    Depois de Fernanda Montenegro, o ator Luiz Miranda sacudiu o público do 26º Festival de Curitiba neste fim de semana, após o término da peça de teatro “7 Conto”. Miranda denuncia a situação do país e defende que cada “artista pode contribuir com seu depoimento pessoal sobre questões que a gente acha relevante”.

    Ele afirma ainda que “é preciso que o povo brasileiro entenda que não vale a pena a gente contribuir para a desmoralização desde país como a gente tem contribuído”. Para ele, é necessário entender que “realmente somos uma nação”.

    O ator conclui ainda que “a nação não pode existir com privilégios e bens e riquezas particulares”. Miranda finaliza que “isso aqui é nosso e ninguém toma”. Aí o ator ia saindo do palco, e voltou correndo para gritar: "Fora Temer". O público ovacionou.

    Assista o emocionante discurso de Luiz Miranda: 

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy, com contribuição de Raquel Wandelii, dos Jornalistas Livres. Foto: Rede Brasil Atual/Reprodução