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Ter, Jun

Mulher de Classe

  • A amanhã do sábado (9) foi da mulher trabalhadora da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil, seção Espírito Santo (CTB-ES). “Fizemos o lançamento da Mulher de Classeno estadoporque este é o momento para as mulheres avançarem em suas conquistas”, diz Érika Piteres, secretária da Mulher Trabalhadora da CTB-ES. Ela cita a vereadora Marielle Franco como exemplo de "resistência à opressão machista". Marielle é capa dessa edição da Mulher de Classe.

    Ela explica que ocorreu encontro da direção da Federação Estadual dos Trabalhadores em Estabelecimentos Privados de Ensino do Estado do Espírito Santo (Fetraee-ES) para os encaminhamentos da agenda de lutas deste ano e “aproveitamos para lançar a nossa revista que foi muito bem recebida porque seu conteúdo está muito bom”, afirma.

    De acordo com Piteres, “as capixabas estão muito atuantes para fazer desta eleição um marco histórico na ampliação do número de mulheres na representação política”. Ela acredita ser essencial “mais mulheres na política para barrar os retrocessos que estão ocorrendo no país depois do golpe de Estado de 2016”.

    A secretária da Mulher Trabalhadora da CTB nacional, Celina Arêas se diz muito feliz com o lançamento da Mulher de Classe no Espírito Santo. “É fundamental que todas as estaduais façam o lançamento da nossa revista para empoderarmos as nossas campanhas”.

    Arêas argumenta que as mulheres vêm se destacando em todas as frentes de resistência  ao golpe e aos retrocessos. “Continuaremos firmes para construirmos uma nova realidade, na qual tenhamos nossa dignidade e nossos direitos respeitados”. Para ela, “só conquista quem luta e nós vamos até o fim para acabar com a discriminação e a violência”.

    Marcos Aurélio Ruy - Portal CTB

  • Está disponível aqui no Portal CTB, a nova revista Mulher de Classe”. Uma das novidades é que a partir desta edição você poderá acessar a revista online. “A publicação está digital, mas a força da 'Mulher de Classe' só faz crescer”, diz Celina Arêas, secretária da Mulher Trabalhadora da CTB.

    Inclusive, lembra Arêas, na 20ª Reunião da Direção Executiva da central, foi formado o novo Conselho Editorial da publicação com a participação de todas as mulheres que fazem parte da Executiva da CTB.

    Todos os assuntos pertinentes às lutas das mulheres pela emancipação feminina, contra o machismo, a cultura do estupro, a ideologia patriarcal, as discriminações no mercado de trabalho, os assédios moral e sexual em todos os ambientes, constam da edição de dezembro.

    Nada ficou de fora. A violência da reforma trabalhista que atinge as mulheres em cheio, as trabalhadoras rurais que sentem o descaso com a agricultura familiar, a falta do Estado e de políticas públicas que as acolham e o projeto de reforma da previdência que tira o direito a uma aposentadoria digna.

    manuela ctb

    A juventude que está sem emprego e corre sério risco de não poder estudar por causa da intenção do governo golpista de Michel Temer em privatizar as universidades federais e a reforma do ensino médio que também caminha para a privatização.

    As mulheres negras que estão na base da pirâmide social, propensas a todo o tipo de agressão e ainda executam as tarefas mais exacerbantes e ganham os menores salários. Perdem o emprego antes de todo mundo e só conseguem retornar por último, mesmo com escolaridade avançada.

    Enfim, todas as lutas das mulheres trabalhadoras estão na edição de dezembro da 'Mulher de Classe'. “A unidade das mulheres cetebistas é primordial para conseguirmos elevar o patamar de nossa luta e termos mais mulheres no movimento sindical, em cargos de chefia no mundo do trabalho e nas instâncias de decisão e poder”.

    Não dá para perder a "Mulher de Classe". Leia, imprima e distribua. Essa leitura poderá colaborar para as mulheres conquistarem avanços importantes no movimento sindical e na vida.

    Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

  • A Secretaria da Mulher Trabalhadora lança a oitava edição da revista Mulher de Classe no término dos debates da 18ª Reunião da Direção Nacional da CTB, nesta quinta-feira (10), em São Paulo.

    Celina Arêas, a secretária da Mulher Trabalhadora da CTB, lembrou dos princípios da central que mais cresce no Brasil em combater as desigualdades e em empoderar a mulher. "Nós somos mais de 51% da população, 48% no  mercado de trabalho e a nossa representação nas instâncias de poder é ínfima", diz.

    Para ela, "as eleições deste ano são fundamentais para mudarmos essa triste realidde. Mais mulheres na política é essencial para mudarmos a própria política e o país".

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    Já Aires Nascimento, secretária adjunta da Mulher Trabalhadora da CTB, afirma que as mulheres não querem apenas cargos. "Nós queremos ser reconhecidas pelo valor que temos na luta e nas decisões da vida do país".

    Arêas explica que a Mulher de Classe em diversos temas relacionados ao mundo de trabalho e aos encaminhamentos para melhorar a vida de todas as pessoas no país.

    Marcos Aurélio Ruy - Portal CTB

     

  • "Todas as pessoas que acreditam na solidariedade e na luta por direitos iguais estão convidadas para participar do lançamento da revista Mulher de Classe", diz Sandra Maria Ferreira Gonçalves, secretária da Mulher Trabalhadora da CTB-MA.

    O evento ocorre nesta quarta-feira (13), na sede da CTB-MA (Rua da Viração, 39, centro), na capital São Luís, das 16h às 21h. "Após o lançamento, tem forró pé de serra para o arrasta pé das mulheres de luta da CTB-MA", garante a sindicalista.

    Para ela, "essa importante atividade serve para mostrar que a CTB está antenada com a necessidade do movimento sindical debater as questões de gênero com disposição para construir um futuro de mais igualdade e respeito às mulheres e à todas as pessoas".

    Serviço

    O que: Lançamento Mulher de Classe

    Onde: CTB-MA (Rua da Viração, 39 - centro - São Luís)

    Quando: Quarta-feira (13), das 16h às 21h

    Quanto: De graça

    Portal CTB

  • Depois do lançamento paulista da oitava edição da revista Mulher de Classe, na 18ª Reunião da Direção Nacional da CTB, chega a vez do Rio de Janeiro. O evento acontece na sede do Conselho Estadual dos Direitos da Mulher (Cedim) do Rio de Janeiro, à rua Camerino, 51, centro da capital flluminense.

    “Aproveitamos a posse da nova direção do Cedim para lançar a Mulher de Classe e mostrar que estamos conectadas com os desejos das mulheres para a construção de um novo mundo”, afirma Kátia Branco, secretária da Mulher Trabalhadora da CTB-RJ.

    O lançamento será prestigiado com a presença de Celina Arêas, secretária nacional da Mulher Trabalhadora da CTB. “Conseguimos fazer a revista impressa em um sistema colaborativo, suplantando as adversidades e mostrando a força das mulheres e a nossa unidade para criarmos novas condições de vida, onde prevaleçam o respeito à nossa dignidade e aos nossos direitos”, diz Arêas.

    A Mulher de Classe terá seu lançamento às 10h30, antecedendo a posse das novas conselheiras do Cedim que acontece às 11h e conta com a participação da CTB-RJ. “Também é importante porque Helena Piragibe, da União Brasileira de Mulheres foi eleita presidenta do Cedim, representando uma grande vitória das mulheres de luta do Rio de Janeiro”, acentua Branco.

    Serviço

    O que: Lançamento da revista Mulher de Classe, da CTB

    Onde: Cedim (rua Camerino, 51, centro, Rio de Janeiro)

    Quando: Segunda-feira (14), às 10h30

    Quanto: De graça

    Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB

  • Alexsandra de Carvalho, mais conhecida como Sandra, assumiu a presidência do Sindicato dos Comerciários do Rio de Janeiro (SEC-RJ) após o licenciamento de Márcio Ayer, que disputa uma vaga na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, pelo PCdoB-RJ. Sandra foi eleita como vice-presidenta do SEC-RJ em 2015, na histórica vitória da chapa cetebista “A hora da mudança”, com 82,4% dos votos válidos. “Foi uma grande vitória. Ninguém aguentava mais a falta de ação da ex-diretoria, que controlava o sindicato com mão de ferro”, afirma Sandra, que trabalhou por quatro anos como empacotadora na rede de supermercados Guanabara.

    Leia aqui a entrevista da revista Mulher de Classe:

    Mulher de Classe: É a primeira vez que uma mulher assume a presidência do Sindicato dos Comerciários do Rio de Janeiro. Como a senhora vê isso?

    Alexsandra de Carvalho: É uma grande novidade. Primeiro porque tínhamos uma direção extremamente concentradora e autoritária. Com a nossa vitória, iniciamos um trabalho de trazer a categoria para o sindicato e também de irmos até eles para levar a nossa mensagem e mostrar a importância do sindicato para melhorar a relações de trabalho e defender nossos direitos.

    Foi uma grande vitória. Ninguém aguentava mais a falta de ação da ex-diretoria, que controlava o sindicato com mão de ferro. Hoje a presença feminina na direção do nosso sindicato aumentou e estamos trabalhando pela conscientização das mulheres de que somente atuando é que podemos mudar o movimento sindical.

    Ainda somos muito desrespeitadas, mas insistimos, nos organizamos e mostramos que as mulheres são de luta e podem unidas transformar não só o movimento sindical como este país num lugar bom para se viver.

    Aumenta a responsabilidade?

    O fato de ser a primeira aumenta e muito a responsabilidade, porque nunca na história em 110 anos, tivemos uma mulher na presidência, sendo ela uma empacotadora de supermercado. Sei da importância de estar neste cargo, num momento de avanço de ideias conservadoras que atacam o movimento sindical, mas também retiram os direitos das mulheres com mais gana ainda.

    As mulheres são as que mais sofrem em tempos de crise. Somos as primeiras a perder o emprego, temos mais dificuldade em nos realocarmos no mercado de trabalho, e além de ganharmos salários mais baixos, sofremos assédio moral e sexual.

    alexsandra de carvalho

    O movimento sindical tem poucas mulheres em cargos de direção. Mais mulheres na política pode mudar essa realidade?

    Penso que devemos investir com mais determinação na formação política e sindical da mulher trabalhadora. Mostrar a importância da presença feminina nas instâncias de poder para defendermos a igualdade de direitos e combatermos a violência em todos os seus vieses.

    Somos mais da metade da população, mas o machismo faz de tudo para impedir que participemos com mais força em todos os movimentos. Por isso, as eleições deste ano, são fundamentais para trazermos a democracia de volta ao país. Porque somente com democracia as mulheres têm mais possibilidades de se empoderar em todos os espaços. Inclusive nos sindicatos de forma efetiva em cargos de decisões.

    Ser mulher sindicalista acarreta mais trabalho do que em geral as mulheres já têm com dupla e as vezes tripla jornadas?

    Atuar em sindicato classista, ou seja, com a consciência da luta de classes, acaba exigindo um pouco mais, somos mais cobradas, porque alguns homens ainda se sentem inseguros quando uma mulher exerce um cargo de direção importante, mas isso vem mudando aos poucos, porque as mulheres estão se impondo.

    Eu, particularmente, concilio bem porque em casa divido tarefas domésticas. Existem homens que compreendem a nossa luta e estão conosco.

    Enfrenta dificuldade em se impor na direção do sindicato?

    Sim, muita! O preconceito a vaidade e o machismo, muitas vezes acabam prevalecendo sobre a razão dos problemas nesta conjuntura atual no país, em especial nos sindicatos. Fazer ajustes e cortes neste momento, exige firmeza, nas tomadas de decisões. Não é fácil assumir uma entidade sindical num momento tão adverso e ainda ser a primeira mulher a presidir uma entidade com uma categoria de aproximadamente 400 mil pessoas.

    Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB


    * Entrevista publicada originalmente na revista Mulher de Classe, edição número 9, setembro de 2018. Título original: Uma mulher no comando.

  • A candidata (com a filha Laura) reunida com lideranças estudantis no Congresso da União da Juventude Socialista (Foto: Thalita Oshiro)

    Oficializada como pré-candidata à Presidência da República pelo PCdoB em novembro de 2017, Manuela D’Ávila vem impulsionando o debate sobre as questões de gênero, raça, e de um projeto de desenvolvimento nacional voltado para o combate às desigualdades.

    Na Convenção Nacional do PCdoB, em agosto, Manuela disse que é candidata para defender o país da cobiça das grandes corporações e potências internacionais. “Eu sou candidata porque o Brasil é um sonho que pode ser realizado”, afirmou.

    Aos 37 anos, a comunista gaúcha desistiu de sua pré-candidatura à Presidência para unir as forças populares e democráticas contra o golpe de Estado de 2016, que trouxe intensos retrocessos para a classe trabalhadora.

    Para desespero dos golpistas, PT, Pros e PCdoB fizeram a coligação “O Brasil feliz de novo”, com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva candidato a presidente. Barrado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Lula passou a responsabilidade ao ex-ministro da Educação e ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, tendo Manuela como vice-presidenta.

    “A Manu criou uma conexão muito forte entre os movimentos que defendem a cultura da paz”, afirma Celina Arêas, secretária da Mulher Trabalhadora da CTB.

    “Eles deram um golpe com a justificativa que tirariam o Brasil da crise. Mas, o que eles fizeram neste teste de governo? Agudizaram a crise. São milhares de desempregados(as), aumentou o número de jovens que abandonam a educação de nível superior e a miséria cresce cada vez mais”, afirma Manuela.

    Lembrando que “as mulheres trabalhadoras estão passando pelas piores inseguranças”. Em referência ao alto índice de desemprego e subemprego, que já atinge quase 30 milhões de pessoas.

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    Manuela com Fernando Haddad iniciando a campanha eleitoral (Foto: Ricardo Stuckert)

    Para Celina, a campanha desenvolvida por Manuela D’Ávila inspira as mulheres a irem à luta por igualdade de direitos. “As mulheres veem nela a possibilidade de se ter mais mulheres no poder, tanto na área pública, quanto na privada”, reforça.

    Formada em Jornalismo pela PUC-RS, a jovem candidata iniciou sua trajetória no movimento estudantil e já aos 22 anos assumia a vice-presidência da União Nacional dos Estudantes (UNE) e, em 2004, foi eleita a vereadora mais jovem de Porto Alegre, sendo a mais votada.

    A sindicalista gaúcha Luiza Bezerra, secretária da Juventude Trabalhadora da CTB, afirma que ela serviu de inspiração desde esse tempo. Luiza conta que começou a se envolver na política “de forma mais intensa” quando Manuela foi candidata a vereadora. “Em Porto Alegre, a Manu já havia iniciado essa mudança. Eu e milhares de jovens gaúchos fizemos a reflexão: a política pode ser ocupada pela juventude”.

    Aos 25 anos, ela foi eleita a deputada federal mais votada do Rio Grande do Sul, e reeleita para um segundo mandato, voltando ao seu estado natal como deputada estadual, em 2014.

    Em sua campanha, Manuela mostra que não será “uma vice-presidenta ornamental”, diz Elgiane Lago, secretária licenciada da Saúde da CTB. “A questão da saúde da mulher ficou para trás no governo golpista e a Manu traz esperança. Com ela podemos mudar essa triste realidade com a criação de novas políticas públicas”.

    Nos debates, Manuela D’Ávila defende a revogação da reforma trabalhista e da lei do teto de gastos (Emenda Constitucional 95), além da taxação de grandes fortunas para corrigir o injusto sistema tributário brasileiro, em que os 10% mais pobres gastam 32% do que ganham com impostos enquanto que os 10% mais ricos desembolsam apenas 21%, segundo dados da Receita Federal reunidos em relatório da ONG Oxfam Brasil.

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    Manuela em encontro da direção nacional da CTB, em São Paulo

    A participação da candidata em uma disputa nacional também aumenta a responsabilidade e representatividade de Manuela. “Manu trouxe as questões da juventude, de gênero e de raça para o debate eleitoral”, sem cair na provocação de candidatos extremistas, defensores do ódio de da violência. “As jovens mães percebem que a política também pode ser feita por elas. Essa representação das mulheres e da juventude está mudando o cenário político nacional”.

    Em tempos de destruição de patrimônios históricos, da educação e saúde públicas, dos direitos trabalhistas e de crescimento da violência contra a juventude negra, pobre e periférica, ela defende a reconstrução do país com Justiça e liberdade. Para Celina, Manuela D’Ávila incorpora “os sonhos das mulheres, das negras e negros, da juventude, dos povos indígenas, da população LGBT e, essencialmente, da classe trabalhadora, de voltarmos a ter uma vida com respeito às diferenças e aos interesses nacionais”.

    Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB


     Matéria pulbicada na revista Mulher de Classe, edição número 9, de setembro de 2018.

  • Para a deputada estadual gaúcha Manuela D’Ávila (PCdoB-RS), 35 anos, o movimento sindical não pode adiar o debate envolvendo questões de gênero. “Quem não perceber isso estará cada vez mais distante de suas bases. Não há como abstrair a dimensão de ser mulher na fábrica, no campo ou no escritório com as responsabilidades sociais que nossa cultura patriarcal ainda impõe às mulheres”, diz a parlamentar. Formada em Jornalismo pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, D’Ávila ingressou no movimento estudantil em 1999 e foi vice-presidenta da União Nacional dos Estudantes (UNE) em 2003. No ano seguinte, elegeu-se a vereadora mais jovem de Porto Alegre.

    Em 2006, ela foi eleita deputada federal e ganhou da mídia o título de “musa do Congresso”, em muitas reportagens que celebravam a beleza da parlamentar. “Isso me fortaleceu, fez com que eu trabalhasse ainda mais para desconstruir esses estereótipos”. D’Ávila se destaca na luta pela defesa dos direitos humanos e como ativista pela igualdade de gênero. Ela concedeu, por email, uma entrevista à revista Mulher de Classe:

    Mulher de Classe: Muito difícil ser parlamentar num país predominantemente machista?

    Manuela D’Ávila: Sim, é muito difícil. Sempre foi. E parece que crescem cada vez mais as dificuldades com essa onda conservadora.

    MC: Você despontou no movimento estudantil, como vê as ocupações de escolas e as lideranças femininas nessas lutas?

    MD: Essas ocupações, sobretudo as ocupações das escolas, têm ensinado a geração mais velha como é possível reinventar o movimento estudantil. É incrível que a maior parte delas é dirigida por jovens meninas, que enfrentam dificuldades muito grandes, inclusive nos seus núcleos familiares, que reproduzem o machismo na ocupação das escolas. Uma reinvenção de práticas do movimento estudantil.

    MC: Apesar das políticas públicas de acolhimento das mulheres e de combate à violência, o Brasil é um dos países que mais estupra e assassina mulheres, como vê isso?

    MD: Isso reflete muito da cultura do estupro na sociedade brasileira, da cultura de culpabilização das vítimas, de não falar sobre o assunto, de fazer reproduzir silêncios que na verdade são cúmplices da violência. O Brasil é um país machista, e dentro do machismo existe a idéia da posse da mulher, e da posse da mulher para a violência física e sexual são alguns passos.

    MC: O golpe que derrubou a presidenta Dilma acirrou a violência?

    MD: O golpe fragilizou todas as nossas instituições e, evidentemente, a violência aumentou com isso. A quem a gente deve algum grau de obediência se as instituições não são respeitadas?

    Eu acredito que o golpe acirrou a violência contra a mulher. E mesmo antes disso, o processo de construção do golpe, que foi um processo absolutamente ceticista e misógino, também fez com que essa violência crescesse.

    MC: Qual o papel da mídia?

    MD: A maior parte da mídia é cúmplice dessa construção do discurso machista relacionado com a presidenta Dilma. Basta lembrar das capas das grandes revistas. Na realidade, em um país que tem uma mídia com um comportamento misógino contra a presidenta da República, o que podemos esperar do tratamento dado à mulher comum que trabalha em casa, que auxilia nos serviços da sociedade?

    MC: Você postou em suas redes sociais uma foto amamentando sua filha. Foi atacada e sua resposta viralizou na internet. Como vê uma sociedade em que o ato de amamentar é agredido?

    MD: Tudo aquilo que é considerado público é retirado das mulheres. Às mulheres cabem os atos privados, e amamentar deve ser mantido no ambiente privado, porque na mentalidade machista é assim.

    MC: O que as mulheres precisam fazer para mudar essa cultura machista?

    MD: Elas precisam ocupar o ambiente público. Acho que esse é o principal debate que devemos fazer. Seja o espaço de Poder ou sejam os espaços das cidades.

    MC: Mais mulheres na política pode transformar essa realidade?

    MD: A curto prazo, eu só acredito nas cotas. E que elas sejam pra valer. Com cotas do financiamento público para candidaturas de mulheres, porque as pessoas dizem que mulheres não votam em mulheres. As votações de mulheres para a Presidência da República comprovam que isso não é verdade. As mulheres votam sim em mulheres.

    MC: Poucas têm sido eleitas. Por quê?

    MD: O problema é que elas precisam conhecer essas candidaturas, portanto, é preciso que as mulheres apareçam na televisão e que tenham os mesmos instrumentos que os homens.

    MC: Quando foi eleita pela primeira vez, a mídia te apresentou como a “musa do ongresso”. Como lidou com isso?

    MD: Naquela ocasião, em 2006, uma década atrás, quando eu assumi, foi tudo muito difícil, chegar em Brasília tão jovem como eu cheguei, com 24 para 25 anos, sem ter nenhum parente político, sem ser filha, sem ser neta, sem ter nenhum padrinho político, sem ser casada com um político, eu era a única deputada com menos de 30 anos sem ter um sobrenome importante, e aí eles ainda colocam esse rótulo. Isso me fortaleceu, fez com que eu trabalhasse ainda mais para desconstruir esses estereótipos.

    MC: Como mãe de uma menina, o que espera do futuro na questão de gênero?

    MD: Ser mãe de outra mulher é algo bastante desafiador, porque a gente vê e passa o tempo inteiro em um estado de vigilância com relação à perpetuação desses padrões, dos padrões estéticos, dos padrões de felicidade, dos padrões de divisão de brinquedos que refletem a divisão social dos trabalhos.

    MC: Ser mãe de menina aumenta a responsabilidade para ajudar a romper as barreiras da opressão machista?

    MD: A gente deve ser vigilante com a gente mesmo, mas também com os outros, desde as divisões das cores, das divisões de brinquedos, até a ideia de que menina não brinca com carrinho, e depois ela não pode dirigir, porque ela nunca brincou com aquilo, aquilo não é familiar. Então, é algo que exige muito cuidado porque o movimento da sociedade é muito forte para colocar a mulher no lugar que acreditam que seja o lugar da mulher.

    MC: Acredita que o movimento sindical e os partidos políticos agem para combater o patriarcado?

    MD: Eu acho que o movimento sindical e os movimentos sociais em geral, cada vez mais percebem a relevância da pauta de gênero para a conquista dos trabalhadores, porque não há como abstrair a dimensão de ser mulher na fábrica, no campo, no escritório, com a desigualdade que isso impõe, seja pela não contratação na idade ideal, pela demissão pós maternidade ou pelas responsabilidades sociais que nossa cultura patriarcal ainda impõe às mulheres. Então quem tem que levar na creche, quem tem que levar no posto de saúde é a mulher, isso faz com que ela falte mais dias ao trabalho.

    Tudo isso junto é uma pauta urgente do movimento sindical, e aqueles que não a pautarem estarão cada vez mais distantes das suas bases.

    MC: O que fazer para acabar com a ideologia patriarcal?

    MD: Acho que nós temos que começar tudo junto ao mesmo tempo, desde legislações mais punitivas, até um amplo debate sobre gênero nas nossas escolas e vigilância com conteúdo televisivo e midiático. São muitas as ações necessárias para que a gente tenha um país com uma outra cultura com relação às mulheres.

    Portal CTB - Marcos Aurélio Ruy. Foto: Reprodução do Facebook de Manuela D'Ávila

    Entrevista publicada originalmente na revista Mulher de Classe número 6, de abril de 2017.

  • Com justificadas ausências, a Comissão Nacional de Mulheres da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) se reuniu na manhã desta terça-feira (5), na sede nacional da central e debateu como enfrentar a violência e a discriminação de gênero.

    “Fizemos um balanço do primeiro semestre e projetamos nossas ações para os encaminhamentos das questões das mulheres no mundo do trabalho”, diz Ivânia Pereira, secretária da Mulher Trabalhadora da CTB.

    Na reunião definiu-se a necessidade de realização de encontros das secretárias estaduais com preparativo para o Congresso Nacional da CTB a ser realizado em agosto de 2017. Também “planejamos a realização do nosso 2º Encontro de Gênero e Raça ainda neste ano”.

    Além de Ivânia estiveram presentes, Kátia Gaivoto (secretária-geral adjunta), Gilda Almeida (adjunta de Finanças) e Raimunda Gomes - Doquinha (Imprensa e Comunicação). Mônica Custódio (Igualdade Racial, Marilene Betros e Lúcia Moura (diretoras executivas) estiveram em outras agendas.

    As mulheres de luta da CTB resolveram que a próxima edição da revista "Mulher de Classe" sai em outubro, com os temas mais relevantes da conjuntura. “Abordaremos as questões do cotidiano e das lutas pela emancipação feminina, igualdade de direitos e as dificuldades que enfrentamos no mundo do trabalho”, garante Ivânia.

    Ela também contou que ficou decidido que deve haver ampla participação das mulheres nas eleições municipais de outubro, tanto como candidatas, quanto como articuladoras de campanhas. “Precisamos estar na política com força total para acabarmos com a discriminação de gênero no país”.

    Portal CTB

  • Foto: Joca Duarte/Reprodução

    Com os principais temas sobre a feminilidade, a revista Mulher de Classenúmero 6 está sendo distribuída pelo país afora. "Esta edição mostra que as mulheres estão no front da resistência aos ataques aos direitos e conquistas da classe trabalhadora", diz Ivânia Pereira, secretária da Mulher Trabalhadora a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).

    Traz uma entrevista exclusiva com a deputada estadual Manuela D'Ávila (PCdoB-RS). "Não há como abstrair a dimensão de ser mulher na fábrica, no campo ou no escritório com as responsabilidades sociais que nossa cultura patriarcal impõe às mulheres", diz a deputada comunista. "Quem não perceber isso estará cada vez mais distante de suas bases", complementa.

    Além dessa entrevista, a revista tem reportagem sobre o 8 de março - Dia Internacional da Mulher -, em São Paulo e um recorte sobre a dupla discriminação sofrida pelas mulheres negras. Apresenta também o Encontro Nacional da CTB: Visão Classista sobre a Diversidade Social, ocorrido em novembro de 2016, no Rio de Janeiro, onde a CTB criou o Coletivo LGBT.

    A socióloga Mary Garcia Castro escreve sobre o que ela chama de o "novo feminismo". Castro diz que "existe um novo feminismo que está decendo da favela e, por vielas próprias, enfrentando a ordem capitalista patriarcal".

    Já a presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Carina Vitral lista as perdas para a juventude com o golpe. "Em todos os momentos da história brasileira, a juventude nas ruas foi responsável por definir os rumos do país. Não há porque tal roteiro ser diferente neste momento".

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    Como não poderia deixar de ser, as dificuldades enfrentadas pelas trabalhadores rurais e como elas se organizam para resistir aos desmandos do governo golpista. A dirigente da União Brasileira de Mulheres (UBM), Abgail Pereira faz um balanço sobre a luta sindical e política sob a ótica das mulheres.

    "Nossos caminhos se econtram, onde quer que estejamos, porque nossa prática é pautada pela defesa dos interesses maiores de nosso povo, fundamentada nos princípios da defesa da liberdade, da democracia e do desenvolvimento econômico com valorização da classe trabalhadora".

    "O Estado pode contribuir para a promoção dos direitos das mulheres por meio de diversas intervenções no sistema educacional", diz Marilene Betros em artigo sobre os mais importantes debates sobre a educação como área estratégica para o desenvolvimento nacional.

    Também a 2ª Conferência Nacional de Saúde das Mulheres não escapou do crivo da equipe da Mulher de Classe. Assim como um histórico da atuação das mulheres no front da Revolução Russa, que em 2017 completa 100 anos.

    A coordenadora-geral da UBM, Lúcia Rincon relata os acontecimentos do Congresso da Federação Democrática Internacional. Um artigo de Ivânia Pereira sobre a Comuna de Paris e uma crítica do filme "Eu, Daniel Blake" e a poesia "Com Licença Poética", de Adélia Prado fecham a edição. Boa Leitura!

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