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Seg, Dez

Mídia Ninja

  • "Escola Sem Partido transforma estudantes em meros robôs", diz dirigente sindical

    A Comissão Especial da Escola Sem Partido (projeto de lei 7.180.2014) fez nesta terça-feira (14) uma audiência pública na Câmara dos Deputados, em Brasília, porque a lei assim determina.

    A audiência teve a participação do professor da Universidade Federal de Pernambuco, Rodrigo Jungmann, do reitor do Colégio Pedro II, do Rio de Janeiro, Oscar Halac, do fundador do Movimento Escola Sem Partido, Miguel Nagib e do dirigente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação, Gilmar Soares.

    A discussão se concentrou na questão de qual modelo de escola a sociedade deseja para o país. Os defensores do projeto defendem a submissão do projeto pedagógico aos ditames dos pais e os contrários pretendem que a escola seja, plural, laica e livre.

    De acordo com Nagib, a Escola Sem Partido pretende limitar a atuação dos profissionais da educação. Ele defende que os pais devem determinar os conteúdos que os filhos devem aprender. “Meus filhos, minhas regras”, define.

    Já para o educador Halac, o projeto entende o educando como um indivíduo sem autonomia, sem inteligência. Ele critica o termo utilizado por Nagib de que a escola prega a “ideologia de gênero” e acredita que a “escola pública deve atender a todos e todas e formar o cidadão brasileiro”.

    O relator da comissão especial, deputado Flavinho (PSB-SP) lembra que serão feitas inúmeras audiências públicas pelos estados. Essa comissão tem caráter conclusivo, ou seja, se aprovar, o projeto vai direto para o Senado.

    Marilene Betros, dirigente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), não vê cabimento na Escola Sem Partido. “Com esse projeto estaremos retrocedendo décadas".

    Para ela, "os profissionais da educação vêm lutando anos a fio por uma escola que contemple todas as necessidades e os anseios da nossa juventude, num país continental e tão diverso como o nosso”, explica.

    A professora baiana lembra ainda que as educadoras e educadores brasileiros têm uma greve marcada para o dia 15 de março, em defesa da valorização profissional, da educação pública e da liberdade de cátedra.

    “Nenhum profissional que tenha compromisso verdadeiro com a educação pode defender esse projeto que destrói a capacidade de ensinar e torna os estudantes meros robôs”, ataca. “A CTB é visceralmente contra todo e qualquer projeto que não respeite a cidadania, a liberdade e a vida”, defende Betros.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

    Assista a audiência pela Mídia Ninja: 

  • "Se o jogo fosse limpo, ela já ganhava", diz Chico Buarque sobre julgamento de Dilma

    Convidado pela presidenta Dilma Rousseff a assistir ao seu julgamento no Senado, o cantor, compositor e escritor Chico Buarque falou brevemente ao Mídia Ninja ao deixar a Casa, em um dos intervalos da sessão. Ele abordou a dificuldade em se reverter os votos de senadores, já comprometidos com o golpe.

    "O jogo é complicado, se o jogo fosse limpo, ela já ganhava, né?", disse Chico Buarque, após elogiar a postura serena e firme da presidenta em suas respostas durante o julgamento.

    O artista tem participado dos protestos contra o golpe no Rio. Recentemente, ele foi ao Ocupa Minc RJ (veja aqui), no antigo Canecão, e cantou - atendendo pedidos da plateia - a sua canção de protesto "Apesar de Você" e deu o pontapé inicial em uma bola de futebol pelo "Fora Temer".

    Ele acompanhou todo o depoimento da presidenta Dilma na parte da manhã e depois almoçou com ela e com o ex-presidente Lula.

    Assista à breve entrevista ao Mídia Ninja

    Marcos Aurélio Ruy - Portal CTB

  • #EleNão: 500 mil nas ruas de São Paulo contra o fascismo e o retrocesso

    As manifestações contra o candidato da extrema-direita, Jair Bolsonaro, lotaram as ruas de ao menos 114 cidades em todas as unidades da federação do país. A maior delas, no Largo da Batata, em São Paulo, reuniu 500 mil pessoas, segundo a organização, durante todo o ato liderado pelo movimento Mulheres Contra Bolsonaro.

    A CTB marcou presença porque “nós queremos receber o 13º salário, o abono de férias e remuneração igual para trabalho igual”, afirma Gicélia Bitencourt, secretária da Mulher Trabalhadora da CTB-SP. Além disso, diz ela, “esse candidato representa o aprofundamento mais radical das reformas feitas por Michel Temer que causaram desemprego, recessão e retirada de conquistas fundamentais da classe trabalhadora”.

    Gente de todos os gêneros, cores, ideologias, idades, crenças religiosas, coloriram as ruas de São Paulo com a força das mulheres e da juventude para disseminar o amor contra o ódio. “Nós não aceitamos o retrocesso e a humilhação”, acentua Luiza Bezerra, secretária da Juventude Trabalhadora da CTB.

    Para ela, “as forças do campo democrático e popular unidos saberão dar um sonoro não à candidatura do ódio, das armas e da violência. O Brasil precisa de paz, de mais educação, mais saúde, mais justiça, com valorização do trabalho e combte às desigualdades”. Um cartaz dizia: "Vote como uma garota, ele não" e as mulheres cantavam alegres: "O Bolsonaro pode esperar, a mulherada vai te derrotar".

    A manifestação suprapartidária contou com a presença dos presidenciáveis Guilherme Boulos (PSOL), Marina Silva (Rede) e Vera Lúcia (PSTU) e das candidatas à vice-presidentas Manuela D’Ávila (Fernando Haddad), Kátia Abreu (Ciro Gomes) e Sonia Guajajara (Boulos), além de muitos artistas e candidatas e candidatos ao Congresso Nacional e à Assembleia Legislativa de São Paulo.

    “Nós defendemos a liberdade das mulheres, ele não. Nós defendemos o 13º salário, e o direito das trabalhadoras e trabalhadores, ele não. Nós gritamos ‘fora Temer’, ele não. Nós defendemos que as mulheres, os negros, os indígenas, LGBTs tenham dignidade e façam parte de um grande sonho de Brasil, ele não”, postou Manuela em seu Twitter.

    Parte dos manifestantes rumou em passeata por onze quilômetros até o vão do Masp (Museu de arte de São Paulo Assis Chateaubriand), na Avenida Paulista. Durante o percurso muitos "buzinaços" de apoio, um “Lulaço” improvisado com os trompetistas que puxam essas manifestações em diversos pontos do país e cantos e palavras de ordem pela liberdade.

    Por volta das 20h40, terminou o ato com a disposição de se manter o moivmento de resistência ao fascismo firme e forte, mesmo após a eleição. "As mulheres e a juventude mostraram que a unidade é possível para a superação da crise, com criação de empregos e de um projeto nacional de desenvolvimento voltado para os direitos de todas as pessoas", conclui Luiza 

    Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB. Foto: Mídia Ninja

  • #EleNão: Cinelândia, no Rio, fica pequena para a multidão contra Bolsonaro, neste sábado

    A manifestação deste sábado (29) levou mais de 300 mil pessoas, de acordo com a organização, no palco histórico de lutas de resistência da Cinelândia, no centro do Rio de Janeiro, para gritar #EleNão “contra o machismo, o racismo, a LGBTfobia e contra todo o retrocesso que o candidato Jair Bolsonaro representa não apenas para as mulheres e as chamadas minorias, mas para toda a classe trabalhadora e o país”, diz Kátia Branco, secretária da Mulher Trabalhadora da CTB.

    A sindicalista fala emocionada sobre a numerosa presença no ato unificado das forças democráticas do país. ”Foi emocionante ver tantas mulheres, crianças, homens e LGBTs numa só voz em defesa da democracia de da vida das mulheres, dos jovens, dos negros e dos LGBTs”, acentua.

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    CTB-RJ contra Bolsonaro e o retrocesso que ele representa

    A manifestação na Cidade Maravilhosa contou com a presença de inúmeros artistas que abraçaram a causa do #EleNão para “o Brasil recuperar o Estado Democrático de Direito, com valorização do trabalho e respeito aos direitos humanos e individuais”, ressalta Paulo Sérgio Farias, o Paulinho, presidente da CTB-TJ.

    “A unidade do movimento das Mulheres Unidas Contra Bolsonaro trouxe de volta o brilho nos olhos de quem defende a liberdade e a justiça”, reforça Paulinho. Como em todo o país, no Rio, a manifestação contou com a participação de militantes de vários partidos e movimentos sociais.

    Kátia lembra que o projeto da candidatura de extrema-direita "quer liquidar de vez com os direitos da classe trabalhadora, extinguindo o 13º salário, o abono de férias, o vale-transporte e o vale-alimentação, além de apoiar a reforma trabalhista e o projeto que acaba com a nossa aposentadoria”.

    Para ela, “as mulheres estão escrevendo um novo capítulo da história do Brasil. Estamos nas ruas faz tempo e delas não sairemos até sepultarmos de vez a opressão contra a luta pelos direitos de vida digna para todas e todos os brasileiros. A multidão caminhou atá a Praça XV e encerrou o ato com a certeza da vitória".

    Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB. Foto: Mídia Ninja (destaque)

  • A Folha saiu do Facebook. E agora?

    Decisão do jornal é uma tentativa de se reposicionar na disputa por audiência e credibilidade, e escancara os graves problemas do Facebook no controle, sem transparência, da distribuição de conteúdos.

    Nesta briga de titãs, não nos cabe defender um ou outro monopólio. Mas não resta dúvida: Já passou da hora de mais setores da sociedade, em particular da mídia alternativa, repensarem sua presença no Facebook e descortinarem outros mecanismos que recuperem o papel da própria rede mundial de computadores, para enfim reduzir o poder desta corporação que quer fagocitar a internet.

    Nesta quinta-feira, 08 de fevereiro, a Folha de S.Paulo anunciou, em chamada de capa, que não vai mais publicar seus conteúdos no Facebook. Os motivos elencados pelo jornal são: a alteração dos algoritmos implementada pela plataforma que “passou a privilegiar conteúdos de interação pessoal, em detrimento dos produzidos por empresas, como as que produzem jornalismo profissional”, e o fato de o Facebook não ter conseguido “resolver satisfatóriamente o problema de identificar o que é conteúdo relativo a jornalismo profissional e o que não é”, o que de acordo com a Folha contribui para a disseminação das “fake news”.

    Há vários aspectos a serem analisados tanto na decisão da Folha, quanto nos argumentos por ela explicitados. É importante, também, refletir sobre este momento do Facebook, talvez a primeira crise da rede social criada por Mark Zuckerberg em fevereiro de 2004, e que tem em torno de 2 bilhões de usuários.

    A encruzilhada do jornalismo como produto comercial

    Os últimos anos foram mortais para as empresas jornalísticas. O surgimento da internet abalou os pilares que sustentavam essas empresas e abriu caminho para que o monopólio da produção de notícias fosse ameaçado.

    No Brasil, as empresas jornalísticas privadas gozavam do privilégio de serem, praticamente, as únicas produtoras de notícias para grandes massas. A barreira econômica de entrada para esta atividade empresarial sempre foi muito elevada e, portanto, reservada a grandes capitalistas, primeiro no meio impresso, depois no rádio e na televisão. Por integrarem um extrato da elite econômica, essas empresas também sempre tiverem o monopólio do discurso, impondo à sociedade uma agenda política, social e cultural baseada nos seus interesses de classe.

    A Internet mudou isso. Novos grupos sociais, políticos e econômicos passaram a ter a possibilidade de produzir conteúdo informativo e opinativo, disputando a atenção de parcela da sociedade e criando um ambiente mais plural e diverso na arena da comunicação. O “valor” da notícia caiu. Informações das mais variadas fontes passaram a estar disponíveis “sem custo” para o internauta. Esse novo ambiente abalou o modelo de negócios no qual – principalmente a mídia impressa – se baseava.

    Esse modelo era o da criação de uma escassez artificial da notícia. Mas o que é isso? Sinteticamente: A informação é um bem intangível (não existe fisicamente). Se eu te “dou” uma informação eu não deixo de tê-la. Eu a divido com você e nós dois passamos a ter a mesma informação. É diferente dos bens tangíveis, uma cadeira, por exemplo. Se eu dou a cadeira para você, eu deixo de tê-la. Bom, e daí? Daí, que este é um dos elementos que determinam o preço das coisas e todo o seu ciclo econômico. Com a informação, a notícia, não é assim. Por isso, o que as empresas faziam era criar uma escassez artificial da informação, a partir do controle de acesso (tiragem, bilhete, assinatura), da obsolescência programada (ninguém compra o jornal do dia anterior, ele perde a “validade e o valor” em 24 horas), propriedade intelectual e outros mecanismos.

    O valor da produção da notícia em si é aproximadamente o mesmo para a Folha e para um site da mídia alternativa. O que muda é o preço da impressão e distribuição. A internet eliminou estes dois e “desmonetizou” a notícia.

    Agora, a informação é dada em tempo real pela internet muito antes de sair nos jornais e está disponível em dezenas, centenas de páginas. Esse é o dilema das grandes empresas jornalísticas que se veem diante da eminência do já anunciado juízo final dos jornais impressos.

    Facebook alavanca novos produtores

    O Facebook condensou na sua plataforma mecanismos de distribuição de conteúdo que romperam a lógica dos grandes jornais e portais, permitindo a ampliação do alcance de outras veículos. Novas fontes de informação e opinião ganharam um grande alcance na rede social. O fenômeno já vinha desde o final de 2010. Mas, em particular no Brasil, houve um boom de novos coletivos de comunicação e cultura, que passaram a ser referência e ter grande alcance. Um deles é a própria Mídia Ninja.

    É nesta fase que se dá uma disputa mais acirrada pela audiência entre a mídia tradicional e as “novas mídias”. Isso se refletiu, inclusive, na distribuição de publicidade privada e estatal. É neste período que empresas e governos passam a investir mais recursos de publicidade na internet e em plataformas como Google e Facebook.

    Parecia inevitável que, em algum momento, a contradição entre os interesses deste novo gigante da internet e os da mídia tradicional fossem se chocar.

    Bate a assopra

    Há alguns anos o Facebook buscou estabelecer uma “aliança” com os tradicionais veículos de mídia, criando a funcionalidade dos “instant articles”. O recurso, lançado em 2015, permitia que as empresas de comunicação “hospedassem” seus conteúdos no Facebook. Desta forma, a pessoa poderia ler o conteúdo diretamente na plataforma do Zuckerberg sem ser direcionado para a página do jornal. A vantagem para o jornal seria o carregamento mais rápido do seu conteúdo e o estímulo ao usuário ler seus artigos na integra.

    Esse recurso coincide, mais ou menos, com o crescimento das ofertas de Facebook grátis para os planos de internet móvel, o chamado zero-rating. Operadoras e plataforma firmavam algum tipo de parceria e na hora de adquirir um pacote de dados para acesso à internet pelo celular, o cliente ganhava o Facebook – ou seja, a navegação na plataforma do Zuckerberg não descontava do plano de dados do usuário.

    Isso parecia interessante naquele momento, já que dados da Organização União Internacional das Telecomunicações (UIT) mostravam (e ainda mostram) que a maior parte das pessoas com acesso à internet estão conectadas pelo celular. Grandes empresas jornalísticas aderiram à proposta do Facebook: The New York Times, National Geographic, The Atlantic, NBC News. No Brasil o Estadão, a revista Exame e Catraca Livre.

    A força centrípeta do Facebook e seu crescimento no último período tornava de certa forma inquestionável que, apesar das contradições, as empresas jornalísticas ainda tinham algo a ganhar de visibilidade e audiência compartilhando seus conteúdos na rede social. Um pouco na lógica de ruim com ele, pior sem ele.

    Mas em janeiro desse ano, Mark Zuckerberg anuncia mais uma mudança nos algoritmos do Facebook e diz que sua plataforma vai mudar os critérios de indexação dos conteúdos para dar mais visibilidade a compartilhamentos pessoais, de amigos e família.

    Em sua página, o CEO do Facebook disse que uma pesquisa feita internamente mostra que “quando nós usamos as redes sociais para nos conectarmos com pessoas que gostamos, pode ser bom para nosso bem-estar”. E segundo ele esse é o objetivo da sua plataforma.“Uma vez que há mais conteúdo público do que posts de amigos e da família, o feed afastou-se da coisa mais importante que o Facebook pode fazer: ajudar a nos conectarmos uns com os outros”.

    Na sua avaliação, “nós podemos nos sentir mais conectados e menos sozinhos, e isso faz um paralelo com uma série de medidas sobre felicidade e saúde. Por outro lado, ler artigos passivamente ou assistir a vídeos — mesmo que eles sejam para entretenimento ou informativos — pode não ser tão bom.”

    A medida foi mal recebida pelas empresas jornalísticas, por outros produtores de conteúdo para o Facebook e inclusive para a bolsa de valores de Nova York – Nasdaq.

    As ações da companhia caíram, só em 12 de janeiro (um dia depois do anúncio), 4,47%. Essa queda representou uma perda de U$ 24,2 bilhões de dólares no valor de mercado do Facebook.

    Essa foi a gota da água, pelo menos para a Folha de S.Paulo, que ousou ao anunciar sua “retirada” do Facebook. Desde meados de 2017, mudanças nos algoritmos da plataforma já estavam afetando o alcance e a visualização de conteúdos de páginas, inclusive da mídia alternativa. No caso da Folha, “a importância do Facebook como canal de distribuição já vinha diminuindo significativamente antes mesmo da mudança do mês passado, tendência também observada em outros veículos”.

    Eles mostram que “o volume total de interações obtido pelas 10 maiores páginas de jornais brasileiros no Facebook caiu 32% na comparação com o mesmo mês do ano passado”.

    O fato é que ninguém sabe ao certo como funcionam os algorítimos do Facebook.

    Não há nenhuma transparências nos parâmetros que definem o que aparece ou não na nossa timeline.

    Não há mecanismos de accountability e os usuários (indivíduos ou empresas) são completamente reféns da caixa-preta do Facebook e do que o CEO considera que deva ser a missão da plataforma. Nos últimos anos, a plataforma de Zuckerberg foi se tornando cada vez mais um grande filtro de informação, ou como se diz no jargão jornalístico, um gatekeeper. Passou a direcionar o que a gente vê, lê ou assiste, de acordo com nossos “gostos”. O Facebook criou grandes bolhas que têm trazido impactos preocupantes para a vida em sociedade, amplificando a intolerância ao impedir a saudável contraposição de opiniões.

    Folha x Facebook

    A disputa econômica é o pano de fundo da decisão da Folha, que está apostando em outros mecanismos para recuperar relevância e audiência na internet. Entre eles, a mudança nos algoritmos do Google, que ao contrário do Facebook, passaram a privilegiar os veículos de grande mídia na indexação de suas buscas sobre o argumento de combater as “fake news”. Ou seja, se a notícia foi produzida por uma empresa jornalística sai ganhando na hora de aparecer nas primeiras colocações dos resultados do Google.

    Se o que moveu a Folha foi o fator econômico, o argumento público para justificar o “abandono” do Facebook é justamente o do combate às notícias falsas, ou “fake news”.

    Segundo avaliação do jornal, ao tirarem a “prioridade” dos conteúdos jornalísticos do seu feed, o Facebook está aumento o espaço para a disseminação de “fake news” e reduzindo o do jornalismo profissional.

    Aqui tem um termo que vale a reflexão: Jornalismo Profissional. Ele foi cunhado há mais um menos um ano, quando a Folha de S.Paulo lançou o seu novo Projeto Editorial.

    Estava claro, ali, que o objetivo já era tentar diferenciar o conteúdo produzido pelo jornal dos produzidos pela mídia alternativa.

    Ao adjetivar o jornalismo com o termo profissional, a Folha buscava recuperar a sua credibilidade, bastante comprometida pela cobertura explicitamente pró impeachment e subordinada ao projeto de retomada de uma agenda regressiva na área econômica, política e social.

    O termo profissional é uma maneira de qualificar o conteúdo da Folha, e desqualificar todo e qualquer conteúdo produzido por sites da mídia alternativa, independente, popular, comunitária. É uma forma de recuperar o valor comercial da notícia. Assim, tudo o que for produzido por coletivos e outros veículos que não sejam de empresas jornalísticas privadas não é “jornalismo profissional” e, portanto, não merece credibilidade.

    Se não é da grande mídia não tem qualidade, é suspeito e pode ser, potencialmente, uma notícia falsa. Por detrás do alarde criado em torno das “fakes news” há um velho conglomerado de empresas midiáticas monopolistas, que passaram a ter a sua hegêmonia econômica e política abaladas e que precisam a todo custo recuperar sua posição.

    Este divórcio entre Folha e Facebook é importante porque contribui para trazer à tona tanto o caráter prejudicial da rede social, quanto para mostrar as verdadeiras intenções dos jornalões que fazem de tudo para sobreviver.

    Renata Mielli é jornalista, coordenadora geral do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação e secretária geral do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé e colunista da Mídia Ninja.

    Os artigos publicados na seção “Opinião Classista” não refletem necessariamente a opinião da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e são de responsabilidade de cada autor. 

     

  • Ajuste fiscal conservador lança o Espírito Santo numa crise sem precedentes

    Exército não põe fim à crise (Foto: Gabriel Lordelli/EFE)

    Para o presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras no Espírito Santo (CTB-ES), Jonas Rodrigues de Paula, o caos que vive o estado é culpa de ajuste fiscal neoliberal. “O ajuste fiscal efetuado pelo governador Paulo Hartung (PMDB) é o principal causador dessas crise. O arrocho salarial e a recessão atingiram níveis insuportáveis. Ninguém aguenta mais essa situação".

    De acordo com De Paula, a mídia burguesa festejou muito o duro ajuste fiscal feito no estado e muitos o colocaram com exemplo para o país. “Já pensou essa violência em escala nacional?”, questiona o cetebista. “Não há força de segurança que segure”.

    Violência aumenta

    O presidente do Sindicato dos Rodoviários de Guarapari, Walace Belmiro Fernaziari, mais conhecido como Barão, foi assassinado na madrugada desta quinta-feira (9) e já somam 101 assassinatos em seis dias de paralisação da Polícia Militar do estado, de acordo com o G1, o que dá mais do que 16 homicídios por dia, a maioria constituída de trabalhadores negros e pobres.

    Com o assassinato do Barão, o Sindicato dos Rodoviários da Grande Vitória determinou paralisação por tempo indeterminado no transporte na região, por falta de segurança. “A população, especialmente a mais pobre, continua refém da violência e o simples ato de sair para a rua está sendo perigoso”, diz Érika Piteres, secretária da Mulher, da CTB-ES.

    A partir desta quarta-feira à noite, o Exército enviou diversos blindados para a Grande Vitória. Mesmo assim, de acordo com informações da coordenadora do coletivo de Educação da CTB-ES, Josandra Rupf, a população continua refém dos traficantes que brigam por territórios.

    Segundo a imprensa local e dirigentes sindicais a situação continua muito tensa em muitos locais. O movimento liderado pelas mulheres dos policias resiste e tem o apoio de grande parte da população.

    A Mídia Ninja desafiando o medo saiu à rua de Vitória na madrugada desta quinta com um carro projetava nos prédios e nas casas a hashtag #VitóriaSemMedo. Sob o aplauso de muitas pessoas (veja o vídeo abaixo).

     

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

  • Artistas fazem ato pela democracia e contra a perseguição a Lula, em São Paulo

    Em dia de greve histórica dos metroviários, a Casa de Portugal ficou lotada para o Ato pela Democracia e pelo Direito de Lula ser Candidato. Não poderia ser diferente. Casa cheia ávida pelo discurso do protagonista da festa, na noite desta quinta-feira (18), na capital paulista.

    Ana Cañas, Leci Brandão, Renato Braz, Aílton Graça, Alice Ruiz, Odair José, Chico César, gente do rap e do funk e muitos outros marcaram presença e posição política contra o golpe de Estado de agosto de 2016 que tirou Dilma Rousseff da Presidência.

    Todos unidos pela fala do grande jurista Fábio Konder Comparato: “Precisamos organizar o povo, é ele que vai vencer a oligarquia” e complementou afirmando ser “indispensável tributar as grandes fortunas” para tirar o país da crise e combater as desigualdades.

    Celso Amorim, Gleisi Hoffmann (presidenta do PT), Walter Sorrentino (vice-presidente do PCdoB), Fernando Haddad, Raduan Nassar, Nita Freire, Gilmar Mauro (MST), Pedro Gorki (Ubes) e Guilherme Boulos (MTST) levaram solidariedde a Lula.

    Gilberto Maringoni, do PSol, afirmou que na quarta-feira (24) quem estará “sendo julgado somos nós e a democracia brasileira”. Ele defendeu a formação de uma frente ampla contra o golpe. Já Sorrentino falou sobre a necessidade de unidade popular para um projeto nacional de desenvolvimento.

    Representando a juventude, Marianna Dias, presidenta da União Nacional dos Estudantes, emocionou com seu discurso em favor da esperança. “A esperança dos indignados que lutam” e concluiu que “a democracia vai vencer com a força da juventude que resiste”.

    Para Gleisi Hoffmann esse processo é surreal. “Não é só porque não tem prova, é porque não tem crime”, disse. Como disse Leci Brandão, dirigindo-se a Lula, "a covardia está aí! A gente sabe que o grande problema é que os golpistas não aceitam o seu pecado, que foi tratar as pessoas com respeito, você respeita a diversidade do Brasil”.

    Por volta das 23h chegou a vez do discurso mais esperado. Luiz Inácio Lula da Silva com o microfone nas mãos começou dizendo não ter sido ele que chegou ao poder porque “fomos nós que chegamos. Não fui eu que governei, fomos nós que governamos”.

    E aí falou até quase meia noite sobre o seu processo, o que o governo de Michel Temer está fazendo com o patrimônio nacional e com os direitos da classe trabalhadora e não poupou a Rede Globo que age como partido político, mesmo tendo concessão pública para operar a TV, ainda, de maior audiência no país.

    Lula encerrou o ato afirmando que deseja ser candidato á Presidência para a Petrobras voltar a “financiar, através de royalties do pré-sal, a educação, a saúde, a ciência e a tecnologia” porque para a economia crescer o Estado “tem quer fazer mais investimentos”.

    Enfim, o ex-presidente disse querer voltar a governar para devolver o “Brasil para os brasileiros, a Petrobras para os brasileiros e não para eles”, referindo aos Estados Unidos, de onde conglomerados do sistema financeiro sustentam o golpe de Estado de 2016.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy. Foto: Mídia Ninja

  • Ato em defesa da liberdade e da justiça une as forças progressistas no Rio de Janeiro

    Unidade Popular contra o fascismo (Foto: Ricardo Stuckert)

    Para espantar o fantasma da ditadura fascista, partidos democráticos se unem no Rio de Janeiro, nesta segunda-feira (2), dois dias antes de o Supremo Tribunal Federal (STF) julgar o pedido de Habeas Corpus do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para evitar a sua prisão, mesmo sem provas.

    A análise do STF sobre o pedido da defesa de Lula, ocorre nesta quarta-feira (4), não sem intensa pressão da mídia golpista e de empresários acusados de liberar e de até pagar seus funcionários para sair às ruas pedindo a prisão do ex-presidente. 

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    Circo Voador tomado pela democracia na noite de segunda (2), no Rio de Janeiro (Foto: Mídia Ninja)

    O general de Exército da reserva Luiz Gonzaga Schroeder Lessa ameaça o STF com intervenção militar no país. Diz que “Se acontecer tanta rasteira e mudança da lei, aí eu não tenho dúvida de que só resta o recurso à reação armada. Aí é dever da Força Armada restaurar a ordem”, sobre a possibilidade de ser acatado o pedido da defesa de Lula. 

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    Unidade popular

    A reação das forças populares cresce ao mesmo tempo em que aumentam as ameaças. O Circo Voador no Rio de Janeiro, palco de tantas e históricas lutas pela liberdade, mais uma vez ficou lotado na noite desta segunda-feira em defesa da liberdade e dos Direitos Humanos.

    Os partidos progressistas e de esquerda se unem contra a onda fascista que assola o país e ameaça a vida das pessoas. O próprio Lula sofreu atentado a tiros em sua caravana pelo Sul do país. Representantes do PSB, PDT, PT, PSOL, PCdoB e PCO ergueram a voz pelo direito de Lula ser candidato a presidente e ter um julgamento de acordo com a Constituição Federal.

    Muitas vozes se erguem para combater o avanço do fascismo e da ditadura. Chico Buarque, Carlos Minc, Marcelo Freixo, Manuela D'Ávila, Celso Amorim, Lindbergh Farias, Jandira Feghali, Jean Wyllys, Fernando Haddad, Eduardo Suplicy e Marcia Tiburi falaram da importância de unidade das forças democráticas.

    Também destacam a necessidade de uma imprensa comprometida com os fatos e denunciam, mais uma vez, os assassinatos de Marielle Franco, Anderson Gomes, os cinco jovens executados na Chacina de Maricá (RJ), por acreditarem na possibilidade de transformar o mundo num lugar bom para se viver.

     “O que nos une é a luta pela liberdade”, ressalta Manuela D’Ávila. Isso porque “todos queremos as mesmas coisas, a liberdade, a igualdade, a soberania para defender o pão do povo”, complementa Celso Amorim.

    Mônica Tereza Benício, viúva de Marielle, afirma que o assassinato da vereadora do PSOL e do motorista Anderson Gomes também foi um atentado à democracia. Os Jornalistas Livres lembram os diversos assassinatos que têm ocorrido no país pós-golpe de Estado.

    Veja o discurso de Lula 

    Freixo defende a necessidade de as forças democráticas conversarem com sinceridade “olho no olho” porque “seja qual for a nossa diferença, ela é menor do que a luta de classes”. Já Lula denuncia o desmonte que está sendo feito da indústria nacional e dos cortes orçamentários das áreas sociais.

    Conclui o ato afirmando que “a luta é longa, mas vale a pena” para pôr o Brasil novamente nos trilhos do desenvolvimento soberano e com distribuição de renda.

    Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB com informações dos Jornalistas Livres e Mídia Ninja

  • Aumento da tarifa no transporte público pesa no bolso de quem vive de salário

    As ruas da capital paulista foram tomadas, a partir das 17h, nesta quinta-feira (11) por cerca de 10 mil manifestantes - segundo os organizadores - contra o aumento da tarifa dos ônibus no município de São Paulo, dos trens urbanos e do metrô, que foram de R$ 3,80 para R$ 4, no domingo (7), um aumento de 5,26%.

    O reajuste foi anunciado de forma conjunta pelo prefeito, João Doria, e o governador Geraldo Alckmin, ambos do PSDB. Na capital paulista, os maiores aumentos, acima da inflação, são justamente de quem mais usa ônibus ou que mora mais longe: no bilhete único mensal e na integração entre ônibus e metrô.

    Para Flávio Leite, secretário de Finanças da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil, seção São Paulo (CTB-SP), qualquer aumento nos preços incide no bolso da classe trabalhadora. “Na crise que estamos vivendo aumentar o valor das tarifas do transporte público atinge em cheio o orçamento de qualquer família que depende do transporte coletivo para se locomover”.

    Muitas palavras de ordem são ditas contra Doria. “O passe livre não é esmola, o filho do prefeito vai de Uber pra escola”, em referência às restrições impostas pela atual administração paulistana sobre o passe livre estudantil.

    "Limitar o transporte gratuito para os estudantes é agir contra o direito de ir e vir dos filhos e filhas da classe trabalhadora”, diz Leite. Ele explica que os gastos com transporte pesam no orçamento doméstico e a gratuidade beneficia a educação, permitindo aos estudantes estarem mais presentes no centro da cidade, onde acontecem os principais eventos culturais”.

    Vídeo da Mídia Ninja mostra como foi o protesto 

    Já o presidente da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes), Pedro Gorki, acredita que “estar no ato hoje é sair em defesa do passe livre, mas é também sair em defesa do direito do estudante de chegar à sua escola e, portanto, é defender a educação para todos e para todas”.

    Outras palavras de ordem foram ditas durante a passeata que saiu da Praça Ramos de Azevedo e rumou para a Estação Brás de trem e metrô. Outro ato foi convocado para a quarta-feira (17), aos gritos de “pula sai do chão contra o aumento do busão” e o “meu dinheiro não é capim”.

    Representantes do Movimento Passe Livre (MPL) afirmam que não sairão das ruas até esse aumento ser revogado. "Com o desemprego atual e a informalidade, muitos não têm vale-transporte. Ou seja, as pessoas não conseguem sair de casa para ir atrás de emprego", afirma Fernando Bueno, porta-voz do MPL.

    Ele lembra que o salário mínimo aumentou pouco mais de 1%, enquanto a tarifa subiu mais de 5%, sendo que no ano passado teve majoração de 14,8%. De acordo com Bueno o aumento acumulado da integração é de 17,4%, mais que o dobro da inflação do período.

    “Precisamos debater a política de mobilidade urbana. O preço da passagem aumenta, mas a qualidade do transporte público não”, reforça Emerson Santos, o Catatau, presidente da União Paulista dos Estudantes Secundaristas (Upes). A crítica à falta de qualidade nos transportes é recorrente entre os usuários.

    Portal CTB - Marcos Aurélio Ruy com informações de Natasha Ramos e Natália Pesciotta (Ubes) e Felipe Mascari (Rede Brasil Atual). Foto: Guilherme Imbassahy

  • Baleia Azul: Novo alimento do tubarão que quer abocanhar a internet livre

    O mundo inteiro está de olho na internet. A frase tem vários sentidos, mas o que cabe aqui é o que diz respeito às centenas de tentativas – que pipocam nos quatro quadrantes do planeta – de controlar a circulação de dados na rede mundial de computadores.

    Cada vez que aparece alguma situação de crime ou algum escândalo que tem a internet como intermediário ou foco central, os setores que querem restringir liberdades arregalam os olhos. Aproveitam-se de uma comoção nacional e transformam essas situações no pretexto ideal para emplacar alguma proposta para alterar a lei que o Brasil conquistou e que define os direitos e deveres para os usuários da internet – o Marco Civil da Internet, ou para aprovar uma lei para tipificar mais crimes na internet.

    A comoção da vez é a Baleia Azul. O jogo que usa redes sociais para reunir pessoas em torno de desafios que envolvem mutilações até levar, na última etapa, ao suicídio.

    Lógico que o problema do suicídio é grave e merece toda a atenção da sociedade. Mas este problema não começa e nem termina pelo Jogo Baleia Azul e nem será enfrentado aprovando mais uma lei para perseguir e criminalizar pessoas, sites, aplicativos ou o que quer que seja na internet.

    Não é preciso ser um especialista em saúde mental ou transtornos psicológicos para perceber que ninguém se suicida só por uma brincadeira, só por um jogo. As pessoas que buscam esses escapes já sofrem com algum tipo de depressão ou distúrbio e, portanto, precisam ser tratadas a partir de ações de cuidado e saúde.

    Além do mais, o Brasil já possui dispositivos, tanto no código penal como no próprio Marco Civil da Internet, para enfrentar crimes que usam a rede mundial de computadores para serem consumados.

    Na seção II do MCI há vários artigos que versam sobre como as autoridades policiais e judiciais podem acessar registros de conexão, registros de acesso a aplicações da internet e que são suficientes para, por exemplo, identificar os moderadores e administradores dos grupos do Jogo Baleia Azul

    Não é necessário criar mais um artigo no MCI como o proposto no PL 6989/2017, que prevê a retirada de conteúdo sem ordem judicial, apenas por notificação de usuário, de “materiais que induzam, instiguem ou auxiliem a suicídio”.

    Quem vai avaliar o potencial nocivo de um conteúdo, o provedor? A série do Netflix que também trata deste tema, 13 Reasons Why pode ser retirada da plataforma de vídeos apenas por uma simples notificação de alguém que considere que a série se enquadra em alguns destes casos. Isso é ou não violação à liberdade de expressão?

    Já temos uma lei surgiu de uma comoção, a Lei Carolina Dieckmann. Entre outras coisas ela torna crime a invasão de aparelhos eletrônicos para obtenção de dados particulares. A legislação foi aprovada em 2012, depois que a caixa de e-mail da atriz foi invadida e dezenas de fotos privadas foram publicadas sem autorização na internet. Essa lei altera o Código Penal e estipula multas e penas muito mais severas para violações via internet do que crimes similares que ocorrem fora da internet.

    Também já tivemos a CPI dos Crimes Cibernéticos, que utilizou como gancho casos de desvio de dinheiro de contas correntes por quadrilhas que invadiam as contas pela internet e denúncias de páginas suspeitas de tráfico de pessoas para discutir um emaranhado de propostas que depois foram aprovadas no seu relatório e deram origem a projetos que atacam a privacidade, cerceiam a liberdade de expressão e ampliam penas para crimes cometidos na internet.

    Fica aqui uma pergunta: faz sentido o mesmo crime ter penas e sanções diferenciadas só por ter utilizado a internet para se concretizar? Se ao invés de ter tido a sua conta de e-mail hackeada, um ladrão tivesse roubado um album de fotografias e divulgado e chantageado a atriz o crime seria menos cruel ou importante? Ou merece pena mais severa alguém que roube centavos da minha conta bancária via internet do que um ladrão que roube minha carteira?
    A questão aqui é: já temos leis suficientes para investigar e punir crimes cometidos dentro e fora da internet.

    Os derrotados e a enxurrada de projetos para mudar o MCI

    Logo após a sanção do MCI, em 23 de abril de 2014, começaram a surgir os projetos de lei para alterá-lo. As emendas e propostas derrotadas se transformaram em dezenas de projetos. Claro, uma lei sempre pode ser aperfeiçoada, mas neste caso não é bem o que se pretende.

    São mais de 30 projetos de lei que tentam ou cercear a liberdade de expressão na internet, ou criminalizar e ampliar penas e sanções de várias naturezas para os usuários da rede, ou que violam a privacidade e, até, limitam o acesso à rede mundial de computadores. Diante de tantos ataques, dezenas de organizações se reuniram na Coalizão Direitos na Rede, uma articulação para denunciar os ataques à internet.

    O Marco Civil da Internet criou um ambiente legal de direitos e deveres dentro de uma visão de que a internet tem que ser um espaço livre, aberto, descentralizado, criativo e neutro. Isso contraria interesses políticos e econômicos de todos os tipos: ds gigantes empresas multinacionais de Telecomunicações, da indústria de direitos autorais, dos setores vigilantista/policial/criminalizante e de políticos que não conseguem conviver com a liberdade de expressão na internet e querem a todo custo poder retirar conteúdos e processar internautas que façam denúncias e críticas a seus respeito: aécios, dórias, temerários, crivelas, bolsominions e afins.

    Com algumas concessões e muito debate político chegou-se a uma lei que é uma referência internacional de legislação positiva para garantir direitos e deveres na rede, garantindo a liberdade de expressão, a neutralidade de rede, e reconhecendo o acesso à internet banda larga como direito.

    Não vamos deixar que nos tirem isso também.

    Fonte: Mídia Ninja, por Renata Mielli é jornalista, coordenadora geral do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação e secretária geral do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé.

  • Bem amigos…o jogo da Seleção não vai passar na Globo!

    Vai ser o primeiro Brasil X Argentina que não será transmitido pela Rede Globo. TV Brasil e Facebook exibirão os dois amistosos da seleção que acontecerão nos dias 9 e 13 de junho, na Austrália.

    O casamento entre a emissora de televisão e a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) – que resultou num dos maiores monopólios midiático-esportivo do mundo – esteve inabalável por 4 décadas. Agora, a política, as novas tecnologias, e a busca por mais lucratividade são fatores que estremecem a relação entre ambas e podem abrir um novo capítulo na discussão sobre direito de transmissão de eventos esportivos no Brasil.

    O poder econômico da Rede Globo nunca abriu brechas para que outras emissoras de televisão pleiteassem a compra dos direitos de transmissão de campeonatos de futebol. A Globo, para não perder a sua força, comprava tudo – o que ia transmitir e o que não ia transmitir. Ou seja, eliminava qualquer possibilidade de concorrência e criava uma situação na qual a sociedade ficava completamente refém da emissora. A Globo impunha o jogo de futebol que a sociedade iria assistir na televisão. Isso teve impactos culturais, como o fato de ser o Flamengo o time de maior torcida nacional.

    Já em 2016 o monopólio da Globo nas transmissões de partidas de futebol começou a ruir com a entrada em campo do Esporte Interativo, que começou a fechar os direitos para transmitir jogos de campeonatos brasileiros da séria A, B e C a partir de 2019. Mas até então isso não resvalava na Seleção.

    O primeiro atrito entre CBF e Globo aconteceu no início de 2017, no amistoso entre Brasil e Colômbia para homenagear as vítimas da Chapecoense. A Globo não quis comprar o direito de transmissão do jogo pela bagatela de 2 milhões de reais. A CBF não gostou da “rebeldia” da parceira e decidiu abrir o sinal da partida.

    Depois disso, a Globo aguardava o leilão (bid) que a CBF faz para vender o “pacote” de jogos amistosos da seleção. Mas eis que a Confederação decidiu comercializar as partidas da Austrália de forma avulsa.

    Novos jogadores mudam as regras do jogo

    A blindagem da Globo para impedir que novos modelos de negócio envolvendo a transmissão de jogos chegassem no Brasil foi furada. Em outros países, a compra dos direitos e a divisão das cotas já envolve de forma mais direta os canais de TV por assinatura e, mais recentemente, serviços da internet entram na arena: Facebook, Twitter e YouTube.

    De um lado, clubes e confederações buscam diversificar a oferta e obter mais lucro com a comercialização das partidas. A CBF, inclusive, começa a investir mais na geração direta das imagens. Assim, pretendem arrecadar mais dinheiro com patrocínio e a venda do sinal para as emissoras que adquirirem o direito de transmissão.

    Para a Globo, se este modelo se consolidar será um desastre. Além de perder a hegemonia mantida até hoje, a emissora vai perder milhões de reais com a venda de publicidade de forma exclusiva para veiculação nos intervalos e durante os jogos.

    Tanto é que a direção da emissora já começa a fazer mudanças na equipe para tentar impedir que a Globo fique em desvantagem: deve entrar com tudo para garantir a compra dos próximos amistosos e das Eliminátórias no lote a ser colocado à venda pela CBF para o período de 2018 a 2022.

    Facebook está de olho nos cifrões do futebol

    A transmissão de jogos pela internet já começa a crescer. As parcerias que o Facebook tem firmado envolvem inclusive negociações com as emissoras detentoras dos direitos de transmissão.

    Mas há negociação feita diretamente com clubes e ligas. Em março, o Facebook fechou um acordo com a MLS, principal liga de futebol americano, para a transmissão de 22 jogos. Twitter também já tem parcerias com a NBA (basquete) e a NFL (futebol americano).

    A transmissão de eventos esportivos é um filão bilionário e é claro que Mark Zuckerberg está de olho nisso. Nós também temos que ficar de olho, porque a sociedade tem que aproveitar o novo ambiente digital como uma oportunidade para enfrentar o monopólio das transmissões.

    Não podemos deixar que apenas se troque um monopólio por outro.

    Renata Mielli é jornalista, coordenadora-geral do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação, secretária-geral do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé e colunista da Mídia Ninja às quintas-feiras. Foto: Mídia Ninja.

    Os artigos publicados na seção “Opinião Classista” não refletem necessariamente a opinião da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e são de responsabilidade de cada autor.

  • Brasília não foi uma praça de guerra, foi um massacre

    Temer recorre às Forças Armadas. Há perigo na esquina. Não somos vândalos, somos trabalhadores!

    Em uma guerra existem dois exércitos. O que se viu em Brasília, não se pareceu nada com uma guerra. Foi um massacre. Policiais armados e orientados a reprimir manifestantes atacaram sem cerimônia trabalhadores e trabalhadoras que estavam na Esplanada dos Ministérios neste dia 24 de maio.

    #OcupaBrasília foi um movimento organizado por um amplo leque de entidades com o objetivo de protestar contra as Reformas da Previdência e Trabalhista e em defesa da convocação de eleições diretas para presidência da República.

    Mas o Brasil não é mais uma democracia e manifestações não são bem-vindas no país que está sob um governo golpista há 377 dias. A escalada autoritária é galopante.

    Ao editar um decreto, com validade até 31 de maio, para “garantir a Lei e a Ordem no Distrito Federal”, convocando as Forças Armadas para restringir e reprimir as manifestações, Michel Temer abre um novo e ainda mais grave capítulo na história do golpe em curso no país. Se até o momento os militares ocupavam uma cadeira de espectadores dos acontecimentos, agora foram chamados para agir como protagonistas. E a história do Brasil mostra que quando um militar sai do quartel tudo pode acontecer.

    Além de tornar pública a sua covardia, Temer demonstra com esta medida que não tem autoridade para dirigir o país. Sua base política está conflagrada e a sociedade está a ponto de explodir. Sem apoio, lhe resta a força bruta.
    Temer abusou de sua autoridade, utilizou um recurso excepcional para conter uma manifestação pacífica. Não nos enganemos com as edições e narrativas da mídia hegemônica. Não houve confronto, houve ataque. Não houve vandalismo, houve repressão e resistência.

    Simplesmente porque não há confronto entre uma arma de fogo e um cano de PVC, usado para hastear bandeiras. A polícia atirou abertamente para acertar os manifestantes. Não eram tiros para o alto, com o intuito de dispersar. E muitos nem foram de balas de borracha. Cavalos, cachorros, cacetetes, spray de pimenta, um arsenal militar foi despejado contra trabalhadores e trabalhadoras, com o claro objetivo de tentar impedir um ato histórico, com cerca de 200 mil pessoas.

    Liberdade de expressão na UTI

    O direito ao protesto é reconhecido internacionalmente pelo sistema internacional de direitos humanos. Em documento publicado pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos em 2005, a relatoria para a liberdade de expressão sublinha:

    “que a participação da sociedade através da manifestação pública é importante para a consolidação da vida democrática das sociedades. Em geral, está como o exercício da liberdade de expressão e da liberdade de reunião, se reveste de um interesse social imperativo, que dá ao Estado uma margem ainda mais estreita para justificar a limitação deste direito. Neste sentido, as regulamentações para fins do direito à reunião não podem ter motivações para proibir a reunião ou a manifestação”.

    E continua:

    Deste modo, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos já manifestou que “os governos não podem invocar uma das restrições legítimas da liberdade de expressão, como a manutenção da “ordem pública”, com o objetivo de suprimir um ‘direito garantido pela Convenção ou para denaturalização ou privar do conteúdo real’. Se isto ocorre, a restrição aplicada desta maneira não é legítima. Não se pode considerar o direito de reunião ou manifestação como sinônimo de desordem para restringir o direito de per se.

    Foi exatamente isso o que aconteceu nesta quarta-feira, quando o governo ilegítimo de Michel Temer baixou o decreto autoritário para “garantir a Lei e a Ordem no Distrito Federal”. Ao fazê-lo, o governo descumpre os tratados internacionais dos quais é signatário.

    O Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação já vem denunciando, desde outubro de 2016, o aumento vertiginoso dos casos de violação à liberdade de expressão. Mais de 50 casos foram denunciados pela campanha Calar Jamais! E isso, certamente, é apenas a ponta de um iceberg gigante que vem corroendo a livre manifestação do pensamento, o direito à reunião e à manifestação.

    Lutar não é vandalismo

    A criminalização dos movimentos sociais e da luta do povo brasileiro é um instrumento poderoso utilizado pelos meios de comunicação hegemônicos para deslegitimar manifestações e colocar a população contra atos e protestos.

    Um dos recursos usados pela mídia é o de tentar distinguir os trabalhadores e trabalhadoras que participam de protestos do povo.

    Como? Um exemplo bem didático é comparar o tratamento dispensado pela mídia às manifestações pelo Fora Dilma das manifestações contra as Reformas. Nas primeiras, os âncoras de telejornais definiam os participantes como o povo nas ruas exercendo sua cidadania, protestos familiares com a presença de crianças. Tudo lindo e maravilhoso. Nas segundas, os mesmos âncoras definiam os participantes como “militantes”, “sindicalistas”, e é comum ouvir a frase: não é o povo que está nas ruas, são os militantes. E as manchetes focam nas depredações e não na repressão brutal da polícia.

    Nesta quarta-feira tentaram transformar cerca de 200 mil pessoas em vândalos.

    Fôssemos todos vândalos, não teria sobrado tijolo sobre tijolo, vidraça sobre vidraça. Não, não somos vândalos e a luta do povo brasileiro por seus direitos não é vandalismo. Vandalismo é rasgar a Constituição, vandalismo é dilapidar o patrimônio público para depois vendê-lo a preço de banana, vandalismo é vender as terras brasileiras para estrangeiros, vandalismo é destruir a Saúde Pública, a Educação.

    Vandalismo é demolir um edifício com pessoas dentro. Vandalismo é atirar contra trabalhadores rurais. Vandalismo não, assassinato.

    O dia 24 de maio nos deixa um alerta: Há perigo na esquina. E só o povo na rua pode nos proteger.

    #DiretasJá
    #ForaTemer
    #CalarJamais

    Renata Mielli é jornalista, coordenadora-geral do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação, secretária-geral do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé e colunista da Mídia Ninja às quintas-feiras. Foto: Mídia Ninja

    Os artigos publicados na seção “Opinião Classista” não refletem necessariamente a opinião da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e são de responsabilidade de cada autor.

  • Caetano Veloso é proibido de cantar, mas apoia o movimento pelo direito humano de moradia

    O prefeito de São Bernardo, no ABC Paulista, Orlando Morando (PSDB) vai ficar na história como o prefeito que censurou o cantor e compositor baiano Caetano Veloso, uma das principais vozes da música popular brasileira de todos os tempos.

    O espetáculo estava marcado para acontecer às 19h desta segunda-feira (30), mas uma decisão judicial impediu a sua realização. A alegação da juíza Ida Inês Del Cid, da 2ª Vara da Fazenda Pública da cidade é de que o local não suportaria o talento de Caetano, ela ainda impingiu uma multa de R$ 500 mil, caso a ordem judicial fosse desobedecida.

    Para ela, o terreno de 60 mil metros quadrados não possui estrutura para um show desse porte. O local “não possui estrutura a suportar show, mormente para artistas da envergadura de Caetano Veloso, um dos requeridos nesta ação. Seu brilhantismo atrairá muitas pessoas para o local, o que certamente colocaria em risco estas mesmas”, disse.

    Não contente, a juíza ainda argumenta que “como ressaltado, não há estrutura para shows, ainda mais, de artista tão querido pelo público, por interpretar canções lindíssimas, com voz inigualável. Destarte, o povo merece shows artísticos, mas desde que atendidos requisitos, que aqui não estão presentes, conforme bem alegado pelo Ministério Público”.

    Caetano afirmou que "o show foi adiado por uma decisão judicial, mas fizemos um lindo ato público em apoio à Ocupação Povo Sem Medo. Estamos juntos nessa luta pelo direito humano à moradia".

    ocupacao povo sem medo sao bernardo 2017

    O show ocorreria em solidariedade aos ocupantes desse terreno desde o dia 1º de setembro. Eles querem que a gleba seja utilizada para o programa Minha Casa Minha Vida e assim possam ter a tão sonhada casa própria.

    Além de Caetano estavam na ocupação Criolo, Emicida, Sonia Braga, Letícia Sabatella, Alinne Moraes. Todos inconformados com a decisão judicial. Caetano disse que nunca é bom ser proibido de cantar. “Mais que nunca é preciso cantar”, falou repetindo versos de Vinicius de Moraes.

    A empresária e produtora de Caetano Veloso, Paula Lavigne garante que o show será remarcado. “Vamos ver o que precisamos fazer para o show ser remarcado, nem que o pessoal da ocupação vá para outro local para ver o show".

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    Caetano Veloso canta em São Bernardo e ensina a enfrentar os fascistas, nesta segunda (30)

    Inclusive os artistas chegaram mais cedo à ocupação para conversar com os sem teto e entender o drama da falta de moradia e o crescimento da pobreza no país pós-golpe de 2016.

    Assista o vídeo de Nacho Lemus - TeleSUR 

    Os integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem teto (MTST), no entanto, asseguram a realização de uma grande marcha a partir das 5h da manhã desta terça-feira (31) rumo ao Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista.

    O terreno pertence à MZM Construtora, que de acordo com o MTST deve R$ 500 mil de IPTU para a prefeitura, que não cobra a dívida, mas dificulta a vida dos ocupantes do terreno abandonado há 40 anos afirmam eles.

    Portal CTB - Marcos Aurélio Ruy. Fotos: Mídia Ninja

  • Casa do Fora do Eixo/Mídia Ninja no Amapá é atacada pela Polícia Militar

    A Casa Fora do Eixo Amapá, centro de ativismo e cultura em Macapá e sede da Mídia NINJA no estado, foi atacada durante a noite de ontem (8) na realização do projeto Domingo na Casa, conhecido evento cultural da cidade.

    O público do evento e os moradores da Casa passaram por momentos de terror, com a invasão do espaço por diversos policiais fora do horário de serviço e também soldados fardados que apontaram armas, gritaram, agrediram com socos e chutes, ofenderam verbalmente, num verdadeiro linchamento moral contra as pessoas e o espaço, sem qualquer medida legal, sem mandado de busca ou qualquer prerrogativa jurídica para a ação.

    O motivo alegado para a truculência da PM foi de ter sido acionada para conter uma suposta "perturbação do sossego público”. A casa e todos seus cômodos foram revistadas minuciosamente, dos quartos ao porão, e nada foi encontrado.

    Um participante do evento foi detido, assim como o músico, articulador do Fora do Eixo no Amapá e produtor cultural Otto Ramos. Ambos foram conduzidos ao CIOSP (Centro Integrado de Operações e Segurança Pública) e permaneceram detidos em celas, seminus, por mais de uma hora, até a chegada do delegado para colher os depoimentos e a denúncias que serão formalizadas contra os envolvidos dentro dos marcos da lei e da garantia dos direitos constitucionais.

    Passadas as horas de terror, seguiram as atividades culturais.

    "A onda conservadora que assola o Brasil e o mundo autoriza a violência e normaliza casos como esses, em que a Polícia se sente no direito de invadir um espaço de resistência e atacar pessoas sem se preocupar com as consequências. Continuaremos na luta contra o autoritarismo, o abuso de poder e a força das armas. O Fora do Eixo e a Mídia NINJA reforçam seus valores pacíficos, a importância das ações culturais e engrossa o coro pela desmilitarização da polícia brasileira, uma das que mais mata e morre no mundo. Não vão nos intimidar", escreveu o Fora do Eixo.

    Da Mídia NINJA

  • Caso Rafael Braga Vieira mostra uma Justiça tendenciosa contra os pobres

    A Justiça brasileira mostra as suas garras contra os mais pobres. A vítima da vez é o carioca Rafael Braga Vieira, 27 anos. O juiz Ricardo Coronha Pinheiro condenou Vieira a 11 anos e três meses de prisão por associação ao tráfico de drogas, com base apenas na palavra dos policiais que o prenderam.

    Leia a sentença do juiz Pinheiro aqui

    Em São Paulo, jovens se reuniram no vão do Masp, na avenida Paulista, nesta segunda-feira (24) para exigir a libertação do condenado que é negro, pobre e favelado. 

    A defesa de Vieira acredita em perseguição. Ele é o único condenado por participar dos protestos da Jornada de junho, em 2013. Preso com produtos de limpeza lacrados. Acusado de carregar artefatos explosivos e incendiários.

    No começo deste ano, ele foi “flagrado” com 0,6 gramas de maconha e 9,3 gramas de cocaína, de acordo com os policiais. Vieira nega.

    “O inadmissível dessa condenação é a total ausência de provas e as únicas testemunhas válidas são os policiais que o prenderam”, afirma Mônica Custódio, secretária de Igualdade Racial da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).

    Até foi criada uma página de Facebook pedindo a liberdade de Vieira (veja aqui). 

    Só que a Lei das Drogas (Lei 11.343/2006) distingue usuários de traficantes. “A quantidade dita nos autos que Vieira carregava consigo estão abaixo dos limites determinados para a configuração de usuário, que não pode ser preso por isso”.

    Antonio Pedro Melchior, professor na Universidade Federal do Rio de Janeiro e advogado criminalista, escreveu um artigo no site Justificando onde afirma que “a sentença se funda na mais frequente e desgastada prática inquisitorial no Brasil: condenação exclusivamente fundada na palavra do agente policial”.

    Já o delegado Orlando Zaccone, responsável pelo inquérito do caso do pedreiro Amarildo, até hoje sem conclusão, conta que “podemos questionar a forma como os flagrantes são constituídos no Brasil, onde o depoimento da policial é o único que vale para identificar um criminoso”.

    Para Custódio, “a forma de trato do juiz, deixa nítido a relação de um estado tendencioso, excludente e racista. Pessoas simples, como Vieira, representam a vida real de grande parte de nossa população, constituem a imagem da distribuição do cárcere”.

    Assista vídeo da CartaCapital sobre a vigília: 

    “Isso configura um outro formato de escravidão. Ninguém pode ser condenado sem o amplo direito de defesa, com base na palavra dos próprios policiais que o prenderam”, complementa.

    Além disso, o Instituto de Defensores de Direitos Humanos (DDH) acusa Melchior de impedir o pleno exercício de defesa de Vieira. Segundo os advogados, o juiz impediu diligências da defesa para averiguar supostas inconsistências do processo.

    “Policiais que prenderam o imputado em flagrante ou atuaram na investigação tem interesse em defender a legalidade e correção da própria atuação, o que é mais ou menos óbvio. Não são testemunhas, por isto. Se necessário ouvi-los em juízo, devem ser tomadas com reserva”, explica Melchior.

    Ele conclui que “sob o prisma político, nem se diga. No país da maior quantidade de autos de resistência no mundo, é esquizofrênico que a palavra do policial militar siga sendo recebida com presunção de legitimidade”.

    Custódio questiona a legitimidade do Estado em prisões baseadas somente na palavra de alguém, supostamente “acima de qualquer suspeita”.

    Para ela, "precisamos nos mobilizar e prestar solidariedade sempre que acontecem coisas desse tipo. Devemos nos posicionar contra esse instrumento do racismo institucional. Entendendo sempre o papel destes setores que ainda hoje buscam nos oprimir".

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy. Foto: Mídia Ninja

  • Cegos tomam a Paulista e denunciam o golpe contra a democracia no Brasil. Assista!

    O grupo Desvio Coletivo realizou a performance “Cegos”, no domingo (30), na avenida Paulista, centro financeiro de São Paulo e de modo irreverente denunciou o golpe de Estado que acabou com a democracia no país.

    O grupo aproveitou a Paulista – fechada para os carros aos domingos na gestão de Fernando Haddad -, enquanto o prefeito eleito João Doria não assume e acaba com a liberação da avenida mais conhecida da maior cidade do país.

    Interessante ao performance que faz saudação nazista a chegar no prédio da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). O grupo artístico também levava consigo exemplares das revistas Veja e IstoÉ e as “comia” durante o trajeto.

    desvio coletivo fiesp

    “Lá, a performance se deparou com alguns defensores da ditadura militar, que exibiam faixas pedindo a volta do regime que suprimiu a Democracia por 21 anos. Neste momento, os performáticos sacaram cartazes onde se liam muitos dos 'argumentos' do campo conservador da sociedade’, diz Renato Cortez para o Mídia Ninja.

    Acompanhe mais pela página do Desvio Coletivo aqui.

    A performance chamou atenção pela qualidade dos figurinos e pela atuação do grupo que se concatena perfeitamente com a conjuntura atual. “O simbolismo dos locais escolhidos para as paradas e as intervenções neles feitas são um convite à reflexão sobre o momento pelo qual passamos”, afirma Cortez.

    Veja o vídeo 

    Portal CTB

  • Chico Buarque é censurado pelo jornal O Globo ao comentar a condenação de Lula

    Acostumado a enfrentar a censura da ditadura civil-militar (1964-1985), o cantor, compositor e escritor Chico Buarque foi censurado pelo jornal O Globo, da família Marinho. A assessoria do artista conta que a redação do diário carioca encomendou uma declaração de Chico sobre a condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pelo juiz Sergio Moro.

    Ironicamente, Chico enviou por e-mail a frase “O Globo faz a diferença” e acrescentou “quero que publiquem”. Os editores entenderam o recado. Não publicaram a frase do artista por perceber a alusão feita ao prêmio anual “Quem faz diferença”, do jornal dos Marinho.

    Isso porque em 2015, o juiz curitibano de primeira instância ganhou como a Personalidade do Ano, justamente por seu trabalho na operação Lava Jato. Com essa fina ironia Chico Buarque condena a atuação de Moro e de O Globo, totalmente partidários contra o ex-presidente.

    A declaração de Chico sairia publicada nesta sexta-feira (14), juntamente com as de Beth Carvalho, Zé Celso, Kleber Mendonça Filho e Silvia Buarque, entre outros. “Um absurdo que isso aconteça nesse mesmo momento em que perdemos as conquistas de Getúlio Vargas para os trabalhadores. Lula foi condenado sem provas, não querem que ele seja candidato a presidente, sabem que ele vai ganhar a eleição”, diz a cantora Beth Carvalho.

    Um recado de Chico Buarque a ditadores de plantão: 

    Já o cineasta Kleber Mendonça Filho, afirma ser “uma vergonha, mais uma num país que desrespeita cada vez mais a cidadania”. Enquanto o teatrólogo José Celso Martinez Correa afirma que “para realizar seu grande sonho – ou melhor, seu marketing –, Moro decreta a prisão de Lula, justamente quando é julgado o Fora Temer, e a maioria do povo brasileiro quer Diretas Já”.

    O cineasta Luiz Carlos Barreto também critica o fato de Moro ter declarado a sentença no dia seguinte à aprovação da reforma trabalhista, que já configura um golpe muito duro contra o povo brasileiro. “No dia seguinte em que se aprova a reforma trabalhista, que fez o Brasil regressar à era pré-Revolução Industrial da Inglaterra, condenar sem provas o maior líder popular do país é um complô de agitação para jogar o Brasil numa convulsão social”.

    Para a atriz Silvia Buarque, filha de Chico, “é uma condenação que já estava prevista por conta do golpe que afastou Dilma Rousseff da Presidência”.

    O jornal O Globo tentou mostrar “isenção” ouvindo artistas que condenam o modus operandi do juiz Sergio Moro, mas a sagacidade de Chico Buarque, mais uma vez desmontou essa farsa.

    Durante a outra ditadura Chico inventou muitas maneiras de enganar a censura e denunciá-la, agora denuncia a censura de quem vive falando em “liberdade de expressão”, quando o assunto é democratização dos meios de comunicação.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy com Brasil 247, O Cafezinho, Portal Vermelho e O Globo. Foto: Mídia Ninja

  • Com Marcelo Adnet o grito de "Fora Temer" invade a Rede Globo. Assista!

    Em quadro do seu programa AdNight, da golpista Rede Globo, o humorista Marcelo Adnet grita "Fora Temer" a plenos pulmões na noite de quinta-feira (15) e diz que essa parte do programa "vai ser editada". Seu parceiro de quadro Alexandre Nero não se aguenta e ri. Além de gritar a palavra de ordem mais utilizada em todo o país, ele a escreveu em uma lousa.

     Assista Adnet 

    Já a cantora Martin'ália entoou com sua plateia em Cuiabá, Mato Grosso, o mesmo "Fora Temer", que toma conta do Oiapoque ao Chuí, num unísssono, na quarta-feira (14).

     Acompanhe a sambista carioca, Mart'nália

    Em vez de "Aleluia, Aleluia", da música Messiah, clássico do compositor alemão Georg Friedrich Händel, um grupo de músicos e cantores substituiu o refrão por "Fora Temer", na avenida Paulista, no domingo (11), como mostram a Mídia Ninja.

    Nova versão do clássico Messiah, de Händel

    No mesmo ato, em São Paulo, o grupo O Teatro Mágico se apresentou no Show pela Democracia e, além do "Fora Temer" disse que todas as cores devem ser respeitadas e nenhuma discriminada, em menção ao vermelho - odiada por reacionários trogloditas - "a cor dos movimentos sociais".

     Veja O Teatro Mágico

    Portal CTB

     

     

     

     

  • Contra o golpe, manifestantes tomam a Paulista, em SP, e no Rio escracham Jair Bolsonaro

    Neste domingo (24), pela manhã, ocorreu o Piquenique pela Democracia na avenida Paulista, em São Paulo, e à tarde, uma verdadeira multidão tomou a Paulista para gritar mais uma vez contra o golpe. O ato começou no vão do Masp.

    Os manifestantes mais uma vez dizem "Fica Querida", para a presidenta Dilma. De acordo com os manifestantes, ninguém vai ficar parado vendo Temer e Cunha tomarem o poder sem disputar a eleição em 2018, como manda a Constituição.

    A proposta é intensificar as manifestações que começaram a acontecer, espontaneamente, em todo o país, após a fatídica votação no domingo (17), na Câmara dos Deputados.

    Leia mais

    Paulista ficou pequena na noite desta quinta (21) para ato espontâneo em defesa da democracia

    Manifestantes fazem protesto em frente à casa de Temer em Brasília

    “Mulheres Não Recatadas” protestam contra machismo da Veja

    A norte-americana CNN também denuncia o golpe dos sem voto no Brasil. Assista!

    O músico Evandro Fióti disse que o país "precisa dessa chacoalhada para ter noção das conquistas" e que a luta é para manter os avanços e dizer não ao retrocesso. "A gente viu depois de domingo que não tem como não se posicionar contra um congresso medieval que não nos representa, e o mais triste é saber que essas pessoas comandam o país. Depois de domingo acho que todos devem assumir a sua responsabilide e lutar como nossos pais lutaram na década de 1970 e 1980. É importante conversarmos com nossos pais, amigos, colegas de trabalho e esclarecê-los, porque a mídia mais uma vez está colocando o povo contra o povo".

    Rio de Janeiro

    Também ocorreu escracho em frente à casa do deputado Jair Bolsonaro, na avenida Lucio Costa, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro.  A proposta da juventude é não dar arrego aos golpistas até que aprendam a respeitar as urnas e o povo brasileiro.

    Campinas

    Um grupo de jovens reuniu-se na manhã deste domingo (24) em frente a casa do deputado Carlos Sampaio, em Campinas, interior de São Paulo. Sampaio é um dos maiores articuladores da ala tucana pelo golpe de Estado tramado pela direita, comandada pela família Marinho, dona da Rede Globo e por grupos econômicos estrangeiros.

    Portal CTB com Redação da Tal, Jornalistas Livres e Mídia Ninja

  • E o Oscar da Lavajato vai para.. mídia brasileira!

    Em uma atuação digna de prêmio a imprensa se finge escandalizada com a “descoberta” da corrupção, mas segue recebendo milhões de reais do delatado Michel Temer.

    É preciso admitir: a performance da mídia privada nacional é digna de um Oscar.

    É verdade que o roteiro não é nada original, mas a construção midiática da narrativa martelada cotidianamente por Globo, Folha, Estadão & cia – de que uma quadrilha de corruptos tomou de assalto o governo, como se nunca antes neste país houvesse qualquer tipo de corrupção – convenceu muita gente.

    Escandalizados, os porta-vozes desses veículos de comunicação iniciaram uma verdadeira pregação em defesa da ética e da moral. Se colocaram como defensores de uma depuração, de uma cruzada para dizimar os políticos corruptos.

    Neste processo, alçaram à condição de heróis da nação os “caçadores de corruptos”: o Juiz Sérgio Moro virou capa de revista semanal algumas vezes. “Ele salvou o ano”, “O Juiz vê mais longe”..

    Cada delação é tratada com estardalhaço. Na verdade, algumas cenas entram para o “filme”, outras ficam de fora, numa operação de edição cirurgicamente construída para dar sustentação à narrativa de que Lula, Dilma e o PT criaram o maior esquema de corrupção da história do Brasil.

    Mas eis que no meio do caminho surge o patriarca da família Odebrecht, Emílio.

    Intimado a depor sobre os esquemas de corrupção envolvendo a construtora e os governos Lula/Dilma, reitera que a corrupção não começou nos últimos cinco ou dez anos.

    Esse “esquema” já existe há pelo menos 30 anos. E pior, a mídia sempre soube de tudo e só resolveu falar sobre o assunto agora. 

    Emílio Odebrecht: “O que me surpreende é quando vejo todos esses poderes, até a imprensa, todos agindo realmente como se fosse uma surpresa. Me incomoda isso. Não exime em nada nossa responsabilidade. Não exime em nada nossa benevolência. Não exime em nada que nós praticamente passamos a olhar isso com normalidade. Porque em 30 anos, é difícil não ver isso como normalidade. (…) A imprensa toda sabia que efetivamente o que acontecia era isso. Por que agora estão fazendo tudo isso? Por que não fizeram há 10 ou 15 anos atrás? (…) A própria imprensa… Essa imprensa sabia de tudo e agora fica nessa demagogia. Eu acho que todos deveriam fazer uma lavagem de roupa nas suas casas”.

    Eu sei o que vocês fizeram no verão passado

    Não se trata aqui de defender a corrupção, muito menos os corruptos, mas de refletir sobre o papel que a mídia privada tem neste processo.

    Eles sabiam de tudo e não disseram nada. Não abriram o bico antes, porque resolveram falar agora? Pior, porque adotaram a postura de indignados, de escandalizados como se fosse uma terrível descoberta?

    Essas perguntas podem ser respondidas de várias maneiras.

    Começo lembrando como surgiram parte destes conglomerados midiáticos no país, dos compromissos históricos dos proprietários dos grandes meios de comunicação com a elite econômica, com um projeto político de redução de direitos sociais e trabalhistas, de privatização do Estado, de negação do protagonismo internacional do Brasil. É um bom caminho para começar a entender as posturas da mídia.

    Porque será que pós-impeachment a crise econômica praticamente sumiu dos jornais?

    Ficou famoso no segundo semestre de 2016 os memes nas redes do Apesar da crise. “O país voltou a crescer. Não fale em crise, trabalhe!”

    Os milhões de reais que já eram injetados na mídia privada, mesmo nos anos de Lula e Dilma, cresceram assustadoramente pós-impeachment, apesar da crise. Afinal, aprovou-se o congelamento dos gastos públicos com Educação e Saúde por 20 anos, mas nos meses de maio a agosto de 2016:

    Aumentou-se em 78% os pagamentos federais à Folha/UOL, comparando com o que foi gasto no mesmo período de 2015.

    As empresas da Globo receberam R$ 15,8 milhões de repasses federais (sem contar as estatais!), 24% a mais que no mesmo período do ano anterior.

    E a Abril que recebeu apenas R$ 52 mil nos quatro meses de 2015, contou com uma verba de R$ 380,77 mil nos quatro meses de 2016, um crescimento de 624%.

    Todos esses dados estão na tabela abaixo, com os números oficiais da Secretaria de Comunicação Social do governo:

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    E não parou por aí, não.

    No meio de um discurso de austeridade com os gastos públicos, de que é preciso reduzir direitos constitucionais que não cabem no orçamento, e percebendo que o terreno para a aprovação das Reformas da Previdência e Trabalhista é hostil, o governo Temer deu seguimento à sua “benevolência com a mídia”.

    No final de março desse ano, o governo anunciou o fim da desoneração sobre a folha de pagamento de 50 setores da economia.

    Apenas três segmentos mantiveram o benefício: a construção civil, transporte rodoviário de passageiros e transporte ferroviário/metroviário de passageiros e…. a comunicação.

    Para os dois primeiros pode-se argumentar que são áreas sensíveis da economia – uma para a geração de emprego e a outra para evitar um efeito cascata de reajustes impactando no combate à inflação.

    Mas e a Comunicação, qual a explicação para que este setor mantenha a desoneração da folha?

    A mídia privada continua recebendo uma enxurrada de dinheiro. O cheque polpudo mais recente foi para veicular a campanha de Temer em defesa da Reforma da Previdência. Acontece que a campanha é um verdadeiro abuso de poder e subverte o que determina a legislação de campanhas de interesse público, uma vez que a peça nem explica o conteúdo do projeto, só tenta convencer a população de algo.

    Me pergunto o escândalo que seria se Lula ou Dilma tivessem feito “campanha de interesse público” para defender a aprovação de alguma proposta do seu governo.

    Tudo isso só mostra que a postura de donzela enganada e escandalizada com a corrupção é bem encenada. Afinal, como pode estar indignado, revoltado e na caça dos corruptos; como pode criminalizar cotidianamente o diálogo entre empresas e governo federal e mesmo assim continuar recebendo somas estratosféricas do governo federal e de governos que estão nos top 5 das delações da Lava Jato?

    Como disse no início, esse pessoal, ó, merece um Oscar.

    Fonte: Mídia Ninja, por Renata Mielli, coordenadora-geral do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação e secretária-geral do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé

  • Em noite de festa, a força guerreira das mulheres cresce com sarau pela democracia em São Paulo

    Em plena terça-feira (5), cerca de mil pessoas de todas as cores e orientações sexuais “tomaram a Praça Roosevelt”, como disse a atriz Ana Petta, uma das apresentadoras do Sarau das Mulheres pela Democracia, que aconteceu no centro da capital paulista, a partir das 17h.

    “Estamos aqui para repudiar esse ataque covarde que a revista IstoÉ promoveu à presidenta Dilma. Numa reportagem insidiosa e mentirosa”, afirma Gicélia Bitencourt, secretária da Mulher Trabalhadora da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil em São Paulo (CTB-SP).

    “Estamos nas ruas com toda essa alegria, contando com a irreverência da juventude para barrar esse golpe contra o país e o povo brasileiro e dizer à mídia golpista que quando atacam a Dilma, atacam a todas nós, mulheres guerreiras brasileiras”, diz a sindicalista.

    Representando a Unão Nacional LGBT, Valéria Rodrigues afirma que a UNA-LGBT está nas ruas para defender os direitos de todas as pessoas por uma vida digna. "É fundamental que nós, da comunidade LGBT, estejamos aqui nessa praça linda, defendendo nossos direitos".

    Coordenado por inúmeros coletivos culturais de São Paulo, o sarau foi transmitido ao vivo na internet pela Fundação Perseu Abramo e pelos Jornalistas Livres. “As mulheres sempre estiveram na frente da batalha pela liberdade e por direitos iguais neste país”, diz a militante veterana Liége Rocha, da União Brasileira de Mulheres (UBM).

    A nefasta matéria de capa da revista IstoÉ foi lembrada todo o tempo. "Quando ofendem a Dilma, ofendem cada uma de nós, mulheres brasileiras”, fala Juliana Borges, secretária da Mulher do Partido dos Trabalhadores de São Paulo.

    As apresentações artísticas foram se sucedendo no palco e nas imediações da praça. "O espaço público está sendo ocupado por uma juventude que pede avanços à jovem democracia brasileira", diz Cláudia Rodrigues, da UBM-SP. É o caso da Marina Veneto, presente no ato: "Toda mulher tem o coração guerreiro e, por isso, nós somos a democracia”.

    Coletivos culturais da periferia se apresentaram. Rappers da Frente Nacional Feminista do Movimento Hip Hop cantaram e encantaram com poesias fortes contra o machismo e a misoginia (ódio às mulheres). “Os caras não têm se segurado porque não suportam o fato de termos hoje uma mulher no poder”, realça Preta Rara.

    A secretária municipal de Políticas para as Mulheres de São Paulo, Denise Mota Dau, lembrou que outras publicações fizeram a mesma coisa que a revista IstoÉ em diversos países onde as mulheres ocupam o cargo de mandatária. "Estamos nas ruas para denunciar todas as manipulações dessa mídia partidária, para defender a democracia e para superar todas as desigualdades”, defende Denise.

    A ativista feminista Rachel Moreno fez questão de participar do sarau. "Eles pensaram que estávamos dormindo ou que sua ladainha midiática faria nossas cabeças, mas estamos bem acordadas e ligadas nos acontecimentos em tempo real”.

    Logo a seguir, a presidenta da Apeoesp (sindicato das educadoras e educadores da rede pública estadual de São Paulo) Maria Izabel Noronha, a Bebel, afirmou: "Não aceitaremos nenhum golpe contra a nossa jovem democracia. Permaneceremos nas ruas até enterrarmos de vez essa sanha golpista midiático-jurídica infame”.

    Gicélia lembra que “o bicho homem é o único animal que agride a sua companheira”. Ela conta que, antigamente, sarau era feito pela burguesia e as mulheres eram vistas como adornos. "Agora fazemos este sarau para mostrar à burguesia que não aceitaremos nenhum direito a menos”.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy – Foto: Mídia Ninja

  • Estudantes denunciam excessiva violência policial em Brasília contra jovens desarmados. Assista!

    Movimentos sociais, partidos políticos, centrais sindicais e movimento estudantil repudiam a excessiva violência da Polícia Militar do Distrito Federal, sob as ordens do governador Rodrigo Rollemberg (PSB) contra os manifestantes desta terça-feira (29), em Brasília, contra a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 55, que congela o orçamento da educação e saúde públicas por 20 anos.

    No vídeo do Mídia Ninja, cinco policiais armados espancam um rapaz, inclusive já imobilizado. O policial grita com parlamentares que o comandante da operação está madando avançar sobre os manifestantes (assista abaixo).  

    Os Jornalistas Livres mostram depoimentos de jovens, no qual uma menina do Oiapoque, no Amapá reclama que “hoje, infelizmente, fomos tratados como marginais” por uma polícia totalmente despreparada. Mas “nós estamos reivindicando inclusive os próprios direitos deles", finaliza. Em outro vídeo a violência policial fica patente (assista a seguir os dois vídeos). 

     

    “Fomos duramente reprimidos sem nenhuma justificativa”, diz Carina Vitral, presidenta da União Nacional dos Estudantes (UNE). “Quem está aqui hoje são estudantes de todo Brasil, pais de família, crianças, gente que não pode se defender”.

    Vitral denuncia a tamanha covardia como a de hoje, jogar tantas bombas em pessoas que protestavam pacificamente”. Já Ana Júlia Ribeiro acredita que a PM do DF se mostrou totalmente despreparada.

    “A polícia agiu de forma despreparada e desproporcional. Haviam vários grupos de estudantes de diversos estados do país, estudantes que viajaram durante horas para se manifestar democraticamente e pacificamente”, diz ela.

    A estudante paranaense, ao contrário do que noticiou a mídia comercial, afirma que “os próprios estudantes além de ter ajudado a socorrer os manifestantes tentaram fazer com que algumas pessoas se acalmassem para não depredar o patrimônio público".

    Ela argumenta ainda que "não sabemos se essas pessoas fazem parte de algum grupo radical ou se estavam infiltradas", por isso, "insistimos que o movimento estudantil é um movimento pacífico e democrático”.

    A secretária da Mulher da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil no Rio de Janeiro (CTB-RJ), Kátia Branco conta que o aparato policial transformou Brasília numa praça de guerra. “Estava tudo ocorrendo com muita tranquilidade até que os policiais partiram para cima dos manifestantes e de maneira ostensiva, aí a correria foi geral”, denuncia.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy. Foto: Isabella Lanave

  • Estudantes entregam abaixo-assinado com mais de 900 mil assinaturas pela saída de Temer. Assista!

     A União Nacional dos Estudantes (UNE), a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes) e o Centro Acadêmico XI de Agosto da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, entre outras entidades, aproveitaram a 9ª Marcha da Classe Trabalhadora e a ocupação de Brasília contra o presidente sem votos Michel Temer para entregar petição com mais de 900 mil assinaturas pelo Fora Temer.

    Assista vídeo do Portal do Movimento Popular com a explicação de Carina Vitral 

    Após muito impasse e barrados pelos seguranças, as representantes dos estudantes brasileiros entregaram ao presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, dois abaixo-assinados com 220 mil assinaturas físicas e 700 mil digitais para o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, em que pedem a renúncia do presidente ilegítimo Michel Temer e eleições diretas.

    “Muito importante institucionalmente a Câmara dos Deputados ter topado uma comissão de estudantes contendo quase 1 milhão de assinaturas pelas Diretas Já e a imediata saída de Temer”, afirma Carina Vitral, presidenta da UNE.

    “A saída com eleições indiretas não vai resolver a crise institucional que vivemos, só o caminho do voto popular e devolvendo ao povo a chance de decidir sobre os rumos do país que vamos superar a crise e barrar as reformas regressivas do governo Temer”, complementa.

    Veja vídeo da Mídia Ninja e entenda dificuldade enfrentada pelos estudantes  

    Já Camila Lanes, presidenta da Ubes, lembra a necessidade de se revogar a reforma do ensino médio, aprovada recentemente pelo Congresso e sancionada por Temer. “Querem acabar com a educação pública e jogar nas costas da juventude e da classe trabalhadora o preço da crise”.

    As lideranças estudantis garantem atuação do movimento estudantil para barrar todos esses retrocessos e “juntamente com os trabalhadores e trabalhadoras vamos lutar para que o Brasil volte ao caminho do desenvolvimento com combate à pobreza”, assinala Lanes.

    Enfim a entrega foi feita, mostra vídeo da UNE  

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy. foto: Ubes

  • Estudantes ocupam a Assembleia de São Paulo para forçar punição aos ladrões da merenda

    Liderados pela União Paulista dos Estudantes Secundaristas (Upes), dezenas de jovens acamparam na noite da terça-feira (13) na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) para forçar a CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Merenda “a investigar pra valer e punir os responsáveis pelo desvio da merenda escolar no estado”, diz Emerson Santos, o Catatau, presidente da Upes.

    A CPI da Merenda só foi instalada após muita pressão dos estudantes (leia mais aqui). Nesta quarta-feira (14), O depoimento mais aguardado é do presidente da Alesp, Fernando Capez (PSDB), acusado por diversos delatores de ser o principal beneficiário do esquema (saiba mais aqui).

    Acompanhe o que disse Fernando Capez à CPI da Merenda 

    Em seu depoimento, Capez nega todas as acusações. “Jamais interferi por ninguém. Nunca conversei com o Padula (Fernando, ex-chefe de gabinete da Secretaria Estadual de Educação, também acusado) na minha vida”, jurando inocência.

    “Muitas reuniões da CPI têm acontecido a portas fechadas e isso não pode mais ocorrer. Quem não deve não teme, mas quem é acusado de desvios de dinheiro público deve explicações para a sociedade, ainda mais sobre algo tão grave como tirar comida de crianças”, afirma Catatau.

    acampamento alesp upes cpi merenda

    Crédito: Jornalistas Livres

    A reunião começou às 10h. Cerca de 25 estudantes conseguiram entrar para acompanhar, mas não sem repressão policial antes de serem autorizados. Ao menos dois foram detidos, denuncia a Mídia Ninja, com vários feridos. Inclusive um jovem com menos de 18 anos foi detido pela Polícia Militar, conta Camila Lanes, presidenta da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes).

    Veja ação da PM do governador Geraldo Alckmin  

    Por isso, “estamos acompanhando todos os passos desta CPI para não acabar em pizza”, afirma Catatau. “Alguém tem que punir os ladrões da merenda, porque não permitiremos que enganem a sociedade e os estudantes paulistas fiquem sem merenda por causa de falcatruas”. A palavar de ordem da Upes é "resistir e ocupar até a punição dos ladrões da merenda".

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    Quem vai prender os ladrões da merenda no estado de São Paulo?

    Cadê a merenda de nossas crianças, Geraldo Alckmin?

    Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB

    Foto destaque: Pedro Lopes, Mídia Ninja

  • Estudantes ocupam prédio da universidade onde Sergio Moro leciona em Curitiba

    "O prédio histórico da Universidade Federal do Paraná (UFPR), onde o juiz Sergio Moro é professor, em Curitiba, foi ocupado na noite desta quinta-feira (3) pelos estudantes em protesto contra a PEC 55/241, que congela investimentos por 20 anos, e a MP 746 que reforma o ensino médio no país", informa o Blog do Esmael.

    Veja como foi a ocupação 

    O estudante Célio disse que ocuparam o prédio hisórico da UFPR, justamente para fortalecer "o movimento de ocupações contra o desastre que significa a PEC 55 (ex 241) para as áreas sociais no país, principalmente porque acaba com a educação pública e visa a privatização do ensino médio e superior". Para ele, é importante "aglutinar forças para o dia nacional de paralisações que ocorrerá na sexta-feira (11) em todo o país".

    Governo paulista e a PEC da Morte

    A repressão aos estudantes continua intensa. A Polícia Militar do governador Geraldo Alckmin levou para a delegacia estudantes e jornalistas que ocupavam o Centro Paula Souza, sem mandado judicial. O Mídia Ninja produziu um vídeo onde os detidos fizeram um jogral para dizer que “há anos não vemos estudantes, jornalistas e manifestantes sendo presos sem mandato. De maneira truculenta e contra qualquer tipo de legalidade constitucional. A ditadura Temer está se instalando e a forma como Geraldo Alckmin tratou os estudantes na noite de hoje é a maior prova disso.Não adianta nos reprimir, não adianta nos prender, muitos morreram pelo livre direito de manifestação, e nós seguiremos resistindo!”.

    Assista 

    O Estado de Exceção avança contra a juventude que resiste. O número de escolas ocupadas cresce dia a dia. Até o momento já são 167 universidades públicas ocupadas, de acordo com a União Nacional dos Estudantes e mais de 1.200 escolas também ocupadas em todo o país.

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    Contra PEC da Morte, estudantes dão aula, mas os governantes não aprendem nada

    Portal CTB

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