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Qui, Jun

Fórum Econômico Mundial em Davos

  • A coluna Notas Internacionais da Socióloga e Cientista Política, Ana Prestes, desta quarta (23), destaca repercuções da presença do Brasil no Fórum Econômico Mundial e a conjuntura na Venezuela. Acompanhe: 

    Notas internacionais (por Ana Prestes) 23/01/19

    – Bolsonaro falou e o mundo ouviu. Era abertura do Fórum Econômico Mundial que ocorre há quase 40 anos em Davos. O chairman Klaus Schwab tentou arrancar mais algumas palavras com as perguntas pós-pronunciamento. Foi difícil. Foi sofrível. Teve propaganda turística sobre a Amazônia e o Pantanal, teve Deus e a família, “direitos humanos reais”, Ministros modelo (Moro, Guedes, Araújo), teve apenas 9% de território pra agricultura e 30% (dado errado, por sinal) para florestas, teve investimento em segurança, teve deseologização e “nada de esquerda voltar a governar na América Latina!”. Faltou terminar a participação com um “é o que tem pra hoje”. Foi o primeiro presidente do hemisfério sul, da América Latina e fora do G7 a abrir o evento.
     

    – O chanceler Ernesto Araújo avançou ainda mais na retórica anti-Maduro e se referiu ontem em mensagem via twitter ao presidente da Venezula como “ex-presidente”. Enquanto isso, o auto-proclamado presidente interino Juan Guaidó tomou para si uma das funções do poder executivo e nomeou o embaixador “especial” da Venezuela na OEA. Alinhados, o vice-presidente dos EUA, Mike Pence, e o conselheiro de segurança da Casa Branca, John Bolton, se pronunciaram sobre o país no dia de ontem. Pence convocou o “bom povo” da Venezuela para ir às ruas nesse 23 de janeiro e Bolton voltou a afirmar que o governo Trump só reconhece a Assembleia Nacional venezuelana como a “única instituição democrática legítima da Venezuela”.

    – São esperadas grandes manifestações e confrontos nesse 23 de janeiro na Venezuela. O 23 de janeiro é uma data simbólica no país, pois nesta mesma data, em 1958, uma insurreição cívico-militar derrubou o ditador Marcos Pérez Jiménez. A derrubada foi precedida por uma grande greve geral e na noite do dia 22 a Marinha e a Guarda de Caracas se pronunciaram contra o presidente, fazendo com que esse fugisse para Santo Domingo na manhã do dia 23. Em 2019, tanto a oposição como o governo Maduro reivindicam a data como símbolo de suas aspirações.

    – A alta representante da UE para Relações Exteriores, Federiga Mogherini, informou que está sendo criado um grupo internacional para ajudar no diálogo entre Nicolás Maduro e a oposição na Venezuela. O grupo deve começar a trabalhar nas primeiras semanas de fevereiro. Chefes das missões dos estados-membros da UE em Caracas têm se reunido com membros do governo Maduro e da Assembleia Nacional (oposição). Cerca de um milhão de europeus vivem na Venezuela.

    – A Arábia Saudita anunciou que deixará de importar frango de cinco frigoríficos brasileiros. Até ontem, portanto, eram 30 os frigoríficos do Brasil que forneciam para o país, segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). O embargo teria sido por critérios técnicos, mas não foram divulgados quais. O tipo de carne de importação suspensa e a halal, que segue os princípios do Islã tanto no abate como no processamento. As empresas brasileiras tiveram que adaptar suas fábricas e funcionários para a preparação da carne a ser exportada. A Arábia Saudita é o país que mais importa carne de frango do Brasil, seguido da China, do Japão e da África do Sul.

    – Foi fechado nessa terça (22) um novo tratado de cooperação franco-alemão com a intenção de abrir caminho para a criação de um Exército europeu. O tratado aponta para uma convergência das políticas econômica, externa e de defesa, além de uma “assembleia parlamentar comum” a ser composta por 100 deputados entre franceses e alemães. Há ainda uma cláusula de defesa mútua, no caso de agressão a um dos países. O último tratado do gênero foi assinado em 1963 pelo então chefe do Estado francês, general Charles de Gaulle e o então chanceler alemão Konrad Adenauer.

    – Se está tudo bem entre França e Alemanha, não se pode dizer o mesmo sobre a relação entre França e Itália. Os líderes dos dois principais partidos da coalizão que governa a Itália, Movimento 5 Estrelas e Liga, Luigi di Maio e Matteo Salvini, têm atacado sistematicamente o presidente francês Emmanuel Macron na temática da migração. Eles acusam a França de provocar a chegada de migrantes na Europa pro conta de uma suposta política “neocolonialista” na África. Os ataques provocaram a convocação por parte de Macron da embaixadora italiana na França, Teresa Castaldo, para explicações. O embate maior se dá em torno da relação com a Líbia e a intenção dos italianos de fechar em absoluto suas fronteiras para migrantes africanos que chegam dos portos líbios. Há poucas semanas, Di Maio também manifestou apoio explícito aos jalecos amarelos que protestam contra Macron há mais de 10 semanas.

    – Seguindo seu plano contra o furto de combustíveis, o governo mexicano convocou em quatro dias 2000 motoristas para conduzirem os caminhões tanque que farão o abastecimento dos postos de distribuição de gasolina no país, substituindo a chegada do combustível pelos dutos que são perfurados para furto. Há poucos dias uma explosão matou quase 100 pessoas em dos pontos de assalto aos dutos. Os caminhões não estão imunes aos assaltos nas estradas, mas o governo está pagando pra ver.

    – A União Europeia mandou avisar: um Brexit duro (sem acordo) vai implicar no estabelecimento de uma fronteira física entre a Irlanda e a Irlanda do Norte.

    – O Itamaraty, que sempre primou pelo princípio da reciprocidade no caso da concessão de vistos de entrada no Brasil para cidadãos de outros países, pode vir a liberar unilateralmente os vistos para norte-americanos e canadenses. Os EUA, por seu lado, não demonstram nenhuma intenção de liberar vistos para brasileiros. Aliás, desde 2018 os brasileiros têm enfrentado maiores obstáculos para obter o visto para os EUA, com exigência de entrevistas presenciais a grupos de idade que eram dispensados, como menores de 16 anos e maiores de 65 (passou a ser maiores de 14 e menores de 79). Seria algo benevolente ao extremo por parte do chanceler Araújo, sem pedir nada em troca.

    – O tribunal constitucional do Congo declarou Felix Tshisekedi presidente do país, após eleições bastante conturbadas em 30 de dezembro de 2018. O candidato que ficou em segundo lugar no pleito, Martin Fayulu alega fraudes e não reconheceu a declaração. A União Africana também pediu suspensão do resultado por “sérias dúvidas” sobre o processo eleitoral.

    – Outro país conflagrado na África nos últimos dias é o Zimbabue. As forças de segurança do país estão reprimindo violentamente os sequentes protestos no país gerados pela alta dos combustíveis em até 150%. São os maiores protestos desde a queda de Mugabem em 2017.

    – Um mês e um dia é o período de duração da paralisação parcial do governo dos EUA por conta do impasse em torno da construção de um muro na fronteira com o México.

    *Ana Prestes é socióloga, doutora em Ciência Política, foi assessora sindical de políticas educacionais e chefe da Assessoria Internacional do Ministério do Esporte e da Secretária de Educação no município de Contagem. Nascida em Moscou, durante o exílio de sua família, perseguida pela ditadura no Brasil, Ana Prestes também é neta do Cavaleiro da Esperança, Luiz Carlos Prestes, e sempre se dedicou às lutas em defesa da democracia, da cultura e da educação. Atualmente trabalha na assessoria de comissões da Câmara dos Deputados.


    Os artigos publicados na seção “Opinião Classista” não refletem necessariamente a opinião da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e são de responsabilidade de cada autor. 

  • A coluna Notas Internacionais da Socióloga e Cientista Política, Ana Prestes, desta quarta (16), destaca rejeição do acordo proposto pela primeira-ministra Theresa May para o Brexit, a saída do Reino Unido da União Europeia (UE). Acompanhe: 

    Notas internacionais (por Ana Prestes) 16/01/19

    - Theresa May foi derrotada. Parlamento britânico rejeitou ontem (15), por 432 votos a 202, o acordo que May construiu com os líderes europeus e que daria formato à saída do Reino Unido da União Europeia. Aprovado em referendo popular, o Brexit tem até o dia 29 de março para ser viabilizado. Em seu pronunciamento, May disse: “Está claro que a casa não apoia este acordo, mas o voto desta noite não nos diz nada sobre o que a casa apoia. Nada sobre como, ou mesmo se, ela pretende honrar a decisão que o povo britânico tomou em referendo".


    - Pela legislação britânica, o governo teria 21 dias para anunciar como proceder, diante da derrota do acordo do Brexit, mas foi aprovada uma emenda que reduziu esse prazo para 3 dias. Se May sobreviver no governo, terá que produzir uma solução em três dias.

    - O líder da oposição britânica, o trabalhista Jeremy Corbyn, apresentou moção de desconfiança contra May logo após a derrota do governo na votação do Brexit. A primeira ministra pode ser pressionada a renunciar, por seus partidários, antes que a moção vá a voto. Para ser aprovada, a moção de censura precisa de pelo menos 320 votos e a oposição só tem 308 votos.

    - Presidente argentino, Mauricio Macri, está no Brasil e se reúne hoje com Bolsonaro. Relações comerciais, Mercosul e Venezuela devem tomar conta do encontro que ocorre ao longo da manhã no Palácio do Planalto, com fechamento durante almoço no Itamaraty. Macri desembarca no Brasil, para conspirar contra a Venezuela, no dia seguinte ao anúncio de que a inflação argentina fechou 2018 em 47,6%, a estimativa do governo era ficar entre 15% e 20%. É a segunda inflação da América Latina, atrás justamente da Venezuela.

    - O governo chileno consultou formalmente o Brasil sobre a hipótese de constituição de um bloco de países sul-americanos que substitua a Unasul. O bloco já tem sido informalmente chamado de Prosul. Segundo O Globo, uma fonte não identificada do governo Bolsonaro teria dito que o Brasil será favorável ao novo bloco, desde que seja mais flexível e dinâmico que a Unasul, que aproveite a estrutura de associação de países sul-americanos já existente no Mercosul e que exclua a Venezuela pelo critério de admissão de países democráticos.

    - Assassinato de um prefeito polonês revela um país dividido. Pawel Adamowics era prefeito da cidade de Gdansk e foi esfaqueado durante evento de caridade no domingo (13). Era prefeito desde 1998 e defensor da comunidade LGBT, além da acolhida a refugiados e migrantes. Fazia oposição ao governo do PIS (Partido da Lei e Justiça). O PIS chegou ao poder em 2015 com um discurso xenófobo e de ódio.

    - Segundo a CEPAL (Comissão Econômica para a América Latina) informou nesta terça (15), a partir do relatório “Panorama Social da América Latina 2018”, a extrema pobreza aumentou na América Latina. “Desde 2015 foram registrados retrocessos, particularmente em matéria de extrema pobreza”, diz o relatório. Em 2017, o número de pessoas vivendo na pobreza chegou a 184 milhões (30,2% da população), sendo 62 milhões na extrema pobreza. Em 2018, o número geral de pessoas vivendo na pobreza caiu para 182 milhões de pessoas, mas a extrema pobreza passou a atingir 63 milhões de pessoas (um milhão a mais do que em 2017).

    - Por falar em América Latina, um jantar com a denominação “Um futuro centrado em humanos para a América Latina” está sendo organizado pela Microsoft e os organizadores do Fórum Econômico Mundial para ocorrer na noite do dia 23 de janeiro durante o Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça. Estão convidados, Iván Duque (Colômbia), Lenin Moreno (Equador), Martín Vizcarra (Peru), Carlos Alvarada Quesada (Costa Rica) e Jair Bolsonaro (Brasil). O Fórum começa na noite da próxima segunda, 21 de janeiro. Cerca de 60 chefes de Estado ou governo são aguardados no encontro.

    - Enquanto Trump paralisa seu governo para construir um muro na fronteira com o México, uma nova caravana migrante acaba de sair de Honduras com direção aos EUA. Esta já é a quarta, desde abril de 2018. A caravana que mais chamou a atenção foi a que saiu em 13 de outubro passado e contava com cerca de 7000 pessoas.

    - O vice-presidente dos EUA, Mike Pence, telefonou nesta terça (15) para aquele que se arvora o líder da oposição venezuelana, o deputado Juan Guaidó. Ele preside a Assembleia Nacional Venezuelana. No telefonema, Pence expressou apoio à decisão da AN de declarar Maduro “usurpador” do cargo de presidente e a interinidade de Guaidó na presidência do país. A decisão dá respaldo à desobediência ao governo por parte de funcionários, policiais e membros das forças armadas do país. Ainda segundo a decisão, os atos do poder executivo venezuelano ficariam anulados. Enquanto isso, o presidente de fato e de direito da Venezuela, Nicolás Maduro, governa amparado na Assembleia Constitucional e nos tribunais de justiça do país. São aguardadas manifestações tanto de opositores como de apoiadores de Maduro para o próximo 23 de janeiro.

    - Será também no dia 23 de janeiro que os apoiadores de Evo Morales organizarão atos de apoio a Morales e Linera (Alvaro Garcia) para marcar o início do ano eleitoral em que ambos disputarão uma vez mais na mesma chapa a presidência e a vice-presidência do país.

    - Presidente López Obrador do México, anuncia o reabastecimento de combustível nos postos de distribuição do país, mas acusa nova sabotagem por parte de grupos que subtraem combustível dos dutos, como do duto Tuxpan Azcapotzalco, que abastece a cidade do México.

    - Hoje já é o 26º. dia de paralisação do governo dos EUA. Ontem (15), representantes dos Democratas rejeitaram convite de Trump para discutir o tema. Os republicanos já começam a apresentar fissuras em suas fileiras, com parlamentares se pronunciando de forma crítica a Trump.

    - A Índia pode ter tido a maior greve geral da sua história nos últimos dias 8 e 9 de janeiro, com a participação de quase 200 milhões de trabalhadores, sendo que o país possui 500 milhões de pessoas ativas no mercado de trabalho. A greve foi convocada por centrais sindicais contra medidas antissociais do governo neoliberal de Narenda Modi.

    - Foi divulgado ontem (15) o Emerging Economies Rankings 2019 pela consultoria britânica de educação superior Times Higher Education, que classifica as 442 melhores universidades de 43 países considerados emergentes. A USP aparece como a melhor brasileira e sul-americana na 15ª posição, sendo que já esteve na 14ª. As universidades chinesas estão em 7 posições das dez melhores. A Unicamp foi a segunda brasileira melhor cotada na 40ª. posição.

    *Ana Prestes é socióloga, doutora em Ciência Política, foi assessora sindical de políticas educacionais e chefe da Assessoria Internacional do Ministério do Esporte e da Secretária de Educação no município de Contagem. Nascida em Moscou, durante o exílio de sua família, perseguida pela ditadura no Brasil, Ana Prestes também é neta do Cavaleiro da Esperança, Luiz Carlos Prestes, e sempre se dedicou às lutas em defesa da democracia, da cultura e da educação. Atualmente trabalha na assessoria de comissões da Câmara dos Deputados.


    Os artigos publicados na seção “Opinião Classista” não refletem necessariamente a opinião da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e são de responsabilidade de cada autor. 

  • Dados do relatório “Bem público ou riqueza privada?”, produzido pela Oxfam, organização global combate a pobreza e a desigualdade, divulgado nesta esta segunda (21), revela que a desigualdade nada de braçada no mundo.

    A Oxfam indica que o fosso entre os super-ricos e o resto do mundo nunca foi tão grande como hoje, com 26 indivíduos possuindo a mesma quantidade de riqueza que 3,8 bilhões de pessoas menos privilegiadas, informou a organização Oxfam em um novo relatório anual.

    Ou seja, enquanto a renda dos bilionários do mundo -  que fazem parte dos 1% mais rico do mundo - cresceu em US$ 900 bilhões em 2018, cerca de 3,8 bilhões de pessoas – os 50% mais pobres do planeta – tiveram sua renda reduzida em 11%. Segundo a Oxfam, o Brasil tinha 42 bilionários em 2018, com riqueza total de US$ 176,4 bilhões.

    O relatório foi lançado no Fórum Econômico Mundial de Davos, que começou nesta terça (22), na Suíça, e se encerra na sexta-feira (25).

    "As pessoas em todo o mundo estão zangadas e frustradas. Os governos devem agora promover mudanças reais, garantindo que corporações e indivíduos ricos paguem sua parte justa de impostos e invistam esse dinheiro em saúde e educação gratuitas que atendam às necessidades de todos", declarou Winnie Byanyima, diretora executiva da Oxfam International.

    Fazendo uma conta rápida a partir de uma proposta de taxação de 0,5% sobre as fortunas desses bilionários, garantiríamos o acesso à educação de 262 milhões de crianças excluídas da educação formal hoje no mundo.

     

     

    Portal CTB - Com informações das agências