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Qui, Mar

Luta Sindical

  • A história do sindicalismo japonês: entre a repressão e a cooptação

    No final do século 20 o Japão ainda era tido como uma das coqueluches do capitalismo mundial. A burguesia e seus ideólogos não deixavam de elogiar "o espírito de colaboração dos trabalhadores japoneses." Contudo, nada se falava das condições nas quais se operou este processo de incorporação subordinada dos assalariados aos interesses do capital monopolista. Neste terceiro artigo da série sobre o sindicalismo internacional, publicado originalmente na revista Debate Sindical em 1995, o autor apresenta a trajetória do sindicalismo naquele país e busca desmascarar as supostas benesses daquele modelo de organização da produção e do trabalho, representado no sistema nenko e no toyotismo.

    Um Japão capitalista e imperialista

    A deposição do Xogunato em 1868 e o estabelecimento da dinastia Meiji cumpriram no Japão um dos papéis da revolução burguesa no Ocidente: impulsionar o processo de industrialização. A "revolução de 1868" colocou o poder nas mãos dos nobres da parte sul-ocidental que, sob o manto imperial, aliaram-se a setores da nascente burguesia nipônica. O imperador adotou então uma ativa política de incentivo à indústria, com subvenções públicas e construção de obras de infraestrutura.

    A revolução industrial à japonesa conheceu as mesmas mazelas da sua congênere ocidental: a superexploração da força de trabalho operária. Esta agravada pela manutenção de relações sociais pré-capitalistas, como a servidão. A falta de trabalhadores nas cidades que se industrializavam levou ao recrutamento dos camponeses. Centenas de "agentes de emprego" vasculhavam as aldeias à procura de mão-de-obra, especialmente feminina. As jovens eram praticamente compradas de seus pais por capitalistas gananciosos.

    As indústrias de tecidos e de seda se transformaram em verdadeiros cárceres femininos. As jovens eram impedidas de abandonar a fábrica pelo tempo de duração dos contratos assinados pelos seus pais. Viviam em alojamentos insalubres, proibidas de sair sem prévia autorização. À noite elas ficavam trancafiadas. Os operários, em geral, eram vítimas de castigos corporais e as jornadas de trabalho se estendiam por 16 e 17 horas diárias, sem folgas semanais ou férias. O trabalho de crianças entre seis e sete anos era regra nas fábricas, como afinal em todo o mundo capitalista de então.

    Já naquela época, o Japão era um país com pretensões imperialistas sobre a Ásia. Os capitalistas japoneses precisavam de novos mercados para seus produtos e novas fontes de matérias-primas. Por isso, em 1894, entraram em guerra contra a China, que foi derrotada. Os tratados que se seguiram arrancaram da nação derrotada fatias do seu território, direitos comerciais escorchantes e uma vultuosa indenização.

    Esta vitória militar deu um impulso sem precedentes à industrialização japonesa. No espaço de cinco anos (1895-1900), "o capital líquido das companhias industriais mais do que dobrou. Em 10 anos a extração de carvão aumentou em três vezes. A expansão da indústria naval testemunha esse desenvolvimento: em 1893 somente 7% das exportações e 9% das importações eram transportados em navios japoneses, enquanto em 1903 os dados correspondiam, respectivamente, a 40% e 35%." (1).

    Naquela mesma época o governo investiu na construção das indústrias de ferro e de aço. A monopolização da economia já era uma tendência no final do século 19. Neste período dois grandes conglomerados industriais se destacavam: a Mitsubishi e a Mitsui. Esta última, "foi se transformando num grande consórcio que incluía bancos, minas de carvão, empresas de navegação, indústria açucareira, fábrica de tecidos e muitas outras empresas." (2).

    sindicalismo japones 2Operário japonês no refeitório da empresa

    As primeiras organizações operárias e a violenta intervenção da burguesia e do Estado

    A industrialização acelerada e a brutal exploração capitalista levaram ao crescimento do operariado e ao acirramento da luta de classes. Nas décadas de 1880 e 1890 eclodiram as primeiras greves e nasceram os sindicatos no Japão. À frente deste processo estavam os trabalhadores em gesso, os carpinteiros de barcos e os impressores de Tóquio. Em 1886 estalou a greve dos ferroviários que culminou na fundação do Sindicato dos Trabalhadores das Ferrovias.

    sindicalismo japones 3Sen Katayama, histórico líder socialista e fundador do Partido Comunista do JapãoA principal liderança desse período foi Sen Katayama. Operário impressor em Tóquio, imigrou para os Estados Unidos em 1884, entrando em contato com sindicalistas e socialistas americanos. De volta ao seu país, em 1895, se tornaria o secretário do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria de Ferro de Tóquio e criaria a "Sociedade para a Fundação de Sindicatos". Seu objetivo era fundir o socialismo com o movimento operário, como a socialdemocracia estava fazendo na Europa.

    Em 1901, sob sua inspiração, foi fundado o Partido Socialista do Japão (PSJ). Preocupado com o avanço das lutas operárias, o governo aprovou uma legislação que cerceava a liberdade política e colocou na ilegalidade o PSJ. A guerra russo-japonesa (1904-1905), entretanto, fez renascer o movimento operário e socialista, e em 1906 o partido foi reconstruído. A exemplo do que ocorria na Europa, logo se dividiu em duas alas: a reformista e a revolucionária. Esta última era liderada por Shusui Kotoku, muito influenciado pelo anarcossindicalismo.

    sindicalismo japones 4Shosui Kotoku entre militantes anarcossindicalistas. Ele seria executado em 1911Ainda em 1906 os trabalhadores de transporte de Tóquio entraram em greve e obtiveram uma importante vitória. Em fevereiro eclodiu outra poderosa paralisação nas minas de cobre de Asio. Para esmagar o movimento foram convocadas tropas do exército e o conflito se radicalizou. Os mineiros enfrentaram a repressão e depredaram as instalações da empresa. Como saldo, centenas de feridos, mais de 200 prisões e o fechamento do combativo sindicato.

    A situação se agravou ainda mais a partir de 1910. O governo determinou a prisão de todos os líderes socialistas, acusando-os de tramarem contra a vida do Imperador. No início do ano seguinte, em julgamento secreto, a Suprema Corte condenou à morte os principais membros da ala esquerda do Partido Socialista, incluindo Kotoku e sua companheira. Eles foram estrangulados em suas celas poucas horas depois de promulgada a sentença. Na ocasião, as organizações socialistas e sindicais de esquerda foram fechadas.

    sindicalismo japones 5Shosui KotokuApós o esmagamento do movimento sindical de inspiração socialista, o governo e os capitalistas japoneses passaram a apoiar a ala direita do sindicalismo. Compreenderam que apenas a repressão não bastaria para conter as lutas operárias e investiram os seus esforços na construção de um sindicalismo de colaboração (ou conciliação) de classe. Assim, em 1912, nasceu a "Sociedade dos Trabalhadores", a Yuaikai, dirigida por Bunyi Suzuki, que seria a única entidade sindical permitida no Japão imperial.

    Mas os objetivos da burguesia e do governo não puderam ser plenamente atingidos. Durante o período da Primeira Guerra Mundial (1914-1918), a pressão operária levou a Yuaikai a ter que encampar algumas de suas velhas reivindicações econômicas e sociais. Ressurgiram as greves. A Yuaikai se transformou na Federação dos Trabalhadores do Japão, Nihon Rodo Sodomzi, e aumentou rapidamente o número de filiados. Novamente, as classes dominantes investiram na criação e no fortalecimento de uma organização ainda mais domesticada: a Associação para Harmonização do Trabalho e do Capital, sem caráter sindical.

    Os avanços democráticos foram logo anulados pelo forte Estado militarizado japonês

    Em 1918, o governo, pressionado pelo movimento democrático, ampliou o direito ao voto, e em 1925 estabeleceu o sufrágio masculino. Nas primeiras eleições após a reforma, foram eleitos oito representantes dos trabalhadores (3). Neste ano também entraria em vigor a lei que limitava a jornada de trabalho em 11 horas diárias para menores de idade e mulheres e proibia que estes exercessem trabalhos noturnos. Contudo, nada dizia sobre a limitação da jornada para os adultos, que continuava a ser superior a 12 horas diárias. No ano seguinte, uma nova lei anulou os dispositivos mais draconianos sobre as greves.

    Apesar desses relativos avanços, o Partido Comunista do Japão (PCJ) continuou sendo duramente reprimido e mantinha-se na clandestinidade. E mesmo esse débil liberalismo sofreria um forte retrocesso com a crise que abalou o capitalismo mundial após 1929. O Japão foi afetado duramente por ela. Houve uma drástica queda no volume das exportações, especialmente a da seda para os EUA. As falências e o desemprego cresceram geometricamente. A fragilidade da esquerda, reflexo da repressão, não lhe permitiu capitalizar o momento de grave crise econômica e apontar uma perspectiva para além do capitalismo.

    Ao contrário, assistiu-se ao crescimento do chauvinismo, do racismo e do militarismo. A saída encontrada pela burguesia e pelo imperialismo japonês foi recorrer à guerra de rapina contra a China. Em pouco tempo, suas tropas invadiram a Manchúria e impuseram um governo títere, encabeçado pelo imperador chinês deposto. Às vésperas da Segunda Guerra Mundial, em 1938, o Japão já ocupava a maior parte do norte e centro da China.

    Os militares, sempre fortes no Japão moderno, assumiram a direção da política externa e interna. Ainda em1938 instituiu-se a Lei de Mobilização, que concedia ao governo poderes ditatoriais em nome da segurança nacional. Dois anos depois, eram dissolvidos todos os partidos políticos japoneses e em seu lugar criado um partido único: a Associação de Assistência do Governo Imperial.

    Para o Estado militarista japonês: "capital e trabalho, unindo-se sinceramente, deveriam contribuir para o melhoramento industrial; o maior (os capitalistas) amando o menor, e o menor (os trabalhadores) respeitando o maior." (4). Em 1941, deu-se o golpe final contra os sindicatos: as lideranças foram presas, as sedes fechadas e os seus fundos confiscados pelo Estado. Em lugar das entidades sindicais foi estabelecida a "Associação Industrial Patriótica do Japão", que congregava capitalistas e operários nos moldes das corporações fascistas italianas. Neste "Japão Unitário" não havia lugar para conflitos e, portanto, nem razão para a existência de partidos ou sindicatos.

    Derrota do nazifascismo reacendeu a luta operária que, no entanto, rapidamente foi contida

    A derrota japonesa na Segunda Guerra Mundial e a ocupação militar estadunidense abririam uma nova fase de ascenso do movimento operário e socialista naquele país. As forças intervencionistas, lideradas pelo general Douglas MacArthur, buscaram destruir as bases econômicas e sociais que deram sustentação ao militarismo japonês: o latifúndio e os monopólios. A primeira grande medida tomada foi a realização de uma ampla reforma agrária. Também se aprovou uma legislação de caráter antimonopolista.

    sindicalismo japones 6Escola na Central Sindical Japonese no pós-guerraNo terreno político foram legalizados todos os partidos, inclusive o Partido Comunista, e restabelecidas as liberdades de imprensa e organização. O movimento sindical, favorecido pelos ventos liberalizantes, conheceu um crescimento inédito. Em poucos meses surgiram mais de 12 mil entidades, congregando 3 milhões de trabalhadores. Anos mais tarde o número de sindicalizados chegaria a 8 milhões. Em 1950 cerca de 50% da força de trabalho industrial japonesa estavam sindicalizados (5).

    No pós-guerra, os sindicatos se constituíram por indústria e não por ramo de produção ou categoria profissional. Estes sindicatos se uniam em grandes confederações de caráter nacional. Os comunistas logo se tornaram a principal força. Sob a sua influência foi fundado em 1946 o Conselho Nacional dos Sindicatos Industriais, o Sanbetsu, que reuniria rapidamente mais de 1.500 milhão de aderentes. A direita sindical, em contrapartida, fundou a sua própria central, a Confederação Geral dos Sindicatos Operários, o Sadomei, que reuniria cerca de 850 mil sócios. (6)

    sindicalismo japones 7Sede do jornal do Partido Comunista fechado durante a ocupação do Gen. MacArthurA eclosão de inúmeros e poderosos movimentos grevistas no pós-guerra aterrorizou as classes dominantes. As próprias forças de ocupação estadunidense, que até então davam apoio discreto à reestruturação do movimento sindical, contra os setores mais reacionários da sociedade japonesa, mudam de posição. Em 1947, o general MacArthur interveio pela primeira vez contra o movimento operário e impediu a realização de uma greve geral convocada pelo Sanbetsu. No ano seguinte, com o apoio estadunidense, o governo japonês proibiu as greves no setor público, onde os comunistas tinham maior influência. Apesar da repressão, o Partido Comunista conseguiu mais de 3 milhões de votos nas eleições realizadas no início de 1949 (7). A situação se tornaria mais sombria para a esquerda japonesa com o avanço da guerra fria. Após a vitória da Revolução Chinesa e o início da Guerra na Coreia, os EUA buscaram transformar o Japão numa trincheira avançada do imperialismo no continente asiático.

    sindicalismo japones 8Kyuichi Tokuda, secretário-geral do PC do Japão em 1949

    Burguesia japonesa sempre investiu pesado na divisão do movimento sindical

    Para cumprir esse objetivo, em primeiro lugar, tiveram de investir fortemente contra a influência dos comunistas na sociedade japonesa. Entre 1950 e 1951, o governo realizou os "expurgos vermelhos". Milhares de comunistas foram expulsos das funções públicas, presos e processados. O PCJ teve que entrar numa situação de semiclandestinidade. A repressão atingiu em cheio o movimento sindical mais combativo. Mais de 200 mil dirigentes acabaram sendo destituídos dos seus cargos e centenas de entidades sindicais foram interditadas (8). Era uma versão nipônica – mais radicalizada – do macarthismo estadunidense.

    sindicalismo japones 9Estudantes protestam contra expurgos de comunistas em 1950

    Novamente os patrões e o governo incentivaram a formação de uma central sindical dócil aos seus interesses. Em 1950, à sombra dos "expurgos vermelhos", nasceu a Nippon Rodo Kumiai Sohyogikai, conhecida como Sohyo. Mas o destino reservaria amarga surpresa às elites. A Sohyo, embora não fosse pró-comunista, tinha suas contradições com a política que os EUA vinham impondo ao Japão. Sua direção caiu rapidamente nas mãos da esquerda do Partido Socialista, que dirigiu uma ativa campanha pela imediata retirada das bases norte-americanas daquele país. Também se opôs à participação japonesa no conflito da Coreia.

    Não podendo contar plenamente com a Sohyo, governo e patrões patrocinam uma nova cisão no movimento sindical. Em 1953, surgiu o Zenro (Congresso dos sindicatos japoneses), que em 1964 se transformaria em Zen Nippon Rodo Sodomei (Federação Sindical Japonesa) ou Sodomei. Sob hegemonia da direita socialdemocrata, a nova entidade defendeu a política belicista dos Estados Unidos na Ásia. Uma de suas resoluções afirmava: "Os sindicatos não devem estar necessária e categoricamente contra o sistema. Somos opostos a introduzir a luta de classes nas relações entre patrões e empregados. Por isso, nos negamos a lutar ao lado do Partido Comunista e do Partido Socialista." (9).

    sindicalismo japones 10(Foto: Repressão ao Primeiro de Maio em 1952)Entre o final da década de 1950 e os anos 1970, alguns setores do sindicalismo japonês deram mostras de combatividade. A partir de 1955, por iniciativa da Sohyo, iniciaram-se as chamadas Ofensivas da Primavera, buscando congregar os sindicatos em campanhas salariais unificadas. Em 1956, o movimento unificador envolveu 800 mil trabalhadores, que em 1964 chegaram a 6,5 milhões e em 1973 a 8,5 milhões (10). A conquista de melhores acordos por alguns sindicatos impulsionava as lutas dos demais.

    Em 1974, no início de outra grande crise mundial do capitalismo, o Japão conheceu o auge do movimento de contestação operária e sindical. Ocorreram naquele ano mais de 6.100 greves, envolvendo cerca de 4.323 milhões de trabalhadores. A maioria delas era de curta duração, muitas duravam apenas algumas horas, mas demonstravam o espírito de luta da classe operária, apesar da direção muitas vezes economicista dada por suas lideranças (11).

    Os líderes sindicais esbarravam na legislação sindical restritiva, que somente autorizava greves por reivindicações econômicas e por empresa. Eram proibidas greves gerais e de solidariedade. Continuavam ilegais as paralisações no setor público. Contra esta última restrição, a Sohyo organizou inúmeras campanhas nacionais. Nos anos de 1975, 1976 e 1977, a Central dirigiu várias greves ilegais que resultaram em confrontos e detenções de grevistas. Em 1992, os trabalhadores dos transportes coletivos paralisaram Tóquio por meio período.

    No final da década de 1970, a Sohyo possuía 4.573 milhões de aderentes e a Domei, 2.266 milhões. Duas outras federações, a Churistsuroren e o Shinsabetsu, respectivamente, 1.369 milhões e 70 mil aderentes. Cerca de 4.705 milhões de trabalhadores pertenciam a sindicatos não filiados às centrais sindicais (12). No período cresceu o chamado "sindicalismo de empresa" ou "sindicato casa" – espaço privilegiado para a colaboração de classe.

    Atrelamento dos sindicatos avança com novas formas de gerenciamento do trabalho

    Não é possível entender a formação desse sindicalismo de direita, em especial do "sindicato casa", sem estudar a forma de incorporação da força de trabalho na moderna indústria do país. Esta se baseia no salário por antiguidade e no "emprego vitalício". O sistema nenko (nen=anos e ko=mérito) nasceu da necessidade de manter a escassa mão-de-obra qualificada dentro de uma mesma empresa, evitando assim a alta rotatividade do pós-guerra.

    Por esse sistema, que se sustentou graças ao rápido desenvolvimento industrial do país, os trabalhadores especializados tinham emprego "por toda a vida". Na verdade, essa estabilidade era relativa. Primeiro porque atingia apenas uma pequena parcela da classe operária. Segundo, porque nos momentos de crise os capitalistas flexibilizavam ao máximo esse "direito". Reduziam os prazos das aposentadorias compulsórias, alteravam jornadas de trabalho e salários, transferindo funcionários para as "terceiras", cortando bonificações etc.

    O salário por antiguidade também foi adotado como mecanismo para manter o operário qualificado. E existem ainda outros recursos visando ao atrelamento dos trabalhadores ao "espírito da empresa". As bonificações, por exemplo, representavam parte importante das remunerações. O bônus bianual equivalia a um terço do salário anual. Cada empresa estipulava os seus critérios, que beneficiavam os mais antigos, os mais produtivos e os mais dóceis. Esta política também servia para flexibilizar ao máximo as formas de pagamento dos salários. Qualquer indício de crise era motivo para suspender as bonificações.

    As elites do Japão sempre procuraram dividir ao máximo os trabalhadores. O sistema nenko, como já foi dito, atingia apenas uma minoria dos assalariados. Na década de 1970, funcionava em 3 mil empresas, num universo de mais de 4 milhões de estabelecimentos. Beneficiava somente 30% da força de trabalho, segundo Watanabe (13). Esta divisão levou alguns estudiosos, como Gilles Martinet, a falarem na existência de duas classes operárias no país: "aquela que se beneficiava do sistema nenko e aquela que formava a massa de trabalhadores não regulares das pequenas empresas, os assalariados com mais de 55 anos e a grande parte da mão de obra feminina (...)”. Neste sistema: “os trabalhadores temporários que ganhavam em média 70% do salário do trabalhador 'por toda a vida' estavam longe de ter as vantagens sociais que beneficiavam este último." (14).

    Leia mais: Como a crise reacendeu a luta pelos direitos do trabalhador no Japão

    Entre esses trabalhadores considerados de segunda categoria estavam os contratados sem estabilidade. Um contingente que aumentava nos momentos de crescimentos econômico e diminuía nas primeiras intempéries vividas pela economia capitalista. Milhares de imigrantes (inclusive brasileiros) ainda formam uma terceira categoria. Eles executavam serviços que os japoneses, numa fase de abundância, recusavam-se a fazer. Esses trabalhos eram – e ainda são –denominados de KKK: iniciais de Kitsui (duro), Kikem (perigoso) e Kitani (sujo).

    O "sindicato casa" dá novo e forte impulso à exploração do moderno capitalismo

    Os sindicatos japoneses, mesmo os mais combativos, nunca deram a devida atenção a essas camadas desprivilegiadas do proletariado. Daí a baixa sindicalização nesses setores. Se o índice nas grandes indústrias chegava, em média, a 70% (em algumas atinge 100%), nas pequenas empresas ficava abaixo de 10% (15). Todos esses fatores, acompanhados dos melhores salários nas indústrias de ponta (especialmente de automóveis e eletrônicos), explicam o desenvolvimento da ideologia de colaboração de classe.

    Outro fator para a expansão do "sindicato casa" foi a repressão. Sem ela não teria sido possível implantar tão rapidamente o modelo de desenvolvimento japonês, baseado no chamado toyotismo. Soma-se a isso a própria legislação que incentiva a pulverização sindical. Ela garante a existência de mais de um sindicato por empresa, mas só reconhece o direito de negociação à entidade com maior número de sócios. Em grande parte das empresas existem hoje dois sindicatos. E foi justamente neste campo que a esquerda sindical se enfraqueceu.

    Na Toyota, a formação do "sindicato casa" esteve ligada a uma dura derrota sofrida pela classe operária. Em 1950, a empresa demitiu 1.600 empregados. O sindicato decretou greve, que durou dois meses e não conseguiu reverter o quadro de demissões. Dois anos depois, outra greve, agora de 55 dias, novamente foi derrotada. Fruto desses golpes consecutivos surgiu um "segundo sindicato", mais dócil à empresa. Na campanha salarial de 1954, este adotou o lema "proteger nossa empresa para defender a vida". A mesma situação se verificou na fábrica Nissan, em 1953. Não por acaso estas foram as últimas greves que ocorreriam nestas duas grandes empresas pelas próximas décadas.

    A reestruturação do capitalismo japonês exigiu a incorporação subordinada dos sindicatos. Era vital para o patronato que eles não se opusessem à intensificação do trabalho e à implantação de novas técnicas de gerenciamento – aparentemente mais participativas, mas no fundo mais alienantes. Era muito comum o "sindicato casa" se engajar nas campanhas patronais de demissões voluntárias e de antecipação das aposentadorias compulsórias, com o objetivo de garantir o processo de reestruturação da empresa e a sua competitividade no mercado nacional e internacional.

    A preocupação com a produtividade das empresas atingiu até mesmo os sindicatos aparentemente menos integrados. As próprias formas de luta adotadas por eles provam isso. As greves, quando existiam, duravam apenas algumas horas, e eram sobretudo de demonstração. A principal forma de protesto era o comparecimento ao trabalho com tarjas pretas para "envergonhar os dirigentes das empresas”, pois “não há o desejo de criar dificuldades financeiras a uma empresa à qual ele está ligado por toda a vida.” (16).

    Segundo Coriat, "em muitos casos, a passagem pelo sindicato é a condição para ascender às funções de responsabilidade – notadamente em matéria de gestão de pessoal – na própria empresa (...). O sindicato está estreitamente ligado à hierarquia da empresa através do jogo das carreiras e das promoções.” (17). No caso da Toyota, constata o sindicalista Ben Watanabe, "cerca de 60% dos delegados sindicais e diretores do sindicato são supervisores, o que facilita para a empresa o controle sobre os trabalhadores." (18).

    A crise econômica abala o projeto de cooptação das classes dominantes

    Evidente que também aqui há contradições. O caso mais emblemático foi o da demissão do arquipelego presidente do "sindicato casa" da Nissan, Shiogi Ichiro. Possivelmente por não ter levado a sério o discurso da "gerência participativa" e não ter percebido que na reestruturação industrial à japonesa não há lugar para ilusões de "cogerenciamento" de tipo social-democrático. Ben Watanabe concluiu corretamente que "para a flexibilização do total da produção é necessário destruir o sindicato, mesmo que seja pelego." (19).

    Uma declaração do ex-presidente da Companhia Ferroviária Nacional do Japão refletiria bem a ideologia oficial do empresariado, que penetrava nas lideranças sindicais: "A unidade da família (empresa) deve ser preservada antes de tudo. A autoridade deve permanecer em mãos do pai (o chefe da empresa). Se a mãe (o sindicato) mima demasiadamente os seus filhos (os operários), o pai tem o direito de colocar no caminho reto seus filhos e a mãe." (20).

    O sucesso do "sindicalismo casa" está assentado no processo de expansão do capitalismo japonês. Mas essa situação, tudo indica, está em vias de desaparecer. A recessão econômica que atingiu o Japão no início dos anos 1990 levou-o a alterar a política patronal sobre empregos e salários. Então, a Organização Nacional das Empresas se posicionou pela extinção do "emprego vitalício" para dar maior competitividade à indústria em crise. A Toyota, por sua vez, anunciou que contratará os trabalhadores para as funções centrais sem a garantia de emprego "por toda a vida". Também determinou a revisão do sistema de salário por antiguidade e o estabelecimento de uma nova forma de pagamento baseada nos méritos individuais do modelo liberal ocidental. Estas mudanças poderão ter consequências no mundo do trabalho japonês, acarretando uma crise no seu modelo sindical.

    Contudo, a superação desse modelo implica grandes desafios para o sindicalismo classista. Ela passa pela incorporação dos trabalhadores das pequenas e médias empresas e dos operários avulsos (terceirizados) das grandes empresas monopolistas, que não possuem nenhum direito e ganham bem abaixo dos poucos que se beneficiavam do sistema nenko. Passa pela ação entre as mulheres, os jovens, aposentados e imigrantes – segregados no mercado de trabalho. É preciso, em primeiro lugar, que os trabalhadores conscientes ponham fim ao dualismo transplantado do mercado de trabalho para dentro dos sindicatos. E, depois, derrubem a própria condição que permite (e reproduz) o dualismo no mercado de trabalho e a dominação dos trabalhadores: as relações de produção capitalistas.

    Notas

    (1) STORRY, G. R. Japão: Anos de Triunfo.In:História do Século 20, n.3, p.81.

    (2) JUOSTOV, V. M.; ZUBOK, L. I. História Contemporânea, p.134,

    (3) COLE, G. D. R. História do Pensamento Socialista, vol.4, p.313.

    (4) SIMS, R. Japão: A frente interna. In:História do Século 20, n.69, p.2095.

    (5) MARTINET, Gilles. Sept Syndicalismes, p.191.

    (6) IDEM, p.195.

    (7) BÉRAUD, B. La Izquierda Revolucionaria en el Japón, p.59.

    (8) WATANABE, B. Toyotismo: Um novo padrão mundial de produção?In:Revista dos Metalúrgicos, n. 1, dezembro de 1993, p.10.

    (9) BÉRAUD, B. La Izquierda Revolucionaria en el Japón, p.160.

    (10) MARTINET, G. Sept Syndicalismes, p.198.

    (11) IDEM, p.198.

    (12) IDEM, p.196.

    (13) IDEM, p.193 e WATANABE, B. Toyotismo: Um novo padrão mundial de produção?, p11.

    (14) IDEM, p. 193.

    (15) IDEM, p.194 e WATANABE, p. 4.

    (16) IDEM, p.199.

    (17) CORIAT, Benjamin. Pensar pelo Avesso, p.86.

    (18) WATANABE, B. Toyotismo: Um novo padrão mundial de produção?, p.5.

    (19) IDEM, p.11.

    (20) BÉRAUD, B. La izquierda Revolucionariaen el Japón, p.162.

    BIBLIOGRAFIA

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    STORRY, G. R. Japão: anos de triunfo. In:História do Século 20, n. 3. São Paulo: Abril Cultural, 1974.

    TAKAICHI, Tsugio. As origens e os defeitos do toyotismo entre os trabalhadores de Japão. In:Debate Sindical, n. 13, março de 1991.

    VEJA, 2 de fevereiro de 1994, p. 82-84.

    WATANABE, Ben. Toyotismo: um novo padrão mundial de produção? In:Revista dos Metalúrgicos, n. 1, dezembro de 1993.

    Por Augusto César Buonicore, historiador e presidente do Conselho Curador da Fundação Maurício Grabois.
    Republicado pela Fundação Maurício Grabois. Publicado originalmente na revista Debate Sindical, nº18, abril/jun de 1995, publicada pelo Centro de Estudos Sindicais.

  • A três dias da greve, comerciários denunciam “má-fé negocial” das associações patronais do RJ

    Os comerciários do Rio de Janeiro estão em contagem regressiva para o início de uma greve do setor. Depois de meses de assembleias e negociações com as associações patronais do estado, o Sindicato dos Comerciários do Rio de Janeiro (SEC-RJ) deu até esta quinta-feira (14) para que os patrões aceitem os termos negociados no último período. Caso os termos sejam negados, mais de 400 mil trabalhadores ameaçam cruzar os braços até que um novo acordo seja negociado.

    “A gente já tinha adiado a greve por 15 dias na penúltima assembleia, justamente para que as associações patronais tivessem o tempo de fazer as contrapropostas. Teremos uma nova assembleia, quarta-feira agora [13], em que debateremos as respostas que vierem”, explicou o presidente do SEC-RJ, Marcio Ayer. “Pode ser que a gente use essa assembleia para assinar alguns acordos. O Sindigeneros [Sindicato do Comercio Varejista de Generos Alimenticios] está mostrando uma boa recepção, mas o Sindilojas [Sindicato dos Lojistas do Comércio] apresentou uma proposta completamente divergente do que foi posto na mesa de negociação. Então vai depender do que eles decidirem”, continuou.

    Ayer explicou que não pretende endossar nenhum acordo em que as propostas que já vinham sendo negociadas sejam alteradas de última hora, mas que ainda há espaço para acertos. “Se o SindiLojas retornar ao que foi negociado, a gente pode fechar a convenção. E no caso do Sindigeneros, caso eles cheguem na proposta de valor de piso de R$980, a gente pode assinar também, porque nós já discutimos as outras cláusulas”, garantiu. Os supermercados do Rio se reúnem nesta terça-feira (12) para definir uma posição conjunta diante das exigências dos comerciários.

    “Má-fé negocial”

    Apesar da tensão, a disputa entre os trabalhadores e empregadores do setor do comércio no Rio de Janeiro pode trazer bons resultados em 2016. Na última quarta-feira, os lojistas sinalizaram com um reajuste de 10% sobre o salário dos funcionários, além da concessão de auxílio-creche e a reabertura das conversas sobre banco de horas e trabalhos aos domingos e feriados.

    Contudo, na apresentação dos termos finais, as concessões foram alteradas - algo que o sindicato chamou de “má-fé negocial”, adequadamente. Nas propostas oficiais, excessos como a obrigatoriedade de trabalhar no Natal e no Ano Novo, extinção da estabilidade na pré-aposentadoria, tomada do controle dos seguros familiares dos funcionários e remoção de garantias de gratificação aos gerentes foram incluídas sem consentimento ou aviso prévio.

    “Foi jogo sujo, com o claro objetivo de reduzir nossas conquistas. Estávamos a minutos da Assembleia que poderia aprovar a assinatura da Convenção. Tentaram nos atrapalhar, mas vão precisar de mais do que isso”, criticou Márcio Ayer.

    Portal CTB

  • Centrais reafirmam unidade contra o desmonte da Previdência na Jornada Nacional do DIEESE

    O auditório do Sindicato dos Químicos de São Paulo ficou lotado na manhã desta quinta-feira (23), quando sindicalistas e acadêmicos se reuníram para inaugurar a 13ª Jornada Nacional de Debates do DIEESE. A mesa de abertura, com representantes de nove centrais sindicais, serviu de palco para a reafirmação da unidade sindical contra a Reforma da Previdência do governo Temer (PEC 287).

    Você pode conferir a agenda das palestras aqui.

    “Essa Jornada é uma oportunidade para os sindicalistas no estados, porque vai passar por todas as unidades da federação. É preciso que todos os trabalhadores se instrumentalizem para discutir a questão da reforma, que eu chamaria ‘desforma’, porque vão acabar com a aposentadoria”, conclamou Eduardo Navarro, membro da Direção Executiva da CTB e um dos organizadores do ciclo de debates. “Esse projeto de desmonte é muito profundo, e vai transformar o país novamente numa colônia se não houver união na resistência”.

    Para Navarro, o momento exige articulação entre entidades e conscientização das bases, a começar pelos próprios sindicalistas. “Está em perigo toda a seguridade social, inclusive o SUS. É o neoliberalismo 2.0, com o desmonte da educação pública, com o desmonte da saúde pública. Não adianta só falar ‘Fora Temer’, porque cai o Temer e entra outro. As centrais têm de se posicionar contra o projeto neoliberal em curso e construir formas de resistência como essa jornada. O DIEESE já fez sua parte, agora cabe às 9 centrais e aos 11 mil sindicatos fazerem o mesmo”, analisou.

    PEC que desmonta a Previdência é voo sem escala para a pobreza no Brasil; ouça na Rádio CTB

    Além do dirigente cetebista, falaram ao público representantes da CUT, da Força Sindical, da CGTB, da CSB, da CSP-Conlutas, da Intersindical, da Nova Central e da UGT, todos contrários à reforma da Previdência proposta na PEC 287. 

    De forma unitária, os sindicalistas convocaram para as manifestações do dia 15 de março, data que marcará o Dia Nacional de Lutas, com greves e paralisações em defesa da previdência pública. A Jornada Nacional acontecerá na semana anterior a ele, entre os dias 7 e 14 de março, e atravessará o país realizando debates e apresentando estudos (inclusive o mega-documento do professor Eduardo Fagnani) para o público sindical. O objetivo é expor os equívocos nos argumentos da atual proposta.

    Portal CTB

  • Comerciários do Rio de Janeiro começam greve nesta quinta-feira (30)

    As trabalhadoras e trabalhadores no comércio do Rio decidiram deflagrar greve a partir da zero hora desta quinta-feira (30), caso patrões não respondam com proposta de ganho real para a categoria. A decisão havia sido tomada na noite da última sexta-feira (24), em assembleia na sede do Sindicato dos Comerciários, e será refinada para um novo encontro nesta quarta-feira (29), que deve decidir quais lojas, supermercados e shoppings do Rio serão paralisados.

    Nas rodadas de negociações entre o Sindicato dos Comerciários do Rio e os sindicatos patronais do comércio (Fecomércio, SindiGêneros e SindiLojas), a proposta de reajuste salarial feita pelos patrões já subiu de 8% para 9,83%, igualando o índice de inflação segundo o INPC/IBGE. Os comerciários, no entanto, exigem ganho acima da inflação e avanços em outras clausulas da pauta, até aqui negadas pelos patronais.

    “O que a gente vê é uma grande intransigência dos patrões. Os 10% de aumento representam apenas 0,17% de ganho real sobre a inflação, mas os empresários não querem chegar sequer a este percentual de reajuste”, criticou o presidente do Sindicato, Márcio Ayer.

    Do SEC-RJ

  • Correios do Rio de Janeiro retornam às atividades, mas mantêm estado de greve

    Na manhã desta segunda-feira (08), os trabalhadores realizaram uma assembleia na Praça de Guerra e votaram pela suspensão da greve, iniciada no dia 26/04. A proposta da ECT foi aceita, mas com ressalvas, que serão discutidas e questionadas com a empresa.

    Entre as propostas rejeitadas pela categoria estão: a limitação das férias e o PDIA, conforme explica o presidente do SINTECT-RJ, Ronaldo Martins “Nós queremos férias para todos, não somente no período que a empresa propôs, é um direito que não vamos abrir mão. Outra questão é o PDIA. Hoje a empresa tem um grande deficit de funcionários, não tem como a gente apoiar uma ação que piore a situação”, explicou.

    Do Sintect-RJ (via CTB-RJ)

  • CTB convoca para 8 de agosto ato nacional em defesa dos direitos

    A CTB está organizando, para o próximo dia 08 de agosto (segunda-feira), um ato nacional em defesa da CLT e da Previdência Social, dois alvos da gestão interina de Michel Temer. Articulado pelo presidente nacional da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Adilson Araújo, a jornada acontecerá em frente às Superintendências Regionais do Trabalho (antigas DRTs) em diversos estados do país.

    Araújo conclama os trabalhadores e trabalhadoras a protestarem em defesa dos direitos trabalhistas. "Com esse discurso da ‘modernização’, o objetivo [de Michel Temer] é baixar o custo da mão de obra e aumentar a cesta de lucros das empresas. É apenas por isso que esse governo quer aprovar o negociado sobre o Legislado, a terceirização irrefreável e acabar com a Previdência Social, o maior programa de distribuição de renda do país", denunciou.

    Em sua nota convocatória, a CTB denuncia o apoio da imprensa, em especial da Rede Globo, às medidas de esmagamento da classe trabalhadora ensaiadas por Temer e sua turma. “O governo ilegítimo encomendou uma série de reportagens defendendo a modernização das relações de trabalho, e esse mesmo assunto tem sido alvo de editoriais destilados de propostas de regressão, flexibilização e precarização do trabalho”, escreveu.

    Ele lembrou de episódios como o de Benjamin Steinbruch, presidente da CSN, em que foi proposto um período de almoço de 15 minutos, ou o de Robson Braga, presidente da CNI, em que foi ventada uma defesa da jornada de 80 horas semanais. “São, no mínimo, propostas preocupantes”, analisou.

    Para evitar que medidas como essas sejam naturalizadas no pensamento do brasileiro, a Central coordena com suas sedes estaduais este novo ato. O objetivo é denunciar e aumentar a atenção da população em torno do tema. “A jornada de lutas é longa e necessária. Ocupar as ruas e resistir a todo custo é o melhor caminho”, concluiu Adilson Araújo.

    À luta!

    Portal CTB

  • CTB-SP: o que pensam os militantes da CTB que ajudaram a construir o ato histórico na Praça da Sé

    Com mais de 60 mil pessoas concentradas na Praça da Sé, em São Paulo, o “Canto pela Democracia” esteve entre os atos mais expressivos da Jornada Nacional em Defesa da Democracia nesta quinta-feira (31). A manifestação traçou evidentes paralelos com datas históricas que usaram o Marco Zero para amplificar a luta pela democracia, inclusive as Diretas Já, e fortaleceu o coro mundial de vozes que denunciam o golpe de Estado ensaiado por forças conservadoras.

    Quem vê o resultado final de uma manifestação desse porte, no entanto, não imagina o trabalho que é prepará-la. Com toda a direção nacional voltada para a marcha em Brasília, coube aos integrantes da CTB-SP articularem a Central com as forças da Frente Brasil Popular, que reúne um conjunto crescente de forças progressistas. Esses dirigentes operam pela lógica mais orgânica do movimento sindical: para além das reuniões e eventos, vão com frequência às portas das fábricas e panfleteiam pelas ruas da cidade. Conversam com sindicalistas e trabalhadores, defendem pautas específicas e individuais, investem grande tempo conhecendo novas lideranças. São a essencial ligação que nos permite influenciar Brasília.

    Conhecer o que pensam, portanto, é essencial para que a nossa luta esteja bem ajustada. Abaixo, separamos a análise sobre a crise de cinco cetebistas que operam em São Paulo. Confira:

    Onofre Gonçalves, presidente da CTB-SP

    “É claro que nós, enquanto trabalhadores, não vamos reconhecer um governo que não foi eleito democraticamente pelo povo. Se por um acaso tiver golpe, com certeza a população e o movimento sindical vão se posicionar contra um governo que não foi eleito. A questão vai ganhando notoriedade e mesmo as pessoas que ainda não acreditavam que a direita seria capaz disso começaram a discutir o assunto e achar isso um absurdo.”

    “A nossa mensagem é muita clara: mobilizar. Nós só vamos evitar essa tentativa de golpe com mobilização, com o nosso povo na rua, com o trabalhador na rua. (...) As centrais não estão abrindo mão das suas pautas de reivindicações - o que nós estamos defendendo é a democracia, e a gente que esse governo nos escute, mas queremos ser ouvidos por este governo, que foi eleito democraticamente. Agora, nós vamos tomar todas as medidas possíveis se tentarem dar um golpe neste país.”

    Nivaldo Santana, vice-presidente da CTB Nacional

    O vice-presidente da CTB, Nivaldo Santana, falou aos manifestantes no ato desta quinta-feira sobre a necessidade de união neste momento decisivo do História brasileira. Assista! #BrasilContraOGolpe

    Publicado por CTB - Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil em Quinta, 31 de março de 2016

    “A Praça da Sé, que foi palco de históricas jornadas de luta contra a ditadura, da luta pela anistia, da luta pelas eleições diretas, uma vez mais demonstra que o povo de São Paulo defende a democracia, porque a democracia é o único caminho de o Brasil retomar o crescimento econômico, recuperar empregos e salários e preservar os nossos direitos trabalhistas e previdenciários.”

    “Hoje, depois de 52 anos do golpe militar, em todo o Brasil, em dezenas de cidades do mundo inteiro, nós estamos sentindo que cresce dia a dia a mobilização. Cada vez mais setores democráticos da sociedade, juristas, estudantes, intelectuais, artistas, vêm engrossar a nossa luta. Por isso que nós da CTB temos a convicção que a nossa grande mobilização vai derrotar no Congresso Nacional a proposta golpista e vai inaugurar uma arrancada para o nosso país. Um Brasil com democracia, desenvolvimento, salário, emprego e respeito aos nossos direitos.”

    Teresinha Chiappim, dirigente da CTB-SP

    "Neste momento, o Congresso está reunido, as comissões estão reunidas, o Supremo está reunido. É uma data que culmina em várias coisas acontecendo, além de ser um 31 de março, que precedeu o golpe em 64. Essas mobilizações em todo o Brasil mostram para aqueles parlamentares, que são corruptos, que eles têm de rever suas posições. Não há outro caminho de saída além da democracia, nós temos que defendê-la em todos os espaços."

    Pedro Mesquita, diretor do Sindicato dos Marceneiros do estado de São Paulo, vice-presidente da CTB-SP

    "O que está em jogo no Brasil hoje não é o governo, mas a democracia. Estão em jogo os movimentos sociais, as conquistas dos trabalhadores. O que a gente entende é que hoje os trabalhadores precisam ir para as ruas para evitar este golpe mais que declarado contra a democracia, que demoramos tantos anos para construir. O problema principal hoje é a questão política, e a falta de interesses de todos os partidos, principalmente da oposição, de traçar uma meta para que o país volte a crescer outra vez."

    Bitelli José, ex-dirigente e militante veterano da CTB

    "Sem dúvida nenhuma, essa manifestação que está se estendendo por todo o país é de uma importância fundamental para dar 'não' ao golpe, para colocar o povo na luta, para organizar o povo para a manutenção do governo Dilma e para a ampliação das mudanças que o Brasil necessita."

    Portal CTB

  • Debate sobre retomada do desenvolvimento não avança em discussões

    A CTB e outras cinco centrais sindicais, além seis confederações dos setores de indústria e comércio que compõem o Fórum Nacional de Desenvolvimento Produtivo, debateram hoje (4) com o governo propostas para a retomada do crescimento do País. O DIEESE e IPEA também estiveram presentes no encontro, ocorrido na manhã desta terça, no Palácio do Planalto, com a presença do ministro da Indústria e Comércio Exterior, Marcos Pereira, e o assessor especial da Presidência da República, Sandro Mabel.

    O Fórum foi criado pela presidência, sob o comando do MinC, na tentativa de desenvolver propostas e solucionar demandas que travam o crescimento econômico do País.

    Acordos de Leniência e questões como taxas de juros, câmbio, importações e exportações foram as principais pautas da reunião. O ministro Marcos Pereira, chamou atenção para pontos considerados por ele como prioritários, entre eles, investimentos, revisão da lei de licitações e melhoria do ambiente de negócios.

    A reunião não teve a presença do Ministro do trabalho, Ronaldo Nogueira, requisitado pelas centrais para compor permanentemente o colegiado.

    Para o secretário-geral da CTB, Wagner Gomes, o objetivo das centrais no fórum é discutir o setor produtivo, bem como estratégias para fazer a indústria voltar a gerar empregos, além de exigir uma política do governo para o desenvolvimento do País. “Estamos num entrave porque esse governo não tem política para retomada do crescimento. Questões discutidas aqui como esse problema do Acordo de Leniência, onde as empresas que estão sendo investigadas negociam com o governo e ele libera essas companhias para participar de obras públicas, retomando assim o crescimento. É um Fórum importante, mas, evidentemente o que está sendo discutido aqui vai sair do consenso, porque o governo deve ter o Estado como indutor da economia e não é o que está pretendendo. O mínimo que concordarmos aqui já é alguma coisa. Estamos aqui com as nossas ideias em defesa de um Brasil com crescimento e geração de empregos, esse é o nosso principal objetivo”, afirmou o dirigente.

    Para Wagner, o papel da CTB no grupo “é garantir a manutenção dos direitos da classe trabalhadora. Hoje temos uma forte convicção de que este governo vai vir pra cima para tentar tirar os direitos dos trabalhadores e aí a coisa vai ficar quente porque nós não vamos aceitar”, concluiu.

     “A gente precisa sentar e tirar um posicionamento mais claro disso e é claro que a gente quer o desenvolvimento do país, a geração de emprego, agora precisa ter política do governo para isso né? Sem o governo apresentar de fato essas políticas não é o fórum aqui que vai resolver isso. Então o que temos discutido aqui são questões importantes para os trabalhadores, mas tem coisas que precisam ser resolvidas - a questão da infraestrutura, o próprio AL-  as empresas estão perdendo condições e com isso os trabalhadores perdendo emprego. A questão das exportações também – tem que mudar política econômica – com um cambio desse jeito, o real equiparado ao dólar, não tem como a gente exportar e vai é importar ainda mais prejudicando a indústria nacional. Então vamos ter que ver isso. É preciso decisão politica do governo. Estamos aqui mais como olheiros mesmo e fiscalizando para saber quais as reais pretensões desse governo”, declarou Assis Melo, dirigente da central no Rio Grande do Sul.

    A discussão não obteve avanços por falta de propostas, tanto do governo como das entidades envolvidas. O Ministro Marcos Pereira disse que é preciso focar nos temas considerados por ele como prioritários - investimentos, importações, exportações (revisão das taxas) melhoria do ambiente de negócios; revisão da lei de licitações, financiamento de infraestrutura econômica. O próximo encontro do colegiado está marcado para o dia 18.

    De Brasília, Ruth de Souza - Portal CTB

  • Dirigente da CTB participa de Encontro de Reforma Agrária e reforça parceria de luta com a Contag

    Se encerrou na última quinta-feira (23), o Encontro Nacional de Reforma Agrária e Crédito Fundiário promovido pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Agricultura (Contag), que reforçou a necessidade urgente de aumentar a pressão para o avanço da Reforma Agrária no Brasil.

    O encontro, que começou no último domingo (20), reuniu em Brasília, assessores, sindicalistas que debateram a atual conjuntura, a garantia da democracia e avanços para os trabalhadores e trabalhadoras do campo.

    O encontro também aprovou a realização da Marcha pela Reforma Agrária, com muitas ações nos estados e uma grande mobilização em Brasília, no dia 19 de maio.

    Para Sérgio de Miranda, secretário de Política Agrícola e Agrária da CTB, o balanço do encontro foi positivo e serviu para intensificar a unidade de ação.  “Fizemos um debate muito rico durante os quatro dias do encontro, que incluiu as prioridades dos trabalhadores e trabalhadoras rurais, que levaremos para o governo. Parabéns à Contag e Fetags que fazem a luta pelo acesso à terra. A CTB estará junto nesta Marcha por acreditar que esta é uma luta de toda a sociedade, da classe trabalhadora do campo e a cidade”, afirmou Sérgio de Miranda.

    Além da mobilização, os participantes do encontro também pontuaram os pontos que levarão para a pauta de negociação. Foi determinado que serão trabalhadas três frentes de luta: a política econômica, junto ao Ministério da Fazenda, questões de legislação, junto ao Congresso Nacional, e também questões judiciais, junto ao Poder Judiciário.

    No que diz respeito à reorganização do Ministério do Desenvolvimento Agrário, que, por dificuldades orçamentárias, fundiu as Secretarias de Reordenamento Agrário (SRA) e Secretaria Extraordinária de Regularização Fundiária na Amazônia Legal (Serfal), Zenildo Xavier avalia que a ação não trará nenhum benefício aos (às) trabalhadores (as) rurais.

    “Nós não iremos pactuar com essa decisão e sempre defenderemos um ministério forte, com todas as secretarias atuantes e com recursos e orçamento para tocar suas ações nos estados e principalmente na Reforma Agrária e no Crédito Fundiário”, afirma o secretário de Política Agrária da Contag. 

    Portal CTB com Contag

  • Dois meses depois, greve dos trabalhadores técnico-administrativos em educação continua

    A greve nacional dos trabalhadores técnico-administrativos em educação, deflagrada em 28 de maio, conta com adesão de 67 universidades e instituições federais. Um dos motivos é a não negociação do governo federal com os trabalhadores desde o fim da greve de 2014, encerrada por determinação do Superior Tribunal de Justiça. Assim, foram protocolados pela federação vários ofícios ao Ministério da Educação, Planejamento, Casa Civil e Secretaria Geral da Presidência, solicitando negociação.

    A Fasubra construiu o Memorial da Greve, uma publicação impressa que contém 26 ofícios encaminhados no ano de 2014 e 19 ofícios até junho deste ano, além dos Informes de Greve (IG). Foram realizadas visitas à parlamentares no Congresso Nacional durante o período de greve pelo Comando Nacional de Greve (CNG), solicitando apoio ao movimento – na ocasião o Memorial de Greve foi entregue.

    A categoria, que recebe o pior piso do funcionalismo público, reivindica negociações que atendam o maior número de trabalhadores, inclusive os aposentados. A representação da federação destaca a necessidade de o governo ampliar a margem de impacto financeiro para a negociação com a categoria, numa perspectiva para 2016.

    O governo federal, após reunião realizada em 25 de junho, manteve a proposta de 21,3% de reajuste, fracionado em 4 anos (2016 – 5,5%, 2017-5%, 2018-4,75%, 2019 - 4,5%). Este acordo, rejeitado pelos trabalhadores do serviço público federal, amarra a categoria e não repõe as perdas inflacionárias dos anos passados e também não cobre a inflação vigente de 9,23% segundo o boletim Focus, do Banco Central.

    A categoria pede 27,3% de aumento no piso da tabela, o aprimoramento do plano de carreira e a efetivação do Plano Nacional de Capacitação, lançado em 2013, entre outras reivindicações. A lista completa pode ser encontrada no site da Fasubra.

    Por Luciana Castro, da Fasubra

  • Em ato conjunto, centrais mineiras irão relembrar 13 anos da Chacina de Unaí

    13 anos após do assassinato de três auditores fiscais e um motorista que faziam fiscalização das condições de trabalho nas fazendas de Unaí, a justiça ainda não foi feita. Mesmo condenados a 100 anos de prisão, os envolvidos no crime estão em liberdade. Para lembrar a chacina, as Centrais Sindicais organizam Ato Público para próxima segunda-feira (30).

    O evento acontecerá em frente à SRTE/MG, na Rua Tamóios, 596, no Centro de Belo Horizonte, às 9h da manhã.

    O ocorrido é uma lembrança dolorosa para o movimento sindical, que em novembro do ano passado realizou, em reunião da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), um protesto em pedido de celeridade da execução das sentenças contra os mandantes do crime. Os acusados de participação já foram julgados e condenados, mas os irmãos Antério e Norberto Mânica, mandantes, e os intermediários Hugo Pimenta e José de Castro aguardam em liberdade o julgamento de recurso no Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1), em Brasília.

    Veja abaixo a carta assinada pela CTB, UGT, Nova Central, CUT, Intersindical e Força Sindical:

    chacina unai panfleto mg

    Da CTB-MG

  • Em reunião na CTB, centrais sindicais organizam ato nacional em defesa dos direitos no dia 22

    Representantes de diferentes centrais sindicais se reuniram nesta terça-feira (13) na sede nacional da CTB para discutirem os próximos passos no enfrentamento do governo golpista de Michel Temer.

    A reunião com a participação de representantes da CTB, da CUT, da Força Sindical, da CSP-Conlutas, da Intersindical e da Nova Central tratou especificamente da proposta do ato nacional em defesa dos direitos trabalhistas, organizado para o dia 22.

    “Do ponto de vista da pauta, esta muito claro que o que une o movimento sindical é a defesa dos direitos da classe trabalhadora”, analisou Adilson Araújo, presidente da CTB. “A classe trabalhadora sofre um drama pelas consequências da grave crise econômica. As medidas conservadoras adotadas por Temer tem rebatimento direto na vida dos trabalhadores, sobretudo nesse estágio de elevado desemprego. Diante dessa agenda ultraliberal, o fórum das centrais buscam efetivamente responder com uma agenda unitária”, continuou.

    Ficou definido que o novo Dia Nacional de Luta da classe trabalhadora será realizado em todo o país no próximo dia 22 (quinta-feira). Pela manhã, dezenas de fábricas e indústrias farão uma paralisação preparatória para o ato, que será continuada no período da tarde pelos funcionários públicos em todos os estados.

    Programação preliminar

    Em São Paulo, onde ocorrerá o ato mais numeroso, a concentração se dará a partir das 10h em a Fiesp, momento em que as centrais entregarão pauta em defesa dos direitos sociais e trabalhistas; às 11h, está previsto o início do ato político; às 14h, a manifestção seguirá para a frente do Masp. As lideranças sindicais de todas as centrais se alternarão no uso do microfone para denunciar a agenda regressiva imposta pelo governo Temer e exigir respeito nas negociações das reformas da Previdência e trabalhista.

    O que pensam as outras centrais

    Joaninha, da CSP-Conlutas: “Nós conversamos aqui sobre a necessidade de construção da unidade do conjunto de trabalhadores deste país. Nós viemos articular, para o dia 22, um ato das centrais na parte da manhã, que continua à tarde com os servidores, e também fortalecer o dia 29, que já está sendo indicado como a greve dos metalúrgicos em caráter nacional. Nesse sentido, eu acho bastante importante as centrais se pronunciarem em apoio às greves que estão ocorrendo, para que a gente possa impor uma derrota a todos os projetos que estão no Congresso Nacional ou ainda irão, que vêm no objetivo de tirar direitos dos trabalhadores”.

    Luisinho, presidente da Nova Central-SP: “A ideia é fazer uma grande manifestação em nível nacional, e aqui em São Paulo uma grande mobilização, envolvendo as categorias que puderem parar e fazer um grande ato na Paulista e demarcar, na conjuntura, que não abrimos mão dos nossos direitos. Nenhum direito a menos, não importa que governo seja! Isso é o norte dessa reunião”.

    Nilsa Pereira, Intersindical: “Nós estamos fazendo um processo de resistência neste momento, em que o Brasil está sob um governo que não foi eleito pelo povo brasileiro, que cumpre uma pauta de direita e atrasada. A unidade de ação e a unidade política do movimento sindical e do movimento social é que vão garantir a não-retirada dos nossos direitos e, se possível, avanços”.

    Douglas Izzo, presidente da CUT-SP: “O dia 22 vai ser um esquenta para a greve geral que nós estamos construindo para o segundo semestre. É uma demonstração de unidade das centrais para poder conter os ataques que estão colocados sobre a classe trabalhadora. Vai ser um momento importante, em que os trabalhadores mostrarão sua força em todo o país, paralisando as atividades e construindo atos unitários”.

    João Carlos Juruna, secretário-geral da Força Sindical: “Eu creio que essa agenda unitária com as centrais sindicais é importante, porque conseguimos unir trabalhadores do setor industrial e trabalhadores do setor público. Isso é bom porque a reforma da Previdência e a reforma trabalhista com certeza pode trazer prejuízo a todos nós. Às 10h, entregaremos as pautas do metalúrgicos e dos químicos, faremos o nosso debate e daremos continuidade com os servidores públicos. Essa unidade é fundamental porque se o governo nos chama para negociação, só tem força quem tem organização lá embaixo, nos locais de trabalho”.

    Portal CTB

  • Em reunião, centrais comemoram #OcupeBrasília e apontam nova greve geral para junho

    As centrais sindicais (CTB, CUT, UGT, Nova Central, Força Sindical, Intersindical, CGTB, CSB, CSP-Conlutas) se reuniram nesta segunda-feira (29) na sede da CTB Nacional para debater os próximos passos na luta contra o governo golpista de Michel Temer. Em comum, todas comemoraram a vitória significativa do #OcupeBrasília no último dia 24, e apontaram para a realização de uma nova greve geral.

    A defesa dos direitos sociais e o repúdio às Reformas da Previdência Social e Trabalhista continuam sendo o fio condutor do movimento sindical. Para o secretário-geral da CTB, Wagner Gomes, será possível continuar na unidade de ações enquanto cada central puder convergir nesses dois pontos.

    “A manifestação em Brasília teve papel importantíssimo, os números chegaram ao patamar da grande marcha do MST em 1997. Infelizmente, houve uma repressão desmedida, que impediu a imprensa de cobrir nossas reivindicações, mas a avaliação da CTB é que o ato teve uma função política essencial, dando um novo baque no governo”, avaliou. “As centrais, mais uma vez, tiveram um papel de liderança, e isso nos impõe a responsabilidade de continuar pressionando contra essas reformas”.

    Já para o vice-presidente da CTB, Nivaldo Santana, a reunião serviu para demonstrar a unidade dos movimentos trabalhistas: “Todas as centrais saudaram a vitória retumbante em Brasília, com a maior marcha já vista na cidade. Do ponto de vista da continuidade, a principal resolução foi a da realização de uma nova greve geral, a depender dos presidente das centrais. As grandes bandeiras serão novamente o Fora Temer e a defesa dos direitos dos trabalhadores”. Ouça a avaliação completa de Nivaldo:

    Todos os representantes lamentaram a grande violência cometida contra Carlos Geovani Cirilo, aposentado de 61 anos, que foi atingido por um tiro de arma de fogo da PM e está em estado grave. Ele passará por cirurgia para reconstruir o maxilar. As centrais estudam as ações legais específicas contra a PM.

    Ao final da reunião, foram definidos seis encaminhamentos unitários:

    1. Continuará a luta pelo Fora Temer, impulsionada sobremaneira pelas revelações recentes de corrupção ligadas diretamente à figura do presidente;
    2. Uma nova greve geral de 24 horas será organizada para o período entre 26 e 30 de junho, a definir;
    3. Será editado um novo jornal unitário de 4 páginas, para distribuição gratuita em todo o Brasil;
    4. Continuarão as manifestações independentes nos estados, com as mesmas pautas;
    5. Foi aprovada uma Nota de Repúdio unitária contra a violência que matou 10 trabalhadores rurais no Pará;
    6. As centrais se reunirão novamente na próxima segunda-feira, 5 de junho, para ajustar o plano de mobilização do próximo período. O encontro será na sede da Nova Central, Rua Silveira Martins, 53, às 10h da manhã.

    O que dizem as outras centrais

    João Carlos “Juruna” Gonçalves, da Força Sindical: “A força que tivemos em Brasília só foi possível, em primeiro lugar, porque nós conseguimos criar uma pauta que fosse confortável para todas as centrais, contemplando diferentes opiniões. Nós conseguimos superar o número de pessoas esperado para Brasília, e isso deu continuidade para um movimento que vem sendo construído desde o início do ano. A luta unitária foi possível porque há consenso contra as Reformas do Temer.”

    Ubiraci Dantas, CGTB: “Eu queria parabenizar a todos os companheiros pelas mobilizações recentes - em todos os meus 65 anos, 40 de sindicato, eu nunca vi uma coisa dessa dimensão. Muita gente não acreditou na greve geral, e ela saiu linda daquele jeito. Isso deu um salto de qualidade na nossa luta, porque travou as Reformas. Mas isso aconteceu primeiramente pela força do Fora Temer, porque é ele que está tentando levar adiante essas propostas. 90% dos brasileiros querem esse energúmeno fora do governo, e isso unifica o país. É por isso que os caras lá querem fazer as eleições indiretas, e isso vai incendiar o país!”

    José Calixto Ramos, Nova Central: “Nós vamos processar formalmente o governo pelo uso de munição real e repressão desnecessária na manifestação de Brasília. E acusamos também a imprensa, que em nenhum momento visitou as barracas ou nos perguntou sobre nossas reivindicações, mas apareceu para registrar o caos. A questão do Fora Temer, na minha opinião, é uma questão superada, porque este governo já caiu. As delações que vimos recentemente colocaram o presidente em uma situação de crise, então a questão das Diretas Já é o que devemos perseguir”.

    Luiz Carlos “Mancha” Prates, CSP-Conlutas: “Gostaria de parabenizar a nossa capacidade de caminhar juntos, mesmo diante de certos desentendimentos - como foi lá no início, por exemplo, quando algumas das centrais acharam que poderiam negociar as reformas, e outras não. Foi com esse espírito que nós fizemos o #OcupaBrasilia, que aconteceu depois da vitoriosa greve geral do dia 28. E nós fomos lá para protestar de verdade, não foi um passeio, e isso resultou numa reação exacerbada do governo, com a selvageria do Exército. Mas o que a população está falando? Está tudo mundo junto querendo se colocar contra o governo, e o movimento sindical não pode parar. Nós achamos que é preciso anunciar outra greve, porque eles vão mudar o governo mas vão manter a Reforma Trabalhista, manter a Reforma da Previdência, e os ataques vão continuar.”

    Sérgio Nobre, CUT: “Quem duvidava da nossa capacidade de fazer luta não tem mais o que dizer. É claro que existiram problemas, mas isso não tira o brilhantismo do ato. É triste que a imagem que se propagou foi a da molecada jogando pedra e a polícia reprimindo, pois o que a gente queria era ter os manifestantes na Esplanada exigindo direitos. A CUT não acredita em manifestações violentas. Sobre os próximos passo, vai depender de como as coisas vão andar no Congresso. É importante já preparar novas ações, que podem culminar na realização de outra greve geral, mas é preciso apontar para a construção da greve. A data em si é móvel, pois depende das ações dos parlamentares.

    Ricardo Patah, UGT: “Foi um ato cívico de uma importância sem precedentes. Foi uma marcha muito importante, e que demonstrou a indignação dos brasileiros. Mas a ação daqueles jovens dos black blocs me preocupou, porque trouxe um problema grave. Eles avançaram para cima da polícia, e a polícia mal preparada reagiu daquele jeito. Porque na cabeça da população está que o movimento sindical foi lá pra fazer isso, e que a marcha foi apenas um pretexto. Nós todos vimos, foi uma coisa triste. A imprensa ajuda nessa compreensão distorcida. Para eles, tudo o que está sendo feito é só uma questão do imposto sindical, como se nós só nos importássemos com isso.”

    Ricardo Saraiva Big, Intersindical: “Todas as centrais estão de parabéns, foi uma manifestação bem organizada. Sobre os black blocs, eu queria dizer que ali havia uma orientação do governo para reprimir. No dia 28, foi a mesma coisa, e eu posso dizer que os companheiros portuários não fizeram absolutamente nada e o pau comeu do mesmo jeito. Quando o governo está acuado, ele age como bicho, pula pra lá e pra cá. É fundamental que as centrais tirem uma nova data para a realização da greve geral, porque é assim que a gente vai pressionar pelas Diretas Já. Esse governo já caiu, o que eles estão organizando é uma eleição indireta, inclusive colocando um banqueiro como presidente. Lá na Baixada Santista, esse presidente nefasto conseguiu unificar todas as centrais no 1º de Maio, até com os movimentos mais sectários.”

    Antonio Neto, CSB: “Eu fiquei assustado com o aconteceu em Brasília. Nós vamos responsabilizar a Polícia Militar do Distrito Federal pelo ocorrido, porque foram eles que isolaram o local, foram eles que revistaram as bolsas dos trabalhadores, então se passou gente com arma na mochila, é porque eles deixaram. E tem também o uso de arma letal. Nós vamos processar a PM. E nós temos que fazer também uma autocrítica, não podemos deixar isso acontecer novamente. Por outro lado, isso serviu para liberar uma energia na população, e daqui a pouco será o Brasil inteiro que vai ficar assim. Qual é o próximo passo? Acho que é fazer outra greve geral, que comece com os transportes e cutuque trabalhadores e não trabalhadores, estudantes, todos.”

    Portal CTB

  • Frente à ameaça de greve, Prefeitura de São Paulo decide manter cobradores empregados

    Chegou a um aparente acordo a longa batalha travada entre o Sindicato dos Motoristas e Trabalhadores em Transporte Rodoviário Urbano de São Paulo e o prefeito da metrópole, João Doria. Nesta segunda-feira (22), depois de uma reunião no Tribunal Regional do Trabalho, patrões e empregados finalmente decidiram manter a categoria dos cobradores de ônibus empregada.

    Desde que Doria afirmou à imprensa que iria "acabar gradualmente" com a categoria de cobradores no município, os trabalhadores do transporte passaram a denominá-lo de "traidor". Os protestos crescentes culminariam em uma greve prevista para esta quarta-feira (24), concomitante ao #OcupaBrasília. Com a nova proposta, a paralisação foi adiada até que uma assembleia decida se aceita os novos termos.

    "Estamos fazendo enfrentamento com o patronal do transporte que é ruim de conversa, ainda vive no século passado, com estratégia 'manjada' de fazer corpo mole e empurrar com a barriga as negociações", escreveu a entidade em seu site oficial. "Quando a categoria colocou em execução o Plano de Lutas, os empresários de ônibus correram para pedir ajuda à Prefeitura que até, então, se mantinha de braços cruzados, sem querer se envolver. Chegamos no nosso limite".

    Segundo o sindicato, a Prefeitura de São Paulo se comprometeu não só a manter os cobradores no sistema de transporte, como também aumentar a oferta anterior de correção salarial, de 3,26%, para 4%. Além do reajuste, foram garantidos aumento de 7,3% no ticket refeição e aumentos nos subsídios para seguro médico e odontológico.

    Atualmente, a cidade de São Paulo emprega 19 mil cobradores, cujo salário médio não passa de R$ 1,5 mil.

    Portal CTB

  • Funcionários da USP entram em greve por tempo indeterminado; estudantes apoiam

    Em assembleia em frente à reitoria do Universidade de São Paulo, o Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp) decidiu na manhã desta quinta-feira (5) iniciar uma greve por tempo indeterminado. Os trabalhadores da universidade decidiram por cruzar os braços na companhia de estudantes, de que se mostraram igualmente favoráveis ao enfrentamento com o reitor Marco Antonio Zago.

    Na pauta, os sindicalistas pedem o reajuste salarial devido do ano de 2016, baseado em cálculos do DIEESE, além de uma reposição de 3% por perdas anteriores. Além da disputa da daba-base, a categoria se coloca contrária à entrega do Hospital Universitário ao Hospital das Clínicas, à terceirização dos restaurantes da cidade universitária, ao fechamento das creches e à extinções de funções essenciais para a manutenção do campus. Exige também a contratação de novos funcionários, cujos números vêm diminuindo.

    A pauta unificada já foi protocolada na reitoria e contou, na ocasião, com um grande ato público de funcionários e estudantes. A indignação dos funcionários e estudantes da USP era expressa em cada fala. Estavam presentes também os estudantes e professores da Escola de Aplicação, que sofrem com a falta professores, assim como materiais primários.

    Perseguição ao sindicato

    O reitor Zago tomou diversas atitudes, desde o início do ano, para cercear a manifestação dos funcionários da USP. Indicado a dedo pelo governador Geraldo Alckmin, o reitor inicialmente proibiu o Sintusp de espalhar faixas e cartazes pela cidade universitária. Meses depois, já sofrendo oposição severa dentro do campus, moveu 3 processos judiciais diferentes contra diretores do sindicato e, em seguida, emitiu ofício notificando que o Sintusp deveria abandonar sua sede (espaço que ocupam há 50 anos), ameaçando medidas judiciais de reintegração de posse no caso de descumprimento.

    Mais recentemente, implantou bloqueios em todas as vias de acesso à reitoria com caminhões pipas, ônibus e viaturas.

    Com informações do Sintusp

  • Governo Bolsonaro cria atalho para desmonte da Previdência Social

    A equipe econômica do governo Jair Bolsonaro cria atalho e avança com o desmonte da Previdência Social. De acordo com informações o atalho se concentra da regra de transição de 10 a 12 anos.

    Ainda que seja menor que os 21 anos da proposta de Michel Temer, a reforma em estudo é mais dura. E ainda não há um cálculo do impacto financeiro da proposta em formulação pela equipe do ministro da Economia, Paulo Guedes.

    No modelo traçado pela equipe de Guedes, o regime do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) e o sistema previdenciário dos servidores públicos teriam, após 12 anos, as mesmas regras de idade mínima.

     

    Fevereiro

    A expectativa no governo é que o texto final seja enviado ao Congresso na primeira quinzena de fevereiro. 

    Portal CTB - Com informações da Folha de São Paulo

  • Governo Bolsonaro estuda cortar abono salarial

    O governo quer cortar R$ 266 bilhões das contas públicas até 2022. Para isso, estuda medidas que atingem em cheio o brasileiro. Uma das propostas prevê restringir o pagamento do abono salarial. 

    O salário mínimo também está na mira. A intenção é fixar nova regras para o reajuste, apenas com a correção da inflação. Não custa lembrar que a política de valorização criada pelo ex-presidente Lula garantiu aumento real de 76% entre 2003 e 2015 para milhões de trabalhadores.   

    Não é só isso. Enquanto o topo da pirâmide social faz a festa, o governo estuda congelar os reajustes salariais do funcionalismo público. Sem falar na reforma da Previdência por capitalização, uma iniciativa já fracassada em outros países e que empobrece a população. Só madeirada no cidadão. 

    Fonte: Seeb Bahia

     

  • Greve na saúde: dirigente sindical da CTB-RJ é alvo de ameaças em Duque de Caxias

    Márcia Carvalho (foto abaixo), dirigente da CTB Rio de Janeiro e diretora do Sindicato dos Técnicos e Auxiliares de Enfermagem de Duque de Caxias (Sintraxe-DC), foi alvo de ameaças após assembleia de greve da categoria realizada no último dia 25 de julho. A cetebista teve sua integridade ameaçada por uma pessoa não-identificada por conta de ser uma das lideranças do movimento grevista do município.

    A greve dos profissionais da saúde foi deflagrada no último dia 10 de julho após a prefeitura não cumprir o acordo registrado em juízo com os servidores. Os trabalhadores e trabalhadoras da saúde de Duque de Caxias, em uma frente ampla com participação de todos os sindicatos, decidiram por entrar em Greve. Comunicaram ao poder público e aos Conselhos de Categoria e iniciaram a luta.

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    Durante esse processo, muitas denúncias foram feitas sobre o descaso com as saúde no município ao Cremerj e ao Coren, com destaque para os casos de assédio moral no Hospital Municipal Moacyr do Carmo. Um caso que gera insatisfação na categoria e que foi registrado por escrito junto à Secretaria de Saúde e ao COREN.

    Foi produzido um documento na qual solicitamos esse documento que foi negado pelo jurídico da saúde. Não sei se foi encaminhado ao COREN como manda o código. A Greve se estende até hoje com a realização de assembleias semanais e chegou ao ponto em que ameaças à integridade dos servidores foram proferidas, como denunciou a cetebista Márcia Carvalho:

    “Numa assembleia, em 25 de julho, no Hospital Moacyr do Carmo, nós recebemos uma ameaça contra minha integridade física. Não qualificamos a pessoa, não conseguimos identificar a pessoa, pois não tinha identificação porque não era servidor. Não sabemos se partiu do âmbito do governo ou se foi algum tipo de assessor mais afoito ou alguém querendo mostrar serviço. Não sabemos de onde partiu e se vai ter efeito ou não. Não sabemos se foi só uma ameaça contra nossa correta militância na cidade.”

    A CTB repudia toda e qualquer ameaça à trabalhadores na luta pelos seus direitos. Por orientação da Central, Márcia registrou a queixa nos órgãos competentes e tem todo apoio da nossa entidade para expor a truculência daqueles que querem acabar com a luta dos trabalhadores. O presidente estadual Paulo Sérgio Farias gravou um vídeo em que repudia a ameaça e declara seu apoio continuado às causas da classe trabalhadora:

    Depois de mais de 5 pedidos de reunião, a Prefeitura acena com uma abertura de negociações. Segundo Márcia, os trabalhadores deixam claro que ela só irá adiante se atender a todas as categorias:

    “O fato e o ato ilícito foi cometido pelo governo: não pagamento, não cumprimento do acordo. Nós não aceitamos desconto de dias de greve. Nós não entramos em greve para receber em partes. Entramos em greve como Frente da Saúde. Não basta pagar uma categoria e não pagar outra: todos têm que receber.”

    Da CTB-RJ

  • Lideranças propõem comissão em Brasília contra demissões nas montadoras

    Na tarde desta sexta-feira (24), os trabalhadores da General Motors em São Caetano do Sul saíram em passeata para exigir a reintegração dos 550 demitidos, entre eles 20 funcionários que possuem estabilidade. Saindo do acampamento que ocupam há cerca de duas semanas, pelo menos 200 pessoas caminharam em direção à Câmara Municipal do município, onde foi feito um ato de protesto.

    Lideranças de centrais sindicais, partidos políticos e movimentos sociais compareceram ao ato em solidariedade aos trabalhadores demitidos. Entre os presentes estavam o deputado federal Orlando Silva (PCdoB-SP), o presidente da CTB-SP, Onofre Gonçalves, e Marcelo Toledo, secretario de Formação da FIT-Metal.

    “A GM esta fazendo isso tudo com o objetivo de aumentar seus lucros. Não há motivo algum para demitir seus trabalhadores - mesmo depois do lançamento do Programa de Proteção ao Emprego, ela demitiu seus trabalhadores, então fica claro que o que ela quer é reajustar os seus monstruosos lucros, dispensando seus traabalhadores como faria com o bagaço de uma laranja”, denunciou Gonçaves. “Se o país esta com dificuldades, se ela esta com dificuldades, ela que chame os trabalhadores para conversar. O dinheiro que foi dado à GM não é brincadeira, nós sabemos o quanto eles ganharam, isso é público. Nós não vamos sair da rua, precisamos ampliar esse movimento, a CTB esta disposta a isso e vamos garantir que eles sejam reintegrados”, continuou.

    O deputado Orlando Silva também denunciou o oportunismo da montadora: “Não demorou um dia para que a GM demitisse seus trabalhadores depois que o governo anunciou o Programa de Proteção ao Emprego. Mas quando o governo anunciou os subsídios para as montadoras, em anos anteriores, tudo o que eles fizeram foi embolsar esse dinheiro e mandar remessas ao exterior”. Em seguida, propôs uma solução: “Precisamos fazer uma comissão com quem sente na pele o preço dessas demissões e ir para Brasília para revertermos essa situação”.

    Toledo, FIT-Metal, concordou, e acrescentou: “As montadoras ganharam dinheiro aos burros às custas desses trabalhadores, mas basta surgir uma crise, por menor que ela seja, e somos nós que pagamos a conta. Nós não queremos muito. Queremos apenas um pedacinho desse dinheiro, para que possamos manter nossos empregos, nossas famílias, nossos sonhos”.

    A GM aumentou o lucro em 302% no segundo trimestre deste ano, de acordo com o relatório financeiro publicado na última quinta-feira (23). Ela informou que teve lucro líquido de US$ 1,117 milhão no período, quase 302% mais que no mesmo espaço de tempo em 2014, graças à recuperação dos mercados americano e chinês. A montadora chegou a ultrapassar a Ford no ano passado, em termos de faturamento.

    Luta histórica

    A mobilização em frente à GM dura 13 dias, mas já é histórica - é a primeira vez que um movimento de trabalhadores acampa na frente da fábrica. Cerca de 150 profissionais se revezam em 20 barracas e não têm planos de levantar acampamento até que a empresa sinalize com a abertura de negociações. O último registro que se tem data de 1985, quando funcionários acamparam dentro das dependências da empresa em protesto salarial.

    Na última terça-feira (21), o grupo protocolou uma carta com pedido de reintegração dos demitidos à GM, mas a montadora disse apenas que “estabeleceu que parte da produção do complexo industrial de São Caetano seria interrompida”, em acordo com o sindicato da categoria. A inação do sindicato deu margem à revolta dos demitidos, levando muitos dos acampados a gritar “Cadê o homem do emprego?!” ao longo da passeata, em referência a Aparecido Inácio da Silva, o “Cidão”, vereador de São Caetano e presidente do Sindicato dos Metalúrgicos da cidade.

    Por Renato Bazan - Portal CTB

  • Metalúrgicos do Rio de Janeiro comemoram 100 anos de sindicato com o presidente da CTB

    O Sindicato dos Metalúrgicos do Rio de Janeiro comemorou, neste sábado, o centenário de criação da entidade, e recebeu em sua festa o presidente da CTB, Adilson Araújo. Fundado em 1º de maio de 1917, o sindicato foi homenageado nesta semana em uma sessão solene na Câmara dos Deputados, em Brasília, e com a Medalha Pedro Ernesto, da Câmara de Vereadores do Rio. No dia 25, eles receberão a Medalha Tiradentes, na Alerj.

    O Sindimetal ainda prepara um documentário para o final deste ano, sobre os seus 100 anos de luta.

    O presidente do Sindicato, Jesus Cardoso, acredita que esse ano será especial para a entidade, porém ressalta que 2017 terá também muita luta e enfrentamento, principalmente com o atual governo federal, que tem retirado direitos dos trabalhadores com a reforma trabalhista e da previdência e a terceirização desenfreada.

    Leia também: 100 anos de Sindimetal-Rio: uma história de luta em defesa da classe operária e do Brasil

    “Vamos nas ruas e nas fábricas organizar os trabalhadores para enfrentar o retrocesso. Nossa categoria tem um histórico de mobilização e, com certeza, estará na linha de frente das batalhas em defesa do emprego, do desenvolvimento e da construção de um país de igualdades”, declarou.

    Portal CTB

  • Na Plenária da CTB, Adilson Araújo reflete: “É fundamental dar uma resposta unificada”

    Aconteceu nesta quarta-feira (12), no Sindicato dos Oficiais Marceneiros de São Paulo, a Plenária da CTB Nacional e da CTB/SP em preparação à greve geral do dia 28 de Abril. Além das articulações para o ato, foram também discutidas as Reformas Trabalhista e Previdenciária, bem como as estratégias de para enfrentar o governo golpista de Michel Temer.

    Além dos sindicalistas cetebistas, estiveram presentes companheiros de dezenas de entidades, incluindo a Nova Central e o PCdoB-SP. Falando na mesa, representantes femininas do Sindicato dos Trabalhadores da Educação Infantil (Sedin) e da Federação Associações Comunitárias Estado de São Paulo (Facesp) também saudaram o evento com apoio à paralisação do dia 28. Assista a todas as falas da mesa abaixo:

    O presidente da CTB-SP, Onofre Gonçalves, foi o responsável pela mediação da mesa, e fez uma curta fala de abertura, conclamando os presentes a participarem da organização do dia 28. "Sem a atuação de cada companheiro, eles não vão pensar duas vezes antes de seguirem tirando os nossos direitos. É isso que a gente tem que fazer agora: botar o povo na rua e não dar trégua para aqueles bandidos".

    Ele passou a fala para o presidente da Central de Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil, Adilson Araújo, que fez a fala principal da mesa. Ele fez uma análise da conjuntura nacional com foco nos ataques aos direitos já garantidos pela Constituição de 88, e não poupou críticas aos parlamentares que a estão ignorando. “Eu estava falando hoje com a companheira Nara, de Brasília, e ela me falou que nunca viu algo tão declaradamente nefasto quanto o que está sendo apresentado hoje. É preciso levar isso para os trabalhadores, que a política desenvolvida pelo governo Temer é um ataque ultraliberal do capital contra o trabalho”, disse Adilson, exasperado. “A terceirização, por exemplo, é a tentativa de sepultar a CLT e as obrigações patronais. A situação de hoje, como está, já é bem ruim: nós somos campeões no trabalho escravo moderno, somos o quarto país com o maior número de acidentes de trabalho, e a gente sabe que a terceirização contribui em muito para essas coisas. E não achem vocês que eles vão se dar por satisfeito quando eles terminarem, eles vão continuar tirando direitos enquanto puderem”, alertou.

    Para Araújo, a obrigação das centrais, agora, é conseguir manter a luta sindical enquanto fazem o enfrentamento institucional, inclusive com um diálogo franco com os setores mais conservadores da sociedades. “Os direitos deles são os nossos também, não tem distinção. À luz dos 100 anos da greve geral de 17, nós temos uma obrigação de fazer uma mobilização ainda maior que aquela. É por isso que eu digo: o Abril de Lutas é fundamental nesse momento, é preciso dar uma resposta”, conclamou.

    Luiz Gonçalves, o “Luizinho” da Nova Central, falou sobre a greve geral. Para ele, deixou de ser uma pauta exclusiva do movimento sindical. “Estamos todos vendo a população se manifestar nas redes sociais. É um momento muito delicado, que vai exigir de todos os cidadãos e militantes que façam trabalho por seis, mas é possível mobilizar as bases para enfrentar o governo”. Ele criticou duramente “alguns aventureiros no movimento sindical”, que têm mantido diálogo com o governo Temer, e argumentou que eles estão dificultando a mobilização da população. “Não adianta criar uma entidade sindical só para fazer arrecadação, tem que fazer a luta também. Nós da Nova Central estaremos juntos no dia 28, paralisando ruas e fábricas”, concluiu.

    Depois da mesa inicial, duas palestras atravessaram a tarde: uma apresentação sobre a Reforma Previdenciária pelo Dr. Renan Arrais, e outra, sobre a Reforma Trabalhista, com o advogado e assessor jurídico da CTB, Dr. Magnus Farkatt. As falas foram re-exposições dos temas tratados durante a 17a Reunião da Direção Nacional da CTB, que aconteceu também nesta semana.

    Portal CTB

  • O olhar internacional sobre a Previdência e o pedido de unidade e resistência das centrais

    A tarde desta quarta-feira (8) foi o momento para a última rodada de debates do seminário “Reforma da Previdência: Desafios e Ação Sindical”, que acontece no Sindicato dos Padeiros de São Paulo. Ela contou com dois painéis muito diversos: o primeiro, intitulado “Experiências de reforma previdenciária na América Latina”, com especialistas da Organização Internacional do Trabalho (OIT), e o segundo, “Reforma da Previdência: a ação das Centrais”, com representantes de nove centrais sindicais diferentes.

    Anteriormente, outros três blocos trouxeram reflexões sobre a Reforma da Previdência na perspectiva dos setores mais afetados, apresentaram argumentos contrários do ponto de vista acadêmico e levaram especialistas da área para desmontar o mito do “déficit” na Previdência.

    Preocupação internacional

    Na primeira mesa do período da tarde, Fábio Duran, do Departamento de Proteção Social do OIT e especialista na questão previdenciária da América Latina, foi acompanhado por Peter Porschen, diretor da OIT no Brasil, para dar a pesrpectiva internacional sobre a PEC 287.

    Para Duran, a proposta de Reforma da Previdência de Michel Temer é um risco para o desenvolvimento do Brasil, e ignora lições aprendidas por nossos vizinhos. “Até nos países em que a administração desses fundo é privada, como no Chile ou no México, ela não adota esse modelo de capitalização em que as contas são tratadas de forma individual. O que a gente vê nessa proposta [brasileira] é algo que aponta nesse sentido, de tratar a questão da aposentadoria sem a noção de solidariedade que deveria ser a sua base”, disse.

    O especialista explicou que a maior preocupação da OIT é garantir que a Previdência seja mantida de forma viável, mas sem que se sacrifique uma parte da população no processo. “A questão de um ou outro modelo pode ser sempre debatida, porque existe todo tipo de composição na hora de montar o Previdência. Há países em que a maior carga fica para o governo, há países em que o setor privado é que mantém o sistema. Mas é preciso manter os mecanismos que sejam seguros no combate à pobreza, porque o envelhecimento da população pobre também é um problema na América Latina”, disse.

    Ao comentar sobre a proposta de acabar com a aposentadoria rural, fez um apelo: “Mesmo quem não tem nenhuma capacidade de contribuir para o sistema, como as populações rurais e indígenas, precisa ser protegido. É uma discussão que cada país deve decidir de forma soberana, mas eles não podem ficar sem nenhum tipo de proteção”.

    Peter Porschen fez um discurso menos apaixonado, mais preocupado com a saúde do sistema. Repetiu em mais de uma ocasião que estava surpreso com a abrangência atual da Previdência Social: “O tratamento privilegiado que os idosos têm no Brasil foi uma grande surpresa para mim, é preciso lograr uma reforma justa e equilibrada, que preserve isso. Isso deve ser uma decisão de toda a sociedade, ela deve dizer o que quer, porque é mais do que uma discussão de despesas, a Previdência tem valor social”.

    seminario acao sindical previdencia mesa oitA mesa da OIT foi feita de forma parcialmente remota: Fábio Duran (no telão) falou direto de Genebra, enquanto Peter Porschen (à esquerda) compareceu em pessoa (Foto: Renato Bazan/CTB)

    Ele criticou duramente a PEC 287 em sua essência autoritária, que viu a cúpula do governo agir à revelia dos brasileiros. A proposta atual teria um vício de origem incorrigível: ao só levar em conta o caráter fiscal, de contenção de despesas, ela ignoraria os custos indiretos que uma quebra tão profunda colocaria sobre outras áreas, como a assistência social no campo, onde muitas das pensões deixarão de cobrir os gastos mínimo de subsistência. “Achamos que é preciso seguir a Convenção 102 da OIT [Normas Mínimas de Seguridade] e achar alternativas às restrições que estão sendo propostas, de forma que o diálogo continue. Coisas como a PEC 55 não podem ser aprovadas sem o consenso da população”, analisou.

    A união pela dor

    A última mesa do dia foi a das centrais sindicais, com muito mais membros que as outras. No total, foram 10 pessoas - nove representantes das centrais e um mediador do DIEESE. CTB, CUT, Força Sindical, UGT, CGTB, CSB, Intersindical, NCST e Conlutas mandaram uma mensagem conjunta bastante emocionada: ou os trabalhadores reencontram o sentimento de união pelo medo de perder suas conquistas, ou a derrota estará certa.

    “O primeiro passo da resistência deve ser convencer a população. As centrais organizaram muitas passeatas o ano passado, e precisamos fazer ainda mais, mas o governo não vai acreditar na nossa força se a gente não fizer uma paralisação geral. É preciso articular isso de forma correta, porque isso não se faz de um dia para outro, mas a CTB está presente nessa luta para o que for necessário”, disse o presidente da CTB-SP, Onofre Gonçalves, representando a Central de Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil.

    A dirigente Graça Costa, da CUT-CE, aproveitou o clima propositivo da discussão para propor duas ações diferentes ao movimento sindical: primeiro, no dia 8 de março, a adesão aos movimentos feministas nas comemorações do Dia da Mulher, numa mobilização nacional em defesa dos direitos previdenciários femininos (que serão muito mais prejudicados). Em seguida, no dia 15, a adesão dos trabalhadores sindicalistas à greve na educação organizada pela CNTE e pela Fasubra.

    seminario acao sindical previdencia onofre goncalvesO presidente da CTB-SP, Onofre Gonçalves, discursa durante da mesa da centrais (Foto: Renato Bazan/CTB)

    Ela sugeriu que o movimento sindical retome o diálogo com a população em nível municipal e nos locais de trabalho, ampliando o máximo de contato com os trabalhadores. “Nós não temos a Rede Globo para fazer essa batalha, nós só temos a nossa língua, a nossa fala, o nosso contato com a classe trabalhadora”.

    O secretário-geral da Força Sindical, João Carlos Gonçalves “Juruna”, reafirmou o desejo de enfrentamento ao governo Temer, e pediu que as centrais não abandonem a atuação dentro do Congresso Nacional. “A gente tem que levar em conta que tudo o que está sendo feito é pelas mãos de um Congresso dentro da lei, eleito pela população. A gente pode até discutir se a lei eleitoral é boa, mas não dá pra agir como se eles não pudessem fazer isso, porque eles podem até votar contra nós no futuro. Nós precisamos contar com os nossos parlamentares lá dentro para apresentar contrapropostas, e dar voz para essas pessoas”.

    O discurso mais exaltado de todos foi o de Ricardo Saraiva Big, secretário de Relações Internacionais da Intersindical. Para ele, não há a menor possibilidade de negociação com Michel Temer e sua base parlamentar corrupta. “Nós sindicalistas temos que ter a compreensão que a luta agora será muito grande, a unidade precisa ser imensa, porque esse governo quer fazer o desmonte do próprio Estado brasileiro. O que vai acontecer no campo vai aniquilar a alimentação e a subsistência da população! Nós temos falar com todo mundo, com os movimentos sociais, estudantes, com a população, construir uma greve geral neste país!”, declarou.

    Ele também mencionou a data 15 de março como um possível início para as mobilizações mais amplas, e desafiou os presentes a agirem sem demora: “Tem uma grande parcela dos estudantes que já decidiu que vai sair às ruas sem nós, e se a gente não decidir se juntar a eles, então a gente não quer unidade, a gente quer ser derrotado! A gente tem que fazer alguma coisa agora, porque, companheiros, os tanques ainda não estão nas ruas, mas eles podem chegar, e aí a gente vai estar atrasado pra dar uma resposta”.

    Além desses discursos, falaram Ubiraci Oliveira, da CGTB, Cosme Nogueira, da CSB, Raimundo Cocada, da NCST, Luís Carlos Prates, da CSP-Conlutas, e Francisco Pereira, da UGT. A mensagem foi uníssona: é hora de nos unirmos para resistir.

    Por Renato Bazan - Portal CTB

  • Os bancários devem aderir à paralisação nacional

    As bancárias e bancários de todo o país são chamados a engrossar a paralisação nacional que as centrais sindicais estão convocando para março, contrária às reformas da previdência e trabalhista. O cenário político atual, com um governo ilegítimo, fruto de um golpe midiático-jurídico-parlamentar, que tem por determinação desconstruir o Estado brasileiro, liquidar com os direitos sociais previstos na Constituição de 1988, vem trabalhando de forma acelerada com dois objetivos claros: acabar com a aposentadoria dos trabalhadores e retirar direitos trabalhistas.

    O debate sobre ambas as medidas – a reforma da previdência e a reforma trabalhista – partem de um pressuposto equivocado, que tem confundido a maioria da sociedade. Alardeia-se que existiria um rombo na Previdência Social, por isso seria necessário efetivar mudanças no regime de aposentadoria para a grande maioria dos trabalhadores, para que – enfim e milagrosamente – se chegasse a um equilíbrio e pudesse ser honrado o pagamento das aposentadorias. A questão é que, por má-fé, os representantes do mercado (amplamente reproduzido pela grande imprensa para se tornar “verdade”) confundem o financiamento da Previdência Social com o da Seguridade Social.

    A partir da Constituição de 1988, a previdência social passou a englobar, junto com a assistência social e a saúde pública, o Sistema de Seguridade Social, ou seja, um sistema de proteção social, devendo, a primeira, ser financiada pelos trabalhadores e empregadores, além de contribuições sociais (para garantir benefícios a quem não contribuiu efetivamente, mas que fora reconhecido tal direito pela CF); a segunda e a terceira devendo ser financiada pelo Estado brasileiro como o responsável a assegurar a proteção social a seus cidadãos.

    É aí que começam os problemas: o governo federal, desde 1994, com a Emenda Constitucional de Revisão nº 1, desvincula receita da Seguridade Social, inicialmente para a Fazenda Pública através do Fundo Social, e por último através da Desvinculação das Receitas da União, DRU, ou seja, a DRU é um cheque em branco que o governo pode utilizar para qualquer outra coisa que não seja a própria Seguridade Social. É esta desvinculação que tem gerado o déficit na Seguridade Social.

    Levando-se em consideração a relação receita e despesa, sem a DRU, o superávit é de 75 milhões em 2011, de 82 milhões em 2012, 76 milhões em 2013, 53 milhões em 2014 e 24 milhões em 2015, segundo a ANFIP, Associação dos Auditores Fiscais. O montante que o governo federal passou a retirar da Seguridade Social é da ordem de 20% da sua receita, nos últimos vinte anos, para ser utilizado livremente (a PEC 87/2015 garante a DRU até 2023).

    A outra mentira que tentam passar por verdade é a de que a legislação trabalhista brasileira é anacrônica, portanto, necessitando de uma “modernização”. Esta mentira, inclusive, vem associada a outra: a de que o desemprego elevado no Brasil é fruto dessa legislação. O que eles prometem é que ao resolver a primeira questão (a legislação) se geraria todos os empregos necessários. Uma boa parte da perda de postos de trabalho está relacionada com a profunda crise internacional do capitalismo, que reduziu a demanda por produtos primários, as chamadas commodities, já que o país vem perdendo seu parque industrial e reprimarizando sua economia.

    Uma outra ordem de problemas está relacionada com a Operação Lava Jato que paralisou as atividades empresarias das duas maiores redes de emprego: a Petrobrás, que representa 13% do PIB, e a Construção Civil, que gerava milhares de postos de trabalho.

    Portanto, não é uma suposta reforma da previdência, que eleva a idade mínima para a aposentadoria, ou a reforma trabalhista, que rasga a CLT, que iriam resolver o problema do descasamento financeiro da Seguridade Social ou do aquecimento da economia. É o contrário. É respeitar a Constituição Federal no que se refere à redução das desigualdades sociais e promoção do bem estar, e estimular a economia assumindo o papel de indutor do desenvolvimento.

    A preocupação dos trabalhadores não deve ser a de abrir mão de sua legislação protetiva para o trabalho em função de gerar mais emprego. Tal medida não é da responsabilidade da classe trabalhadora. O Estado brasileiro tem prerrogativas para a dinamização da economia: redução da taxa de juros do Bacen, edição de política industrial, dinamização de cadeia industriais produtivas, reforma tributária progressiva, investimento em infraestrutura para logística, dentre tantas outras.

    Além do mais, esta mesma legislação que é demonizada, vem sendo desrespeitada desde a década de noventa, quando os governos neoliberais Collor e FHC, implementaram uma série de medidas que salvar o mercado de trabalho. Flexibilização de contratos de trabalho, terceirização generalizada, precarização do trabalho foram implementados, de forma desavergonhada, por todo esse período, e não se gerou empregos que pudessem garantir seu sucesso. Por último, exigem uma “nova formula”: a primazia do negociado sobre o legislado, ou seja, se alteraria a Constituição Federal, retirando o caráter garantidor da legislação protetiva do trabalho, para se estabelecer em seu lugar que qualquer negociação entre as partes poderia substituir o patamar mínimo consolidado até a presente data.

    É nesse cenário de possibilidades de grandes retrocessos para todos os trabalhadores e trabalhadoras, com a retirada de direitos conquistados com muita luta, que a categoria bancária é chamada a se incorporar às jornadas de luta.

    Pela sua longa experiência de organização – são mais de trinta anos de greves nacionais que tornaram a categoria bancária uma das mais mobilizadas do país – os bancários e bancárias devem colocar-se ao lado de outros trabalhadores e trabalhadoras, como os professores públicos da CNTE e da rede privada da CONTEE, dos rurais, dos metalúrgicos, dos petroleiros, e demais. Os combativos sindicatos de bancários do país devem organizar suas bases da mesma forma que se organizam para a campanha salarial: devem chamar assembleias para discutir com as bancárias e bancários as formas de demonstrar a contrariedade com a reforma previdenciária e trabalhista; devem utilizar de suas estruturas de comunicação para propagandear a Paralisação Nacional convocada pelas centrais sindicais para a segunda quinzena de março. As organizações de coordenação da categoria bancária, a CTB Bancários, a Contraf, a Contec, o Mnob, o Fnob, devem construir espaços conjuntos para impulsionar manifestações conjuntas.

    O momento exige, vamos à luta.

    Eduardo Navarro é vice-presidente da Federação dos Bancários da Bahia e Sergipe e coordenador da CTB - Bancários


    Os artigos publicados na seção “Opinião Classista” não refletem necessariamente a opinião da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e são de responsabilidade de cada autor.

  • Pochmann: desafio da atualidade é atrair trabalhadores de serviços a manifestações e à política

    Segundo algumas lideranças políticas vinculadas a setores democráticos brasileiros, há uma questão crucial que desafia os movimentos de esquerda diante das manifestações contra o impeachment da presidenta Dilma Rousseff. Trata-se da mobilização do proletariado e da classe trabalhadora. Um dos coordenadores da Frente Brasil Popular, Roberto Amaral está entre os que têm defendido a necessidade de refletir sobre a dificuldade de mobilizar os trabalhadores, embora julgue que a participação da CUT e da CTB na luta contra o golpe e sua integração com movimentos sociais e partidos seja “muito produtiva” na conjuntura atual.

    “O problema é que estamos com dificuldade de mobilizar os trabalhadores e as grandes massas. Temos feito mobilizações com presença preponderante da classe média”, diz. “Nós não estamos conseguindo falar com as massas, as principais vítimas do novo governo. Ela continua arredia.”

    A questão é mais complexa quando se sabe que se trata de uma questão estrutural da economia do país, e que é um fenômeno mundial. Para o economista Marcio Pochmann, a economia está cada vez mais assentada no setor de serviços, composto por um conjunto de trabalhadores diferente da classe que ascendeu com a revolução industrial.

    “Os trabalhadores de serviços têm uma característica muito diferente dos trabalhadores industriais tradicionais. Eles não mais se submetem à hierarquia de organização tradicional. Seus movimentos de maneira geral são horizontalizados. A estrutura de organização da velha classe trabalhadora se baseava numa estrutura hierarquizada de organizações, como é o caso dos sindicatos, associações e partidos.”

    Presidente da Fundação Perseu Abramo, Pochmann diz que essa nova classe trabalhadora, além de ter uma organização horizontal, revela também uma contradição. “Ao mesmo tempo em que essa classe aumentou, por outro lado, esses trabalhadores são submetidos a um grau de exploração muito maior. Mesmo assim, as instituições tradicionais (como sindicatos) não conseguem incorporar esses segmentos. Em parte porque não conhecem muito bem os seus anseios.”

    Segundo economista, esse conjunto é difícil de ser organizado, também, porque são trabalhadores de segmentos muito grandes de empresas, principalmente pequenas e médias. “É um desafio que está colocado, não apenas no Brasil, mas no mundo todo. Por isso há um esvaziamento dos sindicatos tradicionais e ao mesmo tempo uma ampliação de uma classe trabalhadora muito mais precarizada.”

    Nesse contexto, os trabalhadores tradicionais perdem participação no total das pessoas que vão às ruas em atos políticos como contra o impeachment. “Não é que eles não podem se organizar, é que não se encontrou ainda uma forma pela qual isso possa ser mais facilmente superado”, avalia Pochmann. Segundo avaliação da Fundação Perseu Abramo, 40% da população “mais ou menos organizada” tem participado das manifestações, contra ou a favor do impeachment, e 60% estão fora.

    Pesquisas

    Um dos problemas é a falta de informação e pesquisa sobre o assunto. Um estudo da economista Vanessa Moraes Lugli junto ao Instituto de Economia (IE) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), abrangendo o período de 2002 a 2012, mostra que a produtividade dos serviços atingiu 50% do valor da indústria, o salário médio chegou a 70% e a massa salarial do setor de serviços alcançou 94% do valor pago na indústria. O volume de emprego, 137%. Em 2007, de acordo com a pesquisa, a produtividade atingia 46,5% da indústria.

    Uma pesquisa realizada pela Fundação Perseu Abramo, sobre perfis das pessoas que participaram das manifestações a favor e contra o impeachment, é reveladora. Ela mostra que 12% dos cidadãos que foram às ruas em 2015 participam de sindicatos (eram 27% em 2015), 26%, do movimento social (24% em 2015) e 11%, de partidos políticos (24%).

    Entre a população que foi às manifestações pelo impeachment, a participação é irrisória. Apenas 2% participam de sindicatos (contra 6% em 2015), 5%, de movimento social (3%) e 2%, de partidos, mesmo percentual do ano passado.

    A pesquisa foi realizada junto ao público presente nas manifestações dos dias 13 e 15 de março de 2015 e 13 e 18 de março de 2016, na Avenida Paulista, em São Paulo.

    Da Rede Brasil Atual

  • Prefeitura de Ibirité persegue organização de professores da cidade

    A tentativa de impedir a organização sindical dos servidores públicos em Ibirité, na região metropolitana de Belo Horizonte, chega no limite da intransigência por parte da prefeitura. Além de processar administrativamente mais de 100 trabalhadores da educação por terem participado de movimento de greve no ano passado, a prefeitura cortou as liberações dos diretores do Sind-UTE subsede Ibirité e promove uma central de boatos para amedrontar e impedir a mobilização da categoria da educação. O caso deverá chegar a Organização Internacional do Trabalho (OIT). A Central dos Trabalhadores e Trabalhadores do Brasil em Minas Gerais (CTB-MG), em conjunto com o Sind-UTE, denuncia as práticas antissindicais e a série de perseguições promovida pelo prefeito Marcio Lacerda (PSB).

    Mesmo com as retaliações, os(as) trabalhadores(as) resistem e lutam contra a retirada de direitos. Nesta quinta-feira (31/03) o Sind-Ute realiza assembleia da categoria com paralisação para exigir imediata negociação com a prefeitura. Os(as) professores(as) se mobilizam e furam o bloqueio promovido pela gestão que impede a entrada do Sindicato nas escolas. Há 4 anos sem reajuste, os(as) trabalhadores da educação exigem aumento salarial de 30%e melhorias nas condições de trabalho.

    Além da pressão para exigir negociação com a prefeitura, o Sindicato acionou o Ministério Público para intervir nos abusos da gestão. Entre as contestações, está a lei sancionada no final do ano passado que aumenta a carga horária dos professores e reduz o salário da categoria. A precarização do trabalho também é questionada pela entidade sindical. De acordo com levantamento feito pelo Sind-UTE, faltam, em média, cinco professores(as) e sete trabalhadores em educação em cada escola. Somam-se a isto um conjunto de descaso que compromete a qualidade da educação em Ibirité. Com a política de desvalorização dos servidores, a prefeitura paga menos que o salário mínimo a trabalhadores da cantina das escolas e mantem salas de aula sem professores.

    Dentro da estratégia de minar a organização dos trabalhadores, a prefeitura cassou a liberação no local de trabalho para impedir que os(as) educadores(as) participem das reuniões do Sindicato. A ação contraria a determinação da Justiça que, em ação impetrada pela própria prefeitura, reconheceu o direito de organização do Sindicato.

    Da CTB-MG

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