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Qui, Jun

laranjas

  • Por Altamiro Borges*

    Como diria o ex-juiz Sergio Moro, atual superministro do governo em chamas: ainda não há provas, mas cresce a convicção de que Gustavo Bebianno venderá muito caro o seu silêncio sobre as sujeiras da campanha que resultaram na vitória da extrema-direita nas eleições do ano passado. Na tarde de domingo (17), o provável defecado da Secretaria-Geral da Presidência já havia abrandado sua bronca contra o "desleal", "fraco" e "louco" Jair Bolsonaro – segundo desabafos vazados pela imprensa. Em entrevista a Danilo Martins, da TV Globo, ele afirmou no maior cinismo que "agora é hora de esfriar a cabeça" – isto após ter colocado fogo no bordel, que reúne o que há de pior na política nativa, como milicos ressentidos, abutres rentistas, corruptos velhacos, fanáticos religiosos e fascistas malucos.

    Ainda segundo a reportagem, Gustavo Bebianno "foi abordado por jornalistas no hotel onde mora, em Brasília, quando saía para o almoço. Ele deu a declaração diante de perguntas sobre se falaria a respeito de sua eventual demissão do cargo. 'Agora é hora de esfriar a cabeça', afirmou o ministro. Bebianno viveu uma semana de crise dentro do governo, após denúncias de candidaturas 'laranjas' no PSL e um episódio de atrito entre ele e o filho do presidente, Carlos Bolsonaro. Integrantes do governo dão como certo que o presidente vai exonerar o ministro. Aos jornalistas que o aguardavam no hotel, ele disse que, por ora, não vai se pronunciar sobre o caso. 'Daqui a alguns dias', afirmou".

    A aparente calma de Gustavo Bebianno não combina com as notícias que circularam durante todo o domingo – tendo como centro de irradiação o próprio Grupo Globo. A primeira bomba foi disparada pelo Blog de Lauro Jardim, que postou que o defecado revelou a amigos que estava "perplexo" com o tratamento recebido e que se arrependera de ter comandado a campanha do capitão. "Preciso pedir desculpas ao Brasil por ter viabilizado a candidatura de Bolsonaro", desabafou. Ele ainda relativizou o papel do vereador Carlos Bolsonaro, filho do presidente, na crise. "O problema não é o pimpolho. O Jair é o problema. Ele usa o Carlos como instrumento. É assustador”, afirmou a um aliado. Ainda segundo o blog hospedado no jornal O Globo, ele disse ao mesmo interlocutor: “Perdi a confiança no Jair. Tenho vergonha de ter acreditado nele. É uma pessoa louca, um perigo para o Brasil”.

    Na sequência, o Blog do Camarotti, hospedado no G1, revelou que Gustavo Bebianno “demonstrou profundo arrependimento em ter trabalhado ativamente pela eleição do presidente Jair Bolsonaro... 'Preciso pedir desculpas ao Brasil por ter viabilizado a candidatura de Bolsonaro. Nunca imaginei que ele seria um presidente tão fraco', disse para um aliado, numa referência à influência dos filhos do presidente nos rumos do governo, especialmente do vereador Carlos Bolsonaro. Nessas mesmas conversas, Bebianno demonstra preocupação com o efeito desse protagonismo familiar nas decisões do país. E reconhece que o governo Bolsonaro precisa descer do palanque para administrar o Executivo", relata Gerson Camarotti, que também é comentarista da GloboNews.

    Após o impacto das postagens dos jornalistas globais, Gustavo Bebianno se apressou em desmentir os vazamentos dos bombásticos desabafos e veio com a conversa de que "é preciso esfriar a cabeça". O aparente recuo fez crescer a suspeita de que há algo de podre sendo negociado nos porões do Palácio do Planalto. Quando surgiram as denúncias do desvio de grana para candidatos do PSL – já batizado de Partido Só de Laranjas –, circulou a conversa de que Gustavo Bebianno, presidente da legenda na campanha eleitoral, ganharia um cargo numa empresa estatal para ficar quieto.

    Um carguinho numa estatal?

    Matéria publicada no Estadão no sábado até problematizou sobre a possível negociata, alertando que "o ministro da Secretaria-Geral da Presidência não pode assumir cargo de direção em estatais do governo. A possibilidade foi aventada depois que o presidente Jair Bolsonaro ofereceu a ele um cargo na máquina federal fora do Palácio do Planalto, como compensação à sua saída do primeiro escalão do governo... O artigo 17 da Lei 13.303/2016 impôs critérios claros para a escolha de pessoas para cargos de diretoria, presidência e membros de Conselho de Administração de estatais, e o atual ministro da Secretaria-Geral da Presidência não cumpre essas regras".

    "Os indicados para as estatais, segundo a lei, não podem ter atuado, nos últimos 36 meses, 'como participante de estrutura decisória de partido político ou em trabalho vinculado a organização, estruturação e realização de campanha eleitoral". A lei também impede a indicação de "ministro de Estado' e de 'dirigente estatutário de partido político'. É o caso de Bebianno, que, além de ministro, foi presidente do PSL, partido político do presidente Jair Bolsonaro, entre março e outubro de 2018". O alerta do Estadão não serve muito para os milicianos e laranjas do atual governo. Sabe-se lá o que rolou – ou está rolando – no bordel em chamas de Brasília.

    *Jornalista, presidente do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé

  • Primeiro o presidente apoiou publicamente o filho Carlos Bolsonaro, vereador carioca, que chamou o ministro Gustavo Bebianno (Secretaria Geral da Presidência) de mentiroso. Sugeriu que Bebbiano, que foi presidente do PSL, devia “voltar às origens”, ou seja, se demitir do governo. Mas o ministro, envolvido no escândalo dos laranjas do Partido, não acatou o conselho e disse que se o capitão quisesse que arcasse com o ônus de exonerá-lo.

    Bebbiano também procurou e encontrou aliados no partido que liderou até migrar para o Palácio do Planalto e também no Parlamento, onde políticos insinuaram que poderiam revelar verdades desagradáveis sobre a família Bolsonaro, cuja imagem moral já lembra o retrato de um galinheiro.

    No último fim de semana, o jornal "Folha de São Paulo" informou que o PSL repassou R$ 400 mil a uma candidata a deputada federal de Pernambuco, que recebeu apenas 274 votos, quatro dias antes da eleição. Ainda segundo o jornal, o repasse foi feito no período em que Gustavo Bebianno era presidente do partido.

    Crise politica

    Instalou-se em Brasília uma crise política, que logo atravessou o Palácio e visitou o Congresso Nacional. O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, tratou de alertar o governo que a saída do ministro mentiroso (segundo o filho do presidente), acusado de usar laranjas do PSL durante a campanha eleitoral de 2018 para desviar recursos, pode impedir a aprovação da reforma da Previdência no Congresso Nacional.

    A encenação iniciada por Jair Bolsonaro teve o objetivo de preservar a imagem falsa, moralista, de um governo supostamente comprometido com o combate à corrupção. O algoz de Lula e herói incondicional da mídia burguesa, juiz Sergio Moro, agora ministro da Justiça do governo da extrema direita, achou que estava prestando um bom serviço ao patrão ao anunciar que a Polícia Federal vai investigar o escândalo dos laranjas.

    Mas Bolsomoro (apelido que o cineasta José Padilha atribuiu a Sergio Moro) pode ter se precipitado e tende a sair deste episódio um pouco mais arranhado e desmascarado. Não custa lembrar que em relação ao escândalo de um dos filhos do presidente, o senador Flávio Bolsonaro (ligação perigosa com as milícias cariocas e apropriação indébita de salários na Assembleia Legislativa do Rio), o herói dos coxinhas se armou com um eloquente silêncio sob o pretexto (contestado pelos críticos) de que não tem nada a ver com o caso.

    Segredos explosivos

    Diante das pressões e ameaças veladas de aliados, o presidente julgou mais oportuno ensaiar um recuo, como fez em outras ocasiões, evidenciando a falta de rumo do seu governo. Prometeu afastar o filho das questões políticas relacionadas ao Palácio do Planalto e chegou a sinalizar com a manutenção de Bebbiano no Ministério. Fica evidente que os gestos do presidente para indicar rigor no combate à corrupção não passaram de mise en scène.

    Mas a crise se avolumou e a permanência de Bebbiano tornou-se inviável, sendo provável que na segunda-feira (17) ele seja defenestrado do cargo. Isto pode ter um custo alto, uma vez que o ministro assumiu a presidência do PSL (partido pelo qual Bolsonaro se elegeu) em 2018, coordenou os gastos e tinha a chave do cofre e dos segredos financeiros da campanha presidencial, que contou com recursos de Caixa 2, que a legislação eleitoral não permite. Bebbiano detém segredos que têm o potencial de desestabilizar o governo e disse que quer uma "saída honrosa", embora não se saiba se a esta altura isto seja possível. 

    As manchas da corrupção perseguem o governo de Jair Bolsonaro, que todavia finge combater o mal. O único compromisso real do líder da extrema direita é o de radicalizar a agenda de restauração neoliberal imposta aos brasileiros pelo golpe de Estado de 2016, uma agenda que contempla exclusivamente os interesses do capital contra o trabalho e do imperialismo em detrimento da soberania nacional.

    O mercado respira nesses dias um clima de consternação e receio de que a sucessão de crises no Palácio em menos de 50 dias de (des)governo compromete a votação da reforma da Previdência ansiada pelos banqueiros e grandes capitalistas.

    Umberto Martins 

  • Primeiro o presidente apoiou publicamente o filho Carlos Bolsonaro, vereador carioca, que chamou o ministro Gustavo Bebianno (Secretaria Geral da Presidência) de mentiroso. Sugeriu que Bebbiano, que foi presidente do PSL, devia “voltar às origens”, ou seja, se demitir do governo. Mas o ministro, envolvido no escândalo dos laranjas do Partido, não acatou o conselho e disse que se o capitão quisesse que arcasse com o ônus de exonerá-lo.

    Bebbiano também procurou e encontrou aliados no partido que liderou até migrar para o Palácio do Planalto e também no Parlamento, onde políticos insinuaram que poderiam revelar verdades desagradáveis sobre a família Bolsonaro, cuja imagem moral já lembra o retrato de um galinheiro.

    No último fim de semana, o jornal "Folha de São Paulo" informou que o PSL repassou R$ 400 mil a uma candidata a deputada federal de Pernambuco, que recebeu 274 votos, quatro dias antes da eleição. Ainda segundo o jornal, o repasse foi feito no período em que Gustavo Bebianno era presidente do partido.

    Crise politica

    Instalou-se em Brasília uma crise política, que logo atravessou o Palácio e visitou o Congresso Nacional. O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, tratou de alertar o governo que a saída do ministro mentiroso (segundo o filho do presidente), acusado de usar laranjas do PSL durante a campanha eleitoral de 2018 para desviar recursos, pode impedir a aprovação da reforma da Previdência no Congresso Nacional.

    A encenação iniciada por Jair Bolsonaro teve o objetivo de preservar uma imagem falsa, moralista, de um governo supostamente comprometido com o combate à corrupção. O algoz de Lula e herói incondicional da mídia burguesa, juiz Sergio Moro, agora ministro da Justiça do governo da extrema direita, achou que estava prestando um bom serviço ao patrão ao anunciar que a Polícia Federal vai investigar o escândalo dos laranjas.

    Mas Bolsomoro (apelido que o cineasta José Padilha atribuiu a Sergio Moro) parece ter se precipitado e tende a sair deste episódio um pouco mais arranhado e desmascarado. Não custa lembrar que em relação ao escândalo de um dos filhos do presidente, o senador Flávio Bolsonaro (ligação perigosa com as milícias cariocas e apropriação indébita de salários na Assembleia Legislativa do Rio), o herói dos coxinhas se armou com um eloquente silêncio sob o pretexto (contestado pelos críticos) de que não tem nada a ver com o caso.

    Mise en scène

    Diante das pressões e ameaças veladas de aliados, o presidente julgou mais oportuno voltar atrás, como fez em outras ocasiões, evidenciando a falta de rumo do seu governo. Decidiu afastar o filho das questões políticas relacionadas ao Palácio do Planalto e sinaliza com a manutenção de Bebbiano no Ministério. Fica evidente que os gestos do presidente para indicar rigor no combate à corrupção não passaram de mise en scène.

    O único compromisso real do líder da extrema direita é o de radicalizar a agenda de restauração neoliberal imposta aos brasileiros pelo golpe de Estado de 2016, uma agenda que contempla exclusivamente os interesses do capital contra o trabalho e do imperialismo em detrimento da soberania nacional.

    Umberto Martins 

  • Primeiro o presidente apoiou publicamente o filho Carlos Bolsonaro, vereador carioca, que chamou o ministro Gustavo Bebianno (Secretaria Geral da Presidência) de mentiroso. Sugeriu que Bebbiano, que foi presidente do PSL, devia “voltar às origens”, ou seja, se demitir do governo. Mas o ministro, envolvido no escândalo dos laranjas do Partido, não acatou o conselho e disse que se o capitão quisesse que arcasse com o ônus de exonerá-lo.

    Bebbiano também procurou e encontrou aliados no partido que liderou até migrar para o Palácio do Planalto e também no Parlamento, onde políticos insinuaram que poderiam revelar verdades desagradáveis sobre a família Bolsonaro, cuja imagem moral já lembra o retrato de um galinheiro.

    No último fim de semana, o jornal "Folha de São Paulo" informou que o PSL repassou R$ 400 mil a uma candidata a deputada federal de Pernambuco, que recebeu 274 votos, quatro dias antes da eleição. Ainda segundo o jornal, o repasse foi feito no período em que Gustavo Bebianno era presidente do partido.

    Crise politica

    Instalou-se em Brasília uma crise política, que logo atravessou o Palácio e visitou o Congresso Nacional. O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, tratou de alertar o governo que a saída do ministro mentiroso (segundo o filho do presidente), acusado de usar laranjas do PSL durante a campanha eleitoral de 2018 para desviar recursos, pode impedir a aprovação da reforma da Previdência no Congresso Nacional.

    A encenação iniciada por Jair Bolsonaro teve o objetivo de preservar uma imagem falsa, moralista, de um governo supostamente comprometido com o combate à corrupção. O algoz de Lula e herói incondicional da mídia burguesa, juiz Sergio Moro, agora ministro da Justiça do governo da extrema direita, achou que estava prestando um bom serviço ao patrão ao anunciar que a Polícia Federal vai investigar o escândalo dos laranjas.

    Mas Bolsomoro (apelido que o cineasta José Padilha atribuiu a Sergio Moro) parece ter se precipitado e tende a sair deste episódio um pouco mais arranhado e desmascarado. Não custa lembrar que em relação ao escândalo de um dos filhos do presidente, o senador Flávio Bolsonaro (ligação perigosa com as milícias cariocas e apropriação indébita de salários na Assembleia Legislativa do Rio), o herói dos coxinhas se armou com um eloquente silêncio sob o pretexto (contestado pelos críticos) de que não tem nada a ver com o caso.

    Mise en scène

    Diante das pressões e ameaças veladas de aliados, o presidente julgou mais oportuno voltar atrás, como fez em outras ocasiões, evidenciando a falta de rumo do seu governo. Decidiu afastar o filho das questões políticas relacionadas ao Palácio do Planalto e sinaliza com a manutenção de Bebbiano no Ministério. Fica evidente que os gestos do presidente para indicar rigor no combate à corrupção não passaram de mise en scène.

    O único compromisso real do líder da extrema direita é o de radicalizar a agenda de restauração neoliberal imposta aos brasileiros pelo golpe de Estado de 2016, uma agenda que contempla exclusivamente os interesses do capital contra o trabalho e do imperialismo em detrimento da soberania nacional.

    Umberto Martins 

  • Primeiro o presidente apoiou publicamente o filho Carlos Bolsonaro, vereador carioca, que chamou o ministro Gustavo Bebianno (Secretaria Geral da Presidência) de mentiroso. Sugeriu que Bebbiano, que foi presidente do PSL, devia “voltar às origens”, ou seja, se demitir do governo. Mas o ministro, envolvido no escândalo dos laranjas do Partido, não acatou o conselho e disse que se o capitão quisesse que arcasse com o ônus de exonerá-lo.

    Bebbiano também procurou e encontrou aliados no partido que liderou até migrar para o Palácio do Planalto e também no Parlamento, onde políticos insinuaram que poderiam revelar verdades desagradáveis sobre a família Bolsonaro, cuja imagem moral já lembra o retrato de um galinheiro.

    No último fim de semana, o jornal "Folha de São Paulo" informou que o PSL repassou R$ 400 mil a uma candidata a deputada federal de Pernambuco, que recebeu 274 votos, quatro dias antes da eleição. Ainda segundo o jornal, o repasse foi feito no período em que Gustavo Bebianno era presidente do partido.

    Crise politica

    Instalou-se em Brasília uma crise política, que logo atravessou o Palácio e visitou o Congresso Nacional. O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, tratou de alertar o governo que a saída do ministro mentiroso (segundo o filho do presidente), acusado de usar laranjas do PSL durante a campanha eleitoral de 2018 para desviar recursos, pode impedir a aprovação da reforma da Previdência no Congresso Nacional.

    A encenação iniciada por Jair Bolsonaro teve o objetivo de preservar uma imagem falsa, moralista, de um governo supostamente comprometido com o combate à corrupção. O algoz de Lula e herói incondicional da mídia burguesa, juiz Sergio Moro, agora ministro da Justiça do governo da extrema direita, achou que estava prestando um bom serviço ao patrão ao anunciar que a Polícia Federal vai investigar o escândalo dos laranjas.

    Mas Bolsomoro (apelido que o cineasta José Padilha atribuiu a Sergio Moro) parece ter se precipitado e tende a sair deste episódio um pouco mais arranhado e desmascarado. Não custa lembrar que em relação ao escândalo de um dos filhos do presidente, o senador Flávio Bolsonaro (ligação perigosa com as milícias cariocas e apropriação indébita de salários na Assembleia Legislativa do Rio), o herói dos coxinhas se armou com um eloquente silêncio sob o pretexto (contestado pelos críticos) de que não tem nada a ver com o caso.

    Mise en scène

    Diante das pressões e ameaças veladas de aliados, o presidente julgou mais oportuno voltar atrás, como fez em outras ocasiões, evidenciando a falta de rumo do seu governo. Decidiu afastar o filho das questões políticas relacionadas ao Palácio do Planalto e sinaliza com a manutenção de Bebbiano no Ministério. Fica evidente que os gestos do presidente para indicar rigor no combate à corrupção não passaram de mise en scène.

    O único compromisso real do líder da extrema direita é o de radicalizar a agenda de restauração neoliberal imposta aos brasileiros pelo golpe de Estado de 2016, uma agenda que contempla exclusivamente os interesses do capital contra o trabalho e do imperialismo em detrimento da soberania nacional.

    Umberto Martins 

  • Por Altamiro Borges*

    O vereador Carlos Bolsonaro, chamado pelo pai de pitbull ou 02 e pelos mais íntimos de Carluxo, está na mira dos carreiristas que chegaram ao poder na carona de Jair Bolsonaro. Em entrevista à rádio Jovem Pan na terça-feira (19), Gustavo Bebianno, o defecado ministro da Secretaria-Geral da Presidência, resolveu concentrar a sua artilharia no “pimpolho” e aliviar a barra do “desleal” presidente. A mídia também garante que a bronca contra os filhos do “capetão” cresce entre os generais, que a cada dia concentram mais poder no Palácio do Planalto. Há boatos de que o mimado Carluxo poderá ser degolado em breve pelo pai, que adora posar de valentão, mas se acovarda diante de qualquer intempérie.

    Na entrevista à Jovem Pan, Gustavo Bebianno destilou veneno contra o “pimpolho”, que o chamou de “mentiroso” nas redes sociais e precipitou sua exoneração. “Fui demitido pelo Carlos Bolsonaro”, garantiu. Em outro trecho, ele afirmou que o rapaz “tem um nível de agressividade acima do normal, é um destruidor de reputações”. Para ele, no período em que retirou a bolsa de colostomia, o presidente foi manietado pelo filho. “Minha indignação é ter servido como um soldado leal, disposto a matar e morrer, e no fim da linha ser crucificado, levando um tiro nas costas, sendo tachado de tudo o que há porque o senhor Carlos Bolsonaro fez macumba psicológica na cabeça do pai... Ele vive de teorias da conspiração, vive dentro de uma caixa”.

    Deixando uma suspeita no ar, Gustavo Bebianno disse na entrevista que tem sofrido ameaças após ter criticado o “pimpolho”. “Tem muito valentão de internet, valentões de celular. São covardes que atacam em grupo ou pelas costas”, acusou. No final, o defecado sugeriu que o capetão deve se afastar imediatamente do filho. “Como todo ser humano, ele (Jair Bolsonaro) é falível. E existe uma falha no que diz respeito ao comportamento do Carlos. Na minha opinião o presidente tinha que dar um basta nisso. Se o Carlos fosse meu filho estaria preocupado, porque ele coleciona inimigos”.

    A pressão dos milicos

    De fato, Carluxo parece colecionar inimigos. Em menos de dois meses, vários frequentadores dos porões de Brasília já pedem sua cabeça. O general Hamilton Mourão, o ambicioso e habilidoso vice-presidente da República, não nutre qualquer simpatia por nenhum dos “pimpolhos”. A preocupação dos milicos, que agora ocupam quase totalmente o Palácio do Planalto – com o oitavo ministro indicado após a queda de Gustavo Bebianno –, é que os filhos do capitão estraguem rapidamente seu projeto de poder. Segundo artigo de Igor Gielow, publicado na Folha nesta quarta-feira (20), “o agravamento da crise política levou três expoentes da ala militar do governo ao encontro de Jair Bolsonaro (PSL) para expressarem a queixa do setor sobre a influência dos filhos do presidente e sobre a inoperância da articulação com o Congresso”.

    “Segundo relato, os generais da reserva e ministros Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional), Fernando Azevedo (Defesa) e Carlos Alberto dos Santos Cruz (Secretaria de Governo) pediram um freio de arrumação. A Folha ouviu descrições da conversa segundo as quais o risco de perda de apoio entre a ala militar foi comentado”. A preocupação dos generais, que são apresentados ilusoriamente como o setor que dá racionalidade ao novo governo, é que a crise política – que teve início com as denúncias contra o PSL (Partido Só de Laranjas) – adquira maior velocidade.

    “O fato de o presidente estar exposto e, pior, a possibilidade de haver gravações de fato comprometedoras, é considerado um desastre. Como a crise começou em uma questão partidária, o laranjal do PSL, os generais atribuem ao papel de Carlos, filho do presidente que disparou o episódio que levou à demissão de Bebianno ao dizer que ele havia mentido, a chegada dela à sala de Bolsonaro... Os militares nunca aceitaram o que consideram intromissão dos filhos políticos do presidente em assuntos de Estado. Assim, a confusão do caso Bebianno foi uma oportunidade para levar a cobrança de afastamento dos filhos de forma mais incisiva, e não indiretamente, como antes”.

    Será que o presidente-capetão vai se acovardar e degolar Carluxo? A conferir nos próximos dias.

    *Jornalista, presidente do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé

  • Depois de muitas idas e vindas, Jair Bolsonaro decidiu exonerar no início da noite desta segunda-feira (18) o ministro Gustavo Bebianno, da Secretaria-Geral da Presidência, informou o porta-voz da Presidência Otavio Rego Barros. “Deseja sucesso em sua caminhada”, disse em lacônico pronunciamento no Palácio do Planalto.

    O porta-voz do Planalto evitou dar detalhes dos motivos da demissão de Bebianno. “Motivo de foro íntimo” do presidente Jair Bolsonaro, limitou-se a explicar o general. Alvo de denúncias que o apontam como responsável por um esquema de candidatos laranjas na campanha eleitoral do PSL, Gustavo Bebianno foi fritado e esculhambado publicamente pelo vereador Carlos Bolsonaro, filho do presidente, que chemou o ministro de mentiroso.

    Bebianno se sentiu traído e não facilitou as coisas para seu ex-chefe, a quem teria chamado de “louco” e “desleal”. Ameaçou botar a boca no trombone e vazar os esquemas ilegais, incluindo Caixa 2, usados na bilionária campanha do capitão. Ainda não se sabe se o presidente conseguiu comprar o silêncio daquele que até poucos dias atrás era considerado o seu braço direito político.

    A demissão pode não significar o fim da crise política iniciada com as afirmações pouco diplomáticas do filho, o vereador carioca Carlos Bolsonaro. Se as feridas não forem curadas ou aliviadas, quem sabe com um valioso prêmio de consolação para o humilhado ministro, o episódio pode custar caro ao governo, além de comprometer a agenda de reformas neoliberais no Congresso Nacional, como sugeriu o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia.

    O general da reserva Floriano Peixoto Neto será o substituto de Bebianno. A indicação é mais um claro sinal de que a crise política fortaleceu o grupo dos militares, propiciando uma militarização ainda maior do governo de extrema direita encabeçado por um capitão reformado com um general quatro estrelas na vice-presidência.

    Umberto Martins

  • Partido de Jair Bolsonaro, falso defensor de uma “nova política”, já foi apelidado de Partido Só de Laranjas (PSL). Neste caso, é acusado de repassar recursos de financiamento de campanha de forma irregular a candidatas em 2018.

    A Polícia Federal fez buscas na manhã desta segunda-feira (29) na sede do PSL em Minas Gerais, na investigação sobre candidaturas-laranja durante a eleição de 2018. À época, o diretório era presidido pelo atual ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, mas ele não é alvo direto da operação. Sete mandados foram cumpridos em Belo Horizonte e em mais quatro cidades.

    A reportagem da TV Globo tentou contato com o PSL. Na sede do partido, na Região Centro-Sul da capital mineira, ninguém quis gravar entrevista. Por telefone, nenhum representante foi encontrado até as 11h20.

    O ministro Marcelo Álvaro Antônio tenta livrar a própria cara e desqualificar as acusações. Por meio de nota, afirmou que o partido seguiu rigorosamente o que determina a legislação eleitoral. Afirmou que segue à disposição da Polícia Federal para prestar todas as informações necessárias e que se ofereceu espontaneamente para prestar depoimento às autoridades. Disse também que a acusação tem motivação política .

    Entenda as suspeitas:

    Candidatas do PSL em Minas Gerais dizem ter sido usadas para desviar dinheiro do fundo eleitoral. Uma delas afirma ter sido chamada para o esquema diretamente pelo ministro do Turismo. Ele nega;

    Nesta segunda, a PF fez buscas na sede do PSL e apreendeu documentos;

    Investigação sobre uma outra candidata em Pernambuco levou à queda do então secretário-geral da Presidência da República, Gustavo Bebbiano. Ele também nega irregularidades.

    Os mandados foram expedidos pela 26ª Zona Eleitoral de Belo Horizonte, e a operação recebe o nome "Sufrágio Ostentação". Houve a apreensão de documentos relativos à produção de material gráfico de campanhas eleitorais.

    Desde fevereiro, a Justiça de Minas Gerais apura irregularidades no repasse de recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha pelo PSL a quatro candidatas nas eleições de 2018. Elas tiveram votações pouco expressivas, mas receberam bastante dinheiro da sigla, o que levantou a suspeita de uso de candidaturas-laranja.

    Sete mandados

    Em Belo Horizonte, uma gráfica no bairro Ipanema, na Região Noroeste, foi alvo das buscas. Policiais também estiveram em duas gráficas em Contagem, na Região Metropolitana. As demais cidades onde mandados foram cumpridos são Lagoa Santa, na Grande BH, Coronel Fabriciano e Ipatinga, no Vale do Rio Doce.

    Ainda segundo a PF, o objetivo da ação desta segunda-feira (29) é esclarecer suspeitas de irregularidade na aplicação de recursos para cotas femininas.

    A gráfica Big Gráfica, em Belo Horizonte, não quis se manifestar. Ninguém foi encontrado para comentar a investigação nas Bless e SC Editora e Gráfica, em Contagem. Os nomes dos estabelecimentos nas outras cidades ainda não foram informados.

    Outros casos

    A operação desta segunda integra uma investigação sobre ao menos quatro candidaturas eleitorais. O PSL, partido do presidente Jair Bolsonaro, é suspeito de lançar candidatas-laranja para usar dinheiro do fundo eleitoral.

    A Justiça de Minas Gerais investiga pessoas que receberam quantidades significativas de dinheiro, mas tiveram número muito baixo de votos.

    Algumas das candidatas confirmaram que integraram ou que foram convidadas a participar de um esquema fraudulento de desvio de verba eleitoral. Em Minas Gerais, a candidata a deputada federal Adriana Maria Moreira disse que o partido pediu repasse de R$ 90 mil dos R$ 100 mil que ela receberia para fazer campanha. Ela afirmou que não aceitou as condições.

    Outra filiada ao PSL, Zuleide Oliveira acusou o ministro do Turismo de chamá-la para ser candidata laranja nas eleições 2018. “Ele, o Marcelo, me ofereceu R$ 60 mil, R$ 45 mil eu teria que devolver, R$ 15 mil ficaria para eu usar na campanha contratando gente, e eles me dariam R$ 80 mil em material”, disse ela, que concorreria a deputada estadual, mas teve a candidatura indeferida.

    Marcelo Álvaro Antônio negou e disse que Zuleide “mente descaradamente”.

    Em Pernambuco, uma candidata a deputada federal recebeu R$ 400 mil e obteve 274 votos. O caso de Lourdes Paixão foi denunciado pelo jornal “Folha de S.Paulo”. O dinheiro do fundo partidário foi enviado para ela pela direção do PSL, que tinha como presidente, na época, o ex-ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gustavo Bebianno.

    O caso causou uma crise entre Bolsonaro e Bebbiano, que acabou exonerado do cargo.

  • Na semana passada, o então ministro Gustavo Bebianno afirmou que havia falado três vezes com Jair Bolsonaro no último dia 12. No dia seguinte, Carlos Bolsonaro, filho do presidente, disse que isso era 'mentira absoluta'. Áudios agora divulgados mostram três mensagens por WhatsApp entre ex-ministro e o presidente. Parece que quem está mentindo nesta história não é Bebeianno, que foi exonerado segunda-feira (18) pelo presidente.

    Áudios divulgados nesta terça-feira (19) pelo site da revista "Veja" apontam que no último dia 12, quando ainda estava internado em um hospital em São Paulo, o presidente Jair Bolsonaro trocou pelo menos três mensagens de áudio de WhatsApp com Gustavo Bebianno.

    A demissão de Bebianno da Secretaria-Geral da Presidência foi anunciada na noite desta segunda (18), em razão da crise que se originou da suspeita de que o PSL, partido ao qual Bolsonaro e Bebianno são filiados, usou candidatura "laranja" nas eleições do ano passado.

    A revelação foi feita pelo jornal "Folha de S.Paulo". De acordo com a publicação, quando Bebianno presidia o PSL, o partido repassou R$ 400 mil a uma candidata a deputada federal de Pernambuco. Segundo o jornal, o repasse foi feito quatro dias antes das eleições, e ela recebeu 274 votos – Bebbiano nega irregularidades.

    Após a reportagem da "Folha", Bebianno negou em entrevista ao jornal "O Globo" que fosse o pivô de uma crise dentro do governo e acrescentou que, somente naquele dia, havia falado com o presidente por três vezes por mensagens de WhatsApp. Na ocasião, Bolsonaro ainda estava internado em razão de uma cirurgia.

    Após a publicação da entrevista, um dos filhos de Bolsonaro, Carlos, usou uma rede social para afirmar que Bebianno mentiu ao dizer que havia falado com o presidente. "Ontem estive 24h do dia ao lado do meu pai e afirmo: É uma mentira absoluta de Gustavo Bebbiano que ontem teria falado 3 vezes com Jair Bolsonaro para tratar do assunto citado pelo Globo e retransmitido pelo Antagonista”, escreveu Carlos Bolsonaro.

    Carlos, e depois o próprio Jair Bolsonaro, chegaram a divulgar um áudio no qual, segundo eles, o presidente diz a Bebianno que não podia falar com o então ministro. Mas os áudios revelados pela revista "Veja" mostram que Bolsonaro encaminhou três mensagens de áudio para Bebianno no dia 12, mesma data em que o ex-ministro disse ter falado "três vezes" com o presidente.

    Além disso, há entre os áudios outras dez mensagens trocadas entre Bebianno e o presidente nos dias seguintes.

      

    Confira as mensagens:

    Mensagens do dia 12

    Nas mensagens enviadas por Bolsonaro que, segundo a "Veja", foram trocadas no dia 12, o presidente trata de um encontro marcado por Bebianno no Palácio do Planalto com um representante da TV Globo e de uma viagem que o então ministro organizava para a Amazônia.

    Segundo a "Veja", Bolsonaro encaminhou a Bebianno uma mensagem com a agenda de reuniões do ministro no dia 12, com a previsão de que Bebianno receberia às 16h o vice-presidente de Relações Institucionais do Grupo Globo, Paulo Tonet Camargo. Ao receber a mensagem, segundo a "Veja", Bebianno respondeu: “Algo contra, capitão?”.

    A revista "Veja" diz que, depois de o ex-ministro insistir enviando algumas mensagens por escrito, Bebianno recebeu um áudio do presidente, em que Jair Bolsonaro declara que a Globo é uma inimiga e que, ao fazer contato com a emissora, Bebianno colocaria o presidente em posição delicada com "outras emissoras".

    Bolsonaro – “Gustavo, o que eu acho desse cara da Globo dentro do Palácio do Planalto: eu não quero ele aí dentro. Qual a mensagem que vai dar para as outras emissoras? Que nós estamos se aproximando da Globo. Então não dá para ter esse tipo de relacionamento. Agora… Inimigo passivo, sim. Agora… Trazer o inimigo para dentro de casa é outra história. Pô, cê tem que ter essa visão, pelo amor de Deus, cara. Fica complicado a gente ter um relacionamento legal dessa forma porque cê tá trazendo o maior cara que me ferrou – antes, durante, agora e após a campanha – para dentro de casa. Me desculpa. Como presidente da República: cancela, não quero esse cara aí dentro, ponto final. Um abraço aí.”

    Bolsonaro – “Gustavo, uma pergunta: “Jair Bolsonaro decidiu enviar para a Amazônia”? Não tô entendendo. Quem tá patrocinando essa ida para a Amazônia? Quem tá sendo o cabeça dessa viagem à Amazônia? Um abraço aí, Gustavo, até mais.”

    Bolsonaro – “Ô, Bebianno. Essa missão não vai ser realizada. Conversei com o Ricardo Salles. Ele tava chateado que tinha muita coisa para fazer e está entendendo como missão minha. Conversei com a Damares. A mesma coisa. Agora: eu não quero que vocês viajem porque… Vocês criam a expectativa de uma obra. Daí vai ficar o povo todo me cobrando. Isso pode ser feito quando nós acharmos que vai ter recurso, o orçamento é nosso, vai ser aprovado etc. Então essa viagem não se realizará, tá OK? Um abraço aí, Gustavo!”

    Nas demais mensagens reveladas pela revista "Veja", Bolsonaro fala com Bebianno a respeito da notícia da "Folha" sobre os supostos candidatos "laranja" do PSL e diz que "não vai dar certo" a tentativa de "empurrar" para o "colo" dele "essa batata quente", em referência ao assunto.

    Bolsonaro afirma ainda que essa suposta tentativa é uma "desonestidade e falta de caráter". Na resposta, Bebianno se defende e explica que ele não era o responsável pelas campanhas estaduais do PSL, e sim pela campanha de Bolsonaro.

    Na sequência do áudio, o ex-ministro afirma que Bolsonaro "está bem envenenado", e que, por isso, é melhor que os dois conversem "depois" pessoalmente. "A minha consciência está tranquila, o meu papel foi limpo, continua sendo", completou.

    Veja a íntegra das mensagens do dia 13 em diante:

    Parte 4 - Bolsonaro diz que Bebianno não falou com ele nenhuma vez no dia 12

    Bolsonaro – “O Carlos incitando a saída é mais uma mentira. Você conhece muito bem a imprensa, melhor do que eu. Agora: você não falou comigo nenhuma vez no dia de ontem. Ele esteve comigo 24 horas por dia. Então não está mentindo, nada, nem está perseguindo ninguém.”

    Parte 5 - Bebianno afirma que há "várias formas de se falar" e cita as três vezes em que trocou mensagens com Bolsonaro

    Bebianno – “Há várias formas de se falar. Nós trocamos mensagens ontem três vezes ao longo do dia, capitão. Falamos da questão do institucional do Globo. Falamos da questão da viagem. Falamos por escrito, capitão. Qual a relevância disso, capitão? Capitão, as coisas precisam ser analisadas de outra forma. Tira isso do lado pessoal. Ele não pode atacar um ministro dessa forma. Nem a mim nem a ninguém, capitão. Isso está errado. Por que esse ódio? Qual a relevância disso? Vir a público me chamar de mentiroso? Eu só fiz o bem, capitão. Eu só fiz o bem até aqui. Eu só estive do seu lado, você sabe disso. Será que o senhor vai permitir que eu seja agredido dessa forma? Isso não está certo, não, capitão. Desculpe.”

    Parte 6 - Bebianno relembra o presidente de episódios em que esteve ao lado dele e pergunta o que fez de errado

    Bebianno – “Eu só prego a paz, o tempo inteiro. O tempo inteiro eu peço para a gente parar de bater nas pessoas. O tempo inteiro eu tento estabelecer uma boa relação com todo mundo. Minha relação é maravilhosa com todos os generais. O senhor se lembra que, no início, eu não poderia participar das reuniões de quarta-feira, porque os generais teriam restrições contra mim? Eu não entendia que restrições eram aquelas, se eles nem me conheciam. O senhor hoje pergunte para eles qual o conceito que eles têm a meu respeito, sabe, capitão? Eu sou uma pessoa limpa, correta. Infelizmente não sou eu que faço esse rebuliço, que crio essa crise. Eu não falo nada em público. Muito menos agrido ninguém em público, sabe, capitão? Então quando eu recebo esse tipo de coisa, depois de um post desse, é realmente muito desagradável. Inverta. Imagine se eu chamasse alguém de mentiroso em público. Eu não sou mentiroso. Ontem eu falei com o senhor três vezes, sim. Falamos pelo WhatsApp. O que é que tem demais? Não falamos nada demais. A relevância disso… Tanto assunto grave para a gente tratar. Tantos problemas. Eu tento proteger o senhor o tempo inteiro. Por esse tipo de ataque? Por que esse ódio? O que é que eu fiz de errado, meu Deus?”

    Parte 7 - Bolsonaro diz que Bebianno tentou "pregar" uma nota em site

    Bolsonaro – “Ô, Gustavo, usar da… Que usou do Whatsapp para falar três vezes comigo, aí é demais da tua parte, aí é demais, e eu não vou mais responder a você. Outra coisa, eu sei que você manda lá no Antagonista, a nota (sobre Bolsonaro não atender Bebianno) foi pregada lá. Dias antes, você pregou uma nota que tentou falar comigo e não conseguiu no domingo. Eu sabia qual era a intenção, era exatamente dizer que conversou comigo e que está tudo muito bem, então faz o favor, ou você restabelece a verdade ou não tem conversa a partir daqui pra frente.”

    Parte 8 - Bolsonaro diz que é falta de caráter querer envolvê-lo em caso de candidata de Pernambuco

    Bolsonaro – “Querer empurrar essa batata quente desse dinheiro lá pra candidata em Pernambuco pro meu colo, aí não vai dar certo. Aí é desonestidade e falta de caráter. Agora, todas as notas pregadas nesse sentido foram nesse sentido exatamente, então a Polícia Federal vai entrar no circuito, já entrou no circuito, pra apurar a verdade. Tudo bem, vamos ver daí… Quem deve paga, tá certo? Eu sei que você é dessa linha minha aí. Um abraço.”

    Parte 9 - Bebianno nega que tenha vazado para a imprensa que tentou ligar para Bolsonaro

    Bebianno – “Capitão, a nota do Antagonista que o senhor tá me acusando de ter plantado… Se o senhor olhar bem, eu localizei aqui e mandei pro senhor. Eu não plantei nada. Ela replica o que a Folha falou. Está escrito aqui: “segundo a Folha, segundo a Folha, o ministro Gustavo Bebianno tentou ligar para Jair Bolsonaro neste domingo para explicar o caso, mas o presidente não atendeu”. Quem mencionou isso não foi o Antagonista, foi a Folha. O Antagonista simplesmente replicou. Então, capitão, eu não plantei nada em lugar nenhum, tá? Abraço."

    Parte 10 - Bolsonaro acusa Bebianno de ter vazado para a imprensa que tentou ligar para o presidente

    Bolsonaro – “Bebianno, olha como você entra em contradição. Que seja a Folha. Se foi uma tentativa tua pra mim e eu não atendi… Eu não liguei pra Folha, eu não ligo pra imprensa nenhuma. Quem ligou foi você, quem vazou foi você. Dá pra você entender o caminho que você está indo? E você tem que fazer uma reflexão para voltar à normalidade. Deu pra entender? Vou repetir: se você tentou falar comigo, um pra um, se alguém vazou pra Folha, não fui eu, só pode ser você. Tá ok?”

    Parte 11 - Bebianno nega novamente que tenha vazado para a imprensa tentativa de falar com Bolsonaro

    Bebianno – “Não, capitão, não é isso, não. Eu não tentei ligar pro senhor, eu não falei, não vazei nada pra ninguém. Eu nem tentei ligar pro senhor. O senhor mandou um recado que era pra eu não ir ao hospital. Não fui e não liguei pro senhor nenhuma vez. Deixei o senhor em paz. É… Se eu tentei ligar uma ou duas vezes, também não me lembro pelo motivo que foi, é… Não é isso, não, capitão, tá? Eu não vazei nada pra lugar nenhum, muito menos pra Folha, com quem eu praticamente não falo. Abraço, capitão.”

    Parte 12 - Bebianno nega envolvimento com escolha de candidata laranja

    Bebianno – “Em relação a isso, capitão, também acho que a coisa está… Não está clara. A minha tarefa como presidente interino nacional foi cuidar da sua campanha. A prestação de contas que me competia foi aprovada com louvor, é… Agora, cada Estado fez a sua chapa. Em nenhum partido, capitão, a nacional é responsável pelas chapas estaduais. O senhor sabe disso melhor do que eu. E, no nosso caso, quando eu assumi o PSL, houve uma grande dificuldade na escolha dos presidentes de cada Estado, porque nós não sabíamos quem era quem. É… Cada chapa foi montada pela sua estadual. No caso de Pernambuco, pelo Bivar, logicamente. Se o Bivar escolheu candidata laranja, é um problema dele, político. E é um problema legal dela explicar o que ela fez com o dinheiro. Da minha parte, eu só repassei o dinheiro que me foi solicitado por escrito. Eu tenho tudo registrado por escrito. Então é ótimo que a Polícia Federal esteja, é ótimo que investigue, é ótimo que apure, é ótimo que puna os responsáveis. Eu não tenho nada a ver com isso. É… Depois a gente conversa pessoalmente, capitão, tá? Eu tô vendo que o senhor está bem envenenado. Mas tudo bem, a minha consciência está tranquila, o meu papel foi limpo, continua sendo. E tomara que a polícia chegue mesmo à constatação do que foi feito, mas eu não tenho nada a ver com isso. O Luciano Bivar que é responsável lá pela chapa dele. Abraço, capitão.”

    Fonte: G1