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Qui, Jun

Karl Marx

  • O fim do sistema escravista não resultou na inserção da população negra nas relações sociais, culturais e econômicas na vida dos brasileiros no final do século 18. E muito menos agora, 130 anos pós Abolição.

    Em pleno século 21, em meio a uma nova onda tecnológica, e ou uma nova Revolução Industrial (Indústria 4.0) nos deparamos com pautas extremamente atrasadas, com governo golpista, ilegítimo, antidemocrático. E ainda uma agenda de retrocessos nos direitos sociais e trabalhista. Estamos nas ruas pela defesa de reinvindicações do início do século, como as pautas que deflagraram as greves de 1917.

    Após 13 anos de avanços as trabalhadoras negras, os trabalhadores negros, e não negros, em um governo pautado pelo desenvolvimento e inclusão social, que possibilitou um cenário de maior distribuição de renda com o aumento real do salário mínimo, e o reconhecimento das centrais sindicais, as vitórias na área de educação (todos os níveis), saúde, cultura e a paz no campo.

    O que nos deparamos nesta quadra da conjuntura nacional, no que diz respeito ao mercado de trabalho, é o fim dos direitos trabalhista, direitos individuais e coletivos. São as propostas de reformas, uma verdadeira ofensiva contra a classe trabalhadora.

    A previsão do governo ilegítimo é de golpe nos direitos do povo, com a reforma da previdência PEC 287/2016, onde ampliam o tempo de contribuição, em meio a uma reforma trabalhista (PLC 38/2017), que usurpa o direito ao trabalho digno, e que joga sua população nas condições de trabalho precário e rotativo, com direitos e relações flexíveis, tempo de trabalho indeterminado, o uso do trabalho intermitente (Jornada ou Hora de serviço), consequência da terceirização. Esse é o cenário nas relações de trabalho, em meio aos 130 anos da “Abolição”.

    É neste cenário que trabalhadores públicos e privados lutam pela manutenção de seus direitos, contra as reformas e o desmonte do estado. A nova Revolução Técnico Industrial, as TI’s (Indústria 4.0), nos trará como resultante um nível de desemprego nunca visto na história de nosso país. Seremos o 4º pais mais afetado por essa onda tecnológica. E o que podíamos contar como preparo para essa etapa importante das novas relações sociais, foi perdida com a paralisia das crises econômicas e políticas constituídas pela Lava Jato, responsável pela paralisia e quebradeira de vários setores da indústria, com maior nível de empregabilidade na economia do país.

    A política de estado mínimo instalada em nossa estrutura social, com a aprovação da PEC 55, Emenda Constitucional 95/2016, a PEC do fim do mundo, nos retira qualquer forma de perspectiva pelos próximos 20 anos. E as consequências destes desgovernos todos, é o retorno do desemprego, da fome, dos moradores de rua, do fim postos de saúde, e do aumento irrestrito da violência. E uma das violências mais aviltantes é a lógica de exclusão, que ceifa o dia as perspectivas de nossos jovens, não nos permitindo qualquer ponte com o futuro.

    Os indicadores sociais, e do mercado de trabalho, nos revelam que, em alguns aspectos, as desigualdades raciais e a discriminação de gênero se cruzam e se potencializam. A situação da mulher negra evidencia essa dupla discriminação. Ao olhar essa distribuição também por gênero, as desigualdades são ampliadas. No que se refere ao valor da remuneração média do homem não negro. Em 2014, a mulher não negra recebe 72,3% da remuneração do primeiro. Já o homem negro recebe 71,6% e, por último, a mulher negra recebe 50,5%, metade da remuneração do homem não negro.

    É histórico perceber que negras e negros sempre estiveram em situação de desvantagem, e os acontecimentos infelizmente ratificam essa questão, a relatora especial das Nações Unidas sobre questões de minorias nos alerta como sempre que “A pobreza tem cor no Brasil”, e os negros são os mais vulneráveis nas crises, é o elo mais fraco da corda econômica do país. A situação das relações produtivas dos negros e negras nas relações de trabalho, revelam que a situação econômica da população dos nossos trabalhadores no contexto recente do processo de estruturação passou por melhorias significativas, mas, no entanto, não podemos deixar de entender que essa mesma dinâmica ainda expressa uma construção, racista, homofóbica e sexista.

    Segundo a Pesquisa de Emprego e Desemprego - PED, o rendimento médio por hora recebido pelos negros corresponde a 76,6% dos não negros, outra questão é a distância observada em relação às taxas de desemprego, e aí podemos perceber que as mulheres negras ainda se encontram em situação de desvantagem. Já essas ocupam a maior posição na taxa de desempregados ainda se mantendo em situação de maior vulnerabilidade em relação ao homem negro.

    Os desafios que os movimentos sociais, e em especial o sindical, têm pela frente é a compreensão das nuances e singularidades da luta de classes em um outro ponto de vista. Não nos confundindo com o terceiro setor e, muito menos, nos direcionando por falta de compreensão ao multiculturalismo. Mas principalmente nos receber como instrumento essencial nos duelos de classes e no combate à estrutura dominante. Vide a base da composição histórica de nossa nação.
    A luta antirracismo e a luta das mulheres, e tantas as outras que vêm no lastro das questões de gênero raça e classe, não podem ser entendidas como políticas subjetivas. Elas se portam nas relações de trabalho como fator determinante nas mais valia absoluta e relativa, essência da exploração do homem sobre o homem, segundo Karl Marx.

    A Constituição Federal de 1988, no seu Artigo 5ª nos diz que: “Somos todos iguais perante a lei”. Só que não! O que temos é um estado dando nitidez a quem que ele serve. À burguesia. O que temos é o racismo institucional, que busca a todo tempo nos manter como base da pirâmide econômica e social, e também como exército de reservas de mão-de-obra. Nos constituindo sempre na condição de cidadãos de segunda classe.
    Desta forma nossa luta continua por Salário Igual para Trabalho de Igual Valor. Pela vida de Nossa Juventude: Porque nossa Vidas Valem!

    PRA SENZALA EU NÃO VOLTO NÃO!
    FORA TEMER! DIRETAS JÁ!

    Mônica Custódio é secretária de Promoção da Igualdade Racial da CTB.

    Os artigos publicados na seção “Opinião Classista” não refletem necessariamente a opinião da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e são de responsabilidade de cada autor.

  • Ao participar do debate Associações Docentes em Defesa da Educação, Ciência, Tecnologia e Inovação, a presidenta Dilma Rousseff disse que nos últimos 13 anos foram criadas políticas públicas contra os privilégios que poucos sempre tiveram neste país.

    O evento promovido pela Associação dos Docentes da Universidade Federal do ABC (ADUFABC) ocorreu nesta segunda-feira (18), a partir das 12h no campus da UFABC, em São Bernardo (SP), onde se reuniram centenas de estudantes que interromperam suas férias para defender a democracia.

    No campus de uma das 23 universidades construídas pelos governos de Lula e Dilma, a reportagem do Portal CTB acompanhou mais esse encontro de educadoras, educadores e estudantes com a presidenta Dilma. No ato, as frases mais ouvidas foram “Volta Dilma” e “Fica Querida”.

    Ao abrir os debates, a presidenta da ADUFABC, Maria Carlotto, afirmou que o objetivo desse evento era debater as propostas que o governo golpista tem anunciado para a educação e para a ciência.

    Para ela, os golpistas mostram a completa “falta de compromisso que a elite brasileira tem com a democracia, com os direitos sociais, trabalhistas e individuais”.

    O professor de Relações Internacionais da UFABC, Igor Fuser, que também é jornalista, atacou a proposta de alguns grupos reacionários da chamada “Escola Sem Partido”.

    dilma ufabc estudantes saida

    Estudantes recepcionam a presidenta Dilma na saída do evento aos gritos de "Fica Querida"

    "Tem professora sendo punida porque discutiu Karl Marx em sala de aula. Agora imagine você estudar economia, sociologia ou filosofia sem estudar Marx?”, questiona.

    Segundo ele, é o mesmo que “estudar biologia sem aprender as importantes descobertas de Charles Darwin para o estudo do desenvolvimento da vida. É impensável”.

    Para Dilma, “Escola Sem Partido é uma escola sem alma”. Ela defendeu ainda uma sociedade mais tolerante. “Porque tem clube de rico no Rio de Janeiro onde a babá não pode sentar ou usar ao banheiro”.

    Fuser acredita que as universidades federais correm sérios riscos. “Já estamos vendo os bolsistas e cotistas largarem os estudos porque não basta lhes dar uma bolsa, precisam de um aporte que os ajude a manterem-se na universidade”.

    Ele lembrou também da retirada de direitos trabalhistas, "fundamentais para o trabalho" e ainda falou da reforma da Previdência que "dificulta imensamente uma aposentadoria digna para todos e todas".

    Aí vêm os golpistas, argumenta Dilma, formando uma equipe de homens, brancos, velhos e ricos. “Não podemos mais aceitar a lógica do privilégio para alguns”.

    Assista trecho do discurso da presidenta Dilma

     

    De acordo com a presidenta ainda afastada, todos e todas devem ter acesso a “uma educação de qualidade, onde a ciência, a tecnologia, a informação e o conhecimento sejam compartilhados”.

    Sobraram críticas ao desgoverno Temer que corta verba da educação, da ciência, de pesquisas e visa entregar o ensino superior às mãos dos barões da educação, que pensam somente em lucro.

    Além de entregar os lucros do pré-sal para petrolíferas estrangeiras e tirar os royalties do petróelo da educação.

    No final teve gente dizendo "que inveja o Temer deve sentir desse carinho que o povo tem por Dilma".

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

     

  • Nossos passos vem de longe!

    Muitas de nós já foram queimadas em fogueiras!

    Muitas de nós estavam na linha de frente como atiradoras de elite na Revolução Russa!

    Muitas de nós como Aqualtune avó de Zumbi dos Palmares estavam dirigindo Quilombos, grandes espaços de luta e resistência!

    Muitas de nós como Helenira estavam no Araguaia liderando guerrilhas!

    Muitas de nós já foram estupradas nos porões da casa grande!

    Muitas de nós perderam seus companheiros e companheiras, perderam seus filhos e filhas no terror da ditadura!

    Uma de nós foi eleita a primeira presidenta do Brasil e sofreu impeachment sem crime de responsabilidade, sofreu machismo, misoginia, inúmeras violências como por exemplo um adesivo que incitava ao estupro, e foi afastada através de um golpe parlamentar que golpeou todo o povo brasileiro.

    Lutamos para que não esqueçamos e que tudo isso nunca mais aconteça.

    Os dias de chumbo da ditadura militar de 1964, nos lembram o período que estamos vivendo nos dias atuais.

    Estamos atravessando uma crise política, institucional, midiática, jurídica e civilizatória, que é bem mais grave que uma onda conservadora, vivemos um Tsunami Conservador que considero a sala de espera do fascismo.
    Forças de direita e extrema-direita estão em ascensão em vários países.

    O golpe no Brasil tem muitas dimensões e acentua o acirramento da luta de classes, concentrando mais ainda a riqueza em prejuízo da classe trabalhadora. O Impeachment é um golpe, que esconde a verdadeira máscara dos interesses do capital que é exterminar os governos populares e progressistas da região que formaram um bloco anti-imperialista latino-americano que conseguiu barrar a Alca e avançou nos últimos anos mais do que nos últimos dois séculos através do Mercosul, da Unasul, do conselho de defesa Sul-americano, fortaleceram as relações regionais a nível político e econômico e articulações transcontinentais especialmente no caso da Venezuela e Brasil sendo o BRICS a expressão mais destacada deste tipo de aliança.

    A vitória de Donald Trump no pleito presidencial dos EUA, é um atestado do declínio do império americano e dos impasses da globalização neoliberal, embaralhou a política externa do império, com iniciativas contraditórias como o fim da Parceria Transpacífico e a proibição da entrada de imigrantes muçulmanos no país, e acrescentou novas nuvens de incertezas num cenário que já se configurava crítico.

    O cenário de fundo é a crise atual do capitalismo que promove os fascismos, como já aconteceu na história recente, em formato diferente, com Mussolini, Hitler, Franco e Salazar.
    A crise do capitalismo nos últimos 10 anos mostra que a saída dos governos neoliberais, do capital financeiro e especulativo tem sido o arrocho e o aperto para cima dos trabalhadores e das trabalhadoras. A consequência é nítida: aumento da fome, pobreza, de guerras e conflitos em diversas partes do mundo.

    O usurpador, Michel Temer, busca com o apoio do consórcio político, empresarial, midiático, jurídico que consumou o golpe – dar sobrevida ao governo ilegítimo até 2018. Para isso, procura dar seguimento em ritmo acelerado, tal como foi no ano passado, à aprovação e à efetivação da agenda ultraliberal e conservadora.

    Assim, depois da EC 95 (Emenda Constitucional do Ajuste Fiscal) - que congela o orçamento obrigatório para a Educação, assistência social e a Saúde, por 20 anos, busca sucatear ainda mais a educação pública e acabar com o SUS, para assegurar os ganhos astronômicos dos rentistas e ter mais elementos para privatizar o Brasil.

    Com a reforma trabalhista, as férias poderão ser parceladas em até 3 vezes. A jornada de trabalho pode ser de até 12 horas diárias. A jornada intermitente permite que o trabalhador e a trabalhadora atuem apenas alguns dias na semana, ou trabalhe apenas algumas horas por dia. Terá que ficar à disposição do patrão e só receberá o equivalente às horas trabalhadas. Ou seja, nunca saberá qual será o seu salário no final do mês. Direito a 30 minutos de intervalo e mulheres grávidas ou amamentando poderão trabalhar em ambientes considerados insalubres, dentre outras atrocidades.

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    Estão vendendo o Brasil e depois do ataque ao regime de partilha do pré-sal que abriu caminho para a entrega dessa grande riqueza às multinacionais, Temer promete entregar agora uma joia há muito cobiçada pelo “mercado”: A reforma da previdência = morte sem aposentadoria, é um crime na vida do povo brasileiro, principalmente na vida das mulheres e das trabalhadoras rurais.

    Na contramão do reconhecimento da sobrecarga de trabalho e responsabilidades historicamente imputadas às mulheres, foi apresentada pelo governo golpista de Michel Temer uma proposta de reforma da previdência que propõe igualar a idade de homens e mulheres, trabalhadores e trabalhadoras rurais e urbanos para 65 anos, com 25 anos de contribuição. Dessa forma, as trabalhadoras rurais, por exemplo, que até agora se aposentavam com 55 anos, precisarão trabalhar pelo menos 10 anos a mais. Equiparar a idade de homens e mulheres para aposentadoria é desconsiderar a tripla jornada de trabalho das mulheres, que garantem a realização do trabalho doméstico e de cuidados, além da reprodução da força de trabalho.

    Estas mesmas mulheres, que já cumprem uma dupla jornada de trabalho, recebem salários menores que os homens. Nos dados do IBGE de 2014, as mulheres recebem 27% a menos que os homens, e as mulheres negras ganham 40% a menos que os homens brancos. Não é à toa que essa diferença também vai se expressar na aposentadoria.
    Um dos grandes desafios hoje é resistir à ofensiva de conservadores, reacionários e neoliberais na redução de direitos conquistados desde a promulgação da Constituição Cidadã de 1988, na venda do patrimônio brasileiro ao mercado estrangeiro e o desmonte da indústria nacional dentro de uma cartilha entreguista.

    A classe trabalhadora é quem mais sofre com a crise. O desemprego assume proporções devastadoras e já atinge mais de 200 milhões de trabalhadores e trabalhadoras no mundo.

    O ataque à classe trabalhadora é sem dúvida uma arma letal que fere de morte o povo brasileiro, já que o trabalho é um elemento definidor do próprio ser. Segundo Marx e Engels, ontologicamente o trabalho é o definidor do ser humano, uma vez que gera condições reais de existência.

    A dupla jornada de trabalho e a desigualdade salarial são dois dados chocantes da situação das mulheres trabalhadoras no Brasil que se completa com a triste constatação de que a precarização, a terceirização, o trabalho informal e o desemprego tem rosto de mulher e em sua maioria o rosto das mulheres negras.

    A violência do racismo institucional segue matando e massacrando as mulheres negras que são 25% da população brasileira e tem em sua história social a marca da escravidão, dos estupros e da violência cotidiana imposta por uma sociedade racista e machista. As mulheres negras chegam a ter salário duas vezes menor do que os homens brancos e, em geral, ocupam lugares de trabalho muito precarizados.

    Vivemos uma conjuntura de avanço do conservadorismo e de perda de direitos sociais e trabalhistas historicamente conquistados, seguido do aumento da violência e do controle sobre a vida e o corpo das mulheres, com o aumento do racismo, aumento do feminicídio, da lesbofobia, da homofobia, da transfobia, além da repressão, criminalização aos movimentos sociais e populares, criminalização do movimento sindical, das Centrais Sindicais e da desqualificação e perseguição das esquerdas.

    O que o fascismo foi e é, um sistema de governo em conluio com grandes empresas, que favorecem economicamente com a cartelização do setor privado, os subsídios às oligarquias financeiras e econômicas. Quando as crises rebentam as pessoas humanamente interrogam-se sobre o dia de amanhã. A reação mais imediata e espontânea é o receio pelo seu futuro. Se num primeiro impacto os princípios da sociedade que os impôs são postos em causa, a seguir regressam em força, pela mão dos agentes mais violentos do capitalismo.

    A face do conservadorismo da direita fascista – Onde grupos conservadores são maioria do Congresso Nacional, e retiram do Plano Nacional de Educação os conteúdos de igualdade de gênero, jogando todo o seu moralismo e atraso numa vala comum afirmando que queremos acabar com a família. Escancaram sua lesbofobia, transfobia e homofobia, mentindo e criando uma falsa polêmica sobre uma ideologia de gênero inventada por eles. A retirada do gênero dos planos municipais, estaduais e nacional de educação, faz parte da pauta conservadora em curso, que também se relaciona com a tramitação do Estatuto da Família que nega o direito a proteção do Estado às famílias LGBT e todas as outras famílias que fogem do padrão margarina: papai, mamãe e filhos e filhas.

    No último censo IBGE, de 2010, foram apontadas 60 mil famílias LGBTs e 19 laços de parentescos. Multiplas familias, multiplas formas, jeitos, arranjos, amores...

    No Manifesto do Partido Comunista, Marx e Engels, além de afirmarem o papel da família na reprodução da opressão da mulher, indicam a possibilidade e a necessidade de transformar essa instituição.

    Marx também faz uma análise crítica do conceito liberal de igualdade. Apresenta os limites da igualdade jurídica como instrumento de reversão da subordinação vivida pelas mulheres. Faz a distinção entre emancipação política formal que tem como objetivo a igualdade de direitos sem levar em consideração as desigualdades reais, apontando para o feminismo emancipacionista que persegue uma transformação das estruturas econômicas e políticas geradoras das desigualdades.

    A contribuição da revolucionária russa Alexandra Kollantai (1873-1952) que é uma referência importante para as feministas marxistas, abordou os temas do amor e da sexualidade, temas até então bem pouco considerados por pensadores marxistas dando conseqüência à análise de Karl Marx e Friedrich Engels em relação à falsa moral burguesa e aos interesses que sustentavam a instituição familiar, Kollantai argumentou a favor de uma sexualidade livre das amarras morais e materiais.

    Dentre as referências de mulheres feministas marxistas está a camarada Loreta Valadares (2007) que nos coloca um grande desafio: “Quando eu me for (se eu me for) vão até onde não fui”.

    Acreditamos que este momento histórico que estamos vivendo está completamente ligado a esta afirmativa de Loreta, pois ela entendia que a opressão de classe interliga-se com a opressão de gênero, coincidindo historicamente e se desenvolvendo entrelaçadas no decorrer da história. A elas, entrelaça-se a opressão de raça. Também defendia que a luta contra a opressão de gênero se insere na luta contra todos os elos de opressão e pela conquista de uma sociedade radicalmente livre, sem discriminação de sexo/gênero, raça e de classe.

    Ousamos afirmar: Uma sociedade radicalmente livre, sem opressão de classe, gênero, raça/ etnia, orientação sexual, identidade de gênero, geração, deficiências dentre outras. A luta por uma sociedade avançada e socialista e as lutas por direitos não são contraditórias, ao contrário, abrem possibilidades para nos aproximarmos cada vez mais das lutas e dos anseios do povo brasileiro.

    A laicidade do Estado está garantida na Constituição brasileira, mas muitos se elegeram pastor disso e daquilo, e deu nisso, a direita saiu do armário e em parceria com a mídia golpista buscam fazer a cabeça do povo, mostrando o que querem, quando querem, enfim, exercendo seu poder em favor do golpe institucional e midiático em curso.

    Os feminicídios estão acontecendo com requintes de crueldade e violência, e as mulheres LBT não aparecem nas estatísticas por estarem invisíveis, pois na maioria das vezes todas as mulheres são consideradas heterossexuais.

    Segundo o “Relatório de Violência LGBT ano de 2011”, foram notificados 278 homicídios de LGBT no país. Ainda naquele ano, foram denunciadas à Secretaria Especial de Direitos Humanos 6.809 violações de direitos humanos envolvendo 1.713 vítimas. O mesmo relatório referente ao ano de 2012 contabilizou 310 assassinatos e 9.982 violações de direitos humanos envolvendo 4.851 vítimas (BRASIL, 2013).

    O número de denúncias aumentou em 166% de um ano para o outro. Em 2013, segundo o mesmo relatório, em preparação para publicação, ocorreram 251 assassinatos e 3.398 violações de direitos contra lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais envolvendo 1.906 vítimas. Segundo balanço da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos divulgado em Janeiro de 2016, o ano de 2014 registrou 2.143 violações de direitos seguido de um total de 2.964 violações em 2015.

    É importante salientar que esses números, bastante expressivos da violência que atinge a população LGBT, possivelmente não revelam a quantidade real de todas as violações de direitos humanos desse segmento, devido à subnotificação dos dados produzidos por uma cultura de negação da denúncia, da desconfiança e descrença de respostas efetivas dadas pelos órgãos públicos, da naturalização desse tipo de violência no cotidiano, e do desconhecimento dos canais de denúncia. Entretanto, acredita-se que o aumento no número de denúncias revela uma maior inserção do Disque 100 pelo país como também uma leve mudança na cultura das denúncias no Brasil.

    A banalização da violência contra a população LGBT, como apontado, é um fator crucial que dificulta o seu enfrentamento. Enraizada na cultura e nas práticas sociais, essas violências acabam sendo assimiladas como comuns nas nossas relações. Tal assimilação produz subjetividades marcadas pela subalternidade e hierarquização entre sujeitos/as LGBTs e não-LGBTs. Esse processo cultural nos impõe o desafio de desnaturalizar as opressões e denunciar a forma como elas constrangem a humanidade por meio de novas práticas culturais e educativas - numa perspectiva freireana, libertadora.

    Quando uma mulher desafia o papel que lhe é imposto, como é o caso das Lésbicas, Bis, e Trans ao transgredirem a norma heteronormativa, acabam sofrendo uma violência “diluída” que vem de diversas frentes. “As violações contra as mulheres trans, de forma geral, repetem o padrão dos crimes de ódio, motivados por preconceito contra alguma característica da pessoa agredida que a identifique como parte de um grupo discriminado, socialmente desprotegido, e caracterizados pela forma hedionda como são executados, com várias facadas, alvejamento sem aviso, apedrejamento, reiterando, desse modo, a violência genérica e a abjeção com que são tratadas as pessoas trans no Brasil. Historicamente, a população trans é estigmatizada, marginalizada e perseguida, devido à crença na sua anormalidade, decorrente do estereótipo de que o “natural” é que o gênero atribuído ao nascimento seja aquele com o qual a pessoa se identifica e, portanto, espera-se que ela se comporte de acordo com o que se julga ser o “adequado” para esse ou aquele gênero” .

    O Brasil é o país que mais mata travestis e mulheres trans no mundo, de acordo com pesquisa do instituto TransEurope. Sendo assim, toda a população LGBT fica vulnerável a tamanha violência. Infelizmente os dados são alarmantes. A cada 36 horas um LGBT é assassinado no Brasil.

    E no mundo do trabalho a situação continua emblemática, 90% das travestis brasileiras estão fora do mercado de trabalho formal, de acordo com a Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA).

    A associação de preconceitos resulta em graves violações de direitos humanos cometidas em larga escala. Por meio de seus diversos mecanismos de monitoramentos, historicamente, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA (Organização dos Estados Americanos) tem recebido informações sobre a vulnerabilidade da população LGBT a atos de violência sexual ou familiar e constatou que, em todo o continente americano, as mulheres LBT correm o risco particular de violência devido à misoginia e à desigualdade de gênero na sociedade.

    Segundo a OEA, mulheres lésbicas ou identificadas desta forma foram vítimas de “estupro corretivo”, ou estupro para puni-las, com a intenção de “mudar” sua orientação sexual; de espancamentos coletivos por causa de manifestação pública de afeto; de ataques com ácidos; e de entrega forçada a centros que se oferecem para “converter” sua orientação sexual.
    Sempre foi proibido desejar outra mulher, e ainda hoje, a sociedade e os “moralistas de plantão” consideram o amor entre duas mulheres um “pecado”, um “desvio”, uma “anormalidade”, um desejo proibido.

    Nos dias de hoje, os fundamentalistas que estão representados no Congresso Nacional pelas bancadas do Boi, Bala, Bíblia (BBB), ainda afirmam que o divórcio é uma praga, que o aborto é um crime e entendem que o grande papel da mulher é procriar e cuidar da família, e que as Lésbicas, as Bis, as Travestis, as Transexuais e os Gays são pessoas que necessitam de “ajuda” da medicina, dos exorcistas ou da polícia.

    A questão não é ser Lésbica mas, sim, a lesbofobia que enfrentamos a cada dia, nessa sociedade regida pelo heteropatriarcado, pelo sexismo, pelos fundamentalismos que excluem e tão brutalmente destroem vidas e sentimentos, impedindo que nos expressemos livremente. É preciso considerar o processo de exclusão existindo a partir de determinadas opções ideológicas, de classe social, gênero, raça/etnia, livre orientação e expressão sexual, identidade de gênero, condições sociais e individuais exigidas para atingir as suas necessidades. Portanto, é um processo múltiplo que se compõe de situações de apartação de condições de classe, qualidade de vida, dignidade e igualdade de direitos.

    29 de Agosto – Dia Nacional da Visibilidade Lésbica

    A história de mulheres que amam outras mulheres não representa nenhuma novidade em nossa sociedade, já que a origem do termo lésbica, provém da ilha de Lesbos, ilha grega da Ásia Menor, marcada pela presença de Safo (século VII a.C), poetisa de talento excepcional cuja inspiração era insuflada pela paixão e desejo por mulheres. Sua obra foi queimada e reduzida a fragmentos, por sua orientação sexual e pela devoção às deusas gregas. As mulheres nascidas em Lesbos, eram chamadas de lésbicas.

    No Brasil, no século XVI, Felipa de Souza foi denunciada ao tribunal do Santo Ofício, na Bahia, por “práticas diabólicas”. Entre essas práticas, fazer amor com mulheres. Sua punição foi severa: a humilhação e o açoite públicos seguidos pelo exílio e morte.

    Hoje, no século XXI, pode-se dizer que muita coisa mudou, em decorrência da ação do movimento pelos direitos sexuais. As mulheres lésbicas e bissexuais brasileiras não são açoitadas em praça pública e não podem ser legalmente punidas por suas escolhas afetivas e sexuais. No entanto, o preconceito e a consequente discriminação seguem impedindo o exercício de liberdades fundamentais e violando os direitos humanos das mulheres lésbicas, bissexuais e transexuais.

    O movimento organizado e politizado em torno da população LGBT surge, no Brasil, no final dos anos 1970, no período de abertura política. A organização lésbica marca os idos dos anos 1979, quando lésbicas, predominantemente feministas, começam a marcar presença e visibilidade no primeiro grupo de afirmação homossexual do país, o Somos, em São Paulo.

    A organização lésbica no Somos se desenvolve através da formação de um subgrupo que agregou várias denominações: facção lésbica-feminista, subgrupo lésbico-feminista, ação lésbica-feminista.

    Em maio de 1980, em resposta ao machismo e ao patriarcado presentes no movimento gay, surge o primeiro grupo só de lésbicas, denominado Grupo Lésbico-Feminista, ou simplesmente LF. No final dos anos de 1980, as lésbicas do Grupo Lésbico-Feminista se dividem em dois caminhos: algumas saem da militância, outras ocupam diferentes espaços de organização coletiva (de natureza feminista e/ou de natureza lésbica ou outros movimentos). Em outubro de 1981, as lésbicas que optaram por consolidar a militância especificamente lésbica e feminista fundam o Grupo Ação Lésbica Feminista (GALF) que permaneceu atuante durante praticamente toda a década de oitenta (1981-1989).

    Se a década de 1980 é marcada por uma presença ainda tímida de grupos lésbicos, a partir de 1990, a organização do segmento começa a ocupar o cenário brasileiro de forma menos isolada, através da criação de outros grupos compostos somente de lésbicas, ou do fortalecimento de núcleos de lésbicas atuantes nos grupos mistos ou por meio de ativistas independentes/autônomas que militam em fóruns, redes e articulações. Dessa forma, no Brasil, os grupos de lésbicas vão se multiplicando e, aos poucos, conquistando maior visibilidade.

    Um momento significativo para a organização lésbica brasileira foi a construção do Seminário Nacional de Lésbicas (SENALE).

    O SENALE surgiu da necessidade de se ter um espaço onde as especificidades das lésbicas pudessem ser discutidas de uma forma mais ampla e democrática, já que nos encontros mistos esse espaço era e continua sendo machista e insuficiente.

    Em 1996, o Coletivo de Lésbicas do Rio de Janeiro - COLERJ e o Centro de Documentação e Informação Coisa de Mulher (RJ) realizaram naquele mesmo ano, o I SENALE, entre 29 de agosto e 01 de setembro, no RJ. O evento contou com a participação de aproximadamente, 100 lésbicas e teve como tema central “Saúde, Visibilidade e Organização”.

    dia nacional visibilidade lesbica

    Neste SENALE foi escolhido o 29 de agosto, como Dia Nacional pela Visibilidade Lésbica. A data adveio da necessidade coletiva de tornar público um segmento que, historicamente, ocupou o espaço da invisibilidade. Nesse horizonte, a expressão pública desponta como uma das estratégias centrais para romper com os estigmas sociais. Trata-se, ainda, de um instrumento para o fortalecimento político das mulheres que se relacionam com mulheres, sendo muitas delas, vítimas de violência psicológica, física e sexual em razão do machismo e dos preconceitos impregnados na sociedade.

    A Lesbofobia, Bifobia e Transfobia no Mundo do Trabalho

    Antes restrita a poucas categorias, a concessão de direitos a trabalhadores e trabalhadoras LGBT tem se espalhado nos últimos anos por diferentes convenções coletivas. Grupos como o dos químicos, bancários e, mais recentemente, de metalúrgicos e agricultores têm incluído em seus acordos cláusulas que vão da extensão de benefícios aos parceiros à licença casamento e licença adoção.

    O acesso dos trabalhadores e das trabalhadoras a esses direitos, contudo, ainda é bastante limitado em algumas áreas, de acordo com as entidades sindicais. O machismo, o preconceito e a falta de instrumentos dentro das empresas que resguardem os direitos dos funcionários e das funcionárias muitas vezes inibe pedidos de inclusão dos benefícios.

    Esse é o caso dos aeroviários de Porto Alegre. Diante da resistência das entidades patronais, a categoria recorreu ao Tribunal Superior do Trabalho (TST) para assegurar, em 2011, a inclusão das cláusulas que garantem, além da participação do dependente no convênio médico, o direito aos parceiros de usufruir dos descontos em passagens aos quais os funcionários das aéreas geralmente têm direito. Nos últimos quatro anos, contudo, apenas três trabalhadores da base do sindicato entraram com pedido de inclusão do companheiro, demonstrando que temos muito trabalho pela frente para que a população LGBT tenha condições de viver com igualdade de direitos e oportunidades no mundo do trabalho.

    O estigma e a discriminação vivenciados pela população LGBT (lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais) têm resultado em graves violações de direitos humanos, dificultando a erradicação da violência e de doenças como a aids. No mundo do trabalho, o estigma e a discriminação influenciam os níveis de eficiência e produção, o bem-estar laboral e o próprio acesso ou permanência em um trabalho decente.

    Considerando que apoiar a promoção dos direitos humanos é uma das principais missões das Nações Unidas no Brasil, a Organização Internacional do Trabalho (OIT), o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), o Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (UNAIDS) e seus parceiros promoveram a iniciativa “Construindo Igualdade de Oportunidades no Mundo do Trabalho – Combatendo a Homo-lesbo-transfobia”. Com base no texto da “Recomendação nº 200 da OIT sobre HIV/aids e o Mundo do Trabalho, 2010.

    Um trabalho decente é direito de todos os trabalhadores e trabalhadoras, bem como daqueles ou daquelas que estão em busca de trabalho, representando a garantia de uma atividade laboral em condições de liberdade, equidade, segurança e dignidade humana.

    Sabemos que a Reforma Trabalhista acaba com a CLT e, portanto, o negociado vale mais que o legislado. Imaginem que o exército de desempregados e desempregadas aumentará cada vez mais e sem dúvida as mulheres, negros e negras, LGBTs, deficientes serão cada vez mais excluídos do mundo do trabalho. O Brasil será um país de “biscateiros”.

    Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos enuncia a Declaração Universal dos Direitos Humanos, estabelecendo que o valor como pessoa é igual para qualquer ser humano, não importando sua raça, sexo, religião, orientação sexual, identidade de gênero, idioma, ou qualquer outra condição.

    Precisamos acreditar na nossa capacidade de construir, transformar, revolucionar esta sociedade, que continua oprimindo, quem se atreve a “sair da caixinha”... “fugir da regra”... sair do armário...

    Nossa cidadania existe, porque, lado a lado com a luta de classes, nos organizamos e nos constituímos enquanto sujeitos políticos coletivos, como lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais, em torno do direito à participação política, ao trabalho, à educação, à saúde, à cultura e às artes, aos esportes, a decidir pelo uso do próprio corpo, à subjetividade de desejar, amar e amar de novo, enfim, termos o direito de ter direitos. Já tivemos inúmeras conquistas, mas ainda temos muito que conquistar!

    A agenda conservadora que vem sendo imposta pelo conjunto de valores que ganham muita força com este governo ilegitmo, sem voto popular que representa e fortalece o patriarcado, a misoginia, o feminicídio, a cultura do estupro e a violência contra as mulheres: negras, lésbicas, bissexuais, transexuais, prostitutas, ciganas, deficientes, enfim, todas as mulheres com suas diversidades e especificidades, precisa ser combatida.

    O Fascismo não combina com direitos humanos, e democracia não combina com este projeto ultraliberal e conservador de Michel Temer e sua turma.

    Resistir e lutar é o que precisamos continuar fazendo, ocupando as ruas e dialogando cada vez mais com o povo, para que juntas e juntos possamos atravessar este período de acirramento da luta de classes e retirada de direitos.

    Neste momento de resistência e luta o principal desafio dos movimentos sociais e populares, movimentos sindical, é elevar a consciência política da classe trabalhadora, ganhando sobretudo corações e mentes da juventude trabalhadora na luta para derrotar o golpe, afastar o presidente golpista, conquistar novas eleições diretas e retomar a agenda da classe trabalhadora por um novo projeto nacional de desenvolvimento com valorização do trabalho, democracia e soberania nacional.

    Fora Temer! Diretas Já!

    “Alguém é homo, lés, bi, trans, travesti ou heterossexual à revelia de qualquer pré determinação? Mas podemos dizer que somos bichas, sapas, thildes [acréscimo meu], e/ou queer porque ao sermos interpeladas no lugar de abjeto (ignóbeis, bizarras, desprezíveis, inumanas) nos vimos diante de uma possibilidade: sermos assujeitadas e/ou de ressignificarmos nossas vidas” (Pocahi, 2007).

    “Alguém, creio, lembrará de nós no futuro” (Safo, 640 a.C.)

    Silvana Conti – Professora aposentada da RME/POA. Lésbica/Feminista. Secretária de Mulheres do PCdoB/RS. Vice - Presidenta da CTB/RS. Membro da direção da UBM Nacional. Militante da UNALGBT.

    Referências Bibliográficas:

    ENGELS, Friederich. O papel do trabalho na transformação do macaco em homem,1876.

    Documento Base do 4° Congresso Nacional da CTB\2017

    Documento construído durante o Fórum das Resistências 2017 pela Frente Gaúcha da Escola Sem Mordaça. Fonte:http://www.umoutroolhar.com.br. Por Camila Veras Mota

    Manifesto 08M Unificado 2017.

    POCAHI, Fernando. Um mundo de injúrias e outras violações: reflexões sobre a violência heterosexista e homofóbica a partir da experiência do Centro de Referência em Direitos Humanos. Rompendo o silêncio. Nuances, 2007.

    Promoção dos direitos humanos de pessoas LGBT no mundo do trabalho: OIT. UNAIDS.PNUD.Ano:2015, 2. ed. revista e ampliada

    Programa Socialista e Estatuto do Partido Comunista do Brasil,2009.

    VALADARES, Loreta. As faces do feminismo.Ed.Anita,2007.

    KOLLONTAI, Alexandra. A nova mulher e a moral sexual. Global, 1978.

  • A Secretaria nacional de Formação e Cultura da CTB realiza no dia 31 de janeiro, das 10h às 17h, no Sindicato dos Comerciários do Rio de Janeiro, localizado na Rua André Cavalcante, 33 - Lapa,  o curso presencial "Pleno emprego como fundamento da Democracia".

    O curso será ministrado pelo economista e professor José Carlos de Assis e é inteiramente gratuito, tendo como público-alvo os militantes de sindicatos filiados e núcleos da CTB. 

    Inscreva-se aqui!

    "Em tempos bicudos de aumento do desemprego, a compreensão de que ¨sem pleno emprego não há plena democracia¨é fundamental para compreender a centralidade do emprego no processo de desenvolvimetno. No curso, o professor José Carlos de Assis faz uma retrospectiva das principais teorias econômicas sobre a questão do emprego, abordando ainda a dinâmica do desemprego no capitalismo", ressaltou o secretário de Formação da CTB, Ronaldo Leite.

    Acompanhe temas que serão abordados no curso:

    1. A dinâmica do desemprego no capitalismo: descompasso entre produção de bens e produção de máquinas;
    2. Ciclos econômicos (Marx);
    3. Crise Financeira (Minsk);
    4. O exército industrial de reserva (Marx);
    5. Crise social provocada pelo desemprego e crise política: os anos 30;
    6. Política econômica para reverter o desemprego: Keynes;
    7. Financiamento do consumo através do déficit público; essencialidade do déficit em situação de recessão prolongada ou grande depressão;
    8. Interesse financeiro dos banqueiros e financistas em impedir o déficit público ou o aumento da dívida pública: inflação e credibilidade da dívida;
    9. O mantra universal dos neoliberais segundo o qual o Estado não pode, em nenhuma circunstância, inclusive em situação de alto desemprego, gastar mais do que arrecada;
    10. Análise dos argumentos: inflação e credibilidade da dívida.

     

    Biografia

    José Carlos de Assis é jornalista, economista político, professor, autor de mais de 25 livros sobre Economia Política e Filosofia Política.

    Inscreva-se aqui!

    Portal CTB

  • Teve início a pós-produção do filme “O Jovem Marx”, de Raoul Peck. A produção se passa em 1844, quando o jovem alemão Karl Marx , acompanhado de sua esposa, Jenny, encontra Friedrich Engels, filho de um industrial e autor de um estudo sobre as péssimas condições de trabalho dos operários britânicos. Os dois começam uma parceria intelectual e política, que inclui fugas espetaculares, repressão da polícia e manifestações populares.

    O filme é estrelado por Auguste Diehl (Karl Marx) – que já atuou em filmes como “Bastardos Inglórios” e “Trem Noturno para Lisboa” – Stefan Konarske (Engels) e Vicky Krieps (Jenny) e traz vários personagens da época e do lugar, como Moses Hess e Karl Grun. As filmagens se deram entre a França, a Bélgica e a Alemanha.

    O diretor do filme é o cineasta haitiano Raoul Peck, diretor de “Abril Sangrento”, filme que retrata o genocídio em Ruanda.

    A estréia do filme está com data prevista para 15 de junho de 2017.

    Assista trailer do filme 

    Fonte: Perspectiva On Line

  • A cena onde as personagens Marocas e Miss Celine visitam uma escola municipal de São Paulo (Foto: Reprodução daTV Globo)

    Cada dia que passa fica mais evidente o posicionamento político da Rede Globo. Em toda a sua programação, ataca os interesses da classe trabalhadora e defende os valores da burguesia. A emissora da família Marinho confirma uma frase de Karl Marx, em seu livro Liberdade de imprensa: “Ninguém é contra a liberdade, no máximo se é contra a liberdade dos outros”.

    O capítulo 29, da novela O Tempo não para (dirigida por dirigida por Adriana Melo, Leonardo Nogueira e Marcelo travesso, com roteiro de Bibi de Pieve, Mário Teixeira e Tarcísio Lara Puiati), é um bom exemplo disso.

    Em uma cena a emissora ataca “de maneira vil o serviço público e o trabalho das educadoras e educadores nas escolas públicas, totalmente fora da realidade, com o objetivo de privilegiar os barões da educação, defendendo a privatização”, diz Marilene Betros, secretária de Políticas Educacionais da CTB.

    Na cena, duas personagens visitam uma escola pública da rede municipal no bairro da Freguesia do Ó, na capital paulista. Aparece a diretora para atendê-las. Elas já perguntam porque não tem aula e a resposta é que as educadoras e educadores estão em greve.

    Confira aqui a cena que foi ao ar no dia 1º de setembro 

    A diretora pergunta o que querem. Uma diz que é professora e está desempregada. A diretora então responde que para trabalhar ali somente através de concurso. A outra quer vaga para as suas irmãzinhas. A diretora é categórica: “Não tem vaga”.

    As duas visitantes reclamam da precariedade da escola. Onde falta tudo, inclusive livros. Depois continuam o diálogo numa lanchonete criticando a necessidade de concursos para a entrada no serviço público.

    “A cena é exemplar do pensamento neoliberal sobre o Estado mínimo. Mostram o serviço público como ineficiente e, principalmente a educação como precária e com profissionais descomprometidos”, assinala Marilene.

    Não é novidade, a Rede Globo de televisão usar as telenovelas para enviar mensagens subliminares, sempre propagando os valores contrários à classe trabalhadora, a liberdade e mais ainda à igualdade de direitos. Nesse sentido, a teledramaturgia da emissora de maior audiência do país atinge as massas com o ideário burguês.

    Para a sindicalista baiana, “é um verdadeiro crime, mostrar em cena de novela, algo tão contrário aos interesses da maioria da população, atacando o ensino público, em vez de mostrar a realidade desse governo golpista que acaba com o Plano Nacional de Educação, corta o orçamento do Ministério da Educação e tira verbas do petróleo destinadas à educação”.

    Como parte da novela se passa no século 19 e outra na atualidade, a Globo deixa claro a sua disposição ao retrocesso, mostrando a antiguidade como um tempo melhor e que “os bons tempos” - para eles - deveriam voltar.

    Marcos Aurélio Ruy - Portal CTB

     

  • Na manhã desta terça-feira (30), as mulheres da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil em São Paulo (CTB-SP) realizaram uma plenária onde debateram a conjuntura nacional e internacional e as questões da mulher sindicalista.

    Gicélia Bitencourt, secretária da Mulher da CTB-SP, abriu os trabalhos lembrando dos desafios sas mulheres para atuar no movimento sindical. “Enfrentamos o machismo diariamente em casa, nas fábricas e nos sindicatos”, diz.

    Às 10h, a mesa, presidida por Bitencourt, foi formada por José Paulo Nobre, secretário-geral e Onofre Gonçalves, presidente da CTB-SP e a palestrante Celina Arêas, secretária de Formação e Cultura da CTB nacional.

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    Arêas fez uma explanação sobre a conjuntura nacional e internacional e a dificuldade em se debater as questões de gênero em meio aos retrocessos pretendidos pelo governo de Michel Temer, instaurado em 2016, mesmo sem votos.

    Ela citou uma frase do pensador e revolucionário alemão Karl Marx (1818-1883), que define o pensamento da CTB. “A história da humanidade é a história da luta de classes”, afirmou Marx. A sindicalista lembrou também que as lutas específicas fazem parte da luta de classes.

    Relacionou ainda as mudanças no capital e as suas consequências no mundo do trabalho, ressaltando a predominância do sistema financeiro, que “não produz nada e quer lucro fácil, apenas investindo em papéis e explorando a classe trabalhadora”.

    Por isso, para ela, “o movimento sindical precisa buscar novas formas de atuação, principalmente para atrair as mulheres, maioria da população, e a juventude”. Principalmente, porque “vivemos um momento de resistência à ofensiva contra os nossos direitos”.

    Após a explanação de Arêas, foi a vez de Raimunda Gomes, a Doquinha, secretária de Imprensa e Comunicação da CTB nacional, falar sobre a mulher sindicalista. “A sobrecarga de trabalho nos diferencia porque temos tripla jornada”, conta ela.

    “A mulher sindicalista exerce a sua função no mercado de trabalho, cuida da casa e dos filhos e ainda atua no movimento sindical”. Doquinha reforça a necessidade de se criar condições objetivas para atuação das mulheres.

    plenaria mulheres ctb sp 2017 05 30 doquinha celina gicelia onofre

    “Somente dessa maneira poderemos ampliar a participação feminina no movimento sindical”, reforça. Justamente, porque “os homens não entendem a agenda da mulher sindicalista”. Ressalva, porém, um crescimento da participação das mulheres, mesmo com dificuldades.

    Para ela, a luta agora é por equidade na divisão de cargos. “As mulheres vêm se qualificando há tempos para ocupar cargos de maior relevância seja no mercado de trabalho, no país ou no movimento sindical”.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

     

  • Inaugurada na quarta-feira (5) com aula do renomado jurista José Carlos Arouca, a Escola Nacional de Formação da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), tem a sua primeira aula na segunda-feira (17).

    Com o tema Os Precursores do Movimento Sindical e o Manifesto Comunista como Origem do Direito do Trabalho, os juristas Antônio Renan Arrais e Cláudio Henrique Gouvêa versarão sobre a luta da classe trabalhadora para conquistar “condições humanizadas de trabalho, porque sem resistência não se conquista direitos, porque as classes dominantes se organizam para explorar o trabalho”.

    Arrais explica que o Manifesto Comunista, de Karl Marx e Friedrich Engels, publicado originalmente em 21 de fevereiro de 1848, se transformou no principal marco do Direito do Trabalho. “Antes dele as relações de trabalho eram determinadas pelos patrões. O Manifesto é uma espécie de conclamação aos trabalhadores e trabalhadoras para se organizarem para defender seus interesses”.

    A aula de Arrais aprofundará a história de como a organização da classe trabalhadora mudou as relações de trabalho no mundo. “A necessidade de se defender da exploração do capital, fez a classe trabalhadora se organizar em sindicatos”.

    Faça a inscrição aqui.

    Inclusive, conta ele, a Organização Internacional do Trabalho foi criada em 1919, dois anos após a Revolução Russa, que “difundiu pelo mundo as ideias revolucionárias e a possibilidade de construção do socialismo em contraposição ao capitalismo”.

    O jurista também se refere à recém-aprovada reforma trabalhista no Brasil. “Essa reforma é a legalização do trabalho precário, deixando trabalhadores e trabalhadoras à mercê dos interesses do patrão. Certamente isso irá provocar muitas questões referentes ao Direito do Trabalho”.

    Quem quiser aprofundar o conhecimento sobre o tema, terá que comparecer à primeira aula da Escola Nacional de Formação da CTB, nesta segunda-feira (17), às 19h, na sede do Sindicato dos Oficiais Marceneiros de São Paulo, à rua das Carmelitas, 149, centro, na capital paulista.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

  • A professora de Sociologia Gabriela Viola foi afastada pela Secretaria Estadual de Educação do Paraná porque pediu um trabalho sobre o que os alunos haviam entendido de sua aula sobre o pensador alemão Karl Marx (1818-1883).

    Justamente porque os alunos do primeiro ano B do ensino médio fizeram um vídeo muito criativo com uma paródia do funk "Baile de Favela", do MC João, e o postaram na internet. 

    A paródia "Karl Marx é Baile de Favela" viralizou na internet juntamente com a campanha #VoltaGabi, promovida pelos alunos do Colégio Estadual Professora Maria Gai Grendel, que fica na capital Curitiba.

    Acompanhe a página do #VoltaGabi no Facebook aqui.

    Gabriela explica que suas aulas são voltadas para o incentivo aos estudos. Além de Marx, ela leciona pensadores como Émile Durkheim (1858-1917) e Max Weber (1864-1920). Nenhum dos dois tem proximidade com as ideias marxistas. Durkheim foi um sociólogo e psicólogo social francês que defendia o estudo da Sociologia para entender as "crenças e modos de comportamento instituídos pela coletividade". Já Weber foi um economista e jurista alemão. Seus trabalhos foram voltados para o estudo do capitalismo. Comumente se atribui aos três a criação da Sociologia como ciência.

    Alguns representantes da extrema-direita taxaram a aula de Gabriela de "doutrinação marxista". Fruto da proposta do que chamam de "Escola Sem Partido". O que para Isis Tavares, presidenta da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil no Amazonas, representa “a escola do pensamento único, da falta de diálogo e da desinteligência.”

    "A 'Escola Sem Partido' é a escola de apenas um partido, de apenas um lado (o mais conservador de todos), buscando enterrar a diversidade de pensamento natural na busca de conhecimentos e transformando o processo educacional em instrumento de opressão e de censura", diz Camila Lanes, presidenta da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas.

    Assista o vídeo do trabalho feito pelos alunos do 1º B do Colégio Estadual Professora Maria Gai Grendel

  • A professora de Sociologia Gabriela Viola foi afastada pela Secretaria Estadual de Educação do Paraná porque pediu um trabalho sobre o que os alunos haviam entendido de sua aula sobre o pensador alemão Karl Marx (1818-1883).

    Justamente porque os alunos do primeiro ano B do ensino médio fizeram um vídeo muito criativo com uma paródia do funk "Baile de Favela", do MC João, e o postaram na internet. 

    A paródia "Karl Marx é Baile de Favela" viralizou na internet juntamente com a campanha #VoltaGabi, promovida pelos alunos do Colégio Estadual Professora Maria Gai Grendel, que fica na capital Curitiba.

    Acompanhe a página do #VoltaGabi no Facebook aqui.

    Gabriela explica que suas aulas são voltadas para o incentivo aos estudos. Além de Marx, ela leciona pensadores como Émile Durkheim (1858-1917) e Max Weber (1864-1920). Nenhum dos dois tem proximidade com as ideias marxistas. Durkheim foi um sociólogo e psicólogo social francês que defendia o estudo da Sociologia para entender as "crenças e modos de comportamento instituídos pela coletividade". Já Weber foi um economista e jurista alemão. Seus trabalhos foram voltados para o estudo do capitalismo. Comumente se atribui aos três a criação da Sociologia como ciência.

    Alguns representantes da extrema-direita taxaram a aula de Gabriela de "doutrinação marxista". Fruto da proposta do que chamam de "Escola Sem Partido". O que para Isis Tavares, presidenta da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil no Amazonas, representa “a escola do pensamento único, da falta de diálogo e da desinteligência.”

    "A 'Escola Sem Partido' é a escola de apenas um partido, de apenas um lado (o mais conservador de todos), buscando enterrar a diversidade de pensamento natural na busca de conhecimentos e transformando o processo educacional em instrumento de opressão e de censura", diz Camila Lanes, presidenta da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas.

    Assista o vídeo do trabalho feito pelos alunos do 1º B do Colégio Estadual Professora Maria Gai Grendel

  • Por Marco Lucchesi*

    Escrevo, hoje, em primeira pessoa, apenas e tão somente, na qualidade de professor titular da UFRJ. Não falo senão por mim mesmo, com as cordas vocais que me constituem.

    Pergunto até quando Catilina irá abusar da nossa paciência, e qual o tamanho do abismo a que nos leva? Procuro modular minha indignação diante dos ataques desferidos à Constituição de 1988. Fruto soberbo de uma transição inacabada para a democracia, nossa Carta Magna vive sob estado de sítio. Espero que o Supremo desperte do sono dogmático e compreenda, de modo frontal, a gravidade do momento.

    Só o tempo dirá como chegamos ao presente estado de coisas e quem sequestrou nossa frágil democracia. Só o tempo dirá quais foram os arquitetos desse frágil castelo de cartas, e quem feriu o coração da República.

    Tenho mais de 50 anos e nunca me senti tão vilipendiado como professor. Os reitores das universidades são tratados como agentes da desordem e do “marxismo cultural”. O ministério ameaçou corte de verba por motivos impensáveis a três universidades. Ao perceber que era inconstitucional, abriu fogo contra todos.

    Houve quem defendesse o fim do ensino da Filosofia e da Sociologia. Um argumento interessante para documentar a que ponto chegamos.

    Nosso original chanceler, na mesma linha ortodoxa, disse que a autoridade máxima do país era o novo Messias, a pedra angular que todos rejeitaram.

    Sugiro que façamos um estudo do campo semântico da política atual, seguindo o “Linguagem do Terceiro Império”, de Viktor Klemperer.

    De onde tiraram a loucura de acabar com os cursos de Filosofia e Sociologia? Em que país do mundo, em que regime totalitário se ousaria tamanho dislate? Um misto de soberba e despreparo de hooligans, ungidos por um deus odioso.

    Mas é também um plano, para adestrar a universidade pública. Poderão ensinar, em casa, que a Terra é plana, ou quadrada, que a evolução não existe, que só a Bíblia interessa, e que a ciência sem religião é de satanás.

    Sou um péssimo exemplo: cursei História na UFF. Sou professor de literatura. E bem mais grave: com pós-doutorado de Filosofia na Alemanha. Deveria ressarcir os cofres públicos.

    Fico espantado que não tenham lido Max Weber, Karl Mannheim e, nem tampouco, o “deletério” Karl Marx, homem de vasta cultura. Esse filósofo, de barba selvagem, trazia no DNA o escândalo da desigualdade entre os homens. Ele e Francisco, o de Assis e o do Vaticano. Todos a serviço do “Fórum de São Paulo”.

    Não há problema se você é de direita ou de esquerda. O que espanta é a surda arrogância, o ódio à cultura e as paixões violentas.

    Certo ministro segue a cartilha do “filósofo” do turpilóquio, o das palavras grosseiras. É chocante a baixa qualidade do debate. Querem uma posição mais moderada? Pois muito bem, leiam Norberto Bobbio, leiam Karl Popper e Bertrand Russell. E compreendam a dignidade republicana dos cargos que ocupam.

    Não agridam a liberdade de cátedra, assegurada na Constituição. Os professores são tratados como espiões da KGB, dispostos a favorecer a entrada dos tanques soviéticos através de nossas fronteiras. É um caso psiquiátrico. Leiam o Manual de Diagnósticos (DSM-5).

    Eis a luta da “pedra angular” contra o dragão da maldade. Somos filhos do demônio, os professores, hereges que não obedecem à cartilha do pensamento único, se ainda houver conjunto de neurônios capazes de pensar.

    A Universidade pública é a maior conquista da sociedade civil. Compõe um capítulo formidável na História do Brasil e do Ocidente. Possui altos níveis de excelência, jamais deixou de rasgar novos horizontes científicos, apesar da verba irrisória.

    Peço aos que cuidam da educação maior cuidado. Que não se torne a dizer que o corte no ensino superior vai abrir mais creches. Esse dilema não existe. Trata-se de uma falácia que se aprende num simples manual de lógica.

    Porque não é matéria de Veterinária, mas de Filosofia.

    A diversidade do pensamento é o que interessa: de Kafka (com K) a Agostinho, de Adam Smith a James Joyce (com Y). O diálogo construtivo sem ódio e sem anátema.

    Não busco a imprecação e o pugilato. Trabalho no campo das ideias, de modo contundente e ao mesmo tempo respeitoso.

    Mas não vou assistir, de braços cruzados, ao desmonte da Universidade pública

    *Marco Lucchesi é um premiado poeta, escritor, romancista, ensaísta e tradutor brasileiro, membro da Academia Brasileira de Letras, da Academia de Ciências de Lisboa, do Pen Club do Brasil e da Accademia Lucchese delle Scienze, Lettere e Arti

  • A Fundação Maurício Grabois realiza o Seminário Bicentenário de Karl Marx: Desbravar um mundo novo no século XXI, neste sábado (19) das 9h às 20h30, no Novotel Jaraguá (Rua Martins Fontes, 71, centro, São Paulo).

    O pensador e revolucionário alemão Karl Marx (1818-1883) significa um divisor de águas no pensamento humano com a criação da dialética materialista. De acordo com os organizadores “as exposições e os debates irão focar a atualidade do marxismo para a interpretação e transformação do mundo na contemporaneidade”.

    Confirme a presença pela página oficial do evento no Facebook.

    Confira a programação completa:

    9h: Abertura

    Luciana Santos, presidenta nacional do PCdoB

    Renato Rabelo, presidente da Fundação Maurício Grabois

    10h: Primeira Mesa

    Análise marxista das crises do capitalismo e da ordem do sistema internacional

    Expositores: Frederico Mazzucchelli, economista, professor da Unicamp; Luis Fernandes, cientista político, professor da UFRJ e PUC-RJ

    Coordenação: Madalena Guasco Peixoto, professora, diretora do Centro de Educação PUC-SP

    12h30: Encerramento. Intervalo almoço

    14h: Segunda Mesa

    Marxismo: uma nova consciência do mundo. Marxismo e movimentos sociais

    Expositores: Dermeval Saviani, professor emérito da Unicamp; Andréia Galvão, professora de Ciência Política da Unicamp

    Coordenação: Flávia Calé, mestranda em História pela USP

    16h45: Encerramento

    17h: Terceira Mesa

    O Projeto Mega e a construção de uma biografia intelectual de Marx

    Expositor: Michael Heinrich, cientista político alemão, pesquisador do Projeto Mega

    Coordenação: Fábio Palácio, professor do Departamento de Comunicação da UFMA

    18h: Encerramento

    Coquetel comemorativo dos 10 anos da Fundação Maurício Grabois e sessão de autógrafos dos livros:

    1) Desbravar um mundo novo no século XXI (. Vários autores. Anita Garibaldi/Fundação Maurício Grabois;

    2) Karl Marx e o nascimento da sociedade moderna: biografia e evolução de sua obra (volume I) Michael Heinrich, Boitempo.

    20h30: Término das atividades

    Serviço:

    “Seminário Bicentenário de Karl Marx: Desbravar um mundo novo no século XXI”

    Data: 19 de maio (sábado)

    Horário: 9 horas às 20h30

    Local: Novo Hotel Jaraguá

    Endereço: Rua Martins Fontes, 71, São Paulo

    Portal CTB e Fundação Maurício Grabois