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Qui, Jun

Marielle Franco

  • Dia 14 de março de 2018, à tarde. Participo do enterro do Matheus Melo, morto de forma brutal e covarde por policiais militares. Eis que, no enterro, recebo uma ligação: era minha irmã, Marielle Franco. Ela queria prestar solidariedade à família do Matheus.

    Dia 14 de março de 2018, à noite.

    Recebo a notícia de que Marielle e Anderson Gomes foram mortos, de forma brutal e covarde. Ligo para a companheira Mônica do Borel. Do outro lado da linha choro, muito choro. Era a confirmação de um pesadelo: nossa irmã havia sido assassinada. Mas eu custava a acreditar.

    Então liguei para a irmã Paloma Gomes e minha mana atendeu aos prantos. Desmoronei, como se tivesse sido nocauteado. Para me socorrer, restava uma das minhas melhores amigas, irmã que admiro e respeito muito: Mônica Cunha. Mas seu celular estava desligado.

    Não tinha mais o que fazer: era o fim de um sonho. Desabei e chorei. Muito. Como há tempos não chorara. E, assim, o dia 14 de março entrou para a história como o pior dia da minha vida, até então.

    Dia 15 de março de 2018.

    Participo do velamento do corpo de minha irmã na Câmara Municipal do Rio de Janeiro. Mais choros. Que foram confortados pelos abraços de grandes companheiras e companheiros.

    E, enquanto o corpo de nossa irmã não passava na nossa frente, dentro da Câmara Municipal, brados. Muitos brados. Das mulheres e de todos os movimentos por elas representados. Em especial o movimento negro e LGBTs.

    Os brados foram acompanhados, subitamente, por uma estrondosa salva de palmas, que fizeram meu coração tremer – como nunca antes havia sentido.

    Ali eu não só fui invadido por uma explosão violenta de emoção, mas também (ou, sobretudo) tive a certeza que a revolução, no Brasil, somente será possível com as mulheres no comando, o que restou comprovado após os declames de Talíria, Monica Cunha, Mônica do Borel, Flavinha, Monique, Rejany, Paloma, Bell, Andreía, Rose Cipriano, entre outras.

    Aquela explosão trovejante era o indício mais concludente de que a luta, por si só, é – e sempre será – a razão do nosso viver, motivo pela qual – hoje e sempre – somos todos Marielle: presente!

    Marielle, mesmo não tendo graduação em direito, foi a maior advogada que conheci. Sabem por quê? Porque a palavra advogada significa “advocatus, vocatus ad”, ou seja: advogada é aquela chamada a socorrer. Assim era Marielle: pronta para o que der e vier; custe o que custar.

    Por isso, em homenagem à nossa irmã Marielle Franco, bem como a todas ali presentes, que ensinaram aos homens que a revolução somente será possível se os homens lutarem como uma mulher (daí a expressão: Lute como uma mulher!), fiz um pequeno texto, cujo título poderia ser “Apologia de Marielle”, dado que se trata de um texto inspirado na obra de Platão – Apologia de Sócrates.

    Talvez pensem, senhoras e senhores, que poderia ter evitado minha morte se dissesse e fizesse tudo aquilo que eles estão acostumados a ver e ouvir da classe dominante. Longe de mim fazer isso. Eles queriam me ouvir gemer, lamentar e fazer coisas que, insisto, são indignas de mim – coisas que vocês estão acostumados a ouvir de outros.

    Por isso não me arrependo, companheiras, de ter lutado pela defesa do meu povo, mesmo que isto tenha custado minha vida, porque prefiro morrer lutando do que viver como uma covarde.

    Companheiras negras e companheiros negros: não devemos em qualquer lugar, seja ele no Tribunal ou na guerra, deixar o nosso povo sem defesa, mesmo que isso possa custar nossas vidas. Eu sou a prova disso. Jamais deixem que minha morte seja em vão.

    Nas batalhas, é muito comum os homens evitarem a morte depondo suas armas e implorando misericórdia aos perseguidores, mas nós, mulheres, somos diferentes dos homens, porque a covardia é uma palavra que não existe em nosso vocabulário.

    Faço-lhes, por fim, um pedido: não se subtraiam à defesa das causas do povo negro, das mulheres e das causas LGBT. Onde for apurável um grão que seja, de direito, juntem-se a elas. E o principal: lutem sempre como uma mulher; jamais como um homem. Não nos calarão.

    Do seu irmão Djeff Amadeus. Negro com muito orgulho. Saudade, muita.

    Marielle: presente!

    Djefferson Amadeus é mestre em Direito e Hermenêutica Filosófica (UNESA-RJ), bolsista Capes, pós-graduado em filosofia (PUC-RJ), Ciências Criminais (Uerj) e Processo Penal (ABDCONST).

    Os artigos publicados na seção “Opinião Classista” não refletem necessariamente a opinião da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e são de responsabilidade de cada autor.

  • Hoje em dia não resta nenhuma dúvida ao leitor atento que o Brasil está sendo vítima, desde 2013, de um ataque dirigido pelo capitalismo financeiro internacional na sua ânsia de saquear as riquezas nacionais e se apropriar do trabalho coletivo. Mas este ataque não tem as mesmas consequências em todos os lugares. Daí ser fundamental inquirir pela forma especificamente nacional que este ataque assume.

    No Brasil a instituição que incorpora à perfeição o espírito do capital financeiro é a Rede Globo. A mentira tem que ser dita não só como se verdade fosse, mas tem de dar a impressão de ser luta moral e emancipadora. Essa é a sofisticação demoníaca do capital financeiro que a Globo materializa e interpreta tão bem. O ponto essencial é a criminalização da política e das demandas populares com o propósito de legitimar a rapina da população.

    A criminalização da política como forma de possibilitar o governo diretamente pelo “mercado” e sua rapina, teve entre nós eficácia inaudita. Nossa elite já havia produzido, com base na construção de uma imprensa venal e na cooptação da inteligência nacional, como denuncio no meu livro A Elite do Atraso, toda uma interpretação preconceituosa do pais como uma raça de vira latas inconfiáveis e corruptos.

    O lugar institucional da roubalheira do vira-lata brasileiro seria, no entanto, apenas o Estado patrimonial tornado o mercado, raiz e fonte real de todo roubo, o lugar paradisíaco do trabalho honesto e do empreendedorismo. Todo o ataque da rede globo e da lava jato para criminalizar a política foi grandemente facilitado por este trabalho prévio de distorção da realidade, que literalmente invisibiliza os interesses dos donos do mercado aqui e lá fora.

    O outro ponto fundamental nesta estratégia é a suposta superação das demandas por igualdade pelas demandas por diversidade que o capital financeiro internacional defende desde os anos 90. Desse modo se cria não apenas uma divisão artificial nas demandas populares como confere um verniz emancipador ao capitalismo financeiro que, na realidade, passa a poder explorar indistintamente mulheres e homens, negros e brancos, gays e heterossexuais como se defendesse seus interesses. A apropriação da rede globo do assassinato de Marielle Franco mostra as consequências praticas desse engodo.

    Mas a Globo não parou por aí. Criminalizou a própria demanda por igualdade que é a maior causa da cultura do ódio que grassa impune no país. A narrativa da Rede Globo, logo depois assumida pela própria Lava Jato, de tratar o PT como “organização criminosa” e de apenas “fulanizar” a corrupção dos outros partidos, significou rebaixar a demanda por igualdade, que o PT representava, de seu caráter de fim para mero meio de assalto ao Estado.

    Sem a possibilidade de conferir racionalidade política à raiva justa que se sente pela injustiça social, parte do povo cai nas mãos da raiva e da violência em estado puro representada por Bolsonaro e pela onda de assassinatos políticos que grassa no país. Não ver a relação íntima entre a guerra cultural comandada pela rede globo e o clima de ódio e assassinato de lideranças que se alastra no país é cegueira.

    O conluio com a Lava Jato, levando ao Estado de exceção e da suspensão das garantias legais, reforça a sensação de impunidade para a violência e ódio generalizado. O resultado é uma histeria punitivista com moralidade de fachada que promete impunidade para o ódio aberto e assassino. Os ataques com conivência policial à caravana de Lula, o assassinato de líderes do MST no hospital ou a chacina de jovens da periferia são todos consequência da lógica cultural de um capitalismo do saque e da rapina do qual a globo é a expressão máxima entre nós. A série de José Padilha na Netflix, com padrão global de qualidade, é mais um capítulo dessa distorção monumental da realidade.

    O diretor, um boçal com virtuosidade técnica, imagina que compreende o mundo ao chamar de “mecanismo” aquilo que não conhece e nem consegue explicar. Como descaradamente refaz a história com intuito de falseá-la seu oportunismo é leviano e irresponsável.

    Como o conluio Globo e Lava Jato, antes tão dominante, perde credibilidade a cada dia e é percebido crescentemente como braço do neo-colonialismo americano, a escalada de violência explícita tem a marca do desespero e é ai que reside o perigo para toda a sociedade. A batalha no STF adquire importância a partir disso.

    A Globo, como o ministro Gilmar Mendes denunciou, tem também, não só a Lava Jato nas mãos, mas a sua própria bancada no STF, punitivista e moralista de fachada como ela. Ainda que os interesses em jogo nesse embate não sejam de todo transparentes, vale a fórmula fundamental de Brizola: na dúvida sobre qualquer tema, escolha o lado contrário da rede globo.

    Jessé Souza é sociólogo e professor universitário. Foto: Hugo Harada

    Os artigos publicados na seção “Opinião Classista” não refletem necessariamente a opinião da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e são de responsabilidade de cada autor

  • Enquanto os correligionários do ódio espalham fake news no submundo da internet, destilando fel, dois vídeos viralizam para mostrar que ainda somos humanos. Num deles o cantor e compositor paulista Arnaldo Antunes declama emocionado uma ode ao amor e à vida.

    “No coração do Brasil, que tento sentir pulsar ainda entre a luz de Luiz (Melodia) e a treva desse buraco vazio que não pulsa mais no peito”, desabafa Antunes. E segue sua crítica à ignorância do violento exército de quem não sabe o significado da palavra amor.

    “Como explicar a lei da gravidade para quem ainda crê que a terra é plana”, questiona o compositor. Isso em pleno século 21. O Estado Islâmico está morrendo de inveja dos nazistas tupiniquins que querem impor a violência atacando todas as pessoas que pensam.

    Assista ao desabafo emocionado de Arnaldo Antunes 

    Já o professor e historiador Leandro Karnal explica didaticamente que “elogiar a tortura é declarar-se inimigo de Jesus Cristo”. E ainda conta que as “pessoas de bem” da época, torturaram, humilharam, falaram mal e crucificaram Cristo, em nome de Deus. Existe um Deus do ódio?

    Quantas barbaridades vêm cometendo em nome de Deus? Seguidores do candidato do ódio atacam covardemente em bandos pessoas sozinhas, mulheres de preferência, picham frases racistas em universidades e desenham a suástica nazista em clube judeu e a polícia fica na praça “dando milho aos pombos”.

    Preste atenção nas palavras de Leandro Karnal 

    Essas “pessoas de bem” propagam fake news (mentiras) pela internet e já na luz do dia batem, ofendem, agridem pessoas nas ruas. Chegaram a desenhar a suástica nazista na barriga de uma jovem de 19 anos em Porto Alegre e o delegado que investiga o caso ameniza dizendo que é o símbolo do budismo. Em vez de investigar a violência. Ou as pessoas podem atacar as outras por pensar diferente?

    É da lei desenhar à força alguma coisa no corpo de alguém com canivete? Mesmo porque, sete meses depois do assassinato de Marielle Franco e ainda não se sabe quem a matou e muito menos quem a mandou matar.

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    Ouça "A paz", de Gilberto Gil e dissemine a paz 

    Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB

  • A mídia burguesa ignorou por completo, mas o Festival Lula Livre, neste sábado (28), levou aos Arcos da Lapa, no Rio de Janeiro, mais de 80 mil pessoas para gritar a plenos pulmões por Lula Livre e pela restauração da ordem democrática através de eleições limpas em outubro.

    Foram mais de 40 artistas a emocionar o público presente ou que assistia pela transmissão, um tanto quanto precária, da TVT ou online, com as apresentações de grupos, cantoras e cantores, da Venezuela, Argentina e Cuba, além de brasileiros de todos os estilos, idades e regiões, num espetáculo estrelar e único.

    Assista ao Festival Lula Livre completo

    As apresentações musicais eram intercaladas com a leitura de textos sobre a biografia do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso desde 7 de abril pela “inquisição” da Lava Jato, liderada pelo juiz de primeira instância Sergio Moro, biografia da vereadora Marielle Franco assassinada em 14 de abril, sendo que a polícia ainda não conseguiu determinar quem matou e, menos ainda, quem mandou matar Marielle, além de diversos textos lidos com emoção por atrizes a atores em defesa da liberdade.

    Marcante foi ver o veterano ator Herson Capri visivelmente emocionado ao ler uma carta escrita por Lula em agradecimento ao evento. “A gente ainda vai festejar, e muito. A alegria, a liberdade e a justiça de um povo que não tem medo e que não se entrega não”, escreveu Lula, levando a plateia ao delírio.

    As apresentações foram se sucedendo com funk, rap, MPB, samba, rock, tudo bem ao estilo brasileiro amplamente diversificado. A apoteose foi com as apresentações de Chico Buarque e Gilberto Gil, que cantaram algumas canções juntos, dentre elas Cálice, de autoria deles, 45 anos depois de terem sido censurados pela ditadura (1964-1985).

    O cantor e compositor argentino, Bruno Arias cantou: “De pé, cante/que vamos ter sucesso/Avance agora/sinalizadores da unidade”, da canção O povo unido jamais será vencido, de Quilapayún e Sergio El Checo Ortega.

    Quase no final, Jards Macalé cantou Juízo final, de Nelson Cavaquinho. Essa música ilustra também o espírito de resistência necessária para se derrotar o golpe de Estado de 2016. Os últimos versos dizem: “Quero ter olhos pra ver/A maldade desaparecer”.

    No final, Gilberto Gil chamou a cantora Beth Carvalho e juntamente com Chico Buarque começaram a cantar Deixa a vida me levar, de Eri Do Cais e Serginho Meriti. Todos os artistas subiram ao palco e o espetáculo se encerrou com as estrelas brilhando nos Arcos da Lapa, tanto no céu quanto na terra. Esse espetáculo mostra que a unidade das forças populares e progressistas é possível.

    Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB. Foto: Ricardo Stuckert

  • Mais de 100 mil manifestantes em frente à Assembleia Legislativa do Rio

    um dia após o assassinato (Foto: Júlia Gabriela)

    Neste sábado (14) completa-se um mês do assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL) e do motorista Anderson Gomes, no Rio de Janeiro. E até o momento a polícia parece não ter nenhuma pista sobre os responsáveis por esse atentado. "É incrível que a polícia não tenha apresentado ainda nenhum resultado das invetigações. Tudo o que ficamos sabendo é pela imprensa", diz Kátia Branco, secretária da Mulher Trabalhadora da CTB-RJ.

    Diversas manifestações lembrando o crime e pedindo justiça acontecem nas capitais neste sábado. Em São Paulo será em frente ao Masp, a partir das 16h. Os manifestantes não se cansam de repetir "Marielle Vive" para mostrar que a luta da vereadora por um mundo melhor persiste.

    A sindicalista e ativista feminista se refere à reportagem do jornal O Globo, na qual foram ouvidas as duas testemunhas, dispensadas pela Polícia Militar. No domingo (1º), o jornal carioca trouxe informações importantes para a investigação do crime, informações aparentemente ignoradas pela polícia.

    O assassinato de Marielle e seu motorista Anderson criou uma comoção poucas vezes vista no país. Milhares de pessoas saíram às ruas de todo exigindo apuração e punição dos culpados., "Mais do que isso, todo mundo sentiu a morte dela como se perdesse alguém de família, alguém muito próximo. E a certeza de que a impunidade não pode prevalecer", afirma Branco.

    "Segundo as testemunhas, o carro em que os assassinos estavam imprensou o veículo conduzido por Anderson no qual estavam Marielle e uma assessora parlamentar e que quase subiu na calçada. Ambas disseram, também, que só viram um veículo no momento em que foram feitos os disparos. As imagens de câmeras de vigilância sugeriam que dois veículos haviam perseguido o carro em que a vereadora estava", diz a reportagem de O Globo.

    "As testemunhas disseram também que viram um homem negro, que estava sentado no banco de trás do carro dos criminosos, colocando o braço para fora do veículo com uma arma de cano alongado e que o armamento parecia ter um silenciador".

    Assista video sobre Marielle Franco feito por sua assessoria 

    Já Sérgio Ramalho, do Intercept Brasil, ressalta que ocorreram dois assassinatos de supostos envolvidos com as milícias cariocas. De acordo com ele, suspeita-se de "queima de arquivo". Mas finalmente a polícia vai comparar as impressões digitais dos assassinados com "as recuperadas nos cartuchos usados na execução".

    No domingo (8), foi executado Carlos Alexandre Pereira Maria (Alexandre Cabeça), colaborador parlamentar do vereador Marcello Siciliano, do PHS e na terça-feira (10), o subtenente reformado da PM. "Ambos tinham estreita relação com as milícias que tomaram a cidade do Rio de Janeiro. Os paramilitares são a principal linha de investigação do caso", explica Ramalho.

    Os "investigadores conseguiram extrair fragmentos de digitais dos cartuchos de pistola 9 mm encontrados no local da execução de Marielle Franco e de seu motorista, Anderson Gomes", diz o repórter.

    "O objetivo agora é saber se o cabo eleitoral e o policial reformado assassinados nos últimos dias tiveram participação na tocaia à vereadora do PSOL. Um eventual resultado positivo indicaria que as execuções de Alexandre Cabeça a de Silva teriam sido queima de arquivo".

    Ramalho afirma ainda que "desde o início das investigações quase 50 pessoas foram ouvidas, incluindo doze vereadores da Câmara Municipal do Rio. Seis deles eleitos com votos de áreas sob domínio de grupos paramilitares". 

    O Globo relata ainda que a Polícia Cilvil, que investiga o crime, não se pronunciou sobre o motivo de a PM ter dispensado as testemunahs do assassinato, em vez de ouvi-las. 

    "As duas testemunhas revelaram que permaneceram no local do crime até a chegada da polícia, mas que os policiais militares mandaram todos sair de lá sem serem ouvidos", diz o jornal carioca.

    Para Kátia Branco, a sociedade não suporta mais crimes tão hediondos sem solução. "A polícia precisa dar uma resposta á sociedade. Não podemos viver sob essa insegurança, com milicianos criminosos á solta".

    Marcos Aurélio Ruy - Portal CTB 

     

     

     

  • Unidade Popular contra o fascismo (Foto: Ricardo Stuckert)

    Para espantar o fantasma da ditadura fascista, partidos democráticos se unem no Rio de Janeiro, nesta segunda-feira (2), dois dias antes de o Supremo Tribunal Federal (STF) julgar o pedido de Habeas Corpus do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para evitar a sua prisão, mesmo sem provas.

    A análise do STF sobre o pedido da defesa de Lula, ocorre nesta quarta-feira (4), não sem intensa pressão da mídia golpista e de empresários acusados de liberar e de até pagar seus funcionários para sair às ruas pedindo a prisão do ex-presidente. 

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    Circo Voador tomado pela democracia na noite de segunda (2), no Rio de Janeiro (Foto: Mídia Ninja)

    O general de Exército da reserva Luiz Gonzaga Schroeder Lessa ameaça o STF com intervenção militar no país. Diz que “Se acontecer tanta rasteira e mudança da lei, aí eu não tenho dúvida de que só resta o recurso à reação armada. Aí é dever da Força Armada restaurar a ordem”, sobre a possibilidade de ser acatado o pedido da defesa de Lula. 

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    Unidade popular

    A reação das forças populares cresce ao mesmo tempo em que aumentam as ameaças. O Circo Voador no Rio de Janeiro, palco de tantas e históricas lutas pela liberdade, mais uma vez ficou lotado na noite desta segunda-feira em defesa da liberdade e dos Direitos Humanos.

    Os partidos progressistas e de esquerda se unem contra a onda fascista que assola o país e ameaça a vida das pessoas. O próprio Lula sofreu atentado a tiros em sua caravana pelo Sul do país. Representantes do PSB, PDT, PT, PSOL, PCdoB e PCO ergueram a voz pelo direito de Lula ser candidato a presidente e ter um julgamento de acordo com a Constituição Federal.

    Muitas vozes se erguem para combater o avanço do fascismo e da ditadura. Chico Buarque, Carlos Minc, Marcelo Freixo, Manuela D'Ávila, Celso Amorim, Lindbergh Farias, Jandira Feghali, Jean Wyllys, Fernando Haddad, Eduardo Suplicy e Marcia Tiburi falaram da importância de unidade das forças democráticas.

    Também destacam a necessidade de uma imprensa comprometida com os fatos e denunciam, mais uma vez, os assassinatos de Marielle Franco, Anderson Gomes, os cinco jovens executados na Chacina de Maricá (RJ), por acreditarem na possibilidade de transformar o mundo num lugar bom para se viver.

     “O que nos une é a luta pela liberdade”, ressalta Manuela D’Ávila. Isso porque “todos queremos as mesmas coisas, a liberdade, a igualdade, a soberania para defender o pão do povo”, complementa Celso Amorim.

    Mônica Tereza Benício, viúva de Marielle, afirma que o assassinato da vereadora do PSOL e do motorista Anderson Gomes também foi um atentado à democracia. Os Jornalistas Livres lembram os diversos assassinatos que têm ocorrido no país pós-golpe de Estado.

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    Freixo defende a necessidade de as forças democráticas conversarem com sinceridade “olho no olho” porque “seja qual for a nossa diferença, ela é menor do que a luta de classes”. Já Lula denuncia o desmonte que está sendo feito da indústria nacional e dos cortes orçamentários das áreas sociais.

    Conclui o ato afirmando que “a luta é longa, mas vale a pena” para pôr o Brasil novamente nos trilhos do desenvolvimento soberano e com distribuição de renda.

    Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB com informações dos Jornalistas Livres e Mídia Ninja

  • Neste domingo (14) ocorre um ato em homenagem ao mestre Moa, na Praça da República, em São Paulo, ás 11 horas, com o lema "O amor vencerá o ódio e o axé unirá o Brasil".

    Caetano Veloso condena de modo emocionado a violência cometida por simpatizantes do candidato à Presidência da República Jair Bolsonaro, que assola o país de norte a sul. O compositor e cantor baiano se revolta com o assassinato do capoeirista e compositor Moa do Katendê, de 63 anos, na segunda-feira (8). O motivo do crime: Moa afirmou ter votado no Partido dos Trabalhadores.

    “A gente está maduro o suficiente para não se entregar a coisas como essas”, diz Caetano sobre a cultura do ódio proliferada pelo candidato do PSL e seus seguidores exacerbados. Para ele, é necessário dialogar com “a mente dos brasileiros, de todos os brasileiros que são capazes de pensar e acalmar a cabeça e o coração para metabolizar os sentimentos humanos”.

    A revolta de um dos mais importantes nomes da cultura brasileira se fundamenta na ação de grupos de brutamontes atacando qualquer pessoa que não concorde com a postura deles. E o candidato que apoiam lava as mãos feito Pôncio Pilatos e afirma não ter nada a ver com os “excessos” de seus correligionários, mas foge do debate e diz categoricamente que não vai discutir o seu programa de governo com Fernando Haddad, o candidato das forças democráticas.

    Asssista o desabafo emocionado de Caetano Veloso  

    Vânia Marques Pinto, secretária de Políticas Sociais da CTB, questiona se o “povo brasileiro permitirá que o país seja reduzido a isso. Estamos beirando o radicalismo e a covardia comparada às práticas primitivas do Estado Islâmico, que prende, estupra, tortura e mata”.

    Nas redes sociais, parentes e amigos lamentaram a morte da vítima. "Mataram a história, povo sem memória. Mestre Moa Do Katendê, o senhor está vivo dentro dos corações de quem esteve perto e conheceu sua trajetória na capoeira, na música, e com a humanidade", escreveu um internauta.

    “Os seguidores do candidato extremista andam em grupos e atacam covardemente as pessoas que não aceitam o pensamento reacionário e nem o comportamento violento e preconceituoso do grupo”, afirma Vânia.

    A situação está tão grave, como notou Caetano, que a médica Tereza Dantas que trabalha em um hospital público, na capital do Rio Grande do Norte, Natal, rasgou a receita de um paciente de 72 anos após ele declarar que votou em Haddad.

    jornalista agredida em recife por bolsonaristas

    Ódio: jornalista agredida e ameaçada em Recife

    E a lista de insanidade bolsonarista prossegue. Uma jornalista do portal NE10, de Recife, foi agredida por seguidores do candidato apenas por ser jornalista, disse ela à Polícia Civil. A vítima conta que eles a agrediram e ameaçaram de estupro, no domingo (7), após ela sair de uma sessão de votação na capital pernambucana.

    No Rio de Janeiro, covardes truculentos atacaram a irmã de Marielle Franco, Anielle, na segunda-feira (8). Ela caminhava com a filha de dois anos no colo. Nem a presença da criança impediu a violência e ameaças dos “cidadãos de bem”, defensores da “família”.

    Anielle conta que eles gritaram “na minha cara e consequentemente na de minha filha (que ficou assustada claro) de que eu era 'da esquerda de merda', 'Sai daí feminista', 'Bolsonaro... Piranhaaa'", isso vindo  "de homens devidamente uniformizados com a camisa do tal candidato".

    E a violência não para. Nem um cachorro escapou da ignorância de militantes de Bolsonaro. Em uma carreata de seguidores, no domingo (30), em Muniz Ferreira, na Bahia. Um dos defensores da cultura do ódio desceu de seu carro e matou com três tiros um cachorro porque ele latia com a barulhenta carreata.

    E quando parece que o nível de insanidade atingiu o apogeu, acontece mais uma barbaridade. Ao descer do ônibus, em Porto Alegre, uma jovem de 19 anos foi agredida por três brutamontes porque ela usaa camiseta com os dizeres “Ele Não”.

    jovem agredida por bolsonaristas

    Discriminação: jovem sofre ataque de bolsonaristas em Porto Alegre

    Ela conta que foi humilhada, levou socos e dois dos agressores a seguraram para o terceiro desenhar a suástica – símbolo do nazismo – em sua barriga. Ao observar esses crimes hediondos, Caetano Veloso conclui que “não podemos reduzir o Brasil a essa barbárie” de pessoas que “ilusoriamente pensam que é superação, mas é volta, é atraso, é medo da responsabilidade, da civilização”.

    Os atentados se avolumam. Para Vânia, os seguidores do candidato da extrema-direita querem ganhar "a eleição no grito, na base da covardia e da força para amedrontar as pessoas que realmente pensam e lutam por um país solidário e justo”.

    Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB

  • A CTB-RJ lamenta profundamente a morte de mais 5 jovens negros, desta vez na cidade de Maricá (RJ). Os jovens voltavam do show de encerramento de uma Bienal organizada pela União Municipal dos Estudantes Secundaristas de Maricá quando foram rendidos e executados por um grupo armado, identificado por testemunhas como sendo “milicianos”. Cinco jovens, estudantes, com sonhos e um mundo a conquistar que tiveram a vida ceifada previamente por grupos militares paralelos ao Estado que já ceifaram a vida de tantos jovens nos últimos anos.

    A violência que assolou os jovens de Maricá, desde o ano passado vem ceifando vidas na Rocinha. Mais 8 pessoas morreram nos confrontos na favela da zona sul carioca. A juventude negra, mais uma vez, nas páginas dos obituários e, com suas mortes, cada vez mais banalizadas pela mídia e pela população como um todo. Segundo números oficiais da Polícia Militar, em 6 meses, mais de 50 pessoas foram mortas somente na Rocinha. Esses números são inaceitáveis e refletem um estado onde a violência faz parte da rotina nas comunidades mais pobres.

    Semana passada, a vereadora e militante dos direitos humanos Marielle Franco (PSOL) foi brutalmente executada em crime ainda sem solução. Marielle que combateu abusos da polícia e atuou no combate às milícias foi morta por suas ideias em um estado onde a morte de jovens, mulheres e negros tem se resumido às estatísticas. O governo responde com discurso e intervenção militar. Uma intervenção que serve para ganhar manchetes de jornal, mas como vemos, não traz resultados efetivos para o povo.

    Oito foram os mortos na Rocinha, cinco os que foram assassinados em Maricá. Uma semana após a morte de Marielle Franco, somente em dois pontos do Estado foram 13 vidas ceifadas. Foram 13 famílias a chorar seus mortos. Mais 13 corpos para as estatísticas. A CTB-RJ enxerga com muita preocupação o caminho de violência que toma conta do Rio de Janeiro e, ao contrário do que dizem os governos do PMDB, não é com intervenção militar que resolveremos esse problema.

    A desmilitarização das polícias, a construção de uma polícia civil e cidadã e o fim da criminalização da pobreza são caminhos necessários para uma segurança pública mais eficaz, mas isso só também não basta. Precisamos, para enfrentar os problemas de segurança que assolam não apenas o Rio de Janeiro, mas diversos entes da Federação, recolocar o Brasil no caminho do desenvolvimento e da geração de emprego e renda.

    O Brasil e o Rio de Janeiro precisam lutar pela vida de seus jovens! Precisamos investir e criar oportunidades. Ocupar as comunidades não com blindados e tropas, mas com cultura, saúde e educação. Ocupar com dignidade e serviços públicos! Precisamos de mais investimento em inteligência, de colocar mais jovens nas escolas e universidades, de maior inserção no mercado de trabalho! É urgente a urbanização das nossas favelas: mais saneamento e acessibilidade para o povo trabalhador que vive nas diversas comunidades espalhadas pelo nosso Estado.

    Chega de violência, de jovens assassinados e de crimes com motivação política! Paz nas comunidades e em todo o Rio de Janeiro! Dois caminhos estão à nossa frente: o Socialismo ou a Barbárie. Nós seguiremos na luta pelo Socialismo, pela dignidade do nosso povo, por uma sociedade mais justa e igualitária e pela vida da nossa juventude!

    Rio de Janeiro, 26 de março de 2018

    Paulo Sérgio Farias, presidente da CTB-RJ

  •  O início da solenidade promovida pelo Sindicato dos Comerciários do Rio de Janeiro contou com um minuto de silêncio em memória da vereadora Marielle Franco.

    Raquel Martins Virla, 38, após 15 anos de dedicação à profissão, foi demitida por liderar movimento grevista. Célia Lucas, 63, foi costureira por toda a vida e, já na terceira idade, buscou uma vaga de serviços gerais no ano passado para ajudar a pagar as contas. Rosalva Almeida, 53, vendedora, é feminista militante e engajada. Francieli Borges, 21, já foi líder estudantil e chegou a viver em situação de rua. Patrícia Dionísio, 33, mãe de cinco filhos e operadora de caixa, foi uma das líderes do movimento grevista de uma rede de supermercados. Vanessa Andrade, 33, vendedora de uma loja de eletrônicos, trabalha desde criança e hoje é a única fonte de renda de toda a sua família.

    O que essas bravas mulheres têm em comum: na noite de sexta-feira (23), foram homenageadas com o Prêmio Margarida, iniciativa do Sindicato dos Comerciários para as trabalhadoras do comércio carioca que se destacaram por sua contribuição às lutas da categoria no último ano. Um dia de destaque e reconhecimento para mulheres que lutam muito no dia a dia e inspiram seus familiares e colegas de trabalho.

    A entrega do prêmio, em sua segunda edição, finalizou a programação preparada para o mês das mulheres pelo Coletivo Margaridas, do Sindicato dos Comerciários do Rio. Foram vários debates, rodas de conversa e atos em defesa da manutenção e ampliação dos direitos das mulheres ao longo de todo o mês de março.

    Ao todo, onze comerciárias receberam a honraria. O evento foi realizado na sede do sindicato, na Lapa. O início da solenidade contou com um minuto de silêncio pela vereadora Marielle Franco. Após a entrega dos prêmios, o grupo Só Damas animou a noite com muito samba cantado e tocado somente por mulheres.

    Fonte: Sindicato dos Comerciários do Rio de Janeiro

     

     

  • Repercute no mundo inteiro o assassinato da vereadora Marielle Franco (PSol), 38 anos, no Rio de Janeiro, sob intervenção militar, na noite desta quarta-feira (14). Além de sua atuação na Câmara de Vereadores em favor dos Direitos Humanos e dos mais pobres, ela lutava contra o racismo, a LGBTfobia, em defesa da juventude, das mulheres e pela cultura da paz.

    De acordo com a polícia que investiga o crime, ela levou pelos menos quatro tiros, o seu motorista, Anderson Pedro Gomes, outros três. Pelo menos nove projéteis foram encontrados no carro dela. “É preciso parar com essa barbárie toda, a vida não pode ser desprezada dessa forma”, diz Adilson Araújo, presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB). “O golpe urdido contra a Nação brasileira feriu de morte a democracia, implantou o Estado de Exceção e, covardemente, vai sangrando o nosso povo”, reforça.

    Ato na Cinelândia, Rio de Janeiro, nesta quinta-feira (15) 

    “Há fortes indícios de que a sua execução foi política porque ela acusava policiais militares por agirem com truculência e com abusos contra a população mais pobre do Rio, acusava também atos de corrupção”, diz Mônica Custódio, secretária de Igualdade Racial da CTB. Ela lembra do filme "Tropa de Elite", de José Padilha, que retrata o vínculo de milícias cariocas com políticos e criminosos.

    A sindicalista acredita que “com mais essa execução de uma mulher, negra, de esquerda e defensora dos Direitos Humanos, mostra que estamos sendo governados por pessoas sem compromisso com a vida e com o respeito à dignidade humana”.

    Após a tristeza se espalhar com a notícia desse crime, várias manifestações já começam a ocorrer em todo o país exigindo “uma investigação rigorosa e a prisão de todos os culpados, inclusive de supostos mandantes”, afirma Custódio.

    "A luta de Marielle nos serve de inspiração e seguiremos nas ruas e nas lutas em defesa de um mundo melhor e mais justo, mundo este que motivou a militância da companheira da qual tão cedo nos despedimos", diz Paulo Sérgio Farias, presidente da CTB-RJ (leia a íntegra aqui).

    atos marielle

    A vereadora mostra a sua luta e sua coragem ao denunciar a violência de policiais no bairro do Acari, no Rio, em seu Facebook no sábado (10): "Precisamos gritar para que todos saibam o está acontecendo em Acari nesse momento. O 41° Batalhão da Polícia Militar do Rio de Janeiro está aterrorizando e violentando moradores de Acari. Nessa semana dois jovens foram mortos e jogados em um valão. Hoje a polícia andou pelas ruas ameaçando os moradores. Acontece desde sempre e com a intervenção ficou ainda pior".

    acari parem de nos matar

    A Câmara dos Deputados fez sessão solene em homenagem à vereadora assassinada e a Cinelândia foi literalmente tomada na manhã desta quinta-feira (15) no Rio de Janeiro. E a repercussão desse crime não para.

    A notícia corre mundo pelas páginas dos mais importantes veículos de comunicação. “The New York Times”, “The Washington Post” e na rede ABC News, nos Estados Unidos, o espanhol “El País” e o britânico “The Guardian", entre eles.

    Custódio questiona também a intervenção militar no Rio de Janeiro. “Os soldados do Exército brasileiro foram fotografados revistando mochilas de crianças em portas de escolas, mas foram incapazes de proteger a vida de Marielle”, reclama.

    Em 28 de fevereiro, ela havia se tornado relatora da comissão destinada a acompanhar a intervenção federal no Rio de Janeiro. Internautas espalham pelas redes sociais a certeza de que "não foi assalto".

    Para Custódio “tiraram a vida de mais uma mulher, negra, pobre e guerreira pelos direitos do povo”. Ela defende que “o movimento sindical, movimentos sociais, partidos políticos democráticos, mulheres, negros e todas as pessoas que acreditam que um outro mundo é possível devem se unir para defender a vida das pessoas que lutam”.

    marielle franco ato cinelandia rj 15 03 2018

    Diversos artistas também prestam solidariedade á família. "Ela lutava pela paz, por oportunidades iguais para todos. Denunciava a corrupção na câmara, na polícia...", escreveu Mônica Iozzi. Milhares de pessoas tomaram a Cinelândia, no centro da capital fluminense, para homenagear Marielle Franco e exigir punição dos criminosos (foto acima).

    “Um sentimento de revolta toma conta do Rio de Janeiro e de todo o país”, afirma Custódio. “Morreu a preta da maré,/a negra fugida da senzala/que foi sentar com "os dotô" na sala/e falar de igual pra igual com "os homi"./A negra que burlou a fome de se saber,/que fez crescer dentro dela, o conhecimento./Aquela, que por um momento de humanidade,/sonhou com a justiça, lutou por liberdade/e ousou ir mais alto,/do que permitia sua cor./"Mas preta sabida, não pode!/Muito menos pobre! Não tem valor."/Diziam as más línguas na multidão./E ela ousou tirar seus pés do chão./Morreu./Morreu a "preta sem noção",/que falava a verdade na cara do patrão,/que carregava a coragem, como bagagem,/no coração./O tiro foi certo,/acertou com maldade,/ecoando seco no centro da cidade” (Anielli - Poeta de Volta Redonda-RJ).

    Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB

  • O Acampamento Helenira Resende, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), foi atacado por um avião que despejou agrotóxico nas famílias acampadas na tarde deste sábado (17), no sudeste do Pará. .

    De acordo com informações da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil, seção Pará (CTB-PA), muitas pessoas passaram mal com a pulverização.

    Em novembro de 2017, as famílias acampadas foram despejadas de uma das fazendas do Complexo Cedro, vinculado ao grupo Agropecuária Santa Bárbara, no qual o latifundiário, banqueiro Daniel Dantas faz parte. As famílias seguem acampadas na fazenda ao lado do antigo acampamento e já começam a sofrer os primeiros ataques neste ano.

    Cleber Rezende, presidente da CTB-PA, afirma que a situação está muito tensa na região. “Estamos vivendo momentos muito difíceis no país e no Pará por causa da ausência de um Estado que reúna condições de intervir nos conflitos e defender os direitos da classe trabalhadora”.

    Pelo contrário, “o Estado é parcial e protege os grandes grupos econômicos e seus interesses”, denuncia. Nesse contexto, Rezende vê o assassinato do líder comunitário Paulo Sérgio Almeida Nascimento na segunda-feria (12) e da vereadora Marielle Franco na quarta-feira (14) como frutos dessa política do governo golpista contra a classe trabalhadora.

    Ele explica que o governador Simão Jatene (PSDB) “não tem a mínima condição de mediar esses conflitos com a isenção necessária”, por isso, reafirma, “precisamos pedir a intervenção da ONU (Organização das Nações Unidas) como a única forma de garantir a vida das pessoas”.

    Para o sindicalista paraense, “quem joga agrotóxico dessa maneira brutal em famílias acampadas pode fazer qualquer barbárie”. Por isso, “a CTB-PA defende a intervenção da ONU par garantir a segurança e os direitos de quem trabalha e produz”.

    De acordo com ele, “nós trabalhamos contra a especulação imobiliária e por isso lutamos para garantir uma reforma agrária que dê terras para as famílias de camponeses poderem produzir alimentos”.

    Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB

  • Cena do filme "Corra!" (Get Out), de Jordan Peele, que denuncia o racismo (Crédito: Divulgação)

    O 21 de março foi instituído, em 1966, pela Organização das Nações Unidas (ONU) como o Dia Internacional de Luta pela Eliminação da Discriminação Racial em homenagem às vítimas do episódio conhecido como Massacre de Shaperville, ocorrido nessa data em 1960.

    Em pleno apartheid (regime sul-africano de segregação racial, que vigorou de 1948 a 1994), a polícia da África do Sul reprimiu e matou 69 pessoas que participavam de uma marcha de mais de 20 mil negros contra a Lei do Passe, que determinava espaços restritos aos negros.

    “Combater o racismo é defender a emancipação da humanidade”, afirma Mônica Custódio, secretária da Igualdade Racial da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).

    “O que está acontecendo atualmente no Brasil é assustador porque mostra uma virulência extremada contra uma população que foi o sustentáculo da nação por quase quatro séculos como escravos”, acentua.

    Para ela, no ano em que acontecem os 130 anos da Abolição, “é essencial refletirmos sobre as nossas ações para barrar o avanço das ideias conservadoras, racistas, sexistas e misóginas”.

    A sindicalista lembra ainda o assassinato da vereadora carioca Marielle Franco (PSOL) no dia 14 deste mês. Para ela, esse crime hediondo remonta à mesma visão de ódio e de discriminação racial da África do Sul sob o apartheid.

    “O Brasil ainda não superou totalmente a mentalidade escravista. A reação às políticas afirmativas e mais ainda contra as pessoas que ousam levantar a voz pela igualdade de condições de vida está matando mais do que muitas guerras”, diz.

    marielle franco presente

    A questão é tão marcante, lembra Custódio, que uma empresária do Pará decidiu fazer a festa de 15 anos da filha com o tema “Imperial Garden" e postou nas redes sociais fotos de um ensaio preparativo da festa onde a menina está vestida de sinhá e é servida por atores interpretando escravos.

    A cena é tão grotesca que a Ordem dos Advogados do Brasil, seção Pará decidiu enviar uma representação ao Ministério Público pedindo providências. A empresária nega a acusação de racismo.

    Ela disse ao G1 que “racismo é uma acusação pesada. Em nenhum momento passou pela nossa cabeça menosprezar uma raça, tanto que em nossa família existem negros e índios”.

    Custódio comenta a atitude da empresária. “O racismo está tão internalizado, que as pessoas já acham natural discriminar negras e negros”. Nesse caso, “remontam ao passado escravista que parece estar na psiquê da elite brasileira”.

    Outro episódio demonstrativo da intolerância e do ódio às origens sociais e culturais africanas do Brasil, está no fato de o Sesi de Volta Redonda (RJ) ceder à pressão de grupos fundamentalistas religiosos proibindo a utilização do livro “Omo-Oba: Histórias de Princesas”, de Kiusam de Oliveira, mesmo depois de adotá-lo em seu currículo.

    Everaldo Vieira, secretário de Combate à Discriminação Racial da Fetim-BA, afirma que o ódio já atinge níveis inimagináveis e é necessário reagir. Após o assassinato de Marielle Franco, “milhares de Marielle surgiram e se espalham por todo canto deste país” dando uma lição de mobilização política pela “eliminação do racismo, do ódio, da intolerância religiosa” e a defesa intransigente “dos direitos humanos”, lutando pela “retomada da economia, da soberania, da inclusão e do poder político nas mãos da classe trabalhadora”.

    Custódio concorda com ele afirmando que “é fundamental o movimento sindical atuar de forma mais contundente pela igualdade, combatendo o genocídio da juventude negra e a discriminação racial no mundo do trabalho, onde os negros ganham menos e as negras salários muito menores ainda”.

    Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB

  • “Trump (presidente dos Estados Unidos) engaiola crianças, Temer (presidente golpista do Brasil) mata”, mensagem que circula pela internet após a morte, “com tiro pelas costas”, como diz laudo da própria polícia, do garoto Marcos Vinícius da Silva, de apenas 14 anos, durante uma operação militar no Complexo da Maré, quando o jovem caminhava para a escola, na quarta-feira (20).

    Nem a Copa do Mundo da Rússia e o choro midiático de Neymar após a vitória sofrida contra a Costa Rica, abafaram este crime contra a pessoa humana. Desta vez a dor da gente tem que sair nos jornais, nas redes sociais, em todos os veículos possíveis.

    Não dá mais para segurar tanta indignação contra tamanha injustiça. As mães e pais de jovens da perifieria não aceitam mais perder seus filhos nas tais “balas perdidas” que sempre encontram corpos inocentes de meninos e meninas como Marcos com uma vida inteira pela frente.

    Pobres, favelados, pretos quase todos, tratados como inimigos pelas forças da repressão, que desta vez uniu as polícias civil, militar e o Exército que intervém militarmente no Rio de Janeiro desde fevereiro e tem gente que apoia essa intervenção militar que só trouxe mais mortes e desespero para as comunidades pobres da capital fluminense.

    A violência está banalizada por uma mídia cúmplice ao propagar o ódio de classe e colocar os interesses comerciais e ideológicos acima dos fatos e principalmente acima dos direitos humanos e da justiça. 

    Mesmo assim muitos internautas tentam mais uma vez manipular e divulgam fake news mostrando foto de um garoto com se fosse o Marcos Vinícius com uma arma nas mãos, tentando justificar o injustificável. 

    Bruna Silva, mãe de Marcos, mostra a sua lucidez em querer justiça, já que a vida de seu filho ninguém pode devolver. "Dizem que minha comunidade é violenta. Mas a minha comunidade não é violenta, ela é muito boa. É a operação que, quando vai lá, vai com muita truculência".

    O assassinato da vereadora Marielle Franco, que viveu no Complexo da Maré, e do motorista Anderson Gomes no centro do Rio de Janeiro, no dia 14 de março, a execução de cinco jovens, no episódio conhecido como Chacina de Maricá, no interior do estado, por milicianos, uma semana depois e a morte de Marcos Vinícius denunciam a intervenção militar no Rio de Janeiro como desastrosa e vergonhosa para as Forças Armadas brasileiras.

    Matam "suspeitos" e muitos inocentes, numa inversão de valores. Porque se é suspeito, não é criminoso comprovadamente. A brutalidade contra os mais pobres, em nome da "guerra às drogas" não se justifica. E o Exército não deve se atribuir a função de atirar em brasileiras e basileiros, muito menos em jovens com uniforme da escola.

    Mais uma vez Bruna mostra lucidez ao responsabilizar o Estado pelo assassinato de seu filho. “Sua morte não vai ser mais uma, a gente vai lutar por justiça. Porque esse Estado tem que melhorar. Ele não pode matar inocente e criança", disse ela ao jornal El País Brasil.

    Violência cresce com Estado de exceção

    Os números do Atlas da Violência 2018 atestam que o golpe de Estado de 2016 aumentou a violência no país. Os números são aterradores e confirmam as palavras de mais uma mãe que enterra seu filho. Dor inimaginável. Os dados mostram 33.590 jovens entre 15 e 29 anos mortos em 2016, 56,5% de todos os homicídios ocorridos no país.

    Além disso, foram registrados 49.497estupros no mesmo ano, sendo que 50,9% das vítimas tinham menos de 13 anos. Fato que mostra a dificuldade de ser criança num país que criminaliza qualquer manifestação a favor da liberdade e da igualdade de direitos.

    Compete aos candidatos na eleição, deste ano, pensar um Sistema Nacional de Segurança Pública que contemple toda a sociedade e valorize as pessoas e a vida e não o patrimônio. Já passa da hora de agir. Porque estão matando nossos jovens à plena luz do dia e não estamos fazendo nada. E se fosse o seu filho?

    Marcos Aurélio Ruy é jornalista. Foto: Mauro Pimentel/AFP

    Os artigos publicados na seção “Opinião Classista” não refletem necessariamente a opinião da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e são de responsabilidade de cada autor.

  • O policial militar reformado Ronnie Lessa foi apontado como o autor dos 13 tiros que mataram a vereadora Marielle Franbco e o motorista Anderson Gomes e foi preso nesta terça (12). Ele morava no mesmo prédio de Jair Bolsonaro (até ser eleito presidente) e já recebeu homenagem na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) em 1998, depois de perder uma perna em um atentado a bomba há dez anos. Lessa, de 48 anos, foi preso na Operação Lume. Além dele, a força-tarefa prendeu o ex-PM Élcio Vieira de Queiroz, de 46 anos, apontado como motorista do carro que perseguiu a vereadora. Queiroz foi expulso da PM em 2015.

    O atentado que matou Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes completa um ano nesta quinta-feira (12).

    “Para terminar de desvendar o bárbaro assassinato de Marielle, um dos caminhos é ir atrás dos fluxos financeiros dos quadrilheiros milicianos. O tesoureiro deles está solto”, sugeriu o governador do Maranhão, Flavio Dino.

    O governador exerceu a função de juiz federal por mais de uma década e usou seu Twitter para indicar o caminho para se descobrir os mandantes dos assassinatos de Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes.

    Dino utilizou a conhecida expressão em inglês “follow the money” (siga o dinheiro): “Vale o tradicional lembrete, já muito conhecido: follow the money. Para terminar de desvendar o bárbaro assassinato de Marielle, um dos caminhos é ir atrás dos fluxos financeiros dos quadrilheiros milicianos. O tesoureiro deles está solto. Basta achá-lo”, tuitou.

  • Os trabalhadores e trabalhadoras da Comlurb, junto com o Círculo Laranja, fizeram uma importante passeata no fim da tarde da última quinta-feira (15), com duras críticas ao prefeito do Rio de Janeiro Marcelo Crivella. A categoria, que luta por um acordo salarial justo, que garanta a preservação de direitos e melhore as condições de trabalho, se concentrou desde o meio da tarde na Central do Brasil e, seguiram em passeata até o grande ato em memória da vereadora Marielle Franco (PSOL), executada brutalmente na noite da última quarta (14).

    O destino original do ato dos garis seria a Câmara de Vereadores, mas diante do que aconteceu no estado, os trabalhadores encaminharam por e-mail um documento para o legislativo municipal, que será protocolado na próxima segunda-feira, e o ato seguiu pelas ruas do centro até a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), onde se uniu ao ato que fazia homenagens à vereadora, seguindo assim pela Avenida Presidente Vargas, tomando a Avenida Rio Branco e usando a Rua da Assembleia para chegar atá a Alerj. Os garis lutam por um acordo salarial justo, pelo uso de equipamentos de proteção individual, contra a perda de direitos e por justiça. Justiça para a classe trabalhadora, justiça para Marielle e Anderson. Os garis, que vivenciaram uma grande greve há poucos anos atrás, são das categorias mais mobilizadas contra os abusos do governo Crivella e estão na linha de frente da resistência da agenda nefasta do prefeito carioca. O companheiro Célio Vianna, conhecido como Célio Gari, defendeu a abertura da caixa preta da Comlurb:

    “A Comlurb é um dos maiores orçamentos do município e não tem transparência. Todo mundo sabe quanto ganha um gari, mas ninguém sabe quanto ganham os diretores da Comlurb. Os trabalhadores estão trabalhando sem Equipamentos de Proteção Individual, sem água, sem condições dignas. Nós queremos transparência!”

    A CTB RJ participou de todas as manifestações, tanto das homenagens e lutas que envolvem Marielle e Anderson, como do ato dos Garis e se mantém firme na luta por democracia, por respeito aos trabalhadores e por Justiça. O Presidente da CTB Rio de Janeiro, Paulo Sérgio Farias, manifestou seu apoio à luta dos garis. “A CTB apóia a luta dos trabalhadores da Comlurb. Essa é uma categoria importantíssima para a cidade, para os habitantes dessa cidade, e que são ao mesmo tempo invisíveis aos olhos desses mesmos habitantes. Esses trabalhadores e trabalhadoras não são meros recolhedores dos resíduos sólidos descartados pela população. São trabalhadores urbanos e responsáveis pela saúde da população e não são valorizados pelos governos que se sucedem à frente da prefeitura. A CTB incorpora essa luta pela valorização da categoria e apóia a luta em defesa de melhores condições de trabalho e salários dignos.”

    O ato dos garis teve o apoio de diversa entidades, como a CTB-RJ, a FIST (Frente Internacionalista dos Sem Teto), a UJS (União da Juventude Socialista), a UEE-RJ (União Estadual dos Estudantes do Rio de Janeiro). A deputada estadual Enfermeira Rejane (PCdoB) também passou pelo ato e se manifestou em solidariedade aos trabalhadores e trabalhadoras da Comlurb. A atividade se encerrou unindo-se à marcha em homenagem à vereadora Marielle Franco. Além de lutar pelos direitos da categoria e por transparência na gestão da Comlurb, os garis também incluíram a luta por justiça e pelo fim do genocídio da população negra nas suas pautas. Como dizia a frase estampada na camisa do Círculo Laranja, “a casa grande surta quando a senzala aprende a ler”.

    José Roberto Medeiros - CTB-RJ

     

  • Manuela, Lula e Boulos em ato pela democracia (Foto: Ricardo Stuckert)

    Os tempos em que vivemos representam o maior ataque à democracia desde o fim da ditadura militar. O golpe parlamentar que colocou Temer no poder, a execução de Marielle Franco e Anderson Gomes e a ofensiva contra Lula, do atentado a sua caravana à absurda e ilegal decisão de prendê-lo, exigem unidade da esquerda pela defesa da democracia e contra a escalada de violência fascista no país.

    Como pré-candidatos à Presidência, temos clareza de que diferenças programáticas para as eleições não impedem nossa unidade como reação ao momento sombrio atual.

    A face mais visível da luta democrática no país é a defesa irrestrita da liberdade do ex-presidente e, para além disso, do seu direito de ser candidato nas eleições presidenciais deste ano. Lula é a maior liderança social do Brasil. Tirá-lo do jogo político é um visível casuísmo eleitoral. Essa luta não é apenas daqueles que concordam com as posições de Lula e do PT.

    O alcance da ofensiva é muito mais amplo. Enganam-se aqueles que pensam que eles sejam os únicos alvos dessa prisão. Isso faz parte de um ataque contra o campo progressista e os direitos sociais. Não começou com Lula e não terminará com ele.

    A decisão apequenada do Supremo de legitimar até aqui uma medida inconstitucional, como é a prisão em segunda instância antes do trânsito em julgado, ameaça a presunção de inocência e o direito à ampla defesa de todo cidadão. Sem falar em mais uma ilegalidade do juiz Sergio Moro ao expedir um mandado de prisão antes de se esgotarem todos os recursos.

    Lula não está acima da lei. Nem ele, nem nenhum de nós. Nem mesmo os juízes que o condenaram e os ministros que negaram o fiel cumprimento da Carta. Mas ele tampouco está abaixo da lei. Foi condenado sem provas; seu julgamento em segunda instância foi acelerado só para inviabilizar sua candidatura, buscando resolver as eleições no tapetão do Judiciário.

    A chicana procedimental da ministra Cármen Lúcia negou-lhe o justo direito de recorrer em liberdade. A prisão tenta calar sua voz, enfraquecer as esquerdas e perpetuar o golpe de 2016.

    É um escárnio ter um mandado de prisão contra Lula sem que haja nenhuma prova que o comprometa, ao mesmo tempo em que Temer foi flagrado em gravações nada republicanas no porão do Palácio e seu assessor direto foi filmado correndo com malas de dinheiro nas calçadas de São Paulo.

    Ou ainda Aécio Neves, que teve seu pedido escandaloso de dinheiro a Joesley Batista ouvido por todos os brasileiros, chegando a insinuar a morte de um possível delator de seus crimes. Temer segue no Planalto e Aécio, no Senado. De um lado, provas sem punição; do outro, punição sem provas.

    Defendemos que casos de corrupção devem ser investigados e punidos, mas é preciso tomar cuidado com o discurso que se vale do pretenso combate para destruir adversários políticos. Quando juízes se portam como chefes de partido, não se pode falar em justiça.

    Se queremos combater a corrupção, temos que levantar a bandeira de uma profunda reforma política, afastando o poder público da influência do poder econômico e aproximando o povo das decisões.

    Do contrário, trata-se tão somente de alimentar o sentimento de desesperança nas saídas políticas de uma maneira perigosa, abrindo assim as portas para soluções de cunho fascista sem nenhum compromisso com a democracia e as liberdades constitucionais.

    É urgente a construção de uma unidade democrática contra a prisão arbitrária de Lula, a escalada da intolerância política e a garantia de eleições livres. Nessa mesa devem ter assento aqueles que, ante a barbárie, põem-se ao lado da democracia.

    A defesa da liberdade de Lula é um divisor de águas nessa batalha. Não deixaremos as ruas e a luta. Para além das eleições, é o futuro do Brasil que está em jogo. Enfrentaremos as injustiças, de toga ou de farda. Lula livre!

    Guilherme Boulos é coordenador nacional do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto), é pré-candidato à Presidência da República pelo PSOL

    Manuela D'Ávila é deputada estadual pelo PCdoB no Rio Grande do Sul, é pré-candidata do partido à Presidência da República

    Os artigos publicados na seção “Opinião Classista” não refletem necessariamente a opinião da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e são de responsabilidade de cada autor.

  • O ataque a tiros contra o ônibus da caravana do ex-presidente Lula nesta terça-feira (27), no Paraná, repercutiu na imprensa internacional. Periódicos renomados de diversas partes do globo destacaram a notícia sobre a violência de grupos fascistas que dispararam quatro tiros contra dois ônibus que integravam a caravana.

    O jornal britânico The Guardian afirmou: “Ninguém ficou ferido, e o candidato à presidência não estava nos ônibus atingidos, que transportavam convidados e jornalistas”, informou a matéria, que incluiu uma fala de Gleisi Hoffmann, presidenta do PT: “não é normal que em uma democracia pessoas atirem contra uma caravana democrática”.

    O jornal espanhol El País também publicou sobre o atentado, lembrando que o próprio Lula já havia denunciado que a caravana estava sendo perseguida por “grupos fascistas”, e que antes dos tiros atiraram pedras; o jornal lembra ainda que Lula lidera as sondagens para as eleições presidenciais desse ano. O veículo denúncia ainda a violência no Brasil. “A violência de cunho político superou nesse mês a barreira das ameaças no Brasil com o assassinato da vereadora do Rio de Janeiro Marielle Franco, conhecida pela sua luta contra o racismo, a discriminação e por suas denúncias contra os abusos policiais nas favelas”.

    O jornal português Publico também publicou sobre os tiros que atingiram os ônibus da caravana de Lula. “Antes dos disparos, no comício em Foz do Iguaçu, Lula falou das recepções que enfrentou no Sul do país, descrevendo algumas situações como ‘selvajaria’”, escreveu o jornal.

    A multiestatal Telesur também noticiou o fato e destacou o tom fascista das manifestações. Ressaltou que, antes do ataque a tiros, outros grupos já haviam feito ações hostis contra o ex-presidente ao longo de sua passagem pelo sul do país.

    Já o argentino Página/12 destacou a resposta de Lula ao ataque. O ex-presidente se pronunciou nas redes sociais. “Se pensam que com pedras e tiros vão quebrar minha disposição de lutar estão enganados”.

    A agência iraniana HispanTV também ressaltou que os tiros contra os dois ônibus aconteceram depois de uma sequência de manifestações hostis contra o ex-presidente.

    Fonte: Portal Vermelho

     

  • A presidenta do Sindicato dos Bancários de Sergipe (Sergipe), Ivânia Pereira, em nome das bancárias e bancários sergipanos, enviou nesta quinta-feira (15), uma Moção de Pesar pelo assassinato da jovem e negra vereadora do Psol do Rio de Janeiro, Marielle Franco. A moção foi encaminhada às entidades feministas que lutam contra o feminicídio e por direitos humanos no Rio de Janeiro. A jovem vereadora, com apenas 38 anos, foi morta a tiros na última quarta-feira (14), no centro do Rio.

    “Encaminhamos copias dessa Moção à Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro, para reforçar a nossa indignação e bem como para exigir das polícias Militar, Civil e Federal a apuração imediata desse assassinato, em especial porque a vereadora estava relatora da Comissão de Trabalho da Câmara Municipal do Rio de Janeiro, responsável por acompanhar a intervenção federal no município carioca”, afirma Ivânia Pereira.
    Os movimentos populares cariocas estão disseminado nas redes sociais a trajetória da luta da vereadora Marielle nos últimos dias da vida dela: Marielle foi nomeada relatora da comissão referida no dia 14 de fevereiro; no dia 10 de março, a mesma denunciou violência policial e no último dia 14, é executada a tiros.

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    Crime hediondo: vereadora Marielle Franco foi executada no Rio de Janeiro nesta quarta (14)

    Na capital baiana, o assassinato da liderança feminista carioca mobilizou a Marcha Mundial das Mulheres. De acordo com Ivânia Pereira o assassinato de Marielle já repercute agora em todo o mundo. “Marielle era uma destacada militante social. Uma mulher negra e oriunda da favela da Maré. Da luta cotidiana, Marielle, dedicou sua militância na defesa de políticas públicas para as mulheres na cidade, em especial no enfrentamento à violência e na defesa dos direitos sexuais e reprodutivos das mulheres. Enquanto vereadora, ela vinha se destacando corajosamente na linha de frente no enfrentamento à intervenção militar no Rio de Janeiro”, divulga Ivânia Pereira que se solidariza com o PSOL, familiares de Marielle e todas mulheres e homens que lutam contra o feminicídio.

    Déa Jacobina - Seeb-SE

  • Ana Prestes revela que vários países programaram atos em homenagem à ex-vereadora, com a chamada: Florescer por Marielle Franco

    Por Ana Prestes  

    – Um ano após o assassinato de Marielle Franco, sua história segue repercutindo na imprensa internacional como o retrato de um Brasil injusto. Somada à prisão política de Lula, a morte da vereadora colocou o Brasil como um dos países mais comentados externamente quando o tema é violência política.

    – Vários países terão atos em homenagem a Marielle com a chamada: Florescer por Marielle Franco. Buenos Aires tem uma convocatória para as 18 horas no Obelisco.

    – O massacre da escola de Suzano, que vitimou dez pessoas ontem (13), também repercutiu muito na imprensa internacional nas últimas horas.

    – Em café da manhã com jornalistas ontem (13), Bolsonaro informou que irá trocar aproximadamente 15 embaixadores brasileiros no exterior, naqueles que ele considera “postos-chave”. Entre eles, EUA e França. Atualmente, o embaixador brasileiro nos EUA é Sergio Amaral e é ele quem prepara a visita de JB ao país nos próximos dias 17 a 19 deste mês. Um dos cotados para assumir o posto, Murillo de Aragão, foi bombardeado nos últimos dias nas redes por Olavo de Carvalho que escreveu: “By the way, Murillo Aragão é homem de Lula”.

    – Acontece nesta manhã de quinta (14) em Curitiba, no âmbito da reunião dos Brics, com vice-chanceleres dos cinco países membros, um encontro no qual o chanceler Ernesto Araújo tentará convencer russos e chineses a retirarem seu apoio a Maduro, presidente da Venezuela. Índia não tem posição sobre o tema e a África do Sul acompanha Rússia e China. O sonho de Araújo é arrancar uma declaração do Brics em apoio ao autointitulado presidente encarregado da Venezuela, Juan Guaidó.

    – A ministra Damares Alves está representando o Brasil na 63ª Sessão da Comissão sobre o Estatuto da Mulher da ONU (CSW). Durante seus pronunciamentos ela falou contra o aborto e que as políticas de proteção e defesa dos direitos das mulheres terão prioridade, mas sem apresentar dados ou projetos. Damares também discursou contra o aborto em reunião da Comissão de Direitos Humanos da ONU em fevereiro. Ela teve três oportunidades de discursar e em nenhuma apresentou medidas concretas. Disse que quer voltar à ONU para anunciar que o Brasil “se tornou um lugar seguro para ser mulher e uma das melhores nações do mundo para se criar meninas”.

    – O sistema de energia elétrica foi restabelecido na Venezuela. O apagão começou há uma semana, na quinta passada, e afetou todo o país. Um incêndio teria sido a causa do blecaute. O governo Maduro encontrou indícios materiais de sabotagem. Oposição usa episódio para tentar manter acesa a chama do golpismo e fala em corrupção e falta de manutenção do sistema elétrico.

    – Um comandante do exército do Uruguai, Guido Manini Rios, foi demitido pelo presidente Tabaré Vázquez, após criticar a justiça do país. A crítica foi pelo fato de o Poder Judiciário ter acusado militares uruguaios de violação dos direitos humanos durante a ditadura militar no país entre 1973 e 1985. Guido já havia recebido uma pena de 30 dias de detenção em 2018, após ter dado declarações polêmicas sobre a reforma da previdência dos militares do Uruguai. O ex-comandante do Exército ficou conhecido no último período por sua proximidade com Bolsonaro. Apareceu em fotos com o presidente brasileiro, enquanto o presidente Tabaré apenas cumprimentou rapidamente Bolsonaro na posse em Brasília, em 1º de janeiro.

    – Theresa May sofreu nova derrota ontem (13) no parlamento britânico. Foi aprovada resolução indicando que o governo britânico não deve trabalhar uma saída do bloco sem acordo, o que seria o Brexit duro. Hoje (14), haverá nova votação para decidir se o RU pedirá ao bloco europeu uma extensão do prazo para além de 29 de março.

    – O gasoduto Nord Stream 2, que dobrará a quantidade de gás enviado hoje da Rússia para a Alemanha, volta a ser alvo de disputa na Europa. No último dia 12 (terça), o Parlamento Europeu aprovou um projeto em que pede medidas para bloquear o funcionamento do duto. O projeto afronta a maior economia do bloco, a Alemanha, que compra 40% de seu gás de Moscou. O gasoduto está em fase final de construção e deve ficar pronto até o começo de 2020. A polêmica está no contexto da anexação da Criméia pela Rússia há cinco anos.

    – Ontem, com o massacre de Suzano, o tópico “armas” ficou na lista dos assuntos mais comentados no Twitter Mundial.

    Ana Prestes

    Socióloga, mestre e doutora em Ciência Política pela UFMG. Autora da tese “Três estrelas do Sul Global: O Fórum Social Mundial em Mumbai, Nairóbi e Belém” e do livro infanto-juvenil “Mirela e o Dia Internacional da Mulher”. É membro do conselho curador da Fundação Maurício Grabois, dirigente nacional do PCdoB e atua profissionalmente como assessora internacional e assessora técnica de comissões na Câmara dos Deputados em Brasília.

      

    Fonte: revistaforum.com.br

  • As denúncias feitas pelo miliciano Orlando de Oliveira Araújo, o Orlando de Curicica, sobre a existência de uma suposta caixinha paga a agentes públicos no Rio de Janeiro, serão investigadas em duas frentes após toda repercussão que receberam nos meios de comunicação. Depois de o ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, se manifestar, na semana passada, a favor da abertura de um inquérito na Polícia Federal, o Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) decidiu seguir pelo mesmo caminho.

    De acordo com as promotoras Letícia Emili e Simone Sibilio, responsáveis pela investigação dos assassinatos da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, em entrevista ao Jornal O Globo, o MP-RJ vai apurar os fatos narrados por Curicica. O miliciano sustenta que a Delegacia de Homicídios da Capital receberia uma propina fixa para deixar impunes os crimes atribuídos à contravenção. As promotoras aproveitaram a entrevista, no entanto, para ressaltar que não desejam a politização das investigações em respeito aos familiares das vítimas, de seus amigos e de toda a sociedade.

    As promotoras aproveitaram a entrevista para negar que o MP tenha se recusado a receber a cooperação da Polícia Federal no caso. Segundo elas, “a investigação está em curso, com atos de investigação a serem cumpridos. Em razão do sigilo, não há novas informações a serem divulgadas”.

    Fonte: CTB-RJ com informações do Jornal O Globo

     

  • A 4ª edição da Marcha das Mulheres Negras do Rio de Janeiro tomou conta da avenida Atlântica neste domingo (29). Cerca de 10 mil pessoas participaram da manifestação que pautou a luta contra o racismo e contra a violência contra as Mulheres Negras no Brasil. O ato também lembrou a luta em defesa de justiça para a vereadora Marielle Franco, brutalmente executada em um crime sem resposta que marcou toda a nação.

    O ato começou no fim da manhã (11h) no Posto 4 da Orla de Copacabana, seguindo em caminhada até o Copacabana Palace, fazendo, ao longo de sua caminhada, um grande debate sobre as questões importantes para o movimento negro e a luta pela igualdade racial e pelo fim do racismo. A temática de mais mulheres nos espaços de poder e a luta por justiça para Marielle marcaram a atividade.

    Segundo dados do Atlas da Violência 2018, do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), a taxa de homicídio de mulheres negras no país é de 5,3 por 100 mil habitantes, número 73% superior ao registrado entre as mulheres não negras, cuja taxa de homicídios é de 3,1 por 100 mil habitantes.

    A Marcha das Mulheres Negras, feita anualmente desde 2015, tem uma pauta com 27 reivindicações, que inclui o fim do feminicídio da mulher negra, a investigação dos casos de violência doméstica, o fim do racismo e sexismo na mídia, o acesso à saúde de qualidade, o fim da violência contra religiões de matrizes africanas e a entrada de mais mulheres nos espaços de poder.

    A militância da CTB-RJ esteve presente na atividade.

    Fonte: CTB-RJ

     

  • Domingo (29) é dia de milhares de mulheres negras tomarem as ruas do Rio de Janeiro para denunciar a situação precária de suas vida. A data escolhida ocorre poucos dias após o Dia Internacional da Mulher Negra, Latino-Americana e Caribenha e será a primeira marcha das mulheres negras após o brutal assassinato da vereadora Marielle Franco.

    “Nós vamos para a Marcha das Mulheres Negras defendendo melhores condições para essas mulheres trabalhadoras, que constróem nosso Estado e que são vítimas de todo tipo de violência no seu dia a dia. Vamos às ruas por justiça para Marielle. E vamos às ruas por mais mulheres negras no poder. O empoderamento das mulheres negras é um pilar essencial para a nossa democracia.” – afirmou Kátia Branco, Secretária da Mulher Trabalhadora da CTB-RJ.

    O tema das Marcha das Mulheres Negras na capital fluminense é “Pela vida do povo preto: mais mulheres negras no poder”. De acordo com Regina Souza, do Coletivo de Mulheres da CTB-RJ, “A intervenção militar trouxe uma preocupação a mais às mulheres negras porque a violência contra a juventude vem aumentando nas comunidades”.

    Por isso, diz ela, o Fórum Estadual das Mulheres Negras do Rio de Janeiro com inúmeras entidades promete sacudir a “hipocrisia dos governantes que estão acabando com as conquistas sociais da população negra no Rio de Janeiro”.

    A Secretária Nacional de Políticas de Promoção à Igualdade Racial da CTB, Mônica Custódio lembrou que“O racismo institucionalizado e o sexismo impedem que as negras tenham uma vida plena e sem medo. Principalmente as mulheres negras que estão na base da pirâmide social”.

    A concentração da marcha ocorre às 10h no Posto 4 da Praia de Copacabana e toda base social da CTB RJ está mobilizada para essa importante atividade.

    Fonte: CTB-RJ

  • No domingo (18), a Rede Globo dedicou 45 minutos de seu popular programa “Fantástico” à execução de Marielle Franco e ao assassinato de seu motorista, Anderson Gomes. Essa história vem dominando as manchetes no Brasil durante a última semana, e continua recebendo destaque em órgãos de imprensa do mundo todo.

    Esse não foi um caso em que a cobertura da Globo elevou uma história à proeminência nacional. Muito pelo contrário: O que nós vimos foi a Globo tentando assumir o controle de uma história que explodiu online graças ao ativismo cidadão e à raiva inconformada causada pelo crime, sem que se precisasse de ajuda ou amplificação dos grandes veículos de imprensa. Essa é uma das poucas vezes em que a grande mídia brasileira foi uma espectadora, não o motor, de uma história.

    A Globo pôde ver que a reação ao assassinato de Marielle vinha crescendo e se fortalecendo, indo em direções que deixam as elites brasileiras profundamente desconfortáveis. A cobertura que vimos ontem no Fantástico foi a tentativa da Globo de retomar o controle da narrativa.

    Houve partes da reportagem do Fantástico que foram genuinamente informativas e jornalisticamente impecáveis, em especial a exposição detalhada e baseada em fatos de Sonia Bridi, onde ela mostrou o, de forma assustadora, o profissionalismo e a competência demonstrados pelos criminosos, indicando de maneira convincente que seja lá quem tenha sido o mandante dessa execução sabia exatamente como o crime seria investigado pela polícia e como evitar detecção. Esse fato aterrorizante é uma peça fundamental do quebra-cabeça que é entender quem mandou matar Marielle.

    Outras partes foram verdadeiramente comoventes e apresentadas de forma belíssima, em especial as entrevistas com Mônica Tereza, a esposa inconsolável de Marielle, a sua filha, seus pais e sua irmã. A inclusão proeminente da vida e morte de Anderson, bem como uma entrevista conduzida forma muito delicada com sua viúva, são também elogiáveis.

    O programa fez jus à trajetória notável e inspiradora da vida de Marielle: da pobreza, privação e maternidade solteira aos 19, ao curso de Mestrado, ativismo pelos direitos humanos, empoderamento político e votação massiva em sua candidatura à câmara municipal em 2016.

    Esse não foi um momento insignificante na mídia brasileira: uma negra, lésbica, da Maré e do PSOL homenageada e glorificada numa das plataformas de mídia mais importantes da Globo, com milhões de pessoas assistindo. A esposa de Marielle foi incluída com destaque, e não escondida.

    As perspectivas de vários políticos de esquerda e ativistas foram incluídas de maneira respeitosa. E eles condenaram e criticaram os politicos e juízes de direita que vem espalhando mentiras sobre a vida de Marielle. Tudo isso deve ser celebrado.

    Mas Marielle era, antes de tudo, uma pessoa política: uma radical, no melhor e mais nobre sentido da palavra. Foi seu radicalismo que a tornou uma inspiração para tantos indivíduos sem voz, e uma ameaça a tantos grupos poderosos e corruptos. Seu ativismo e suas crenças políticas eram a essência de Marielle, uma parte fundamental de sua identidade, a peça central daquilo que a tornou uma figura com tanta força e poder.

    O crime que terminou com sua vida foi também estritamente político. Não há maneira de compreender a vida e o assassinato de Marielle sem uma sincera e clara discussão de sua vida política. O que faz de seu caso tão jornalisticamente relevante é sua política, que por sua vez produziu os motivos políticos para que alguém a quisesse morta. Estes são os assuntos mais difíceis e complicados, além de os mais importantes, na cobertura da vida e da morte de Marielle.

    E foram estes assuntos que o Fantástico evitou quase completamente – com exceção do momento em que os manipulou descaradamente para seus próprios interesses. No único trecho em que tratava de sua vida política, o fazia de maneira banal, com uma discussão condescendente da definição de “direitos humanos”, que o Fantástico basicamente reduziu a uma declaração paliativa e incontroversa de que todos os humanos nascem livres e devem ser tratados igualmente: proposições que virtualmente todo político brasileiro, da direita à esquerda, endossaria alegremente.

    O Fantástico drenou a política de Marielle de sua vibração, seu radicalismo e sua força, e a converteu em um gibi simplista de clichés vazios que, na prática, não seriam questionados por ninguém.

    Extinguir a sensibilidade política real de Marielle foi crucial para alcançar os objetivos da Rede Globo. As emoções derivadas do brutal assassinato de Marielle foram contundentes e poderosas. A questão é: para que fins estas emoções serão direcionadas? Que consequências elas forjarão?

    Em última análise, o que o Fantástico realmente buscava se tornou cristalino no fim de sua cobertura. Tomaram o poder ainda crescente da história de Marielle, e tentaram limita-lo à uma simples e apolítica história de interesse ordinário, algo que nos faz chorar, sentir-nos tristes, empáticos, e talvez até irritados, mas não de uma maneira que faria o espectador adotar as causas de Marielle, ou devotar sua vida à agenda política que ela simbolizava.

    A Rede Globo e seus companheiros da elite cultural enxergam um grave perigo nos efeitos do assassinato de Marielle. Eles podem ver que o caso está acordando pessoas tradicionalmente desapoderadas para a crueldade das desigualdades sociais e da intolerável criminalidade de suas forças policiais. O crime está estimulando moradores de favelas a se organizar e mobilizar.

    RJ - Rio de Janeiro - 03/15/2018 - Vel river of the councilwoman Marielle Franco - Women raise their hands in protest of the death of Marielle. The morning of this Thursday (15) in Cinel India, the wake of the councilwoman Marielle Franco, who was murdered last night in the center of Rio, after reporting abuses committed by police officers in Acari. Photo: Ian Cheibub / AGIF (via AP) As mulheres levantam as mãos em protesto contra a morte de Marielle no Rio de Janeiro em 15 de março de 2018. Photo: Ian Cheibub/AGIF/AP
    Esse crime está apontando um dedo não para os traficantes de drogas ou criminosos comuns – a narrativa favorita da Globo – mas às forças utilizadas pelas elites do país para impor seus interesses e assegurar seus privilégios: seus exércitos, suas polícias, seu sistema político tradicionalmente masculino, branco e rico.

    São estes grupos e essa política que Marielle dedicou sua vida a combater – uma luta que vai muito além da agradável, inapelável e inócua ideia de “direitos humanos” que o Fantástico priorizou. Aqueles que se sentem ameaçados pelo ativismo e pelos princípios políticos de Marielle percebem que sua morte está fortalecendo esta luta – e querem desesperadamente redirecionar estas poderosas emoções para longe do que ela acreditava e inspirava, em direção a uma ameaça menor ao poder do status quo.

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    É por isso que o Fantástico investiu pesado nas emoções humanas nesta reportagem – o sofrimento, o choro dos parentes, o assassinato de um pai de família trabalhador que sustentava seu bebê, a raiva que todos sentimos quando uma vida humana é violentamente extinta, a música fúnebre que nos deixa tristes – e ignoraram os aspectos políticos assustadores da vida de Marielle.

    A Globo sabe que não pode deter ou limitar o poder das emoções, então ela tenta torná-lo apolítico e portanto inofensivo. Ela quer que toda essa tristeza e indignação caiam no buraco negro da irrelevância política, como uma de suas super-emotivas novelas, onde o assassinato de Marielle não tenha significado nenhum além de deixar as pessoas um pouco mais irritadas com a escalada da violência no Brasil.

    Mas ainda pior que a supressão das convicções politicas de Marielle foi a tentativa do Fantástico de despolitizar sua morte – ao tentar explorar a imagem de Marielle para obter apoio à uma política que ela detestava: a “intervenção” militar de Michel Temer no Rio de Janeiro. Depois de 45 minutos construindo tristeza e raiva pelo assassinato, o Fantástico canalizou esses sentimentos de forma manipulativa e exploradora, subvertendo as causas políticas de Marielle.

    Imediatamente em seguida aos segmentos homenageando Marielle veio um sobre o assassinato horrível de uma criança no complexo do Alemão, indo em seguida para um repórter em Brasília que informou que o presidente estava naquele momento em uma reunião com ministros em busca de mais recursos para a intervenção.

    Foi nesse momento que ficou clara a agenda odiosa e ameaçadora do Fantástico. Não se tratou somente de eliminar o riso de que a morte de Marielle galvanizasse apoio para a causa política à que ela dedicou sua vida. Foi ainda pior: exploraram a morte de Marielle para fortalecer tudo que ela lutou contra.

     A mensagem do Fantástico foi tão óbvia quanto foi detestável: “agora que passamos todo esse tempo te deixando triste e com raiva pelo assassinato brutal de Marielle, você deve entender que a intervenção militar de Temer é justificada”. Oficiais do PSOL e outros ativistas de esquerda reconheceram imediatamente o que estava acontecendo e denunciaram essa distorção.

    Glenn Greenwald é jornalista e editor do Intercept Brasil. 

    Os artigos publicados na seção “Opinião Classista” não refletem necessariamente a opinião da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e são de responsabilidade de cada autor.

  • Em São Paulo, o ato em defesa da democracia e da liberdade do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva começou na Praça da Sé, às 16h, onde estiveram sindicalistas, políticos progressistas e representantes de movimentos sociais.

    Todas as pessoas que iriam discursar tiveram Lula acrescido em seus nomes. “É importante registrarmos que todas e todos somos Lula neste momento de avanço de um golpe que aniquila com os direitos conquistados e com a liberdade”, afirma Gicélia Bitencourt, secretária da Mulher Trabalhadora da CTB-SP.

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    Os discursos foram se intercalando entre todas as representações presentes ao ato que reuniu milhares de pessoas. “Lutar pela liberdade de Lula representa defender a democracia e a nação, porque estão entregando o nosso patrimônio para empresas estrangeiras”, diz Rene Vicente, presidente da CTB-SP.

    Ao se aproximar das 18h, foi iniciada uma marcha pelo centro da capital paulista rumo à Praça da República onde acontecia o show "Lula Livre, Marielle Vive", em memória da vereadora Marielle Franco, assassinada no dia 14 de março, no centro Rio de Janeiro.Cerca de 10 mil pessoas cantaram e dançaram pela liberdade e por justiça.

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    Por onde passava a marcha, as manifestações de apoio surgiam de trabalhadoras e trabalhadores nas lojas e nos bares, em todos os lugares. Principalmente quando a palavra de ordem era: “Lula Livre”.

    O show em defesa da liberdade contou com a apresentação de dezenas de artistas a favor da democracia e do esclarecimento desse cruel assassinato. A lista das músicas, de acordo com os artistas foi escolhida pelo próprio Lula.

    Estiveram no palco Fióti, Aíla, Ava Rocha, Alessandra Leão, As Bahias e a Cozinha Mineira, Bia Ferreira, Bixiga 70, Charanga do França, Chico César, DJ David Carneiro, Dada Yute, Drik Barbosa, Eduardo Brechó, Fernando Anitelli, Francisco El Hombre, Felipe Cordeiro, Guizado, Jonnata Doll, Junio Barreto, Lucas Santtanna, Luana Hansen, Luísa Maita, Lurdes da Luz, Mulamba, Nã, Rico Dalasam, Rodrigo, do Dead Fish, Samuca e a Selva e Salloma e Soledad.

    Guilherme Boulos, presidenciável do PSOL, afirmou que o avanço do golpe de Estado de 2016 está unindo as forças populares e democráticas. “Temos que ter grandeza de apresentar um projeto de futuro, junto com o desafio de enfrentar os retrocessos”, disse.

    "Vários atos estão acontecendo no país inteiro, no mundo inteiro protestando contra a injustiça que foi essa morte de Marielle e também a prisão de Lula. Acho que, quem cometeu esses crimes, contra a democracia não imaginava que haveria uma reação tão grande, tão espontânea", afirmou Chico César ao cantar a sua canção “Mama África”.

    Já Rene Vicente explica que o movimento contra o golpe cresce, “principalmente após a prisão de Lula” e vai avançar ainda mais. Tanto que “as centrais sindicais realizarão um ato conjunto no 1º de maio em Curitiba”, onde o ex-presidente está preso.

    Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB

  • Por Eliane Brum, no El País

    Bolsonaro, que governa o Brasil pela administração do ódio, deveria ser o maior interessado em desvendar o crime

    Quando soube que Marielle Franco havia sido assassinada, eu tinha acabado de chegar de Anapu, a cidade que recebeu o sangue de Dorothy Stang. Quatro tiros tinham arrebentado a cabeça bonita de Marielle e também aquele sorriso que fazia com que mesmo eu, que nunca a conheci, tivesse vontade de rir com ela. Ainda hoje tenho quando vejo a sua fotografia. E rio com Marielle. E então lembro o horror da destruição literal do seu sorriso. E então eu não choro. Eu escrevo.

    Quando a notícia chegou eu ainda estava na Amazônia, mas me preparava para pegar um avião para São Paulo. Eu carregava no meu corpo o horror de ter constatado que a violência contra os pequenos agricultores no Pará era, naquele momento, pior do que em 2005, ano do assassinato de Dorothy. Havia então, em Anapu, uma trilha vermelho-sangue de 16 execuções de trabalhadores rurais ocorridos desde 2015, pessoas que não tinham cidadania americana para chamar a atenção da imprensa.

    Dois dias antes, na estrada de Anapu, eu havia sido alcançada pela notícia do assassinato de Paulo Sérgio Almeida Nascimento, diretor da Associação dos Caboclos, Indígenas e Quilombolas da Amazônia (Cainquiama). Paulo recebia ameaças por sua atuação e fez repetidos pedidos de proteção policial. Ele cobrava providências dos governos federal e do Pará, além da prefeitura de Barcarena, sobre a atuação da mineradora norueguesa Hydro Alunorte, que comprovadamente contaminou a água dos rios da região, ameaçando a vida da população e o meio ambiente. Paulo foi assassinado dois dias antes de Marielle.

    Em Anapu, eu tinha escutado padre Amaro Lopes afirmar que sabia que estavam armando para ele, que inventariam algo para interromper sua luta. Ele era considerado o sucessor de Dorothy Stang na proteção dos direitos dos trabalhadores rurais e da floresta amazônica na região. Para mim era claro que as reais sucessoras de Dorothy eram as freiras que dividiam a casa com ela e que seguiam seu trabalho sem escorregar em vaidades pessoais. O trabalho de Amaro Lopes, porém, era importante o suficiente para ser interrompido pela violência. Duas semanas mais tarde, como o padre havia previsto, ele foi preso numa operação cinematográfica pela polícia do Pará, e acusado de quase tudo. O objetivo era assassinar a sua reputação e neutralizá-lo. Foi alcançado.

    Quando soube da morte de Marielle, era este o mapa de mortes ao redor de mim, apenas no pequeno círculo que era eu. Essas mortes, ainda que não diretamente, estavam conectadas. Elas expressavam um novo momento do país, um em que a vida valia ainda menos, e a justiça era ainda mais ausente, quando não conivente.

    Desde 2015, a tensão no campo e nas periferias urbanas crescia no Brasil. Era o resultado direto da fragilização da democracia pelo processo de impeachment, que sempre se faz sentir primeiro nos espaços mais distantes dos centros de poder. Mesmo antes de ser afastada, Dilma Rousseff (PT) já estava concedendo o que não se pode conceder, no desespero de barrar o processo que a arrancaria do cargo para o qual fora eleita. Na Amazônia, esses recados são interpretados como literalidade. E autorização.

    Os assassinatos mostraram como o Brasil arcaico tentava esmagar o Brasil insurgente que tinha avançado nos últimos anos

    Essas mortes expressavam também como o Brasil arcaico, aquele que ganhou uma imagem eloquente no retrato oficial do primeiro ministério de Michel Temer (PMDB) – branco, masculino e reprodutor das oligarquias políticas – esmagava o Brasil insurgente que tinha avançado nos últimos anos, aquele que deslocava os lugares dos centros e das periferias, confrontava o apartheid racial não oficial, rompia com os binarismos de gênero, enfrentava o patriarcado com cartazes e peitos nus.

    Eu descia a escada da casa que alugava. Ao chegar ao último degrau, tive a sensação de que o Brasil tinha sido rasgado. Comecei a descer a escada em um país, e terminei em outro. No meio, a notícia do assassinato de Marielle Franco. O corpo flagelado de Marielle era o rasgo.

    Quando viajava para São Paulo, num percurso longo de três voos, em que podia checar as informações apenas nas escalas, percebi que esse sentimento não era só meu. Uma parte do Brasil se levantava, ocupava as ruas, se retorcia e gritava.

    Matar uma vereadora eleita a tiros era um passo além na violência extrema de um país que convive com o genocídio dos jovens negros, que convive com o genocídio dos indígenas, como se fosse possível conviver com genocídios sem corromper além do possível o que chamamos de alma. O assassinato de Marielle era um passo além, um passo já sobre o vão do abismo, até mesmo para o Brasil.

    Desde 2014 eu comecei a escrever uma palavra em vários dos meus textos. Esgarçado, esgarçamento... Demorei a reconhecer o padrão. Às vezes uma palavra se impõe pelos caminhos do inconsciente que percebe o mundo a partir de outros percursos. Esgarçada, a carne do país agora se rasgava, como se os corpos furados à bala, os corpos negros, os corpos indígenas, ao se tornarem numerosos demais, tivessem tornado impossível sustentar qualquer remendo. Mesmo uma costureira amadora sabe que não é possível cerzir um pano rasgado demais, onde a pele juntada com agulha e linha de imediato se abre. Já não havia integridade possível no tecido social do Brasil porque se matou demais. Marielle Franco era o além do demais.

    Em 14 de março de 2018, o Brasil entrou numa nova fase de suas ruínas continentais

    Entendi então que também era um Brasil que morria com Marielle. E que daquele dia em diante entraríamos numa outra fase de nossas ruínas continentais. Acredito que estava certa. Mas acredito também que estava errada. Estava certa porque Marielle Franco acolhia em seu corpo todas as minorias esmagadas durante 500 anos de Brasil. Seu corpo era um mostruário, uma instalação viva, da emergência dos Brasis historicamente silenciados.

    Marielle carregava múltiplas identidades: negra, como é a maioria dos que morre; da favela (da Maré), de onde vêm os que têm menos tudo; mulher preta, a porção mais frágil e sujeita à violência da população brasileira; lésbica, o que a lança em outro grupo flagelado pela homofobia. Carregando tudo o que era – e será sempre –, Marielle elegeu-se vereadora do Rio pelo PSOL. E fez de suas identidades criminalizadas uma explosão de potência. Ela era a encarnação de um movimento que vinha tanto dos interiores quanto dos estertores do Brasil. Marielle encarnava um levante que não morreu com ela, mas que vem sendo massacrado nos últimos anos. Um levante criador e criativo que sonhava com outro Brasil, que almejava atravessar as oligarquias alegremente com seus pés descalços como o fez neste Carnaval – rumo a um outro jeito de ser Brasis, no plural.

    Marielle tinha todo esse desaforo no seu corpo e ainda ousava rir, e ria muito, como fazem as mulheres que sabem que rir é um ato de transgressão, já que chorar é o que se espera de nós.

    O Brasil que existiu de 1985 a 2016 morreu com o voto criminoso de Bolsonaro em favor do impeachment da primeira mulher presidente

    Ao mesmo tempo, eu estava errada. O Brasil pós-redemocratização, o país onde eu tinha vivido a minha vida adulta, não tinha morrido em 14 de março de 2018. Mas sim quase dois anos antes, em 17 de abril de 2016.

    Uma parte dos brasileiros soube que algo terrivelmente definitivo tinha acontecido naquele domingo em que os deputados votaram pela abertura do impeachment de Dilma Rousseff. Mesmo os que eram favoráveis ao impeachment chocaram-se com as tripas à mostra dos parlamentares, a votar em nome de Deus e da família contra uma presidenta que não havia cometido crime de responsabilidade. A vergonha atingiu quase todos nós. Ou pelo menos muitos. Muitos pela ética, a maioria talvez apenas pela estética.

    O Brasil que existira durante 31 anos, do fim da ditadura militar à votação do impeachment de Dilma Rousseff, de 1985 a 2016, morreu com o voto de Jair Bolsonaro. Nestas mais de três décadas o Brasil avançou e retrocedeu, convulsionou-se, desvelou-se, povoou-se de esperanças, conviveu com o impossível de seus genocídios e protegeu agentes de Estado que cometeram crimes contra a humanidade durante o regime de exceção.

    É da gestação dessa democracia deformada que nasce o Brasil que vivemos hoje, como já escrevi neste espaço, mais de uma vez. Mas até 2016 tivemos um país em ebulição, onde o presente era ferozmente disputado por diferentes grupos. Naquele país, o levante do qual Marielle Franco é um dos símbolos avançava pelas brechas, e avançava rápido, porque tinha séculos de atraso às suas costas.

    O voto de Jair Bolsonaro interrompeu esse processo – e encerrou uma das fases mais ricas de possibilidades do Brasil. Não apenas o impeachment, que parte da esquerda chama de “golpe”, mas a perversão do impeachment tornada explícita pelo voto de Bolsonaro. Se o voto do ex-capitão era uma expressão da anatomia do impeachment, e era, o voto era isso e também algo além disso. Um além que talvez só Jean Wyllys (PSOL), no seu ato de cuspir, tenha percebido. Não é apenas coincidência que seja ele o primeiro político exilado do Brasil do bolsonarismo.

    Naquele momento, Bolsonaro cometeu o crime de apologia à tortura e ao torturador. “Pela memória do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, o pavor de Dilma Rousseff, pelo exército de Caxias, pelas Forças Armadas, pelo Brasil acima de tudo e por Deus acima de tudo, o meu voto é sim". O então deputado federal violou o artigo 287 do Código Penal: “Fazer, publicamente, apologia de fato criminoso ou de autor de crime. Pena: detenção de três a seis meses, ou multa”.

    Ustra foi o único torturador reconhecido como torturador pela justiça brasileira. Sob o comando de Ustra, pelo menos 50 pessoas foram assassinadas e outras centenas torturadas. Havia ainda o sadismo explícito do aposto colocado por Bolsonaro: “pelo pavor de Dilma Rousseff”. A presidente foi torturada por agentes do Estado na ditadura.

    Bolsonaro consumava ali a ligação entre os dois momentos do país, saltando sobre o período democrático. Ao invocar o torturador e apontar o pavor da torturada, Bolsonaro tornou o impeachment sem base legal um novo ato de tortura contra Dilma Rousseff.

    Aquele, na minha opinião, foi o momento mais grave do país desde a redemocratização. O dia seguinte decidiria o futuro do Brasil. Se a lei fosse cumprida e Bolsonaro denunciado, julgado e preso, as instituições teriam mostrado que eram capazes não só de fazer a lei valer, mas também capazes de proteger a democracia e os princípios democráticos.

    A serviço de forças muito além de sua família, Bolsonaro era aquele soldado raso despachado para a frente de batalha para descobrir se explode ou se a tropa mais gabaritada pode avançar em relativa segurança. Como ele ameaçou uma presidente e homenageou um torturador e continuou tocando a vida porque a lei era palavra morta, o Brasil afundou ali. Menos de um mês depois, em 12 de maio de 2016, dia do afastamento de Dilma Rousseff da presidência do país, Bolsonaro mergulhou nas águas do Rio Jordão, em Israel, para ser batizado pelo Pastor Everaldo, líder do PSC.

    Foi também naquele voto que Bolsonaro virou presidente da República, ou alguém com muitas chances de se tornar presidente da República. De personagem bufão do baixo clero do Congresso, ele foi promovido a representante das forças mais arcaicas: tanto as que queriam garantir a ampliação do seu poder no Planalto, como os ruralistas, quanto as que queriam alcançar o poder central, caso dos evangélicos.

    Os generais hoje no poder deveriam ter escutado o ditador Ernesto Geisel, que chamava Bolsonaro de “mau militar”

    Naquele momento, também os setores das Forças Armadas incomodados com a Comissão da Verdade e a pressão pela revisão da Lei de Anistia viram uma oportunidade. Arriscada, mas ainda assim uma oportunidade. O ex-capitão, que era conhecido como oportunista e insubordinado, poderia ser útil para barrar a produção de memória sobre o regime de exceção e reescrever a história. Poderia ser útil também para garantir a volta dos generais ao Planalto sem o trauma de um golpe clássico, como ocorreu em 1964.

    Acreditaram poder controlá-lo. Deveriam ter ouvido um general mais experiente antes de se meter na perigosa aventura bolsonarista. Em 1993, em entrevista aos pesquisadores Maria Celina D´Araújo e Celso Castro, o general Ernesto Geisel, quarto militar a presidir o Brasil durante a ditadura, afirmou: “Não contemos o Bolsonaro, porque o Bolsonaro é um caso completamente fora do normal, inclusive um mau militar”.

    Marielle Franco foi morta neste novo Brasil, por este novo Brasil escancarado pelo crime de Bolsonaro ao votar pelo impeachment. Este novo Brasil é velho, mas também é novo. Porque o novo não é sinônimo de bom. E o velho não é sinônimo de ruim. A serviço do que há de mais arcaico e viciado na história do Brasil, Bolsonaro é novo. A serviço do que há de mais cínico na história do Brasil, o fundoportunismo evangélico das lideranças neopentecostais é novo.

    Já o novo que vem das raízes, representado por Marielle, o que vem da insurreição dos negros aquilombados, da resistência quase transcendental dos povos indígenas, das mulheres que amam suas bucetas, daqueles que não se encaixam na normatização dos corpos, é este que está sendo esmagado. Precisamos saber: Quem mandou matar Marielle? E por quê?

    Marielle foi morta também por carregar no corpo o levante dos Brasis periféricos que reivindicam o lugar de centro

    Seja qual for a resposta objetiva, concreta, que já tarda um ano, Marielle também foi morta por carregar no seu corpo o levante dos Brasis periféricos que nos últimos anos vêm reivindicando o lugar de centro. Ela era a expressão cheia de curvas de tudo aquilo que aqueles que só conseguem conviver com ângulos retos sentem compulsão por exterminar. Não apenas porque são incapazes de lidar com outras formas geométricas, mas porque quando os excluídos do Brasil ocupam as tribunas pelo voto, aqueles que acham que o poder é parte do seu destino hereditário temem por seus privilégios.

    Desde que a primeira mulher presidenta foi arrancada do Planalto por um impeachment descabeçado, a violência nas periferias da floresta, do campo e das cidades recrudesceu. A percepção era de que algo represado, contido com muito esforço, se liberava. E de fato se liberava. Todo o desejo de destruição recalcado pelo que chamam de “politicamente correto”, mas que é outra coisa, emergiu. E da forma violenta como irrompe o que é controlado com esforço, o que é empurrado para o fundo, sem trabalho de elaboração tanto na esfera pública quanto na privada. Ainda assim, as Marielles seguiram.

    Há no Brasil atual um desejo de destruição dos corpos que se recusam a ser normatizados, como os das mulheres e dos LGBTI

    É de desejo de destruição que falamos. E minha interpretação é que majoritariamente é um desejo de destruição dos corpos das mulheres e dos LGBTI, dos corpos que se recusam a ser normatizados, como Jair Bolsonaro e seus seguidores deixaram claro na campanha de 2018. Acrescentaria ainda nesta lista os corpos dos que praticam as religiões de origem africana, barreira ao crescimento das evangélicas neopentecostais, que por isso precisam ser demonizadas.

    Quando Bolsonaro invoca a tortura do corpo da presidenta ao votar pelo impeachment, é a vontade de destruição do corpo de Dilma que reafirma. Como antes já havia feito a apologia do estupro ao agredir a deputada federal Maria do Rosário (PT).

    É importante lembrar de Luana Barbosa dos Reis Santos, negra, periférica e lésbica, que foi assassinada por policiais em 2017. Assim como lembrar que foi uma mulher, Amélia Teles, torturada por Ustra, aquela que foi agredida mais uma vez pelas redes sociais ao ser ameaçada de morte por apoiadores de Bolsonaro durante a campanha. Também Amelinha foi torturada duas vezes, a segunda por ousar contar a violência que sofreu pelas mãos e ordens do herói de Bolsonaro. Como vale a pena lembrar ainda, os agentes do Estado, além de usarem os equipamentos clássicos de tortura, como os choques elétricos, costumavam também torturar as mulheres introduzindo ratos e baratas em suas vaginas, ampliando o componente misógino do sadismo.

    Os atuais donos do poder deflagraram uma guerra pelo controle dos corpos, aquilo que Jair Bolsonaro pregou como o fim das minorias, que devem “se curvar diante da maioria”. O “menino veste azul, menina veste rosa”, da ministra da Mulher, Damares Alves, não é uma distração ou um factoide – e sim a mais exata tradução de uma disputa de poder muito profunda.

    O Carnaval de 2019 perturbou tanto Bolsonaro porque mostrou que o levante continua vivo

    É necessário prestar atenção em quem foi obrigado – até agora – a deixar o país para salvar a sua vida: publicamente, um gay assumido e duas feministas conhecidas. Mas há mais gente. A violência não é sobre quaisquer corpos, mas sobre corpos específicos. O que se disputa, vale repetir, é o controle sobre os corpos que se insurgiram – o das mulheres, dos negros, dos indígenas e dos LGBTQI. Também não foi qualquer imagem que Bolsonaro escolheu para tentar desqualificar o Carnaval de 2019, mas uma relação sexual entre dois homens. Bolsonaro se descontrolou um pouco mais porque o Carnaval mostrou, apesar de toda a violência pregada pelo presidente, que o levante continua vivo. E muito vivo.

    É urgente parar de fingir. Não vivemos numa democracia. Desde que assumiu, Bolsonaro passou a usar seu poder de presidente a serviço de sua máquina de produzir linchamentos e desqualificar opositores, que trata como inimigos. A estratégia de sua ação na redes sociais, assessorado pelo filho zero dois, é a de manter a população em suspenso. Bolsonaro e zero dois vão controlando os dias e os espasmos, disseminando mentiras e direcionando ataques.

    Sejamos claros: Bolsonaro está controlando o cotidiano do país. Não pela administração pública, mas pela administração do ódio. O que vai acontecer neste país com um presidente que usa o poder e a máquina do Estado para destruir uma parcela cada vez maior da população?

    Bolsonaro e sua administração do ódio podem provocar uma tragédia a qualquer momento

    Parar de fingir que existe uma normalidade democrática é uma medida urgente para manter a sanidade mental da população. O Brasil pode explodir em ódios a qualquer momento. São grandes as chances de Bolsonaro provocar uma tragédia. Ele está fora de controle, se é que algum dia teve algum controle. E as instituições não se movem para proteger a população e a Constituição.

    Vivemos no Brasil um cotidiano de exceção. Desde o voto de Bolsonaro. E rumamos para um Estado de Exceção, desde o voto em Bolsonaro.

    A destruição do corpo de Marielle Franco, o corpo político que se recusava a ser subjugado, é até hoje o mais violento ataque. É por dignidade que se grita “Marielle Presente”. É por responsabilidade coletiva. Mas também é pela convicção de que manter viva a memória de Marielle e tornar cara a sua morte é o que possivelmente já tenha nos salvado de outros corpos arrebentados à bala pelas ruas do Brasil. Esse grito persistente é o que talvez tenha nos tenha salvado do descontrole total.

    Este Brasil que matou Marielle já era o Brasil de Bolsonaro mesmo antes de ele ser eleito. Era o Brasil em que os filhos de Bolsonaro vestiam uma camiseta com a inscrição “Ustra Vive” para disputar votos. Em que o atual governador do Rio aparece junto com dois brucutus, que depois se tornariam deputados eleitos pelo PSL. Na imagem, eles se orgulham de arrebentar a placa de rua com o nome de Marielle Franco. E atravessam seu nome com os próprios corpos, como numa espécie de estupro simbólico.

    A apuração do assassinato de Marielle Franco e de Anderson Gomes está em curso. O fato de um ano após sua morte o Brasil ainda não saber quem ordenou o crime e por que razões ordenou o crime é uma vergonha para os responsáveis, em todas as instâncias – e uma vergonha para o Brasil. Mas não só uma vergonha. O que a demora em solucionar o crime expõe é a convulsão do país em que uma polícia precisa investigar por que razões a outra polícia não investiga. Um país em que os suspeitos que acabaram de ser presos eram policiais militares.

    Bolsonaro deveria ser o brasileiro que mais deseja esclarecer a morte de Marielle e, assim, provar que coincidências são apenas coincidências

    O presidente do Brasil e sua família deveriam ser os primeiros a querer que o assassinato de Marielle Franco fosse esclarecido. E imediatamente. Deveriam ser os mais interessados em provar que as coincidências e os vários cruzamentos da família com suspeitos de terem executado o crime são apenas isso: coincidências. Não é possível governar um país sem que essas coincidências sejam esclarecidas. A cada nova coincidência, cresce na população o sentimento de descontrole.

    Só a dois dias de completar um ano das mortes é que finalmente a Polícia Civil do Rio e o Ministério Público do Rio prenderam os ex-PMs Ronie Lessa e Elcio Vieira de Queiroz. Lessa foi preso na casa de 280 metros quadrados onde vivia com a família, na mesma rua e no mesmo condomínio de Jair Bolsonaro. Da varanda da casa de Lessa é possível ver o quarto da filha de Bolsonaro. Segundo o delegado Ginilton Lages, a filha de Lessa namorou um dos filhos de Bolsonaro. Na casa de um amigo de Lessa, a Polícia Civil encontrou 117 fuzis incompletos, do tipo M-16: é a maior apreensão de fuzis da história do Rio de Janeiro.

    Ninguém é responsável pelos atos de seus vizinhos nem pelos atos dos sogros dos filhos. Mas, enquanto os mandantes do crime não forem descobertos e as motivações esclarecidas, também não há como provar que coincidências são apenas coincidências. E isso é ruim para o Brasil. É por isso que o clã Bolsonaro deveria ser o maior interessado em desvendar o assassinato de Marielle. Para o bem do Brasil.

    Porque há outras coincidências. O governador do Rio, Wilson Witzel (PSC), escreveu numa rede social que um dos cinco presos na operação “Os Intocáveis”, de janeiro deste ano, uma ação conjunta da Polícia Civil e do Ministério Público, era suspeito de envolvimento nas mortes de Marielle e de Anderson. O ex-capitão da PM Adriano Magalhães Nóbrega, hoje foragido, foi apontado pela operação como um dos líderes da milícia de Rio das Pedras, que opera um esquema de grilagem de terras, entre outros crimes e contravenções. Nóbrega também seria chefe do grupo de extermínio Escritório do Crime, suspeito de estar associado à execução de Marielle e de Anderson. Este mesmo Nóbrega foi celebrado pelo hoje senador Flávio Bolsonaro, o zero um, com moção de louvor por seu “brilhantismo e galhardia”, em 2003, e com a Medalha Tiradentes, a mais alta honraria da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, em 2005.

    As coincidências não param aí. Até novembro de 2018, a mãe e a mulher de Nóbrega trabalhavam no gabinete de Flávio Bolsonaro. O zero um atribuiu as contratações a seu ex-assessor, Fabrício Queiroz, amigo de longa data do presidente da República. Queiroz, que foi policial militar, é suspeito de comandar rachadinhas no gabinete de zero um. O esquema retém parte dos salários de funcionários nomeados de um gabinete. Queiroz também é o autor do depósito de um cheque de 24 mil reais na conta da primeira-dama, Michelle Bolsonaro.

    No final de 2018, a Polícia Federal entrou no caso Marielle para descobrir o que estava barrando a investigação do caso Marielle. “Uma investigação sobre a investigação”, como definiu o então ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann. Quando a Polícia Federal precisa ser acionada não para desvendar um caso, mas para descobrir por que o caso não é desvendado, é compreensível e mesmo esperado que a população comece a entrar em pânico.

    Jungmann disse mais: o processo de apuração do crime é “uma aliança satânica entre a corrupção e o crime organizado”. O então ministro já havia descrito o caso Marielle com as seguintes palavras: “Fica claro que existiria uma grande articulação envolvendo agentes públicos, milicianos, políticos, num esquema muito poderoso, que não teria interesse na elucidação do caso Marielle, até porque estariam envolvidos nesse processo, se não tanto na qualidade daqueles que executaram, na qualidade de mandantes”. Ele era o ministro da Segurança e tudo o que afirmava era sua impotência para elucidar o crime.

    Para manter a popularidade em alta, Bolsonaro está gestando uma guerra civil não declarada no Brasil

    Bolsonaro entra no terceiro mês de governo. Já mostrou que governa pela administração do ódio. E que essa administração é estratégica e calculada para cumprir pelo menos dois objetivos: desviar o foco das atenções sobre as suspeitas envolvendo o filho zero um, que podem atingir mais membros da família, inclusive o próprio presidente, assim como manter o país em guerra civil não declarada nas redes sociais, de forma que Bolsonaro possa escolher o inimigo a ser linchado antes que o ódio se volte contra ele.

    O presidente dedica grande parte do seu tempo a manter suas milícias digitais ocupadas, destruindo as reputações de seus críticos, e sem tempo para prestar atenção em como são tratados os assuntos urgentes do Brasil. Como já se viu, a produção de linchamentos seguidamente tem como alvos jornalistas que investigam tanto as milícias do Rio quanto o caso Queiroz.

    Jair Bolsonaro transformou o Brasil em um laboratório de administração do ódio e de seus efeitos sobre a população. É um “case”. E é muito perigoso. Quem percebe já começou a adoecer. Outros deixaram o país para não virarem mártires. O pior que podemos fazer neste momento é fingir que isso é normalidade. Ou que há normalidade possível com um presidente que controla os dias do Brasil pela administração do ódio nas redes sociais. A pressão está crescendo. As coincidências precisam ser esclarecidas o mais rapidamente possível. As instituições devem acordar.

    Quando finalmente for descoberto quem mandou matar Marielle Franco – e por quê –, não será apenas um crime que vai ser elucidado. É a anatomia do Brasil atual que poderá ser desvelada em todo o seu espantoso horror. Mas os mandantes – e os motivos – só serão revelados se continuarmos a perguntar: “Quem mandou matar Marielle? E por quê?”

    Marielle Presente!

    *Eliane Brum é escritora, repórter e documentarista. Autora dos livros de não ficção Coluna Prestes - o Avesso da Lenda, A Vida Que Ninguém vê, O Olho da Rua, A Menina Quebrada, Meus Desacontecimentos, e do romance Uma Duas. Site: desacontecimentos.com Email: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo. Twitter: @brumelianebrum/ Facebook: @brumelianebrum