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Ter, Jun

IPEA

  • O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulga nesta segunda-feira (5) o relatório Atlas da Violência 2017, feito em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). Os números são aterradores e confirmam o genocídio negro, principalmente da juventude e das mulheres.

    Os dados mostram que a cada 100 pessoas assassinadas no Brasil, 71 são negras. Isso significa que a população negra possui 23,5% maiores de serem assassinados em relação aos brasileiros não negros.

    “Mais uma vez as pesquisas comprovam que a violência no Brasil tem cor, idade e mira nos mais pobres”, afirma Mônica Custódio, secretária da Igualdade Racial da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).

    Pelo levantamento do Ipea, somente em 2015, ocorreram 59.080 homicídios no Brasil. O que significa 28,9 mortes a cada 100 mil habitantes. O período analisado é de 2005 a 2015 e retrata crescimento de assassinatos de jovens negros e de mulheres negras. Mais de 92% das vítimas de homicídios são jovens negros.

    No período houve um crescimento de 18,2% na taxa de homicídios de negros entre 15 e 29 anos, moradores da periferia e pobres. Na população de não negros o índice diminuiu 12,2% nos 10 anos pesquisados. 

    O Atlas mostra ainda que mais de 318 mil jovens foram assassinados entre 2005 e 2015. Mais do que países em guerra. Para ela, “isso configura um verdadeiro genocídio da população negra, além da fábrica de prisão em que se transformou o sistema carcerário brasileiro”.

    Leia a pesquisa completa pelo link abaixo

    www.ipea.gov.br

    Já em relação às mulheres a situação se repete. Houve crescimento de 22% na mortalidade de mulheres negras e entre as não negras houve uma queda de 7,4%. Também aumentou a violência contra elas, que subiu de 54,8% para 65,3%.

    “As mulheres negras sofrem violência direta e indireta. Direta quando são assassinadas, espancadas, violentadas e indireta quando perdem seus filhos. Nenhuma mãe cria filho para matar ou morrer”, acentua Custódio.

    Os dados apresentam crescimento maior da violência nos estados no Norte e Nordeste. “Justamente onde há menor presença do Estado”. Ela acrescenta ainda que as mulheres negras carregam o maior fardo, inclusive na questão da violência.

    Para a sindicalista carioca, isso justifica o aumento da população carcerária de jovens negros e “ainda querem reduzir a idade penal para ganharem mais dinheiro ainda com a desgraça alheia”. E com isso, as mulheres negras sofrem ainda mais.

    “Elas sofrem violência dentro de casa, institucional, não têm o respeito do Estado e são jogadas à própria sorte. São chefes do lar, porque os homens não assumem a paternidade e ficam vulneráveis a todo tipo de violência”, reforça.

    Para ela, a situação tende a piorar com os projetos do governo de Michel Temer. “Com o aumento do desemprego, da recessão e da insegurança no trabalho, a violência tende a aumentar e sempre sobra para os mais vulneráveis: os mais pobres, os negros, as mulheres”.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy. Arte: Latuff

  • O mercado de trabalho brasileiro vai de mal a pior, registrando o crescimento diário do número de pessoas que estão desocupadas há mais de dois anos, de acordo com estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) publicado nesta terça-feira (18).

    "Se, no primeiro trimestre de 2015, 17,4% dos desocupados estavam nessa situação [desempregados há mais de dois anos], no mesmo período de 2019, este porcentual avançou para 24,8%, o que corresponde a 3,3 milhões de pessoas”, aponta o Instituto.

    Na comparação com o primeiro trimestre de 2015, os grupos que apresentaram maior incremento nas suas populações desocupadas há mais de dois anos foram os homens, os trabalhadores mais jovens e os com ensino médio completo, cujas proporções saltaram de 11,3%, 15% e 18,5%, respectivamente, para 20,3%, 23,6% e 27,4%, no período

    "No caso dos trabalhadores mais jovens, este resultado acaba por corroborar um cenário de emprego ainda mais adverso, que combina desemprego elevado (27,3%), baixo crescimento da ocupação (0,4%) e queda de rendimento real (-0,8%)", explicou o órgão.

    As estatísticas reunidas pelo Ipea sugerem que o problema se agravou com a recessão e o golpe de 2018, que congelou os gastos públicos e promoveu uma reforma trabalhista regressiva. A parcela de pessoas desocupadas há mais de dois anos entre os primeiros trimestres de 2015 e 2019 cresceu 42,4%.

    No mesmo período houve um avanço igualmente notável da precarização, com o número de trabalhadores na informalidade superando o daqueles que têm carteira assinada. Ocorreu o contrário do que os defensores da reforma trabalhista imposta por Temer alardearam. A política ultraliberal da dupla Bolsonaro/Guedes está ampliando o desastre e conduzindo o Brasil no caminho de uma nova recessão. Quem paga a conta é o povo trabalhador.

  • Foi divulgado nesta terça-feira (5),o Atlas da Violência 2018, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). “É triste notar que a violência cresce assustadoramente no país”, diz Ivânia Pereira, vice-presidenta da CTB.

    Ela afirma isso porque em 2016 ocorreram 62.517 homicídios no país, de acordo com o levantamento são 30,3 mortes violentas por 100 mil habitantes, a maior taxa já registrada no Brasil. E para piorar, o estudo constatou que 56,5% dos assassinatos envolvem jovens entre 15 e 29 anos.

    “Os dados mostram que a ausência de políticas públicas para atender jovens, mulheres e negros só faz agravar ainda mais a situação”, realça Ivânia. “A sociedade precisa dar uma resposta contundente. Vivemos uma guerra dentro do país”.

    Foram assassinados 33.590 jovens em 2016, um aumento de 7,4% em relação a 2015, a maioria absoluta de rapazes pretos, pobres, da periferia. “Essa notícia preocupa muito porque houve esse crescimento já que em 2015 houve uma queda de 3,6% sobre 2014”, assinala.

    atlas violencia taxas homicidio v2

    Entre o total de assassinatos, 71,5% das vítimas eram negras ou pardas. Ou seja, a população negra tem 2,5 vezes de chances de serem mortas em relação à população branca (40,2 negros por 100 mil habitantes contra 16 brancos por 100 mil).

    “Cada vez mais o racismo institucional se revela perverso”, acentua Mônica Custódio, secretária de Igualdade Racial da CTB. “Parece que as políticas afirmativas acirraram ainda mais os ânimos dos racistas, que se sentem ameaçados com a presença de negras e negros nas universidades, no mercado de trabalho, enfim em lugares onde não era habitual ver-se negros”.

    Além do mais, houve crescimento de 6,4% de feminicídios nos dez anos pesquisados. Somente em 2016, foram mortas 4.645 mulheres, um acréscimo de 15,3% sobre 2015. No mesmo ano, as polícias brasileiras registraram 49.497 estupros no país, sendo que 50,9% das vítimas tinham menos de 13 anos.

    Já Celina Arêas, secretária da Mulher Trabalhadora da CTB, reforça os argumentos de Ivânia e de Mônica. Para ela, é necessário “retomar as políticas públicas para atendimento às mulheres vítimas de violência”. Ela defende ainda a manutenção e aprimoramento dos programas sociais que “possibilitam uma situação de vida melhor para as mulheres e suas famílias”.

    Acesse a íntegra do Atlas da Violência 2018.

    A sindicalista mineira defende ainda o debate sobre as questões de gênero esteja presente nas escolas para que as pessoas “possam compreender melhor as diferenças entre os sexos, respeitar as diferenças e saber que todas as pessoas devem ter as mesmas condições de vida, sem medo e em segurança”.

    A polícia também mata muito no país. As polícias dos estados mataram 4.222 pessoas em 2016, segundo o Atlas da Violência 2018. Em primeiro lugar está o Rio de Janeiro, onde a polícia matou 538 pessoas, quase o dobro de 2015 (281).

    “Precisamos envolver toda a sociedade no debate sobre o combate à violência para derrubarmos esses números aviltantes. Países em guerra não matam tanto quando no Brasil. É assustador”, conclui Ivânia.

    Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB

  • As desigualdades no país são gritantes. O estudo do Ipea, com dados da Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio) do IBGE, aponta crescimento nas diferenças salariais. As famílias mais ricas ganham mais do que já ganhavam, ao contrário das famílias de renda média e baixa.

    No quarto trimestre de 2014, os mais ricos tiveram renda média domiciliar 27,8 vezes maior do que a média recebida pelas famílias da faixa de renda muito baixa. Já no último trimestre de 2018, os mais abastados conseguiram ganhar 30,3 vezes mais do que os mais pobres.

    Os ganhos dos trabalhadores de baixa renda são corroídos de forma mais rápida pela inflação, agonizam a cada centavo que aumenta nos produtos da cesta básica. Assim como serviços, educação e saúde.

    Os que recebem maiores salários sentem menos o efeito da inflação. Com 12,7 milhões de desempregados e mais de 37 milhões na informalidade, os brasileiros ficam no limbo financeiro.

     

    Fonte: bancariosbahia.org.br

  • Por Amelia Gonzalez, G1

    O Brasil ocupa uma das primeiras posições no ranking dos países mais desiguais do mundo, e isto não é novidade. O que surge como notícia nova neste tema é que oito em cada dez brasileiros, hoje, já acreditam que não é possível se falar em progresso sem reduzir as desigualdades.

    E mais: a maioria, ou seja, 84% das pessoas ouvidas pela segunda pesquisa de opinião lançada hoje pela Oxfam Brasil em conjunto com o Instituto Datafolha, concordam que é obrigação do estado diminuir a diferença entre ricos e pobres, o que demonstra uma baixa adesão a um projeto de Estado Mínimo para o Brasil, segundo os pesquisadores. Ao mesmo tempo, porém, acompanhando um estado de transição e de profundas transformações por que passam o mundo e o país, a maioria dos brasileiros ainda não compreende o real tamanho das desigualdades brasileiras. E depositam no combate à corrupção, no investimento público em saúde e em educação a esperança para reduzir as desigualdades.

    O resultado da pesquisa, feita entre os dias 12 e 18 de fevereiro deste ano em 130 municípios, ouvindo 2.086 pessoas, mostra também um descompasso entre a percepção dos cidadãos e cidadãs brasileiras e a agenda política do país, “que não tem demonstrado interesse entre a disparidade de renda entre o topo e a base da pirâmide”, acredita Oded Grajew, presidente do Conselho Deliberativo da Oxfam. Para ilustrar a fala de Grajew, vale a pena visitar o último estudo feito pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), que mostra que o 1% mais rico do Brasil concentra entre 22% e 23% do total da renda do país, nível bem acima da média internacional.

    Neste sentido, aparentemente o debate sobre a regulamentação do Imposto sobre Grandes Fortunas tem chegado à população em geral, e 77% dos entrevistados decidiram se posicionar a favor do aumento dos impostos de pessoas muito ricas para financiar políticas sociais. Enquanto 94% afirmam que o imposto pago pelos cidadãos deve beneficiar os mais pobres.

    Não há um critério muito bem definido sobre pobreza entre os cidadãos brasileiros. À pergunta sobre se o entrevistado se considera rico, 85% responderam que não, se colocando na metade mais pobre do país. Mas dois em cada três que responderam à pesquisa acham que a linha da pobreza começa quando a pessoa tem disponíveis R$ 701 mensais, sendo que 53% acham que ela está entre R$ 701 e R$ 1.000 – este último próximo ao valor do salário mínimo atual.

    Sessenta e cinco por cento dos respondentes acreditam que, para fazer parte do maior decil de renda, são necessários mais de R$ 5 mil mensais; e 49% acham que o mínimo seria de R$ 20 mil, quase cinco vezes mais do que a realidade. Segundo o estudo, o maior decil de renda no Brasil apresenta uma grande desigualdade interna, indo de R$4.290,00 a milhões de reais.

    E quanto à classe social? Sessenta e cinco por cento dos brasileiros se localizam nas categorias “classe média baixa” ou “pobre”, enquanto 43% daqueles com renda individual superior a cinco salários mínimos também acreditam estar nestes grupos. O estudo, que ganhou o título “Nós e as desigualdades”, mostra ainda que há um otimismo em 70% dos entrevistados de que vão conseguir ascender à classe mais rica, enquanto 57% não acreditam nisto. Já quando a pergunta é se “uma pessoa de família pobre que trabalha muito tem a mesma chance de ter uma vida bem-sucedida que uma pessoa nascida rica e que também trabalha muito”, 58% duvidam e 41% concordam.

    Para ampliar o pensamento a este respeito, busquei o livro de Jessé Souza, “Batalhadores Brasileiros” (Ed. UFMG), em que o sociólogo defende a tese de que não se deve vincular classe à renda, o que ele julga ser uma “mentira social”, que encobre “fatores e precondições sociais, emocionais, morais e culturais que constituem a renda diferencial, confundindo, ao fim e ao cabo, causa e efeito”.

    “Esconder os fatores não econômicos da desigualdade é, de fato, tornar invisível as duas questões que permitem efetivamente compreender o fenômeno da desigualdade social: a sua gênese e a sua reprodução no tempo”, escreve Jessé.

    O sociólogo se refere à “transferência de valores imateriais”, como o estilo de vida, a naturalidade para se comportar em reuniões sociais, algum capital cultural, enfim, um conjunto de coisas que “apenas” o dinheiro não confere a quem o possui. E que vai garantir o privilégio vida afora.

    Voltando à pesquisa, os entrevistados respondem: um em cada quatro brasileiros entendem que subiram de classe social desde 2014. E as explicações para tal mobilidade estão nas oportunidades de trabalho (para 52%), na melhoria das condições financeiras da família (para 32%), nas oportunidades de estudo (para 27%) e no local de moradia (para 22%).

    Uma notícia interessante que a pesquisa traz é que os brasileiros não só estão mais antenados com relação à desigualdade social, como também aumentou, de dois anos (quando foi feita a última pesquisa) para cá, a percepção de que há racismo e machismo no Brasil a influenciar negativamente a renda e a complicar a vida de cada um. E sim, a cor da pele define amplamente as chances de contratação por empresas (para 72%) e de abordagem policial (para 81%) , bem como afeta o tratamento pela Justiça (para 71%) . E para 81%, a pobreza pesa mais para os negros.

    Ainda segundo a pesquisa, 64% dos brasileiros afirmam que as mulheres ganham menos só pelo fato de serem mulheres.

    “Só avançaremos no combate às desigualdades se os temas do racismo, da discriminação de gênero e do respeito à diversidade, da discriminação pelo endereço de moradia, do assassinato de jovens de periferia, tiverem a mesma urgência que os temas econômicos e fiscais”, afirma Katia Maia, diretora-executiva da Oxfam Brasil.

    Por fim, dois em cada três brasileiros apontam “fé religiosa”, “estudar” e “ter acesso à saúde” como as três prioridades para uma vida melhor.

    A Oxfam Brasil elenca algumas sugestões que podem ser usadas por quem está à frente da criação de políticas públicas a fim de diminuir a desigualdade no país. Uma delas se refere à Reforma da Previdência que, segundo os integrantes da Organização, deve garantir “que se torne um mecanismo para enfrentar as desigualdades e não para reforçá-las”.

    A pauta está aberta ao debate.

     

  • A Federação Brasileira de Planos de Saúde realizou nesta terça-feira (10), em Brasília, o 1º Fórum Brasil - Agenda Saúde: a ousadia de propor um Novo Sistema de Saúde, que contou com a participação do Ministério da Saúde e decretou o fim do Sistema Único de Saúde (SUS).

    Veja como foi o evento aqui. 

    Os empresários da saúde defendem um “novo sistema nacional de saúde” que “de novo não tem nada”, afirma Elgiane Lago, secretária de Saúde da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).

    A proposta defendida é a de transferir recursos do SUS para financiar a Atenção de Alta Complexidade nos planos de saúde particulares. “Isso é ainda pior do que privatizar, porque significa tirar dinheiro da saúde pública e dar para os barões da saúde que só pensam em lucros”, acentua Lago. A proposta é extinguir o SUS e manter apenas planos de saúde privados.

    Os empresários do setor e o Ministério da Saúde querem inclusive um Conselho Nacional de Saúde Suplementar com o mesmo poder do atual Conselho Nacional de Saúde. “O golpe de Estado de 2016 avança para tirar a participação popular de todos os setores. Querem ganhar dinheiro com a desgraça alheia”, reforça a sindicalista gaúcha. "A saúde é um direito humano inalienável, vamos resistir e defender o SUS com todas as nossas forças".

    Uma nota técnica, de 2016, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) sobre o congelamento dos investimentos públicos por 20 anos (saiba mais aqui) já alertava para a necessidade de ampliação dos investimentos no SUS para aprimorar os serviços de um dos maiores sistemas públicos de saúde do mundo.

    Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB

     

     

  • O jornal Folha de S.Paulo publicou matéria capciosa na segunda-feira (16) com o título “Filosofia e sociologia obrigatórias derrubam notas em matemática”, sobre um estudo que ainda será publicado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

    De acordo com Thais Waideman Niquito e Adolfo Sachsida, responsáveis pela pesquisa, o estudo foi feito de maneira ampla entre jovens de 16 a 25 anos. Eles analisaram as notas de estudantes que realizaram o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) em 2012 e os de três anos antes da obrigatoriedade dessas disciplinas. Os que estudaram filosofia e sociologia tiveram desempenho mais fraco em matemática e línguas.

    “Pela reportagem da Folha, parece que os pesquisadores partem de uma premissa errada. Eles baseiam seu estudo apenas no método de avaliação tradicional de desempenho em provas e notas”, afirma Marilene Betros, Políticas Educacionais da CTB.

    Ela explica que é necessária uma avaliação com mais amplitude para uma afirmação tão categórica. “Por que uma disciplina deve eliminar a outra?, questiona. “Um estudo afirmando isso justamente num momento em que o governo golpista tira a obrigatoriedade dessas importantes matérias, soa algo estranho”.

    Ademais, complementa, “o ser humano é muito complexo e tem uma grande capacidade de aprendizado. O problema está na falta de qualidade da educação, totalmente para a avalição com provinhas e notas”.

    Betros defende a tese de nota diagnóstica que leva em conta o desempenho dos alunos em todo o transcorrer do ano. Ademais, “a partir de 2009, o Enem se transforma no segundo processo seletivo para o ensino superior do mundo”.

    Antes o Enem era somente uma avaliação do ensino médio, que “visava privilegiar as escolas particulares e consequentemente defender a sua privatização como esse governo quer fazer agora”, acentua.

    De acordo com a sindicalista, o movimento educacional defende a “obrigatoriedade de filosofia, sociologia, artes, educação física, porque essas disciplinas contribuem para o desenvolvimento cognitivo, motor e emocional dos jovens e são necessárias para a vida tanto quanto a matemática e a língua portuguesa”.

    O problema é que a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) possibilita o ensino de filosofia e sociologia de forma diluída durante todo o ensino médio.E “quando se quer acabar com uma disciplina, se transforma em ‘estudos e práticas'”, diz a deputada federal Professora Marcivânia (PCdoB-AP).

    Daniel Cara, coordenador-geral da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, mostra que “a educação, que por muitos anos ficou protegida da disputa política, e isso aconteceu de fato no governo Lula e menos no governo Dilma Rousseff, volta a ser centro de disputa”.

    E a questão de tirar a obrigatoriedade de “disciplinas tão fundamentais está no bojo da reforma do ensino médio que visa acabar com a educação pública e gratuita”, diz Betros.

    A questão é tão importante que o Senado Federal colocou em votação a proposta “Pela obrigatoriedade das disciplinas de Filosofia e Sociologia no Ensino Médio”, no site e-cidadania, no qual você pode votar. Até o fechamento desta matéria, quase 30 mil pessoas apoiaram a ideia, o que transforma o projeto em uma Sugestão Legislativa e o Senado terá que apreciá-la.

    Vote você também aqui.

    Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB

     

  • Foi aprovada nesta quarta-feira (5), na Comissão de Constituição e Justiça do Senado Federal, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 64/2016, de autoria do senador Jorge Viana (PT-AC). A PEC visa alterar o inciso XLII do art. 5º da Constituição, promulgada em 1988, para tornar o crime de estupro imprescritível.

    O autor utiliza como justificativa, um levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Com a afirmação de que menos de 10% dos casos de estupro são denunciados no país. A estimativa é de que ocorram 527 mil estupros anualmente no país.

    A mesma pesquisa afirma que 70% das vítimas são crianças e adolescentes. Grande parte dos casos ocorre dentro de casa. Isso, mostra que “não é pela roupa que se usa ou pelo horário que se está na rua que provoca o crime, mas a visão de que a mulher é propriedade privada do homem”, afirma Ivânia Pereira, secretária da Mulher Trabalhadora, da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).

    Atualmente, pela Constituição, são imprescritíveis apenas os crimes de racismo e a ação de grupos armados contra a ordem constitucional e o Estado Democrático de Direito. Para Pereira, a PEC pode ajudar no debate sobre mais rigor na punição a agressores de mulheres.

    “A violência de gênero vem crescendo no país na medida de avanço das ideologias do ódio e do medo. E o governo golpista ataca todas as políticas públicas em favor dos direitos de igualdade de gênero. Inclusive impedidno que esse debate seja levado para as escolas, melhor maneira de darmos um salto civilizacional para a construção de um país mais igual", diz.

    Para a sindicalista sergipana, juntamente com a PEC 64, “é fundamental um trabalho de conscientização da sociedade de que a mulher deve ter plenos direitos de exercer a cidadania e construir a igualdade de gênero". Por isso, diz ela, "é essencial denunciarmos esse crime hediondo para dimensioná-lo e combatê-lo com mais efetividade e rigor”.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy. Foto: Thinkstock Photos

    Assista vídeo da Revista Azmina: 

  • O general da reserva Hamilton Mourão, candidato a vice-presidente na chapa da extrema-direita ao lado de Jair Bolsonaro, afirmou em uma palestra no Sindicato da Habitação (Secovi), em São Paulo, nesta segunda-feira (17), que famílias “sem pai e avô” formam “fábricas de desajustados”.

    Esquece o general Mourão que, em 2016, o Conselho Nacional de Justiça divulgou que existem no Brasil, 5,5 milhões de crianças sem o nome do pai na certidão de nascimento, com base no Censo Escolar de 2011.

    “A partir do momento que a família é dissociada, surgem os problemas sociais que estamos vivendo e atacam eminentemente nas áreas carentes, onde não há pai nem avô, é mãe e avó. E por isso torna-se realmente uma fábrica de elementos desajustados e que tendem a ingressar em narco-quadrilhas que afetam nosso país”, disse Mourão.

    “Ledo e Ivo engano”, diria Luis Fernando Verissimo. A pesquisa Retrato das Desigualdades de Gênero e Raça,desmente o general extremista. De acordo com o levantamento feito pelo  Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o número de lares chefiados por mulheres passou de 23%, em 1995 para 40%, em 2015.

    O Censo 2010, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostra que 38,7% dos quase 58 milhões de domicílios, já eram chefiados por mulheres. “Visão totalmente fora da realidade desse general", diz Celina Arêas, secretária da Mulher Trabalhadora da CTB. "Qualquer pessoa que almeja dirigir um país, precisa ter bom senso".

    Para ela, “todo o discurso da candidatura da extrema-direita se baseia no ódio e na discriminação, sem a menor preocupação com a realidade”, complementa. “É incrível que em pleno século 21, ainda prevaleçam visões deturpadas, baseadas no ódio de classe, no sexismo e racismo”.

    Outro estudo, com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), do IBGE,  sobre o tema mostra que o número de lares chefiados por mulheres teve um aumento de 105% em 15 anos.

    O levantamento elaborado pelos demógrafos Suzana Cavenaghi e José Eustáquio Diniz Alves, sob a coordenação da Escola Nacional de Seguros, mostra que em 2001, 14,1 milhões de casas tinham a mulher como principal referência e em 2015 esse número passou para 28,9 milhões.

    Ainda, de acordo com o IBGE, no primeiro trimestre deste ano, a taxa de ocupação dos homens estava em 63,6% e as mulheres ocupadas representavam 44,5%. “Isso porque a crise vem se agravando com o desgoverno Temer e as mulheres são  as primeiras a perder o emprego”, afirma Celina. Além de as mulheres ganharem em média quase 1/3 a menos que os homens.

    A sindicalista lembra que cresce a participação das mulheres no mercado informal de trabalho. Como mostra levantamento do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o número de mulheres trabalhando como vendedoras ambulantes cresceu 55,5%, entre 2015 e 2017.

    "Diversos estudos comprovam que as mulheres estudam mais,trabalham mais, ganham menos e têm sobre os seus ombros as tarefas domésticas e a criação das filhas e filhos", define.

    Marcos Aurélio Ruy - Portal CTB. Foto: Suamy Beydoun/Agif/Estadão Conteúdo

  • Muito ainda precisa ser mudado no país. Estudo do IBGE mostra que se pelo menos quatro formas de trabalho fossem remuneradas poderiam agregar valor ao PIB (Produto Interno Bruto). A pesquisa cita os cuidadores de idosos, pessoas que fazem trabalho voluntário e as que se dedicam aos afazeres domésticos.

    São cerca de 148 milhões de pessoas sem renda atualmente no país. Com o mercado de trabalho deteriorado e o aumento expressivo da informalidade, as pessoas têm se virado como podem. O Brasil não oferece nenhum tipo de subsídio para pessoas que cuidam de idosos por conta própria como familiares, por exemplo.

    Ou donas de casa que exercem jornada dupla e chegam a trabalhar até 7,5 horas a mais do que os homens, segundo pesquisa do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada). Assim, sem perspectiva de mudanças, brasileiros continuam reféns da estagnação.

    Com informações de bancariosbahia.org.br