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18
Ter, Jun

Funk

  • A Furacão 2000, maior promotora de bailes funks do país, promete ocupar e sacudir a orla de Copacabana, no Rio de Janeiro, neste domingo (17) para acompanhar a votação do  impeachment e barrar esse golpe na jovem democracia brasileira. É a primeira vez que um baile funk de tamanhas proporções chega á zona sul da capital fluminense.

    Fundador da Furacão 2000, Rômulo Costa idealizou a manifestação e explicou que a sua expectativa é levar mais de 100 mil pessoas na orla. Para isso, conta com a presença maciça dos moradores de comunidades próximas, como Rocinha, Vidigal, Pavão Pavãozinho e Cantagalo.

    O funkeiro criticou o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha. “Temos um presidente ilegítimo para comandar o processo. O paraíso fiscal do Cunha, no Rio, é a Assembleia de Deus”, acusa Costa, que, apesar de evangélico e frequentador da Igreja Universal, tece fortes críticas ao modo como as igrejas são conduzidas, com isenção de impostos. “E os evangélicos de Brasília não me representam”.

    Costa também rechaçou as críticas ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e destacou as conquistas do governo do petista. “Ele tinha que morar em um prédio de dez andares na Vieira Souto, por tudo o que já fez pelo país”, disse.

    Largo da Batata ocupado em SP

    Em defesa da democracia, desde o domingo (10), artistas e representantes de movimentos sociais estão acampados no Largo da Batata, zona oeste, da capital paulista. Tem atração para todos os gostos. Acompanhe abaixo:

    Hoje (13)

    14h - Erickson (Apresentação + Oficina de circo) / Democracia e sociedade autoritária (Marilena Chauí e Maria Rita Kehl)
    14h15 - Multisambofônico (circo/música)
    15h - Tica Lemos (Oficina de dança + Performance)
    16h - Oficina Clube do Bordado / Comitês universidades / Filme + debate - Tatuagem - Dir. Hilton Lacerda
    17h - Lucas Weglinski
    17h40 - Leitura do Manifesto
    18h - Da Lua (Nação Zumbi)
    19h - Rafael Castro / Resistência! Contra o golpe e por novas saídas (Guilherme Boulos, Leonardo Sakamoto, Juca Kfouri e Anelis Assumpção)
    20h - Andre Whoong
    20h40 - KL JAY DJ Set
    21h - DJ Craca + Dani Nega
    22h – Rashid

    Quinta-feira (14)

    12h - Felipe Antunes
    13h - Meno Del Picchia
    14h - Guilherme Kastrup
    15h - Rincon Sapiência
    16h - Chico Salem / Filme + debate - Verdade 12.528 - Dir. Paula Sacchetta
    16h40 - Virada de palco - Baque e Atitute/ Maracatu no solo
    17h - Tiê
    17h40 - Leitura do Manifesto / Virada de palco - Baque e Atitute/ Maracatu no solo
    18h - Guizado
    18h40 - EU EM TI | Sandro Borelli com a Cia Carne Agonizante (dança) com trilha
    19h - Anelis Assumpção
    20h - Lira
    21h - Tulipa Ruiz
    21h40 - Fuzarca Feminista
    22h - BNegão Trio
    23h - Bixiga 70

    Sexta-feira (15)

    14h - Luis Ferron e Dani Dini (dança)
    15h - Sandra Miyazawa | performance
    16h - Ensaio Aberto - Penélope Cia de Teatro / Filme O rap do pequeno príncipe contra as almas sebosas - Dir. Paulo Caldas
    17h - Vivendo do Ocio GRUA (Gentleman de Rua) Cia J.Garcia (dança)
    17h40 - Leitura do Manifesto / Tata Aeroplano DJ SET
    18h - Naná Rizinni
    19h - Aeromoças e Tenistas Russas
    20h - Renascentes / Sérgio Vaz + Binho
    21h - Tape & Scandurra (EST)
    22h – Jaloo

    Sábado (16)

    10h - Isadora Canto - Oficina
    11h - Isadora Canto - Oficina / Cultura e novas narrativas democráticas (Márcia Tiburi, Leticia Sabatella, Tata Amaral)
    13h - MC Soffia (15min)
    15h - Thiago Samba
    16h - Filme + Debate Hoje eu quero voltar sozinho - Dir. Daniel Ribeiro/ Samba de Roda | Rodrigo Campos, kastrup, Jorge Chamon, Da Lua, Roseno, Kiko Dinucci + meninas Ilú Obá de Min
    17h - Maglore
    17h40 - Leitura do Manifesto
    18h - Mauricio Pereira
    18h40 - Bárbara Eugênia DJ Set
    19h - Nobrega
    20h - Black Alien
    22h - Felipe Cordeiro
    23h - Peixe Elétrico

    Portal CTB com informações do jornal O Dia e Catraca Livre

  • Mais uma violência contra as mulheres brasileiras. Na sexta-feira (3), MC Biel, de 20 anos, foi acusado de assédio sexual, insinuando vontade de estuprar a uma repórter do portal iG, que lhe entrevistava. Áudios e textos divulgados pelo portal complicam a vida do funkeiro paulista.

    O boletim de ocorrência foi feito na 1ª Delegacia da Mulher de São Paulo. Segundo a matéria publicada pelo iG, o diálogo foi gravado em áudio e vídeo, e o conteúdo já foi entregue à polícia.

    Apesar de tão jovem, é acusado de chamar a jornalista de “gostosinha” e teria dito que “se eu te pego, te quebro no meio”, bem ao estilo do ator pornô – promovido a conselheiro educacional do governo golpista – Alexandre Frota, que faz escola.

    A secretária da Mulher Trabalhadora da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil em São Paulo (CTB-SP), Gicélia Bitencourt, afirma que essas agressões misóginas acontecem por que “a situação política e o machismo secular da sociedade brasileira contribuem para isso”.

    Para ela, “o cantor parece ter arrumado uma maneira de aparecer na mídia, que dá muito espaço para atitudes desse tipo e apresenta as mulheres como meros objetos”. 

    “Parece que após o afastamento temporário da presidenta Dilma e a posse do governo golpista com Michel Temer na presidência, parece que todas as políticas voltadas para os direitos da classe trabalhadora e o respeito às pessoas caiu por terra”, reforça.

    Nesta terça-feira (7), o portal iG publicou o que Biel disse, inclusive com áudio e vídeo, que complica a vida do cantor. Um jornalista do Portal da Música, postou em sua página no Facebook, onde relata outro caso de assédio sexual envolvendo o funkeiro como outra repórter. Para quem, ele teria dito: “não quer fazer (a entrevista) no meu colo?”.

    Segundo o iG, o jornalista escreveu que Biel se mostrava solícito e humilde, mas “o que me assusta, é a brusca mudança em seu comportamento diante das câmeras em menos de um ano. A incessante tentativa de se posicionar como hétero e pegador. As piadas machistas e sem cabimento com qualquer figura feminina que tentou entrevistá-lo. E o orgulho do pai nisso tudo”.

    Biel diz que tudo foi um “mal-entendido”, que não passou de “brincadeira”. Isso mostra que “a cultura do estupro é tão marcante em nossa sociedade que os rapazes tratam o tema com brincadeira, mas uma brincadeira que deixa marcas para toda a vida das mulheres”, ataca Ivânia Pereira, secretária da Mulher Trabalhadora da CTB Nacional.

    biel

    Os reflexos dessas “brincadeiras”, segundo Ivânia, “são os altos índices de violência contra as mulheres”. Ela se refere aos dados oficiais de que uma mulher é estuprada a cada 11 minutos, apenas dentre os casos denunciados. Mas há estudos que apontam que esse número é muito superior.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy. Foto: Rosa Rovena/Agência Brasil

  • MC Carol 100% feminista (crédito: Raquel Abe)

    "O preconceito com funk é uma ignorância. É porque o funk veio da comunidade. Até um tempo atrás, MCs e DJs eram parados pela polícia, perdiam equipamento, eram vistos como bandidos", diz MC Carol à BBC Brasil (leia a íntegra aqui) que destaca vida e obra da artista.

    A funkeira de Niterói (RJ) conta a sua vida e como superou os preconceitos que sofreu desde criança por ser negra, pobre e gorda. "Sofri um pouquinho na escola. Mas nada de chorar, de ficar deprimida… eu saía na porrada, apanhava e batia. Fui criada assim”.

    Além disso, ela já entrou em salas de aula com a sua música "Não foi Cabral", onde afirma que o Brasil não foi descoberto pelo navegador português, porque já haviam milhões de indígenas nestas bandas.

    Ouça "Não foi Cabral" 

    Carolina de Oliveira Lourenço tem 23 anos e abraçou o funk como MC Carol e já tem inúmeros sucessos em sua carreira. Tanto que somente em sua página de Facebook conta com cerca de 300.000 seguidores.

    Ela diz em entrevista ao jornal "O Dia" que não faz música do nada. “Quando não tem algo interessante na minha vida, foco na dos outros”. Seus primeiros sucessos surgiram dessa forma. “Minha vó ta maluca”, sobre a sua avó, “Jorginho me empresta a 12”, dedicada a uma amiga e sobre uma vizinha que queimava o lixo perto de sua casa, “Minha vizinha é louca”.

    Mas a MC Carol se destacou na mídia por sua atitude altiva e por enfrentar o preconceito e se tornar símbolo de beleza, numa sociedade onde o padrão predominante é o estilo boneca Barbie, loira e magra.

    A funkeira despontou para valer com a bela canção “100% feminista”, em parceria com a funkeira paranaense Carol Conka.

    Os versos iniciais dizem: “Presenciei tudo isso dentro da minha família/Mulher com olho roxo, espancada todo dia/Eu tinha uns cinco anos, mas já entendia/Que mulher apanha se não fizer comida/Mulher oprimida, sem voz, obediente/Quando eu crescer, eu vou ser diferente”.

    "100% feminista" 

    Sobre isso ela fala à BBC que ainda criança via a tia apanhar do marido e ficou sabendo que com sua avó não era diferente, então, "para mim, em um casamento, alguém sempre tinha que bater e alguém sempre tinha que apanhar". Por isso, diz ela, reagia sempre na porrada, inclusive contra namorados que excediam.

    Essa canção teve mais de meio milhão de visualizações no YouTube em apenas uma semana e pôs MC Carol no cenário artístico brasileiro. Virou garota-propaganda da Avon e se viu transformada em modelo de beleza na TV.

    Ela diz que ficou feliz com isso porque ao ligar a TV só vê "loira, magra de cabelo liso… Cara, que autoestima eu vou ter de sair na rua? Quando eu entro em uma loja e não acho roupa do meu tamanho, um short do meu tamanho… isso é um preconceito indireto. Quer mostrar para mim que eu sou anormal."

    Uma de suas postagens mais curtidas no Facebook traz uma foto em que uma mulher acima do peso pratica ioga (foto abaixo). O texto diz: "Quero apenas provar que ser gorda não é sinal de depressão, limitação ou qualquer outra coisa negativa!"

    Mc Carol postagem

    Ela defende o gênero musical que adotou ao afirmar que "o funk representa trabalho. O tráfico abraça as pessoas na favela. E digo por mim mesma: o que seria de mim hoje? Eu poderia estar até morta se não cantasse. E o funk é a nossa voz, a gente pode botar a boca no trombone, estar na televisão, jornais, redes sociais… falar o que acontece lá, na comunidade".

    Agora, MC Carol desponta nas redes sociais com a canção “Delação premiada”, onde denuncia as mazelas do capitalismo e o preconceito forjado no país desde que era colônia de Portugal, muito para justificar a escravidão dos seres humanos trazidos da África.

    “Três dias de tortura numa sala cheia de rato/É assim que eles tratam o bandido favelado/Bandido rico e poderoso tem cela separada/Tratamento VIP e delação premiada”, diz parte da letra da música.

    "Delação premiada" 

    A artista ressalta seu orgulho por ser "uma mulher forte”’, mais diz que “não sabia o que era, mas eu tinha uma parada dentro de mim do tipo: não abaixe a cabeça para ninguém. Nunca aceitei meu lugar de mulher no mundo". O lugar a que ela se refere é o da submissão.

    São Paulo Fashion Week

    Ela fala também da novidade dos desfiles da São Paulo Fashion Week deste ano por conta da grife Lab, de Emicida e seu irmão Fióti, ambos rappers. “Hoje é o dia da favela invadir a São Paulo Fashion Week”, grita Emicida no início do desfile de sua marca.

    A grife dos rappers levou à tradicional mostra de moda, uma gama de modelos que fogem do padrão europeu de beleza. A maioria é de negros e também há dois modelos gordos.

    Os cantores Ellen Oléria e Seu Jorge desfilaram para o amigo Emicida (foto abaixo).

    SPFW Lab ellen seujorge

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

  • MC Carol 100% feminista (crédito: Raquel Abe)

    "O preconceito com funk é uma ignorância. É porque o funk veio da comunidade. Até um tempo atrás, MCs e DJs eram parados pela polícia, perdiam equipamento, eram vistos como bandidos", disse MC Carol à BBC Brasil (leia a íntegra aqui) que destaca vida e obra da artista.

    A funkeira de Niterói (RJ) conta a sua vida e como superou os preconceitos que sofreu desde criança por ser negra, pobre e gorda. "Sofri um pouquinho na escola. Mas nada de chorar, de ficar deprimida… eu saía na porrada, apanhava e batia. Fui criada assim”.

    Além disso, ela já entrou em salas de aula com a sua música "Não foi Cabral", onde afirma que o Brasil não foi descoberto pelo navegador português, porque já haviam milhões de indígenas nestas bandas.

    Ouça "Não foi Cabral" 

    Carolina de Oliveira Lourenço tem 23 anos e abraçou o funk como MC Carol e já tem inúmeros sucessos em sua carreira. Tanto que somente em sua página de Facebook conta com cerca de 300.000 seguidores.

    Ela diz em entrevista ao jornal "O Dia" que não faz música do nada. “Quando não tem algo interessante na minha vida, foco na dos outros”. Seus primeiros sucessos surgiram dessa forma. “Minha vó ta maluca”, sobre a sua avó, “Jorginho me empresta a 12”, dedicada a uma amiga e sobre uma vizinha que queimava o lixo perto de sua casa, “Minha vizinha é louca”.

    Mas a MC Carol se destacou na mídia por sua atitude altiva e por enfrentar o preconceito e se tornar símbolo de beleza numa sociedade onde o padrão predominante é o estilo boneca Barbie, loira e magra.

    A funkeira despontou para valer com a bela canção “100% feminista”, em parceria com a funkeira paranaense Carol Conka.

    Os versos iniciais dizem: “Presenciei tudo isso dentro da minha família/Mulher com olho roxo, espancada todo dia/Eu tinha uns cinco anos, mas já entendia/Que mulher apanha se não fizer comida/Mulher oprimida, sem voz, obediente/Quando eu crescer, eu vou ser diferente”.

    "100% feminista" 

    Sobre isso ela fala à BBC que ainda criança via a tia apanhar do marido e ficou sabendo que com sua avó não era diferente, então, "para mim, em um casamento, alguém sempre tinha que bater e alguém sempre tinha que apanhar". Por isso, diz ela, reagia sempre na porrada, inclusive contra namorados que se excediam.

    Essa canção teve mais de meio milhão de visualizações no YouTube em apenas uma semana e pôs MC Carol no cenário artístico brasileiro. Virou garota-propaganda da Avon e se viu transformada em modelo de beleza na TV.

    Ela diz que ficou feliz com isso porque ao ligar a TV só vê "loira, magra de cabelo liso… Cara, que autoestima eu vou ter de sair na rua? Quando eu entro em uma loja e não acho roupa do meu tamanho, um short do meu tamanho… isso é um preconceito indireto. Quer mostrar para mim que eu sou anormal."

    Uma de suas postagens mais curtidas no Facebook traz uma foto em que uma mulher acima do peso pratica ioga (foto abaixo). O texto diz: "Quero apenas provar que ser gorda não é sinal de depressão, limitação ou qualquer outra coisa negativa!"

    Mc Carol postagem

    Ela defende o gênero musical que adotou ao afirmar que "o funk representa trabalho. O tráfico abraça as pessoas na favela. E digo por mim mesma: o que seria de mim hoje? Eu poderia estar até morta se não cantasse. E o funk é a nossa voz, a gente pode botar a boca no trombone, estar na televisão, jornais, redes sociais… falar o que acontece lá, na comunidade".

    Agora, MC Carol desponta nas redes sociais com a canção “Delação premiada”, onde denuncia as mazelas do capitalismo e o preconceito forjado no país desde que era colônia de Portugal, muito para justificar a escravidão dos seres humanos trazidos da África.

    “Três dias de tortura numa sala cheia de rato/É assim que eles tratam o bandido favelado/Bandido rico e poderoso tem cela separada/Tratamento VIP e delação premiada”, diz parte da letra da música.

    "Delação premiada" 

    A artista ressalta seu orgulho por ser "uma mulher forte”’, mais diz que “não sabia o que era, mas eu tinha uma parada dentro de mim do tipo: não abaixe a cabeça para ninguém. Nunca aceitei meu lugar de mulher no mundo". O lugar a que ela se refere é o da submissão.

    São Paulo Fashion Week

    Ela fala também da novidade dos desfiles da São Paulo Fashion Week deste ano por conta da grife Lab, de Emicida e seu irmão Fióti, ambos rappers. “Hoje é o dia da favela invadir a São Paulo Fashion Week”, grita Emicida no início do desfile de sua marca.

    A grife dos rappers levou à tradicional mostra de moda, uma gama de modelos que fogem do padrão europeu de beleza. A maioria é de negros e também há dois modelos gordos.

    Os cantores Ellen Oléria e Seu Jorge desfilaram para o amigo Emicida (foto abaixo).

    SPFW Lab ellen seujorge

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

  • MC Carol 100% feminista (crédito: Raquel Abe)

    "O preconceito com funk é uma ignorância. É porque o funk veio da comunidade. Até um tempo atrás, MCs e DJs eram parados pela polícia, perdiam equipamento, eram vistos como bandidos", diz MC Carol à BBC Brasil (leia a íntegra aqui) que destaca vida e obra da artista.

    A funkeira de Niterói (RJ) conta a sua vida e como superou os preconceitos que sofreu desde criança por ser negra, pobre e gorda. "Sofri um pouquinho na escola. Mas nada de chorar, de ficar deprimida… eu saía na porrada, apanhava e batia. Fui criada assim”.

    Além disso, ela já entrou em salas de aula com a sua música "Não foi Cabral", onde afirma que o Brasil não foi descoberto pelo navegador português, porque já haviam milhões de indígenas nestas bandas.

    Ouça "Não foi Cabral" 

    Carolina de Oliveira Lourenço tem 23 anos e abraçou o funk como MC Carol e já tem inúmeros sucessos em sua carreira. Tanto que somente em sua página de Facebook conta com cerca de 300.000 seguidores.

    Ela diz em entrevista ao jornal "O Dia" que não faz música do nada. “Quando não tem algo interessante na minha vida, foco na dos outros”. Seus primeiros sucessos surgiram dessa forma. “Minha vó ta maluca”, sobre a sua avó, “Jorginho me empresta a 12”, dedicada a uma amiga e sobre uma vizinha que queimava o lixo perto de sua casa, “Minha vizinha é louca”.

    Mas a MC Carol se destacou na mídia por sua atitude altiva e por enfrentar o preconceito e se tornar símbolo de beleza, numa sociedade onde o padrão predominante é o estilo boneca Barbie, loira e magra.

    A funkeira despontou para valer com a bela canção “100% feminista”, em parceria com a funkeira paranaense Carol Conka.

    Os versos iniciais dizem: “Presenciei tudo isso dentro da minha família/Mulher com olho roxo, espancada todo dia/Eu tinha uns cinco anos, mas já entendia/Que mulher apanha se não fizer comida/Mulher oprimida, sem voz, obediente/Quando eu crescer, eu vou ser diferente”.

    "100% feminista" 

    Sobre isso ela fala à BBC que ainda criança via a tia apanhar do marido e ficou sabendo que com sua avó não era diferente, então, "para mim, em um casamento, alguém sempre tinha que bater e alguém sempre tinha que apanhar". Por isso, diz ela, reagia sempre na porrada, inclusive contra namorados que excediam.

    Essa canção teve mais de meio milhão de visualizações no YouTube em apenas uma semana e pôs MC Carol no cenário artístico brasileiro. Virou garota-propaganda da Avon e se viu transformada em modelo de beleza na TV.

    Ela diz que ficou feliz com isso porque ao ligar a TV só vê "loira, magra de cabelo liso… Cara, que autoestima eu vou ter de sair na rua? Quando eu entro em uma loja e não acho roupa do meu tamanho, um short do meu tamanho… isso é um preconceito indireto. Quer mostrar para mim que eu sou anormal."

    Uma de suas postagens mais curtidas no Facebook traz uma foto em que uma mulher acima do peso pratica ioga (foto abaixo). O texto diz: "Quero apenas provar que ser gorda não é sinal de depressão, limitação ou qualquer outra coisa negativa!"

    Mc Carol postagem

    Ela defende o gênero musical que adotou ao afirmar que "o funk representa trabalho. O tráfico abraça as pessoas na favela. E digo por mim mesma: o que seria de mim hoje? Eu poderia estar até morta se não cantasse. E o funk é a nossa voz, a gente pode botar a boca no trombone, estar na televisão, jornais, redes sociais… falar o que acontece lá, na comunidade".

    Agora, MC Carol desponta nas redes sociais com a canção “Delação premiada”, onde denuncia as mazelas do capitalismo e o preconceito forjado no país desde que era colônia de Portugal, muito para justificar a escravidão dos seres humanos trazidos da África.

    “Três dias de tortura numa sala cheia de rato/É assim que eles tratam o bandido favelado/Bandido rico e poderoso tem cela separada/Tratamento VIP e delação premiada”, diz parte da letra da música.

    "Delação premiada" 

    A artista ressalta seu orgulho por ser "uma mulher forte”’, mais diz que “não sabia o que era, mas eu tinha uma parada dentro de mim do tipo: não abaixe a cabeça para ninguém. Nunca aceitei meu lugar de mulher no mundo". O lugar a que ela se refere é o da submissão.

    São Paulo Fashion Week

    Ela fala também da novidade dos desfiles da São Paulo Fashion Week deste ano por conta da grife Lab, de Emicida e seu irmão Fióti, ambos rappers. “Hoje é o dia da favela invadir a São Paulo Fashion Week”, grita Emicida no início do desfile de sua marca.

    A grife dos rappers levou à tradicional mostra de moda, uma gama de modelos que fogem do padrão europeu de beleza. A maioria é de negros e também há dois modelos gordos.

    Os cantores Ellen Oléria e Seu Jorge desfilaram para o amigo Emicida (foto abaixo).

    SPFW Lab ellen seujorge

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

  • Este tema é um desafio dos mais oportunos para nós da UBM (União Brasileira de Mulheres), da corrente feminista emancipacionista, que defendemos que gênero e raça se realizam em uma estrutura de classe. E mais que características, gênero e raça são processos históricos pautados em hierarquias, opressões e explorações, que se corporifcam em relações sociais e modos como se é tratada/o em instituições diversas, no mercado de trabalho e pelo Estado. Os governos preocupados com bem-estar social e de orientação social democrata modelam políticas compensatórias, no entanto, se omitem de políticas redistributivas. Consideram a pobreza um grande mal e não as desigualdades sociais e a produção de riquezas para poucos.

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    Agora que o governo impostor se apossou do Estado brasileiro, até as políticas compensatórias estão em risco e com a PEC da maldade, que congela investimentos sociais por duas décadas, não vai ter nem como fscalizar a aplicação da lei Maria da Penha, o combate à violência contra as mulheres e os programas por uma educação não sexista. Com a chegada desta onda fundamentalista conservadora que proíbe até de se falar em gênero nas escolas, por considerar o tema uma “ideologia”, isso tudo já era.

    Mas o mundo se move e as mulheres se agitam. Voltando ao desafo: sim, existe um novo feminismo que está descendo da favela e, por vielas próprias, enfrentando a ordem capitalista patriarcal. É um feminismo que não equaciona o projeto do feminismo emancipacionista, que tem como frente mais imediata a emancipação política e como horizonte a emancipação humana. Identifca-se com o que vem sendo chamado de “feminismo negro”, advoga a interseccionalidade de raça, classe e gênero, insistindo que sexismo, racismo e situação de classe se realizam por opressões que se combinam. Angela Davis (foto), uma das precursoras deste feminismo, observa, a partir do ambiente de esquerda norte-americano, nos anos 1980:

    “As organizações de esquerda têm argumentado dentro de uma visão marxista e ortodoxa que a classe é a coisa mais importante. Claro que classe é importante. É preciso compreender que classe informa a raça. Mas a raça também informa a classe. E gênero informa a classe. A gente precisa refetir bastante para perceber as intersecções entre raça, classe e gênero. Ninguém pode assumir a primazia de uma categoria sobre as outras.”

    Um dos princípios básicos do feminismo é descolar do corpo, da materialidade das condições de vida das mulheres, muitas assujeitadas, dóceis e passivas, outras tendendo a rebeliões. Então primeiro há que se conhecer quem é a mulher da favela, suas condições de vida, aqui também englobando aquela nas áreas urbanas periféricas, os ditos ‘bolsões de pobreza’, e como ela vem se fazendo feminista, ou seja, lutando individual e coletivamente por direitos que desestabilizem hierarquias entre homens e mulheres e reivindicando políticas de Estado contra violências e condições infra-humanas de vida.

    Mães públicas

    Nas falas de mulheres jovens que afrmam orientação libertária: “Vou pro funk e fco com quem eu quero. O corpo é meu”. Junto dessa consciência moldes comunitários, tanto de ajuda mútua no cuidar dos flhos da vizinha ou de se unirem contra um marido violento, como as ações em movimento social. Vem chamando atenção as associações de mães de jovens mortos pela polícia que se unem para pedir justiça. O caso das mães públicas é um tipo singular de feminismo. Cito as Mães de Acari, que por quase 15 anos gritaram pelos corpos dos flhos, depois da chacina de Acari, em 1990, quando 11 jovens foram sequestrados, assassinados e sumidos por forças policiais, no Rio.

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    As Mães de Acari desencadearam um movimento internacional. Hoje são vários os movimentos de mães contra “o terrorismo de Estado”, a violência policial nas periferiase envolve o engajamento com a coisa pública, como a busca do corpo do flho morto e por justiça pelo assassinato legitimado pelo Estado. Sim há um feminismo que vem das favelas que se anuncia, em que os direitos do eu e do nós se acentuam e que há que se apoiar e seguir. Além
    do Complexo do Alemão, outros casos são registrados de um feminismo “por mim e por muitos”. Entre outros movimentos contemporâneos, cito as Mães de Maio, as Mães de Copacabana, as Mães do Rio. Mães públicas, mães de muitos.

    Por Mary Garcia Castro, socióloga e membro da União Brasileira de Mulheres (UBM). Foto: Geledés

    Texto publicado originalmente na revista Mulher de Classe número 6, de Abril de 2017.