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Ter, Mai

Folha de S.Paulo

  • “Relações sexuais sadias são importantes para a vida de todas as pessoas”, diz Celina Arêas

    Manifestantes protestam em Brasília contra a PEC 181, em novembro de 2017

    A Agência Patrícia Galvão listou projetos em tramitação no Congresso Nacional que afetam a vida das brasileiras. De acordo com a agência são mais de 1.700 projetos sobre os direitos da mulher. Entre eles, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 181/2011, que pretende proibir o aborto até em casos de estupro.

    “Não temos tempo a perder, 2018 será um ano de muitas lutas. Precisamos estar presentes em todas as frentes, levantando a bandeira da igualdade de gênero”, afirma Celina Arêas, secretária da Mulher Trabalhadora da CTB.

    Há uma onda conservadora que avança sobre os direitos da mulher e pretende “torná-la um mero apêndice dos homens”, mas, complementa a sindicalista, “as mulheres mostram que não estão para brincadeira e lutam pela equidade nas ruas e nas redes”.

    Arêas cita a polêmica que viralizou na internet sobre a questão do assédio sexual, por causa da manifestação das artistas norte-americanas na entrega do Globo de Ouro deste ano, nos Estados Unidos, no domingo (7), quando as hollywoodianas se vestiram de preto contra a prática do assédio sexual no trabalho delas.

    Discurso de Oprah Winfrey no Globo de Ouro viralizou 

    Artistas francesas divulgaram um manifesto em repúdio à manifestação das norte-americanas. “Nós acreditamos que a liberdade de dizer não a uma proposta sexual não existe sem a liberdade de importunar. E consideramos que é preciso saber responder a essa liberdade de importunar de outra maneira que não seja se fechar no papel de presa”, dizem as francesas.

    “Para mim, o manifesto das artistas francesas foi muito inoportuno porque nós temos que combater a ideologia do patriarcado que nos domina há séculos”, sintetiza Arêas. “Principalmente porque nenhuma mulher gosta de ser importunada e as questões da emancipação feminina vão muito além do assédio”.

    Como afirmou Alexandra Kollontai, em seu livro As Relações entre os Sexos e a Luta de Classes (2011), “entre as múltiplas ideias fundamentais que a classe trabalhadora deve levar em conta em sua luta para a conquista da sociedade futura, deve estar, necessariamente, o estabelecimento de relações sexuais mais sadias e que, portanto, tornem a humanidade mais feliz”.

    Para a revolucionária russa, é tarefa das mulheres trabalhadoras debater “o vital problema sexual” para combater a ideia burguesa de que essas são “questões puramente privadas”. Já Heloísa Buarque de Hollanda, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro, disse ao jornal Folha de S.Paulo que “essas mulheres que dizem que fiu-fiu é legal são pessoas com o ponto de vista do privilégio, que têm carro blindado, guarda-costas, não conhecem a realidade barra pesada da maioria das mulheres”.

    Leia o manifesto das francesas na íntegra aqui.

    Arêas concorda com ela. “O essencial da luta pela emancipação é levarmos a informação para as trabalhadoras em todos os cantos deste país, mostrando que a vida pode e deve ser diferente, mostrando que não somos inferiores e muito menos merecemos apanhar seja por qual motivo for”.

    A sindicalista mineira diz que “precisamos de mais mulheres nas instâncias de poder e a eleição de 2018 é essencial para corrigirmos essa lacuna”. Porque a bancada feminina corresponde a cerca de 10% do Congresso Nacional. “É essencial que os partidos tenham candidatas competindo em condições de igualdade com os homens”.

    Para ela, “a questão do assédio sexual e moral é muito recorrente na vida das mulheres e só mudaremos essa realidade com muita persistência e coragem, mas também devemos lutar para termos salários iguais, divisão das tarefas domésticas e liberdade de decisão sobre as nossas vidas. Porque relações sexuais sadias são importantes para a vida de todas as pessoas”.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy. Foto: Nurphoto/Getty Images

  • A direita mostra a sua cara: Doria e Russomanno acusados de humilhar trabalhadores

    A direita mais reacionária da sociedade paulistana mostra a sua cara nestas eleições com atitudes que não aparecem nas campanhas dos seus respectivos candidatos. Celso Russomanno (PRB) tenta censurar os Jornalistas Livres e um ex-assessor de João Doria Junior (PSDB), Luiz Carlos Franco, o acusa de falsidade e perseguição.

    Franco escreve em seu Facebook sobre o candidato do PSDB: “Cruzamos caminhos algumas vezes, e após eu ter investido dois anos de minha vida profissional para torná-lo presidente da Embratur, foi capaz de oferecer seus serviços de agência à TAM – Linhas Aéreas, onde eu trabalhava, o que implicaria – se o comandante Rolim aceitasse – na minha demissão”.

    Já o candidato do PRB entrou com ação contra os Jornalistas Livres para tirar do ar a entrevista com Cleide Cruz, a caixa de supermercado humilhada por ele numa reportagem de 10 anos atrás, exibida pela Band (assista aqui a reportagem do então deputado federal).

    De acordo com os Jornalistas Livres, “o processo está sendo movido por nada menos do que 11 advogados contratados por Russomanno, que solicitou à Justiça a retirada da reportagem do ar antes mesmo que os Jornalistas Livres pudessem apresentar sua defesa” (assista a entrevista com a trabalhadora aqui).

    Explicam ainda que o juiz Sidney da Silva Braga, da 1ª zona eleitoral de São Paulo negou o pedido do candidato, afirmando não enxergar nenhum motivo que justificasse a retirada da reportagem do ar.

    Em relação a Doria, Franco afirma ainda que ele “pediu minha cabeça ao sr. Frias (Octavio), dono da Folha (de S.Paulo), por discordar de artigos que publiquei. Tive certeza da sua fidelidade ao ser informado pelo comandante Rolim sobre sua proposta; e pelo jornalista Adilson Laranjeira, meu chefe à época na Folha da Tarde”.

    Para ele, “Joãodoria45 é tão verdadeiro quanto nota de R$ 30,00, ou como o tingimento de seus cabelos ou o Botox que andou aplicando” (saiba mais aqui).

    Portal CTB com agências

  • A Folha saiu do Facebook. E agora?

    Decisão do jornal é uma tentativa de se reposicionar na disputa por audiência e credibilidade, e escancara os graves problemas do Facebook no controle, sem transparência, da distribuição de conteúdos.

    Nesta briga de titãs, não nos cabe defender um ou outro monopólio. Mas não resta dúvida: Já passou da hora de mais setores da sociedade, em particular da mídia alternativa, repensarem sua presença no Facebook e descortinarem outros mecanismos que recuperem o papel da própria rede mundial de computadores, para enfim reduzir o poder desta corporação que quer fagocitar a internet.

    Nesta quinta-feira, 08 de fevereiro, a Folha de S.Paulo anunciou, em chamada de capa, que não vai mais publicar seus conteúdos no Facebook. Os motivos elencados pelo jornal são: a alteração dos algoritmos implementada pela plataforma que “passou a privilegiar conteúdos de interação pessoal, em detrimento dos produzidos por empresas, como as que produzem jornalismo profissional”, e o fato de o Facebook não ter conseguido “resolver satisfatóriamente o problema de identificar o que é conteúdo relativo a jornalismo profissional e o que não é”, o que de acordo com a Folha contribui para a disseminação das “fake news”.

    Há vários aspectos a serem analisados tanto na decisão da Folha, quanto nos argumentos por ela explicitados. É importante, também, refletir sobre este momento do Facebook, talvez a primeira crise da rede social criada por Mark Zuckerberg em fevereiro de 2004, e que tem em torno de 2 bilhões de usuários.

    A encruzilhada do jornalismo como produto comercial

    Os últimos anos foram mortais para as empresas jornalísticas. O surgimento da internet abalou os pilares que sustentavam essas empresas e abriu caminho para que o monopólio da produção de notícias fosse ameaçado.

    No Brasil, as empresas jornalísticas privadas gozavam do privilégio de serem, praticamente, as únicas produtoras de notícias para grandes massas. A barreira econômica de entrada para esta atividade empresarial sempre foi muito elevada e, portanto, reservada a grandes capitalistas, primeiro no meio impresso, depois no rádio e na televisão. Por integrarem um extrato da elite econômica, essas empresas também sempre tiverem o monopólio do discurso, impondo à sociedade uma agenda política, social e cultural baseada nos seus interesses de classe.

    A Internet mudou isso. Novos grupos sociais, políticos e econômicos passaram a ter a possibilidade de produzir conteúdo informativo e opinativo, disputando a atenção de parcela da sociedade e criando um ambiente mais plural e diverso na arena da comunicação. O “valor” da notícia caiu. Informações das mais variadas fontes passaram a estar disponíveis “sem custo” para o internauta. Esse novo ambiente abalou o modelo de negócios no qual – principalmente a mídia impressa – se baseava.

    Esse modelo era o da criação de uma escassez artificial da notícia. Mas o que é isso? Sinteticamente: A informação é um bem intangível (não existe fisicamente). Se eu te “dou” uma informação eu não deixo de tê-la. Eu a divido com você e nós dois passamos a ter a mesma informação. É diferente dos bens tangíveis, uma cadeira, por exemplo. Se eu dou a cadeira para você, eu deixo de tê-la. Bom, e daí? Daí, que este é um dos elementos que determinam o preço das coisas e todo o seu ciclo econômico. Com a informação, a notícia, não é assim. Por isso, o que as empresas faziam era criar uma escassez artificial da informação, a partir do controle de acesso (tiragem, bilhete, assinatura), da obsolescência programada (ninguém compra o jornal do dia anterior, ele perde a “validade e o valor” em 24 horas), propriedade intelectual e outros mecanismos.

    O valor da produção da notícia em si é aproximadamente o mesmo para a Folha e para um site da mídia alternativa. O que muda é o preço da impressão e distribuição. A internet eliminou estes dois e “desmonetizou” a notícia.

    Agora, a informação é dada em tempo real pela internet muito antes de sair nos jornais e está disponível em dezenas, centenas de páginas. Esse é o dilema das grandes empresas jornalísticas que se veem diante da eminência do já anunciado juízo final dos jornais impressos.

    Facebook alavanca novos produtores

    O Facebook condensou na sua plataforma mecanismos de distribuição de conteúdo que romperam a lógica dos grandes jornais e portais, permitindo a ampliação do alcance de outras veículos. Novas fontes de informação e opinião ganharam um grande alcance na rede social. O fenômeno já vinha desde o final de 2010. Mas, em particular no Brasil, houve um boom de novos coletivos de comunicação e cultura, que passaram a ser referência e ter grande alcance. Um deles é a própria Mídia Ninja.

    É nesta fase que se dá uma disputa mais acirrada pela audiência entre a mídia tradicional e as “novas mídias”. Isso se refletiu, inclusive, na distribuição de publicidade privada e estatal. É neste período que empresas e governos passam a investir mais recursos de publicidade na internet e em plataformas como Google e Facebook.

    Parecia inevitável que, em algum momento, a contradição entre os interesses deste novo gigante da internet e os da mídia tradicional fossem se chocar.

    Bate a assopra

    Há alguns anos o Facebook buscou estabelecer uma “aliança” com os tradicionais veículos de mídia, criando a funcionalidade dos “instant articles”. O recurso, lançado em 2015, permitia que as empresas de comunicação “hospedassem” seus conteúdos no Facebook. Desta forma, a pessoa poderia ler o conteúdo diretamente na plataforma do Zuckerberg sem ser direcionado para a página do jornal. A vantagem para o jornal seria o carregamento mais rápido do seu conteúdo e o estímulo ao usuário ler seus artigos na integra.

    Esse recurso coincide, mais ou menos, com o crescimento das ofertas de Facebook grátis para os planos de internet móvel, o chamado zero-rating. Operadoras e plataforma firmavam algum tipo de parceria e na hora de adquirir um pacote de dados para acesso à internet pelo celular, o cliente ganhava o Facebook – ou seja, a navegação na plataforma do Zuckerberg não descontava do plano de dados do usuário.

    Isso parecia interessante naquele momento, já que dados da Organização União Internacional das Telecomunicações (UIT) mostravam (e ainda mostram) que a maior parte das pessoas com acesso à internet estão conectadas pelo celular. Grandes empresas jornalísticas aderiram à proposta do Facebook: The New York Times, National Geographic, The Atlantic, NBC News. No Brasil o Estadão, a revista Exame e Catraca Livre.

    A força centrípeta do Facebook e seu crescimento no último período tornava de certa forma inquestionável que, apesar das contradições, as empresas jornalísticas ainda tinham algo a ganhar de visibilidade e audiência compartilhando seus conteúdos na rede social. Um pouco na lógica de ruim com ele, pior sem ele.

    Mas em janeiro desse ano, Mark Zuckerberg anuncia mais uma mudança nos algoritmos do Facebook e diz que sua plataforma vai mudar os critérios de indexação dos conteúdos para dar mais visibilidade a compartilhamentos pessoais, de amigos e família.

    Em sua página, o CEO do Facebook disse que uma pesquisa feita internamente mostra que “quando nós usamos as redes sociais para nos conectarmos com pessoas que gostamos, pode ser bom para nosso bem-estar”. E segundo ele esse é o objetivo da sua plataforma.“Uma vez que há mais conteúdo público do que posts de amigos e da família, o feed afastou-se da coisa mais importante que o Facebook pode fazer: ajudar a nos conectarmos uns com os outros”.

    Na sua avaliação, “nós podemos nos sentir mais conectados e menos sozinhos, e isso faz um paralelo com uma série de medidas sobre felicidade e saúde. Por outro lado, ler artigos passivamente ou assistir a vídeos — mesmo que eles sejam para entretenimento ou informativos — pode não ser tão bom.”

    A medida foi mal recebida pelas empresas jornalísticas, por outros produtores de conteúdo para o Facebook e inclusive para a bolsa de valores de Nova York – Nasdaq.

    As ações da companhia caíram, só em 12 de janeiro (um dia depois do anúncio), 4,47%. Essa queda representou uma perda de U$ 24,2 bilhões de dólares no valor de mercado do Facebook.

    Essa foi a gota da água, pelo menos para a Folha de S.Paulo, que ousou ao anunciar sua “retirada” do Facebook. Desde meados de 2017, mudanças nos algoritmos da plataforma já estavam afetando o alcance e a visualização de conteúdos de páginas, inclusive da mídia alternativa. No caso da Folha, “a importância do Facebook como canal de distribuição já vinha diminuindo significativamente antes mesmo da mudança do mês passado, tendência também observada em outros veículos”.

    Eles mostram que “o volume total de interações obtido pelas 10 maiores páginas de jornais brasileiros no Facebook caiu 32% na comparação com o mesmo mês do ano passado”.

    O fato é que ninguém sabe ao certo como funcionam os algorítimos do Facebook.

    Não há nenhuma transparências nos parâmetros que definem o que aparece ou não na nossa timeline.

    Não há mecanismos de accountability e os usuários (indivíduos ou empresas) são completamente reféns da caixa-preta do Facebook e do que o CEO considera que deva ser a missão da plataforma. Nos últimos anos, a plataforma de Zuckerberg foi se tornando cada vez mais um grande filtro de informação, ou como se diz no jargão jornalístico, um gatekeeper. Passou a direcionar o que a gente vê, lê ou assiste, de acordo com nossos “gostos”. O Facebook criou grandes bolhas que têm trazido impactos preocupantes para a vida em sociedade, amplificando a intolerância ao impedir a saudável contraposição de opiniões.

    Folha x Facebook

    A disputa econômica é o pano de fundo da decisão da Folha, que está apostando em outros mecanismos para recuperar relevância e audiência na internet. Entre eles, a mudança nos algoritmos do Google, que ao contrário do Facebook, passaram a privilegiar os veículos de grande mídia na indexação de suas buscas sobre o argumento de combater as “fake news”. Ou seja, se a notícia foi produzida por uma empresa jornalística sai ganhando na hora de aparecer nas primeiras colocações dos resultados do Google.

    Se o que moveu a Folha foi o fator econômico, o argumento público para justificar o “abandono” do Facebook é justamente o do combate às notícias falsas, ou “fake news”.

    Segundo avaliação do jornal, ao tirarem a “prioridade” dos conteúdos jornalísticos do seu feed, o Facebook está aumento o espaço para a disseminação de “fake news” e reduzindo o do jornalismo profissional.

    Aqui tem um termo que vale a reflexão: Jornalismo Profissional. Ele foi cunhado há mais um menos um ano, quando a Folha de S.Paulo lançou o seu novo Projeto Editorial.

    Estava claro, ali, que o objetivo já era tentar diferenciar o conteúdo produzido pelo jornal dos produzidos pela mídia alternativa.

    Ao adjetivar o jornalismo com o termo profissional, a Folha buscava recuperar a sua credibilidade, bastante comprometida pela cobertura explicitamente pró impeachment e subordinada ao projeto de retomada de uma agenda regressiva na área econômica, política e social.

    O termo profissional é uma maneira de qualificar o conteúdo da Folha, e desqualificar todo e qualquer conteúdo produzido por sites da mídia alternativa, independente, popular, comunitária. É uma forma de recuperar o valor comercial da notícia. Assim, tudo o que for produzido por coletivos e outros veículos que não sejam de empresas jornalísticas privadas não é “jornalismo profissional” e, portanto, não merece credibilidade.

    Se não é da grande mídia não tem qualidade, é suspeito e pode ser, potencialmente, uma notícia falsa. Por detrás do alarde criado em torno das “fakes news” há um velho conglomerado de empresas midiáticas monopolistas, que passaram a ter a sua hegêmonia econômica e política abaladas e que precisam a todo custo recuperar sua posição.

    Este divórcio entre Folha e Facebook é importante porque contribui para trazer à tona tanto o caráter prejudicial da rede social, quanto para mostrar as verdadeiras intenções dos jornalões que fazem de tudo para sobreviver.

    Renata Mielli é jornalista, coordenadora geral do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação e secretária geral do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé e colunista da Mídia Ninja.

    Os artigos publicados na seção “Opinião Classista” não refletem necessariamente a opinião da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e são de responsabilidade de cada autor. 

     

  • A voz das ruas: apoio ao impeachment cai de 61% para 48%, mostra pesquisa do Ipsos

    O jornal "Valor Econômico" publicou nesta terça-feira (26), a pesquisa Pulso Brasil, realizada pela empresa de consultoria Ipsos desde 2005 no Brasil. O levantamento atual mostra que a cada dia que passa o apoio ao afastamento da presidenta Dilma cai na mesma proporção em que cresce a rejeição ao desgoverno Temer.

    Um dado fundamental da pesquisa Ipsos revela que 52% dos pesquisados querem novas eleições. Mais ainda, Dilma tem a preferência de 20%, enquanto Temer ficou com 16% das preferências.

    "Essa pesquisa, assim como outras, reforça a luta em defesa do plebiscto para o país sair do impasse político que está vivenciando. Também mostra que neste momento é a presidenta Dilma que reúne as condições de legitimidade para levar adiante essa consulta popular sobre novas eleições para a Presidência, já em outubro", diz Nivaldo Santana, presidente em exercício da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB). Para ele, "o plebiscito é a única maneira de resgatar a soberania popular".

    Outro dado importante da pesquisa, mostra que o apoio ao processo golpista, disfarçado de impeachment, caiu de 61% em março para menos da metade do eleitorado agora, com 48% defendendo essa farsa, mesmo índice que julga a gestão Temer como ruim ou péssima. 

    Essa nova pesquisa se contrapõe amplamente à tentativa de fraude feita pelo Datafolha, em pesquisa publicada no jornal do mesmo grupo, “Folha de S.Paulo”, no dia 16, afirmando que 50% preferiam Temer e apenas 3% apoiavam novas eleições.

    O levantamento mostra também que 20% desejam a volta da presidenta Dilma ao Palácio do Planalto, enquanto 16% acreditam que Temer deveria ser confirmado no cargo. Por isso, "a CTB continuará juntamente com as forças democráticas lutando contra esse golpe infame, defendendo os interesses da classe trabalhadora e da nação", conclui Santana.

    Nova eleição

    De acordo com a Constituição, a antecipação das eleições, sem um plebiscito, só pode ocorrer com a aprovação de 3/5 dos parlamentares ou caso haja renúncia da presidenta Dilma e do vice-presidente Michel Temer.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

  • Aprovada em 1º lugar em Medicina da USP, estudante negra diz que a casa grande surta

    Viralizou na internet a frase da estudante Bruna Sena, 17 anos, ao comemorar o primeiro lugar no vestibular para ingressar no curso de Medicina na Universidade de São Paulo, campus de Ribeirão Preto, no interior do estado.

    “A casa grande surta quando a senzala vira médica”, disse a estudante. Já a mãe Dinália Sena, que trabalha como operadora de caixa de uma rede de supermercados, mostra preocupação ao pedir para a reportagem do jornal Folha de S.Paulo colocar na reportagem que ela tem medo de problemas com os racistas. “Ela vai ser o 1% negro e pobre no meio dos brancos e ricos da faculdade”. 

    Para a secretária de Promoção da Igualdade Racial da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Mônica Custódio, a aprovação da estudante traz à tona a necessidade das cotas raciais nas universidades públicas.

    “O mérito dela é muito grande, mas desnuda a situação da população negra e pobre, oriunda da escola pública, com muito pouca chance de ingressar nos cursos mais concorridos nos vestibulares”, diz.

    Para Custódio, "os governos Lula e Dilma iniciaram um processo de melhorias para os mais pobres. Isso deu mais condições para ingressarem na universidade. Porém, com o governo golpista está tudo indo para o ralo".

    Ela defende as mesmas oportunidades para toda a juventude com “cotas para os desfavorecidos neste momento, para igualar as oportunidades no futuro”. Além disso, ela ressalta a necessidade de “mais investimentos em educação pública com valorização profissional e mais condições de aprendizado”.

    A estudante que é ativista dos movimentos feminista e negro, disse à Folha: "Claro que a ascensão social do negro incomoda, assim como incomoda quando o filho da empregada melhora de vida, passa na Fuvest”.

    A nova estudante de medicina da USP explica que no último ano do ensino médio ela fez um cursinho destinado a estudantes carentes, mantido por alunos da própria USP. “Sem cursinho, não iria conseguir”, diz. “Não há como concorrer de igual para igual quando não se tem oportunidade de vida iguais".

    “Mais importante agora é a conscientização dos movimentos sociais para ajudar a manutenção dela na universidade”, complementa Mônica. “Precisamos defender políticas públicas que propiciem a todos os estudantes a manutenção em seus cursos"..

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy 

  • Atrizes globais protestam em estúdio da Globo e pelas redes sociais contra o assédio sexual

    Trabalhadoras da Rede Globo realizaram protesto na manhã desta terça-feira (4) contra o assédio sexual no ambiente de trabalho. O protesto ocorreu por causa do caso da figurinista Su (Susllem) Tonani que acusa o ator José Mayer, de assediá-la sexualmente na emissora da família Marinho.

    Entre as atrizes, diretoras, apresentadoras e demais funcionárias que participaram do ato ou se manifestaram pelas redes sociais estão, Astrid Fontenelle, Gloria e Cleo Pires, Dira Paes, Drica Moraes, Leandra Leal, Taís Araújo,  Alice Wegmann, Tainá Müller.

    Desta vez a sororidade (conceito de unidade de ação entre as mulheres na defesa da igualdade entre os gêneros) falou alto. Elas postaram as frases “Mexeu com uma mexeu com todas” e “Chega de assédio”.

    Para a secretária da Mulher Trabalhadora da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil no Rio de Janeiro (CTB-RJ), Kátia Branco, o protesto foi muito importante. “A atitude das trabalhadoras da Globo dá força para que essa denúncia não caia no esquecimento, como tem acontecido. Não vamos esmorecer e exigir o esclarecimento de tudo e punição ao agressor".

    De acordo com ela, “esse abuso ainda é muito recorrente no mundo do trabalho, por causa da cultura machista que acaba achando normal esse tipo de atitude. Mas as mulheres têm denunciado cada vez mais, porque é necessário enfrentar toda forma de violência”.

    A acusação de Su Tonani viralizou na internet. Na sexta-feira (31), a figurinista publicou a acusação no blog Agora É Que São Elas, do jornal Folha de S.Paulo, denunciando Mayer de assediá-la por oito meses.

    Ela destrincha tudo o que passou e conta que as pessoas achavam um comportamento normal. “Falo em meu nome e acuso o nome dele para que fique claro, que não haja dúvidas. Para que não seja mais fofoca. Que entendam que é abusivo, é antigo, não é brincadeira, é coronelismo, é machismo, é errado. É crime” (leia a íntegra aqui).

    Após os protestos das trabalhadoras, a Globo anunciou a suspensão do ator por tempo indeterminado e pede descuplas à funcionária. Mayer, por sua vez, emitiu nota à imprensa com pedido de desculpas por sua atitude.

    "Mesmo não tendo tido a intenção de ofender, agredir ou desrespeitar, admito que minhas brincadeiras de cunho machista ultrapassaram os limites do respeito com que devo tratar minhas colegas”, diz ele.

    “Apesar de todos os avanços nas políticas de empoderamento das mulheres, o Brasil ainda é um dos campeões em práticas abusivas, porque os meios de comunicação fazem muito pouco para apoiar o combate à violência contra a mulher. Por isso, precisamos nos unir e enfrentarmos juntas o pensamento patriarcal de que as mulheres são meros objetos para a lascívia dos homens”, conclui Branco.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

  • Câmara dos Deputados mancha a imagem do Brasil e imprensa internacional afirma que é golpe

    Repercutiu  muito mal na imprensa internacional, a admissibilidade do impeachment da presidenta Dilma neste domingo (17) pela Câmara dos Deputados, que agora tiraram a semana toda de folga.

    Além do que o jornal Folha de S.Paulo publicou matéria ontem (18) com Eliseu Padilha, homem forte de Michel "vaza" Temer de que empresários cederam jatinhos para buscar os deputados que tinham deixado Brasília. A que preço?

    O jornal britânico The Guardian ironizou ao publicar o sim de Paulo Maluf, "que está na lista vermelha da Interpol por conspiração". Assim como lembrou os votos de Nilton Capixiba, "acusado de lavagem de dinheiro", nota o artigo. E ainda diz que "'pelo amor de Deus, sim!', declarou Silas Camara, que está sob investigação por falsificação de documentos e apropriação indevida de fundos públicos".

    O jornal nota ainda que a maioria dos que votaram sim estão sendo acusados de crimes diversos, mas seguem "protegidos por seu status como parlamentares".

    O espanhol El País chamou de "circo" o que aconteceu neste domingo no plenário da Câmara, em Brasília. Lembra que o presidente da Casa, Eduardo Cunha tem sobre si inúmeras acusações de corrupção, assim como o ainda vice-presidente Michel Temer.

    "Lembraram os parlamentares aos telespectadores de Xuxa (quando ela apresentava programa infantil) que aproveitavam sua participação ao vivo no programa para cumprimentar eternamente a mãe, o marido, a amante o primo, o enteado, o vizinho, os amigos e o porteiro", lembra o El País.

    O maior jornal do mundo o norte-americano The New York Times fez editorial em que afirma categoricamente ter sido golpe à democracia a votação dos deputados brasileiros. "Dilma, que foi reeleita em 2014 por quatro anos, está sendo responsabilizada pela crise econômica do país e pelas revelações das investigações de corrupção que envolvem a classe política brasileira”, afirma o editorial.

    O New York Times conclui que se Dilma sobreviver a esse golpe, precisará reunir as forças sociais e políticas para "consertar a economia e erradicar a corrupção".

    O também norte-americano The Washington Post chama de "golpe suave" o que está em marcha no Brasil, refereindo-se a décadas passadas quando os golpes eram feitos pelas Forças Armadas e agora acontecem por união entre parlamentares, setor judiciário e mídia. O jornal lembra que o país está dividido. 

    "O país acompanha nervosamente diante do abismo, dividido sobre seu futuro e a própria legalidade do processo, que Dilma e seus defensores dizem que é um golpe institucional e um ataque à jovem democracia do Brasil", diz.

    La Nacion, da Argentina, diz que “Dilma Rousseff ficou à beira do julgamento político”. Segundo o jornal, a crise no Brasil está longe de acabar e o país se encontra com “uma presidenta na porta da saída de emergência, um Congresso que festeja com euforia o trauma político que divide o país, um oficialismo que define como golpe um procedimento previsto pela Constituição e um eventual novo mandatário também suspeito de corrupção”. Em resumo, o país vive três crises de uma só vez: econômica, política e moral.

    Segundo o chileno "El Mercurio", ao votarem a favor do impeachment, os deputados federais brasileiros “deixaram à beira do precipício a experiência mais emblemática do ciclo de governos de esquerda da América Latina”.

    Para o jornal Página 12, o Brasil viveu um virtual golpe institucional, presidido pelo político mais denunciado por corrupção. Na matéria, intitulada Um golpe visto vivo e direto, o jornal diz que a decisão de julgar Dilma Rousseff ficou nas mãos de um parlamentar que é “réu no Supremo Tribunal Federal”, que até o processo terminar o governo estará imobilizado e que o vice-presidente, Michel Temer, “sem legitimidade alguma”, terá que enfrentar “a anunciada oposição duríssima dos movimentos sociais, dos principais grupos sindicais e de todos os que não se resignam ao golpe institucional”.

    Repercutiu no mundo todo a votação transmitida ao vivo da Câmara dos Deputados. Votação que manchou a imagem do Brasil que virou pilhéria. 

    Portal CTB - Marcos Aurélio Ruy

     

  • Chico Buarque retira sua música do programa Roda Viva e nova trilha viraliza na internet

    Entre as comemorações dos 30 anos do programa Roda Viva, da TV Cultura, de São Paulo, estava a “entrevista” com o presidente golpista Michel Temer. Para entrevistá-lo no Palácio da Alvorada, em Brasília, foi escolhido um time da mais fina flor do jornalismo serviçal.

    O Roda Viva convidou para entrevistar Temer, Willian Corrêa, diretor de jornalismo da TV Cultura, João Caminoto, diretor de jornalismo do Grupo Estado, Sérgio Dávila, editor executivo da Folha de S.Paulo, Eliane Cantanhêde, colunista de O Estado de S. Paulo e Ricardo Noblat, colunista de O Globo.

    Não deu outra. Com esse renomado time o que deveria ser uma entrevista para esclarecer a opinião pública virou peça de propaganda para Temer. Fui tudo tão escancarado que o compositor e escritor Chico Buarque não aguentou e encaminhou uma notificação extrajudicial pedindo a retirada de sua música da trilha sonora do programa.

    Roda Viva (Chico Buarque) 

    Apesar de a direção da emissora afirmar que a retirada da canção Roda Viva não diz respeito ao pedido do autor da música e da peça homônima, de 1967, o artista falou aos Jornalistas Livres sobre o assunto e divulgou a notificação, assinada por seu advogado.

    “A Lei 9.610/98, também conhecida como Lei de Direitos Autorais, determina, no seu artigo 22, que ‘Pertence ao autor os direitos morais e patrimoniais sobre a obra que criou’. Reconhece a melhor doutrina que ao autor a lei reserva prerrogativas de natureza patrimonial ou econômicas e moral. As prerrogativas morais, também conhecidas por direitos morais do autor, integram a categoria dos direitos da personalidade”, diz trecho da notificação (leia a íntegra aqui).

    Inclusive circula pelo site Avaaz uma petição pedindo a retirada da música do programa. “Ao romper descaradamente com a democracia e o compromisso com a informação, assumindo o papel de agência de publicidade, o programa não merece mais carregar como nome de batismo o título, e como música de abertura a ilustre canção de um artista que jamais virou as costas para a democracia e os interesses do povo brasileiro: Chico Buarque”, diz trecho do abaixo-assinado (assine aqui).

    Com toda essa polêmica vazou nas redes sociais a nova trilha sonora do ex-programa de jornalismo, que está no ar na emissora pública do estado de São Paulo desde 1986. Ouça abaixo a nova música, muito mais afeita ao caráter do programa apresentado por Augusto Nunes.

    Nova trilha sonora do programa da TV Cultura (Amigos do peito, música do grupo infantil Balão Mágico) 

    A música e a peça Roda Viva foram escritas no conturbado ano de 1967 e viraram uma guinada na carreira de Chico Buarque. Em um ensaio da peça dirigida por José Celso Martinez Correa, o elenco viu o teatro ser invadido por extremistas fascistas do Comando de Caça aos Comunistas para surrá-los. A música e a peça certamente não combinam com a maneira como está sendo conduzido o programa homônimo.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy. Foto: Rio News

  • Doria tem a habilitação suspensa por exceder limite de multas, a maioria por alta velocidade

    A Folha de S.Paulo traz uma notícia inusitada. O prefeito da capital paulista, João Doria Junior (PSDB) faz das ruas da cidade, pista de corrida. Ele teve a Carteira Nacional de Habilitação suspensa entre 31 de janeiro e 12 de março por muitas multas, a maioria por excesso de velocidade.

    Talvez por isso, já em sua campanha ele tenha prometido aumentar o limite de velocidade pelas ruas da maior metrópole brasileira. “É um retrocesso que estejamos indo contra um movimento global para segurança viária e que voltemos atrás a uma medida que poderia prevenir a fatalidade em muitos acidentes”, diz Mariana Lorencinho, da ONG Criança Segura, para site Vai de Bike.

    O temor de Lorencinho vai se confirmando com o crescimento dos acidentes de trânsito na cidade, muitos fatais. De acordo com o Infosiga, órgão do governo do estado, em março a cidade teve 87 acidentes com mortes, sendo 43 pedestres que foram atropelados.

    O mesmo órgão informa que esse índice vem crescendo mês a mês. Depois de a velocidade máxima permitida passar dos 50 km horários em todas as vias para 60 km, 70 km e 90 km nas marginais Tietê e Pinheiros, em janeiro foram 60 mortos no trânsito, em fevereiro, 74 e em março, 87.

    Somente no primeiro trimestre deste ano 221 pessoas morreram em acidentes de trânsito. Por isso, “sugerimos que o limite de velocidade em vias urbanas seja de 50 km/h e em vias que estejam em áreas escolares a velocidade máxima seja de 30km/h”, afirma Lorencinho.

    Especialistas informam que esse limite de velocidade é adotado nas maiores cidades europeias e até nos Estados Unidos.

    acidentes fatais sao paulo info g1

    Ciclovias

    O atual prefeito começa também a retirar os 400 km de ciclofaixas implantados pela gestão anterior. “Trecho a trecho, a infraestrutura cicloviária da capital paulista dá sinais de estar sendo desmontada. Aos poucos, em pequenos pedaços, sem muito alarde”, denuncia o Vai de Bike.

    Com a implantação dos 400 km de ciclofaixas, os acidentes com ciclistas diminuíram 46,4% em 2015, na gestão do ex-prefeito Fernando Haddad (PT). Já Doria pretende acabar com as faixas exclusivas e criar ciclorrotas, tirando a separação das bicicletas dos carros, caminhões, ônibus e motos.

    Tanto que em abril deste ano, uma ciclista entregou flores para Doria. "Esta flor é em homenagem aos mortos nas marginais", disse ela. Com a recusa do prefeito em receber o presente, a ciclista colocou as flores no painel do carro e Doria as atirou no chão.

    Já o diretor da ONG Ciclocidade Daniel Guth, disse à Rede Brasil Atual que o fim das ciclofaixas são “preocupantes, porque mais uma vez mostram a falta de governabilidade e a falta de diretrizes para a política cicloviária dessa gestão”.

    A ciclista Salvia Cardoso Correia, de Recife, presta sua solidariedade aos paulistanos. “Solidária e consciente da importância de impedir essa insanidade de desmonte dos avanços obtidos com as nossas ciclovias”, afirma.

    Enquanto Valdir Alves da Silva conta que viajou a Santiago do Chile e ficou “maravilhado com a malha de ciclovias e ciclofaixas da cidade”. Por isso, o ciclista afirma que “o que ele (Doria) quer fazer em São Paulo é andar para trás”.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy. Foto: Bruno Trentin/TV Gazeta

  • Filosofia e Sociologia devem ser disciplinas obrigatórias? Vote em enquete do Senado

    O jornal Folha de S.Paulo publicou matéria capciosa na segunda-feira (16) com o título “Filosofia e sociologia obrigatórias derrubam notas em matemática”, sobre um estudo que ainda será publicado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

    De acordo com Thais Waideman Niquito e Adolfo Sachsida, responsáveis pela pesquisa, o estudo foi feito de maneira ampla entre jovens de 16 a 25 anos. Eles analisaram as notas de estudantes que realizaram o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) em 2012 e os de três anos antes da obrigatoriedade dessas disciplinas. Os que estudaram filosofia e sociologia tiveram desempenho mais fraco em matemática e línguas.

    “Pela reportagem da Folha, parece que os pesquisadores partem de uma premissa errada. Eles baseiam seu estudo apenas no método de avaliação tradicional de desempenho em provas e notas”, afirma Marilene Betros, Políticas Educacionais da CTB.

    Ela explica que é necessária uma avaliação com mais amplitude para uma afirmação tão categórica. “Por que uma disciplina deve eliminar a outra?, questiona. “Um estudo afirmando isso justamente num momento em que o governo golpista tira a obrigatoriedade dessas importantes matérias, soa algo estranho”.

    Ademais, complementa, “o ser humano é muito complexo e tem uma grande capacidade de aprendizado. O problema está na falta de qualidade da educação, totalmente para a avalição com provinhas e notas”.

    Betros defende a tese de nota diagnóstica que leva em conta o desempenho dos alunos em todo o transcorrer do ano. Ademais, “a partir de 2009, o Enem se transforma no segundo processo seletivo para o ensino superior do mundo”.

    Antes o Enem era somente uma avaliação do ensino médio, que “visava privilegiar as escolas particulares e consequentemente defender a sua privatização como esse governo quer fazer agora”, acentua.

    De acordo com a sindicalista, o movimento educacional defende a “obrigatoriedade de filosofia, sociologia, artes, educação física, porque essas disciplinas contribuem para o desenvolvimento cognitivo, motor e emocional dos jovens e são necessárias para a vida tanto quanto a matemática e a língua portuguesa”.

    O problema é que a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) possibilita o ensino de filosofia e sociologia de forma diluída durante todo o ensino médio.E “quando se quer acabar com uma disciplina, se transforma em ‘estudos e práticas'”, diz a deputada federal Professora Marcivânia (PCdoB-AP).

    Daniel Cara, coordenador-geral da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, mostra que “a educação, que por muitos anos ficou protegida da disputa política, e isso aconteceu de fato no governo Lula e menos no governo Dilma Rousseff, volta a ser centro de disputa”.

    E a questão de tirar a obrigatoriedade de “disciplinas tão fundamentais está no bojo da reforma do ensino médio que visa acabar com a educação pública e gratuita”, diz Betros.

    A questão é tão importante que o Senado Federal colocou em votação a proposta “Pela obrigatoriedade das disciplinas de Filosofia e Sociologia no Ensino Médio”, no site e-cidadania, no qual você pode votar. Até o fechamento desta matéria, quase 30 mil pessoas apoiaram a ideia, o que transforma o projeto em uma Sugestão Legislativa e o Senado terá que apreciá-la.

    Vote você também aqui.

    Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB

     

  • Golpistas sentem a força das manifestações populares e Veja faz editorial surpreendente

    O site Brasil 247 comentou editorial da revista Veja (que começa perder o status da mais panfletária do país para a IstoÉ), onde a publicação da editora Abril reconhece que o impeachment nao passará na votação do plenário da Câmara dos Deputados. A semanária de (des)informação aponta três pontos principais para a derrota iminente:

    1) O impeachment não passará na Câmara dos Deputados.

    2) Não há lisura no processo que vem sendo conduzido na casa.

    3) Eduardo Cunha abriu o processo por vingança, confirmando o que vem sendo dito tanto pela presidente Dilma Rousseff como pelo ministro José Eduardo Cardozo.

    Para a revista, "desmoralizado por propinas e contas secretas na Suíça, Cunha com sua presença, contamina a lisura do impeachment". E "faz parecer, como alegam petistas e sequazes, que a corrupção é apenas um pretexto para tirar Dilma do poder. Pior: deu ao governo a chance de alegar, com razão, que o processo de impeachment só foi instalado na Câmara por um ato de 'vingança' de Cunha. Brasília inteira sabe que, de fato, o deputado se revoltou com a recusa do PT em preservar seu pescoço da guilhotina na comissão de ética."

    Também afirma que "Cunha é o aliado errado. Se, por algum infortúnio, o impeachment de Dilma não prevalecer na Câmara, os políticos que aceitaram a aliança com Cunha talvez tenham algo a dizer aos milhões de cidadãos que lamentarão a derrota".

    O editorial da publicação da família Civita mostra que as forças democráticas e populares brasileiras unidas podem impulsionar o país para a frente e impedir qualquer retrocesso. Se os deputados querem mesmo ouvir a voz das ruas aí vai: "Não Vai Ter Golpe".

    Nem os discursos dos oposicionistas na Comissão do Impeachment na Câmara apresentam qualquer acusação de ilítico que se possa levar em conta contra a presidenta Dilma.

    Pesquisa mostra Lula em curva ascendente

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    No sábado (9), o Datafolha publicou uma pesquisa sobre a corrida presidencial, na qual o ex-presidente Lula mostra crescimento, espantoso para quem não acompanha o movimento popular que de umas semanas para cá tomou as ruas do país contra o golpe.

    Em todos os cenários Lula cresce e os três possíveis candidatos do PSDB caem. Com Aécio, Lula aparece me primeiro com 21% e o tucano com 17%. Quando o candidato do PSDB é Alckmin, Lula aparece com 22% em empate técnico com Marina que tem 23% das preferências no momento, mas a candidata aparece ou estagnada ou em queda.

    Virou piada na internet um ato falho do jornal Folha de S.Paulo onde diz que a candidata Marina "subiu" fortemente de 23% para 23%.

    No cenário 3, com Serra candidato do PSDB, Lula fica com a preferência de 22% das eleitoras e dos eleitoras, empatado com Marina. Já com os três tucanos na disputa a situação de Lula fiaca ainda melhor. O petista sai do empate técnico e aparece com 21%, enquanto Marina aparece em segundo lugar com 16%.

    A pesquisa, realizada entre os dias 7 e 8, mostra também queda de sete pontos percentuais, em menos de um mês, no apoio ao impeachment, eram 68% há três semanas e agora são 61%. Outro dado importante de se notar é que 40% dos pesquisados escolhem Lula como o melhor presidente da história do país.

    Parece que a força das ruas começa atingir à população brasileira e que a classe trabalhadora começa a entender o prejuízo que seria um golpe de Estado no país. 

    Portal CTB  com agências

     

  • Gregório Duvivier rebate editorial em favor da repressão da Folha de S.Paulo

    O ator e escritor Gregório Duvivier escreveu artigo no jornal Folha de S.Paulo, criticando editorial do veículo da família Frias, no qual o diário paulistano pede maior repressão às manifestações pelo "Fora Temer", que se espalham pelo Brasil.

    Depois de agredir os manifestantes de maneira torpe, justamente por ter sofrido escracho por sua postura a favor do golpe de Estado ocorrido no Brasil no dia 31 de agosto, a Folha faz esse editorial pedindo mais repressão às manifestações contra o governo golpista.

    Mascarada de democrática, a Folha ataca um conceito primordial de qualquer regime democrático o da desobediência civil. De acordo com a Constituição Federal, as manifestações são livres. Ou já vivemos numa ditadura?

    Diz o jornal: "Está mais do que na hora de as autoridades agirem de modo sistemático" contra as manifestações. 

    "Uma jovem perde um olho atacada pela polícia. Uma presidenta democraticamente eleita é derrubada porque teria cometido um crime, mas não perde os direitos políticos porque afinal ela não cometeu crime nenhum. O Senado que a derrubou por causa de créditos suplementares muda a lei em relação aos créditos no dia seguinte à sua queda", responde o artista.

    Leia a íntegra do texto de Duvivier abaixo:

    Dona Folha, tá difícil te defender

    Em seu editorial na sexta (2), a senhora diz que se o governo não souber "reprimir os fanáticos da violência", o Brasil corre o risco de se transformar numa ditadura assim como aconteceu na "Alemanha dos anos 30". À polícia do estado de São Paulo, que já não é famosa pela gentileza, a senhora recomenda que "reprima" mais duramente os "grupelhos extremistas" –porque senão os baderneiros vão tomar o poder e transformar o Brasil na Alemanha nazista.

    Concordo que existem muitas razões pra ter medo. Mas não pelas mesmas razões. O vampiro que nos governa acaba de recriar o Gabinete de Segurança Institucional. O ministro da Justiça pede menos pesquisa e mais armamento.

    Uma jovem perde um olho atacada pela polícia. Uma presidenta democraticamente eleita é derrubada porque teria cometido um crime, mas não perde os direitos políticos porque afinal ela não cometeu crime nenhum. O Senado que a derrubou por causa de créditos suplementares muda a lei em relação aos créditos no dia seguinte à sua queda.

    Concordo quando a senhora diz que uma ditadura se avizinha, mas discordo que são os "black bloc" que vão tomar o poder. Dona Folha, a senhora já conheceu um "black bloc"? "Black blocs" em geral têm 12 anos, espinhas e mochila cheia de roupa preta e remédios pra acne.

    Não sei se por ignorância ou cinismo, a senhora ignorou o fato de a Alemanha nazista não ter sido criada pelos "fanáticos da violência". Como bem lembrou Bruno Torturra, a Alemanha nazista se consolida quando Hitler culpa os tais baderneiros pelo incêndio do Reichstag e cria um Estado de exceção com o objetivo de "reprimir baderneiros" – igualzinho a senhora tá pedindo.

    Quando o Reichstag pegou fogo, os jornais pediram medidas de emergência contra os "baderneiros" em editoriais muito parecidos com o seu. Hitler não teria ganhado terreno sem uma profusão de jornais pedindo "mais repressão aos grupelhos" – jornais estes que, vale lembrar, depois foram proibidos de circular.

    O golpe de 64 não foi obra do "extremismo", mas daqueles que alegavam querer combatê-lo. Quem instaura a ditadura não são os baderneiros, são os apavorados. Só há golpe quando há medo. Quando a senhora contribui com o medo, a senhora contribui com o golpe.

    Um jornal é do tamanho dos inimigos dele. Quando a senhora pede maior repressão a adolescentes desarmados, se alinha com o mais forte e faz vista grossa pra truculência. Jornalismo, pra mim, era o contrário.

    Portal CTB

  • Herson Capri: a reforma da previdência do governo quer que você morra sem se aposentar

    Herson Capri detona a reforma da previdência pretendida pelo governo ilegítimo de Michel Temer e seus aliados. “A reforma da previdência do governo quer que você trabalhe e morra sem se aposentar”, diz o ator.

    O vídeo é o primeiro de uma série prometida pela Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil (Anfip) em parceria com o Departamento Intersindical de Estudos Socioeconômicos (Dieese), sob a coordenação do professor da Unicamp, Eduardo Fagnani.

    Com dados fundamentais para o entendimento do que está em jogo com essa reforma, o vídeo mostra que é necessário contribuir em média 40 anos para ter a aposentadoria integral, conforme texto aprovado por comissão especial da Câmara dos Deputados.

    Em outros países a média é de 35 anos, sendo que em vários é de 30 anos. De acordo com o levantamento feito por Fagnani, no Brasil, “79% dos aposentados por idade contribuíram por até 24 anos”, diz Capri.

    Falando da realidade do mercado de trabalho brasileiro ele afirma ainda que metade da classe trabalhadora tem “empregos precários, sem carteira assinada”. E assinala que para as mulheres e para quem trabalha no meio rural a situação é ainda mais degradante.

    Terrível, quando se vê o empenho do governo federal em aprovar a reforma da previdência. O jornal Folha de S.Paulo acusa Michel Temer de liberar verbas para que os deputados aprovem rapidamente o texto da reforma.

    “Em reunião nesta segunda-feira (8), o presidente determinou que seus ministros privilegiem cerca de 330 parlamentares na distribuição dos recursos, usados para bancar obras e projetos nas bases eleitorais dos congressistas”, diz o jornal paulista.

    Assista ao vídeo: 

    Em entrevista à revista CartaCapital, o ator afirma que “a dívida da Previdência é altamente questionável. E também essa reforma pressupõe que não exista nenhum prejuízo, mas não se trata de um negócio. É uma instituição internacional de proteção do idoso, quando ele para de trabalhar e sai do mercado de trabalho”.

    Leia mais

    Artistas homenageiam classe trabalhadora no 1º de maio com postagens contra a reforma trabalhista

    Recentemente, Capri recusou-se a interpretar o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso no cinema. Para ele, o filme Real – O Plano por Trás da História não passa de uma “peça de propaganda” do PSDB. Filho do militante do Partido Comunista do Brasil, Jair Freire, o ator também participou de campanhas contra o impeachment da presidenta Dilma Rousseff.

     Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy. Foto: Rodrigo Martins/CartaCapital

  • Jornalista da Folha induziu prisões em ato Fora Temer, denunciam manifestantes

     Ao se negarem a serem fotografados pela jornalista Joana Cunha durante a tarde desse domingo (11), um grupo de manifestantes acabou comprando uma briga maior do que imaginava.

    Joana, com a recusa, foi imediatamente aos policiais que estavam próximos para denunciá-los como “Black Blocs”, afirmaram os detidos. A ação de Joana teria sido decisiva na perseguição da PM que resultou na prisão de três pessoas minutos depois.

    A redação da Mídia NINJA entrou em contato com a repórter na madrugada de domingo para segunda-feira, pelo Facebook, e posteriormente às 9h na segunda-feira, por telefone, com uma pergunta simples: Você denunciou ou não o grupo de manifestantes para a PM?

    A resposta, motivada pela indagação da Mídia Ninja, demorou aproximadamente 30h, e foi publicada diretamente em nota da Folha de S.Paulo, onde afirma se sentir intimidada, mesmo com centenas de policiais no local:

    “Os mascarados se aproximaram, me disseram que eram menores de idade e que por este motivo eu não poderia fotografá-los. Falaram em “direitos de imagem”. Disseram que haveria problemas se a foto fosse publicada. Eu ergui os braços e disse a eles que sou jornalista e estava me sentindo intimidada. Na frente dos policiais, eles responderam que não estavam fazendo nada contra mim..”

    “Fomos pedir com toda delicadeza e gentileza para que ela apagasse essas imagens. Ela não só não apagou, como pediu para os policiais seguirem a gente”, afirmou Luana Machado, na 78 DP, local em que os manifestantes seguem detidos. Na sequência dessa afirmação, os manifestantes pedem pessoalmente para Joana que ainda gostariam que a foto fosse apagada, no que ela responde de forma arrogante: “Já foi pra Folha”.

    Os jovens foram enquadrados com violência pelos policiais militares, que revistaram seus pertences.

    (…)

    Joana é repórter do caderno de economia e já foi correspondente internacional em Nova Iork pela Folha. Segundo fontes internas do jornal que preferem não se identificar, Joana não tem preparo ou “jogo de cintura” suficiente para coberturas de grandes manifestações.

    Fonte: Diário do Centro do Mundo

  • O dia em que Lula nocauteou a Rede Globo

    Durante toda esta quarta-feira, acompanhei a cobertura que a Rede Globo (e seu braço pago, a GloboNews) fez sobre o depoimento do ex-presidente Lula ao juiz Sérgio Moro. Jornalistas e comentaristas animados, esfuziantes até, gargalhavam muitas vezes, fazendo os prognósticos sobre o depoimento. Mas toda essa euforia deu lugar à depressão. Sem tempo de editar os primeiros vídeos disponibilizados pela Justiça Federal – o que ocorreu por volta das 20 horas – e certa de que eles iriam terminar por afundar Lula e consagrar a Lava Jato e Sérgio Moro, a Globo arriscou e levou as imagens ao ar sem edição. Cometeu um grande erro. Lula nocauteou a Globo no 1º round.

    No Bom dia Brasil, a emissora se concentrou nos preparativos e acompanhou o “Dia de Lula”. Flashs mostravam Lula e Dilma se deslocando para Curitiba e o esquema de segurança armado ao redor da sede do Tribunal de Justiça.
    A GloboNews continuou a cobertura matinal no mesmo rumo, mas com foco maior nos comentários e análises. Nessa primeira etapa do dia, os comentaristas e âncoras especulavam sobre como seria o depoimento. O jornalista Valdo Cruz, mais torcendo do que analisando, chegou a dizer que era importante “prestar atenção no ambiente da sala de interrogação” porque poderia “sair até uma prisão por desacato”.

    Outra preocupação da emissora dos Marinho era com os prazos processuais. Cristiana Lobo disse que Moro costuma demorar de 20 a 30 dias para tomar as decisões após os interrogatórios – palavra que a Globo utilizou durante todo dia para salientar que Lula estava em Curitiba como réu, acusado de crimes. Condenado em primeira instância por Moro – já que em nenhum momento se aventou a hipótese de absolvição, aliás Lula está condenado por Moro e pela Globo desde o início da operação – o processo vai para julgamento em segunda instância, o que costuma demorar um ano, de acordo com as previsões de Cristiana Lobo e Valdo Cruz. Ou seja, Lula seria condenado – nunca julgado – entre maio e junho de 2018, o que o tornaria inelegível no período das convenções partidárias para as definições das candidaturas presidenciais.

    O discurso martelado ao longo do dia – de que Lula e o PT estão politizando o processo – soou pura demagogia, uma vez que a cobertura fez isso desavergonhadamente, e não só hoje. Aliás, isso foi mais ou menos dito por Anselmo Góis, que assumiu os comentários no período da tarde, sob o comando da sorridente Maria Beltrão, que não conseguiu esconder a empolgação. Qualquer um que ligou a TV na GloboNews nesta quarta-feira, 10, viu um clima no estúdio completamente estranho ao necessário distanciamento de uma cobertura jornalística.

    A todo momento, Maria Beltrão lembrava que a defesa de Lula teve negado o pedido para gravar o depoimento e que este pedido não fazia mesmo sentido, porque os trechos do interrogatório seriam enviados para a imprensa divulgar como tem sido feito até agora. A expectativa de todos no período da tarde se concentrou no acesso aos vídeos, como se eles fossem o grande ápice de todo o processo de condenação pública de Lula.

    Aos poucos, a GloboNews começou a mostrar imagens das manifestações “pró-Lula” e “pró-Lava Jato”. A diferença numérica era impossível de disfarçar. “Apesar de poucos estão bem animados”, repetiam os jornalistas, se referindo às poucas mais de 20 pessoas que estavam no Centro Cívico de Curitiba. Sobre as milhares de pessoas reunidas em frente à Universidade Federal do Paraná em apoio ao Lula, os comentários maldosos eram “quem será que está pagando”, “de onde saiu o dinheiro para aquela mobilização”.

    No final da tarde, ficou nítida a preocupação da equipe de jornalistas da GloboNews com a demora para o encerramento do depoimento. Para a emissora, que transmite conteúdo noticioso em toda a sua programação, isso não é necessariamente um problema. Então, porque a apreensão? Estavam preocupados na verdade com o carro chefe da empresa, o Jornal Nacional. Se o depoimento se alongasse o JN não teria conteúdo para noticiar.

    Mas eis que as 19:54 minutos a GloboNews veicula o primeiro vídeo disponibilizado pela equipe de Moro, com trechos do depoimento onde o juiz faz perguntas a Lula sobre o triplex. E para a decepção de todos o que se viu não foi um Lula agressivo – como eles alardearam durante todo o dia – ou um Lula fazendo discurso político, ou um tom beligerante. O primeiro trecho de cerca de 8 minutos do depoimento mostrou o inverso disso. Lula respondendo perguntas pontual e calmamente diante de um Juiz que não apresentou nenhuma prova contra ele. Após a exibição deste primeiro trecho era visível a consternação dos 6 jornalistas que estavam ao vivo, e que tentaram driblar as imagens, dizendo que Lula estava objetivo graças ao preparo de Sérgio Moro.

    Imediatamente voltei para o Jornal Nacional que acabara de começar. Bonner e Renata Vasconcelos estavam atônitos. Mas seguiram na linha de levar ao ar os vídeos sem edição. Os pouco mais de 15 minutos de trechos do depoimento que foram exibidos durante o JN já foram suficientes para mostrar que “o ambiente na sala de interrogação” foi totalmente inverso do que a Globo esperava: de um lado do ringue um Lula seguro, calmo e objetivo, respondendo a todas as perguntas. Do outro lado um juiz sem provas, com documentos sem assinaturas e de origem desconhecida.

    Pior ainda, nas considerações finais de Lula – momento em que o ex-presidente fez sua defesa e que não foi exibida pelo JN – ele denuncia todo o julgamento midiático do qual tem sido vítima e coloca a mídia e a Globo para dentro da sala do interrogatório. “A imprensa é o principal julgador desse processo”.

    Ele citou dados que demonstram como a cobertura da mídia foi seletiva. Desde março de 2014, segundo levantamento apresentado pelo ex-presidente, foram 25 capas da Isto É, 19 da Veja e 11 da revista Época todas contra Lula. Nos jornais impressos, foram veiculadas na Folha de S.Paulo 298 matérias contra Lula e apenas 40 favoráveis, “tudo com informações vazadas da Polícia Federal e Ministério Público”, disse Lula; no jornal O Globo foram 530 contra Lula e e 8 favoráveis, e no Estadão foram 318 contrárias e 2 favoráveis. Já o Jornal Nacional veiculou 18 horas e quinze minutos contra Lula nos últimos 12 meses. Ele também denuncia os vazamentos previlegiados à Rede Globo e ao Jornal Nacional.

    A Globo e o oligopólio midiático perderam feio a aposta de que Moro seria o grande vencedor da luta anunciada para o dia 10 de maio. No ringue armado pela mídia semana passada, quem ganhou de nocaute no primeiro assalto foi Lula. Claro que eles vão tentar melar o resultado e terão tempo de assistir as 5 horas de depoimentos para escolher os melhores momentos para veicular sistematicamente e tentar mudar o placar. Mas a luta do Estado Democrático de Direito e do devido processo legal saiu na frente. Vamos aguardar as próximas rodadas.

    Renata Mielli é jornalista, coordenadora-geral do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação, secretária-geral do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé e colunista da Mídia Ninja às quintas-feiras.


    Os artigos publicados na seção “Opinião Classista” não refletem necessariamente a opinião da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e são de responsabilidade de cada autor.

     

  • Quais são os cenários para convocar eleição indireta ou direta para presidente

    Figuras importantes da política discutem se o presidente Michel Temer chegará ou não até o final de seu mandato, em dezembro de 2018. A dúvida é fruto dos desdobramentos da Operação Lava Jato, que citam o próprio peemedebista e ministros importantes do governo, e de uma ação no Tribunal Superior Eleitoral que pode cassá-lo por supostas irregularidades de sua chapa na campanha de 2014.

    O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso diz preferir que seu partido, o PSDB, ajude Temer a completar o mandato até o final. Já o tucano e senador licenciado Cassio Cunha Lima (PB) considera a convocação de novas eleições como o “melhor remédio” para o país e sugeriu o nome da presidente do Supremo Tribunal Federal, Cármen Lúcia, para conduzir o Planalto até 2018.

    Como maior líder da oposição, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva apoia a convocação de eleições diretas para presidente. É a mesma tese do senador Ronaldo Caiado (DEM-GO), da base aliada ao governo, que também sugeriu ao peemedebista que renunciasse.

    Enquanto isso, Nelson Jobim, ex-ministro da Justiça e ex-presidente do Supremo, se apresenta, em círculos reservados, como possível nome para assumir o Planalto caso Temer deixe o cargo e o novo presidente seja escolhido em eleição indireta.

    Há três cenários possíveis para a escolha de um novo presidente caso Temer deixe o cargo antes do final do mandato.

    A Constituição determina que, caso o cargo fique vago a partir de 1º de janeiro de 2017, o novo presidente seja escolhido em eleição indireta, pelo voto de deputados e senadores.

    A área técnica do Tribunal Superior Eleitoral, contudo, informou na sexta-feira (23) que, caso o presidente seja cassado antes dos últimos seis meses do mandato, vale uma nova regra introduzida no Código Eleitoral em 2015, que prevê a convocação de eleições diretas. Esse item foi contestado pela Procuradoria-Geral da República e a última palavra será do Supremo Tribunal Federal, que ainda não se manifestou sobre o tema.

    Além disso, há uma proposta de emenda à Constituição em discussão no Congresso para que a eleição indireta para presidente só se aplique caso o cargo fique vago nos últimos seis meses do mandato. Entenda os cenários possíveis:

    Eleição indireta

    O artigo 81 da Constituição estabelece a realização de eleição indireta para presidente e vice-presidente caso os dois cargos fiquem vagos na segunda metade do mandato.

    O dispositivo ainda não foi regulamentado. O texto define apenas que a votação será feita em até 30 dias, pelo Congresso. Não se sabe quem poderá se candidatar, se haverá campanha e em quanto tempo se daria a posse.

    Há um projeto de lei, aprovado em 2013 por uma comissão mista do Congresso, que pretende regulamentar o tema. Ele foi proposto pelo ex-deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), relatado pelo senador Romero Jucá (PMDB-RR) e está pronto para ser votado no plenário da Câmara.

    Estas seriam as regras, segundo o projeto 

    Eleição é convocada em até 48 horas após o cargo ficar vago

    Legendas podem lançar candidato avulso ou formarem coligações


    Candidatos precisam ser filiados a partidos


    Votação será realizada em até 30 dias depois que o cargo ficar vago

    Deputados e senadores, reunidos em uma sessão do Congresso, elegem o novo presidente, com voto aberto

    Candidatos terão 20 minutos para apresentar suas propostas, em discurso antes da votação


    Ganha quem receber a maioria absoluta dos votos, excluindo brancos e nulos. Se nenhum candidato alcançar maioria, é realizado segundo turno


    Candidatos estão submetidos aos mesmos requisitos da lei eleitoral, como ter idade mínima de 35 anos, e à Lei da Ficha Limpa

    Novo presidente toma posse em até 48 horas após a eleição e exerce o mandato até 31 de dezembro de 2018

    Eleição direta

    São convocadas eleições diretas para o cargo de presidente somente se o cargo ficar vago até a primeira metade do mandato, segundo a Constituição. No contexto atual, essa data é 31 de dezembro de 2016.

    Há duas alternativas em andamento que podem eventualmente permitir uma eleição direta antecipada para presidente após essa data.

    O deputado Miro Teixeira (Rede-RJ) apresentou em junho uma proposta de emenda à Constituição para que a eleição indireta para presidente só se aplique caso o cargo fique vago nos últimos seis meses do mandato. No contexto atual, se o cargo ficar vago até junho de 2018, o novo presidente seria eleito de forma direta.

    A proposta recebeu parecer favorável do relator, deputado Espiridião Amim (PP-SC), e está parada desde junho na Comissão de Constituição e Justiça. Dois deputados afirmaram ao jornal “Folha de S.Paulo” que a tramitação está suspensa por ordem da Casa Civil.

    Decisão do Supremo

    Em 2015, uma reforma no Código Eleitoral estabeleceu que caso prefeitos, governadores, senadores ou presidentes sejam cassados antes dos últimos seis meses do mandato, deve ser convocada nova eleição direta.

    Na sexta-feira (23), a área técnica do Tribunal Superior Eleitoral informou que essa nova regra vale inclusive para o atual presidente, somente se seu mandato for cassado pela Justiça. Se Temer renunciar, valeria a regra da Constituição — eleição indireta.

    Essa interpretação é controversa. Em maio, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, ajuizou na Corte uma ação questionando alguns itens da reforma do Código Eleitoral, inclusive a regra que define eleição direta para presidente caso a chapa seja cassada a até seis meses do final do mandato.

    Para Janot, a Constituição é clara ao estabelecer que só podem ser convocadas novas eleições diretas para presidente se o cargo ficar vago na primeira metade no mandato. Ele defende que o Supremo anule esse item da reforma eleitoral.

    A ação é relatada pelo ministro Luís Roberto Barroso e ainda não há previsão de quando o tema será julgado pelo plenário da Corte, que dará a última palavra sobre o tema.

    Fonte: Nexo Jornal, por Bruno Lupion. Foto: Ueslei Marcelino/Reuters

  • Suspeitos de matar o trabalhador Luiz Carlos Ruas são identificados e têm prisão decretada em SP

    As câmaras de vídeo do Metrô da Estação Dom Pedro II, em São Paulo, mostram mais um brutal assassinato contra um trabalhador. O vendedor ambulante Luiz Carlos Ruas foi espancado até a morte por dois neonazistas pelo simples fato de defender um travesti que estava sendo agredido por eles, em pleno Natal (domingo, 25).

    Um protesto foi realizado nesta terça-feira (27) no local do crime. Reportagem da Folha de S.Paulo informa que a segurança do Metrô só apareceu no local após os agressores terem fugido.

    “O Sindicato dos Metroviários, que também participou do ato, alertou que não há agentes suficientes para cobrir às 20h diárias de funcionamento do Metrô, devido aos inúmeros cortes que têm sido feitos. serviço de transporte público.

    “Ruas apenas trabalhava. Era um dos milhões de negros e índios que ainda hoje não descansam nem durante a ceia de Natal. Em um metrô, onde o Estado inexiste, em que tudo foi privatizado, inclusive, pelo visto, até a alma das pessoas, apenas pediu calma, apenas defendeu o direito do ser humano ser quem é”, diz Daniel Araújo Valença, professor de Direito e doutorando em direitos humanos.

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    Padre Júlio Lancelotti participa do ato com o Sindicato dos  Metroviários

    (Foto: Jorge Ferreira/Mídia Ninja)

    “Os noticiários têm se limitado a mencioná-lo como 'o ambulante assassinado na estação do metrô', como se o seu trabalho não o dignasse a ter o nome pronunciado em escala nacional. Essa é uma das várias maneiras encontradas pelos grandes veículos de comunicação, deseducadores do povo que são, de atrelar implicitamente o valor de cada um de nós à nossa posição social, de negar nossa humanidade com base no nosso poder aquisitivo. Luiz era humano”, afirma texto da revista digital Pazes.

    “A Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) se solidariza com a família de Luiz Carlos Ruas, esse novo herói, que perdeu a vida para defender a vida e a liberdade. Não podemos mais nos calar diante de tamanha brutalidade. Que os responsáveis sejam presos, julgados e punidos”, diz Carlos Rogério Nunes, secretário de Políticas Sociais da CTB.

    O trabalhador Luiz Carlos Ruas tinha 54 anos e vendia salgados e refrigerantes nesse local há mais de 20 anos informam parentes da vítima. Assassinado a socos e pontapés, após tentar defender uma travesti de dois homens que tentavam agredi-la e a plena luz do dia, sem ninguém socorrer o agredido.

    A esposa de Índio - apelido de Ruas - “essa não foi a primeira vez que ele agiu em favor dos moradores de rua da região. Ela contou que ele acordava cedo todos os dias e dava café da manhã para eles. Quando tinha dinheiro, ainda comprava marmitex e as distribuía”, disse ao Mídia Ninja. O velório do vendedor ambulante será realizado hoje na cidade de Diadema, região do ABC Paulista.

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    Os primos suspeitos identificados por familiares através de vídeo do Metrô (Reprodução)

    Através do vídeo das câmaras do Metrô, a polícia identificou dois suspeitos. Os primos Alípio Rogério Belo dos Santos, de 26 anos e Ricardo do Nascimento Martins, de 21 anos. Os próprios familiares dos acusados fizeram a identificação. Eles já têm a prisão temporária decretada.

    Portal CTB com Jornalistas Livres, Mídia Ninja, Revista Pazes e Folha de S.Paulo