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20
Seg, Maio

Luta em 2019

  • 2019 começou, mas guarda em seu curso os anseios, desafios e ataques que o Brasil e seu povo vem sofrendo desde 2016, após o golpe parlamentar que enterrou uma proposta de governo que vinha realizado, ainda que de forma acanhada, mudanças importantes no país.

    Retomar o crescimento com justiça social, gerar emprego, garantir valorização dos salários, defender a aposentadoria, barrar o aumento da jornada de trabalho, exigir respeito às liberdades e, sobretudo, combater a fome são agendas que estão no topo da luta da sociedade civil organizada há tempos, mas ganham ainda mais centralidade frente a uma agenda de extrema direita que tem como principal personagem Jair Bolsonaro e sua trupe.

    Mas, quais são as possibilidades para a economia brasileira voltar a crescer em em 2019? Qual o futuro da economia, da política e das instituições da República permanecem muito altas? É o que questiona o Boletim de Número 17, publicado em Dezembro de 2018, do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

    Mesmo com novo governo, agora eleito pelo voto, e novo Congresso, o país permanece imerso em nevoeiro. O novo governo não dá detalhamento das propostas. De certo, percebemos que haverá, sim, ampla reforma administrativa, que pode paralisar ainda mais o Estado, privatizar ainda mais e torna a vida do povo ainda mais difícil.

    No campo da política, o discurso do novo presidente deixa de cabelo em pé que luta por um projeto que retome crescimento com emprego e distribuição de renda, por outro lado, acalenta o coração daqueles que querem o fim do Estado e a financeirização irrestrita da economia.

    A orientação de Bolsonaro é ultraliberal e muito diversa daquela vigente entre 2003 e início de 2016, cuja marca principal foi a inclusão social via políticas públicas e ações afirmativas do Estado.

    Outro detalhe que percorre os corredores institucionais é que seja de esquerda seja de direita, todos e todas, estão em alerta.  Isso porque ninguém aposta alto, de fato, neste governo.

    A direita se fia pela orientação ultraliberal, com benefícios certos para a iniciativa privada, aprofundamento da reforma trabalhista, aplicação da reforma previdenciária, mais privatizadas, manutenção da Emenda Constitucional 95, sem falar na desastrosa política externa com alinhamento subserviente aos Estados Unidos.

    Os “amigos” do governo observam alerta e até desconfiam, no entanto, da capacidade política e administrativa de levar, ao fim e ao cabo, todas essas ações e fazer o país crescer dentro do modelo socioeconômico que o olimpo econômico defende. Ou seja, sem caos social. O que cenário fértil para uma especulação fértil de lucros extraordinários, mas que destrói a estrutura mínima que possuímos para as políticas públicas.

    Com um jogo de palavras perverso que de baseia nos anseios mais candentes de nosso povo, o governo eleito “vende” a ideia que de, com Estado Mínimo, poderemos ter progresso com aumento da renda e do bem-estar social. A conta não fecha. Ainda que nos marcos de um sistema desigual, o Estado como agente indutor e fortalecido é o primeiro passo para a aplicação das políticas públicas necessárias para abrandar as falhas de mercado, alavancar a distribuição de renda, ampliar a inclusão social e reduzir as desigualdades.

    Em um país tão heterogêneo e desigual como o Brasil, o discurso cibernético vazio Jair Bolsonaro aponta para um horizonte de desalento, que a cada dia fica mais claro para milhões de brasileiros, sobretudo, para os que acreditaram que o “mito” resolveria as questões seculares presentes em nosso país.

    2019 começou e iremos acompanhar, dia a dia, o desenrolar do que já é um vexame nacional. E não nos enganemos, a luta, organização, conscientização e resistência serão fundamentais na próxima etapa.

    Joanne Mota é jornalista, assessora da CTB Nacional e Pós- Graduada em Globalização e Cultura.

  • 1968: o ano que não terminou”, famoso livro do jornalista Zuenir Ventura, começa com observação peculiar: “A nossa história começa com um réveillon e termina com algo parecido a umaressaca  ressaca de uma geração e de uma época”.

    Se nos permitissem, seja a numerologia ou o atrevimento, substituir o um pelo dois, o nove pelo zero, e o seis pelo um, adiantando (ou seria atrasando?) relógios e calendários em 50 anos, as mesmas palavras — e o mesmíssimo subtítulo — poderiam bem servir para descrever 2018.

    Tivemos marcos significativos no ano passado. O novo ano que não terminou foi aquele dos 30 anos da Constituição da República e dos 70 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos, mas também dos 50 anos do Ato Institucional Número 5 (AI-5), e, infelizmente, chegamos ao seu suposto último dia mais próximos do retrocesso deste do que de todo o ideário daquelas.

    Marcos de décadas cujos objetos se digladiaram desde o primeiro dia de janeiro, com o início de um ano eleitoral e a expectativa de pôr fim ao movimento golpista que se arrasta, crescente, até o mal-estar da ascensão de um projeto protofascista ao poder, exatamente um ano depois.

    Nesse confronto, a Constituição de 1988, símbolo de todo o processo de luta pela redemocratização do país, foi particularmente atacada. A cidadania e o pluralismo político, garantidos em seu Artigo 1°, sofrem. A construção de uma sociedade livre, justa e solidária, a erradicação da pobreza, da marginalização e a redução das desigualdades sociais e regionais, assim como a promoção do bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação, assegurados no Artigo 3° como objetivos fundamentais da República, são alvos de afrontas.

    A liberdade de manifestação do pensamento e a livre expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, estabelecidas no Artigo 5°, são censuradas. Os direitos sociais à educação, à saúde, à alimentação, ao trabalho,à moradia, ao transporte, ao lazer, à segurança, à previdência social, à proteçãàmaternidade e à infância, à assistência aos desamparados, determinados no Artigo 6°, são vilipendiados.

    A educação como direito de todos e dever do Estado e da família,com vistas ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho, tal qual expresso no Artigo 205, é bombardeada. A liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber,juntamente com o pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas, princípios do ensino presentes no Artigo 206, é perseguida.

    Se os escombros de 2018 persistem, 2019 nos impõe que a luta também prossiga. Mais uma vez, a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino — Contee tem compromissos coletivos voltados para as grandes batalhas que já estão em pauta e para as que estão por vir, a fim de que as três décadas da nossa Carta Cidadã, celebradas neste ano, não tenham sido vãs. Se os danos da eleição de um projeto político extremamente nocivo são imensuráveis, nossa tarefa para 2019 é enfrentá-los e combatê-los. Pela educação, pelos trabalhadores, pela luta sindical, pela ordem democrática, pela liberdade.

    Gilson Reis é coordenador-geral da Contee.


     Os artigos publicados na seção “Opinião Classista” não refletem necessariamente a opinião da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e são de responsabilidade de cada autor.

     

  • Teve início na manhã desta quarta (28), a 19º Reunião da Direção Nacional da CTB. Acompanhe a mesa de conjuntura com a ex-vice-prefeita Nádia Campeão e o ex-deputado federal e secretário de Relações Institucionais da CTB, Vicente Selistre.

    "Temos que nos preparar para fazer ainda mais política, com criatividade e de forma mais aguerrida. Também precisamos remodelar nossa atuação, mais política, mais debate, mais corpo a corpo com o povo. O momento nos cobra resistência e a trajetória daqui para frente cobra coragem, mas a esperança sempre foi revolucionária", afirmou Nádia Campeão, durante sua fala na abertura da reunião.

    Fortalecer a CTB

    Durante sua fala, Vicente Selistre, que também representa na reunião a Fundação João Mangabeira, falou sobre "a centralidade da unidade, resistência e ampla mobilização como linhas de fortalecimento da Central e, como consequência, da luta da classe trabalhadora. O tempo político é de grandes desafios, mas a trajetória da CTB até aqui construiu as bases sólidas, que pavimentarão a luta diária sem preder de vista nosso projeto".

    Assista a íntegra das palestras:

    Portal CTB

    *Atualizada às 11h58. 

  • Os primeiros 23 dias do governo, a ameaça aos direitos e as liberdades e a Reforma da Previdência são alguns dos temas que nortearão as lutas nos primeiros meses deste ano do Coletivo Nacional da Frente Brasil Popular.

    Nesse sentido, a Frente Brasil Popular publicou nova circular indicando a realização, em São Paulo, de 3 reuniões organizativas nas próximas semanas.

    29 de Janeiro

     - Reunião do Coletivo Nacional da Frente Brasil Popular

    Conforme anunciado em circular anterior, a reunião ocorrerá na terça-feira (29), das 9h às 16h, na Sagrada Família (Rua Padre Marchetti, 237) no bairro do Ipiranga. Na pauta: aprofundar a leitura da conjuntura, apontar um calendário de lutas bem como debater a realização da III Conferência da FBP.

    - Reunião Nacional de Comunicadoras e Comunicadores da Frente Brasil Popular

    A reunião da Comunicação da FBP também acontece no dia 29 de janeiro, às 16h, na Sagrada Família (Rua Padre Marchetti, 237), logo após a reunião do coletivo nacional para tratar da seguinte pauta: a) Encaminhamentos da reunião do coletivo nacional; b) Encontro Nacional de Comunicação da FBP; c) Desafios Política Nacional de Comunicação da FBP.

    30 de Janeiro

     - Reunião do Comitê Lula Livre

    No dia 30 de janeiro, às 10h, ocorrerá o encontro do Comitê Nacional Lula Livre, no Auditório da APCEF, localizado na Rua 24 de maio, 208, 10º andar.

    O Comitê Nacional Lula Livre se constitui como um espaço político amplo, aberto e tem contado com a participação de personalidades representativas da intelectualidade, das igrejas, do meio jurídico e do mundo da cultural, além de articuladores da campanha nos Estados, integrantes dos comitês e dirigentes das mais de 80 organizações que compõem a Frente Brasil Popular.

    Portal CTB - Com informações da Frente Brasil Popular

  • A equipe econômica do governo Jair Bolsonaro cria atalho e avança com o desmonte da Previdência Social. De acordo com informações o atalho se concentra da regra de transição de 10 a 12 anos.

    Ainda que seja menor que os 21 anos da proposta de Michel Temer, a reforma em estudo é mais dura. E ainda não há um cálculo do impacto financeiro da proposta em formulação pela equipe do ministro da Economia, Paulo Guedes.

    No modelo traçado pela equipe de Guedes, o regime do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) e o sistema previdenciário dos servidores públicos teriam, após 12 anos, as mesmas regras de idade mínima.

     

    Fevereiro

    A expectativa no governo é que o texto final seja enviado ao Congresso na primeira quinzena de fevereiro. 

    Portal CTB - Com informações da Folha de São Paulo