Sidebar

10
Seg, Dez

LGBT

  • 6 de setembro: mais mulheres na política para construir uma nação igualitária e justa

    Nesta quinta-feira (6), comemora-se o Dia Internacional de Ação pela Igualdade da Mulher. A data foi criada para refletir sobre o desrespeito aos direitos das mulheres com base em decisões da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que desde 1951 determina o fim da discriminação de gênero no mercado de trabalho.

    Com 52% da população brasileira e quase a metade do mercado de trabalho, elas ainda ganham 22,5% a menos que os homens, como mostra estudo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em 2017, o salário masculino médio foi de R$ 2.410 e o feminino foi de R$ 1.868.

    “E ainda tem candidato à Presidência afirmando que as mulheres devem ganhar menos porque engravidam”, conta Celina Arêas, secretária da Mulher Trabalhadora da CTB. Para ela, “a discriminação de gênero afeta a vida das mulheres e da população LGBT porque o patriarcado não suporta a ideia de dividir o poder”.

    No início de 2018, o site de empregos Catho fez um levantamento e constatou que as mulheres ganham menos em todos os níveis de cargos. A diferença salarial pode chegar a quase 53%.

    carreiras mulheres info g1

    De acordo com o relatório “Perspectivas Sociais e de Emprego no Mundo: Tendências para Mulheres 2018”, da OIT, a taxa global de participação das mulheres na força de trabalho ficou em 48,5% em 2018, 26,5 pontos percentuais abaixo da taxa dos homens.

    O IBGE atesta também que as mulheres trabalham em média 54,4 horas por semana e os homens 51,4%. “Temos sobre nossos ombros a dupla jornada e as vezes tripla”, diz a sindicalista mineira. “Por isso, a dificuldade de atuação das mulheres nos movimentos sociais, político e sindical”.

    Um estudo do Instituto Ipsos feito em 27 países constatou que, no mundo, 32% das mulheres temem o assédio sexual. Preocupação seguida pela violência sexual (28%) e violência física (21%). Enquanto no Brasil, 47% delas temem a violência sexual, o assédio sexual é temido por 38% e a violência física por 28% das brasileiras.

    Lembrando que o Brasil é o quinto pais que mais mata mulheres no mundo. Somente em 2016 foram quase 5 mil assassinadas, quase 50 mil estupradas, sendo mais da metade meninas com menos de 13 anos.

    Por isso, “nestas eleições precisamos empoderar as candidatas comprometidas com a emancipação feminina e a igualdade de gênero”, afirma Celina. “Somente com mais mulheres na política é que transformaremos este país numa democracia plena de direitos”.

    Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB

  • À minha irmã, Marielle Franco (In memoriam)

    Dia 14 de março de 2018, à tarde. Participo do enterro do Matheus Melo, morto de forma brutal e covarde por policiais militares. Eis que, no enterro, recebo uma ligação: era minha irmã, Marielle Franco. Ela queria prestar solidariedade à família do Matheus.

    Dia 14 de março de 2018, à noite.

    Recebo a notícia de que Marielle e Anderson Gomes foram mortos, de forma brutal e covarde. Ligo para a companheira Mônica do Borel. Do outro lado da linha choro, muito choro. Era a confirmação de um pesadelo: nossa irmã havia sido assassinada. Mas eu custava a acreditar.

    Então liguei para a irmã Paloma Gomes e minha mana atendeu aos prantos. Desmoronei, como se tivesse sido nocauteado. Para me socorrer, restava uma das minhas melhores amigas, irmã que admiro e respeito muito: Mônica Cunha. Mas seu celular estava desligado.

    Não tinha mais o que fazer: era o fim de um sonho. Desabei e chorei. Muito. Como há tempos não chorara. E, assim, o dia 14 de março entrou para a história como o pior dia da minha vida, até então.

    Dia 15 de março de 2018.

    Participo do velamento do corpo de minha irmã na Câmara Municipal do Rio de Janeiro. Mais choros. Que foram confortados pelos abraços de grandes companheiras e companheiros.

    E, enquanto o corpo de nossa irmã não passava na nossa frente, dentro da Câmara Municipal, brados. Muitos brados. Das mulheres e de todos os movimentos por elas representados. Em especial o movimento negro e LGBTs.

    Os brados foram acompanhados, subitamente, por uma estrondosa salva de palmas, que fizeram meu coração tremer – como nunca antes havia sentido.

    Ali eu não só fui invadido por uma explosão violenta de emoção, mas também (ou, sobretudo) tive a certeza que a revolução, no Brasil, somente será possível com as mulheres no comando, o que restou comprovado após os declames de Talíria, Monica Cunha, Mônica do Borel, Flavinha, Monique, Rejany, Paloma, Bell, Andreía, Rose Cipriano, entre outras.

    Aquela explosão trovejante era o indício mais concludente de que a luta, por si só, é – e sempre será – a razão do nosso viver, motivo pela qual – hoje e sempre – somos todos Marielle: presente!

    Marielle, mesmo não tendo graduação em direito, foi a maior advogada que conheci. Sabem por quê? Porque a palavra advogada significa “advocatus, vocatus ad”, ou seja: advogada é aquela chamada a socorrer. Assim era Marielle: pronta para o que der e vier; custe o que custar.

    Por isso, em homenagem à nossa irmã Marielle Franco, bem como a todas ali presentes, que ensinaram aos homens que a revolução somente será possível se os homens lutarem como uma mulher (daí a expressão: Lute como uma mulher!), fiz um pequeno texto, cujo título poderia ser “Apologia de Marielle”, dado que se trata de um texto inspirado na obra de Platão – Apologia de Sócrates.

    Talvez pensem, senhoras e senhores, que poderia ter evitado minha morte se dissesse e fizesse tudo aquilo que eles estão acostumados a ver e ouvir da classe dominante. Longe de mim fazer isso. Eles queriam me ouvir gemer, lamentar e fazer coisas que, insisto, são indignas de mim – coisas que vocês estão acostumados a ouvir de outros.

    Por isso não me arrependo, companheiras, de ter lutado pela defesa do meu povo, mesmo que isto tenha custado minha vida, porque prefiro morrer lutando do que viver como uma covarde.

    Companheiras negras e companheiros negros: não devemos em qualquer lugar, seja ele no Tribunal ou na guerra, deixar o nosso povo sem defesa, mesmo que isso possa custar nossas vidas. Eu sou a prova disso. Jamais deixem que minha morte seja em vão.

    Nas batalhas, é muito comum os homens evitarem a morte depondo suas armas e implorando misericórdia aos perseguidores, mas nós, mulheres, somos diferentes dos homens, porque a covardia é uma palavra que não existe em nosso vocabulário.

    Faço-lhes, por fim, um pedido: não se subtraiam à defesa das causas do povo negro, das mulheres e das causas LGBT. Onde for apurável um grão que seja, de direito, juntem-se a elas. E o principal: lutem sempre como uma mulher; jamais como um homem. Não nos calarão.

    Do seu irmão Djeff Amadeus. Negro com muito orgulho. Saudade, muita.

    Marielle: presente!

    Djefferson Amadeus é mestre em Direito e Hermenêutica Filosófica (UNESA-RJ), bolsista Capes, pós-graduado em filosofia (PUC-RJ), Ciências Criminais (Uerj) e Processo Penal (ABDCONST).

    Os artigos publicados na seção “Opinião Classista” não refletem necessariamente a opinião da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e são de responsabilidade de cada autor.

  • Balanço do desgoverno Temer é assustador

    Desemprego causa transtornos para milhões de famílias (Foto: Thiago Freitas)

    No dia 31 de agosto de 2016, o Senado Federal encerrava o processo de impeachment da presidenta Dilma Rousseff, afastada desde o dia 12 de maio. Por 61 votos contra 20, a presidenta eleita constitucionalmente perdia o seu mandato, assumido então pelo vice-presidente Michel Temer.

    Foi o desfecho de intensos ataques ao segundo mandato da presidenta e a crise internacional chegando ao país. A união de amplos setores conservadores levou milhares para as ruas  e o golpe de Estado midiático-jurídico-parlamentar foi dado.

    A presidenta Dilma venceu a eleição em 2014 por uma margem mínima. Ela teve 51,64% dos votos válidos no segundo turno e Aécio Neves teve 48,16%, pouco mais de 3 milhões de votos de diferença. Foi o suficiente para o senador do PSDB por em dúvida o resultado.

    “A trama golpista envolveu amplos setores da elite brasileira em acordo com grandes corporações econômicas internacionais para atacar as principais conquistas da classe trabalhadora dos anos dos governos Lula e Dilma”, diz Ivânia Pereira, vice-presidenta da CTB.

    dilma impeachment carta capital

    Presidenta Dilma se despede firme na resistência ao golpe (Foto: Carta Capital)

    Com a promessa de combater a “corrupção” e tirar o Brasil da crise, os golpistas, com Temer à frente levaram a cabo o projeto de grandes conglomerados econômicos de barrar o projeto de desenvolvimento econômico voltado para os interesses nacionais, com distribuição de renda.

    Temer assumiu no dia 1º de setembro, com uma equipe de primeiro escalão sem a presença de mulheres, jovens e negros. De imediato já tirou o status de ministério da Secretaria de Políticas para as Mulheres, Igualdade Racial, Juventude, LGBT e Direitos Humanos.

    Desemprego alarmante

    Em seu discurso afirmou que "são quase 12 milhões de desempregados e mais de R$ 170 bilhões de déficit nas contas públicas. Meu compromisso é o de resgatar a força da economia e recolocar o Brasil nos trilhos".

    Mas a receita de seu projeto neoliberal só fez aprofundar a crise e o país volta ao Mapa da Fome da Organização das Nações Unidas com  desmonte dos programas sociais que haviam tirado cerca de 40 milhões de pessoas da miséria.

    “Temer vem fazendo sucessivos cortes nos beneficiários do Bolsa Família e em programas como o Minha Casa, Minha Vida e mais recentemente com o Farmácia Popular, além de acabar sem aviso prévio com a política de valorização do salário mínimo, que vinha trazendo aumentos reais”, argumenta Vânia Marques Pinto, secretária de Políticas Sociais da CTB. “E agora os aumentos têm sido abaixo da inflação”.

    A velocidade com que o governo golpista vem exterminando as conquistas que levaram o Brasil a ser a sexta economia do mundo, apavora. O desemprego que em 2015 era de 8,5%, atualmente está em 12,4%, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com mais de 13 milhões de famílias com algum desempregado.

    Além disso, lembra Ivânia, “a precariedade do trabalho avança com a aprovação da reforma trabalhista há pouco mais de um ano”. Juntando-se desocupados com subempregados chega-se ao astronômico número de mais de 27 milhões de pessoas, “sem perspectivas de melhoria imediata”.

     Investimentos congelados

    Com apoio de sua base, com ampla maioria no Congresso, Temer aprovou o congelamento de investimentos públicos nas áreas sociais por 20 anos, juntamente com os salários dos servidores federais, através da Emenda Constitucional 95.

    Os setores mais atingidos foram a saúde e educação públicas. Com isso, “o SUS (Sistema Único de Saúde) corre sério risco de extinção”, afirma Elgiane Lago, secretária da Saúde licenciada da CTB. “Querem pegar o dinheiro do SUS e passar para empresários da saúde, que só querem lucros”, denuncia.

    Na educação os cortes orçamentários têm sido brutais. “A reforma do ensino médio prioriza o ensino tecnicista e não valoriza o ensino voltado para o ingresso no ensino superior”, afirma Marilene Betros, secretária de Políticas Educacionais da CTB.

    Ela reclama da política autoritária desenvolvida pelo Ministério da Educação (MEC), tirando as representações da sociedade civil e do movimento educacional do Fórum Nacional de Educação e do Conselho Nacional de Educação.

    “As políticas do MEC representam a liquidação das 20 metas do PNE (Plano Nacional de Educação), principalmente a meta 20 de destinar 10% do PIB (Produto Interno Bruto) para essa área estratégica de qualquer nação”, diz.

    Já Luiza Bezerra, secretária da Juventude Trabalhadora da CTB, lembra que por causa das mudanças no Programa Universidade Para Todos (ProUNi) e no Financiamento estudantil, “mais de 170 mil universitários já abandonaram os estudos, além de nossos pesquisadores estarem saindo do país, numa grande perda para o desenvolvimento científico” .

    Reforma que deforma os direitos trabalhistas

    Outra marca registrada do desgoverno Temer é o entreguismo. A Petrobras perdeu a prioridade para a exploração dos poços de pré-sal, que estão sendo passados para petrolíferas estrangeiras.

    reforma trabalhista

    “Com a mudança no regime de exploração do petróleo, os royalties do pré-sal deixaram de ser destinados à educação e à saúde”, conta Luiza. Com isso, estima-se uma perda de R$ 1,3 trilhão somente para a educação em cerca de 30 anos.

    Mas a destruição não cessa. “A reforma trabalhista, ajudada pela terceirização ilimitada, liquida com a CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) e cria categorias de subempregados com a possibilidade de contratos intermitentes, de fatiamento das férias, entre outras perdas históricas”, afirma Ivânia.

    Não se pode esquecer da reforma da previdência, que está paralisada, mas ainda não foi engavetada.  “A promessa era a de criar empregos, mas a desocupação aumentou, o movimento sindical sore um ataque brutal na sua organização e o país vai afundando em índices alarmantes de violência”, assinala.

    Atlas da Violência

    De acordo o Atlas da Violência 2018, ocorreram 62.517 homicídios no país, em 2016, ou 30,3 mortes violentas por 100 mil habitantes, a maior taxa já registrada no Brasil. E para piorar, o estudo constatou que 56,5% dos assassinatos envolvem jovens entre 15 e 29 anos.

    Entre o total de assassinatos, 71,5% das vítimas eram negras ou pardas. Ou seja, a população negra tem 2,5 vezes de chances de serem mortas em relação à população branca (40,2 negros por 100 mil habitantes contra 16 brancos por 100 mil).

    “Com o golpe, o racismo institucional se revela ainda mais perverso”, acentua Mônica Custódio, secretária de Igualdade Racial da CTB. “Parece que as políticas afirmativas acirraram ainda mais os ânimos dos racistas, que se sentem ameaçados com a presença de negras e negros nas universidades, no mercado de trabalho, enfim em lugares onde não era habitual ver-se negros”.

    violencia negro latuff

    Arte de Carlos Lattuf

    Mulheres são as maiores vítimas

    “As mulheres são as que mais sofrem com a crise”, acentua Celina Arêas, secretária da Mulher Trabalhadora da CTB. “Ganhamos quase 30% a menos que os homens, sofremos assédio moral e sexual e somos as primeiras a ser demitidas e as últimas a se realocarem”.

    A violência de gênero está gritante. Houve crescimento de 6,4% de feminicídios nos dez anos pesquisados. Somente em 2016, foram mortas 4.645 mulheres, um acréscimo de 15,3% sobre 2015. No mesmo ano, as polícias brasileiras registraram 49.497 estupros no país, sendo que 50,9% das vítimas tinham menos de 13 anos.

    Com todos esses dados, “o balanço do desgoverno Temer é o pior da história”, ressalta Vânia. Por isso, “ele é o presidente mais rejeitado que o país já teve, chegando a mais de 90% de rejeição”. Por isso, nenhum candidato deseja o seu apoio explícito nestas eleições.

    Retrocessos no campo

    Para agradar a bancada ruralista no Congresso, Temer tem efetuado cortes orçamentários no programa de Agricultura Familiar, até então responsável por 70% de produção dos alimentos no país. Duas medidas provisórias afetam drasticamente a vida das agricultoras e agricultores familiares. A MP 839/2018 efetiva um corte de R$ 9,5 bilhões no orçamento destinado à agricultura familiar e a MP 842/2018, sobre a renegociação de dívidas fundiárias, prejudica as trabalhadoras e trabalhadores.

    Tanto que para o Conselho Político da CTB, "os trabalhadores e trabalhadoras rurais são vítimas do aumento da violência e uma agenda de retrocessos para a agricultura familiar, com redução dos investimentos e obstáculos à negociação das dívidas, cumplicidade com o trabalho escravo e o completo abandono da reforma agrária".

    Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB

  • Bolsonaro é autor de projeto de lei que visa impedir atendimento a vítimas de estupro pelo SUS

    O candidato à Presidência da extrema-direita, Jair Bolsonaro é um dos 13 autores do Projeto de Lei (PL) 6055/2013, com objetivo de proibir o atendimento médico para vítimas de abuso sexual, pelo Sistema Único de Saúde (SUS), garantido pela Lei 12.845, também de 2013.

    “O candidato conhecido por declarações machistas, racistas e LGBTfóbicas, já enfrenta a ira das mulheres por ter declarado que as mulheres devem ganhar menos que os homens porque engravidam, piora a sua situação a cada descoberta do eleitorado de sua trajetória política”, diz Elgiane Lago, secretária licenciada da Saúde da CTB.

    Conheça o Projeto de Lei, que impede atendimento de vítimas de violência sexual, assinado por Bolsonaro, aqui.

    Como justificativa para a criação desse PL, os 13 autores afirmam que “a Lei n. 12.845, de 1º de agosto de 2013, tem manifestamente como principal objetivo preparar o cenário político e jurídico para a completa legalização do aborto no Brasil”. Os autores do PL criticam também a distribuição da pílula do dia seguinte, que previne a gravidez indesejada.

    O aborto é permitido no Brasil nas situações de estupro, risco de morte das mães e de fetos anencéfalos (sem cérebro).

    Para Elgiane, “nenhuma pessoa em sã consciência pode concordar com um absurdo desses. O Estado estaria violentando as vítimas mais uma vez, como se já não bastasse, ela ter sido estuprada”.

    A dupla de candidatos da extrema-direita está colecionando pérolas. A sindicalista gaúcha menciona a recente frase do general da reserva Hamilton Mourão, candidato a vice-presidente na chapa de Bolsonaro, responsabilizando as avós e mães pelo aumento da criminalidade.

    Leia mais

    Realidade brasileira: mais de 40% das mulheres são chefes de família no país

    “Esses senhores são completamente fora da realidade”, avalia. “Nós precisamos discutir saídas para a crise que o golpe de 2016 afundou o Brasil, como a revogação da Emenda Constitucional 95, que corta investimentos em educação e saúde e não propagar mais ódio e violência contra o povo brasileiro”.

    Atlas da Violência 2018

    Como resposta ao projeto que visa proibir atendimento médico a vítimas de estupro, Elgiane lembra os dados do Atlas da Violência 2018, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública em parceria com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, divulgado recentemente.

    O Atlas mostra que somente em 2016, foram assassinadas 4.645 mulheres, 15,3% a mais do que em 2015. No mesmo ano, foram registrados 49.497 estupros no país. E pasmem, 50,9% das vítimas tinham menos de 13 anos. Estima-se que no Brasil, apenas 10% das vítimas desse tipo de violência denunciam.

    A Lei 12.845 garante atendimento integral às vítimas de violência doméstica e abuso sexual, do diagnóstico à realização de exames para detectar doenças sexualmente transmissíveis e gravidez e todos os atendimentos necessários para recuperação da vítima.

    E o projeto de lei, assinado por Bolsonaro, “significa mais uma invasão de homens aos direitos das mulheres”, afirma a sindicalista. “Precisamos de mais médicos, de mais saúde, mais educação, mais cultura, mais empregos, mais salário, mais vida digna”.

    Marcos Aurélio Ruy - Portal CTB. Foto: Gustavo MIranda/Agência O Globo

  • Caetano Veloso denuncia o ódio e violência disseminados por seguidores de Bolsonaro; assista

    Neste domingo (14) ocorre um ato em homenagem ao mestre Moa, na Praça da República, em São Paulo, ás 11 horas, com o lema "O amor vencerá o ódio e o axé unirá o Brasil".

    Caetano Veloso condena de modo emocionado a violência cometida por simpatizantes do candidato à Presidência da República Jair Bolsonaro, que assola o país de norte a sul. O compositor e cantor baiano se revolta com o assassinato do capoeirista e compositor Moa do Katendê, de 63 anos, na segunda-feira (8). O motivo do crime: Moa afirmou ter votado no Partido dos Trabalhadores.

    “A gente está maduro o suficiente para não se entregar a coisas como essas”, diz Caetano sobre a cultura do ódio proliferada pelo candidato do PSL e seus seguidores exacerbados. Para ele, é necessário dialogar com “a mente dos brasileiros, de todos os brasileiros que são capazes de pensar e acalmar a cabeça e o coração para metabolizar os sentimentos humanos”.

    A revolta de um dos mais importantes nomes da cultura brasileira se fundamenta na ação de grupos de brutamontes atacando qualquer pessoa que não concorde com a postura deles. E o candidato que apoiam lava as mãos feito Pôncio Pilatos e afirma não ter nada a ver com os “excessos” de seus correligionários, mas foge do debate e diz categoricamente que não vai discutir o seu programa de governo com Fernando Haddad, o candidato das forças democráticas.

    Asssista o desabafo emocionado de Caetano Veloso  

    Vânia Marques Pinto, secretária de Políticas Sociais da CTB, questiona se o “povo brasileiro permitirá que o país seja reduzido a isso. Estamos beirando o radicalismo e a covardia comparada às práticas primitivas do Estado Islâmico, que prende, estupra, tortura e mata”.

    Nas redes sociais, parentes e amigos lamentaram a morte da vítima. "Mataram a história, povo sem memória. Mestre Moa Do Katendê, o senhor está vivo dentro dos corações de quem esteve perto e conheceu sua trajetória na capoeira, na música, e com a humanidade", escreveu um internauta.

    “Os seguidores do candidato extremista andam em grupos e atacam covardemente as pessoas que não aceitam o pensamento reacionário e nem o comportamento violento e preconceituoso do grupo”, afirma Vânia.

    A situação está tão grave, como notou Caetano, que a médica Tereza Dantas que trabalha em um hospital público, na capital do Rio Grande do Norte, Natal, rasgou a receita de um paciente de 72 anos após ele declarar que votou em Haddad.

    jornalista agredida em recife por bolsonaristas

    Ódio: jornalista agredida e ameaçada em Recife

    E a lista de insanidade bolsonarista prossegue. Uma jornalista do portal NE10, de Recife, foi agredida por seguidores do candidato apenas por ser jornalista, disse ela à Polícia Civil. A vítima conta que eles a agrediram e ameaçaram de estupro, no domingo (7), após ela sair de uma sessão de votação na capital pernambucana.

    No Rio de Janeiro, covardes truculentos atacaram a irmã de Marielle Franco, Anielle, na segunda-feira (8). Ela caminhava com a filha de dois anos no colo. Nem a presença da criança impediu a violência e ameaças dos “cidadãos de bem”, defensores da “família”.

    Anielle conta que eles gritaram “na minha cara e consequentemente na de minha filha (que ficou assustada claro) de que eu era 'da esquerda de merda', 'Sai daí feminista', 'Bolsonaro... Piranhaaa'", isso vindo  "de homens devidamente uniformizados com a camisa do tal candidato".

    E a violência não para. Nem um cachorro escapou da ignorância de militantes de Bolsonaro. Em uma carreata de seguidores, no domingo (30), em Muniz Ferreira, na Bahia. Um dos defensores da cultura do ódio desceu de seu carro e matou com três tiros um cachorro porque ele latia com a barulhenta carreata.

    E quando parece que o nível de insanidade atingiu o apogeu, acontece mais uma barbaridade. Ao descer do ônibus, em Porto Alegre, uma jovem de 19 anos foi agredida por três brutamontes porque ela usaa camiseta com os dizeres “Ele Não”.

    jovem agredida por bolsonaristas

    Discriminação: jovem sofre ataque de bolsonaristas em Porto Alegre

    Ela conta que foi humilhada, levou socos e dois dos agressores a seguraram para o terceiro desenhar a suástica – símbolo do nazismo – em sua barriga. Ao observar esses crimes hediondos, Caetano Veloso conclui que “não podemos reduzir o Brasil a essa barbárie” de pessoas que “ilusoriamente pensam que é superação, mas é volta, é atraso, é medo da responsabilidade, da civilização”.

    Os atentados se avolumam. Para Vânia, os seguidores do candidato da extrema-direita querem ganhar "a eleição no grito, na base da covardia e da força para amedrontar as pessoas que realmente pensam e lutam por um país solidário e justo”.

    Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB

  • Candidato do PSDB em São Paulo mostra sua cara fascista e contra os direitos humanos

    Veja a cara de nojo do candidato da elite reacionária paulistana e do governardor Geraldo Alckmin

    Em sua campanha populista para chegar à prefeitura da maior cidade do país, o candidato do PSDB, João Doria Junior, passa vexame em botecos da cidade por suas caras de nojo ao comer salgados e tomar cafezinho e vira piada na internet.

    Mas o pior de tudo está em suas falas. Conhecido empresário defensor de propostas ultrarreacionárias, Doria disse em entrevista que pretende “enxugar” a máquina administrativa, justamente acabando com as sete secretarias das áreas sociais.

    Entre elas a de Políticas para as Mulheres, Igualdade Racial, Juventude, LGBT e de Pessoas com Deficiência. “Um descalabro, a proposta de extinguir secretarias fundamentais para o desenvolvimento de políticas para a melhoria de vida das pessoas que lutam para ter a sua cidadania respeitada”, diz Gicélia Bitencourt, secretária da Mulher Trabalhadora da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil em São Paulo (CTB-SP).

    “Primeiramente, é importante ressaltar o desconhecimento do candidato sobre a estrutura atual da Prefeitura de São Paulo. As pastas de políticas para Juventude e para LGBT apresentaram políticas consistentes nesta gestão, como o Programa Transcidadania e o Plano Juventude Viva, e são coordenações da Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania”, afirma Denise Mota Dau, secretária municipal de Políticas para as Mulheres.

    Para ela, “a extinção destes órgãos representa um retrocesso no desenvolvimento de políticas públicas de combate à desigualdade na cidade de São Paulo e, também, profunda falta de compreensão da importância que estas Secretarias possuem na dinâmica da administração pública”.

    Já o secretário-adjunto de Promoção da Igualdade Racial, Elizeu Soares Lopes, acredita que o candidato desconhece “a dura realidade enfrentada pela população mais pobre de São Paulo”. E questiona: “quanto de fato se economizaria e qual seria o custo benefício? E por que ‘cortar’ nestas áreas específicas?”.

    Angela Meyer, líder estudantil e representante da juventude acha que a própria candidatura de Doria representa um escárnio para a política paulistana. “Ele representa os setores mais reacionárias da elite paulistana e uma vitória sua seria o maior retrocesso que a nossa cidade poderia experimentar”, reforça.

    Ela acredita que a juventude “vai mostrar a sua vontade de continuar avançando em políticas públicas voltadas para os interesses da maioria”. Bitencourt defende a formação de uma frente ampla para derrotar o atraso.

    “No segundo turno as candidaturas progressistas devem se unir em torno de projetos de interesse da classe trabalhadora, da juventude e de todos os setores que podem levar a nossa cidade para um desenvolvimento humano que nos projete para um futuro com mais mobilidade, mais direitos e mais justiça”.

    “Fora Doria, fora Alckmin, fora Temer e fora todos os defensores de retrocessos para a sociedade brasileira. São Paulo precisa dar um exemplo para o país e enterrar de vez essas políticas contra os interesses da classe trabalhadora”, reforça Bitencourt.

    Leia a íntegra da nota da Secretaria Municipal de Políticas para as Mulheres

    Em um período de avanços de posições políticas conservadoras, que buscam reduzir direitos e conquistas de grupos historicamente oprimidos na sociedade brasileira, a SMPM toma conhecimento, com muita preocupação, da proposta de corte da Secretaria Municipal de Políticas para as Mulheres (SMPM) da Prefeitura de São Paulo, bem como das Secretarias de Promoção da Igualdade Racial e Pessoas com Deficiência, apresentada por candidato de oposição à atual gestão para a eleição municipal de 2016.

    Primeiramente, é importante ressaltar o desconhecimento do candidato sobre a estrutura atual da Prefeitura de São Paulo. As pastas de políticas para Juventude e para LGBT apresentaram políticas consistentes nesta gestão, como o Programa Transcidadania e o Plano Juventude Viva, e são coordenações da Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania.

    A extinção destes órgãos representa um retrocesso no desenvolvimento de políticas públicas de combate à desigualdade na cidade de São Paulo e, também, profunda falta de compreensão da importância que estas Secretarias possuem na dinâmica da administração pública.

    As diversas formas de opressão, como o racismo e o machismo, se manifestam em todas as dimensões da vida (no trabalho, na saúde, na educação, na cultura) e dentro das próprias instituições. Para combatê-las, é necessário um compromisso firme por meio de políticas de Estado (e não apenas de governo), desenvolvidas pelas mais diversas áreas do poder público. A extinção destes órgãos, reduzindo a importância política que estes temas possuem, dificultará a construção de políticas transversais e reduzirá a visibilidade destas temáticas.

    A SMPM foi criada, em 2013, a partir de um processo de grande luta dos movimentos feministas e sociais, em busca de reconhecimento da importância de suas necessidades e demandas pelo poder público municipal; e tem cumprido um papel fundamental na formulação e implementação de políticas públicas especificas para o empoderamento das mulheres e a redução das desigualdades de gênero por elas enfrentadas.

    A constituição desta Secretaria gerou, nos quase 4 anos de existência, importantes resultados para o município, como a ampliação da rede de serviços de enfrentamento a violência contra as mulheres, a construção de políticas para a ampliação da participação políticas para as mulheres e o desenvolvimento de ações para diminuir a desigualdade entre homens e mulheres no mercado de trabalho.

    Extinguir esta Secretaria é reduzir a importância que as demandas das mulheres e o enfrentamento às desigualdades por elas sofridas tem para a Prefeitura da cidade de São Paulo.

    Portal CTB

  • Coletivo LGBT mostra que a CTB é de luta, democrática e plural

    Nos dias 18 e 19 novembro, a CTB realizou na cidade de Paty de Alferes o Encontro Nacional da CTB: Visão Classista sobre a Diversidade Social com a participação de seis secretarias da central e que contou com a participação de mais de 100 delegados de todo o país com o intuito de discutir a diversidade.

    Nesse processo foram construídos quatro grupos de trabalho que levarão propostas para o Congresso da CTB e em um desses grupos discutimos e construímos propostas para a população LGBT no mundo do trabalho dentre elas, as que se destacam são a criação da Secretaria Nacional LGBT da CTB e também um Coletivo Nacional LGBT. Esses dois pontos são fundamentais pois debatater as questões específicas desta população dentro do mercado de trabalho é primordial no mundo contemporâneo.

    Criamos o Coletivo Nacional LGBT com a participação de vários delegados, representando diversos estados e saimos com a tarefa de construir o coletivo nas CTBs estaduais bem como buscar parcerias com os estados que não puderam estar presentes  ao encontro no intuito de ampliar o debate e mostrar a importância da nossa central levantar essa bandeira no movimento sindical com a limpidez que o tema merece.

    Acreditamos que o coletivo funcionará como uma ferramenta fundamental para a ampliação do debate no que tange às especificidades da população LGBT no mercado de trabalho em nosso país.

    O coletivo é o início de uma campanha para que a CTB possa representrar a classe trabalhadora brasileira em toda a sua plenitude. E no século 21, é essencial debater as questões inerentes dessa população no mercado e diagnosticar as demandas e desafios dos trabalhadores e trabalhadoras do Brasil que se encontram dentro da comunidade LGBT e hoje não têm uma atenção especifica para encaminhar as suas reivindicações de uma sociedade maiks tolerante e que respeite a todos e todas.

    Sabemos que a população LGBT ultrapassa os 20 milhões de pessoas, a maioria com grande dificuldade de se inserir no mercado de trabalho. O coletivo foi criado com a função de acumular informações e promover debates sobre a necessidade de a CTB criar uma Secretaria Nacional LGBT e assim sair na frente e levar esse debate no meio sindical com a transparência e a abrangência necessárias.

    No encontro sobre a diversidade social discutimos alguns números que nos levam a repensar a política de atuação da central na demanda específica dos LGBTs. Para se ter uma ideia, hoje no Brasil 61% dos LGBTs no mercado de trabalho escondem suas orientações causando um extremo desconforto e opressão no local de trabalho o que faz com que sua produtividade caia significativamente. A CTB como uma central de vanguarda, classista, plural e de luta é a que melhor reúne condições para trabalhar esse tema.

    Essa é a melhor maneira de garantirmos mais igualdade de direitos no mercado de trabalho para todas e todos. Assim conseguiremos trazer estas pessoas para a luta de classes, pois sem comunicação com essa população não consiguiremos atingir estes individuos na suas especificidades causando o distanciamento das nossas lutas, perdendo perdendo essa massa. Justamente proque essas pessoas se sentem abandonadas pelas centrais, sindicatos e o restante da sociedade em geral.

    Segundo pesquisa realizada pela Consultoria Santos Caos, 43% dos entrevistados afirmam ter sofrido discriminação pela sua orientação sexual. Em outra pesquisa consta que 38% das empresas brasileiras não contrataria um profissional LGBT.

    Certamente se o assunto for pesquisado com mais profundidade, descobriremos que é por pura LGBTfobia, atrelada a uma visão errônea por achar que este profissional pode causar danos à imagem de sua ou suas empresas quando sabemos que na verdade uma empresa com mais diversidade é uma empresa mais rentável e eficiente.

    Isso nos faz crer que o grande problema da população LGBT no mercado de trabalho é a falta de debate e conhecimento sobre a diversidade. Essas distorções causam constragimentos, agressões, violência, cerceamento de direitos com grande prejuízo aos trabalhadores e trabalhadoras LGBT.

    No nosso entender, a central tem como responsabilidade corrigir essa distorção. Se queremos uma sociedade igualitária e de oportunidades devemos atentar às especificidades senão os LGBTs não se sentirão contemplados na luta de classes e serão uma população de trabalhadores e trabalhadoras sem rumo na sociedade brasileira sem consciencia política, econômica e ideológica.

    Segundo a Assossiação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), 90% delas trilham o caminho da prostituição, na maioria das vezes contra a própria vontade, porque a porta de mercado de trabalho estãomtotalmente fechadas para os LGBTs.

    Assim, elas encontram nas ruas, uma maneira de sobrevivência, expondo-se a todos os riscos de violência, com milhares de assassinatos com requintes de crueldade. Sem o aporte de uma central sindical e de sindicatos nada se constroi para mudar essa situaçao. O maior problema dessa população é empregabilidade e falta de políticas públicas.

    O Sindicato dos Empregados do Comércio do Rio de Janeiro (SEC-RJ) atentou para estas demandas e conseguimos levar para a mesa de negociação de nosso acordo coletivo uma cláusula de inclusão para a população T (transexuais, travestis, homens trans) onde incetivaríamos a contratação desta mão de obra, inclusive com incentivos financeiros, abrindo mão de receita para os empersários que contratassem e os que atingissem o mínimo de 1% de seu quadro de funcionários da população T e ainda nos dispusemos a ajudar a qualificar e dar suporte a estes empresários no intuito de garantir a sociabilidade dos LGBTs dentro do local de trabalho, essa cota, era facultativa e foi extremamente rechaçada pelos patrões, recebendo adesão apenas de uma empresa.

    Mesmo assim, provamos que o debate traz benefícios a essa população tão sofrida e excluída da sociedade. O que nos levou a entender mais uma vez que o abandono a que está relegada a comunidade LGBT é causado pela falta de inclusão no movimento sindcial desse setor importante da vida brasileira, já que não podemos esperar a compreensão e aceitação dos patrões. E quando o sindicato toma parte dessa luta incluindo os LGBTs, entendendo-os pessoas de direitos.

    Foi dessa forma que o SEC-RJ conseguiu aprovar a extenção dos benefícios sociais de toda classe comerciária do Rio de Janeiro para os casais homoafetivos e acreditamos que isso só foi possivel por meio do debate e da insistência do sinddicato com a abertura por parte dos dirigentes sindicais para se trabalhar o tema e obter essa importante vitória que beneficiará milhares de trabalhadores e trabalhadoras.

    A violência contra a população LGBT sobretudo à população T é um absurdo e o Brasil é o país que mais se mata travestis, transexuais e homens trans. Além disso, o assédio moral que essa população no mundo do trabalho e na sociedade torna essas pessoas extermamemte vulneráveis, cerceando seus direitos de levar uma vida plena, sem medo e com justiça.

    Nessa perpectiva acreditamos que a criação da Secretaria Nacional LGBT da CTB e do coletivo Nacional LGBT é fundamental para se contrapor ao avanço das forças conservadoras no Brasil. Só mudaremos isso com a luta de classes, a coscientização da população trabalhadora na sua forma plena de constituição. Para atingir esse objetivo, há necessidade de abrir esse espaço de diálogo e trabalhar a inclusão dessas pessoas dentro da CTB, a central sindical qeu melhor repune condições de levar essa luta à cabo.

    O trabalho que está sendo realizado dentro do SEC-RJ mostra que é importante trazer essas pessoas para o movimento sindical, dando-lhes respeito para que essa tarefa possa ser ampliada, lapidada e difundida em todo o Brasil. A CTB tem todas as condições de entrar nessa luta e junto com a população LGBT acabar com a marginalização e se somar à luta de todos e todas, sem nenhuma exclusão.

    Marcello Max Pereira é diretor do SEC-RJ e presidente da UNA-LGBT do Rio de Janeiro.

    Os artigos publicados na seção “Opinião Classista” não refletem necessariamente a opinião da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e são de responsabilidade de cada autor.

     

  • Consulta pública do Senado quer punição para mulher que não provar estupro. Vote contra já!

    A partir de uma consulta pública do Portal e-Cidadania (vote aqui), começa a tramitar na Comissão de Direitos Humanos do Senado Federal, a Sugestão Legislativa 7/2017, que visa tornar crime hediondo e inafiançável a “falsa acusação de estupro”.

    O autor da proposta, Rafael Zucco, afirma que pensou nisso porque leu na imprensa que "80% das denúncias de estupro são falsas". Para ele, as “acusações falsas” ocorrem por "vingança da mulher”, “alienação parental” ou para “conseguir mais bens no divórcio".

    As estatísticas, porém, desmentem Zucco. São denunciados anualmente cerca de 50 mil estupros no Brasil. E estima-se que somente 10% das vítimas denunciam. A maioria das violências ocorre dentro de casa, praticada por pessoas conhecidas da vítima, que na maioria são crianças ou adolescentes.

    Além do mais, o Código Penal já contempla a denunciação caluniosa, em seu artigo 339. "A acusação falsa de qualquer crime é gravíssima. Mas a questão é por que especificar no caso de estupro?”, questiona Silvia Chakian, promotora do Grupo Especial de Enfrentamento à Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher do Ministério Público de São Paulo.

    “Fica claro que isso atende a uma casuística”, reforça ela, “são casos pontuais. Isso afronta todas as vigências da boa técnica legislativa, ainda mais quando falamos da lei penal, que deve sempre ser genérica".

    Gicélia Bitencourt, secretária da Mulher Trabalhadora da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil em São Paulo (CTB-SP), afirma que “essa proposta visa tirar o foco do criminoso e culpar a vítima, como tem ocorrido ultimamente”.

    Justamente porque pretende “dificultar ainda mais as denúncias, numa sociedade que sempre aponta o dedo para a mulher, acusando-a de ter provocado a violência, como aconteceu no caso do estupro coletivo da menina de 16 anos no Rio de Janeiro e da jornalista Patrícia Lélis que acusou o deputado federal Marco Feliciano (PSC-SP) e acabou sendo processada, mesmo com áudios contundentes, comprovando”.

     Assista: 

    De acordo com a sindicalista, em vez de se pensar em “projetos torpes como esse, os políticos deveriam se preocupar com o aliciamento de crianças para o tráfico e a exploração sexual de meninas, obrigadas à prostituição”.

    Os dados mostram que uma mulher é estuprada a cada 11 minutos no Brasil, que é o país campeão em feminicídio, violência doméstica e assassinatos de LGBTs. Agora querem “criminalizar a mulher, caso ela não consiga deter o estuprador até a polícia chegar para dar o flagrante”, denuncia Bitencourt.

    Até o fechamento desta matéria o placar da consulta pública estava bastante acirrado. Com mais de 20 mil participantes, 10.935 votando pelo NÃO e 10.553 pelo SIM. Dê o seu voto para mudar melhorar esse placar contra esse projeto hediondo.

    “Muito suspeito surgir um projeto desse porte, quando as mulheres vêm sofrendo violências inomináveis diariamente. A intenção parece ser a de intimidar ainda mais as vítimas que já sentem enorme dificuldade de denunciar seus algozes. Hediondo é o crime de estupro".

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy. Arte:  ONU Mulheres

  • Contra a LGBTfobia: o Brasil é o país mais violento contra pessoas LGBTs

    Para comemorar a exclusão da homossexualidade da Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde (CID) da Organização Mundial da Saúde (OMS) em 17 de maio de 1990, a Organização das Nações Unidas (ONU) declarou a data como o Dia Internacional de Luta Contra a LGBTfobia, dois anos depois. 

    Mas o Brasil - o país campeão em assassinatos de LGBTs - a situação se degrada para essa população desde 2016. O “golpe jurídico, midiático e parlamentar, que vem retirando direitos, congelando investimentos sociais, aprofundando o desemprego, as desigualdades e as violências, acarreta um verdadeiro genocídio das pessoas trans e da juventude negra”, diz Andrey Lemos, presidente da União Nacional LGBT (UNA-LGBT).

    De acordo com ele, os governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff intensificaram políticas públicas para combater a violência contra a população LGBT, inclusive criando o Dia Nacional de Luta Contra a LGBTfobia, mas com o golpe a situação vem se deteriorando com o fim das políticas públicas de combate à violência e de atendimento às vítimas de agressão.

    Zero, de Liniker 

    O Grupo Gay da Bahia (GGB) registrou um aumento de 30% de mortes violentas de LGBTs no país de 2016 para 2017. Os assassinatos passaram de 343 (2016) para 445 (2017). Isso significa que a cada 19 horas, uma pessoa LGBT é morta no país.

    Por isso, “a UNA segue denunciando a ruptura democrática, lutando por políticas públicas para o enfrentamento à discriminação e a promoção da valorização e do respeito às diferenças”, assinala Lemos.

    Para piorar ainda mais, a violência cresce dia a dia. Somente no primeiro quadrimestre deste ano, 153 homossexuais foram assassinados no Brasil, sendo que os transexuais são os mais atingidos. “Matam-se mais LGBTs no Brasil do que nos 13 países do Oriente e África onde há pena de morte contra os LGBTs”, afirma Silvana Conti, vice-presidenta da CTB-RS e dirigente da União Brasileira de Mulheres.

    Em 1948, a OMS havia classificado a homossexualidade como um “transtorno mental”, o que causou grandes transtornos a essa população. A nova classificação entrou em vigor a partir de 1993, mas setores ultraconservadores agridem as pessoas LGBTs cada vez com mais violência.

    una lgbt

    Não é só no Brasil. “No mundo, pelo menos 72 países, estados independentes ou regiões criminalizam a homossexualidade. Dentre esses, oito aplicam pena de morte a homossexuais, segundo levantamento divulgado pela Associação Internacional de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Pessoas Trans e Intersexuais (Ilga)”, acentua Conti.

    De acordo com ela, “Como o Brasil não tem leis específicas que combatam a LGBTfobia, esse tipo de violência é registrado em outros tipos de crimes, como discriminação, injúria ou agressão”.

    Por isso, os números levantados por entidades que acompanham o tema podem ser ainda muito maiores. “Com o avanço do conservadorismo, principalmente após o golpe de Estado de 2016, ficamos à mercê de mais violência ainda”, afirma Lemos.

    Já Conti diz que é preciso “avançar, resistir, lutar e construir com amplitude e unidade um Projeto de Nação que nos devolva: o desenvolvimento econômico, a democracia, a soberania nacional, os direitos trabalhistas, os direitos sociais, a liberdade de expressão, a laicidade do Estado, a alegria e a esperança de uma agenda positiva para todas as pessoas”.

    Para Lemos, a população LGBT, “como a maioria das brasileiras e brasileiros deseja um projeto de desenvolvimento que garanta a sustentabilidade e o futuro do nosso país contemplando toda a nossa diversidade”.

    Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB. Foto: Paulo Pinto

  • Cresce assustadoramente o número de assassinatos de LGBTs no Brasil

    De acordo com o relatório "Pessoas LGBT Mortas no Brasil" do Grupo Gay da Bahia (GGB), divulgado nesta quinta-feira (18), apresenta dados relevantes sobre as dificuldades da população LGBT no país. Em 2017 ocorreram 445 mortes de LGBTs, crescimento de 30% em relação a 2016, com 343 casos registrados.

    Estudos recentes mostram que o Brasil é o país onde mais se mata LGBTs no mundo. “A cada ano a situação dessa população fica mais difícil com o avanço de ideias extremamente conservadoras”, diz Vânia Marques Pinto, secretária de Políticas Sociais da CTB.

    Ela reforça a necessidade urgente de aprovação de um projeto de lei que criminaliza a homofobia e está arquivado no Congresso Nacional há 12 anos. “É fundamental que providências sejam tomadas para impedir essa violência contra parcela da população brasileira, por mero preconceito”, emenda.

    Acesse e leia o relatório completo aqui.

    A pesquisa feita com base em notícias da mídia e relatos pessoais mostra que uma pessoa LGBT é assassinada a cada 19h no país. As mortes vêm crescendo ano a ano. Em 2000 foram 130 assassinatos, em 2010, 260 e agora 445, mais do que o triplo do que 17anos atrás.

    Relatório da organização não governamental Human Rights Watch, divulgado também nesta quinta, destaca que a Ouvidoria Nacional dos Direitos Humanos recebeu 725 denúncias de violência e discriminação contra LGBTs somente no primeiro semestre de 2017.

    “É muito assustador o que está acontecendo no país, onde os direitos básicos da pessoa humana estão sendo desrespeitados sem o menor pudor. Parece que a liberdade apavora e querem controlar a sexualidade de todas as maneiras e se não conseguem então matam”, afirma Vânia.

    O estudo do GGB mostra que os crimes são carregados de ódio chegando a mortes por asfixia, apedrejamento, degolamento, desfiguração de rosto e espancamentos.

    “O assassinato da travesti Dandara, em Fortaleza, em fevereiro do ano passado é a maior prova da barbárie predominante em nossa sociedade”, afirma Vânia. Por motivo fútil, ela foi espancada, apedrejada e depois morta a tiros por oito pessoas. O crime virou símbolo da luta contra a homofobia no país.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy. Foto: Mais JR

  • Crivella e Pezão esvaziaram as políticas públicas para os LGBTs

    O dia 17 de maio é reconhecido mundialmente como dia de luta contra a homofobia. E, por aqui, temos muita luta a fazer. Há 27 anos atrás a Organização Mundial da Saúde (OMS) reconheceu que a homossexualidade não é uma doença, mas de lá pra cá, direitos foram conquistados e muita luta ainda tem que se fazer para a verdadeira erradicação do mal da homofobia.

    A crise causada pelo governo do PMDB, no Rio de Janeiro, afetou diretamente a população LGBT do estado. O Programa “Rio Sem Homofobia” , uma referência mundial no combate à opressão e à violência contra a população LGBT, foi completamente desmantelado pelo governo Pezão e agoniza antes do seu fim, que parece inevitável.

    Desde o começo do ano passado, o governo estadual demitiu mais de 60 trabalhadores dos programas ligados à população LGBT, nomeou um pastor evangélico homofóbico (Ezequiel Teixeira) para a assistência social, que chegou a fechar os programas e acabou demitido por suas declarações repletas de ódio e preconceito, e mantém os técnicos que ainda trabalham nos aparelhos de combate às opressões sem salários desde o mês de janeiro. Os centros que prestavam assistência psicológica, social e jurídica, não funcionam mais, apenas o da Central do Brasil mantém um atendimento parcial.

    No plano municipal, da capital, o Prefeito Marcelo Crivella, não mantém nenhum tipo de política pública para o segmento, mesmo com a cidade sendo um dos maiores destinos do turismo gay mundial, e já informou ainda que deixará de auxiliar a realização da parada do orgulho LGBT, rompendo assim, uma tradição de anos do poder público municipal.

    Enquanto os governos seguem neglicenciando a importância de se ter políticas públicas para o segmento LGBT, mais de 50 casos de violência homofóbica já foram registrados esse ano no Rio de Janeiro. Em suma, com o governo de olhos fechados, e sem programas de atendimento, o segmento segue vulnerável a todo tipo de atrocidade num momento em que as manifestações de ódio homofóbicas crescem em nossa sociedade.

    Da CTB-RJ

  • CTB-RJ promove 2º Encontro de Igualdade Social, Raça, Gênero e LGBT

    A CTB-RJ realiza, no próximo dia 22 de Outubro, às 9 horas, no Sindsprev, seu II Encontro de Igualdade Social, Raça, Gênero e LGBT. A atividade, que antecede o encontro nacional, ocorre em um momento importante para a classe trabalhadora, onde a sua organização é fundamental para a manutenção dos seus direitos. Nas palavras do diretor da CTB-RJ, José Carlos Madureira:

    As urnas revelaram uma nova realidade. Os reacionários que são contra os direitos sociais, contra a emancipação das mulheres, contra a emancipação da mulher negra, contra a luta por direitos do movimento LGBT, além de aplicarem um golpe civil institucional, querem retirar todos os direitos conquistados nos últimos 14 anos. A onda reacionária precisa ser desmascarada e combatida.

    A Secretária da Mulher Trabalhadora da CTB-RJ, Katia Branco, também evidencia o momento ímpar da política nacional no qual se realiza esse importante encontro. Nas palavras de Kátia:

    O País vive um momento político complicado após o golpe que destituiu uma presidenta que não cometeu crime de responsabilidade. Um golpe machista, um golpe contra as mulheres e contra as trabalhadoras. É nesse contexto que a CTB realiza esse importante encontro que vai nos organizar para garantir os nossos direitos e enfrentar essa ofensiva conservadora.

    A Secretária Nacional de Promoção da Igualdade Racial da CTB, Mônica Custódio, salienta a importância de se fazer o debate sobre as políticas de inclusão:

    Esse encontro acontece em um momento político singular de nossa história enquanto trabalhadores e enquanto militantes dos movimentos sociais. Após mais de uma década de construção de igualdade de oportunidade e de política inclusiva, sofremos um golpe de estado, contra um governo popular e contra o povo. Estamos ao meio de um revés e queremos junto a CTB manter nossa pauta de reivindicação de nenhum direito a menos, e por respeito as diferenças e às identidades.

    Da CTB-RJ

  • CTB-RJ repudia ataques ao "Rio Sem Homofobia"

    A CTB Rio de Janeiro, através da presente nota, manifesta toda sua indignação e repúdio com o desmonte promovido pelo Governo Pezão do programa “Rio Sem Homofobia”. O Programa, que atende à população LGBT e combate o preconceito em nosso estado, é mais uma vítima da falência do Estado promovida pelos governos do PMDB e, seu término, coloca em situação de ainda maior vulnerabilidade a comunidade LGBT carioca e fluminense.

    O Rio sem Homofobia foi inaugurado em março de 2007. Ao longo desses dez anos, realizou diversas ações e implementou serviços permanentes visando à promoção da cidadania LGBT no âmbito do estado. Entre esses serviços, encontram-se os Centros de Cidadania LGBT, com atendimento direto à população em horário comercial, e o Disque Cidadania LGBT, uma central telefônica que funciona 24 horas por dia todos os dias. O desmonte do programa coloca em risco esses serviços tão fundamentais para a comunidade LGBT de nosso Estado.

    Vivemos num país que ocupa a triste liderança no ranking mundial de Crimes LGBTfóbicos. Crimes que sempre vem acompanhados de requintes de crueldade que ceifam não só a vida, mas também a dignidade e a humanidade das pessoas desse segmento. Segundo dados do Grupo Gay da Bahia, no Brasil um LGBT é agredido à cada 24h. Dos quase 50 mil atendimentos realizados pelo Disque Cidadania LGBT e quatro Centros de Atendimento à população LGBT no Estado do Rio de Janeiro, 40% envolvem discriminação e violência em razão da orientação sexual e identidade de gênero. É completamente inaceitável que, diante de uma conjuntura dessa, e com o nítido avanço das manifestações de ódio em nosso País, o governo do PMDB faça do programa de combate à homofobia uma das vítimas de seu pacote de maldades.

    Nós, da CTB Rio de Janeiro, manifestamos toda nossa solidariedade à comunidade LGBT e nos colocamos ao lado das/os Gays, Lésbicas, Transexuais e Travestis na luta contra o preconceito, contra a violência lgbtfóbica e contra os ataques ao programa. Defender o Rio Sem Homofobia é defender a dignidade humana e a vida da comunidade LGBT.

    Não ao desmonte do Rio Sem Homofobia!

    Pela vida e pela dignidade da comunidade LGBT!

    Pela fim do preconceito com os LGBTs no mercado de trabalho!

    Pelo livre direito de amar! Pelo fim da Homofobia!

    Rio de Janeiro, 21 de fevereiro de 2017

    Ronaldo Leite
    Presidente da CTB-RJ

  • Danilo Gentili sofre duas derrotas na Justiça em menos de uma semana. Você concorda?

    Conhecido por sucessivos ataques às chamadas minorias, o apresentador do SBT, Danilo Gentili, finalmente sofre duas derrotas em menos de uma semana na Justiça.

    Neste sábado (3), o desembargador Túlio de Oliveira Martins, do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, determinou que Gentili retirasse de suas redes sociais o vídeo em que ataca a deputada federal e ex-ministra dos Direitos Humanos, Maria do Rosário (PT-RS).

    De acordo com Martins, "o vídeo veiculado é de natureza misógina, representando agressão despropositada a uma parlamentar e às instituições, materializando-se virtualmente em crime que, se for o caso, deverá ser apurado em instância própria".

    A secretária da Mulher Trabalhadora da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Ivânia Pereira, concorda com o desembargador. “Faz tempo que Gentili usa de seu espaço para atacar de maneira fortuita, mulheres, LGBTs, negros, índios, políticos progressistas, enfim todos os que defendem os direitos humanos e a igualdade de gênero e racial”, diz.

    “A decisão é uma vitória de todas as mulheres brasileiras que desejam construir uma sociedade livre do ódio e dos preconceitos cotidianos” destaca Maria do Rosário. “A atitude beligerante dele ultrapassa os limites da inteligência e da liberdade de expressão”, acrescenta Pereira.

    No vídeo em questão, julgando-se impune, o apresentador rasga uma notificação extrajudicial enviada por Rosário, Põe dentro da cueca com insinuações obscenas e envia o papel rasgado para a deputada, via Correios.

    Para o desembargador ações desse tipo não representam “notícia, nem opinião, nem crítica, nem humor, mas apenas agressão absolutamente grosseira marcada por prepotência e comportamento chulo e inconseqüente”.

    R$ 1 mil por dia

    Gentili também foi condenado a retirar posts homofóbicos direcionados ao jornalista Gilberto Dimenstein, que dirige o site Catraca Livre. Na sexta-feira (26), O juiz Edward Albert Lancelot, da 35ª Vara Cível do Tribunal de Justiça de São Paulo, afirma que "há prova inequívoca que o réu divulgou mensagens que desabonam a imagem do autor". Lancelot determinou também uma multa de R$ 1 mil por dia de descumprimento da decisão judicial.

    “Pessoas como esse apresentador mostram a urgente necessidade de regulação da mídia em nosso país. Os meios de comunicação não podem ser utilizados para a divulgação do ódio, da violência, da discriminação e da mentira. Empresários e comunicadores devem ser responsabilizados pelo que afirmam”, conclui a sindicalista Pereira.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

  • Dia Nacional da Visibilidade Lésbica: estudar e conhecer para acabar com o preconceito

    Desde 1996, 29 de agosto é o Dia Nacional da Visibilidade Lésbica. A criação se deu no 1° Seminário Nacional de Lésbicas (Senale). “O objetivo é chamar a atenção da sociedade para o combate à discriminação. Precisamos aprender a respeitar todas as formas de amor”, diz Celina Arêas, secretária da Mulher Trabalhadora da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).

    O Brasil é um dos países mais violentos do mundo contra a população LGBT. De acordo com o Grupo Gay Bahia somente em 2016, 340 pessoas foram assassinadas, ou seja, quase uma por dia.

    “É necessário criminalizar a LGBTfobia para o nosso país sair desse vergonhoso ranking de países violentos contra seres humanos somente por sua orientação sexual. O processo civilizatório necessita desse avanço”, diz Arêas.

    De acordo com ela, o Dia Nacional da Visibilidade Lésbica precisa de “uma ampla divulgação em toda a mídia para combater a opressão imposta por esta sociedade patriarcal, machista e homofóbica. Respeitar os direitos humanos e a liberdade é fundamental para melhorar a vida de todas e todos”.

    Portal CTB - Marcos Aurélio Ruy

  • Direito de amar: peça teatral trata do amor entre mulheres

    O amor entre mulheres é o tema de espetáculo em cartaz no palco do Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo até dia 26 de fevereiro. A peça teatral L, O Musical, que tem dramaturgia e direção de Sérgio Maggio, conta a história de Ester Rios, uma renomada autora de novelas (interpretada por Elisa Lucinda) radiante com o sucesso do primeiro folhetim que traz um triângulo amoroso formado por mulheres.

    Ester divide seu cotidiano profissional e afetivo com as amigas e o público conhece a atriz Ruth D'Almeida (Ellen Oléria), ex de Ester, Ruth, e a coautora de novelas Anne (Renata Celidônio), casada com um homem, mas apaixonada por Ester. Ester namora a militante LGBT Simone (Gabriela Correia).

    A chegada de notícias inesperadas acaba mudando o destino de todas elas e tudo isso é contado por meio de músicas que abordam o universo feminino, entre elas algumas de autoria de Maria Bethânia, Angela Ro Ro, Adriana Calcanhoto, Cássia Eller, Zélia Duncan e Simone.

    L, O Musical aborda com humor refinado o direito incondicional de amar de forma livre, sem regras nem preconceito. No vídeo de apresentação da peça, a atriz, poeta e escritora Elisa Lucinda afirma que se trata de uma obra com uma importante potência política: “Representa muito pra mim. É um desafio de linguagens, um mix, um intercâmbio de atrizes de vários lugares, uma banda toda feminina… É uma ousadia porque tudo é feito sob o domínio e sob o signo femininos. Um espetáculo de muita força política, poético, feminino, amoroso e por isso mesmo antibélico”.

    “O amor entre mulheres é uma coisa natural. Não existe essa diferença do amor homem/mulher, homem/homem, mulher/mulher. As pessoas deviam se amar e seguir os seus desejos e seus instintos a todo momento, sem travas. Eu quero muito que as pessoas saiam de lá com esse pensamento de 'olha como é natural'”, diz a atriz Renata Celidônio.

    Para Gabriela Correa, a peça apresenta a força de mulheres guerreiras: “Dessa vez, a gente vai tratar sobre as mulheres e a relação que elas têm com a família, com o amor, com o passado, com a dor que é existir. Eu espero que as pessoas se surpreendam com o espetáculo, que se identifiquem e sintam-se acolhidas pela temática. São mulheres guerreiras, decididas, que sabem o que querem e que lutam pelo o que têm e pelo o que querem ter. Eu acho importante trazer esse tipo de empoderamento e esse tipo de representatividade”.

    Com 110 minutos, a obra tem direção musical de Luís Filipe de Lima, direção de movimento de Ana Paula Bouzas, direção de produção de Ana Paula Martins e conta também com as atrizes Tainá Baldez e Luiza Guimarães. A peça já passou pelo CCBB Brasília e Rio de Janeiro e deve seguir para a unidade de Belo Horizonte depois da turnê na capital paulista. As apresentações em São Paulo são às sextas, aos sábados, domingos e às segundas-feiras. No dia 22 de janeiro, a entrada é gratuita e haverá um bate-papo com o diretor e o elenco após a peça.

    L, O Musical

    Quando: às sextas (20h), sábados (20h), domingos (18h) e segundas (20h)
    Onde: CCBB SP
    Rua Álvares Penteado, 112, centro, São Paulo
    Quanto: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia)
    Mais informações: (11) 3113-3651

    Ficha técnica

    Direção geral e dramaturgia: Sérgio Maggio
    Direção musical: Luís Filipe de Lima
    Artistas-criadoras: Elisa Lucinda, Ellen Oléria, Renata Celidônio, Gabriela Correa, Tainá Baldez e Luiza Guimarães
    Classificação: 16 anos

    Fonte: Rede Brasil Atual. Foto: Divulgação

  • Em defesa do SUS, a CTB participa da 2ª Conferência Nacional de Saúde das Mulheres

    Após a realização da 1ª Conferência há 32 anos, começa nesta quinta-feira (17) a 2ª Conferência Nacional de Saúde das Mulheres, em Brasília. “Fundamental realizar esta conferência para fortalecer a atenção à saúde da mulher em todo o território nacional”, argumenta Elgiane Lago, secretária da Saúde, da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).

    Com o tema “Saúde das Mulheres: desafios para a integralidade com equidade”, o Conselho Nacional de Saúde espera reunir 1.800 pessoas no Centro de Convenções Ulysses Guimarães para defender o Sistema Único de Saúde (SUS) e as políticas públicas em favor da vida da da mulher, "com muito respeito e sem discriminações", diz Lago.

    Ela afirma ainda que “as mulheres devem ter as suas espeficidades atendidas pelo SUS” e que “a realização desta conferência já renova as esperanças de avançarmos nas políticas públicas para melhorar o atendimento pelo SUS, principalmente para as mulheres”. Porque, diz ela, "as mulheres cuidam da saúde de toda a família e muitas vezes não cuidam de si próprias".

    Já Ivânia Pereira, secretária da Mulher Trabalhadora da CTB, afirma que o processo de realização das conferências estaduais e municipais, além de conferências livres (não governamentais) “garantem a possibilidade de uma pujante conferência nacional”.

    Acesse a página do Facebook da conferência aqui

     

    Entre e pesquise no site do Conselho Nacional de Saúde aqui 

     

    Mas, para ela, é necessário avançar sobre as questões da população LGBT, “que enfrenta muita discriminação no atendimento”. Pereira acredita que esta conferência pode ser um “divisor de águas nas políticas públicas desenvolvidas para o atendimento de quem mais precisa do SUS”.

    Além disso, para ela, é “importante avançar nos debates sobre a violência obstétrica, sobre o atendimento pré-natal e também o atendimento ginecológico às mulheres lésbicas, que passam por constrangimentos, devido à sua orientação sexual”.

    Lago conta que a organização não imaginava viver esta situação de perdas de direitos no período de formulação da 2ª Conferência. Ela acredita que “a luta em defesa do SUS se torna ainda mais fundamental, uma bandeira essencial, pela atenção à saúde da mulher”.

    Principalmente porque, para a sindicalista gaúcha, “estamos vivendo uma quebra de direitos que atinge em cheio a nossa vida”, mas “temos a expectativa de avançar nas conquistas que estamos perdendo”.

    Ela acredita que a 2ª Conferência Nacional de Saúde das Mulheres pode ser “uma luz no fim do túnel para que as proposições da conferência resultem em uma lei e assim obrigue o governo à aplicação das políticas necessárias para que a mulher tenha uma vida mais saudável”.

    Programação

    17 de agosto

    16h – Ato /Caminhada “Pela Saúde e Pela Vida das Mulheres”
    18h – Abertura / Mesa de Autoridades e Convidadas
    20h – Jantar Confraternização

    18 de agosto

    8h30 às 12h (mesas concomitantes)

    Eixo I – O papel do Estado no desenvolvimento socioeconômico e ambiental e seus reflexos na vida e na saúde das mulheres
    • Celia Regina Nunes das Neves – Comissão Nacional de Fortalecimento das Reservas Extrativistas Marinhas do Brasil (COFREM)
    • Ela Wiecko Volkmer de Castilho – Subprocuradora Geral da República
    • Ministério da Saúde (aguardando confirmação)
    Coordenação: Francisca Valda da Silva e Jupiara Gonçalves de Castro

    Eixo II – O mundo do trabalho e suas consequências na vida e na saúde das mulheres
    • Ivete Santos Barreto – Conselho Regional de Enfermagem (COREN)
    • Maria Conceição Silva – União de Negros pela Igualdade (UNEGRO) e Conselheira do CNS
    • Elionice Conceição Sacramento – Movimento Nacional de Pescadoras e Marisqueiras e Conselheira do CNS
    Coordenação: Madalena Margarida da Silva e Maria Soraya Amorim

    14h às 17h30 (mesas concomitantes)

    Eixo III – Vulnerabilidades e equidade na vida e na saúde das mulheres
    • Carmen Simone Grilo Diniz – Faculdade de Saúde Pública (USP) e GT de Gênero e Saúde (ABRASCO)
    • Margareth Arilha – Núcleo de Estudos de População “Elza Berquó” (NEPO/UNICAMP)
    • Maria Luiza Costa Câmera – Associação Bahiana de Deficientes Físicos (ABADEF)
    • Keila Simpson – Presidenta da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA)
    Coordenação: Heliana Hemetério dos Santos e Cleoneide Paulo Oliveira

    Eixo IV – Políticas públicas para as mulheres e a participação social
    • Ana Maria Costa – Centro Brasileiro de Estudos de Saude (CEBES)
    • Maria de Lourdes Araújo Barreto – Rede Brasileira de Prostitutas e Grupo de Mulheres Prostitutas do Estado do Pará (GEMPAC)
    • Alessandra Lunas – Coordenação Nacional da V Marcha das Margaridas
    • Ângela Martins – Marcha das Mulheres Negras
    Coordenação: Francisca Rego Araújo e Maria Esther de Albuquerque Vilela

    19 de agosto

    8h30 às 17h30 – 16 Grupos de Trabalho

    Eixo I – O papel do Estado no desenvolvimento socioeconômico e ambiental e seus reflexos na vida e na saúde das mulheres (4 Grupos de Trabalho)
    Eixo II – O mundo do trabalho e suas consequências na vida e na saúde das mulheres (4 Grupos de Trabalho)
    Eixo III – Vulnerabilidades e equidade na vida e na saúde das mulheres (4 Grupos de Trabalho)
    Eixo IV – Políticas públicas para as mulheres e a participação social (4 Grupos de Trabalho)

    20 de agosto

    8h30 às 9h30

    Premiação dos Projetos “Laboratório de Inovação de Participação Social e Saude Integral da Mulher” – OPAS/CNS:
    • Projeto “Passo a Pássaro” (PI)
    • Projeto “TransformaDor: parir com amor, sem violência” (PA)
    • Projeto “Barriguda” (RN)
    • Projeto “Práticas de cuidado em saúde com trabalhadoras do sexo: extensão universitária desenvolvida pelo NUCED/UFC” (CE)
    • Projeto “Mulheres da AP2.2: grupos de convivência, educação em saúde e geração de renda nas Unidades da ESF” (RJ)
    • Projeto “Ambulatório Trans de Sergipe: Portas Abertas – Saúde Integral das pessoas trans: cuidar e acolher” (SE)

    9h30 às 18h – Plenária Final

    18h – Encerramento

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

  • Estudo ressalta importância da discussão sobre sexualidade com adolescentes

    Um grupo de terapeutas ocupacionais no Recife analisaram o resultado de uma interação com jovens do 8º e 9º do Ensino Fundamental em uma pesquisa publicada na última edição da Revista Saúde e Sociedade, da Faculdade de Saúde Pública da USP. O artigo completo pode ser lido no Portal de Revistas da universidade. As pesquisadoras Anna Sena, Rosana Monteiro, Vera Facundes, Maria de Fátima Trajano e Daniela Gontijo apresentam a avaliação de uma pesquisa feita com jovens pernambucanos matriculados no 8º e 9º ano de uma escola pública do Recife.

    O estudo sediado pelo Departamento de Terapia Ocupacional da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco) teve como objetivo identificar os padrões de gênero e as concepções acerca do sexo entre o adolescente comum brasileiro e, por fim, analisar criticamente estas, para ajudar na adoção de novos hábitos mais saudáveis no âmbito sexual e também social. A pesquisa foi feita por meio de encontros semanais com jovens que se inscreveram por vontade própria (e com autorização dos pais) no programa, em uma escola da rede pública de ensino fundamental.

    “Quando eu vi [o surgimento dos pelos pubianos] fiquei tão feliz […] porque eu virei homem”
    “Um homem de verdade nunca brinca com boneca”
    (Frases dos adolescentes participantes do estudo)

    Foram conduzidas reuniões em que as pesquisadoras abordavam diferentes tópicos sobre sexualidade, com inspiração nos métodos descritos por Paulo Freire, por meio de jogos que levantavam temas como o corpo masculino e feminino, relações de gênero e sexualidade, doenças sexualmente transmissíveis, gravidez na adolescência e métodos contraceptivos.

    De acordo com o artigo, não é possível traçar generalizações a partir dos dados colhidos, já que as respostas e opiniões pessoais dos jovens divergiam em sua maior parte. Porém, alguns novos padrões surgiam. ”Os modelos de masculinidades valorizados socialmente podem colocar o adolescente em situação de vulnerabilidade”, ressalta Anna Sena. “Por outro lado, também se percebeu que estes modelos hegemônicos do homem como unicamente provedor moral e material do lar, começam a coexistir com outras possibilidades de ser homem, principalmente no que se refere ao exercício da paternidade de forma mais afetiva e cuidadosa".

    Sexualidade na adolescência

    De acordo com a pesquisa de 2012 do IBGE sobre sexualidade na adolescência, 28,7% dos estudantes no 9º ano do Ensino Fundamental (13-15 anos, em média) já tiveram alguma relação sexual. Na divisão por gênero desta porcentagem, é possível ver que os meninos são em geral mais precoces: 40,1% deles já haviam feito sexo, porcentagem bem maior que das meninas (18,2%).

    Porém, dois números são mais preocupantes: 25% dos jovens que já tiveram relação sexual não utilizaram preservativo na última relação, e 20% de todos os jovens entrevistados não receberam orientação na escola sobre prevenção de gravidez.

    A fraca educação sexual no Brasil tem como resultado um número extenso de bebês de adolescentes: 555 mil nascimentos apenas em 2013, maior que a população inteira do Suriname. Este número corresponde a 19% de todos os nascimentos no país neste ano.

    “Assumir um filho é compartilhar. Da mesma forma que a mulher troca a fralda dele, a gente também tem que trocar. Lavar prato, dar a comida […] não deixar para ela fazer tudo sozinha”
    “Acaba a liberdade, pra menina é mais difícil, porque o marido, assim, vai trabalhar e ele ainda vai ter tempo de se divertir, e ela não”
    (Frases dos adolescentes participantes do estudo)

    “Uma surpresa foi o altíssimo índice de participação dos e das adolescentes durante as intervenções e na pesquisa”, afirma Anna. “Outra surpresa, esta não positiva, foi a constatação de conhecimentos equivocados em relação a doenças sexualmente transmissíveis e AIDS que podem colocá-los em risco. Neste sentido, destaca-se a percepção inicial de que a AIDS é uma doença que tem cura e, assim sendo, não desperta tanto medo na contaminação".

    A construção das masculinidades

    Um dos pontos iniciais do artigo exalta a imposição de valores já permeados na sociedade sobre o papel do gênero masculino e como os adolescentes naturalmente reproduzem padrões dos grupos sociais em que fazem parte. Estes valores, que mudam de acordo com as diferentes dimensões sociais, econômicas, geracionais e culturais, formam espaços simbólicos denominados “masculinidades”.

    “Até porque se ele rejeitasse a proposta dela [de ter relações sexuais no primeiro encontro, ele seria chamado] de frango, aí ele […] ia queimar a fama dele”
    “Uma menina [homossexual] está tudo bem, mas um menino não. Porque um menino não vai ter vergonha de andar com uma lésbica, mas com um gay o povo vai ficar falando”
    (Frases dos adolescentes participantes do estudo)

    Porém alguns modelos de masculinidades são hegemônicos e se tornam grandes orientadores da conduta social, mesmo que em sua maioria formem hábitos excludentes. São características que manifestam um antagonismo à figura feminina: a virilidade, heterossexualidade, força, fonte de sustento material e moral da família, a vivência da sexualidade sem limites e a percepção de invulnerabilidade.

    A consequência deste modelo de conduta para a população jovem é o impacto a fragilidade psicológica e o desejo de autoafirmação e status, que pode levar a comportamentos de risco como o sexo sem preservativo e com diferentes parceiras, que por sua vez podem resultar não apenas em gravidez precoce e doenças transmissíveis, mas, também, em abalo psicológico nos adolescentes em questão e a terceiros/as.

    “Mais um aspecto observado foi a valorização excessiva de padrões hegemônicos de gênero que podem resultar em condutas de risco pelos adolescentes”, afirma. “Por exemplo, concepções sobre impossibilidade de se negar a ter relação sexual com uma mulher para não ter sua masculinidade questionada socialmente, ou que cuidar de si mesmo é coisa de mulher".

    Da Agência Universitária de Notícias

  • Fios e tramas do arco íris, trabalho e a LGBTfobia em tempos de fascismo

    Nossos passos vem de longe!

    Muitas de nós já foram queimadas em fogueiras!

    Muitas de nós estavam na linha de frente como atiradoras de elite na Revolução Russa!

    Muitas de nós como Aqualtune avó de Zumbi dos Palmares estavam dirigindo Quilombos, grandes espaços de luta e resistência!

    Muitas de nós como Helenira estavam no Araguaia liderando guerrilhas!

    Muitas de nós já foram estupradas nos porões da casa grande!

    Muitas de nós perderam seus companheiros e companheiras, perderam seus filhos e filhas no terror da ditadura!

    Uma de nós foi eleita a primeira presidenta do Brasil e sofreu impeachment sem crime de responsabilidade, sofreu machismo, misoginia, inúmeras violências como por exemplo um adesivo que incitava ao estupro, e foi afastada através de um golpe parlamentar que golpeou todo o povo brasileiro.

    Lutamos para que não esqueçamos e que tudo isso nunca mais aconteça.

    Os dias de chumbo da ditadura militar de 1964, nos lembram o período que estamos vivendo nos dias atuais.

    Estamos atravessando uma crise política, institucional, midiática, jurídica e civilizatória, que é bem mais grave que uma onda conservadora, vivemos um Tsunami Conservador que considero a sala de espera do fascismo.
    Forças de direita e extrema-direita estão em ascensão em vários países.

    O golpe no Brasil tem muitas dimensões e acentua o acirramento da luta de classes, concentrando mais ainda a riqueza em prejuízo da classe trabalhadora. O Impeachment é um golpe, que esconde a verdadeira máscara dos interesses do capital que é exterminar os governos populares e progressistas da região que formaram um bloco anti-imperialista latino-americano que conseguiu barrar a Alca e avançou nos últimos anos mais do que nos últimos dois séculos através do Mercosul, da Unasul, do conselho de defesa Sul-americano, fortaleceram as relações regionais a nível político e econômico e articulações transcontinentais especialmente no caso da Venezuela e Brasil sendo o BRICS a expressão mais destacada deste tipo de aliança.

    A vitória de Donald Trump no pleito presidencial dos EUA, é um atestado do declínio do império americano e dos impasses da globalização neoliberal, embaralhou a política externa do império, com iniciativas contraditórias como o fim da Parceria Transpacífico e a proibição da entrada de imigrantes muçulmanos no país, e acrescentou novas nuvens de incertezas num cenário que já se configurava crítico.

    O cenário de fundo é a crise atual do capitalismo que promove os fascismos, como já aconteceu na história recente, em formato diferente, com Mussolini, Hitler, Franco e Salazar.
    A crise do capitalismo nos últimos 10 anos mostra que a saída dos governos neoliberais, do capital financeiro e especulativo tem sido o arrocho e o aperto para cima dos trabalhadores e das trabalhadoras. A consequência é nítida: aumento da fome, pobreza, de guerras e conflitos em diversas partes do mundo.

    O usurpador, Michel Temer, busca com o apoio do consórcio político, empresarial, midiático, jurídico que consumou o golpe – dar sobrevida ao governo ilegítimo até 2018. Para isso, procura dar seguimento em ritmo acelerado, tal como foi no ano passado, à aprovação e à efetivação da agenda ultraliberal e conservadora.

    Assim, depois da EC 95 (Emenda Constitucional do Ajuste Fiscal) - que congela o orçamento obrigatório para a Educação, assistência social e a Saúde, por 20 anos, busca sucatear ainda mais a educação pública e acabar com o SUS, para assegurar os ganhos astronômicos dos rentistas e ter mais elementos para privatizar o Brasil.

    Com a reforma trabalhista, as férias poderão ser parceladas em até 3 vezes. A jornada de trabalho pode ser de até 12 horas diárias. A jornada intermitente permite que o trabalhador e a trabalhadora atuem apenas alguns dias na semana, ou trabalhe apenas algumas horas por dia. Terá que ficar à disposição do patrão e só receberá o equivalente às horas trabalhadas. Ou seja, nunca saberá qual será o seu salário no final do mês. Direito a 30 minutos de intervalo e mulheres grávidas ou amamentando poderão trabalhar em ambientes considerados insalubres, dentre outras atrocidades.

    silvana conti 1

    Estão vendendo o Brasil e depois do ataque ao regime de partilha do pré-sal que abriu caminho para a entrega dessa grande riqueza às multinacionais, Temer promete entregar agora uma joia há muito cobiçada pelo “mercado”: A reforma da previdência = morte sem aposentadoria, é um crime na vida do povo brasileiro, principalmente na vida das mulheres e das trabalhadoras rurais.

    Na contramão do reconhecimento da sobrecarga de trabalho e responsabilidades historicamente imputadas às mulheres, foi apresentada pelo governo golpista de Michel Temer uma proposta de reforma da previdência que propõe igualar a idade de homens e mulheres, trabalhadores e trabalhadoras rurais e urbanos para 65 anos, com 25 anos de contribuição. Dessa forma, as trabalhadoras rurais, por exemplo, que até agora se aposentavam com 55 anos, precisarão trabalhar pelo menos 10 anos a mais. Equiparar a idade de homens e mulheres para aposentadoria é desconsiderar a tripla jornada de trabalho das mulheres, que garantem a realização do trabalho doméstico e de cuidados, além da reprodução da força de trabalho.

    Estas mesmas mulheres, que já cumprem uma dupla jornada de trabalho, recebem salários menores que os homens. Nos dados do IBGE de 2014, as mulheres recebem 27% a menos que os homens, e as mulheres negras ganham 40% a menos que os homens brancos. Não é à toa que essa diferença também vai se expressar na aposentadoria.
    Um dos grandes desafios hoje é resistir à ofensiva de conservadores, reacionários e neoliberais na redução de direitos conquistados desde a promulgação da Constituição Cidadã de 1988, na venda do patrimônio brasileiro ao mercado estrangeiro e o desmonte da indústria nacional dentro de uma cartilha entreguista.

    A classe trabalhadora é quem mais sofre com a crise. O desemprego assume proporções devastadoras e já atinge mais de 200 milhões de trabalhadores e trabalhadoras no mundo.

    O ataque à classe trabalhadora é sem dúvida uma arma letal que fere de morte o povo brasileiro, já que o trabalho é um elemento definidor do próprio ser. Segundo Marx e Engels, ontologicamente o trabalho é o definidor do ser humano, uma vez que gera condições reais de existência.

    A dupla jornada de trabalho e a desigualdade salarial são dois dados chocantes da situação das mulheres trabalhadoras no Brasil que se completa com a triste constatação de que a precarização, a terceirização, o trabalho informal e o desemprego tem rosto de mulher e em sua maioria o rosto das mulheres negras.

    A violência do racismo institucional segue matando e massacrando as mulheres negras que são 25% da população brasileira e tem em sua história social a marca da escravidão, dos estupros e da violência cotidiana imposta por uma sociedade racista e machista. As mulheres negras chegam a ter salário duas vezes menor do que os homens brancos e, em geral, ocupam lugares de trabalho muito precarizados.

    Vivemos uma conjuntura de avanço do conservadorismo e de perda de direitos sociais e trabalhistas historicamente conquistados, seguido do aumento da violência e do controle sobre a vida e o corpo das mulheres, com o aumento do racismo, aumento do feminicídio, da lesbofobia, da homofobia, da transfobia, além da repressão, criminalização aos movimentos sociais e populares, criminalização do movimento sindical, das Centrais Sindicais e da desqualificação e perseguição das esquerdas.

    O que o fascismo foi e é, um sistema de governo em conluio com grandes empresas, que favorecem economicamente com a cartelização do setor privado, os subsídios às oligarquias financeiras e econômicas. Quando as crises rebentam as pessoas humanamente interrogam-se sobre o dia de amanhã. A reação mais imediata e espontânea é o receio pelo seu futuro. Se num primeiro impacto os princípios da sociedade que os impôs são postos em causa, a seguir regressam em força, pela mão dos agentes mais violentos do capitalismo.

    A face do conservadorismo da direita fascista – Onde grupos conservadores são maioria do Congresso Nacional, e retiram do Plano Nacional de Educação os conteúdos de igualdade de gênero, jogando todo o seu moralismo e atraso numa vala comum afirmando que queremos acabar com a família. Escancaram sua lesbofobia, transfobia e homofobia, mentindo e criando uma falsa polêmica sobre uma ideologia de gênero inventada por eles. A retirada do gênero dos planos municipais, estaduais e nacional de educação, faz parte da pauta conservadora em curso, que também se relaciona com a tramitação do Estatuto da Família que nega o direito a proteção do Estado às famílias LGBT e todas as outras famílias que fogem do padrão margarina: papai, mamãe e filhos e filhas.

    No último censo IBGE, de 2010, foram apontadas 60 mil famílias LGBTs e 19 laços de parentescos. Multiplas familias, multiplas formas, jeitos, arranjos, amores...

    No Manifesto do Partido Comunista, Marx e Engels, além de afirmarem o papel da família na reprodução da opressão da mulher, indicam a possibilidade e a necessidade de transformar essa instituição.

    Marx também faz uma análise crítica do conceito liberal de igualdade. Apresenta os limites da igualdade jurídica como instrumento de reversão da subordinação vivida pelas mulheres. Faz a distinção entre emancipação política formal que tem como objetivo a igualdade de direitos sem levar em consideração as desigualdades reais, apontando para o feminismo emancipacionista que persegue uma transformação das estruturas econômicas e políticas geradoras das desigualdades.

    A contribuição da revolucionária russa Alexandra Kollantai (1873-1952) que é uma referência importante para as feministas marxistas, abordou os temas do amor e da sexualidade, temas até então bem pouco considerados por pensadores marxistas dando conseqüência à análise de Karl Marx e Friedrich Engels em relação à falsa moral burguesa e aos interesses que sustentavam a instituição familiar, Kollantai argumentou a favor de uma sexualidade livre das amarras morais e materiais.

    Dentre as referências de mulheres feministas marxistas está a camarada Loreta Valadares (2007) que nos coloca um grande desafio: “Quando eu me for (se eu me for) vão até onde não fui”.

    Acreditamos que este momento histórico que estamos vivendo está completamente ligado a esta afirmativa de Loreta, pois ela entendia que a opressão de classe interliga-se com a opressão de gênero, coincidindo historicamente e se desenvolvendo entrelaçadas no decorrer da história. A elas, entrelaça-se a opressão de raça. Também defendia que a luta contra a opressão de gênero se insere na luta contra todos os elos de opressão e pela conquista de uma sociedade radicalmente livre, sem discriminação de sexo/gênero, raça e de classe.

    Ousamos afirmar: Uma sociedade radicalmente livre, sem opressão de classe, gênero, raça/ etnia, orientação sexual, identidade de gênero, geração, deficiências dentre outras. A luta por uma sociedade avançada e socialista e as lutas por direitos não são contraditórias, ao contrário, abrem possibilidades para nos aproximarmos cada vez mais das lutas e dos anseios do povo brasileiro.

    A laicidade do Estado está garantida na Constituição brasileira, mas muitos se elegeram pastor disso e daquilo, e deu nisso, a direita saiu do armário e em parceria com a mídia golpista buscam fazer a cabeça do povo, mostrando o que querem, quando querem, enfim, exercendo seu poder em favor do golpe institucional e midiático em curso.

    Os feminicídios estão acontecendo com requintes de crueldade e violência, e as mulheres LBT não aparecem nas estatísticas por estarem invisíveis, pois na maioria das vezes todas as mulheres são consideradas heterossexuais.

    Segundo o “Relatório de Violência LGBT ano de 2011”, foram notificados 278 homicídios de LGBT no país. Ainda naquele ano, foram denunciadas à Secretaria Especial de Direitos Humanos 6.809 violações de direitos humanos envolvendo 1.713 vítimas. O mesmo relatório referente ao ano de 2012 contabilizou 310 assassinatos e 9.982 violações de direitos humanos envolvendo 4.851 vítimas (BRASIL, 2013).

    O número de denúncias aumentou em 166% de um ano para o outro. Em 2013, segundo o mesmo relatório, em preparação para publicação, ocorreram 251 assassinatos e 3.398 violações de direitos contra lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais envolvendo 1.906 vítimas. Segundo balanço da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos divulgado em Janeiro de 2016, o ano de 2014 registrou 2.143 violações de direitos seguido de um total de 2.964 violações em 2015.

    É importante salientar que esses números, bastante expressivos da violência que atinge a população LGBT, possivelmente não revelam a quantidade real de todas as violações de direitos humanos desse segmento, devido à subnotificação dos dados produzidos por uma cultura de negação da denúncia, da desconfiança e descrença de respostas efetivas dadas pelos órgãos públicos, da naturalização desse tipo de violência no cotidiano, e do desconhecimento dos canais de denúncia. Entretanto, acredita-se que o aumento no número de denúncias revela uma maior inserção do Disque 100 pelo país como também uma leve mudança na cultura das denúncias no Brasil.

    A banalização da violência contra a população LGBT, como apontado, é um fator crucial que dificulta o seu enfrentamento. Enraizada na cultura e nas práticas sociais, essas violências acabam sendo assimiladas como comuns nas nossas relações. Tal assimilação produz subjetividades marcadas pela subalternidade e hierarquização entre sujeitos/as LGBTs e não-LGBTs. Esse processo cultural nos impõe o desafio de desnaturalizar as opressões e denunciar a forma como elas constrangem a humanidade por meio de novas práticas culturais e educativas - numa perspectiva freireana, libertadora.

    Quando uma mulher desafia o papel que lhe é imposto, como é o caso das Lésbicas, Bis, e Trans ao transgredirem a norma heteronormativa, acabam sofrendo uma violência “diluída” que vem de diversas frentes. “As violações contra as mulheres trans, de forma geral, repetem o padrão dos crimes de ódio, motivados por preconceito contra alguma característica da pessoa agredida que a identifique como parte de um grupo discriminado, socialmente desprotegido, e caracterizados pela forma hedionda como são executados, com várias facadas, alvejamento sem aviso, apedrejamento, reiterando, desse modo, a violência genérica e a abjeção com que são tratadas as pessoas trans no Brasil. Historicamente, a população trans é estigmatizada, marginalizada e perseguida, devido à crença na sua anormalidade, decorrente do estereótipo de que o “natural” é que o gênero atribuído ao nascimento seja aquele com o qual a pessoa se identifica e, portanto, espera-se que ela se comporte de acordo com o que se julga ser o “adequado” para esse ou aquele gênero” .

    O Brasil é o país que mais mata travestis e mulheres trans no mundo, de acordo com pesquisa do instituto TransEurope. Sendo assim, toda a população LGBT fica vulnerável a tamanha violência. Infelizmente os dados são alarmantes. A cada 36 horas um LGBT é assassinado no Brasil.

    E no mundo do trabalho a situação continua emblemática, 90% das travestis brasileiras estão fora do mercado de trabalho formal, de acordo com a Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA).

    A associação de preconceitos resulta em graves violações de direitos humanos cometidas em larga escala. Por meio de seus diversos mecanismos de monitoramentos, historicamente, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA (Organização dos Estados Americanos) tem recebido informações sobre a vulnerabilidade da população LGBT a atos de violência sexual ou familiar e constatou que, em todo o continente americano, as mulheres LBT correm o risco particular de violência devido à misoginia e à desigualdade de gênero na sociedade.

    Segundo a OEA, mulheres lésbicas ou identificadas desta forma foram vítimas de “estupro corretivo”, ou estupro para puni-las, com a intenção de “mudar” sua orientação sexual; de espancamentos coletivos por causa de manifestação pública de afeto; de ataques com ácidos; e de entrega forçada a centros que se oferecem para “converter” sua orientação sexual.
    Sempre foi proibido desejar outra mulher, e ainda hoje, a sociedade e os “moralistas de plantão” consideram o amor entre duas mulheres um “pecado”, um “desvio”, uma “anormalidade”, um desejo proibido.

    Nos dias de hoje, os fundamentalistas que estão representados no Congresso Nacional pelas bancadas do Boi, Bala, Bíblia (BBB), ainda afirmam que o divórcio é uma praga, que o aborto é um crime e entendem que o grande papel da mulher é procriar e cuidar da família, e que as Lésbicas, as Bis, as Travestis, as Transexuais e os Gays são pessoas que necessitam de “ajuda” da medicina, dos exorcistas ou da polícia.

    A questão não é ser Lésbica mas, sim, a lesbofobia que enfrentamos a cada dia, nessa sociedade regida pelo heteropatriarcado, pelo sexismo, pelos fundamentalismos que excluem e tão brutalmente destroem vidas e sentimentos, impedindo que nos expressemos livremente. É preciso considerar o processo de exclusão existindo a partir de determinadas opções ideológicas, de classe social, gênero, raça/etnia, livre orientação e expressão sexual, identidade de gênero, condições sociais e individuais exigidas para atingir as suas necessidades. Portanto, é um processo múltiplo que se compõe de situações de apartação de condições de classe, qualidade de vida, dignidade e igualdade de direitos.

    29 de Agosto – Dia Nacional da Visibilidade Lésbica

    A história de mulheres que amam outras mulheres não representa nenhuma novidade em nossa sociedade, já que a origem do termo lésbica, provém da ilha de Lesbos, ilha grega da Ásia Menor, marcada pela presença de Safo (século VII a.C), poetisa de talento excepcional cuja inspiração era insuflada pela paixão e desejo por mulheres. Sua obra foi queimada e reduzida a fragmentos, por sua orientação sexual e pela devoção às deusas gregas. As mulheres nascidas em Lesbos, eram chamadas de lésbicas.

    No Brasil, no século XVI, Felipa de Souza foi denunciada ao tribunal do Santo Ofício, na Bahia, por “práticas diabólicas”. Entre essas práticas, fazer amor com mulheres. Sua punição foi severa: a humilhação e o açoite públicos seguidos pelo exílio e morte.

    Hoje, no século XXI, pode-se dizer que muita coisa mudou, em decorrência da ação do movimento pelos direitos sexuais. As mulheres lésbicas e bissexuais brasileiras não são açoitadas em praça pública e não podem ser legalmente punidas por suas escolhas afetivas e sexuais. No entanto, o preconceito e a consequente discriminação seguem impedindo o exercício de liberdades fundamentais e violando os direitos humanos das mulheres lésbicas, bissexuais e transexuais.

    O movimento organizado e politizado em torno da população LGBT surge, no Brasil, no final dos anos 1970, no período de abertura política. A organização lésbica marca os idos dos anos 1979, quando lésbicas, predominantemente feministas, começam a marcar presença e visibilidade no primeiro grupo de afirmação homossexual do país, o Somos, em São Paulo.

    A organização lésbica no Somos se desenvolve através da formação de um subgrupo que agregou várias denominações: facção lésbica-feminista, subgrupo lésbico-feminista, ação lésbica-feminista.

    Em maio de 1980, em resposta ao machismo e ao patriarcado presentes no movimento gay, surge o primeiro grupo só de lésbicas, denominado Grupo Lésbico-Feminista, ou simplesmente LF. No final dos anos de 1980, as lésbicas do Grupo Lésbico-Feminista se dividem em dois caminhos: algumas saem da militância, outras ocupam diferentes espaços de organização coletiva (de natureza feminista e/ou de natureza lésbica ou outros movimentos). Em outubro de 1981, as lésbicas que optaram por consolidar a militância especificamente lésbica e feminista fundam o Grupo Ação Lésbica Feminista (GALF) que permaneceu atuante durante praticamente toda a década de oitenta (1981-1989).

    Se a década de 1980 é marcada por uma presença ainda tímida de grupos lésbicos, a partir de 1990, a organização do segmento começa a ocupar o cenário brasileiro de forma menos isolada, através da criação de outros grupos compostos somente de lésbicas, ou do fortalecimento de núcleos de lésbicas atuantes nos grupos mistos ou por meio de ativistas independentes/autônomas que militam em fóruns, redes e articulações. Dessa forma, no Brasil, os grupos de lésbicas vão se multiplicando e, aos poucos, conquistando maior visibilidade.

    Um momento significativo para a organização lésbica brasileira foi a construção do Seminário Nacional de Lésbicas (SENALE).

    O SENALE surgiu da necessidade de se ter um espaço onde as especificidades das lésbicas pudessem ser discutidas de uma forma mais ampla e democrática, já que nos encontros mistos esse espaço era e continua sendo machista e insuficiente.

    Em 1996, o Coletivo de Lésbicas do Rio de Janeiro - COLERJ e o Centro de Documentação e Informação Coisa de Mulher (RJ) realizaram naquele mesmo ano, o I SENALE, entre 29 de agosto e 01 de setembro, no RJ. O evento contou com a participação de aproximadamente, 100 lésbicas e teve como tema central “Saúde, Visibilidade e Organização”.

    dia nacional visibilidade lesbica

    Neste SENALE foi escolhido o 29 de agosto, como Dia Nacional pela Visibilidade Lésbica. A data adveio da necessidade coletiva de tornar público um segmento que, historicamente, ocupou o espaço da invisibilidade. Nesse horizonte, a expressão pública desponta como uma das estratégias centrais para romper com os estigmas sociais. Trata-se, ainda, de um instrumento para o fortalecimento político das mulheres que se relacionam com mulheres, sendo muitas delas, vítimas de violência psicológica, física e sexual em razão do machismo e dos preconceitos impregnados na sociedade.

    A Lesbofobia, Bifobia e Transfobia no Mundo do Trabalho

    Antes restrita a poucas categorias, a concessão de direitos a trabalhadores e trabalhadoras LGBT tem se espalhado nos últimos anos por diferentes convenções coletivas. Grupos como o dos químicos, bancários e, mais recentemente, de metalúrgicos e agricultores têm incluído em seus acordos cláusulas que vão da extensão de benefícios aos parceiros à licença casamento e licença adoção.

    O acesso dos trabalhadores e das trabalhadoras a esses direitos, contudo, ainda é bastante limitado em algumas áreas, de acordo com as entidades sindicais. O machismo, o preconceito e a falta de instrumentos dentro das empresas que resguardem os direitos dos funcionários e das funcionárias muitas vezes inibe pedidos de inclusão dos benefícios.

    Esse é o caso dos aeroviários de Porto Alegre. Diante da resistência das entidades patronais, a categoria recorreu ao Tribunal Superior do Trabalho (TST) para assegurar, em 2011, a inclusão das cláusulas que garantem, além da participação do dependente no convênio médico, o direito aos parceiros de usufruir dos descontos em passagens aos quais os funcionários das aéreas geralmente têm direito. Nos últimos quatro anos, contudo, apenas três trabalhadores da base do sindicato entraram com pedido de inclusão do companheiro, demonstrando que temos muito trabalho pela frente para que a população LGBT tenha condições de viver com igualdade de direitos e oportunidades no mundo do trabalho.

    O estigma e a discriminação vivenciados pela população LGBT (lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais) têm resultado em graves violações de direitos humanos, dificultando a erradicação da violência e de doenças como a aids. No mundo do trabalho, o estigma e a discriminação influenciam os níveis de eficiência e produção, o bem-estar laboral e o próprio acesso ou permanência em um trabalho decente.

    Considerando que apoiar a promoção dos direitos humanos é uma das principais missões das Nações Unidas no Brasil, a Organização Internacional do Trabalho (OIT), o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), o Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (UNAIDS) e seus parceiros promoveram a iniciativa “Construindo Igualdade de Oportunidades no Mundo do Trabalho – Combatendo a Homo-lesbo-transfobia”. Com base no texto da “Recomendação nº 200 da OIT sobre HIV/aids e o Mundo do Trabalho, 2010.

    Um trabalho decente é direito de todos os trabalhadores e trabalhadoras, bem como daqueles ou daquelas que estão em busca de trabalho, representando a garantia de uma atividade laboral em condições de liberdade, equidade, segurança e dignidade humana.

    Sabemos que a Reforma Trabalhista acaba com a CLT e, portanto, o negociado vale mais que o legislado. Imaginem que o exército de desempregados e desempregadas aumentará cada vez mais e sem dúvida as mulheres, negros e negras, LGBTs, deficientes serão cada vez mais excluídos do mundo do trabalho. O Brasil será um país de “biscateiros”.

    Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos enuncia a Declaração Universal dos Direitos Humanos, estabelecendo que o valor como pessoa é igual para qualquer ser humano, não importando sua raça, sexo, religião, orientação sexual, identidade de gênero, idioma, ou qualquer outra condição.

    Precisamos acreditar na nossa capacidade de construir, transformar, revolucionar esta sociedade, que continua oprimindo, quem se atreve a “sair da caixinha”... “fugir da regra”... sair do armário...

    Nossa cidadania existe, porque, lado a lado com a luta de classes, nos organizamos e nos constituímos enquanto sujeitos políticos coletivos, como lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais, em torno do direito à participação política, ao trabalho, à educação, à saúde, à cultura e às artes, aos esportes, a decidir pelo uso do próprio corpo, à subjetividade de desejar, amar e amar de novo, enfim, termos o direito de ter direitos. Já tivemos inúmeras conquistas, mas ainda temos muito que conquistar!

    A agenda conservadora que vem sendo imposta pelo conjunto de valores que ganham muita força com este governo ilegitmo, sem voto popular que representa e fortalece o patriarcado, a misoginia, o feminicídio, a cultura do estupro e a violência contra as mulheres: negras, lésbicas, bissexuais, transexuais, prostitutas, ciganas, deficientes, enfim, todas as mulheres com suas diversidades e especificidades, precisa ser combatida.

    O Fascismo não combina com direitos humanos, e democracia não combina com este projeto ultraliberal e conservador de Michel Temer e sua turma.

    Resistir e lutar é o que precisamos continuar fazendo, ocupando as ruas e dialogando cada vez mais com o povo, para que juntas e juntos possamos atravessar este período de acirramento da luta de classes e retirada de direitos.

    Neste momento de resistência e luta o principal desafio dos movimentos sociais e populares, movimentos sindical, é elevar a consciência política da classe trabalhadora, ganhando sobretudo corações e mentes da juventude trabalhadora na luta para derrotar o golpe, afastar o presidente golpista, conquistar novas eleições diretas e retomar a agenda da classe trabalhadora por um novo projeto nacional de desenvolvimento com valorização do trabalho, democracia e soberania nacional.

    Fora Temer! Diretas Já!

    “Alguém é homo, lés, bi, trans, travesti ou heterossexual à revelia de qualquer pré determinação? Mas podemos dizer que somos bichas, sapas, thildes [acréscimo meu], e/ou queer porque ao sermos interpeladas no lugar de abjeto (ignóbeis, bizarras, desprezíveis, inumanas) nos vimos diante de uma possibilidade: sermos assujeitadas e/ou de ressignificarmos nossas vidas” (Pocahi, 2007).

    “Alguém, creio, lembrará de nós no futuro” (Safo, 640 a.C.)

    Silvana Conti – Professora aposentada da RME/POA. Lésbica/Feminista. Secretária de Mulheres do PCdoB/RS. Vice - Presidenta da CTB/RS. Membro da direção da UBM Nacional. Militante da UNALGBT.

    Referências Bibliográficas:

    ENGELS, Friederich. O papel do trabalho na transformação do macaco em homem,1876.

    Documento Base do 4° Congresso Nacional da CTB\2017

    Documento construído durante o Fórum das Resistências 2017 pela Frente Gaúcha da Escola Sem Mordaça. Fonte:http://www.umoutroolhar.com.br. Por Camila Veras Mota

    Manifesto 08M Unificado 2017.

    POCAHI, Fernando. Um mundo de injúrias e outras violações: reflexões sobre a violência heterosexista e homofóbica a partir da experiência do Centro de Referência em Direitos Humanos. Rompendo o silêncio. Nuances, 2007.

    Promoção dos direitos humanos de pessoas LGBT no mundo do trabalho: OIT. UNAIDS.PNUD.Ano:2015, 2. ed. revista e ampliada

    Programa Socialista e Estatuto do Partido Comunista do Brasil,2009.

    VALADARES, Loreta. As faces do feminismo.Ed.Anita,2007.

    KOLLONTAI, Alexandra. A nova mulher e a moral sexual. Global, 1978.

  • Fórum das mulheres das centrais defende propostas para a emancipação feminina

    O Fórum Nacional das Mulheres Trabalhadoras das Centrais Sindicais (FNMT) elaborou uma plataforma eleitoral para entregar às candidatas e candidatos de todos os estados e do Distrito Federal.

    “Elaboramos um programa mínimo para exigir o compromisso de candidatas e candidatos com os interesses das mulheres trabalhadoras”, explica Celina Arêas, secretária da Mulher Trabalhadora da CTB.

    As seis maiores centrais sindicais do país (CSB, CTB, CUT, Força Sindical, NCST e UGT) compõem o FNMT e se comprometem a encaminhar as propostas ao maior número de pessoas que pleiteiam um cargo político na eleição de 7 de outubro.

    Leia a plataforma eleitoral das mulheres trabalhadoras aqui.

    “Decidimos que só apoiaremos candidaturas que se comprometerem com as nossas causas”, afirma Celina. As mulheres trabalhadoras das centrais pedem a revogação da reforma trabalhista, da Emenda Constitucional 95 e o engavetamento da reforma da previdência.

    A sindicalista mineira informa que as reformas promovidas e propostas pelo desgoverno Temer prejudicam toda a sociedade, mas são as mulheres as mais atingidas, seja no mercado de trabalho ou na falta de atendimento em questões que envolvam violência.

    Por isso, diz ela, o FNMT defende a criação de políticas públicas e leis mais rigorosas contra o assédio moral e sexual, a discriminação de gênero, raça, deficiência ou orientação sexual. “Em pleno século 21, não podemos mais tolerar o predomínio de tanto ódio e violência contra as mulheres, a juventude, a população negra e indígena e as pessoas LGBT”.

    Para Celina, “O Brasil está numa encruzilhada histórica e as eleições deste ano vão definir o país que teremos no futuro". OU seja, "se voltaremos a ser ‘quintal’ dos Estados Unidos, como defendem os candidatos de Temer ou se retomaremos o trilho do desenvolvimento autônomo e soberano”.

    Ela explica ainda que o FNMT defende o empoderamento feminino, com mais mulheres no poder. “Não pode haver democracia plena sem a ampla participação das mulheres, da juventude e da população negra nas decisões do país”.

    Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

  • Jovem dá uma resposta à altura da gafe de Doria, quando usou o termo “criança defeituosa”

    A jovem Mariana Torquato gravou um vídeo para os Jornalistas Livres no qual responde à gafe cometida pelo prefeito eleito de São Paulo, João Doria, na sexta-feira (21) em uma visita ao bairro Perus, zona oeste da capital sobre a AACD – Associação de Assistência à Criança Deficiente.

    Doria falou: "Quero voltar a dizer a vocês aquilo que repeti durante a campanha, que eu não quero receber nenhum salário. Durante os 48 meses como prefeito de São Paulo, vou doar os 48 salários. E a primeira entidade que vai receber meu salário no mês de janeiro é a AACD, a Associação para as Crianças Defeituosas”. Pasmem. Um erro desses nem de brincadeira se admite.

    Para Torquato, diz para o prefeito tucano que essa gafe foi grande, mas “a maior gafe que tem é você querer extinguir as secretarias que apoiam as minorias, que são os negros, as mulheres e os deficientes”, além dos LGBTs.

    Enfim, ela concluiu que deseja que “a cidade de São Paulo seja um exemplo de acessibilidade”. Ela questiona do futuro prefeito: “Por que você não para de fazer caridade e vestir isso como marca de político e, efetivamente, luta para que essas pessoas que são tantas, tantas, sejam incluídas na sociedade?”

    Assista o vídeo completo 


    Portal CTB com Jornalistas Livres

  • Luta das mulheres, LGBTs e da negritude mostram força no 4º Congresso da CTB-RJ

    As pautas do combate à LGBTfobia, da luta contra o racismo e pela emancipação da mulher trabalhadora foram tônicas presentes no 4º Congresso da CTB. As mulheres mostraram que a organização e o protagonismo na luta dos últimos quarto anos levaram a CTB RJ a um novo patamar nesse debate e se fizeram presente de forma expressiva, qualificando o debate.

    Para Kátia Branco, Secretaria da Mulher Trabalhadora da CTB-RJ, a massiva presença das mulheres no congresso é um reflexo da importância que a CTB dá à questão da mulher trabalhadora. Kátia também acredita que outros debates importantes mostraram o caráter plural da central classista

    “Foi um congresso com uma participação expressiva das mulheres, o que reflete o empoderamento da mulher dentro do sindicalismo classista. Um congresso onde a questão racial foi debatida de foram profunda e onde o respeito à diversidade e o combate à homofobia não foram ignorados. Enfim, um congresso onde a CTB-RJ conseguiu mostrar que o sindicalismo classista consegue fazer o recorte das pautas identitárias sem esquecer a questão da classe e que nos preparou para enfrentar as opressões do capital.”

    Mônica Custódio, Secretaria Nacional de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da CTB, logo após fazer o balanço da luta racial dentro do sindicalismo classista, se mostrou muito satisfeita com a construção do congresso, com a participação das mulheres e com a atividade como um todo:

    “Foi um congresso exitoso desde a organização, com uma organização que foi tranquila, com uma comissão que se dava muito bem. A abertura foi extremamente representativa, as pessoas vieram com maior carinho e com vontade. As outras forças políticas com enorme respeito. Fizemos a abertura num sindicato centenário, que acabou de completar 100 anos agora, os metalúrgicos do Rio, o que valoriza muito a nossa diretoria. Uma participação impressionante das mulheres na atividades. As companheiras vieram e participaram ativamente das intervenções. Foi um congresso muito bacana, de muita felicidade.”

    A pauta da diversidade sexual e do combate à homofobia também marcou presença no 4º Congresso da CTB Rio de Janeiro. O presidente da União Nacional LGBT – Carioca (UNA LGBT Carioca) e diretor do Sindicato dos Comerciários do Rio de Janeiro, Marcelo Max, pontuou a questão da população LGBT dentro do mercado de trabalho e chamou os sindicalistas classistas a também se inserirem nessa luta:

    “A gente vem fazendo esse debate no próprio Sindicato dos Comerciários do Rio de Janeiro, onde a gente faz esse recorte porque a população LGBT porque essa população tem pouco amparo e pouco espaço para pautar as demandas do seu dia a dia. A gente vem mensurando que existe muito preconceito dentro do local de trabalho, existe falta de pessoas LGBTs no mecado de trabalho e as poucas que estão inseridas sofrem muito assédio moral e nós acreditamos que isso é uma cosia que tem que ser debatida pela central. Nós trouxemos esse debate aqui para o congresso para criar condições de lutar pela população LGBT no mercado de trabalho e para caminhar junto contra as opressões que estamos sofrendo desse governo golpista.”

    Para o dirigente José Carlos Madureira, a força com que os debates da questão racial, da mulher e LGBT apresentarem nesse congresso apenas reflete a própria diversidade da sociedade. O dirigente elogiou a diversidade do Congresso:

    “Um congresso que foi representativo no que tange à sua diversidade: hoje temas e pautas fazem parte da agenda da CTB fruto da organização da diversidade que existe na sociedade e se reflete também entre os sindicalistas.”

    José Roberto Medeiros - CTB RJ. Fotos: Bruno Bou

  • Mulheres são maioria do eleitorado, mas há poucas candidaturas femininas

    De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), as mulheres representam 52% (mesma proporção da população geral) das 144.088.912 pessoas aptas a votar neste ano. E mesmo com a lei estabelecendo a cota mínima de 30%, as mulheres encontram dificuldades para serem firmadas como candidatas. Pelos dados do TSE, as negras enfrentam situação ainda pior.

    São 493.534 pessoas concorrendo a uma vaga em câmaras municipais e prefeituras nos 5.568 municípios, sendo 156.317 mulheres (31,6%). Porém, existem apenas 12,6% de candidatas a prefeitas e 17,4% para vice-prefeitas, enquanto para vereadoras são 32,9%. No Congresso atual as mulheres não passam de 10% e no ministério golpista não tem nenhuma.

    “Não chega nem perto da maioria, que representamos na população e no eleitorado”, diz Ivânia Pereira, secretária da Mulher Trabalhadora da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).

    A situação das mulheres negras é ainda pior. Negras e pardas são apenas 79.265 candidatas à vereadora e 652 para prefeita, ou 0,13%. De acordo com Carmela Zigoni, do Instituto de Estudos Socioeconômicos, candidatas que se autodeclaram “negras” são ainda menos: 0,01% para às prefeituras e 2,64% querem ser vereadoras.

    mulheres negras eleicao

    Para a secretária da Igualdade Racial da CTB, Mônica Custódio, o baixo número de candidatas negras é um “reflexo do racismo, do machismo e do sexismo que imperam em nossa sociedade”.

    Na conjuntura do Brasil pós-golpe, “a situação tende a ficar ainda pior, pois os homens brancos que assaltaram o poder estão acabando com todos os programas para a população negra conseguir mais oportunidades e assim saírem da invisibilidade”.

    Custódio lembra que no Rio de Janeiro a candidatura de Jandira Feghali (PCdoB) à prefeitura está mobilizando as mulheres em defesa da paridade, “essencialmente as mulheres negras que sofrem dupla discriminação”. Além disso, Feghali, diz ela, “é uma mulher de fibra”. sem contar que Feghali foi a relatora da Lei Maria da Penha, aprovada em 2006.

    Já a secretária da Mulher da CTB-RJ, Kátia Branco, afirma que Feghali “vai ao segundo turno e vamos vencer essa eleição para que as mulheres botem a cidade maravilhosa no rumo do combate às desigualdades. A classe trabalhadora está com Jandira (Feghali)”. ela afirma que "as políticas de mobilidade urbana e de igualdade terão vez com ela na prefeitura".

    Cresce também a candidatura de Alice Portugal (PCdoB) para a administração municipal de Salvador. Ela diz que “tem muita gente cantando vitória antes da hora” e lembra que o ex-governador da Bahia, Jaques Wagner, estava atrás nas pesquisas, mas venceu a eleição por duas vezes.

    Em São Paulo, o candidato à reeleição Fernando Haddad (PT) é o único prefeito brasileiro a assinar o projeto da Organização da Nações Unidas (ONU) Mulheres “Cidade 50-50” (saiba mais aqui), comprometendo-se com a paridade entre mulheres e homens nos cargos públicos.

    Indígenas

    No que se refere aos povos indígenas, são 1.702 candidatos em todo o Brasil (0,3% do total), dentre os quais 29 para o cargo de prefeito e 1.613 para os cargos de vereador.

    Marcos Aurélio Ruy - Portal CTB com informações do Inesc

  • Na etapa final do julgamento, artistas e intelectuais pedem a anulação do impeachment

    Susan Sarandon, Viggo Mortensen e Noam Chomsky apoiam Dilma contra o golpe

    Vários artistas estrangeiros lançaram nesta quarta-feira (24) um manifesto em defesa da democracia brasileira. Contra o golpe em marcha no país, disfarçado de impeachment da presidenta eleita pelo voto popular, Dilma Rousseff.

    “Estamos preocupados com o impeachment de motivação política da presidenta, o qual instalou um governo provisório não eleito. A base jurídica para o impeachment em curso é amplamente questionável e existem evidências convincentes mostrando que os principais promotores da campanha do impeachment estão tentando remover a presidenta com o objetivo de parar investigações de corrupção nas quais eles próprios estão implicados”, diz trecho do manifesto (leia a íntegra no final do texto).

    Assinam o manifesto o cineasta Oliver Stone, a atriz Susan Sarandon, o ator Viggo Mortensen, o ator Danny Glover, o linguista Noam Chomsky, o compositor Brian Eno, a estilista Vivienne Westwood, entre diversas outras personalidades.

    Também na quarta-feira, intelectuais brasileiros encaminharam uma petição ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski pedindo a anulação do processo de impeachment contra a presidenta Dilma.

    Assinam a petição o escritor Fernando Morais, os jornalistas José Trajano e Alípio Freire, os professores universitários Stella Maris de Freitas e Laymert Garcia dos Santos, entre outros. O texto da petição acusa Eduardo Cunha de "desvio de poder e ofensa à moralidade administrativa".

    Além de apontar "interferência externa, deslealdade processual, ausência de liberdade de julgamento e abuso de poder" (leia a íntegra aqui).

    fernando morais jose trajano alipio freire stella maris de freitas laymert garcia dos santos

    Canta a Democracia

    O show “Canta a Democracia” (acesse página do Facebook aqui) reuniu inúmeros artistas para cantar a liberdade no Circo Voador, no Rio de Janeiro e no Apollo Theater, em Nova York.

    Entre muitos outros artistas, participaram Wagner Moura, Bebel Gilberto, Fernando Morais, Letícia Sabatella, Tico Santa Cruz, Zélia Duncan, Bia Lessa, Ernesto Neto, Sérgio Sérvulo da Cunha, Márcia Tiburi, Edgard Scandurra, Tata Amaral, Arrigo Barnabé, Roberto Amaral e Daniel Filho.

    Artistas interpretam "A Farsa" no "Canta a Democracia" 

    “Canta a Democracia é o nome do espetáculo e também da campanha que coloca no palco artistas e grandes nomes da cultura brasileira que querem defender os direitos de todo cidadão brasileiro. O Brasil das mulheres. Dos negros. Dos cidadãos LGBT. Dos indígenas. O Brasil dos trabalhadores, dos aposentados, dos estudantes, de todos nós. O Brasil que já teve importantes conquistas e não pode, de forma alguma, voltar para trás. Um país que tem de preservar o que já conseguiu com muita luta. Um país que tem de assegurar o direito do voto. Um país que diz não ao golpe”, afirma o manifesto do evento.

    Leia a íntegra do manifesto dos artistas e intelectuais estrangeiros:

    Nos solidarizamos com nossos colegas artistas e com todos aqueles que lutam pela democracia e justiça em todo o Brasil

    Estamos preocupados com o impeachment de motivação política da presidenta, que instalou um governo provisório não eleito. A base jurídica para o impeachment em curso é amplamente questionável, e existem evidências convincentes demonstrando que os principais promotores da campanha do impeachment estão tentando remover a presidenta com o objetivo de parar investigações de corrupção nas quais eles próprios estão implicados.

    Lamentamos que o governo interino no Brasil tenha substituído um ministério diversificado, dirigido pela primeira presidente mulher, por um ministério compostos por homens brancos, em um país onde a maioria se identifica como negros ou pardos. Tal governo também eliminou o Ministério das Mulheres, Igualdade Racial e dos Direitos Humanos. Visto que o Brasil é o quinto país mais populoso do mundo, estes acontecimentos são de grande importância para todos os que se preocupam com igualdade e direitos civis.

    Esperamos que os senadores brasileiros respeitem o processo eleitoral de 2014, quando mais de 100 milhões de pessoas votaram. O Brasil emergiu de uma ditadura há apenas 30 anos, e esses eventos podem atrasar o progresso do país em termos de inclusão social e econômica por décadas. O Brasil é uma grande potência regional e tem a maior economia da América Latina. Se este ataque contra suas instituições democráticas for bem sucedido, ondas de choque negativas irão reverberar em toda a região.

    Assinam:

    Tariq Ali – Escritor, jornalista e cineasta

    Harry Belafonte – Ativista, cantor e ator

    Noam Chomsky – Professor emérito de Linguística no MIT, teórico e intelectual

    Alan Cumming – Ator e autor

    Frances de la Tour – Atriz

    Deborah Eisenberg – Escritora, atriz e professora

    Brian Eno – Compositor, cantor, artista visual e produtor

    Eve Ensler – Dramaturga, autora de “Os Monólogos da Vagina”

    Stephen Fry – Locutor de rádio, ator, diretor

    Danny Glover – Ator e diretor de cinema

    Daniel Hunt – Produtor musical e cineasta

    Naomi Klein – Escritora e cineasta

    Ken Loach – Cineasta

    Tom Morello – Músico

    Viggo Mortensen – Ator e músico

    Michael Ondaatje – Novelista e poeta

    Arundhati Roy – Autora e ativista

    Susan Sarandon – Atriz

    John Sayles – Roteirista, diretor e novelista

    Wallace Shawn – Ator, dramaturgo e comediante

    Oliver Stone – Cineasta

    Vivienne Westwood – Estilista

    Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB com agências

  • No 2º Encontro de Igualdade Social, Raça, Gênero e LGBT, a CTB-RJ reafirma a unidade na resistência

    As Secretarias de Promoção da Igualdade Racial, da Mulher Trabalhadora e de Políticas Sociais da CTB-RJ promoveram, no último sábado (22), o 2º Encontro de Igualdade Social, Raça, Gênero e LGBT da CTB-RJ. A atividade prepara para o encontro nacional de mesmo tema e ocorreu no auditório do Sindicato dos Trabalhadores da Saúde, Trabalho e Previdencia Social do Estado do Rio de Janeiro (Sindsprev-RJ), na Lapa, reunindo dezenas de lideranças sindicais. O presidente da CTB-RJ, Ronaldo Leite, avaliou o encontro como "de fundamental importância", e disse:

    "Nós, enquanto uma central sindical classista, temos que debater a fundo as questões de gênero, raça e LGBT para resistir à ofensiva conservadora imposta pela agenda reacionária do governo golpista. Esse encontro ocorre nesse sentido, como sendo, além de um importante espaço de formação para a militância classista, um espaço para unificação e organização de nossas lutas. Debater esses temas de forma integrada é fundamental para fortalecer a resistência democrática contra o golpe e contra a retirada de direitos."

    O Secretário de Políticas Sociais da CTB-RJ, José Carlos Madureira, frisou o momento em que o encontro acontece, durante a disputa eleitoral do município do Rio de Janeiro e a movimentação das forças golpistas e conservadoras contra os direitos da classe trabalhadora. Nas palavras de Madureira:

    "Essa atividade acontece exatamente na reta final do segundo turno das eleições, diante de uma sociedade que está polarizada. De um lado você tem uma candidatura que defende a restrição de direitos, e do outro uma que defende a ampliação de direitos. Ao mesmo tempo, o Governo Federal cada vez mais anuncia que seu movimento é de restrição democrática. O encontro acontece nesse momento e prepara nossa militância para enfrentar esse quadro que se apresenta no Brasil e no Rio de Janeiro."

    A Secretária Nacional de Formação e Cultura da CTB, Celina Arêas, presente no encontro, ressaltou que o Rio de Janeiro foi o primeiro estado a realizar esse importante encontro. Ela lembrou que a cidade será sede do encontro nacional de mesmo tema entre os dias 18 e 20 de novembro. Avaliando a importância da atividade estadual, Celina afirmou:

    "Esse encontro é importante, pois queremos debater de forma aprofundada essas questões. A CTB foi criada com essa finalidade, de ser contra qualquer forma de discriminação, e para que os negros, as mulheres e os jovens possam ter seu lugar na nossa Central."

    Diversas lideranças sindicais estiveram presentes na atividade. O Presidente do Sindicato dos Comerciários do Rio de Janeiro lembrou da importância de se debater o momento político que vivemos, em que "o governo golpista vem tentando retroceder em todas as conquistas dos últimos anos". Jesus Cardoso, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do Rio de Janeiro, afirmou que o momento é de avanço do racismo e do machismo, e usou o resultado das eleições municipais para ilustrar tal fato, denunciando que, "em todas as capitais brasileiras, nenhum prefeito negro foi eleito". Ele afirmou que "precisamos de unidade para enfrentar essa realidade: os negros, as mulheres e os LGBTs são a base que mais sofre ataques do governo golpista, e por isso esse encontro tem que nos unir para resistirmos aos retrocessos em curso".

    Representando a União de Negros pela Igualdade (UNEGRO), Claudia Vitalino defendeu que os debates sejam mais profundos no movimento sindical, afirmando que "nós, negros e negras, que somos a maioria da classe trabalhadora, temos que nos unir e precisamos aprofundar o debate da questão racial no movimento sindical". A secretária de Mulheres do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), Dilceia Quintela, lembrou que o governo golpista tem aliados no Rio de Janeiro, dizendo que "o golpista Michel Temer tem seus representantes aqui no Rio. Temos que enfrentar o desmonte da Secretaria de Assistência Social, que também desmonta os programas sociais que atendem aos trabalhadores e a população mais pobre".

    Mônica Custódio, secretária Nacional de Promoção à Igualdade Racial da CTB, uma das secretarias que promove o encontro, fez uma fala sobre a questão da igualdade racial e afirmou que "a importância desse encontro se dá na direção contrária ao atual governo, que nós entendemos que não tem legitimidade, está indo. A ideia é fazer uma ação contrária e tirar de nós alguns avanços que conseguimos ter nos últimos anos, até porque tudo que conquistamos foi no sentido de reparação. Essa reparação da população jovem, negra, idosa, mulher, LGBT acontece porque nosso país, infelizmente, com 350 anos de sistema escravagista, não poderia ter consequência diferente. Nesse sentido, os últimos 14 anos conseguiram equilibrar um pouco mais as questões de inclusão, e não podemos voltar a ter aquele sentimento, como diz o ex-presidente Lula, de vira-lata. Então, esse encontro é para trazer formação para nossa base e fortalecer a luta para evitar esse tipo de retrocesso".

    O Presidente da UNA LGBT Carioca, Marcelo Max, também diretor do Sindicato dos Comerciários do Rio de Janeiro, apresentou a temática LGBT como um dos desafios a serem vencidos pelo movimento sindical, e apresentou a luta de seu sindicato como exemplo da busca por avanços no setor. Segundo Max:

    "Nosso Sindicato, aqui na cidade, tem trabalhado na frente da luta da população LGBT, e construímos uma clausula na nossa campanha salarial para dar mais visibilidade e atentar para a necessidade da profissionalização e inserção da população LGBT, especialmente a população trans, que é carente de políticas públicas por parte dos governos, para incentivar a contratação do segmento. Infelizmente não tivemos sucesso total nessa luta, mas conseguimos a extensão de benefícios para os casais homoafetivos de todos os comerciários do Rio de Janeiro e apenas uma empresa aceitou as isenções que propomos para incentivar a contratação de pessoas trans."

    Ao final da atividade, a Secretária da Mulher Trabalhadora da CTB-RJ, Katia Branco, avaliou o evento para o Portal da CTB-RJ, e disse que "o encontro foi um grande sucesso. Conseguimos debater de forma qualificada os temas que envolvem nossa juventude, a população negra, as mulheres e os LGBTs. Saímos daqui com muita unidade e cientes dos desafios para enfrentar a ofensiva golpista e conservadora que quer tirar direitos e desfazer as conquistas dos últimos 14 anos. A CTB-RJ se fortalece com esse encontro e estamos prontos para lutar pela resistência democrática e pelos direitos das mulheres, dos negros e da população LGBT".

    Por José Roberto Medeiros, da CTB-RJ

Página 1 de 2