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Sex, Abr

Milton Nascimento

  • CTB-PA participa do planejamento da Frente Brasil Popular no estado

    A Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil, seção Pará (CTB-PA) participou da reunião do Planejamento 2018 da Frente Brasil Popular Pará (FBP-PA), nesta terça-feira (6), na sede do Sindicato dos Bancários do Pará. "Debatemos a nossa organização para enfrentar as adversidades postas pelo golpe de Estado de 2016", afirma Cleber Rezende, presidente da CTB-PA. "A nossa unidade é fundamental tanto na conjuntura nacional quanto na estadual".

    Para Márcia Pinheiro, diretora da CTB-PA, "a FBP-PA deu um passo significativo em sua organização ao planejar suas principais tarefas para 2018". De acordo com a professora e sindicalista, "a CTB-PA se constitui em uma força importante na construção de resistência à ofensiva conservadora no país e no estado".

    Pinheiro coordenou a primeira mesa de debates, cujo tema foi "Desafios da Resistência Popular Contra o Golpe". Já na segunda mesa, o tema foi "Organizando a Resistência Popular", com a proposta de avançar na organização da resistência às ações do governo ilegítimo de Michel Temer. "O golpe veio para liquidar os direitos trabalhistas  e todos os programas sociais que melhoraram a vida do povo brasileiro", diz Rezende.

    "Com apoio da mídia comercial e de parte do Judiciário, o governo vem implantando reformas que fazem o mundo do trabalho retroceder há décadas", afirma. Por isso, complementa, "querem impedir a candidatura de Lula".

    Participaram os deputados estaduais Carlos Bordalo ( PT-PA) e Lélio Costa, líder do PCdoB na Assembleia Legislativa, Jorge André, da Frente Povo Sem Medo e Iury Paulino, coordenador do Movimento dos Atingidos por Barragem no Pará.

    ctb pa fbp encontro

    Todos abordaram os aspectos da conjuntura política, os desafios a enfrentar e as lutas que têm sido travadas na defesa da democracia, na resistência ao golpe em curso e na campanha pelo direito do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ser candidato a presidente da República. Os palestrantes também foram enfáticos na necessidade de se avanaçar na mobilização contra a proposta de reforma da previdência.

    Em seguida, a Plenária com aproximadamente 100 lideranças políticas, sociais, sindicais e juvenis foi dividida em cinco grupos de trabalhos com as tarefas de responder "como organizar a resistência e como disputar a narrativa do golpe". Cada grupo apontou as principais tarefas para cada questionamento.

    Notícias do Brasil, de Fernando Brant e Milton Nascimento, retrata bem o momento 

    Na plenária final, Rezende e Ádima Monteiro, da Consulta Popular, trataram do "Plano de Lutas, Sínteses e Encaminhamentos". Nesta mesa, ficou definido, entre outras tarefas, a construção do Congresso do Povo no Pará, além de reforçar a luta das centrais sindicais contra a reforma da previdência, com greve, atos e manifestações no dia 19 de fevereiro, e fincar pé na defesa de Lula ser candidato nas eleições de outubro.

    Também ficou decidido reforçar a campanha salarial dos servidores públicos estaduais do Pará, denunciando os desmandos do governador Simão Jatene (PSDB) e a defesa de uma Belém para todas e todos sem violência e com garantia de direitos básicos à população local, denunciando o prefeito Zenaldo Coutinho, também do PSDB.

    Portal CTB com informações da CTB-PA

  • Dez músicas para comemorar com muita reflexão os 10 anos da CTB

    No dia 12 de dezembro de 2007 nascia a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), para mostrar a força da classe trabalhadora num ritmo bem brasileiro, classista, de luta, democrático e repeitando a diversidade do país. São 10 anos de um caminho trilhado pelos interesses da nação e do povo que trabalha rumo a um sociedade mais justa e mais igual.

    Abaixo dez músicas do cancioneiro popular brasileiro que representam uma face da vida do país, da classe trabalhadora e da luta por liberdade, direitos iguais e uma vida digna para todos. CTB é a central que veio para ficar e mostrar que trabalhadores e trabalhadoras devem lutar de braços dados contra a opressão e a injustiça.

    Velha Roupa Colorida, de Belchior

    "Você não sente nem vê
    Mas eu não posso deixar de dizer, meu amigo
    Que uma nova mudança em breve vai acontecer
    E o que há algum tempo era novo jovem
    Hoje é antigo, e precisamos todos rejuvenescer"

     

    E Vamos à Luta, de Gonzaguinha

    "Aquele que sabe que é negro
    O coro da gente
    E segura a batida da vida
    O ano inteiro
    Aquele que sabe o sufoco
    De um jogo tão duro
    E apesar dos pesares
    Ainda se orgulha
    De ser brasileiro
    Aquele que sai da batalha"

    Um Satélite na Cabeça, de Chico Science

    "Eu sou como aquele boneco
    Que apareceu no dia na fogueira
    E controla seu próprio satélite

    Andando por cima da terra
    Conquistando o seu próprio espaço
    É onde você pode estar agora"

     

    Refavela, de Gilberto Gil

    "A refavela
    Revela o salto
    Que o preto pobre tenta dar
    Quando se arranca
    Do seu barraco prum bloco do BNH"

    Hoje, de Taiguara

    "Hoje
    Homens de aço esperam da ciência
    Eu desespero e abraço a tua ausência
    Que é o que me resta, vivo em minha sorte" 

    Homem Primata, de Titãs

    "Desde os primórdios
    Até hoje em dia
    O homem ainda faz
    O que o macaco fazia
    Eu não trabalhava
    Eu não sabia
    Que o homem criava
    E também destruía" 

    Porta Estandarte, de Geraldo Vandré

    "Por dores e tristezas que bem sei
    Um dia ainda vão findar
    Um dia que vem vindo
    E que eu vivo pra cantar
    Na Avenida girando, estandarte na mão pra anunciar" 

    Dias de Luta, Dias de Glória, de Charlie Brown Jr.

    "A vida me ensinou a nunca desistir
    Nem ganhar, nem perder, mas procurar evoluir
    Podem me tirar tudo que tenho
    Só não podem me tirar as coisas boas
    Que eu já fiz pra quem eu amo" 

    Rancho da Goiabada, de João Bosco e Aldir Blanc

    "Os bóias-frias quando tomam umas biritas
    Espantando a tristeza
    Sonham , com bife à cavalo, batata frita
    E a sobremesa
    É goiabada cascão, com muito queijo, depois café
    Cigarro e o beijo de uma mulata chamada
    Leonor, ou Dagmar" 

    Primeiro de Maio, de Chico Buarque e Milton Nascimento

    "Hoje a cidade está parada
    E ele apressa a caminhada
    Pra acordar a namorada logo ali
    E vai sorrindo, vai aflito
    Pra mostrar, cheio de si
    Que hoje ele é senhor das suas mãos
    E das ferramentas" 

    Afinal são 10 anos de pessoas juntas nas ruas, nas redes sociais, em todos os estados, na cidade e no campo, pessoas determinadas a construir o mundo novo, onde os meios de produção passem para as mãos da classe trabalhadora e a desigualdade desapareça de vez do planeta. Dez anos parecem poucos, mas basta olhar para trás para ver o quanto já se caminhou. A CTB faz aniversário, mas a festa é sua. Só não esqueça que existem direitos para recuperar e um país para reconstruir.

    Portal CTB - Marcos Aurélio Ruy. Foto: Manoel Porto

  • Especial Consciência Negra: o sociólogo Robson Camara analisa os 130 anos da Abolição

    O Portal CTB lança a partir desta segunda-feira (12) uma série especial de artigos e reportagens para marcar o Dia Nacional da Consciência Negra, celebrado no dia 20 de novembro, data da morte de Zumbi, o principal líder do Quilombo dos Palmares, o mais longevo e conhecido da história do Brasil.

    Leia também: A criminalização da pobreza e dos movimentos sociais 

    Abre este especial uma entrevista com o professor Robson Camara sobre os 130 anos da Abolição da escravidão no Brasil. Camara é doutor em Sociologia pela Universidade de Brasília (UnB), com pesquisa na área de Sociologia do Trabalho e da Educação e secretário de Formação da CTB-DF. Ele destaca a marginalização em pleno século 21 pelos descendentes dos seres humanos escravizados, vindos da África em condições desumanas nos porões dos navios negreiros.

    “Ser colocado no porão de um navio e atravessar o Atlântico em condições insalubres é um ato passivo? Voluntário?”, questiona ao lembrar que o presidente eleito Jair Bolsonaro afirmou que os próprios africanos é que se entregaram à escravidão.

    Camara tem ainda estágio doutoral no Centro de Estudos Interdisciplinares em Educação e Desenvolvimento (CeiED) da Universidade de Humanidades e Tecnologia (ULHT), de Lisboa/Portugal e é Mestre em Educação (UnB). Além de ser membro do Grupo de Estudos e Pesquisas sobre o Trabalho (GEPT) do Departamento de Sociologia da UnB, ligado ao Instituto de Ciências Sociais (ICS). É também professor da Escola de Aperfeiçoamento dos Profissionais da Educação (EAPE).

    Na entrevista ele diz também que a Abolição foi inconclusa para amainar a fúria da elite escravocrata e frear o avanço dos setores mais avançados contra o escravismo e por isso deixou a desejar do ponto de vista humano e de justiça social. “A Abolição veio para desfazer essa tensão, essa panela de pressão, mas não resolveu o problema do negro. Objetivamente, não houve contrapartida do Estado brasileiro. Nos soltaram à própria sorte”.

    A de Ó, do disco "Missa dos Quilombos", de Milton Nascimento, Pedro Tierra e Dom Pedro Casaldáliga 

    Leia a entrevista na íntegra abaixo:

    Portal CTB: Nos 130 anos da Abolição, a população negra se sente reparada pelo Estado e pela sociedade?

    Robson Camara: Em primeiro lugar, temos que compreender o processo de Abolição da escravidão sobre a perspectiva econômica e socio-histórica. Como nos ensina Clóvis Moura, em sua obra Dialética Radical do Brasil Negro, que o escravismo estava dentro da lógica do processo de acumulação de riqueza, primeiramente para a metrópole e depois para elite econômica do país, do século 16 até 1888 (em 13 de maio de 1888, a princesa Isabel assinou a Lei Áurea, pondo fim à escravidão no Brasil, que foi o último país do Ociedente a fazê-lo).

    Os escravizados eram o capital fixo (marxianamente falando) da engrenagem da economia política brasileira. Outro autor, Jacob Gorender afirma que temos que ver que a própria Lei Áurea não garantia indenização para os escravizados, mas àqueles que haviam se beneficiado pelo processo de escravização de seres humanos ao garantir-lhes indenização.

    São os elementos econômicos se expressando em ato político. Foi o que fez Ruy Barbosa (No dia 14 de dezembro de 1890, ele determinou que deveríamos queimar livros de matrícula, de controle aduaneiro e de recolhimento de tributos que envolvessem pessoas escravizadas. Documentos que estavam no ministério da Fazenda). Como mostra uma matéria publicada no jornal conservador “O Estado de S. Paulo”, de 19/12/1890, onde diz que “O Diário Oficial publicou ontem uma resolução do governo no sentido de fazer desaparecer os últimos vestígios da escravidão representados pelos diversos documentos existentes nas repartições do Ministério da Fazenda”. O que existia por trás disso era impossibilitar documentalmente a indenização do Estado aos senhores proprietários de escravizados.

    Isso significa que os ex-escravos foram abandonados pelo Estado?

    A verdade é que os escravizados, com a Abolição, não tiveram direito a indenização, nem a terra e nem a educação ou qualquer outro benefício social da suposta liberdade. Digo suposta, porque entendo a liberdade como exercício da cidadania. E não a liberdade de morrer de fome, de não ter saúde e educação, de não ter onde morar. Foi isso o que aconteceu com os escravizados.

    De qualquer forma, a Abolição não foi uma simples concessão do sistema não é?

    Sim. Já existia uma pressão nas senzalas e grandes quilombos se formavam pelo Brasil. Os escravocratas já tinham notícia do que ocorreu no Haiti. E temiam que aqui ocorresse o mesmo. A população negra já era maior que a população branca. A Abolição veio para desfazer essa tensão, essa panela de pressão, mas não resolveu o problema do negro. Objetivamente, não houve contrapartida do Estado brasileiro. Nos soltaram à própria sorte.Certamente a luta dos escravos foi intensa para a superação do escravagismo, mas houve conciliação das elites nacionais e internacionais para impedir maiores progressos.

    Quais as consequências dessa Abolição na vida da população negra atualmente?

    A desigualdade social que submete o povo negro após a Abolição é a prova maior que a dívida histórica não foi paga. Basta ver os indicadores sociais e onde está o negro na pirâmide social; nos dados estatísticos sobre educação, saúde, moradia e a qualidade de emprego, que dignamente exerce, estão sempre nas extremidades de baixo.

    As marcas da escravidão ainda estão presentes. As consequências são, por exemplo, ser o maior número da população carcerária, ser aqueles que ganham menos na escala salarial e o menor número de professores universitários, para citar alguns casos. Fomos excluídos e substituídos por trabalhadores europeus quando a mão de obra livre se tornou predominante.

    Isso teve grande impulso com a Abolição. Tudo isso foi reforçando a desigualdade histórica e ainda há resistência a essa reparação. O governo Lula foi fundamental em lançar um olhar diferenciado para saldar essa dívida histórica e teve continuidade no governo Dilma.

    130 anos apos abolicao escravatura desigualdade racial um grave problema no brasil 5af45bb99d078

    Então a Abolição tirou os escravizados da senzala e os jogou na rua?

    Como disse anteriormente, essa liberdade foi relativa. Liberdade para sofrer a exclusão social e se tornar um sujeito de segunda classe em uma país que insiste em não pagar a sua dívida histórica. Tivemos avanços, mas que estão constantemente ameaçados pelo conservadorismo que utiliza artifícios retóricos para negar a dívida histórica com a população negra.

    É correto dizer que nada mudou?

    Não. A grande mudança que tenho visto é a crescente autodenominação da população ao identificar-se como negra. Isso ganhou força com as políticas de cotas. Não percebo como oportunismo, como tem sido acusado por alguns setores que fazem oposição às políticas de ação afirmativa.

    A atuação do movimento negro valoriza a luta antirracista?

    Os movimentos sociais em defesa da igualdade, como a Unegro (União de Negros e Negras pela Igualdade), têm feito lutas e problematizações importantes. Tivemos a Seppir (Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial) com status de ministério em governos democráticos e populares, o que fez que o modelo fosse copiado por vários governos para empreender políticas públicas voltadas para a questão com conselhos e secretárias de estado.

    A política de cotas é face mais contundente desse processo. Levou negros para as universidades e para os empregos públicos. Isso permitirá a formação de uma classe média negra e, quiçá, politizada. Como isso é percebido pelos defensores da meritocracia (que de mérito não tem nada), eles reagem para se perpetuarem nos espaços sociais e econômicos em condições privilegiadas em detrimento dos negros que têm o seu ponto de partida na escala social bem mais atrás.

    Tem gente defendendo que os negros aceitavam passivamente a escravidão, isso é verdade? Quais os níveis de resistência?

    Nas últimas eleições, teve um candidato que disse que não tinha dívida histórica com o povo negro, pois nunca escravizou ninguém. E sugeriu que os negros entraram nos navios negreiros quase que voluntariamente, um absurdo. Isso demonstra como o conservadorismo compreende a processo de Abolição da escravidão. Que não há dívida histórica, que não precisa de cotas. É por esse caminho que o discurso conservador tenta justificar o seu contraponto às políticas afirmativas. Ou seja, são, contra as políticas que buscam reparar essa dívida. O escravagismo ainda não foi superado pelas elites.

    A escravidão não foi uma situação passiva, muito ao contrário. Ela foi violenta. Ser colocado no porão de um navio e atravessar o Atlântico em condições insalubres é um ato passivo? Voluntário?

    Essa retórica visa justificar o racismo?

    Esse discurso visa justificar o não compromisso com direitos humanos fundamentais e reverter os avanços que houveram. É a luta pela conservação dos espaços e impor sua hegemonia nos espaços historicamente ocupados pela elite econômica e política que tinham as universidades e empregos públicos de maior projeção econômica como deles.

    As Caravanas, de Chico Buarque 

    É importante compreender a diáspora negra para avançar na luta antirracista?

    Sim, sem dúvida. A diáspora negra representa o apartamento violento de toda uma coletividade e toda uma cultura para o outro lado do Atlântico para, de homens e mulheres livres, à condição de escravos. Mesmo aqueles que eram prisioneiros de guerras intertribais, de nações africanas não poderiam ter um destino tão vil. Isso muito foi incentivado e oportunizado pelas potências imperiais que viam no mercado negreiro uma grande fonte de lucros.

    Não se pode esquecer o contexto da diáspora negra. A luta antirracista é a busca de direitos para que a igualdade social seja de fato exercida e praticada. O Brasil é uma país desigual, mas a desigualdade mais contundente ocorre com os negros e todos aqueles que não se enquadram na perspectiva do biótipo branco de cor de pele. Os asiáticos, por exemplo, parecem ter melhor sorte que nós. Os negros são estigmatizados até hoje por sua cor. A luta antirracista é cavar o espaço social que merecemos.

    Por que a elite menospreza a influência africana na formação da nação?

    Temos que lembrar que desde a colonização, a proposta era catequizar o índio e apartá-lo das suas crenças originais. Já começa nas religiões para impor  a cultura do dominador. O Deus cristão era o único verdadeiro e subjugava todos os outros. Foi esse mesmo Deus cristão que foi utilizado para definir que as religiões africanas eram pagãs e que precisavam ser cristianizadas. A escravização era uma forma de depuração desse paganismo demoníaco sob essa ética da igreja.

    Mas a resistência se fez forte e inteligente.

    O sincretismo religioso foi a forma encontrada pelos negros em manter sua religião encapsulada pelos santos católicos. O candomblé e a umbanda resistiram nesse contexto de hegemonia do cristianismo. As religiões de matrizes africanas sobreviveram a todas as perseguições possíveis e sobreviveram. Somente com o a emenda na Constituição de 1946, o então deputado Jorge Amado, conseguiu inserir a liberdade religiosa no nosso marco legal.

    Isso não fez, necessariamente, com que as discriminações das religiões de matriz africana cessassem.

    Com o golpe de 2016, as religiões de matriz africana passaram a ser perseguidas com mais agressividade. Isso faz parte da implantação de um projeto autoritário?

    Há uma disputa por esse espaço religioso como um projeto de poder. Boa parte do povo deposita sua fé nos orixás e nos caboclos, entre outras variações que não saberia enumerar aqui. Mas o mercado da fé, atualmente, tem como alvo preferencial as religiões de matriz africana tentando impor um só Deus dentro das tradições judaico-cristã.

    A resistência cultural continua. Ela está presente na formação social do povo. Hoje, não só negros devotam sua fé às divindades de matriz africana, mas um amplo espectro social. Isso foge do controle. Essas pessoas têm mais autonomia sobre suas posições políticas, pois compõem um núcleo de resistência cultural que se espraia na música, na dança, nas comidas e nas relações sociais do nosso povo.

    algemas negros libertacao escravos

    Que perspectivas vê com o acesso ao poder da extrema direita?

    Os setores mais reacionários se apegam à tese da meritocracia para enganar o nosso povo negro. Falam isso como se o nosso ponto de partida histórico fosse igual ao deles. Para combater essa tese e o racismo institucional, temos muito a avançar. Porque sem desenvolvimento social e econômico, as contradições históricas vigentes tendem a se aprofundar e a vida dos menos privilegiados pode piorar e muito com aumento da concentração de renda e nenhuma contrapartida para proporcionar chances iguais no mercado de trabalho e na vida.

    Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB

     

  • Febre amarela leva o talento do compositor mineiro Flávio Henrique

     A música popular brasileira perde na manhã desta quinta-feira (18) o talento de Flávio Henrique Alves de Oliveira em decorrência de complicações por febre amarela – essa doença que volta a assustar os brasileiros.

    Com 180 músicas gravadas por grandes nomes da MPB como Ney Matogrosso, Zeca Baleiro, Vander Lee e dividiu parcerias com Paulo César Pinheiro, Milton Nascimento, Toninho Horta, Lô Borges, Fernando Brant, Ronaldo Bastos, entre outros, Flávio Henrique, como era conhecido colecionou amigos e admiradores, durante os seus 49 anos de vida.

    Falso Milagre do Amor, de Ed Motta e Ronaldo Bastos, com Quarteto Cobra Coral 

    “Era um dos maiores compositores da música mineira. Um homem de sensibilidade ímpar e de pensamento progressista. Nos últimos anos, além de se dedicar a análise política profunda do Brasil pós golpe e suas inúmeras adversidades, comandava com entusiasmo e espírito republicano a recém fundada Empresa Mineira de Comunicação”, diz Clarice Barreto, vice-presidenta e diretora de Comunicação do Sindicato dos Professores de Minas Gerais.

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    Sinpro-MG manifesta pesar pela morte de Flavio Henrique, presidente da EMC

    Sua morte chocou a sociedade mineira. Para o governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel (PT), "Minas perdeu um grande artista e eu perdi um amigo querido e um companheiro de ideias e de sonhos”.

    A Hora do Improviso, programa da Rádio Inconfidência com o Quarteto Cobra Coral 

    O seu parceiro no Quarteto Cobra Coral, grupo vocal que emplaca sucessos desde 2010, Pedro Morais se diz grato “pela oportunidade de ter convivido e passado por tantas coisas massas junto com ele, crescido e aprendido nesta vida, que é tão efêmera e tão frágil".

    Em sua carreira, lançou um DVD e oito CDs autorais, sendo Zelig o mais recente, de 2012. Cantor, compositor, tecladista, pianista destilou seu talento por obras como “O Olhar que Ama” (com Fernando e Robertinho Brant), “Choro Livre” e “Não Tive Mis o que Te Dar” (ambas com Paulo César Pinheiro), “Dentro de Mim Mora Um Monstro”, “Era Uma Vez Por Toda a Vida”, “Sob o Sol”, entre as 180 canções de sua autoria gravadas no imaginário popular para todo o sempre.

    Olhos de Farol, de Flávo Henrique e Ronaldo Bastos, com Ney Matogrosso 

    Além de músico e cantor talentoso, Flávio Henrique teve o reconhecimento da sociedade mineira pelo seu trabalho à frente da Empresa Mineira de Comunicação. Ele “era militante e entusiasta da comunicação pública a qual defendia na pauta da sua gestão à frente da Rádio Inconfidência e da Rede Minas, que cresceram de forma vertiginosa em sua gestão abraçando o espírito público que se espera da comunicação estatal”, diz Barreto.

    Amigos e familiares ressaltam o seu bom humor refletido em seu trabalho. Esse humor desponta com clareza, em 2012, na marchinha de Carnaval, “Na Coxinha da Madrasta”, uma das pioneiras de Belo Horizonte, onde ele satiriza o vereador da capital mineira Leo Burguês (PSL) porque a Câmara Municipal contratou o bufê da madrasta do político, onde uma estrofe diz que:

    "Não sei se é ladrão/Pervertido ou pederasta/Tem gente metendo a mão/Na coxinha da madrasta/Milhares de reais por mês/Pro lanchinho do burguês/Milhares de reais por mês/ Pro lanchinho do burguês/O nosso dinheiro ele gasta/Na cozinha da madrasta".

    Sob o Sol, Cobra Coral

    Os seus companheiros de viagem afirmam na página do grupo que "somos gratos por tantas histórias, tanto amor, tanta música, viagens, gargalhadas, shows, bastidores, festas e cada momento que pudemos viver juntos".

    A arte tem o poder de eternizar as pessoas em suas obras. O sepultamento do músico está previsto para esta sexta-feira (19), às 9h, no Cemitério Parque da Colina, em Belo Horizonte.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy com agências. Foto: Frank Bitencout

  • Milton Nascimento completa 75 anos cantando as esquinas do mundo

    O mais mineiro dos compositores e cantores, Milton Nascimento nasceu no Rio de Janeiro no dia 26 de outubro de 1942. Filho de empregada doméstica, abandonado pelo pai. Com a morte da mãe, o menino foi levado para ser criado pelos avós em Juiz de Fora (MG), mas o casal Lilian Silva Campos (professora de música) e Josino Campos (dono de uma rádio em Três Pontas) percebendo a tristeza do garoto resolveram adotá-lo. A avó só exigiu que não tirassem o sobrenome da mãe.

    Seu som mescla bossa nova com jazz, jazz-rock, música regional brasileira e latino-americana e influências que vão dos Beatles a Violeta Parra, passando por Bob Dylan, The Platters, Silvio Rodrigues, entre muitos outros roqueiros e grandes nomes da música latina. Tanto que até a revista norte-americana especializada em música Rolling Stones o colocou como um dos maiores cantores do mundo.

    Notícias do Brasil (Fernando Brant e Milton Nascimento) 

    De Três Pontas para Belo Horizonte onde conheceu outros grandes músicos com quem criou o mais importante clube da MPB: o Clube da Esquina. O som e a temática desses mineiros foram sistematizados em dois discos fundamentais. “Clube da Esquina” (1972) e “Clube da Esquina 2” (1978). O grupo que tem por alma o cantor Milton Nascimento acompanhado do talento de Ronaldo Bastos, Wagner Tiso, Nelson Angelo, Tavinho Moura, Novelli, Beto Guedes, os irmãos Márcio e Lô Borges, Fernando Brant, Murilo Antunes, Flávio Venturini, Toninho Horta e Nivaldo Ornelas.

    Entrava em cena um som diferente e inovador que logo agradou os ouvidos daqui e de fora, chamando a atenção para a voz e as músicas desse que se tornaria um dos maiores compositores de música popular brasileira de todos os tempos.

    Canção da América (Fernando Brant e Milton Nascimento) 

    Mas só desponta para o grande público com a canção "Travessia" ao ficar em segundo lugar no Festival Internacional da Canção, em 1967. No mesmo ano grava seu primeiro disco com arranjos de Luiz Eça. Na voz de Elis Regina viu “Maria Maria” se transformar no hino das feministas.

    “Tudo o que se disser a respeito de Milton pode (e vai) parecer exagero. A sua música é de tamanha originalidade que chega a desafiar os sentidos de quem ouve. Adivinhar de onde vem cada nota, cada arranjo, cada expressão de sua música é adentrar num Brasil que está muito além deste que está posto”, diz Julinho Bitencourt.

    Nada Será Como Antes (Milton Nascimento e Ronaldo Bastos) 

    Sobraram sucessos em sua carreira. Centenas de músicas gravadas no imaginário popular, compondo o rico acervo da MPB. Enfim, foi nos bailes da vida, cantando em troca de pão que Milton Nascimento trouxe as notícias mais importantes do Brasil para mostrar que nada será como antes. Lindas canções para tornar a travessia desta vida mais harmoniosa e feliz.

    Nos Bailes da Vida (Fernando Brant e Milton Nascimento) 

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

  • O que é felicidade?

    Cena do filme "A economia da felicidade", de Helena Nordberg-Hodge (Divulgação)

    Tom Jobim canta em “Wave” o que “os olhos já não podem ver, coisas que só o coração pode entender”, porque “fundamental é mesmo o amor e é impossível ser feliz sozinho”. Decantada em prosa e verso, a questão da felicidade aflige a humanidade há milênios.

    Por isso, o Portal CTB, aproveitando a virada de ano, resolveu dialogar sobre o tema. A questão é tão fundamental que a deputada estadual gaúcha Manuela D’Ávila (PCdoB) apresentou um projeto à Câmara dos Deputados, quando ainda era deputada federal para que a República garanta vida boa aos brasileiros, possibilitando-lhes a chance de serem felizes.

    Nesta semana, a britânica BBC entrevistou Robert Waldinger, da Universidade Harvard, nos Estados Unidos, diretor de um estudo que retoma a discussão sobre o que pode trazer felicidade aos seres humanos.

    O “Estudo sobre o Desenvolvimento Adulto” ocorre desde 1938 e Waldinger, que também é sacerdote zen-budista, afirma à BBC que "o fundamental, que ouvimos uma vez ou outra, é que o importante para nos mantermos felizes e saudáveis ao longo da vida, é a qualidade dos nossos relacionamentos".

    "Uma relação de qualidade é uma relação em que você se sente seguro, em que você pode ser você mesmo. Claro que nenhum relacionamento é perfeito, mas essas são qualidades que fazem com que a gente floresça", complementa Waldinger.

    Wave, de Tom Jobim (interpretação de Caetano Veloso e Roberto Carlos) 

    Mas há quem diga que “dinheiro não traz felicidade, manda comprar”. Ditado do qual discorda a sindicalista de Porto Alegre, Adriana Jota. “No capitalismo as pessoas necessitam de ter coisas para serem felizes e isso as torna infelizes, porque sempre querem ter mais”.

    Para o presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Adilson Araújo, “a dignidade humana está sob ameaça. Não tenho dúvidas de que a felicidade maior do ser humano é ter seu emprego, seu salário digno para poder honrar os seus compromissos”.

    O sindicalista cita ainda a canção “Um homem também chora (Guerreiro menino)”, de Gonzaguinha, alguns de seus versos dizem que: “Um homem se humilha/Se castram seu sonho/Seu sonho é sua vida/E vida é trabalho/E sem o seu trabalho/O homem não tem honra/E sem a sua honra/Se morre, se mata/Não dá pra ser feliz”.

    De acordo com Araújo a classe trabalhadora vai ao paraíso se tiver a “sua casa, a garantia de uma boa educação para seus filhos, proporcionando-lhes possibilidades de um futuro melhor”. Porém, diz ele, “infelizmente, o governo ilegítimo do Temer (Michel) está propenso a aniquilar com os direitos sociais e trabalhistas, impedindo a possibilidade da felicidade”.

    Desde a Grécia antiga o conceito de felicidade vem gerando controvérsias. Em pleno século 21, no capitalismo a felicidade atrela-se à questão de se possuir bens materiais.

    A secretária da Mulher do Sindicato dos Trabalhadores em Telecomunicações do Estado da Bahia, Tereza Bandeira discorda. Para ela, uma pessoa só pode ser feliz se houver “a erradicação de todo e qualquer tipo de discriminação e de diferença social”.

    Um homem também chora (Guerreiro menino), de Gonzaguinha (interpretação de Fagner) 

    Em acordo com Bandeira, a presidenta da CTB-AM, Isis Tavares afirma que “a socialização dos meios de produção com igualdade de gênero” é que trarão a felicidade à humanidade. Ela acentua ainda que “o avanço tecnológico deve nos permitir viver mais com a família, com os amigos e amigas e aproveitar mais o tempo ocioso com cultura e lazer”.

    Para a estudante paranaense Ana Júlia Ribeiro, de 16 anos, pequenos atos de generosidade podem deixar as pessoas mais felizes. Ela conta que andando pelo centro de Curitiba foi abordada por uma pessoa vendendo bijuterias.

    Ela gostou de uma pulseira que custava R$ 25, mas só tinha R$ 3. “Eu quis dar o dinheiro que tinha a ele, que estava trabalhando para custear viagem à Florianópolis. Ele então me deu a pulseira, porque dinheiro não é tudo na vida, me disse”. Ela garante que isso a deixou feliz.

    Mas no mundo do capital, “a felicidade custa porque neste sistema só é valorizado quem tem bens”, afirma Sandreia Barroso, secretária da mulher da CTB-PI. Inaceitável para ela é “passar por cima dos outros para se dar bem, seja no mercado de trabalho ou na vida”.

    Complementando a proposta de Barroso, a secretária da Mulher da CTB-SP, Gicélia Bittencourt acredita que a felicidade “é estar com saúde ao lado de quem se ama e é amada”. Fundamental ainda, diz ela, é ter condições de “andar sem medo pelas ruas, ter estabilidade econômica e todas as pessoas poderem viver bem em todos os sentidos”.

    Rosa Pacheco, dirigente da CTB-PR Educação concorda e garante que a felicidade também está relacionada ao sucesso no trabalho. “Como professora me sinto muito feliz ao ver meus alunos e alunas crescerem como pessoas capazes de traçar o seu próprio caminho com liberdade, generosidade e solidariedade”, ressalta Pacheco.

    O pensador prussiano Immanuel Kant (1724 a 1804), a questão da felicidade fica no âmbito do prazer e do desejo. Graças ao pensamento de Kant, a felicidade se tornou “direito do homem”.

    Mais do que isso, Milton Nascimento e Fernando Brant traduzem os sentimentos dos trabalhadores e trabalhadoras na bela "Coração civil", onde cantam "quero a felicidade nos olhos de um pai/quero a alegria muita gente feliz/quero que a justiça reine no meu país/quero a liberdade, quero o vinho e o pão/quero a cidade sempre ensolarada/o povo e os meninos no poder eu quero ver” (assista abaixo).

     

    “Seguramente, certa dose de sossego e de reflexão tranqüila é necessária apenas para compreendermos o que a felicidade significa, mas a atividade de tornar-se feliz é do tipo que nos liga ao mundo”, diz o professor e estudioso Richard Schoch.

    Para ele, “encontrar a felicidade significa não desprezar o mundo, porém criar um mundo melhor”. Porque “nascemos para ser felizes, já que a felicidade é a perfeição da nossa existência”.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

  • Para celebrar o 8 de março, o Portal CTB seleciona 8 canções da MPB para você

    A mulher sempre esteve presente em todos os gêneros que fazem parte do cancioneiro popular do país. Algumas autoras e alguns autores conseguiram captar o universo da alma feminina de maneira singular e com rara beleza encantam os ouvidos mais exigentes. Neste 8 de março - Dia Internacional da Mulher - vá para as ruas defender a igualde de direitos e impedir os retrocessos, mas cante conosco a força da mulher brasileira.

    As oito canções selecionadas versam sobre separação, amor, sexo, violência, mulheres negras, que sofrem dupla discriminação. Mostram com certa acidez, mas com muita candura, que toda mulher quer amar, ser livre e viver sem medo.

    Inclusive a lista contém o hino das feministas brasileiras "Maria, Maria".

    Aprecie sem nenhuma moderação, mergulhe fundo:

    100% Feminista (MC Carol e Carol Conka) 

    Olhos nos Olhos (Chico Buarque) 

    Malandragem (Cazuza e Frejat) 

    Coisas do Mundo Minha Nega (Paulinho da Viola) 

    Acreditar (Dona Ivone Lara) 

    Mulheres Negras (Yzalú) 

    Beija Eu (Marisa Monte e Arnaldo Antunes) 

    Maria, Maria (Milton Nascimento e Fernando Brant) 

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

  • Portal CTB seleciona canções da diversidade, da vida, da alegria e do movimento popular

    A música popular brasileira sempre se concatenou com o tempo presente e previu o futuro de paz, alegria, justiça e igualdade. Por isso, a imensa maioria dos artistas da MPB estão contra o golpe, em defesa da democracia, da Nação e do povo brasileiro.

    Notícias do Brasil (Fernando Brant e Milton Nascimento)

     

    A Boa notícia é a unidade das forças democráticas, estudantes, classe trabalhadora, artistas e intelectuais nas ruas e nas redes contra o golpe da direita.

     Pra Não Dizer que Não Falei das Flores (Geraldo Vandré, com Charlie Brown Jr.)

    Respeitando as diferenças, todos juntos contra o ódio, a violência e a discriminação.

    Desesperar Jamais (Ivan Lins e Vitor Martins)

    Com a paciência de quem sabe que a unidade popular planta o presente e colhe o futuro.

    Canto de um Povo de um Lugar (Caetano Veloso, com Pena Branca e Xavantinho)

     

    Sem medo de ser feliz, cantando, dançando, se divertindo, mas com a certeza na frente e a história na mão.

    Refavela (Gilberto Gil)

     

    Combatendo as desigualdades e construindo uma Nação mais justa, humana e alegre, como alegre é o povo brasileiro.

    Apesar de Você (Chico Buarque)

     

    Vencendo todos os muros, transpondo as barreiras, construindo o amor, a paz, a justiça.

    O Morro Mandou Avisar (Tico Santa Cruz e Flávio Renegado)

     

    As periferias se levantam e cantam e defendem seus direitos e suas vontades, agora como protagonistas da história.

    Vai Passar (Chico Buarque e Francis Hime)

     

    A tristeza e a obscuridade serão vencidas e "cada palalelepípedo da velha cidade vai se arrepiar"

    Pro Dia Nascer Feliz (Cazuza e Frejat)

     

    E o dia vai nascer feliz, a Nação mais livre, mais forte e trabalhadores e trabalhadoras sempre juntos nas ruas para vencer o desamor e o egoísmo.

    Portal CTB - Marcos Aurélio Ruy

  • Sindicato dos professores divulga carta aos docentes do setor privado

    "O Brasil viveu, no dia 15 de março, um dia de paralisação geral da educação na luta contra a proposta do governo federal de reforma da Previdência Social. Em Minas Gerais, os trabalhadores das escolas privadas, com muita garra, se uniram à rede pública e a profissionais de diversas categorias na paralisação e uma caminhada pelas ruas das principais cidades de Minas Gerais. Os trabalhadores brasileiros entenderam que esta reforma é um grande retrocesso, pois retira direitos historicamente conquistados.

    A manifestação foi essencial para demarcar que os trabalhadores brasileiros não aceitam nenhum direito a menos e, por isso, o Sindicato dos Professores de Minas Gerais (Sinpro-MG) parabeniza os professores e professoras de todo o estado de Minas Gerais por terem atendido ao chamado do sindicato. Com certeza, cada um enfrentou muitas dificuldades na tomada de decisão de paralisar as atividades nesse dia 15. Foi maravilhoso assistir à aula que demos nas ruas.

    Com muita emoção, vimos os passos firmes de cada um e as diversas formas de expressão: cartazes, camisetas com frases de impacto, apitos, máscaras, adereços, esquetes teatrais, músicas e paródias, postagens ao vivo em redes sociais, enfim, cada um denunciando, da sua forma, a tentativa deste governo de privatizar a Previdência, assim como faz com os demais direitos sociais e setores da economia nacional.

    Milhares de professores/as se manifestaram , com consciência de classe e de luta. Um exemplo de democracia que precisa ficar na nossa memória como fonte inspiradora para seguirmos adiante contra as tentativas de precarizar nossos direitos, nosso trabalho – reforma trabalhista, terceirização, reforma do ensino médio e lei da mordaça – bem como o desmonte da Previdência.

    Os movimentos populares são uma construção. O dia 15 foi fruto de uma ação coletiva, fruto dos esforços de muitos bravos e bravas companheiras. Resgatamos a importância da luta da nossa confederação – Contee, Confederação Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino – na direção desse movimento nacional.

    Não há dúvidas que todos nós que participamos desse ato contra o desmonte da Previdência Social fizemos história. Mas a luta não para aqui. O Sinpro-MG convida você professor/a para seguir na luta, pois só unidos faremos ecoar a voz do trabalhador brasileiro! Assim também como na nossa Campanha Reivindicatória de 2017 – a qual já enfrenta muitas ofensivas do patronal. A previdência é nossa, os direitos são nossos, o Brasil é nosso!

    'Tenha fé no nosso povo que ele resiste
    Tenha fé no nosso povo que ele insiste
    E acorda novo, forte, alegre, cheio de paixão
    Vamos, caminhando de mãos dadas com a alma nova
    Viver semeando a liberdade em cada coração
    Tenha fé no nosso povo que ele acorda
    Tenha fé em nosso povo que ele assusta'"

    (Milton Nascimento e Fernando Brant)

    Diertoria do Sinpro-MG – 16 DE MARÇO DE 2017

  • Treze canções para Lula que servem à reflexão sobre a conjuntura atual

    Com base nas listas de músicas preferidas do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que têm circulado em shows pelo Brasil afora, o Portal CTB homenageia o ex-presidente com treze canções do rico acervo da Música Popular Brasileira. Para exigir Lula Livre, democracia já e liberdade para todas e todos poderem sonhar e viver como desejam, construindo o Brasil que queremos e merecemos.

    Neste sábado (14) completa-se uma semana da prisão de Lula e um mês do assassinato de Marielle Franco. Que país é este, onde predominam o ódio de classe, o racismo, o sexismo, a misoginia e a homofobia? Onde predomina o desrespeito aos direitos humanos e aos mais pobres?

    Esta é uma forma de carta ao ex-presidente. Aumente o som, quem sabe Lula ouve em Curitiba:

    Xote Bandeiroso (Língua de Trapo)  

    Cidadão (Zé Geraldo) 

    Canção da América (Fernando Brant e Milton Nascimento) 

    Latinoamerica (Calle 13) 

    Apenas um rapaz latino americano (Belchior) 

    Lama nas ruas (Zeca Pagodinho) 

    Tenho sede (Dominguinhos e Gilberto Gil) 

    O bêbado e a equilibrista (Aldir Blanc e João Bosco) 

    Asa Branca (Humberto Teixeira e Luiz Gonzaga) 

    Blues da  piedade(Cazuza) 

    Juízo Final (Nelson Cavaquinho) 

    Gente (Caetano Veloso) 

    Vai Passar (Chico Buarque e Francis Hime)  

    Marcos Aurélio Ruy - Portal CTB. Foto: Francisco Proner

  • Violeta Parra representa a força da mulher latino-americana contra a cultura do estupro

    A cantora e compositora chilena Violeta Parra nasceu no dia 4 de outubro de 1917. Ela se tornaria uma das mais importantes vozes das populações mais pobres da América Latina com suas canções políticas e esperançadas. 

    Além de se transformar na principal compositora chilena, Parra estudou a cultura popular de seu país. De família pobre, abandonou a escola em 1934 para cantar com seus irmãos, tornando-se uma das mais importantes folcloristas do chile, viajando pelo país para conhecer a vida e as canções dos camponeses.

    Ela encantou o mundo com canções antológicas e necessárias como “Gracias a la Vida”, popularizada no Brasil por Elis Regina (vídeo abaixo).

    “Graças à vida, que tem me dado muito
    Me deu o som e o abecedário
    E com ele, as palavras que penso e profiro
    Mãe, amigo, irmão e luz iluminando
    A rota da alma de que estou amando” 

    Em 1949, gravou seu primeiro disco na dupla feita com sua irmã Hilda, Las Hermanas Parra. Nunca mais parou até falecer em 5 de fevereiro de 1967, antes de completar 50 anos. Revolucionária em sua arte e em sua vida. Dedicou-se a cantar os saberes de seu povo com suas dores, seus amores, mas sempre com olhos no mundo novo.

    Tanto que os musicólogos Manuel Deniz Silva e Pedro Rodrigues escreveram na “Revista Vírus”, que “Violeta Parra, cantora, compositora, pintora, ligou a sua música à revolução de uma forma particular - com a sua voz e a sua guitarra mergulhou a canção-testemunho e a canção popular da América do Sul num caldo de revolta”.

    “Volver a los 17” (video abaixo), que para estudiosos refere-se à Revolução Russa que ocorreu em 1917, ano do seu nascimento, é bem apropriada para o centenário da revolução que mudaria o mundo e para denunciar as atrocidades feitas em nome do combate ao comunismo.

    “Voltar aos 17 depois de viver um século
    É como decifrar sinais sem ser sábio competente
    Voltar a ser de repente tão frágil como um segundo
    Voltar a sentir profundo como um menino diante de Deus
    Isso é o que sinto neste instante fecundo” 

    Influenciou o canto de muitas gerações pelo continente, entres eles os brasileiros Milton Nascimento e Chico Buarque. Precisa maior reverência do que essa? “O importante do legado de Violeta está na magnitude da sua obra” diz com razão a sua filha Isabel Parra.

    Num tempo tão sombrio, muito importante comemorar o centenário de tão importante voz que canta a vontade de mudar o mundo e transformá-lo num lugar bom para se viver, sem violência e sem discriminações. Violeta Parra representa a força da mulher latino-americana contra a cultura do estupro. Violeta Parra nos brindou com centenas de importantes obras, para interpretar e melhorar a vida de todo mundo.

    Já em “Casamiento de los Negros” (ouça abaixo), a poeta denuncia o racismo, mas canta a força da população negra em resistir e construir o novo.

    “Formou um casamento
    Todo coberto de negro
    Negros os noivos e os padrinhos
    Negros cunhados e sogros
    E o sacerdote que os casou
    Era dos mesmos negros” 

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy. Foto: Fundação Violeta Parra