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Ter, Mar

Luiz Melodia

  • Chico Buarque e Leci Brandão concorrem ao Prêmio da Música Brasileira 2018, nesta quarta

    Nesta quarta-feira (15), acontece a entrega da 29ª edição do Prêmio da Música Brasileira, às 20 horas, no Teatro Municipal do Rio de Janeiro. A premiação é anual e nesta edição presta homenagem a Luiz Melodia (1951-2017).

    A deputada estadual Leci Brandão (PCdoB-SP), pelo CD "Simples Assim", concorre com Ana Costa ("Do Começo ao Infinito") e Sandra Portella ("Banho de Fé") ao prêmio de Melhor Cantora de Samba. "Ana Costa e Sandra Portella são grandes cantoras. Então a felicidade já me pegou só pela indicação”, diz Leci.

    CD completo "Simples Assim", de Leci Brandão 

    Ela conta que o seu mais recente CD recebeu o título “Simples Assim”, porque "tudo foi feito com muita simplicidade e a gente tem que agradecer a Deus por esse resultado”.

    Além de homenagear o cantor e compositor carioca Luiz Melodia, o Prêmio da Música Brasileira 2018 já tem Chico Buarque como o vencedor de Melhor Canção. E não se trata de nenhum exercício de adivinhação.

    As três músicas indicadas são de sua autoria: “As Caravanas”, “Massarandupió”, em parceria com o neto Chico Brown e “Tua Cantiga”, com Cristóvão Bastos. As três fazem parte do seu disco mais recente “Caravanas", que também concorre como Melhor Álbum de MPB.

    Álbum "Caravanas", de Chico Buarque, completo 

    Homenageado

    O autor de “Pérola Negra”, “Magrelinha”, “Farrapo Humano” e “Ébano”, entre centenas de outras canções, recebe merecida homenagem um ano após a sua morte. Criado no morro de São Carlos, bairro do Estácio, no Rio de Janeiro, Luiz Melodia criou um estilo ímpar e com muita criatividade misturou samba, MPB, rock, blues e soul.

    Ébano, de Luiz Melodia 

    História do prêmio

    Nasceu como Prêmio Sharp de Música, em 1987 e foi com esse nome até 1998. A premiação parou de 1999 a 2001. Em 2002, passou a se chamar Prêmio Caras de Música e no ano seguinte virou Prêmio Tim de Música, até 2008, no ano seguinte recebeu o nome de Prêmio da Música Brasileira, mantido até hoje.

    Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB

  • Leci Brandão ganha como melhor cantora de samba em noite de festa do Prêmio da Música Brasileira

    Uma verdadeira constelação encheu o Teatro Municipal do Rio de Janeiro, na noite desta quarta-feira (15). A cerimônia de entrega do Prêmio da Música Brasileira 2018 reuniu vários representantes da diversidade musical brasileira num tempo só.

    Com apresentação de Camila Pitanga e Débora Bloch, a premiação fez uma emocionante homenagem ao cantor e compositor Luiz Melodia (1951-2017). Suas canções foram interpretadas por Alcione (Melhor Cantora Popular), Caetano Veloso com os três filhos e a irmã Maria Bethânia, Fabiana Cozza, entre outros, que levaram às lágrimas e à certeza de que a cultura é fundamental para a vida das pessoas.

    Simples Assim, álbum de Leci Brandão 

    Destaque para a veterana Leci Brandão, 72 anos, eleita pelos críticos como a Melhor Cantora de Samba, pelo seu trabalho no disco “Simples Assim”. A deputada estadual pelo PCdoB-SP compareceu ao evento e fez com a mão o sinal de L (Lula).

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    Chico Buarque e Leci Brandão concorrem ao Prêmio da Música Brasileira 2018, nesta quarta

    Um pouco antes o Melhor Grupo de Samba, Moacyr Luz e Samba do Trabalhador, puxou um “Lula Livre” e a plateia respondeu prontamente. A premiação contou coma participação de artistas consagrados e com uma leva de novos talentos, que enche de esperança.

    Outro destaque foi Chico Buarque, representado pelo neto Chico Brown, o artista de 74 anos, ganhou os prêmios de Melhor Álbum de MPB (Caravanas) e Melhor Canção (Tua Cantiga). Essa música gerou polêmica ao ser lançada na internet e acusada de machismo. Discussão superada pela qualidade da poesia (Chico) e melodia (Cristóvão Bastos).

    Tua Cantiga, de Chico Buarque e Cristóvão Bastos 

    Veja a lista completa dos ganhadores:

    Melhor Arranjador

    Mario Adnet por Jobim Orquestra e Convidados, de Paulo Jobim e Mario Adnet

    Melhor Canção

    Tua Cantiga, de Cristóvão Bastos e Chico Buarque

    Revelação Petrobras (patrocinadora do evento)

    Almério (‘Desempena)

    Projeto Visual

    Felipe Taborda por Campos Neutrais, de Vitor Ramil

    Canção Popular

    Álbum

    Bixa, de As Bahias e A Cozinha Mineira

    Cantor

    Roberto Carlos (Roberto Carlos)

    Cantora

    Alcione (Boleros)

    Dupla

    Chitãozinho e Xororó (Elas em Evidência)

    Grupo

    As Bahias e A Cozinha Mineira (Bixa)

    Especiais

    Álbum Eletrônico

    Sintetizamor, de João Donato e Donatinho

    Álbum em Língua Estrangeira

    Ay Amor!, de Fabiana Cozza, produtores Pepe Cisneros

    Álbum Erudito

    Villa-Lobos, Quartetos e Cordas, de Villa-Lobos, interpretado pelo Quarteto Bessler-Reis e Quarteto Amazônia

    Álbum Infantil

    Deu Bicho Na Casa, de Sula Kossatz

    Álbum Projeto Especial

    Tatanaguê, de Theo de Barros e Renato Braz

    Melhor DVD

    Jobim Orquestra e Convidados, de Paulo Jobim e Mario Adnet, direção de Nelsinho Faria

    Videoclipe

    Culpa, de O Terno, direção de Breno Moreira e Bruno Shintate

    Instrumental

    Álbum

    Quebranto, de Yamandú Costa e Alessandro Penezzi,

    Grupo

    Hermeto Pascoal e Grupo (‘Mundo dos Sons’)

    Solista

    Yamandú Costa (Quebranto, de Yamandú Costa e Alessandro Penezzi)

    MPB

    Álbum

    Caravanas, de Chico Buarque

    Cantor

    João Bosco (Mano Que Zuera)

    Cantora

    Zélia Duncan (Invento)

    Grupo

    Equale (Na Praia de Caymmi)

    Pop/Rock/Reggae/Hip-Hop/Funk

    Álbum

    Estado de Poesia, Ao Vivo, de Chico César

    Cantor

    Lulu Santos (Baby Baby!)

    Cantora

    Gal Costa (Estratosférica, Ao Vivo)

    Grupo

    Novos Baianos (Acabou Chorare, Novos Baianos se Encontram)

    Regional

    Álbum

    Caipira, de Mônica Salmaso

    Cantor

    Mestrinho (É Tempo pra Viver)

    Cantora

    Mônica Salmaso (Caipira)

    Dupla

    As Galvão (Soberanas)

    Grupo

    Trio Nordestino (Canta o Nordeste)

    Samba

    Álbum

    Ao Vivo, no Bar Pirajá, de Moacyr Luz e Samba do Trabalhador

    Cantor

    Criolo (Espiral de Ilusão)

    Cantora

    Leci Brandão (Simples Assim)

    Grupo

    Moacyr Luz e Samba do Trabalhador (Ao Vivo no Bar Pirajá)

    Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB

  • MPB perde uma das mais valiosas pérolas com a morte de Luiz Melodia

    A sexta-feira (4) amanheceu fria e triste. Nesta manhã foi divulgada a notícia do falecimento, por volta das 5h da madrugada, do cantor e compositor carioca Luiz Melodia, aos 66 anos.

    Melodia realizava tratamento de um câncer na medula óssea desde julho do ano passado. A triste notícia pegou de surpresa a sua legião de fãs e os amantes da música popular brasileira.

    Como não se contagiar com "Juventude Transviada":

    "Lava roupa todo dia, que agonia
    Na quebrada da soleira, que chovia
    Até sonhar de madrugada, uma moça sem mancada
    Uma mulher não deve vacilar

    Eu entendo a juventude transviada
    E o auxílio luxuoso de um pandeiro
    Até sonhar de madrugada, uma moça sem mancada
    Uma mulher não deve vacilar

    Cada cara representa uma mentira
    Nascimento, vida e morte, quem diria
    Até sonhar de madrugada, uma moça sem mancada
    Uma mulher não deve vacilar

    Hoje pode transformar e o que diria a juventude
    Um dia você vai chorar, vejo claras fantasias" 

    Autor de grandes sucessos gravou o seu primeiro disco em 1973, com a faixa título “Pérola Negra“, uma ode e aos sentimentos mais profundos:

    “Tente usar a roupa que eu estou usando
    Tente esquecer em que ano estamos
    Arranje algum sangue, escreva num pano
    Pérola Negra, te amo, te amo”

    Criado no morro de São Carlos, bairro do Estácio, no Rio de Janeiro, onde nasceu, em 7 de janeiro de 1951, tinha um estilo ímpar e com muita criatividade misturou samba, MPB, rock, blues e soul.

    Além de “Pérola Negra”, incorporou ao rico acervo da MPB centenas de canções gravadas no imaginário popular. Quem nunca cantarolou “Magrelinha”:

    “O por do sol vai renovar brilhar de novo o seu sorriso
    E libertar da areia preta e do arco-íris cor de sangue, cor de sangue, cor de sangue...
    O beijo meu vem com melado decorado cor de rosa
    O sonho seu vem dos lugares mais distantes”

    Suas músicas mostram a vontade se superar as mazelas da vida. Fazendo o caminhar caminhando. Para mostrar ao mundo a vontade de viver com delicadeza, candura, respeitando as diferenças e unindo os desejos mais íntimos com a luta social para melhorar a vida de todo mundo.

    Sua música “Farrapo Humano” retrata bem essa vontade de transpor as barreiras impostas pelas pedras do caminho:

    “Eu canto, suplico,
    lastimo, não vivo contigo
    Sou santo, sou franco
    Enquanto não caio não brigo
    Me amarro, me encarno na sua
    Mas estou pra estourar, estourar” 

    Estourou também no Festival Abertura, da TV Globo em 1974 com a bela “Ébano”. Não venceu, mas seu talento já era reverenciado por público e crítica, numa simbiose completa de negritude e brasilidade, singulares.

    Define-se em “Ébano”:

    “Meu nome é ébano
    Venho te felicitar sua atitude
    Espero te encontrar com mais saúde
    Me chamam ébano
    O novo peregrino sábio dos enganos”

    Deixa uma lacuna na canção não só do Rio de Janeiro e do Brasil, mas do mundo. Insuperável na sua mescla de sons e na atualidade perene de suas poesias. Vale repetir o chavão de sempre: Luiz Melodia vive. Todo grande artista é imortal.

    Subi o morro, subi cansado
    Pobre de mim, pobre de nada
    Morro do medo
    Morro do sono
    Morro do sonho
    Morro do asfalto
    Morro do clima lá em cima
    O morro é de morar
    Cá no terraço cada espaço
    Claro quero tocar
    Cadência morta paciência
    Inda chego até lá, subi
    A estrela d'alva ilumina
    Soneto numa casa pequenina
    O samba de roda tem mais clima
    Na dança fluvial de uma menina”

    Canta o músico e poeta em “O Morro Não Me Engana”. 

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy. Foto: Divulgação