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Qui, Jun

Fundação Maurício Grabois

  • A União Brasileira de Escritores (UBE) recebe nesta quinta-feira (30), às 19h, o poeta e jornalista Adalberto Monteiro para lançar o seu quarto livro "Pé de Ferro & Outros Poemas". A UBE fica na rua Rego Freitas, 454, República, na capital paulista. 

    O setor de divulgação da Editora Anita Garibaldi informa que o livro é uma diversidade poética de temas, tempos e territórios. “Com dor, lirismo, paixão, erotismo, Adalberto nos traz a poesia. Mas também como faca, como punhal afiado, como fuzil, como petardo. A poesia que ele nos presenteia é múltipla como a face do tempo que vivemos”, destaca o escritor Joan Edesson de Oliveira no prefácio da obra.

    Um dos poemas de "Pé de Ferro" sintetiza seu conteúdo: “O que é um livro de poemas senão os olhos arregalados querendo saltar dos ossos da face para vislumbrar o futuro? O que será um livro de poemas senão o estuário no qual desembocam as alegrias e as desgraças do mundo?”.

    O autor nasceu em Cocal, estado do Piauí, em 8 de dezembro de 1957. A família migrou para Goiânia, Goiás, em 1964. Na terra adotiva, Adalberto residiu até 2001. Formou-se em jornalismo, pela Universidade Federal de Goiás, em 1980. Em Goiânia, publicou seus dois primeiros livros de poemas Os Sonhos e os Séculos (1991) e Verbos do Amor & Outros Versos (1997). Desde 2002, mora na cidade de São Paulo, onde publicou em 2005, As Delícias do Amargo & uma Homenagem, livro também de poemas. É membro da direção nacional do PCdoB. Presidiu a Fundação Maurício Grabois, de 2008 a março de 2016. É editor da revista Princípios.

    Serviço

    O que: Lançamento de "Pé de Ferro & Outros Poemas"

    Quando: Quinta-feira (30), às 19h

    Onde: Sede da UBE, rua Rego Freitas,  República, 454, São Paulo

    Portal CTB e Anita Garibaldi

     

  • A entidade Advogados pela Democracia, Justiça e Cidadania (ADJC) e a Fundação Maurício Grabois se uniram para organizar o Seminário “Democracia e Direitos dos Trabalhadores”, que discutirá as contrarreformas do Governo Temer nos dias 17 e 18 de março de 2017. Além delas, participam da organização a Associação Brasileira de Advogados Trabalhistas (ABRAT) e a CTB.

    “O evento serve para dar uma resposta à crise que atravessamos, tratando das questões centrais e estruturais deste momento. Faremos uma reflexão sobre os riscos à Constituição e ao Estado de Direito no Brasil, diante de um governo que coloca uma proposta agressiva de reformulação do papel do Estado”, explicou Aldo Arantes, advogado e organizador do evento. Ele estará na primeira mesa de debates, em defesa do Estado de Direito. “Falaremos também da perspectiva de reforma política no país, assim como os ataques às conquistas históricas da Constituinte”.

    Outras palestras oferecerão a perspectiva de ministras do TST, dirigentes da Ordem dos Advogados do Brasil, juristas, sindicalistas e representantes da sociedade civil organizada e gestores públicos. A série de debates encerrará com a realização do II Encontro Nacional da ADJC.

    “A CTB foi uma parceira de primeira hora, e se somou imediatamente ao debate das questões centrais do país. Ela entende a importância de promover a reflexão e a conscientização dos trabalhadores”, elogiou o diretor da Fundação Maurício Grabois, Leocir Costa Rosa.

    “Nesse seminário, nosso objetivo será fazer isso em dois temas: na questão do atual corrompimento da Constituição Federal, que se tornou uma ameaça à própria democracia no Brasil; e no ataque aos direitos sociais fundamentais do trabalhadores, em especial no que toca a reforma da Previdência e a reforma trabalhista”.

    As inscrições são limitadas, e podem ser feitas através do site da Fundação Maurício Grabois. O evento será realizado no Novotel Jaraguá, centro de São Paulo, dia 17 e 18 de março, e terá a presença de centenas de advogados, juristas e sindicalistas.

    Serviço

    Seminário “Democracia e Direitos dos Trabalhadores”
    Data: 17 e 18 de março de 2017
    Horário: 9h às 19h em 17/03; 9h30 às 13h em 18/03
    Local: Novotel SP Jaraguá Conventions
    Rua Martins Fontes, 71 – Bela Vista – São Paulo/SP
    Taxa de Inscrição: R$ 50
    Inscrições e mais informações: http://www.grabois.org.br

    Programação

    Dia 17/03 – Sexta-feira

    9h00 - ABERTURA SOLENE

    9h30 - PALESTRA com Katia Magalhães Arruda - Ministra do TST

    11h00 - MESA: DEFESA DA CONSTITUIÇÃO E ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO
    Marcelo Lavenère – ex-presidente da OAB
    Gilberto Bercovici – Professor titular da Faculdade de Direito da USP
    Aldo Arantes – Advogado – Constituinte de 1988

    14h30 - MESA: DIREITOS DOS TRABALHADORES E REFORMA TRABALHISTA
    Delaíde Alves Miranda Arantes – Ministra do TST
    Cezar Britto – ex-presidente da OAB
    Adilson Araújo – Presidente da CTB
    Roberto Parahyba – Presidente da ABRAT

    17h00 - MESA: REFORMA DA PREVIDÊNCIA
    Carlos Gabas – Ex-ministro da Previdência
    Sérgio Pardal Freudenthal – Especialista em Direito Previdenciário - Professor da Faculdade de Direito Santa Cecília de Santos

    Dia 18/03 - Sábado

    09h30 - MESA - ABUSO DE AUTORIDADE E PRERROGATIVAS DA ADVOCACIA
    Marcos da Costa – Presidente da OAB/ SP
    Juarez Cirino dos Santos - Advogado Criminal, Presidente do Instituto de Criminologia e Política Criminal - ICPC

    11h30 - II Encontro Nacional da ADJC (Advogados pela Democracia, Justiça e Cidadania)

    Portal CTB

  • Portugal comemora nesta segunda-feira (25) a Revolução dos Cravos, que trouxe a tão esperada liberdade, ceifada por 48 anos de ditadura fascista, comandada por Antônio Oliveira Salazar, que quase levou o país à bancarrota, pelos desmandos e terror.

    E para festejar esse feriado, símbolo da liberdade, da Justiça e da igualdade, os portugueses promovem desfile em Lisboa. Neste ano um grupo estará prestando solidariedade à presidenta Dilma e à democracia brasileira.

    Em 25 de abril de 1974, o Movimento das Forças Armadas, juntamente com populares e a fundamental liderança do Partido Comunista Português (PCP), o governo salazarista foi deposto e uma nova Constituição erigida no país.

    "A revolução de abril é patrimônio do povo e é patrimônio do futuro. Patrimônio construído pela luta dos trabalhadores e do povo e que nós comunistas nos orgulhamos de ter dado uma contribuição inigualável, não apenas na longa e heroica resistência, mas em todos os momentos decisivos da sua construção", afirma Jerônimo de Sousa, secretário-geral do PCP.

    A senha para o início da revolução foi a execução da música “Grândola Vila Morena”, de Zeca Afonso, proibida pela censura salazarista. Um trecho da bela canção diz:

    “Em cada esquina, um amigo
    Em cada rosto, igualdade
    Grândola, vila morena
    Terra da fraternidade

    Terra da fraternidade
    Grândola, vila morena
    Em cada rosto, igualdade
    O povo é quem mais ordena”

    Assista o clipe e ouça Grândola Vila Morena (Zeca Afonso):

     

    O nome Revolução dos Cravos veio porque a população saiu às ruas em comemoração distribuindo cravos, a flor nacional, aos soldados rebeldes. Eles colocavam as flores na ponta de seus fuzis.

    O movimento revolucionário foi saudado pelos democratas e partidos de esquerda do mundo todo. Muitos celebraram a novidade de ver um Portugal livre, assim como proporcionou a liberdade às suas colônias. Era a vida e a solidariedade vencendo o ódio e a violência.

    Chico Buarque rendeu a sua homenagem à revolução. A canção “Tanto Mar” acabou censurada pela ditadura brasileira por ver ligação com o ideal de liberdade e igualdade da Revolução dos Cravos. Escreveu Chico:

    “Sei que está em festa, pá
    Fico contente
    E enquanto estou ausente
    Guarda um cravo para mim”

    Assista clipe de Tanto Mar (Chico Buarque): 

    Como escreveu Adalberto Monteiro, presidente da Fundação Maurício Grabois e editor da revista Princípios, na sua poesia “Cravos de Abril” (leia a poesia na íntegra aqui):

    “Portugal que criou a ciência dos mares,
    Vê Lisboa alagada pela esperança,
    Vê, novamente, nos punhos cerrados do povo
    A bravura de quem venceu a fúria dos oceanos,
    E a selvageria dos tiranos”.

    Assista depoimento que a deputada Joana Mortágua fez na Assembleia de Portugal, contra o golpe em marcha no Brasil. 

     

    No final os cravos foram recolhidos, mas a democracia prevaleceu. Mesmo porque “esqueceram a semente em algum canto do jardim”, como canta Chico Buarque, e os sonhos dos portugueses do 25 de abril de um mundo mais igual persiste.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

  • Cerca de 300 educadores participaram, na manhã deste sábado (17), em São Luís, da abertura do I Congresso Extraordinário dos Trabalhadores em Educação Pública do Maranhão (Contema), instância máxima de organização e definição de lutas do Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Maranhão (Sinproesemma).

    Diante do cenário de golpe de Estado no Brasil, os educadores abordaram o tema Educação e Desenvolvimento com Democracia, ressaltando a importância de traçar estratégias para enfrentar as medidas arbitrárias de retirada de conquistas da classe trabalhadora pelo governo de Michel Temer.

    Participaram da mesa de abertura o presidente do Conselho Estadual de Educação (CEE), Roberto Magno; o presidente estadual da Central dos Trabalhadores do Brasil (CTB), Joel Nascimento; a secretária de Relações de Gênero da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), Isis Tavares; o coordenador da Fundação Maurício Grabois, Luiz Pedro; a representante da Central Única dos Trabalhadores (CUT/MA), Julia Nogueira; o secretário de Serviços Públicos da CTB, João Paulo Ribeiro; o presidente licenciado do Sindicato e candidato a vice-prefeito de São Luís, Júlio Pinheiro; e a presidente do Sinproesemma, Benedita Costa.

    O golpe continua

    Para o presidente estadual da CTB, Joel Nascimento, o afastamento da presidenta da República, Dilma Rousseff, em agosto deste ano, ainda não é a conclusão do golpe parlamentar, porque a retirada de direitos dos trabalhadores, ponto central do golpe, ainda está em curso, com ataques aos direitos. “O golpe ainda não terminou, e não vamos deixar terminar”, destacou.

    A representante da CNTE, Isis Tavares, questionou a legitimidade da agenda que o governo golpista de Michel Temer quer implantar. “Ninguém votaria em nenhum candidato que dissesse que aumentaria a aposentadoria dos trabalhadores, ninguém votaria no candidato ou candidata que dissesse que congelaria os salários por 20 anos”, frisou.

    Participação – A presidenta do Sinproesemma, Benedita Costa, lembrou que o golpe parlamentar também é reflexo do conservadorismo que se ampliou no Congresso Nacional. Benedita ilustrou esse fato pela redução do número de deputados federais do campo progressista, que diminuiu de 82 para 41 parlamentares, o que contribui para aprovação de projetos nefastos para os trabalhadores.

    Benedita destacou as conquistas obtidas no Maranhão e apontou o caminho da unidade na luta pelo reajuste salarial deste ano, item da pauta não concedido pelo Estado, que já foi alvo de ações ajuizadas pelo Sindicato. “Precisamos cada vez mais ficar fortes e firmes para enfrentar os desafios e garantir nossos direitos”, destacou.

    Conquistas

    O candidato a vice-prefeito e presidente licenciado do Sinproesemma, Julio Pinheiro, participou como convidado e fez uma trajetória das conquistas dos trabalhadores em educação ao longo dos últimos 20 anos. Pinheiro lembrou que, mesmo com a luta da categoria, somente em 2008, no governo Lula, os trabalhadores conquistaram a Lei do Piso, que garante a política de valorização, direito que não pode ser retirado.

    Pinheiro lembrou que esse e outros direitos assegurados estão ameaçados pela política neoliberal de Temer. “É necessário manter a luta nacional em defesa dos trabalhadores e da educação pública de qualidade”, afirmou.

    Fonte: Sinproesemma

  • Nesta quinta-feira (14), a partir das 19 horas, haverá o pré-lançamento do livro A Mais Longa Duração da Juventude, de Urariano Mota, à Rua Rego Freitas, 192, centro de São Paulo.

    Urariano Mota é o escritor e jornalista que colabora com veículos da imprensa nacional e lusófona. Colunista do Portal Vermelho e do Brasil 247, colabora com o Jornal GGN e publica quinzenalmente no Diário de Pernambuco.

    Entre suas obras literárias, destacam-se “Soledad no Recife” (Editora Boitempo, 2009) e “O filho renegado de Deus” (Bertrand Brasil, 2013).

    Em “Soledad no Recife”, o escritor recria os últimos dias de Soledad Barrett, a mulher do cabo Anselmo, que o agente infiltrado entregou para a morte no Recife em 1973, em plena ditadura militar. É uma novela de referência sobre o terror de Estado no Brasil.

    Em “O filho renegado de Deus”, o autor percorre a formação da infância no Recife dos pobres, dos moradores de beco. Esse romance lhe deu o primeiro lugar do Prêmio Guavira 2014.

    Abordagem ambiciosa

    Agora, com “A mais longa duração da juventude” (LiteraRUA, 2017), o escritor faz uma intersecção precisa e emocionante do tempo literário e político: o amor, a militância e o sexo em uma memória histórica que vai de 1970 a 2017. Neste romance, a imortalidade é construída na rebeldia que resiste.

    “E porque somos agentes da duração, a nossa vida é a resistência ao fugaz. Nós só vivemos enquanto resistimos. Nós alcançamos a imortalidade, isto é, o que transcende a sobrevivência ao breve, porque a imortalidade não é a permanência de matusaléns decrépitos. Nós só a alcançamos pelo que foi mortal, mortal, e sempre mortal não morreu.” (A mais longa duração da juventude, Urariano Mota, LiteraRUA, SP, 2017)

    A luta dos adolescentes e jovens adultos por um mundo melhor e mais justo - e os traumas que podem ocorrer a partir dessa ousadia - são o pano de fundo abordado pelo jornalista neste livro.
    A obra é um retorno a memórias do pós-ditadura, mas, ao mesmo tempo, traz uma ponte para o futuro ao relacionar a militância de esquerda dos anos 1960 ao protesto dos estudantes brasileiros na atualidade. “Tenho que contar essa história, senão isso vai ficar perdido. Certas coisas não vão ser ditas se você não falar”, afirma Urariano ao Diario de Pernambuco.

    O autor dos romances Os corações futuristas, Soledad no Recife e O filho renegado de Deus, além de Dicionário amoroso do Recife, pontua que o romance, segundo ele, o mais ambicioso de sua trajetória, foi detonado a partir da morte de um amigo querido, o escritor, jornalista e militante comunista Marco Albertim. “A primeira coisa a destacar é a seguinte: eu não procurei escrever somente sobre a ditadura. Quando eu estava indo visitar pensões onde morei, vi uma passeata de adolescentes protestando com bandeiras por uma educação melhor. Foi quando me ocorreu o fato de que havia uma duração mais longa da juventude. Quem esteve na clandestinidade e foi ao limite da entrega da propria vida está nesses jovens das ocupações de escolas e universidades”.

    A partir desta sensação de eterno retorno, Urariano traz uma apropriação e reflexão muito pessoal sobre passagens vividas por quem ainda começava a vida na época da ditadura, assim como ele. “A trama do romance, escrito em primeira pessoa, começa a partir de um personagem que encontra o narrador, de posse de um LP de Ella Fitzgerald, em frente ao Cinema São Luiz. A militância desses jovens do pós-1964, assim como a vida sexual e afetiva deles, são abordadas no livro. Ao longo da obra, ele procura retomar essas vidas, vai de novo aos abrigos onde morou e percebe uma relação com os jovens de hoje”. Personagens presentes em outros títulos, como a paraguaia Soledad Barrett, voltam a ser citados com novos fatos de sua vida. A filha única dela, Ñasaindy Barrett, também entra no romance como personagem.

    A intensidade dessas experiências que borram e transbordam os limites entre ficção e memória são, segundo Urariano, motor para sua criação. O impacto da história de Soledad Barrett, por exemplo, morta enquanto estava grávida pelo próprio marido, o Cabo Anselmo, é um dos exemplos. “Achava necessário tirar um trauma de juventude. Quando se escreve um romance, ele é um fruto de sua experiência de vida. No momento da narração, descubro verdades desconhecidas para mim. O escritor irlandês Bernard Shaw dizia assim: ‘a melhor forma de mentir é contar a verdade’. Não percebemos o quanto a vida é curta, mas ela é uma coisa muito séria. Não podemos apenas brincar de viver”.

    A versão eletrônica pode ser adquirida na internet. Já a o livro físico estará disponível no lançamento.

    Leia um trecho da obra em primeira mão:

    I wonder why. Eu não sei por quê, não entendo qualquer motivo ou razão, inclusive a mais absurda, eu não sei por que acabo de comprar um disco de Ella Fitzgerald, o long-play Ella, de 1969. Eu não tenho nem mesmo um toca-discos para ouvi-la. Mas que felicidade dá nos lábios, feito um menino com um chocolate que não poderá comer, mas ainda assim feliz pelo cheiro e textura do chocolate. É inexplicável que eu esteja feliz quando encontro Luiz do Carmo em frente ao Cine São Luiz, que ao me ver exibindo a capa de Ella, pergunta:

    - Você tem vitrola para ouvir o disco?

    - Eu não tenho, mas quando tiver uma, já tenho Ella Fitzgerald.

    Na hora, estamos com 19 anos, não temos ainda a maturidade da expressão verbal para o sentimento, apenas possuímos uma timidez que atrapalha até o pensamento em silêncio. O que não disse ali é isto: quero ter Ella comigo, acariciar a sua capa (que pobreza, meu Deus, dói até a lembrança neste instante). Quero antegozar a sua voz, a doçura que apenas ouvi por segundos e me derrubou num encanto, lá na Aky Discos. Quero prelibar a sua canção, encontrando-a junto a meu peito. Por quê, I wonder why? Porque, uma simplificação diria, quando o detalhe material do toca-discos chegar, eu já estarei com o disco ideal para o suporte da mercadoria. Ou num paradoxo, se o toca-discos é inacessível, eu tenho o disco de Ella, que não posso ouvir. Mas imaginá-lo, posso. Então acaricio feliz o potencial do que virá, ou viria, ou nunca, que importa, tenho Ella com a mesma certeza do apostador que vai à loja de roupas antes de comprar um bilhete na loteria.

    Leia a apresentação do romance:

    Um sonho que a repressão não destrói

    Por José Carlos Ruy

    Um dia desses, conversando com minha filha, uma moça de 21 anos que estuda Letras, ela me falava, contrariada, de tantas moças e rapazes (e movimentos e artistas “jovens”) que parecem envelhecidos pela recusa a correr riscos, e pela vontade de ter todas as garantias e segurança que a sociedade oferece. São jovens na idade, mas não no coração, dizia ela.

    Esta lembrança me ocorre no momento em que escrevo a “apresentação” a este livro extraordinário a que Urariano Mota deu um título preciso: A mais longa duração da juventude. Um relato ficcional amplamente ancorado na memória dos jovens que, por volta de 1970, resistiam à ditadura no Recife, como tantos outros Brasil afora. E traziam inscrito em sua bandeira, com letras de um vermelho flamejante: “revolução e sexo”. Nesta ordem, adverte Urariano.

    Rapazes e moças que, por volta de seus vinte anos, viviam às voltas com as agruras da luta política e revolucionária, e os ardores do sexo que despertava. Agruras e ardores narrados com a precisão de acontecimentos “de ontem”, que continuam presentes, quase meio século depois, com a mesma e intensa realidade do brilho das estrelas de que conhecemos somente a luz que cruzou milhares de anos-luz, estrelas que talvez nem existam mais no momento em que sua imagem nos alcança.

    A luz dessas estrelas é semelhante ao sonho que, hoje, meio século mais tarde, aqueles jovens ainda sonham mesmo que seus corpos já não tenham a força dos vinte anos. Mas o viço e o vigor do sonho permanecem. E fazem mais longa a duração da juventude.

    Urariano Mota sabe do que trata. Autor de tantos livros, entre os quais se destacam Soledad no Recife (2009) e O filho renegado de Deus (2013), tecidos com o relato do vivido e do trágico (sobretudo Soledad no Recife) junto com o imaginado (como em O filho renegado de Deus) Urariano sabe como poucos mesclar memória e ficção. E de tal maneira as confunde na textura da escrita que, nela, o real vira imaginado, e o imaginado assume as formas do real. E o tempo funde as duas pontas do relato, entre o passado e o presente. Fundidos por uma reflexão fina, ligada – para dizer como se dizia há quase meio século – pela análise concreta de situações concretas.

    Não é filosofia, quer Urariano. Mas é reflexão fina, humanamente fina e que tem o dom de trazer à vida, com seus matizes, os debates com que aqueles jovens de esquerda, revolucionários, desenhavam seu futuro, o futuro de todos, do país e da humanidade.

    Sonho que levou o garoto de 1969 a comprar um disco de Ella Fitzgerald onde poderia ouvir I wonder why, se tivesse vitrola (palavra antiga para toca-discos, também antiquada no tempo dos igualmente em superação cd players). Não importa que não tivesse! Teria, um dia, e ouviria a cantora cuja voz amava. Sonho semelhante ao que tantos anos depois, quando já não existia a ameaça da repressão ditatorial, queria uma bandeira do Partido Comunista do Brasil para envolver o caixão do amigo morto.

    Sonho de abnegação, igualdade, de liberdade, de justiça para todos, de desapego perante os bens materiais e construção de um mundo novo, socialista.

    Sonho embargado pela memória cruel da sordidez da delação do infame Cabo Anselmo, que levou Soledad e tantos outros à morte na tortura ou pelas balas da repressão da ditadura.
    Nesta permanência da juventude não há, como há em Goethe, nenhum pacto com o demônio, como aquele pelo qual o poeta buscou a garantia da juventude permanente.

    Não. Há o sonho fincado na herança Marx, Engels, Lênin, Mao Tse Tung, Ho Chi Minh, Che Guevara e tantos outros. Povoado por Turguêniev, Dostoievski, Tolstoi, Proust, Jorge Amado, Graciliano Ramos, Manoel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade e também tantos outros.
    “Eu não sou um velho. Aliás, nós não somos velhos”, diz um diálogo neste livro maravilhoso. “Eu sei. O tesão de mudar o mundo continua”.

    É o resumo escrito, lembrado, do sonho. Sonho que os jovens de meio século atrás ainda sonham. Como Vargas, Zacarelli, Luíz do Carmo, Nelinha, Alberto, Soledad, a turma toda.

    Este é um livro que une, com a arte da memória, 1970 e 2016 – se fosse possível fixar parâmetros tão fixos... É um livro que olha o passado não pelo retrovisor que encara o acontecido faz tanto tempo. É um livro que faz do passado os faróis que iluminam o caminho do futuro. E reduz a distância no tempo revivendo, tanto tempo depois, a mesma luta que uniu, e une, tanta gente.
    Um sonho contra o qual a barbárie e a estupidez dos cabos anselmos da repressão da ditadura foi impotente. E não o destruiu. E que é a senha para a mais longa duração da juventude.

    Fonte: Fundação Maurício Grabois

  • A Fundação Maurício Grabois realiza o Seminário Bicentenário de Karl Marx: Desbravar um mundo novo no século XXI, neste sábado (19) das 9h às 20h30, no Novotel Jaraguá (Rua Martins Fontes, 71, centro, São Paulo).

    O pensador e revolucionário alemão Karl Marx (1818-1883) significa um divisor de águas no pensamento humano com a criação da dialética materialista. De acordo com os organizadores “as exposições e os debates irão focar a atualidade do marxismo para a interpretação e transformação do mundo na contemporaneidade”.

    Confirme a presença pela página oficial do evento no Facebook.

    Confira a programação completa:

    9h: Abertura

    Luciana Santos, presidenta nacional do PCdoB

    Renato Rabelo, presidente da Fundação Maurício Grabois

    10h: Primeira Mesa

    Análise marxista das crises do capitalismo e da ordem do sistema internacional

    Expositores: Frederico Mazzucchelli, economista, professor da Unicamp; Luis Fernandes, cientista político, professor da UFRJ e PUC-RJ

    Coordenação: Madalena Guasco Peixoto, professora, diretora do Centro de Educação PUC-SP

    12h30: Encerramento. Intervalo almoço

    14h: Segunda Mesa

    Marxismo: uma nova consciência do mundo. Marxismo e movimentos sociais

    Expositores: Dermeval Saviani, professor emérito da Unicamp; Andréia Galvão, professora de Ciência Política da Unicamp

    Coordenação: Flávia Calé, mestranda em História pela USP

    16h45: Encerramento

    17h: Terceira Mesa

    O Projeto Mega e a construção de uma biografia intelectual de Marx

    Expositor: Michael Heinrich, cientista político alemão, pesquisador do Projeto Mega

    Coordenação: Fábio Palácio, professor do Departamento de Comunicação da UFMA

    18h: Encerramento

    Coquetel comemorativo dos 10 anos da Fundação Maurício Grabois e sessão de autógrafos dos livros:

    1) Desbravar um mundo novo no século XXI (. Vários autores. Anita Garibaldi/Fundação Maurício Grabois;

    2) Karl Marx e o nascimento da sociedade moderna: biografia e evolução de sua obra (volume I) Michael Heinrich, Boitempo.

    20h30: Término das atividades

    Serviço:

    “Seminário Bicentenário de Karl Marx: Desbravar um mundo novo no século XXI”

    Data: 19 de maio (sábado)

    Horário: 9 horas às 20h30

    Local: Novo Hotel Jaraguá

    Endereço: Rua Martins Fontes, 71, São Paulo

    Portal CTB e Fundação Maurício Grabois