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Ter, Jun

Hamilton Mourão

  • Por José Reinaldo Carvalho* no Jornalistas pela Democracia

    Na semana do tsunami, anunciado pelo próprio Bolsonaro, a luta política no Brasil mudou de patamar.

    A impressão que a semana deixou foi que transcorreram décadas. Quem está habituado aos solavancos da história, isto não é propriamente uma novidade. Há décadas em que não ocorre nada e há semanas que valem por décadas.

    Milhões de pessoas nas ruas de todo o Brasil, honradas com a designação presidencial de "militantes" (embora sua intenção fosse xingar), introduziram um fator novo na conjuntura: a pressão popular na forma do protesto de multidões contra as políticas do governo Bolsonaro, o protagonismo de quem trabalha e estuda.

    A mensagem foi clara e suficientemente forte, para ser entendida na Presidência da República, a ponto de transtornar seu titular, nos centros financeiros, no Parlamento e nos comandos militares, como um brado de insatisfação do povo brasileiro com as políticas em vigor, os ataques aos direitos do povo e o achaque à soberania nacional.

    O 15 de Maio foi o dia do basta. A experiência mostra que quando o povo começa a dizer NÃO inicia-se um novo ciclo político, uma nova etapa da luta, a preparação de um novo ascenso, no quadro de um processo prolongado de acumulação de forças. Uma retomada assim vale mais do que mil discursos e especulações.

    O Brasil vive uma crise profunda, cujo componente principal é a vigência de um governo de extrema-direita que vai mostrando sua fragilidade política e incapacidade. Um governo isolado, apartado do povo e perdido em escaramuças com o Legislativo.

    A crise acendeu o sinal amarelo nos poderes de fato. O impeachment passou a ser considerado algo natural, o próprio Bolsonaro o mencionou em entrevista em Dallas, os principais meios de comunicação publicaram editoriais ácidos, e estabeleceu-se uma nova unanimidade nacional, a de que este governo esgotou-se e não tem condições de continuar.

    Enquanto se aprofunda a crise do governo, a economia derrete, caminha ladeira abaixo para a depressão, e a crise social torna-se dramática. Quase 14 milhões de desempregados. Um cenário sombrio de uma nação que caiu no abismo.

    A resposta do presidente para demonstrar força, resiliência e capacidade de reação é um novo tsunami, com a reiteração de suas piores características de tirano.

    Bolsonaro ameaça o país com a instauração de uma ditadura, desdenha o congresso, ataca as instituições. Encastelado no seu clã, intolerante, incapaz de conviver com a oposição, chama de idiotas os manifestantes e convoca suas hordas às ruas, sabe-se lá com quantos milicianos na retaguarda. Sinaliza que somente através da tirania poderá garantir a governabilidade. Seus seguidores mais extremados prometem cerco ao Congresso, ao Judiciário e o desencadeamento de uma "revolução cidadã".

    O movimento popular não tem por que se intimidar e fugir da luta. As manifestações oposicionistas e os protestos não devem parar.

    A cara da ditadura se enfrenta com luta. O cenário político do país é de uma inevitável polarização que requer do polo progressista capacidade para unir amplas forças em torno da defesa da democracia, dos direitos sociais (Previdência) e da soberania nacional. Este último aspecto não pode ser contornado, porquanto o ministro Guedes, em estado de tchutchuca com furor entreguista, prometeu nos EUA vender tudo, até mesmo o Banco do Brasil e os palácios republicanos, desdenhando o fato de que não são propriedade do clã do seu chefe.

    Mas se há uma cara ditatorial e outra da luta, há também a do embuste.

    Ao vazio político deixado pelo descrédito e fracasso de Bolsonaro, a dupla Rodrigo Maia-Marcelo Ramos propõe resgatar o "protagonismo da Câmara", na verdade o protagonismo de um polo político que se vai consolidando - a oposição conciliadora e conservadora. Os dois decidiram juntar-se para elaborar um projeto "alternativo", "da Câmara", em que se troca seis por meia dúzia para cambiar a paternidade e o patrocínio da proposta de espoliação do povo que é a reforma da Previdência.

    Acima de tudo, diz o presidente da Comissão Especial da Reforma da Previdência, "é preciso proteger a pauta econômica da carga tóxica do governo".

    Mais: "Não é um novo projeto. O cronograma para a reforma está mantido. A questão é que como as alterações que a comissão fará são muito profundas, o que surgirá será um substitutivo que tem a cara da Câmara".

    A proposta "alternativa" com a "cara da Câmara" tem, e não é mera coincidência, o mesmo escopo da de Paulo Tchuchuca: confiscar R$ 1 trilhão de quem vive de pensões e aposentadorias para garantir que o governo Bolsonaro e os que lhe sucederão continuem pagando religiosamente a conta de juros para que o capital monopolista financeiro nacional e estrangeiro siga vivendo à tripa-forra, às expensas da miséria do povo brasileiro.

    Fica patente o embuste da alternativa política baseada na trama institucional encabeçada pela direita e centro-direita.

    Mais abstrusa ainda é a proposta de encontrar uma saída para a crise entregando o poder ao general da reserva Hamilton Mourão, vice-presidente. Mourão é a voz das catacumbas do regime ditatorial, modulada por um tom realista e pragmático, mas de sentido antidemocrático.

    A cara do embuste diz muito sobre o que seria o destino do Brasil sob a batuta dos defensores de tal política.

    São ilusórios os atalhos, seja dos que seguem o político Rodrigo Maia, seja os que batem continência ao militar de turno na vice-presidência.

    Em caso de crise institucional e governamental incontornável, não há saída possível fora da soberania popular.

    Atalhos não levarão à superação do regime do golpe, que começou em 2016 e teve continuidade com a eleição de Bolsonaro em 2018, nem a saída política para a crise do país virá dos protagonistas desse golpe.

    As forças progressistas estão desafiadas pela crise política aguda. Firmar um entendimento comum, formular uma plataforma de convergência e agir para pôr o movimento social nas ruas, serão já passos na direção do avanço da luta popular.

    Resistir e lutar contra a agenda de Bolsonaro, rechaçar sua ofensiva golpista, acumular forças com vistas à superação do ciclo de direita. O ajuste interno no campo conservador, incluindo a direção reacionária do congresso e as Forças Armadas não são alternativas válidas para o campo progressista.

    * Jornalista, pós-graduado em Política e Relações Internacionais, diretor do Cebrapaz – Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz. Integra o projeto Jornalistas pela Democracia

  • Por André Barrocal, na revista CartaCapital:

    Na sexta-feira, 3, o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Felipe Santa Rosa, participou de um evento em São Paulo e comentou: “Não tememos o ódio que tenta nos calar. Os protocolos das milícias das redes sociais não assustam os que resistiram aos porões da ditadura”.

    São milícias digitais bolsonaristas, vide os tiros virtuais no Congresso e no Supremo Tribunal Federal (STF), destinados a facilitar a vida do presidente Jair Bolsonaro. E não se importam de disparar contra o próprio Palácio do Planalto.

    Sua nova vítima é o chefe da Secretaria de Governo, Carlos Alberto dos Santos Cruz. O general aposentado foi alvo de pauladas no Twitter no domingo 5 e nome de uma das hashtags campeãs, #forasantoscruz. Irritado, foi reclamar com o presidente no Palácio da Alvorada durante o dia.

    Santos Cruz foi humilhado pelos radicais apoiadores do presidente. Foi chamado de “merda” pelo guru bolsonarista, Olavo de Carvalho. O vice-presidente, Hamilton Mourão, tinha sido tachado de “idiota” pelo “filósofo”. Até quando os militares do governo terão paciência e aceitarão a situação?

    Comandante do Exército até janeiro, hoje assessor especial do órgão de inteligência do governo, o GSI, o general Eduardo Villas Boas reagiu ao ataque do “filósofo” a Santos Cruz. Escreveu no Twitter que Carvalho demonstra “total falta de princípios básicos de educação, de respeito e de um mínimo de humildade e modéstia”. Que “acentua as divergências nacionais”. E que sofre de “vazio existencial”.

    Villas Boas apanhou de volta, outro general do governo a tomar bordoada do “filósofo”. “A quem me chama de desocupado não posso nem responder que desocupado é o cu dele, já que não para de cagar o dia inteiro”, disse Carvalho no Twitter, a arena por excelência do bolsonarismo, onde os robôs deitam e rolam.

    Alvo das milícias digitais, Santos Cruz coleciona embates com o bolsonarismo, Carvalho (chamara-o não faz muito de “desequilibrado” após umas pauladas) e o chefe da Comunicação Social do Planalto, Fabio Wajngarten. Este é, em tese, seu subordinado, mas tem relação íntima e direta com o clã Bolsonaro e estimula a ação ideológica clã. Para desespero do general.

    “O fanatismo atrapalha”, disse o general em entrevista ao Globo de 22 de abril, em que apontou que o governo Bolsonaro “tem os fanáticos que acham que podem influir de maneira radical, e aí atrapalha o todo”. E não se pense que o general é progressista é farda verde-oliva. “A ideologia de esquerda foi um câncer no Brasil da maneira como foi feita”, disse na mesma entrevista.

    Robôs

    As milícias digitais bolsonaristas funcionam mais ou menos assim: há pessoas encarregadas de produzir conteúdo, gente conhecida como Olavo de Carvalho e os filhos de Bolsonaro, Carlos à frente. E robôs encarregados de disseminar o conteúdo maciçamente, a fim de influenciar a opinião pública. Esse é o modelo que tem sido investigado em um inquérito do STF.

    O pretexto das milícias para alvejar Santos Cruz no domingo 5 foi a defesa recente feita por ele de alguma regulação da mídia. “Tem de ser feito. Mas tem de usar com muito cuidado, para evitar distorções, e que vire arma nas mãos dos grupos radicais, sejam eles de uma ponta ou de outra. Tem de ser disciplinado, até a legislação tem de ser aprimorada, e as pessoas de bom senso têm de atuar mais para chamar as pessoas à consciência de que a gente precisa dialogar mais, e não brigar.”

    O general parecia se referir justamente às milícias e aos efeitos delas sobre a vida pública. Nada a ver com regulação da mídia defendida pelo PT, que se propõe a democratizar a disseminação de conteúdo. Os bolsonaristas virtuais, porém, juntaram tudo num mesmo saco e atacaram.

    “Controlar a internet, Santos Cruz? Controlar a sua boca, seu merda”, escreveu Olavo no Twitter. Recorde-se: quando Bolsonaro foi aos Estados Unidos, em março, Olavo chamou Mourão de “um cara idiota” e logo em seguida foi saudado pelo presidente com um de seus “grandes inspiradores”.

    Os irmãos Carlos e Eduardo Bolsonaro e o ministro da Justiça, Sergio Moro, foram para o pau também contra Santos Cruz. Até o presidente meteu a colher. “Em meu governo a chama da democracia será mantida sem qualquer regulamentação da mídia, aí incluída as sociais. Quem achar o contrário recomendo um estágio na Coreia do Norte ou Cuba”, escreveu no Twitter.

    É mais um cala-boca público de Bolsonaro em Santos Cruz. No fim de abril, o presidente mandou cancelar a veiculação de uma campanha publicitária do Banco do Brasil que mostrava negros e mulheres. Dias antes, a Secom, por ordem de Wajngarten, havia enviado um e-mail aos ministérios e estatais com uma ordem: toda publicidade teria de ser submetida ao Planalto previamente.

    Santos Cruz divulgou um comunicado público sobre a ordem, um dia após Bolsonaro proibir a campanha do Banco do Brasil. “A Secretaria de Comunicação, ao emitir o e-mail, não observou a Lei das Estatais, pois não cabe à administração direta intervir no conteúdo da publicidade estritamente mercadológica das empresas estatais.”

    Um dia depois, Bolsonaro foi questionado por jornalistas sobre a contra-ordem de Santos Cruz e deixou claro que só aceita auxiliar que pense igual. Ou seja, que valia a ordem de Wajngarten. “Por exemplo, meus ministros. Eu tinha uma linha, armamento. Eu não sou armamentista? Então ministro meu ou é armamentista ou fica em silêncio. É a regra do jogo”, disse o ex-capitão.

    Não foi o primeiro choque entre Santos Cruz e Wajngarten. O general vetou uma primeira versão de uma campanha publicitária preparada por Wajngarten para convencer a população a engolir a reforma das Previdência. Estava na verdade aborrecido porque a campanha não tinha passado por ele, general.

    Quando o general deu seu aval, Carlos Bolsonaro comentou no Twitter: “Depois de quase cinco meses! Isso é uma piada”. Ele referia-se ao tempo de governo, não de gestão Wajngarten, no cargo apenas desde o início de abril.

    As milícias digitais serão um bom tema para discussão em um seminário internacional que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) promoverá dias 16 e 17, com apoio da União Europeia, intitulado “Fake News e eleições”.

  • Em áudios vazados, Bolsonaro já havia demonstrado apoio a aliados que estão atacando o vice nas redes sociais

    Em guerra declarada contra o vice, Hamilton Mourão (PRTB), Jair Bolsonaro (PSL) tem evitado rusgas públicas, enquanto terceiriza os ataques. Nos bastidores, no entanto, o capitão não esconde a insatisfação com o general e disse a aliado que tem “engolido em seco” os movimentos e declarações de Mourão, segundo informações da coluna de Lauro Jardim, na edição desta segunda-feira (22), do jornal O Globo.

    A batalha velada veio à tona neste domingo (21) com o vazamentos de áudios que apontam que Bolsonaro atua para derrubar Mourão, estimulando aliados a atacar o vice, alçado à política pelo Partido Renvador Trabalhista Brasileiros (PRTB), do ex-presidenciável Levy Fidélix.

    Segundo Lauro Jardim, que teve acesso aos áudios, Bolsonaro tem incentivado alguns de seus líderes a criticarem seu vice. Em uma das gravações de WhatsApp, Bolsonaro lança algumas de suas marcas registradas verbais (“valeu aí” e “é isso aí”) para agradecer e, ainda, incentivar um aliado que lhe informara que vinha criticando Mourão nas redes sociais.

     

    Com informações de revistaforum.com.br

  • O “Relatório Reservado”, publicação carioca que conta com fontes bem informadas, informa que o presidente trapalhão, que só fala e faz bobagens, já está senso submetido a uma tutela militar liderada pelo vice Mourão. Mas isto, de acordo com o veículo, é apenas o primeiro passo para afastar de vez o capitão tresloucado da extrema direita da Presidência. “Mourão está pronto para assumir”, diz o relatório. Leia abaixo na íntegra:

     

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  • O filho de Jair Bolsonaro, Eduardo conseguiu essa façanha. Para conferir basta digitar 432% no Google e ver que o patrimônio do deputado federal, candidato à reeleição, cresceu essa cifra em quatro anos.Esse índice exorbitante está nas declarações de bens dele no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

    Em 2014, quando se elegeu pela primeira vez, o parlamentar tinha declarado à Justiça Eleitoral R$ 205 mil em bens. Este ano, o candidato declarou um patrimônio de R$ 1,395 milhão – um aumento de 432%.

    Por isso, a frase “digite no Google 432%” se espalha pelas redes sociais desde a segunda-feira (1º). Infelizmente não se trata de nenhuma proposta sobre aumento de salários. Mas você conseguiria imaginar um ganho desse porte?

    Quantos anos, as trabalhadoras e trabalhadores precisariam trabalhar para conseguir um aumento desses? Incalculável. Mesmo porque, enquanto o general da reserva Hamilton Mourão quer acabar com 13º salário, a família de Bolsonaro enriquece na política.

    O super enriquecimento, não se restringe a Eduardo. Desde 2006, Jair Bolsonaro aumentou sua riqueza em 168% e o deputado estadual Flávio Bolsonaro aumentou em 55%, em oito anos.

    As declarações de bens de todos os candidatos nas eleições de 2018 podem ser conferidas na íntegra no site do TSE.

    Portal CTB

  • Morte à Princesa Isabel, se ouviu na FIE P*!

    O presidente da FIE P*, o empresário de galpão Paulo Skaf - enquanto não vai em cana - teve que transferir o evento com o vice Mourão para um palco maior: do auditório de 300 lugares para um teatro, com 700.

    Mourão não podia ser mais claro: vai arrochar o salário mínimo, essa "vaca sagrada":

    "Um dos nossos principais economistas diz que temos que lidar com aquilo que ele chama das vacas sagradas. Elas vêm desde lá de trás e até hoje são responsáveis por muitos dos nossos problemas", disse Mourão, mencionando em seguida o salário mínimo e a reforma da Previdência. "O salário mínimo não é mínimo. Governos anteriores aumentaram além da inflação e produziram uma contradição, onde as classes mais favorecidas recebem mais do que as menos favorecidas", disse.

     

    pha

    FIE P* Este Conversa Afiada chama a FIESP de FIE P. Sem o "s". É uma tentativa de identificar o verdadeiro propósito da campanha da FIE P contra a CPMF. Apagar o "S" de "$".

     

    Fonte: conversaafiada.com.br

  • O general da reserva Hamilton Mourão, candidato a vice-presidente na chapa da extrema-direita ao lado de Jair Bolsonaro, afirmou em uma palestra no Sindicato da Habitação (Secovi), em São Paulo, nesta segunda-feira (17), que famílias “sem pai e avô” formam “fábricas de desajustados”.

    Esquece o general Mourão que, em 2016, o Conselho Nacional de Justiça divulgou que existem no Brasil, 5,5 milhões de crianças sem o nome do pai na certidão de nascimento, com base no Censo Escolar de 2011.

    “A partir do momento que a família é dissociada, surgem os problemas sociais que estamos vivendo e atacam eminentemente nas áreas carentes, onde não há pai nem avô, é mãe e avó. E por isso torna-se realmente uma fábrica de elementos desajustados e que tendem a ingressar em narco-quadrilhas que afetam nosso país”, disse Mourão.

    “Ledo e Ivo engano”, diria Luis Fernando Verissimo. A pesquisa Retrato das Desigualdades de Gênero e Raça,desmente o general extremista. De acordo com o levantamento feito pelo  Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o número de lares chefiados por mulheres passou de 23%, em 1995 para 40%, em 2015.

    O Censo 2010, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostra que 38,7% dos quase 58 milhões de domicílios, já eram chefiados por mulheres. “Visão totalmente fora da realidade desse general", diz Celina Arêas, secretária da Mulher Trabalhadora da CTB. "Qualquer pessoa que almeja dirigir um país, precisa ter bom senso".

    Para ela, “todo o discurso da candidatura da extrema-direita se baseia no ódio e na discriminação, sem a menor preocupação com a realidade”, complementa. “É incrível que em pleno século 21, ainda prevaleçam visões deturpadas, baseadas no ódio de classe, no sexismo e racismo”.

    Outro estudo, com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), do IBGE,  sobre o tema mostra que o número de lares chefiados por mulheres teve um aumento de 105% em 15 anos.

    O levantamento elaborado pelos demógrafos Suzana Cavenaghi e José Eustáquio Diniz Alves, sob a coordenação da Escola Nacional de Seguros, mostra que em 2001, 14,1 milhões de casas tinham a mulher como principal referência e em 2015 esse número passou para 28,9 milhões.

    Ainda, de acordo com o IBGE, no primeiro trimestre deste ano, a taxa de ocupação dos homens estava em 63,6% e as mulheres ocupadas representavam 44,5%. “Isso porque a crise vem se agravando com o desgoverno Temer e as mulheres são  as primeiras a perder o emprego”, afirma Celina. Além de as mulheres ganharem em média quase 1/3 a menos que os homens.

    A sindicalista lembra que cresce a participação das mulheres no mercado informal de trabalho. Como mostra levantamento do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o número de mulheres trabalhando como vendedoras ambulantes cresceu 55,5%, entre 2015 e 2017.

    "Diversos estudos comprovam que as mulheres estudam mais,trabalham mais, ganham menos e têm sobre os seus ombros as tarefas domésticas e a criação das filhas e filhos", define.

    Marcos Aurélio Ruy - Portal CTB. Foto: Suamy Beydoun/Agif/Estadão Conteúdo

  • Dias atrás, em reunião na Fiesp, o general Mourão desceu a lenha na política de valorização do salário mínimo, uma conquista da luta unificada das centrais, consagrada no governo Lula - que melhorou a vida de milhões de brasileiros pobres, sobretudo aposentados rurais - que o governo Bolsonaro quer liquidar. O vice do capitão foi efusivamente aplaudido por uma plateia de 700 empresários que não gostam do cheiro do povo e ainda sonham com o retorno da escravidão.
    Atacar o Salário Mínimo está se transformando numa especialidade macabra dos militares. A ditadura dos generais, instalada em 1964 com apoio dos EUA e do empresariado, promoveu provavelmente o mais duro arrocho da nossa história. O valor do Salário Mínimo alcançaria R$ 2,5 mil se o país não tivesse passado pelo pesadelo do regime militar, que torturou, matou, amordaçou os sindicatos, prendeu e perseguiu milhares de trabalhadores e trabalhadoras para aplastar a resistência do povo ao retrocesso.
    Veja o vídeo produzido pela Agência Sindical:

     

  • O salário mínimo dos brasileiros poderia ser ainda menor sem a atual política de valorização, implantada em 2004 no governo Lula, como ressalta o diretor técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Clemente Ganz Lúcio. Atacado nessa terça-feira (26) pelo vice-presidente, Hamilton Mourão, que vê o reajuste anual calculado a partir da variação do Produto Interno Bruto (PIB) e pela inflação do ano anterior como uma “punição” aos empresários, o salário mínimo poderia ser de R$ 573, ante o valor atual de R$ 998.
    “Há um aumento de R$ 425 decorrente da política de valorização do salário-mínimo, justamente esse aumento que o vice-presidente critica”, afirma o diretor técnico em entrevista à jornalista Marilu Cabañas, da Rádio Brasil Atual.
    Pela proposta de Mourão, a manutenção do valor básico aconteceria a partir da correção da inflação, a despeito do fato de o salário mínimo no Brasil ainda estar distante do valor considerado ideal, como indica o Dieese. De acordo com a entidade, o piso nacional deveria ser de R$ 3.960,57, valor estimado para suprir as necessidades básicas de uma família de quatro pessoas.
    Clemente defende a manutenção da política de valorização como fundamental para que o salário mínimo cresça e esteja mais próximo do que garante a Constituição. "(A manutenção da política atual) faz a economia crescer, enfrenta as desigualdades, diminui as injustiças e faz com que a economia tenha uma dinâmica mais produtiva", pontua o especialista do Dieese, acrescentando que em abril, quando o governo deverá encaminhar as diretrizes para o orçamento da União de 2020, será possível saber se a intenção do governo de Jair Bolsonaro pela revisão se confirmará.
     
    Fonte: ctbminas.blogspot.com
  • O general da reserva Hamilton Mourão, candidato a vice-presidente de Jair Bolsonaro, voltou a atacar a existência do 13º salário. De passagem no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, nesta terça-feira (2), Mourão afirmou que o 13º é “um custo” para os empresários.

    "As declarações do general desnudam para além do receituário fascista e persecutório dessa extrema-direita", diz Divanilton Pereira, vice-presidente da CTB. "No plano geopolítico, já rende homenagens a Donald Trump (presidente dos Estados Unidos)"  e "sobre a nossa soberania, defende o aniquilamento da estrutura estatal produtiva e bancária e dos direitos trabalhistas e sociais".

    Sobre o 13º

    O 13º salário foi criado pela Lei 4.090, em 13 de julho de 1962, durante o governo de João Goulart, deposto em 1964 por um golpe de Estado. Mesmo assim, o salário adicional que deve ser pago até no máximo em 20 de dezembro de cada ano, foi regulamentado pelo Decreto 57.155, de 3 de novembro de 1965, em plena ditadura.

    Inclusive a Constituição Federal, promulgada em 5 de outubro de 1988, define o 13º salário como uma conquista a ser preservada. No inciso oitavo do artigo 7º determina que o décimo terceiro salário de ser pago "com base na remuneração integral ou no valor da aposentadoria”.

    Para Vânia Marques Pinto, secretária de Políticas Sociais da CTB, as trabalhadoras e trabalhadores não conseguem nem pensar em ficar sem esse adicional. “O 13º já está incorporado ao orçamento doméstico das famílias e movimenta a economia do país todos os anos, principalmente para as festas natalinas e passagem do ano”.

    Esta é a segunda vez que o general candidato ataca a existência do 13º salário (leia aqui). Além disso, ele também criticou as crianças criadas por mães e avós como "desajustados" (veja aqui).

    O projeto da candidatura da extrema-direita pretende "aprofundar os ataques às conquistas da classe trabalhadora para além do já feito pela recente reforma trabalhista", acentua Pereira. "A eleição desses fascistas introduziria o país no caos político e social".

    Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB