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Sex, Abr

Michel Temer Eduardo Cunha

  • 1° de Maio: vídeo mostra como a pinguela Temer goleia os direitos da classe trabalhadora. Assista!

    O grupo Um à Esquerda fez um vídeo genial sobre o possível governo Temer e a goleada que a classe trabalhadora pode sofrer em seus direitos no Congresso Nacional com a pinguela para o passado programada pelo suposto governo golpista. 

    Com PSDB, Dem, PMDB, Eduardo Cunha, Aécio Neves, José Serra, Aloysio Nunes, FHC, Bolsonaro, Malafaia, o pato do Paulo Skaf e bancada BBB da Câmara dos Deputados, se a classe trabalhadora não sair para as ruas, a goleada não vai virar piada, como a sofrida para a Alemanha em 2014.

    Com narração gratuita feita pelo jornalista esportivo Juca Kfouri, o vídeo mostra a vergonha da goleada sofrida pela seleção brasileira na Copa do Mundo, mas deixa bem claro que com Temer na presidência vai ser muito pior. 

    Assista: 

     

    Portal CTB - Marcos Aurélio Ruy

  • Adilson Araújo à TV CTB: Gestão Temer é hostil para a classe trabalhadora e célere para o mercado

    "O que o Brasil testemunhou, em 2016, foi uma gestão hostil para os mais pobres, a classe trabalhadora, e célere com os interesses do mercado", resumiu, em entrevista à TV CTB, o presidente da CTB, Adilson Araújo, ao fazer balanço da gestão Temer em 2016 e sinalizar os desafios da classe trabalhadora em 2017. Segundo ele, o governo instalado no Brasil, não atuará de forma diferente em 2017.

    A entrevista faz parte de uma série que será publicada pela TV CTB em janeiro. Acompanhe!

    "As propostas de reforma da Previdência e Trabalhista deixam claro qual é o compromisso desse governo. A gestão Temer lidera uma agenda impopular e  faz coro com o rentismo quando propõe o desmonte do Estado e a desregulamentação do trabalho. Além disso, reformas como a da Previdência confirma o não compromisso desse governo com os mais pobres", destacou o dirigente nacional.

    Adilson lembra que "quem mais sofreu com a mudança dos rumos políticos, em 2016 , foi o povo humilde, os mais pobres, a classe trabalhadora. Ou seja, o Brasil que viu, da noite para o dia, o Estado Democrático de Direito ser ferido, a Constituição ser rasgada e jogada na lata do lixo e a edificação de uma agenda ultraliberal que trabalha contra os interesses da nação".

    E completou: "Em 2017, nossa luta seguirá firme contra agenda anti-povo proposta por Michel Temer. Nossa bandeira primordial neste ano que inicia é resistir a todo custo. Não há motivo e nem argumento que nos faça abrir mão das conquistas históricas da classe trabalhadora".

    Portal CTB - Entrevista Érika Ceconi

  • Adilson: 8 em cada 10 trabalhadores sofrerão com Reforma da Previdência

    Na manhã deste sábado (8), o presidente nacional da CTB, Adilson Araújo, participou de debate sobre a ameaça da Reforma da Previdência realizado pelo Movimento pelo Direito à Moradia (MDM), na sede da entidade na Av. Guarapiranga, em São Paulo.

    Ele fez balanço dos retrocessos com o Golpe de 2016, o impacto das reformas, avaliou o resultado eleitoral e apresentou a agenda de luta ca Central para o próximo período.

    "Essa reforma comete uma injustiça contro o conjunto da classe trabalhadora. Há dois anos a Anfip alerta sobre o que acontecerá ao país caso essa reforma seja aprovada. Os efeitos dessa mudança, em números, são claros: a cada 10 trabalhadores, 8 serão prejudicados! Uma situação inaceitável que levará nosso país ao caos", externou Adilson durante sua apresentação.

    Ele lembrou que o trabalhador e trabalhadora rural, que começam mais cedo e realizam um trabalho que exige muito esforço físico, terá seu tempo de contribuição aumentado. "Isso não é justo. E pior eles justificam isso ao mentir dizendo que a categoria não contribui. Ela contribui sim, já o agronegócio enche as burras de dinheiro e não contribui com 1 centavo para a Seguridade Social”.

    Ele também problematizou a questão da educação. “Será outro setor afetado. A fórmula para os cálculos dos benefícios vai incluir contribuições menores, para assim, baixar a média, e automaticamente os aposentados e aposentadas receberão contribuição menor”.

    E completou: “Um exemplo é o do trabalhador do Serviço Público que estão prestes a se aposentar, em torno de 1 a 2 anos, terão que trabalhar entre 10 a 12 anos a mais. Essa é uma injustiça contra os que dedicaram tanto tempo de trabalho e agora poderão ser obrigados a trabalhar mais de uma década para desfrutar um direito que já haviam conquistado!”.

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    CTB São Paulo

  • Ato contra PEC 241 reúne centenas de manifestantes na Câmara dos Deputados

    Entidades sindicais, movimentos sociais e parlamentares lotaram nesta quarta-feira (5) o auditório Nereu Ramos, na Câmara dos Deputados num ato de protesto contra a PEC 241/2016, projeto que congela investimentos públicos em áreas estratégicas como Educação, Saúde, Transporte Público e demais áreas sociais. A proposta, encaminhada ao Congresso por Michel Temer, pode ser votada ainda esta semana pela Casa.

     "PEC 241 nada mais é do que tirar o povo do orçamento", disse a deputada Alice Portugal (PCdoB-BA), em seu discurso no ato.

    Para o presidente do Conselho Nacional de Saúde (CNS), Ronald Ferreira, “uma vez aprovada, essa PEC vai significar menos Samu, menos cirurgia oncológica, menos Saúde da Família. A aprovação dessa PEC vai significar a morte. Por isso devemos batizar a 241 como a PEC da morte. Não podemos admitir que o principal contrato com o povo brasileiro, que foi a Constituição de 1988, seja rasgado”.

    Ontem (4), um relatório favorável à proposta foi apresentado pelo relator,  deputado Darcísio Perondi (PMDB-RS), enquanto o presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ), anunciava a votação da PEC para a segunda-feira (10).

    Um acordo entre a relatoria e o governo alterou o início do congelamento dos recursos de saúde e educação, que começaria em 2017, para 2018, com o intuito de diminuir a resistência entre os parlamentares.

    “Essa PEC não pode passar, temos que denunciar deputados e senadores que apóiam esse projeto do governo golpista que quer entregar nosso País para a privatização, terceirização e para os interesses norte-americanos. Então estamos aqui neste ato unificado para tentar sensibilizar a população a acordar para as ameaças desse projeto”, afirmou João Paulo Ribeiro (JP), Secretário do Serviço Público e dos Trabalhadores Públicos da CTB.

    Carmen Lúcia, representante da União Brasileira de Mulheres (UBM) no CNS, diz que o congelamento de gastos públicos com Saúde por 20 anos "significa também que não podemos criar um serviço novo porque esse dinheiro não cresce. Então, isso é um retrocesso sem tamanho, não vamos poder dar conta dos serviços que a área demanda porque não vamos atender nem aos serviços existentes quanto mais instituir novos. A população aumenta e o dinheiro não".

    Ao discursar em nome da CTB, Aldemir Caetano destacou - "Tudo aquilo que estava sendo construído à luz da democracia, à luz do desenvolvimento, à luz dos direitos sociais está agora sendo detido. E o grande exemplo disso é a PEC 241, aliada a uma série de projetos que estão no parlamento". 

     

    Confira aqui a íntegra do seu discurso:

     

     

     De Brasília, Ruth de Souza - Portal CTB

  • Bancários e Caixa se reúnem em 12 de dezembro

    Para discutir temas relevantes para o funcionalismo, a Comissão Executiva dos Empregados da Caixa se reúne com a direção do banco no dia 12 de dezembro, em Brasília. A mobilização dos trabalhadores é em defesa da Caixa 100% Pública, o Saúde Caixa, Funcef e melhores condições de trabalho.

    Ainda serão discutidos o fechamento de agências, PDV (Programa de Desligamento Voluntário), agências quiosque e digitais, extinção da função de tesoureiro, PSI entre VPs, meta de venda nos caixas, além do descomissionamento dos caixas, leilão da Lotex, dentre outros.

    Como as demandas são de extrema importância, os empregados devem enviar sugestões antes do dia 30 para o sindicato com propostas para serem levadas à reunião. A participação de todos é fundamental. 

    Fonte: SeeB-Bahia

  • Centrais sindicais: Unir o povo contra o fim da aposentadoria

    Com a renovada ameaça do fim da aposentadoria por parte da gestão Michel Temer e as emendas pioradas sinalizadas pela gestão Jair Bolsonaro, as centrais sindicais (CTB, CUT, Força Sindical, Nova Central, CSB, Intersindical, Conlutas) se reuniram na manhã desta quinta (1º/11) para retomar a agenda de luta em defesa da aposentadoria. 

    Ao final as centrais aprovaram nota unificada de orientação sobre os próximos passo (leia íntegra abaixo). De acordo com a nota, as centrais irão "organizar o movimento sindical e os segmentos sociais para esclarecer e alertar a sociedade sobre a proposta de fim da aposentadoria; realizar um seminário, em 12 de novembro, para iniciar a organização da campanha nacional sobre a Previdência que queremos; retomar a luta por uma Previdência Social pública, universal, que acabe com os privilégios e amplie a proteção social e os direitos".

    Durante a reunião, as entidades classificaram como "desanimadoras" do presidente eleito e alertaram que até aqui a sinalização é para um cenário de instabilidade e de maior dificuldade para nosso povo brasileiro.

    “Estamos diante de uma proposta ainda pior que a de Temer. Não só acaba com a aposentadoria tornando-a um serviço que será gerido pelos bancos, o que eles estão chamado de modelo de capitalização. Ou seja, mais um vez querem que a classe trabalhadora pague a conta. Não iremos aceitar”, alertou Wagner Gomes, secretário geral da CTB.

    9368Ele destacou alguns pontos como alerta para a sociedade: a idade mínima de 65 anos para homens e mulheres; o modelo falido de capitalização, já experimentado no Chile e que trouxe somente miséria para aquele país; o impacto para as mulheres, além de não levar em conta as diversas jornadas, elas receberão menor provento que os homens; a desvinculação do salário mínimo, reduzindo brutalmente o poder de compra do benefício; o impacto para os servidores públicos; e a manuntenção dos privilégios.

    "Acrescenta-se a esses ataques o fato de que o trabalhador e trabalhadora que se aposentar por essa proposta receberá apenas 70% do salário mínimo corrigido apenas pela inflação. Ou seja, estamos diante de uma proposta que sentencia nosso povo à miséria", emendou Gomes.

    Suicídio social

    “A implantação do modelo chileno no Brasil completaria o suicídio econômico e social em curso [no Brasil], uma vez que a Previdência Social é um dos principais sistemas de distribuição de renda no nosso país”, afirmou o economista e professor da Unicamp Eduardo Fagnani, em entrevista ao site de Lula.

    Segundo ele, 30 milhões de brasileiros recebem benefícios da Previdência Social, sendo que 70% recebem apenas um salário mínimo. “É um importante mecanismo de proteção social e que contribui para a queda da desigualdade social”, diz o economista, que explica, também, que o sistema chileno beneficia somente os fundos de pensão privada.

    Nota das Centrais:

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    Agenda

    Na reunião desta quinta, foi marcada uma plenária para o próximo dia 12/11, também no Dieese, para discutir a situação da Previdência e a agenda de ação. Na oportunidade também será lançada campanha de defesa da aposentadoria.

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    Portal CTB

  • Em entrevista, Adilson Araújo debate a geografia do golpe no Brasil

    "Não podemos ter dúvidas do que está por trás do golpe", avisa Adilson Araújo, presidente nacional da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), em entrevista aos jornalistas Railídia Carvalho e Toni C., ao alertar sobre a agenda regressiva da gestão interina de Michel Temer.

    Programa de privatização de Temer quer vender o Brasil por R$ 30 bilhões

    Na oportunidade, Araújo falou sobre a natureza do golpe, sua geografia e o que sofrerão os trabalhadores e trabalhadoras caso as reformas da Previdência e Trabalhista sejam aprovadas.

  • Justiça suspende venda de 34 campos terrestres da Petrobras

    Nesta sexta (7), Justiça do Trabalho suspendeu decisão do Conselho de Administração da estatal Petrobras e barrou venda de 34 campos de petróleo terrestres no Rio Grande do Norte.

    De acordo com a decisão do juiz do trabalho Carlito Antônio da Cruz fica suspenso, por 90 dias, a negociação. Ele determinou que a Petrobras deverá se abster de convocar nova reunião do conselho sobre o negócio, “salvo se garantir a participação efetiva do representante dos trabalhadores”.

    Os campos haviam sido negociados com a brasileira 3R Petroleum por 453,1 milhões de dólares, e a assinatura do contrato era prevista para esta sexta, quando deveria ser pago à petroleira 7,5% do valor total.

    Portal CTB - Com informações das agências

  • Não deixe que a política radical de Marielle seja explorada ou apagada

    No domingo (18), a Rede Globo dedicou 45 minutos de seu popular programa “Fantástico” à execução de Marielle Franco e ao assassinato de seu motorista, Anderson Gomes. Essa história vem dominando as manchetes no Brasil durante a última semana, e continua recebendo destaque em órgãos de imprensa do mundo todo.

    Esse não foi um caso em que a cobertura da Globo elevou uma história à proeminência nacional. Muito pelo contrário: O que nós vimos foi a Globo tentando assumir o controle de uma história que explodiu online graças ao ativismo cidadão e à raiva inconformada causada pelo crime, sem que se precisasse de ajuda ou amplificação dos grandes veículos de imprensa. Essa é uma das poucas vezes em que a grande mídia brasileira foi uma espectadora, não o motor, de uma história.

    A Globo pôde ver que a reação ao assassinato de Marielle vinha crescendo e se fortalecendo, indo em direções que deixam as elites brasileiras profundamente desconfortáveis. A cobertura que vimos ontem no Fantástico foi a tentativa da Globo de retomar o controle da narrativa.

    Houve partes da reportagem do Fantástico que foram genuinamente informativas e jornalisticamente impecáveis, em especial a exposição detalhada e baseada em fatos de Sonia Bridi, onde ela mostrou o, de forma assustadora, o profissionalismo e a competência demonstrados pelos criminosos, indicando de maneira convincente que seja lá quem tenha sido o mandante dessa execução sabia exatamente como o crime seria investigado pela polícia e como evitar detecção. Esse fato aterrorizante é uma peça fundamental do quebra-cabeça que é entender quem mandou matar Marielle.

    Outras partes foram verdadeiramente comoventes e apresentadas de forma belíssima, em especial as entrevistas com Mônica Tereza, a esposa inconsolável de Marielle, a sua filha, seus pais e sua irmã. A inclusão proeminente da vida e morte de Anderson, bem como uma entrevista conduzida forma muito delicada com sua viúva, são também elogiáveis.

    O programa fez jus à trajetória notável e inspiradora da vida de Marielle: da pobreza, privação e maternidade solteira aos 19, ao curso de Mestrado, ativismo pelos direitos humanos, empoderamento político e votação massiva em sua candidatura à câmara municipal em 2016.

    Esse não foi um momento insignificante na mídia brasileira: uma negra, lésbica, da Maré e do PSOL homenageada e glorificada numa das plataformas de mídia mais importantes da Globo, com milhões de pessoas assistindo. A esposa de Marielle foi incluída com destaque, e não escondida.

    As perspectivas de vários políticos de esquerda e ativistas foram incluídas de maneira respeitosa. E eles condenaram e criticaram os politicos e juízes de direita que vem espalhando mentiras sobre a vida de Marielle. Tudo isso deve ser celebrado.

    Mas Marielle era, antes de tudo, uma pessoa política: uma radical, no melhor e mais nobre sentido da palavra. Foi seu radicalismo que a tornou uma inspiração para tantos indivíduos sem voz, e uma ameaça a tantos grupos poderosos e corruptos. Seu ativismo e suas crenças políticas eram a essência de Marielle, uma parte fundamental de sua identidade, a peça central daquilo que a tornou uma figura com tanta força e poder.

    O crime que terminou com sua vida foi também estritamente político. Não há maneira de compreender a vida e o assassinato de Marielle sem uma sincera e clara discussão de sua vida política. O que faz de seu caso tão jornalisticamente relevante é sua política, que por sua vez produziu os motivos políticos para que alguém a quisesse morta. Estes são os assuntos mais difíceis e complicados, além de os mais importantes, na cobertura da vida e da morte de Marielle.

    E foram estes assuntos que o Fantástico evitou quase completamente – com exceção do momento em que os manipulou descaradamente para seus próprios interesses. No único trecho em que tratava de sua vida política, o fazia de maneira banal, com uma discussão condescendente da definição de “direitos humanos”, que o Fantástico basicamente reduziu a uma declaração paliativa e incontroversa de que todos os humanos nascem livres e devem ser tratados igualmente: proposições que virtualmente todo político brasileiro, da direita à esquerda, endossaria alegremente.

    O Fantástico drenou a política de Marielle de sua vibração, seu radicalismo e sua força, e a converteu em um gibi simplista de clichés vazios que, na prática, não seriam questionados por ninguém.

    Extinguir a sensibilidade política real de Marielle foi crucial para alcançar os objetivos da Rede Globo. As emoções derivadas do brutal assassinato de Marielle foram contundentes e poderosas. A questão é: para que fins estas emoções serão direcionadas? Que consequências elas forjarão?

    Em última análise, o que o Fantástico realmente buscava se tornou cristalino no fim de sua cobertura. Tomaram o poder ainda crescente da história de Marielle, e tentaram limita-lo à uma simples e apolítica história de interesse ordinário, algo que nos faz chorar, sentir-nos tristes, empáticos, e talvez até irritados, mas não de uma maneira que faria o espectador adotar as causas de Marielle, ou devotar sua vida à agenda política que ela simbolizava.

    A Rede Globo e seus companheiros da elite cultural enxergam um grave perigo nos efeitos do assassinato de Marielle. Eles podem ver que o caso está acordando pessoas tradicionalmente desapoderadas para a crueldade das desigualdades sociais e da intolerável criminalidade de suas forças policiais. O crime está estimulando moradores de favelas a se organizar e mobilizar.

    RJ - Rio de Janeiro - 03/15/2018 - Vel river of the councilwoman Marielle Franco - Women raise their hands in protest of the death of Marielle. The morning of this Thursday (15) in Cinel India, the wake of the councilwoman Marielle Franco, who was murdered last night in the center of Rio, after reporting abuses committed by police officers in Acari. Photo: Ian Cheibub / AGIF (via AP) As mulheres levantam as mãos em protesto contra a morte de Marielle no Rio de Janeiro em 15 de março de 2018. Photo: Ian Cheibub/AGIF/AP
    Esse crime está apontando um dedo não para os traficantes de drogas ou criminosos comuns – a narrativa favorita da Globo – mas às forças utilizadas pelas elites do país para impor seus interesses e assegurar seus privilégios: seus exércitos, suas polícias, seu sistema político tradicionalmente masculino, branco e rico.

    São estes grupos e essa política que Marielle dedicou sua vida a combater – uma luta que vai muito além da agradável, inapelável e inócua ideia de “direitos humanos” que o Fantástico priorizou. Aqueles que se sentem ameaçados pelo ativismo e pelos princípios políticos de Marielle percebem que sua morte está fortalecendo esta luta – e querem desesperadamente redirecionar estas poderosas emoções para longe do que ela acreditava e inspirava, em direção a uma ameaça menor ao poder do status quo.

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    É por isso que o Fantástico investiu pesado nas emoções humanas nesta reportagem – o sofrimento, o choro dos parentes, o assassinato de um pai de família trabalhador que sustentava seu bebê, a raiva que todos sentimos quando uma vida humana é violentamente extinta, a música fúnebre que nos deixa tristes – e ignoraram os aspectos políticos assustadores da vida de Marielle.

    A Globo sabe que não pode deter ou limitar o poder das emoções, então ela tenta torná-lo apolítico e portanto inofensivo. Ela quer que toda essa tristeza e indignação caiam no buraco negro da irrelevância política, como uma de suas super-emotivas novelas, onde o assassinato de Marielle não tenha significado nenhum além de deixar as pessoas um pouco mais irritadas com a escalada da violência no Brasil.

    Mas ainda pior que a supressão das convicções politicas de Marielle foi a tentativa do Fantástico de despolitizar sua morte – ao tentar explorar a imagem de Marielle para obter apoio à uma política que ela detestava: a “intervenção” militar de Michel Temer no Rio de Janeiro. Depois de 45 minutos construindo tristeza e raiva pelo assassinato, o Fantástico canalizou esses sentimentos de forma manipulativa e exploradora, subvertendo as causas políticas de Marielle.

    Imediatamente em seguida aos segmentos homenageando Marielle veio um sobre o assassinato horrível de uma criança no complexo do Alemão, indo em seguida para um repórter em Brasília que informou que o presidente estava naquele momento em uma reunião com ministros em busca de mais recursos para a intervenção.

    Foi nesse momento que ficou clara a agenda odiosa e ameaçadora do Fantástico. Não se tratou somente de eliminar o riso de que a morte de Marielle galvanizasse apoio para a causa política à que ela dedicou sua vida. Foi ainda pior: exploraram a morte de Marielle para fortalecer tudo que ela lutou contra.

     A mensagem do Fantástico foi tão óbvia quanto foi detestável: “agora que passamos todo esse tempo te deixando triste e com raiva pelo assassinato brutal de Marielle, você deve entender que a intervenção militar de Temer é justificada”. Oficiais do PSOL e outros ativistas de esquerda reconheceram imediatamente o que estava acontecendo e denunciaram essa distorção.

    Glenn Greenwald é jornalista e editor do Intercept Brasil. 

    Os artigos publicados na seção “Opinião Classista” não refletem necessariamente a opinião da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e são de responsabilidade de cada autor.

  • O golpista Temer virou réu no caso da mala de R$ 500 mil

    Caso havia tido a tramitação suspensa pela Câmara dos Deputados em 2017

    A Justiça Federal no Distrito Federal aceitou denúncia contra Michel Temer por corrupção passiva ao ser o destinatário de uma mala com R$ 500 mil e de outros pagamentos ilícitos da JBS.

    Com a decisão, tomada pelo juiz da 15ª Vara Federal em Brasília, Rodrigo Parente Paiva, passa a ser réu e responderá a uma ação penal.

    A decisão não tem ligação direta com a ordem de prisão expedida ilegalmente contra Temer na semana passada pelo juiz fluminense Marcelo Bretas, uma tentativa para levantar a moral da Operação Lava Jato, manchada por um escândalo de R$ 2,5 bilhões. O emedebista foi solto na última segunda-feira (25) após decisão de um juiz de segunda instância.

    Mala milionária

    A entrega da mala com a quantia ao ex-deputado federal Rodrigo Rocha Loures, que já foi assessor de Temer, ajudou a embasar a denúncia sobre o caso que foi levada à Câmara dos Deputados em 2017. Os deputados, porém, decidiram suspender a tramitação do caso até que Temer deixasse a Presidência. Agora, a acusação foi levada para a primeira instância no Distrito Federal.

    O procurador Carlos Henrique Martins Lima ratificou a acusação feita à época. Em sua decisão, o magistrado da 15ª Vara afirmou que, diante dos relatos de delatores e testemunhas, além de relatórios policiais, áudios e vídeos, entre outras provas, estão presentes os pressupostos processuais e as condições necessárias à ação.

    Ele escreveu que os elementos da investigação evidenciam a materialidade do crime imputado a Temer e indícios de autoria. O juiz fixou prazo de dez dias para a defesa do ex-presidente apresentar alegações iniciais.

    A defesa de Temer desqualificou a acusação, afirmando que é "desprovida de qualquer fundamento, constituindo aventura acusatória que haverá de ter vida curta, pois, repita-se, não tem amparo em prova lícita nem na lógica".

    Campeão da impopularidade

    Temer é um dos principais responsáveis pelo caos econômico, político e institucional em que o Brasil mergulho após o golpe de Estado de 2016, travestido de impeachment que o conduziu de forma ilegítima ao Palácio do Planalto.

    Aplicou durante seu curto e ilegítimo governo uma filosofia de terra arassada contra a classe trabalhadora, promovendo a aprovação da reforma trabalhista, terceirização sem limites e congelamento dos gastos públicos por 20 anos.

    Apesar das pesadas acusações de corrupção (foi considerado o “chefe da mais perigosa quadrilha do Brasil”, pelo empresário Joesley Batista) conseguiu a proeza e oncluir o mandato batendo um recorde nada honroso: foi o presidente mais impopular da história brasileria, mas corre o risco de perder o título de campeão para o trapalhão fascista Jair Bolsonaro.

    Umberto Martins, com informações da Folha de São Paulo

  • Pau-mandado que nasce torto obedece a globo

    Muito se tem falado sobre quem lidera a trama golpista contra a presidenta Dilma, eleita pelo voto popular. Nomes como o do senador josé serra* (PSDB-SP) aparece no topo da lista. E pasmem serra em 1964 era presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE).
     

    A UNE não tem culpa disso, mas teve sua sede no Rio de Janeiro incendiada pelos golpistas, numa onda de ódio parecida com a que ocorre hoje. Os argumentos são praticamente os mesmos. A diferença é que hoje os meios de comunicação tomaram as rédeas de todo o processo.

    Na lista de golpistas também aprece o nome do sinistro vice-presidente da República michel temer, do PMDB, que exerceria um mandato-tampão, dando ar de ”legalidade” ao golpe. Ledo e Ivo engando, diria Luis Fernando Verissimo, pois temer está sendo usado para ser golpeado na frente.

    Também falam que fernando henrique cardoso, do PSDB, seria o “mentor intelectual” do golpe. Pasmem mais uma vez. fhc escreveu diversos livros de análise pretensamente marxista da história. Mas quando foi eleito presidente pediu para esquecermos tudo o que tinha feito antes.

    Nós poderíamos até esquecer, mas a sua ex-namorada Mirian Dutra não esquece e prestará depoimento sobre as acusações que fez ao ex-presidente, agora timoneiro golpista, de usar verbas públicas para mantê-la com seu filho afastada do Brasil.

    Já o senador aécio neves (PSDB-MG) de tanto pedir a renúncia da presidenta Dilma acabou ele renunciando à sua postulação em favor do golpe. O senador mineiro atende assim ordem dos verdadeiros comandantes da conspiração, a família marinho, dona do maior conglomerado de comunicação do país.

    Falam também do ainda presidente da Câmara dos Deputados eduardo cunha (PMDB-SP). Esse parece se manter no cargo às custas de levar à cabo o processo de impeachment da presidenta. Depois que a mídia perder o interesse em seus serviços, já era cunha.

    O juiz de primeira instância de Curitiba, sérgio moro, é muito esforçado em dar a sua contribuição. Alçado por setores conservadores ao cargo de “herói”, moro deu inúmeras provas de subserviência aos marinho. O que será dele quando não precisarem mais de seus “serviços”?

    Pelo que se vê na realidade, esses senhores são todos verdadeiros paus-mandados da família Marinho, dona da concessão pública da rede Golpista de televisão (antigamente chamada de globo).

    Justamente os marinho envolvidos em escândalos de sonegação fiscal, de lavagem de dinheiro e de remessa de lucros para paraísos fiscais.

    Recentemente têm sido alvo de acusações de terem construído uma mansão, de fazer inveja à monarcas árabes, em área de reserva ambiental, pertencente à União. E recorreram de ordem judicial determinando a derrubada do tríplex dos marinho em Paraty (RJ).

    Imaginem se todas as ordens de desocupação contra pobres e favelados tivessem a mesma sorte. Contra os pobres a Justiça determina desocupação e sem dar tempo de recorrer, a polícia age e destrói tudo sem nem pestanejar.

    Agora imaginem a família marinho mandando novamente no país. Será que seus aliados de plantão, tipo a rede record estarão livres para concorrer, sem sofrerem perseguição dos marinho?

    Os barões da mídia em uníssono utilizam de táticas nazistas e atacam tudo o que representa o pensamento progressista da sociedade brasileira com fome do poder que estão de fora há 14 anos. Mas uma vez instalados lá, se engalfinhariam feitos trogloditas ensandecidos.

    Finalmente, os piores paus-mandados são constituídos pelas pessoas ditas pelo pensamento fascista como “pessoas de bem”. São esses que saem às ruas vestindo preto por ordem do Jornal Nacional e atacam as pessoas que suam vermelho, inclusive uma mãe com sua filhinha de meses, como aconteceu no Rio de Janeiro.

    Pau-mandado que nasce torto obedece a globo (assim em minúscula, porque não merece tratamento melhor que isso).

    Felizmente, o golpe sob as ordens da família marinho não triunfará porque o Brasil é muito maior do que qualquer rede de televisão do país e do mundo. E o Brasil é dos brasileiros, mas de todos os brasileiros e brasileiras, sem medo de serem felizes.

    Marcos Aurélio Ruy é jornalista do Portal da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil.

    Os artigos publicados na seção “Opinião Classista” não refletem necessariamente a opinião da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e são de responsabilidade de cada autor.

    *Nomes escritos com as iniciais minúsculas para mostrar o apequenamento dessas pessoas que tramam golpe contra a democracia.
  • Perdeu, pagou! Em vídeo, especialista alerta que trabalhador terá de pagar se perder na Justiça

    A reforma trabalhista, que passa a vigorar a partir do dia 11 de novembro, traz mudanças drásticas para os trabalhadores e trabalhadoras brasileiros. A nova legislação ataca direitos como férias, jornada, horário de almoço, proteção em locais insalubres. Mas o que poucos sabem é que a nova legislação também impõe mudanças nas regras de processos judiciais extremamente prejudiciais aos trabalhadores.

    Em série de vídeos, assessor jurídico da CTB explica os principais pontos da nova lei trabalhista

    É o que explica em vídeo, o advogado trabalhista e assessor jurídico da CTB, Magnus Farkatt. “Se o trabalhador mover uma ação, ele pode sair com dívidas. E isso faz com que ele desista de apelar judicialmente por direitos como horas extras, danos morais, adicional por insalubridade etc. Ou seja, além de reduzir conquistas previstas na CLT [Consolidação das Leis do Trabalho] e de enfraquecer o movimento sindical, quer também inibir o empregado de reivindicar seus direitos na Justiça”, afirma o advogado.

    Confira:

     

    A alteração mais significativa trata dos honorários de sucumbência, que é o valor pago pela parte perdedora (sucumbente) ao advogado da parte vencedora. Atualmente o trabalhador não paga honorários de sucumbência, mesmo se perder a ação. As empresas, porém, pagam nos casos em que o trabalhador vence a ação sendo beneficiário da justiça gratuita e estando assistido por seu sindicato.

    No entanto, a partir do dia 11/11 quando passa a vigorar a reforma trabalhista, qualquer parte perdedora (não mais apenas a empresa, mas também o trabalhador) deverá pagar de 5% a 15% do valor da causa ao advogado da parte vencedora.

    A lei veda ainda a compensação recíproca de honorários, portanto, cada parte paga o correspondente àquilo que perdeu.

    Isso quer dizer que se o trabalhador fizer dois pedidos e perder um, terá de pagar de 5% a 15% do valor pleiteado à parte contrária. Dependendo do caso, se ele vencer apenas uma parte da ação, pode terminar sem nada.

    Diante dessas mudanças, o advogado classifica o projeto como extremamente nefasto ao trabalhador. “O objetivo dessa mudança é aumentar os riscos de o trabalhador litigar e diminuir os ganhos dessa ação. Será uma alteração processual que só prejudica o trabalhador, diminui o acesso à Justiça e intimida o empregado de reclamar”, reforça.

    Cinthia Ribas - Portal CTB

  • Planalto escancara lobby e vai pra cima dos indecisos por Reforma da Previdência

    "Temer está no ringue e sua estratégia segue no o tudo ou nada para a votação da reforma [da Previdência]", resumiu o presidente da CTB, Adilson Araújo, ao comentar o clima no Congresso Nacional, após intenção agenda nesta terça-feira (7), em Brasília.

    Desde os primeiros dias de 2018, o governo tem atuado em todas as frentes para vencer essa batalha e iniciar o desmonte da Previdência Pública. "A estratégia vai desde participação em programa de TV de caráter popular até a elaboração de lista de quem vota pela reforma", indicou o dirigente.

    No último dia 30 de janeiro, documento publicado pela Agência Reuters revelou lista de quase 90 parlamentares que o governo vê como indecisos sobre a reforma. A agência confirmou a existência da lista através da assessoria do Palácio do Planalto. O objetivo da lista, de acordo com informações dos corredores do Planalto, é municiar os agentes de mercado e empresários no convencimento dos indecisos pela aprovação da proposta. 

    E para reforçar o lobby, nesta quarta-feira (7), o relator da reforma da Previdência, deputado Arthur Oliveira Maia (PPS-BA) apresentou novo texto da proposta. "Agora, o governo beneficia a Bancada da Bala em troca de votos. A cada dia é mais sórdida a campanha de Temer pela reforma", avaliou Adilson.

    Resistência contra a reforma 

    "A defesa do direito a uma aposentadoria digna é uma pauta que une a classe trabalhadora desde maio 2016, quando Temer anunciou o pacote de reformas. De lá pra cá os trabalhadores e trabalhadores de todo o Brasil ocuparam as ruas, realizaram uma GRANDE GREVE GERAL, que paralisou mais de 40 milhões em todo o país; uma GRANDE MARCHA DA CLASSE TRABALHADOR, em Brasília, reunindo mais de 200 mil na Praça dos Ministérios; sem falar nas dezenas de atos, marchas e protestos para denunciar essa proposta", rememorou o presidente da CTB, Adilson Araújo.

    Ele destaca que "essa luta foi possível pelo empenho e entendimento do que está em jogo com essa reforma. Está claro que o governo não está poupando esforços para aprovara essa PEC. Idas a programas de TV, campanhas mentirosas e assédio pelos corredores do Congresso. Testemunhamos de tudo, mas o povo entendeu e não vai abrir mão de sua aposentadoria e o parlamentar indeciso também sabe que se votar pelo fim da aposentadoria, não vai voltar em 2018".

    Sobre a PEC 

    Para aprovar a Reforma da Previdência na Câmara, por se tratar de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC), precisa de ao menos 308 votos favoráveis dentre os 513 deputados em dois turnos de votação. Depois, ainda precisa passar pelo Senado.

    Fontes do Planalto indicam que, hoje, o governo contabiliza 270 votos pela aprovação, faltando 38 votos para se alcançar o mínimo necessário. Uma conta que não fecha, já que a tal lista possui 90 nomes.

    Baixe nossa cartilha e entenda o desmonte da Previdência Social Pública 

     

    Portal CTB

  • Transição: coincidências entre Jair Bolsonaro e Michel Temer

    A ideia do novo presidente é aproveitar esses meses que antecedem a posse para adiantar alguns temas de sua agenda, para que possa se dedicar à luta política contra os movimentos sociais e os partidos de esquerda, enquanto seus operadores tocam a chamada agenda estrutural, ou seja, as reformas de grande interesse do Estado, como as mudanças nos marcos regulatórios da economia, a reforma administrativa e uma robusta reforma da Previdência.

    O presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) sabe que sua “lua de mel” com os eleitores — caracterizada por aquele período de 6 meses de condescendência da sociedade — começa a contar desde a eleição, e não a partir da posse, como em governos anteriores. Pensando nisso, quer aproveitar o período de transição e a coincidência de agenda liberal e fiscal entre ele e o governo Michel Temer para aprovar alguns pontos da pauta econômica, especialmente aqueles remanescentes da chamada agenda 15, apresentada por ocasião da suspensão da votação da reforma da Previdência, além de adiantar algumas medidas fiscais.

    Entre os pontos remanescentes que podem ser objeto de deliberação ainda no atual Congresso podemos mencionar os projetos de lei e medidas provisórias em tramitação nas 2 Casas do Congresso, que tratam dos seguintes temas:

    1) agenda da chamada melhoria do ambiente de negócio,

    2) concessão pública e venda de ativos, e

    3) projetos sobre matérias com impactos fiscais e tributários.

    No 1º grupo das proposições, que dispõem sobre a chamada melhoria do ambiente de negócio, podemos citar:

    1) o projeto de lei que trata do cadastro positivo, pendentes de votação destaques na Câmara;

    2) o projeto de lei das telecomunicações, sob exame do Senado;

    3) o projeto da autonomia do Banco Central, que poderá receber substitutivo na Câmara a partir de sugestão da Presidência do Banco Central; e

    4) o projeto que muda as regras sobre distrato nas operações de compra e venda de imóveis, sob exame do Senado.

    No 2º grupo sobre concessão e venda de ativos, o 1º projeto trata da cessão onerosa do excedente do pré-sal, sob exame do Senado; a 2ª proposição disciplina e regula os poderes e atribuições das agências reguladoras, que aguarda manifestação da Câmara, após ter sido aprovado no Senado; e o 3º projeto dispõe sobre a privatização da Eletrobras, que aguarda manifestação do plenário da Câmara dos Deputados. Desse grupo, este último projeto poderá ter dificuldade de aprovação.

    No 3º grupo, dos temas fiscais, podemos mencionar a proposta orçamentária para 2019, que sofrerá ajustes por sugestão do novo governo; o projeto de lei que trata do teto remuneratório, sob exame da Câmara dos Deputados; o projeto de lei de tributação dos fundos de investimentos, que também aguarda manifestação da Câmara dos Deputados, além da Proposta de Emenda à Constituição da reforma da Previdência, que espera manifestação do plenário da Câmara, mas depende da suspensão da intervenção federal na segurança do estado do Rio de Janeiro.

    Todas as propostas já mencionadas, sem nenhuma exceção, foram encaminhadas ao Congresso pelo governo de Michel Temer ou partiu de sua base de apoio e têm seu incondicional apoio, o que prova que o futuro governo Bolsonaro, ao contrário do que disse na campanha, é de continuidade, já que faz sua praticamente toda a agenda liberal/fiscal remanescente.

    Além dos temas que fazem parte da agenda Michel Temer ou da agenda “Ponte para o futuro” e das “maldades” via medida provisória, o governo Bolsonaro quer aproveitar esses 2 últimos meses de funcionamento do Congresso para incluir alguns temas de sua pauta conservadora, particularmente relacionada a pontos como Escola sem Partido, desfiguração do Estatuto do Desarmamento, votação de proposta de emenda à Constituição sobre redução da idade penal, entre outros compromissos com as bancadas evangélica, ruralista e da bala.

    A ideia do novo presidente é aproveitar esses meses que antecedem a posse para adiantar alguns temas de sua agenda, para que possa se dedicar à luta política contra os movimentos sociais e os partidos de esquerda, enquanto seus operadores tocam a chamada agenda estrutural, ou seja, as reformas de grande interesse do Estado, como as mudanças nos marcos regulatórios da economia, a reforma administrativa e uma robusta reforma da Previdência.

    O interesse pela reforma da Previdência agora seria apenas um remendo para dar uma primeira satisfação ao mercado, com aumento da idade mínima, enquanto prepara o pacote previdenciário, que inclui:

    1) um pilar assistencial, com valor em torno de 70% do salário mínimo;

    2) um pilar público contributivo, em torno de 2 salários mínimos; e

    3) um pilar privado, no regime de capitalização, de caráter complementar e facultativo.

    Paralelamente ao novo desenho, válido para os futuros segurados, seriam modificadas as regras dos atuais segurados, possivelmente com a instituição de redutor nas aposentadorias dos servidores, o provável aumento da contribuição previdenciária, a provável desvinculação dos benefícios assistenciais do salário mínimo, a possível desvinculação dos pisos previdenciários, urbanos e rurais do salário mínimo, e ampliação dos requisitos, tanto de idade quanto de tempo de contribuição, além de mudança no cálculo do benefício.

    Quanto à reforma administrativa, a equipe do novo governo discute e elabora propostas com vistas a:

    1) fim da estabilidade ou a adoção da avaliação de desempenho para efeito de dispensa de servidor;

    2) reestruturação das carreiras de Estado, com redução do salário de ingresso;

    3) redução drástica de novos concursos;

    4) transferência de atribuições da União para estados e municípios;

    5) ampliação da terceirização, incluindo áreas que atualmente são exercidas por servidores de carreira; e

    6) redução do número e transversalidade das carreiras, que poderão servir em qualquer área do governo.

    Ainda no período de transição — e o aliado Michel Temer já se colocou à disposição — o novo governo pretende “alugar” a mão e a caneta do atual para editar uma série de medidas provisórias com a adoção de várias medidas impopulares, especialmente na área fiscal. Estariam entre as prováveis medidas restrições graves nos critérios para concessão de benefícios previdenciários, inclusive a revogação da fórmula 85/95, instituída para os segurados do INSS durante o governo Dilma.

    Esse conjunto de medidas e ações faz parte do ideário do governo Bolsonaro e, se depender dele, parte dos temas será aprovada ainda durante o atual governo, aproveitando os 2 meses de trabalho do governo Temer e do atual Congresso Nacional.

    Os desafios, como se pode ver, são muitos e ameaçadores, porque pressupõem o desmonte do Estado e dos direitos sociais e previdenciários dos trabalhadores da iniciativa privada e do serviço público. Entender e resistir é preciso.

    *Jornalista, consultor, analista político e diretor de Documentação do Diap. Texto publicado originalmente na revista eletrônica Teoria & Debate.