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Qui, Jul

Jesus Cardoso

  • Reformas estruturais importantes, na década passada, tornaram a indústria naval nacional mais preparada para concorrer com as maiores do mundo. Centenas de empresas foram criadas e mais de 82 mil trabalhadores tinham emprego garantido nos estaleiros, situação bem diferente da década de 1990, quando o país, sem uma indústria local, pagava US$ 10 bilhões por ano para afretar navios de bandeira estrangeira.

    A falta de investimentos e a decisão do governo de acabar com a participação obrigatória da Petrobras, reduzindo drasticamente a exigência do conteúdo local (de 65% para 25%), podendo chegar a zero, podem decretar a falência total da indústria naval.

    O argumento de que a Petrobras está endividada é um embuste. A dívida da Petrobras tem a ver apenas com a queda do preço internacional do petróleo, os investimentos que ela fez no pré-sal e os fatores cambiais. Só.

    Todas as petroleiras estão atualmente endividadas e passando por situação de crises e, mesmo assim, estão correndo para o Brasil em busca do “ouro” que está sendo entregue.

    Nada impede a Petrobras de continuar como operadora única do pré-sal e manter o conteúdo local mínimo nos patamares que permitem fortalecer a indústria nacional, gerando emprego para milhares de trabalhadores.

    A contratação no exterior de sete plataformas, entre 11 previstas para até 2019, além de outras já transferidas para a Ásia, é um crime. A própria Petrobras sabe que a contratação no exterior não é garantia de cumprimento de prazos e de custos menores relativos.

    São um crime contra a indústria e a engenharia local os chamados desinvestimentos de US$ 21 bilhões para o biênio 2017-2018, que não significam outra coisa senão colocar à venda imensos campos de petróleo, já descobertos através de investimentos bilionários da Petrobras.

    A venda desses ativos e o fim do conteúdo local são os descaminhos por onde a Petrobras deixará de cumprir o seu papel de indutora do crescimento nacional e de geradora de riqueza e trabalho para o povo, detentora que é do monopólio de reservas monumentais de 200 bilhões a 300 bilhões de barris de petróleo e gás equivalente no pré-sal.

    O movimento nacional em defesa da indústria naval não vai permitir que o Brasil ande para trás. Não depois que o país soergueu este setor com grande esforço e investimentos públicos, principalmente, do Fundo de Marinha Mercante, FGTS e FAT. Inclusive para formação de mão de obra qualificada, com cursos técnicos, de engenharia naval e de outras especializações e pós graduações de milhares de trabalhadores.

    Todo esse esforço não pode naufragar. Ainda há tempo de mudar essa visão do governo em relação à Petrobras, reconhecendo os erros e acreditando que é possível melhorar e avançar em uma sociedade mais justa, com os empregos e o desenvolvimento de que o país tanto precisa.

    Jesus Cardoso é presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do Rio de Janeiro.


    Os artigos publicados na seção “Opinião Classista” não refletem necessariamente a opinião da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e são de responsabilidade de cada autor.

  • Começou nesta sexta-feira (18), o Encontro Nacional da CTB: Visão Classista sobre a Diversidade Social, na Cidade Maravilhosa. A abertura do evento ocorreu no Sindicato dos Metalúrgicos do Rio de Janeiro, que no ano que vem completa 100 anos. 

    Mais de 100 militantes das questões de gênero, igualdade racial e juventude, produziram ricos debates sobre a diversidade brasileira sob todos os aspectos. O presidente do Sindmetal-RJ, Jesus Cardoso, disse que é fundamental "enfrentar essa onda conservadora que assola o país e unir a classe trabalhadora contra os retrocessos".

    Acesse este linkpara ver o álbun de fotos do primeiro dia do encontro.

    Já Mônica Custódio, secretária da Igualdade Racial da CTB, defende a "união de todos e todas para sair da defensiva e mantermos as nossas conquistas dos últimos anos e avançar".

    Foi muito falado sobre o papel da mídia neste contexto de ódio e violência predominante. "Não podemos mais aceitar que a mídia, principalmente rádios e TVs que são concessões públicas continuem criminalizando os movimentos sociais e tratando as mulheres como objetos, insuflando a violência contra as mulheres. Basta de pregar a discriminação e o ódio", diz Ivânia Pereira, secretária da Mulher Trabalhadora da central que mais cresce no Brasil.

    Tereza Bandeira, do Sindicato dos Trabalhadores em Telecomunicações da Bahia

    Na parte da tarde, a socióloga Mary Garcia Castro analisou a conjuntura. "O movimento sindical, assim como os partidos políticos devem se reciclar e falar a linguagem do povo para dessa forma impedir o avanço das ideias fascistas".

    Eremi Melo, secretária-geral da CTB-RS 

    Em seguida foi a vez do promotor do Ministério Público Federal, Wilson Prudente falar sobre a história da luta contra a escravidão. "Foi eleito um nazista para a presidência da maior potência mundial e nós precisamos articular uma conferência mundial contra o racismo e assim nos organizarmos para impedir retrocessos", disse.

    O ato foi encerrado com uma roda de samba, afinal ninguém é de ferro e estamos no Rio de Janeiro, a terra do samba, nos 100 anos desse gênero musical .

    Portal CTB - Marcos Aurélio Ruy