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Sex, Abr

mídia golpista

  • “Como jornalista, estou chocado com a mídia do Brasil”, diz Glenn Greenwald

    Glenn Greenwald: “Como jornalista, estou chocado com a mídia daqui”. Jornalista norte-americano critica o envolvimento de veículos como Globo, Veja e Estadão em ataques recorrentes ao governo: “Eles fingem ter imparcialidade, mas na realidade agem como a principal ferramenta de propaganda [da oposição]”

    O jornalista norte-americano Glenn Greenwald, que ficou conhecido após ter sido escolhido por Edward Snowden para revelar ao mundo a espionagem em massa do governo dos Estados Unidos, publicou ontem (11) uma longa entrevista com o ex-presidente Lula no site The Intercept. Durante a conversa, ele fez uma série de críticas à parcialidade da imprensa nas notícias que envolvem o governo federal.

    “Quero discutir o papel da mídia brasileira incitando os protestos e pressionando a saída da Dilma. Como jornalista, não sou brasileiro, mas moro no Brasil há muito tempo, estou chocado com a mídia daqui. Como as Organizações Globo, Veja, Estadão, estão tão envolvidos no movimento contra o governo, defendendo os partidos da oposição”, disse.

    “Eles fingem ter imparcialidade, mas na realidade agem como a principal ferramenta de propaganda. O controle das organizações da mídia, por poucas famílias muito ricas aqui no Brasil, é um perigo para a democracia?”, perguntou ao líder petista, que concordou com o jornalista e ressaltou que muitos meios de comunicação estimulam o ódio no país.

    Essa não é a primeira vez que Greenwald manifesta sua opinião sobre o assunto. Em um artigo publicado em março, ele fez um alerta para que a cobertura internacional não repita o discurso das “fontes midiáticas homogeneizadas, anti-democráticas e mantidas por oligarquias no Brasil”, com o risco de reproduzir informações enviesadas e incompletas.

    Fonte: Revista Fórum

     

  • Bolsonaro ampliará financiamento de mídia alinhada com extrema direita

    Confirmando a sinalização dada ainda durante a campanha eleitoral, o governo do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) confirmou que fará redução drástica na distribuição de verbas publicitárias direcionadas ao veículos de comunicação tradicionais, alguns deles que, inclusive, apoiaram a sua eleição.

    A decisão segue o modelo inaugurado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que quando eleito passou a privilegiar sites, blogs e ações nas redes sociais alinhados à extrema direita no EUA.

    De acordo com informações da coluna do jornalista Lauro Jardim, de diário O Globo, haverá "uma desidratação do montante hoje empregado para anúncios em jornais, revistas, TVs e rádios", mas "serão mantidos os patamares atuais para sites e será mantido ou ampliado o gasto com redes sociais". 

    Ministério

    Para comandar a Secretaria de Comunicação Social (Secom) ao longo de seu governo, Bolsonaro indicou o general da reserva Floriano Peixoto Vieira Neto. Entre suas atribuições estão a administração das relações com a mídia e revisão dos contratos de publicidade vigentes.

    Portal CTB - Com informações do O Globo

  • Jornalismo? O Globo comemora no Twitter após votação do impeachment

    Um vídeo antigo no youtube fazia uma memória das posições da igreja diante diversos absurdos históricos. O vídeo terminava justamente perguntando quanto tempo a igreja católica demoraria a pedir desculpas pelas vítimas da AIDS — numa alusão à proibição do uso de preservativos.

    O Brasil assistiu a diversos editoriais — inclusive na rede Globo — que pediram desculpas ao país pelo apoio à ditadura militar. A folha de São Paulo — assim mesmo, com minúsculas — pediu desculpas e depois escancarou “ditabranda” em suas páginas. Depois, novo pedido de desculpas.

    Em meio ao processo de impeachment, a mesma folha, bem como diversos outros veículos de comunicação, aceitaram, em suas páginas na internet e nos impressos, o dinheiro da FIESP, ao estampar gigantescos patos amarelos — aquele pato, roubado de um holandês — em meio ao noticiário que — eles — dizem ser imparciais.

    Enquanto isso, nas ruas, um fotógrafo perde um olho devido a um tiro de bala de borracha da PM paulistana. E é condenado por isso — o termo jurídico não é condenado, o termo correto, sim. A mesma folha, ao ter uma fotógrafa atingida fez editoral considerando abusiva a postura da polícia de Alckmin.

    A mesma polícia que ontem (30 de julho de 2016) protegia com escudos e bombas e balas e porretes, a sede do outrora “Folha da Manhã”.

    O Estadão, imparcial que só ele, foi além. Em editorial publicado hoje “O fim do torpor” afirma que a “a consciência crítica da nação ficou anestesiada” durante os anos de governo do PT. Nem Magno Malta, senador da mais bizarra oposição ao governo — capaz de citar os 10 mandamentos se preciso for, para promulgar uma lei — foi tão longe. Ontem, em seu pronunciamento dizia que o país melhorou muito nos anos de Lula e Dilma, que só um imbecil não via isso, ainda que atribuísse os ganhos sociais ao PSDB. #FicaADica para o jornal.

    Pois hoje o jornal O Globo — ou seu estagiário — momentos após o resultado da votação do impeachment — que é golpe — tuitou uma singela bandeira do Brasil. Discreto, mas bastante simbólico da luta de classes que está colocada no país. Os “brasileiros” — que apoiam e já começaram (ontem mesmo, na Câmara dos Deputados) a venda da maior estatal nacional — contra os bolivarianos, comunistas, petralhas do Foro de São Paulo.

    O processo iniciado com a chantagem de Cunha teve e terá sempre o apoio das organizações de mídia. Não apenas pelo dinheiro que será injetado em propagandas, mas também com o final da CLT, uma das maiores preocupações das grandes empresas, sobretudo as jornalísticas, onde repórteres e fotógrafos não têm direitos, são todos “pessoas jurídicas”, porque o anúncio que paga o dono do jornal, não comporta — em seu lucro — os direitos de quem propaga ao público deturpações da realidade nacional.

    E nessa toada seguimos, nós da mídia independente, cada vez mais criminalizados, cada vez mais marginalizados e cada vez com mais credibilidade, alcance e importância.

    Porque informação não tem preço. Produto sim.

    Quanto tempo a mídia nacional vai demorar a pedir desculpas desta vez?

    Por Victor Amatucci, da Agência Democratize

  • O autoritarismo da Lava Jato e a conivência da mídia, segundo dois de seus opositores; assista

    No terceiro e último encontro da semana no Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, o ex-ministro da Justiça Eugênio Aragão e o jornalista Paulo Moreira Leite debateram sobre osefeitos da midiática Operação Lava-Jato no cenário político brasileiro. A conversa faz parte dos eventos da Semana Nacional pela Democratização da Comunicação.

    Você pode assistir ao debate na íntegra logo abaixo, mediado pela coordenadora do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação, Renata Mielli:

    Eugênio Aragão era o ministro da Justiça de Dilma Rousseff quando a Lava Jato tornou-se o monstro midiático que mergulhou o país no caos. Em sua fala, uma coisa é clara: o procurador aposentado não tem grande admiração pelos “meninos da Lava Jato”.

    Eu costumo dizer que a Operação Lava Jato foi, acima de tudo, uma grande vitória corporativa do Ministério Público. Desde o caso de Fernando Collor, surgiu esse impulso de heroísmo individual. Houve um processo de fulanização da Justiça, a imprensa deu capas falando dos meninos que ajudavam o procurador-geral como ‘Os Intocáveis’. Eu não tenho dúvidas de que muitos seguiram carreira do Ministério Público porque estavam impressionados”, explicou.

    Aragão criticou o excesso de benesses da carreira de procurador no Brasil, e acusou o sistema atual de favorecer dinastias. “Vocês imaginem o que é um menino que acabou de começar a carreira do Direito poder ganhar R$ 29 mil, olhar para o seu governador do Estado de olho a olho, poder esfregar a carteira na cara de qualquer autoridade… Isso realmente deixa qualquer um fora da casinha. Esses meninos estudam muito, porque têm o papai para bancar os anos que precisam para isso, e têm o objetivo de ir da periferia para o centro. São muito consumistas, muito acostumados com o conforto, e estão em busca da auto-afirmação. A Lava-Jato é isso: um grande projeto de auto-afirmação”, continuou.

    A avaliação do ex-ministro é de que a Lava Jato poderia ter contribuído para a moralização do ambiente de negócios no Brasil, mas se perdeu na “forma atabalhoada” como foi executada pelo Ministério Público. “Eles atribuíram para o Direito Penal um papel muito mais amplo do que ele pode exercer, de limpar a sociedade, e isso leva a todo tipo de comportamento autoritário”, avaliou. “Essa garotada não tem noção de economia, nem noção de política, nem noção de empresa. Se a gente pegar a Volkswagen, lá na Alemanha… ora, é uma empresa que não prima pelos métodos mais honestos. Agora, não me parece que veio nenhum promotor alemão aplicar multas exterminadoras de sua saúde econômica. Ninguém está interessado em acabar com a Volks, ela é um símbolo da Alemanha”.

    Paulo Moreira Leite, por outro lado, preferiu abordar a questão pelo aspecto da disputa midiática em torno da Lava Jato. Ele foi o autor do livro “A Outra História da Lava-Jato”, que expõe as violações cometidas pela equipe de Sergio Moro.

    Nós erramos feio ao não criar uma mídia progressista forte, capaz de competir com a grande mídia de igual para igual. A Lava Jato foi o começo de um projeto de um Estado de Exceção do Brasil, e ela é inseparável da mídia. Ela representa uma grande fantasia, uma grande ideologia, que coloca a corrupção como o grande mal do Brasil. Isso já havia sido feito na década de 50, quando a mídia tentou usar a mesma estratégia contra Getúlio Vargas”, relembrou, delineando a estratégia midiática daquela época. Leite enxerga nessa abordagem uma mentalidade que desqualifica o povo e suas decisões, no mesmo tom usado pelo General Mourão em seu recente discurso, no qual insinuou a possibilidade de um golpe militar.

    “Há um agravamento do pensamento unitário na mídia. Se há 30 anos você via uma certa diversidade no discurso da imprensa, hoje você tem uma casta que cria uma ideologia única, que justifica um projeto de desvalorização nacional, de entrega. Eles agem como se, no resto do mundo, o capitalismo fosse uma coisa pura, como se não acontecessem os mesmos processos de tráfico de influência e lobby que nós vemos por aqui”, acusou. É nesse contexto que o Sergio Moro e a Lava Jato são alçados ao posto de herói.

    “Os governos Lula e Dilma fizeram uma opção de buscar avanços sociais com o mínimo de conflito possível, e isso deu certo por um tempo, mas é muito complicado você tentar fazer isso no espaço da mídia, porque mídia é poder. Nós achamos que poderíamos ser clientes dessas empresas, e mesmo com a forte moderação daquele governo, ele ainda era visto como inimigo. Nós vivemos achando que a mídia vai dar a outra face, e eles nunca fizeram isso”, concluiu.

    Apesar do tom crítico, Leite vê possibilidade de reação no fato de que não há um vencedor no cenário político atual. A desmoralização da Lava Jato abre a possibilidade de uma nova atitude com relação à abordagem do público no Brasil - uma que seja menos policialesca, e mais propositiva. “A eleição será determinante. Dependendo de como for, o país vai andar de um jeito ou de outro. Ela nos obriga a estreitar laços com nosso público, a reassumir o caráter de ‘imprensa alternativa’”.

    Por Renato Bazan - Portal CTB