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Ter, Jun

intervenção militar

  • Por Umberto Martins

    O governo Bolsonaro provocou deliberadamente uma crise diplomática na fronteira do Brasil com a Venezuela e resolveu envolver o país, sem o consentimento do seu povo, na aventura da guerra híbrida que os EUA deflagraram contra a Venezuela, que está caminhando aceleradamente para uma intervenção militar aberta, encoberta pela retórica de “ajuda humanitária” e defesa da democracia.

    A decisão do governo de extrema direita de enviar “ajuda humanitária” ao país vizinho, integrando-se à estratégia de Washintgon contra o presidente de Nicolás Maduro, é uma notória intervenção no conflito interno que divide a sociedade venezuelana. O mesmo se pode afirmar acerca do reconhecimento do governo paralelo liderado pelo deputado Juan Guaidó, um lacaio do imperialismo que se autoproclamou presidente depois de receber orientação (ou ordem) neste sentido por telefone do vice-presidente dos EUA, Mike Pence.

    É plenamente justificável a reação do governo bolivariano de fechar a fronteira com o Brasil em Roraima, que vem sendo usada como pretexto pelo governo do senhor Jair Bolsonaro para promover novas provocações, cujas consequências são ainda imprevisíveis, mas em nenhuma hipótese favoráveis ao povo ou à nação brasileira. Só quem ganha com isto são os imperialistas estadunidenses, que querem se apoderar das maiores reservas de petróleo do planeta.

    Constituição

    Além de não corresponder aos interesses nacionais, e também por isto, tal política viola a Constituição brasileira, promulgada em 1988, que em seu Artigo 4º consagra os princípios da não intervenção, respeito à autodeterminação dos povos, cooperação entre as nações para o progresso da humanidade e a defesa da solução pacífica dos conflitos nas relações internacionais. Estabelece ainda, em seu parágrafo único, que a “República Federativa do Brasil buscará a integração econômica, política, social e cultural dos povos da América Latina, visando à formação de uma comunidade latino-americana de nações”.

    A orientação tresloucada do atual governo, expressão daquilo que Nelson Rodrigues batizou de “espírito de vira lata”, contradiz todos esses princípios fundamentais estabelecidos na Constituição. Bolsonaro, no colo de Donald Trump, está desempenhando o vil papel de capanga dos EUA na geopolítica regional, que envolve interesses globais das corporações ligadas ao petróleo e o duelo que a potência hegemônica no mundo capitalista trava com a China e a Rússia com o objetivo de preservar e ampliar seu domínio internacional.  

    Petróleo e geopolítica

    A propaganda mentirosa marqueteada pelo imperialismo, com a cumplicidade da mídia burguesa em todo o continente, procura demonizar o presidente legítimo da Venezuela e pintar o conflito como uma peleja entre democracia e autoritarismo, bem como encobrir a intervenção militar com propósitos supostamente humanitários. Porém, a agressão imperialista contra o regime chavista tem outra natureza e objetivos bem menos nobres.

    Começa pelo petróleo. Conforme revelou o ex-diretor do FBI Andrew McCabe durante um programa de entrevistas da rede MSNBC, no final de 2017 o próprio Trump teria externado sua intenção de ir à guerra contra a Venezuela, argumentando que “eles têm todo o petróleo e estão na nossa porta de fundos”. O óleo negro é fonte perene de conflitos bélicos não só no Oriente Médio e África, em geral guerras por procuração orientadas à distância pelos falcões do Pentágano.

    Entrelaçada com a avidez das transnacionais pelo petróleo, temos como pano de fundo do drama que se desenvolve na Venezuela (e não apenas lá) a crise geopolítica em curso no mundo. O ataque à Venezuela é, simultaneamente, uma grave ofensa à China e à Rússia, nações que apoiam e mantêm com o governo Maduro uma parceria estratégica. A potência asiática, comandada pelos comunistas, investiu dezenas de bilhões de dólares no país enquanto o governo Putin estreitou os laços políticos, econômicos e militares com a revolução bolivariana.

    China e Rússia

    China e Rússia opõem-se energicamente à política imperialista dos EUA, que hoje tem declaradamente o propósito de conter a expansão da influência econômica e política da China na América Latina e implodir o Brics. Eis uma outra razão pela qual a política do Trump tupiniquim vai na contramão dos interesses nacionais do Brasil.

    Do ponto de vista do poderio econômico relativo, os EUA são uma potência em franca decadência e estão sendo superados pela China em diversos aspectos, incluindo o PIB medido pelo critério de Paridade de Poder de Compra (PCC), numa prova muito prática e concreta da superioridade da economia socialista de mercado sobre o capitalismo neoliberal. O Brasil é hoje muito mais dependente comercial e financeiramente da China do que dos EUA. Só temos a perder com as relações carnais entre Donald Trump e Jair Bolsonaro, que fez continência à bandeira da potência imperialista e declarou ser fã número um do presidente norte-americano.

    O declínio da maior potência imperialista do planeta também ocorria no plano político em nossa região, que caminhava para um novo arranjo geopolítico com as políticas externas soberanas e integracionistas promovidas pelos governos progressistas de Hugo Chávez, Lula, Evo Morales, Rafael Correia e outros líderes de esquerda com fortes raízes nos movimentos sociais. A mudança na região convergia com as transformações em curso no mundo e o deslocamento do poder econômico do Ocidente para o Oriente, o que se traduziu na parceria China/Celac.

    Retrocesso

    Tal realidade, porém, foi revertida nos últimos anos ao custo de golpes de Estado (em Honduras, no Paraguai, no Brasil e agora na Venezuela) e a eleição de líderes da extrema-direita neoliberal na Colômbia e na Argentina. Os EUA estão retomando plenamente o controle geopolítico do continente.

    É preciso acrescentar que esta dimensão geopolítica do conflito na Venezuela é, em geral, solenemente ignorada pela mídia hegemônica, dedicada ao serviço, sujo e diuturno, de desinformação da opinião pública (ou publicada) para embelezar o golpe de Estado e vender a intervenção militar imperialista como “ajuda humanitária” e defesa da democracia.

    Se não for derrotado, o golpe em curso na Venezuela vai coroar a vitória do imperialismo e aprofundar o retrocesso político na América Latina. Isto pode retardar, mas não vai reverter o processo histórico de decadência dos Estados Unidos no cenário internacional, determinado pelo desenvolvimento desigual e o crônico parasitismo que corrói a maior economia capitalista do mundo. A história vive hoje um dilema entre sombras e luz e muito embora as sombras predominem no momento, a luz tende a prevalecer no futuro. 

    As forças democráticas e progressistas não devem vacilar nem se deixar seduzir pelo canto de sereia regido pelo imperialismo. A intervenção imperialista dos EUA na Venezuela merece o mais profundo repúdio dos povos da América Latina e de todo o mundo. A defesa do sagrado direito dos povos à autodeterminação, previsto na Constituição brasileira, está na ordem do dia.

    Veja o que diz a Constituição sobre as relações internacionais do Brasil:

    Título I  

    Dos Princípios Fundamentais

    Art. 4º A República Federativa do Brasil rege-se nas suas relações internacionais pelos seguintes princípios:

           I - independência nacional;

           II - prevalência dos direitos humanos;

           III - autodeterminação dos povos;

           IV - não-intervenção;

           V - igualdade entre os Estados;

           VI - defesa da paz;

           VII - solução pacífica dos conflitos;

           VIII - repúdio ao terrorismo e ao racismo;

           IX - cooperação entre os povos para o progresso da humanidade;

           X - concessão de asilo político.

    *Editor do Portal CTB e autor do livro "O golpe do capital contra o trabalho"

  • Pelo menos 300 militantes dos movimentos sociais marcaram presença no ato realizado nesta sexta-feira à tarde em defesa da soberania da Venezuela. A manifestação ocorreu diante do consulado do país, na rua general Fonseca Téles, 564, no bairro Jardim Paulista. Participaram dirigentes da CTB, CUT, Intersindical, Cebrapaz, entre outras organizações dos movimentos sociais, e de partidos políticos de esquerda (PCdoB, PT e Psol).

    “Foi um ato que reuniu lideranças políticas de diferentes organizações em defesa da soberania da Venezuela, contra a intervenção militar dos EUA e por uma solução pacífica para o conflito que abala o país”, resumiu o secretário de Relações Internacionais da CTB, Nivaldo Santana.

    Carta traduz desejo do povo

    O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, apresentou nesta quinta-feira (7) a carta que vai enviar à Casa Branca como forma de rejeitar a ingerência dos Estados Unidos contra a Venezuela. Na Praça Bolívar, em Caracas, o chefe de Estado também assinou o documento, subscrito por cerca de 10 milhões de venezuelanos.

    “Assino pela paz, pela soberania sagrada da Venezuela em apoio ao direito à independência, à autodeterminação do povo da Venezuela”, disse Maduro. “Esta carta foi escrita pensando nas crianças e no futuro do país, no sagrado direito que temos à paz, com a convicção de autonomia”, disse o presidente venezuelano, que ressaltou que a carta é especialmente dirigida ao povo dos Estados Unidos.

    Ele lembrou que a Venezuela está ameaçada pelos Estados Unidos e seu desejo de assumir o controle dos recursos do país. Denunciou que o governo dos Estados Unidos quer tratar nossas fronteiras com o mesmo ódio que teve contra o Vietnã, para invadir a Venezuela “em nome da liberdade”.

    Maduro enfatizou que o povo venezuelano resiste porque tem um alto nível de participação na tomada de decisões políticas. Ele alertou o povo estadunidense de que a invasão da Venezuela é um perigo e denunciou que o presidente Donald Trump tentou sabotar o diálogo entre o governo e a oposição, ideia promovida pelo México, Uruguai e Bolívia.

    “Sabemos que para o bem da Venezuela é preciso sentar e conversar”, disse Maduro. A carta aberta se refere também ao bloqueio financeiro imposto por Trump e que afeta a economia venezuelana. E frisou que uma agressão viola a Carta das Nações Unidas, que rejeita o uso da força nas relações entre os países.

    No final, o presidente Maduro pediu aos estadunidenses que acompanhem os venezuelanos na rejeição às ameaças e ações de interferência do governo dos EUA contra a Venezuela.

    Da Redação, com informações da Agência Venezuelana de Notícias

  • Golpista orientado pelos EUA proclamou um governo paralelo e não respeita as leis do país

    Em entrevista à TV americana ABC, o presidente da Venezuela Nicolás Maduro mandou um recado ao golpista Juan Guaidó, que por ordem do vice-presidente dos EUA, Mike Pence, se autoproclamou presidente em aberto desafio ao chefe do Executivo e à Corte Suprema.

    Quando questionado se permitiria a volta de Guaidó ao país, Maduro disse: "Ele pode sair e voltar, mas terá que dar explicações à Justiça, porque foi proibido de deixar o país. Ele tem que respeitar as leis."

    Guaidó foi proibido de deixar o país e teve contas bloqueadas pelo Tribunal Supremo de Justiça (TSJ), que é alinhado a Maduro. Em janeiro, ele chegou a ser detido por agentes do Sebin (Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional) por cerca de uma hora.

    Apelo à traição

    O golpista cruzou as fronteiras do país, afrontando o Poder Judiciário, e se encontra na Colômbia, onde se reuniu com o vice-pesidente estadunidense, Mike Pence, e participou da grotesca novela da “ajuda humanitária”, apelando a comandantes e oficiais das Forças Armadas Bolivarianas para que traíssem o presidente e se bandeassem para o lado dos EUA. Acabou dando com os burros n´água.

    Maduro acusa Guaidó de tentar estabelecer um governo paralelo durante a reunião do Grupo de Lima, que foi realizada em Bogotá na segunda-feira (25) para tratar da crise no país sul-americano.

    O Grupo de Lima é formado por 14 países das Américas. A maioria, governada por direitistas neoliberais submissos aos ditames de Washinton, reconhece Guaidó que se autoproclamou presidente interino da Venezuela. O México integra o fórum, porém não o reconhece, pois tem hoje um governo progressista.

    O líder golpista está em território colombiano desde sexta-feira (22). Guaidó compareceu ao Venezuela Aid Live, festival bancado por um bilionário norte-americano e realizado na fronteira com a Colômbia como parte das chantagens embutidas na ajuda humanitária, cujo objetivo frustrado era esvaziar o governo Maduro e viabilizar a transferência de poder para Guaidó.

    Pau mandado dos EUA

    No dia seguinte, ele liderou a tentativa frustrada de envio do Cavalo de Troia disfarçado de ajuda humanitária para a Venezuela. A iniciativa golpista morreu nas fronteiras do país com a Colômbia e o Brasil. Na segunda-feira (25), Guaidó participou da reunião do Grupo de Lima e disse que voltaria à Venezuela ainda nesta semana.

    Mas agora terá que prestar contas à Justiça, pois conspira abertamente com autoridades estadunidenses, como ninguém menos que o vice Mike Pence, contra o governo de Nicolás Maduro, que conta com a lealdade e o firme apoio das Forças Armadas Bolivarianas, da Corte Suprema e da população mais pobre.

    Guaidó não passa de um pau mandado de Donald Trump e Mike Pence, um capacho que chegou ao ponto de defender a intervenção militar do imperialismo no próprio país, o que pode ser muito bem interpretado como crime de lesa-pátria, de traição.

    Direito à paz

    Na mesma entrevista, Maduro insistiu que os EUA realizam um plano para "fabricar uma crise" na Venezuela, o que justificaria uma intervenção não apenas em seu país, mas em toda a América do Sul. Segundo ele, "tudo o que o governo dos Estados Unidos fez foi condenado ao fracasso".

    "A Venezuela tem o direito à paz, tem instituições legítimas. Eu (...) estou preparado para um diálogo direto com o seu governo. Somos sul-americanos, temos que buscar soluções do século 21, não para a Guerra Fria. A Guerra Fria deve ser deixada para trás", disse ele, num recado ao presidente dos EUA, Donald Trump.

    Ele insistiu que Trump se tornou presidente graças ao "caminho fraturado" deixado por seu antecessor, Barack Obama, e reiterou sua disposição em dialogar com o republicano para ter relações respeitosas.

    Maduro disse que não teme o presidente norte-americano, mas se preocupa com quem está ao seu redor, como o vice-presidente dos EUA, Mike Pence, o assessor de segurança, John Bolton, o secretário de Estado, Mike Pompeo, e o encarregado das relações com a Venezuela, Elliott Abrams.

    "Eu acho que essas pessoas que cercam o presidente Trump são ruins. E acho que, em certo momento, o presidente Trump terá que dizer 'temos que ver o que acontece com a Venezuela e mudar nossa política'", disse ele.

  • A judoca Rafaela Silva, campeã olímpica em 2016, denuncia em suas redes sociais ter sofrido abordagem racista de policiais militares, na noite de quinta-feira (22), quando voltava para casa na capital fluminense. Ela conta que os PMs fizeram o taxista encostar, o chamaram para conversar e depois com arma na mão um policial bateu em seu vidro e a mandou sair.

    "Quando o taxista encostou eles o chamaram para um canto, quando olhei na janela outro policial armado mandando eu sair de dentro do carro, levantei e saí”, conta Silva em seu Twitter. Perguntaram se ela trabalhava e onde morava e não explicaram o motivo da abordagem.

    Assista ao vídeo de Rafaela Silva no Instagram 

    Mônica Custódio, secretária de Igualdade Racial da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), afirma que esse tipo de acontecimento significam "as ‘novas formas’ de racismo baseadas nas páginas dos velhos livros. Esse pensamento vem sendo forjado desde o Brasil colônia para justificar a escravidão e depois o capitalismo continuou porque precisa criar diferenças para justificar a exploração do homem pelo homem”.

    Se você é negro 

    Exatamente por isso, os youtubers Spartakus Santiago e AD Junior ensinam a como sobreviver a uma abordagem indevida das forças repressoras em todo o país. Mas com a intervenção militar no Rio de Janeiro o vídeo deles viralizou.

    “Se você é negro, preste atenção nisso que vamos falar (...) evite sair de casa em altas horas (...), leve o cupom fiscal de equipamentos caros e nunca ande sozinho e sempre com documentos”, dizem eles.

    Assista o vídeo com o manual de sobrevivência para negros  

    Não é a primeira vez que Rafaela Silva sofre discriminação. Após ser eliminada na Olimpíada de Londres em 2012 por ter aplicado um golpe proibido na competição, ela foi xingada de “macaca” para baixo. Superou e ganhou o primeiro Ouro brasileiro no Rio de Janeiro quatro anos depois.

    Leia os twitters da judoca carioca

    rafaela silva tweet 1 reproducao

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    Para Custódio, “é muito difícil ser negro no Brasil, apesar de sermos maioria na população, porque o racismo é histórico e institucionalizado”. Como contam os youtubers ser negro no Brasil é correr o risco de ser morto por policiais pelo simples fato de estar com uma furadeira nas mãos.

    "A gente no Rio de Janeiro tem que passar essa vergonha. Descobri que preto não pode andar de táxi, porque deve estar assaltando ou roubando", afirma a atleta em um vídeo no Instagram.

    Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB com informações de Gil Alessi, do El País Brasil. Foto: UOL

  • Está em curso uma contrarrevolução na Venezuela, sob a liderança dos EUA e com apoio das forças conservadoras nativas. O enredo já foi escrito e vem sendo encenado. O presidente Donald Trump esteve reunido na Casa Branca quarta-feira (13) com o presidente da Colômbia, Iván Duque, um político de extrema direita, ocasião em que acenou com o envio de 5 mil soldados para a fronteira daquele país com a Venezuela para assegurar a entrega de “suposta ajuda humanitária” aos venezuelanos. Duque, por seu turno, procurou justificar a intervenção, alegando que atende os anseios do povo venezuelano.

    Já o golpista Juan Guaidó, um deputado de extrema direita que contestou a posse de Nicolás Maduro e se autoproclamou presidente da Venezuela, formou uma espécie de governo paralelo e dá novos passos na tentativa de consumar o golpe. É o seu “governo” e não o de Maduro - legitimamente eleito e contando com o apoio da Corte Suprema, da Assembleia Constituinte e das Forças Armadas – que administraria a “ajuda humanitária” tramada por Washington, verdadeira capital da empreitada golpista.

    Governos capachos

    Governos reacionários e entreguistas do continente americano, como Duque na Colômbia e Bolsonaro no Brasil, aliaram-se a Trump e estão se comportando como autênticos capachos da Casa Branca. Reconheceram Gauidó, que indicou novos embaixadores e diplomatas para a representação nesses países com a missão de viabilizar a chegada da “ajuda externa”, que foi rechaçada pelo governo e as Forças Armadas.

    Os chavistas já perceberam que o presente dos EUA é uma versão contemporânea do famoso Cavalo de Troia ou, ainda, a tentativa de criar um caminho (um corredor) para a invasão militar. Com a cumplicidade da mídia burguesa em todo o continente, os imperialistas americanos encobrem suas reais intenções com o discurso cínico de que estão protegendo a democracia e promovendo uma ajuda humanitária ao povo.

    Governos capachos, como os de Bolsonaro no Brasil e Iván Duque na Colômbia se prestam ao indigno papel de servir os interesses da grande potência capitalista, enquanto o golpista Guaidó se comporta como um lacaio do imperialismo, encenando o papel que Washington lhe reservou sem maiores escrúpulos e cuidados com a soberania nacional do povo venezuelano, tão cara a Simon Bolivar, Hugo Chavez e os revolucionários bolivarianos.

    Geopolítica e petróleo

    Os interesses reais por trás da arrogância imperial da Casa Branca não têm nada a ver com democracia ou direitos humanos. O que está realmente em jogo é a apropriação das maiores reservas de petróleo do mundo e o domínio geopolítico da América Latina, ameaçado pela política externa soberana de Hugo Chávez e dos governos progressistas da América Latina, que estão sendo derrubado um a um.

    A “intervenção humanitária” foi também arguida pelos EUA para destruir a Líbia, o Iraque e a Síria, assim como a defesa da democracia contra a ameaça comunista serviu de pretexto para os golpes militares no Brasil (1964) e em toda a América Latina, também liderados por Washington.

    As forças progressistas no Brasil e em todo o mundo não podem cair no canto de sereia imperialista e devem considerar como prioridade número 1 neste momento a ativa solidariedade com o governo legítimo de Nicolás Maduro e a defesa do sagrado direito das nações à autodeterminação. Basta de intervenção e hipocrisia imperialista.

    Umberto Martins