Sidebar

27
Qui, Jun

Iraque

  • O Comitê Norueguês do Nobel anunciou os vencedores do Prêmio Nobel da Paz 2018, nesta sexta-feira (5), em Oslo, capital da Noruega. Por suas atividades de combate às guerras e à violência sexual, o médico congolês Denis Mukwege e a ativista da minoria yazidi Nadia Murad, do Iraque, venceram a disputa entre as 115 organizações e os 216 indivíduos indicados. O prêmio é de aproximadamente US$ 1 milhão e será entregue numa cerimônia em Oslo em 10 de dezembro – Dia Internacional dos Direitos Humanos.

    “Muito merecido o Nobel da Paz para esses ativistas”, afirma Celina Arêas, secretária da Mulher Trabalhadora da CTB. “Os dois têm um trabalho fundamental para resgatar as vítimas desses crimes hediondos". 

    Para a sindicalista mineira, o exemplo de resistência e luta de ambos serve “de inspiração para todas as pessoas que defendem a cultura da paz e não acreditam no poder das armas e da opressão para resolver nenhum tipo de problema”.

    O médico ginecologista Mukwege, de 63 anos, conta horrores sobre vítimas de estupro na guerra da República Democrática do Congo. Ele ganhou o prêmio pela sua dedicação no atendimento das vítimas e na ajuda ao encaminhamento de suas vidas, depois de atendidas, cuidadas e medicadas.

    Nadia, de 25 anos, foi sequestrada pelo Estado Islâmico em 2014, no Iraque e transformada em escrava sexual, juntamente com outras 3 mil meninas, da minoria yazidi - grupo étnico-religioso do Iraque. Ela permaneceu três meses como escrava.  Quando conseguiu escapar do grupo defensor do ódio e da violência às minorias, se transformou numa ardorosa defensora das vítimas de estupro.

    "Denis Mukwege e Nadia Murad colocaram sua segurança pessoal em risco ao combaterem com coragem crimes de guerra e buscarem justiça para suas vítimas", explica em nota o Comitê responsável pelo Nobel da Paz. "Eles promoveram a fraternidade entre nações ao aplicarem princípios da legislação internacional", complementa.

    Berit Reiss-Andersen, presidente do comitê norueguês, afirma que a intenção com a premiação dos ativistas é passar para o mundo uma "mensagem de conscientização, de que as mulheres precisam de proteção e de que agressores devem ser processados e responsabilizados por suas ações".

    A jovem Nadia conta à BBC News que foi raptada com milhares de meninas quando os fanáticos do Estado Islâmico cercaram a sua aldeia, depois invadiram, mataram os homens e as mulheres mais velhas. Escravizaram crianças e as mulheres mais jovens.

    Ela conta que até meninas de 10 anos foram transformadas em escravas sexuais. "Perguntei por que faziam aquilo conosco, por que haviam matado nossos homens, por que nos estupraram violentamente. Disseram-me que 'os yazidis são infiéis, não são um povo das Escrituras, são um espólio de guerra e merecem ser destruídos'".

    Para Luiza Bezerra, secretária da Juventude Trabalhadora da CTB, “o fanatismo leva pessoas e grupos à cegueira" e isso "é um passo para o uso da violência e do abuso”. Ela acredita, porém, que a cultura do estupro ultrapassa as fronteiras do Oriente Médio, onde fica o grupo Estado Islâmico. “Muitos grupos de diversos países defendem abertamente a violência contra as mulheres, contra a juventude e às chamadas minorias”, diz.

    O médico Mukwege relata também à BBC a sua experiência e o terror experimentado ao atender vítimas da Guerra do Congo. “Comecei a me perguntar o que estava acontecendo”, relata. Para ele, a violência sexual se transformou em "arma de guerra”.

    Ele já atendeu mais de 30 mil vítimas de abuso sexual com ferimentos graves em seu país, que vive uma guerra civil que deixou mais de 6 milhões de mortos, e milhares de mulheres vêm sendo submetidas a estupros.

    Celina analisa o perigo que grupos extremisntas representam para a sociedade. "Ainda mais quando são misóginos (ódio às mulheres), racistas e LGBTfóbicos. É necessário muita reflexão sobre os projetos de defensores do ódio, da opressão e da utilização de armas como segurança pública”.

    Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB com informações da BBC News. Foto: Picture Alliance/Dpa

  • Por Socorro Gomes (*)

    Em diversos países a última semana foi marcada por manifestações, sempre silenciadas pela mídia empresarial, de solidariedade com o povo venezuelano. O Brasil foi palco de algumas delas. Na última sexta-feira (8) centenas de pessoas, lideradas por partidos políticos e movimentos sociais, foram até o Consulado Geral da Venezuela em São Paulo, externar sua solidariedade com o governo legítimo e constitucional do presidente Nicolás Maduro e com o povo irmão, que é vítima de uma tentativa de golpe de Estado e encontra-se sob ameaça de intervenção militar.

    Como presidenta do Conselho Mundial da Paz, somo-me a essas vozes de protesto contra a política de mudança de regime e a tentativa criminosa de derrubar o governo legítimo da Venezuela, A guerra   em preparação, comandada  por Donald Trump  e seus fantoches do cartel de Lima, tem o objetivo de controlar e apropriar-se das maiores reservas de petróleo conhecidas do planeta, além de outras importantes fontes de recursos naturais.

    Os Estados Unidos agem como Estado fora da lei buscando através da sabotagem, das sanções econômicas, da guerra midiática e diplomática,  impor o terror no país através de um fantoche que se autoproclamou “presidente encarregado”, totalmente a serviço de sua política de ingerência, violando as leis internacionais e levando o continente à beira  da guerra e devastação.

    São falsos os pretextos usados pelos imperialistas estadunidenses, de que defendem a democracia e os direitos humanos na Venezuela. O que querem é o controle das imensas riquezas petrolíferas e outros recursos do país. Querem impor seus interesses e domínio no continente e impedir pela força a afirmação de nações soberanas.

    Se o mundo permitir a concretização do ataque dos Estados Unidos contra a Venezuela, estará dando carta branca à repetição de crimes de lesa-humanidade, típicos do nazismo de Hitler e do imperialismo em crise dos tempos atuais. Não se pode, sob nenhum pretexto, permitir a repetição de guerras como as que destruíram a Iugoslávia e dilaceraram o Afeganistão, o Iraque, a Líbia, a Síria.

    Para ser livre, justo e equilibrado, o mundo não pode permitir tais desatinos, mas ater-se sempre à autodeterminação das nações e povos, como direito inalienável e sagrado, reconhecido pela Carta das Nações Unidas.

    Não se pode admitir as intervenções de um país sobre outro, os golpes antipopulares, a violação da soberania nacional, a guerra imperialista.

    O povo venezuelano é vítima de ameaças, golpes e agressões, inclusive a ameaça de intervenção armada pelo governo Trump, seus lacaios internos e no entorno latino-americano.

    Os povos devem levantar a voz e condenar a ingerência dos Estados Unidos e da União Europeia que, ao arrepio do Direito Internacional, fomentam a instabilidade, ao legitimar um autoproclamado “presidente interino” ou “presidente encarregado”, num ato que ignora as instituições democráticas do país.

    Agora, esse “presidente”, num gesto de covardia e traição nacional, afirma que vai solicitar a intervenção externa.

    Para além dos pretextos sobre a “defesa dos direitos humanos” e da “democracia” na Venezuela, invoca-se a “crise humanitária”. Contando com aliados servis, os Estados Unidos iniciaram uma operação fraudulenta de envio de “ajuda humanitária”, que não passa da instalação de um corredor para guerra. Já conta com o beneplácito do governo colombiano e espera a adesão do Brasil.

    Apoiamos o povo venezuelano e seu governo legítimo nos esforços para seguir adiante na construção do sistema político e econômico que corresponde aos interesses nacionais e populares.

    Defendemos o diálogo nacional e as iniciativas diplomáticas em favor da paz na Venezuela para impedir a realização dos criminosos planos agressivos do imperialismo.

    Renovamos a nossa convicção de que vale a pena lutar pela paz, a soberania nacional e a autodeterminação dos povos.

    (*) Socorro Gomes é presidenta do Conselho Mundial da Paz