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Ter, Jun

Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro

  • A publicação do Instituto de Segurança Pública do Rio de Janeiro traz dados estarrecedores sobre a violência contra a mulher no estado. “Importante esse levantamento para mapearmos melhor as formas de combate à cultura do estupro”, diz Kátia Branco, secretária da Mulher Trabalhadora da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil no Rio de Janeiro (CTB-RJ).

    Segundo os produtores do estudo, o Dossiê traz, “pela primeira vez, dados sobre assédio sexual e importunação ofensiva nas ruas e no transporte público”. Para Kátia, isso é positivo porque assim “podemos traçar melhor o perfil dos vários tipos de agressores”.

    O Dossiê Mulher descobriu que foram denunciadas no ano passado 4.162 crimes de violência sexual no estado. Contando apenas as notificações, 13 mulheres foram violentadas por dia, sendo que 30% conheciam o agressor.

    Leia mais

    Educação sexual nas escolas pode prevenir violência contra as mulheres, defende Unesco

    New York Times detecta machismo nos ataques às mandatárias de países latino-americanos

    Nas ruas, a força das meninas derrotará a cultura do estupro e o patriarcado arcaico

    De acordo com Kátia, o estudo do governo do Rio de Janeiro, apesar de algumas limitações, mostra a necessidade de uma intervenção urgente do Estado e da sociedade para se acabar com essa violência.

    “O Estado tem o dever de proteger a integridade física das pessoas, isso está na Constituição Federal. Porém, mais do que observar as leis, são necessárias ações concretas, juntamente com a sociedade, para realizarmos trabalhos de educação, conscientização e de punição aos criminosos”, afirma.

    Já uma das coordenadoras do Dossiê, Cláudia Moraes, acentua que em 11 anos de pesquisas, o “perfil das vítimas não muda”. Ela se diz apavorada “em ver que as vítimas sexuais são meninas”, boa parte delas, “com menos de 14 anos” e ainda que “os agressores são conhecidos”.

    Mídia sexista

    Kátia critica a atuação da mídia. “Dão uma grande repercussão no caso, mas no fim acabam contribuindo com a naturalização dos atos de violência”, reforça. “Claro que a divulgação é importante, porém, o que realmente falta é uma discussão mais ampla e objetiva para impedir quer tal violência continue a vitimar as mulheres”.

    katia branco ctb

    A secretária da Mulher Trabalhadora, da CTB-RJ, Kátia Branco, defende o envolvimento de todos e todas para acabar com a violência contra a mulher

    O Dossiê Mulher também mostra que uma mulher foi assassinada por dia no estado, sendo que 16,7% eram casos de violência doméstica. Dos autores identificados, 15% eram maridos ou namorados e três em cada dez assassinatos ocorreram dentro da casa das vítimas.

    “A mentalidade machista, sexista e patriarcal é uma herança que vem de longe e mudar isso depende de muito esforço e luta da própria mulher”, sinaliza Kátia. E isso, “depende da construção de uma sociedade mais justa e mais fraterna”.

    Além disso, ela defende que a “educação deve ser baseada em valores humanos, atualmente substituídos pelos valores de mercado, de consumismo e, inclusive da violência, que é praticada pelo Estado e pelas organizações que deveriam dar proteção”.

    A coordenadora das Promotorias de Justiças de Violência Doméstica contra a Mulher, do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, Lúcia Barros Bastos afirma que “a rede de acolhimento e orientação à mulher precisa ser expandida”, tanto no Rio quanto no país. Para ela, “desde de pequenas somos educadas para nos proteger, para ter medo, as mulheres são educadas para evitarem o estupro”, acentua.

    Kátia concorda com ela e diz que é preciso mudar a educação das crianças tanto na escola, quanto em casa. “A escola tem um papel preponderante, mas o Estado e as famílias têm que fazer a sua parte”, finaliza Kátia. Mas, “acabar com a cultura do estupro é uma ação imperiosa que deve envolver todos os setores da sociedade”.

    Como dizem nas manifestações feministas: “eduque os meninos a respeitar, não as meninas a temer”.

    Serviço:

    Não se cale denuncie a violência contra as mulheres:

    Ligue 180

    Disque 100

    Procure uma Delegacia da Mulher ou Casa da Mulher Brasileira

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

  • A publicação do Instituto de Segurança Pública do Rio de Janeiro traz dados estarrecedores sobre a violência contra a mulher no estado. “Importante esse levantamento para mapearmos melhor as formas de combate à cultura do estupro”, diz Kátia Branco, secretária da Mulher Trabalhadora da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil no Rio de Janeiro (CTB-RJ).

    Segundo os produtores do estudo, o Dossiê traz, “pela primeira vez, dados sobre assédio sexual e importunação ofensiva nas ruas e no transporte público”. Para Kátia, isso é positivo porque assim “podemos traçar melhor o perfil dos vários tipos de agressores”.

    O Dossiê Mulher descobriu que foram denunciadas no ano passado 4.162 crimes de violência sexual no estado. Contando apenas as notificações, 13 mulheres foram violentadas por dia, sendo que 30% conheciam o agressor.

    Leia mais

    Educação sexual nas escolas pode prevenir violência contra as mulheres, defende Unesco

    New York Times detecta machismo nos ataques às mandatárias de países latino-americanos

    Nas ruas, a força das meninas derrotará a cultura do estupro e o patriarcado arcaico

    De acordo com Kátia, o estudo do governo do Rio de Janeiro, apesar de algumas limitações, mostra a necessidade de uma intervenção urgente do Estado e da sociedade para se acabar com essa violência.

    “O Estado tem o dever de proteger a integridade física das pessoas, isso está na Constituição Federal. Porém, mais do que observar as leis, são necessárias ações concretas, juntamente com a sociedade, para realizarmos trabalhos de educação, conscientização e de punição aos criminosos”, afirma.

    Já uma das coordenadoras do Dossiê, Cláudia Moraes, acentua que em 11 anos de pesquisas, o “perfil das vítimas não muda”. Ela se diz apavorada “em ver que as vítimas sexuais são meninas”, boa parte delas, “com menos de 14 anos” e ainda que “os agressores são conhecidos”.

    Mídia sexista

    Kátia critica a atuação da mídia. “Dão uma grande repercussão no caso, mas no fim acabam contribuindo com a naturalização dos atos de violência”, reforça. “Claro que a divulgação é importante, porém, o que realmente falta é uma discussão mais ampla e objetiva para impedir quer tal violência continue a vitimar as mulheres”.

    katia branco ctb

    A secretária da Mulher Trabalhadora, da CTB-RJ, Kátia Branco, defende o envolvimento de todos e todas para acabar com a violência contra a mulher

    O Dossiê Mulher também mostra que uma mulher foi assassinada por dia no estado, sendo que 16,7% eram casos de violência doméstica. Dos autores identificados, 15% eram maridos ou namorados e três em cada dez assassinatos ocorreram dentro da casa das vítimas.

    “A mentalidade machista, sexista e patriarcal é uma herança que vem de longe e mudar isso depende de muito esforço e luta da própria mulher”, sinaliza Kátia. E isso, “depende da construção de uma sociedade mais justa e mais fraterna”.

    Além disso, ela defende que a “educação deve ser baseada em valores humanos, atualmente substituídos pelos valores de mercado, de consumismo e, inclusive da violência, que é praticada pelo Estado e pelas organizaçõesque deveriam dar proteção”.

    A coordenadora das Promotorias de Justiças de Violência Doméstica contra a Mulher, do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, Lúcia Barros Bastos afirma que “a rede de acolhimento e orientação à mulher precisa ser expandida”, tanto no Rio quanto no país. Para ela, “desde de pequenas somos educadas para nos proteger, para ter medo, as mulheres são educadas para evitarem o estupro”, acentua.

    Kátia concorda com ela e diz que é preciso mudar a educação das crianças tanto na escola, quanto em casa. “A escola tem um papel preponderante, mas o Estado e as famílias têm que fazer a sua parte”, finaliza Kátia. Mas, “acabar com a cultura do estupro é uma ação imperiosa que deve envolver todos os setores da sociedade”.

    Como dizem nas manifestações feministas: “eduque os meninos a respeitar, não as meninas a temer”.

    Serviço:

    Não se cale denuncie a violência contra as mulheres:

    Ligue 180

    Disque 100

    Procure uma Delegacia da Mulher ou Casa da Mulher Brasileira

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

  • “Os velhos não servem pra nada. São um peso para a família!", são frases mais corriqueiras do que se imagina, principalmente com o envelhecimento da população que acontece no país. Frases muito comuns num sistema que decanta a eterna juventude em prosa e verso, mostrando que envelhecer no Brasil está sendo algo muito difícil.

    O filme "Chuvas de Verão" (1977), de Cacá Diegues, contém uma cena antológica e considerada revolucionária ao mostrar os corpos nus da atriz Miriam Pires e do ator Jofre Soares em uma cena de amor e sexo.

    A cena provocou risos na plateia jovem por não aceitar que idosos pudessem fazer sexo, quando Diegues pretendia justamente mostrar como a vida pulsa até o seu último suspiro. 

    Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que a expectativa de vida no país em 2015 era de 75,5 anos. E como as famílias têm diminuído de tamanho, a estimativa é de que a população de idosos supere a de crianças. Os estudos mostram que a população idosa passará de 19,6 milhões, em 2010, para 66,5 milhões de pessoas, em 2050. A população atual do Brasil é de pouco mais de 208 milhões.

    Por causa disso, foi criado o Estatuto do Idoso em 2003, no início do governo de Luiz Inácio Lula da Silva, que em seu Art. 2º assegura que os idosos devem ter mantidos “todos os direitos fundamentais inerentes à pessoa humana” e “todas as oportunidades e facilidades, para preservação de sua saúde física e mental e seu aperfeiçoamento moral, intelectual, espiritual e social, em condições de liberdade e dignidade”.

    Para o médico especialista Jorge Félix, essa realidade “é uma questão socioeconômica que o país realmente não está preparado para enfrentar. Nem o setor público, nem as empresas, nem os próprios indivíduos – que ainda não têm a consciência plena de que irão viver, em média, até 90 anos – estão preparados”.

    O Instituto Datafolha divulgou nesta terça-feira (28) uma pesquisa onde mostra que para 90% da população existe preconceito em relação aos idosos. Muito embora, eles apareçam no levantamento como responsáveis, educados e honestos, também são vistos como pouco produtivos, sem criatividade, pouco ativos, muito preconceituosos e não sabem se comunicar.

    Além de enfrentar as dificuldades inerentes ao avanço da idade, os idosos enfrentam o dilema de receber uma aposentadoria insuficiente para uma vida equilibrada. Segundo a Secretaria de Previdência Social, existem no país pouco mais de 19 milhões de aposentados, sendo que cerca de 70% deles recebem um salário mínimo por mês, que é de R$ 937 e no ano que vem será de R$ 965, se o presidente ilegítimo Michel Temer não diminuir novamente.

    Por isso, 33,9% dos aposentados continuam trabalhando, de acordo com pesquisa, de 2016, do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas. Para 46,9%, a renda é insuficiente por isso precisam continuar trabalhando. Já 23,2% sentem a necessidade de “ocupar a mente”, enquanto 18,7% querem sentir-se produtivos e 9,1% trabalham para ajudar no orçamento doméstico.

    “Isso é coisa de velho”

    E ainda de acordo com dados de 2016 da Organização das Nações Unidas (ONU), um em cada três idosos brasileiros apresenta alguma limitação funcional. Sendo que 80% — cerca de 6,5 milhões de indivíduos — recebem ajuda de familiares para realizar alguma atividade do cotidiano, mas 360 mil não podem contar com o apoio dos parentes.

    Mesmo assim, o preconceito corre solto para dificultar a vida de quem já fez o que pode para tornar as coisas mais fáceis. Tanto que ganha força o termo gerontofobia (preconceito contra os idosos).

    Muitas vezes quando há um conflito entre idosos e jovens ouve-se a frase “isso é coisa de velho” para justificar o desacordo e não resolver o problema pendente. Estudiosos apontam a convivência entre as diferentes gerações para acabar com o preconceito, além de mostrar aos mais jovens o que representa o processo de envelhecimento e que eles também chegarão lá um dia.

    Como se vê a vida das pessoas acima dos 60 anos não está nada fácil num país tomado pelo ódio. Inclusive internautas criticam os assentos preferenciais em transporte público.

    Uma mulher postou em sua rede social que “toda vez que uso o transporte público fico reparando nas atitudes dos idosos. Tem dias que sou a primeira da fila a pegar o ônibus, aí chega algum idoso e passa na minha frente como de direito e claro respeito, porém, ao entrar no ônibus o senhor (a) acaba sentando no banco que não é de idoso. Daí fico pensando, por que não senta no banco de idoso (que é de direito) e deixa os outros bancos livres para os outros passageiros que não são idosos”.

    Outro internauta escreve que “eu acho puta sacanagem idosos pegarem transporte público no horário de pico, tu tá indo ou vindo do trabalho, o ônibus tá lotado e tem muitos idosos ocupando bancos que não são de idosos, tu acaba tendo que ficar em pé”.

    Maus-tratos 

    Mas ocorrem relatos de violência e maus-tratos a idosos, justamente por quem mais deveria cuidar deles, os familiares. Em São Paulo, Benedito, de 82 anos, denuncia violência física em uma entidade filantrópica. O estado é o campeão de relatos de maus-tratos a idosos pelo Disque 100.

    Já o Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios apresenta o Mapa da Violência contra a Pessoa Idosa do Distrito Federal, no qual, em 2016, foram registradas 1.157 denúncias de violência contra idosos, contra 1.097 em 2015. Pior ainda é que em 59,1% das reclamações referem-se a violências causadas pelos próprios filhos.

    O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro anuncia ter recebido recebeu 1.406 denúncias de violência contra idosos e pessoas com deficiência. No mesmo período de 2016, os registros foram de 611 denúncias.

    Por isso, Bahij Amin Auh, vice-presidente do Conselho Nacional da Pessoa Idosa, acredita na necessidade de “um amplo programa educacional para que toda a população tenha noções básicas sobre o processo de envelhecimento, para que valorize e respeite a pessoa idosa”.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy. Foto: Robervaldo Rocha